Antes de sermos quem somos… somos filhas.
Neste episódio especial do Ekilibrio ao Km9®, fazemos uma viagem ao lugar onde tudo começa: a mãe dentro de nós. Falamos da mãe que nos antecede, da mãe que nos formou antes do nome, antes da voz, antes da consciência. Da mãe que tantas vezes vive no silêncio, não por falta de amor, mas por falta de linguagem emocional. Da mãe que sente mais do que diz, que guarda mais do que mostra, que ama mesmo quando não sabe como expressar. Exploramos como herdamos um mundo emocional, feito de gestos, medos, forças, silêncios e padrões que se inscrevem em nós antes de sabermos falar. E como, muitas vezes, repetimos aquilo que criticamos… ou fugimos com tanta força que criamos extremos.
Este episódio é um convite a olhar para a mãe como origem, não como destino.
A reconhecer que antes de sermos mulheres, profissionais, mães, avós ou líderes… somos filhas. E ser filha é carregar uma história que não escolhemos.
Este episódio é para ti, filha. Para a mãe que vive dentro de ti.
E para todas as mulheres que desejam compreender a sua história com mais compaixão, clareza e liberdade. Se este conteúdo te tocar, partilha-o com alguém que precise de o ouvir hoje.
Com Carinho, Maria Luís
Para saberes mais sobre mim: 🌐 www.ml.com.pt 📲 @marialuis.coach Feliz Dia da Mãe — para a tua, para a minha, para ti.
- Origens e FormaçãoHerança emocional da mãe · Padrões maternos repetidos · Silêncio materno e suas causas · Impacto da mãe na identidade da filha · Compreensão e compaixão pela mãe
- Ser filhaCarregar a história herdada · Repetição de medos e batalhas · Força, resiliência e sabedoria herdadas · Poder de escolha e cura
- Convites para a mulherHonrar a mãe · Honrar a filha que foi · Honrar a mulher que é
Olá, bem-vinda, bem-vindo a mais um podcast do Equilíbrio ao Quilómetro 9. Eu sou a Maria Luís e hoje vamos falar de um tema muito especial. Hoje celebramos o Dia da Mãe. Anda daí e vamos juntas e juntos celebrar a mãe que temos dentro de nós. A mãe que nos antecede, a mãe que nos formou antes de termos um nome, antes de termos uma voz.
antes de termos consciência. E hoje falamos daquela mãe que tantas vezes fica em silêncio. A mãe que guarda mais do que aquilo que mostra. A mãe que muitas vezes não sabe explicar, não sabe expressar, não consegue mostrar o sentimento que tem pelo filho e pela filha. A mãe que falha, a mãe que tenta, a mãe que repete, que se perde.
e que se reencontra também. A mãe que de alguma forma governa as nossas escolhas, mesmo quando já somos adultos, quando somos independentes, conscientes. Porque antes de sermos mulheres, homens, profissionais, mães, avós, terapeutas, empreendedores, líderes, somos filhos e filhas. E ser filho e filha é carregar uma história que não escolhemos, mas que nos escolheu.
Uma história que nós herdamos. Um mundo emocional porque recebemos da nossa mãe ou da família a forma como ela sentia, como ela reagia. E assim acabamos por nos moldar, às vezes discutimos, reclamamos da forma como ela reage e fazemos exatamente a mesma coisa. Imagina uma mãe que cresceu num ambiente onde mostrar as emoções era um sinal de fraqueza.
A nossa mãe aprendeu a ser forte, aprendeu a ficar em silêncio. Quantas vezes eu percebi o silêncio da minha mãe? Quantas vezes eu percebi que ela guardava para dentro? E quantas vezes eu como filha também guardei? E quando temos filhos, sem percebermos, nós acabamos por transmitir esse mesmo padrão. Não chorar à frente.
Não falar sobre o que se sente e responder está tudo bem. Valorizar quem aguenta firme e a filha ou o filho muitas vezes cresce a achar que sentir demais é errado. Mostrar vulnerabilidade é perigoso. Então, já adulta, muitas vezes a filha tem a dificuldade em expressar as suas emoções, em confiar nos outros.
É impedir para ser cuidada. E eu já fui assim. É herdado de um mundo emocional. E ninguém é culpado pela existência desse padrão. É transmissão. Mas é isso que nos desafia também. E muitas vezes nos salva. Porque quando tomas consciência que existe um padrão.
Tu podes escolher fazer diferente daquilo que observaste na tua mãe e não gostaste. E hoje eu quero convidar-te a fazer uma viagem interior. Uma viagem ao lugar onde tudo começou, no ventre emocional que te deu origem. Há mulher que te trouxe ao mundo com luzes e com sombras, com força e com fragilidade. Porque é mãe. E mãe é literalmente a razão da nossa existência.
Quando consegues compreender isso, muda tudo o que possa ter acontecido. Mudam as mágoas, mudam as dores. Agora convido-te a respirar fundo. Porque este episódio é para ti, que és filha. E para a mãe que vive dentro de ti. Se a tua mãe, por medo ou por uma dor antiga, aprendeu a calar o coração, a filha, ainda sem palavra, toma para si o silêncio.
Quando chega à idade adulta, nós trazemos no peito um eco que não é nosso, mas que nos governa. Mas que herdamos do mundo das emoções. E esse tal legado, vindo de tempos antigos, aquilo que ela recebe, as dores, os gestos, os medos, as forças. E assim muitas vezes passamos a viver segundo as dores que não são nossas.
Mas é uma herança que aprendemos antes de saber falar. E muitas vezes é uma herança que diz, eu estou aqui, eu não sei o que dizer, eu tenho medo, mas eu quero proteger-te, eu não quero preocupar-te. Eu não aprendi a expressar-me. Esse é o silêncio de muitas mães que muitas vezes se refugiam em drogas, em álcool, devido a dores que não conseguiram enfrentar. Faz-nos crescer depressa demais ou ficar pequenas demais.
E muitas vezes somos adultas, mas continuamos a tentar decifrar o silêncio. Continuamos a procurar aprovação, validação, reconhecimento. Continuamos a tentar ser boas meninas, mesmo quando já somos mulheres. Porque o silêncio da mãe é uma herança emocional. E reconhecer isso é o primeiro passo para nos libertarmos daquilo que não é nosso. A mãe governa as nossas escolhas.
Não porque quer controlar, mas porque foi o nosso primeiro mundo. A força como ela nos amou ensinou-nos a amar. Para algumas pessoas não foi amor. Mas hoje percebe que foi a forma que ela tinha. Talvez a dor que ela sentia não lhe permitiu ser melhor do que aquilo que ela foi. A forma como ela se tratava ensinou-nos a tratar-nos. A forma como ela se relacionava com o corpo, com o dinheiro, com o trabalho.
com a vida. Formou-se o nosso mundo interno. Mesmo quando dizemos eu não sou como a minha mãe, eu não vou ser como a minha mãe, mas a verdade é que de alguma forma acabamos por repetir padrões. Por exemplo, quem cresceu com uma mãe muito controladora que queria decidir tudo, a roupa que tu compravas, os teus amigos, os horários que tu fazias, já em adulto.
Talvez te sintas sufocado e a pensar, eu nunca vou ser assim. Então cresces e fazes o movimento oposto, mas em extremo. Evitas compromissos, não assumes decisões, não crias as tuas rotinas, rejeitas qualquer estrutura e vives a deixar a vida acontecer. A mãe governa as nossas escolhas, porque a nossa identidade nasceu dentro dela.
E tudo o que nasce de algo leva marcas desse lugar. Mas governar não é condenar, é apenas influenciar. Influência pode ser transformada. Antes de sermos quem somos, somos filhas, somos filhos. Ser filha é carregar uma história que não escrevemos. É herdar dores que não vivemos. É repetir medos que não são nossos. É continuar batalhas que começaram antes de nós.
Mas ser filha também é ter força, também é herdar resiliência, é herdar sabedoria, é herdar amor, mesmo quando esse amor foi tão imperfeito. Ser filho ou filha é o primeiro capítulo da nossa vida e nenhum capítulo inicial determina o final da história. Quando reconhecemos que somos filhas, ganhamos poder, porque percebemos que podemos escolher o que manter, o que curar e o que libertar.
Olhar para a mãe como origem, não como um destino. A mãe é a razão da nossa existência, mas não é o limite da nossa vida. Ela deu-nos o corpo, deu-nos o início, deu-nos o primeiro amor. Mesmo que torto, mesmo que de forma incorreta, mesmo que difícil, mesmo que em silêncio. Mas o resto, o resto é nosso. A maturidade emocional começa quando deixamos de culpar a mãe.
e começamos a compreender a mãe. Quando deixamos de exigir que ela seja perfeita, e começamos a vê-la como uma mulher. Quando deixamos de procurar nela o que só podemos encontrar em nós. A mãe é a origem. Nós somos o caminho. Hoje, neste dia da mãe, quero deixar-te três convites. Primeiro, honra a tua mãe, do jeito que for possível.
E honrar não é concordar com tudo, não é romantizar, não é esquecer. É reconhecer que ela fez o que conseguiu com o que tinha. Depois, número dois, honra a filha que foste. A menina que tentou agradar, a menina que tentou ser forte, a menina que tentou ser suficiente. Ela merece colo, ela merece descanso, ela merece ser vista. E depois, honra a mulher que és hoje.
A mulher que escolhe, a mulher que cura, a mulher que transforma. A mulher que continua o caminho com consciência, com amor, com liberdade. A mãe é a nossa origem, mas não somos o nosso destino. Que este episódio te ajude a olhar para a tua história com mais compaixão, com mais clareza e mais gratidão. Mesmo que ainda haja dor, mesmo que ainda hajam perguntas, mesmo que ainda haja silêncio.
Se chegares até aqui, gratidão por caminhares comigo. Para saberes mais sobre mim, consulta o meu website em www.ml.com.pt ou arroba marialuís.cox Feliz dia da mãe, para a tua mãe, para a minha mãe que está no meu coração, para ti que és filha e para a mãe que vive dentro de cada um de nós.
Um abraço com muito carinho no teu coração e no coração da tua mãe.