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Observatório Feminino debate sobre o caso da mulher que matou o marido após anos de agressões

03 de maio de 202624min
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O Observatório Feminino desta semana fala sobre o caso de Andréia Alves da Silva, de 46 anos. Ela foi detida, ouvida e liberada pela polícia sob a suspeita de matar o marido em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

Andréia relatou que pegou a faca para se defender do homem, identificado como Adalberto Ribeiro, de 42 anos, enquanto era agredida. Ela ainda contou que o marido "era um príncipe" no início do relacionamento, mas com o passar do tempo, ele passou a desrespeitá-la. Andréa denunciou o marido e chegou a encerrar a relação, mas reatou após acreditar que ele mudaria. 

Em entrevista à Itatiaia, a mulher acredita que, caso não se defendesse, poderia ter morrido naquele dia: "Não era a família dele que estaria chorando. Era a minha que estaria chorando, e meus filhos também. Eu só me defendi".

Participaram da conversa a Pastora, Mentora de Família e comunicadora, Márcia Resende. Também a Promotora Denise Guerzoni, que é Coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher  do MPMG. 

Participantes neste episódio5
F

Fernanda Rodrigues

HostComunicadora
A

Aline Neves

Co-host
A

Amanda Antunes

Reporter
D

Denise Guerzoni

ConvidadoPromotora e Coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do MPMG
M

Márcia Resende

ConvidadoPastora, Mentora de Família e comunicadora
Assuntos4
  • Caso Andréia Alves da SilvaViolência doméstica e agressão · Legítima defesa · Andréia Alves da Silva · Adalberto Ribeiro
  • Redução da Reincidência em Violência DomésticaCiclo de violência · Baixa autoestima e carência · Abuso psicológico e emocional · Educação de filhos e prevenção · Medidas protetivas
  • Sistema de Justiça e Saúde no Combate à ViolênciaAtuação do Ministério Público · Projetos em hospitais · Letramento de gênero · Medidas protetivas e botão do pânico
  • Violência contra a mulherCasos registrados no sistema de saúde · Feminicídios tentados e consumados · Subnotificação de casos
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Olá, bom dia, Observatório Feminino no Ar, comigo Fernanda Rodrigues. E na bancada eu tenho a pastora Márcia. Bom dia, pastora, mais uma vez aqui com a gente, muito obrigada. Obrigada a você, obrigada a você, Fernanda, muito bom estar aqui mais uma vez.

Temos também aqui a promotora Denise Gersoni, que é coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ministério Público de Minas Gerais. Bom dia! Bom dia! Uma alegria estar aqui nessa bancada. Prazer é todo nosso em te receber. Aline Neves, bom dia! Bom dia, Fernanda! Bom dia, bancada! Bom dia para quem está acompanhando o Observatório pelo Radinho e também pelas redes sociais da Itatiaia.

E se você acompanha a Rádio Tachaya, você com certeza ficou sabendo desse caso que, assim, chamou muita atenção na última semana. A Amanda Antunes, que é aqui também do Observatório Feminino, entrevistou Andréia Alves da Silva, de 46 anos. Ela foi detida, ouvida e liberada pela polícia sob suspeita de matar o marido em Ibirité, na Grande BH.

Andrea relatou que pegou a faca para se defender do homem enquanto era agredida. Ela ainda contou que o marido, identificado como Alberto Ribeiro, de 42 anos, era um príncipe no início do relacionamento. Andrea denunciou o marido e chegou a encerrar a relação, mas reatou após acreditar que ele mudaria.

Eu vou colocar aqui agora pra vocês um trechinho da fala dela pra Amanda. Todo final de semana ele me batia. Era só ele bebê que ele começava a me bater. Entendeu? Aí me chamava de p***, me chamava de velha. E nesse dia ele queria até pegar o ventilador e colocar o cabelo meu dentro do ventilador.

E eu gritei, ele puxando, aí tirou o ventilador, eu quebrei o ventilador, ele puxou, aí o meu cabelo começou a me dar sogro dentro do quarto. Aí eu chamei minhas duas filhas, não era que eu chamei minhas duas filhas, elas não atenderam.

Eu queria pular a janela, aí eu não consegui pular a janela. Aí eu fui arrastando, arrastando até na sala e corri. E fui para a cozinha. Na hora que eu cheguei na cozinha, ele fez assim. Ele queria me bater mais. Aí para mim, defendeu, eu fui lá e peguei a faca. No começo, ele era maravilhoso. No começo, ele era um príncipe.

Aí depois ele começou a ficar agressivo, começou a me maltratar, a me trair, entendeu? Geralmente ele ficava me chamando de velho, meu peito era pequeno e começava a fazer aquelas...

E assim, eu falava pra ele que não era assim. Então, gente, eu acho que essa fala resume um pouco todo o modus operandi de relacionamento abusivo. Você acha que a pessoa é um príncipe, ele te cativa, ele te agride, ele pede perdão, ele vai mudar. Parece que a história se repete.

Sempre. O problema é que o fim é trágico. Dessa vez, a Andrea não morreu, mas ela foi obrigada a matar. O que ninguém quer também. A tragédia, ela está posta, né, doutora?

A tragédia está posta. Na verdade, esse relacionamento já vinha sendo pautado por uma violência extrema, uma opressão continuada ao que se extrai do depoimento da Andrea. E verdadeiramente, a mulher que vive sob essa opressão, sob essa violência física e psicológica, desafia muitos cuidados, inspira a proteção do Estado e infelizmente se chegou nesse resultado dito trágico.

Agora, acolhê-la, ampará-la e dar o prosseguimento do inquérito, do processo, enfim, aquilo que tem como desdobramento legal. Mas, claro, com uma perspectiva de gênero, compreendendo o que gerou esse fato tão trágico e, de certo...

Esperado, porque a violência, como ela estava na graduação que ela estava, era um final trágico anunciado. Não se sabia quem morreria, se ele ou se ela, infelizmente. Então é preciso, neste momento, acolhê-la e colher as provas, ver aquilo que foi feito, como feito.

Apurar. A senhora Márcia, são tantos exemplos diariamente nos noticiários, às vezes com pessoas próximas, que a gente vê um relacionamento que não está legal e que a mulher acha que vai salvar ou que comigo vai ser diferente.

Por que a gente não consegue mudar isso? Por que é tão difícil sair de uma relação? A gente sabe que tem a questão financeira, né? Como o André colocou aqui pra gente. Mas tem outros aspectos que é muito difícil se livrar de um relacionamento abusivo.

É, a gente realmente tem muitas perguntas, né? E a gente vê isso acontecendo sempre, os números, né? A gente vai falar sobre isso ainda, como os números estão aumentando muito significativamente. A gente vê, acho que cinco casos por hora, acho que até do próximo assunto que a gente vai falar aqui, mas a gente tá tudo misturado, né?

Então, eu volto a falar sobre a questão que eu falei até da outra vez que eu estive aqui. Eu gosto sempre de falar. A autoestima. A autoestima é muito importante. A gente criar os nossos filhos para que elas tenham autoestima fortalecida. É aquela questão que eu falei da alimentação, né? Porque as pessoas, elas se dão... Elas estão famintas. Elas estão sedentas. Elas estão carentes. Então, vem um cara que parece um príncipe. É claro que todo mundo dá sinais. Ninguém se torna um sapo de uma hora para outra, né?

Então, as pessoas não querem enxergar os sinais. Eu sempre falo, não despreze os sinais. As pessoas dão os sinais, mas a carência, e aquele envolvimento, porque ele é charmoso. Esses homens, eles têm aquele certo charme que envolve essas mulheres, e elas se deixam levar por isso.

É muito triste, no final do depoimento dela ela fala, se der valor você é preciosa. Eu até chorei nessa parte porque é exatamente a verdade. Nós somos muito preciosas, muito valorosas, né? A Bíblia fala tanto da vida, você vê o instinto da vida, o instinto dela que foi de se defender. Porque a vida é importante, a vida é muito importante de todos nós, de cada um de nós. E como você bem disse, lógico que ninguém quer um final desse, ninguém quer, como a doutora Denise disse. E acontecer esse final de um ou...

de outro, infelizmente, como a gente vê sempre. Ninguém quer uma mulher que por mais que seja se defender, ela não quer matar alguém, mas o que leva essas pessoas a se submeterem a isso?

Claro, tem essa questão financeira, mas muito mais do que isso. É essa carência, essa baixa autoestima, essa necessidade de que o outro me valorize, de que eu tenho alguém. Tenho alguém comigo, tenho alguém por mim. E infelizmente as pessoas se deixam levar até um ponto de chegar numa situação dessa. E como ela disse, não deixa ninguém te bater, mas não é só bater.

Não deixa ninguém te oferir com as palavras. Ninguém deixa ninguém te agredir com as palavras. Porque começa assim, né? Aquele abuso emocional, psicológico. E a mulher vai se envolvendo, se envolvendo. A gente enxerga o abuso físico. Mas o abuso psicológico, emocional é terrível. Então a gente precisa muito cuidar dos nossos filhos, da nossa família. Essa questão da autoestima. E olhar umas para as outras e tentar ajudar.

A doutora Márcia falou de cuidar das nossas famílias, dos nossos filhos e das nossas filhas, né, Aline? Eu acho que a violência de gênero, ela passa muito por isso, em como nós estamos educando os nossos filhos, como nós estamos criando os nossos filhos e as nossas filhas. Os homens para respeitar, cuidar e amar também das mulheres, e as mulheres para se sentirem amadas e saber que é. O que a Andrea disse, a pastora repetiu.

Nós somos preciosos. Cada vida, ela é preciosa. Então, eu acho que é um exercício que os pais, a escola também, todo mundo que faz parte da educação de um ser humano, de uma criança, do adolescente, precisa ter essa consciência e essa responsabilidade.

Claro, os adolescentes principalmente, os meninos. A gente vê aí movimentos na internet onde eles participam e esses movimentos já pregam ódio às mulheres. Então eles estão aprendendo isso desde pequenos, desde jovens. E aí se formam homens assim com essa raiva, com esse instinto de eu sou soberano, você tem que ser submissa, eu tenho que mandar na minha mulher.

É difícil, essa história tem várias camadas, né? Várias camadas que a gente fica imaginando o tanto que a Andréia correu, andou em círculos, né? Porque era uma mulher que dependia financeiramente de um homem, né? Um homem abusivo, um homem alcoolizado, né? Ela até procurou o Estado, ela pediu ajuda ao Estado, teve medida protetiva.

Teve todo o acompanhamento ali, mas pediu depois para retirar. E essa questão financeira, depender de um homem financeiramente, eu sei que existem bolhas, eu sei que não é para todas as mulheres que podem sair de um relacionamento abusivo, porque elas dependem, sim, financeiramente ali do companheiro.

Mas tem a rede de apoio, Fernanda, tem a rede de apoio de amigas, de familiares, né? O negócio, eu acho que é dar o primeiro passo, assim, pra gente conseguir. E claro, também falar para as meninas, não só para os meninos, né? Que elas são, como a pastora Márcia diz, preciosas, a vida delas é preciosa. E o homem e a mulher, eles estão ali pra somar, né? Pra...

formar uma família, para ter essa geração aí, para a gente acabar com essa violência contra a mulher. Doutora Denise, uma última pergunta que também fica muito quando a gente fala de violência de gênero, de violência contra a mulher, mais especificamente, tem uma dificuldade de procurar as autoridades, o poder público nesse socorro, de acreditar nisso?

Olha, existe uma dificuldade, às vezes um constrangimento, um temor de estar com o Estado. Mas hoje, com as campanhas, com os projetos, o Estado está pronto e apto a receber essa mulher, acolhê-la. Existe hoje uma gama de serviços especializados, como a promotoria de justiça especializada, a vara judicial especializada, a polícia civil também, a polícia militar, de forma que os equipamentos hoje trazem esse viés de acolhimento.

Porque muito se dizia no passado que o agressor era a figura central de um processo ou de um inquérito. Hoje o processo penal contemporâneo coloca a vítima e o núcleo familiar no seu entorno, como o centro do processo. Hoje não somente a mulher é vítima, mas todo o entorno. Os filhos da Andréia são igualmente vítimas, porque eles presenciam episódios rotineiros de violência física, violência psicológica. Então hoje...

sai do limite do que seria unicamente aquela vítima destinatária daquela agressão, seja de que natureza for, para extravasar para todo o núcleo familiar que suporta a opressão e de igual forma aquela mulher. A gente vê nesse caso da Andrea, o direito é ele...

ele vem e deseja logo classificar aquela conduta, se ela agiu em legítima defesa, se ela agiu em inexigibilidade de conduta diversa, quais são os fatores que a excluiriam de uma possível imputação, de uma resposta criminal. Então o que é importante hoje é que a justiça tenha no seu manto e na sua aplicação o protocolo com perspectiva de gênero, que atue nesse caso com perspectiva de gênero.

ponderando que todo o histórico de violência que ela suportou ao longo dos anos, com medidas protetivas sendo solicitadas, que tudo isso seja considerado e validado para quando dá análise final desse fato que está colocado da forma como ela mesma expressou.

E essa tragédia, gente, ela impacta toda a sociedade. A gente já falou aqui muito do impacto familiar. E impacta também o sistema de segurança e o sistema de saúde. E aí, um levantamento exclusivo da Rádio Tachaya para a série Raio-X da Violência contra a Mulher.

mostrou que em Minas Gerais, a Minas fechou 2025 com quase 49 mil casos de violência de gênero registrado em atendimento no sistema de saúde do Estado. Os números significam mais de 133 casos diários ou mais de 5 ocorrências por hora.

Segundo dados do sistema de informação, de agravo, de notificação, os casos de violência de gênero em Minas alcançaram um recorde nos últimos 15 anos. Quer dizer, só vem aumentando. E aí, isso é o que chega no sistema público de saúde. Fora as pessoas que nem procuram o sistema.

Público de saúde, né? Mas aí, quando você fala, você fala num impacto principal, que nós já tocamos aqui, que são as vidas que se perdem. A gente fala também do que é o impacto financeiro, do que é o impacto social, impacto na saúde.

Impacto em todos os sentidos. Por isso que é tão recorrente esse assunto, aqui no programa principalmente, e também que a sociedade toda esteja envolvida. É preciso que todos entendam a importância do combate à violência.

Com certeza. A gente precisa fazer uma rede, uma rede de apoio, uma rede de frente. É como se fosse uma guerra. Eu acho que isso é um tema de guerra. O que acontece numa guerra? Infelizmente, a gente está vendo guerras acontecendo e se estendendo.

aos nossos olhos desnecessariamente, mas essa é uma guerra real, porque é algo que parece que a gente fica impotente, mas a gente precisa agir, né? Eu, como pastora, a gente atende muitas pessoas, a gente aconselha muitas pessoas, a gente recebe muitas pessoas que passam por situações terríveis, né? Eu me lembro de uma mulher que uma vez me procurou, tem muitos anos, acho que a gente nem usava tanto o WhatsApp na época, e ela me falou isso, que ela sofria violência, o marido dela era da polícia.

E ela também dependia totalmente financeiramente dele. Ele era muito provedor, ela não precisava de nada, tinha uma filha só. E aí, o que fazia? Eu falei, você precisa confiar de que você é capaz de conseguir um emprego, você é capaz de se sustentar e abandonar esse barco.

Porque você não pode submeter a isso, né? E ela tinha medo, enfim. Resumindo a história, graças a Deus ela me procurou um tempo depois, pessoalmente, me falou que tinha deixado esse relacionamento, que estava feliz, que tinha arrumado um emprego numa loja boa aqui em Belo Horizonte de Chovais.

e que a filha estava bem, depois ela me procurou, falou que a filha tinha se formado, tinha se casado, e graças a Deus, assim, mas é um trabalho tão de formiguinha, não é, Fernanda, e doutora Denise, e Aline, a gente precisa se unir, a sociedade, a igreja, seja a igreja, que igreja for, né, não é de religião que a gente está falando, a gente está falando de comunidade, a gente está falando de apoio, a gente está falando de trabalho.

de ensinar mães e pais a realmente gerirem seus filhos, ajudar as mães solo. Nós tivemos um evento agora, no dia 1º, lá na igreja, maravilhoso de apoio a mães solo, com cabelo, unha, maquiagem, comida, lavagem de carro, quem tinha carro usou, mas foram lavar o carro delas. Ajudar, porque são realidades muito diversas no Brasil.

de mães que criam seus filhos sozinhas, de pais separados, de mãe que traz um outro homem para dentro de casa sem conhecê-lo, sem saber quem ele é. Esse homem se torna um violento. Enfim, são muitas situações. Então, se a gente se unir, sociedade, igreja, governo...

de uma forma muito intensa, realmente, procurar todos os órgãos para que a gente tente diminuir cada vez mais como uma operação de guerra. O que a gente precisa? Estar armado, estar preparado, estar treinado para a gente ajudar a diminuir essas estatísticas que são terríveis. Você fala de cinco mortes por hora?

Gente, isso é inadmissível. Vou trazer um dado, Fernanda, uma outra ótica com relação ao sistema de saúde que acho bastante importante. Vou trazer um dado. 24 e 25, nós tivemos aproximadamente 83% das mulheres que sofreram ataques letais ou quase letais, feminicídios tentados e consumados. 83% delas não tinham ainda medidas protetivas.

Isso significa dizer que elas não haviam alcançado ainda o sistema de segurança e o sistema de justiça. E elas existem. Os números estão aí para comprovar objetivamente este fato. E aonde essas mulheres estão? Elas estão no sistema de saúde, onde a Rádio Tatia foi ancorar a sua reportagem. E firme nesse entendimento e nessa percepção de que elas estão no sistema de saúde, nós estamos, enquanto Ministério Público, com um projeto...

muito grande no ambiente de saúde, em hospitais públicos e privados e filantrópicos, com dois eixos. O primeiro eixo, que já é uma realidade na rede FEMIG, no SUS Minas, e em mais de 100 hospitais, 7 ministérios públicos pelo Brasil, porque o ambiente de saúde é o ambiente propício para veicular...

o conteúdo de proteção, quais os tipos de violência, exemplificando, não só dizendo, mas exemplificando, por exemplo, uma violência psicológica que seria humilhar, ridicularizar, isolar, porque muita gente conhece os termos, mas não sabe exatamente traduzi-los na vida real. Então, dentro do ambiente de saúde hoje, nós temos o conceito da violência.

Onde procurar ajuda? O que são as medidas protetivas? Por que requerê-las? Onde requerê-las? O que fazer em caso de descumprimento para além de trazer os direitos sociais das vítimas de violência no equipamento de saúde? Por exemplo, estar acompanhada por terceira pessoa, prioridade de atendimento.

cirurgia plástica reparadora odontológica em caso de violência, cirurgia plástica reparadora como um todo também em caso de violência. Por quê? Porque ao invés dela, de nós esperarmos, enquanto Estado, que ela se reporte à justiça ou à segurança, a gente sai do gabinete, entrega essa proteção dentro do equipamento de saúde e uma questão muito importante que vem repercutindo positivamente.

Estamos qualificando, capacitando todos os parceiros, todos os hospitais, inclusive o sistema SUS que aderiu em Minas à campanha.

com um letramento de gênero mínimo. Isso quer dizer o quê? Que os médicos, enfermeiros, psicólogos, o staff administrativo, portaria, todo e qualquer colaborador daquela clínica ou hospital, recebe um letramento para que ele possa identificar aquela mulher que dá entrada numa unidade de saúde, no posto, na atenção primária ou no hospital, e possa ser identificada. Porque a violência física, ela é...

ela é de fácil compreensão e percepção, mas hoje a gente tem um percentual de violência psicológica, por exemplo, contra as mulheres, que se não houver uma qualificação, uma capacitação do sistema para identificar, acolher e proteger, vai passar desapercebido. Então, apesar desse número imenso e de repercussão que é apurado, sem dúvida ainda existe uma subnotificação.

com relação àquelas mulheres que dão entrada, com diversos diagnósticos, enfim, porque estamos no caminho de melhor qualificar e atender essa mulher para que ela ali seja identificada e protegida.

Estamos no caminho, Aline. Estamos no caminho. Temos algumas coisas a comemorar, nem tudo, né? Isso que a doutora Denise trouxe aqui é muito importante, porque quantas vezes nós não nos sentimos, né? Julgadas, desamparadas, amedrontadas, intimidadas de chegar e pedir ajuda. E aí somos obrigadas a mentir, a omitir ou maquiar pra gente mesmo uma situação que a gente tá vivendo dentro de casa.

Então, se existe essa mão estendida, esse olhar clínico mesmo para o que está acontecendo, é muito importante. E quando a gente fala desses números e a gente fala desse desenvolvimento da sociedade como um todo, a pastora Márcia traz aqui a igreja.

Eu já falei da escola, os aparatos de segurança pública. Mas em cada trabalho, cada esquina, às vezes você tá ali, você trabalha no balcão de uma venda. Mas tem uma pessoa que vai ali toda semana e você percebe que ela chega com o olho roxo. Ela chega, né? Sempre com o olhar mais triste, dá sinais. Então, todo mundo precisa estar atento. Sim, e aquela máxima agora, né, Fernanda? Que a gente sempre fala aqui.

Em briga de marido e mulher, antes, né? Você falava, não se mete a colher. Agora a gente tem que meter a colher sim, né? Porque às vezes você tá com uma colega ali e ela pode estar envergonhada e falar, não, eu machuquei, caí em casa.

E não é, gente, é uma violência que ela está sofrendo. Ela precisa ter, se sentir confortável e ter uma rede de apoio, né? Se desabafar com outra mulher, para outra mulher talvez a levá-la em algum lugar, a levá-la à delegacia. É importante porque a pessoa se sente muito fragilizada depois de qualquer tipo de violência, Fernanda.

Gente, infelizmente a gente está chegando aqui ao fim do programa. Passa rapidinho demais. A gente queria continuar ouvindo aqui as nossas convidadas, mas eu quero muito agradecer a pastora Márcia, comunicóloga, participante aqui dos programas da Itatiaia, do Chamada Geral. Muito obrigada pela sua contribuição aqui com o Observatório Feminino. Já, Fernanda, já?

Queria ouvir tanto mais a doutora Denise, Aline. Muito obrigada por estar aqui. Muito obrigada pelo convite mais uma vez. Temas tão importantes, relevantes. Vamos juntos dar as nossas mãos, né? Sociedade, igreja, escola, governo. A gente vê o caso da justiça também. A saúde. Todos nós unidos para a gente conseguir diminuir cada vez mais esses dados terríveis. Deus abençoe todos vocês. Beijo. Muito obrigada.

Obrigada também para a promotora, doutora Denise Gersoni, que é coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ministério Público. Foi um prazer enorme. Muito obrigada pelas suas falas. Trouxe um pouquinho de esperança, um quentinho aqui.

Isso, um quentinho. E eu que agradeço essa oportunidade de trazer a informação, porque a informação, quando veiculada por um potente órgão de imprensa como o seu, ela reverbera. Então, informação é proteção. E se você me permitir deixar...

Uma mensagem para as mulheres que nos ouvem, para as vítimas em potencial que nos ouvem. Eu digo, numa frase única, as medidas protetivas salvam vidas, as medidas protetivas importam. Um percentual mínimo de mulheres sofreu feminicídios tentados e consumados. Esse percentual que eu te trago de 80% de mulheres.

83% dos ataques letais e quase letais não havia sido manejado um pedido de medida protetiva. Então se houver uma colocação, uma fala de desincentivo ou de desqualificar a medida protetiva, isso não procede. A medida protetiva, quando ela entra no judiciário, ela tem até 48 horas para ser deferida. Hoje a gente tem uma modificação legislativa importante em abril.

que além da monitoração eletrônica é entregue o dispositivo de alerta conhecido como botão do pânico em até 48 horas. Então o sistema está pronto, o sistema está apto, estamos aqui para acolhê-las e protegê-las. Obrigada.

Obrigada, a gente que agradece. Aline, muito obrigada. Fernanda, meninas, muito obrigada a vocês também. Domingo que vem a gente está de volta trazendo mais temas aí. Espero que temas mais felizes, né, Fernanda, para serem discutidos. Temas importantes. Um excelente domingo para todos vocês.