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Fintech Talks #118 - O Investment Banking na era da tokenização e da IA [Alexandre Reda / Atlas]

07 de maio de 202657min
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No episódio desta semana do Fintech Talks, recebemos Alexandre Reda, CEO da Atlas, para uma conversa sobre como o investment banking está sendo transformado pela tokenização e pela inteligência artificial.

Ao longo do episódio, exploramos a trajetória do Reda entre o mercado financeiro tradicional e o universo cripto, e como essa combinação deu origem à Atlas, uma plataforma que busca conectar o mundo de ativos privados a uma nova infraestrutura mais eficiente, digital e global.

A conversa aprofunda o potencial da tokenização para reduzir fricções históricas do mercado de capitais, desde liquidação e transferência de ativos até distribuição e acesso a investimentos, além de discutir o papel crescente da IA na automação de processos que antes eram altamente manuais dentro do investment banking.

Também falamos sobre o avanço regulatório no Brasil, que vem permitindo inovação com segurança, e sobre como o país tem se destacado globalmente nesse tema. Ao mesmo tempo, abordamos os desafios dessa transição, que envolve equilibrar novas tecnologias com a necessidade de proteção ao investidor e estabilidade do sistema.

Confira!

Assuntos9
  • Investment Banking e TokenizaçãoTransformação do Investment Banking · Tokenização de ativos · Inteligência Artificial no IB · Atlas (empresa) · Alexandre Reda
  • Atlas: Plataforma de Ativos PrivadosMercado de capitais · Ativos privados · Crédito estruturado · Mercado imobiliário · Tokenização
  • Trajetória de Alexandre RedaMercado financeiro tradicional · Universo cripto · Atlas (empresa) · BTG · XP · Banco Modal · Mercado Bitcoin (MB)
  • Interior do Brasil e desenvolvimentoCVM 88 · Regime fácil · BC Hashtag · BC Mais · Drex
  • Eficiência de mercadoDelivery versus payment · Custódia descentralizada · Portabilidade de investimentos · Investimentos cross-border · Blockchain
  • Desafios e Futuro do Investment BankingMigração para eficiência · Inteligência Artificial · Tokenização transparente · Gestão de garantias · Monitoramento em tempo real
  • Atlas como Plataforma GlobalMercados globais · Credit Saison · Barclays · Holding em Delaware · Investidores americanos
  • Modelo de Negócios da AtlasB2B (Business to Business) · Escritórios de investimento · Assessoria ao cliente · Family office · Gestoras
  • Aprendizados e Foco no ClienteFoco nas dores do cliente · Solução tecnológica
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Falando do Investment Banking e da tokenização, eu acredito que só começou. Então, a gente começou a falar sobre esse tema. Claro que fala-se disso há mais de 10 anos. Mas talvez a maturidade institucional foi ganhando...

depois de um tempo. Agora você vê pessoas do mundo tradicional, quando houve em tokenização, já ele não acha que é o Bored Ape. É, exato. Ele já ouviu que tem ativos que podem ser representados digitalmente, tem um processo mais eficiente. Então, assim, acho que tem muita inovação. Talvez o que tem de inovação, o que tem para acontecer no Investment Banking é só inovação. Pensando no que...

empreendedores que estejam querendo explorar esse espaço, eu acho que só está começando. Eu acho que é um ótimo momento para se estar, porque hoje está muito mais fácil você construir uma empresa do que era alguns anos atrás.

Porque a base é diferente. Seja base tecnológica de aliança e IA para acelerar desenvolvimentos e tudo mais, é uma coisa gritante. E eu acredito muito na continuidade dessa capilaridade. Então, hoje a gente vê várias fintechs espalhadas pelo Brasil, próximos das suas comunidades. Hoje, para o cara fazer uma tela num lovable, fazer uma base de dados num Supabase, que é uma ferramenta que conecta bases de dados via back-end com front-end,

Uma pessoa que não conheça de tecnologia consegue fazer. Então, você tem a capacidade de criar várias empresinhas que estejam nas suas comunidades, originando operações, por exemplo, fintechs de crédito via correspondentes bancários. A gente vê vários desses. E esses são os caras que originam produtos de crédito para a gente securitizar no investment banking e vender como investimento. Então, nunca teve tanto espaço para inovar.

Você me perguntou, você vai concentrar mais? Eu acho que não. Eu acho que a tendência seria...

você capilarizar mais os businesses e ser mais fácil você montar o seu próprio business.

Senhoras e senhores, sejam bem-vindos ao Fintech Talk, seu programa semanal sobre inovação financeira, fintechs e afins. E no programa de hoje, a gente vai falar mais sobre o Investment Banking na era tokenizada. Já falou alguma coisa em relação a esse tema em alguns episódios anteriores, mas eu acredito que a gente tem muito a atualizar em relação ao potencial do Investment Banking nessa nova fase baseada em blockchain. E para isso, a gente trouxe um convidado muito especial aqui. O nosso convidado de hoje é graduado em Engenharia Elétrica pela USP.

Ele é CFA Shartholder e possui mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Nos últimos anos, se dedicou a desenvolver soluções que aliam o mercado financeiro tradicional e a criptoeconomia, estando à frente de operações de investment banking nesse contexto. Em 2025, cofundou a Atlas, empresa que se propõe a ser uma plataforma escalável para mercados privados globais. Estou falando do Alexandre Reda, meu caro. Prazer tê-lo aqui.

falando sobre esse tema, sobre IP dentro da era tecnizada, e, enfim, todo o potencial que a gente tem de ganho de eficiência, enfim, de turbinar as operações dentro desse contexto, melhoria de distribuição e tudo mais. Mas eu vou deixar você poder falar isso daqui a pouco para a gente, cara. Muito obrigado.

Obrigado por me receber. Muito bacana trocar um pouco sobre a inovação nesse mercado aí. Legal. Reda, cara, começando um pouco, dando algum passo para trás aqui, até para contextualizar a nossa audiência, falando um pouco sobre sua trajetória. Você...

veio de um contexto onde você já vivenciou o mercado financeiro tradicional, teve contato também com a criptoeconomia de forma muito prática, nas posições que você já ocupou ao longo do tempo. Então, conta para a gente como essa jornada se fez.

E também como é que você, quando você percebeu de fato que a gente tem um potencial bacana para canalizar energia, para desenvolver algo baseado em blockchain, que ali o mundo de investment banking que você vivenciou por tanto tempo, também aqui com a criptoeconomia. Legal, legal. Bom, olhando para trás na trajetória, nesses 17 anos de mercado,

Eu acho que é um pouco do que você falou, acho que os primeiros sete anos muito no mercado tradicional, investment banking, bancos de investimento, Faria Lima e tal. E nos últimos dez anos, acho que foi um pouco de sorte, eu pude vivenciar algumas inovações nesse mercado. Eu acho que isso até está bem aliado com...

o mercado como um todo, a forma como os reguladores foram se adaptando dentro do mercado financeiro.

Então, até 2016, foi uma história mais de mercado tradicional, investment banking. Eu trabalhei quatro anos no BTG ali de 2012 a 2016. Quais áreas lá, mais ou menos? Foram basicamente investment banking, crédito, securitização e relacionamento com empresas. Então, eu acho que eu pude viver muito dessa faria-lima tradicional, investment banking.

E sempre numa lógica mais técnica de estruturação, modelagem, análise de crédito. E aí eu tive a sorte de entrar na XP no começo de 2016. A XP já era uma plataforma respeitada no mercado, mas ela ainda era muito menor do que ela é hoje. Ela tinha mais ou menos uns 20, 30 bilhões de reais em custódia.

E hoje ela multiplicou por 50 esse valor. Então foi muito legal poder viver essa evolução. E eu diria que é onde começa a minha jornada mais de inovação no mercado.

o próprio crescimento da XP foi um reflexo de inovação, de abertura dos mercados, que eram muito, principalmente o mercado de capitais, eram muito concentrados nos grandes bancos. E aí a XP se propôs a abrir esse mercado e construiu e ajudou a avançar muito os escritórios de agentes autônomos, os escritórios de investimento, consultores, as gestoras. Isso faz parte um pouco do que é a Atlas hoje.

Porque dentro da XP, eu vivenciando essa abertura do mercado, eu começo a ver como essa capilaridade de distribuição e originação pode gerar muito valor no mercado de capitais. Então, eu começo a pensar e desenhar, na minha cabeça, um investment banking.

aberto, uma plataforma aberta de investment banking, em que esses terceiros, que a gente chama de agentes autônomos, mas que se tornaram muito mais do que só agentes autônomos, se tornaram pequenos escritórios financeiros, que hoje não olham só os investidores, mas também as empresas atreladas a esses investidores, a esses clientes, e originam operações de crédito, de mercado de capitais.

Estou com interface muito, com barriga no balcão ali também, bastante. Exato. Vendo em loco muita coisa. E o Brasil é muito grande também. Enfim, a gente, às vezes, estando aqui na Faria Lima, a gente perde muito do que acontece nesse entorno. E isso é perfeito, Bruno, porque é justamente o que eu via, comparando com o mercado tradicional, como essa capilaridade, esses escritórios espalhados pelo Brasil estavam, às vezes, muito mais próximos do cliente do que a Faria Lima.

e essa proximidade ela gera muito valor então nesse período eu começo a ver como construir essa plataforma de mercado de capitais para os escritórios eu fico 5 anos na XP, eu vou para um banco médio

na época chamado Banco Modal. E lá a gente também continua avançando em como trabalhar com os escritórios. A gente chama de B2B, né? Com os escritórios de investimento, esse mercado de capitais. Isso começa a tomar mais tração. O Banco Modal é comprado pela XP.

E eu começo a... Eu e mais alguns sócios que hoje estão na Atlas, que estavam no modal na época, começamos a pensar já um pouco no projeto da Atlas Standalone, que é uma plataforma de ativos privados, um mercado de capitais, olhando essa capilaridade pelo Brasil. Bebendo, então, nesse modus operandi que casas como XP meio que sacramentaram aqui no Brasil. Depois o PTG também acabou seguindo uma linha parecida e tudo.

Perfeito, perfeito. E aí eu me aproximo do mercado Bitcoin e acabo me juntando à empresa, eu com esse projeto do mercado de capitais para o B2B, o mercado Bitcoin com uma visão de também focar e avançar no mundo B2B dentro da sua própria plataforma.

E eu sou provocado nessa jornada, a partir do começo de 22, além de pensar na inovação no Investment Banking per se, a também começar a olhar como a tokenização e a blockchain poderiam trazer um...

ganho de eficiência adicional, além do que a gente estava imaginando. Então, esse período foi muito importante para conhecer essa tecnologia, para entender os seus benefícios. Então, esse período de inovação que eu chamo, de 2016 até agora, ele passa pela visão de inovação no mercado de capitais e depois...

englobando também a tokenização, que é algo que hoje está ganhando muita atração. Lá em 2022 ainda não era tão claro como que isso se daria, mas acho que são esses dois estágios na minha carreira. Você falou da passagem pela modal, eu também já trabalhei lá, mas a gente não foi contemporâneo. É verdade.

Eu fui ali de 13 a 15 e você entrou depois. Foi quase, né? Foi, foi. Aí depois... Mas no final das contas, cara, assim, a provocação principal, assim, você estava ali, enfim, fazendo estruturação de produtos da via convencional, né? De produtos de crédito ali, né? Basicamente, né? Exato. E aí você, quando teve essa aproximação pelo MB, você foi para poder trabalhar...

Esse tipo de produto, nesse contexto lá dentro, que não tinha área, né? O MB já estava inovando. Sim. E já estava fazendo alguns pilotos e algumas operações no mercado de tokenização. E eu pude aproveitar dessa inovação que o MB estava iniciando e juntar isso a uma visão de investment banking, mercado de capitais. Então, acho que foi uma jornada muito legal.

Deu super certo, né? Até pelas coisas que eu já tinha visto na época, conseguiu alavancar bastante a área, o negócio desenvolveu bastante. E aí, quando chega a ideia de vocês montarem a Atlas, foi que ano exatamente que ela... Foi no final do ano passado. A gente acaba...

Acho que a ideia, já há alguns anos, mesmo na saída do modal, era de fato empreender. Eu sempre tive essa vontade de montar o meu próprio negócio. Acho que desde que eu entrei no mercado financeiro, eu sempre, ou logo no início, eu tive essa visão de ser sócio que eu estava construindo. Então, acho que o BTG tinha muito esse mindset.

A XP, o modal, né? Você trabalhou lá, né? Tinha uma partnership, né? E o próprio MB também tinha uma visão de partnership. Então, eu sempre gostei de ser sócio. E eu acho que a partir de 22, eu comecei a ter mais vontade de ser sócio, mas talvez o sócio principal ou montar algo do zero, né?

E aí eu tive essa oportunidade no final do ano passado, junto com alguns outros sócios, de fato colocar isso em prática. É sempre aquele frio na barriga, né? De você empreender, de você se jogar, né? De tomar esse leap. Mas eu sou muito grato a tudo que aconteceu. E hoje a gente... Enfim, nós fundamos a Atlas no ano passado. Nós estamos hoje com 20 pessoas no nosso time. Ah, que legal. E são pessoas complementárias, né? Então, tem sido... E dividido também, assim...

Talvez dividir bastante em tech também, obviamente, a galera de front, mas ainda também com aquela mesma visão que você teve na época da XP de capilaridade também, como é que você vem trabalhando essa parte comercial? Como está isso? 100%. A gente vê ainda uma oportunidade muito grande de poder trabalhar com esses terceiros, com esses B2B.

originando e distribuindo as operações, principalmente ativos privados. Acho que não tanto quando a gente fala de renda fixa tradicional, debêntures, CRIs, CRAS, que hoje são negociados de forma líquida, ou mesmo fundos.

mas muito mais em ativos privados. Quando a gente fala de crédito estruturado, real estate, mercado imobiliário, você tem aí alguns trilhões de reais no mercado brasileiro ainda a serem explorados em termos de mercado de capitais. O mercado de capitais evoluiu bastante no Brasil, mas não tanto ao ponto de que ainda há um espaço muito grande de inovação.

E pensando, assim, em termos de oferta, né, cara? Falando de algo do standard, do plain vanilla, que vocês geralmente ofertam ali para os clientes que vocês atendem. Você consegue, tem como você dar uma, descrever para a gente mais ou menos como funciona e contrastar, obviamente, com as operações que a gente vê análogas dentro do mercado tradicional?

Com certeza. Eu consigo, talvez, dividir em três grandes grupos. A gente pode falar de crédito estruturado, de mercado imobiliário e o mercado de infraestrutura. Eu acho que, talvez, focar no crédito imobiliário seja mais palatável.

Então, quando a gente fala de crédito estruturado, esses alguns trilhões que eu estou comentando com você que existem para serem explorados no mercado, é basicamente a carteira dos bancos. Então, hoje a gente sabe, o lucro dos bancos é muito relevante e o mercado de crédito bancário hoje está na ordem de 7 trilhões de reais. E a gente enxerga que...

por volta de 2,5 a 3 trilhões de reais que estão no balanço dos bancos, são ativos de muita qualidade e que poderiam ser disponibilizados para o investidor na ponta diretamente. Isso é feito principalmente via uma...

uma metodologia, uma ferramenta que se chama de securitização, que nos Estados Unidos é algo até mais profissionalizado, que vem sendo construído nos últimos 20 anos.

No Brasil, talvez ele seja mais jovem. Hoje, a gente vê, por exemplo, o crescimento dos FDICs. Se fala muito do crescimento dos FDICs. Então, chegando a quase um trilhão de reais em gestão. É um reflexo do potencial dessa securitização, mas que ainda tem muito espaço. Então, a gente basicamente empacota carteiras que originalmente estão em bancos.

em instrumentos de renda fixa e vende para o investidor. Então, você tem o benefício da pulverização do crédito. Muitas vezes a gente coloca um negócio que a gente chama de subordinação, que é uma proteção adicional. E aí você vende a parte sênior, como se fosse uma parte mais protegida do que essa parte subordinada. Então, a gente fala que a gente está quase que transformando um cliente investidor em um banqueiro, porque ele está conseguindo apurar.

bastante daquela carteira que já gera muito lucro para os bancos. E aí acho que, como eu disse, são vários trilhões de reais a serem endereçados. E aí uma pergunta que eu sempre recebo, mas como vocês originam esse volume tão grande de carteiras? E aí isso se alia muito às inovações desses últimos 10 anos que os reguladores e o mercado têm vivenciado. Então as fintechs...

seja SCDs, SEPs, instituições de pagamento, cada vez mais você vê empresas pequenas conseguindo originar essas estruturas de crédito que os bancos originalmente faziam de forma capilar, de forma espalhada pelo Brasil.

Então, esse pessoal, essas fintechs, as startups, elas originam esse crédito, a gente empacota e vende para o investidor. E isso tem sido... A gente vê um potencial muito grande de crescimento nisso. E aí, acho que a segunda parte, que é o mercado imobiliário...

É algo que é muito cultural do brasileiro. O brasileiro gosta de investir em imóveis. E a gente estima que na ordem de 10 a 12 trilhões de reais, hoje, são detidos por brasileiros em imóveis, fora a casa própria, o domicílio que ele mora. Então, quando a gente fala de 12 trilhões de reais, é o volume...

estimado em que os brasileiros investem fora a casa própria. Só que esse processo de investimento em imóveis do brasileiro é feito de uma forma muito analógica, não profissionalizada, com uma assunção de risco talvez desencaixada ao portfólio, ao perfil de risco dele.

Imagina um cliente que tem 10 milhões de reais em ativos financeiros e tem 20, 30 milhões de reais em imóveis. E como que ele avalia esses imóveis? O investimento desses imóveis é muito concentrado. Então, a gente enxerga que, trazendo a detenção desses imóveis,

de forma digital, o cliente consegue investir fracionalmente nesses imóveis, tomar menos risco num ativo específico e montar uma carteira mais pulverizada, ainda assim tendo uma rentabilidade interessante. É uma evolução, né, cara? A gente via, obviamente, no Brasil, nos últimos anos, a gente teve também todo um desenvolvimento de fundos imobiliários e tudo mais, né? Assim, talvez a gente está vendo uma nova roupagem em cima dessas tecnologias.

baseadas em tokenização e tudo mais. E no caso, até olhando um pouco para o que vocês fazem, vocês vieram com a tese de usar o trilho do blockchain como um trilho operacional para crédito estruturado e também para investimentos alternativos. E nesse caso, vocês enxergaram oportunidades aqui de falha, fricção, ineficiência do modelo tradicional. Onde é que vocês entendem, e até assim tentando trazer para o pessoal, você acabou de descrever exatamente o que você faz.

Em termos de produto, de construção de produto, que também é feito no mercado tradicional. Mas como vocês... O que vocês exatamente fazem? Todas essas versões desses produtos que vocês empacotam, vocês tokenizam? Como que... Só para o pessoal também... Legal, legal. Essa é uma ótima pergunta, porque eu diria o seguinte, né?

O processo de tokenização e como isso se insere no mercado, ele depende não só da parte de negócio, de business, do cliente se sentindo confortável, do originador, do investment banking, mas ele também precisa de regulação. De instrumentos regulatórios. De instrumentos regulatórios, de uma trilha regulatória.

E hoje, a gente vê que o business vai crescendo gradualmente junto com a regulação. Então, hoje, quando eu olho para a tokenização na prática...

eu ainda acho que talvez a gente tenha avançado uns 20%, 30% no que ela ainda pode prover. Então, a principal parte da tokenização, na prática, ela ainda não foi feita. Isso porque, justamente, para a gente implementar as coisas na prática, a regulação tem que vir junto. Então, é...

O que eu vejo de fricção que pode ser resolvida no mercado tradicional? E aí, para sair um pouco do conceitual e mais para a prática. Tem um exemplo que eu sempre enxergo na minha cabeça, a gente chama de delivery versus payment.

e você conhece muito desse assunto, a gente vê muita fricção, seja no mercado financeiro, seja no mercado tradicional de ativos reais, de você comprar um ativo e você ter a transferência da titularidade daquele ativo. Quando eu compro um ativo de você, essa titularidade do ativo ser transferida para mim. Quando a gente olha, por exemplo, o mercado imobiliário, hoje, se você vai comprar um imóvel, acho que a maioria da audiência...

que já comprou um imóvel, sabe como é demorado esse processo. A quantidade de agentes, seja notários, cartórios, RGI, e a fricção no processo de você ter que fazer um cheque, fazer uma conta escuro, né?

que poderiam muito bem ser resolvidos com essa feature da blockchain, que é o delivery versus payment, que é basicamente você liquidar um ativo na blockchain ao mesmo tempo em que essa titularidade é transferida para você. Sim. Então, esse é um exemplo que eu sempre dou, que é uma fricção que traria muita produtividade e eficiência para a economia se os ativos estivessem registrados e se a liquidação e a troca de titularidade fossem feitas na blockchain.

Mas existem diversos outros benefícios. Então, você tem uma custódia descentralizada, você tem um registro descentralizado em que, por mais que a regulação exija que você ainda tenha operadores no mercado que zelem pela segurança do investidor como uma depositária...

Você tendo uma base descentralizada, refletindo a titularidade daquele investidor e uma depositária só garantindo, só consultando como um backup, isso já geraria muito valor para o cliente. Uma outra coisa que a gente vê de doer muito relevante no mercado é a portabilidade de investimentos. Então, quando você vai fazer uma portabilidade de uma previdência, por exemplo. Hoje, mais ou menos 15% dos investimentos dos brasileiros, entre 12% a 15%, são fundos de previdência privada. Sim.

Quando você vai fazer uma portabilidade, eu estou com um investimento no meu banco e eu quero transferir para uma corretora, ou eu estou em uma corretora e quero transferir para outra, porque o meu banker, o meu agente autônomo está em outra corretora. Esse processo, a gente avançou muito nisso dentro da XP, mas talvez ter reduzido esse processo de 30 para 10 dias.

Mas mesmo assim, ainda tem muita gordura. Então, quando a gente vai somando esses benefícios, quando a gente olha, por exemplo, para investimentos cross-border, eu estou no Brasil, mas a gente sabe que o Brasil tem os seus desafios e muitas plataformas que deixaram disponível para o cliente investir lá fora, que surgiram nesses últimos cinco anos, talvez, com mais escala.

cresceram, justamente que o brasileiro está percebendo que ele tem que diversificar geograficamente. Só que, quando a gente olha essas plataformas, elas disponibilizam ativos líquidos, mas os brasileiros continuam investindo, principalmente quem tem um pouco mais de dinheiro, gostaria de investir lá fora em outros tipos de ativos e...

é tudo muito caixa preta, né? Porque eu vou mandar um dinheiro, mas para onde? Esse dinheiro, não sei se todos sabem, mas você vai mandar um dinheiro lá para fora, você vai demorar três a cinco dias para ver esse dinheiro depois do câmbio pingar na sua conta, porque você passa por um...

por uma infraestrutura que se chama Swift. Então, a blockchain, de novo, a gente fez operações no passado em que foram liquidadas imediatamente, cross-border. A gente construiu ao longo desses anos produtos que foram originados numa jurisdição, por exemplo, num país, e distribuídos para clientes em outros países. E a gente viu a blockchain gerar muito valor nesse processo. Sim.

E ao longo do... Falando um pouco mais da mecânica mesmo, do ponto de vista regulatório que você puxou aqui, para poder fazer essas tokenizações, esses processos também de emissão, olhando para o registro da operação e tudo mais, vocês lançam mãos de instrução tipo o CVM88 e coisas do gênero? Como é que vocês fazem, cara?

Perfeito. A gente, provavelmente a nossa construção toda se pautou em boa parte pela 88. Acho que foi um caminho muito elegante que a CVM encontrou de apoiar o mercado a inovar, mas ao mesmo tempo manter a segurança do investidor e manter uma trilha regulatória para fazer oferta de valores mobiliários, oferta pública de valores mobiliários.

Mas a gente vê outras estruturas surgindo, como por exemplo o regime fácil agora. Sim, sim. Claro que você ainda tem desafios de negócio em abrir capital ou fazer emissões de dívidas de empresas menores, porque geralmente justamente nas empresas menores você vai ter mais informalidade, você vai ter menos transparência sobre os financials daquela empresa, sobre o empreendedor. É uma empresa que talvez tenha menos escrutínio do mercado.

Mas ainda assim, foi muito interessante a evolução do regulador nesses últimos, diria, três anos, de oferecer um caminho para o mercado inovar fora dos sandbox que estavam sendo disponibilizados antes disso. Então, respondendo a sua pergunta, sim, a gente tem utilizado bastante a 88, mas a gente também opera via players regulados pela 160, por exemplo.

que é a regulação do mercado tradicional, antiga 400, 476. Então, a gente tem utilizado um pouco desses rails para fazer as nossas operações. Boa. O cliente típico que vocês geralmente trabalham lá, como é o perfil dele, cara? A gente tem focado e priorizado hoje na Atlas clientes que são assessorados. Então, a gente não tem uma distribuição de retail, de varejo direta.

E acho que a Atlas foi construída pensando no B2B, pensando que o relacionamento com o cliente é muito bom sendo feito com essa capilaridade descentralizada, com o escritório de investimentos, o advisor, o family office, a gestora próxima do cliente, em que o cliente confia.

e esse parceiro plugado na nossa plataforma consumindo os produtos adequados para o perfil de cada um dos clientes. Então, a gente acredita muito que os nossos produtos têm um perfil de venda assessorado, mas isso é hoje. À medida que a gente vai avançando e esses produtos vão ficando cada vez mais mainstream e entendidos pelos clientes na ponta, talvez...

faça sentido em algum momento eles serem distribuídos sem assessoria. A gente vê muita coisa em AI sendo construída, como o Robo Advisors agora, algumas startups entrando nesse mercado, tentando assessorar clientes via inteligência artificial. Mas hoje é assim que a gente está se posicionando.

olhando esse play local, eu entendo e dá pra ver com muita clareza essa questão de parceria com os assessores aqui, com os escritórios de assessoria e tal, e aí estamos falando de Brasil de uma forma ampla, né? Mas até no mesmo posicionamento de vocês e quando a gente entra no site de vocês

tem essa pretensão, essa intenção de ser uma plataforma global. Como é que você tem visto também essa conexão eventualmente com mercados globais? Não sei se talvez na distribuição, como é que vocês têm operado nesse sentido? E olhando também que vocês também têm sócios também globais, então eu também pudesse falar um pouco mais sobre isso também.

de quem apoia vocês com funding e que também talvez comprou a ideia de vocês terem essa plataforma, serem uma plataforma global em algum momento.

Bem, muito legal essa pergunta, Bruno, porque hoje no nosso CapTable, nos nossos primeiros investidores, a gente tem de fato algumas pessoas, a gente tem americanos, a gente tem, por exemplo, o principal investidor institucional nosso é o Credit Saison, que acreditou nesse projeto logo de início. Que é japonês. Japonês, exato.

Eles têm um braço em Singapura também e eles são muito adeptos de inovação, eles estão sempre presentes nas convenções, nos debates sobre tokenização, gostam muito desse assunto. Então, a gente tem, por exemplo, esse presidente de banco, por exemplo, Barclays, é um dos nossos board members.

E é muito interessante quando a gente fala disso, porque, em geral, quando o brasileiro olha... Eu mesmo, quando eu olhava para os Estados Unidos e comparava com o mercado de capitais brasileiro, você fala assim, nossa, mas lá é tudo muito mais desenvolvido. Esse mercado de capitais, a securitização, os produtos de securitização... Populares também é muito mais... Exato, são mais profissionalizados. Eles surgiram antes nos Estados Unidos.

Então, a gente sempre olhou para lá e falou, caramba, vamos copiar. Se você pensa na XP, os principais sócios fundadores da XP mencionam que foi muito espelhado na Schwab. E a Schwab, de fato, surgiu nos anos 70, 80, muito antes.

Olha o tanto que a gente estava atrasado em relação à tese, né? Assim, de distância de mercado. Anos 70, a XP fez isso nos anos 2000. A gente tinha 30 anos aí de gap pra se mimetizar uma tese grisinha, né? E aí, quando a gente foi construindo essa jornada aqui no Brasil...

a gente começou a se abrir, a conversar com investidores, com players globais. A gente começou a ir nessas convenções, a fazer conversas de negócios com esses parceiros. E a gente começou a perceber nesses últimos anos que o Brasil, especificamente em mercado de capitais e tokenização, começou a se distanciar à frente desses outros players globais. E você acha que é devido a que fator?

Eu... Regulatório? Eu diria que regulatório. O Brasil, do ponto de vista de mercado financeiro, fez uma agenda nesses últimos 10 anos muito bacana. Chamava-se BC Hashtag. BC Mais. BC Mais, depois BC Hashtag. Você acompanhou muito dessa jornada também. E isso aconteceu no mercado de pagamentos, arranjos, fintechs. A gente mencionou algumas coisas aqui.

Se você pensar o crescimento, a criação e o crescimento do Nubank mesmo, foi possibilitado por essa agenda regulatória. E quando a gente fala de tokenização e cripto, o Brasil também conseguiu, do ponto de vista regulatório, puxar essa agenda antes, seja via Drex, seja via CVM.

E aí a gente começou a perceber, até a entrada do Trump nos Estados Unidos, que a gente estava, de alguma forma, à frente. A gente se tornou, na casa antiga, a terceira maior tokenizadora de crédito provável do mundo. A gente começou a conversar com esses players americanos, players europeus, e eles muito curiosos. Nossa, mas o que vocês estão fazendo lá? Como é que vocês... Como é que o regulador... Em algum momento foi terceiro global, cara? Terceiro global. No ranking de missão, que legal.

Terceiro global. E atrás da FIGER e da Maple Finance, que são duas plataformas americanas. Na verdade, a Maple Finance é fundada na Austrália e a FIGER é americana, capital aberto já. Então, isso foi muito interessante, porque o regulador possibilitou isso. Então, a gente é muito grato à forma como o Banco Central e o CVM conduziram esse processo.

E o governo democrata nos Estados Unidos estava ao contrário, né? Estava avesso a esse tema nos Estados Unidos. E aí, com a entrada do Trump, a gente viu os americanos, principalmente os caras que a gente chama de TradFi, né? Sim. E os players tradicionais, como JP Morgan, Goldman...

Apolo, Blackstone, caras de mercados privados, eles começaram a criar suas células para explorar a tokenização. E aí a gente começou a se aproximar desse pessoal e começou a perceber que a gente estava à frente.

E a gente fica com essa síndrome de vira-lata, né? De, putz, os caras são melhores que a gente. Mas nesse caso foi muito interessante, porque a gente começou a ver que a gente tinha um espaço pra fazer alguma coisa diferente lá. Sim. E quando você pensa no Pix, por exemplo, né? Foi algo que os americanos estão trazendo depois agora, com o Zéu, por exemplo.

Então, a gente, de fato, tem alguns marcos no mercado financeiro brasileiro que estavam à frente lá de fora. Então, a gente observando esse espaço, a gente começou a pensar, poxa, esse business precisa ser global. Até porque uma boa parte dos benefícios da tokenização também estão atrelados a esse...

a esse investimento cross-border, tanto o investimento quanto a liquidação desses ativos. Então, via stablecoins, principalmente. Então, com essa oportunidade, com esse espaço que a gente enxergou, a Atlas já nasce como uma plataforma global. Então, a gente tem uma empresa...

no Brasil e a nossa holding é em Delaware, nos Estados Unidos. A gente tem dois sócios que moram nos Estados Unidos, são americanos, e nos ajudam a construir as nossas originações e distribuições, esses relacionamentos que a gente está construindo via esses sócios nos Estados Unidos. A nossa pretensão é continuar avançando lá também.

E distribuições internacionais não acontecem ainda? Está no plano? Tem algum elemento regulatório para que isso seja viabilizado ou não necessariamente? A gente está já com mais ou menos 40% do nosso deal flow. A empresa tem cinco meses. Então, a gente, de fato, está... A gente já liquidou oito operações, por enquanto, mas todas no Brasil. Mas, assim, 40% do nosso deal flow já é nos Estados Unidos. Ah!

E aí é uma questão de amadurecimento, a gente já tem algumas dezenas de buy sides, de investidores mapeados e que a gente se relaciona lá fora. Acho que é uma questão de tempo de a gente fazer a nossa primeira operação ou nos Estados Unidos ou na Europa, a gente já está rodando esses dois tipos de operação. Então, acho que é uma questão de tempo.

Legal. E pensando aqui, cara, assim, até quando a gente olha esse amadurecimento, essa evolução do mercado, a gente vê grandes nomes como Larry Fink, todo mundo muito pró esse movimento de tokenização e até um artigo que você escreveu para os startups aí há um tempinho atrás.

onde você fala que a nova corrente do mercado de capitais passa por blocos, não por fios. E, no final das contas, você está mencionando e falando dessa transformação, essa mudança de arquitetura dentro do mercado financeiro. E eu queria que você talvez situasse, do teu ponto de vista, como que você vê esse processo amplo de migração?

das estruturas tradicionais, como dizia, com muito intermediário ainda, que a gente vê no mercado tradicional, acontecendo para um contexto de maior eficiência, como a gente está conversando aqui. E há que tempo que você vê isso acontecendo também? Sobretudo, quais os principais desafios nessa virada de chave que você vê? Legal. Eu acho que...

Esses últimos anos, os players que foram testando as águas desse mercado de tokenização aqui no Brasil fizeram um ótimo trabalho de explorar e de entender quais eram os benefícios, o que se fazia de diferente.

E é interessante porque a gente vê, por exemplo, as novas tecnologias AI, a quantidade de processos que você está automatizando, a mudança nos controles, ferramentas de back-office, tecnologia, front-end de plataforma. Então, é natural que você tenha um avanço. Se você tem um avanço de business, você acaba tendo que ter um avanço regulatório para acompanhar isso.

Mas, justamente, acho que acaba que o business vai gerando a necessidade e é difícil o regulador antecipar o business. O business vai gerando a necessidade, só que o regulador tem que acompanhar. Então, o que eu enxergo hoje é que...

A gente está nesse processo agora de enxergar a regulação antiga, enxergar o valor que ela tem, porque eu acho que... Nos trouxe até aqui. Disruptar tudo também. Ah, não, vou rasgar o que a CVM...

pregou até aqui, vou fazer 100% diferente e tal. Eu acho que talvez seja menos por aí e mais por entender. O que se preserva da regulação antiga? O que eu mantenho para proteger o meu investidor, para proteger o processo, para proteger a estabilidade do ecossistema? Mas o que foi escrito 20, 30 anos atrás com um arcabouço operacional, de checks and balances, de compliance?

antigo que pode ser atualizado. Então acho que talvez eu respondendo a sua pergunta esse processo está sendo feito. É enxergar a regulação antiga e fazer um depara. O que eu preservo e o que eu atualizo?

se a gente for comparar na 160 ou na 88, que está em consulta pública agora, o que eu preservo dessa regulação antiga e o que de fato dá para a gente atualizar, mantendo as salvaguardas pétreas. Então, a gente está nesse processo, essas discussões estão sendo feitas com a CVM, com a Ambima, principalmente no mercado de capitais, que zelam do lado do investidor.

a proteção do investidor. E a gente vê que é desafiador investir no Brasil. A quantidade de problemas que a gente está tendo de recuperações judiciais, de escândalos, de fraudes, só reforçam que, de fato, o investidor precisa ser protegido. A regulação não está aí só para atrapalhar os players. O que a gente acaba vendo muito quando vejo nesses processos é primeiro a gente começa a ter uma tecnologia nova, a gente faz um puxadinho dentro do que...

dentro do que já tem de arcabouço, obviamente, com sorte a gente já tem algo que, por exemplo, é um precedente regulatório que foi criado para o crowdfunding, para o equity crowdfunding, mas a gente pode acoplar e tal, e a gente trabalha as questões das emissões, como tem sido feito, e coloca outros elementos tecnológicos nisso.

Mas à medida que o mercado vai entendendo quão mais barato e eficiente é isso, mais gente do mercado vai usando e existe uma pressão, uma hora o regulador transforma, cria uma regulamentação nova e tudo mais para acomodar isso. Porque não tem como nem todo o benefício que está aparente ali e que gera uma economia, uma hora o mercado inteiro vai acabar abraçando e utilizando isso de uma forma geral. Não dá para poder todo mundo ficar só olhando e não fazer. Mas...

Nesse meio tempo tem um limbo regulatório, uma gray zone aqui, que precisa ser resolvida, que está sendo resolvida, de certa forma, com toda essa movimentação na regulamentação cripto aqui no Brasil. E você... Como é que você tem acompanhado? Você tem acompanhado de perto esse movimento de PSAVs, de tudo aqui? Como é que tem sido isso?

Com certeza, né? A gente... Claro, né? A Atlas foi fundada no final do ano passado e a gente estava justamente no meio, né? Sim. Dessas mudanças, né? Da nova regulação das PSAVs e a gente tem se apoiado em escritórios de advocacia que nos tem apoiado e entender exatamente quais são as infraestruturas que fazem sentido a gente...

ter nesse momento, pensar pro futuro, né? Então, se a gente monta a plataforma de crowdfunding e também monta uma DTVM, monta uma CTVM, mas aí eu preciso da PSAV pra ter custódia em ativos digitais, mas aí tá na hora. Então, é de fato uma construção de Lego, né? E...

a gente tenta sempre entender o que o business vai precisar da gente nos próximos anos para ir encaixando essas infraestruturas regulatórias no tempo. Então, estamos certamente imersos nessa... Nessa movimentação. Nessa movimentação.

E, cara, falando um pouco, olhando também essa visão de transformação de mercado, falando de o Investment Banking, o IB, ele sempre foi muito um business de relacionamento, assim, no final das contas, pelo menos o tradicional, a gente via de confiança, capacidade de execução, obviamente, e capilaridade também, e com certeza a habilidade do aspecto jurídico para tudo isso parar de pé.

Quando a gente está falando disso dentro de uma era tokenizada, a gente tem esses novos elementos tecnológicos, mas talvez eles ganhem um peso diferente do que ele tinha na época quando a gente compara as operações da forma mais tradicional, da forma como eram feitas. Como é que você enxerga, cara, essa...

essa transformação, você entende também que a gente vai acabar talvez o domínio tecnológico de como fazer ou de como estruturar nesse novo contexto que é codificado, a gente também está falando aqui de outros elementos que entram nesse cômputo, ele vai ganhar mais peso e pode virar um diferencial competitivo quando você coloca todo mundo perfilado ali para poder eventualmente tomar uma operação dessa, levar um deal desse.

Com certeza. Eu acho que isso já está acontecendo. Acho não, isso já está acontecendo. E é impressionante a velocidade com que as coisas estão acontecendo, principalmente em inteligência artificial. A esteira de Investment Banking tem várias etapas ali que hoje todas essas etapas, ou sei lá, 90% delas, estão ganhando escala via bots, via agentes, via processos de inteligência artificial.

Desde o momento que você entende o que o emissor precisa, que tipo de operação que ele está te trazendo para você coestruturar com ele, até você passar isso tudo pelas várias etapas, até isso virar um produto de investimento, isso é tudo...

escalável via inteligência artificial e isso é uma das coisas que a gente mais está focando na Atlas. Então, respondendo a sua pergunta assim, o relacionamento com o cliente, por isso que acho que a gente acredita muito nessa capilaridade porque isso a gente, a confiança o olho no olho, né? Talvez em algum momento isso também possa ser disruptado pela inteligência artificial, mas nesse momento a gente vê que isso ainda tem muito valor.

Mas processos que antes eram trabalhosos, tinham concentração de informação, que acho que era uma das grandes arbitragens das grandes casas de investment banking. Só eles têm aquele know-how, só eles têm aquela informação, só eles conhecem quem são os investidores do Brasil que poderiam...

comprar um determinado ativo, agora essa informação está muito mais democrática e os processos e o conhecimento técnico dentro dessa esteira também estão mais disponíveis para todo mundo. Maltransparência de preço, maltransparência da cadeia, de uma forma que sempre foi muito preservada, de certa maneira, mas eu acho que existem elementos novos que estão trazendo...

uma velocidade diferente pra tudo isso. E aí, cara, olhando também, assim, vocês nessa jornada fazendo de uma forma diferente, desde a época do MB, obviamente antes, aqui na outra casa, imagino que vocês também já devem ter aprendido bastante coisa de como fazer nesse novo contexto, né? Se puder dividir aí com a gente, talvez, ou...

aprendizado que vocês tiveram, coisas que vocês vão fazer ou que não fazem, pontos de melhoria para essa operação de vocês agora nesse contexto de Atlas que vocês estão vivendo?

Pô, isso é muito legal poder compartilhar isso, Bruno, porque eu converso com bastante gente do mercado, principalmente de inovação no mercado de capitais, que tem também tateado muito a tokenização. A gente teve um evento importante aqui no mês passado, que foi o Merge. E eu pude encontrar uma série de players no espaço.

E eu ainda vejo muita gente focada na solução. E o que a gente aprendeu nesse período é olhar para o cliente, para as dores. Parece meio óbvio, né? Parece meio livro-texto de inovação de empreendedor. Não, foco no cliente. Mas é engraçado porque a gente vê muito...

Muito player, focado na solução. E quando você pergunta, pô, mas o que você está resolvendo aqui? Qual use case? Que tipo de cliente você testou um MVP? E ainda a gente vê muita dificuldade dessa resposta. E se eu pudesse dividir, um aprendizado é entender. O que a gente tentou fazer? Pô, eu estou atendendo um cliente investidor e eu estou atendendo um cliente que precisa de capital. E eu preciso conectar esses dois caras.

O que o meu cliente investidor está tendo de dor? O que ele precisa? Quais são os produtos que estão disponíveis para ele hoje? São suficientes? São de qualidade? Tem outros produtos que eu poderia trazer que gerariam valor? A gente buscou trazer essa resposta aqui.

Quem está precisando de acesso a capital, ele tem acesso a capital? Ele está sendo bem tratado? Os custos para ele fazer isso estão adequados? E aí foi uma outra coisa que a gente observou. A resposta é não, né? Tinha muito ganho para fazer aqui. Então, a gente tentou focar em buscar resolver esse problema.

antes, fazer MVPs e testar essa dinâmica, antes de focar na tecnologia. A tecnologia, a gente buscou derivar dessas dores. Sim.

Talvez, cara, e aí eu posso ter, pode ser até uma leitura errada minha ou não, mas eu vejo, você fala que ouvir o cliente é uma coisa tão disseminada, ainda mais quando a gente está falando de teses mais varejo, tá? Mas quando a gente olha o mundo de IB, que é talvez a elite aí do que quando a gente fala de mercado financeiro, ainda exista uma certa prepotência ou uma sensação de uma parte da turma acreditar que sabe...

Eu sei melhor como fazer e ouvir menos no mercado, talvez. Não sei, pelo menos assim, da experiência que eu tive quando eu vivi, o lado tradicional era muito nessa linha. Mas eu entendo que como o conhecimento também vai se tornando mais disseminado, as pessoas também têm um senso crítico cada vez maior. E certas, os gatekeeping de informação, cara, assim, você abre qualquer ferramenta de inteligência artificial, hoje você troca uma ideia...

Era algo que, às vezes, era guardado em sete chaves dentro de certas áreas e está muito mais aberto. Talvez... Você pensar... Pô, eu preciso... Para você emitir uma renda fixa, por exemplo, uma debênture, você precisa escrever uma escritura. Talvez, cinco anos atrás...

Se eu quisesse montar um investment banking, eu ia ter que falar, cara, eu preciso fazer uma escritura de debênture. Cara, imagina eu fazer do zero, né? Sim. Eu ter que pensar, aí eu ter que pedir uma cópia para alguém, né? Hoje em dia você escreve no GPT, me deu uma escritura de debênture lastreada nesse tipo de ativo. Meu, te vem na hora, o negócio já é escrito já com título, né? Sim, sim, sim. Então, é exatamente isso que você está falando.

É incrível. A gente parar pra pensar, é isso. Eu acho que quando derruba um pouco isso, é um exercício mais de humildade da gente tentar entender e fazer uma construção conjunta, né? Porque tem muita inteligência do lado de quem está provendo serviço, mas também tem muito o que pode ser ouvido e capturado de quem está precisando da solução, né? Sem dúvida.

E, meu caro, olhando talvez, certamente a questão das emissões, isso é algo que está dado, o mercado está correndo atrás e tal. Mas existem, talvez, caminhos menos óbvios desse segmento que você vê oportunidades também. A gente fala muito de tokenização, a gente fala de emissão-distribuição, o play que vocês têm...

focado aqui, mas a gente também tem outras inovações talvez mais subestimadas, a gente está dizendo aí também gestão de garantias, monitoramento de tempo real, toda a parte de servicing, de secundário, mercado secundário e automação de cova, enfim, a gente olhar, tem coisa pra caramba. Você tem alguns, como diz, outras oportunidades nesse perímetro aqui que você enxerga, que você entende que tem caldo pra tirar?

Eu acho que esses que você mencionou, que eu não tinha mencionado, eu acho que eles são muito críticos. A gestão de garantias, quando a gente pensa no valor que você geraria, trazendo o que a gente chama de real world assets, de ativos reais.

digitalizando esses ativos e trazendo eles para uma base, para uma estrutura, por exemplo, blockchain ou tokenizados, em que você possa bloquear esses ativos e utilizar eles como garantia, executar essa garantia. Essa garantia está lá com a informação centralizada para todo mundo consultar. Olha o valor que você está trazendo para o mercado financeiro como um todo. Então, eu consigo consultar se você possui um ativo, se esse ativo está desonerado, ou seja, se ele está livre.

Eu consigo bloquear ele e saber que ninguém mais está bloqueando. E aí se, infelizmente, eu tiver que executar a sua garantia porque você não me pagou, eu consigo fazer isso dentro da blockchain, vender esse ativo no secundário, liquidar e me pagar.

é claro que nesse processo, a gente está falando talvez de alguns anos ainda, porque você ainda precisa ter alguns entes que participam desse processo, no caso dos imóveis, por mais que você tenha no futuro uma matrícula... Um registrador, um cartório, todo mundo tem que fazer parte desse. É, exatamente.

Mas quando a gente pensa nisso, a gente olha o potencial e o próprio ONR, os RGs, sabem do valor que a blockchain tem para o trabalho deles. Sim. Então, se eles se plugam à blockchain e atualizam e participam desse processo, seja de registro, seja de execução das garantias na blockchain, a gente já vê um ganho de produtividade imenso. Então, acho que é um ótimo exemplo a gestão de garantias.

Boa, cara. E pensando talvez em empreendedores que estão vendo a gente assim, onde há espaço para construção ali, além dessas oportunidades que a gente está citando, você entende também que tem outras partes dessa cadeia que podem ser olhadas e ou você enxerga de certa forma que olhando para o futuro, nós vamos voltar a ter uma concentração da forma como a gente via essa concentração em alguns entes poucos do ambiente tradicional, cara, assim.

Essa... Falando do Investment Banking e da tokenização, eu acredito que só começou. Então, a gente começou a falar sobre esse tema. Claro que fala-se disso há mais de 10 anos. Mas talvez a maturidade institucional foi ganhando...

Depois de um tempo. Agora você vê pessoas do mundo tradicional, quando houve tokenização, ele não acha que é o Bored Ape. Exato. Ele já ouviu que tem ativos do mercado tradicional de investimentos ou ativos reais que podem ser representados digitalmente, tem um processo mais eficiente.

Então, assim, acho que tem muita inovação. Talvez o que tem para acontecer no investment banking é só inovação. Então, eu acho que pensando em empreendedores que estejam querendo explorar esse espaço, eu acho que só está começando. E eu acho que é um ótimo momento para se estar, porque hoje está muito mais fácil você construir uma empresa do que era alguns anos atrás. Obrigado.

Porque a base é diferente. Seja base tecnológica de aliar para acelerar desenvolvimentos e tudo mais, é uma coisa gritante. E eu acredito muito na continuidade dessa capilaridade. Então, hoje a gente vê várias fintechs espalhadas pelo Brasil, próximos das suas comunidades. Hoje, para o cara fazer uma tela num lovable, fazer uma base de dados num superbase, que é uma ferramenta que conecta base de dados via back-end com front-end.

Uma pessoa que não conheça de tecnologia consegue fazer isso. Então, você tem a capacidade de criar várias empresinhas que estejam nas suas comunidades, originando operações, por exemplo, fintechs de crédito via correspondentes bancários. A gente vê vários desses. E esses são os caras que originam produtos de crédito para a gente securitizar no investment banking e vender como investimento.

e... Então, acho que nunca foi tão... Nunca teve tanto espaço pra inovar, né? Você me perguntou, putz, você vai concentrar mais? Eu acho que não. Eu acho que a tendência seria você capilarizar mais os businesses e ser mais fácil você montar o seu próprio business. Boa, boa. E, meu cara, a gente tá chegando perto do fim aqui, eu acho que algumas reflexões pra audiência aqui, pra você também, enfim, se a gente voltasse pra conversar...

ter essa mesma conversa daqui a cinco anos, o que você acha que vai ter mudado de forma mais visível para o mercado? Eu coloco cinco anos aqui, mas a gente, dependendo do horizonte onde eu estou falando, já fiz essa pergunta para, em outros segmentos, subsegmentos do mercado financeiro, a gente não pode jogar cinco anos, às vezes vai jogar muito para alguns setores. Mas eu estou jogando cinco aqui, porque eu sei que tem um processo acontecendo no setor, em IB. Mas o que você me diz, cara?

É, se você pensar cinco anos, né? O GPT, se você pensar, ele começou a ser utilizado em mais escala faz dois anos, dois anos e meio, né? Que as pessoas realmente descobriram ele. E olha o que era a nossa vida dois, dois anos e meio atrás e o que tá agora, né? Mudou completamente diferente, né? Então, dá até um pouco medo tentar fazer isso de futurologia até daqui a um ano, né? Sim, sim. Mas o que que o meu gut feeling é...

Eu espero que, falando do processo de investment banking,

praticamente todos os players e as esteiras estejam utilizando AI de ponta a ponta. A tokenização, que a gente tenha conseguido construir esse caminho regulatório e ir nas associações para que ela, de fato, seja utilizada na prática. E aí, eu enxergaria, daqui a cinco anos, talvez a tokenização, sendo alguma coisa transparente. Os clientes nem vão saber que os ativos deles estão na blockchain. De fato, é, de fato.

Eles só vão saber que eles estão recebendo mais no investimento ou estão pagando menos para emitir uma dívida porque o processo está mais eficiente.

talvez você saiba, talvez você lembre da blockchain, se você vai comprar... Eu acho que é difícil daqui a cinco anos os imóveis já estarem na blockchain. Porque depende desses outros... Por isso que eu falo, às vezes, quando a gente está falando em questões como essa, quando a gente está falando de GPT, de IA, isso dá salto a cada mês. Mas quando a gente está falando de algo que envolve infraestrutura pública, envolve entes, tipo, cartórios e tudo...

que mexe com elementos e com interesses e regulações de um nível mais difícil de mover, é mais complexo. Dá para fazer uma virada, mas essa virada não vai acontecer assim, porque existem outros limitadores.

E é difícil prever, pô, é 5 anos, é 10 anos. É, não, claro, claro, claro. Talvez algo nesse... Meio tempo, né? Nesse meio tempo aí. Mas legal, rei, né? Meu, cara, bom, a gente chegou no final aqui, eu agradeço imensamente, deu pra gente passear e tocar em vários elementos desse mercado que tá se transformando. Quando você pensa de todos, talvez é o que...

Ficou um pouco mais para trás em relação a outras inovações que a gente viu ao longo dos anos, né? Assim, se a gente olhar friamente, mas tem muita coisa para acontecer e muito legal ver o que vocês estão desenvolvendo também. Eu sempre deixo esses minutos finais, cara, para a sua consideração. Pode ser institucional, pode ser aí uma forma das pessoas te encontrarem mais fácil para poder continuar essa conversa, talvez, num meio digital. Então, fique à vontade.

Legal, acho que estou super disponível para trocar uma ideia. Eu uso mais o LinkedIn, a gente está lá, Atlas Inc. É o nosso perfil no LinkedIn. E, poxa, acho que queria te agradecer pelo espaço para falar um pouco do que a gente está fazendo. Muito animado.

pelo que ainda vai acontecer no mercado. E eu acho que só reforçar essa mensagem, para quem está nesse mundo, eu vejo muitas pessoas que estão no mundo de tokenização junto com a gente, foquem, tentem entender mais do processo atual, das dores atuais, não fujam dessas realidades, entendam essas dores atuais e depois olhem para a tecnologia, no que vai ser construído do ponto de vista de infra, porque eu acho que é um caminho bom.

maravilha, meu caro, muito obrigado pela participação e você que nos ouviu, espero que tenha gostado do episódio, encaminhe ele pra outras pessoas que possam se beneficiar desse papo e não deixe de se inscrever e também de deixar seu like aqui também no nosso episódio, forte abraço, até a próxima

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