Episódios de Tribo TDAH

Tribo TDAH #157 TDAH e questionar diagnóstico (Roda de Conversa) #OPodcastÉDelas2026

26 de abril de 20262h51min
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Olá, bem-vindo à Tribo TDAH, o podcast com hiperfoco na sua vida!

Hoje nós vamos falar sobre TDAH e duvidar do próprio diagnóstico, então venha entender como passamos por um processo de dúvida e até síndrome do impostor até aceitar quem sempre fomos!

Descubra como nossas dúvidas e influências sociais podem nos levar a questionar os especialistas e duvidar do laudo de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e Transtorno do Espectro Autista que já recebemos.

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**Edição**

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Participantes neste episódio3
T

Tata Finoto

HostPodcaster
A

Adriana Leopold

ConvidadoNeuropsicóloga
M

Mari Mendes

ConvidadoProfessora de yoga
Assuntos8
  • Dúvidas sobre diagnóstico
  • Sindrome do Impostor
  • Aceitação do diagnóstico
  • Impacto social do TDAH
  • Burnout neurodivergente
  • Estratégias de organizaçãoUso de aplicativos de organização · Listas de tarefas
  • Experiências de vida com TDAH
  • Representação do TDAH na mídia
Transcrição457 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Oi, tribo, tudo bem? Aqui é a Tata Finoto e bem-vindo ao primeiro podcast em português do mundo sobre transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Esse é o podcast pra você que é desatento, hiperativo, impulsivo e deseja descobrir mais sobre transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Essa é a nossa tribo, o nosso lugar pra prendermos juntos, sem julgamentos. Aqui também tem espaço pra quem não é TDAH, mas quer nos entender melhor.

Hoje nós vamos falar sobre TDAH e duvidar do próprio diagnóstico. Então vem entender como nós passamos um processo de dúvida até síndrome do impostor, até aceitar quem a gente sempre foi.

Oi, tribo, tudo bem? Antes de começar a live, eu tenho alguns recadinhos bem rápidos. O primeiro é que esse podcast está fazendo parte da campanha O Podcast é Delas 2026. Então, vai lá no...

podcastadelas.com.br é o último ano da campanha, é o décimo ano da campanha do podcast Adelas. Infelizmente a campanha vai acabar, mas é uma campanha que em 10 anos ela ajudou demais a divulgar podcasts feitos por mulheres ou que tem mulheres na equipe.

E ela ajudou demais a trazer mais vozes femininas na podósfera. E eu tenho muito orgulho de ter participado desde o primeiro ano. Ela é da Domenica Mendes. A Domenica Mendes é uma pessoa incrível. Enfim, vai lá conhecer outros podcasts. Também estou participando da campanha.

O segundo recadinho super rápido é, nós temos uma newsletter na TriboTDH agora. Então, assinem a newsletter, ela tá nos sites da Tribo, lá no Beacons, beacons.page barra tribo.tdh. Então, você pode assinar a newsletter, a newsletter é gratuita, e você tem o resumo dos episódios, tem novidades por lá, enfim, tem um monte de coisa acontecendo esse ano de novidade na Tribo.

Deixe seu like, 5 estrelinhas onde você ouve. Como eu já disse nas outras lives, a partir de agora, metade dos episódios do ano vão ser lives, vão ser rodas de conversa gravadas ao vivo. Então, a gente vai ter um pouco mais de interatividade esse ano.

E isso foi até uma das coisas que na pesquisa do ano passado muita gente pediu, e vem coisa nova a partir do segundo semestre. Nós vamos ter lives sem assunto, só para conversar entre os TDAH Hypers, então se você for apoiador, além do grupo secreto, você vai ter direito, além do grupo de apoio, na verdade, você vai ter direito a participar e entrar nas lives. E nas lives de episódios, que é tipo essa de hoje, você é...

Desculpa, gente, nas lives de episódio tipo essa de hoje, o vídeo está disponível só no YouTube, já vieram me perguntar em outras plataformas, tipo Spotify, Apple Podcasts, por exemplo, vai ser só áudio nas outras plataformas se você quiser assistir a live em vídeo só no YouTube da tribo.

É isso, não esqueça de virar um TDAGA Hyper, eu tô com uma campanha de apoio da tribo TDAGA, então você pode virar um apoiador, e a gente precisa chegar em 50% da meta, a gente ainda não chegou em 50% da meta, enfim, vai lá em apoia.se barra tribo TDAGA.

Além do grupo de apoio, participar das lives, participar dos episódios, enfim, você tem direito a escolher os temas dos episódios, você tem direito a receber os episódios adiantados, os episódios da Tribu Téa TDAH, que é o novo podcast da Tribu TDAH. Você também recebe a temporada inteira adiantada. Enfim, vai lá em apoia.se barra Tribu TDAH.

E os apoiadores da tribo têm direito a receber também. Parabéns no mês do aniversário deles. E os aniversariantes de abril são Bruner Titonelli, que fez dia 2. Dia 12 tem Marina Medeiros. Dia 13 de abril tem Lana Talita. Dia 24, Eric Alves. Dia 29, Silvia. E dia 29 também, Regis Nasi. Parabéns, parabéns, parabéns.

Mas muitas, muitas, muitas felicidades para vocês e eixos especiais da Tapa. Eu estou com convidadas aqui, eu vou abrir a tela delas. Olá, gente, calma aí, deixa eu liberar. Gente, eu estou com três telas, dois computadores, então tenha um pouco de paciência porque eu estou ainda aprendendo a fazer lives, tá, gente? Enfim.

Olá, vamos apresentar as nossas convidadas. Eu estou aqui com a doutora Adriana Leopoldi, ela é neuropsicóloga, psicoterapeuta, ela é autista, TDAH, e admin lá do grupo da tribo TDAH. Oi, Adri! Tudo bem? Bem-vinda de volta!

A voz quase não saiu. Tô saindo de uma gripe, então vai ficar meio estranho. Mas, oi Tata, oi tribo, oi Mari, oi todo mundo, gente. Bom estar aqui de novo. Eu adoro que vocês duas são figurinhas carimbadas aqui. A Mari também tá aqui, a Mari Mendes. Ela é professora de yoga, maçoterapeuta, ela é estudante de psicologia também, TDAH, e ela faz as finanças da tribo TDAH, ela que cuida.

da parte burocrática da parte do grupo de apoio. Enfim, oi de volta, Mari. Tudo bem? Oi, Tata. Oi, Adri. Oi, pessoal. Tudo bem?

Meu computador tá meio doido aqui. Eu espero que não dê problema ao longo da live. Aí, gente, contar pra vocês que na hora que eu coloquei a música pra entrar a live, eu tive que pedir a ajuda do Andrei, porque por algum motivo eu tinha programado a live, mas deram problemas técnicos. Eu sempre tenho problemas técnicos, por mais que eu tivesse programado tudo com mesa de antecedência.

Eu tive pequenos problemas técnicos, mas pelo menos dessa vez não foi que eu estava falando e o microfone estava no mudo. Então, um problema técnico em cada episódio. Deu certo, estamos ao vivo e está tudo bem.

Ai, gente, vamos lá. A pauta de hoje é uma pauta que, inclusive, a Mari sugeriu, que é falar sobre você ficar duvidando do seu próprio diagnóstico depois que alguém já te falou, olha, você tem isso. E, Mari, eu acho que eu vou fazer uma pergunta pra você que eu nem tinha pensado em colocar a pauta, mas, do que surgiu essa ideia? Tipo, eu achei muito legal a ideia, mas, tipo, você lembra do processo? Por que que... De onde surgiu essa ideia de... Vamos lá. Vamos lá.

de sugestão de tema, assim? Ah, tá. Eu não sei nem se eu não consigo nem definir o momento, mas, assim, vira e mexe, isso meio que acontece comigo. Eu fico pensando, ah, será que eu tenho mesmo? Aí, não sei, eu falei, pô, provavelmente eu não sou a única pessoa que passa por isso, né? Então, talvez seja uma coisa legal de conversar.

na tribo. Foi assim, porque acontece comigo, aí eu pensei que poderia acontecer com outras pessoas. Nossa, sim, sim. Eu acho que é bem comum isso acontecer com todo mundo, talvez, ou com boa parte das pessoas.

Vamos começar, assim, já começar com as perguntas. E primeiro, olá, galera que está na live, olá, galera que está assistindo. O Dede Matos, que é o meu maridinho, nosso editor dos podcasts. O Maroxu, tem também a Skyatura, Fernando 3D. Oi, gente! Obrigada por assistirem ao vivo aqui. Vamos começar falando...

justamente desse impacto, o impacto inicial que a gente teve com o nosso diagnóstico. E como é que foi isso, sabe, esse processo de negação, aceitação, enfim?

como é que, assim, bem resumido, bem rapidinho, como foram os diagnósticos de vocês? Vocês já esperavam o resultado no caso da Mari de TDAH, no caso da Adri de TDAH e autismo, só que você teve uma, Adri como eu, teve uma, não uma diferença, uma distância de tempo entre o diagnóstico de TDAH e de autismo, né?

Como é que foi para vocês o diagnóstico e se vocês já esperavam quando vocês estavam fazendo esse processo? Quem quer começar? Eu posso começar. O meu diagnóstico é entrelaçado com o grupo de apoiadores da tribo. Em 2020 eu comecei a apoiar a tribo por causa da Sky. Vamos lá?

E eu comecei a apoiar porque eu queria conhecer, entender melhor o CDH, para entender melhor a Sky. Só que aí, assim, o pessoal do grupo começou a ver coisas. E como foi aquele período de pandemia e a gente estava morando junto, eu dei muitos sinais também. E aí as pessoas me zoavam que talvez eu tivesse e tudo mais. E aí chegou um ponto já...

ali em 2021, e as coisas estavam muito complicadas, e eu falei, não, eu preciso de ajuda, eu preciso entender o que está acontecendo e tal, e aí eu procurei uma psiquiatra, a primeira não deu certo, aí com a segunda eu consegui, a gente, enfim, eu gostei dela, e aí eu tive o diagnóstico, e assim...

Eu acho que eu estava esperando, porque passou muito tempo entre eu começar a desconfiar e realmente procurar alguma coisa. Só que eu achei que eu estava preparada e eu não estava preparada. É, é. Acontece. A gente já vai falar sobre isso. Segura esse tema. Adri, como foi com você?

Então, como eu sou psicóloga, tendo, né, começou a vir muita queixa de TDAH, começou a aparecer muita queixa de TDAH, e assim, eu não tinha muito conhecimento, aí eu fui buscar o conhecimento, né, e aí eu encontrei a tribo, porque...

Enfim, eu estava com dúvidas sobre uma fonte séria sobre o assunto. E comecei a ouvir o podcast. Aí eu fui ouvindo. Tá, mas isso eu também tenho. Eu só sei que passado um tempo, depois de maratonar alguns episódios, eu estava assim, ai Tata, me abraça. Eu sou igual.

eu faço exatamente isso, que não sei o que. E aí, enfim, passou um filme na minha cabeça, eu fui fazer a primeira avaliação neuropsicológica, que foi um desastre, apesar de tudo indicar, os testes inclusive e tal, a pessoa disse que eu não tinha TDAH porque eu já tinha feito uma faculdade, um mestrado e estava na segunda graduação.

Nisso, eu já estava na tribo, porque eu já estava desconfiando, já estava, aí joguei no grupo, conversei com todo mundo, aí caiu, né, isso é um mito.

E aí eu fui, a minha médica na época, ela rasgou esse laudo e falou, vamos começar o tratamento, quando você puder, você refaz a avaliação. Aí eu, depois de um tempo, fiz a avaliação com uma pessoa mais séria, né, que entende do assunto e tudo.

E aí eu saí com o bingo, praticamente. Não, bingo não, mas T, T, D, H e ansiedade social. Então, foi mais ou menos assim. E aí tem uma questão dos profissionais que não estão preparados para esse tipo, que acho que ainda é um transtorno de aprendizagem, o que significa isso.

E pra mim foi ótimo também, porque eu, enquanto profissional, não só como pessoa. Mas aí, assim, até ter tudo isso, muita dúvida, muita luta interna, enfim. Que a gente pode falar mais daqui a pouco.

O meu de TDAH, eu já contei em outros episódios. O TDAH eu não esperava, mas assim, meus pais já sabiam, não me contaram. Enfim, quando eu descobri foi tipo, agora tudo faz sentido. O de TDAH eu acho que eu tive uma reação talvez melhor do que o meu diagnóstico mais recente, que foi de autismo, porque de autismo eu fiquei uns dois anos assim. Eu fiquei, depois do...

do grupo de apoio da tribo, começou a entrar bastante gente que era autista ou ao TDAH, ou foi recebendo, já era TDAH, foi recebendo o diagnóstico de autismo junto com o TDAH ao longo do tempo. E eu comecei a ver que talvez alguns traços do TDAH, porque tem vários traços do TDAH que são muito parecidos com traços de autismo, em algumas coisas eles são muito iguais, em algumas coisas eles são exatamente os opostos.

E aí eu fiquei uns dois anos, cara, minholando isso na minha cabeça, dormindo mal, indo dormir mais tarde. Aí eu parava, eu não conseguia dormir, eu parava, pegava o bloco de notas do celular e começava a anotar várias coisas que eu achava que podiam ter procedência. Aí eu fui participar de um estudo na USP sobre TDAH, era um estudo de genética sobre TDAH. E aí, fazendo as entrevistas com o neuropsicólogo, ele...

ele apontou que muito provável diagnóstico de autismo junto, o DTH já tava fechado, mas aí ele colocou muito provável diagnóstico de autismo. Eu... Aí depois disso eu meio que falei, ok, vou procurar alguém, aí eu procurei a minha psiquiatra e...

bom, eu acho que talvez a coisa mais autista que eu já tenha feito foi um documento de 20 páginas com todos os critérios de diagnóstico e histórias de cada coisa que eu me encaixava e ele tinha um índice e cada índice da página apontava para o critério de diagnóstico você clicava no índice da página e ele te dava eu fiz isso no meu tempo livre porque eu estava me divertindo

Eu estava hiper focada, é isso. E talvez isso tenha sido um grande indício, porque não era uma página, duas histórias, foram 20 páginas. E aí talvez explique as 20 páginas de cada pauta da tribo TDAH, que eu faço até hoje, cada mês. Enfim, isso não é muito TDAH, isso é mais do autismo, mas enfim.

quando vocês receberam os laudos e a confirmação do TDAH e no caso da Adri do TDAH e do autismo também vocês lembram qual foi a primeira emoção que bateu em vocês? foi tipo um alívio de finalmente eu tenho uma resposta ou foi tipo um choque de não pode ser verdade vocês lembram como vocês reagiram no primeiro momento assim?

Ou, sei lá, tipo, nos dois primeiros momentos, sei lá, você foi... Eu lembro como se fosse ontem. E olha que eu não tenho memória. Mas, caraca, eu lembro que eu fiquei na consulta. Nessa consulta, eu fiquei mais ou menos uma hora com a psiquiatra. E aí, quando acabou, eu fiquei assim, falei, gente... Aí eu lembro que eu saí.

E voltei para casa e quando eu cheguei em casa eu deitei no chão com os braços abertos, assim, e fiquei meio que em estado de choque, tipo, o que está acontecendo? Quem sou eu? E agora? O que vai ser na minha vida? Aí eu não sei se a Sky vai lembrar, mas aí...

Eu dei a louca e falei assim, não, eu preciso sair de casa, eu não consigo ficar em casa. Aí eu peguei a moto, saí de casa andando sem rumo. Não foi muito longe não, mas eu não sei dizer, foi esse sentimento. Não foi nem alívio e nem um processo de, ai, eu não acredito nisso. Foi meio que um estado de choque, eu acho, para mim.

Sem saber o que fazer, sabe? Tipo, oi, e agora?

É, eu acho que comigo foi um pouco, foi gradual, sabe? Porque como eu fui ouvindo o podcast antes disso, eu só precisava meio que da confirmação. E aí, da primeira vez que não veio, sabe? Por causa de um motivo muito cheio de preconceito ainda por cima, né?

Desatualizado isso. Eu fico muito triste que tem muito profissional que ainda é extremamente desatualizado com relação a isso, sabe? Sim, sim. Porque descarta outras coisas, por exemplo. No meu caso, além do TDAH, eu tenho autismo e eu tenho altas habilidades de superdotação. Então, assim, não significa que eu não...

possa me graduar. A gente tem mais dificuldade com processos e com graduação e com estudos, mas não significa que nossa, tem tanto TDAH com pós-doutorado, com mestrado, na área científica, fazendo estudos sobre TDAH também, sabe? Ou sobre outros outros hiperfocos, enfim.

Mas eu fico muito triste que ainda tenha profissional que é despreparado. Foi o que a minha médica na época falou e validou toda a minha dor ali, porque eu fiquei, como assim?

Porque eu fiquei com muita raiva, né? Mas assim, sobre o diagnóstico em si, eu acho que foi uma coisa gradual que eu fui internalizando e entendendo. E aí, conforme eu fui fazendo as outras avaliações e fui ouvindo mais o podcast, conversando com o pessoal da tribo, no grupo e tal...

Eu fui vendo o quanto fazia sentido isso na minha vida, porque na minha cabeça, autista era o Dustin Hoffman em Rain Man e TDAH era o Bart Simpson, sabe? Eu tinha preconceito, mesmo sendo profissional da área, o que, aliás, é um alerta que eu deixo para os profissionais da área se tiver alguém aqui assistindo, porque, gente, se alguém chega com uma queixa...

A gente tem que investigar e entender o mínimo ao invés de invalidar totalmente. Tem que estudar. Enfim, onde que eu estava mesmo? Ah, tá, de sensação. Então, acho que foi uma coisa gradual e passou um filme na minha cabeça. Comecei a lembrar de muitas coisas que... Ah, então era isso. E raiva também diante desse processo, do tipo, como que sempre foi isso? E não...

Nossa, quem eu seria se eu tivesse tido apoio lá atrás, sabe? Porque não é porque eu... Eu brinco que eu falo assim, todo mundo vê as pingas que a gente toma, mas não vê os tombos que a gente leva, sabe? Então, eu... Eu... Peno muito, eu sofro muito diante de todos esses processos que as pessoas não enxergam, que as pessoas não veem, não estão vendo. Então, você chega lá com o título, ah, tá, não, você tem mestrado, não tem TDAH. Como assim?

sabe? Então, eu acho que foi um processo de luto mesmo, de raiva, negação. Não. Deve ser outra coisa. Deve ser falta de vitamina. Eu sempre achei que era falta de vitamina.

Eu ainda quero... Eu tava pensando nisso pra uma pauta pegar um... Dar uma olhada em estudos se tem, por exemplo, estudos sobre suplementos, porque uma das coisas que as pessoas...

Me dá muita raiva que tem muita gente prometendo, tipo, praticamente cura para o TDAH com suplementos. E a gente sabe que não é assim. Mas uma vez em uma hora eu quero fazer uma pauta sobre o impacto de suplementos no TDAH e até que ponto que isso realmente funciona, sabe? E a Mari caiu.

Eu tô tentando ajustar o meu microfone aqui também, porque aparentemente ele tá baixo e eu não faço ideia de como faz. Gente, eu não sou... A Sky falou que dá pra dar um boost no BS se eu clicar com o botão... Então, mas ele tá com o microfone adicionado. Eu estou no microfone. Eu...

O microfone tá um certo, gente. Eu não sei o que fazer. Eu realmente não sei o que fazer. Ok. Por enquanto vai continuar assim. Enfim. Aproveitando, enquanto a Mari não volta. Você já falou que vieram... Que você ficou... Vamos lá. Vamos lá. Vamos lá.

Eu me perdi. Ai, eu tô muito TDAH hoje, gente. Desculpa, eu tô muito... Meu Deus, calma. Várias coisas ao mesmo tempo. Fazer live não é comigo ainda. Eu ainda vou aprender direito, mas enfim. Vocês chegaram a ter aquele pensamento depois do diagnóstico de vocês de será que eu enganei o especialista? Será que eu manipulei as respostas sem querer?

será que, sei lá, tipo, eu fingi que eu sou TDAH ou autista ou TDAH e eu não sou, e nossa, eu sou desvia ser atriz porque eu sou muito boa em enganar as pessoas e no final eu não tenho esse diagnóstico vocês chegaram a passar por isso eu estou perguntando para uma amiga de uma amiga para o meu TCC

Gente, eu penso isso até hoje. Tem dias que eu falo, eu não sou, eu sou, TDAH eu não duvido, mas às vezes eu falo, eu não sou autista, eu tô muito neurotípica hoje. Aí eu paro e penso que o resto do dia eu fiquei em casa, tipo, sozinha, sem interação com absolutamente ninguém. E aí eu fiz várias coisas muito autistas em casa. E tipo, aí quando eu tô na rua, eu falo, gente, eu sou tão, tipo, às vezes eu pareço tão neurotípica, eu sou tão...

Não é a palavra normal, mas eu tô tão típica hoje, sei lá. Aí eu... Será que eu tô enganando tão bem? Será que minha psiquiatra errou? Não. Aí eu faço em seguida alguma coisa muito... Muito, muito neurodivergente. Eu falo, não. Não é possível. Não dava pra enganar ninguém. Eu não consigo enganar nem as pessoas que me conhecem. Eu não sou tão boa assim. Enganar as coisas. Eu não sei nem mentir, gente.

Como é que foi com vocês? Vocês chegaram a ter esse momento? Mari tá rindo ali. Não, Mari. Pode ir, Adri. Senão eu vou ficar sempre respondendo primeiro. Ah, não. Com certeza. Porque assim, né? Antes da gente ir pros profissionais também, a gente vai pra internet, né? E aí a gente faz teste até do Buzzfeed se bobear pra aquele teste do ursinho puro.

É, então, aí sim, vem essa síndrome o tempo todo. Eu acho que isso é mais com o autismo do que com o TDAH, porque o TDAH, para mim, ele é muito escancarado, sabe? Eu diria que é o tico e o teco, sabe? Os esquilos mesmo, sabe? Tipo, o teco...

Bom, gente, se alguém não conhece a referência, depois a gente pode pensar em outra. Mas é aquele agitado, né? E o Teco é aquele mais quietinho, mais sério, mais nacional. Então, eu me vejo nesses dois, são os meus dois neurônios, mas às vezes o TDAH, ele é... Eu não sei, acho que ele é mais para fora.

do que o autismo. Não sei, o autismo é muito dentro de casa, com algumas coisas muito específicas, assim, ou quando eu estou fora, por conta de muito estímulo.

mas eu tive um período assim, bem... Na verdade, quando eu comecei a segunda avaliação, na primeira anamnese, na primeira entrevista, a gente falou sobre um possível burnout autista. Depois, isso foi numa segunda-feira no final do dia. Na terça-feira, eu não consegui fazer nada. Eu parei.

Eu bloqueei, eu tive que cancelar meus compromissos, tudo, e fiquei de cama e vendo coisas sobre burnout autista e chorando horrores. Porque esse foi um choque para mim. Você quer explicar um pouco do burnout autista?

Não, pode explicar, porque eu não sou boa pra explicar. Até o dia eu entendo, eu preciso pesquisar um pouco mais sobre isso, mas assim, é muito comum quando a gente é neurodivergente, não só autista, mas CDH também, mas a gente acumula muito mais coisas. Então...

A gente se sente muito mais cansado, como se fosse... É como se fosse a DSR, a disforia sensível à rejeição, que ela tem sintomas de uma depressão, mas ela não... É uma depressão, é uma coisa que passa rápido?

Então, burnout neurodivergente é mais ou menos assim. Se eu não estiver falando muita besteira aqui, gente, mas é tipo um burnout. Você tem aquele esgotamento do burnout, mas ele dura muito menos do que realmente um burnout. A gente fica desgotado e a gente precisa recarregar as baterias e a gente fica completamente acabado. Tipo, eu não consigo funcionar hoje, eu não consigo funcionar essa semana, porque tem muito estímulo, tem muita coisa, tem a cabeça... Então...

Eu costumo dizer que quando a gente não para, o nosso corpo força a gente a parar. E essa é uma das coisas. Ou é mental ou é físico. Se você se esforça demais, tanto saúde mental quanto saúde física, se você está fazendo coisas que...

vão além do que você deveria, nossa, pelo menos comigo sempre foi assim. Por exemplo, quando eu era adolescente, em semana de prova, a gente estuda tanto, quando a gente é adolescente, vestibular, essas coisas, assim, primeiro dia de férias, terminava a semana de provas, eu tinha uma mela de uma gripe. Meu corpo falou, chega, você precisa parar. Então, se eu não descobrir o meu limite, o meu corpo descobre por mim. É a mesma coisa depois da academia.

Se eu me esforço demais na academia e a gente que é neurodivergente, a gente não percebe, às vezes, os limites do nosso corpo, da nossa mente. No dia seguinte, o seu corpo falou, ok, ontem você fez demais, hoje você não vai fazer mais absolutamente nada porque você não vai conseguir levantar da cama. Você não vai ter energia nos músculos. Então, é tipo...

Se não é a sua cabeça, é o seu corpo. Se não é a sua cabeça falando ok, não consigo mais funcionar hoje, é o seu corpo que vai falar ok, bem-vindo a uma gripe ou um resfriado ou alguma coisa que você vai ter. Sei lá, tipo, especialmente autista tem muito...

tem muito problema gastrointestinal. Se você acumula muito nervosismo, principalmente ansiedade, isso vai refletir em gastrointestinal. Enfim, essa é a coisa mais comum do universo. Então, ou o seu corpo ou a sua cabeça vão falar, chega?

Você não descansou e eu vou descansar por você. Agora você vai se forçar a isso. E burnout em neurodivergente é isso. É o período mais curto que você vai ser obrigado a dar um chatidão.

Eu tinha crises horrorosas de dor de cabeça. O estufamento já era parte de mim desde a infância, né? A coisa do estômago estufado, essa sensação. Melhorou depois de um tempo, quando eu comecei a fazer tratamento. Porque eu comecei a fazer, na verdade, tratamento para ansiedade. Porque eu estava tendo crises horrorosas, que na verdade devia ser melt.

Down, sabe? E aí, eu tinha muita dor de cabeça. Fazia sol, eu tinha dor de cabeça. Chovia, eu tinha dor de cabeça. Passou um vento, eu tinha dor de cabeça. Sabe? Eu tinha dor de cabeça pra tudo. Eu ainda tenho, bem menos, mas porque eu tomo remédio pra dor crônica.

Então, assim, a medicação que eu tomo hoje, ela é antidepressiva e é uma das principais medicações para fibromialgia. Então, esse esgotamento, assim, foi demor... Gente, demorou 40 anos para eu perceber isso. E a frustração de tudo, né? E o TDAH não ajuda, porque a gente não consegue parar. É. E aí

E tem um negócio que agora, depois do diagnóstico, a gente tem o nome para dar para isso. E antes a gente não tinha. É. Mas, assim, ouvindo vocês falando, ronça, passaram tantas coisas na minha cabeça. Inclusive a dor de cabeça, Adri. Eu já sofri muito com dor de cabeça. Eu nunca tinha parado para pensar, fazer nenhum...

essa conexão. Eu percebi no encontro da tribo, conversando com alguém da tribo que falou isso da dor de cabeça. Olha! Eu tenho por tensão muscular. Eu tenho dor de cabeça por causa dos meus ombros que são tão travados, tão tensos, que eu fico com dor de cabeça. Né? Eu, agora respondendo a pergunta lá.

É engraçado que vocês falaram sobre essa sensação, será que eu enganei o especialista com autismo e tal? E eu não tive isso com o diagnóstico de TDAH, mas aconteceu uma situação muito engraçada com a psiquiatra. Eu não lembro se foi no dia mesmo do diagnóstico ou se foi em alguma outra consulta, porque eu estou com ela até hoje.

Mas eu lembro de uma vez falar para ela assim, ah, doutora, mas eu fico pensando que eu acho que eu não tenho hiperatividade. Aí ela olhou dentro da minha cara, foi no diagnóstico sim, porque nós vemos que todas as constas com ela são mais longas, enfim, não lembro. Teve esse momento. E aí ela olhou dentro da minha cara assim e falou, Mariana.

você não parou de mexer um segundo, né? Porque a gente está conversando, você mexe mão, você mexe perna, você não parou de se mexer. E aí é curioso que com o diagnóstico a gente começa a se observar mais e perceber mais as coisas. E aí eu percebi depois de um tempo que até o meu trabalho...

talvez seja um reflexo da hiperatividade, porque eu sou professora de yoga e massoterapeuta. São trabalhos que eu trabalho com o meu corpo em movimento o tempo inteiro. Então, assim, gente, é muito doido isso, porque às vezes a gente vai vivendo a vida sem perceber alguns detalhes sobre a gente mesmo. E aí, quando você presta atenção, você fica assim... Caraca!

Que loucura. Se a gente fica parado do lado de um neurotípico, a gente percebe que a gente naturalmente se mexe muito mais. Eu nem estou falando eu girando na cadeira de rodinha. Gente, cadeira de rodinha comigo é assim. Eu não vou conseguir ficar parada a ponto.

Mas eu estou com dois fidget toys aqui também. Isso daqui é a caixa do fã de ouvido. Eu paro aqui também. Eu peguei os fidgets e fui na sala pegar os fidgets.

pro YouTube, e aí eu encontrei quando ele falou, o que você tá fazendo aqui, você não vai pra live? eu falei, vou, mas eu vou pegar os meus fidgets antes que eu comece a morder o cabo do fone de ouvido porque é isso, eu vou pegar qualquer coisa que tem na minha frente pra ficar me mexendo e não é só isso, às vezes a gente não percebe mas por exemplo, a gente se mexe na cadeira aí a gente fica, sei lá, 5 minutos numa posição aí a gente se agenda

Aí cruza as pernas na cadeira. Aí, de repente, vai ver que está numa posição completamente esdrúxula, quase deitada na cadeira, com, sei lá, o pé em cima do gato, do cachorro. Quase, sei lá, escorregando.

Não deve ter estudo sobre isso, mas alguém deveria estudar por que TDAHs ficam nas posições mais esdrúxulas possíveis. Depois a gente não sabe porque a gente está com dor de cabeça, sendo que a gente literalmente está apoiado, tipo, o nosso ponto de apoio é no pescoço. Sei lá, a gente está inteiro deitado, apoiando posições esdrúxulas e só a gente se sente confortáveis nelas.

É, acontece, sei lá. É, eu quando eu digo que eu... Ai, desculpa, Mari, você ia falar mais alguma coisa? É que eu ia só... Eu ia, não ia. Eu ia, não ia, mas aí eu lembrei de outra coisa que eu queria falar, pode? Pode. É que vocês estavam falando essa coisa do corpo parar a gente. E...

Tem alguns anos já que eu percebi que isso é praticamente um padrão meu. Eu vou me sobrecarregando, me sobrecarregando, me sobrecarregando. Aí ou eu fico doente, ou eu torço meu pé na rua e aí fico meses sem poder fazer as coisas. Ou eu solto um peso de academia em cima do outro pé. Enfim, coisas acontecem que me fazem parar. E aí no...

acho que tem uns dois ou três anos que eu comecei a fazer um processo de final de ano para começo de ano, que é pensar o que teve de bom no meu ano que eu quero manter, o que eu não quero mais e o que eu quero de novo. E aí eu tenho um quadro branco aqui do lado que eu escrevo várias coisas, é completamente aleatório, e eu coloquei as palavras do que eu quero sustentar, o que eu quero...

destruir o que eu quero criar de diferente. E aí está lá, no destruir está a sobrecarga. Porque eu estou nessa luta de conseguir entender o meu limite e parar antes de dar ruim, sabe? Então é muito complexo, é muito complicado.

É um grande tópico, assim, que a gente luta sempre, né? Desculpa, Tata. Não, não, eu concordo com vocês. Eu estou por algum milagre.

muito adiantado esse ano, muito não, eu não vou falar, não vou exagerar, mas eu tô um pouco adiantada esse ano, e eu já gravei os dois episódios, a gente tá em abril, e os episódios do mês que vem, de maio, já estão todos gravados, e eu inclusive comecei a perceber com esse episódio, com algumas dicas que eu deixei no final do episódio, de como que eu tô atualmente mais consciente dos meus próprios níveis de energia.

Eu vou ter energia pra isso? Eu preciso... Eu acho que quando a gente descobre um pouco a neurodivergência, com o processo vem um pouco de ficar mais consciente de escolher as nossas próprias batalhas.

de quanta energia você vai ter para gastar ou não com uma coisa ou com outra. Eu não sei se eu consigo não me sobrecarregar, eu acho que para mim... Eu não sei, mas... Eu acho que eu tenho tentado ficar um pouco mais consciente sobre os níveis de energia que eu gasto com algumas coisas.

E aí eu lembrei uma coisa que a Adri falou, até desse próximo episódio, já meio com spoiler, que o episódio é sobre extroversão e introversão no TDAH. E eu achei alguns estudos que estavam associando exatamente isso que você falou, Adri, que o TDAH é mais associado com extroversão, enquanto o autismo é mais associado com introversão.

e a extroversão a introversão não o TDAH introvertido ele tem muito mais a ver com internalizar as nossas características no próximo episódio eu sei se eu entender melhor mas eu achei interessante isso e realmente às vezes é meio difícil a gente entender os nossos diagnósticos porque na cultura pop o que a gente tem de exemplo não são necessariamente exemplos bons e aqui nós sabemosבר sabemos sabemos

Por exemplo, tem algumas pessoas que representam, por exemplo, autistas e TDAHs em seriados, livros, essas coisas, que algumas representações são boas, mas várias das melhores representações elas não têm.

a etiqueta do autismo ou do TDAH. E as que têm a etiqueta, muitas vezes, não são as melhores representações. Por exemplo, pensando em dois personagens recentes autistas, tem o menino do do Good Doctor, que ele não é feito por um autista, então ele é super clichê.

Yang Yu, do Advogada Extraordinária, que ela também é bem clichê. Eu adorei a série. Eu adorei essas duas séries, mas eles são bem clichês. E o Menino do Autípico. São três personagens que eles são extremamente estereotipados pra autista. Aí você fica olhando eles e falando eu não sou assim.

Aí, em compensação, por exemplo, tem uma série Heartbreak High que tem uma personagem autista interpretada por uma atriz autista e ela é extremamente mais... dá pra você se identificar mais com ela. Em compensação, os TDAHs, geralmente nas séries, ou são viciados em alguma substância ou são completamente porra loucas, assim.

E tem até um personagem em TDAH no The Pit. Tem uma personagem autista no The Pit, tem duas personagens autistas no The Pit. Uma delas que eu acho que é a melhor representação, que é a doutora King, não tem a etiqueta do autismo. A irmã dela tem a etiqueta do autismo, mas é de um nível de suporte maior.

A irmã é autista mesmo, a atriz, desculpa. Isso, e a atriz que faz a doutora King, ela é neurodivergente também, ela é TDAH, eu não sei se talvez ela tenha um traço de autismo, mas ela é TDAH, a atriz que faz a doutora King no The Pit.

E tem o Landon, Dr. Landon, que ele é TDAH na série, e ele tem um problema de abuso de substâncias, começando pelo próprio remédio de TDAH. Então, infelizmente, ainda tem na cultura algumas dessas coisas, do tipo, todo TDAH é viciado em remédio por causa do medicamento do próprio TDAH. Eu acho que isso é muito desserviço, é difícil ter algum personagem TDAH.

que não seja, tipo, pra todos os lados, assim. Geralmente, em séries que têm autistas, colocam um TDAH pra ser a pessoa completamente o oposto. A representação do Dr. Landon no The Pizza eu gosto, tirando a parte do viciado em substâncias, que é uma coisa que a gente sabe que é TDAH sem maior propensão. Eu não sabia disso.

Desculpa, alerta de spoiler. Desculpa! Desculpa. Mas essa é coisa da primeira temporada. Desculpa. Ele é mais plausível. Ele não é o TDAH que está correndo por todos os lados, por exemplo.

Ele não é o TDAH que é tipo, ele não é inteligente, ele não é consistente, ele é um médico formado e atua, e ele é muito bom na área dele, e ele não é tipo aquele TDAH pra todos os lados, ele é bem... Tipo, se ele não tivesse dito sobre o TDAH dele na primeira temporada...

você provavelmente não desconfiaria. Só que, pra mim, a Doutora King é, tipo, minha autistinha do coração e ela é muito autista. Só que ela é muito autista de um jeito, ok, eu consigo me espelhar nela, eu consigo ver o meu autismo no autismo dela, assim, por exemplo.

E foi legal também a forma como ela agiu com o paciente autista, né? A forma como ela lidou com isso, como isso foi retratado na série, acho que foi bem interessante, assim, né? Mas isso é difícil. A gente às vezes identifica alguns, mas que não é canônico, né? Não é oficial. Tem um anime que saiu...

eu esqueci, Diários de uma estrangeira Diário da Estrangeira é Diário de uma Estrangeira Apotecária também, ela é muito autista apesar de não ser canônico eu preciso fazer um episódio sobre personagens, já está isso na minha pauta, desde o tipo, antes de criar a tribo, mas enfim é Diário de uma Estrangeira o nome em português, se não me engano

E a personagem não é canônica, mas rola essa conversa sobre... Ah, será que você não é neurodivergente? Sabe? Então, é uma série que eu amei. Ela só vai ter uma temporada, ela já acabou. Depois eu indico o nome direitinho. Mas é incrível.

Também. A forma como é retratada, a gente não sabe se é um autismo, provavelmente, um ALTDH. Ai, meu Deus do céu. Eu falo TDAH o tempo inteiro. É que eu confundo com o inglês, desculpa. É porque no inglês a gente é muito mais comum ver a sigla ALDHD do que o ALTDH em português. Eu tenho usado o ALTDH porque não tem outra.

Eu resolvi usar essa porque... O nome da tribo TADH eu coloquei porque eu acho que ela é mais autoexplicativo. Mas, enfim.

eu acho que aproveitando essa parte, esse gancho de se espelhar e ver, se verem personagens de séries de filmes, essas coisas isso pode fazer com que a gente até duvide mais do diagnóstico que a gente teve, porque a gente fala tipo, ah, se sei lá se o o que as pessoas veem é isso, será que eu tô mascarando muito bem? será que é isso, é isso, é isso

rola aquela síndrome do impostor, né? Será que... Eu não sei se vocês têm isso, mas tem dias que a gente funciona melhor, melhor entre aspas, a gente está, sei lá, talvez mais compensado ou algumas vezes a gente fez tantas coisas no nosso entorno para compensar de acessibilidade, para ajudar a nossa própria vida, que às vezes, sei lá, a gente entra num hiperfoco, a gente está produtivo aquele dia.

E naquele dia que você está mais produtivo, que você está mais, sei lá, parecendo neurotípico, vocês chegam a duvidar disso? Tipo, como se quando você tem sucesso é uma prova contra o diagnóstico? Como se mostrasse, não, tipo, olha, eu consigo fazer isso, então eu não... Será que o resto do dia é preguiça? Será que todas as vezes que eu não consigo não é um transtorno? É do tipo, eu só não tentei o suficiente?

Porque é uma coisa que as pessoas falam muito pra gente, especialmente antes da gente descobrir o diagnóstico, e às vezes depois também. Então, é uma coisa que é inevitável, às vezes, a gente internalizar a dúvida do diagnóstico com essas coisas que a gente ouve. Vocês já chegaram até isso? Ou, por exemplo, ter uma ideia de que... É...

a relação de preguiça ou falha de caráter, coisas que a gente ouve, que levam a gente a duvidar do diagnóstico, como se o TDAH fosse uma desculpa. O Otis não fosse uma desculpa para a gente não ser como todo mundo, porque a gente já ouviu todas essas coisas antes.

Como é que vocês lidam com isso? Vocês já passaram por síndrome de impostor e por situações que vocês olharam pra si e falaram, tá, eu já passei por uma situação assim, por exemplo?

Eu passei a vida inteira, né? Por situações assim. Eu não sei, o Fernando tá aí no chat, a gente cresceu junto, né? E ele tem o diagnóstico de TDAH desde criancinha. Então, assim, a gente era muito comparado, né? A gente é próximo tipo irmãos, assim. E rolava muita comparação, mas ao mesmo tempo que eu ouvia...

Era muito... A gente já falou em algum momento de... Ah, você quer que o mundo acabe em barranco para você morrer encostada. Como é que pode uma virginiana ser tão desorganizada? Eu tinha sete anos. Nossa.

A minha mãe, uma vez eu acho que eu deixei o meu pijama jogado, ela colocou dentro da minha mochila da escola. Quando eu cheguei e abri a mochila da escola, tava o meu pijama. Ela falou, meu Deus, o que aconteceu aqui? Sabe? Então, assim, eu sempre fui preguiçosa.

Sempre fui apreguiçosa. Até hoje, né? Nossa, eu sou eternamente cansada também. Cansada? Você tá sempre cansada, mas tá cansada do quê? Por que você tá cansada? Tá cansada, ué. Tá cansada. Não posso estar cansada? Assim, sempre cansada. Sempre com dor. Ah, mas eu vou te chamar de Maria das Dores. Ah, eu que ia também. Eu também.

Então, isso faz com que a gente questione também se é isso mesmo. E tem horas que eu paro aqui e falo, meu Deus, ai, vou... Não, acho que é preguiça isso, vai, que custa. Não vai levar 20 minutos.

Vai, atravessa a rua, compra um pão, sabe? E eu não consigo, eu não consigo. E sempre cai nessa coisa da preguiça, da incapacidade, quando não consegue fazer uma coisa difícil, principalmente, né? Eu comecei a perceber mais as dificuldades do TDAH quando eu fui fazer a segunda faculdade, o mestrado, mas quando eu fui fazer a faculdade, que aí foi quando eu entrei em contato com isso, que eu entrei em letras na USP.

Eu ficava, gente, como é que pode? Eu não estou entendendo nada. Se vocês me perguntarem o que eu sei, é muito pouco, porque eu não lembro, eu não absorvo, eu não conseguia parar quieta na aula. Aí ficou muito gritante isso para mim. E, assim, me sinto burra o tempo todo. Eu acho que essa é a grande sensação. Me sinto burra o tempo todo.

Nossa, várias coisas passando na minha cabeça agora.

Quando eu fiz letras, eu tinha um professor que, ele literalmente dava aula de literatura clássica em grego. Ele falava grego. Aí ele pegava a Ilia da Odisseia e a gente estava estudando Ilia da Odisseia no primeiro semestre. Primeiro semestre da faculdade, ele escrevia em grego na lousa. Eu não entendi ele falando nem em português. Ele escrevia em grego. Eu falei, gente... Amém que eu não peguei essa época. Amém que eu não peguei essa época. Foi bem mais suave agora. E ainda foi difícil.

eu não tava entendendo o que ele tava falando em português eu não tava lembrando do que ele tava falando em português ele ainda pegava ah, porque a passagem tal, tal, tal ele escrevendo num negócio de tipo literalmente grego porque era a passagem original agora parando pra pensar aquele professor, ele não era neurotípico

Ele com certeza não era neurotípico. Ele foi tão a fundo em estudos clássicos que ele aprendeu grego para ler o original, mas isso não é coisa neurotípica. Mari? Você perguntou se a gente tem... Às vezes tem um dia bom e aí fica se questionando.

Acontece bastante e às vezes eu entro numa de achar, eu acho que eu não preciso de remédio não, eu vou ver se eu paro de remédio. Ai gente, por que a gente faz isso com a gente mesmo? Mas aí assim, aí você percebe que não, eu acho que...

A gente pode ter dias bons, igual você falou, às vezes a gente adapta tudo ali para as coisas funcionarem minimamente, e aí quando elas funcionam minimamente, a gente esquece que a gente adaptou as coisas para isso, e aí fica achando que, ah, então eu acho que é isso, só que essa coisa do remédio, inclusive, é engraçado, porque...

O remédio para TDAH para mim, ele me ajuda muito no humor. E aí, assim, gente, eu sem o remédio, dependendo... Às vezes eu fico um dia sem tomar mesmo, porque o que eu tomo não tem problema eu ficar sem tomar. Mas, assim, dependendo do que eu vou fazer no dia...

eu não posso ficar sem tomar, porque senão eu vou me tornar uma pessoa insuportável para mim mesma. E também falando para os outros, os outros que se virem. Para mim mesmo, tipo, eu não me suporto. E aí, assim, aí eu fico, é, gente.

É isso, acho que eu tenho isso mesmo. Eu já conversei com a minha médica sobre isso. Uma das hipóteses dela, Mari, é que sem a medicação, talvez, no meu caso, eu me desorganize mais, isso me dá muita raiva, e eu fico mais aflorada.

muito mal-humorada também. E tudo é mais difícil. Porque tudo é mais difícil. Não que o remédio faça milagre, mas assim, ajuda nessa organização mental. E o que eu tô tomando agora, parece que ele também tem uma coisa que dá um up no humor também.

Então, eu acho que essas duas hipóteses podem contribuir com isso, sabe? Sim. E até porque isso entra um pouco na próxima pergunta, que assim, a nossa vida não é aquele caos visível o tempo inteiro. Tem caos que a gente...

Empurra dentro do armário, fecha o armário e fala que tá tudo bem. Até você abrir o armário e ele cai em cima de você de novo. Fatos... Só hipotéticos, gente. Só hipotéticos. Não é como... Não é jeito.

Não é como se eu tivesse exatamente do meu lado um armário que se eu abrir vão cair várias bolsas em cima de mim neste segundo. Não há nada, não tem assim, nada assim na minha casa, nem do meu lado. Mas enfim.

O Masking contribui bastante com isso. Vocês estavam falando um negócio que eu lembrei, e agora acabei de esquecer que eu ia falar, o TDAH está batendo forte hoje. Lembrei. Isso entra um pouco naquilo que eu estava falando antes, que a gente estava conversando antes sobre a parte do burnout e neurodivergente. Eu acho muito engraçado que, especialmente o meu TDAH, ele gosta de me lembrar que ele existe.

E ele faz questão de falar, você esqueceu de mim? Olá, eu estou aqui. Então tem um dia, eu estava até conversando com a Mari sobre isso, que eu estava adiantada nas pautas. E aí eu falei, ok, e agora eu já trasei para a seguinte. Porque tem um momento, por exemplo, tem dias que eu hiperfoco, aí eu...

estudo uma pauta e eu fico o dia inteiro lendo um monte de estudo, um monte de site escrevendo pauta aí tem um momento que eu falo, ok eu acho que eu já li demais e as coisas que eu tô lendo estão começando a se repetir no dia seguinte eu não consigo fazer mais nada

Não dá, o meu corpo falou, ok, você foi produtiva demais no dia anterior, no dia seguinte você está com o cérebro de ameba, você vai fazer... Aí eu consigo fazer coisas do tipo que são leves para mim, que não vão exigir o mesmo nível de esforço mental do dia anterior. Aí eu passo semanas, é só o meu cérebro falar, estou adiantada que eu vou passar semanas?

postergando aquilo que eu tava adiantando até ficar atrasada de novo, até ficar em cima do limite de novo. Aí chega a hora da corda no pescoço e fala, ah, meu Deus, eu preciso correr, porque se eu não fizer isso em três segundos, eu vou atrasar tudo e vai encabalar um monte de outras coisas que eu preciso fazer. Então...

Sempre tem aquele negócio, nossa, conversão produtiva hoje. É batata, eu falo isso no dia seguinte, desanda tudo. E aí nas próximas semanas vou desandar tudo também. É, eu falo que, eu acho que neurodivergência no geral, mas o TDAH pra mim é tipo o mito de sísifo, sabe? Eu tô lá empurrando a pedra pra cima todo dia.

pesada, sabe? Aí eu falo nossa, agora vai dar certo agora eu tô quase chegando eu nem chego na metade a pedra já rola pra baixo de novo, sabe? É essa sensação de sobe pedra, sobe o morro empurrando pedra e ela cai todo dia isso e nossa, é exatamente essa sensação É

Vocês acham que o masking contribui de uma certa forma para vocês duvidarem do que vocês sentem? E lembrando o masking ou mascarar é aquela habilidade que a gente tem. Não é exatamente uma habilidade, eu acho que cada vez mais eu tenho uma teoria de que só a gente acha que a gente mascara bem as coisas.

Porque pro resto do mundo a gente continua sendo a pessoa meio estranha, meio única, meio fora da caixinha. Mas o masking é tipo aquilo que a gente conta pra gente mesmo, aquela máscara que a gente conta, que a gente veste pra se comportar em sociedade do jeito que as outras pessoas esperam que a gente se comporte, do jeito meio neurotípico de ser.

E eu acho que só a gente tá tentando se enganar com isso. Mas, enfim, isso acaba cobrando também energia. Tem vários gastos extras de energia que a gente faz só por tentar se comportar como as pessoas esperam da gente. E às vezes essa máscara fica tão...

proeminente, que a gente esquece um pouco de como a gente é de verdade, de como que a gente age de um jeito que... Quem sou eu sem gastar tanta energia, sabe? E será que eu sou tão neurodivergente assim? Isso tem um pouco do... De talvez até o próprio Masking, da síndrome do impostor, enfim. Vocês já sentem isso? Vocês já sentiram isso?

Nossa, contribui demais, porque a gente está lá fazendo um negócio, achando que está arrasando. E eu acho que às vezes a gente não para para perceber o quanto que aquilo está sendo difícil. A gente pode até estar fazendo, mas o desgaste que aquilo está gerando, é porque é muito doido isso, né? Como a gente só é a gente, a gente não é outra pessoa, a gente não é uma pessoa neurotípica.

A gente não tem como ter noção de como aquilo seria para uma pessoa neurotípica. Daí, por exemplo, você está lá lavando uma pia de louça, você leva 50 minutos para lavar o raio da pia de louça. Aí você termina, você quer deitar no sofá e ficar lojando para o teto por duas horas. E aí você pensa que, ah, não, mas eu fiz o que eu tinha que fazer. Só que você não pensa que talvez uma pessoa neurotípica, primeiro, não ia acumular uma pilha de 50 minutos de louça para lavar.

E só ia ir lá lavar e depois ia, sei lá, lavar roupa, lavar o banheiro, e tá tudo bem. Eu acho que a gente, como a gente é só a gente, a gente não tem esse critério de comparação, mas mesmo quando a gente supostamente tá mascarando, pra gente é muito mais difícil do que pra quem é neurotípico, né? Então, enfim, mas como a gente...

é muito bom em se sabotar, aí a gente fica achando, ah, será? Talvez eu não tenha CDH. Talvez eu seja só uma pessoa que é viciosa. Será? Acho que não, né? Mas enfim.

o Andrei fala que eu preciso começar as coisas mais cedo, mas aí quando ele fala isso, por exemplo se eu começar a me arrumar mais cedo vai ter um momento que eu vou falar eu tô quase pronta, aí ele fala agora você tem tempo pra se atrasar com calma porque ou eu tô com a corda no pescoço do tipo as coisas estão cronometradas e eu não tenho cinco minutos de sobra pra me arrumar, porque senão eu vou me atrasar ou as coisas estão cronometradas ou eu me atraso atraso

E quando você começa cedo Pra atrasar com calma também, né? Acontece muito Que ódio que dá Tipo assim, tenho que sair de casa às nove Acordei às sete De algum jeito, que eu não sei como De repente já são nove, dez Como que acontece? Não sei

A história da minha vida com essa questão é, tipo, tava toda pronta pra sair. Pronta, tal. E aí eu precisava achar, sei lá, meia. Só precisava calçar meia e tava tudo certo. Eu não conseguia achar minhas meias. Gente, mas eu ficava num estado de nervos. Assim, nossa, mas eu ficava num estado de nervos. Sério mesmo, eu explodia. Eu tinha um...

Meltdown mesmo, uma coisa de querer matar alguém, de tanto ódio. E aí eu saí atrasada, toda atrapalhada, e isso melhorou, porque eu já deixo tudo pronto, já sei o que vai acontecer. E comprei um monte de meia parecida também, então se não tiver o par, vai a que é parecida.

Então é isso, sabe? Mas, nossa, é bem isso de me atrasar com calma sempre. Apesar de sempre chegar no horário, às vezes antes, mas na minha cabeça alguma coisa acontece ali que não vai dar tempo, não vai dar tempo, não vai dar tempo e, sei lá, eu fico meio que hoje para me organizar eu coloquei uns três alarmes para me situar no tempo.

Hoje eu comecei cedo e me atrasei com calma. Acontece mais do que deveria. Eu me pergunto se os neurotípicos entendem. O que significa se atrasar com calma?

O que significa isso? Eu acho que eles não devem entender, não. Apesar de que nem sempre estão com calma, assim, né? Porque a gente tá lá, assim, de repente bate o pânico, né? Que é o pânico do prazo. Aí você sai correndo, tipo eu. Fiquei de boa até, sei lá, 11 horas. Quando deu 11 horas, eu comecei a fazer... Parecia uma doida aqui, pra deixar tudo pronto, sabe?

Tem coisas de neurotípico que eu não entendo. Por exemplo, o Andrei gosta de acordar cedo, mais cedo do que ele precisa, por prazer. Eu não entendo. Por exemplo, ele vai sair para trabalhar em um determinado horário. Ele acorda mais cedo para ele ver o YouTube, para ele tomar um café com calma, para ele passear com o cachorro.

Gente, se eu acordar cedo demais pra tempo de assistir um vídeo no YouTube, ou abrir o Instagram, ou abrir o TikTok, não dá, não existe. Eu vou continuar exatamente do jeito que eu levantei até a hora de sair, porque eu não vou perceber o tempo passar nesse tempo. Eu não consigo ligar a televisão, eu não consigo ligar nem música direito, porque qualquer coisa vai me distrair.

Sim. Mas só mudando de assunto, mas falando da coisa do diagnóstico, de duvidar do diagnóstico, uma coisa que... Você falou do Andrei, agora eu lembrei. Uma coisa que me fazia duvidar muito do meu possível diagnóstico de TDAH na época era eu não tinha problema de sono, eu não perdi as coisas, eu dificilmente perco as coisas dentro de casa. Tanto é que às vezes eu acho as coisas e falo nossa, nem lembrava que tinha essa blusa. Vamos lá. Vamos lá.

Mas assim, de perder na rua, de esquecer chave em qualquer lugar, isso é raríssimo acontecer. Mas o que acontecia? Eu dormia cedo, minha mãe me doutrinou a dormir cedo, só que eu acordava no sábado, seis e meia, sete horas da manhã, com uma energia.

que eu ficava colocando o bilhetinho embaixo da porta do Fernando, que a gente morava porta com porta, porque eu queria brincar às sete horas da manhã, e eles sempre acordavam tarde.

Ou se não, eu acordava minha mãe sábado, coitada, ela não trabalhava, e eu ficava, liga a TV, para ligar a TV, que eu queria assistir desenho, sabe? Então, eu sempre acordei com muita energia, lógico que ela vai embora logo. Mas então, essa energia que muita gente tem à noite, eu tenho de manhã.

Então, de manhã, eu fazia muita coisa, né? Aí eu fiquei... Mas eu falei assim, mas isso não... Mas o TDAH não tem insônia, sabe? Não tem problema de sono. Então, isso eu ficava assim, tá, mas eu não tenho TDAH. Eu nunca perdi nada e nunca... Não tinha problema pra dormir.

Mas é isso, né? Quando eu ia deitar a cabeça, fica... Aí eu conseguia dormir e acordava com a cabeça parecendo uma escola de samba. Ou a banda dos Chaves, que cada um trocando uma nota diferente, uma música diferente. Nossa, nossa, nossa. Nossa, é. Eu tenho...

Eu acho que depois que eu comecei a tomar remédio de ansiedade, melhorou, pelo menos comigo, a parte da ecolália, ou ecolaria, eu até hoje não sei como pronunciar isso, onde que eu aceito, mas enfim. É, eu gosto de ecolália porque eu não sei porquê, mas enfim, na minha cabeça, tanto faz, na minha cabeça fica repetindo músicas e um trecho insuportável de alguma música insuportável na hora que eu deito, e é isso, pelo menos comigo.

Tanto a melatonina quanto o remédio de ansiedade me ajudaram muito com isso, de conseguir dormir.

melhor, sem ficar a cabeça, ficar... Pensando agora, acho que aquele site Desescuta foi feito por alguém com TDAH, né? Eu não conheço o site. Desescuta era um site, eu não sei se ainda existe, que você tava com um trecho de uma música na cabeça, você jogava lá, ele te dava outra música pra você tirar aquela da cabeça. Que legal!

Você tirar aquele refrão, sei lá, você está com o pagode dos anos 90 na cabeça, aí ele vem e insere outra frase na sua cabeça. Não conhecia, que interessante.

Muito bom. Mas escuta, depois quem quiser procurar aí, eu não sei se ainda existe. Tem um ponto que eu achei interessante de colocar na pauta, que é a parte da influência externa, das redes sociais, de outras pessoas, enfim.

Vocês acham que o mundo lá fora afeta a nossa percepção do TDAH e do autismo? Do próprio diagnóstico, a gente já estava conversando como a cultura pop, por exemplo, influencia isso, as referências que a gente tem de autistas e TDAHs em séries, filmes, às vezes livros.

Hoje as pessoas falam muito de glamourização e banalização do TDAH e autismo, especialmente TikTok e Instagram. Eu já falei isso num outro episódio. Porque eu não acredito em glamourização e em banalização, porque eu acho que isso serve um propósito de pessoas que querem...

desacreditar que os transtornos existem e a severidade deles. E o estudo que as pessoas citam, sem ler, sobre a banalização do TDAH e todo mundo achar que é TDAH hoje em dia no TikTok, ele foi baseado em TikToks que... Eu li o estudo. Ele foi baseado em TikToks que...

foram virais. Eles não foram baseados em TikToks que falam necessariamente sobre o assunto. Porque não necessariamente o que é viral tem uma... tem a necessidade de mostrar como é. Na verdade, é o contrário. Dificilmente uma coisa que viraliza tem algum comprometimento com alguma coisa que não seja, por exemplo, fazer uma piada.

Então, e aí esse estudo é bem falho nisso. Se você pega o que viralizou e o que é mais popular, não necessariamente você está pegando alguma coisa que tem um comprometimento em falar a verdade.

ou viralizou porque o Bram provavelmente fez piada mas entrando no início eu já tinha falado assim em outro episódio mas enfim, vocês acham que esses fatores, redes sociais por exemplo, pessoas representação de uma certa forma já fizeram vocês questionarem a validade do próprio sofrimento que vocês passam com o transtorno

Ou pensar, será que eu fui na onda do algoritmo? Será que eu me identifiquei? Ou até, de repente, sei lá, ouvindo demais a tribo TDAH. Será que eu ouvi demais podcast sobre TDAH e isso me influenciou a achar que eu sou assim? Vocês já chegaram a parar para pensar nisso? Ou refletir sobre isso? Ou o que vocês acham sobre isso, por exemplo?

Eu acho que você mutou. Mari. Pode começar. Ai, meu Deus. É complexo, né? Eu...

Eu não sinto que eu fui influenciada por essa onda. Primeiro porque eu tive meu diagnóstico antes dessa onda. Em 2022 isso ainda não estava muito intenso. E eu nunca tive muito esse hábito de consumir esse tipo de conteúdo curto e raso. Não vou dar respeito a quem gosta, gente, mas eu não gosto.

Só que tem uma coisa que é um pouco diferente do que você falou, Tata, mas que às vezes eu fico pensando que conecta com o que a Adri falou sobre o negócio de acordar cedo e problema com sono e tudo mais. Eu acho que às vezes a representação da mídia seja mais complexa nesse sentido, porque...

É igual você falou, Tato, que você estava citando os personagens e tal, às vezes eles são muito estereotipados, e aí você olha para aquele personagem e você não enxerga naquele estereótipo.

E aí tem uma coisa ou outra do TDAH que você não é exatamente daquele jeito. E assim, a Adri pode me ajudar aí nessa também, em Tata também, mas assim, há uma coisa sobre as neurodivergências, é que elas são diferentes para cada pessoa. E aí, por exemplo, a questão da desorganização. Quem olha de fora me acha uma pessoa organizada.

E aí, assim, tá, mas por que eu sou organizada? Porque a minha mente é uma bagunça. E a organização externa que eu faço é pra conseguir lidar com a minha desorganização interna. E eu sempre fui assim. Quando eu era criança, praticamente, eu gostava de arrumar guarda-roupa. Porque aquilo me ajudava. Eu tava num processo interno muito difícil, muito doido, muito desorganizado.

E a mão da mão me ajudava a calar os pensamentos e conseguir focar naquilo ali e fazer aquilo dali. Mas eu tenho sentimentos muito complexos em relação a essas coisas de internet, TikTok e tudo mais, porque...

É bom que as pessoas possam ter mais acesso à informação, mas eu gostaria que as pessoas tivessem mais acesso à informação no nível da tribo, por exemplo, e não em coisas superficiais, que muitas vezes a gente acaba tendo contato na internet, tipo, ah, cinco sinais de que você tem TDAH.

Tipo, não, cara, sabe? E aí isso me deixa um pouco assim, porque o que eu penso às vezes sobre isso é que às vezes a pessoa vai olhar um conteúdo desse, ela não tem TDAH, e ela começa a achar que ela tem TDAH, e aí isso, na verdade, é...

Pode fazer com que as pessoas não tenham noção de como é difícil quem tem de fato ter, sabe? Diminui a percepção de que é difícil ter. Porque se tem um monte de gente que não tem e está se identificando com esses conteúdos rasos e achando que tem alguma coisa...

Aí a pessoa não tem noção do que quer ter de verdade, sabe? Então, assim, enfim, eu divaguei e fui pra outros lados. Não sei se eu falei alguma besteira, mas é porque às vezes eu fico pensando muito nisso. Tipo, a pessoa, sei lá, aquelas coisas que a gente às vezes pensa. A pessoa perdeu a chave três vezes na vida. Ah, eu tenho que perder o H, eu perco a chave do carro. Não, eu não tenho que perder o H e nunca perder a chave.

Eu já perdi na minha própria casa. Não, não. Eu não conto. É. Eu perco dentro de casa também. Geralmente eu sou igual você, Adri. Eu dificilmente perco as coisas na rua. Mas dentro de casa é bastante.

Eu tenho... Às vezes eu acho que... Eu observo muito... O André é meu grupo controle, porque meu marido é... Ainda é estranho falar marido, mas enfim, meu marido é... Ele é muito neurotípico, ele não é pouco neurotípico, ele é tipo neurotípica pra caramba, assim. E ele é muito meu grupo controle. Então, em 10 anos de relacionamento...

ele nunca se identificou com absolutamente nada da tribo.

ele edita os conteúdos, ele vê os vídeos que eu faço. Então eu tenho uma impressão que, assim, se a pessoa for neurotípica, dificilmente ela vai se identificar com as coisas. E aí eu penso que existe sim um número de pessoas que não foram diagnosticadas por uma série de fatores ou por profissionais que não estão preparados ou por pessoas que não...

pessoas que a pessoa nega que talvez ela tenha alguma coisa, tem preconceito de procurar psicólogo por várias questões de estigma mesmo enfim, existem vários tipos de questão, porque as pessoas não tem diagnósticos hoje em dia até uma delas é o custo de um diagnóstico que é extremamente caro e não necessariamente você vai encontrar profissionais preparados

que fazem atendimento gratuito. Apesar de ter universidades e instituições que fazem diagnóstico gratuito, elas não são tão fáceis de encontrar. Mas dito tudo isso, toda a volta que eu dei, é para falar que eu acho muito mais raro uma pessoa que é neurotífica se identifica com os traços de TDAH, mas sempre tem a pessoa sem noção, como a Mari falou, esqueci a chave três vezes na vida, eu acho que eu também. Todo mundo faz isso e não é assim.

Mas quando, às vezes eu acho que quando as pessoas ouvem os conteúdos da tribo, ouvem coisas e começam a se identificar um pouco demais, eu começo a achar que, tipo, ah, talvez seja o momento de você, talvez, procurar um diagnóstico, assim. Só pra quem não quer nada, assim, talvez, tirar essa dúvida da sua cabeça. É.

Bom, eu sou suspeita para falar porque foi exatamente assim, né? Mas com a tribo. Agora, em relação às redes sociais, algumas coisas... Eu tenho esse sentimento ambíguo também. Eu acho que tem coisa que é interessante. Teve um vídeo que me marcou que era desses de ponto de vista, né? Ah, eu tenho que era uma moça esbarrando em tudo, né? Ah, como é...

TDAH e tipo... Ai, não lembro agora o título, mas essa coisa de você ficar esbarrando em tudo. E eu sempre esbarro em tudo. Gente, tem um portão de três metros de largura. Eu vou esbarrar em alguma coisa. Eu tomo água com canudo porque eu...

eu não consigo, tipo, às vezes eu tô fazendo outra coisa, pensando outra coisa e bebo água e estou tudo eu sou muito atrapalhada então assim, eu acho que gera uma um reflexo, né, gera uma um reconhecimento de quem tem

Mas também tem essa questão que a Mari falou, de pessoas que se identificam, que acham que tem o transtorno, e isso serve para tudo, para autismo também, para outras coisas, porque viram, passaram por uma situação parecida algumas vezes. Mas é isso, eu...

Eu nunca perdi chave na rua, mas conheço gente que já perdeu mais de 10 vezes. Não tem uma regra, né? A gente não é igual. A gente não é igual. Mas eu acho que, de certa forma, foi por causa... Aí que tá, né? Foi por causa das redes sociais que aí as pessoas começaram a ver, trazer essa queixa para o consultório, para a terapia, que me levou a pesquisar. E aí...

Sabe? Só que eu não vou pesquisar com um viral de TikTok, até porque eu tô tão ranço dessas redes sociais. Mas aí eu fui pesquisar e vi o trabalho da tribo, um trabalho sério. Eu falei, gente, aí sim. Então, é difícil dizer se é vilão ou herói, né? Acho que não é nenhum nem outro, ou os dois.

Eu vi uma crítica, e eu quero fazer um conteúdo sobre isso mais pra frente, mas...

Eu acho que toda vez que alguém fala de banalização e glamorização, existe um interesse de outras pessoas de usar essas palavras porque elas invalidam o diagnóstico. Quando você fala que uma coisa está muito popular, você começa a desacreditar a veracidade daquilo. Então, eu acho que é até um exercício para a gente fazer de a quem interessa...

desacreditar um diagnóstico de um transtorno. Interessa para pessoas negacionistas, interessa para as pessoas que são contra, por exemplo, ações de acessibilidade e que acham que as poucas acessibilidades que a gente tem já são demais para a gente tentar viver de uma maneira mais digna. Interessa para pessoas que não... Nem exatamente para pessoas que não entendem, porque elas acabam entrando na leva.

Mas interessa para pessoas também, por exemplo, que não querem dar voz a autistas, TDAHs, a alta DHAs, para falar das nossas próprias experiências e usar só profissionais de saúde que muitas vezes não entendem tanto sobre o nosso transtorno e veem a gente como meramente um paciente ou um caso de estudo que só existe da porta do consultório para dentro.

E não existe como pessoa, e todas as coisas que a gente passa não são válidas da porta do consultório para fora. Então, eu acho que essas palavras glamorização, banalização, elas são muito perigosas.

porque elas, no fundo, elas escondem intenções de pessoas que querem desvalorizar as nossas experiências e falar que hoje todo mundo tem, então o que você tem não é sério o suficiente.

Mas ninguém nunca falou, por exemplo, que diabetes é super popular e todo mundo tem diabetes, então pra que você precisa usar o remédio de diabetes? Você pode só se esforçar e não virar diabético. Se você come bem o suficiente, a diabetes passa.

Ninguém fala isso. Ninguém fala, por exemplo, nós três usamos óculos aqui, sabe? Ninguém fala, se a gente só fechar um pouquinho mais o olho, a gente vai focar o suficiente, a gente não precisa desse óculos, porque esse óculos está impedindo que a gente viva da melhor maneira que o nosso corpo poderia trabalhar. A gente está usando ele como uma desculpa para a gente poder enxergar.

Mas as pessoas, o óculos, assim como, por exemplo, o remédio de diabetes, são ferramentas para a gente ter uma qualidade de vida melhor. Mas como são coisas que as pessoas, TDAH e autismo são transtornos invisíveis, são deficiências invisíveis, é menos palpável você dar uma prova disso. É menos palpável as pessoas terem empatia para entender.

que não é todo mundo que vive a vida delas. Então eu acho que essas palavras banalização e glamorização, elas escondem isso. Elas são muito usadas por pessoas que querem desacreditar e desapropriar o que a gente tem de falar sobre as nossas próprias dificuldades.

Pelo menos o meu pequeno momento palestrinha aqui. É, porque não é visível. E é isso, né? Mesmo quando você faz uma avaliação e você é desacreditada nessa avaliação por conta de um...

estigma por conta de, enfim, né, isso que eu relatei sobre mim, de eu ter estudado demais, por isso que eu não tenho TDAH, basicamente foi isso, isso acontece o tempo inteiro, com autismo, né, ah, mas você tá olhando no meu olho, você não pode ser autista.

E aí você está olhando no ponto da testa da pessoa. Eu tenho muita dificuldade, tanto que eu já tomei muita bronca de chefes, porque eu não olhava no olho. Eu já sofri muito com isso, porque eu não consigo. É muito difícil conseguir olhar no olho.

O Marocosso falou uma coisa no chat da live que é bem interessante também, porque eu esqueci de falar que é isso. Que isso, essas termos, banalização, glamourização, ele também interessa pra planos de saúde, por exemplo. Ah, é? Não custearem tratamento. Isso acontece muito. Existem interesses econômicos por trás de pessoas que falam isso? Sim. Enfim.

E voltando àquela fase daquele negócio de perder a chave, a gente vive ouvindo essas frases, sabe? Tipo, ai, todo mundo esquece a chave, todo mundo precisa se esforçar mais. É comum a gente ouvir de, às vezes, amigos, familiares. Isso, vocês acham que isso, de uma certa forma, alimenta a dúvida?

E a própria que eu estava falando de falar de banalização que invisibiliza os transtornos que a gente tem. Vocês acham que... Como é que vocês lidam com essa parte de invisibilizar e de as pessoas acharem que todo mundo tem? Porque não existe uma cara de TDAH, não existe uma cara de autista. Vocês sentem que, sei lá, de uma certa forma, da porta da rua para fora, vocês precisam provar que vocês são?

Ainda mais quando, sei lá, vocês estão numa fila preferencial. Vocês já sentiram isso? Que vocês precisam provar que vocês são TDHs, autistas? Ou, por exemplo, TDH não tem direito à fila preferencial ainda? Mas quando você fala que você tem TDH, que você tem que, de uma certa forma, mostrar que você tem cara de TDH entre todas as aspas? Ou que você tem que mostrar para as pessoas que falam que todo mundo esquece a chave, todo mundo precisa só se esforçar mais?

Vocês sentem que isso acaba tendo alguma manifestação, às vezes até física em vocês, ou que vocês se comportam diferentes, por causa que o transtorno é invisível, e até por causa desse estigma que tem, as pessoas não enxergam isso, as pessoas não conseguem entender e ver como é que é. Vocês já sentiram isso?

Eu não. Pode falar, Mara. Então, eu ia responder que não também, mas... Eu acho que o meu não vem de um lugar de...

de maturidade, sabe? Porque eu entendo muito quem tem essa necessidade e eu imagino que isso aconteça com as pessoas. Mas, assim, eu sempre fui uma pessoa tão diferente do padrão.

Que hoje em dia, eu tô com 36 anos, né? Hoje em dia eu não me importo mais com esses olhares, eu não me importo mais. Então, assim, é uma coisa meio... It gets better. Mas é porque quando a gente é mais jovem, a gente tá mais preocupado com certas coisas que...

Com a idade a gente não se preocupa mais. E aí, assim, hoje em dia, eu falo abertamente do meu TDAH nas situações que faz sentido eu falar isso, né?

Mas eu não me preocupo se as pessoas vão acreditar ou não. Se não vier falar comigo, pode pensar o que quiser, porque eu não estou nem aí, sabe? Teve uma vez, mas assim, a gente acaba escutando coisas que são muito difíceis de escutar. Teve uma vez que eu estava numa... Acho que eu estava numa aula na faculdade.

E aí o professor soltou, assim, que ele achava que CDHs não podiam dirigir. Aí aquilo me deu tanta raiva, que assim, eu falei, cara, como assim? E eu ainda fiquei pensando no negócio, aí vocês me ajudam a ver se faz sentido isso que eu pensei. Porque a nossa atenção, ela é difusa, qualquer coisa vai chamar a atenção.

E eu acho que para o trânsito isso é ótimo, porque se acontecer alguma coisa de repente no trânsito, e você perceber isso, e o neurotípico pode não perceber porque ele está focado naquilo ali que ele está fazendo, eu fiquei assim, falei, cara... E aí isso é uma outra coisa sobre medicamento, né? Porque eu falei que às vezes eu fico pensando em parar de tomar um remédio, e uma coisa que eu percebo muito do efeito do remédio é no trânsito. Eu dirijo muito melhor quando eu tomo remédio do que quando eu não tomo.

Mas enfim, divaguei. Eu comecei a perceber mais isso, não do diagnóstico de TDAH, mas mais do diagnóstico de autismo, porque o...

Eu sinto que às vezes eu fico tão nervosa quando, por exemplo, eu estou numa fila preferencial, que eu faço mais streaming. Como se eu precisasse provar que eu tenho o direito de estar lá. Então, em situações sociais eu tenho feito muito mais streaming. E às vezes até o jeito que eu ando, que eu me comporto em alguns lugares, eu tenho percebido que...

Ele é um pouco diferente. Às vezes, não sei se é porque, dependendo do lugar, por exemplo, às vezes eu vou no supermercado, geralmente, no fim do dia. Então, eu já passei o dia inteiro, então, provavelmente, eu já estou com mais sobrecarga, já estou mais cansada. Aí, chega no supermercado, aquele ambiente cheio de luz e cheio de estímulo. Então, eu começo a meio dar umas travadas, assim.

E eu começo a andar mais, talvez, com a mãozinha de T-Rex, mais o meio robozinho e tal, mas principalmente eu percebo em fila, que quando eu tô em fila eu fico mais nervosa, porque eu não gosto de ficar parada. Parada sem me mexer, eu não consigo.

E eu faço mais estímulo quando eu estou especialmente em fila preferencial mas fila de uma certa forma eu não consigo ficar parada a ponto, só ficar ali segurando no carrinho não acontece comigo

E aí eu percebi muito por causa disso. E às vezes eu tenho um pouco de medo. Tipo, eu falei isso com a Adri umas semanas atrás. Eu finalmente tive coragem de responder. Veio uma pessoa, eu estava no metrô. E veio uma pessoa, eu estava sentada no banco preferencial, dentro do metrô. E eu estava com a minha pulseirinha de cordão de girassol. Veio uma senhora, parou do meu lado e ficou olhando para mim.

E aí ela falou, eu quero sentar aí. Eu falei, eu tô sentada no meu lugar. E tinham outros lugares. Não é como se o vagão estivesse cheio. Não, o metrô estava praticamente... Não estava praticamente vazio, mas assim... Ele estava cheio de lugares pra dona sentar. Ela queria sentar no meu lugar. E eu peguei o lugarzinho, que só tinha um lugarzinho. Tipo, aquele que não são de duas ou três pessoas. Era um lugarzinho separado, só pra ficar quietinha no meu cantinho.

mas a senhora, mas... E a senhora falando, eu quero sentar aí, eu tô no meu lugar, eu tenho o direito de estar aqui. Aí ela olhou brinho na minha cara e eu senti que ela ficou me julgando, ela ficou me analisando assim, com o olhinho meio fechadinho, olhava pra placa atrás de mim, olhava pra mim, eu acho que ela tava lendo todas as pessoas que têm direito de sentar naquele banquinho pra entender será que essa moça tá grávida, será que é alguma outra coisa que eu não vejo?

E ela falou, você é autista, né? Tipo, ela chutou a primeira coisa, não sei se...

Eu não sei. Ela falou, você é autista? Eu falei, moça, não é educado falar isso. Ela falou, ah, não, mas é porque tem muita gente. Eu falei, eu tô nesse lugar porque eu sei ler. Se eu tô aqui é porque eu tenho o direito de estar sentada aqui. Eu sei ler. Aí ela falou, ah, não, fica em paz. E aí ela foi embora. Mas, tipo, ela não queria admitir. Mas, assim, podia ser que eu tivesse algum...

alguma deficiência de colocoção e eu estivesse sentada, não ia aparecer. Poderia ser que eu tivesse um problema de visão, não ia aparecer. Um problema auditivo, não ia aparecer. Poderia ser uma série de coisas. E, às vezes, é engraçado que no nosso grupo aparecem muitos casos assim, de quando a gente está num lugar...

especialmente pessoas mais velhas, julgam que a gente não tem direito de estar lá, às vezes eles são os primeiros a confrontar a gente. Então eu acho que eu fico mais nervosa, eu fico fazendo muito mais estima, muitas vezes, nesses ambientes. Às vezes até não é consciente que eu faço, mas eu acho que vem de um lugar muito de não querer ser confrontado.

não querer ser invalidada de uma coisa de... Eu tenho direito, tanto direito quanto todo mundo, de estar aqui. É, eu sinto algo parecido também. Eu fico... O diagnóstico de autismo, eu acho que ele é o mais difícil. Eu tenho muitos sonhos ainda. E nos meus sonhos, me afirmando autista... Nossa, sim! Sim!

E como Jungiana, psicóloga de abordagem Jungiana, para essa abordagem os sonhos são importantes, então eu fico tentando entender os meus sonhos no sentido de sim, você pode, você está validada, sabe? Você tem o seu diagnóstico, você tem o direito de... Você tem os seus direitos, né? Então, eu... Só que assim, eu já uso o cordão em tudo.

Tipo, assim, eu não saio sem o cordão do quebra-cabeça. Porque aí eu já sento no lugar ou tô na fila e assim, a pessoa bate o olho no cordão, bate o olho na plaquinha e não me enche. Assim, eu me sinto observada, né? Eu sempre me sinto observada, sinto que as pessoas olham.

mas até o momento não aconteceu de ninguém encher o saco. Eu acho que a que mais duvida mesmo do diagnóstico sou eu mesma.

até porque isso que a Mari falou, eu concordo 100%, acho que por ser mais velha, já estar com 40, ter um diagnóstico depois dos 40, já me faz tipo, foda-se, eu vou usar o cordão.

E assim, eu sempre, sempre, sempre em transporte público, se era de dia, eu estava de óculos escuros e fone de ouvido e muitas vezes lendo um livro. E assim, eu continuo desse jeito, sabe? Eu me isolo do mundo quando eu estou em ambiente público, se eu estou sozinha, né? Eu acabo me isolando nesse sentido. Então, eu...

eu finjo que não é comigo. Se alguém vier e encher o saco, ou até uma pessoa que fala, você tem que sair daí porque a pessoa idosa quer sentar, dá seu lugar para ela então.

porque eu já vi isso acontecer com outros relatos, sabe? Em relação a isso. Então, eu já uso o que é para não interagir. Eu só vou interagir em casos muito assim. Tipo, o meu cordão fala por mim. E, aliás, eu quero ainda ter as plaquinhas para quando eu não conseguir verbalizar, mostrar a plaquinha, porque tem horas que é muito difícil verbalizar, por mais que eu fale muito.

Mas tem horas que eu fico praticamente averbal. Então eu deixo que o símbolo fale por mim para eu não ter esse desgaste. Se vier falar comigo, eu finjo que não é comigo. Eu estou de fone de ouvido.

Eu já fico mais para dentro, sabe? Mas isso também... Hoje eu me importo, acho que eu me importo muito menos do que eu me importaria antigamente. Primeiro, porque eu trabalho por conta também. Eu trabalho... Eu não trabalho em empresa. Acho que se eu trabalhasse em empresa, em lugar assim, seria muito pior. É, tem isso também.

tem uma coisa que quando a gente recebe o diagnóstico e a gente já mencionou isso aqui algumas vezes, a gente acaba passando por um processo de revisão do nosso passado revisão de quem a gente é entra até um certo processo de luto assim

E aceitar esse diagnóstico tardio que a gente tem, ele acaba sendo um processo, ele passa por um processo de luto, barganha, eu já falei até, teve um vídeo que eu falei sobre isso, os estágios, que são os mesmos estágios que a gente passa quando a gente perde uma pessoa, um estágio de luto, estágio de barganha, aceitação, enfim, até a aceitação.

E até pela pessoa que a gente poderia ter sido, vocês já mencionaram isso, sabe? Quem a gente poderia ter sido se a gente não tivesse transtorno? Ou quem a gente poderia ter sido se a gente tivesse o diagnóstico, se a gente soubesse o diagnóstico desde sempre, desde a infância?

Vocês lembram, se vocês passaram por esse processo, e como foi essa transição de desde negar até começar a entender e aceitar o diagnóstico de vocês? Vocês lembram disso? Vocês querem falar a respeito? Eu?

É, foi o que eu disse, a aceitação, ela vem vindo, né? Depois, a negação, acho que já foi nesse processo, antes do diagnóstico oficial, digamos assim. Mas uma coisa que eu ainda sinto é ter raiva de ter o transtorno.

porque foi o que eu falei, né, sobre o sísifo ali, tipo, é enrolar essa pedra morro acima o tempo todo, e ela escorrega muito rápido. Então, assim, tem coisa que, por exemplo, organização financeira, esse foi um ponto.

Foi um dos episódios, eu acho, que teve da tribo e que eu me identifiquei muito, sabe? Porque eu não consigo me organizar financeiramente. Eu não tenho noção de organização financeira. Aliás, eu brinco que o plugin do planejamento...

ele não veio instalado no meu cérebro. Se eu tivesse organização financeira, não adianta. A Mari faz a parte de finanças da tribo porque eu fazia os cálculos uma vez a cada três, quatro, seis meses. Isso não era sustentável. O Andrei precisava falar, amor, você precisa fazer as contas da tribo para ver quem está em dia ou não com apoio. Aí eu sustentava quase chorando, ai, eu preciso fazer isso.

Aí a pessoa tá lá 10 meses de inadimplente, normalmente, normalmente, então, eu sou péssima com essas coisas, eu acho que eu sou relativamente ok pra organização, pra organizar, mas a manutenção disso é muito ruim.

Isso pra tudo. Mas eu passei pela fase da... Eu acho que eu só não passei pela fase da raiva. Aliás, só a raiva, a fase da raiva é que não passa. Ah, entendi. Essa não. Mas eu acho que eu comecei com a aceitação. Fui aceitando. Com a negação. Depois eu fui aceitando.

E eu acho que barganhar e ter raiva, eu continuo nessas fases ainda, sabe? De ficar, não, mas, né, não, mas você não é tão assim. Tem gente pior, aquelas, sabe? Mas eu acho muita raiva, assim, até hoje, de cair sempre nos mesmos problemas, de cair sempre no mesmo lugar.

Eu acho que comigo eu já transformei algumas dessas coisas em... Ah, é? É o TDAH, é o autismo mesmo. Aí eu mais do tipo, eu rio. Mas é tipo... Tem coisa que sim. Agora, né? Tem coisa tipo que... A parte da raiva eu acho que eu internalizo pra mim. Não pro TDAH. Tipo, pensar em coisas que eu falei há vários tempos atrás, há anos eu fiz. E aí tipo, aí eu olho... Ai, sou idiota.

E aí eu não é tipo... Eu não uso isso aí, tipo... É culpa do transtorno. Não, é tipo... Eu fui idiota por fazer isso. E aí eu começo... Não é que eu... Não é que eu... Não é que eu culpo o transtorno, mas eu falo assim... Mas de novo eu tô fazendo isso, sabe? Nossa, mas de novo eu derrubei café no meu colo porque eu não acertei a minha boca?

sabe? Tipo, como eu odeio ser tão atrapalhada Outro dia eu derrubei na faculdade aí eu fui pedir um pano emprestado pro moço que limpa, pra eu limpar aí depois o meu amigo me perguntou aqui, por que você tava limpando a sala?

é, sabe é uma, assim gente do céu, não acredito enfim exemplos não faltam, mas vai ficar muito longo isso mas é porque tem eu acho que é meio inevitável pra muita gente, e eu acho que eu já passei por isso mais no TDAH, acho que no autismo não cheguei até isso, mas ter raiva do transtorno, tem algum momento que às vezes a gente tem aqui aqui aqui aqui! aqui

tipo, a raiva de caraca, por que eu tinha que ter isso, sabe? Por que a minha vida tinha que ser mais difícil? Então, é normal que muita gente passe por essa fase também de não entender por que a gente tem que jogar no modo mais difícil sem a opção de jogar no modo fácil.

Eu acho que tem isso também. Então, a raiva em si pode ser direcionada a várias coisas, talvez. Eu acho que comigo aconteceu igual a Adri também. A minha negação veio antes, que as pessoas me falam,

Devia ver, parece que você tem, você se identifica muito, você tem muitos sinais. Aí a Sky me falando, olha, isso daqui que você faz, isso daí parece que tem DH, e tal. E eu achando que não, a vida inteira eu achei que eu era como todo mundo.

Aí, antes do diagnóstico, eu levei um tempo para perceber que talvez eu não fosse como todo mundo. Talvez a minha mãe estivesse perto. E aí...

Depois do diagnóstico, eu não sei, porque até hoje eu ainda questiono em alguns momentos, mas não é o normal. O normal é eu saber que eu tenho e é isso, e vamos viver do jeito que é possível e tal. Eu tenho esses momentos de, não de raiva do transtorno, mas tipo isso, de novo isso. Eu tenho uma tendência muito grande de quebrar.

E aí, às vezes eu quebro alguma coisa e eu fico muito puta. Eu tenho uma crise, eu começo a chorar e coisas do tipo. Mas, no geral, hoje, eu acho que eu tô melhor com o transtorno. A gente convive melhor.

A gente aprendeu a conviver de uma forma um pouco mais saudável. Mas eu acho que é inevitável que em um momento ou outro venha...

um questionamento, ou vem uma raiva, porque não é fácil. E aí, às vezes, a gente vai passar por situações que a gente vai ficar, que bosta isso. Então, mas assim, hoje é melhor. E hoje eu já consigo rir também. Dependendo de como eu estou, se eu esquecer, porque eu faço café, aprendi com o Edu lá da trigo. Primeiro eu escaldo o coador.

E aí vai pra garrafa. E aí vira e mexe, eu esqueço de tirar aquela água da garrafa, e aí quando eu vou passar o café, de fato, tá lá a água. E de repente eu sujei minha pinteira, a sorte que eu faço na pia. Se eu fizesse na mesa, por exemplo.

Aí, defendendo de como eu tô, se eu tô num momento melhor, assim, comigo mesma e com a vida, eu vou começar a rir e vou fazer o café de novo e é isso. Mas, dependendo, vai vir aquela raiva que dá vontade de tampar a garrafa de café pela janela. Eu acho que são momentos também. Momentos.

O que me leva de um gancho para a próxima pergunta, vocês lembram algum momento bem específico que vocês tiveram aquele choque de realidade? Que levou vocês a pensar nossa, eu realmente tenho isso e não dá mais para negar? Algum momento, uma falha grande que vocês tiveram, um esquecimento, uma crise emocional, alguma coisa assim que levaram...

Eu tenho vários assim. Eu também, todo dia. Teve alguma coisa que aconteceu hoje, inclusive. Mas eu não lembro. Aí, olha, tem ideia.

Uma coisa que eu comecei a perceber, acho que eu estava conversando com a Mari Kaiskaya, e eu sempre fui muito de contar coisas na minha cabeça. Eu tenho uma relação muito estranha com números, porque eu gosto de números, eu odeio matemática. Eu odeio cálculos, mas eu adoro números e eu amo fazer planilhas.

tipo, fazer cálculos no Excel, mas eu odeio o cálculo em si. Enfim, por que que eu tô falando isso? Porque eu, desde criança, eu conto coisas na minha cabeça. E eu conto até um determinado número e depois eu recomeço. Então, eu tenho memórias muito claras de quando eu era criancinha, saindo da educação física e tomando água no bebedouro. Um, dois, três, quatro, contando os goles. E eu faço isso até hoje. E aí...

eu faço isso eu já faltei isso pro Andrei então não foi uma surpresa pra ele eu faço isso às vezes beijando o Andrei eu fico contando e é tipo, uma vez eu tava conversando com a Sky e com a Mari e eu acho que a Sky falou que ela faz isso também ou com alguma coisa parecida e aí eu falei

Aí eu olhei pro André e tipo, você não fez isso? Ele falou, não! E ele me olhou com uma cara meio estranha de, como assim você conta quando você está me beijando? Você tem números na sua câmera! Aí eu...

Eu tenho mania de contar também. Eu tenho mania de contar passo. Às vezes, quando eu estou andando, se eu não estiver de fone ou não estiver viajando na maionese, eu fico contando os passos. Aí, geralmente, eu conto até quatro. Aí, depois, quatro, três, dois, um. Um, dois, três, quatro. Eu também tenho mania de contar degrau. Eu já perdi a conta de quantas vezes já contei os degraus do meu prédio.

E aí, às vezes, eu vou contando o degrau, aí conto quantos passos dá até a parte seguinte da escada. Aí conto o degrau. Aí, às vezes, eu fico competindo comigo mesma, tipo, agora vai ser menos. O degrau não tem como, né? Porque ele é fixo. Mas até chegar na outra parte da escada... Não, eu quero ser mais rápido do que eu fui lá em cima. Olha as viagens, gente.

Ou qualquer adulto que resolve em algum momento muito específico quando está andando, por algum motivo, eu vou pisar nos... Vamos supor que tem um piso de ladrilhos pretos e ladrilhos brancos, eu vou só pisar nos latinos. Eu não piso na risca. Eu não piso na risca no rodo preto. Por isso que eu estou em torno, gente, porque tipo...

Não é todo mundo que faz essas coisas. Não, eu andava, eu andava, eu acho que eu já contei isso pra Tata, que eu andava, isso passou, foi uma fase. Eu, um, dois, pulinho. Um, dois, pulinho. Vinte e tantos anos nas costas, trinta, sei lá, e eu, um, dois, pulinho. Ou se não contar as estações que faltam, quantas estações são de onde eu tô pra próxima, no metrô. Não, isso é assim.

Agora eu quero saber se tem algum estudo sobre esse negócio de contar, gente. No autismo tem, eu imagino. Mas será que tem? Às vezes eu acho que tem alguns estudos muito específicos e eu não acho coisa suficiente para isso.

Sim. Mas eu, assim, desde criança, depois veio um monte de coisa, de lembrança nesse sentido, né? Eu, na primeira série, meu trauma de escola, depois como eu não tive problema na escola, eu tinha aquelas réguas que tínhamos nos anos 80, que elas eram holográficas, então elas contavam a história da Cinderela. Então, um ladinho era a gata borralheira, na outra era já a Cinderela com os...

com os ratinhos, sei lá. E eu ficava brincando com aquilo na sala. E eu sentava na frente, sei lá por quê. E eu ficava brincando, assim, sabe? Pra ficar vendo a historinha. Aí a professora tomou a régua de mim, porque eu tava prestando atenção na aula. Mas eu acho que uma coisa muito TDAH foi...

Eu tava na terceira série. E sabe quando tem um facho de luz assim? E aí vem umas poeirinhas? Não sei se você já reparou. Eu fiquei catando aquilo. Eu ficava tentando pegar as poeirinhas que estavam no facho de luz.

Aí eu tomava uma bronca, era uma outra professora, tomava uma bronca absurda. Enfim, com essa professora foram vários traumas. Tipo, eu tinha esquecido um caderno que a gente anotava os recados, tinha esquecido em casa. E aí eu estava anotando na mão. Ela falou, mas por que você não anota no outro caderno? Da próxima vez eu vou anotar coisa na tua testa.

Então, assim, aí essa professora da régua pegou a minha régua, ela perdeu a minha régua e teve que dar outra, e eu fiquei muito triste, minha mãe teve que ir na escola. Porque era aquela régua específica que você queria. É, mas ela me deu outra, ela... Às vezes eu passava horas, quando eu ficava na casa da minha avó, olhando a poeirinha que eu vinha da janela, assim, junto com faixa de ilusão, viajando na poeirinha. Mas assim, todo mundo...

Ironicamente foi a parte do livro Do Guarani que eu parei Porque tipo, nas primeiras Nas primeiras páginas Primeiro que eu peguei um livro que era antigo E eu tinha uma rinite absurda Então eu já tinha o problema da rinite Aí somava que

Eu acho que eu já estou usando o Alencar. Ele começava a descrever coisa por coisa. Ele não conseguiu chegar no primeiro personagem. Ele ainda estava descrevendo a poeirinha que passava chegava da janela. E aí ele começou a fazer 360 no quarto pra explicar, tipo, fazer todo o cenário do quarto. Não tinha uma pessoa que aparecia ainda. E aí eu desisti.

Eu com o Senhor dos Anéis. Os Anéis, sim. Eu amo os filmes e o livro, eu não suporto. Foi uma coisa que eu tentei, mas eu tenho dificuldade para terminar livro. Ouvir o áudio junto com a leitura, às vezes ajuda. Ah, interessante. Quando você está interessada num livro, né? Porque só ler, nossa, minha cabeça vai longe. Eu não consigo.

Eu gosto muito de ler. Eu gosto muito de ler. Mas tem alguns livros que são muito descritivos. Não dá pra mim. Eu também. É a mesma coisa. Eu fiquei pensando em uma coisa que a gente estava falando. Negócio de contar. Aí tem algumas respirações no yoga que a gente faz contagem.

E são as que funcionam melhor pra mim. Pra mim também. Exercício de respiração. Gente, que coisa! 4, 7, 8. É técnica pra ajudar em ansiedade também. Também, é. Eu gosto dessas de contar também. E em compensação, por exemplo, quando eu tô na academia eu tô contando um exercício, não fala comigo, não dá, não dá, não dá, porque aí eu me perco completamente.

que contar, tipo assim, você tem que fazer 12 repetições, só que aí você tem que parar 3 segundos em cada repetição. Eu fico assim, 3 segundos, eu vou fazer 9 repetições.

Eu perco quantas repetições eu fiz. Por exemplo, eu fiz, sei lá, 12. Às vezes eu me perco nas 12. Mas aí eu paro e falo assim, tá, mas essa é a terceira série? Ou é a segunda? Às vezes eu me perco nisso, mas eu tento... Eu geralmente tento fazer concentrada para não esquecer. Mas é... A sorte que eu tenho personal. Então, às vezes eu pergunto para ele. Ele está prestando atenção em quantas eu fiz.

Não, agora eu comecei a fazer pilates no mês passado, e aí às vezes eu estou contando, e a professora começa a falar comigo. Aí chega um ponto que eu fico assim, eu não faço ideia de como você está aqui.

Eu às vezes continuo contando na minha cabeça, o que não quer dizer que dá certo. Eu preciso ficar quieta, sozinha, isolada, só eu com eu mesma. E eu me perco, imagina tendo outra pessoa.

E tem uma coisa que é bem comum em pós-diagnóstico, que ela vem do masking, ou na verdade ele vem da gente deixar de mascarar as coisas, que é a regressão. Não sei se vocês... Lá no grupo a gente já falou isso algumas vezes, eu não sei se vocês já ouviram falar disso, mas existem sintomas de regressão que são bem comuns depois...

que a gente tem diagnóstico especialmente quando eles estão associados a diagnóstico tardio, que é o caso de nós três aqui. Especialmente no autismo no TDAH. O que acontece é que, muitas vezes, por causa desse diagnóstico tardio, a gente tem um novo entendimento de quem a gente é, de quem a gente sempre foi, e aí a gente começa, de repente, a se permitir...

tentar deixar de mascarar algumas coisas e entender quem a gente é fundamentalmente, quem a gente tentou reprimir fundamentalmente a nossa vida inteira. Isso vem até um pouco do que a gente estava falando antes, do burnout, porque...

Isso requer muita parte cognitiva, muita parte emocional. É um trabalho cognitivo emocional. Você reavaliar a sua vida, reavaliar as emoções que você teve a vida inteira e como você reprimiu várias coisas para você tentar se encaixar.

Isso, obviamente, vai reduzir a nossa energia que a gente tem ao longo da vida, a energia de quanto a gente tem. Por isso que a gente está sempre cansado, porque a gente gasta muita energia tentando agradar os outros e se adaptar a uma sociedade, se adaptar ao ambiente. E a gente, depois do diagnóstico, é muito comum, como a Adri falou, ter o burnout.

Então, essa experiência de burnout e com isso, muitas vezes, essa parte de tentar com mais afinco, ele traz, de uma certa forma, uma regressão.

Às vezes a gente tenta provar que a gente não é TDAH, que a gente não é autista, e isso gasta uma energia a mais. E aí você vem... Eu achei alguns arquivos que falam de... Desculpa, eu achei alguns sites que falam sobre... Como vem uma reflexão, vem disso, que gradualmente a gente percebe essa energia que a gente gasta compensando com mecanismos compensatórios, como isso drena a gente de como a gente poderia...

Como a gente se adapta de uma forma que é nossa ao que está em volta e como que a gente acaba regredindo nos sintomas e deixando... A regressão é muito mais do tipo, você deixa transparecer.

quem você é sem as máscaras sociais, sem a máscara do antes eu não tinha diagnóstico, agora eu tenho. Então, eu me permito mais poder fazer. E, às vezes, os sintomas podem parecer mais fortes, parecer mais na sua cara, mais difíceis de controlar. E essa dificuldade de controlar, muitas vezes, vem do próprio burnout.

Vocês já chegaram a sentir que vocês tiveram uma regressão das características neurodivergentes, ou pararam de mascarar algumas coisas depois que vocês tiveram o diagnóstico? Como a Mari falou, para de ligar um pouco porque as pessoas pensam de você.

É muito doido isso, Tata, porque eu achava que eu só estava percebendo mais as coisas, mas eu acho que não é só isso, né? Eu acho que a gente solta um pouco o peso.

de tentar ser igual a todo mundo, e a gente se permite ser mais agente. Então, realmente, talvez o que eu achava que era só eu estar percebendo mais era porque realmente eu estava deixando transparecer mais. E eu acho que faz bastante sentido até, às vezes por comentários e percepções de outras pessoas. E...

Eu vi isso acontecer muito com a Sky também, com o diagnóstico de autismo, assim. Eu acho que a gente... Eu acho que realmente, assim, eu fico muito triste, às vezes, ser voltada quando as pessoas falam contra diagnóstico e tudo mais, porque as pessoas não têm noção do que significa. Ou então, quando alguém fala que é um rótulo e não sei mais o quê, porque as pessoas não têm noção do que significa.

Para quem tem um diagnóstico, se entender a partir dali. Sempre que eu falo sobre isso, eu falo, gente, o diagnóstico não é um ponto de chegada, ele é um ponto de partida. E aí faz muita diferença, porque é como se depois que passa todo o processo de luto e vem um pouco mais da aceitação...

É realmente como se você tirasse um peso enorme de cima de você e você conseguisse começar a se permitir ser um pouco mais você, sem ter que parecer ser de outro jeito, sabe? Então, eu acho que sim. E eu acho que talvez, eu não sei aí dos estudos, né? Mas eu acho que talvez não seja nem só um processo logo depois do diagnóstico. Eu acho que talvez seja um processo que...

que vai ficar com você, porque a não ser que você tenha, por exemplo, é igual a Adri falou, você trabalha numa empresa, ou você tem um trabalho que você tem que parecer algo, eu também sou autônoma, então assim...

Eu não tenho que ficar parecendo neurotípica. Então, eu acho que é uma coisa que é realmente como se tirasse um peso mesmo e você pudesse ser mais você, vestir mais a sua pele. Então, eu acho que talvez seja inevitável e, de certa forma, que bom que seja inevitável, porque é muito ruim você viver tendo que parecer algo que você não é.

E sim, eu acho que acaba sendo um processo a partir do momento que você vai percebendo, às vezes você vai mascarando cada vez menos as coisas o que você falou fez muito, muito, muito sentido

É, porque eu me identifico com isso também, porque eu sempre fui vista como uma pessoa muito atrapalhada e muito afobada. Então, eu sempre recebi, digamos, esse feedback das pessoas, né? De que eu muito afobada, muito estrambelhada, muito... E assim, sempre foi defeito tudo isso.

visto, porque quando a gente coloca também o nome eu concordo absolutamente tudo que a Mari falou em relação a diagnóstico, que ele não é um rótulo, ele é um ponto de partida pra você se entender você começa a entender depois que você tem isso que tipo, tá, eu sou assim porque isso faz parte também de mim, eu sou lógico e eu sou lógico e eu sou lógico

Mas são características que vêm com a neurodivergência. Eu acho que, num certo sentido, eu parei mesmo também de tentar mascarar. E essa maneira foi também aprendendo os meus limites.

Por outro lado, enquanto você estava falando, eu fiquei pensando também no peso de estar consciente dos próprios atos. Porque, ao mesmo tempo que a gente está se reconhecendo, isso traz autoconhecimento, tudo. Mas eu acho que...

Antes, quando a gente... Não sei. Uma coisa assim do tipo... Nossa, algo que eu já comentei. Eu estou caindo nesse erro de novo. Eu estou sendo impulsiva de novo. Tem um peso, né? Em alguns momentos, para mim, assim. O peso de estar consciente dos próprios atos. Isso sempre acaba influenciando, assim. Tem um peso. Ao mesmo tempo que eu posso olhar para mim e estar mais consciente e tentar estratégias de...

mudança, mas essas estratégias acabam muitas vezes, pelo menos pra mim, sendo muito tentativa e erro, e muita discussão no grupo pra ver como que as pessoas fazem, pra ver se eu vou captando um pouquinho de cada um, pra ver o que faz sentido pra mim, então nisso a tribo ajuda muito.

Quando, logo da perspectiva do diagnóstico de autismo, a minha psicóloga já sabia do meu diagnóstico de TDAH, porque eu já tinha começado com ela há alguns anos, a gente já fazia acompanhamento há alguns anos, e eu entendo que ela ficou com um pouco de medo do meu diagnóstico de autismo, depois de um tempo eu descobri que era um medo de eu usar aquilo para...

Me travar no sentido de usar aquilo. Para deixar de ter outras experiências na minha vida. Porque tem gente que pode fazer isso. Você falar. Eu tenho isso. Então eu não posso. Às vezes a gente tem regras na nossa cabeça. Se eu tenho isso. Eu não posso fazer aquilo.

Mas eu vejo, como a Mari falou, como você falou, Adri, eu vejo muito mais o diagnóstico como uma coisa libertadora. Eu entendo que todo mundo tem limites.

pessoas neurotípicas, inclusive, só que os nossos, eu acho que são mais claros, no sentido de existem mais estudos sobre tipos de limites que TDAHs podem enfrentar na vida do que existem estudos sobre limites neurotípicos, por exemplo.

As pessoas focam... Eu acho que é muito mais fácil, por exemplo, eu achar, pelo menos pra mim, tipo, ah, eu descobri que é muito mais fácil pegar as pessoas TDAHs e autistas, mas mais TDAHs, serem pessoas desastradas.

Porque isso tem a ver com disfunções do nosso cérebro, isso tem a ver com a parte de percepção visoespacial, isso tem até a ver com a parte de distração, a gente não necessariamente está prestando atenção por onde a gente anda, então a gente esbarra mais em coisas e topa o dedinho mais em quinas. Neurotipos fazem isso com uma frequência menor do que a gente.

Eu entendo como a gente ver o diagnóstico como, ok, agora eu sei o que isso implica em várias outras coisas da minha vida e eu vou descobrindo a cada mês eu descubro uma coisa nova. Mas, por exemplo...

Isso não vai impedir que eu tenha experiências novas por causa disso. Por exemplo, eu comecei a me entender, eu gosto muito de viajar, e eu comecei a me entender que eu me sinto confortável quando eu faço uma lista de pratos típicos de cada lugar que eu vou viajar. E aí, às vezes, esses pratos típicos surgem algumas coisas muito estranhas.

E aí eu falo, não, isso eu não vou comer nem ferrando, mas eu deixo lá na lista. E aí, às vezes, por exemplo, na minha lua de mel, eu fui para Curaçal. Curaçal tem um prato típico que ele é muito inusitado, que eu falei, a primeira vez que eu olhei aquilo, eu falei, nem ferrando que eu vou comer aquilo. Aí depois eu fui trabalhando isso na minha cabeça, chegou lá e falou, eu preciso experimentar. Porque é uma sopa de iguana, porque Curaçal é...

É uma ilha e ela é meio que na faixa do Equador, então é muito, muito, muito quente. E é muito estranho porque, por mais que ela seja uma ilha cercada de água, que é uma ilha minúscula, ela tem um monte de água, mas ela é vegetação meio desértica. Então a iguana é um bicho natural da ilha, porque ela é muito desértica e a iguana sobrevive em pouca água.

E pouca vegetação e muita coisa que é tipo, meio piso, meio solo, meio deserto. Enfim, eu provei. Gente, sabe todo aquele clichê de...

répteis tem gosto de frango se eu não visse que o ossinho era diferente, eu tinha certeza que tinham me servido uma sopa de galinha eu tinha certeza que eu tava tomando uma canja mas tipo, na minha cabeça eu precisei trabalhar isso durante um tempo tipo, ok, quais são os práticos típicos desse lugar? eu vou ter coragem de comer isso ou não? eu tenho umas limitações de coisas que eu simplesmente não como e ponto

Ou tipo, ah, eu vou viajar. Lugares que eu quero visitar. Quais os roteiros? Eu não vou deixar que os meus diagnósticos me limitem ao que eu posso fazer. Mas eu entendo os limites que eu tenho naturalmente e eu vou ver se isso é possível ou não. Por exemplo, sabe?

Então, não sei se vocês te passaram por alguma coisa assim, de pessoas falarem para vocês, não se limite pelo diagnóstico. Eu odeio a palavra rótulo, mas as pessoas gostam muito de usar o rótulo. Tipo, não se rotule, não deixe que isso trave a sua vida.

Eu odeio esse discurso, mas claro que sendo até de uma área da psicologia que não é tão ligada como a TCC é em termos de diagnóstico, a gente acaba meio que caindo um pouco nisso.

Mas eu acho que, claro, o meu entendimento depois que eu me vi neurodivergente mudou muito, eu acho que ampliou muito, acho que hoje eu consigo trabalhar com as pessoas que são neurodivergentes. É engraçado, né? Coincidentemente, vários pacientes acabaram sendo diagnosticados com TDAH também, ou autismo.

me procuram, e na clínica a gente fala, né, que a gente recebe pacientes que tem muitas vezes a ver com a gente, né, que trazem demandas muito a ver com a gente. Faz sentido. Então, é, então, assim, é um olhar que com certeza o diagnóstico me ajudou não só na percepção de mim mesma, mas na percepção das outras pessoas, e de olhar, tá, vou, vou,

ok, o diagnóstico, não ignorar o diagnóstico, nem o meu, nem o seu, nem de ninguém, mas ver como é que é, porque assim, também não somos pessoas iguais. Então, você teve que trabalhar essa questão da alimentação, assim, do prato típico. Eu, quando fui para o Japão, e eu, sendo vegetariana, eu tive que lidar com a ideia de que eu ia para um lugar que eu me servia em guia, e eu tive que comer.

E você não tinha como escapar daquilo? Não, eu não tinha como escapar. Era uma situação que não tinha como escapar. Então, mas assim, a gente vai vendo o que faz sentido. Eu não tenho restrição alimentar, tirando a minha, que aí é uma opção de ser vegetariana, mas tem coisa que pra mim não é negociável também. Então, e aqui é o presidente presidente presidente

Mas isso é pra mim, pra você é de outro jeito, pra Mária é de outro. Então, é um pouco nesse sentido, assim, né? Me ajudou como pessoa e como profissional. Eu acho que o diagnóstico ele ajuda muito. É um ponto de partida, isso é o que a Mária falou. É. Mas eu nem sei porque eu falei disso. Porque a gente é TDAH e a gente tá conversando.

Eu já não sei mais qual que era a pergunta. Eu também não. Conversas de TDH, elas sempre chegam em algum lugar que a gente não planejou. Como eu vim parar aqui, eu só não me pergunto. Eu acho que a gente pode chegar, tipo, entrar meio que na parte final, assim, e começar a falar um pouco, um pouco, assim, perguntas finais de aceitação e dicas.

vocês acham que teve alguma diferença prática na vida de vocês entre saber que vocês tem o TDAH e saber que tem autismo e aceitar que vocês tem? Ou se fosse, sei lá, uma diferença entre a cabeça, entre o racional e o coração emocional ou o intelectual e o emocional assim?

Isso mudou alguma forma como vocês até tratam a vocês mesmas e até, talvez, sei lá, perdoar a criancinha interior, perdoar quem vocês foram no passado? Vocês sentiram essa diferença? Como a Mari falou, que é um ponto de partida, assim. Ok, entre. Não, vai.

Mas é porque eu não sei, eu não sei dizer, porque como o meu processo foi ao mesmo tempo antes do diagnóstico, né? Eu acho que depois do diagnóstico não demorou tanto para as coisas começarem a caminhar juntas, assim. Eu entre entender e aceitar. Até porque eu passei mais de dois anos...

Ouvindo os episódios da tribo, então...

Porque, por exemplo, às vezes acontece que a pessoa tem o diagnóstico e antes daquilo ela sabia muito pouco sobre o TDAH. Aí chega, igual vira e mexe, chega algum apoiador novo, nossa, estou maratonando todos os episódios, parece que está falando de mim, não sei o quê. Como o meu processo foi mais gradual, eu acho, para mim as coisas foram meio que andando juntas ali.

Mas uma coisa que faz muita diferença... O meu caso foi esse. Não tinha informação. Eu fui procurar porque não tinha informação na época. De repente, quando eu descobri o meu TDAH, tipo, meu Deus, o mundo se abriu! Exatamente. Fala, Maria, eu te interrompi, desculpa. Não, eu acho que tu ia falar. Eu posso deixar para o final. Pode ir, tá bem?

Não, eu acho que foi exatamente isso também, foi gradual, acho que a aceitação foi vindo conforme eu fui me reconhecendo. O laudo, na verdade, ele vem só para confirmar, é uma questão mais burocrática, no caso, para mim foi mais burocrático de algo que já sabia até também para ter, enfim.

um tratamento com medicamento e tudo, né? O laudo ajuda também a validar o nosso diagnóstico. Mas eu acho que isso já foi vindo porque é isso, né? Passa um filme na cabeça. Eu fui dessas pessoas que acabou maratonando os episódios da tribo.

E diante disso eu acabei me reconhecendo muito em muitas coisas do que você trazia até da tua vida pessoal mesmo, sabe? Por isso que eu ficava brincando, tipo, ai, Tata, me dá um abraço, porque...

é esse reconhecimento, sabe? Essa identificação. Porque é muito ruim e a gente se sente muito solitário porque é esperado da gente, e às vezes a gente até espera que a gente performe de uma certa forma, e quando não consegue é muito frustrante, sabe? Dói demais.

Então, tem meme, é engraçado, tudo. A gente ri porque se identifica, porque sabe como que é pesado, sabe? Conviver com o transtorno. Um, dois, três, né? Muitas vezes, porque vem as comorbidades.

Então, é isso. Isso em relação ao TDAH. O autismo já foi mais difícil. Porque o autismo, a suspeita veio de quando alguém escreveu lá na tribo, tipo, ah, mas autismo com TDAH é uma terceira coisa. Aí minha mente pifou, porque eu também não me identificava só com... Eu não me identificava totalmente com alguns pontos do TDAH e também não me identificava com muitas coisas só do autismo.

E aí alguém escreveu isso lá, eu falei, tipo,

explodir na cabeça depois que eu tive o diagnóstico de autismo eu comecei a perceber que eu me identifico ainda muito mais com o TDAH do que com o autismo e tem coisas que eu vejo que são de pessoas que são só autistas que eu falo, mas isso não tem a ver muito tem a ver comigo, mas não tem muito a ver comigo então eu ia falar alguma outra coisa

Eu não lembro. Ai, gente, tá difícil hoje. Enfim, eu devia falar alguma outra coisa, eu esqueci. Vocês acham que aceitar... Na verdade, sim. Não é nem vocês acham. Aceitar a parte de aceitar o diagnóstico...

muitas vezes ela vem junto com uma coisa de parar de tentar se consertar, se consertar bem entre aspas mesmo, porque querendo ou não tem muita gente que ainda associa, ok, você teve um diagnóstico, agora o que a gente pode fazer para tornar você mais neurotípico, mas não é isso, tem sempre o que a gente pode fazer para tornar a nossa vida melhor.

E eu acredito muito mais nisso, do tipo, ok, parar o sofrimento, ou melhorar o sofrimento que a gente tem por ser diferente, e muitas vezes a gente se aceita mais e para de tentar negar quem a gente é e se forçar a ser igual aos outros. Então, se consertar mais nesse sentido.

E às vezes até entender e aprender e trabalhar com o cérebro que a gente tem. A gente não tem outro cérebro, a gente não nasceu de outro jeito, a gente nasceu daquele jeito com essas capacidades e limitações e entender o que a gente tem e de onde a gente está partindo, nos pontos de partida.

Vocês têm alguma estratégia que vocês só conseguiram começar a fazer depois que vocês pararam de brigar com o laudo de vocês e brigar com vocês mesmas e aceitar que vocês tinham isso? Eu...

Eu estou buscando todas as vezes estratégias para lidar. Eu acho que eu me reconheço como neurodivergente. Isso está até nas minhas bios.

de saber que eu penso diferente, que eu vejo as coisas de maneira diferente e não tenho essa visão de tentar me consertar. Mas eu acho que é mais de encontrar... O que eu acho que eu fico muito atrás é de encontrar uma fórmula que funcione de maneira definitiva.

para algumas coisas, principalmente questão burocrática ou questão que me... demandas da vida adulta que me sobrecarregam muito, muito mesmo. Então, eu estou meio que em busca...

Talvez uma fórmula mágica ou alguma coisa que funcione de uma maneira mais efetiva. Porque, gente, eu já tentei várias coisas de organização, de papel, de caderno, de anotação. E eu sou péssima com tudo isso.

Sou péssima, isso me gera muito sofrimento, impacto financeiro, porque isso é uma coisa que a gente acabou não falando, mas acho que a tal da taxa TDAH, que é quando a gente gasta mais dinheiro por ser TDAH, no sentido de que esquece de pagar uma conta e tem que pagar com juros. Sim, a gente vai ter um episódio sobre isso agora nos próximos meses.

ótimo, porque vale muito a pena, porque eu tô em busca de algo que funcione pra mim. Só que assim, às vezes não é algo que funciona, eu preciso ter também o meu esforço, partir de mim, que eu consiga fazer esses registros e essa organização no tempo que eu estipulei. E não ficar, jogar essa palavra cruzada ao invés de fazer isso. Eu tô viciada, gente, palavra cruzada virou muito fofo. Que inferno.

É uma desgraça quando, geralmente, os hiperfocos eles não ajudam, né? Às vezes é um joguinho ou alguma coisa e você vai ver você está gastando muito tempo com uma coisa que... Enfim. Eu...

Eu acho que... Eu não sei se eu ainda tenho esperança de ter uma coisa que vai funcionar, porque, assim, a gente... Funciona, aí troca, aí troca de novo, enfim. As coisas parecem que funcionam por um tempo só.

Tem uma coisa que eu uso há tanto tempo Que isso eu acho que vai ficar Eu não consigo me imaginar não usando mais Que é um aplicativo que se chama To Do It Que é um aplicativo de lista de tarefas Esse eu nem sei quantos anos faz que eu uso

Ainda bem que esse funciona e continua funcionando há muito tempo. Eu espero que ele continue funcionando, porque se ele parar de funcionar, eu não sei nem o que eu vou fazer. Esse não testei, vou baixar. Mais um. Sou Meliê de Apocalipse. Eu tinha outra coisa para falar. Rependi a pergunta.

Se você tem alguma estratégia que você conseguiu implementar depois que você parou de brigar com o seu lado, depois que você parou de tentar se consertar e aceitar a criancinha que você sempre foi, o cérebro que você sempre teve. Não, é porque a sua pergunta me fez pensar num negócio. Essa coisa de se consertar. A gente não vai se consertar, né? Então, eu acho que a ideia é que a gente, igual você falou, que a gente consiga...

Viver com um pouco menos de sofrimento e de dificuldade. Porque a gente está no mundo e, de alguma forma, a gente precisa se adaptar a ele. Porque, senão, a gente vai sofrer. Mais do que a vida já vai fazer a gente sofrer inevitavelmente. Então, é um pouco disso. É a gente buscar essas formas.

E eu acho que uma coisa que talvez seja mais difícil no TDAH é que uma coisa que funciona para uma pessoa não necessariamente funciona para outra pessoa. Então...

Igual, eu gosto muito dessas coisas de organização, né? Aí já teve gente que me falou Por que você não cria um Instagram para dar dicas? Primeiro, eu tenho preguiça de Instagram Se eu pudesse, eu nem usava E segundo, só porque funciona para mim Não quer dizer que vai funcionar para as outras pessoas também Mas assim, o que eu faço hoje em dia?

Eu uso o ToDoist, que é esse aplicativo. Eu também tenho um planner. E eu que fiz esse planner, gente. Ele até que me tirei um orgulho. Eu fiz ele no Canva. Ele é quase perfeito. Depois que eu comecei a usar, eu percebi que... Falta coisa. E aí, para o ano que vem, talvez, se eu for fazer de novo, eu vou acrescentar que falta nele.

Mas aí a gente acaba usando vários instrumentos, né? Essas são as coisas básicas que eu uso no dia a dia. Mas aí, por exemplo, eu também uso Trello. Aí, recentemente, eu comecei a usar aquele Notion também, que eu tinha uma trava para usar, porque eu achava que era muito difícil. Mas aí eu acabei comprando...

um curso de uma menina que eu gosto, que fala de marketing digital, eu comprei para o trabalho, porque eu tenho o meu espaço e tal, e aí eu estou apaixonada no Nodjão agora, aí eu uso para o espaço, mas eu já fico pensando, e se eu usar para outras coisas da minha vida também, é tão legal.

Eu uso o Notion, mas eu uso o Notion como um caderno. Todas as pautas da tribo estão nele. Então, o que eu gosto é que ele tem espaço infinito para eu escrever. A pauta que eu estava falando, que eu gravei para o mês que vem...

quando eu achei que eu não tinha terminado ela eu fui ver e tinham 20 páginas eu falei ok, já deu já está num tamanho bom, já posso gravar mas ele não me cobra o espaço eu posso infinitamente escrever 20 páginas em cada pauta que eu escrevo

Mas é o Trello, eu me organizo bastante com ele também. Eu acho que, Adri, uma coisa que eu aprendi, que eu acho que talvez te dê um pouco de paz, é que, assim, talvez essa noção que você queira uma coisa que funcione sempre...

Ainda seja uma noção meio neurotípica. E eu não estou falando isso como uma crítica. Porque eu acho que como neurodivergente. Eu pelo menos acabei aprendendo. Que a gente funciona em ondas. Ciclos, fases. Então tem uma coisa que vai funcionar para você. Em algum determinado momento. E você vai perfocar naquilo. E vai funcionar super bem.

E de repente ele para de funcionar. De repente você descobre que tem alguma outra coisa que agora faz um pouco mais sentido de você. Então, assim, vai respeitando cada momento de cada aplicativo que você tem, por exemplo, sei lá. Mas tenta não se cobrar muito de ter sempre o mesmo. Por enquanto está funcionando esse, não funciona o outro. Assim, está tudo bem. Talvez a gente... Tem uma coisa que eu acho que é...

inata da gente que é neurodivergente, mesmo que a gente não saiba sobre o diagnóstico, mas às vezes alguém dá uma dica pra gente e às vezes é uma dica, sei lá, muito neurotípica, e aí você vai ouvir aquele e falar, isso não vai funcionar, isso não vai dar certo pra mim, isso não combina comigo e eu acho que existe um certo instinto neurodivergente, talvez eu seja, sei lá, pareça uma coisa, sei lá, te lelê demais pra algumas pessoas eu falar isso, mas...

É uma coisa nossa, porque a gente já viveu na nossa pele durante tanto tempo que automaticamente a gente sabe o tipo de conselho bosta e o tipo de conselho que pode ser plausível. Aquilo que alguém fala do tipo...

vai ler o livro da Marie Kondo, ela é ótima em organização, você podia aprender com ela. Aí você fala, amiga, eu sou de Eurodivergente, você acha que eu vou ler ela? Eu não vou nem conseguir ler o livro da Marie Kondo, ler e aplicar são duas etapas. Eu li o livro, ele é pequenininho, eu li, mas sinceramente, eu li e falei assim, nossa, que viagem.

Aí tinha um negócio lá De você olhar pra sua roupa E pensar na sua conexão emocional Com a sua roupa Aí eu ficava lendo e ficava assim Eu consigo achar Gente, eu sou autista Eu consigo, além de TDAH Eu consigo achar uma conexão emocional Com uma pedra Eu trouxe Pedrinhas da praia de coração E uma de cada praia Vamos lá

Porque cada praia tinha um tipo de sedimento, porque as praias em coração são feitas de sedimento de... Eu esqueci. É fóssil. Elas são fósseis de corais. Então, tipo, assim, eu tenho sentimentos com fóssil de coral de praia, tipo uma pedrinha. Acho muito mais legal do que roupa.

Eu tenho sentimentos com as minhas roupas também. Eu vou achar em todas as coisas. É, mas é aquilo, né? Tipo, eu brinco... Eu já era velha, mas eu brinco... Isso é culpa do Toy Story, que eu fico vendo as coisas e falo Ai, desculpa não levar você hoje, mas eu vou levar esse aqui do lado, tá? Eu sinto culpa às vezes. Eu não gosto de devolver o negócio no mercado, gente. Vocês acham que eu vou fazer o que com as minhas roupas? Eu tenho que... Eu tenho que...

conectar. Não me vejo mais vendo isso. Tchau. Eu lembrei. Ai, meu Deus.

Eu lembrei do negócio de uma pergunta lá atrás. O negócio de coisa muito TDAH. Tomara que vocês saibam me dizer se isso é verdade. Mas eu vejo carinha nas coisas. A Escada falou comigo que isso é uma coisa mais típica de neurodivergente. Eu estava no Pilates e um dia eu já tinha visto uma carinha lá no aparelho. Que ninguém nunca tinha visto.

Aí eu falei, nossa, olha aqui, tem uma carinha fazendo a mesma cara que eu, que tem uma boca meio assustada, não aguento mais. Aí essa semana eu vi uma carinha no filtro. Aí a professora falou, nossa, você vê muitas carinhas.

Aí seria o contrário. Seria tipo, você acabou de detectar uma pessoa neurotípica. E a sua professora talvez seja neurotípica. Pois é. Falei, gente. Tá. Viajei.

Não, mas às vezes são essas pequenas coisas que trazem essa conexão pra gente. Essa coisa de, tipo, todo mundo acha que é uma coisa de besteira. E aí, de repente, você valida o diagnóstico que você teve com... Não é todo mundo que fez isso. Tipo, às vezes são as coisas mais besteirinhas que mostram pra gente no dia a dia que... É, faz sentido. Já tem meu grubinho mesmo.

Eu acho que os momentos que eu entro mais nessa onda de questionar o diagnóstico são os momentos que eu estou convivendo menos com pessoas neurodivergentes ou então são momentos que eu não tenho isso daqui, tipo essa troca com vocês e tudo mais, ou então as trocas com o grupo.

Eu não sei, porque são momentos que parece que a gente esquece um pouco das coisas e a gente começa a achar que todo mundo é desse jeito.

E aí, enfim. Nossa, estou te guardando muito. Eu não tomei um remédio hoje, inclusive. Não, mas você está super certo. Inclusive, a Skyha falou assim, que pareidolia, que é essa característica de ver carinhas nas coisas, acontece na maioria das pessoas, inclusive as neurotípicas. Mas a gente para, a gente que é neurodivergente, a gente para para prestar mais atenção nessas coisas.

É uma coisa, neurodivergência, às vezes a gente para pra prestar atenção em coisas que as outras pessoas não vão prestar atenção e não vão ligar. Pra elas vai ser uma coisa irrelevante pra gente, vai ser uma coisa tipo uau, que legal, e não sei o que lá. Eu parando pra conversar com a lagartixa que tava na entrada aqui do corredor do meu prédio. Mas tixas são fofas e elas merecem respeito, elas comem pernilongas e baratas. É, eu converso com as aranhas que moram aqui em cima também.

Adoro tixas. E última pergunta, gente, pra encerrar a live. Que dicas vocês deixariam pra alguém que acabou de ser diagnosticado e ainda tá naquela pensando de ai, o médico errou, eu só sou desorganizado, eu não tenho TDAH. Ou eu não sou tão autista assim, eu não tenho cara de autista. Essas coisas que...

Às vezes passam pela nossa cabeça. O que vocês deixariam de dica para alguém que acabou de ser diagnosticado? Ou que de repente foi diagnosticado de algum tempo e, tipo, eu ainda tenho dúvidas e às vezes ainda tem... Ah, é! Faz todo sentido esse meu diagnóstico. Ainda baixa o negócio de... É, não tem como fugir disso. E lembra de novo que o diagnóstico estava certo.

O meu computador deu pau de novo. A tela está preta, mas eu continuo ouvindo vocês. Então, vamos aqui para ele. Aqui você está aparecendo. Não, você está aparecendo. Sim, você está na câmera e sua voz está... Que bom! Vai fazer a dica que eu daria.

É para entrar no grupo de apoiadores da atriz e trocar umas ideias. Porque provavelmente as dúvidas vão diminuir bastante. Mas fora isso, assim, eu acho que ao mesmo tempo é uma coisa que devolve um tempo mesmo para a gente se situar e se entender e aceitar. Então é...

Eu acho que a gente precisa se acolher. Até nas dúvidas, sabe? E às vezes se permitir sentir o que a gente está sentindo mesmo. Está em dúvida. Segue o baile um pouco e com o tempo as coisas vão se assentando de alguma forma. Eu acho. Ah. Sim.

Adri? Eu cito o grande filósofo E.T. Bilu e o conhecimento e esse conhecimento não precisa ser necessariamente um livro absurdo ou coisas difíceis mas buscar quem fala sobre o assunto ouvir os episódios da tribo, entrar no grupo de apoio é...

É super importante, para mim é fundamental ter esse grupo, porque me ajudou com as minhas dúvidas, me ajudou com essa questão do diagnóstico, primeiro que foi mal feito, eu me sinto acolhida, a gente não precisa pedir desculpa por ser quem a gente é, a gente pode falar.

Claro que respeitando as regras sociais, mas a gente pode trazer coisas nossas, coisas que a gente pensa. Enfim, tem muitos tópicos lá para serem discutidos. Basicamente, a única regra do grupo é não ofenda o amiguinho.

não seja preconceituoso e não ofenda o amiguinho basicamente a única regra social que a gente tem lá mas é é isso, eu acho que a gente tem que mas é isso é buscar apoio, é buscar suporte se não dá pra fazer terapia, tudo pelo menos um grupo com pessoas neurodivergentes porque a gente se entende sim

Eu ia começar as minhas dicas com isso. Faça terapia, se for possível, porque é bom pra gente se conhecer, mas tenta buscar alguém que entende sobre TDAH e neurodivergência pra não te invalidar durante a terapia. É normal duvidar do diagnóstico? Tá todo mundo no mesmo barco?

E tá todo mundo tentando sobreviver nessa sociedade que não entende, não acolhe a gente. Tá tudo bem. As meninas falaram que tem a tribo e o nosso grupo tá lá pra isso. Eu sei o quanto a gente se sente sozinha depois do diagnóstico. Foi um dos motivos que me levaram a...

a fazer a tribo, a criar a tribo porque eu tava me sentindo muito sozinha e sentindo que eu não tinha com quem compartilhar as experiências, eu não tinha com quem conversar com coisas que eram muito, muito TDAHs e saber se as pessoas passavam por essas mesmas experiências, hoje lá no grupo a gente ri das coisas que a gente faz no dia a dia então

Tenta olhar talvez a sua vida de uma maneira um pouco mais leve. Chora também. É, chorar também, é. Olhar a vida de uma maneira um pouco mais leve, sabe? Tipo, a gente vai fazer besteira? Vai. Entre o neurodivergente, a gente consegue rir sobre isso às vezes. No momento, não necessariamente a gente vai achar tão engraçado assim, mas depois a gente conta e as coisas podem ficar um pouco mais leves.

E, gente, deixa eu avisar. Vocês que acham que eu tenho uma câmera na casa de vocês escondida, sim, eu tenho. Não, tô brincadeira, não. Isso foi brincadeira. É uma das coisas que eu recebo há mais de sete anos. Tipo, Tata, tem uma câmera me espionando na minha casa. Tá descrevendo no episódio coisas que eu faço no dia a dia. É uma das coisas que eu mais ouço em todos os episódios do podcast.

Ah, o Fernando 3D falou que tem uma pergunta. É normal quem tem TDAH se apegar a beber álcool para subir algum lado, por sermos... Ah, suprir algum lado por sermos mais tímidos ou alguma coisa do tipo?

Sim, não necessariamente com álcool só, mas existe, por causa do déficit de dopamina do TDAH, uma tendência a gente...

usar algumas coisas que vão aumentar a dopamina, aumentar a sociabilização e, assim, álcool, drogas, outros tipos de substâncias, ou até, assim, comportamentos de risco, por exemplo, sexo não seguro, a gente, por ter TDAH, por ser neurodiferente, a gente tem uma...

propensão maior a ter riscos desse tipo, ou até transtornos alimentares. Alguns deles são para suprir uma necessidade de controle que a gente tem na nossa vida ou para se encaixar socialmente. Isso é muito normal. Então, acontece.

Entra muito numa coisa do... Eu falei isso no episódio de café também. Tanto quanto o café, o álcool é visto socialmente como uma ferramenta de sociabilização, de você ser uma pessoa que... Ah, todo mundo na empresa toma um cafezinho, todo mundo depois do trabalho vai fazer um happy hour.

Então, muitas vezes, você usa isso para se encaixar no grupo, para se inserir dentro do ambiente de trabalho ou dos amigos. Então, é normal a gente usar esses tipos de ferramenta.

para tentar se encaixar. Muitas das coisas que a gente faz, às vezes, sem perceber, são isso, porque a gente está querendo ser aceito. Todo mundo quer ser aceito, mas ainda mais quando você é neurodivergente e você já ficou de lado, tão de lado a sua vida inteira, de uma maneira ou outra, a gente tenta...

Acho que a gente se esforça mais e às vezes a gente passa por cima de nós mesmos em muitas coisas pra tentar entrar no grupinho e se encaixar e vestir a máscara neurotípica que tá tudo bem e eu pertenço aqui e não necessariamente dentro. Você sente que você pertence àquele lugar, mas você tenta com afim que fingir que você é como todos os seus colegas neurotípicos.

Mais perguntas, gente. Alguém quer comentar mais alguma coisa? Apontamentos finais? Alguma coisa que quer tirar do coraçãozinho? Antes da gente encerrar o episódio? Eu quero. Meu telhado continua preto. Eu acho que é muito importante mesmo a gente procurar tanto conhecimento e assimfen as as as as

quanto rede de apoio, e aí é bom a gente ter cuidado com a rede de apoio, porque nem toda rede quer apoiar a gente. Mas isso é importante, inclusive, porque, infelizmente, existem muitos profissionais ruins. A Adri falou do...

da primeira avaliação dela. Eu falei da primeira psiquiatra que eu fui. Então, é mais comum do que a gente pensa. Ó, voltou. É, aqui estava normal. Não, ainda bem, né? Da outra vez que eu caí, foi porque eu tentei resolver e aí acabei tendo que reiniciar.

mas a gente ter pessoas com quem a gente pode contar, com quem a gente pode conversar, principalmente com outras pessoas neurodivergentes, a gente consegue perceber que não é só com a gente que aquele tipo de coisa acontece.

E não desistir de buscar ajuda também, porque às vezes a gente tenta, tenta, e não consegue, e aí desiste. Então, se a gente tiver outras pessoas ali para apoiar a gente e lembrar que a gente não está sozinho e que a gente...

E que até que infelizmente é comum a gente topar com profissionais ruins também, que vão às vezes invalidar o que a gente sente, ou questionar diagnóstico, enfim. Eu acho que é muito importante. Sim, sim. Isso que você falou me lembrou de uma coisa.

Eu sei que o momento pós-diagnóstico, especialmente, é um momento que pode ser muito frágil para a gente. A gente está emocionalmente mais abalado, mais suscetível. Mas, se você puder, não cai na conversa de coach, não cai na conversa de pessoas que prometem ter uma solução mágica para arrumar a sua vida financeira, ou fazer com que você seja mais produtivo, ou fazer...

você seja mais organizado e tem um método que funciona pra todo mundo que deu certo pra aquela pessoa e ela é neurodivergente também você só vai ser ludibriado, gastar dinheiro à toa e você vai cair na conversa de alguém que tá usando o momento mais frágil que você tá passando

para vender uma coisa que não necessariamente vai funcionar para você. E você vai ficar ainda mais frustrado quando aquilo que a pessoa ensinou e jurou que funciona. Se aquilo não funcionar para você, vai ser ainda pior, porque você vai começar a achar que o problema ainda é você. E se nem outros neurodivergentes conseguem achar métodos para você, então você não tem jeito.

Então, isso pode levar você a um fundo do poço bem pior. É isso. E entra no que a gente falou sobre as coisas que funcionam para uma pessoa, não necessariamente vão funcionar para a outra. E as coisas que funcionam para essa pessoa, eventualmente podem parar de funcionar para a mesma pessoa.

Então, a verdade é que não tem uma fórmula mágica. Por isso que, assim, eu sempre fico com o pé atrás com esse tipo de coisa. Ou então mesmo, sei lá, um curso de organização de neurodivergente para neurodivergente.

não caiam nisso. É, porque é isso, a gente fica muito vulnerável depois do diagnóstico, ou antes, ou durante esse processo.

Enfim, e até depois, né, que a gente quer alguma coisa que... Tem muitas ofertas, né? Muitas ofertas. O que tem de receita milagrosa por aí pra tudo não falta. E aí a gente tem que ter realmente esse cuidado, esse senso crítico, que assim, gente, milagre não existe.

assim, eu, como pessoa, como profissional, eu sei que, nossa, eu venho há quase 44 anos lutando nessa coisa de, depois do diagnóstico mais ainda, né, de...

encontrar fórmulas de lidar com... Fórmulas, não. Maneiras de lidar com as minhas dificuldades. E é isso. Nem sempre funciona. Ou funciona por um tempo e a gente tem que rever. Acho que o importante é você se preservar, validar também, aceitar, se fazer esse carinho de aceitar o que você está sentindo, se acolher, buscar.

Grupos, pessoas realmente que estão disponíveis em todos os sentidos para te acolher. E com sabedoria também. Porque é isso. Não tem cura. É isso.

Então, gente, é isso por hoje. Adri, doutora Adri Leopold, obrigada. Obrigada, Mari. Futura doutora Mari. Se bem que você é formada em Direito, então você também é doutora Mari. Não, não fiz doutorado. Eu também não tenho doutorado, não. Eu achei que você tivesse doutorado, Adri.

Não, só o mestrado, o doutorado, acho que vai demorar. Enfim, obrigada, Tri, obrigada, Mari, de verdade. O hospital ficou maravilhoso por causa de vocês. Tribo, quem estiver ouvindo a gente, vocês podem conversar comigo nas redes sociais. Se vocês estão...

assistindo a live em vídeo, vocês já estão no nosso YouTube, então não esqueçam de se inscrever e dar like no videozinho. Mas se você está ouvindo só o podcast, então vai lá nas redes sociais. Além do YouTube, eu também estou no Blue Sky, também estou no Instagram, no TikTok, eu ainda estou no X barra Twitter, mas enfim, arroba tribo TDAH em todas as redes. Falem lá comigo.

E não esqueçam, como a Adri e a Mari falaram, entra no nosso grupo de apoio, você pode virar um TDAH Hyper, você vai ter direito a esse grupo de apoio. As pessoas que apoiam a tribo têm direito a participar aqui dos episódios. A Adri e a Mari, elas se voluntariaram para fazer parte dessa pauta hoje, mas qualquer neuro... Opa!

qualquer TDAGA Hyper que é apoiador da tribo poderia estar aqui se quisesse participar da pauta eu deixo com antecedência os temas dos episódios para a gente achar o melhor dia para gravar enfim

E, além disso, se você apoia a Tribo TDAH, você vota no tema dos episódios, você pode participar das gravações, você ouve o seu nome nos episódios, você recebe parabéns no meio do seu aniversário, você recebe os episódios adiantados, tirando as lives que são ao vivo, não tem como eu adiantar uma coisa que...

ao vivo, mas vocês recebem os episódios adiantados e toda temporada da Tribo Teta DH vocês recebem antes, o pessoal que apoia a Tribo já vai receber esse ano a segunda temporada sendo que eu ainda estou lançando a primeira temporada

para o público geral, quem não apoia. Então, é isso. E outra coisa, gente, a gente não chegou nem em 50% da meta da tribo TDAH. Eu preciso muito chegar em 50% da meta e passar esse 50%. Então, vai lá, apoia.se barra tribo TDAH. Porque eu falo muito sério, gente, é esse apoio que faz com que a tribo sobreviva e ela depende literalmente de cada um de vocês que está aí ouvindo e acompanhando nas redes. Enfim.

E muito, muito, muito, muito, muito obrigada aos nossos queridos, incríveis, aos nossos apoiadores, aos TDAG Haifers, que literalmente fazem isso tudo acontecer. Gabriel Nunes, André Luiz Carvalho, Edu Caetano, Skyatura, Mari Mendes, Aline Mie, Brunette Tonelli, Alexandre Maia, Aline Coelho, Paulo Alexandre, Maia Canal, Ana Márcia de Lima, Tabita Moreira.

Diego Quinto, Fábio Brunetti, Zé, Lexo, Sandor Tomite, Eric Alves, José Martins, David Correia, Vinícius Pais, Ana Luíza, Chinodex, Virgílio, Tamiriza Silva, Laís Calazan, Santiago Luz, Bianca Eunice, Marina, Caio Guilherme, Rafael Ribeiro, Andréa Ferraz, Wesley Rueda, Adriana Leopold, Tralita Camargo, Éder, Mônica Becker, Fernando Finotto, Tereza Cristina, Larissa Lice, Matheus Leiner, Amaury, Renato Ribeiro, Rafa Brito, Antônio...

Antônio, Cristal, Ivana, Aetori Ritter, Samuel, Fabel, Marcos Augusto, Gabi, Silvia, Lua, Sônia Akemi, Namatos, Regis Nasi, Luiz Antônio Almeida, Marcos Vinícius, Rodrigo Ken, Saluli, Andrei, Paulo Velote, Neio Carvalho, Paulo Fernandes, Tony Brandão, Giovana, Bibiana Moter, Raquel Madeira,

Bruna Barlac, Ilana Talita, Caio Figueiredo, Danieli Bretas, Dani, Marina Medeiros, Lucão, Muti, Lali Krotosinski, Juan Rocha, Diego Correia. Beijos da Tata e até o próximo episódio. Até mês que vem. Os episódios que eu já falei aqui, já dei o spoiler, que vão ser sobre extroversão e introversão no TDAH. É isso por hoje. Até mês que vem. Beijos da Tata e tchau! Tchau! Tchau, gente!

Tribo TDAH #157 TDAH e questionar diagnóstico (Roda de Conversa) #OPodcastÉDelas2026 | Castnews Index — Castnews Index