Episódios de Contraditório

O 25 de Abril, o lagarto e os chakras que desalinharam

01 de maio de 202644min
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Seguro pregou aos jovens. Aguiar Branco teve razão ou não no alerta para os perigos da higienização da política? E Pedro Delgado Alves tinha mesmo que virar as costas ou há contaminação do Chega?

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Assuntos9
  • Discurso de António José Seguro no 25 de AbrilMensagem aos jovens sobre democracia e participação · A liberdade desaparece aos poucos · A erosão da democracia · A politização da juventude · Problemas de acessibilidade económica vs. cognitiva · Descrença nos partidos tradicionais
  • Papel e autoridade do presidente da assembleiaAlerta para a higienização da política e remédios populistas · Transparência na política · Crítica à excessiva judicialização e higienização da política · O problema de não cativar os melhores para a política · O populismo e a casta política
  • 25 de Abril de 1974A importância de não esquecer o passado · O risco de perder memória com o advento digital · A memória da Primeira República · A ditadura e a miséria social e educacional
  • Gesto de Pedro Delgado AlvesLegitimidade do gesto · Contaminação do Chega · Normalização de gestos no Parlamento · O gesto como forma de protesto político
  • Plano de Transformação, Recuperação e ResiliênciaPlano, teorias, rumores e retórica · Confusão sobre o plano e seus objetivos · Economia circular em versão política
  • Abertura de novos elevadores e incidente na CarrisReabertura do elevador da Graça · Verificação de segurança dos elevadores · Impedimento de entrada de cidadã muçulmana por motorista da Carris · Discurso antirracista e antislâmico
  • Absolvição de Rui PintoVítima de arbitrariedade do sistema judicial · Dois julgamentos pelos mesmos factos · Invalidação da acusação do Ministério Público
  • Sincronicidade e vibrações energéticasLuís Montenegro a confundir charcas com chakras · A necessidade de alinhamento energético para o plano
  • Transparência PúblicaNecessidade de transparência para a confiança política · Parecer da CADA sobre não revelar nomes de doadores
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Olá, viva! 25 de abril e o elogiado do primeiro discurso de António José Seguro defendeu a transparência e falou aos jovens não sejam espectadores da democracia, sejam protagonistas e não se resignem, não se calem, não desistam. Aguiar Branco, o presidente da Assembleia, também falou de transparência num discurso provocador, onde alertou para o entrexerimento dos políticos e dos remédios populistas que fecham portas.

Valeu-lhe aplausos, mas também lhe valeu um deputado socialista que lhe virou as costas. E foi legítimo o gesto de Pedro Delgado Alves ou temos aqui contaminação do Chega? E tivemos o PTRR, que podia bem significar plano, teorias, rumores e retórica. Fala-se muito, explica-se pouco e no fim todos saem como entraram. Confusos, mas cheios de certezas. 22 mil milhões e mais uns pós. Dá para tudo, desde tapar buracos até abrir novos.

O verdadeiro ciclo da economia circular em versão política. O problema é quando um plano quer ser um buffet livre. Há sushi cozido à portuguesa e a sobremesa quieto. Resultado? Ninguém sabe bem o que meter no prato. E no fim, saímos todos meio enjoados. E tivemos o momento zen do primeiro-ministro. Chacras, por duas vezes. Luís Montenegro a confundir charcas com chacras.

Talvez faça sentido, conta dos eixos estratégicos, o plano precisa mesmo de um alinhamento energético. Mas vá lá, vamos ser positivos. Se os chacras estiverem bem alinhados, pode ser que a coisa resulte. Que os chacras estejam também alinhados neste contraditório. Dizia António José Teixeira, jornalista da RTP, Luísa Meireles, diretora de informação da agência Lusa, e Maria Castelbranco, comentadora RTP Antena 1.

António José Teixeira, começo por ti, 25 de abril sempre. E o discurso de António José Seguro, elogiado, foi o primeiro discurso do Presidente da República, o discurso de Aguiar Branco, que mereceu aquilo que já aqui disse, o elogio e o costas voltadas de um deputado socialista, são discursos para analisarmos aqui nesta edição.

É verdade, dão um pano para mangas e já agora... O 25 de Abril sempre devia ser uma condição de partida indiscutível, não é? Porque quando olhamos para ele, devemos olhar para ele antes de mais como o fim de uma ditadura. E era bom que nos estivéssemos de acordo sobre o fim das ditaduras. Isso é uma coisa mínima só de ponto de partida. E que não dividisse a direita da esquerda no 25 de Abril Vermelho ou Verde. Mas a verdade é que não foi isso que vimos na Assembleia da República, porque André Ventura não...

Não me pareceu muito entusiasmado com a ideia do 25 de Abril. E a ideia do Cravo Verde, que ele desconhece o que é que simboliza, é toda uma narrativa que... Mas tens que explicar. É trágico ou cómico. É mesmo trágico ou cómico. É trágico ou cómico e parece-me que quando vemos a seguir o Hugo Soares pegar no Cravo Verde e no Vermelho, e isto é tudo igual, é tudo Portugal...

Que também confundiu tudo. Cheguei no século XIX. Exatamente. Quer dizer, tudo não é sempre e não é um adquirido. E o discurso do Presidente da República, que é o seu primeiro grande discurso, tem esse mérito que, sem ser vulgar e também já, digamos, muito banal das palavras do costume, quando se fala de liberdade e de democracia e de conquistas e de...

todo o vocabulário que costumamos associar. António José Segura disse o óbvio, mas ao mesmo tempo de uma forma que tocou, digo eu, pelo menos poderia ter tocado os jovens. Ele partiu do óbvio para realçar aquilo que é realmente importante e sobretudo projetar aquilo que são valores que vêm do 25 de abril de 64 para o futuro. E ele foi e chamou a atenção para aquilo que é pertinente nos dias que ocorrem, seja em relação aos mais novos, que não viveram esse tempo.

Ele próprio dá testemunho de que na altura tinha 12 anos e, portanto, que também este processo, destes 52 anos, foram para ele uma aprendizagem. Portanto, tive essa modéstia, essa humildade para dizer que estamos sempre em processo de construção e, se calhar, já era tempo de nós pensarmos que aquilo que não conseguimos fazer, aquilo que fizemos mal, aquilo que ainda hoje é uma frustração, mesmo quando olhamos para os valores e as promessas que Abril deixou no horizonte.

pensarmos que isso não era culpa de 25 de Abril, porque 52 anos depois, os nossos fracassos que tivemos, entretanto, as crises, os escândalos, as disfunções que a democracia foi revelando, são culpa de nós próprios e fazem parte de um processo. Isto não é sempre não chegámos ao céu. O 25 de Abril não foi, agora chegámos ao céu e aqui estamos no céu com o Criador e, portanto, estamos todos felizes. Isto é tudo cor-de-rosa.

Não, o 25 de Abril foi um processo e é um processo que depois foi uma ditadura e agora temos que construir alguma coisa de outra. Convinha que os jovens soubessem o significado. Convinha. António, já volto a ti, mas é só mesmo, Luísa, arrematar este discurso que foi muito importante. Sim, foi muito importante, há vários títulos, com certeza que o vamos.

Declinar, se tu quiseres, porque ele falou sobre várias coisas, com certeza que vamos falar, sobre a transparência. Transparência, mas há a mensagem para os jovens. Há a mensagem para o que ele falou. Ele teve uma mensagem que eu acho que se resumiu no essencial, que é a liberdade não desaparece de uma só vez, desaparece aos poucos.

Primeiro é uma lei que parece razoável, depois é uma instituição que se esvazia por dentro, depois uma voz que deixa de se ouvir, e depois outra. O perigo para a democracia raramente chega como nos filmes. Eu achei isto... É isto mesmo. A erosão em vez de... A erosão. E se tu quiseres olhar até para a nossa democracia...

Tu vês isto tudo, consegues ver isto tudo. Tu consegues associar a lei que parece razoável, mas não é bem uma lei, mas é o parecer da Comissão dos Assuntos Administrativos, da autorização da CADA. Depois consegues ver as pessoas que desaparecem de cena, dos comentários.

Dos partidos, até. Dos partidos, desaparecem. Enfim, tu consegues ver isto tudo. As instituições que se esvaziam e cadê esta entidade da transparência e tal, não sei o quê. E por isso, achei perfeita essa sua imagem. E depois, gostei mesmo muito...

e repetia aos meus jovens, entre aspas, que é o alerta para que ele disse cada geração tem o seu combate, tem a sua luta. A defender a liberdade é a vossa. Por favor, estejam atentos. E eu acho que isto é mesmo muito importante porque a manifestação do 25 de abril estava carregadinha de jovens. Eu fui.

E tive dificuldade em encontrar Gente mais velha Os cabelos brancos O grisalho Mas muitos jovens E isso é para alguma razão É para alguma razão E já não somos jovens

Não, sou jovem muito despido. A presença da juventude, Maria Castelo Branco. Olha, eu... E este discurso de António Gézegu, inspirado para quem não viveu o 25 de Abril. Eu vou ser do contra. Eu também não vivi o 25 de Abril. Adorava ter vivido o 25 de Abril, mas pronto, obviamente não vivi.

Nem sabes o que perdiste. E acho que faço parte da geração... Diz, diz. Nem sabes o que perdiste. Mesmo. Mas eu acho que faço parte da geração para a qual António José Seguros falava. E eu gostei muito do discurso. Acho que são mensagens muitíssimo importantes. Claro que a mensagem principal que a Luísa falava...

A liberdade não se perde assim só de uma vez, vai-se perdendo aos poucos, é essencial, mas eu achei um discurso tremendamente condescendente para os jovens. Mesmo, achei uma condescendência brutal. Primeiro, daí o do algoritmo, daí a minha coisa do contra, mas, por exemplo...

Por isso é que dizia o algoritmo, desculpa, acelerei. Mas fala do algoritmo duas vezes, como se fosse assim um perigo da democracia. É cognitivo. Ou seja, os jovens, quando ele fala para os jovens, pressupõe que o problema desta geração, e eu não me arrogo defensora ou porta-voz desta geração, porque odeia essa coisa como se nós fôssemos todos monolíticos.

Mas António da Segura trata o problema desta geração como um problema cognitivo e não um problema de acessibilidade. Os jovens, esta juventude, a geração de hoje em dia, a nova geração, é a geração mais politizada de sempre. Não sou eu que estou a dizer isto. E não é na Europa, lá para fora. É em Portugal. Quem diz isto é um estudo da Gulbenkian. Mais politizada. Mais politizada. É extraordinário. É um estudo da Gulbenkian que o diz. Olha, mas não é que a minha experiência me diz no...

Porquê? Porque eu acho que gerações mais velhas aí está incluído António José Suro evidentemente são gerações eu acho que vocês ainda não Somos jovens

Espírito, Maria. Que é o que é preciso, a juventude de espírito. Mas reparem nisto, eu acho que a politização é sempre medida. Ao longo das décadas de democracia que nós já temos, é sempre medida através da politização partidária, ou seja, a politização tradicional. Os jovens são politizados hoje em dia, não é só aqui, em todo lado, através de meios menos convencionais.

não através dos partidos, mas através da participação política pública em causas. As causas são uma coisa muito importante para a juventude de hoje em dia. É mais politizada do que a geração que fez o 25 de abril. Daí eu falar da minha geração que não viveu. Eu queria logo em causa os pressupostos desse estudo, mas adiante, porque é interessante ouvir. Sim, não é partidarizada.

E o problema é que os partidos políticos não estão a perceber isto. E quando chamam jovens, e eu estou aí incluída, para falar aos jovens, é sempre no pressuposto de porquê que os jovens não se interessam pela política? Porquê que há um problema cognitivo nos jovens no interesse pela política? É uma coisa que me chateia, chateia-me, é aquela coisa que eu não gosto de ser sequestrada, mas é que chateia-me ser sequestrada nestas coisas para falar sobre porquê que os jovens não se interessam pela política porque o pressuposto está errado.

Os jovens interessam-se pela política. Até porque eu me interesso. Mas os jovens não estão a tratar a liberdade como garantida. Porquê? Mas também não conhecem outro mundo. Ou seja, não conheceram a ditadura. E, portanto, acham que, de facto, a liberdade está...

Isso é verdade. A questão aqui é que os jovens estão a manifestar-se cada vez mais pela Europa fora ou em partidos radicalizados à esquerda ou em partidos radicalizados à direita. Porquê? Porque a juventude hoje em dia tem problemas de acessibilidade económica, não é da acessibilidade cognitiva.

É da acessibilidade da habitação, por exemplo, construir uma vida, é a primeira geração, a geração Z, é a primeira geração que viverá pior do que os pais, no sentido da acessibilidade às oportunidades todas que a geração anterior teve. Mas isso o seguro fala, o presidente fala. Exatamente. Ou seja, a politização, a descrença nos partidos tradicionais é muito mais um problema material, e aqui desculpa-me o quase marxismo. Colado para os jovens é isso.

Falou de um ponto de vista, ou seja, falou como se o problema fosse da acessibilidade cognitiva, de não percebermos o que é a liberdade, de não sabermos o que é a política democrática, e o problema dos jovens é não conseguirem comprar uma casa. É daí que vem a descrença nos partidos tradicionais, e é isso que, por exemplo, os Greens no Reino Unido estão a capitalizar e estão a conseguir ultrapassar o Labour.

Porque os partidos tradicionais à esquerda e também à direita, do centro moderado, estão a perder a narrativa dos jovens por causa disto, particularmente. E eu acho que é isto que leva a uma radicalização. Não há despolitização, porque a politização está muito... Eu pego nessa deixa. Eu, há pequeno encontro, quis dizer que não podemos culpar o 25 de Abril de todos os nossos fracassos, frustrações, algumas das que a Maria estava a falar. Tem a ver com isto, porque...

Eu acho que se joga sempre aqui uma questão que, com o advento digital e de tudo o que temos nas nuvens e da memória coletiva, nós temos um risco grande de perder memória. E, portanto, eu sou daqueles que estou contra a ideia de que, ah, isto só falamos do futuro.

Isso é cada vez mais perigoso, porque o não falar do passado não nos deixa balizas e referências suficientes para depois podermos atacar de frente aquilo que são as frustrações do presente e este desligamento que notamos em relação aos partidos tradicionais e de que a Maria falava.

E esse é um problema. Por exemplo, o Rui Tavares, no 25 de abril, fez um discurso, obviamente que o preparou, mas de improviso, sobre a memória da Primeira República. Passou um século sobre o 1926 e sobre o que foi o fracasso absoluto que representou e de como se dividiu, digamos, o Parlamento. E como se chegou depois a isso e à ditadura. Se fragmentou e de que maneira. Nunca vamos ao princípio. Certo. Mas é importante a memória.

E, por exemplo, já agora deixo aqui a deixa, não é para os jovens, é para os jovens e para os adultos, que a mim preocupam mais os mais velhos, que já perderam a memória e que viveram esse tempo. Porque quem não viveu esse tempo pode ter mais ou menos referências. Não podemos culpá-los de não terem memória, obviamente. Mas se alguém vir o que foi a série que o António Pedro Vasconcelos fez, chamada A Conspiração.

e que ajuda a perceber o que é que foi isso. Quer dizer, os capitães e os militares andavam na guerra e queriam acabar com a guerra. O que foi difícil construir uma teia para ser possível uma coisa que parece meio romântica, quando hoje a revisitamos com os militares, com os escravos e tal, e tudo isto parecia muito romântico.

Isto foi algo que demorou Demorou quase 50 anos É uma eternidade Nós vivemos na maior miséria Não é miséria só para não termos liberdade Miséria efetiva Enquanto sociedade Enquanto povo Sem acesso à educação até Sem acesso à educação Quase tudo Quando nós vemos imagens Aquilo era o nosso país E a gente fica assim a olhar quase desconfiado Mas éramos assim Éramos assim

E, portanto, eu digo isto não é só para dar lições de passado e ficarmos por aí, mas estas referências... Por exemplo, aqui a Arbranco esqueceu-se que naquele dia em que estava a discursar tinha havido as primeiras eleições para a Assembleia da República. Eu gosto das efemérides.

O Presidente da Assembleia da República não pode ignorar que no dia em que está a discursar era o dia da primeira eleição para a Assembleia da República. Não das primeiras eleições livres. Aliás, quase toda a gente omitiu esse... Passou muito ao lado. Sabes que... O que a Maria disse é muito interessante porque, efetivamente, do ponto de vista que ela está a chamar a atenção, é verdade. António Seguro foi paternalista nessa...

apelo aos jovens. Sim, e eu acho que se compreende, até porque ele é um pai, já de gente crescida, e um dia destes avô. Portanto, é natural. Agora, dizer que esta geração é a mais politizada, eu não li o estudo, a mais politizada de sempre, parece-me sempre aquela coisa de que a nossa geração é sempre a melhor.

até há um podcast sobre isso a geração dos 40, a geração dos 50, a geração dos 60 eu também acho que a minha geração foi fantástica foi a geração que apanhou de caras pum, o 25 de abril e portanto o futuro de repente passou a ser tudo passou a ser possível e depois, não, não, não, espera mas deixa-me dizer-te que

E foi a festa e todos nós nos integramos ou em movimentos, ou em partidos, ou em juventudes ou em tudo que havia. Naquele tempo havia muito menos organizações. Foi um portão que se abriu. Foi um portão que se abriu. Tu podias fazer tudo. Parecia que podias fazer tudo. Mas era esse o recado que eu, na minha cabeça de adolescente, recebi.

E por isso, e nunca me vou esquecer... Mas António já se chamava a atenção para coisas concretas que todos nós até nos esquecemos. Já o António estava a falar em memória. Por exemplo, a liberdade das mulheres ou a falta dela. Exato, exato. Olha, mas eu sou formada em direito. Foi no 25 de abril que foi possível haver. Aliás, ele fala nisso, que foi possível haver juízes e diplomatas. Mulheres, não é? Mas eu queria só dizer que...

As primeiras eleições em Portugal que tiveram uma percentagem... Altíssima. Altíssima. De fazer inveja às atuais. Sim, 90% e tal. E a idade para votar baixou para os 18 anos.

Era a juventude que lá estava, porque nós éramos um país muito mais jovem. Foram todos votar. Então, dizer que isto não era uma geração politizada, eu acho que só era, porque a gente estava... Poxa, respirava-se política, as famílias dividiam-se, aquilo era... Eu lembro-me. E por isso acho que a Maria tem razão neste ponto. É paternalista, sim.

Mas não estás bem satisfeita com o senhor? Eu só digo que é paternalista, só no sentido de não perceber que há a política... Os jovens não são os jovens que estão mais afastados da política tradicional. É a política tradicional que está cada vez mais afastada dos jovens. Isso é verdade. É só por isso que é paternalista. Há uma responsabilidade que é importada aos jovens.

Porque da parte da política ativa tradicional, por isso é que eu não sou mesmo portavoz da minha geração, porque eu acredito na politização através de trabalho político nos partidos. Ou seja, eu fiz, depois saí porque me desiludi. Se calhar estou mais para cima da minha geração agora.

Mas há uma responsabilidade que é imputada a esta geração de agora é vosso, ou seja, vocês têm que fazer este trabalho. Claro que sim, é evidente, mas não é reconhecido que a geração que fez o 25 de Abril também é uma geração que entrega a esta contratos muitíssimo precários, habitação não acessível e, portanto, há um afastamento dos jovens da política por causa disto e dizer só que eles estão só afastados da política porque não querem saber.

Não é só o patronalista, é perigoso. Não, mas é que é perigoso, porque se tu não perceberes o problema, porquê vais deixar os jovens, tu o centro vais deixar os jovens à mercê de partidos radicalizados à direita e à esquerda. Nós ainda não temos à esquerda aqui em Portugal. O à mercê também eu não gosto, se me permites. Deixa-me correr o risco de ser patronalista.

Que é o seguinte Eu não gosto mesmo muito Daquela história de Mas nós ficámos e vocês entregaram-nos Um país Eu acho que todos somos construtores E um dia todos fomos jovens Nós somos todos parte ativa Durante toda a nossa vida Não é uma questão só da idade que temos

Nós somos construtores de alguma coisa. E muitas vezes nós não podemos refugiar-nos na ideia de que as condições em que estamos a ser construtores não são as mais favoráveis, porque eu agora também não vou fazer uma coisa que é dizer...

Os índices em relação à saúde, à educação, a não sei o que ir, dados por as gerações que, entretanto, foram surgindo, são francamente, francamente melhores do que alguma vez foram antes. E, portanto, há novos problemas, problemas graves, precariedade de trabalho, habitação, a saúde, que também revela problemas, sobretudo em relação aos mais velhos, em relação, felizmente, aos mais novos, em regra.

São mais saudáveis do que os mais velhos. Mas estes problemas que continuam a existir e vão continuar a existir e novos problemas não dispensam ninguém, perante dificuldades grandes e heranças pesadas até em alguns domínios, de continuar a lutar por mudar as coisas.

E se os partidos tradicionais não dão a resposta, que surjam, eu não vejo problema nisso, novos partidos, que surjam novos movimentos, que surja participação mais forte em relação ao que se está a decidir nas mais diversas áreas. E hoje nós temos instrumentos como nunca tivemos em termos de comunicação, de influência, de pressão, que não havia no passado e que hoje estão a dispor individualmente para o melhor e para o pior.

Para o remate deste tema... Não falamos do Guilherme Branco... Não, não, eu quero falar. Mas quero rematar ainda este tema. Olha, em relação a isto, e para não estar a adiantar muito mais em relação a este tema... Sim, que estava para mais um...

programa. Exatamente, exatamente. E sobre o que é política hoje e como ela é entendida e como às vezes a gente se engana. E olha, por falar em estudos, eu li um no outro dia, aliás, é uma sondagem aos jovens da juventude portuguesa e não só. Sobre as questões ambientais e, curiosamente, em Portugal, os mais preocupados com as questões ambientais são mesmo os mais velhos.

E não tanto os jovens E achei imensa piada Nós temos a perceção Agora usa-se muito de fazer isso A perceção de que são os jovens Foram os jovens que levaram para casa

Não, não são. São mesmo as pessoas mais velhas. Não estou a dizer as mais velhas velhas. São aqueles, os adultos já que têm essa consciência. Os jovens despertaram para essa questão, alguns deles têm essa consciência e, sobretudo, são muito visíveis nos seus protestos. E ainda bem, porque isto, na verdade, é mesmo fundamental, é o futuro.

mas acho que António José Segura, mesmo em relação a isso que ele depois termina dizendo qualquer coisa como Abril não precisa de guardiões solenes precisa de cidadãos atentos e livres e eu acho que ele tem toda a razão nesse aspecto Quero-vos o remato mesmo, final Maria Cristel Branco

Não, eu concordo com o que disseram. Eu só queria dizer uma coisa, eu não estou mesmo a dizer aquela coisa da minha geração que é melhor do que as outras, eu não sei o que, a responsabilidade de todos os outros, porque eu acho isso super populista. É o meu único ponto, e vou repetir, só mesmo para rematar, é que este tipo de discurso, que os jovens estão afastados e não percebem o valor da liberdade, etc. É um tipo de discurso comum a quem está muito dentro da máquina partidária.

E era interessante que as máquinas partidárias, porque António Jesus Gostei, evidentemente, e quando digo máquinas partidárias, é sempre conceito algum, é que o PS e o PSD, os partidos tradicionais, e eu aqui, ao contrário do António, não gosto muito de partidos muito novos a surgirem, porque normalmente são mais radicais e vão se radicalizar. E vão radicalizar a juventude com eles, porque são os únicos que estão a olhar para a juventude.

e a falar com as de uma forma não paternalista. É o que nós estamos a ver na Europa inteira, à esquerda e à direita. Contraditório de António José Tacheira, Luísa Mariales e Maria Castelbranco. 25 de Abril sempre, ainda estamos a falar do 25 de Abril. Eu gosto muito desta expressão, 25 de Abril sempre. Peço desculpa. E temos também, tivemos também. Quero que a gente continue o fascismo nunca mais.

A Guiar Branco E a polémica A Guiar Branco e a transparência A Guiar Branco e o aplauso A Guiar Branco e o protesto António José Teixeira Alguém disse que o discurso da Guiar Branco Foi um discurso bem construído Cheio de soundbites E portanto desse ponto de vista Fantástico que a gente podia pegar em cada frase E cada frase dava para falarmos um bocadinho

Mas serviu ou não para despertar alguns alertas, nomeadamente sobre a questão da transparência? Acho que é um discurso cheio de boas intenções. Eu detesto essa ideia, que é logo uma referência um pouco simpática. É um discurso cheio de boas intenções sobre um problema que nós detectámos há muito. E aplica-se aqui também às gerações, às várias gerações que surgiram e às atuais.

quem vem e quem está já há muito tempo, que é o problema de estarmos a afastar, ou melhor, não estarmos a cativar os melhores para a política. E esse é um problema. E é uma boa abordagem. É uma boa discussão. Só que ele voa de uma forma pouco séria.

E pouco rigorosa, porque andou a falar de casas de banho e de elevadores e a gente começou-se a lembrar se ele estava a falar de algum caso pessoal. E, de repente, parece que essa coisa da transparência, que obviamente comporta, se é excessiva, se for desproporcionada, comporta um lado até totalitário, porque a transparência absoluta é a forma mais totalitária que nós.

com que podemos olhar para as pessoas ou para a sociedade, mas a desvalorização de registros de interesse, de incompatibilidades, de portas giratórias, os exemplos, ainda por cima, pouco rigorosos, para não dizer falsos, que ele colocou, desvalorizaram por completo o discurso. Isso é pena porque...

A transparência, nos termos em que nós, digamos, tentamos de uma forma muito frágil praticá-la, é uma virtude, é algo que reforça a confiança dos cidadãos na política, promove a responsabilização.

previne conflito de interesses, aumenta a integridade dos processos e das decisões e isso são valores importantes para combater o descrédito em que obviamente sabemos que a política e os políticos e os partidos tradicionais e os menos tradicionais entraram.

E, portanto, desse ponto de vista eu acho que é fracassado e acho que lhe ficou mal. E, portanto, queria deixar aqui essa nota. É boa a reflexão em torno da dificuldade em trazer os melhores para a política, mas se tem havido em Portugal durante estes anos, basta olhar para a entidade da transparência.

que durante o ano conseguiu olhar para 10% das declarações de interesses. Para os meios que não têm, que andam a pedinchar, que não recebem a falta de resposta dos mais altos responsáveis da nação para os seus pedidos, para cumprimento da lei, tudo isto nos diz que há um déficit e que contribui a este déficit. E estes discursos contribuem para alimentar, obviamente, ao contrário da intenção, quero crer, obviamente, de Guiara Branco.

contribuem precisamente para a discurso. Certo é que quase pareceu uma contradição entre esse discurso e o discurso de António José Segur, porque António José Segur defendeu transparência. E agora quando se está a discutir, ainda por cima, menos transparência nos donativos partidários. Quando não há transparência, há suspeita, não é? Como ele disse, a Guiá Branco.

pecou pela retórica. Ou seja, ele é advogado e acho que quis fazer um texto retórico. No fundo, fazer uma caricatura dos abusos. Exato. E acho porque, à partida, e eu lembro-me na altura que estava a ouvi-lo, sem preocupação nenhuma, quer dizer, como cidadã, ouvir os discursos.

E pareceu-me um bom discurso, porque estava a alertar, efetivamente, para um fenómeno que é como é que os políticos caíram na armadilha de estar a legislar contra si próprios, de uma maneira que até pervertem o sentido da política. E isso é o populismo, não é? Os políticos acabam por ceder ao populismo. E essa é a essência do discurso da Guia Branco.

Eu acho que sim. Depois, ele depois perde-se. Porque achou mais interessante fazer a gracinha de dizer que transparência escrutina não é saber que há, olha, oito casas de banho na casa do senhor Primeiro-Ministro. Porque era disso que toda a gente pensou. Ou que tinha elevador. Ou outros assuntos. Ou que as pessoas não podem.

ou que um ex-governante não pode ir exercer funções na sua área. Pode. Quer dizer, depois vais ver ao pormenor e aquela retórica foi excessiva. E acaba por perder sentido. Por isso é que, não sei se... Quero lá ir, ou doutorado aves. Portanto, eu acho que...

Eu diria que o discurso da Guiar Branco faz sentido quando alerta para este lado muito específico, efetivamente, que é um mal e que corrói a nossa democracia, que é o populismo relativamente aos políticos e achar que eles são todos, como gosta de dizer o Chega, bandalhos, não é? Como se eles não fossem políticos. Exatamente. E a tal casta que ele referiu, a tal casta, nós reproduzimos a nós próprios.

alertar para isso, que eu acho que é muito importante, e depois perdeu-se nos exemplos. Não devia ter sido tão retórico. E no reality show, como o Lula chegou. Maria Castelo Branco. Eu vou concordar aqui com o Luís, acho que de facto ele depois se perdeu, mas há uma coisa importante no discurso de Aguiar Branco, apesar de lá estar não ter referido a efeméride que o António falava.

Há uma parte, não, mas que é importante também, mas há uma parte que é interessante e que eu não acho que choque contra António José Segura, pelo contrário, eu acho que complementa. António José Segura diz, e bem, mesmo, muito bem nessa parte do discurso, eu não esqueci de falar disso antes, acerca da transparência em relação às doações que são feitas aos partidos políticos, que eu acho que nem devia ter um cap. Nos Estados Unidos, 25 dólares já aparece, aliás, 10 dólares, 2 dólares aparece, e ainda bem.

Mas, António José Segura diz, é preciso ter transparência para depois podermos ter a máxima transparência, a máxima confiança, a máxima responsabilidade também dos atores políticos. E eu acho que a Guiar Branco não discorda disso no discurso. Alerta é para uma coisa que também é importante, que é a excessiva sanitização da política.

Que existe já há muito tempo. A higienização. O problema português, particularmente independente, é que não é verdade isso. António, é de certa forma. Porquê? Porque eu acho que tu te perdes, de facto. É que se tu pensar... Uma leitura generosa do discurso de Guiar Branco.

Se tu te perdes em pormenores demasiado pequeninos, como as marquises do cavaco, se tu te perdes nestes pormenores demasiado pequeninos, depois a seguir, quando são coisas grandes, as pessoas já não querem saber. Isso é leirismo.

E há uma judicialização. E há uma judicialização. Não há nenhuma entidade pública que tenha pedido contas sobre a Marquise do Cavaco. Mas é que o problema é que não são entidades públicas. Faz mais danos, provavelmente, por lá. É, são mediáticos. É, António, é mais... É mediático. É, repara... Não, não, não. De todo, não. Mas não é censurado. Repara, não é isso. É que isso serve para um relativismo...

Eu acho que há perigos neste discurso, porque eu estava a concordar com a Luísa no início. Nós estamos com o problema de opacidade. É verdade, só que eu acho que esse problema de opacidade vem também de um excesso de judicialização da política ou higienização da política. Se não me faz entender. Mas isso é outra coisa.

Este discurso do Guiara Branco, por isso é que estava a concordar com o Luís, começa bem e depois deriva, porque é muito difícil fazer este ponto, porque é muito nuanciado. O exemplo da Spinoviva, se quiseres, a Spinoviva tornou-se um caso tão astronómico, com tantos pormenorzinhos que depois não interessavam ao careca, que as pessoas não quiseram saber, porque não perceberam do que é que se tratava.

essencialmente. E agora se de facto houver uma constituição de arruído, imagina, já ninguém quer saber, António. Deixa-me só terminar. É um contraditório, finalmente. Quando tu judicializas em demasia ou higienizas em demasia e focas-te nestes pormenores pequeninos,

que se tem acontecido, isso leva a que a classe política se sinta mais à vontade com uma opacidade. Porque as pessoas, a população, e isso demonstrou-se, depois desliga. Não quer saber. E também desliga porque começa a achar que é tudo igual. E isso também é dito no discurso de ar-brancas. Isso é muito fácil concordar com o que tu estás a dizer. Só que tem um problema que é um pressuposto anterior.

Quando há um déficit de prestação de contas, isso propicia que muitas vezes nos distraiam a atenção para os tais pormenorzinhos que não interessam a ninguém. E este caso, o caso em concreto de que estamos a falar, começa com pormenorzinhos que ninguém pediu, mas que não foram inventados nem por nenhum partido da oposição, nem por nenhum órgão de comunicação. Foi quem tinha a obrigação de prestar contas para dizer...

Então uma empresa tem este contorno, tem estes clientes, fez isto e fez aquilo. Perdeu uma sessão na Assembleia da República, não foi propriamente de outra maneira. Na Assembleia da República, inumerar propriedades que havia umas quarelas. Sim, começou por ser uma coisa de gestão. Mas lá está os tais detalhes que depois levam à opacidade. Não, não, só um bocadinho. Esse caso ainda não está suficientemente esclarecido por déficit de prestação de contas. Ainda não chegou ao fim.

decorridos estes anos. E o problema é que alguém nos anda a distrair, porque isto tem técnicas também que a gente conhece, com os pormenorzinhos que relativizam tudo e criam esse efeito. Eu acho que nós sem querer entramos nisso às vezes também. Sendo certo que ele deriva da falta de prestação de contas. O Gabranco faz uma autocrítica à classe política. Mas deriva da falta de prestação de contas. Eu acho que nós também entramos nisso. O ponto é, se houver uma prestação de contas realmente rigorosa...

Eu concordo. Esses pormenores não são o fórum da nossa atenção. Por isso é que eu acho que os discursos são complementares. Mas deixa-me só dizer uma coisa em relação a este discurso e a isto que se está a discutir. É que isto também se torna mais pesado, entre aspas, e suscetível de interpretações de outro tipo, porque nós vivemos efetivamente num momento em que...

Esta transparência está a ser posta em causa na prática. E nós recordamos com certeza não só aquele inaudito parecer da Comissão de Autorização dos Documentos Administrativos, a CADA, que diz que não se podem revelar os donativos aos políticos, os nomes, por causa do RGPD, ou seja, porque são dados privados.

E diz uma coisa espantosa. E isso são dados sensíveis porque pode fazer denotar as preferências políticas desse cidadão, que é exatamente o oposto para aquilo que foi feito o 25 de abril. É para qualquer pessoa poder ter as suas opções políticas e atuar em conformidade. Já que estás no uso da palavra, Luísa, ainda assim justificava-se o gesto de Pedro Delgado Alves de virar costas numa sessão solene à mesa da Assembleia.

Ou isto é uma contaminação do Chega, como eu lhe disse? Não, não é uma contaminação do Chega. Quer dizer, se fosse um deputado ou se fossem deputados do Chega, não estávamos todos a censurar? Não, não estávamos. Não era normal.

Portanto, estamos a normalizar esse tipo de gestos no Parlamento Ele não foi necessariamente mal educado Ele tomou a atitude Já agora, permite-me que eu te diga Eu acho que ele foi mal educado E ele é um deputado bem educado normalmente Mas sabes, eu acho que ele tomou uma atitude

Eu fiquei também estupefacta. Desculpa. Quando digo que não foi mal educado é porque ele não fez gestos feios, não interrompeu. Virar costas é um gesto feio. Lamento. Mas não foi pro gesto. É isso. Ele quis vincar de alguma maneira a sua posição. Que não foi compreensível de imediato.

E, nesse aspecto, teve um mérito. Pôs toda a gente a falar e a prestar atenção às entrelinhas do discurso do Presidente da Assembleia da República. Isso, sim, teve mérito. Porque toda a gente falou sobre isso. Ok, toda a gente eu posso até conceder que seja a tal bolha que, aliás, o Presidente da Assembleia da República também falava.

Mas, nesse aspecto, teve esse mérito. Se ele podia ter feito de outra maneira, não sei, se ele não tivesse feito nada e tivesse posto as mãozinhas em cima da bancada e ficado a olhar com ar de lagarto para o Presidente da Assembleia da República, ninguém olhava, ninguém reparava. Mas ele assim, olha...

Fez aquilo que entendeu, tomou a sua posição política. Eu aqui vou saltar. Vamos ao António. Se fosse do Chega, nós acharíamos a coisa mais banal e, infelizmente, acharíamos isso. Eu, no lugar dele, não o teria feito. Acho que não foi um gesto. É censurável. É um gesto censurável. Não o devia ter feito. Acho que, por exemplo, podia ter saído da sala. Acho que era o gesto correto para manifestar a sua posição. Provavelmente ninguém dava para ele.

Mas aí voltamos O que é que nos chama a atenção É virar as costas Se a situação não nos chamava a atenção E isso é perverso, como sabemos Mais importante de tudo foi o artigo que ele escreveu A justificar a sua posição sobre a matéria Mas a questão que são as justificações Outra coisa é o gesto em si Não acho bonito que o tivesse feito daquela maneira

ainda por cima numa sessão solena foi menos solena estou mesmo do Cônia eu gosto muito dos debates ingleses no parlamento inglês acho um espetáculo está cheio disso porque a política é isso claro que a política é um teatro claro que ele tem que fazer aquilo, aquilo é teatral a pergunta que eu faço é se fossem deputados do Chega se fossem deputados do Chega eles não faziam isto Ok

Não, não viravam as costas. Não, sabes o que é que eles fariam porque já fizeram? Começavam a mugir, porque há um deputado chega que muge, que é uma coisa retórica. Começavam a mugir. Retórica? Diz a vaca. Não, exatamente. É um instrumento retórico que ele descobriu.

É um instrumento retórico maravilhoso, não é? De repente aparece uma deputada e ele muge. Outros roncam também. Outros insultam. O insulto, o mugido, etc. Isso sim. Isso sim. Há tantas mais vale nem falar.

Eu agora estou a falar, mas é que depois estou-lhes a ler. Não estou a dizer os nomes também precisamente por causa disso. Isso sim, eu acho que é um desrespeito do Parlamento, da Casa da Democracia. Virar as costas, fazer este teatro, que também faz parte da política, eu não acho mal. E gosto muito desta água. Mas isto, se calhar, é porque eu gosto muito do Parlamento Inglês e que lhe diverte-me. E gostava que o nosso também fosse mais assim, mas é politicamente sustentado.

Não é só mugir por mugir. Olha, e não vamos conseguir falar nem do PT-RR, nem das charcas, nem dos chacras. Mançada. António José Teixeira, o que é que fica por dizer? Olha, fica por dizer... O PT-RR. O PT-RR. Mas quiseres dizer alguma coisa... Não, ficaria então, porque isso precisava de tempo e nós não o temos.

Ficaria por uma chamada de atenção para a Carris, que é uma empresa de transportes de Lisboa, da área metropolitana de Lisboa. Lembram-se do elevador da glória e da tragédia que foi? Continua em avaliação técnica? Foi assim que eu o vi hoje.

um responsável da Carris falar do que se passa lá. Abriu hoje o elevador da Graça, os elevadores, entretanto, tinham fechado porque houve a preocupação de verificar se estavam em condições de segurança, e isso é bom, mas também merece real-se pela negativa aquilo que aconteceu com o motorista da Carris.

que impediu uma cidadã muçulmana que tinha uma máscara e que impediu de entrar no autocarro. Eu acho que, de facto, este discurso antireligioso, antirracista, peço desculpa, este discurso antireligioso, muitas vezes, ou antislâmico mais concretamente, mas que poderia também ter outros focos.

e racista em concreto, está a provocar danos na sociedade. E, por isso, já um motorista de carrisco se acha no direito de impedir uma muçulmana de entrar no autocarro. Isto é condenável, obviamente. Para terminar só e telegraficamente, critiquei que é na abrugnosa por ter tido um comportamento deplorável para como...

um jornalista da Lusa em serviço em Coimbra. Ela teve a nobreza de pedir desculpa à diretora de informação da Lusa. Muitos dias depois. E ao jornalista, muitos dias depois, mas vale mais tarde do que nunca. Outros, perante atitudes deste tipo, não têm a nobreza de reconhecer os seus erros e aqui eu realço essa nobreza. E à diretora da Lusa outros temas que ficaram por dizer? Confirmo.

Confirma essa desculpa. Agora, a Luísa Meireles escolhe fazer uma nota que foi hoje nomeado como reitor do Colégio da Europa, a instituição europeia mais antiga no sentido de formação de políticos europeus. Aquilo é a data de 49, foi uma ideia onde até Churchill pontuou.

E acho isso importante para João Gomes Carvinho, que assim regressa às suas origens académicas. Mas aquilo que esta semana eu achei muito interessante foi também a absolvição de todos os crimes 241 de Rui Pinto.

o homem do futebol Lix, porque houve uma juíza que considerou que ele tinha sido vítima da arbitrariedade do sistema judicial. Leia-se bem, arbitrariedade do sistema judicial. Foi sujeito a dois julgamentos pelos mesmos factos. E, portanto, como tal, o coletivo de juízes considerou inválida a acusação do Ministério Público.

dando-a como improcedente num processo no qual o arguido foi tratado por três diferentes formas e sem ter tido a sua dignidade enquanto pessoa humana respeitada. Ora, isto é muito duro para o Ministério Público.

Maria Cristel Branco O que fica por dizer também acho que vou fazer duas coisas porque uma delas, meio que já falei mas era a crescente a crescente aderência das gerações mais novas aos movimentos da esquerda à esquerda dos partidos trabalhistas e isso está, e provavelmente vai se ver na próxima semana no dia 7 de maio porque vai haver as local elections em Inglaterra, no Reino Unido E aí

E o Partido Trabalhista Inglês, o Labour, está estimado que perca mais ou menos 1.850 lugares, que é assim uma queda histórica. E agora, neste momento no UK, o maior movimento político que existe é os Youth Greens, ou seja, é o movimento jovem dos Greens que atingiu 50 mil aderentes, que é uma coisa assim extraordinária. E isto para alertar para aquilo que falava. E outra coisa, porque nós não chegámos a falar disso, e se me permite este apontamento muito rápido.

é o Chega. Agora, afinal, também quer transparência para os donativos políticos, mas só o nome, sem nada, sem mais nada, sem o NIF, sem nada. E queria só chamar a atenção que o voto, aquilo que a Luísa dizia também, o voto é diferente dos donativos. Porquê? Porque o voto é secreto para proteger os cidadãos do poder, do Estado, e os donativos têm que ser públicos para proteger os cidadãos do poder e do Estado.

E fica concluído aqui esta edição do Contraditório, que fica disponível em podcast, nas plataformas habituais e também na página da IRTP.