Episódios de Fábrica de Crimes

170. Andrei Chikatilo - "Açougueiro de Rostov"

02 de junho de 202641min
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>> Ele fez mais de 50 vítimas durante a maior parte da sua vida. Não à toa ficou conhecido como o “açougueiro de Rostov, o estripador vermelho ou o estripador de Rostov”.

>> Andrei Chikatilo foi considerado um dos mais notórios assassinos em série da Rússia.

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Hosts: ⁠ ⁠Mari⁠ e ⁠Rob

Editor: ⁠Victor Assis⁠

Aviso: O Fábrica aborda casos reais de crimes, contendo temas sensíveis para algumas pessoas. O conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e é baseado em fontes públicas, respeitando a memória das vítimas e de seus familiares. As eventuais opiniões expressas no podcast são de responsabilidade exclusiva das hosts e não refletem necessariamente o posicionamento de instituições, veículos ou entidades mencionadas. Caso você tenha alguma objeção a alguma informação contida nesse episódio, entre em contato com: contato@fabricadecrimes.com.br 

Fontes: 

MURDERPEDIA: Andrei Chikatilo Victims. Disponível aqui. 

BRITANNICA: Andrei Chikatilo. Disponível aqui. 

CRIME AND INVESTIGATION UK: Andre Chikatilo: The Rostov Ripper. Disponível aqui. 

EBSCO RESEARCH STARTERS: Andrei Chikatilo. Disponível aqui. 

BIOGRAPHY.COM: Andrei Chikatilo: Quotes, Childhood & Death. Disponível aqui. 

ALL THAT'S INTERESTING: Andrei Chikatilo, The Red Ripper Who Killed 52 People In Soviet Russia. Disponível aqui. 

HISTORY DEFINED: Andrei Chikatilo: Russia's Most Prolific Serial Killer". Disponível aqui. 

SAGE ENCYCLOPEDIA OF MURDER AND VIOLENT CRIME: Andrei Chikatilo: The Russian Ripper". Disponível aqui. 

SERIAL KILLERS INFO: Andrei Chikatilo: The Butcher of Rostov. Disponível aqui. 

THE CRIME SCENE SOCIETY: Motive Monday: Andrei Chikatilo, the Butcher of Rostov. Disponível aqui. 

CRIME LIBRARY: Killer X: The Devil's Trail". Disponível aqui. 

ANDREI CHIKATILO: O Estripador de Rostov. Disponível aqui. 

Participantes neste episódio3
M

Mari

Host
R

Rob

Host
V

Victor Assis

Convidado
Assuntos8
  • Homicídios em ItuclaroAssassinato de Larissa · Assassinato de Lyubov Biryuk · Padrão de abordagem e execução · Mutilação de corpos · Ataques aos olhos das vítimas · Vítimas masculinas e castração · Canibalismo · Assassinato de Olga
  • Início da carreira criminosa de ChikatiloAbusos em escola vocacional · Primeiro abuso sexual documentado · Demissão voluntária · Primeira vítima fatal: Yelena Zakotinova · Investigação policial · Condenação de Alexander Kravchenko
  • Captura e confissão de Andrei ChikatiloPrisão em flagrante · Descoberta de faca e cordas · Lesão na mão como evidência · Estratégia de interrogatório · Confissão após perfil psiquiátrico · Confissão de 56 assassinatos
  • Julgamento e condenação de Brody MarburgerPrimeiro grande evento midiático pós-soviético · Reação dos familiares das vítimas · Comportamento imprevisível no tribunal · Veredito de culpado em 52 assassinatos · Pena de morte · Rejeição do apelo
  • Infância de GisèleColetivização agrícola na Ucrânia · Holodomor · Canibalismo · Segunda Guerra Mundial · Ocupação nazista · Estigma de filho de traidor · Comunismo · Impotência crônica
  • Investigação policial e frieza do suspeitoOperação Lesopolosa · Teoria de assassino em série · Foco em instabilidade mental e homossexualidade · Confissões obtidas sob tortura · Erro no teste de tipo sanguíneo · Perfil psicológico de Dr. Alexander
  • Execução e legado de Andrei ChikatiloExecução por tiro na nuca · Enterro em cova anônima · Dificuldade em acreditar na esposa · Demora na condenação
  • Primeiros relacionamentos e carreira de ChikatiloPrimeiro relacionamento sério · Serviço militar obrigatório · Partido Comunista · Casamento com Feodosia Odinatieva · Filhos Ludmila e Yuri · Carreira como professor
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Rob:"Se eu soubesse o que meu marido estava fazendo todos esses anos, teria feito algo para pará-lo. Mas como eu poderia saber?" Muito difícil de acreditar.

Mari:Olá, Operários! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Fábrica de Crimes. Eu sou a Mari.

Rob:E eu sou a Romi.

Mari:O caso de hoje trata de um tema que infelizmente é recorrente e um dos mais famosos no mundo de true crime, que são os serial killers.

Rob:É, e no caso desse episódio aqui, eu acho que é um dos piores que a gente já viu.

Mari:Eu acho que é um dos piores, se não o pior. Bom, a gente não pode começar o episódio de hoje sem ouvir o recado da nossa querida operária Renata, carioca, aqui da região serrana de Teresópolis.

Renata:Olá meninas, tudo bem? Aqui quem tá falando é Renata, sou carioca, atualmente morando na serra, Teresópolis, aqui curtindo friozinho. Comecei a escutar o podcast de vocês tem pouco tempo, acabei sendo, já ouvia outros e acabou o Spotify indicando e tô encantada, né? Até meio estranho falar, né? Encantada escutando o Crime, mas enfim. E como eu já escutei vários, realmente no início parecia a mesma voz da Rob e da Mari, você não conseguia identificar quem era quem, mas agora Realmente são timbres diferentes, mas no início se confunde. É muito bom a forma como vocês contam os crimes. Muitos deles eu já tinha escutado em outros podcasts. E realmente vocês têm um tato diferente na tratativa dos crimes. Muito boa pesquisa, muito boa forma de apresentar. Apenas continuem e muito obrigada. Um beijo!

Mari:Renata, eu, Mari, suponho que aí em Teres já deve estar muito frio. Aquele frio estilo carioca, né? Eu amo a cidade, tenho família aí. Então muito obrigada pelo seu áudio.

Rob:Nossa, a gente ama Teresópolis e a gente adorou a sua mensagem. Então um beijo para você.

Mari:E falando em friozinho, mês de junho, além do climinha gostoso que ele traz, também tem o Dia dos Namorados.

Rob:Pois é, esse mês tem aquele dia que uns amam e outros nem tanto, o tal Dia dos Namorados. Essa é uma época perfeita para você escolher aquela peça para sua pessoa preferida. E aqui a gente vai dar ênfase em pessoa, porque não precisa ser namorado, né? Pode ser, sei lá, um conversante, talvez.

Mari:Meu Deus, eu amo esse termo, jovem conversante. Mas exatamente, não vamos nos limitar, né? E lá na Insider, entre os dias 3 e 7 de junho, além de garantir a peça perfeita para sua pessoa, você ainda ganha brindes que são cumulativos e 5% off no Pix.

Rob:Ah, e claro, aproveita e usa o nosso cupom FABRICADECRIMES, tudo junto, para ganhar ainda mais desconto na na hora da compra.

Mari:E a gente já deixou na descrição desse episódio o nosso link direto para Insider e o nosso cupom Fábrica de Crimes. Então dá uma olhada lá no final desse episódio. E no episódio de hoje, Andrei Chikatilo, ou o Açougueiro de Rostov. Andrei Romanovich Shikatilo nasceu no dia 16 de outubro de 1936 em uma aldeia chamada Yablukne, ao norte da atual Ucrânia. A família dele era bem humilde, seus pais eram chamados de Roman e Anna e eram trabalhadores de uma fazenda ali coletiva que não recebia salário, dinheiro, né, pelas notícias, apenas o direito de cultivar um pequeno pedaço da terra atrás da casa. A União Soviética naquela época acabou afetando a agricultura ucraniana com as políticas de coletivização agrícola do Stalin, que transformou muitas fazendas em propriedade do Estado e confiscou a produção para abastecer as cidades. E nesse período ocorreu algo que ficou conhecido como Holodomor, a Grande Fome, que matou milhões de ucranianos nos anos anteriores ao nascimento do Andrei.

Rob:É, inclusive em algumas aldeias a fome era tão extrema que casos de canibalismo chegaram a ser registrados nessa época.

Mari:Pois é, e a família do Andrei, assim como várias outras da época, raramente tinha comida suficiente. Segundo algumas notícias, ele não teria comido pão até os 12 anos. Eu não sei se isso é verdade. E ele e a família frequentemente comiam capim e folhas para tentar acabar com a fome. A mãe, Anna, disse que antes do Andrei nascer, ela teria tido um filho mais velho chamado Stepan, que aos 4 anos foi sequestrado por vizinhos e canibalizado. Só que essa história que ronda esse caso nunca foi confirmada, né, mas dizem que a mãe contava essa história para o próprio Andrei quando ele era pequeno, que não é uma história boa para contar para uma criança, né. Em 1941, quando o Andrei tinha 5 anos, em meio à Segunda Guerra Mundial, o pai, Roman, foi convocado para o Exército Vermelho. Ele acabou sendo ferido no combate e feito prisioneiro de guerra pelos alemães. E aí o Andrei acabou ficando sozinho com a mãe. Então, entre 1941 e 1944, ele testemunhou a ocupação nazista, muitos bombardeios, incêndios, fuzilamentos. E a mãe ali que precisava se esconder em porões e valas para não ser atingida. Em 1943, a mãe do Andrei deu à luz a uma menina chamada Tatiana. O pai do Andrei tinha sido recrutado, como eu falei, 2 anos antes, então ele não era o pai da Tatiana. E como muitas mulheres ucranianas foram estupradas por soldados alemães durante a ocupação, acredita-se que a Tatiana tenha sido fruto de um estupro desse. Mas não há uma comprovação para isso.

Rob:É, e um detalhe importante dessa história é que na União Soviética ser feito de prisioneiro era considerado uma desonra, praticamente uma traição. Então quando o pai dele voltou da guerra, ele foi recebido com desprezo por várias pessoas.

Mari:Pois é, o Roman, o pai, inclusive foi chamado de covarde pelos próprios compatriotas, e o Andrei cresceu carregando esse estigma de que era filho de um traidor. Os colegas da escola humilhavam ele muito por isso, zombavam também da aparência dele, que ele era muito magro, alto e muito tímido. Mas apesar de tudo isso, o Andrei era um estudante dedicado. Ele desenvolveu uma paixão por leitura, por memorização, estudava em casa porque ele tinha uma miopia tão grande que impedia ele de enxergar o quadro negro na escola. Pros professores, ele era um aluno muito bom, exemplar, e sempre tirava notas boas. Na adolescência, ele se tornou um comunista atuante. Aos 14 anos, foi nomeado editor do jornal escolar e, aos 17, foi escolhido presidente do Comitê do Partido Comunista dos Estudantes. Então, ele organizava as marchas de rua, lia literatura comunista e era o único, talvez um dos alunos de toda a comunidade, a completar o último ano escolar, se formando com notas excepcionais em 54. Foi ainda na adolescência que o Andrei descobriu que algo destruiria ele por dentro. Ele sofria de impotência crônica, sendo incapaz de manter uma ereção por muito tempo. E esse problema agravou a timidez dele e ele começou a desenvolver um ódio dele mesmo, né, que ele já carregava ali há bastante tempo dentro dele. Aos 17 anos, o Andrei se apaixonou por uma menina chamada Lilia, que ele se aproximou na época da escola, mas por conta do seu problema e da timidez, ele nunca teve coragem de convidar ela para sair. No mesmo ano, ele pulou em cima de uma menina de 11 anos que era amiga da sua irmã e derrubou essa menina no chão, ejaculou sobre ela enquanto ela lutava para sair daquela situação. E sim, é possível ter disfunção erétil e ainda conseguir ejacular. Ainda em 1954, depois da graduação, o Andrei se candidatou a uma bolsa na Universidade Estatal de Moscou, e acabou passando no exame, mas as notas não foram tão boas o suficiente para admissão, né? E outros candidatos tinham se saído melhor nessa disputa, e ele acreditou que o fato do pai ter sido um prisioneiro, né, tinha pesado contra ele. Por conta disso, ele não tentou ingressar em outra universidade e foi trabalhar como operário em Kursk. Em 55, aos 19 anos, ele se matriculou numa escola técnica para se tornar Técnico em Comunicações. Nesse mesmo ano, ele iniciou o primeiro relacionamento sério com uma menina que era 2 anos mais nova que ele. Segundo relatos, eles tentaram ter relações sexuais em 3 ocasiões diferentes, mas ele não conseguiu manter a ereção em nenhuma delas. E depois de 18 meses, a menina terminou o relacionamento com ele. Depois de completar o curso técnico O Andrei foi para uma outra cidade chamada Zinitagil para trabalhar numa obra enquanto fazia cursos de engenharia por correspondência. Em 57, ele foi convocado para o serviço militar obrigatório no Exército Soviético e serviu por 3 anos, primeiro com guardas de fronteira na Ásia Central e depois em uma unidade de comunicações da KGB em Berlim Oriental. e o histórico dele no serviço foi muito bom. E pouco antes de encerrar o serviço militar, em 1960, ele ingressou formalmente no Partido Comunista. De volta à aldeia natal, ele trabalhou por um rápido período com os pais na fazenda coletiva, e logo nessa mesma época ele começou a se relacionar com uma jovem divorciada. Depois de 3 meses e várias tentativas fracassadas de ter relação, a mulher comentou com algumas amigas sobre esse problema dele, pedindo conselho. E aí vocês sabem como é, né? Logo a fofoca se espalhou e em pouco tempo praticamente todo mundo ali naquela região sabia que ele tinha essa disfunção. E numa entrevista, o Andrei descreveu o que sentiu nesse momento: As garotas cochichavam às minhas costas que eu era impotente.

Rob:Fiquei tão envergonhado que tentei me enforcar. Minha mãe e alguns jovens vizinhos me tiraram do laço. Pensei que ninguém iria querer um homem assim, então tive que fugir dali.

Mari:O Andrei conseguiu um emprego como engenheiro de comunicações em Rodionovo de Viteskaya, a cerca de 30 km a norte de Rostov-on-Don. A irmã Tatiana foi morar com ele por 6 meses antes de se casar com o marido dela, mas ela não reparou nada de anormal no comportamento do irmão. Além da timidez de sempre dele com mulheres, e decidiu ajudar ele a encontrar uma esposa. Em 1963, o Andrei se casou com Feodosia Odinatieva, a quem a irmã apresentou ele, e o casamento ocorreu só 2 semanas depois do primeiro encontro. Segundo o próprio Andrei, a esposa acabou entendendo que ele não conseguiria manter uma ereção e chegaram a um acordo doméstico: ele ejacularia externamente e ela introduziria o sêmen com os dedos. E foi assim que em 65 nasceu Ludmila, primeira filha do casal, e 4 anos depois Yuri. E eles formaram uma família aparentemente normal. Em 64, Andrei tinha começado um curso de literatura russa e filologia por correspondência na Universidade de Rostov. Conseguiu o diploma em 1970. E por um curto período ele trabalhou gerenciando atividades esportivas naquela região. Depois ele começou uma carreira que ocuparia o centro da vida dele pelos anos seguintes, que era a de professor de língua e literatura russa.

Rob:E um parênteses: a filologia é uma área da linguística, sendo a ciência que estuda, restaura e preserva os documentos antigos que mostram a evolução da língua. É considerada interdisciplinar porque engloba elementos como história, literatura, linguística, entre outras áreas.

Mari:Em 1971, o Andrei passou a dar aula na escola vocacional em Novoschansk. Ele conhecia bem as matérias, mas era completamente incapaz de manter a disciplina dentro da sala. Os alunos humilhavam abertamente ele, se aproveitavam do jeito tímido para ofender ele. Foi nessa mesma época que ele começou a ter comportamentos estranhos. Uma das responsabilidades dele era supervisionar os dormitórios à noite, porque ele era professor, e em diversas ocasiões ele entrava no dormitório feminino na esperança de ver alunos sem roupa. Em outras, ele flagrava adolescentes tendo relações sexuais, e segundo ele, isso perturbava ele profundamente, porque ele via crianças fazendo o que ele não tinha conseguido fazer nem quando tinha 30 anos. Em maio de 73, o Andrei cometeu o seu primeiro abuso sexual documentado contra uma aluna. Nesse caso, ele foi em direção a essa menina de 15 anos, apalpou os seios e genitais, ejaculou nela enquanto ela lutava para sair.

Rob:Então ele fez a mesma coisa que tinha feito na adolescência com aquela menina de 11 anos.

Mari:Basicamente isso. E alguns meses depois, ele agrediu sexualmente e espancou outra adolescente que tinha trancado na sala de aula. Alguns colegas chegaram a observar ele se masturbando na presença de outros alunos e relataram isso para a direção da escola. A escola pressionou ele a pedir demissão voluntária e em janeiro de 1974 ele encontrou um emprego numa outra escola da região. E isso acabou virando um padrão. Pelos anos seguintes, o Andrei foi trocando repetidamente de escola à medida que as queixas iam se acumulando. Em meados dos anos 70, ele rondava então banheiros públicos para ficar olhando os meninos e costumava dar chiclete para crianças que encontrava, como uma forma de ter um primeiro contato. Em setembro de 78, aos 42 anos, Ele foi transferido para uma outra escola técnica em Shanti, a cerca de 75 km de Rostov. E ali ele passou a morar numa cabana, cabana meio velha, uma região mais afastada. E foi nesse ano que ele fez a primeira vítima fatal dele, Yelena Zakotinova, de 12 anos. Durante essa investigação desse caso, a polícia tinha fortes evidências que apontavam para ele. Ele tinha se mudado, né, como eu falei, para essa cabana nessa região afastada. Eles encontraram algumas manchas de sangue na neve perto da cerca da cabana dele. Os vizinhos tinham visto ele. A mochila da vítima foi encontrada na margem oposta do rio, e uma testemunha descreveu para polícia um homem que correspondia ao Andrei, né, a aparência dele, e que tinha sido visto conversando com a jovem Yelena na parada de ônibus onde ela foi vista pela última vez. Só que a esposa dele, a Feodosia, forneceu na época um álibi para ele e ele acabou escapando dessas acusações. Em vez disso, a polícia prendeu um jovem de 25 anos chamado Alexander Kravchenko, que tinha antecedentes por estupro e homicídio cometido nos anos 70. O Alexander tinha um álibi verificado para a tarde do crime. Ele inclusive foi confirmado pela esposa dele e por uma amiga dela. Mas na época a polícia ameaçou a esposa e essa amiga e conseguiu depoimentos, digamos, maculados. E confrontado com esses depoimentos modificados, o Alexander acabou confessando o crime contra a Yelena.

Rob:Aí não faz nenhum sentido isso. No caso do Andrei tinham várias evidências que mostravam que ele era o culpado pelo crime. E só porque a mulher dele apresentou um álibi, ele foi descartado. Mas no caso do Alexander, que também tinha um álibi para aquele dia, e confirmado pela esposa e outras pessoas, eles não acreditaram por ela ser cúmplice?

Mari:Exatamente. No julgamento desse caso, em 79, Alexander, ele se retratou, ele retirou a confissão, dizendo que ela tinha sido obtida por uma pressão da polícia violenta, né? Mas mesmo assim, ele foi condenado e sentenciado à pena de morte. Em dezembro do ano seguinte, o tribunal reduziu a pena para 15 anos de prisão, que era o máximo permitido por lei na época. Mas os familiares da Yelena ficaram indignados com a sentença e pressionaram por um novo julgamento. Ele, o Alexander, foi julgado novamente, condenado de novo e executado em julho de 83. Por um crime que na verdade se imagina que tenha sido de autoria do Andrei. Depois da morte da Yelena, a carreira do Andrei como professor terminou em março de 81 por causa de uma demissão por queixas de abuso, mais abusos, né, dessa vez contra alunos de ambos os sexos.

Rob:E a gente já deixa aqui o alerta para conteúdo sensível.

Mari:No dia 3 de setembro de 1981, o Andrei botou os olhos numa adolescente de 17 anos chamada Larissa, que era uma estudante da escola de internato. Ela esperava o ônibus na saída de uma biblioteca pública no centro de Rostov. Ele atraiu ela para uma floresta ali próxima ao rio Don, com o pretexto de beber vodka e relaxar um pouco. E infelizmente ela aceitou. O Andrei tentou ter relações com ela e quando falhou, Enfiou lama dentro da boca da menina para abafar os gritos e espancou ela e estrangulou até a morte. Como ele não tinha faca com ele naquele dia, ele começou a mutilar o corpo da vítima, arrancando os mamilos com os próprios dentes e cobrindo o corpo com folha, galhos e páginas rasgadas de jornal. O corpo da Larissa foi encontrado no dia seguinte. A partir daí, o Andrei parou de resistir e o crime virou uma rotina na vida dele. No dia 12 de junho de 82, durante uma viagem de ônibus para outro distrito, ele precisou trocar de condução numa aldeia chamada Donskoye e decidiu continuar o trajeto a pé. Nesse caminho, ele encontrou uma menina de 13 anos chamada Lyubov Biryuk, que voltava para casa depois de fazer compras. Eles caminharam juntos por cerca de 400 metros até os arbustos bloquearem a visão. Foi nesse momento que o Andrei pulou sobre ela, arrastou ela na vegetação, arrancou o vestido e a matou a menina esfaqueando ela enquanto imitava um ato sexual. E era um lugar tão difícil de acesso que o corpo dela foi encontrado só 15 dias depois. Entre julho e setembro de 82, o Andrei matou mais 5 pessoas com idades entre 9 e 19 anos.

Rob:E pelo que a gente pode perceber, ele já tinha um padrão estabelecido. Ele abordava crianças desacompanhadas e adolescentes vulneráveis em estações de ônibus e trem e atraía elas para uma floresta ou área isolada com algum pretexto.

Mari:É, era bem isso. E depois que ele levava essas meninas para algum lugar longe, né, de testemunhas, ele geralmente imobilizava a vítima Amarrava as mãos atrás das costas com corda, enfiava lama ou argila na boca da vítima para silenciar os gritos. Em seguida, esfaqueava ela repetidamente. Com as mulheres um pouco mais velhas, ele costumava tentar ter relação primeiro, e quando falhava, se a mulher zombava da impotência dele, ele agredia a vítima até a morte. Com crianças era diferente, ele não tinha tentativa prévia de ter relação. Ele assassinava imitando ato sexual. Nos casos iniciais, o Andrei atacou primeiro a região dos olhos das vítimas, né? Ele acreditava na superstição de que a imagem do assassino ficava grudada na retina dos mortos. Por isso ele feriu os olhos, para apagar qualquer evidência. Só mais tarde, quando chegou à conclusão de que essa crença não tinha o menor fundamento, ele parou de praticar essa parte. Nos crimes.

Rob:Tá, mas me tira uma dúvida: ele só atraía vítimas do sexo feminino?

Mari:Bem perguntado. Então, a resposta é não. Ele fazia o mesmo com homens, porém ele praticava castração. Em vários casos ao longo dos anos, ele praticou canibalismo também, consumindo parte dos corpos. No dia 11 de dezembro de 82, uma passageira de ônibus observou um homem de meia-idade levando uma menina de 10 anos pela mão fora de um coletivo na região de Novoshchansk. A menina se chamava Olga e ela tava voltando das aulas de piano para casa dos pais. O Andrei levou ela até um campo de milho nos arredores da cidade, esfaqueou ela mais de 50 vezes, rasgou o tórax e removeu o intestino inferior e o útero. No início de 83, 4 mortes mais foram ligadas ao mesmo assassino. O major chamado Mikhail foi enviado de Moscou para comandar as investigações em Rostov e estabeleceu uma equipe de 10 investigadores, e em março designou um jovem analista forense chamado Viktor para chefiar a investigação pessoalmente. A operação ficou conhecida entre os investigadores como Lesopolosa, em referência a algumas matas próximas às ferrovias onde os corpos eram encontrados. Quando o policial Vitor chegou à cena do crime da Olga, ele examinou as várias feridas de faca e as marcas nas órbitas dos olhos. Afirmou que ali teve certeza de que tinha um assassino em série agindo na região. As investigações não fizeram o Andrei parar de fazer novas vítimas. Em junho de 83, ele assassinou uma menina de 15 anos chamada Laura, de origem armênia, e o corpo dela foi encontrado numa mata próxima a uma plataforma ferroviária. Até setembro daquele mesmo ano de 83, ele ainda matou mais 5 pessoas. No dia 6 de setembro de 83, o promotor da União Soviética do caso formalizou a ligação entre 6 dos assassinatos. Era a primeira vez, na verdade, que o governo soviético admitia oficialmente a existência de um assassino serial, que segundo algumas notícias era algo que a ideologia da época considerava impossível de acontecer numa sociedade comunista. A investigação então tomou uma direção. A polícia concentrou os esforços na teoria de que o assassino deveria ser mentalmente instável, provavelmente homossexual ou pedófilo. Na época, a homossexualidade era crime na União Soviética e todos os indivíduos que passaram por internações psiquiátricas ou que tinham condenações por homossexualidade ou pedofilia tiveram seus álibis verificados e fichados. Nesse caso, eles falam em milhares, né, de pessoas que teriam sido interrogadas ao longo de toda a investigação. E a partir de 83, em setembro, uma série de jovens com deficiência intelectual confessaram os crimes em confissões obtidas por interrogatórios prolongados e brutais. 3 homossexuais conhecidos e um agressor sexual condenado tiraram a própria vida em suas celas como resultado dessas táticas confessivas dos investigadores. E um resultado que teve inesperado disso, segundo as fontes, foi que dezenas de crimes não relacionados acabaram sendo resolvidos. No entanto, à medida que a polícia obtinha essas confissões de suspeitos, outros corpos continuavam sendo encontrados, o que provava que nenhum desses que confessavam era de fato o assassino real. No ano de 84, O Andrei fez 15 novas vítimas. Em janeiro e fevereiro, duas mulheres foram assassinadas no Parque dos Aviadores, em Rostov. E no dia 24 de março, ele atraiu um menino de só 10 anos de idade chamado Dmitry em um quiosque de selos, fingindo ser um colecionador. No dia 2 de agosto, ele matou uma jovem de 16 anos chamada Natalia no Parque dos Aviadores, o mesmo local de antes. E no verão, A polícia intensificou as patrulhas e posicionou policiais à paisana em várias estações de ônibus e de trem. Até que em setembro, dois detetives à paisana observaram Andrei tentando abordar mulheres jovens em uma estação de ônibus. Eles seguiram Andrei pela cidade enquanto ele andava tentando se aproximar de mulheres e cometendo alguns atos de assédio físico em locais públicos. Ao chegar no mercado central, Andrei finalmente foi preso. Ele carregava uma faca de lâmina de 20 cm, pedaços de uma corda e um frasco de vaselina. O histórico de queixas por abuso em escolas foi descoberto e a polícia coletou amostras biológicas e realizou teste do tipo sanguíneo. No caso, o Andrei deu tipo A, porém o sêmen encontrado na cena do crime deu tipo AB, e com isso ele foi meio que descartado como suspeito dos assassinatos.

Rob:É inacreditável.

Mari:Pois é, o que ninguém compreendeu na época é que o Andrei era um não-secretor. Exato.

Rob:Os testes sorológicos usados pela polícia soviética indicavam que o sêmen encontrado nas vítimas era do tipo AB, enquanto o Andrei tinha sangue do tipo A. Essa aparente incompatibilidade levou os investigadores a descartar ele como suspeito. E aí, anos depois, se descobriu que uma condição rara ligada à expressão dos antígenos sanguíneos, podia produzir resultados enganosos nas análises de secreções corporais. Com os testes de DNA utilizados atualmente, esse tipo de erro praticamente não ocorre.

Mari:Exato. O Andrei, ele acabou sendo nesse meio tempo condenado por um crime em separado, que era o de furto. Ele acabou furtando dois rolos de revestimento de linóleo de um antigo empregador dele. Ele foi sentenciado por esse furto a 1 ano de prisão e saiu em dezembro depois de cumprir 3 meses. Ao sair, ele encontrou trabalho como comprador para uma empresa ferroviária. Esse cargo exigia viagens constantes por toda a União Soviética, o que daria a ele um livre acesso a todas as estações. Bom, e pela primeira vez numa investigação de assassino em série na história soviética, a polícia na pessoa ali do policial Victor, recorreu a um psiquiatra para criar um perfil psicológico desse assassino desconhecido, o Dr. Alexander. O Dr. Alexander teve acesso a todos os relatórios de cenas de crime e laudos médico-legais e chegou à conclusão de que o assassino era um homem recluso, por volta de 45 anos, com uma infância difícil, incapaz de se relacionar com mulheres, provavelmente casado, com filhos, que sofria de impotência e usava os esfaqueamentos como substituto pro ato sexual. O Dr. Alexander classificou essa pessoa como alguém que tinha gratificação sexual pelo sofrimento e pela morte de outras pessoas, e que não era psicótico, ou seja, estava completamente no controle das suas ações. Em agosto de 85, Andrei matou mais duas mulheres em incidentes separados, e entre meados de 85 e maio de 87, Ele ficou quase 2 anos sem matar, pelo menos o que se sabe. E ele começou a acompanhar os noticiários sobre a investigação e ele sabia que a polícia estava se aproximando. Em 88, o Andrei retomou os assassinatos. Em fevereiro de 89, ele entra no apartamento da própria filha quando ela tava ausente e ali ele mata uma garota de 16 anos chamada Tatiana Rezova. E para se desfazer do corpo, ele desmembrou, despejou as partes no esgoto próximo. E com isso, a polícia não ligou aquele crime à investigação que tava acontecendo, porque a vítima tinha sido desmembrada, né, que era um padrão diferente do que ele vinha fazendo. E a descoberta de mais vítimas desencadeou uma operação maior ainda da polícia. Esse policial Victor propôs um plano de saturar essas estações de trem e ônibus de policiais. A intenção era afastar o Andrei destas estações maiores e fazer com que os agentes da paisana patrulhassem as estações menores e menos movimentadas, onde as atividades do assassino seriam mais visíveis. O plano entrou em ação no dia 27 de outubro de 90, com cerca de 360 agentes. 10 dias antes do início da operação, no dia 17, o André assassinou mais um rapaz, de 17 anos chamado Vadim Gromov, que era um estudante neurodivergente que desapareceu enquanto ele viajava de trem para uma outra região. O corpo dele foi encontrado no dia 30 de outubro e os ferimentos ligavam o crime ao inquérito. Ele foi estrangulado, esfaqueado 27 vezes, castrado e tava com a ponta da língua cortada e o olho esquerdo perfurado. E no dia 6 de novembro de 1990, o Andrei cometeu o seu último assassinato. A vítima foi uma mulher de 22 anos chamada Svetlana Korostik, que foi mutilada e seu corpo foi jogado numa mata próxima à estação de trem. Quando Andrei voltou à plataforma ferroviária, foi notado por um policial que estava paisana chamado Igor, que observou ele se aproximando de um poço para lavar a mão e o rosto. Ele anotou os dados do Andrei ali e liberou ele. Os investigadores entrevistaram esse policial Igor, e ao ouvir o nome Andrei, vários deles reconheceram o nome por aparecer em registros antigos. A partir desse momento, as viagens de trabalho do Andrei foram rastreadas e as cidades coincidiam com as datas das mortes. As autoridades começaram também a verificar os registros de trabalho e de viagem. Os ex-colegas de trabalho do Andrei contaram à polícia sobre o comportamento anterior e os motivos pelos quais ele deixou os empregos. E tudo tava batendo e fazendo sentido. No dia 14 de novembro, o Andrei foi colocado sob vigilância contínua, e durante 6 dias esses policiais à paisana acompanharam os passos dele, especialmente nos trens e ônibus, onde foi observado que ele abordava jovens mulheres ou crianças sozinhas e iniciava conversas com elas. Se a mulher ou a criança interrompia a conversa, o Andrei já esperava alguns minutos e saía à procura da próxima vítima. No dia 20 de novembro, depois de andar pela cidade com uma garrafa de cerveja nas mãos e tentar fazer contato com crianças, o Andrei foi abordado por agentes da Paisano. Ele não ofereceu nenhuma resistência e, ao ser algemado, reclamou que a polícia estava enganada. Ao ser revistado, foi encontrado com ele uma faca dobrável e duas cordas, os mesmos itens de sempre. O exame revelou a lesão no dedo médio da mão direita, tratada por ele mesmo com iodo, e os médicos identificaram aquilo como sendo uma mordida humana correspondente a alguma luta corporal que teve com alguma das vítimas. A amostra de sangue dele foi coletada. No dia seguinte, o interrogatório formal começou. E a estratégia da polícia era fazer o Andrei acreditar que seria tratado como um doente e não como um criminoso, dando a ele a esperança de escapar da pena de morte por razões de insanidade. O Andrei foi colocado numa cela no quartel-general da KGB em Rostov junto com um informante policial que foi instruído a encorajar ele a conversar. E por dias ele negou os assassinatos. Mas acabou confessando os abusos contra os alunos, mas nunca falou diretamente sobre os assassinatos. No dia 29 de novembro, na véspera do prazo que ele tinha, né, de 10 dias para ser indiciado ou ser solto, a polícia convidou aquele psiquiatra, o Dr. Alexander, para entrar na sala de interrogatório. Ele concordou com uma condição de que as anotações dele não podiam ser usadas como evidência depois no tribunal. O Dr. Alexander mostrou a Andrei o perfil que tinha escrito dele anos antes e leu trechos desse texto para o Andrei. O Andrei ouviu aquilo em silêncio enquanto o psiquiatra descrevia quem ele era por dentro e dizia que acreditava que as suas ações tinham raiz numa doença mental. Em menos de 2 horas, o Andrei chorou e confessou os crimes. Em 30 de novembro e em 5 de dezembro de 1990, o Andrei confessou 56 assassinatos, e o número chocou todo mundo, já que a polícia tinha catalogado 36 no inquérito. Ele foi levado pessoalmente às cenas do crime, descreveu crime por crime o que fez com cada vítima, incluindo o assassinato no apartamento da filha. Onde ele tinha desmembrado a vítima, né, e descartado as partes no esgoto. No dia 20 de agosto de 1991, após a polícia completar os interrogatórios e reconstituições em cada cena de crime, o Andrei foi transferido para o Instituto Serbisky em Moscou para uma avaliação psiquiátrica de 60 dias. O psiquiatra do instituto examinou Andrei por mais de 2 meses e concluiu que, embora exibisse traços psicopáticos, Andrei era mentalmente competente para ser julgado. O instituto determinou que era a capacidade predatória do Andrei e habilidade de migrar para locais mais seguros que demonstravam o seu grau de controle total da situação. O julgamento se iniciou no dia 14 de abril de 1992, no tribunal de Rostov. Andrei foi acusado de 53 homicídios e 5 casos de agressão sexual contra menores. E aí vale destacar que esse era o primeiro grande evento midiático da Rússia pós-soviética. A sala com 174 cadeiras estava lotada. Quando o Andrei entrou, os familiares começaram a gritar, super revoltados. Nos dois primeiros dias, o juiz leu longas listas de acusações em voz alta e cada assassinato foi discutido individualmente. Inclusive, em várias ocasiões, parentes presentes desmaiaram. Ou entraram num colapso quando os detalhes das mortes foram sendo narrados. Depois de ler a acusação, o juiz declarou para a imprensa: "Que este julgamento nos ensine algo, para que isso nunca aconteça em nenhum lugar novamente." E quando perguntado sobre sua aparente indiferença ao gênero ou à idade das vítimas, o Andrei respondeu: "Não precisava procurá-las.

Rob:Em cada passo que eu dava, elas estavam lá." Ele apresentava um comportamento completamente imprevisível.

Mari:Às vezes ele se mantinha calmo, respondia tudo, e em outras sessões ele gritava para cima do juiz, dizia que o tribunal era uma farsa e falava coisas desconexas sobre a repressão que a família dele sofreu ao longo da vida. Em uma outra ocasião, ele inclusive cantou músicas no meio da sessão de julgamento e removeu as próprias roupas, expondo ali os órgãos genitais, afirmando que não era homossexual. Andrei chegou a adicionar espontaneamente 4 novos crimes na lista de confissões, e no outro momento ele negou 6 do que tinha confirmado anteriormente. No dia 15 de outubro de 92, depois de 6 meses de julgamento, o juiz leu o veredito. Ele obviamente foi considerado culpado em 52 dos 53 assassinatos, porque uma acusação foi rejeitada por insuficiência de prova. E também culpado de 5 crimes de agressão sexual. A pena foi de morte em cada um dos 52 assassinatos. Ao ouvir, o Andrei se desesperou, gritou para o tribunal, cuspiu, chutou o banco e exigiu ver os cadáveres. Os familiares na plateia gritaram que ele deveria ser entregue a eles para ser despedaçado, como tinha sido feito com os entes queridos. Depois do julgamento, a atenção se voltou também para a mulher dele, né, a Feodosia. Ela declarou publicamente que nunca tinha suspeitado de nada, nem durante as noites em que o marido passava longe de casa, nem quando precisava lavar manchas de sangue nas roupas dele.

Rob:Ela disse o seguinte: "Se eu soubesse o que meu marido estava fazendo todos esses anos, teria feito algo para pará-lo. Mas como eu poderia saber?" Muito difícil de acreditar.

Mari:Bom, o Ministério Público acreditou nela, mas os vizinhos amigos não. Ela foi desprezada pela comunidade local e começou a receber ameaças de morte. Foi aí que ela precisou sair de Rostov e recomeçar a vida em outro local. O Andrei recorreu diretamente, mas o apelo foi rejeitado. Em 14 de fevereiro de 94, Andrei Romanovich Chikatilo, de 58 anos, foi levado da sua cela na prisão até a sala à prova de som. Onde um tiro foi disparado atrás da orelha direita, o método prescrito pela lei russa para a pena capital. As autoridades enterraram ele numa cova anônima no cemitério da prisão. Bom, operários, esse foi o episódio de hoje. Eu sei que esses casos mais antigos de serial killer ficam um pouco repetitivos porque as vítimas são muitas, né, são muito numerosas.. E infelizmente a gente não conseguiria falar de todas elas.

Rob:O que frustra é que mesmo ele tendo sido condenado e morrido por isso, demorou muito tempo para isso acontecer. E isso é revoltante, principalmente com crianças e adolescentes como vítimas. E lembrando que tem episódios novos todos os dias 1:15 do mês e episódios exclusivos para você, operário apoiador, no Spotify por meio do Apoia.se ou pela Orella.

Mari:Isso aí.

Rob:Nossa, da Ucrânia, que loucura! Acho que a gente não teve nenhum caso da Ucrânia, né?

Mari:Na verdade é mais Rússia porque ele é da Ucrânia.

Rob:Entendi. Mas é bom ter de vários países, assim. Cara, eu vi você curtindo um meme muito aleatório de Stalin. Tipo assim, é que eu li ali. O quê? Eu li ali, Joseph Stalin, aí eu lembrei disso. Acho que foi ontem ou anteontem que apareceu pra mim um meme muito aleatório.

Mari:Que meme era?

Rob:Cara, eu preciso lembrar. Era uma coisa muito, tipo assim, era um meme muito nichado. Aí assim, geralmente tem um negócio muito nichado que chega pra mim, porque, né? Sou meio esquisita. Só que tava lá: "Mari host curtiu." Eu falei: "O quê? Como assim?" Ai, eu preciso lembrar o que era, mas era assim, muito aleatório. Era alguma coisa de estranho.

Mari:Mas era um meme?

Rob:Era um meme, era um meme. Tipo, era engraçado, só que tipo, era meio chato.

Mari:Talvez eu lembre.

Rob:Eu vou achar e eu vou mandar pra você de novo.

Mari:Ah, pode ser aquela. Porque com esse negócio todo do Trump e Epstein. Tem alguns memes que aparecem para mim exaltando o— como é que é o nome do cara da Rússia? Vladimir Putin. Aí fica exaltando ele só porque ele ama animais.

Rob:Isso parece para mim, esse eu amo, eu acho super engraçado. Mas não, era literalmente um negócio de Stalin, era tipo, ai, cara, eu preciso achar porque era muito específico. Eu vou achar.

Mari:Que doideira.

Rob:Eu vou achar.

Mari:Ah, você viu? Teve uma operária que eu vi um episódio que a gente falou de algum produto da Visella e ela indicou uma base. Ai, menina.

Rob:Mas da Visella?

Mari:Esqueci a marca.

Rob:Não era da Visella?

Mari:Acho que não era da Visella. Mas eu estou neste momento procurando uma base porque eu tenho um casamento dia 6/6 e Eu estou entre comprar uma base muito cara e muito barata.

Rob:Cara, o pior é que eu também tô em busca de uma base nova, sabia?

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