Episódios de Fábrica de Crimes

174. Queena Phu - Crime na Biblioteca da Flórida

01 de agosto de 202633min
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>> O caso de hoje se passou na Florida e deixou marcas profunda na jovem Queena Phu e em sua família. 

O responsável quase se livrou da prisão perpétua. 

Vem ouvir todos os detalhes nesse episódio já disponível na sua plataforma preferida…

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Hosts: ⁠ ⁠Mari⁠ e ⁠Rob

Editor: ⁠Victor Assis⁠

Aviso: O Fábrica aborda casos reais de crimes, contendo temas sensíveis para algumas pessoas. O conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e é baseado em fontes públicas, respeitando a memória das vítimas e de seus familiares. As eventuais opiniões expressas no podcast são de responsabilidade exclusiva das hosts e não refletem necessariamente o posicionamento de instituições, veículos ou entidades mencionadas. Caso você tenha alguma objeção a alguma informação contida nesse episódio, entre em contato com: contato@fabricadecrimes.com.br 

Fontes: 

OSPREY OBSERVER: Artigo — "Queena Inspires While Facing Her Journey of Healing" (fevereiro de 2026). Disponível aqui. https://www.ospreyobserver.com/2026/02/queena-inspires-while-facing-her-journey-of-healing/

JOIN QUEENA: Site oficial de Queena Phu e sua família. Disponível aqui. https://joinqueena.com

FOX 13 NEWS: Artigo — "The Life She Once Knew: Story of Bloomingdale Library Attack Survivor Published" (outubro de 2020). Disponível aqui. https://www.fox13news.com/news/the-life-she-once-knew-story-of-bloomingdale-library-attack-survivor-published

WFLA-TV: Artigo — "Bloomingdale Library Attacker Kendrick Morris Resentenced to Life in Prison" (9 de março de 2017). Disponível aqui. https://www.wfla.com/news/bloomingdale-library-attacker-kendrick-morris-resentenced-to-life-in-prison/

THE NET LINE: Artigo — "Kendrick Morris' Story — His Life, Crimes, and Sentence Detailed" (junho de 2022). Disponível aqui. https://thenetline.com/kendrick-morris-story/

FINDLAW: Decisão judicial — Morris v. State (2015), Florida District Court of Appeal. Disponível aqui. https://caselaw.findlaw.com/court/fl-district-court-of-appeal/1711418.html

PLANT CITY OBSERVER: Artigo — "Queena Still Serving as a Beacon of Courage" (abril de 2015). Disponível aqui. https://www.plantcityobserver.com/queena-still-serving-beacon-courage/

AMBASSADOR INTERNATIONAL: Página editorial do livro — "The Life She Once Knew" por Vanna Nguyen. Disponível aqui. https://ambassador-international.com/books/the-life-she-once-knew/

OBSERVER NEWS: Artigo — "Hundreds Turn Out for Former East Bay High Student Benefit" (junho de 2014).Disponível aqui. http://www.observernews.net/2014/06/04/hundreds-turn-out-for-former-east-bay-high-student-benefit/

TWITTER: My response to this Tampa Bay Times article from last Wednesday. Disponível aqui. https://x.com/sgw94/status/831141173838434307/photo/1

Participantes neste episódio2
M

Mari

Host
R

Rob

Host
Assuntos5
  • Tiroteio em biblioteca na CalifórniaQueena Phu · Kendrick Morris · Ataque e agressão · Biblioteca de Bloomingdale
  • Julgamento e CondenaçãoCondenações e penas · Apelação e revisão de sentença · Declarações da defesa e acusação · Prisão perpétua
  • História de Queena PhuInfância e adolescência · Sonhos e planos futuros · Voluntariado e atividades escolares
  • Investigação e prisão de Kendrick MorrisEvidências físicas · Informação de testemunha · DNA e crimes anteriores
  • Recuperação e vida de Queena PhuTratamentos médicos e reabilitação · Superação e inspiração · Publicação de livro pela mãe · Comunidade e apoio
Transcrição45 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

O que aconteceu comigo? Por que que eu não tô conseguindo ver? Eles encontraram ele?

MMari

Olá, operários! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Fábrica de Crimes. Eu sou a Mari e eu sou a Robi. E eu preciso ser sincera que o caso de hoje, quando eu vi as notícias, partiu meu coração. Eu acho que nesse caso a pena superou a minha raiva.

?Voz A

E para quem pula episódio com crianças, esse aqui não tem criança envolvida. Mas não deixa de ser um caso carregado de maldade.

MMari

Exatamente. Bom, pra quebrar um pouquinho esses avisos iniciais, vamos ouvir o áudio da operária Tamires, de Minas Gerais.

RRob

Oi meninas, tudo bem com vocês? Meu nome é Tamires, eu moro em Minas Gerais e eu queria dizer que eu sou uma grande fã de true crime e que eu me apaixonei pela Fábrica desde o primeiro episódio que eu ouvi. E aliás, eu viciei a minha amiga, a Catrine, que é uma amiga que eu conheci no Facebook há 10 anos atrás. Nós éramos amigas virtuais até pouco tempo atrás. Aliás, te amo, viu, amiga Catrine? Eu sei que ela vai ouvir. Nós contamos os minutos para os novos episódios do Fábrica, viu? Ansiosa para o próximo.

?Voz A

Beijos. Tamires, eu amei que você ouve o Fábrica com a sua amiga Catrine, aliás, amiga virtual, né? Muito obrigada pelo seu áudio e um beijo para você.

MMari

Um beijo para vocês duas.

?Voz A

E por falar em quem a gente ama e quer manter por perto, agosto chegou e trouxe aí uma data que sempre mexe muito com a gente, principalmente comigo aqui no Fábrica.

MMari

É verdade, a gente fala tanto de casos pesados, né, que às vezes a gente esquece de lembrar de valorizar quem tá do nosso lado. E nada melhor que uma data para isso.

?Voz A

É, e pode ser que essa pessoa nem esteja mais ao seu lado fisicamente nesse plano, mas você pode ressignificar isso.

MMari

Exatamente, porque dia 9 de agosto já é Dia dos Pais. E se você ouve o Fábrica e tem seu pai com você ainda, ou você é o pai que ouve o Fábrica, a Insider se encaixa direitinho na sua rotina. E eu tenho certeza que também se encaixa na rotina do seu pai.

?Voz A

Esse na verdade é o nosso primeiro Dia dos Pais com a Insider e a gente ficou surpresa com os kits que ela separou especialmente para os vários tipos de pais diferentes.

MMari

É, o meu com certeza é aquele tipo de pai que gosta, né, de praticidade, até porque ele costuma viajar todo ano e as roupas super funcionariam para ele.

?Voz A

É, infelizmente eu não tenho mais o meu pai comigo, mas eu moro aqui com um verdadeiro pai de pet. Então sim, eu vou aproveitar tudo que a Insider pode dar nesse momento. Lembrando que no dia 5 de agosto você, operário, tem 10% de desconto pagando no Pix e frete grátis a partir de R$399. E dos dias 6 a 8 de agosto você ainda tem frete grátis e brinde cumulativo.

MMari

Então dessa vez a gente vai deixar não só o nosso link direto para Insider, mas também o link para vocês darem uma olhada nesses kits de presentes que a Insider preparou especialmente para os pais.

?Voz A

Lembrando que você também pode entrar no site da Insider e usar o nosso cupom de desconto, o FÁBRICADECRIMES, tudo junto. Dá uma olhadinha.

MMari

E no episódio de hoje, Queen of Foo, ou Crime na Biblioteca da Flórida. A história da Quina Phu começou muito antes dela nascer. A mãe dela, chamada Vanna Nguyen, cresceu em meio a uma vida próspera no Vietnã, até que em 75, mais ou menos, o regime, o governo do país mudou, e a vida da família também. O pai de Vanna, que era um oficial de alta patente das Forças Armadas do Vietnã, foi preso e ele foi enviado lá para o norte do país.

E a partir desse momento, a família começou a passar por uma crise financeira muito grande. Depois que o pai foi solto, a Vanna, que tinha ainda 18 anos na época, ela tomou uma decisão que poderia lhe custar a vida dela. Ela fugiu do Vietnã num barco muito pequeno junto com outros refugiados, sem saber se ela ia voltar a ver a família dela de novo. Em 1981, ela então chegou nos Estados Unidos, se tornou cidadã americana e deu à luz a primeira filha dela, a Ana, e abriu um negócio próprio.

No dia 22 de abril de 1990, nasceu a segunda filha dela, a Queen Fu. Ela cresceu em Valrico, uma comunidade tranquila do condado de Hillsborough, na região de Tampa, na Flórida. E ela simplesmente gostava muito de ler, né? A Quina, ela passava a maior parte do tempo com o livro na mão, que era o hobby preferido dela, porque na verdade ela era muito nerd. Então ela tinha assim muita vontade de conhecimento, de ler. Ela era uma menina doce, amava tudo que era rosa, e ela tinha um coração muito grande.

Pelo menos era isso que as pessoas que conheciam ela falavam. Ela doava muito também do tempo dela, né? Ela fazia voluntariado em hospitais também. A Quina também era muito ativa e participativa na escola, então tudo que a escola oferecia ela tava dentro. Ela entrou no vôlei, no futebol, em outras atividades também. Ela era uma adolescente comum, como as meninas americanas da idade dela. Ela amava fazer compra, tomar sorvete, ela era meio bagunceira assim, desajeitada e sempre atrasada para tudo.

Em junho de 2007, A Quina e a sua amiga Rachel, elas souberam de um estupro de uma funcionária de uma creche local ali da Flórida. E esse fato foi meio que um gatilho para Quina, porque a partir desse momento ela começou a se manter muito assim atenta e manter contato principalmente com a família e com amiga. Ela ficou mais cautelosa, até porque ela tinha só 17 anos. A Quina e a Rachel decidiram então que seria prudente trocar entre si os números de telefone das famílias, que era uma medida de segurança caso acontecesse alguma coisa.

Bom, a Quina era uma aluna do último ano do ensino médio e tava se preparando para se formar, ingressar numa universidade, na verdade a Universidade da Flórida, porque ela tinha ali uma promessa de bolsa de estudos integral por mérito dela acadêmico, até porque ela tava entre as melhores alunas da turma de 2008. Então assim, ela estava animadíssima para o baile de formatura que tava prestes a acontecer em uma semana. Ela já tinha escolhido o vestido, tinha marcado salão para fazer cabelo, maquiagem, e tinha inclusive uma limusine reservada com as amigas para esse dia especial.

Na noite do dia 24 de abril de 2008, 2 dias depois dela completar 18 anos, A Queen terminou um turno dela numa loja chamada Abercrombie Fitch. Sim, ela trabalhava na Abercrombie como vendedora, e pelo que eu vi, né, assim, na internet, as pessoas comentando, era uma loja muito hypada na época. Então trabalhar lá como vendedora era uma vaga disputada. Eu inclusive acho as roupas de lá muito bonitas. Mas enfim, o que eu tava falando é que ela terminou esse turno na loja à noite e liga para Rachel, amiga dela, já que elas combinaram de compartilhar os passos uma da outra, principalmente à noite, depois daquele crime que aconteceu na Flórida.

A Queen então teria ido direto para casa, não fossem uns livros que ela tinha que devolver na biblioteca. Bom, e nessa biblioteca você não precisa especificamente nem sair do carro para devolver livros, porque é como se fosse um sistema de drive-thru. Você chega com o carro perto de um negócio assim, um totem, você abre o vidro e coloca o livro ali dentro, né? Você meio que joga ali e devolve e vai embora sem sair do carro. Quando a Queena entra no estacionamento da biblioteca, ela tava ao telefone com a amiga Rachel e ela chegou a comentar que tava tudo meio vazio, já era noite, mas que tinha um cara estranho sentado num banco ali próximo.

E aí ela falou ao telefone: fica na linha comigo. Só que a Queena teve que sair do carro porque os livros estavam no banco de trás. Então ela precisou sair do veículo para pegar os livros. E aí o aviso sonoro da porta do carro começou a apitar, alertando a Rachel, que tava no telefone, de que a Queena tinha aberto a porta e saído. Por volta das 10:40 da noite, A Rachel ouviu um grito e um som parecido com um sino antes da ligação ser interrompida.

Então ela ficou desesperada, tentou ligar de volta várias vezes, mas só caía no correio de voz. Ela lembrou do combinado que ela e a Quina tinham feito e ligou para a mãe da Quina, e também ligou para uma amiga em comum delas que morava mais perto da biblioteca. A mãe, Vanna, desesperada, ligou para a filha mais velha, a Ana. E as duas foram imediatamente pra lá. Essa amiga que morava mais perto levou cerca de 30 minutos pra chegar.

E quando ela chegou no estacionamento, ela viu o carro da Quina com a porta aberta e o motor ligado, mas sem a Quina por perto.

?Voz A

Nossa, e nesse momento essa amiga deve ter ficado desesperada, né? Pelo menos eu ficaria. Porque ninguém vai deixar o carro com a porta aberta e o motor ligado assim do nada.

MMari

Pois é, mas o pior foi que ela achou o celular da Quina quebrado em pedaços no chão. Manchas de sangue no concreto, tipo um rastro. E nesse momento ela ligou para polícia imediatamente. A polícia de Hillsborough chegou e começou a fazer uma varredura na área para tentar achar algum rastro do que poderia ter acontecido. Eles encontraram sangue na entrada da biblioteca, mais sangue na parede externa do prédio, e seguindo o rastro eles localizaram a Queen numa área isolada.

Caída na grama, inconsciente e coberta de picada de formiga por todo o corpo. A condição da Queen foi considerada gravíssima, mas ela tava viva. Numa tentativa muito rápida de salvar a vida dela, ela foi transportada inclusive de helicóptero para um hospital, e 13 médicos aguardavam a chegada dela. E depois de horas de tratamento, cirurgia, ela entrou em estado de coma. No dia seguinte, para surpresa de todo mundo, a Quina recuperou a sua consciência por um breve momento e conseguiu fazer algumas perguntas.

?Voz A

O que aconteceu comigo? Por que que eu não tô conseguindo ver? Eles encontraram ele?

MMari

E mesmo naquele estado, com o crânio fraturado, o corpo destruído, ela ainda conseguiu perguntar se poderia ir ao baile de formatura. Só que naquela mesma noite, o estado dela piorou muito e ela começou a convulsionar. Os médicos então realizaram uma cirurgia cerebral de emergência para reduzir o cérebro dela, que tava meio que inchando, e colocaram ela dessa vez em coma induzido. Então, o que que tinha de fato acontecido com ela, né?

Bom, a Quina sofreu uma fratura no crânio, múltiplos derrames cerebrais causados por um estrangulamento durante a agressão que ela sofreu e que deixou ela paralisada e cega. O dano cerebral foi tão grave que ela perdeu completamente a visão dos dois olhos e a capacidade de falar, andar e engolir. A investigação foi muito intensa desde as primeiras horas e mais de 70 policiais foram mobilizados, incluindo Helicópteros, cachorros e equipe de mergulho.

A bolsa da Quina e outros pertences foram encontrados próximos ao local e também foram enviados para análise forense. Então a polícia recebeu uma informação muito relevante para o caso. Um homem alegou que reconheceu o cara que tava sentado no banco da biblioteca e que a Quina tinha falado que era esquisito para Rachel. Porque esse cara viu esse suspeito sentado uma hora antes do ataque, tipo 9 da noite. E esse suspeito foi identificado como Kendrick Morris.

Além disso, depois se descobriram evidências físicas que confirmaram que Kendrick era de fato suspeito do crime. O sangue da Queen foi encontrado não só nas roupas dele que ele usava naquela noite, Mas também dentro da casa dele. E isso indicava que ele retornou para casa depois do ataque sem se livrar das evidências. Aliás, depois do ataque, na verdade, ele foi imediatamente para o McDonald's, pediu 2 McLanches Felizes e depois foi para casa.

Com ele também foi encontrado um utensílio de um outro restaurante chamado Wendy's, que é uma rede de fast food. E foi encontrado próximo ao corpo da Quina um negócio meio que como se fosse uma faca grande de um material descartável, né, na grama, que foi encontrado. E mais alguns itens pessoais dele indicava que ele tinha levado ali ou tinha caído do bolso dele em algum momento durante o ataque. As impressões digitais também desse objeto corresponderam às dele.

Tá, mas quem era Kendrick Maurice. O Kendrick nasceu em 91, então ele era um ano mais jovem do que a Queenah. Ele foi criado pela mãe, a Lisa Stevens, e pela avó no bairro de Clermont, em Tampa. O companheiro da mãe, o Steve White, um jogador profissional de futebol americano, ele era de fato o padrasto, né, ali do Kendrick. Esse cara inclusive ele jogou profissionalmente pelo Tampa Bay Buccaneers. E o Kendrick era considerado um aluno problemático no colégio, tinha antecedentes já muito jovens, incluindo um registro de crueldade contra animais, e tinha um hábito que os funcionários dessa biblioteca conheciam muito bem: ele frequentava muito esse local.

E ele ia para biblioteca depois da aula e ficava ali esperando até tarde da noite a mãe vir pegar ele. Na madrugada do dia 26 de abril de 2008, 2 dias depois do ataque, por volta de 4 da manhã, ele foi preso na própria biblioteca porque ele tinha retornado à cena do crime depois de 2 dias. As autoridades forenses rodaram o DNA dele no banco de dados estadual da Flórida e o resultado revelou que ele também tava vinculado a um crime anterior.

Cometido 10 meses antes. Em junho de 2007, o Kendrick, então com 15 anos, invadiu o Children's Lighthouse Daycare Center, que era uma creche localizada a menos de 1 km da casa dele.

?Voz A

Então o caso de 2007 foi cometido por ele? Cara, que plot twist, né?

MMari

Então sim, nesse episódio o Kendrick tava usando uma máscara de esqui luvas, tava armado com uma faca e impediu uma funcionária de 62 anos de fechar a porta. E quando ele já tava lá dentro do estabelecimento com ela, ele ordenou que ela se deitasse no chão, exigiu dinheiro e estuprou ela. Uma colega de trabalho chegou ao local nessa hora, encontrou a porta trancada, e ao olhar pela janela lateral viu esse cara vestido de preto com uma máscara.

Ela correu até uma casa próxima e chamou a polícia. A vítima foi examinada, o DNA do agressor foi coletado na época e inserido ali no sistema nacional, mas na época não conseguiram identificar o Kendrick. Só que com a prisão dele pelo caso da biblioteca, o DNA sem identificação ganhou finalmente um rosto e ele foi indiciado pelos dois crimes.

?Voz A

Caramba, então ele precisou fazer mais uma vítima para ser punido.

MMari

É, a gente pode dizer que sim. A Quina, ela ficou internada entre hospital e centros de reabilitação por 7 meses, né? Ela não podia andar, falar, enxergar, nem se alimentar por conta própria. A comunicação também era muito restrita. Ela abria os olhos, sorria e fechava os punhos como uma forma de se expressar, né? Então assim, eu acredito que aquelas primeiras perguntas que ela fez assim que chegou no hospital Não tenham sido verbalmente, né?

Talvez ela tenha conseguido escrever em algum momento. Ela precisava então de cuidados 24 horas por dia e frequentava fisioterapia, terapia ocupacional, psicólogo, enfim, e alguns tratamentos experimentais. Até que finalmente, em dezembro de 2008, ela recebeu uma alta hospitalar. Porém, Infelizmente não dá para retornar a vida que ela tinha antes, era uma alta entre aspas, mas ela retornaria para uma vida diferente, limitada. Bom, com relação ao julgamento do Kendrick, o psicólogo Bernie Wilkinson foi ouvido e relatou que ele vivia com medo constante do padrasto, no caso Kendrick, e disse que ele aplicava punições no Kendrick.

Abusivas severas que incluíam espancamentos que deixavam cicatrizes no corpo dele. E numa memória específica relatada no tribunal, Kendrick disse que o padrasto destruiu todos os presentes de Natal na frente dele quando ele era criança, como uma punição pelo boletim escolar ruim. Em algum momento, Kendrick chegou a ser retirado também da casa dele, digamos, por uma Um departamento de criança e família que eles chamam de DCF. E ele também relatou ter sofrido 2 episódios de abuso sexual cometidos por pessoas que ele conhecia, pessoas próximas, um homem e uma mulher, mas ele não deu nomes.

Além disso, a mãe dele não fazia quase nada para conter as punições que eram impostas pelo companheiro dela, segundo o Kendrick, né?

?Voz A

É uma coisa que a gente observa muito, e até já falamos sobre isso em outros episódios, é sobre os abusos e violência dos criminosos durante a infância. Isso obviamente não justifica nada no crime, mas sim é algo muito comum.

MMari

É, com certeza, porque violência sempre tem o potencial para gerar mais violência, né? Tipo uma bola de neve. No caso da biblioteca, o Kendrick foi condenado pelo sequestro com intenção de cometer crime, 2 crimes de agressão sexual, enfim, várias capitulações. E no final ele recebeu 65 anos em cada condenação. Por sequestro, né, e agressão, e 15 anos por uma agressão agravada, né, como se fosse uma agravante. O juiz, que se chamava Chad A.

Thorpe, teria dado prisão perpétua, mas o Tribunal Superior tinha meio que considerado isso inconstitucional porque ele era menor. Então meio que era proibido prisão perpétua para menores julgados por crimes que não envolvessem homicídio de fato. E o tribunal estipulava que esses condenados aí deveriam ter Uma oportunidade significativa de liberdade. Esse juiz não gostou disso, né, obviamente, e ele disse o seguinte: se algum caso já pediu aos gritos por uma prisão perpétua, é esse.

E no caso da creche, ele foi condenado por invasão armada com agressão, tentativa de roubo com arma enquanto usava máscara, agressão sexual. Recebeu 65 anos pela invasão, 30 pela tentativa de roubo e 15 pela agressão sexual. E o tribunal descreveu esses crimes como especialmente hediondos, atrozes, brutais e cruéis. No dia 24 de abril de 2012, exatamente 4 anos depois do ataque, a família da Quina entrou com uma ação, ajuizou uma ação contra a mãe e avó do Kendrick, e alegaram supervisão negligente.

Basicamente era uma ação que a família da Quina alegava porque ele teve um histórico, né, de prisões como menor de idade, comportamento violento. E eles alegaram que os responsáveis pelo Kendrick permitiram que ele violasse inclusive toques de recolher e outras restrições impostas pela polícia na época. Em abril de 2013, 5 anos depois do crime, a família tomou a decisão de revelar publicamente a Queenah, né, assim, fotos dela.

A família tinha mantido o rosto, o nome em segredo durante todos esses anos. Porque queria proteger a Quina. A irmã dela, Ana, disse o seguinte numa entrevista: nos colocamos no lugar dela e pensamos que a protegeríamos das pessoas saberem o que aconteceu.

?Voz A

Após 5 anos com as orações, o encorajamento e as doações da comunidade, achamos que era hora de deixar o mundo saber que ela não é mais uma vítima. Mesmo com uma lesão cerebral, ela é completamente cognitiva. Demonstra muitas emoções em seu rosto e dá sinais com os braços e as pernas.

MMari

Muitos dos tratamentos da Quina não eram cobertos por um programa do governo chamado Medicaid e foram custeados pela generosidade da comunidade. E nesse período, a Quina passou por um tratamento experimental chamado neuropatia multimodal, e o médico que conduziu esse tipo de tratamento Explicou que certas áreas do cérebro da Queen não recebiam mais mensagens de outras partes responsáveis por coordenar as atividades. O tratamento usava um capacete especial, né, que ela usava esse capacete, entregava energia para o cérebro dela por sensores estimulando ondas cerebrais, e aí outros sensores liam as ondas que ela emitia.

O cérebro da Queen controlava imagens, por exemplo, no monitor. Então toda vez que ela fazia uma conexão saudável era recompensada com imagens e música, tipo um cubo sólido com uma música correspondente. E o doutor que conduziu isso, ele afirmava que a expectativa era razoável de que ela pudesse voltar a andar de forma relativamente normal, mas ele dizia que é difícil prever até que ponto o cérebro poderia ser reparado. Em junho de 2014, durante uma corrida beneficente, a irmã da Ana trouxe uma atualização sobre o estado de saúde da Quina. E disse o seguinte: ela consegue enxergar muito melhor agora e já usa óculos.

?Voz A

Ela também conseguiu ficar em pé por períodos prolongados com assistência, e temos esperanças de que ela possa começar a dar alguns passos em breve.

MMari

O que se sabe é que essa melhora na visão foi um marco muito grande. Os médicos inicialmente não tinham certeza se ela voltaria a enxergar alguma coisa, já que a cegueira foi resultado direto dos derrames cerebrais. Causados ali pelo estrangulamento. Bom, em 2015, o Kendrick recorreu dessa sentença de 65 anos, argumentando que ela violava a 8ª Emenda da Constituição, que proíbe punições cruéis e incomuns. O argumento era que 65 anos sem possibilidade de liberdade condicional equivalia na prática a uma prisão perpétua, e isso o Tribunal Superior dos Estados Unidos já tinha declarado inconstitucional para infratores juvenis.

O tribunal aceitou esse pedido, né, e ordenou ali um novo julgamento, uma revisão, né, digamos. E uma nova audiência foi marcada para o dia 9 de março de 2017. E no mês anterior à audiência, a família da Queen organizou uma vigília pública de oração para receber o apoio das pessoas e clamar por um resultado justo. Na audiência, os advogados do Kendrick argumentaram que a raiva que ele tinha de anos era de abuso sofrido nas mãos do padrasto.

Aquele psicólogo, Bernie, que tinha examinado Kendrick no primeiro julgamento, afirmou que as surras e espancamentos do padrasto realmente deixaram cicatrizes nele. No dia 13 de fevereiro de 2017, o padrasto Steve White divulgou uma declaração no Twitter negando todas as alegações apresentadas pelo Kendrick.

?Voz A

Ele falou o seguinte no Twitter: eu me sinto compelido a responder a de recentes alegações reportadas no Tampa Bay Times que foram feitas em um artigo na NCN no ano passado sobre acusações relacionadas a mim. Inequivocamente, nego todas as acusações de abuso infantil totalmente falsas reportadas no artigo. O título do artigo é factualmente errado quando ele deslista o Morris como meu enteado. Sua mãe e eu nunca nos casamos. Além disso, nem Morris nem sua mãe vivem comigo desde o ano 2000.

Então, quando Tampa Bay diz que Morris se mudou para casa da minha família além desse ponto, isso é um ato intencional de mídia irresponsável que não leva em conta fatos verdadeiros. Também ocorre de eu ter tido muito pouco contato com ele durante o período do suposto abuso. Há registros públicos que confirmam quem foi investigado, preso e acusado por esse abuso de menores. Nunca fui contratado por advogados de Morris para testemunhar se ele foi espancado.

Tenho quase 15 mil seguidores no Twitter e meu endereço de email é público. Além de não receber uma ligação, também não recebi uma mensagem de texto, tweet ou email deles sobre o Tampa Bay Times. Me parece um grave força tentar me fazer parecer calado, mas ao mesmo tempo manter a verdade escondida do público quando há tanta informação facilmente disponível para qualquer pessoa, até mesmo para aqueles que não são jornalistas.

MMari

A defesa do Kendrick afirmou que os incidentes fizeram ele se sentir impotente e que ele reagiu buscando exercer poder e controlar as vítimas, que ele tinha perdido a indiferença que demonstrava lá no primeiro julgamento e mostrou um reconhecimento dos crimes cometidos. A defesa também disse que ele tinha um registro disciplinar quase limpo na prisão. Ele só tinha 3 violações no início da pena, nenhuma de natureza sexual. Especialistas, inclusive, não sei se isso é verdade, testemunharam que ele tinha QI acima da média, tinha conseguido um diploma de ensino médio na prisão e era um leitor ávido que usava os livros para refletir ali sobre a vida e o comportamento.

Depois da apresentação da defesa, amigos e familiares da Quina falaram sobre as dificuldades contínuas que ela enfrentava há anos e os especialistas que ela consultava regularmente.

?Voz A

A mãe da Quina declarou: cheguei a aceitar nossa situação, mas nunca aceitarei deixar essa pessoa sair livre, jamais. Se minha filha não pode ter uma segunda chance, Ele também não deveria.

MMari

As pessoas que amavam a Quina disseram que ela já tava cumprindo a sentença dela em vida, já que não pode ver, falar, andar, né, comer direito, e ela tá regularmente se consultando com mais de 20 médicos. O juiz daquele primeiro julgamento viu o novo julgamento como uma oportunidade de impor a pena que originalmente considerava justa, que era prisão perpétua. E ele falou o seguinte: esses crimes não são atribuíveis à imaturidade transitória.

?Voz A

Esses crimes foram particularmente atrozes e cruéis.

MMari

O tribunal considerou preocupante o fato do Kendrick ser o único participante nos crimes. O juiz fez uma observação de que ele teve 10 meses para refletir sobre o seu primeiro crime antes de decidir estuprar e agredir a Quina. Ana A irmã da Quina chorou enquanto o juiz sentenciava Kendrick Morris à prisão perpétua.

?Voz A

Ela declarou o seguinte para a imprensa: Meu coração se parte por ele, mas acredito que a sentença foi justa. Nós o perdoamos e temos compaixão por ele, mas isso não significa que achamos que ele deva sair da prisão. Quero dizer que é uma vitória, mas parece errado dizer isso. Tenho que dizer, acho que a justiça foi feita. No final, ambas as vidas foram sentenciadas. Temos que cuidar de Quina para sempre e nada mudou para nós nesse aspecto.

MMari

Bom, o que se sabe é que uma nova revisão da sentença dele tá marcada só para 2031, que não tá muito longe, né? Bom, também em 2017 teve um pequeno momento de emoção, né? A Quina finalmente teve o baile de formatura que ela sempre quis. Há 9 anos atrás, o melhor amigo dela, o Derek Pettis, fez um pedido, como se tivesse pedindo para ela ir ao baile, e foi uma surpresa que ele entregou para ela: um ursinho de pelúcia rosa, como ela gostava, e uma placa dizendo: Quina, o baile seria insuportável sem você.

É, na verdade, essa tradução eu acredito que seja— deveria ser unbearable. Então bear em inglês é urso. Então acho que fez sentido ele dar essa placa e o ursinho, né, que traduzindo perde o sentido. Em abril de 2018, 10 anos após o ataque, a Quina foi celebrada com uma festa de aniversário cheia de presentes de amigos, pessoas que nunca tinham conhecido ela pessoalmente, mas conheciam a história dela. A fisioterapeuta dela, Nicole Garcia, acompanhava ela há 2 anos e comentou sobre o caso.

?Voz A

Quando começamos, o tônus muscular dela era tão alto que mal conseguíamos mover suas pernas, e agora ela acompanha de movimentos com bastante facilidade. Ela realmente percorreu um longo caminho. Ela ri histericamente se o cachorro dela faz algo engraçado.

MMari

Em novembro de 2020, a mãe Ivana publicou o livro dela chamado The Life She Once Knew: The Incredible True Story of Quina, the Bloomingdale Library Attack Survivor. Sim, é um nome gigante. E eu vou deixar para quem quiser o link para esse livro na descrição desse episódio. Nesse livro, a Vanna, ela mistura as duas histórias de sobrevivência: a dela de fuga do Vietnã e a luta da filha para se recuperar do ataque. E no livro ela descreve a filha como uma jovem brilhante, vibrante antes do ataque, e depois como uma mulher que luta cada dia para recuperar a vida dela. Em dezembro de 2025 foi comemorado o 17º aniversário de auto-hospitalar dela.

?Voz A

Depois de 8 meses internada, a sua mãe declarou o seguinte: ao longo do último ano, a saúde geral da Quina permaneceu estável e somos gratos por essa consistência. Ela ocasionalmente tem uma pequena crise epilética pela manhã, mas sua equipe médica acredita que ela está indo bem. Ela participa positivamente das sessões e é receptiva aos exercícios que a clínica oferece. Embora cada ganho seja pequeno, juntos representam avanços importantes em sua jornada.

MMari

E as últimas notícias da Queen é que ela meio que se tornou uma inspiração para as pessoas à volta dela, e a mãe disse que quer continuar compartilhando a história da filha na esperança de que isso encoraje outras pessoas a nunca desistirem. Apesar das suas próprias dificuldades. Bom, operários, esse foi o episódio de hoje. Confesso que é daqueles casos que dão um aperto no coração, porque a Queenah carrega até hoje as consequências, né, de uma noite que deveria ter sido só mais uma.

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E o que revolta é ver que a justiça demorou tanto pra chegar num ponto minimamente proporcional ao tamanho do estrago, né? Ainda mais quando a vítima é tão jovem. Pois é. E lembrando que tem episódios novos todos os dias, 1 e 15 do mês, e episódios exclusivos para você, o operário apoiador, no Spotify, por meio do Apoia.se ou pela Orelo.

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Isso aí! Este podcast foi editado por Vitor Assis.

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