173. Katie e Steven Pladl - Pai, filho, neto e irmão
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O que aconteceu com Steven e Katie deixou todo mundo que os conhecia enojados.
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Hosts: Mari e Rob
Editor: Victor Assis
Aviso: O Fábrica aborda casos reais de crimes, contendo temas sensíveis para algumas pessoas. O conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e é baseado em fontes públicas, respeitando a memória das vítimas e de seus familiares. As eventuais opiniões expressas no podcast são de responsabilidade exclusiva das hosts e não refletem necessariamente o posicionamento de instituições, veículos ou entidades mencionadas. Caso você tenha alguma objeção a alguma informação contida nesse episódio, entre em contato com: contato@fabricadecrimes.com.br
Fontes:
CBS NEWS: "Steven Pladl, Katie Pladl incest case: Details emerge in murder-suicide". Disponível aqui.
ABC NEWS: "Man who fathered child with his daughter among 4 dead in murder-suicide: Police". Disponível aqui.
WRAL: "Lawyer: Knightdale man gave no hint of potential murder-suicide". Disponível aqui.
ABC11 RALEIGH-DURHAM: "Classmate of man who killed wife, infant in incest case recalls unusual behavior". Disponível aqui.
NZ HERALD (via DailyMailTV): "Father abused, married, killed daughter in horror incest case". Disponível aqui.
TRUE CASE FILES: "Timeline: The Case of Katie and Steven Pladl". Disponível aqui.
A&E TRUE CRIME: Cronologia do relacionamento entre Steven e Katie até os assassinatos — "A Timeline of Steven Pladl's Relationship With His Daughter Katie, Which Ended in Multiple Murders". Disponível aqui.
FOX NEWS: Who Is Alyssa Pladl? The True Story Behind Husband, Father, Killer Disponível aqui.
NETFLIX TUDUM: "What Happened to Alyssa, Katie, and Steven Pladl? The True Story Behind Husband, Father, Killer". Disponível aqui.
Mari
Rob
Victor Assis
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- Morte de Crianças e Casos EspecíficosSteven Pladl · Katie Pladl · Alyssa Ivone Garcia · Denise Pladl · Kate Rose Fusco · Bennett Kieran Pladl · Anthony Fusco · Kelly Fusco
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No dia 23 de maio de 2017, a Alyssa leu o diário de uma das filhas mais novas e descobriu que a Kaylee e o Steven estavam esperando um bebê. A Kaylee tava grávida do pai dela. Olá, operários! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Fábrica de Crimes. Eu sou a Mari e eu sou a Robi. E sobre o caso de hoje, eu definiria ele como bizarro, nojento e obviamente criminoso. Vocês já vão entender o porquê, só que antes a gente precisa dar um recado para vocês.
É um recado para todo mundo que tá vivendo esse inverno dentro ou fora do Brasil, ou seja, para os nossos operários nacionais e internacionais.
O mês de julho começou muito animado na Insider, principalmente considerando que estamos no inverno.
É, eu posso dizer que a Insider vem apanhando fábrica desde o verão de 2025. Então a gente já passou por todas as estações com eles e o inverno é bem especial. Essa é a nossa estação do ano favorita e a Insider tem peças que são perfeitas para ela.
E essas roupas são perfeitas porque são quentinhas e ao mesmo tempo belíssimas, confortáveis e muito versáteis. Não à toa que eu e a Robi, a gente elegeu como peça de roupa queridinha o casaco Wingsuit da Insider. Eu tenho na versão branca e ela na versão vermelha.
Nossa, inclusive agora eu também tenho ele na cor ocre, é maravilhoso. E operário, Entra lá no site da Insider e dá uma olhada, que eu tenho certeza que você vai querer atualizar o seu guarda-roupa inteiro. E para fazer isso, claro, você pode contar com o nosso cupom de desconto, o FÁBRICADECRIMES, tudo junto.
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Oi meninas, boa noite! Passando para dizer que eu amo ouvir vocês enquanto eu estou caminhando. E sempre quando vocês vão encerrar o episódio, você fala para favoritar na plataforma que a gente ouve. YouTube e tal, eu ouço vocês pelo Spotify, só que eu não sei aonde que favorita, que dá 5 estrelinhas. Eu só sigo vocês lá. Vocês poderiam me orientar? Beijos. Se quiser publicar, pode publicar.
Muito obrigada pelo áudio. Então, para avaliar o Fábrica, obviamente com nada menos do que 5 estrelinhas, você digita Fábrica de Crimes no Spotify. Do lado do sininho verde você vai ver 2 símbolos. Das configurações e três pontinhos. Nesses três pontinhos você consegue avaliar a gente. Então muito obrigada pela mensagem e um beijo para você. Bom, e no episódio de hoje, Katie e Steven Petal, ou pai, filha, neta e irmã. Steven Walter Peddle nasceu no dia 6 de abril de 75, no estado de Nova York.
Ainda na escola, o Steven chamava atenção por um comportamento considerado estranho pelos colegas, por aqueles que conheciam ele. Porque ele não socializava como os outros alunos, né? E ele costumava usar as mesmas roupas todos os dias para ir à aula. Um homem não identificado nas fontes que frequentava a escola do ensino fundamental até o ensino médio com o Steven contou para a emissora ABC que considerava ele um menino estranho, que ele frequentemente era intimidado pelos outros colegas.
E segundo esse relato, Ele se lembrava claramente de que o Steven usava a mesma camisa de hóquei do time de San José Sharks todos os dias no ensino médio, e que essa era uma das razões pelas quais ele era provocado pelos outros alunos. Apesar deles não serem da mesma classe, os dois dividiam a mesma aula de educação física que reunia alunos de diferentes séries, e o Steven era o tipo de garoto que nunca trocava de roupa para ginástica.
Esse colega dele disse que notou um comportamento incomum no Steven na 7ª série no ensino fundamental, que na verdade hoje a gente fala 7º ano, né? E ele descreveu o Steven como muito quieto, que ficava isolado dos outros, e disse que embora no final dos anos 80 não se falasse muito em bullying, na verdade não se falava muito, sabia que devia ter sido difícil para ele e que olhando em retrospectiva tinha algo diferente no Steven.
Em 1995, Steven, com 20 anos na época, conheceu uma adolescente de 15 anos chamada Alyssa Ivone Garcia por meio de uma sala de bate-papo na internet. E aí os dois começaram trocando mensagens com mais frequência, e o Steven foi conquistando a confiança da Alyssa aos poucos, ao longo de semanas de conversa online.
E só fazendo um comentário, que isso de sala de bate-papo na internet era uma tecnologia super nova naquela época, porque as pessoas ainda estavam descobrindo como usar, né? Mas não era como hoje em dia, que tem mil formas de você se comunicar online.
Pois é, depois desse período de contato virtual, o Steven decidiu ir pessoalmente até Santo Antônio, no Texas, onde a Alyssa morava. E aí ele percorreu tipo quase 3.000 km saindo de Nova York só para encontrar com ela. Aí depois de um tempo entre idas e vindas do Steven, a Alyssa acabou fugindo de casa e se mudou para Nova York para viver com ele. Deixando para trás a vida dela lá no Texas. No ano seguinte, aos 16 anos, a Alyssa ficou grávida.
E no dia 29 de janeiro de 98, aos 17 anos, ela deu à luz a primeira filha do casal, chamada Denise Peddle. De início, a Alyssa, ela queria dar o bebê para adoção. As fontes falam sobre isso, né, que ela queria doar o bebê dela. E que ela tava muito deprimida e que não tinha condições de criar a filha. Só que na verdade muitas fontes também dizem que desde o nascimento da Denise o Steven meio que machucava a filha e tinham suspeitas de que ele realmente chegou a abusar dela, que a Alyssa sabia disso e que por essas razões ela resolveu doar a filha para que a filha tivesse uma vida melhor, para que ela se afastasse dessa vida, né, obviamente das violências que o Steven poderia ainda praticar com a bebê.
A Denise foi adotada então por um casal que morava em Dover, no estado de Nova York, chamado Kelly e Anthony Fusco. O Anthony era um agente penitenciário aposentado da Instituição Correcional Federal de Connecticut. E com a adoção, a Denise, ela mudou de nome e passou a se chamar Kate Rose Fusco. Que é como a gente vai se referir a partir de agora em relação a Elo. Depois de dar a Kaylee para adoção, o Steven e a Alyssa continuaram juntos.
Sim, ela não se separou dele. Eles se casaram formalmente em 2006 e tiveram mais duas filhas nos anos seguintes. A Kaylee cresceu então na casa dos Fusco, e a sua infância e adolescência são descritas como tendo sido comum. Né, um tio da família contou a um dos jornais que ela tinha uma vida super normal como qualquer outra menina da idade dela, que ela adorava comer, amava os animais, tinha um carinho especial por resgatar gatos de rua, e inclusive ela se tornou vegetariana por causa deles.
E ela também demonstrava desde cedo talento para o desenho, então ela era uma menina que desenhava muito bem. Ela estudou no Dover High School e ficou conhecida por desenhar tirinha em quadrinho. No seu portfólio de arte do ensino médio, né, ela retratava as dificuldades enfrentadas pelas mulheres ao longo da história americana. E num post no blog pessoal que ela tinha, ela chegou a escrever que uma vida sem arte não seria vida nenhuma para ela.
Ela se formou então ali no ensino médio em 2016 e ela pretendia cursar publicidade online numa outra faculdade. E apesar de ter uma vida boa com os pais dela, né, os adotivos, em janeiro de 2016, quando ela completou 18 anos, a Kayri ficou curiosa para saber mais informações sobre a família biológica.
É, eu acho que isso pode ser bem comum, né, para pessoas que foram adotadas ter essa curiosidade de saber quem são seus pais biológicos, mas como uma forma de entender da onde que você veio.
E ela usou as redes sociais para saber onde que eles estavam, a Alyssa e o Steven. Nessa época, Alyssa já tinha 37 anos, o Steven tava com 42, e eles se encontraram e começaram a trocar mensagens. Depois de meses de correspondência, decidiram se encontrar pessoalmente, e isso aconteceu em agosto de 2016. A Kayla, o Steven e a Alyssa se encontraram e na ideia na Carolina do Norte. E na época o casal morava com os outros dois filhos, um de 6 e o outro de 11.
Só que a situação deles não era muito fácil, eles estavam no meio de uma separação conturbada. Então eles continuaram mantendo contato até que os planos da Kaylee mudaram. Em vez de se matricular naquela faculdade que ela queria fazer, ela mudou de ideia, ela optou por se mudar ainda em agosto daquele ano lá pra casa do Steven, da Alyssa e das duas irmãs.
Tá, mas como ficaram os pais adotivos no meio dessa decisão? Eu acredito que não tenha sido nada fácil pra eles, apesar da Kate já ser maior de idade quando ela resolveu se mudar.
É, com certeza, eles ficaram muito apreensivos com a decisão, mas entenderam que ela já era adulta, né, ela tinha 18 anos, e que ela era adulta o suficiente pra escolher por si mesma. As coisas que ela queria fazer, e eles apoiaram a filha. E a gente não encontrou nenhuma informação que detalhasse o motivo específico dessa escolha, né, além do entusiasmo que se pensa que ela poderia ter tido ali de reencontrar os pais biológicos.
Quando a Kaylee se mudou para lá, o Steven e a Alyssa já tinham decidido se separar. Eles já estavam no meio de uma situação ruim, querendo separar, dormindo em cama separada. E isso inclusive alguns meses. A Alice alegou que o motivo do término foi que ela sofreu por anos o abuso emocional e verbal por parte do Steven. Um ambiente de tensão constante, com grito frequente, objetos quebrados, enfim, na frente das filhas. Segundo os relatos, com a chegada da Kaylee na casa, a Alice começou a notar algumas mudanças no comportamento do Steven.
Né, então assim, ela notou que ele começou a se arrumar mais, se vestir melhor, né, assim, se cuidar mais. E nas semanas seguintes à mudança da Kaylee, pai e filha foram ficando mais próximos, numa aproximação gradual que se intensificou ao longo do tempo. E esse processo teve um ápice em setembro de 2016, 6 semanas depois da Kaylee chegar na casa. Que foi quando o Steven passou a dormir todas as noites no chão do quarto dela.
E isso obviamente preocupou a Alyssa, mesmo que ela tivesse numa situação de separação. A Alyssa chegou a confrontar o Steven sobre isso, porque que ele tava dormindo no chão no quarto da filha. Enfim, segundo o levantamento cronológico do caso, foi entre setembro e novembro de 2016 que o Steven e a Kaylee começaram um relacionamento sexual.
Ué, mas eles não eram pai e filha?
Pois é. Depois daquela noite, a Alyssa fez uma revelação pra filha, a Kaylee. Ela contou pra Kaylee que quando ela era pequena, o Steven tinha um comportamento muito inadequado com ela. Que ele, inclusive, era violento, machucava, chegou a abusar dela. A Alyssa contou que ele beliscava ela quando ela era pequena, deixava marca roxa pelo corpo. E que para não ouvir o choro, né, da bebê, pasmem, ele chegava a colocar ela dentro de um freezer desligado.
Pelo menos foi o que eu entendi, né? E meio que deixava a tampa entreaberta para não ouvir o choro da própria filha. E algumas fontes falam também que ele fechava a tampa. Enfim, não sei. De qualquer forma, é horrível isso. Quando eu li, eu realmente fiquei em choque. Só que não era só isso. A Lisa também falou para a Kaylee que ao longo de toda a relação, o Steven era violento, temperamental, imprevisível, que ele não conseguia manter um emprego fixo, o humor dele oscilava entre uma simpatia e a fúria muito rápido, e que inclusive chegou a agredir alguns gatos, né, do casal que eles tiveram.
E ela ainda falou que o Steven ameaçava ela dizendo que se ela deixasse ele, iria estourar os miolos dela com uma arma, filmaria o próprio suicídio e faria questão de que o vídeo chegasse até ela. E por conta disso, temendo pela segurança da filha, a Alice decidiu entregar ela para adoção. Então ela explicou por que que ela colocou a filha para adoção aos 8 meses de idade. Só que essa revelação não surtiu o efeito que a Alice esperava.
A Kaylee, ela não pareceu se abalar com essa história. E a Alice resolveu deixar definitivamente a casa em novembro de 2016. Ela saiu de casa, entrou com pedido de divórcio. E passou a dividir a guarda das duas filhas mais novas com Steven. Nessa época, ela já desconfiava de que pudesse ter algo a mais entre o Steven e a Kaylee, mas não tinha plena consciência da extensão daquela relação. Ainda no final de 2016 e início de 2017, a relação do Steven e da Kaylee começou a ficar cada vez mais séria.
No dia 23 de maio de 2017, a Alyssa leu o diário de uma das filhas mais novas e descobriu que a Kaylee e o Steven estavam esperando um bebê. A Kaylee tava grávida do pai dela. No diário, a menina escreveu frases como: Kaylee está grávida, meu pai é um vagabundo. E relatava que o próprio pai dizia que os dois se sentiam como um casal feliz e normal. A criança também relatou no texto que o Steven tinha instruído as duas irmãs mais novas a chamarem a Kaylee de madrasta.
Completamente em choque depois de ler isso, a Alyssa telefona para o Steven e pergunta diretamente se Kaylee realmente estava grávida ou se era apenas uma fantasia da filha deles. Ele confirma a gravidez e disse que os dois estavam aguardando esse bebê, estavam muito apaixonados e planejavam se casar assim que o divórcio fosse finalizado.
Cara, mas isso é incesto!
Bom, depois dessa revelação, né, de incesto, A Alyssa foi à polícia denunciar esse relacionamento. No dia 31 de maio de 2017, os policiais do condado de Henrico entrevistaram as outras duas filhas do casal e confirmaram que a Kaylee e o Steven estavam de fato esperando um bebê. Nesse mesmo período, eles se mudaram, o Steven e a Kaylee, para casa da mãe dele, que ficava ali na Carolina do Norte. No dia 20 de julho 2 meses depois do divórcio ser finalizado com a Alyssa, em meio à investigação policial, o Steven e a Kaylee se casaram no estado de Maryland.
E obviamente isso foi possível porque a Kaylee não tinha o nome do pai, porque ela tinha mudado de nome depois que a família nova adotou ela. Então, em vez de ter Denise, né, Petal, na identidade, o nome dela era Katie Fusco, e portanto ninguém desconfiou que eles eram parentes biológicos. E para o casamento ela usou um vestido preto curto no dia, né? E foram na cerimônia a mãe do Steven e os pais adotivos da Katie, o Tony e a Kelly Fusco.
Segundo um tio da Katie, os pais adotivos não gostaram da situação, obviamente, mas eles acreditavam que Não tinham nada que eles pudessem fazer porque ela já era maior de idade e o que eles podiam fazer é ir no casamento e meio que apoiar a filha. Pelo menos foi o que eles pensaram. Até que no dia 1º de setembro de 2017, a Kaylee deu à luz a um menino chamado Bennett Kieran Peddle.
Tá, deixa eu ver se eu entendi. Em razão do parentesco biológico entre o Steven e a Kaylee, essa criança era ao mesmo tempo Filho do Steven e da Kayte, e também neto do Steven e irmão da Kayte.
Exatamente. Depois do nascimento do bebê, o casal se mudou para uma casa na Carolina do Norte, e os mandados de prisão contra o Steven e a Kayte foram emitidos no dia 29 de novembro de 2017, mas a prisão efetiva dele só aconteceu no ano seguinte, em janeiro de 2018. Inicialmente, os dois ficaram presos sobre sobre fiança de 1 milhão de dólares cada um, até que no dia 31 de janeiro as autoridades solicitaram mandado de busca para coletar amostras de DNA do Steven, da Katie e do Bennett, o bebê.
Eles então foram incriminados, indiciados, digamos assim, por incesto entre adultos e por duas acusações de contribuição para delinquência de menor. Não sei se isso existe aqui no Código Penal brasileiro, mas me parece que era um crime, né, nos Estados Unidos, pelo que as fontes falam. E isso foi referente às duas irmãs mais novas, que foram instruídas a chamar a Kaylee de madrasta. Esse caso foi tão bizarro, né, na época, que ganhou uma repercussão midiática nacional e internacional muito grande.
A partir de fevereiro de 2018, bom, uma advogada de defesa do Steven falou publicamente que o relacionamento tinha sido consensual, os dois eram maiores de idade. Destacou que a Kaylee, apesar de ser filha dele, os dois não se conheceram antes disso. Segundo ele, a Kaylee e o Steven eram estranhos um para o outro, pelo menos por 18 anos, e o Steven não via ela como filha dele. O advogado também contestou a visão da Alyssa de que a Kaylee teria sido manipulada psicologicamente, afirmando que via a relação apenas como dois adultos que escolheram estar juntos.
E que o Steven tava completamente apaixonado pela Katie, a ponto desse sentimento superar pra ele a questão do parentesco biológico. O advogado chegou a falar que era improvável que o caso chegasse no julgamento, que nem mesmo os promotores sabiam bem como agir diante dessa situação que era, na verdade, muito incomum, né? E questionou publicamente como se poderia punir um pai biológico colocando ele na prisão por casar com a própria filha.
Enfim, paz de nenhum absurdo. No dia 28 de fevereiro de 2018, a Kaylee foi liberada sob fiança, só que de $12.000. Não sei como, as fontes não explicam como essa fiança diminuiu tanto, mas se antes ela foi fixada em $1 milhão, agora foi para $12.000. Não sei por quê. E com a condição de morar com os pais adotivos em Nova York e evitar qualquer contato com o Steven, podendo viajar para fora do estado. Em 16 de março, Steven também foi liberado sob outra fiança de algum outro valor.
Enfim, as condições impostas a ele incluíam não ter contato com a Kaylee nem com as duas filhas menores do casal, né, que ele teve com a Alyssa, além de não morar mais na casa que dividia com a Kaylee. A promotora do caso explicou que a avaliação feita antes do julgamento, avaliação, digamos, psicológica, identificou que não tinha risco, indício de risco, ou seja, que o Steven não tinha antecedentes criminais e nada na investigação sugeriria histórico de violência na relação entre pai e filha.
Eu não entendi isso porque, enfim, quando ela era menor, segundo a Lisa, ele tinha de fato ali praticado alguns abusos com a própria filha. Mas enfim, bom, eis que a Kaylee decidiu então depois de tudo isso, de ser presa e liberada, encerrar o relacionamento com o Steven, o pai dela. E mesmo com uma ordem judicial de não entrar em contato com ele mesmo por telefone, ela telefonou para ele para comunicar e deixar muito claro o fim da relação.
No dia 11 de abril de 2018, uma quarta-feira à noite, o Steven pediu à própria mãe a Gracie Petal, que tinha inclusive a guarda do Bennett, o bebê, para levar o filho dele de volta para casa, dizendo que os dois fariam uma chamada de vídeo com aquele naquela mesma noite. Ou seja, ele liga para mãe, fala para trazer o filho para casa dele, que os três iriam ali fazer uma chamada de vídeo. Mas o que aconteceu foi outra coisa, algo extremamente brutal.
O Steven, ele sufocou o filho de apenas 7 meses e escondeu o corpo dele dentro de um armário. Quando se descobriu isso, a investigação começou e o médico legista confirmou depois que a causa da morte foi asfixia por compressão do tórax, ocorrida no mesmo dia, 11 de abril. A polícia publicou numa rede social que a criança não apresentava nenhum ferimento externo, né, digamos assim, perceptível. E na noite desse mesmo dia, para explicar como é que foi essa dinâmica, o Steven dirigiu da Carolina do Norte até o estado de Nova York.
E na manhã seguinte, do dia 12 de abril, ele esperou do lado de fora da casa dos pais adotivos da Katie, esperando o momento em que ela e o pai sairiam juntos de carro. Então ele ficou ali esperando a Katie e o Anthony saírem juntos. As câmeras de segurança registraram uma van azul clara com placas da Carolina do Norte estacionada nas proximidades. E era rotina da Katie viajar às terças-feiras e quintas para visitar a avó adotiva em Connecticut, e o Steven sabia disso.
Então ele seguiu o carro dos dois, da Katie e do Anthony, ao longo do trajeto. E quando a Katie e o pai pararam em um sinal no cruzamento entre duas rodovias, ele parou o veículo do lado do carro e disparou com fuzil semelhante a um AR-15. Atingiu na cabeça, no pescoço, no tronco e nos membros superiores os dois, antes de fugir do local. A Carrie, que tinha 20 anos, e o Anthony Fusco, que tinha 56, morreram na hora. Os corpos dos dois foram encontrados dentro desse veículo, ainda com cinto de segurança afivelado, com o vidro do lado do motorista ainda quebrado.
Uma testemunha que se identificou como bombeira do estado de Nova York relatou ao serviço de emergência que viu um carro se aproximando, contornando o veículo das vítimas. E que atirou muito rápido direto na cabeça do motorista e confirmou que tinham duas pessoas mortas no local. E um outro morador também que ouviu os disparos ligou para as autoridades. Logo depois disso, Steven telefonou para a própria mãe, confessou o crime.
Ele disse que tinha matado a Katie, o Anthony e o Bennett e falou para ela não chamar a polícia. Ele explicou que tinha deixado uma chave escondida embaixo do tapete para facilitar o acesso. E a mãe, né, imediatamente ligou para polícia e falou da situação, que o filho confessou o crime, que matou o neto. E a polícia, por volta das 9 da manhã, encontrou o corpo do bebê Bennett dentro do imóvel do Steven. Enquanto isso, a polícia de Connecticut já apurava o duplo homicídio que tinha acontecido.
As autoridades emitiram um alerta descrevendo a van do Steven. O chefe da polícia inclusive declarou publicamente que o Steven foi para Connecticut com esse propósito específico de tirar a vida deles. E nas buscas pelo carro, né, pela van, eles encontraram o veículo descrito parado no acostamento de uma estrada com motor ainda ligado. Os policiais cercaram a van e dentro dela encontraram o corpo do Steven Perron morto por um ferimento de arma de fogo autoinfligido.
E ao final daquele dia, o episódio deixou 4 mortos: o bebê Bennett, a Katie, o Anthony e o próprio Steven Petlove, de 43 anos, que acabou tirando a própria vida depois de cometer esses crimes. A Katie, o Anthony e o Bennett foram enterrados juntos no cemitério ali em Nova York. O obituário da Katie descrevia ela como uma artista freelancer que criou belas obras de arte ao longo da vida e que tava em processo de construir uma carreira usando esses talentos, destacando também carinho especial por resgatar gatos de rua.
Essa história gerou uma repercussão muito grande, como eu falei, tanto pela natureza incestuosa e chocante do relacionamento quanto pelo fato da polícia ter concedido fiança ao Steven apesar da gravidade das acusações, né, que pesavam sobre ele. O advogado de defesa do Steven, mesmo depois que ele morreu, defendeu publicamente a decisão da fiança, afirmando que se algum juiz, promotor, advogado de defesa envolvido no caso acreditasse que a criança do casal, o bebê Bennett, corria perigo, nenhuma fiança teria sido concedida.
Segundo ele, os profissionais se importaram demais com as crianças. E esse advogado ainda declarou que ninguém poderia ter previsto as ações do Steven, porque em alguns encontros com ele a polícia não viu um indicativo de que ele pudesse voltar a cometer algum tipo de crime. Depois dos assassinatos do Steven e da Kaylee, essa acusação de incesto meio que perdeu a razão de ser, e o Ministério Público pretendia pedir o arquivamento dessas acusações.
E tinham algumas outras coisas marcadas no processo, né? Audiência, enfim, que chegou a ser desmarcada, nunca chegou a acontecer por conta da morte deles. Nos meses seguintes, a Alyssa, ela deu entrevista à Associated Press e a Daily Mail TV na esperança de gerar uma conscientização sobre os impactos do incesto e do abuso, dizendo que tava em luto, triste e revoltada, mas que também queria que algo de bom surgisse disso tudo. Ela disse que sempre soube desde o início que precisava afastar a Kaylee do Steven para dar uma chance de vida para ela, e que ele, o Steven, de certa forma tinha terminado o que ele tinha começado 20 anos antes.
E olhando para toda essa trajetória, a reportagem resumiu que a Alyssa perdeu a filha 3 vezes ao longo da vida: primeiro na adoção, Depois, ao descobrir o relacionamento incestuoso entre a filha e o marido, e por fim com a morte daquele em 2018. E depois dessas entrevistas, ela resolveu se afastar de qualquer tipo de holofote. E esse caso especificamente chamou atenção para um conceito que eu também não conhecia, que é atração sexual genética.
Esse termo aparentemente descreve sentimentos físicos e emocionais intensos que algumas pessoas relatam sentir após o restabelecimento de contato com algum parente biológico próximo do qual foram separadas ainda na infância. Segundo alguns psicólogos que estudam o fenômeno, ele ocorreria porque a separação entre parentes biológicos ainda muito jovens impede a formação do chamado efeito de Westermark. Que seria um mecanismo psicológico que em condições normais faz com que as pessoas criadas juntas desde cedo percam naturalmente qualquer interesse sexual umas pelas outras.
Quando o reencontro só acontece já na vida adulta, esse mecanismo protetor nunca chega a se desenvolver entre elas. Ao que parece, o termo foi popularizado nos Estados Unidos no final dos anos 80 pela Bárbara Gonyo, a fundadora do grupo Truth Seekers In Adoption, que é uma organização de apoio sediada em Chicago voltada a pessoas adotadas e aos parentes biológicos que elas reencontram. Vale destacar também que o conceito ainda é muito controverso no meio científico.
Alguns pesquisadores consideram a hipótese de atração sexual genética uma pseudociência, enquanto outros apontam evidências parciais em estudos genéticos que daria algum respaldo à ideia. Mas enfim, depois comentem. O que vocês acham sobre isso? Se algum operário inclusive tem conhecimento disso, porque eu realmente nessa área, eu e a Rob, a gente é leiga. Bom, em 2024, a emissora Lifetime adaptou a história para um filme intitulado Husband, Father, Killer: The Alicia Petal Story, que seria Marido, Pai e Assassino: A História de Alicia Petal.
E isso foi parte de uma série de produções baseadas em casos reais, né? E esse filme também ficou disponível na Netflix para quem quiser assistir. Não sei se ele ainda está na Netflix Brasil, mas se alguém encontrar, pode comentar lá no post do Instagram. Bom, operários, esse foi o episódio de hoje. É um episódio, uma história muito sinistra e nojenta e criminosa. Ela inclusive foi parar na Netflix, como eu disse. Também tem na Apple TV, mas eu não sei se tá disponível aqui no Brasil.
Se alguém encontrar, realmente a gente precisa saber. Comenta, por favor, lá no post do Instagram.
É, se alguém conseguir encontrar o filme disponível, avisa pra gente aqui. E lembrando que tem episódios novos todos os dias, 1º e 15º do mês, e episódios exclusivos pra você, operário apoiador, no Spotify por meio do Apoia.se ou pela Orelo.
Isso aí! Este podcast foi editado por Vitor Assis.