169. Rosa Peral - Vítima ou Cúmplice?
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>> O crime cometido por uma policial de Barcelona chamou a atenção dos noticiários espanhóis.
Rosa Peral estampou os jornais em 2017, mas ela não estava sozinha. Ela integrava um triângulo amoroso em que uma das pontas virou vítima.
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Hosts: Mari e Rob
Editor: Victor Assis
Aviso: O Fábrica aborda casos reais de crimes, contendo temas sensíveis para algumas pessoas. O conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e é baseado em fontes públicas, respeitando a memória das vítimas e de seus familiares. As eventuais opiniões expressas no podcast são de responsabilidade exclusiva das hosts e não refletem necessariamente o posicionamento de instituições, veículos ou entidades mencionadas. Caso você tenha alguma objeção a alguma informação contida nesse episódio, entre em contato com: contato@fabricadecrimes.com.br
Fontes:
Netflix. O Caso Rosa Peral (documentário). Disponível em: https://www.netflix.com
NETFLIX. Corpo em Chamas (série baseada em fatos reais). Disponível aqui.
EL MUNDO. Crimen de la Guardia Urbana: investigación y detalles del caso. Disponível aqui.
YOUTUBE. Corpo em Chamas real: O passado de Rosa Peral, López e Pedro Rodríguez. Disponível aqui.
YOUTUBE. Caso de assassinato: Um triângulo amoroso mortal na polícia local de Barcelona | Espanha | EL PAÍS Inglês. Disponível aqui.
DIA A DIA NOTÍCIA. Caso Rosa Peral: Saiba o que aconteceu com a criminosa de "Corpo em Chamas". Disponível aqui.
EL ESPAÑOL. Rosa Peral: la policía que inspiró la serie de Netflix “El cuerpo en llamas”. Disponível aqui.
EL ESPAÑOL. Javier Guerrero, ex de Rosa Peral, y Rubén Carbó en “El cuerpo en llamas”. Disponível aqui.
EL ESPAÑOL. Javier Guerrero: exmarido de Rosa Peral sigue siendo policía. Disponível aqui.
EL CONFIDENCIAL. Rosa Peral: seis cárceles y tres causas penales en su trayectoria judicial. Disponível aqui.
CRÓNICA GLOBAL. Las fotos eróticas que la guardia urbana Rosa envió a su vecino dos días después del crimen. Disponível aqui.
EL ESPAÑOL. El lío amoroso del crimen de la Guardia Urbana: quiénes son Rosa Peral, Pedro y Albert López. Disponível aqui.
LA NACIÓN. Mujer policía condenada: la batalla legal por un crimen mediático que sorprende en Netflix. Disponível aqui.
AVENTURAS NA HISTÓRIA. Corpo em Chamas: ficção e realidade se misturam em série sobre crime chocante. Disponível aqui.
- Manipulação da cena do crimeTensão entre Rosa, Pedro e Albert · Manipulação de Rosa entre Albert e Pedro · Assassinato de Pedro Rodrigues · Albert Lopes · Pedro Rodrigues
- Escândalo Irã-ContraEnvolvimento extraconjugal com superior · Pornô de vingança e humilhação · Silêncio corporativo e absolvição de Oscar
- Investigacao Forense e ProvasÁudio de Rosa combinando viagem com 'super tonto' · Compra de celular por Albert para não ser rastreado · Versão de Rosa sobre a invasão de Albert · Depoimento da Antônia sobre a filha mais velha · Plano de plantar pista falsa · Esconder e queimar o corpo de Pedro · Comparecimento em almoço comemorativo · Condenação de Rosa Peral e Albert Lopes
- Relacionamento e afastamentoConhecimento por paixão em comum (motos) · Deixou esposa e filho para ficar com Rosa · Figura paterna para as filhas de Rosa
- Início da carreira policialConcurso e ingresso na Guardia Urbana · Profissionalismo e reconhecimento · Rumores de ambição e métodos antiéticos
- Traição de pessoas próximasParceria de patrulha e temperamento explosivo de Albert · Histórico de violência de Albert · Caso extraconjugal e separação de Albert
- História de RosalvaFamília e infância · Busca por estímulo externo · Trabalho como garçonete
- Relacionamento com Ruben CarbóInício do relacionamento e vida em família · Casamento e filhos · Convivência tóxica e busca por refúgio
- A vida de Priscila e ÁquilaComportamento conflituoso na prisão · Tentativa de impedir estreia de série e documentário · Ruben tentando reconstruir a vida com as filhas · Rosa Peral
A corda estava para arrebentar e o Albert já tinha dado sinais claros de que, se ele não pudesse ter a rosa, o Pedro precisava ser removido do caminho. E aí o palco estava montado, né? A tensão entre ela, Pedro e o Albert tinha chegado no limite.
Olá, operários! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Fábrica de Crimes. Eu sou a Mari. E eu sou a Rob. O caso Rosa Peral, classificado pelas notícias como um dos mais notórios da Espanha, vai te deixar impactado.
É, ele é um dos mais notórios por um motivo, né? A gente sempre costuma falar um pouco mais, dar algumas pistas nesse início, mas eu acho que eu vou não falar nada nesse momento e aguardar a opinião de vocês no final. Pois é, mas antes a gente precisa agradecer a nossa operária do Paraná, Daf, que mandou esse áudio super fofo pra gente. Oi Mari, oi Rob, tudo bem?
Eu sempre quis dizer isso, meu Deus. Enfim, meninas. Eu sou a Daphne. Eu sou de Ponta Grossa, no Paraná. E eu tô passando aqui pra agradecer vocês por esse podcast incrível que vocês têm.
Agradecer por cada conteúdo já postado. E agradecer por vocês fazerem companhia pra mim em vários momentos da minha vida. Desde eu estar editando foto até marmitinhas. Então pensem, vocês fazem uma companhia nos piores e melhores momentos.
Queria dizer que vocês são incríveis. O jeito que vocês contam as histórias é maravilhoso. E eu amo, amo demais quando vocês terminam o podcast e colocam os erros de gravação. Sério, acho muito fofinho.
Enfim, gente, um grande beijo pra vocês e todo o sucesso do mundo. Daf, muito obrigada pelo seu áudio. Eu amei saber que você costuma fazer várias coisas escutando a gente. Um beijo pra você. E que também gosta dos erros de gravação, porque a gente sabe que nem todo mundo gosta. Mas aí você que não gosta, não precisa ouvir, dá um stop no final e pula essa parte, tá tudo bem. E no episódio de hoje, Rosa Peral, ou vítima ou cúmplice.
Dizem que a melhor forma de entender o presente é olhar para o passado, porque as marcas deixadas por ele revelam muito sobre os caminhos que foram construídos e trouxeram a gente até aqui. Então, vamos falar de quem é Rosa Peral.
A Rosa Maria Peral Vinuela nasceu no dia 24 de outubro de 83 na cidade de Badalona, na Espanha. Ela cresceu numa família comum, cristã de classe média, sendo ela a irmã mais velha de dois irmãos mais novos, um menino e uma menina.
E é importante falar que não existem muitos detalhes na mídia sobre os irmãos dela. Eles não tiveram uma ligação com o caso e conseguiram manter assim a sua privacidade. O que se sabe, por meio de algumas fontes, é que nessa parte da vida, a Rosa era reconhecida pelos irmãos como sendo uma irmã do tipo carinhosa e protetora. O pai dela, Francisco Peral, trabalhava como mecânico e a sua mãe, Mercedes Vinuela, se dedicava aos cuidados e trabalhos do lar.
Mas como a gente sabe, muitas infâncias não ficam isentas de problemas. Apesar de vir de uma família reconhecida como sendo uma família bem estruturada e sólida, existem relatos que narram que nessa época rosa, ela estaria passando ali por problemas emocionais por conta de uma carência, uma falta ali, ausência dos pais.
E essa sensação de vazio teria surgido em parte pela ausência do pai Francisco por conta das longas jornadas de trabalho e uma possível falta também de atenção materna, já que a Mercedes, a mãe, ela precisava administrar a casa sozinha e criar três crianças, né?
E essas pequenas rachaduras na base emocional da Rosa podem ali ter influenciado o emocional dela ao longo dos anos. A Rosa cursou o fundamental no colégio La Salle. Conforme ela foi deixando essa infância para trás e entrando na adolescência, aquela fase onde os traços da personalidade se tornam mais nítidos, né? E para alguns, muito mais intensos, afinal, tudo é muito...
exagerado para o adolescente, veio também a mudança de escola. E foi no Instituto La Mercée, também em Badalona, que ela concluiu o ensino médio. Relatos dessa fase dizem que a Rosa passou por mudanças grandes de comportamento. Aquela carência emocional que a gente citou anteriormente, parece ter se transformado numa busca incessante por mais estímulo externo.
E muitas pessoas descreveram ela como sendo, então, uma jovem, meio rebelde, totalmente impulsiva e com uma inclinação muito forte nessa busca de emoção o tempo todo.
Mais de uma fonte de notícia destaca na mídia que antes mesmo dela concluir os estudos, a Rosa, meio novinha, adolescente, já trabalhava como garçonete numa discoteca matinê, né, em Barcelona. Lembrando que ela nasceu em Badalona, que fica 15 minutos de Barcelona. Os lugares são muito parecidos, os nomes, mas, no caso, ela agora trabalhava nessa discoteca como garçonete em Barcelona.
Bom, as matérias que ganharam aí a mídia, na época do caso, descreveram a Rosa como alguém que não passava definitivamente despercebida. Ela parecia que se alimentava das atenções, ela gostava de estar ali no centro das atenções, sendo notada, apreciada, admirada.
Principalmente no trabalho dela como garçonete. E aí, desde cedo, ela demonstrou esse magnetismo dela. Ela era muito carismática e isso vai se tornar uma marca registrada na vida dela. A mídia espanhola, inclusive, fomentou, na época desse caso, um imaginário que colocava a figura dela como a grande atração.
desse local que ela trabalhava, os visitantes eram cativados não apenas pela personalidade dela, mas com essa habilidade dela quase hipnótica de atrair olhares, enfim. E durante a sua formação, a Rosa concluiu os estudos em Direito. Mas assim que ela pegou o diploma, ela não hesitou muito e mergulhou de cabeça no concurso da polícia. Em 2006, ela consolidou a carreira dela.
Então, ao passar para esse ramo da segurança pública, num processo de seleção para entrar para a Guardia Urbana de Barcelona, que é a Força de Polícia Municipal. Dentro dessa guarda urbana, a Rosa não passou despercebida tão bem.
Durante a carreira dela, ela se destacou pelo profissionalismo, pela atuação, compromisso, dedicação ao trabalho. E ela também chegou a receber diversos reconhecimentos por bons resultados, recebeu medalha, né? E esse bom desempenho não foi assim em vão. Porque foi com ele que ela subiu rápido, digamos assim, na hierarquia da corporação.
Em pouco tempo, ela se tornou uma agente, respeitada e admirada ali pelos companheiros e superiores. Só que essa ascensão mais rápida não veio, assim, isenta de crítica. Ainda mais naquele tempo, assim, que ela era mulher no setor dominado por homens, então alguns viam ela como uma profissional brilhante e outros criticavam. E aí não faltaram rumores sobre a ambição desmedida dela.
Esses rumores chegaram ao ponto de acusar ela de utilizar métodos pouco éticos para alcançar os objetivos. E aí, falando a grosso modo, as fofocas nos corredores sugeriam que ela estaria se vendendo, entre aspas, para subir na carreira. É, mas a entrada na guarda urbana não foi exatamente o começo do declínio da vida dela, mas sim o ponto onde a vida pessoal, que já parecia...
ok estabelecida e começou a colidir com alguns problemas. Para entender melhor essa virada, como que ela se tornou uma figura polêmica, a gente volta um pouquinho no tempo, precisamente no final dos anos 90, onde tudo começou no momento que ela conheceu um cara chamado Ruben Carbó, na discoteca Matiné, onde ela trabalhava.
O encontro aconteceu nessa discoteca e lá era também onde o Rubem trabalhava como DJ. O nome em espanhol é Rubem, mas eu vou falar Rubem, que eu acho que fica melhor e eu não vou me distrair tão fácil.
Na época, Rosa tinha apenas 15 anos, ela era nova, menor de idade, ainda frequentava o colégio, não tinha, digamos, autonomia para ir e vir assim tão livremente. Quando ela começou o relacionamento com o Rubem, que era 3 anos mais velho na época, ele passou a ser quem buscava ela e levava para os compromissos, passeios de fim de semana.
E apesar desse relacionamento de longa data ter durado quase 20 anos, algumas inconsistências, problemas no comportamento dela já chamavam atenção desde o início. Embora ela se apresentasse oficialmente como namorada do Rubem, algumas pessoas indicam que ela já mantinha outros relacionamentos em paralelo, extraconjugais naquela época.
Em 2010, nasceu a primeira filha do casal. Dois anos depois, em 2012, nasceu a segunda. E em 2013, depois de anos de convivência, a Rosa e o Rubem finalmente decidiram se casar oficialmente, né?
E uma curiosidade é que antes das filhas nascerem, o Rubem e a Rosa tinham tomado uma decisão. Ele também ingressou como oficial na polícia da Cataluña e ela, como eu disse, entrou para a guarda urbana de Barcelona. A vida parecia seguir ali o roteiro tradicional de estabilidade. Eles moravam numa casa em Vila Nova, a 44 minutos de Barcelona.
E o que parecia o retrato da felicidade por dentro era um cenário de sufocamento. E existe um documentário desse caso da Netflix chamado O Caso Rosa Peral. Nesse documentário, ele relata que a Rosa fala sobre a convivência dela e do Rubem, que se tornou tóxica e infeliz. E, segundo ela...
Ela sentia que a identidade dela estava apagada pelas expectativas que ele colocava nela. Ela descrevia que ela se sentia sozinha e isso acabou fazendo com que ela buscasse um refúgio fora de casa. E o que começou ali como uma busca, né? Por conta de uma carência, enfim, logo se tornou um bando de problema na vida dela.
Bom, e aí? Essa busca por preencher o vazio emocional acabou abrindo as portas para o primeiro grande escândalo da vida da Rosa.
E o responsável que abalaria a vida dela era o seu subinspetor e chefe direto da guarda, Oscar. Aqui a gente não sabe se é Oscar ou Oscar. Eu vou falar Oscar, também não encontrei um sobrenome. O fato é que o envolvimento entre a Rosa e o Oscar foi iniciado lá para 2008, por aí.
cruzou rapidamente a linha profissional. E o que antes tinha começado como um refúgio emocional, terminou num escândalo. Bom, ele era superior dela. E no momento, depois que ela resolveu romper esse relacionamento com o Oscar,
Um e-mail da sua própria conta, da conta dela, da Rosa, né? Foi enviado pra todo mundo, veja bem, pra todos os contatos de trabalho e fora dele. E era o e-mail que tinha uma mensagem escrita em primeira pessoa, como se ela fosse, né, a Rosa que tava dizendo aquilo. E a mensagem dizia o seguinte. Oi, eu sou a Rosa. Desde que saí da academia de polícia, sinto falta de chupar o c*** dos policiais. Agora estou na corporação. E já fiz isso com o cabo.
e mais alguns oficiais. Eu transo sem camisinha, assim é mais divertido pra todo mundo. Me ligue no número e em seguida finaliza com o telefone pessoal da Rosa.
Junto desse e-mail, tinham anexado fotos explícitas de momentos íntimos dela. E assim, o impacto disso foi imediato e muito grande. Ela estava humilhada, ela buscou apoio e justiça na polícia, nos seus superiores, mas ela encontrou um silêncio nesse corporativismo. Em vez de suporte, ela ouviu que deveria retirar a denúncia porque iria arruinar a vida e a carreira do subinspetor, o Oscar.
minimizaram a dor dela tratando o crime como uma bobagem ou como algo simplesmente que acontece. Isso é mostrado dessa forma como eu estou falando, né? No documentário. Ela revela que confrontou o Oscar na época diretamente sobre a autoria do e-mail. Na gravação ao ser questionado, ele admite. Ok, Rosa.
eu enviei aquele e-mail. Ou seja, inesperadamente, ele simplesmente confessa que fez o tal pornô de vingança, porque provavelmente ela terminou um relacionamento com ele, enfim. E o julgamento desse caso, porque isso foi ao tribunal, só foi acontecer anos depois e o Oscar foi absolvido.
Mesmo com o escândalo do Oscar ainda acontecendo, a vida da Rosa continuava nessa vida dupla. Oficialmente, ela e o Rubem continuavam juntos, vivendo meio que em família. E mesmo com o episódio da traição e da circulação do pornô de vingança,
O casal tentou deixar esse episódio pra lá. Depois dessa fé que ela teve com o superior, Oscar, a Rosa foi transferida de local, né, ali dentro do trabalho. E em 2012, ela conheceu um outro cara chamado Albert Lopes.
um novo parceiro de patrulha dela. E a partir dali, ela passou o dia inteiro com ele, né? Tinha que passar o dia inteiro, 12 horas por dia, trabalhando com ele nas rondas. O Albert, ele não era só um colega de farda, ele era um homem de temperamento explosivo e com histórico violento. E aí, para entender quem era Albert Lopes, é preciso olhar para os registros de violência que tinham sido registrados durante o serviço dele.
Ele e a Rosa eram parceiros na unidade de apoio diurno focada na repressão de vendedores ambulantes. O Albert já tinha sido condenado por agredir um vendedor, acumulava outras denúncias no histórico e o episódio que mais marcou a carreira dele aconteceu em agosto de 2014 quando, durante uma abordagem, um vendedor ambulante caiu de um aterro e morreu.
Nessa confusão, a Rosa sofreu alguns ferimentos no pescoço. Apesar da gravidade, o caso foi arquivado na época para alguns. Esse acontecimento, sim, serviu para selar ainda mais a cumplicidade deles dois. Nesse meio tempo, a Rosa e o Rubem decidiram se casar oficialmente, tipo, no papel. Mas o que não era esperado é que a Rosa fosse mergulhar num outro caso extraconjugal novamente no serviço.
A Rosa e o Rubem, eles chegaram a se casar oficialmente, digamos, registrar oficialmente o casamento de anos. E depois de um breve período, eles se separaram. E aí teve um problema com a guarda, né, exclusiva das filhas. Para garantir essa guarda, ela contratou detetives particulares para seguir o ex-marido.
para buscar qualquer informação que pudesse incriminar ele, para ele perder a guarda também. E algumas notícias ainda dizem que ela chegou a registrar uma queixa de maus-tratos falsa contra o Rubem, uma acusação que a justiça descartou porque não tinha provas. E nesse período, o Elo com o Albert também foi, digamos, estremecido. Apesar de eles terem ali um caso extraconjugal, uma amizade colorida por quatro anos quase,
A Rosa sentia que o relacionamento não ia dar em muito lugar. Segundo ela, o Albert tinha expectativa diferente. Ao mesmo tempo que ele demonstrava querer algo sério, ele também dizia que não ia conseguir assumir por completo ela, as filhas, não queria casar e não queria ter filho.
Bom, como as meninas eram um grande amor da vida da Rosa, as filhas, ela decidiu que o Albert não era o homem certo para construir o futuro que ela desejava. E ela, não sei se isso foi uma decisão dele ou que ele soube logo de cara, mas ela decidiu se separar, né? Agora ela estava separada do Albert e do Rubem e estava pronta para um próximo capítulo na vida dela.
Em 2016, ela conheceu um outro cara chamado Pedro Rodrigues. Na época, ele tinha por volta de 35 anos e também era um dos agentes da guarda urbana onde ela trabalhava. Apesar deles trabalharem no mesmo local, eles só foram se encontrar por meio de uma paixão em comum que eles tinham, que era as motos.
A Rosa saía muito para pilotar e foi nesse ambiente de motociclistas que eles se aproximaram. Naquele momento, Pedro estava ainda casado, né? É bom ressaltar. Só que a intensidade do envolvimento com a Rosa foi tanta que ele decidiu deixar a esposa e o filho para ficar com ela.
O Pedro parecia ser a oportunidade excelente para Rosa reconstruir a vida familiar que ela queria. Ele se dava muito bem com as filhas dela e meio que exercia, né? Passou a exercer uma figura paterna, presente e carinhosa, ao contrário do Albert. Só que essa relação com o Pedro, assim como as outras, começou boa e foi azedando.
De acordo com o que foi noticiado, o ex-Albert Lopes não aceitou muito bem essa separação e não aceitou o papel que ele ficou de segundo plano. Embora ele tivesse dito anteriormente que não queria casar ou ter filhos, ele viu o Pedro entrando na vida dela, ocupando a casa dela, convivendo com as filhas dela e despertou nele um comportamento obsessivo e ciumento.
E essa tensão atingiu o ponto ápice quando Albert descobriu que o Pedro já estava vivendo dentro da casa dela, né, assim, todos os dias. E a resposta dele veio através de um e-mail, onde ele escreveu o seguinte.
Você é uma p***. Você não faz ideia do que tá me fazendo passar. Eu te odeio com todas as minhas forças. Eu te amava, eu ia largar tudo pra ir morar com você e as meninas. E agora eu chorei pela maior traição da minha vida. Por favor, nunca mais fale comigo. Todo mundo sabe o que você e aquele porco fizeram comigo. Não tenho vergonha de ser corno porque vale mais do que você. Eu tenho nojo de você. Não responda, p***.
A Rosa afirma que nesse tempo aí foram feitas diversas tentativas de terminar o contato com ele, mas ela diz que ele mandava mensagens insistentes e de perseguição. Segundo ele, depois desse episódio, a Rosa, que teria enviado 77 e-mails implorando para voltar com ele, aquilo não era o que ele estava pensando, ou seja, um falava A, o outro falava B. A Rosa justifica que, na verdade, tinha medo.
que ele causasse uma confusão maior e usava essa comunicação com ele como uma estratégia para neutralizar essa fúria do Albert. Uma estratégia até que bem comum. Não muito moral, talvez, mas bem comum. Ainda mais quando você sabe que a resposta da outra pessoa vai ser algo explosivo. É, mesmo após esse conflito, o Albert voltou a tentar contato.
E a Rosa aceitou a retomada, depois de algumas conversas, sob a versão de ser apenas uma amizade, já que era esse o tom usado para se aproximar. E aí tem um episódio que é muito famoso nesse caso, que é um dos momentos dessa reaproximação ocorreu numa tarde, enquanto a Rosa estava com as amigas.
Então ela conta que o Albert insistiu muito para encontrar ela e para manter uma distância segura, ela aceitou o encontro, mas deixou claro que ela estaria acompanhada de algumas amigas. Ela queria criar um ambiente onde ficasse claro para ele que aquilo não era um encontro romântico. Surpreendentemente, o Albert apareceu nesse local, ainda fardado, e simplesmente jogou um anel para ela, dizendo assim, caso queira pensar sobre isso, enfim.
Ele disse que aquilo era apenas um convite para eles voltarem a trabalhar juntos, mas admitiu que não negaria se ela quisesse alguma coisa além. O relato de uma das amigas nesse episódio presente, né, foi meio cinematográfico. Depois que ele jogou o anel e saiu, ela ficou em silêncio, a Rosa ficou em silêncio na mesa, olhando assim para o anel do Pedro e o anel do Albert.
Só que o Pedro, como a gente já falou, não era uma pessoa passiva nessa história. Ele estava chegando também no limite com essas historinhas da Rosa. Ele desconfiava que essa relação entre a Rosa e o Albert nunca tinha sido cortada de fato.
No documentário, nos registros do caso, é detalhado que o Pedro, de fato, chega a descobrir sinais dessa proximidade. E o Pedro, ele estava numa armadilha emocional. Nesse mesmo período, a Rosa, de certa maneira, estava manipulando e equilibrando todos os pratos, os polos ali da vida dela, para manter o controle, tanto do Albert quanto do Pedro. Para o Pedro, ela jurava que o Albert era um louco, obsessivo, ciumento, um ex que perseguia ela, que...
ela sentia medo dele. Já para o Albert, ela alimentava uma narrativa oposta, dizendo que o Pedro era um homem que, enfim, chegou a ser agressivo com ela, que ela precisava se livrar dele a qualquer custo.
No final de abril de 2017, a Rosa já não tinha mais o controle dessa situação, desse triângulo Rosa, Pedro e Albert. A corda estava para arrebentar e o Albert já tinha dado sinais claros de que, se ele não pudesse ter a Rosa, o Pedro precisava ser removido do caminho. E aí o palco estava montado, né? A tensão entre ela, Pedro e o Albert tinha chegado no limite.
No dia 30 de abril de 2017, a Rosa deixou as filhas com o pai, o Rubem, e o Pedro levou ela para jantar e depois os dois deram um passeio pela praia para que ela pudesse espairecer. Enfim, foi um momento ali marcado por fotos e declarações, meio romântico. Eles voltam para casa, só que mal sabia o Pedro que aquele gesto de carinho seria um dos últimos atos da vida dela.
Bom, aqui vocês já devem imaginar o que aconteceu. O que aconteceu foi que a Rosa e o Albert foram acusados de terem assassinado o Pedro em casa.
durante a noite do dia 1º de maio de 2017 e de terem escondido o corpo dele no porta-malas do carro no dia seguinte e terem levado até um reservatório onde eles se desfizeram do corpo incendiando o carro.
Sim, é muita informação. Obviamente, o desaparecimento do Pedro levantou suspeitas, né? E aí eu vou contar como é que essa investigação, julgamento, prisão, mídia, como é que tudo aconteceu.
No dia 19 de abril, dias antes do crime, foi resgatado um áudio na investigação, no celular da Rosa, que mudaria ali a visão dos policiais. Na gravação, a Rosa combina uma viagem com um homem para que eles fizessem aquilo. A Rosa não nomeia o plano, mas chama esse homem de super tonto.
É dito que esse era o apelido que ela usava especificamente para o Albert. A Rosa se defendeu dizendo que aquele era um apelido comum entre colegas e que esse apelido era uma maneira que ela usava para não xingar ou falar palavrões. A polícia descobriu também que o Albert tinha comprado um segundo celular e um chip pré-pago porque ele não queria ser rastreado, não queria deixar vestígio, né?
O comportamento dele, logo depois de comprar esse celular, foi questionado no tribunal, né? Os registros mostraram que ele se deslocou para uma área muito próxima à casa da Rosa, onde ela vivia com Pedro, em Vila Nova. Naquele mesmo dia, depois das perícias, ficou registrado que a Rosa tentou realizar uma ligação para esse número dele. A chamada não foi atendida. O aparelho, então, entrou num estado, assim, de tormência, digamos.
e voltou a ser ativado só no dia 1º de maio, no dia do crime. Entre os dias de 21 e 25 de abril, o volume de interação entre eles foi muito grande. Embora a investigação e a mídia ressaltem que eles, a Rosa e o Albert, tiveram cerca de 50 trocas ali de mensagens, acho que só três, na verdade, ou quatro, tiveram uma duração significativa de 30 minutos.
No dia do crime, a Rosa descreve que o Albert, essa é a versão dela, tá? Não entrou na casa dela e do Pedro de forma convencional, que ele teria chegado pelos fundos, surgindo da escuridão, usando uma máscara, luva, carregando uma mochila, de onde saía um cabo que ela identificou como sendo o de um machado. Além disso, ele ostentava também uma arma na cintura.
Ela afirmou que, embora não tenha sido ameaçada verbalmente naquele primeiro instante, o Albert, naquele estado, causou nela um pavor muito grande. Ele exigiu o celular dela e ela, sem resistir, entregou o aparelho para ele, correu para se esconder no andar de cima com as filhas.
E de lá, ela conseguiu ouvir vários sons violentos vindo do andar de baixo. Depois de um tempo, Albert chamou ela, segundo ela, ordenando que ela descesse até a lavanderia, deixando claro que se ela não obedecesse, ele subiria até o quarto das meninas. Lá embaixo, sob as ordens dele, ela disse que foi forçada a limpar os vestígios do que foi o assassinato do Pedro.
Durante o julgamento, o medo que ela alegou, que sentiu nesse momento, foi um dos pontos mais atacados pela promotoria e pela mídia.
E aí eles questionaram, pô, uma policial treinada, acostumada a lidar com situação de risco, não reagiu ou denunciou o crime, assim, imediatamente? E durante um desabafo dela no tribunal, ela falou, eu realmente posso confiar tudo isso nas mãos de algumas pessoas que em momentos menos delicados não me ajudaram? Ela estava falando, obviamente, do incidente do pornô de vingança, né?
Só que o próprio promotor do caso declarou que não tinha nenhuma prova concreta, direta, que ligasse ela ao assassinato. Porque não tinham impressões digitais, arma do crime nunca foi localizada e o corpo dele foi reduzido a cinzas, né, com fogo. Não forneceu muita informação sobre a causa da morte. Tudo que a justiça tinha em mãos era uma complexa teia de evidências e os depoimentos dos dois.
Um dos depoimentos mais controversos veio da Antônia, a atual esposa do Rubem. Embora as filhas da Rosa tenham sido poupadas de depor para evitar traumas maiores, a Antônia, a mulher do Rubem, trouxe ao júri um relato baseado no que ela afirmou que ouviu da filha mais velha da Rosa no tribunal.
Segundo o relato, a filha mais velha teria visto a Rosa levando o Pedro escada abaixo, descrevendo que ele caminhava de forma estranha como um robô. E esse detalhe se tornou muito importante para a tese de que o Pedro teria sido dopado antes de ser morto e isso explicaria a ausência de sinal de luta dentro da casa deles.
A Rosa negou essa versão, afirmando que as filhas não viram nada e que o depoimento da Antônia era só fruto da inimizade delas. Em dado momento, os dois admitiram que, depois da morte do Pedro, eles estavam em posse não apenas do celular deles, mas de um segundo celular e também do carro dele. E aí o plano era plantar pista falsa desde o início. Eles levaram o veículo E aí
até as proximidades da casa do Rubem, numa tentativa de forjar algum rastro e colocasse ele como suspeito. Depois desse deslocamento, eles retornaram à casa da Rosa e do Pedro, em Vila Nova, e iniciaram ali a segunda fase do plano.
Depois do crime, eles saíram juntos. O Albert seguia num carro, enquanto a Rosa seguia ele dirigindo o veículo do Pedro. E o destino final era o isolado reservatório de Foix. No depoimento, a Rosa descreve esse trecho como um momento de pânico para ela. Ela alega...
que ao chegarem nesse reservatório, nessa represa, ela tentou fugir a pé pela estrada. No desespero, ela teria deixado cair alguns pertences pelo caminho, mas foi alcançada pelo Albert. E, sob ameaça de que ele retornaria para machucar as filhas, ela teria sido obrigada a entrar no carro e voltar para casa com ele. Para a promotoria, no entanto, essa narrativa de coação foi totalmente descartada, sendo tratada só como mais uma peça de teatro dela.
E no dia 3 de maio, logo depois do crime, né, a frieza da dupla choca porque, enquanto o corpo do Pedro ainda estava escondido, né, lá, queimado, carbonizado, o Albert e a Rosa compareceram em um almoço comemorativo com colegas da corporação. Eles não estavam só presentes, como eles também tiraram fotos sorridentes para as redes sociais e para todos que estavam ali, né, que ainda não tinham descoberto o que eles tinham feito.
E nesse encontro, o Albert, inclusive, ele surgiu sem barba, assim, completamente. Só que a perícia depois explicou que essa foi uma tentativa dele remover qualquer vestígio biológico ali, ou simplesmente de mudar a identidade visual dele depois do crime.
Esse carro, o que foi carbonizado, só foi encontrado no dia 4 de maio. O fogo foi tão intenso que o corpo dele no porta-malas tinha sido reduzido a cinzas e ossos. E a identificação do Pedro só foi possível graças a uma prótese que ele tinha nas costas. A mídia e a acusação...
fizeram da imagem da Rosa uma femme fatale, uma mulher manipuladora cujas escolhas de vida e relacionamentos paralelos foram usados para pintar o retrato de uma assassina nata.
No final, mesmo sem arma do crime, sem impressão digital e sem uma causa da morte definida pela medicina legal, o júri foi convencido pela teia de comportamentos suspeitos. O veredito final foi que o plano executado foi feito de forma voluntária e consciente pelos dois. A Rosa Peral foi condenada a 25 anos e o Albert a 20 anos.
A vida da Rosa na prisão tem sido bem midiática quanto o próprio julgamento. Desde o momento que ela foi condenada, a Rosa já passou por várias penitenciárias. Alguns relatos dizem que ela foi transferida cinco vezes. E o motivo é que o comportamento dela não é fácil. Existem relatos de agentes prisionais e outras detentas que sugerem que ela tem uma personalidade de fato muito cativante, magnética, mas conflituosa.
E ela se envolve muito fácil em briga e em novos relacionamentos, mesmo dentro da prisão. Recentemente, ela voltou aos tribunais pelo motivo do lançamento da série Corpo em Chamas e do documentário O Caso Rosa Peral, ambos na Netflix. A Rosa tentou, por meio dos advogados, impedir, pelo que parece, essa estreia.
Mas isso não deu muito certo, a justiça negou os pedidos. Atualmente, o Rubem tenta reconstruir a vida dele, longe dos holofotes, em Barcelona, ao lado da Antônia, companheira dele, e ele tem a guarda das filhas. E faz o possível para proteger elas de todo e qualquer tipo de circo midiático que envolva o nome da mãe.
Atualmente, a Rosa cumpre sua sentença na prisão de Mazda Henrique, em Tarragona. Ela continua sendo uma figura que divide opiniões. Para alguns, ela é uma mestre de manipulação. Para outros, uma mulher condenada por não se ajustar ao que a sociedade esperava dela e, de certa forma, em defesa.
Bom, operários, esse foi o episódio de hoje. E eu vou falar logo, eu não acho que ela era a flor que se enxere. Acho que ela sabia muito bem o que estava fazendo e simplesmente achou que nem se pega, não sei. Na verdade, foi um colocando a culpa no outro. E para alguns, que é a minoria, ela foi vítima. E para outros, que é a grande maioria, ela sim agiu conscientemente junto com o Albert. Pois é, eu também acho.
Comandem se vocês ficaram sabendo dessa história e o que vocês acham. Lembrando que tem episódios novos todos os dias, primeiro e 15 do mês. E episódios exclusivos para você, operário apoiador, no Spotify, por meio do Apoia-se e pela Orelo. Isso aí!
Este podcast foi editado por Vitor Assis.