Episódios de Fábrica de Crimes

168. Ian Brady e Myra Hindley - Os Assassinos do Pântano

01 de maio de 202646min
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>> Ian Brady e Myra Hindley, um casal que transformou obsessão em horror.

Na Inglaterra dos anos 60, os dois cometeram uma série de assassinatos brutais que chocaram o país e ficaram conhecidos como os “Moors Murders”. 

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Editor: ⁠Victor Assis⁠

Aviso: O Fábrica aborda casos reais de crimes, contendo temas sensíveis para algumas pessoas. O conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e é baseado em fontes públicas, respeitando a memória das vítimas e de seus familiares. As eventuais opiniões expressas no podcast são de responsabilidade exclusiva das hosts e não refletem necessariamente o posicionamento de instituições, veículos ou entidades mencionadas. Caso você tenha alguma objeção a alguma informação contida nesse episódio, entre em contato com: contato@fabricadecrimes.com.br 

Fontes:

Manchester Evening News. Ian Brady: Moors Murders Special Feature. Disponível em: https://brady.manchestereveningnews.co.uk

Aventuras na História (UOL). Os assassinos do pântano: a história de Myra Hindley e Ian Brady. Disponível em: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/vitrine/os-assassinos-do-pantano-o-sadico-casal-serial-killers.phtml

The Guardian. Ian Brady and Myra Hindley: how a ‘biblical notion of evil’ came to haunt the British psyche. Disponível em: https://www.theguardian.com/uk-news/2017/may/16/ian-brady-myra-hindley-biblical-notion-of-evil-haunt-british-psyche-moors-murders

BBC News. Ian Brady: Moors Murderer's ashes buried at sea. Disponível em: https://www.bbc.com/news/uk-england-manchester-41855180

Medium (Moors Murders: A True Crime Deep Dive). Tribute to remember the victims of the Moors Murders. Disponível em: https://medium.com/@moorsmurdersinfo/tribute-to-remember-the-victims-of-the-moors-murders-04f481f5c401

Documentário (A True Story). The Moors Murders: Brady & Hindley - Hunting for the Lost Children. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=078v5UbWVGg

Documentário (Deadly True Crime). The Crimes of Ian Brady & Myra Hindley | Inside The Mind of a Serial Killer. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=eLmw_uS6xv0

Assuntos3
  • Ian Brady e Myra HindleyInfância e adolescência de Ian Brady · Infância e adolescência de Myra Hindley · O relacionamento e a obsessão pelo nazismo · O caso Leopold e Loeb · O planejamento dos crimes · As vítimas e os assassinatos · A descoberta e prisão do casal · O julgamento e as confissões · O destino de Ian Brady e Myra Hindley
  • Saddleworth MoorDescrição de charneca · Equivalentes no Brasil · Tradução e popularização do termo 'Moors Murders'
  • O caso Leopold e LoebResumo do caso · Dinâmica entre os envolvidos · Relação com o caso Brady e Hindley
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E terceiro, e por fim, eles montaram um kit de instrumentos para os crimes. Eles compraram revólveres, cordas e chicotes. A lista também incluiu uma máquina fotográfica e um gravador de fita cassete. Eles queriam documentar, colecionar e reviver sempre que quisessem o que eles estavam prestes a fazer.

Olá, operários! Sejam bem-vindos de volta ao Fábrica de Crimes. Eu sou a Rob. E eu sou a Mari. O caso de hoje é um caso que muita gente conhece, mas eu não vejo ser tão falado por aí. Até porque ele é mais antigo, ele aconteceu na década de 60.

envolve duas pessoas que estavam apaixonadas, mas que usaram esse amor, digamos assim, para fazer as coisas mais perversas que vocês podem imaginar. Mas antes de começar o episódio, claro, a gente vai à mensagem da operária de hoje, que é a Liz de Novo Hamburgo.

Oi, gurias, meu nome é Liz, sou aqui do Rio Grande do Sul, Novo Hamburgo. Curto muito o trabalho de vocês, já ouvi todos os episódios, na verdade agora estou repetindo. Sempre gostei muito desses crimes, não dos crimes, né, óbvio, ficou meio estranho, mas gosto das histórias, é uma coisa que me chama atenção.

curto documentários sempre eu leio documentários desde que começaram a surgir e o trabalho de vocês é muito bacana parabéns e obrigado, continuem aí com o trabalho de vocês que tá bem legal, tá bom? beijo

Liz, muito obrigada pela sua mensagem. Definitivamente, Novo Hamburgo está na lista de cidades que a gente tem que visitar, porque tem muito operário daí. Cara, é verdade. Tem muito operário. Impressionante. A gente tem também uns casos que se passaram lá, mas se quiser sugerir mais, é sempre bem-vindo. Porque Novo Hamburgo tem sim um lugar especial no nosso coração. Super obrigada, Liz, pela sua mensagem. Um beijo. Obrigada.

E no episódio de hoje, Ian Brady e Mayra Hindley, ou Os Assassinos do Pântano.

Então vamos lá. No caso de hoje, a gente vai para a Inglaterra, precisamente em Saddleworth Moor, que fica no noroeste da cidade de Manchester. E Saddleworth é frequentemente descrita como sendo uma charneca deserta e inóspita, de vegetação rasteira, pedras e terra úmida, rodeada de pântanos. Bom, eu confesso que esse termo aí, charneca, eu nunca tinha ouvido falar.

Porém, trago para vocês a pesquisa sobre esse termo. E charneca é um bioma europeu, mas nós temos alguns equivalentes aqui no Brasil. Seria uma mistura de vegetação resistente da nossa caatinga com os terrenos alagados e isolados dos brejos. Ou, para dar um exemplo melhor ainda, algo como o Pantanal. Isso. Mas por que a gente está falando sobre biomas em um episódio do Fábrica?

É que dessa vez isso faz diferença. O caso de hoje ficou conhecido mundialmente como Moores Murders. A tradução mais fidedigna seria os assassinos da charneca. Mas, como esse não é um termo que a gente usa muito no nosso dia a dia, o caso acabou sendo traduzido e popularizado por aqui como os assassinos do pântano. E é essa a terminologia que a gente vai usar ao longo do episódio.

Os assassinos do Pântano eram, na verdade, um casal. Um casal de serial killers que viveu na década de 60. Ian Brady e Myra Hindley. E a gente vai entender agora um pouco sobre quem eles eram.

Ian Brady nasceu no dia 2 de janeiro de 1938, na cidade de Glasgow, na Escócia. A mãe dele era Maggie Stewart, e a identidade do pai biológico do Ian sempre foi um mistério. A Maggie jurava que ele era um repórter local que tinha morrido meses antes do Ian nascer, mas ela nunca teve certeza disso.

Quando ela deu a luz ao Ian, a situação que a Maggie se encontrava era de uma mãe solteira aos 28 anos de idade. Ela era garçonete e não tinha a menor condição financeira ou emocional de criar o filho. Sendo assim, ela decidiu entregar o Ian para um casal amigo, John e Mary Sloan, para ser criado como um filho adotivo. E foi o que aconteceu por mais de uma década.

Quando Ian fez 12 anos, a sua mãe biológica Maggie conheceu um trabalhador irlandês chamado Patrick Brady e o romance logo engatou num casamento e junto veio a decisão de se mudarem para a Inglaterra, precisamente para Manchester.

E agora, com uma base estável, a Maggie e o seu novo parceiro decidiram tirar o Ian da família adotiva dele e levar ele junto nessa mudança para a Inglaterra. E foi nesse momento de transição que ele adotou, então, o sobrenome do padrasto.

passando a se chamar definitivamente Ian Brady. E muitos psicólogos criminais apontam que esse momento em que o Ian foi tirado do lar da família que ele conhecia e que eram seus pais adotivos para ir morar com a mãe e com uma outra pessoa que ele nem conhecia direito, um total desconhecido na verdade, para ir ainda para um outro país de uma outra cidade teria sido um gatilho inicial do que ia se agravar mais para frente.

E o impacto dessa instabilidade dele não demorou para aparecer.

Desde muito cedo, o Ian torturava e matava animais, chegando ao cúmulo de incendiar um cachorro vivo, e eu sinceramente não consigo nem comentar isso direito. Mas foi entre os 13 e os 16 anos de idade que o Ian começou a externalizar não somente um comportamento problemático, mas também criminoso, sendo acusado de invasão a domicílio e roubo três vezes.

Não que matar animais não seja crime, inclusive a punição devia ser bem maior do que ela é. Mas aqui a gente está falando da Inglaterra nos anos 50, em que isso definitivamente não era criminalizado. Pois é. E no decorrer da adolescência, o Ian acabou passando um tempo internado em dois centros de detenção juvenil. E enquanto ele estava no reformatório, ele aproveitou o tempo na detenção para aprender contabilidade.

Essa habilidade acabou por ajudar ele a conseguir um emprego formal como balconista e escrituário em 1957.

Só que enquanto ele tentava manter uma fachada de vida normal no trabalho, a mente do Ian se afundava. Ele era um adolescente completamente isolado e ele amava ler. Só que o tipo de leitura que ele gostava era bem específica, digamos assim. Dentre os livros que ele lia estava, por exemplo, a autobiografia de Adolf Hitler, Mein Kampf.

que ele ficou completamente obcecado, ele estava muito, muito fissurado no nazismo, e os livros do Marquês de Sade e do Dostoyevsky. E só fazendo um OBS aqui sobre o Marquês de Sade, a obra dele ficou marcada por explorar os limites da moral, da violência, do desejo humano, muitas vezes de forma provocativa e controversa. Os escritos dele deram origem ao termo sadismo,

que volta e meia aparece aqui nos episódios do Fábrica, e é utilizado para descrever a obtenção de prazer a partir do sofrimento ou da humilhação de outra pessoa. E se de um lado a gente tinha o Ian isolado, com a mente borbulhando de ideias problemáticas, de outro lado a gente tinha a Mayra Himley.

E a Mayra nasceu em 23 de julho de 42, em Manchester. Ela era filha de Nelly e Bob Hindley. O Bob era um ex-paraquedista militar e alcóolotra. Ele agredia fisicamente a esposa e as filhas com frequência.

Mas apesar disso, e de uma forma bem distorcida, ele ensinou a Myra a lutar. Principalmente como meio dela conseguir se defender de qualquer pessoa que intimidasse ela na rua. O ambiente da casa da Myra era tão caótico e insustentável que quando a irmã mais nova da Myra, que se chama Maureen Ridley,

Nasceu em 1946, a Mayra, que na época tinha 4 anos, acabou por ser enviada para morar com a avó materna, a Ellen. E com a avó, a educação dela foi bem irregular. Ela faltava constantemente à escola, porque a avó mantinha ela em casa por qualquer motivo.

Mas mesmo com os obstáculos, a Mayra era uma ótima aluna, com notas muito boas, excelentes, na verdade, e era uma nadadora de grande destaque. Na adolescência, ela era ou parecia ser uma garota normal, e até trabalhava como babysitter para os vizinhos. Mas, aos 15 anos, ela viveu um trauma muito grande. Um dos seus melhores amigos, que se chamava Michael Hingins.

morreu afogado num acidente numa barragem.

E naquele dia específico, a Mayra tinha recusado um convite dele pra ir nadar, o que deixou ela bastante culpada depois, porque na cabeça dela, ela acreditava que, como ela era uma excelente nadadora, ela poderia ter salvo ele. Essa perda mexeu bastante com ela, ela ficou muito abalada, e foi nessa mesma época que ela acabou abandonando os estudos. Ela arranjou um emprego e começou também a descolorir um pouquinho os cabelos.

Aos 17 anos, a Mayra chegou a ser noiva de um rapaz ali da área, mas ela rompeu o compromisso porque a ideia de uma vida de casada muito tradicional não atraía ela. Em 61, com 18 anos, ela estava trabalhando como datilógrafa na empresa Millwards Merchandising, até que um belo dia, ela anota um colega de trabalho. Quatro anos mais velho que ela.

Era o Ian. E a atração dela foi recíproca.

O primeiro encontro do casal foi no cinema para assistir o filme O Julgamento de Nuremberg, lembrando que o Ian era obcecado no Hitler e no nazismo, e ele conseguiu transmitir essa obsessão para Mayra. E o efeito foi tanto que ela acabou descolorindo ainda mais o cabelo, até atingir um louro platinado super artificial, única e exclusivamente para alcançar o padrão da perfeição ariana. E aí

Que era exigido pelo Hitler e agora pelo Ian, né? É, eu vi aqui pelas fotos que inclusive já estão no post desse episódio no nosso Instagram. O arroba podcast Fábrica de Crimes. Que ela era morena, mas depois adotou um visual platinadíssimo, como se disse.

E bem no estilo Marilyn Monroe. E pode não parecer grande coisa, mas quando uma mulher muda o cabelo assim radicalmente, muitas vezes é um elemento ali simbólico pra ruptura de uma fase antiga pra uma nova. Com certeza. E além do cabelo, ela também mudou muito o estilo de como ela se vestia.

Antes, ela era mais contida. Mas depois de conhecer o Ian, ela passou a usar botas de couro de cano alto, saia curta, batom vermelho e abandonou a religião. Claro que tudo isso é um estereótipo. Mas realmente, no caso da Mayra, isso mostrava que ela estava se tornando uma pessoa diferente, digamos assim. Ou quem ela sempre foi, mas só agora estava tendo coragem de mostrar que o Fennel tinha encontrado uma pessoa igual a ela.

Mas vem cá, você disse que ela abandonou a religião. E qual era a religião dela? A Mayra cresceu num lar católico tradicional. Ela frequentava a igreja e tinha um grande medo de cometer algum pecado. Só que o Ian era ateu, ateu convicto. E ele convenceu ela que Deus não existia e que a moralidade era apenas uma grande ilusão criada para controlar as pessoas fracas.

E aí, a partir daquele momento, a única religião da Mayra passou a ser o Ian. E numa passagem do seu diário, a Mayra confessou que a paixão pelo Ian foi fulminante e que ela se desfez da própria identidade para se moldar ao delírio dele, acontecendo aí um fenômeno psicológico bem destrutivo conhecido como folheador. É um termo da psiquiatria que significa literalmente loucura 2.

Ele descreve uma condição rara em que duas pessoas compartilham o mesmo delírio. Geralmente, uma delas desenvolve a crença delirante primeiro, a chamada indutora, e a outra, por convivência próxima e dependência emocional, passa a acreditar na mesma coisa. E hoje o termo mais comum, mais usado nos manuais de diagnóstico, é transtorno delirante induzido. Ah, e um ponto que eu já quero destacar é que...

Em muitos casos, a gente vê mulheres apaixonadas, abandonando tudo de maneira irracional quase, né? Mas a Mayra, ela era uma mulher muito inteligente. E o que vocês vão perceber ao longo do episódio é que o que realmente houve foi uma colisão de duas mentes que eram sádicas. Mas isso também não significa dizer que a Mayra não estivesse loucamente apaixonada e fazendo as coisas que o Ian queria, né? Porque ela tava.

Bom, além do Hitler, o Ian também era fascinado por um caso específico, um caso criminal, chamado Leopold e Loeb. A gente pode até trazer esse caso aqui para o Fábrica, se vocês quiserem. Mas em linhas gerais, em 1924, os estudantes Leopold e Loeb chegou a chegou a chegou a chegou a chegou a chegou a chegou a chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou chegou

planejaram e cometeram o assassinato de um garoto de 14 anos, acreditando que poderiam executar o crime perfeito e escapar impunes. A dinâmica entre os dois chama atenção até hoje. O lobo era visto como o mais dominante e impulsivo, enquanto Leopold demonstrava uma devoção quase obsessiva, o que levanta discussões sobre influência psicológica e delírio compartilhado.

E é visto como um possível exemplo de folia de, como a gente acabou de falar. Pois é, e o Ian queria fazer a mesma coisa. Ele também queria executar um crime perfeito. Mas para isso, ele precisava de uma logística impecável.

E ele se planejou pra isso. Primeiro, como ele não sabia dirigir, a primeira parte do plano caiu sobre a Mayra. Ficou com ela a responsabilidade de tirar a carteira de motorista, alugar carros, e mais tarde os dois ainda comprariam uma van.

A segunda parte era que o casal já fazia piquenique de românticos no final de semana num pântano, o pântano de Saddleworth Moor, e ali, um belo dia, deitados sobre a vegetação rasteira, eles decidiram que ali seria o local exato para futuramente servir de cova.

E terceiro, e por fim, eles montaram um kit de instrumentos para os crimes. Eles compraram revólveres, cordas e chicotes. A lista também incluiu uma máquina fotográfica e um gravador de fita cassete. Eles queriam documentar, colecionar e reviver sempre que quisessem o que eles estavam prestes a fazer.

Operário, pausamos a história para dar um recadinho bem rápido. Você que curte os conteúdos do Fábrica e não consegue ficar sem um episódio de True Crime, a gente tem uma novidade. Agora, além de apoiar o Fábrica e ouvir episódios extras pelo aplicativo da Orelo, você também vai poder apoiar o nosso trabalho pelo Apoia-se. Exatamente. No Apoia-se, você terá três tipos de apoios financeiros.

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E aí, ficou interessado? Todos os detalhes sobre os apoios já estão disponíveis na página do Fábrica lá no Apoia-se, o www.apoia.se.br. E claro, se você quiser continuar apoiando o Fábrica na Orelo, só acessar pelo computador ou celular o site orelo.cc.br. Isso aí!

Tá, pelo que você falou, o Ian queria cometer o crime perfeito. A Mayra tinha tirado carteira, eles tinham uma van e vários aparatos, além de um local para servir de cova. Mas a gente está falando de que tipo de vítima? Infelizmente, o Ian e a Mayra estavam planejando fazer crianças e adolescentes como vítimas. E por ser um tema bem pesado, eu já deixo aqui um alerta de conteúdo bem gráfico a seguir.

Em julho de 63, depois de meses de preparação, o casal fez a primeira vítima. Pauline Reed tinha 16 anos e era aprendiz de padeira.

Ela era uma menina talentosa e tinha acabado de vencer um concurso de culinária de Natal. A Pauline também era uma garota profundamente religiosa e com um sonho de ser freira, mas que ao mesmo tempo adorava escrever poesia, era fã de música e amava dançar. No dia 12 de julho de 63, ela saiu de casa usando um vestido rosa e dourado, sapatos brancos e o colar favorito da mãe dela, para poder ir num baile.

Só que no meio do caminho, a Mayra parou o carro ao lado dela. Ela sorriu e falou com uma voz bem suave que tinha perdido as luvas dela. Aí ela perguntou se a Pauline tinha visto e se ajudaria ela a encontrar.

A Pauline, então, entrou no carro, e esse aqui é o primeiro exemplo de como a Myra atuava, e como que os investigadores chamaram depois de armadilha de mel. Ela basicamente fornecia ali uma falsa sensação de segurança, afinal, quem que ia desconfiar das demais intenções de uma mulher sozinha? A Myra dirigiu até o pântano de Saddleworth, e lá, no meio do nada e no completo escuro, o Ian apareceu numa moto.

E antes que pudesse entender o que estava acontecendo, a Pauline foi atacada pelo Ian. Ela foi violentada, sexualmente, espancada, golpeada na cabeça com uma pá e teve a garganta cortada quase ao ponto da decapitação. Depois disso, o corpo dela foi enterrado ali mesmo, no silêncio do pântano.

Quatro meses depois da primeira morte, o segundo alvo do casal foi o pequeno John Kilbride, de apenas 12 anos.

O John era um garoto bem aventureiro, ele tinha os dentes da frente separados e vivia sorrindo. Ele era o irmão mais velho de uma família grande e todos os dias ele ajudava a avó nas tarefas de casa. Os vizinhos sabiam sempre quando ele estava chegando porque ele vinha caminhando pela rua e assobiando a música, que era o tema da sua série de TV favorita. Ele também adorava jogar futebol e amava cinema.

No dia 23 de novembro de 63, era um sábado, e o John tinha ido ao cinema com três amigos para ver o filme Os Mongóis. Quando a sessão acabou, a noite já estava fria e com bastante neblina, tipo uma cena de terror mesmo.

E aí eles decidiram ir até o mercado aberto de Aston, pra poder fazer ali um dinheiro fácil. Eles normalmente faziam isso, né? Eles iam até lá fazer pequenos trabalhos, tipo, passar recado entre os feirantes, carregar os carrinhos, ou varrer o chão. Por volta das 5h25, o John tava sozinho numa barraca, e foi ali, naquele momento de vulnerabilidade, que a Mayra se aproximou dele.

Ela ofereceu a ele uma carona para casa e usou exatamente a mesma desculpa das luvas perdidas. Infelizmente, o John teve o mesmo destino da Pauline. Ele foi violentado sexualmente, estrangulado até a morte e enterrado no pântano Saddleworth.

E um detalhe bem ruim é que o desaparecimento do John acabou não ganhando muito destaque na mídia da época porque no dia anterior tinha acontecido o assassinato do presidente americano John F. Kennedy. E as primeiras páginas de todos os jornais daquele fim de semana estavam praticamente dominados com essa tragédia.

Inclusive, a gente tem um episódio bem completo sobre esse caso. É o nosso episódio 14, Maldição Kennedy, o assassinato de JFK. E vale a pena conferir para quem tiver curiosidade.

A próxima vítima era Keith Bennett. Ele também tinha 12 anos e era o mais sonhador do seu grupo de amigos. Ele era um menino bastante sensível, meio avoado, assim. Ele gostava de ver os trens passarem, ele gostava de desenhar, explorar os parques.

Principalmente para colecionar folhas, galhos e moedas antigas. Ele tinha um coração tão bonzinho que, uma vez, a tartaruga dele de estimação morreu. E ele chorou compulsivamente e fez um enterro para ela no jardim. No dia 16 de junho de 64, o Keith caminhava tranquilamente pelas ruas de Manchester, a caminho da casa da sua avó. Nesse dia, a Mayra estava dirigindo um carro com o Ian dentro.

das outras vezes ela estava separada dele, até que o Ian viu o Keith e pediu para ela estacionar o carro. Aí ele foi lá e sequestrou ele. Depois do rapto, ele foi levado para o mesmo pântano, igual as outras vítimas, foi violentado sexualmente e estrangulado pelo Ian. Depois disso, o corpo dele também foi enterrado.

A quarta vítima foi Leslie Ann Downey, que tinha apenas 10 anos de idade. Ela era uma menina descrita como sendo vaidosa, cheia de energia. Ela adorava se vestir com roupas bonitas, gostava de brincar na rua e era descrita com muito carinho por todo mundo. No dia 26 de dezembro de 1974, no dia seguinte ao Natal, era um feriado muito tradicional no Reino Unido, conhecido como Boxing Day.

o dia depois do Natal, né? E o clima na cidade ainda era de festa. E a Leslie pediu pra mãe pra ir brincar num parque de diversões que tinha sido montado numa rua perto da casa dela. E aí o Ian e a Mayra, usando daquela mesma tática de aproximação suave, né, sorrindo, conseguiram ganhar a confiança da Leslie e convenceram ela a entrar no carro. Só que dessa vez, o roteiro, digamos assim, habitual do casal mudou.

Eles não dirigiram direto para o pântano. Eles levaram a Leslie para a casa deles. E lembra quando eu disse que eles tinham comprado uma máquina fotográfica e um gravador de fita cassete no início do planejamento dos crimes? Foi com a Leslie, a mais nova de todas as vítimas, que eles decidiram usar esses apetrechos.

A Leslie foi despida, amarrada e forçada a posar para fotos. E para eternizar os atos, eles gravaram tudo em áudio. A polícia mais tarde chegou a encontrar essa fita. E é horrível, são 16 minutos de puro terror.

Na gravação, a gente consegue ouvir a Leslie chorando desesperadamente e implorando pela mãe dela. Enquanto isso, o Ian e a Mayra basicamente gritam com ela de forma muito ríspida e mandam ela calar a boca. E para piorar o cenário, ao fundo, para abafar os gritos, a gente consegue ouvir uma música de Natal tocando no rádio.

Depois de ser submetida a toda essa tortura física e psicológica, a Leslie foi asfixiada até a morte. Depois disso, o seu corpo também foi enterrado no pântano.

E por fim, chegamos à última vítima, o jovem Edward Evans, de 17 anos. O Edward era aprendiz de mecânico e torcedor fervoroso do Manchester United. Ele era descrito como sendo muito simpático e sociável. O Edward estava entrando na idade adulta, ele tinha 17, indo para 18, e ele já ganhava o próprio dinheiro.

E quando ele saía à noite com os amigos, ele vestia a melhor jaqueta dele e os seus sapatos preferidos de camurça. Ele era muito confiante. Inclusive, os pais dele contam que, quando eles estavam muito preocupados com os perigos da noite, o Edward basicamente sorria e dizia não se preocupem, eu sei lidar com qualquer problema. Só que, infelizmente, ele não esperava esbarrar com a pior forma de crueldade humana.

No dia 6 de outubro de 65, o Ian e a Myra seduziram Edward num bar e levaram ele para o apartamento deles. Só que dessa vez...

O casal queria uma plateia. Eles queriam tentar recrutar um novo membro para o sadismo deles. E sabe-se lá porquê o escolhido foi David Smith, que era o cunhado da Mayra. Ele era casado com a irmã mais nova dela, a Maureen.

O David foi atraído para o apartamento, com o pretexto de buscar umas miniaturas ali de garrafas de vinho. E aí quando ele chegou, ele presenciou o exato momento em que o Ian estava dando 14 machadadas no Edward. E isso tudo no meio da sala de estar. E como se os golpes não fossem suficientes, o Ian enforcou o Edward com um fio elétrico para poder garantir que ele tivesse mesmo morto.

O David, claro, ficou em absoluto estado de choque, mas ele foi esperto o suficiente para perceber imediatamente que se ele entrasse em pânico, seria ele a próxima vítima. Por isso, ele fingiu estar calmo, ele até elogiou o crime, ajudou a limpar toda a cena ali, o sangue, e participou de todo aquele teatro. Assim que eles terminaram a limpeza, o David finalmente conseguiu sair do apartamento.

E ele sabia exatamente o que ele tinha que fazer. Ele correu desesperadamente para casa e contou tudo para a esposa. Ele disse tudo o que ele tinha presenciado. Na manhã seguinte, bem cedo, eles dois foram até uma cabine telefônica, ligaram para a polícia e falaram tudo.

A denúncia do David foi o começo do fim para os assassinos do pântano. Quando a polícia invadiu a casa do casal, encontrou o corpo do Edward ainda enrolado ali num plástico, trancado num quarto, e aguardando para ser, muito provavelmente, descartado também no pântano. Só que a casa também guardava muitos outros segredos, outras coisas além do cadáver do Edward.

Ao vasculhar a papelada do Ian, os detetives encontraram bilhetes de um guarda-volumes que ficava na estação central de trens de Manchester. Eles então foram até esse tal guarda-volumes na estação e lá dentro encontraram duas malas que estavam escondidas. Dentro das malas, a polícia encontrou um caderno que tinha todos os detalhes dos planejamentos dos assassinatos e os nomes das vítimas.

Nas malas também tinham fotografias e a fita cassete com o áudio horroroso da Leslie. E com o corpo do Edward na casa e as provas que estavam nas malas, o Ian e a Myra foram finalmente presos. Mas no meio de todo esse circo midiático que foi, uma das pessoas mais afetadas foi o David, o cunhado da Myra, a pessoa que tinha inclusive denunciado tudo.

Ele tinha que ser visto como um herói, né? Mas o Ian e a Myra, num ato ali de vingança de última hora, acabaram falando que o David, na verdade, era cúmplice deles. Então, até ser provado que ele não tinha nenhum envolvimento real, ele foi, assim, massacrado pela opinião pública.

Ele e a esposa, que era a irmã da Mayra, sofreram muitos ataques. Ataques mesmo físicos na rua. Eles foram agredidos por vizinhos e por pessoas que eles não conheciam, até mesmo por familiares das vítimas. Infelizmente, foram assombrados pelo trauma do que viram, pelo ódio de uma sociedade que precisava de um bode expiatório, e isso não é incomum. Um exemplo é o caso da Amanda Knox, que a gente também já contou aqui no Fábrica, no episódio 95, chamado Raposa em Pele de Cordeiro.

Sim, e enquanto o David lidava com a fúria do público, a polícia focava em quem realmente importava, né? O casal que estava na delegacia.

Várias das fotos que os policiais acharam na mala eram do próprio casal em momentos íntimos aparentemente normais, até o momento que eles perceberam o que estava ao fundo das fotos, que era o pântano de Saddleworth. E aí eles ligaram os pontos. O casal tinha feito o pântano de cemitério para os corpos das vítimas.

A força policial inteira, então, foi para os pântanos fazer uma busca muito exaustiva. E um dos designados para essa investigação foi Bob Spice, um jovem policial que tinha apenas três semanas de serviço na época.

Num determinado momento das buscas, os superiores já estavam prestes a cancelar a operação por causa de falta de luz solar e que estava muito frio também. E aí o Bob fala que ele ficou com vontade de ir no banheiro e foi até o topo de uma das colinas do pântano.

E aí lá, mesmo com toda aquela neblina, ele conseguiu ver uma pequena poça de água suja. Só que saindo dessa poça, né, da loma ali, tava uma coisa que à primeira vista parecia ser um galho seco e retorcido. O Bob decidiu tocar naquela coisa e logo sentiu uma textura macia.

Porque não era um galho. Era, na verdade, o braço de um cadáver em decomposição. O resto dos policiais foram até lá e eles acabaram drenando a água. E só aí eles encontraram as roupas e os restos mortais da Leslie. Estava evidente, então, que o pântano tinha mesmo sido o local de desova do casal. Não tinha mais como o Ian e a Myra negarem os horrores do que eles tinham cometido.

Em abril de 1966, o casal foi levado a julgamento. E segundo as notícias, a atmosfera do tribunal, que aconteceu na cidade de Chester, era muito densa. Um dos momentos mais devastadores do processo aconteceu quando o promotor apertou o botão de play no gravador que tinha sido encontrado nas malas.

E aí, todo mundo ali ouviu a voz da Leslie implorando pela mãe. E a reação foi de choque absoluto, né? É dito que até homens, adultos, jornalistas que estavam acostumados com tragédias e policiais experientes acabaram não contendo as lágrimas, porque era realmente muito pesado. O casal acabou admitindo a tortura e o assassinato do John, da Leslie e do Edward.

Mas eles negaram, por algum motivo, o envolvimento com os outros desaparecimentos.

especificamente o do Keith e da Pauline. Mas mesmo assim, as provas contra eles eram tão fortes que o Ian e a Myra foram considerados culpados e receberam a prisão perpétua. Eu li até que o juiz encerrou o caso olhando no fundo dos olhos do Ian e falando uma frase muito emblemática. Ele disse o seguinte O senhor é perverso além de qualquer crença.

E por uma ironia do calendário político, eles dois escaparam da forca por uma questão de meses, porque o Reino Unido tinha abolido a pena de morte no ano anterior. Anos mais tarde, na década de 80, depois de serem muito pressionados, eles finalmente confessaram os homicídios que faltavam, o do Keith e da Pauline.

A polícia chegou a levar a Myra de volta ao pântano de Saddleworth e lá ela apontou algumas áreas que a polícia conseguiu desenterrar alguns restos mortais, no caso, os restos da Pauline. Já o Keith, eles não encontraram. E essa parte é bem triste porque para a mãe do Keith, que se chamava Winnie Johnson, aquilo foi a maior tortura imaginável.

Ela tinha certeza agora da morte do filho, até porque eles admitiram. Até então, ela só tinha ele como desaparecido. Mas os restos dele não tinham sido encontrados.

Ela chegou a enviar centenas de cartas ao longo das décadas para o Ian, implorando para ele contar aonde no pântano o filho estava enterrado e o que se acha que o Ian sabia exatamente onde o corpo estava. Muito provavelmente ele sabia, ele se lembrava. Mas, de uma forma sádica, ele optou por não contar.

Infelizmente, a Winnie morreu em 2012, sem qualquer resposta. Aliás, até hoje, o corpo do Keith ainda está perdido em algum lugar do pântano, porque ele não foi localizado. O que realmente sustentava as ações do casal dos assassinos do pântano era um jogo psicológico de poder. Eles eram muito sádicos, eles queriam controlar as vítimas.

E se tinha alguma dúvida sobre a participação da Mayra nos crimes, essa dúvida acabou se dissipando quando ela ainda estava sendo interrogada na delegacia. Em um momento do interrogatório, a polícia precisava de uma confirmação formal de quem que era a criança chorando na gravação da fita, né? A gente sabe que era a Leslie.

Eles pediram que a Mayra identificasse a voz, até como uma forma de poupar a família, né? Tinham muitas famílias ali que queriam respostas. Mas ela se recusou a confirmar. E como consequência do silêncio dela, a polícia foi forçada a chamar a mãe da Leslie para ouvir a gravação e fazer um reconhecimento da voz da filha. A verdade é que o Ian não escolheu a Mayra por acaso.

Segundo o psicólogo criminal Dr. David Holmes, ele percebeu que ela tinha a resistência necessária. A Mayra não era de se deixar pisar, mas ela também era alguém que estava ali quebrada, digamos assim, e era manipulável. Principalmente depois de ter os seus valores religiosos sendo desconstruídos. Depois de ter chegado num nível de submissão mais satisfatório, o Ian passou a testar ela, na prática dos crimes. Música

Ele chegou uma vez até a mandar ela matar uma ovelha, assim, a queimar roupa, no pântano, pra que ela pudesse provar pra ele que ela conseguia suportar, né, a visão de sangue e de uma criatura morta.

E óbvio, ela fez isso e ela nem pestanejou, ela não sentiu nada, na verdade. E durante o tempo que ela ficou na prisão, a Mayra percebeu muito rapidamente que a única chance dela se libertar numa possível liberdade condicional era convencer as pessoas de que ela era uma mulher mudada. E para isso ela usou uma pessoa, um homem chamado Lord Longford, que era um aristocrata e político britânico muito respeitado.

Acreditem ou não, mas durante 30 anos, ele visitou ela na cadeia.

E durante esse tempo, ela disse que tinha se convertido ao catolicismo. Ela fingiu remorso e fez com que o Lorde Longford arruinasse a própria reputação, tentando conseguir uma liberdade condicional para ela. Só que o próprio governo britânico chegou a falar que nenhum ministro quer ficar para a história como sendo o homem que libertou Myra Hindley.

E quando ela percebeu que nunca seria liberta, ela simplesmente cortou relações com Lorde Longford, revelando que, na verdade, aquilo lá era uma grande encenação, ela não tinha mudado coisa nenhuma. No ano de 2002, a Myra acabou falecendo em razão de uma pneumonia.

E a passagem do Ian pelo sistema prisional também foi bem perturbadora. O Ian foi formalmente diagnosticado como sendo um psicopata, com traços de sadismo severo. E por conta disso, ele foi transferido para o Hospital Psiquiátrico de Segurança Máxima de Ashworth. Lá, ele chegou a escrever e publicar um livro chamado The Gates of Janus.

Em 99, o Ian começou uma greve de fome que durou quase duas décadas. Ele exigia o direito de morrer de fome nos seus próprios termos. Ele era assim, né? Ele queria controlar tudo. E, óbvio, o Estado britânico se recusou a aceitar aquilo. E ele passou os últimos anos da vida dele tendo que ser amarrado e alimentado à força por meio de um tubo.

A morte dele aconteceu no dia 15 de maio de 2017, aos 79 anos. E o sadismo dele era tão grande que no testamento antes de morrer, o Ian exigiu ser cremado e que as suas cinzas fossem espalhadas exatamente no pântano Saddleworth, o mesmo local onde ele fez as vítimas e enterrou tantas crianças.

Claro que o pedido dele causou, assim, uma repulsa no país inteiro. Mas a parte positiva, digamos assim, é que o juiz do Supremo Tribunal declarou que os desejos do Ían, os últimos desejos dele, não iam ser atendidos. Por isso, na noite do dia 25 de outubro de 2017,

Numa operação governamental ultra secreta, sob forte escolta policial, o corpo do Ian foi incinerado. As cinzas foram colocadas dentro de uma urna e no meio da madrugada a urna foi levada para um barco da polícia. Às duas e meia da madrugada, a quilômetros da costa, no escuro e no gele do mar da Irlanda, ele foi atirado ao mar e ele afundou rapidamente nas águas profundas e é lá que ele está até hoje.

Bom, operários, esse foi o caso de hoje. Até hoje, os nomes Ian e Myra causam repulsa nos ingleses. O que esse casal fez foi, muito além de criminoso, foi cruel mesmo. E esse é um daqueles casos que faz a gente pensar até onde vai a maldade humana. Afinal, será que eles nasceram assim ou foram moldados pela vida? Se foram moldados, por que outras pessoas que cresceram nas mesmas condições não eram assim?

Pois é. Fica aí o questionamento e conta pra gente nos comentários o que você acha. Lembrando que todas as fotos já estão no post no Instagram do Fábrica, o arroba podcast Fábrica de Crimes. E que tem episódios novos todos os dias, 1º e 15 de cada mês, e episódios exclusivos para os nossos apoiadores todo fim de mês. Você pode virar apoiador pelo Apoia-se, pelo Orelo, clicando em um dos links aqui na descrição.

Ah, e a gente também recomenda o grupo secreto do Telegram, o Sindicato dos Operários. Então, dá pra fofocar bastante sobre esse e outros crimes. Isso aí.

Cara, Moors não é charneca, mas depende. É charneca, sim. Gente, não, não é. Moors é... Ai, eu amo essa palavra em inglês. Não é, menina? É, tem um outro. É charneca. Menina, não é charneca. É charneca, sim. Quer ver? Vou traduzir aqui agora. Tradução. Não é. Era Moor. Tem um livro da Agatha Cris. É isso? Não.

É porque... Tá, tudo bem. Aqui tá falando assim, que pode ser mouros, tipo, referente a mouros mesmo, de muçulmano do norte da África. Ou charneca. Barra pântano. É charneca, menina. Ai, não, gente. Não é isso. É... Cara, tinha uma palavra pra mouros. Vai pensando aí. Que é o que eu tinha na cabeça. Ai, que ódio. Não era pântano. É como se fosse um grande... Breje.

pasto, assim, a se aberta. Mas aí já não é amor, porque tipo, amor, ele é é tipo pântano mesmo, que é meio molhado, sabe? Ai, que avessura. Eu acho que você tá passando em outra palavra. Será? Amor? Amor? O que é isso? Bom. Aceitarei charneca. Por hora, ficaremos com charneca.

É, por hora. É planalto. Lembrei. Nossa, planalto. Mas como é que é a palavra em inglês? Moorland. Planalto. Ah, tem o land junto, é isso? É isso. Ah, menina. Mas por que você adora essa palavra? Menina, eu gravei essa palavra uma vez no livro que eu li. Em inglês e ficou. Aí você achou o máximo, né?

É, e não tinha brejos na descrição desse local. E aí eu fiquei com essa coisa, que era uma coisa aberta, assim, verde. Ah, entendi. Não, mas essa palavra, cara, essa palavra aí, o charneca, eu fui perguntar pro Rael, eu falei assim, já ouviu falar em charneca? Porque ele dava aula de geografia, né? E ele gostava dessa parte aí, de relevo e tal. Ele falou, nunca ouvi falar. Eu falei, aí, viu? Ah, eu amava essa parte também, nossa.

Nossa, eu odiava essa parte, meu Deus do céu. Eu sei. Operários, qual era a sua matéria favorita? Geografia natural. Mas eu lembro que você gostava de geometria. Não, geometria, língua em geral e geografia natural era o que eu mais amava. Nossa. É. Eu amava geometria, nossa. Você amava geometria, eu lembro disso. Eu lembro de você fazendo prova de... Daquela pessoa que era nossa amiga, lembra?

Pois é Abafa Então tá Mein Kampf É isso? Mein Kampf Eu não sei alemão Mas talvez Mas é minha luta, não é? Acho que é minha luta Minha luta, minha vida Não sei É Vou falar Mein Kampf Cara, eu juro que você falou Perfeição Mariana Ariana? Eu entendi Mariana Ariana Grande Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent Rent

Acho que tu não falou errado não, gente. Se acha, fala de novo. Acho que é folha D. Conhecido como... Folha D. Conhecido como... Acho que D é dois, né? Em francês.

Eu acho que... Ah, você acha que é isso? É isso mesmo. É de dois. É que eu pensei que podia ser Deus, entendeu? Mas não, é dois mesmo. É, folha de é um termo da psiquiatria que significa literalmente loucura. Ah, tá aqui. É, eu que botei isso, ó, que louca.

E menina, eu vou ver já. Ah, que fico. Eu vou na pré-estreia, eu vou quarta. Se quiser ir, é quarta. É meio aleatório, eu sei. Ah, aquele fim de semana. É, eu comprei... E eu vou perto de você, eu vou no São Luís. Ah, tá. E eu só consigo pensar que você foi assaltada lá. Não, mãe. Tipo assim, eu não consigo pensar outra coisa. Agora ali tá tudo diferente. Tipo assim, eu não tenho outra imagem na minha cabeça. E eu que criei a imagem, né, detalhe. Não, mas tá tudo diferente ali. Tá mais perigoso assim, não.

Nossa, eu tô nervosa, mas ok. É porque tava tudo cheio. Então fala aí que você... Mas tem vários outros filmes. Este podcast foi editado por Vitor Assis.