402. Discernindo o coração adolescente à luz da Bíblia (Pr. Ivis Fernandes)
Nesta mensagem, refletimos à luz das Escrituras sobre o coração adolescente: seus desejos, conflitos, buscas por pertencimento, independência, identidade e sentido. A partir de textos bíblicos e de exemplos do cotidiano, entendemos como narrativas culturais, emoções, amizades e crenças moldam a forma como os adolescentes enxergam a vida, formando sua cosmovisão.
Uma conversa necessária para pais, líderes, educadores e todos aqueles que desejam discipular a próxima geração com verdade, graça e discernimento.
Ivis Fernandes
- O Coração AdolescenteAdolescência como fase de interpretação · Padrões de interpretação: Deus vs. Serpente · Influência de narrativas sociais e culturais · Desejo por independência · Desejo por pertencimento · O coração como fonte moral
- Adolescência e a BíbliaAdolescente como intérprete à luz das escrituras · Adolescente como adorador · A importância da teologia e da Bíblia para adolescentes · Gênesis e a origem do desejo de independência · Deus como ser relacional e a necessidade de comunidade
- Desafios na Criação de AdolescentesDificuldade dos pais em entender a adolescência · Influência de fatores pessoais, culturais e sociais · A importância da comunicação e do exemplo dos pais · A necessidade de transformar corações, não apenas circunstâncias · A busca por soluções rápidas vs. princípios bíblicos
- A Natureza Humana Segundo a BíbliaO ser humano como intérprete · O ser humano como adorador · O coração como centro das emoções e desejos · A queda e a mudança nos padrões de interpretação
falar um pouquinho sobre algumas questões um pouco mais teóricas, entender a adolescência à luz das escrituras e, no segundo momento, algumas questões um pouco mais práticas, sobre como os pais e a comunidade, a igreja, podem cuidar dos adolescentes. Eu quero começar...
usando a minha mãe como ilustração. A minha mãe, eu tenho uma mãe que é uma senhora de 81 anos, e para ela, isso aqui é um bicho de sete cabeças. Ela não consegue lidar com o celular. Ela tem um celular, porque ela usa o celular para falar com os filhos e os netos, mas para ela é muito difícil.
Acontecem coisas no celular dela que ninguém consegue explicar. E só acontece com ela e no celular dela. É impressionante isso. E ela tem essa dificuldade porque ela não consegue entender como um celular funciona. E por causa da sua incapacidade de compreender o que é um celular e como ele funciona, ela não consegue lidar com ele de maneira apropriada.
Agora, guardadas as devidas proporções, também é um pouco assim quando a gente fala de adolescente. Nós vamos ter muita dificuldade em lidar com aquilo que nós não entendemos. Se nós não entendemos o que é adolescência, nós vamos ter muita dificuldade em lidar com os adolescentes.
Então, por isso, esse primeiro momento, essa primeira palestra, o tema é justamente Entendendo o Coração Adolescente à Luz da Bíblia. Ter um pouco mais de informação a respeito dos adolescentes para que depois nós possamos saber o que fazer com relação a eles. Tá bom? É importante esse assunto?
porque nós vivemos numa sociedade que não entende o que é o adolescente. É uma confusão enorme sobre o que é a adolescência. Eu me lembro que na minha época de adolescência, a adolescência ia dos 14 aos 17, se fazia 18, você mudava para o grupo de jovens. Agora, recentemente, a Universidade de Cambridge, bem conceituada, propôs que a adolescência vai até os 32 anos.
Então, tem alguns adolescentes aqui presentes nesse momento. Então, é uma confusão. O que é um adolescente? Quanto tempo dura a adolescência? Confusão enorme. A nossa sociedade olha para o adolescente e vê ele como um problema. As pessoas falam do aborrecente, por conta da dor de cabeça. É uma fase em que ele ainda é incapaz, ele não tem maturidade, ele não tem responsabilidade para fazer as coisas.
E por conta dessa visão confusa a respeito do que é o adolescente, nós tratamos eles de maneira muitas vezes errada, ou não sabemos o que fazer com eles. Então vamos olhar para as Escrituras e tentar entender um pouquinho mais sobre o que é o adolescente na Palavra de Deus. E nós vamos fazer da seguinte maneira. Nós vamos começar...
falando alguns aspectos gerais sobre o adolescente, que são, na verdade, aspectos de todo ser humano. E acredite, o adolescente é um ser humano. Eu sei que às vezes ele pode... Será que é? Mas ele é um ser humano. Então, nós vamos falar sobre algumas características gerais. Vamos falar que o adolescente é algumas coisas que são comuns a todo ser humano. E depois nós vamos afunilar um pouquinho isso.
e pensar sobre alguns desafios que são mais particulares ou mais específicos nessa fase da adolescência. Então, a primeira coisa que eu queria falar com vocês a respeito da adolescência é que o adolescente... Eu estou falando da minha mãe que não sabe mexer no celular, mas eu também não sei mexer muito bem nesse controlinho aqui, não. Mas está indo. O adolescente é um intérprete. Não só ele, mas todos nós.
Mas particularmente aqui aplicando a adolescência, o adolescente é um intérprete. Gênesis capítulo 2, versículos 15 a 17, diz ali o seguinte. O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo. E o Senhor Deus ordenou ao homem, coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá.
Quando você olha para o relato da criação, você percebe que Deus cria as coisas pela palavra. Ele diz e acontece. Mas quando Ele cria o ser humano, Ele dirige também a palavra para Ele. Ele fala ao ser humano. Ele dá revelação para o ser humano. Isso mostra que o ser humano, ele precisa da revelação.
A revelação não é apenas algo que Deus nos dá para matar a nossa curiosidade, mas é algo que o ser humano precisa. E ele precisa da revelação porque a revelação é o padrão que nós vamos usar para interpretar o mundo à nossa volta. O ser humano é um intérprete, ele está constantemente interpretando tudo aquilo que acontece à volta dele.
E Deus dá então a revelação ao homem para que ele possa interpretar o mundo a partir da verdade, a partir da palavra de Deus. Logo na sequência, Gênesis capítulo 3, versículos 2 e 3, nós vemos ali o seguinte acontecendo.
É aquele momento em que a serpente vai conversar com Eva, e o texto diz o seguinte, respondeu a mulher a serpente, podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse, não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele, do contrário, vocês morrerão.
É interessante que Deus nunca tinha falado que não poderia tocar na árvore que estava no meio do jardim. Deus só falou que não podia comer do fruto daquela árvore. Mas Eva diz, olha, nós não podemos comer e nem tocar naquela árvore.
Existem algumas propostas para tentar responder por que ela diz isso. Mas eu quero chamar a sua atenção por um fato. De que Eva estava olhando para aquela árvore, interpretando aquela árvore a partir daquilo que Deus havia falado. Deus falou assim, olha, no dia que você comer daquele fruto, vocês morrerão. Então aquela árvore passou a ser sinônimo de morte. De perigo.
Sabe quando os pais falam para os filhos pequenos, ah, dodói, não pode fazer, não pode mexer, porque é dodói, vai machucar. E aí a criança fala, ah, é dodói, vai machucar. Se Deus não tivesse falado nada a respeito daquela árvore, talvez ela fosse considerada por Adão e Eva como uma árvore qualquer. Mas quando Deus fala que no dia que eles comerem daquele fruto eles morreriam, ela passou a ser um sinônimo de morte.
E eu sei a verdade, Eva acrescentou algo naquilo que Deus havia dito, mas ela está olhando para aquela árvore como sinônimo de perigo, interpretando aquela árvore a partir daquilo que Deus falou. Não posso comer, não posso tocar, porque é perigo de morte. Agora, o texto continua. Gênesis capítulo 3, versículo 6.
Vai dizer ali o seguinte, quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu e o deu ao seu marido que comeu também. A serpente tinha respondido para Eva dizendo o seguinte, certamente vocês não vão morrer, porque Deus sabe que no dia que vocês comerem daquele fruto, vocês serão como Deus conhecedores do bem e do mal.
Então agora a Eva tinha dois padrões de interpretação, o padrão de Deus, a verdade, e o padrão da serpente. Qual padrão ela usaria agora para interpretar aquela árvore? É interessante que logo no versículo seguinte, versículo 6 que nós acabamos de ler.
Parece que Eva começou a considerar e interpretar o mundo à sua volta, não mais a partir daquilo que Deus disse, mas a partir daquilo que a serpente falou. Porque o texto diz no versículo 6 que a árvore agora já não era mais sinônimo de morte, não posso nem tocar nela. O texto diz que ela era agradável, atraente e desejável.
Ela está olhando agora para aquela árvore de uma maneira diferente. Ela está interpretando aquilo de uma forma diferente, de acordo com aquilo que a serpente falou. Isso muda tudo no coração de Eva. E aí Eva vai lá, toma o fruto, come, dá ao seu marido e ele come também.
Então, a palavra de Deus nos mostra que o ser humano é um intérprete. Ele está constantemente interpretando o mundo à sua volta. Quem sou eu? Da onde eu vim? Qual o propósito da minha vida? O que é certo? O que é errado? O que é verdade? O que não é? E assim como Eva, todo adolescente tem diante de si dois padrões. O padrão de Deus, a verdade, e o padrão da serpente para interpretar o mundo à sua volta.
Então, uma coisa é fato aqui. Não é se o seu adolescente, se o adolescente é um intérprete. A questão é por qual padrão ele está interpretando o mundo à sua volta. Ele é, isso é um fato. Ele está interpretando tudo aquilo que acontece à sua volta. E isso dá sentido para a vida dele, isso molda o seu comportamento, o seu jeito de agir, o seu jeito de viver. A pergunta é qual padrão ele está usando para interpretar o mundo à sua volta.
Então, nós temos, trouxe aqui alguns pequenos exemplos de algumas interpretações comuns. Em relação ao trabalho, por exemplo, os adolescentes podem estar ouvindo, quem não se destaca fica para trás. Então, eu tenho que ser o melhor, eu tenho que fazer o melhor nos meus estudos e no meu trabalho, porque senão eu não vou ser ninguém. Porque senão eu vou ficar para trás. Senão eu vou ser alguém rejeitado pelas pessoas.
Então, o adolescente começa a interpretar aquilo que ele tem que fazer, as suas responsabilidades, e ele aprende, talvez até de nós, pais, se você não fizer o melhor, você vai ficar para trás, você não vai ser ninguém.
E aí então ele começa a pensar nas suas responsabilidades a partir dessa perspectiva. Eu preciso então fazer o melhor, não para a glória de Deus, mas porque senão eu não vou ser ninguém. Porque senão eu vou ficar esquecido nesse mundo, senão eu vou ser deixado para trás. Ele está interpretando de acordo com algum padrão. Um outro exemplo, a verdade é relativa. Talvez o seu adolescente esteja ouvindo isso.
E aí então você como pai chega para ele e fala assim, filho, o que você está fazendo é errado. O que você está dizendo não é verdade. E aí o seu adolescente responde assim, não, mas espera aí pai. Isso é o que você acha. Essa é a sua verdade. Eu penso diferente, a minha verdade é outra. Ele começa então a relativizar as coisas porque ele está interpretando de acordo com alguma coisa que ele está aprendendo.
Ser feliz é o mais importante. Então, o que importa nessa vida é o prazer aqui e agora. Então, eu vou procurar o prazer. Essa coisa que vai dar sentido para a minha vida. Então, eu busco o prazer a qualquer preço. E eu busco evitar o sofrimento de qualquer jeito. Mesmo que seja aquele sofrimento didático, às vezes, que Deus usa para o nosso crescimento. Não, eu não quero sofrimento nenhum. Eu quero só o prazer.
Por que ele faz isso? Porque ele está aprendendo, em algum lugar, que ser feliz é o mais importante nessa vida. Que o que mais importa é eu buscar o prazer aqui e agora. Mesmo que talvez para fazer isso eu desobedeça a Deus e desagrado ao Senhor. Então perceba, ele está constantemente interpretando aquilo que acontece, aquilo que está à sua volta, dando sentido para essas coisas.
Então, mais uma vez, a questão não é se ele é ou não um intérprete, a questão é qual padrão ele está usando para interpretar o mundo à sua volta. Eu preciso estar atento a isso. E nós vamos falar um pouquinho mais sobre isso daqui a pouquinho. Agora, uma outra verdade importante sobre o adolescente, sobre todos nós, mas o adolescente aqui em particular, é que ele é um adorador.
A palavra de Deus vai nos dizer que Deus cria o ser humano para ter um relacionamento pessoal com ele e um relacionamento de adoração. Então, é a criatura adorando o seu Criador. Só que aí, quando chega a Gênesis capítulo 3, o pecado entra no mundo, talvez a gente possa pensar, ah, então agora a partir da queda o ser humano já não é mais um adorador. Mas isso não é verdade.
Ele continua sendo um adorador. O problema é que a adoração que deveria ser direcionada para Deus, agora é redirecionada para algum elemento da criação. E agora, então, eu começo a adorar alguma coisa dessa vida, seja o dinheiro, o prazer, o sucesso, alguma coisa desse mundo. Então, até mesmo aquele seu amigo que é ateu, que diz assim, ah, eu não creio em Deus, eu não sou religioso. Ele é um adorador, ele pode não saber disso.
Mas ele é. Ele pode estar adorando a razão, ele pode estar adorando a beleza, o dinheiro, o sucesso, o prazer, alguma coisa ele adora, alguma coisa ele ama no seu coração e tem um relacionamento de adoração com ele. E o seu adolescente é um adorador. Agora, Jesus fala um pouquinho sobre isso usando palavras um pouco diferentes. Mateus capítulo 6.
versículo 19 a 21, ele diz ali o seguinte, não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam, pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.
Jesus usa a palavra que é a linguagem de tesouro. Ele não está dizendo que nós devemos buscar um tesouro. Ele está pressupondo que nós buscamos um tesouro. O que ele está dizendo é, cuidado com aonde você está buscando esse tesouro. Se é um tesouro na terra ou se é um tesouro celestial.
Mas ele está dizendo, todo mundo está buscando alguma coisa, todo mundo tem um tesouro, alguma coisa que é valiosa, que é preciosa no seu coração. E essa é uma linguagem de adoração. Quando Deus é o meu maior tesouro, isso é uma atitude de adoração em relação a Ele. Quando alguma coisa desse mundo é o meu grande tesouro, isso é uma relação de idolatria, de adoração também, mas não a Deus. Alguma coisa...
Desse mundo. Então todos nós temos um tesouro. O adolescente tem um tesouro. Isso leva ele a um relacionamento de adoração. Seja com Deus ou seja com alguma outra coisa desse mundo. E aí no versículo 24 ele vai dizer o seguinte. Ninguém pode servir a dois senhores, pois odiará um e amará o outro. Ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro.
O que Jesus está dizendo é que aquilo que é o meu grande tesouro vai me levar a uma relação de servidão a esse tesouro. Eu vou servir aquilo que é o meu grande tesouro. Isso vai moldar a minha vida de serviço, isso vai moldar o meu comportamento, a minha maneira de viver. Então, se Deus é o meu grande tesouro, eu vou servir a Deus. Isso vai moldar o meu comportamento.
Se alguma coisa dessa vida é o meu tesouro, essa coisa vai ser o meu Senhor. E isso vai moldar a maneira como eu me comporto. A maneira como eu vivo, porque eu vou servir a esse Senhor. Então, o adolescente é um adorador. Ele certamente tem no seu coração um tesouro. Alguma coisa que ele ama, e ama profundamente. E esse amor vai moldar a sua vida, as suas escolhas.
Então a pergunta não é se ele é um adorador ou não, se ele tem um tesouro ou não, mas qual é o seu senhor, qual é o tesouro que o adolescente tem no seu coração? Você sabe qual é o tesouro do seu filho adolescente? O que ele ama? O que é importante para ele? Isso vai moldar a vida de serviço do seu filho. Uma última afirmação.
é que o adolescente é movido pelo coração. Em Marcos capítulo 7, versículos 21 a 23, Jesus diz ali o seguinte.
Pois do interior do coração dos homens vem os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro. Jesus está ensinando...
que o problema moral do homem não é externo. O problema não é não lavar as mãos antes de comer, que é o contexto ali. Não é isso que contamina o homem. O que contamina o homem é aquilo que vem de dentro do coração. Então, o problema do ser humano e do adolescente não são as circunstâncias, não é aquilo que está em torno dele, mas é a maneira como o coração dele reage a essas influências externas.
Então, as circunstâncias influenciam, mas não determinam. O que determina é como o adolescente, como nós, vamos reagir àquilo que está acontecendo à nossa volta. A fonte moral do ser humano, de acordo com a Bíblia, é o coração. Jesus bota aqui uma lista de vários pecados e diz, tudo isso vem do coração, vem de dentro do homem. E aí nós precisamos, então, entender
que o coração é a fonte moral do ser humano. Por isso o Proverso vai dizer que, sobre tudo o que se deve guardar, guarde o coração, porque dele procede as fontes da vida. A maneira como eu vivo procede daquilo que está no meu coração. E aí, então, o que é coração? Não é o órgão que fica bombeando sangue para o resto do corpo.
Na Bíblia, no contexto bíblico, o coração se refere à parte imaterial, interna do ser humano, que é a fonte de algumas coisas. O coração é a fonte dos nossos pensamentos, ele é a fonte, pode ir continuando aí, das nossas crenças, ele é a fonte...
dos nossos desejos, pode passar todos aí, emoções, dos nossos propósitos e da nossa vontade. Tudo isso a Bíblia atribui ao coração. Então eu preciso entender que quando o meu adolescente tem algum problema, a nossa tendência é olhar às vezes para o lugar errado. Às vezes a nossa tendência é olhar, o problema é...
sei lá, é o ambiente onde ele está, o problema é o que está acontecendo na vida dele, o problema é as dificuldades e lutas pelas quais ele está passando, esse é o problema e a tendência nossa é às vezes concentrar os nossos esforços em mudar as circunstâncias, achando que isso resolve o problema do nosso adolescente. Quando na verdade o problema não é a circunstância, mas é a forma como o meu coração reage a elas.
E então o meu foco ao trabalhar com o adolescente é o coração. Se eu quero entender por que o meu adolescente faz o que faz, eu preciso saber o que ele pensa. Quais são as crenças que ele tem. E não necessariamente aquilo que ele diz crer, mas a maneira como ele demonstra o que crer na prática. Eu preciso conhecer quais são os desejos do adolescente.
Eu preciso entender quais são as emoções que estão presentes e estão dominando a vida dele. Quais são os propósitos, qual é a vontade, o que ele quer, o que ele ama. Tudo isso eu preciso conhecer se eu quero lidar com o meu adolescente focando na fonte do problema, o coração. E não apenas nas circunstâncias. Então, um adolescente...
Ele é um intérprete, ele está constantemente interpretando tudo que existe à volta dele. A grande questão é qual é o padrão pelo qual ele está interpretando. O adolescente é um adorador e ele tem desejos e amores no seu coração que vão moldar a vida dele e a quem ele serve. E eu preciso entender que todo o problema...
Toda a maneira pela qual o adolescente vive vem do coração. E não apenas das circunstâncias. As circunstâncias são uma parte, influenciam. Mas o que determina é como o coração lida. Como os pensamentos, crenças, desejos, emoções, propósitos vão. Como tudo isso opera dentro dele para fazer com que ele viva de determinada forma. Agora, tudo o que eu falei até agora não é exclusivo do adolescente.
É de todos nós. Todos nós somos tudo isso que eu acabei de dizer. Então agora eu quero tentar afunilar um pouquinho mais e pensar em algumas coisas que talvez sejam desafios mais específicos do adolescente. Também não é algo exclusivo deles, mas são mais comuns entre os adolescentes. Então nós falamos que o adolescente é um intérprete.
E a pergunta agora é o que influencia o adolescente na sua interpretação do mundo à sua volta? Curiosamente, existe uma pesquisa feita por pessoas que nem são crentes, que tentaram identificar o que é importante para um adolescente na hora de olhar para o mundo à sua volta, que vai influenciar muito a maneira como ele interpreta o que está acontecendo na vida dele.
Basicamente, são três fatores que são mais importantes ao influenciar o adolescente. Quero passar rapidamente no primeiro e segundo, mas dar um pouquinho mais de atenção para o terceiro. Então, em primeiro lugar, o que influencia o adolescente...
na sua interpretação, são os fatores pessoais. Ou seja, é o jeitão de cada um. Cada um tem o seu jeito pessoal, o seu jeito particular. E isso influencia um pouco a maneira como eu lido com o mundo à minha volta. Por exemplo, tenho dois filhos. Eles têm a mesma herança genética. Minha e da minha esposa. Eles receberam a mesma educação.
Eles viveram no mesmo ambiente. Mas são dois rapazes completamente diferentes um do outro. E eu percebo essa diferença, por exemplo, na maneira como eles lidam com os relacionamentos. Um deles, ele fica feliz da vida quando está sozinho. Ele deseja, anseia estar sozinho.
mas ninguém à sua volta. Seja no computador, seja lendo um livro que ele gosta muito de ler, ele quer estar sozinho. Ele se sente muito bem sozinho. O outro já é diferente. O outro sofre quando está sozinho. Ele se sente mal. Ele se sente triste. Ele quer ter pessoas. Ele sente falta de relacionamentos. Então,
Reações diferentes. Cada um tem o seu jeitão de ser. E isso influencia. Eu preciso levar isso em consideração. Mas existe um outro fator, que é a realidade pessoal, a cultura, o ambiente familiar, o contexto econômico de cada um. Tudo isso vai afetar a maneira como ele olha o mundo à sua volta. Eu acabei não falando muito, não falei nada, na verdade, do meu ministério.
Eu estou na palavra da vida há três anos, mas antes disso, eu estive por 17 anos no Ministério Pastoral, sete anos no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, e dez anos em Macaé, no Rio de Janeiro. Então, é o mesmo país, é a mesma cultura, mas são duas subculturas completamente diferentes. A do Rio Grande do Sul e a do Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul...
o gaúcho é mais fechadão, ele é mais reservado a tudo aquilo que é novo, tudo aquilo que é de fora. Então, demora para você desenvolver um relacionamento com o gaúcho, mas depois que você supera aquela fase inicial, ele é teu irmão, ele é um amigão. Agora, no Rio de Janeiro era diferente. Eu estava mais no norte do estado, região norte fluminense.
Ficamos dez anos lá. E aí, em cinco minutos de conversa com alguém de lá, ele já é seu brother. Ele já está conversando e falando das coisas. Mas a tendência é ser raso, superficial. Normalmente não se aprofunda. É difícil se aprofundar um pouco mais. Então, são duas culturas diferentes que influenciam demais a maneira como eles lidam com as coisas.
Claro que aqui eu estou generalizando, mas a gente percebeu claramente essas diferenças. E isso também acontece em relação ao adolescente. Qual a cultura na qual ele foi criado, qual o ambiente familiar, tudo isso vai afetar a maneira como ele interpreta o mundo à sua volta. Mas eu quero chamar agora a sua atenção para o terceiro fator, que é aquilo que eu estou chamando de narrativas sociais, aquilo que o grupo diz.
Vamos falar um pouquinho, daqui a pouco, sobre a importância do grupo para o adolescente. Isso é muito importante para o adolescente. Normalmente, quando criança, ele tem isso dentro da família. Quando ele cresce, ele começa a buscar outros relacionamentos fora.
E isso vai influenciar demais, e talvez é o ponto principal, que influencia a maneira como o adolescente vai interpretar o mundo à sua volta. O que o grupo do qual ele faz parte está dizendo? O que as pessoas à sua volta estão dizendo?
E na minha época era mais fácil, porque era o grupo dos amigos da escola e dos vizinhos e da igreja. Hoje em dia eles têm acesso a um universo de relacionamentos através da internet, que estão falando constantemente para eles, olha, isso é certo, isso é errado, isso é importante, isso não é importante. E eles estão ouvindo isso, estão aprendendo com isso e interpretando o mundo à sua volta através dessas coisas.
Então, um exemplo daquilo que alguns adolescentes ouvem aí. Meu corpo, minhas regras. Então, o corpo é meu, faço o que eu quiser com ele. Eu posso usar drogas, eu posso entregar o meu corpo à imoralidade sexual, eu posso fazer um aborto, eu posso tirar a minha vida, porque o corpo é meu, eu faço o que eu bem entender com ele.
Eles estão ouvindo isso o tempo todo. E isso está influenciando a maneira como vários deles interpretam o mundo à sua volta. Outro exemplo, uma afirmação que diz que a masculinidade é tóxica. Isso é uma coisa que está na cabeça da nossa geração hoje em dia. Ser homem é ruim.
simplesmente por ser homem. E aí nós vemos cada vez mais adolescentes e jovens feminilizados, porque ser homem é ruim hoje em dia, e ser mulher é algo bom. Você vê homem pedindo, desculpa por ter nascido homem. Infelizmente eu nasci homem. E você vê pessoas odiando homens simplesmente porque são homens, porque a masculinidade é tóxica.
Então, são padrões de interpretação que estão sendo falados para os adolescentes, e eles estão ouvindo isso. E talvez esteja influenciando a maneira pela qual eles interpretam o mundo à sua volta. Então, nós precisamos saber o que está influenciando a cabeça dos adolescentes. Eu preciso, como pai, ter o mínimo de...
de proximidade, de conversa com o meu filho, para saber, filho, e aí? O que você está pensando? O que você está ouvindo? O que as pessoas falam à sua volta sobre esse assunto? E aí interagir com eles. Mais uma vez, eu não vou conseguir ajudar o meu filho adolescente se eu nem souber o que ele está ouvindo por aí, se eu nem souber o que ele está pensando. Então conversas significativas, conversas profundas, são importantes, são necessárias.
Uma outra coisa importante, eu preciso ensinar teologia, Bíblia para os meus filhos. Porque se eles são intérpretes, eles precisam de um padrão correto para interpretar o mundo à sua volta. E esse padrão está nas Escrituras, está na Palavra de Deus. Então se ele não souber a Palavra de Deus, se ele não souber a Bíblia, se ele não souber a teologia...
ele facilmente vai ser influenciado pelo mundo à sua volta. Ele facilmente vai dar ouvidos a esses padrões e vai ser convencido deles, porque ele não sabe a verdade, como é que ele vai distinguir o que é errado, o que é enganoso, o que é mentiroso. Então nós precisamos ensinar a Bíblia, teologia para os nossos filhos.
Nós precisamos ajudá-los a ter conhecimento da palavra de Deus. E é uma maneira de nós prepararmos os nossos filhos para lidar com o mundo à sua volta. Conhecer a verdade, conhecer as escrituras. Agora, nós também falamos que os adolescentes, além de serem intérpretes, eles são adoradores.
Então, eles têm tesouros no seu coração, eles têm coisas que eles consideram importantes, que eles desejam. E, curiosamente, eu encontrei também uma pesquisa que fala a respeito de alguns desejos que são muito intensos na adolescência e que podem estar influenciando aí essa rapaziada, essa galerinha.
Então, o primeiro deles, que eu quero destacar aqui com vocês, são dois. É o desejo por independência. Gênesis capítulo 3, versículos 4 e 5, diz o seguinte. Disse a serpente à mulher, certamente não morrerão. Deus sabe que no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal.
Então, nós vemos desde o princípio, no coração de Adão e Eva, um desejo de independência. Eu não quero depender de Deus para saber o que é certo e errado. Eu não quero depender da revelação dEle para saber, ah, isso aqui é certo, isso aqui é errado. Eu quero eu mesmo saber. Eu quero ter esse conhecimento. Eu quero experimentar isso e saber o que é bom, o que é mal.
Então nós já vimos desde o princípio um desejo de independência, que na verdade é um desejo de rebeldia do coração. Então isso está presente no coração do ser humano, um desejo por independência. Mas quando nós olhamos para as Escrituras, nós vemos que Deus criou o ser humano para ser dependente, dependente dele e interdependentes uns em relação aos outros.
A ideia de independência absoluta é uma ilusão. Ninguém é independente totalmente. Tudo aquilo que tem aqui nesse ambiente, vocês dependeram de alguém que trabalhou, que arrumou, que produziu, que construiu isso. Não foi você que fez tudo sozinho. Então nós precisamos uns dos outros para viver a vida.
A comida que eu como, alguém plantou, alguém colheu, alguém acondicionou, alguém levou para o supermercado, alguém vendeu. Então, nós somos interdependentes. Nós precisamos uns dos outros. Agora, existe um certo sentido no qual existe um desejo natural por independência. Quando criança, o filho é dependente dos pais para muitas coisas.
Quando ele entra na adolescência, é natural que ele comece a se desprender e ser cada vez mais independente dos pais. Porque ele está crescendo, vai chegar o momento que ele vai deixar pai e mãe, vai formar a sua família, vai viver fora com outras pessoas, de outros relacionamentos. Então, é natural que ele tenha uma certa independência. O anormal seria, se com 30 anos de idade, ele ainda fosse dependente do papai e da mamãe.
Isso não seria normal. Então existe um desejo natural por independência. Faz parte do processo de crescimento. Mas esse desejo por independência pode ser um desejo distorcido, ele pode se tornar um desejo idólatra e trazer uma série de confusões dentro de casa, nos relacionamentos familiares.
Por exemplo, resistência ao conselho dos pais. Quando o pai chega para o filho e fala, filho, é melhor se você fizer assim. E o filho fala assim, pai, você não sabe de nada, você é velho. Acho que sabe. Hoje as coisas são diferentes, pai. Para com isso. Não é assim que funciona. Então, o adolescente acha que ele sabe tudo. E que você, com os seus 50, 40, 30 anos de experiência, sua experiência... E aí E aí
Não vale nada, pai. Esse é um desejo por independência. Eu não quero ouvir. E eu quero eu mesmo decidir as coisas. Questionamento de regras, um outro exemplo. Tem regras dentro da sua casa. E às vezes os filhos, ah, eu não aguento mais essas regras. Não vejo a hora de sair de casa e ter a minha própria casa, a minha liberdade para fazer as coisas. Sem precisar me submeter a essas regras que não fazem sentido algum.
É um desejo por independência, mas que leva às vezes a conflitos entre pais e filhos. Uma valorização exagerada da privacidade. Quando o filho tem o quarto, na porta do quarto ele bota ali uma caveira com dois ossos, e fala assim, proibida a entrada, quem entrar daqui para frente é responsável pela sua própria morte.
Então, é um negócio assim, é privacidade absoluta. Porque eu quero ser independente. Eu não quero pai e mãe aqui no meu santuário, que é o meu quarto, mexendo nas minhas coisas. Só para botar a minha roupinha lavada dentro da minha gaveta, aí sim. Mas para mexer nas minhas coisas, não. Eu quero ser independente. E mais uma vez, o desejo por independência é natural.
Mas quando nós queremos uma separação total, dizer assim, aqui é o meu lugar, como se fosse pertencente a ele. Mas vocês não podem se intrometer aqui, porque aqui é o meu ambiente. E às vezes os pais até cedem a isso. E às vezes o filho tem uma vida totalmente paralela.
E o pai nem sabe porque eu estou respeitando a privacidade dele. Não sabe o que o filho está fazendo, não sabe no universo da internet o que ele está vendo, os mundos aos quais ele está se expondo, porque eu estou respeitando a privacidade dele. E às vezes isso pode ser um problema. Então existem desejos intensos agindo no coração do adolescente e o desejo por independência é um deles. E nós vamos falar um pouquinho mais sobre isso daqui a pouquinho.
O outro desejo é o desejo por pertencimento. Gênesis capítulo 2, versículo 18, diz ali o seguinte. Então o Senhor Deus declarou, não é bom que o homem esteja só. Farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda. Deus é um Deus social, relacional, nosso Deus. E isso, na verdade, é um dos grandes distintivos...
do cristianismo em relação às outras grandes religiões monoteístas. O islamismo, o judaísmo, por exemplo, eles têm um Deus que é uno. Então o Deus do islamismo, do judaísmo, não é um Deus relacional. Ele pode se relacionar, mas não faz parte de quem ele é. Porque antes da criação do mundo, ele ficava sozinho. Então não faz parte da essência do Deus do islamismo, do judaísmo, ser um Deus relacional.
O Deus cristão não. Ele é um Deus trino. Pai, filho e Espírito Santo que viveu a eternidade passada num relacionamento perfeito entre as pessoas da trindade. Faz parte de quem o nosso Deus é. Ser um Deus relacional, um Deus comunitário. E quando ele cria o ser humano a sua imagem e semelhança, ele também coloca em nós isso. Nós somos seres relacionais, sociais, comunitários.
E aí então, Deus cria Adão e ele vê assim, olha, não é bom que o homem esteja só, então ele cria o casamento. Mais pra frente ele cria Israel. Mais pra frente ele cria a igreja. Então Deus, ele cria a comunidade, ele coloca pessoas dentro dessa comunidade.
E nós, como seres sociais, nós também criamos comunidade. Tem a escola, tem o clube, tem a associação de moradores, tem lá o pessoal do pedal, o pessoal que anda de moto junto, enfim. As pessoas se reúnem para estar juntas. Porque nós somos assim, somos relacionais. É natural existir no coração do ser humano um desejo por pertencer a uma comunidade.
Agora, quando nós falamos do indivíduo, quando criança, normalmente esse desejo é satisfeito na família. Filho, se tem um bom ambiente minimamente familiar, ele está, eu pertenço a essa família. Esse sentimento é satisfeito dentro de casa. Mas quando chega na adolescência, esse desejo começa agora, ele começa a ser cada vez mais independente, ele começa agora a querer pertencer a outros grupos.
E esses grupos acabam influenciando a vida do adolescente. Eu acho interessante, tem uma pesquisa nos Estados Unidos, fala que até alguns anos atrás, algumas décadas atrás, as pessoas que mais influenciavam os adolescentes eram os pais. Hoje em dia, são os colegas.
os seus iguais, os seus amigos. Porque existe esse desejo tão grande de pertencimento a um determinado grupo e esse grupo influencia o adolescente. Então, algumas implicações disso. A primeira delas é a questão de imitação. Quando eu pertenço a um grupo, eu quero ser como eles. Então, eu começo a imitar o que eles fazem, a linguagem, o estilo, o jeito de ser.
Então, o comportamento e o estilo começam a ser moldados pelo grupo ao qual eu sinto que eu pertenço. Um outro exemplo disso é você ser afetado. A questão aí da vulnerabilidade. Eu sou vulnerável porque eu quero tanto pertencer a esse grupo que ele tem um poder muito grande sobre mim. Então, zoação, bullying, essas coisas machucam muito o adolescente porque ele quer muito fazer parte de um grupo.
E quando o grupo, ao invés de acolhê-lo, começa a fazer bullying, a insultar, a humilhar, isso fere demais esse desejo que é muito forte do coração dele. E isso também afeta a questão de opinião, de comportamento. Eu mudo a minha opinião, eu mudo o meu comportamento para me encaixar naquele grupo.
Então eu preciso me perguntar, como pai, como comunidade, qual é o grupo do qual os meus filhos estão participando? Porque certamente esse grupo vai influenciar. Existe naturalmente no adolescente um desejo de pertencer a algum grupo. E eu preciso estar atento a que grupo ele está participando. E também, a gente vai falar isso na segunda palestra, de que maneira a família e a igreja podem ajudá-lo nesse desejo por pertencimento.
Resumindo, então, o que nós vimos até aqui. Nós vimos, então, que o nosso filho, os adolescentes, são intérpretes. Eles estão interpretando o mundo à sua volta. A questão é qual o padrão que eles estão adotando. Nós vimos também que o filho, o adolescente, ele é um adorador. Tem desejos fortes no coração dele. E dois desejos principais que nós vimos é o desejo por independência.
e a maneira como isso afeta a vida do adolescente. O problema não é ser independente, o problema é que às vezes a independência não vem acompanhada de maturidade, e a gente vai falar isso no próximo período. E o adolescente tem também o desejo de pertencimento, e esse desejo por pertencimento está moldando o comportamento dele. E eu preciso agora, entendendo tudo isso, pensar de que maneira agora eu ajudo...
o meu adolescente a lidar com esses desafios, que a gente vai falar sobre isso daqui a pouco. Mas eu quero terminar esse primeiro período lembrando uma coisa importante para você. Talvez você tenha vindo aqui pensando em receber de mim a fórmula mágica para resolver os problemas do seu adolescente. Quando, na verdade, o que eu tenho aqui não é a fórmula mágica, mas são princípios. A palavra de Deus tem princípios orientadores.
Não tem soluções simples ou fáceis ou rápidas. A gente quer resolver isso tudo rapidinho. Apertar um botão, pronto, já mudou a vida do meu filho.
Mas não é assim que funciona. Você vai precisar dedicar ao seu filho amor, tempo, paciência. Você vai precisar ser exemplo para o seu filho. E tudo isso custa. É difícil. E às vezes nós não queremos isso. Nós queremos uma solução rápida. Mas a palavra de Deus tem princípios que nos orientam, que nos instruem e não respostas mágicas ou soluções mágicas para nos dar.
Mas lembre-se de uma coisa. Nós temos algo que faz toda a diferença. Nós temos um Deus que tem o poder de fazer o que qualquer outra coisa, qualquer ideia humana não pode fazer, que é transformar corações. Então, confie nesse Deus. Dobre o seu joelho.
Clame a Deus pelo seu filho adolescente, porque ele pode fazer aquilo que você, por melhor pai que seja, não é capaz de fazer, que é transformar a vida dele. Tá bom? Nós vamos ter um intervalo, é isso? E depois, na segunda palestra, algumas questões um pouco mais práticas sobre adolescência. Então, uma alegria estar aqui com vocês para falar sobre esse assunto tão importante que é a adolescência, mas ao mesmo tempo tão pouco falado.
Eu praticamente não vejo palestras, conferências, estudos mais específicos sobre a adolescência nas igrejas, infelizmente. Temos o tema aí que foi proposto, Acenda a Brasa, repensando a adolescência como oportunidade pastoral. Então é sobre isso que nós vamos falar e nós vamos dividir o nosso tempo aqui em dois períodos.