Episódios de Paula Talmelli | A Boa Parte

Carta #11 — O Porta-Luvas da Alma

05 de maio de 20266min
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Você já entrou em colapso por um problema que nem existia?

Neste episódio, Paula conta o que aconteceu numa segunda-feira comum — um café, um livro, uma voz familiar que disparou antes mesmo de confirmar qualquer coisa. E o que o porta-luvas do carro ensinou sobre a ansiedade que inventa o caos.

Uma reflexão sobre controle, confiança e o que Deus já está guardando enquanto a gente vigia.

Parte da série O Livro Perdido — Maio 2026.

Se algo aqui tocou em você, há um lugar para ir mais fundo. Escrevo cartas para mães que desejam Deus mais perto e filhos enraizados — sem pressa, do transbordamento.

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Participantes neste episódio1
P

Paula Talmélli

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Assuntos5
  • Porta-luvas da almaAnsiedade e controle · Confiança em Deus · Maternidade imperfeita
  • O livro perdidoO livro no porta-luvas · Quem estava perdida era eu
  • Fé e Confiança em DeusNão vigiar o que Deus já cuida · Salmo 127 · Diferença entre cuidar e vigiar
  • Sogra controladora e intrometidaSer o filtro entre ordem e caos · Vigilância como responsabilidade
  • Reflexão sobre preocupaçãoMateus 6:27 · Preocupação não protege
Transcrição20 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, minha querida! Seja bem-vinda à Curadoria Boa Parte de Maio. Este mês vamos caminhar juntas por uma história real sobre controle, confiança e o que Deus sussurra no meio da maternidade imperfeita.

São três cartas, três semanas, uma história que se desdobra. Esta é a primeira. E o tema dela é o porta-luvas da alma. Era uma segunda-feira comum. Fomos a um café depois de uma atividade. Eu e ele.

Ele levou um livro, uma iniciativa espontânea, bela, daquelas que a gente planta por anos sem saber se vai brotar. E ali naquele momento ela tinha brotado.

Fiquei quieta olhando para ele lendo e pensei, está valendo a pena. Pelo menos até a hora de irmos embora. Chegando em casa, ele me disse que não estava encontrando o livro.

E em questão de segundos antes mesmo de confirmar qualquer coisa, algo em mim disparou. A necessidade de resolver, de correr, de garantir que nada se perdera.

E eu conheço essa voz, eu a reconheci, provavelmente você também a conhece. Se eu não vigiar, as coisas se perdem. Se eu não estiver no controle, as coisas irão desandar.

Este mês havia sido pesado. O sono leve, sonhos exaustivos, a gestão de tudo ao mesmo tempo. E ali estava eu, transformando um livro em uma prova de que eu não estava dando conta.

o livro, de repente, se tornou um símbolo de descuido, de falha, minha falha, por ter baixado a guarda. Existe uma crença que muitas de nós carregamos, talvez todas nós, mães, sem perceber. Ela não aparece escrita em nenhum lugar, mas ela opera o tempo todo, por baixo ali de tudo, sorrateira.

A crença de que nós somos o único filtro entre a ordem e o caos. Que se relaxarmos, baixarmos a guarda um pouco, algo importante irá se perder. E que a nossa vigilância é o que mantém as coisas no lugar.

No livro A Boa Parte, eu falo sobre as rapinas do tempo. E uma das mais silenciosas não aparece como ansiedade, ela aparece como responsabilidade, como cuidado, como ser uma mulher que não deixa as coisas escaparem. Mas por dentro, a verdade é que ela nos consome, ela nos exaure.

E Mateus 6,27 faz uma pergunta simples e devastadora. Qual de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora?

ao curso de sua vida, uma hora ao seu dia. Ninguém, nenhuma pessoa. A preocupação não protege, ela somente pesa.

E com esta reflexão de Mateus 6, 27, como pano de fundo, eu volto para a nossa história. Uma história na qual você saberá todos os detalhes ao longo das nossas cartas neste mês de maio. Mas um detalhe, um pequeno grande detalhe eu já quero revelar para vocês. O livro Perdido.

Na verdade, estava no porta-luvas do carro. Ele nunca tinha saído do carro. Ele estava ali, guardado, seguro, no lugar dele, desde o início. Quem estava perdida era eu. Agora, quantas vezes eu e você fazemos isso com Deus?

Quantas vezes eu entro em colapso por situações que já estão sob o cuidado dele?

Me ocupo em vigiar o que ele já está aguardando. Carrego o peso de proteger o que já foi coberto por suas magníficas asas. O Salmo 127 diz, se o Senhor não edificar a casa em vão, trabalham os que a edificam.

em vão. Não com esforço suficiente, minha querida, mas em vão.

E sabe, isso não é um convite para negligência, é um convite para a confiança. Existe uma grande diferença entre cuidar e vigiar, entre ser responsável e precisar controlar tudo, entre governar o tempo, como eu falo no livro A Boa Parte, e tentar segurar o mundo nas próprias mãos.

Esta semana, a prática da nossa carta vai te convidar a olhar para um problema que você está carregando. E se perguntar com honestidade, ele existe de verdade? Ou ele está no porta-luvas, guardado, seguro, e você apenas ainda não parou para verificar?

Querida, Deus não precisa da sua vigilância para cuidar do que é seu. Ele só precisa de você.

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