#155 - Existe Qualia entre nós
Decompondo a imagem-símbolo: humano, máquina e construção de significado
Neste episódio, damos continuidade à pesquisa sobre a relação entre preferência humana, interface digital e construção de significado na interação humano-máquina.
A proposta é decompor a imagem-símbolo que representa este estudo: não apenas como uma composição visual, mas como uma manifestação capaz de condensar as camadas conceituais que atravessam o trabalho.
O ponto de partida é o Protocolo MTA — Mapear, Traduzir e Agir, aplicado à investigação da tecnologia afetiva em contexto. Estamos mapeando o comportamento de diferentes modelos de inteligência artificial diante da interface e buscando compreender o que acontece quando uma experiência que historicamente foi construída pela percepção humana passa a ser mediada — e também produzida — por máquinas.
Existe um gap fundamental nessa transição.
Durante a minha formação em História da Arte, entrei em contato com uma vasta literatura sobre subjetividade, percepção e materialização da experiência humana: da arquitetura às manifestações mais primitivas, como as pinturas rupestres. A historiografia da arte é, em grande medida, uma historiografia da relação humana com aquilo que o próprio humano produz para representar, interpretar e transformar o mundo.
Mas esse paradigma mudou.
A máquina deixou de ocupar apenas o lugar de ferramenta. Cinema, fotografia, computador e sistemas algorítmicos passaram a participar da própria construção da experiência subjetiva. Essa discussão atravessa também o meu primeiro livro, Os Mecanismos Tecnológicos por Trajetória da Arte, no qual proponho pensar o mecanismo tecnológico como manifestação artística e como parte dessa trajetória de construção da percepção.
Depois de mais de 150 episódios investigando essas relações, a pergunta permanece aberta: o que acontece quando as pessoas se tornam cada vez mais condicionadas por mecanismos e as máquinas, cada vez mais capazes de produzir comportamentos que reconhecemos como humanos?
Aqui, máquina é compreendida em um sentido mais amplo: aquilo que é programado, condicionado por uma rotina ou submetido a uma construção de sentido limitada por fatores externos.
A imagem-símbolo deste estudo nasce justamente desse tensionamento.
Decompô-la é, portanto, decompor o próprio problema: entender quais elementos constituem a nossa percepção diante da interface, quais significados atribuímos às máquinas e em que momento a tecnologia deixa de ser apenas meio para se tornar parte ativa da experiência humana.
Tecnologia Afetiva em Contexto — Episódio 155.
Protocolo MTA: Mapear. Traduzir. Agir.