190 | CASO FERNANDA LAGES: o mistério que ninguém explica
Na madrugada de 25 de agosto de 2011, Fernanda Lages, universitária de 19 anos, foi encontrada morta no pátio de um prédio em construção em Teresina. O caso foi cercado por contradições, investigações questionadas e versões que nunca fecharam. Afinal, o que aconteceu ali naquela madrugada: foi um acidente, um crime violento ou suicídio?
Neste episódio, o Café Com Crime mergulha nos detalhes de um dos maiores mistérios criminais do Piauí... e nas perguntas que continuam sem resposta até hoje.
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Créditos:
Produção, apresentação e roteiro por Stefanie Zorub
Edição e desenho de som por Luigi Calistrato
Roteiro e pesquisa for Ana Paula Almeida
- Morte de Fernanda LagesDescoberta do Corpo · Local do crime · Circunstâncias da morte · Investigação e Delação · Perícia forense
- Causa e Circunstancias da MortePremeditação · Agressão · Luta pela vida · Lesões corporais · Defesa da vítima
- Segurança OperacionalDelegado Mamede Rodrigues · Coleta de evidências · Entrevistas · Contradições testemunhais · Abandono do caso
- Contradições e discrepâncias investigativasLaudos periciais contraditórios · Desaparecimento de provas · Transferência do coronel Almeida · Mudanças de narrativa · Pressão midiática
- Suspeitas sobre Pessoas EspecíficasEngenheiro responsável pela obra · Alegações de relacionamento · GPS do celular · Denúncia infundada · Publicação de portal AZ · Disputa com jornalista
- Autopsia e análise forenseMaria da Conceição Kraus · Transtorno bipolar · Comportamento de risco · Episódios psicóticos · Mudanças comportamentais · Diagnóstico post-mortem
- Teoria de tráfico internacionalRede internacional de mulheres · Viagem para Fortaleza · Passaporte falsificado · Itália como destino · Crime organizado · Queima de arquivo
- Perfil e personalidade de FernandaJuventude e alegria · Extroversão · Vida social ativa · Confiança nas pessoas · Naiveté · Mudanças comportamentais
- Impacto familiar e traumaSofrimento de Paulo Lages · Cartas para filha falecida · Perda de sentido de vida · Busca por justiça · Descrença nas autoridades
- Fatos sobre Morte e InvestigaçãoJogo do Flamengo · Perseguição no carro · Bar Perna Buco · Encontro com João Paulo · Últimos momentos vivos
- Depoimento do promotor João MalatoDescrição do crime · Sequência dos eventos · Estado de vulnerabilidade · Imobilização · Lançamento do corpo
- Tecnologia e InovacaoArimateia Azevedo · Publicação de reportagem · Conflito pessoal · Processos judiciais · Divulgação prematura de suspeitos
- Discrepâncias Eleitorais e de DadosPegada de tamanho 40 · Testemunha do coronel Almeida · Retratação do vigia · Teoria de dupla entrada · Desaparecimento de evidências
- Ex-parceiros e relacionamentos passadosRelacionamento anterior · Término do namoro · Encontro na noite anterior · Promessas de mudança · Machucados corporais
- Boatos e fake news sobre FernandaAcusação de garota de programa · Cafetina Naira · Preconceito moral · Desinformação midiática · Impacto na reputação
- LiteraturaReportagem investigativa · Cinco investigações diferentes · Contradições na narrativa oficial · Questionamento do arquivamento
- Questoes AdministrativasVigia Mingus Pereira · Acesso não autorizado · Portão com cadeado · Procedimentos de segurança · Invasões anteriores
Ainda estava escuro quando os primeiros trabalhadores começaram a chegar ao canteiro de obras. Era 5h50 da manhã aproximadamente, o início de mais uma quinta-feira de árduo trabalho em Teresina, Piauí. A rotina naquele lugar era sempre a mesma. Caminhões entrando, operários circulando, o barulho metálico das estruturas sendo montadas. Nada fora do normal. Até que alguém olhou para baixo, no centro do pátio de obras.
objetos, poeira, canos e ferragens. Havia um corpo. Por um instante, ninguém entendeu exatamente o que estava acontecendo, mas a falta de movimento daquele corpo era inquietante, assim como o sangue formando uma poça ao redor da cabeça. Aquela era uma jovem mulher, 19 anos, estudante universitária. Poucas horas antes, ela estava vivendo a própria rotina, saindo com amigos, fazendo planos, tentando descobrir qual caminho queria seguir na vida.
conhecida, querida, cheia de vida. Agora, seu corpo estava estendido no chão do canteiro de obras da nova sede do Ministério Público Federal do Piauí, encontrada morta em circunstâncias que ninguém conseguia explicar. A notícia se espalhou rápido e as perguntas corriam mais depressa ainda. Foi suicídio? Foi acidente? Ou alguém fez aquilo com ela? Nos dias que se seguiram, a morte daquela jovem mergulharia o Piauí
controversos e discutidos da história recente do Estado. Um caso cheio de perguntas e pouquíssimas respostas. Este é o episódio 190 do Café com Crime, o caso Fernanda Lages. Alô, olá, alô, vai tudo bem? Bem-vindes ao Café com Crime, o podcast onde você pode ser o aficionado por crimes reais que você é, sem julgamentos. Eu sou a Esté Zorubi, ou dona café, como preferir, e hoje vamos falar de um dos casos mais
misteriosos e polêmicos do Piauí. Tudo aconteceu no dia 25 de agosto de 2011, quando o corpo da universitária de 19 anos foi encontrado no pátio interno de um prédio em construção, que viria a ser sede do Ministério Público Federal, em Teresina. A cena do crime trouxe mais dúvidas do que respostas. É uma história que demonstra bem como a desinformação é capaz de transformar um caso em espetáculo,
real dos fatos. É um caso tão complexo quanto difícil e enfurecedor. Essa história foi muito pedida por vocês, crimiseiros. Quem mandou a sugestão foi... Obrigada pela indicação. Antes de ir para a história, não deixe de seguir a gente aí na plataforma onde você está ouvindo.
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presentear algum crimizeiro da sua vida ou você mesmo. E vou deixar o link do site Uma Penca na descrição deste episódio também. Lembrando que este podcast faz uso de efeitos sonoros, então se puder, escute de fones de ouvido. E um alerta de gatilho, vamos tratar de assuntos bastante sensíveis como violência e suicídio. E com isso, bora começar do começo? Era impossível não notar quando Fernanda Lages chegava a algum lugar.
anos, a estudante de direito carregava consigo uma energia difícil de ignorar. Era daquelas pessoas de sorriso fácil, extrovertida, sempre rodeada de amigos. Quem conviveu com ela costuma repetir as mesmas palavras para a descrever. É uma jovem alegre, comunicativa e cheia de vida. E inimiga do fim! Oh, como era festeira! Fernanda nasceu em Barras, no interior do Piauí, uma cidade de 50 mil habitantes a 127 quilômetros de Teresina.
parecia ter um talento natural para reunir pessoas. Chamada de fan-fan pela família e amigos próximos, ela era quem comandava as brincadeiras entre os primos nos encontros de família no sítio da avó. Jogava bola, tomava banho de açude, andava a cavalo. Segundo a tia Sinara, ela era uma criança amável, brincalhona e daquelas que transformam qualquer reunião em festa. Aos 10 anos, Fernanda se mudou para Teresina para estudar, passando a morar com as tias,
Leni, Cassandra e Noemi. Mesmo à distância, os seus pais continuaram acompanhando de perto ali a vida da filha, sempre muito presentes e torcendo que essa fase toda de sofrimento com a distância entre eles fosse servir para um bem maior. A filha teria mais oportunidades em uma cidade grande. Tudo valeria a pena em um futuro próximo. A professora Alvina Fernandes, que conhecia a família desde que Fernanda nasceu, lembra da menina como uma
Ela não era considerada uma aluna excepcional, mas era dedicada. Às vezes enfrentava dificuldades ali nas matérias, chegava a ficar em recuperação, mas sempre conseguia se recuperar. Mais do que as notas, o que marcava mesmo era o jeito de FanFan. No Colégio Olga, onde cursou parte do ensino médio, a diretora Osmalia Lira recorda que Fernanda tinha uma presença especial. Segundo ela, quando a jovem chegava à escola, parecia iluminar o ambiente.
Era querida pelos colegas, nunca teve problemas disciplinares e mantinha uma relação tranquila com todos. A Fernanda era flamenguista apaixonada, adorava cachorros e tinha gostos simples. Bife, achocolatado, iogurte e salgados. Quem não gosta de uma coxinha, boa gente não é. Aos 18 anos, Fernanda entrou na faculdade Nova Unesc em Teresina, onde passou a cursar direito.
família não era rica, viver em Teresina, na cidade grande e cursar uma faculdade particular exigia muito esforço de Fernanda. Durante o dia, Fanfan trabalhava como vendedora em uma loja de roupas no shopping Riverside. Na hora do almoço, atravessava a rua para comer na casa da tia e economizar. Era uma roxina puxada, mas ela dava conta. E olha que ela fazia todo esse esforço para cursar um curso que nem era a sua paixão, porque direito nunca foi assim
amor da vida de Fernanda, né? Digamos assim. No fundo, a Fernanda não tinha certeza se aquele era mesmo o caminho que ela queria seguir. Segundo a sua mãe, a dona Josélia, o verdadeiro sonho da filha era outro, ser designer. Fernanda já havia pensado várias vezes em abandonar o curso de direito para começar de novo na área da comunicação e artes. Afinal, ela tinha o jeito todo pra isso. Mas ela decidiu continuar cursando ali a faculdade de direito, porque assim, pelo menos, ela terminava uma graduação.
E aí ela já estava ali na metade do curso mesmo, né? E qualquer coisa, ela fazia uma segunda graduação depois. Tudo isso fazia parte da sua personalidade de ser uma pessoa extremamente dedicada ao que ela fazia. Ela era intensa. A tia diz que Fernanda vivia cada dia como se fosse o último. Ela gostava de sair, ir a festas, shows, boates, coisas normais para uma jovem da sua idade que era bem extrovertida e que tinha uma vida social realmente muito ativa e muito agitada.
Não que Fernanda fosse irresponsável, longe disso, as suas obrigações com o trabalho e os estudos eram sempre cumpridas, mas é inegável que os momentos de lazer e diversão passaram a ocupar um espaço muito grande em sua rotina. Quem convivia com ela mais de perto também percebia outro traço marcante da sua personalidade, a confiança nas pessoas.
descreveu a jovem como alguém ingênua, que não via maldade em ninguém. Ele contou que ela costumava ajudar desconhecidos que encontrava pelo caminho, como uma vez em que socorreu uma garota bêbada na rua. Para mim, isso diz muito sobre seu instinto de proteção, né? Mulheres correm riscos todos os dias em situações aparentemente comuns e cotidianas, quando estão conscientes e ativas. Então, em estado de vulnerabilidade, essa exposição aumenta muito,
Isso é fato, e Fernanda estava ali para cuidar das suas irmãs. Também não era raro a Fernanda dar carona para pessoas que ela havia acabado de conhecer em festas. Perigoso? Sim. Mas para Raniel, aquilo fazia parte da essência dela. Ela gostava de cuidar, de proteger. Talvez pelo fato de ter ido morar longe dos pais tão cedo, Fernanda gostava muito da própria liberdade. Ela não era de deixar ninguém controlar os seus passos.
O Pablo Vital. Eles se conheceram na academia onde treinava em outubro de 2010. Pablo era mais velho, tinha 24 anos, e assim como ela, era um vendedor. Mas bem diferente dela, ele tinha um perfil mais caseiro, trocando facilmente as badalações de Fernanda por um filminho, pipoca e edredom. O namoro durou apenas alguns meses, e o término veio porque o estilo de vida dos dois era bem diferente.
social. A história de que os opostos se atraem não funcionou neste relacionamento, mas havia sentimento. E longe das amarras que um compromisso poderia impor, Fernanda e Pablo continuaram se encontrando esporadicamente, sem rotular a relação. Nos meses que antecederam a sua morte, algumas pessoas da família começaram a notar mudanças no círculo de amizades de Fernanda. A tia, Cassandra Lages, chegou a dizer que a sobrinha passou a frequentar novos
grupos, pessoas que a família praticamente não conhecia. Mesmo assim, para quem estava dentro de casa, Fernanda continuava sendo a mesma fanfan de sempre. A mesma garota alegre, cheia de planos. Nada indicava que sua vida estivesse em perigo. O que ninguém poderia imaginar é que aquela intensidade, aquela liberdade e aquela confiança nas pessoas acabariam colocando Fernanda Lages no centro de um dos casos mais misteriosos e controversos do Brasil.
forte cercada de perguntas. E até hoje, marcada por dúvidas que ainda assombram quem tenta entender o que realmente aconteceu. Na noite de 24 de agosto de 2011, aos 19 anos, Fernanda deixou o apartamento que dividia com Raniel e seguiu para a Faculdade Nova Unesc, onde estudava. Era uma quarta-feira, mas ela permaneceu pouco tempo na sala de aula, pois havia combinado de assistir ao jogo do Flamengo.
time do coração, contra o Atlético Paranaense, pela Copa Sul-Americana, jogo que ela assistiu no restaurante Chão Nativo. Naquela noite, o Flamengo superou o seu rival pelo placar de 1 a 0 e se classificou para as oitavas de final do torneio. Com motivos suficientes para comemorar, Fernanda saiu do restaurante por volta da meia-noite ao lado de duas amigas, Ana Carolina Ferreira e Naira Veloso.
clube, mas Fernanda precisava abastecer o seu Fiat Uno preto antes de seguir viagem. Ao chegarem no posto, um inconveniente. Um homem, vestido com uma camisa vermelha a bordo de uma Hilux prata, se esmou com as meninas, esperou que elas abastecessem o carro e passou a persegui-las pela cidade. Fernanda ficou apavorada, porque enquanto seguia em direção à boate, o homem misterioso pressionava o seu carro ao acelerar e frear com
violência. Ele piscava os faróis insistentemente. Quando conseguiu, enfim, chegar ao local da comemoração lá no clube e entrar no estacionamento, Fernanda percebeu que a Hilux desse homem fez o retorno no final da avenida. Mas ela nem esperou pra ver o que ia dar. Ela e as duas amigas correram pra dentro da boate. O susto foi grande. Mas como nada de grave aconteceu, em poucos minutos a situação já havia sido superada.
As meninas se entregaram à festa, regada a bebidas, cigarros e muita azaração. Depois de curtirem a boate, o grupo de amigos decidiu esticar a noite no Bar Pernambuco, um lugar bastante frequentado pelos jovens que costumavam se reunir ali após as baladas para comer um lanche e tomar um suco antes de ir para casa. Lá, Fernanda chegou a ficar com um rapaz identificado apenas como João Paulo ou simplesmente Jereba.
a acompanhou até o carro, onde se despediram, e Fernanda seguiu sozinha. Aquela foi a última vez que Fernanda foi vista com vida. Quinta-feira, dia 25 de agosto de 2011, a sede do Ministério Público do Piauí estava sendo construída na Avenida João XXIII, na zona leste de Teresina. Tijolos, cimento, carrinho de mão, andames, madeiras, canos, areia,
Era aquela cena típica de obra em pleno andamento. Para os funcionários da construtora responsável pelas obras, o dia começava bem cedo. Era 5h50 da manhã quando chegaram para trabalhar e adentraram a construção. Parecia um dia qualquer. Porém, de comum, aquela quinta-feira nada teria. Ao entrarem no pátio das obras, os funcionários se depararam com o corpo de uma mulher caído no centro do pátio, ensanguentado.
A polícia militar foi acionada imediatamente e a vítima não demorou a ser identificada. Tratava-se da estudante universitária Fernanda Lages Veras. O coronel Manuel Almeida, comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar, foi o primeiro oficial a chegar ao local do crime e, ao invés de adotar os procedimentos padrões para preservar o
ele assumiu o papel da polícia civil e tentou reunir evidências ao conversar com os vigias. O vigia Domingos Pereira dos Santos é quem estava de plantão naquele dia. De acordo com o coronel Almeida, o funcionário da obra garantiu ter visto Fernanda forçando o cadeado da obra e entrando na construção do Ministério Público ao lado de um homem, com quem ela caminhou lado a lado, até desaparecer de suas vistas.
registros sobre a frequência de possíveis invasões às obras do Ministério Público. Mas o fato é que, mesmo com pessoas que não faziam parte do quadro de colaboradores circulando livremente pelo espaço naquela noite, ninguém foi incomodado. E a polícia só foi acionada após a localização do corpo. Nós sabemos que o vigia não tem a função de abordar invasores. Isso pode até ser perigoso por não estarmos falando aqui de segurança armado. Era apenas um vigia. Porém, uma ligação para a polícia,
com invasores dentro de uma obra que era uma situação ali privada, ninguém podia entrar ali naquele local. Enfim, talvez poderia ter evitado o desfecho trágico daquela visita. Depois de conversar com Domingos, o coronel voltou sua atenção para algumas pegadas que ele notou próximas às da vítima. Elas começavam no portão do Tribunal Regional do Trabalho e seguiam até as obras do Ministério Público.
lado e foi possível identificar até o tamanho do calçado. Os tênis do homem que andava ao lado de Fernanda eram tamanho 40. E aqui já começamos com algumas partes curiosas deste caso. Depois de atender a ocorrência, o coronel Manuel Almeida foi transferido para um cargo administrativo no quartel do Comando-Geral. Ele foi proibido de conceder entrevistas sobre o caso e chegou a responder um procedimento interno
não ter adotado, segundo os militares, os protocolos necessários no momento em que o corpo foi encontrado. Ao mesmo tempo, novos depoimentos do vigilante Domingos passaram a sustentar que Fernanda teria entrado sozinha no prédio, logo após estacionar o seu Fiatil no preto em frente à obra. Em declarações posteriores, o vigilante afirmou que jamais disse ter visto uma dupla no local e que ele não fazia ideia de onde o coronel teria tirado aquela informação.
oficialmente assumidas pelo delegado Mamed Rodrigues Cardoso Vieira Neto. O corpo estava com muitos hematomas, o rosto bastante lesionado, um braço estava fraturado, as unhas estavam quebradas e as pontas dos dedos bastante roxas. Para a investigação, os levantamentos preliminares indicavam que Fernanda tentou se defender de seu agressor antes de ser lançada de uma altura de 27 metros.
da perícia fazer exames que pudessem constatar a causa de sua morte, os grandes portais de internet destacaram em suas páginas iniciais. A impressão era exatamente essa. Naquele momento, todos entenderam que as marcas no corpo da vítima apontavam para a morte violenta. A apuração de responsabilidades começou pelo caminho óbvio, o ex-namorado. Ainda no dia 25 de agosto,
Pablo Vital foi à delegacia prestar esclarecimentos sobre o seu último encontro com Fernanda. É que na noite anterior ao crime, pouco antes da jovem deixar a faculdade rumo ao restaurante Chão Nativo, o ex-casal se encontrou para mais uma de suas DRs. Aquelas discussões de relacionamento, né? Mas qual seria a motivação de Pablo se o namoro havia chegado ao fim dois meses antes por decisão dele próprio?
insistência de Fernanda em reatar o relacionamento, Pablo se negava a dar uma nova chance à estudante por conta do estilo de vida que ela estava levando. De acordo com ele, Fernanda estava vivendo sob forte influência de seu grupo de amigas, o que impedia que ela enxergasse os caminhos tortuosos que estava percorrendo. Fernanda não desistia. Ela ligava insistentemente para o Pablo, pedia para voltar, mas ele empunha condições que ela não aceitava.
Não queria que ela ficasse saindo, indo para a festa com aquelas amigas. E ela não queria abrir mão da vida social. Mas na véspera da sua morte, tudo foi diferente. Fernanda prometeu mudar. Ela só pediu um pouquinho mais de tempo para o seu amado. Depois dessa promessa, ela deixou o local com Naira Veloso, que buzinava impaciente, pressando a amiga para encerrar aquela conversa com o ex e partirem para assistir o jogo no chão nativo.
apresentou algumas contradições que jamais foram reveladas à imprensa e também um machucado recente no corpo, fato que chamou a atenção da investigação. O computador do jovem chegou a ser apreendido, mas nada foi encontrado. E, além disso, os seus pais confirmaram que ele, caseiro como era, estava em casa naquela madrugada. Fato é que, apesar de algumas inconsistências, Pablo Vital jamais foi ouvido como suspeito, já que não havia
E falando em evidências, bem, a aglomeração de pessoas em volta do corpo de Fernanda, lá no pátio da obra, alterou a cena do crime. Quando a gente vê as fotos ali do local, fica muito óbvio que tinha muita gente, bastante gente mesmo em volta ali do corpo, um círculo de pessoas olhando, né? Enfim, isso foi bastante prejudicial para essa investigação,
porque havia tantas pegadas por ali que a marca daquele tênis que citamos anteriormente, aquele tênis número 40, acabou sumindo e se tornou ali uma possibilidade de um homem que estivesse ali que jamais foi comprovada. Uma hipótese que levou a investigação do nada a lugar nenhum, porque a pegada sumiu. A pressão era grande. O caso já havia ganhado a imprensa, já tinha tido aí as suas complicações e as respostas para a família e a sociedade,
não chegavam. No meio de toda a confusão que se instalou durante o inquérito policial, o nome de um novo suspeito apareceu. Mas não um suspeito qualquer. Um homem influente na cidade e engenheiro responsável pela obra do Ministério Público. O seu nome era Givago Castro. O nome de Givago surgiu depois que testemunhas disseram que ele esteve em um bar com a Fernanda na madrugada em que a vítima estava comemorando
do Flamengo com outros amigos. Givago e Fernanda teriam um suposto envolvimento amoroso. Essas testemunhas teriam dito também que o engenheiro evitou chamar a atenção das pessoas que estavam por ali e deixou o bar Pernambuco por volta das quatro horas da madrugada. Foi então que ele se dirigiu até as obras do Ministério Público, onde ele tinha acesso liberado por conta de seu status. Ele trabalhava ali. Já dentro da obra, Givago teria ligado para Fernanda
pedido para que ela fosse encontrá-lo no local. Segundo reportagem publicada em 2011 pelo portal AZ, Fernanda atendeu a ligação por volta das quatro e meia da madrugada, deixou o bar onde estava e seguiu até a rua João XXIII. A matéria também afirmava que o GPS do celular de Givago o colocava próximo à jovem naquele horário. A informação, no entanto, nunca foi confirmada
oficialmente pelas autoridades, e acabou excluída do Portal AZ tempos depois. Mas bastou para ascender a indignação da população de Teresina contra o engenheiro. Divago Castro é engenheiro civil e empresário em Teresina, proprietário da Vanguarda Engenharia. Ele faz parte de uma família bastante tradicional no meio empresarial e político do Piauí. É filho da empresária Maria José Costa e Castro,
como Dona Bizete Castro, ligada à Florencia na capital, sobrinho do empresário João Costa, proprietário da Jurema, e sobrinho também do então deputado federal Marcelo Castro, que exerceu o mandato pelo Estado até 2019. Divago cresceu, portanto, em um ambiente marcado por empreendedorismo e influência política. Quando seu nome surgiu como suspeito, o engenheiro demonstrou surpresa
frequentes na imprensa, alegando inocência, garantindo que sequer conhecia a Fernanda e que jamais a encontrou pessoalmente. Givago acusou o portal de notícias AZ, do jornalista Arimatea Azevedo, de persegui-lo por motivos pessoais e garantiu que, na noite da morte de Fernanda, ele estava com a namorada e dormiu com ela naquela noite. No dia seguinte, segundo relatou,
Ele acordou por volta das oito da manhã e foi trabalhar normalmente. Ele também negou ter viajado naquele período, ao contrário de rumores que circulavam, e detalhou a sua rotina nos dias seguintes. Contou que esteve em restaurantes da cidade e na casa de familiares, reforçando que não havia deixado Teresina ou tentado fugir e escapar do caso de qualquer forma.
que jamais manteve qualquer tipo de contato com Fernanda e que tudo aquilo não passava de especulação da mídia. E o que é mais bizarro nessa história toda é que, ao contrário da história do GPS e do encontro com a vítima na noite do crime, foi divulgado em 2012 que o nome do engenheiro surgiu na investigação de maneira muito aleatória. Segundo o relato posterior de delegados da polícia civil,
com um comentário feito por um policial aposentado, conhecido como Zezo. Zezo afirmou ter uma informação de que um engenheiro da obra próxima ao local do crime teria viajado para Fortaleza após a morte de Fernanda e estaria com o corpo cheio de arranhões. Essa fala acabou chegando aos jornalistas que estavam na delegacia acompanhando os depoimentos. Ao se dirigirem à obra onde Fernanda havia entrado,
do Tribunal Regional do Trabalho, onde constava o nome de Givago Castro, como responsável técnico pela empresa Vanguarda Engenharia. A partir dessa coincidência, o nome dele passou a ser associado ao caso e foi divulgado em blogs e portais como possível suspeito. Posteriormente, verificou-se que houve um equívoco. O engenheiro que costumava viajar para Fortaleza trabalhava, na verdade, na obra vizinha, ligada a outra empresa, a Macrobase.
E também não tinha qualquer relação com Fernanda. Mesmo assim, o nome de Divago já havia sido amplamente divulgado e lameado. Tá passada? Pois eu estou. Por sinal, isso deu uma treta gigantesca entre Divago Castro e o jornalista Arimatea Zevedo, do portal AZ. Arimatea foi acusado de manipular a promotoria para que perseguisse o Divago, pois eles tinham desentendimentos pessoais.
Até hoje, já rolou ameaça, processo, indenização, prisão, dedo no cu e gritaria. A verdade é que nenhum dos dois é flor que se cheire. E essa briga acabou tirando o foco da investigação, criando teses fantasiosas e prejudicando o caso de Fernanda. E assim, né? Quanto mais desinformação aparecia, treta, picuinha, que não tinha nada a ver com o caso, mais longe a justiça por Fernanda ficava.
contradições e falta de suspeitos palpáveis, o delegado Mamédio Rodrigues Cardoso Vieira Neto abandonou o caso no dia 29 de agosto de 2011. Ele alegou que sua delegacia não tinha condições de prosseguir com as investigações e dar respostas concretas à família e à sociedade piauense. Ele simplesmente não conseguia chegar até um culpado e ventilou, pela primeira vez, a possibilidade de que a jovem
ter cometido suicídio e se jogado por conta própria de cima do prédio em construção. Parecia a saída mais fácil para uma investigação falha. Culpar a vítima, né? Com a saída de Mamed, quatro dias após o crime, quem assumiu as investigações foi o delegado James Guerra, responsável pela comissão investigadora do crime organizado no Piauí, a SICO. James logo colocou a mão na massa e tentou ganhar tempo enquanto o caso ainda estava quente.
Ouviu amigos, testemunhas, mexeu aqui, revirou ali e, com o apoio dos promotores Eliardo Cabral e Ubiraci Rocha, ele chegou a uma nova hipótese. Havia a possibilidade real de que Fernanda tivesse sido assassinada por uma rede internacional de tráfico de mulheres. É... é tenso.
só de você para ser solucionado. Um caso que eu sei que você já reuniu as pistas, analisou as evidências, mas ainda não tomou a decisão final. Sim, eu estou falando do seu caso com a Insider Store durante a Semana do Consumidor. Talvez você tenha visto os descontos, pensado em atualizar o guarda-roupa, mas acabou deixando para depois. A boa notícia é que, nessa investigação, o caso ainda não foi encerrado. A Semana do Consumidor continua
na Insider, e os descontos seguem chegando até 50% off, somando as promoções do site com o meu cupom CAFÉ COM CRIME. Ou seja, se você estava em dúvida, esperando um desconto maior, ou só querendo fazer uma escolha mais inteligente, essa oportunidade ainda está valendo. É o momento perfeito para resolver aquelas peças essenciais da rotina. Uma performance t-shirt 2.0, que funciona do trabalho ao treino, os shorts da linha Motion, que acompanha a fluidez
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Podemos voltar para o crime. A declaração do delegado James Guerra caiu como uma bomba e mudou completamente o rumo das investigações. Se até então o caso caminhava entre hipóteses fragmentadas, a nova linha de investigação ampliou o alcance da apuração. Um assassinato cometido por uma rede internacional de tráfico de mulheres. Segundo o promotor Eliardo Cabral Rocha,
morrer, e nessa viagem teria recebido dinheiro e também um passaporte para seguir para a Itália. A partir dessa informação, passou a ser considerada a possibilidade de que Fernanda tivesse sido aliciada por uma rede internacional de tráfico de mulheres. Ainda de acordo com o promotor, ao perceber que o que encontraria na Europa não eram as férias maravilhosas e lindas que ela esperava, Fernanda teria se assustado, desistido da viagem e retornado para Terezina.
ainda segundo a narrativa apresentada publicamente, teria causado um forte desconforto em pessoas envolvidas no suposto esquema, abrindo espaço para a tese de que a morte dela poderia ter sido uma queima de arquivo, um crime por encomenda motivado pelo fato de que agora Fernanda sabia demais. Outra revelação feita naquele momento foi a de que a polícia teria fotografias de Fernanda ao lado de suspeitos, imagens que,
divulgado, reforçariam a linha investigativa que conectava a jovem a um grupo maior, com possíveis ramificações fora do país. A hipótese era complexa, envolvia crime organizado e colocava o caso em uma dimensão internacional, muito além do que se imaginava nos primeiros dias após a morte da jovem. Ao mesmo tempo, a teoria passou a dividir opiniões e a provocar questionamentos, especialmente porque as declarações públicas avançavam mais
do que a divulgação de elementos concretos da investigação. Falava, falava, falava, mas não mostrava muita evidência. Ainda assim, a narrativa do tráfico internacional ganhou força e passou a ocupar espaço central no debate sobre o que teria acontecido com Fernanda. Ou seja, trabalhava-se com a hipótese de morte violenta. Mas até aquele momento, a investigação conduzida pela polícia civil não havia conseguido apontar responsabilidade
Paralelamente, com o avanço da tese de que Fernanda poderia ter sido vítima de uma rede de tráfico humano, inclusive com possíveis conexões fora do Estado e até do país, o Ministério Público Federal passou a avaliar a competência do caso. Diante dessa linha investigativa, o MPF solicitou a entrada da Polícia Federal na investigação, sob o entendimento de que crimes como tráfico internacional de pessoas,
são de competência federal. Foi então que, em março de 2012, sete meses após o corpo de Fernanda ser encontrado no pátio de obras, a Polícia Federal entrou no caso e inaugurou uma nova fase nas investigações. A PF revisitou elementos já analisados pela Polícia Civil e procurou novas provas que apontassem a autoria no crime, com o rigor que o caso de grandes proporções como esse exigia. Eles não tinham tempo a perder.
Os federais já começaram a investigação com o pé na porta. Naira Veloso, a amiga de Fernanda que a acompanhou nas comemorações intensas na madrugada de sua morte, teve a prisão decretada, no dia 15 de março. Isso porque ela falhou em prover uma informação importante para a polícia lá de volta em agosto de 2011. Ela teria sido a última pessoa a estar com Fernanda em frente às obras do Ministério Público,
um rapaz que jamais foi identificado. Quando a Polícia Federal descobriu isso, tinha motivos suficientes para solicitar uma prisão temporária, justificada com três objetivos. Pressionar Naira a revelar quem era o homem que estava com elas, protegê-la de possíveis ameaças e impedir o seu contato com outros suspeitos. Os próprios promotores chegaram a sugerir que Naira entrasse no programa de proteção à testemunha.
prisão representava a chance de finalmente desvendar o mistério, pois acreditavam que Naira sabia com quem Fernanda havia se encontrado. E agora, que Naira estava sob custódia, acabaria revelando tudo como um passarinho. Mas antes de seguir a história, é preciso voltar um pouquinho no tempo e entender quem era Naira. Não só quem ela era como pessoa, mas quem ela era para Fernanda. A amizade de Naira Veloso
Fernanda Lages era recente. Elas se conheceram praticamente dois meses antes do crime, no dia 15 de junho de 2011. Elas tinham uma amiga em comum e acabaram indo para um mesmo aniversário, comemorar a vida de um grande amigo de Naira. Não demorou para que a amizade se estreitasse, bastando poucos encontros para que Fernanda fosse convidada para a comemoração de aniversário da própria Naira, que aconteceu durante um jantar no dia 4 de julho daquele ano.
No dia 14 de julho, Naira retornou à sua cidade natal, Valença do Piauí, para passar as férias com a família. Mas ela fez questão de manter contato constante com Fernanda nos dias que esteve fora. Elas trocavam mensagens, combinavam novos encontros para assim que a Naira voltasse à Teresina. Fofocavam e trocavam confidências. Apesar de recente, Naira descreveu a relação entre as duas como algo forte. Havia ali uma ligação inexplicável.
eram intensas. Queriam curtir a vida sem se preocupar com o dia seguinte. O que importava para elas era o presente, era viver o momento, pois quando estavam comemorando juntas, o futuro era um papo para outra hora. Não havia espaço para malícia ou intenções que as prejudicasse. Parecia tudo muito lindo, até surgirem os boatos de que Naira era cafetina, responsável inclusive por programas realizados por Fernanda. Pois sim, surgiu essa
linha de pensamento de que Fernanda era garota de programa. Naira negou. Para ela, os boatos só surgiram porque ela não era uma pessoa preconceituosa e tinha amigas que trabalhavam sim com a prostituição. Mas ela disse que Fernanda jamais trabalhou como garota de programa, muito menos por qualquer negociação ali encabeçada por ela. Fernanda apenas gostava de sair, de festejar, de curtir a vida, mas isso não fazia dela uma prostituição.
Uma tese que surgiu por puro preconceito alheio, vindo como mais uma camada para lamear o caso. E também o nome da vítima. É sempre mais fácil culpar a vítima, né? Mas vem cá, mesmo que ela fosse, que ela trabalhasse como garota de programa, que diferença faria? A justiça ainda deveria ser feita para ela também, não é mesmo? Ela segue sendo vítima de um crime violento.
como algo como se ela não merecesse justiça ou não merecesse que a investigação seguisse em frente por conta disso. Mas vale deixar extremamente claro, essa questão nunca foi comprovada. Fernanda nunca foi comprovadamente ou, enfim, uma garota de programa, da mesma forma como Naira nunca foi realmente comprovado que era uma cafetina. Foram só boatos que surgiram durante o caso,
de vago e assim como tantos outros boatos. Enfim, a tia de Fernanda, a Cassandra Lages, afirmou que foram os vínculos de amizade que Fernanda criou nos últimos meses de vida que foram o problema, mas negou que Fernanda estivesse envolvida com o ramo da prostituição, apesar de acreditar que suas amigas realmente seguiam nessa linha de trabalho. A tia Cassandra disse,
O interessante é que a família mesmo não percebeu nenhuma mudança no comportamento de Fernanda depois que ela conheceu Naira. Estava tudo normal, o tempo todo normal. Mas a polícia afirmava para a família que não, que não estava normal.
Era uma narrativa ali que parecia estar sendo construída. A Cassandra complementa. A polícia disse para a gente que a vida dela, da Fernanda, começou a mudar no momento que ela conheceu essas meninas. Era como se fossem duas vidas, a vida que ela tinha com a família e a vida que tinha com essas meninas e que a gente não sabia. Aqui ela deixa bem claro que a polícia que disse isso
ou percebido que a Fernanda tivesse qualquer tipo de vida dupla. A Naira sempre negou todas as acusações. Ela vivia há cerca de seis anos sozinha em Teresina e, assim como Fernanda, veio para estudar. Cursava publicidade e propaganda. A sua mãe, Maria do Socorro Bezerra da Silva, de 42 anos, era auxiliar de professora e, com o caso vindo à tona, ela se sentia muito culpada por ter deixado a filha ir morar sozinha.
e a descreve como sendo alguém meiga. Ela também descreve Fernanda como uma menina doce, que só tinha tamanho e que era uma meninona. Maria do Socorro ainda afirmou que perguntou se Naira estava escondendo algo, mas a filha disse que não, que não sabia de nada. Em sua própria defesa, Naira afirmou
Infelizmente, para os familiares de Fernanda, Naira deixou a prisão em 25 de março de 2012, sem apontar o dedo para ninguém que pudesse esclarecer o que aconteceu com a vítima oito meses antes. Sem nenhuma prova, nenhuma evidência que realmente colocava Naira ali na cena do crime,
realmente, ela acabou saindo pela porta da frente. Enquanto isso, outros nomes voltavam ao noticiário. O engenheiro Divago Castro compareceu à sede da Polícia Federal para prestar esclarecimentos, acompanhado de advogado, reafirmando que jamais teve contato com Fernanda e que o seu nome havia surgido por equívoco. A própria Polícia Federal, mais tarde, confirmou que não encontrou qualquer elemento que ligasse Divago ao caso.
O ex-namorado Pablo Vital também foi ouvido novamente, por diversas vezes. Ele descreveu Fernanda como alegre, extrovertida e incapaz de tirar a própria vida, embora tenha mencionado que ela poderia ter se envolvido com más companhias nos meses que antecederam a sua morte. E não poderia ser diferente, já que o término dessa relação se deu exatamente pelo comportamento de Fernanda, um comportamento que ele jamais aprovou. Saideira demais, festeira demais,
principalmente na companhia de amigas como Naira. Ao longo de dez meses, a Polícia Federal ouviu cerca de 150 pessoas, realizou centenas de exames periciais, exumou o corpo de Fernanda e produziu uma linha do tempo minuciosa. O resultado dessa investigação toda caiu como uma bomba na cabeça dos familiares de Fernanda, principalmente de seu pai, Paulo Lages.
descartou a possibilidade de que a jovem tivesse sido vítima de homicídio, afastando também qualquer ligação com o tráfico internacional de mulheres, restando então apenas duas hipóteses, suicídio ou queda acidental. Para os delegados federais, não havia indícios de que uma segunda pessoa estivesse presente na cena do crime. Todas as lesões do corpo de Fernanda, segundo eles, eram compatíveis com a queda.
Além disso, os arranhões encontrados na barriga de Fernanda indicavam que ela teria escalado a mureta de proteção sozinha. Mas, peraí, mas como assim? O laudo produzido por peritos um ano antes afirmava categoricamente que os ferimentos localizados no lado direito do corpo de Fernanda, assim como nos seus pés, haviam sido provocados em vida e não em uma queda.
laudo apontava também a presença de outra pessoa no local, com base em exames de DNA na área da queda. Tudo parecia contraditório. Principalmente para os pais de Fernanda, que seguiam sedentos por justiça. Como as coisas poderiam mudar dessa forma? Se eu me perguntei sobre essas discrepâncias, é óbvio que essa era uma dúvida que permeava a cabeça da família, dos amigos e, por que não, até dos investigadores, né?
Para este cenário apresentado pela Polícia Federal de suicídio ou queda acidental, três personagens passaram a concentrar a atenção do inquérito. O vigia Domingos, o coronel Almeida e, mais uma vez ela, Naira Veloso, a Nairinha. O vigia, que foi descartado por parte da opinião pública na época da morte de Fernanda, ganhou respaldo da Polícia Federal.
Já o depoimento do coronel Almeida, aquele que foi transferido para o administrativo do seu batalhão depois que deu com a língua nos dentes ainda na cena do crime, ele foi desqualificado. Para a Polícia Federal, não fazia sentido ele acreditar a informação de que duas pessoas
As pessoas haviam entrado na obra ao vigia Domingos. Assim como sua afirmação sobre as pegadas de tamanho 40 ao lado das pegadas de Fernanda também não se sustentavam. A PF simplesmente disse não, esse cara não está falando nada com nada e foi desqualificado. Ficou o dito pelo não dito. Mas quando o assunto era naira veloso, as lacunas eram reconhecidas até pelos próprios delegados.
o delegado da Polícia Federal, José Edilson Freitas, foi direto ao afirmar ter certeza absoluta de que Naira mentiu em depoimento e que ela mentia quando negava que esteve em frente ao local do crime, já que havia provas testemunhais de que as três pessoas estavam sob uma mangueira em frente à obra, fazendo uso de drogas. O delegado ainda disse que não pôde indiciá-la por falso testemunho
na condição de suspeita. Caso contrário, teria respondido pelas mentiras contadas. A PF também revelou que Naira teria se relacionado com um conhecido traficante de drogas da cidade, já falecido, e que seu possível envolvimento com pessoas ligadas ao tráfico deveria ser investigado com mais profundidade pela polícia civil. Essa foi a recomendação da PF. A Naira não se manifestou diretamente sobre as acusações feitas pelo delegado,
as mentiras contadas e tão pouco sobre seu envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Mas, sobre o relatório final da investigação, ela deixou claro que não acreditava que a amiga tivesse cometido suicídio. Isso porque, na quarta-feira e durante a madrugada de quinta-feira, a Fernanda deu inúmeras demonstrações de que tinha planos para continuar vivendo por muitos e muitos anos. Em sua última noite, o futuro não foi um assunto deixado para depois.
Essa percepção também foi reforçada por uma amiga próxima da faculdade, que preferiu não se identificar. Em entrevista à imprensa, essa amiga afirmou que Fernanda estava feliz naquela semana e falava muito sobre as conquistas pessoais, o carro novo, os projetos de vida e o desejo de crescer profissionalmente.
Com a conclusão de que a morte de Fernanda não tinha nada a ver com o tráfico internacional de pessoas e com a causa da morte sendo qualificada pela PF como suicídio, a Polícia Federal encerrou a sua participação nas investigações e o caso voltou para as mãos da SICO. Em julho de 2013, um novo golpe abalou a família de Fernanda.
sido assassinada, decidiram abandonar o caso. Mas antes, solicitaram à polícia civil uma nova diligência, a realização de uma autópsia psicológica, para entender se Fernanda apresentava um perfil suicida. Eles também queriam que a polícia se empenhasse em descobrir quem era o homem que estava com o Naira e a vítima na porta do Ministério Público antes da morte da estudante. Eu entendo que os promotores, o Eliardo e o Birassi,
Não queriam jogar a toalha, não queriam sair do caso, mas eles estavam enfrentando sérias dificuldades para lidar com o desgaste e a carga emocional que o caso trazia. O problema é que eles fizeram o anúncio do abandono do processo antes da liberação do Ministério Público. E essa liberação não veio, então eles tiveram que permanecer no caso. Mas, para a surpresa de todos, o pedido de uma autópsia psicológica foi atendido,
A investigação, que já havia passado pela Polícia Civil e pela Polícia Federal, ganhava agora um novo eixo, para bem ou para mal, a mente de Fernanda. O delegado-geral da SICO, James Guerra, confirmou a diligência requerida pelo Ministério Público, mas evitou detalhes. Ele disse que ainda escolheria a autoridade policial responsável por conduzir os novos pedidos e a novidade tomou corpo em outubro de 2013,
e Maria da Conceição Krauss, que era psiquiatra clínica e médica, deixaram Brasília rumo à Teresina para dar início aos trabalhos. Paulo Lages, o pai de Fernanda, estava muito empolgado com a possibilidade daquele novo laudo excluir totalmente a possibilidade de que Fernanda seria capaz de tirar a própria vida. Ele chegou a conceder entrevista para falar sobre o processo, explicando que cerca de 30 pessoas seriam ouvidas pela profissional,
Maria da Conceição, entre familiares, amigos, ex-namorado, professores da época do ensino infantil, do ensino médio e da faculdade. A equipe também conversaria com as últimas pessoas que estiveram com Fernanda antes da sua morte. Tudo isso para conseguir reconstruir a personalidade da vítima. A proposta era reconstruir ali os seus hábitos, os seus medos, os seus projetos para o futuro, suas frustrações, avaliar
mensagens, agendas, anotações pessoais, tatuagens e absolutamente tudo o que pudesse indicar traços de comportamento compatíveis ou não com ideação suicida. Acho importante mencionar que essa foi a primeira autópsia psicológica realizada pela Polícia Civil no Piauí. Claro, com o apoio de três peritos da Polícia do Distrito Federal e, como eu mencionei, quem estava à frente dessa análise era a psiquiatra clínica e médica legítima,
Maria da Conceição Krauss. A Maria da Conceição afirmou ter reconstituído a trajetória de Fernanda Lages desde o nascimento até os últimos dias de vida. Foram seis meses de entrevistas, 27 pessoas ouvidas. A psiquiatra concluiu que Fernanda teria apresentado uma mudança significativa de comportamento nos seis meses que antecederam a tragédia, passando a sair com frequência, frequentar bares e festas,
e a consumir bebida alcoólica de forma excessiva. Tudo o que até aqui nós já sabíamos, né? Fernanda estava vivendo a vida adoidado. Mas a surpresa veio com o apontamento de episódios descritos como surtos psicóticos. Para Maria da Conceição Krause, Fernanda Lages apresentava transtorno bipolar do humor, transtornos mentais e comportamentais.
quadro teriam surgido ainda na adolescência, por volta dos 13 anos, quando já eram relatadas mudanças comportamentais consideradas fora do padrão esperado para a idade. Isso sem contar as suas dificuldades escolares. No trecho mais enfático da coletiva concedida pela médica, a psiquiatra declarou que entre fevereiro e agosto de 2011 houve uma mudança completa na curva de vida da jovem e que Fernanda teria
a adotar comportamentos de risco de forma recorrente, uso excessivo de cigarro, envolvimento sexual sem proteção, direção sob efeito de álcool e exposição constante a situações perigosas. Essa transformação, segundo Olaudo, teria causado afastamento de amigas antigas, do então namorado e um estranhamento por parte de familiares.
concluiu que Fernanda havia tirado a própria vida e o inquérito, com todas as devidas alterações, foi mais uma vez encaminhado ao Ministério Público do Piauí. Isso contrariou todas as expectativas. A divulgação do laudo em fevereiro de 2014 jogou mais um balde de água fria sobre o pai de Fernanda. O resultado foi tão decepcionante que Paulo Lages contratou um advogado para processar o estado do Piauí
da Conceição Krause. Paulo entendeu que a perita foi extremamente desrespeitosa com a imagem de Fernanda ao esmiuçar e divulgar a intimidade de sua filha. De acordo com um familiar que não quis se identificar, a psiquiatra foi tão cruel em suas palavras que só faltou chamar Fernanda de prostituta ao falar sobre sua vida sexual. Informações que chocaram e entristeceram a família. Eu tenho, vamos falar aqui,
off um pouquinho, né? Eu tenho alguns questionamentos internos sobre essa prática de autópsia psicológica. Porque, apesar de ter base legal e ser juridicamente aceita conforme decisão da sexta turma do STJ em setembro de 2022, ou seja, 10 anos aqui depois deste caso, tá? Na época do caso, ainda não era nada, nada comum. Como eu mencionei, foi a primeira vez que o Piauí usou isso numa investigação.
apesar dessa base legal, me causa desconforto. Um profissional traçar um perfil baseado apenas na visão que terceiros têm sob determinada pessoa. É como tentar tratar um paciente em terapia sem falar com o paciente. Você só fala com todo mundo que conhece ele, menos com ele, para saber qual é o perfil psicológico dele, sabe? No Brasil, esse tipo de análise ainda é pouco utilizado em investigações criminais. Um dos poucos casos conhecidos em que foi aplicado
foi o caso Pesseguini, quando o psiquiatra forense Guido Palomba realizou um laudo psiquiátrico post-mortem de Marcelo Pesseguini. E apesar de poder ajudar nas investigações, a autópsia psicológica não é considerada uma prova científica definitiva. Como ela envolve interpretações sobre comportamentos e emoções, ela também carrega elementos subjetivos.
precisa de mais padronização. No caso da Fernanda, as pessoas que estavam com ela ali no dia a dia diziam que ela tinha sede de viver, tinha muitos objetivos a alcançar, estava sempre sorrindo, marcando compromissos, fazendo planos. Mas a profissional que realizou o laudo afirmou que Fernanda tinha impulsos de suicídio. Eu me questiono se foram essas mesmas pessoas que disseram que ela tinha sede de viver
É claro que eu não tenho conhecimento técnico nenhum e estou aqui tricotando com vocês. Mas particularmente não me parece... me parece estranho diagnosticar uma pessoa que já morreu, uma pessoa que não pode dar voz aos próprios sentimentos e pensamentos, uma pessoa que nunca foi diagnosticada em vida e chegar e falar, ah não, ela é bipolar, ela tem problemas comportamentais. Mas enfim, quem sou eu na fila do pão, né? No processo penal, esse tipo de análise,
esse laudo psicológico post-mortem, ele é considerado uma prova atípica, ou seja, uma prova que não está totalmente regulamentada. Cabe ao juiz decidir se ele aceita ou não esse laudo como parte das evidências do caso. Na prática, ela funciona, esse laudo, como uma ferramenta de apoio à investigação.
Pode oferecer novas perspectivas sobre o caso, mas não é suficiente sozinha para determinar o que aconteceu. Quem vai aceitar ou não o laudo é o juiz e pronto, nada mais. Em 2017, o jornalista Enéas Barros lançou o livro-reportagem Boatos, Verdade e Reparação no Caso Fernanda Lages.
E uma última investigação foi realizada por Antônio Lunardi, perito da Polícia Civil de Brasília. Mas que nenhuma dessas investigações foram capazes de apresentar materialidade sobre um possível homicídio. As investigações conduzidas pelos promotores e pelo perito sequer tiveram as suas contas.
conclusões divulgadas. Para Enéas, a promotoria foi induzida pelo jornalista Arimatea Azevedo, aquele dono do portal Aze, para que perseguisse o engenheiro de Vago Castro, o colocando como suspeito pela morte de Fernanda e plantando essa hipótese no imaginário da população de Teresina. No dia 25 de agosto de 2020, dia em que a morte de Fernanda completou nove anos,
o arquivamento do caso pela falta de provas para determinação de autoria. Fato que impossibilitou, claro, o oferecimento de denúncia à justiça. Ou seja, depois de jogar o nome de Fernanda na lama e destroçar o coração de sua família, a conclusão do Ministério Público foi de que Fernanda foi assassinada. Não foi suicídio. Mas o Ministério Público foi incapaz de identificar e punir o criminoso. O que a gente chama popularmente de
No pedido de arquivamento do caso, o promotor João Malato, que assumiu o caso em 2017, diz
juntos na construção do prédio e caminharam cerca de 90 metros até outro ponto da obra, chegando às instalações do Ministério Público do Piauí. Subiram por uma escada de concreto até o sexto pavimento, já na cobertura do edifício, onde permaneceram por algum tempo. Por motivos ainda desconhecidos, o criminoso teria se irritado com Fernanda e se aproveitado de seu estado de vulnerabilidade agravado pelo efeito da bebida alcoólica das festas daquela noite,
o que tornou impossível ali qualquer reação ou possibilidade de defesa. O texto afirma também que o agressor teria imobilizado Fernanda e repentinamente jogado a vítima por cima da mureta de proteção da laje. Essa mureta tinha aproximadamente 1,40 m de altura, resultando aí em uma queda entre 27 e 30 metros até o corpo de Fernanda bater no solo do pátio.
apontaram traumatismo cranoencefálico e politraumatismo decorrente da queda, sendo essas as causas da morte. O autor do livro, o Enéas, ele questiona o conteúdo do pedido de arquivamento. Para o jornalista, embora o promotor tenha afirmado que não havia elementos para oferecer denúncia, o próprio documento menciona a atuação de um indiciado indeterminado, que teria seguido um plano pré-estabelecido.
E para o Enéas tem uma contradição aí, porque, segundo ele, é impossível afirmar a existência de premeditação quando você não tem um suspeito definido. Você não sabe se o cara premeditou ou não, se foi acidente ou não. Você não sabe quem é a pessoa. Então, como que se faz essa afirmação, né? A versão da promotoria contrasta, inclusive, com a avaliação do advogado da família de Fernanda. Lucas Vila, que também defende a tese de homicídio, propõe uma dinâmica distinta.
seria mais plausível que Fernanda estivesse em uma relação de confiança com alguém e que, em um eventual empurrão, tivesse ocorrido, no contexto ali de um desentendimento momentâneo, né, esse homicídio, e não que teria resultado de um plano previamente arquitetado por alguém que tivesse à espreita esperando atacar a vítima. A morte de Fernanda Lages e a conclusão do caso entraram para o hall de crimes sem solução.
processo do ponto de vista legal, mas não dissipou as dúvidas, não esclareceu as divergências e, sobretudo, deixou a família sem respostas para questionamentos que atravessaram a investigação desde o início. Em novembro de 2025, pouco mais de 14 anos após o falecimento da filha, Paulo Lages concedeu uma entrevista onde afirmou com todas as letras jamais ter aceitado as hipóteses ventiladas pela Polícia Federal e pela perita Maria da Conceição Krause.
sobre o suicídio de Fernanda. O desfecho foi decepcionante. Em virtude dos acontecimentos iniciais, a perícia, a fragilidade da perícia, o local, foram coisas que nunca ficaram respondidas. O fato que causa mais inconformismo em Paulo é a convicção de que não houve esforço por parte das autoridades para compreender o que teria levado a Fernanda a entrar nas obras do Ministério Público, uma obra que possuía vigia e portão com cadeado.
Ele também trouxe a informação de que aquela não teria sido a primeira vez de Fernanda no local, um detalhe importante e jamais divulgado, que afastaria a hipótese do suicídio, de acordo com o pai. Paulo também sustenta que a condução do caso não refletiu a realidade dos fatos, mencionando o suposto desaparecimento de provas e possíveis influências externas de pessoas com poder. Ele fala isso tudo sem citar nomes.
sentido depois da morte da filha. O mundo, para mim, só foi mundo até aquele dia. Eu vou aguardar o que Deus me reserva, mas não existe dor maior do que a que eu sinto. A última vez que Paulo Lages falou com a filha foi na noite anterior à sua morte, em agosto de 2011. Foi uma ligação rápida, simples, corriqueira. Ele lamenta não ter tido a oportunidade de se despedir da menina, abraçá-la. Por muito tempo, manteve no seu celular as mensagens
que a filha deixou. Durante mais de um ano após a morte de Fernanda, Paulo escrevia cartas endereçadas a ela para conseguir lidar com as saudades. Ele afirmou, É como se eu estivesse conversando com ela. Tudo que eu falo não me satisfaz. Eu tenho que colocar no papel. E eu tenho a certeza que ela vai estar sempre lendo. Mesmo descrente com o trabalho da polícia, Paulo segue sua vida ao lado da esposa Josélia e de um filho nascido depois do falecimento.
de Fernanda. Eu tenho lembranças. Não tenho um dia na minha vida que não lembre da Fernanda. Hoje a tenho como meu anjo da guarda. Tenho um filho especial e peço para proteger. No dia que for a minha hora, não vou com tristeza, pois vou encontrar a pessoa que mais amo na vida. E esse foi o caso Fernanda Lages, um mistério que assombra as crônicas policiais do Piauí até hoje.
uma mulher é sempre colocada em jogo, como uma mulher é sempre julgada mesmo quando é vítima de um crime brutal. E como a desinformação, as fake news da vida, transformaram este caso num espetáculo impossível de solucionar, criando versões completamente fantasiosas que desviaram o foco da apuração real dos fatos, da vítima e de sua família, que merecia poder encerrar esse ciclo de dor com justiça, mas foram privados desse direito.
caso. Amanhã, quinta-feira, eu vou postar as imagens deste episódio lá no Instagram e no Twitter. Sigam a gente, somos o arroba café com crime no Insta e o arroba café c crime lá no X. Comentem lá comigo o que vocês acharam deste caso. Eu volto daqui a duas semanas, não na próxima quarta, mas na outra, com um novo episódio pra vocês. E até lá, fiquem de olho nas amigas na saída da balada. Porque de desgraça, já basta esse podcast. Tchau, tchau.
Esse episódio foi roteirizado, produzido e apresentado por mim, Stephanie Zorubi. Pesquisa e roteiro de Ana Paula Almeida, com design de som de Luiz de Calistrato. As fontes de pesquisa utilizadas neste episódio foram
Portal do Jornalista Eneas Barro, Portal AZ, Portal R7, Portal Cidade Verde e Portal Viagora.