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192 | CASO ROSEMARY: o assassinato que ninguém conseguiu julgar

15 de abril de 20261h5min
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Em 1989, em Salvador, Rosemary Cardoso Neves marcou um encontro com o ex-namorado, o empresário Otto Willy Jordan. Porém, a noite que começou com reconciliação e romance terminou com um corpo sem vida dentro de um quarto de hotel. O que vem depois é marcado por depoimentos controversos, reviravoltas, acidentes trágicos e fugas dignos de filme. Porém, cada curva que a história tomava, a distanciava ainda mais da verdade: o que realmente aconteceu naquele quarto de hotel?

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Créditos:

Produção, apresentação e roteiro por Stefanie Zorub

Edição e desenho de som por Luigi Calistrato

Roteiro e pesquisa for Ana Paula Almeida

Participantes neste episódio1
E

Esté Zorubi

Hostpodcaster
Assuntos3
  • Caso Rosemary Cardoso NevesAssassinato de Rosemary · Investigações Policiais · Otto Willi Jordan · Neide Tereza de Souza · Feminicídio
  • Reviravoltas na investigaçãoDesaparecimento de Otto · Morte de Neide · Acidente de avião de Otto
  • Contexto social e familiarVida de Rosemary · Impacto na família
Transcrição170 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O hotel estava movimentado naquela terça-feira, mas aquele estava longe de ser um dia comum. Um hóspede rico, influente e poderoso ligou para a recepção e avisou. Alguém está passando mal no meu quarto. Mande o gerente entrar lá. Um funcionário obedeceu e foi até o quarto. Parou em frente à porta, que tinha uma placa. Não perturbe.

O silêncio começou a incomodar. Quem quer que estivesse ali dentro não estava em condições nem de vir até a porta. O funcionário obedece às ordens que recebeu e... E o que ele encontra do outro lado não faz sentido à primeira vista. Sangue. Uma mulher caída. Baleada. Mas o mais assustador é que ela ainda estava viva.

Esse é o episódio 192 do Café com Crime, o caso Rosemar Albuquerque, o assassinato que ninguém conseguiu julgar.

Alô, olá, alô, vai tudo bem? Bem-vindos ao Café com Crime, o podcast onde você pode ser o aficionado por crimes reais que você é, sem julgamentos. Eu sou a Esté Zorubi, ou dona café, como preferir, e hoje vamos falar de um caso ocorrido em 1989, lá na Bahia. Um caso que envolve uma mulher apaixonada e um homem rico e poderoso. A partir do momento em que um funcionário do hotel abre a porta e encontra essa mulher baleada,

O que deveria ser uma investigação bem direta, começa a tomar rumos cada vez mais estranhos. Pessoas desaparecem, peças-chaves deixam de existir e respostas nunca chegam. Esse é o tipo de caso que quanto mais você tenta entender, mais ele te escapa. Porque aqui não é só sobre o que aconteceu naquele quarto. É sobre tudo o que veio depois. É revirar a volta que não acaba mais. É sobre como uma história pode simplesmente...

terminar sem explicação. Essa é a história de Rosemaria Buquerque. Mas antes de ir pro caso, não deixe de seguir a gente aí na plataforma onde você tá ouvindo. Ative as notificações pra não perder nenhum episódio novo. E se puder, deixe sua avaliação também. Parece pouco, mas pra Dona Café aqui e toda a equipe, isso é tudo.

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Eu vou deixar o link na descrição do episódio também. Lembrando que este podcast faz uso de efeitos sonoros, então se puder, escute de fone de ouvido. E um alerta de gatilho, vamos tratar de temas como violência, relacionamentos tóxicos e suicídio. E com isso, bora começar do começo?

Eu vou começar esse episódio desbloqueando a memória afetiva dos baianos com mais de 40 anos. Eu não sou baiana e não estava por lá nessa época, mas eu ouvi dizer que todo mundo levava um alimbinha de chocolate ou morango na lancheira da escola. É isso mesmo? E que tinha também o programa Parquinho da Tia Arilma e umas brincadeiras que presenteavam as crianças com alimbinha, a mais deliciosa merendinha.

Bom, se você, como eu, não é da Bahia, ou nasceu em meados aí já dos anos 90, calma que eu vou explicar. O Alimbinha era uma miniatura da caixa de leite de produtos alimentícios da Bahia, a Alimba. Era uma marca de laticínios, a mais popular do estado entre os anos 60 e 90, e que liderou a venda de leite UHT por décadas e marcou o imaginário do povo baiano por gerações. Depois, mais pra frente ali...

Anos depois, quando a Alimba foi vendida, ela acabou virando a Parmalat. E por que eu estou trazendo essa memória? Pois o diretor-presidente da Alimba era o paulistano Otto Willis Jordan, um homem poderoso, muito reconhecido por sua competência nos negócios em todo o meio empresarial no Estado. Mas ele também era bastante comentado nas rodinhas da elite baiana por seu temperamento, digamos assim, difícil.

E com esse temperamento difícil, vem crime.

A Limba era uma empresa familiar que empregava cerca de 2 mil trabalhadores e era a menina dos olhos do bairro Valéria, em Salvador. Quando a fábrica super modernosa chegou ali pelo bairro, trouxe para as pessoas ali daquela comunidade muitos trabalhos, empregos diretos e indiretos, e realmente movimentou ali aquele local, naquela comunidade. Em 1989, os negócios da Limba iam de vento em popa.

Mas a vida pessoal de Otto Willey era marcada por instabilidade. Ele já tinha se separado de duas esposas, levava uma rotina bastante agitada, com festas quase diárias, e se envolvia com diferentes mulheres, muitas delas vindas de contextos sociais bem diferentes do seu. Inclusive, antes de seguir um pouquinho mais com essa história, eu acho relevante relatar que o fim de um dos casamentos de Otto Willey foi...

bem complicado para sua ex-esposa Lígia. É que depois que ela declarou que tinha o desejo de se separar do empresário, Otto articulou, junto ali com a sua própria família, a internação de Lígia em um sanatório, contra a sua vontade. A mulher foi levada à força para o Instituto Morumbi de Psiquiatria, numa manobra que tinha como objetivo declará-la incapaz.

e assim rotulá-la como louca, para impedir que o desquite, que aquele divórcio fosse adiante. A situação era tão grave que o advogado Aldo Linzi Silva, que era amigo e defensor da Ligia, acabou preso após ajudá-la a escapar do local. Mais tarde, o STF reconheceu que Ligia havia sido mantida em cárcere privado e confirmou que a internação não tinha respaldo médico legal.

ou humanitário, mas que teria sido usada como instrumento de controle, uma maneira ardilosa para silenciar uma mulher que desejava se separar de Otto Willey. Fica evidente, só com esse pequeno histórico, que Otto se via acima das leis e recorria à sua prepotência, influência e poder para manipular tanto a justiça quanto a opinião pública.

A verdade é que dizer que ele era uma pessoa de temperamento difícil parece não refletir o que ele realmente representava. Ele era o tipo de pessoa que despertava sentimentos controversos naqueles com quem convivia. Alguns o admiravam pelo seu comportamento, o achavam corajoso e ousado. Outros simplesmente não o suportavam. O seu temperamento difícil, sempre disposto a contestar, discordar ou transformar banalidades em grandes debates,

fazia com que Otto se envolvesse com frequência em conflitos e polêmicas, tornando a convivência com ele algo bastante difícil e cansativo. E como se sua personalidade e atitudes questionáveis que não lhe traziam nenhuma consequência não bastassem, Otto Willey ainda promovia orgias com adolescentes regadas à bebida e cocaína.

Quando algo não saía exatamente do jeitinho que ele queria, o seu lado violento e manipulador vinha uma tona. Otto era uma bomba relógio.

Em dezembro de 1988, Otto Willis Jordan conheceu a gerente Rosemary Cardoso Neves de Albuquerque, uma jovem de 22 anos responsável pela loja Cinelândia no Shopping Barra, em Salvador. Apesar de jovem, Rose era uma mulher separada e mãe de um menino de 4 anos. Ela vivia com o filho e com a mãe, Dolores Cardoso Neves, de quem ela era filha única, e viviam todos juntos em Salvador.

Rosemary dava um duro danado para cuidar da criança e suprir suas necessidades, mesmo que tivesse o apoio do ex-marido, o César Menezes de Albuquerque, para criar o filho. Mas as dificuldades que ela enfrentava no dia a dia não eram capazes de desanimá-la, não. A comerciária estava sempre com um sorriso no rosto, e quem a conheceu garante que era daquelas pessoas que gostava demais da vida. Rosemary era feliz com a vida que levava.

O primeiro encontro entre Otto e Rosemary aconteceu no clube Mediterrâneo, e nem o abismo social que os separava, nem a diferença de 20 anos de idade entre eles, foram capazes de interferir na força da atração que sentiram um pelo outro.

A partir daquele momento, os encontros entre eles ficaram cada vez mais frequentes. Ela parecia apaixonada por Otto, e juntos chegaram a viajar para Porto Seguro, onde passaram dias felizes, aproveitando a companhia um do outro e vivendo a intensidade daquele início de romance.

O problema é que o empresário não queria romance. Ele já havia sido casado duas vezes e, nos últimos anos, estava aproveitando a vida de solteiro adoidado, se envolvendo com muitas mulheres e não se prendendo a nenhuma delas. Uma situação difícil para Rosemary e que provavelmente serviu de estopim para brigas e para o fim do relacionamento em seguida. Porém, apesar do fim da relação, o contato não foi interrompido.

No dia 19 de junho de 1989, Rosemary ligou para o escritório de Otto para colocar a conversa em dia, dizer que estava com saudades, que havia revelado o filme com as fotos que tiraram em Porto Seguro. E com essa desculpinha, perguntou se poderiam se encontrar para que ela pudesse entregar algumas cópias das imagens em mãos para o ex-namorado. O empresário foi receptivo. Ele gostava da companhia de Rose.

e a convidou para jantar em um flat triplex de propriedade da empresa Alimba, que ficava localizado no Apart Service Manhattan. Ficava ali na rua Maranhão, no bairro da Pituba, no coração de Salvador. Rose aceitou o convite. Ela avisou a mãe, Dolores, desse encontro e pediu que a mãe deixasse o portão aberto, pois ela retornaria para casa.

E aí ela foi lá para o triplex do empresário se encontrar com ele ainda naquela noite no horário marcado. A Rosie apareceu no local, ela estava assim radiante de feliz. E no bar do hotel os dois conversaram, riram, se reaproximaram, lembraram da sintonia, lembraram da química, daquela atração que eles tinham um pelo outro. E ali decidiram reatar o relacionamento.

Dali, depois de muito bate-papo e alguns drinks, o casal subiu para o apartamento 1405 para finalizar a noite e planejar os próximos passos daquele namoro. Os próximos passos do futuro dos dois juntos. Porém, a noite que começou com paixão, terminou em morte.

Os funcionários do Aparte Service Manhattan estavam bastante atarefados na manhã do dia 20 de junho de 1989. A correria daquela terça-feira era tanta que eles mal conseguiam prestar atenção em quem entrava ou saía do prédio. Quando o relógio marcou 11 horas, o telefone da recepção tocou. Era uma ligação externa.

Do outro lado da linha, uma mulher que não quis se identificar pediu que um funcionário subisse até o apartamento onde Otto Willi Jordan havia dormido com Rosemary, porque havia uma mulher dentro do quarto, passando mal. O tom da voz não remetia a nenhum tipo de urgência. Mesmo assim, um funcionário foi até o local.

Na porta do quarto, encontrou uma placa com os dizeres não perturbe pendurada na maçaneta. Como o funcionário não ouviu nenhum barulho vindo de dentro do apartamento, ele resolveu que não ia perturbar. Ia seguir o que estava escrito na placa. Ele pensou que talvez aquela ligação se tratava de algum tipo de trote e retornou à recepção para dar continuidade ao seu trabalho.

Por volta do meio-dia, o telefone tocou mais uma vez. Quando o funcionário atendeu a ligação, Otto Willis Jordan é quem estava do outro lado da linha. O hóspede, exemplar...

sempre calmo e muito educado com todos os colaboradores daquele hotel, pediu para que um funcionário subisse até o seu apartamento. E, dessa vez, ele foi um pouquinho mais enfático. Confirmou que havia uma mulher passando mal lá dentro do imóvel, que ela precisava de ajuda imediata, e autorizou que os funcionários abrissem a porta, sem a presença dele, para que pudessem ali pedir por socorro.

O gerente Edmilson Medeiros foi quem subiu ao apartamento. Afinal, Otto era um dos clientes mais influentes do Apart Service Manhattan e merecia um tratamento especial. Ao lado de alguns funcionários, Edmilson bateu na porta. Mas como não houve respostas, obedeceu às ordens do empresário e arrombou a porta do apartamento.

Assim que tiveram acesso ao imóvel, perceberam um rastro de sangue que saía do banheiro e seguia em direção ao quarto. Uma cena que, por si só, já desperta as piores sensações e causa aquele frio na espinha. Mas quando o gerente entrou no cômodo, o choque foi ainda maior. Rosimari estava caída sobre a cama, com uma marca evidente no lado esquerdo do peito e em volta em muito.

Muito sangue. A correria foi tamanha, que enquanto alguns tentavam acionar uma ambulância, outros se debruçaram sobre a jovem para verificar se ainda havia algum sinal vital. E havia.

Mesmo respirando com extrema dificuldade, Rosimari ainda lutava, do jeito que podia, pela própria vida. Não havia tempo a perder, e o gerente rapidamente decidiu que esperar por socorro poderia custar a vida de Rosimari. Com a ajuda dos funcionários do Manhattan, ele a colocou no carro e a levou às pressas para o Hospital Jorge Valente, no bairro Rio Vermelho.

Assim que chegou, Rose recebeu atendimento imediato e foi encaminhada com urgência para uma cirurgia cardíaca emergencial realizada pelo médico Gabriel Ata. Mas apesar dos esforços do doutor Gabriel e da sua equipe, Rosemary não resistiu aos ferimentos e veio a óbito ainda durante a intervenção por choque hipovolêmico. Ou seja, ela sangrou até a morte.

O enterro aconteceu na tarde de 21 de junho, no cemitério Jardim da Saudade, no bairro Brotas, e reuniu poucas pessoas. Revoltados, os familiares de Rosimari não permitiram o acesso da imprensa e ameaçaram os jornalistas que tentaram acompanhar o velório.

O motivo era o desespero da família e amigos em entender o que aconteceu. Precisavam de um momento de privacidade, porque afinal, o que é que aconteceu no quarto daquele hotel? Uma pergunta curta e direta que deslanchou uma investigação cheia de reviravoltas. A polícia civil foi acionada e o delegado Itamar Casal, da 7ª Circunscrição Policial de Salvador, assumiu o caso imediatamente.

No apartamento, sua equipe encontrou bilhetes e cartas de mulheres endereçadas ao empresário Otto Willi Jordan. Entre os pertences do casal, também localizaram fotos da recente viagem romântica, aquelas mesmas imagens que Rosemary estava tão ansiosa para entregar para Otto naquela noite.

E entre fotos de momentos felizes e sorrisos fáceis, duas delas se destacaram por serem perturbadoras, digamos assim. Em uma delas, Otto está ensinando Rose a atirar. E em outra, que eu particularmente considero muito pior, o empresário está abraçando a namorada e apontando a pistola para o seu pescoço. Como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Não se trata de uma imagem em que Rosemary aparentava estar intimidada ou incomodada, nada disso. Ela aparenta extrema felicidade e provavelmente interpretou ali a situação como uma brincadeira boba que não merecia atenção ou desgaste, sabe? Mas mesmo assim, não deixa de ser uma foto aterrorizante, porque nem de brincadeira, nem pra pousar, nem pra nada, você deveria apontar uma arma pra uma pessoa, né? Enfim.

sabendo também o contexto de como tudo acabou entre eles, você vê essas fotos e...

Meu Deus, sabe? Tirando essas fotos e as cartas de outras mulheres, nada demais foi encontrado ali. A cena do crime no quarto do hotel estava em ordem. Não havia sinal de brigas acaloradas, nada quebrado, nada, sabe? No máximo, dava para perceber que houve uma discussão, pois o local estava um pouquinho revirado. A arma do crime também não foi localizada ali.

A perícia foi acionada e constatou que Rosemary havia sido alvejada no banheiro da suíte a uma distância de aproximadamente meio metro e levada até a cama após o disparo. As toalhas do apartamento foram usadas em uma tentativa, frustrada, de limpar o cômodo e também foram deixadas encharcadas com o sangue da vítima para trás. O suspeito do crime? Ele mesmo, o dono da Alimba e influente homem ali da Bahia.

Otto Willi Jordan. Foi ele que ligou para informar que Rosemary estava passando mal. Sabe-se lá quanto tempo depois do tiro que a vítima havia levado. Com as evidências, a polícia necessitava falar com o empresário. Mas ele achou de bom tom sumir feito fumaça, sem dar nenhuma explicação às autoridades. Dinheiro para desaparecer era o que não faltava, né?

O caso, claro, logo ganhou os noticiários locais e não demorou até explodir na grande imprensa. No dia 22 de junho de 1989, o estado de São Paulo publicou Empresário é suspeito de matar namorada.

Era uma matéria de grande destaque que ocupou um quarto da página 21 com a fatídica foto da viagem a Porto Seguro, onde Otto aponta uma arma para o pescoço de Rose. Eu vou postar essa foto lá no Instagram do Café com Crime, é o arroba Café com Crime. Se vocês quiserem ver, é só seguir a gente lá.

Com o ego que ele tinha, Otto não curtiu muito ver o seu rosto estampado país afora. Era inconcebível que as pessoas o conhecessem pelo que havia acontecido a Rosemary, e não pelo seu incrível trabalho à frente da empresa Alimba. Foi então que, no dia 23 de junho, ele decidiu se apresentar à polícia para prestar depoimento ao delegado Itamar Casal. A essa altura, já havia outra pessoa no radar da polícia também.

E muitas perguntas que Otto deveria responder. É que entre um atendimento e outro lá no edifício Manhattan, a saída de Otto não passou totalmente despercebida pelos funcionários. E ao contrário do que muitos pensavam, ele não estava sozinho com a Rosemary em seu luxuoso apartamento. Pois ele foi visto deixando o prédio, na manhã do dia 20, ao lado de outra mulher. Uma mulher alta.

Inclusive, teria sido essa mulher a responsável por pendurar a placa de não perturbe na porta do apartamento 1405. A dúvida da polícia era se a mulher que deixou o prédio ao lado do Otto seria também a mulher que fez a primeira ligação para o Manhattan para denunciar que Rose estava agonizando no quarto. O Otto não agiu sozinho. E agora que ele havia se apresentado à polícia, todos os olhos buscavam por sua cúmplice.

E parecia até que Otto estava ansioso para dar tudo o que a polícia queria. Ele compareceu à delegacia acompanhado de Thomas Bacelar, um dos maiores advogados criminalistas do Estado. Ele apresentou sua versão dos fatos, entregou a arma que disparou contra o peito de Rose, uma Colt 45, e revelou a identidade da mulher que deixou o prédio ao seu lado três dias antes.

Bastante confiante e cara a cara com o delegado, o empresário afirmou que ele jamais faria qualquer mal a Rosemary e contou que ela, na verdade, não havia sido vítima de um assassinato.

Otto Willi contou para o delegado casal como conheceu Rose e descreveu o relacionamento com a comerciária. Explicou que recebeu a ligação da então ex-namorada em seu escritório no dia 19 de junho e que topou se encontrar com ela para que pudessem conversar e receber as cópias das fotos que tiraram em Porto Seguro. O encontro aconteceu por volta das 8 da noite.

E como os dois decidiram reatar o namoro, que haviam terminado pouco tempo antes, Otto e Rose decidiram terminar a noite no apartamento do empresário, onde dormiram juntos. A surpresa aconteceu na manhã do dia seguinte, quando acordou por volta das 9h15 da manhã e não encontrou a namorada na cama. Segundo Otto, ele então levantou e foi procurá-la no banheiro. Chamou uma vez, duas vezes para o Rose e não obteve resposta.

A porta estava trancada por dentro. Foi então que, segundo ele, pegou um cortador de unhas para manipular a fechadura. A tentativa deu certo e, ao abrir a porta, encontrou Rose caída no banheiro com um tiro no peito e a pistola do Otto ao seu lado, ali na sua mão direita. Em todo o tempo, Otto alegou que não ouviu o barulho do disparo da arma por ter um sono pesado demais.

Diante daquela cena, o empresário contou que ficou desnorteado. Aquela cena ali não fazia o menor sentido, já que o casal estava super feliz, reatou na noite anterior, faziam planos juntos para o futuro. Então, ele ficou assim sem saber o que fazer. E diante da namorada ferida com um tiro caído ali no chão, o que ele fez? Ligou para a polícia? Pediu socorro?

Não, ele achou melhor ligar para Neide Tereza de Souza, uma mulher com quem namorou por dois anos e ainda mantinha uma relação de cumplicidade e de extrema confiança. Muitas vezes ela é chamada de amante pelos jornais da época.

A Neide não hesitou em largar o que estava fazendo para atender o apelo do ex, do amigo, ex, não sei. E ela foi até o Manhattan Resident Service para dar apoio ao empresário. E foi lá que ela deu de cara com Rosemary Nua, jogada no banheiro do imóvel, agonizando e sangrando muito.

Juntos, eles tiveram a ideia de vestir a Rose com uma bermuda e carregá-la até a cama, onde repousaram o seu corpo. Não se sabe se Neide tentou colocar juízo na cabeça de Otto para buscar ajuda, mas enquanto esteve dentro do apartamento, ela o ajudou a arrastar o corpo da vítima e também fizeram ali uma tentativa inútil de limpar o banheiro com as toalhas do local.

Sem muito sucesso e sem a intenção também de acionar socorro para a vítima, que ainda estava viva, o casal deixou o apartamento por volta das 10h45 da manhã e não voltou mais.

Se bateu um peso na consciência, ou se eles realmente não sabiam o que fazer diante da situação, nós não sabemos. Mas assim que eles saíram do prédio deixando Rose para trás e alcançaram uma distância segura do local, eles pararam em um poço de gasolina para que Neide pudesse ligar para o hotel de um orelhão e falar sobre a vítima no quarto.

No entanto, diante do silêncio vindo do apartamento e do aviso de não perturbe na maçaneta, a ligação de Neide não deu muito resultado. Não foi o suficiente para que os funcionários abrissem a porta do apartamento. Foi só ao meio-dia, quando Otto fez a ligação, que o gerente teve a iniciativa de arrombar a porta.

E também ele não agiu tão rápido assim, viu? Até porque a informação que recebeu o gerente, né, dava conta de que havia alguém passando mal no apartamento. E não que alguém estivesse ferido por arma de fogo. Então, pra que pressa, né? A ligação de Otto foi feita ao meio-dia, mas Rosemary só foi socorrida ao hospital por volta da uma da tarde. E foi ali que ela morreu, pouco tempo depois.

Então vamos fazer as contas. Se Rosemar atirou contra o próprio peito, como alegou o Otto Willi, por volta das nove da manhã e só recebeu atendimento médico lá pelas uma da tarde, ela ficou agonizando no quarto por aproximadamente quatro horas.

sem nenhuma intervenção. E sabe o que é pior? Gabriel Atta, o médico que a atendeu, garantiu à polícia que se ela tivesse recebido atendimento de urgência pouco tempo após o disparo, Rosemary teria sobrevivido.

Depois do depoimento, Otto Willis Jordan deixou a delegacia pela porta da frente, porque escapou do flagrante. Ele foi apenas submetido a um exame pericial e residuográfico para detectar a presença de pólvora nas mãos.

Se sua versão fosse comprovada, ele seria indiciado, no mínimo, por omissão de socorro. O advogado que o acompanhava garantiu em entrevista que se o caso fosse configurado como assassinato, ele, o advogado, deixaria o caso. Neide também prestou depoimento, mas suas declarações não acrescentaram em nada à investigação. A mulher apenas confirmou tudo o que o Otto já tinha dito anteriormente, em um discurso ali bem ensaiadinho.

A família da vítima, de Rosemary, claro, não acreditava na versão da dupla, pois Rose não enfrentava problemas psicológicos ou financeiros que pudessem justificar um ato de desespero como esse. A jovem tinha planos a longo prazo ao lado da mãe e do filho, além de estar em busca de melhores condições de trabalho para garantir qualidade de vida para a família. Em entrevista à imprensa, a tia de Rose, chamada Zilda Neves, afirmou.

Rosemary adorava a vida, a natureza e amava a mãe e o filho. Em momento algum, Rose deixava a mãe sozinha. Ela sempre foi muito alegre, praticava esportes, enfim, era viva. Zilda classificou Otto e Neide como monstros e disse que o ex-casal já havia matado sua sobrinha e estava agora tentando matar Dolores aos poucos.

É, é tenso. Por isso vamos dar uma pausa, tomar um gole de café e falar de algo que precisa da sua atenção. Aquela que vê os mínimos detalhes, sabe? Que só crimezeiro mesmo tem essa atenção que a gente precisa. Porque tem coisa que a gente só percebe quando a gente repara de verdade.

Tipo rotina. Todo dia parece igual, mas não é. A temperatura muda, você se movimenta, resolve mil coisas, entra e sai de lugares. E no meio disso tudo, tem um detalhe quase invisível que pode facilitar ou complicar tudo.

A roupa, se ela esquenta demais, prende o movimento ou incomoda depois de algumas horas, ela não está te ajudando. Está virando mais um problema para resolver, mais um caso para solucionar. É exatamente aí que a Insider entra como a peça que muda essa história. São peças pensadas para acompanhar o seu ritmo de verdade.

Tipo a Wingsuit, que é uma das minhas favoritas. Uma roupa que funciona no trabalho, no deslocamento, em diferentes temperaturas. E continua confortável o dia inteiro. Sem esforço, sem complicação. E se você está realmente prestando atenção, aqui vem o detalhe que muda tudo pra você, crimizeiro. Com o cupom CAFÉ COM CRIME, você garante 15% OFF na primeira compra. Ou 10% OFF se já for cliente insider.

É uma roupa boa que resolve o mês, então muito obrigada, Insider. E com isso, posso voltar para o crime.

A demora na entrega dos resultados dos exames impediu que as investigações avançassem. E dez dias depois da localização de Rosemary, ainda não era possível traçar a trajetória da bala que a matou, assim como determinar se ela havia ou não tentado contra a própria vida.

Mas o faro investigativo do delegado Itamir, somado ao fato de ele não se intimidar nem um pouco com o poder e a influência de Otto, deixava o agente da lei bastante à vontade para conceder declarações polêmicas à imprensa. Para ele, Rosemary foi, sim, vítima de um homicídio cometido por Otto e Neide.

Itamir Casal era um homem experiente. A cena do apartamento certamente o havia entregado muitas pistas. E, além disso, ele foi puxar a capivara do empresário, né? Era importante saber com quem estava lidando. E foi aí que o delegado encontrou na ficha do bambambam dos laticínios um homicídio culposo por atropelamento, aquele escândalo com a ex-mulher Lígia e alguns casos onde Otto agiu com emprego de violência.

tanto em São Paulo quanto em Salvador. Isso sem falar que ele conseguiu sua pistola no mercado paralelo, né? Ele tinha contato com traficantes de armas e tudo. O negócio realmente não estava muito bom para o seu lado. E vocês lembram que Otto alegou não ter ouvido o disparo que matou Rose? Pois um exame de acústica realizado no banheiro do apartamento desmentiu sua versão.

e comprovou que, mesmo que ele estivesse dormindo o sono mais pesado do mundo, o barulho provocado pelo disparo o acordaria, já que o som emitido poderia ser comparado à de uma bomba de festa junina estourando bem do ladinho do seu ouvido.

Agora vai dizer que você não acorda com isso. Ou seja, essa desculpa dele aí não estava colando. No dia 5 de julho, Otto prestou um novo depoimento. Dessa vez, ele teria que encarar Gildásio de Andrade Lima, um funcionário do hotel, que foi uma testemunha ocular.

Ele disse que viu Otto Willi entrar no condomínio no dia 19 de junho com outra mulher pouco antes de Rosemary chegar ao local para encontrar Otto. É assim, parece que tudo foi premeditadinho assim, sabe? Não foi bem esse acidente todo, esse suicídio espontâneo de Rosemary no banheiro do hotel, entendeu? O Otto Willi negou essa informação.

Ele disse que estava com um amigo chamado Jorge Melo no momento em que Gildásio disse que o viu com outra mulher. O funcionário do hotel não recuou não, nem na frente ali do empresário poderoso. Ele continuou afirmando que Otto havia entrado pela garagem do hotel com uma moça, que não era Rosemary, pouco antes das oito da noite, que foi o horário marcado do encontro com a Rosemary.

Infelizmente, o resultado desse bate-boca não deu em muita coisa, foi uma acariação que não levou e não deu em nada, porque diz que me disse, né? Um disse isso, o outro disse aquilo e ficou por isso mesmo. Mas os trabalhos daquele dia não estavam totalmente perdidos. É que o resultado do exame de pólvora, realizado tanto em Otto quanto em Neide, deram positivo para os dois. Um exame que descartou a hipótese de suicídio.

Otto registrou uma quantidade menor de pólvora em suas mãos. Mas como o exame foi realizado 48 horas depois do disparo, depois da morte de Rosemary, era um resultado até que esperado, que fosse uma quantidade menor de pólvora.

O que realmente surpreendeu foi a quantidade de pólvora encontrada nas mãos de Neide, mesmo após as mesmas 48 horas. Foi uma quantidade bastante alta, então ficou uma grande dúvida. Seria Neide a mulher que chegou com Otto ao apartamento antes da Rose? Teria tudo sido premeditado? E, claro, teria a participação de Neide sido muito maior do que apenas...

a remoção do corpo ali do banheiro, a tentar limpar a cena do crime. Até então, ela parecia que era uma personagem secundária, uma cúnclice que veio só depois do crime para tentar ajudar o Otto a se livrar. Mas agora, com a quantidade de pólvora nas mãos dela, esse cenário mudava.

O fato é que mesmo diante do resultado desse exame, Itamir disse que não era capaz de colocar a Neide na cena do crime. Isso porque Otto a excluiu do local e garantiu em vários depoimentos que ela não estava no apartamento quando Rose atirou contra si.

E apesar daquela testemunha ocular do Gildásio, não tinha mais ninguém ou mais nada que pudesse a colocar no local, sabe? Então acabou meio que anulando a declaração de Otto, né? Anulava tudo isso. Sinceramente, eu achei esse ponto meio obscuro, porque o Gildásio viu uma mulher com Otto pouco antes do encontro com Rose, ali no bar daquele hotel, na noite do dia 19 de junho. Mas ninguém...

viu outra mulher chegar na manhã do dia 20 para socorrer o amigo desesperado diante do suicídio da sua atual namorada. Então fica a dúvida, será que essa mulher, que no caso suspeita-se, né, que era a Neide, estava ali desde sempre?

Não foi que o Otto, ele relatou que ligou pra ela depois de encontrar o corpo de Rose pra pedir ajuda, mas ninguém viu ela chegando. Ela chegou na noite anterior. Então ela sempre esteve ali no quarto, com Otto e Rose.

É bem esquisito tudo isso, né? E também tem o fato de que, apesar da gente estar falando aqui de 1989, já havia câmeras de segurança nesse hotel. Analógicas, né? Com uma imagem péssima, mas existiam. E me surpreende que um edifício como esse, com moradores tão ricos, não dispusesse de um sistema de segurança que fosse capaz de confirmar, ou não, essa versão do empresário.

Mas, ao que tudo indica, ninguém conseguiu comprovar como a Neide chegou, como ela entrou, quando ali no Manhattan Residence Service, naquele hotel de triplex, de apartamentos. Mas aí, diante de tudo isso, o depoimento do funcionário e o resultado do exame de pólvora não seriam mesmo capazes de colocar a Neide na cena do crime?

Aparentemente não, pois ela foi capaz de providenciar um álibi.

Pois é. José Araújo de Lima, o caseiro de Neide, garantiu que a patroa passou a noite de 19 para 20 de junho em casa, que ele a viu sair de casa pela manhã e retornar no início da tarde com o Otto, que estava bastante nervoso. E isso foi suficiente para livrá-la da acusação.

Poucos dias depois, uma nova reviravolta abalou o caso. Itamir solicitou a exumação do corpo de Rosemary após receber a informação de que os peritos do Instituto de Criminalística haviam omitido detalhes importantes. A vítima apresentava ferimentos na mão esquerda e nos lábios.

Para o delegado, esses sinais indicavam que Rosimari poderia ter travado uma luta corporal antes de morrer, e assim também indo total de confronto com a tese do suicídio que foi levantada pelo Otto Willi. Então como que eles omitem isso, né?

Rolou um pagamentozinho ali? Não sabemos. O que sabemos é que o delegado conseguiu ver além e ele requereu que Neide fosse submetida a um exame de corpo de delito, porque chegou ao seu conhecimento também que a ex-namorada de Otto ostentava marcas de unhas no tórax. Então, assim...

A gente recebe a informação de que a vítima tem ferimentos e agora recebe a informação de que Neide tinha algum tipo de marca de unha no seu tórax.

Tá juntando as peças? Pois é. Mas esse exame de corpo de delito foi pedido 20 dias depois do crime. Então, àquela altura, qualquer ferimento que Neide pudesse ter no corpo, provavelmente já teria desaparecido. E esse foi outro furo da investigação. Depois de tudo isso, o laudo da Polícia Civil de Salvador sobre a morte de Rosemary Cardoso Neves concluiu de forma clara e depois disso ele ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil e ficou menos difícil

que Otto Willis Jordan, a única pessoa comprovadamente presente no apartamento no momento do crime, foi responsável por tirar a vida da namorada. O documento apontou que a trajetória do disparo da pistola Coach 45 era incompatível à de um tiro disparado contra si, já que a vítima estava em movimento quando foi atingida.

Rosemary estava caindo para trás, ou seja, bem difícil uma pessoa que vai tirar a própria vida, atirar em si própria caindo para trás em movimento. Também tiveram ali gráficos e ilustrações elaborados pelos peritos que apontaram que o disparo foi feito de cima para baixo, outra posição, outro ângulo muito incompatível com a de um suicídio.

Outro ponto importante trata da situação em que a pistola foi encontrada nas mãos da vítima. Otto contou em depoimento que, ao encontrar Rosemary caída, ele viu que a arma estava jogada próxima à sua mão direita.

Mas se fosse assim, a pistola teria apresentado vestígios de sangue. Só que quando o Otto entregou a pistola para a polícia, ela já estava limpa. As informações do laudo policial foram divulgadas e antes da conclusão do inquérito, Otto Willi voltou à delegacia para mais um depoimento em que reafirmou a sua versão de suicídio.

Na saída da delegacia, porém, ele foi abordado por Zilda Neves, a tia da vítima. Ela o questionou alto, assim, muito, muito alto e em bom som, sobre os motivos que o teriam levado a matar Rosemary. Tomada por uma forte emoção, Zilda gritou e repetiu a pergunta várias vezes.

Visivelmente assustado, Otto disse que não tirou a vida de Rose e entrou no carro, sem dar mais explicações. A tia da vítima passou a esmurrar os vidros do veículo e a tentar impedir a sua saída do estacionamento da delegacia. Mas sua fragilidade não foi o suficiente para impedir que o empresário seguisse rumo ao Recife.

É que mesmo com o iminente pedido de prisão preventiva pelo crime de homicídio, Itamir Casal permitiu que Otto viajasse a negócios antes da conclusão do inquérito, mesmo que nenhum esquema de segurança fosse montado para impedir uma possível fuga.

Eu até acho que o delegado se empenhou bastante para esclarecer o caso e dar uma resposta plausível para a família da vítima. Mas não podemos negar que a autorização para uma viagem, às vésperas da conclusão de um inquérito, é um privilégio para poucos, não é mesmo? E Otto Willey tirou vantagem do privilégio que teve.

O inquérito foi concluído em 14 de agosto de 1989 e, no relatório encaminhado ao Ministério Público, o delegado Itamir Casal pediu a prisão preventiva de Otto Willis Jordan pelos crimes de homicídio doloso e omissão de socorro.

Janeide Tereza foi apontada como coautora por omissão de socorro. A motivação, no entanto, não foi esclarecida. Trabalhando com algumas possíveis hipóteses, Itamir Casal especulou que a mistura de álcool e drogas poderia ter desencadeado uma discussão que levou ao desfecho fatal, ou ainda que Otto pudesse ter tentado um relacionamento sexual anormal recusado pela vítima.

Ou até mesmo se a gente parar para pensar naquelas cartas encontradas no quarto, cartas de outras mulheres escritas para Otto Willi, talvez aquilo que já devia ser um problema para Rosemary, que já tinha terminado com ele por conta da falta de compromisso, talvez isso desencadeou aí também um desentendimento, uma briga que terminou com a sua morte.

Hipóteses como saber demais sobre o envolvimento do empresário com as drogas ou ainda um tiro acidental também foram levados em consideração. Mas sem a confissão de Otto, era impossível bater o martelo no que teria realmente levado ou motivado Otto a cometer o crime. O delegado pontuou.

O motivo é tão insignificante que é difícil de determinar. Só Otto ou Rose, se tivesse sobrevivido ao sangramento provocado pelos ferimentos, é que poderiam revelá-los. Quando o pedido para a prisão preventiva de Otto e Neide foi expedido pelo juiz José Carlos Murtinho Nobre Gomes, da terceira vara criminal de Amaralina, era tarde demais. A dupla havia desaparecido de Salvador.

Com o mandado de prisão em mãos, os agentes do setor de capturas da Polinter foram na casa de Neide, onde Otto garantiu estar morando depois da morte de Rose, mas não havia ninguém no imóvel. Eles também foram na sede da Alimba e em locais onde o empresário costumava frequentar.

E nada. Os principais acessos a Salvador foram bloqueados e a Polícia Federal do Aeroporto 2 de Julho e da Rodoviária receberam alertas. Mas cá entre nós, Otto era uma pessoa de recursos e ele podia se locomover com muita facilidade. Isso sem contar que ele sumiu antes mesmo do pedido da prisão preventiva sair e ele não encontrou nenhum obstáculo para alcançar o seu objetivo. Teria ele ido para o exterior?

ou para alguma pequena cidade do interior? Essa pergunta ficou sem resposta por dois anos. Sim, ficou foragido por bastante tempo. Dois anos após a sua fuga, a Polícia Federal do Mato Grosso do Sul o prendeu na cidade de Ponta Porã, na divisa com o Paraguai.

Otto veio da cidade de Pedro Juan Cabalheiro, ali para Ponta Porã, para ir para o seu banco em solo brasileiro. Ele estava vivendo em uma fazenda da sua família, no país vizinho, e circulava livremente entre o Paraguai e o Brasil para resolver os seus negócios pessoais, como realizar saques em dinheiro em agências bancárias brasileiras. Assim, né, gente? Ia e vinha como queria, levando a vida bem de boa mesmo.

A Polícia Federal já estava no rastro do empresário há pelo menos um mês quando a prisão foi finalmente realizada. Eles constataram que Otto era dono de uma revendedora de ultraleves na cidade paraguaia e o aguardaram até ele cruzar a fronteira para poder prendê-lo. Otto foi levado para Campo Grande, de onde seguiu para Salvador em um voo sob escolta de policiais federais.

De lá, o empresário foi levado para a casa de detenção de Salvador para aguardar o julgamento, claro, em uma cela especial, já que ele era formado em administração de empresas. A Neide até então não foi localizada. E quando a gente pensa que a história está finalmente chegando à sua conclusão, vem aí mais uma reviravolta daquelas.

é que apenas 11 meses depois de ter sido detido, Otto Willi Jordan fugiu depois de ser internado no Hospital Português para tratamento de uma crise renal. Sim, gente, a situação é digna de roteiro de filme, tá? Porque olha só essa história. Otto Willi foi internado no Hospital Português, localizado no bairro da Graça.

e era apenas a 4 quilômetros da casa de detenção. Ele recebeu autorização para essa internação no hospital de Nelson Machado, que era diretor do presídio. Otto havia sofrido uma crise enquanto ainda estava em detenção, uma crise renal, e, já no hospital, ele permaneceu sob a guarda dos policiais militares Heliomar Pereira de Vitor e Marco Antônio Reis dos Santos.

Na madrugada do dia 27 de agosto de 1992, os soldados foram surpreendidos por um rapaz que chegou ao quarto do hospital com um crachá de visitante. E ele levava um suco para o detento e também para os policiais.

Um dos policiais aceitou o suco. O outro apenas agradeceu a gentileza e recusou. O visitante entrou no quarto de Otto. Pouco tempo depois, o policial que havia bebido o suco começou a passar mal. E o colega de farda tentou socorrê-lo. Foi nesse momento de distração que mais um homem apareceu no corredor.

apontando um revólver e obrigando o soldado que tinha se recusado a beber o líquido a ingerir o suco. Os dois homens foram amarrados, os dois policiais, e os visitantes que tinham entrado ali para retirar o Otto, né, deixaram o hospital, levando o empresário. O empresário foi vestido todo de branco para poder se passar por médico e assim deixar a porta da frente do prédio sem ser incomodado.

Suquinho envenenado. Pois é.

Essa fuga foi um escândalo e o governador Antônio Carlos Magalhães demitiu o Nelson Machado, que era o diretor do presídio, além de determinar a prisão dos dois policiais que faziam a guarda de Otto. E aí, com isso tudo, teve coletiva de imprensa, teve sindicância, teve demissão, teve de tudo, mas ninguém assumiu responsabilidade de nada pela fuga do Otto.

E o empresário voltou para o Paraguai, onde vivia tranquilamente após a morte de Rosemary. E ficou por isso mesmo. Através do advogado Elcio Roberto Sarte, porque ao que tudo indica, o advogado Thomas Bacelar, o primeiro advogado do Otto, ele realmente pulou do barco depois do indiciamento por homicídio. Ele falou que se fosse homicídio ele estava fora e realmente ele caiu fora. E aí o advogado Elcio Roberto Sarte foi o que tomou conta aqui do caso.

da defesa de Otto. O advogado mandou um recado para a justiça. O Otto disse o seguinte, ele só se apresentaria novamente depois da revogação de sua prisão preventiva. Caso contrário, ele nunca mais pisaria em Salvador. O advogado explicou também que a fuga foi planejada pelo próprio Otto, que sugeriu colocar tranquilizante na bebida dos agentes para que pudesse sair e ir embora.

do hospital sem chamar atenção. E deu certo, né? Foi um plano aí digno de filme mesmo. Em uma carta de próprio punho, Otto Willis Jordan revelou estar vivendo um pesadelo e negou mais uma vez ter sido o autor da morte de Rose. Ele escreveu, Fugir mesmo estando fraco e doente por revolta contra essa situação injusta. Fugir sem causar dano físico a quem quer que fosse.

Aí eu vou ter que discordar, né, Otto? Os policiais que beberam o suquinho envenenado diriam que teve dano físico, sim. Enfim, como parte de sua defesa, Otto contratou os peritos criminalistas Fortunato Badam Palhares e Lamartine Mendes para contestarem o laudo oficial da Polícia Técnica da Bahia.

Os peritos apontaram que a trajetória da bala descartava a participação de Otto no crime, já que pela altura do tiro, Otto deveria estar levitando diante de Rosimari no momento do disparo. Lembra que o tiro veio de cima para baixo, né? Pois é, eles exageraram isso para dizer que ele teria que levitar para conseguir atirar em Rosimari naquele ângulo. Mas e aí, como que a Rosimari teria atirado ela mesma levitando? Tipo...

Não faz sentido. A justiça também achou que não fazia sentido e não deu qualquer respaldo para a defesa, não se deu a chantagem de Otto e manteve a sua prisão decretada. De volta à região de fronteira, Otto permaneceu escondido até ser localizado mais de 20 dias depois da fuga do hospital, durante uma operação conjunta sob o comando do delegado Valdir Gomes Barbosa, que resultou em sua detenção.

em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. No entanto, mesmo com a pressão do governo baiano e do Itamaraty, a extradição de Otto ao Brasil não se concretizou. A justiça paraguaia concedeu hábias corpus e determinou a sua libertação, alegando que Otto não havia cometido crime em solo paraguaio. Então ele não poderia...

não quiseram extraditar ele para o Brasil, mantiveram ele lá no Paraguai. Para a polícia baiana, as sucessivas fugas enfraqueciam ainda mais o discurso de inocência apresentado pela defesa. Mas o Otto Wille, vivendo no exterior e com o aval da justiça paraguaia, ficou por isso mesmo, né? Todos ficaram de mãos atadas.

Nós não encontramos notícias sobre a comparsa de Otto durante todo esse período de fugas, prisão, fuga de novo, preso, solto por habeas corpus no Paraguai. As citações sobre Neide e o seu envolvimento simplesmente somem das páginas dos jornais por anos. E quando Neide finalmente reaparece nas publicações, no início de 1994, menos uma própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria própria

não é por causa do caso Rosimari, mas sim por outra tragédia. Neide estava de volta a Salvador, livre, e às vésperas de prestar mais um depoimento sobre a morte de Rosimari. Foi quando ela decidiu sair da sua casa em São Tomé de Paripe para curtir uma praia com a amiga Valéria Ribeiro.

Era pouco depois do almoço, quando as duas amigas embarcaram no Fiat Uno Branco, de placa CZ0765, rumo à Praia Grande. O trajeto era curto, cerca de 9 quilômetros, que seriam facilmente percorridos em menos de 20 minutos.

Mas a viagem foi interrompida por volta das duas da tarde, quando um ônibus da empresa Boa Viagem, de uma placa não anotada, fechou a motorista na avenida suburbana, fazendo com que batesse com violência em um poste. A força desse acidente foi tamanha que o bairro de Praia Grande ficou a tarde inteira sem energia elétrica.

As vítimas do acidente, a Neide e a amiga Valéria, foram socorridas com vida por populares que estavam ali em volta e foram levadas ao hospital. Um amigo chegou a conceder entrevista, dizendo que Neide estava consciente, conversando com desenvoltura e que estava apenas em observação no hospital.

Uma coisa muito estranha, porque, pouquíssimo tempo depois ainda, naquele mesmo dia do acidente, Neide acabou indo a óbito. Com a sua morte, começaram as teorias da conspiração, de que o acidente pudesse ter sido provocado para que Neide não complicasse ainda mais a vida de Otto no depoimento que ela prestaria no dia seguinte.

Acharam que pudessem ter causado o acidente dela de propósito, e aí ela não morreu no acidente, estava bem no hospital, e aí morre do nada no hospital, será que alguém causou a morte dela ali? Enfim, várias, várias teorias da conspiração. O advogado do Otto Willey rechaçou todas essas alegações conspiratórias. Ele explicou que o falecimento da Neide e aí

que era considerada cúmplice do Otto pela população, a morte dela não ajudaria em nada o caso de Otto, muito pelo contrário. Elcio Sartre explicou que o falecimento dela prejudicou a defesa, pois Neide era a única pessoa capaz de provar a inocência de seu cliente.

Assim que foi comunicado da morte da ré, o juiz Jefferson de Assis, da terceira vara criminal de Amaralina, de Pituba, arquivou o processo dela, que havia sido desmembrado do processo do empresário.

ela estava sendo ali só indiciada por omissão de socorro, mas o processo contra a Neide acabou sendo arquivado. Já o processo do Otto Willis seguiu tramitando a revelia, que é quando a pessoa, o réu não está presente, ou está foragido, ou enfim, fica a revelia. E se essa história toda já foi capaz de deixar a gente bem irritado, com taquicardia, é porque você ainda não está preparado para o que vem a seguir.

Em uma coincidência que eu considero simplesmente macabra, a vida de Otto Willis Jordan também teve um desfecho trágico poucos meses depois. No dia 10 de junho de 1994, ainda foragido da Justiça Baiana, o empresário, que era dono de uma revendedora de ultraleves e também pilotava aviões de pequeno porte,

como o monomotor Cessna, ele sofre um acidente. Era uma sexta-feira de inverno, quando Otto decidiu aproveitar amanhã para fazer algumas manobras e embarcou sozinho para sua última viagem. Pouco depois de levantar voo, o pequeno avião caiu nas proximidades da cidade paraguaia de Cruz de Bela Vista. Um acidente aéreo que custou sua vida.

O corpo de Otto foi levado para o Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde passou por necrópsia antes de ser enviado para São Paulo. Ele foi sepultado no dia 13 de junho de 1994, poucos dias antes da morte de Rosemary, completar cinco anos.

Em Salvador, os questionamentos não tardaram a surgir. Os familiares de Rosemary acreditavam que Otto estivesse simulando a própria morte para encerrar o processo, assim como aconteceu com Neide. A Neide, depois que sofreu o acidente, faleceu. O processo foi arquivado, então talvez isso deu para ele a ideia de...

Simular a própria morte? Até porque o Otto, ele foi pego, né, das vezes que ele foi preso usando identidades falsas e tudo mais. Então, será que ele estava tentando fugir da justiça? Enfim, surgiram várias teorias aí da conspiração. Eu até me lembro que é muito...

É até comum, né? Quando acontece de um assassino que tá foragido, sofrer algum tipo de acidente, realmente fica... Ah, meu Deus, será que tá forjando algo? Aconteceu isso também no... Eu fiz aqui o episódio 163.

O serial killer brasileiro que matou pessoas nos Estados Unidos e depois fugiu para o Brasil também sofreu um acidente de avião e acabou assim o caso. E aí todo mundo achou que ele está forjando a morte.

Ele ainda tá vivo por aí, morando na ilha com o Michael Jackson e o Elvis Presley, né? Enfim, episódio 163 também rolou essa teoria. Mas aqui, né, no caso de Otto Willis Jordan, por ter surgido tantas teorias disso e tudo, foi feita uma confirmação do óbito e com a confirmação de que não, realmente Otto...

está morto, foi enterrado, o corpo dele está lá. Se eu não me engano, a comprovação foi feita através de DNA, né, de fios de cabelo dele. Fecharam essas teorias. Acabou a conspiração. Se bem que hoje, se você olhar os comentários por aí, internet e afora, ainda tem gente que acredita, né, que ele fugiu, que ele está vivo e fugiu.

Mas com a confirmação realmente feita e comprovada ali pela justiça, o processo, que se arrastava desde a morte da comerciária cinco anos antes, foi arquivado, sem que a justiça jamais tivesse sido feita. O caso Rosemary foi um assassinato que ninguém conseguiu julgar. Jamais chegou a esse ponto, infelizmente.

Foi um caso que, assim, sem motivo, sem explicações e sem justiça, né? A Rosimária Albuquerque deixou mãe e um filho que tinha na época apenas 4 anos. Ela era uma mulher viva, enérgica, ativa. A Dolores, a sua mãe, afirmou em depoimento, e em meio a muitas lágrimas também, que sua filha não se suicidou.

A filha tinha planos para o futuro. Ela iria levar Dolores, inclusive, para sair um pouco da rotina, para passear. Um passeio que nunca veio. E até hoje ninguém entende por que a rotina de Rosemary foi interrompida de forma tão cruel. Dolores afirmou. Ela foi brutalmente assassinada por um monstro e teve o apoio de uma pessoa mais monstruosa ainda.

O que aconteceu naquele quarto de hotel número 1405, ninguém sabe. O mistério continua. Assim como a dor de toda uma família.

Esse é o caso Rosimari, infelizmente um feminicídio que terminou sem julgamento, sem desfecho. Um caso que meio que só parou. Ele parou no tempo, parou na justiça, parou antes mesmo de qualquer resposta concreta chegar, antes mesmo de um julgamento. E isso talvez seja uma das partes mais difíceis de aceitar nessa história, né?

Porque a gente está falando de uma jovem de 22 anos que tinha a vida inteira pela frente. Foi baleada num apartamento que não tinha mais ninguém além daquela uma pessoa que se pode comprovar que estava ali. Uma pessoa que a deixou ali com vida para sangrar até a morte. Uma pessoa que poderia ter salvado a vida dela se tivesse prestado socorro, sabe?

E a partir daí, tudo que veio depois desse caso, tudo que veio depois do que aconteceu naquele quarto, parece uma sequência de acontecimentos tão absurdos que quase soa como ficção, mas não é. O principal suspeito foge, a única testemunha-chave morre justamente na véspera de prestar depoimento, e então, quando ainda existia a expectativa de que em algum momento a justiça pudesse finalmente alcançar esse caso, alcançar o Otto,

O próprio acusado morre em um acidente de avião.

E pronto, a história para, fica por aí. A história de Rosemary vira estatística, mais um feminicídio que não teve responsabilização, mais um nome que com o tempo corre o risco de se perder no meio de números que continuam crescendo ano após ano no Brasil. E enquanto casos como o da Rosemary continuam terminando assim, sem julgamento, sem resposta, sem responsabilização, o silêncio vai se acumulando. E esse silêncio, aos poucos, vai transformando histórias e ainda menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos menos

de pessoas reais em apenas números. Mas a Rosemary nunca foi um número. Ela foi uma filha, uma mãe, uma sobrinha, uma amiga. E talvez a única forma de impedir que ela se torne só mais um caso esquecido seja justamente continuar contando essa história.

Amanhã, quinta-feira, eu vou colocar no nosso Instagram, o Café com Crime, e também lá no Twitter, o arroba Café C Crime. Vou pôr imagens da Rosemary e outras fotos relevantes para o caso narrado aqui para vocês hoje. Então, segue lá, gente, e deixe o seu comentário também sobre o que você achou dessa história. Eu volto daqui a duas semanas, não na próxima quarta, mas na outra, com um novo episódio. E até lá, deixe as fotos do seu ex para lá.

Porque de desgraça, já basta esse podcast. Tchau, tchau. Esse episódio foi roteirizado, produzido e apresentado por mim, Stephanie Zorbi. Pesquisa e roteiro de Ana Paula Almeida, com design de som de Luíde Calistrato. As fontes de pesquisa utilizadas neste episódio foram Jornal O Correio, Jornal O Liberal, Jornal O Estado de São Paulo,

A Tribuna de São Paulo, Tribuna da Imprensa, Correio Brasiliense, Jornal do Comércio, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil. Nós gostaríamos também de fazer um agradecimento especial a repórter Carol Neves do jornal O Correio da Bahia, que nos enviou arquivos da época, que puderam enriquecer muito o nosso episódio. Muito obrigada, Carol.

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