191 | CASO AURISCLÉIA LIMA: pastor assassino mata outra vez
No simpático município de Capixaba, no interior do Acre, a vida simples da jovem Auriscléia Lima mudou quando o forasteiro Natalino Santiago chegou no seu povoado. O homem, autointitulado pastor, parecia caído do céu: gentil, falante, interessado nela e disposto a formar uma família. Mas por trás das aparências, Natalino escondia um passado sombrio e violento. Uma história que veio à tona quando decidiu fazer de Auriscléia sua próxima vítima.
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Créditos:
Produção, apresentação e roteiro por Stefanie Zorub
Edição e desenho de som por Luigi Calistrato
Roteiro e pesquisa for Ana Paula Almeida
- Caso Auriscléia LimaFeminicídio · Natalino Santiago · Violência doméstica · Manipulação emocional · Sistema de justiça
Depois de matar a mulher em frente aos filhos pequenos, o pastor fugiu. Se embrenhou pela mata, que conhecia tão bem quanto a palma da mão, e por lá passou dias foragido da polícia. Fugindo apenas com as roupas ensanguentadas, se viu com frio, com fome e com a necessidade de voltar para a cidade, onde a imagem de seu rosto estava estampada por todos os lados.
A Polícia Civil do Acre investiga o caso e já confirmou a identidade do suspeito. E esse é o Natalino Santiago. Porque eu chamo sua atenção para essa notícia. Um homem matou a esposa por não aceitar o fim do relacionamento. Mais um crime de feminicídio.
Pessoas que um dia admiraram aquele homem fiel e de família, agora o buscavam com sede por vingança. Queriam justiça, nem que ela fosse feita com as próprias mãos. Se esse crime já chocava a população, logo todos descobririam o passado sombrio que aquele homem escondeu por meia década, enquanto fingia ser o líder evangélico daquele povoado. Pregando a verdade da palavra sagrada, o homem havia enganado a todos.
O falso pastor já sabia o que era a vida na cadeia. Afinal, esse não era o seu primeiro crime. Longe disso, matar vinha fácil para aquele homem que liderava fiéis numa pequena igreja no interior do Acre. Este é o episódio 191 do Café com Crime, o caso Auriscleia Lima, a mulher enganada por um pastor assassino.
Alô, olá, alô, vai tudo bem? Bem-vindos ao Café com Crime, o podcast onde você pode ser o aficionado por crimes reais que você é, sem julgamentos. Eu sou a Esté Zorubi, ou dona café, como preferir, e hoje vamos falar de um caso que aconteceu no Acre em 2024. Um crime bem recente, mas que revelou um padrão de crimes que se iniciaram nos anos 2000.
No simpático município de Capixaba, no interior do Acre, a vida simples da jovem Auriscléia Lima mudou quando o forasteiro Natalino Santiago chegou no seu povoado. O homem, 25 anos mais velho que ela, parecia caído do céu. Gentil, falante, interessado nela, uma mãe solo, e disposto a formar uma família. Mas, por trás das aparências, havia uma história que ninguém imaginava. Um passado sombrio do homem que se dizia pastor. E nunca.
deveria ter sido ignorado. Neste episódio, você vai entender como escolhas pessoais, falhas do sistema e sinais deixados ao longo do caminho se cruzaram e levaram a um desfecho que poderia ter sido evitado. Um desfecho trágico.
Essa história foi uma indicação do ouvinte Ed Lima. Obrigada pela sugestão. Foi um caso que mexeu muito comigo, não só pelo tamanho da crueldade envolvida, mas por se tratar de um crime reincidente. Um padrão que foi ignorado. Mas antes de ir para a história, não deixe de seguir a gente aí na plataforma onde você está ouvindo. Ative as notificações para não perder nenhum episódio novo. E se puder, deixe sua avaliação também. Parece pouco, mas para a Dona Café aqui e toda a nossa equipe, isso é tudo.
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Lembrando que este podcast faz uso de efeitos sonoros, então se puder, escute de fones de ouvido para ter uma imersão melhor. E um alerta de gatilho, vamos tratar de temas como violência doméstica, física e sexual. E com isso, bora começar do começo?
A 85 quilômetros de Rio Branco, o simpático município de Capixaba, no interior do Acre, é o destino ideal para quem busca fugir da agitação de uma grande capital. Com cerca de 11 mil habitantes e uma economia baseada na agricultura, Capixaba exala tranquilidade em suas ruas largas e de pouco movimento.
Parte de seu território é coberto pela floresta amazônica, com forte presença de áreas naturais e reservas que influenciam diretamente no modo de vida da população. A tranquilidade do lugar pareceu ser exatamente o que Natalino do Nascimento Santiago procurava.
Pastor evangélico, ele chegou ao município por volta de 2018, depois de passar por Senador Guilomar e Rio Branco. Ele decidiu que ali seria o lugar onde começaria de novo. Discreto, ele buscava ainda mais sossego, uma vida reclusa dedicada à comunidade.
dividindo seus dias entre amigos e fiéis da congregação. Por isso, ele seguiu viagem por mais 20 quilômetros até chegar ao destino final, a comunidade de Campo Alegre, na zona rural da cidade. Um assentamento marcado pelo senso de cooperação e pela valorização do trabalho coletivo. Natalino era um homem na casa dos 43 anos, de estatura mediana, pele morena e um sorriso largo no rosto.
Um homem reto, cuja postura inspirava confiança. Não demorou muito até que conhecesse os moradores do assentamento e se envolvesse com os assuntos da comunidade. Dali até assumir a liderança de um pequeno espaço onde as pessoas se reuniam em nome de Deus, uma pequena igreja no meio daquele pobre vilarejo, foi um pulo. Paz do Senhor Jesus.
Foi ali, entre um culto e outro, que em 2019, Natalino conheceu e se encantou por Auriscleia Lima, uma jovem de apenas 18 anos. Apesar da pouca idade, a menina era mãe de uma criança.
fruto de um relacionamento anterior que não havia dado certo. Um filho que era tudo para ela, criado com todo amor e carinho pela mãe e pela avó. Sim, a Auriscléia tinha uma rede de apoio incrível, e a sua mãe a ajudava nos cuidados com o neto da maneira que podia. Era uma família bastante humilde, porém unida.
Como qualquer outra menina da sua idade, Auriscléia tinha sonhos, ambições, vontade de estudar e crescer na vida. Ela sonhava em ser enfermeira e conquistar a própria independência. Mas a realidade dela naquele momento era a realidade de uma mãe solo, adolescente, que contava com o apoio da mãe para criar o filho. E isso a mantinha longe da escola.
Afinal, a família, novamente, era bastante humilde, vivia ali num espaço de pobreza, de muita vulnerabilidade, então ela tinha que ajudar com o que dava ali para sustentar a família, e isso deixou o plano dos estudos num segundo plano.
Mesmo com os sonhos de estudar em pausa, a Uriscleia seguia a vida com muita alegria e energia. Ela era muito querida por onde passava. Ela gostava bastante de louvar e cantar na igreja, onde ela mantinha uma comunidade próxima, além de decorar festas de aniversário. A sua irmã Rita de Cássia a descreve da seguinte forma para o portal A Gazeta.
Ela era uma menina muito boa, humilde, delicada. Os filhos dela eram tudo para ela. Cuidava da mãe doente. Fazia tudo sozinha. Talvez pela vulnerabilidade emocional e social, não há registro de qualquer objeção por parte da família da Aliscléia, quando Natalino demonstrou interesse na jovem, 25 anos mais nova que ele.
E é aquela coisa, né? Eu sempre vou achar muito problemático que um homem adulto se interesse por uma adolescente. Sim, ela tinha 18 anos, já está aí na maioridade, já pode fazer as próprias escolhas. Mas mesmo assim, 18 anos...
não é aquela maturidade se você comparar com uma pessoa de 43 anos, que era a idade do natalino. Mesmo que o interesse pareça recíproco, existe uma diferença enorme aí de idade, de maturidade, de vivência e também de poder nessa relação, né? O adulto sempre está em vantagem quando estamos falando de alguém que ainda está em formação.
E no caso de uma jovem que já tem um filho, que vem de uma realidade humilde e com pouco acesso à educação, essa vulnerabilidade dentro desse relacionamento pode ser ainda maior, o que torna esse tipo de envolvimento ainda mais delicado e preocupante. São muitas camadas.
Mas a gente também precisa lembrar do contexto. Você está falando aqui de um ambiente bastante conservador, bastante religioso, no interior, numa pequena, pequena cidade. Enfim, lá ninguém projetou nenhuma objeção quando Natalino quis namorar com Auris Cleia, um homem de 43 anos namorando uma menina de 18.
O fato é que, diante do interesse de Natalino e da correspondência de Auriscleia, eles acabaram se envolvendo e, em pouco tempo, já estavam casados. Até porque em relacionamentos evangélicos, é de bom tom que o namoro dure pouco tempo por motivos culturais e religiosos. Não faz sentido postergar a cerimônia quando se compartilha fé, propósito e valores.
Além disso, como a castidade deve ser preservada, mesmo que o casal já tenha tido relações sexuais anteriores, o enlace não deveria demorar para que os pombinhos não caíssem em tentação.
E assim foi feito. Juntos, Natalino e Auriscleia foram morar em uma pequena casa a pouco mais de 100 metros da igreja. Era uma casa feita de madeira, com paredes desgastadas pelo tempo e um telhado de zinco irregular. A residência parecia lutar para se manter de pé diante das dificuldades do dia a dia. Ao redor, o chão era seco, batido ali de terra, ficava a poucos metros de uma avenida maior ali de... ...de...
ia falar de concreto, de asfalto, mas a casa ficava bem assim, no mato mesmo, né? Uma vegetação muito próxima ali, você via o verde da mata que cercava tudo, e ali naquela casinha pequenininha tinha um pequeno puxado improvisado que servia de abrigo ali na frente da casa, com uma cadeira ali de plástico solitária, parecia até ser o único espaço de descanso que se tinha em meio à rotinadura daquela família.
Eu vou postar uma foto da casa de Aureus Clay e Natalino lá no Instagram, o arroba café com crime, mas pela imagem, tudo que a gente vê, fica muito claro que ali não existia muito conforto. As dificuldades existiam, fica bem claro, mas para a pequena comunidade...
Auriscleia e Natalino eram um exemplo a ser seguido, um exemplo de casal. Em 2021, três anos após o casamento, eles deram as boas-vindas ao segundo filho de Auriscleia, e o primeiro do casal, né? Era uma grande alegria, especialmente para Auriscleia, que encontrava ali mais uma razão para lutar.
Determinada, ela queria vencer na vida e não medir esforços para alcançar os seus objetivos e proporcionar uma vida melhor para os filhos que estavam ali no espectro autista. Ali nos primeiros anos das crianças, a sua atenção e dedicação estavam totalmente voltadas para os pequenos. Ainda assim, Auriscléia sonhava em concluir o ensino médio e cursar uma faculdade de enfermagem.
Ela queria ser uma mulher financeiramente independente, e mesmo casada, ela não se sentia confortável em depender do marido para tudo. O pouco tempo livre que ela tinha era dedicado ao templo, onde louvava Deus e se envolvia em projetos sociais. Sempre que havia algum aniversário, era ela quem assumia a organização e cuidava de cada detalhe da decoração.
Desde que se tornou esposa do pastor da comunidade, nenhuma data especial passava em branco. Apesar das dificuldades financeiras, Auriscléia vivia feliz ao lado do marido e dos filhos. Até que um acidente de carro na zona rural de Capixaba fez com que ela passasse a enxergar Natalino de maneira diferente.
Em 2023, quando retornavam de um compromisso em outra cidade, o carro onde estavam Auris Clea, Natalino e os dois filhos capotou na estrada de terra.
Era o pastor quem dirigia o veículo da Auriscléia quando saíram da pista naquele acidente. Após o capotamento, em meio ao desespero, Natalino deixou o carro sem prestar ajuda à esposa nem às crianças. E a Auriscléia precisou lutar sozinha pela própria vida e pela vida dos filhos.
Mais tarde, em uma conversa com Ana Maria Nascimento, que é a atual esposa do pai de seu filho mais velho, a Uriscleia confidenciou para essa amiga que aquele episódio mudou completamente a forma como via Natalino. Naquele momento, enquanto se desdobrava para tirar os filhos dos destroços, diante de um pai impassível, o encanto pelo marido ficou tão destruído quanto seu carro.
A propósito, é importante destacar que a convivência com a família do filho mais velho era bastante próxima. Ana Maria, madrasta do menino, era também confidente de Auriscléia e costumava ouvir os seus desabafos e anseios. Eram bem amigas, as duas famílias se davam muito bem.
O mesmo Natalino, que diante do acidente não teve iniciativa de retirar os meninos dos destroços do carro, fazia questão de mostrar publicamente que não via o filho mais velho de Auriscleia apenas como enteado. Quem acompanhava o casal na comunidade e na igreja garante que ele dispensava ao menino atenção, carinho e cuidado, como se realmente fosse ali o seu próprio filho.
Em um vídeo postado em seu Facebook em meados de 2023, Natalino chega a registrar as crianças aprendendo a tocar bateria na igreja. E ele diz orgulhoso. Olha os meus filhos tocando bateria. Os bateristas aí passando o som.
Até parece que ele fazia questão de que o enxergassem como pai exemplar, mas as amigas Ana Maria e Auris Cleia já estavam de olhos bem abertos com relação à tamanha bondade. Nos dois anos seguintes, a imagem de casal modelo começou a ruir. O homem, gentil e zeloso por quem Auris Cleia se apaixonou, ainda adolescente, deu lugar a uma figura abusiva, ciumenta e controladora.
Somando-se a isso a lembrança da atitude do pastor diante do acidente de carro, que a jovem jamais conseguiu superar, Auriscléia foi gradualmente tomando consciência de que seu futuro talvez não estivesse ligado ao de Natalino.
A harmonia do lar deu lugar a um clima constante de ameaça. Sempre que Auriscleia ousava expressar sua vontade de seguir a vida longe do marido, ele reagia com palavras de violência, afirmando que, se ela saísse de casa, mataria tanto ela quanto os meninos.
Além disso, deixava claro que se ela tentasse fugir de Capixaba, sua fúria se voltaria contra a sogra, a mãe que Auriscléia cuidava sozinha porque era uma mulher já doente. Auriscléia acreditava piamente nas ameaças do marido. Isso porque, um belo dia, Natalino revelou seu passado para ela, confidenciando à esposa que ela havia se casado com um assassino.
No início dos anos 2000, Natalino do nascimento Santiago, então com 25 anos... Ou seja, o ano que a auriscleia nasceu, né? Ai, gente, essa diferença de idade, complicado.
Natalino vivia na zona rural da cidade de Senador Guiomar, município localizado a 25 quilômetros de Rio Branco. Ele vivia ali, ao lado de sua família. Naquela época, ele não se apresentava como pastor. Pelo contrário, era grande apreciador de uma boa farra, sempre regada a bebidas e mulheres.
Lino, como era conhecido na região, tinha um grande amigo com quem podia contar para tudo, inclusive para resolver suas emergências financeiras e a quem sempre recorria quando tinha um problema. Vamos chamar esse homem de Miguel.
Miguel era aquele amigo-irmão que convivia com a família de Natalino e tinha aquela confiança mútua, de olhos fechados, sabe? Com os dois era assim, uma relação próxima e de muito companheirismo. Desde a infância, eles eram inseparáveis.
Natalino era solteiro, mas Miguel era casado com Silene de Oliveira, com quem tinha dois filhos, um menino de cinco anos e uma menina de dois anos. E o casal estava radiante, porque Silene havia descoberto recentemente que estava esperando o terceiro bebê.
Uma gestação de apenas dois meses, mas que já alimentava ali os sonhos da família, sabe? Aquela sensação de renovação, de vida nova chegando, de imaginar as crianças brincando e brigando pelo terreno. Eles estavam, assim, muito felizes com essa fase que a família passava.
É bem verdade que Silene e Miguel levavam uma vida humilde na zona rural. Enquanto ele trabalhava no plantio de arroz em uma fazenda da região, Silene se dedicava aos afazeres domésticos e aos filhos, que eram tudo para ela. O que ninguém havia percebido até então era que a jovem havia despertado o interesse de Natalino. Que, sem exageros, gente, ele estava sempre por perto, sempre presente.
Em silêncio, Lino passou a cobiçá-la, e nem a amizade de Miguel, nem a presença dos filhos do casal, nem a gestação de Silene, tampouco a falta de qualquer correspondência aos seus interesses, foram suficientes para contê-lo. Sem nenhuma consideração ou respeito, Natalino alimentou os seus desejos, até que certo dia decidiu que deixaria a fantasia de lado para colocá-los em prática.
O dia 3 de setembro do ano 2000 caiu em um domingo. E mesmo sendo um final de semana, o marido de Silene precisou trabalhar. Era época de plantio e Miguel precisava dar conta da demanda que o período exigia dos trabalhadores rurais. Ao contrário do amigo, Natalino aproveitou aquela manhã para jogar bola, encher a cara e fazer uso de substâncias ilícitas.
Uma mistura que dificilmente terminaria de outra forma que não em confusão com os demais jogadores ali do time. E aí, já viu, né? Uma entrada mais dura, um cara que reclama aqui, o outro que bêbado rebate de cá e do nada uma briga generalizada no campo de futebol.
Mas, sempre necessária, a turma do deixa disso entrou em cena para acalmar os ânimos e retirar dali o motivo de toda a confusão. Natalino Fato é que Natalino não se aguentava sobre os dois pés e foi aconselhado pelos outros jogadores a pegar seu rumo e ir para casa descansar. E, aparentemente, ele aceitou.
Só que ao invés de ir para sua própria casa ficar de boinhas, ele sabia que Silene estava sozinha com os filhos em casa e resolveu ir até a casa do amigo fazer uma visita cheia de más intenções.
Quando chegou na casa do melhor amigo, Natalino encontrou uma Silene distraída. Afinal, ela estava sozinha, com as crianças, dentro da própria casa, um ambiente que ela considerava seguro. Então ela estava ali, né? Super tranquilona e de boas. O Natalino se aproveitou dessa distração e a surpreendeu, já passando as mãos pelo seu corpo na tentativa de violentá-la.
Mas a Silene reagiu ao ataque e correu pela casa gritando enquanto tentava proteger também as crianças. Mas apesar de todos os seus gritos, ninguém apareceu para ajudá-la.
Diante da resistência de Silene, e sem aceitar um não, Natalino voltou sua atenção para a caçula da família. Em um ato ainda mais cruel, ele tomou a menina de dois anos nos braços e correu com ela em direção ao mato, passando a ameaçar a integridade da criança com uma faca encostada em seu pescoço.
Silene custou a acreditar no que estava vendo. Ela jamais imaginou que Lino, aquele amigo tão fiel ao seu esposo, pudesse fazer algum mal a ela ou às crianças.
O filho mais velho, de apenas cinco aninhos, correu atrás do Natalino lá para o mato e Silene seguiu atrás, implorando para que ele soltasse a filha dele, se colocando também como moeda de troca pela menina. Silene afirmou que Natalino poderia fazer o que quisesse com ela, desde que poupasse a vida da criança.
Natalino aceitou a troca, deixou a menina de dois anos no chão e agarrou Silene, a quem atacou com dezenas de facadas. Só nas costas da esposa de seu melhor amigo foram 16 golpes. Silene, que vale lembrar, estava grávida de dois meses.
não teve a menor chance contra o seu agressor. As crianças de 2 e 5 anos correram para trás de uma moita, de onde viram todo o ataque à mãe. Inclusive um estupro que aconteceu quando Silene já estava morta.
Depois de matar e abusar do corpo da vítima, cometendo ali necrofilia, Natalino se vestiu e foi embora, deixando os filhos de seu melhor amigo órfãos de mãe e traumatizados com aquela cena de violência. Quando voltou da fazenda, no dia seguinte, Miguel não encontrou a esposa e os filhos em casa, mas imaginou que estivessem na sogra e foi tomar um banho e descansar do trabalho.
Antes de buscá-los, ele recebeu a notícia de que a mulher não havia estado na residência da mãe naquele dia. Desesperado, Miguel iniciou as buscas nas casas de parentes e hospitais da região. Um trabalho, gente, que durou três dias.
Três dias se passaram, até que as crianças voltaram para a própria casa e contaram o que havia acontecido e levaram o pai e alguns conhecidos até o local onde estava o corpo de Silene.
Me choca muito saber que as crianças permaneceram ao lado do corpo da mãe durante todo esse tempo, por três dias, enfrentando o frio, a fome e o medo ali no mato, até finalmente conseguirem voltar e buscar ajuda.
É o tipo de cena difícil de imaginar, né? Eu tô toda arrepiada aqui contando isso pra vocês. Chega a me causar, sim, uma dor física pensar em tudo o que essas crianças passaram, desde o que elas viram, até esses três dias no mato ao lado do corpo sem vida da mãe.
Mas apesar de todo o trauma, foi graças às crianças que o crime pode ser desvendado. Os filhos de Silene foram capazes de relatar o que viram e revelaram ao pai que Natalino havia matado a mãe.
O problema é que a demora para encontrar Silene acabou favorecendo a fuga do assassino. Enquanto Miguel percorria a região em busca da esposa durante aqueles três dias, Natalino seguiu para o centro da cidade e procurou abrigo na casa de uma tia. Ele ainda estava sujo de sangue quando chegou, mas ninguém suspeitou de nada mais grave.
O que eu acho muito difícil, né? Até porque a violência empregada contra a Selene foi muito grande, sabe? As roupas do Natalino deveriam estar encharcadas de sangue. Mas essa é a narrativa que a gente encontrou, de que ninguém desconfiou de nada, como se fosse super normal andar por aí com as roupas banhadas de sangue.
O que se sabe é que Natalino foi recebido normalmente, ganhou roupas limpas e um banho quente, e que se comportou como se nada tivesse acontecido. Ele permaneceu ali na casa da tia até ser capturado pela polícia, três dias depois.
As roupas sujas de sangue foram entregues à polícia pela tia e, além disso, os vestígios biológicos encontrados sob suas unhas foram essenciais para comprovar a autoria do crime. Isso sem contar com os depoimentos das crianças, obviamente.
Assim, em 21 de março de 2002, Natalino foi condenado a 27 anos de reclusão pelos crimes cometidos contra Silene. Foram 19 anos pelo homicídio e mais oito anos pelo estupro, já que a tipificação do feminicídio só passou a existir na legislação brasileira em 2015.
Infelizmente, se engana quem pensa que ele passou muito tempo atrás das grades. Apenas seis anos após esse crime brutal, Natalino foi beneficiado com a progressão de pena por bom comportamento e ganhou a liberdade.
Todo bom comportamento que ele demonstrou dentro da cadeia sumiu rapidinho assim que colocou os pés na rua. Assim que deixou a prisão, ele passou na casa de algumas pessoas que testemunharam contra ele no processo e as ameaçou antes de se mudar para Rio Branco, a 25 quilômetros da sua cidade natal.
Foi ali que o segundo crime creditado a ele ocorreu, cinco anos após Natalino ganhar liberdade. Pouco se sabe sobre esse homicídio, mas ocorreu em 2011, no bairro Palheiral, na capital do Acre. Desta vez, a vítima foi um homem. As circunstâncias que motivaram Natalino a matá-lo, ou mesmo o nome de sua vítima, não foram divulgados.
Mas sabemos que enquanto vivia em Rio Branco, Natalino foi mais uma vez preso por assassinato e novamente condenado, dessa vez a oito anos de prisão por homicídio. O que mais impressiona é mesmo com duas condenações por homicídio e uma por estupro, Natalino teve novamente o direito à progressão de pena para o semiaberto por bom comportamento.
Afinal, ele era tão galera que a justiça não foi capaz de negar a ele tamanho benefício. Uma vez em liberdade, o ciclo se repetiu. O bom comportamento sumiu e Natalino descumpriu todas as condições impostas pelo regime semiaberto.
fugiu da capital e rodou 85 quilômetros pelas estradas do Acre até chegar ao interior, na cidade de Capixaba. Ali, passou a se apresentar como pastor aos moradores do assentamento Campo Alegre.
Agora, imagine a lábia deste homem para se apresentar como pastor evangélico e convencer todo mundo que ele tinha conhecimento da religião e da Bíblia, né? Confiante ele era, tanto que levou todo mundo no bico.
E apesar de ser considerado foragido da polícia, Natalino não despertou qualquer suspeita sobre seu passado sombrio. Foi capaz de convencer a jovem Auriscleia de que era um bom homem, um bom partido. E apaixonados os pombinhos se casaram. A noiva não tinha a mínima ideia do passado sombrio do pastor quando aceitou o seu pedido de casamento.
Para ela, tratava-se de um homem de Deus, acima de qualquer suspeita. Alguém disposto a construir uma família ao seu lado. O problema é que, com o passar do tempo, à medida que sua verdadeira face vinha à tona, ela acabou descobrindo os crimes que Natalino havia cometido. E esta informação, ao invés de servir como um incentivo para sumir da vida deste homem, se transformou em mais uma arma de controle.
Sempre que a Auriscléia cogitava colocar um ponto final na relação, era esse histórico de violência que Natalino usava para intimidá-la e mantê-la presa ao relacionamento. Com ameaças e muita manipulação, Natalino conseguiu se estabelecer e recomeçar a vida, criando uma família com a jovem que, anos depois, se tornaria sua última vítima.
É, é tenso. Por isso, vamos fazer uma pausa, tomar um gole de café e falar de coisa boa. Você já parou para observar sua rotina de verdade? Tipo investigação mesmo, olhar para os detalhes. Ao longo do dia, o calor muda, você se movimenta, resolve mil coisas e quase ninguém questiona uma coisinha básica, a roupa. Mas devia.
porque quando você presta atenção, as evidências aparecem. É tecido que esquenta demais, peça que limita o movimento, desconforto que vai acumulando. E aí não tem mistério. Tem coisa na sua rotina que não está jogando a seu favor.
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Diante de seus fiéis na igreja, Natalino se apresentava como esposo dedicado e Auriscleia como esposa feliz, tudo para preservar sua imagem impecável na comunidade. Mas a realidade é que Auriscleia não tinha autorização para sair sem sua companhia ou para estudar, e tampouco visitar a mãe doente. Ao portal A Gazeta, sua irmã Rita de Cássia lembrou.
O sonho dela era estudar, mas ele proibia. Dizia que não era para ela estudar, que ficaria sem celular e que não podia nem ir na casa da minha mãe. Para Natalino, essas liberdades eram um absurdo. Afinal, o que diriam de um pastor se soubessem que a mulher estava passeando pelo assentamento sem sua companhia? Com que autoridade ele pregaria sobre a importância da família se sua esposa decidisse abandoná-lo?
Esse jogo de aparências aprisionava Auriscleia naquele casamento falido. A jovem se sentia sufocada pelo controle de Natalino e vivia com medo das ameaças do marido depois de vir a seu conhecimento que ele era um assassino e estuprador. Além das intimidações, o pastor passou a agredi-la e a manipulá-la emocionalmente, consciente de que essa era uma arma poderosa para mantê-la ao seu lado.
O que Natalino não sabia, ou talvez fingisse não saber, é que a esposa não estava fazendo o esforço que ele esperava para manter a sua imagem impecável perante a sociedade. Auris Cleia, não aguentando mais reprimir aquelas emoções, as pressões das ameaças de Natalino, começou a se abrir sobre o que realmente acontecia dentro das quatro paredes de sua casa.
Não somente com Ana Maria, a esposa de seu ex-marido com quem ela mantinha ali muita amizade, mas também com a sua própria família. Ela tinha uma rede de apoio e foi muito bem acolhida e aconselhada por quem a amava. E com isso, a sua atitude mudou. Ela deixou de ser aquela esposa submissa, uma marionete de seu marido, e começou a dar passos rumo aos seus próprios sonhos. Ela poderia, sim, ser a sua própria pessoa e controlar o seu próprio futuro.
Tudo começaria com seus estudos. A Auriscléia tinha sede de concluir o ensino médio. Ela sabia que essa era sua passagem para a independência sua, financeira, e de seus filhos também. Ela se matriculou no EJA, que é Educação de Jovens e Adultos, da Escola Estadual Rural Ariston Ferreira da Cunha. Ela se matriculou em 2023 e, desde então, mergulhou de cabeça nos livros.
Além disso, a Uriscleia tinha se inscrito na CNH Social, que é um programa do governo que oferece a emissão da Carteira Nacional de Habilitação de forma gratuita para pessoas de baixa renda. A Uriscleia realmente queria ter mais liberdade, e ter uma CNH ajudaria nisso. Ela fazia planos de comprar uma motocicleta para ir e voltar das aulas sem depender de ninguém.
Aproximadamente aí um ano depois, quando já estava no terceiro módulo do EJA, a Uriscleia pediu a separação do marido. Era o primeiro passo rumo à liberdade. Pelo menos, era o que ela acreditava. O que a jovem não esperava.
para que, tomado pelos ciúmes, Natalino aparecesse no colégio para tirar satisfações com o coordenador pedagógico do EJA. Na noite de 10 de junho de 2025, por volta das 7h15 da noite, Jorge de Souza foi abordado pelo pastor na porta de sua sala.
Visivelmente alterado, Lino falava alto, gesticulava com agressividade e, dominado pela raiva, questionava se o profissional teria sido responsável por uma carona dada à auriscleia na noite anterior. O coordenador, o Jorge, ele negou qualquer contato com a auriscleia fora do ambiente escolar. Ele explicou que a aluna sequer havia comparecido à aula naquele dia.
e que ele próprio estava indo trabalhar a pé, já que o seu carro estava no conserto. Mesmo diante das explicações, o pastor insistia, cada vez mais exaltado, em suas acusações. Jorge tentou manter a calma e conter a situação, mas era difícil argumentar com Natalino, que dizia com segurança que havia visto com os próprios olhos o carro em que a Auriscleia estaria.
Jorge reafirmou com firmeza que não era ele o motorista daquele carro. Após esse embate, o pastor deixou a escola, mas não antes sem lançar uma última ameaça. Ele prometeu que pegaria a uriscleia em breve.
Jorge ficou chocado. Mas passado o susto inicial, o coordenador traçou uma estratégia para tentar proteger a aluna naquele momento. Ele era um bom homem, né? Mais uma vez mostrando como é importante uma rede de apoio. Jorge decidiu esperar por Auriscléia no colégio e, assim que ela aparecesse, iria levá-la até uma delegacia para registrar uma ocorrência de ameaça. Para ele, estava claro que Natalino não estava blefando e que ele poderia, de fato, cumprir o que havia dito.
Era uma situação realmente grave e Jorge estava disposto e pronto para ajudar. Infelizmente, a prontidão de Jorge não adiantou de muita coisa, pois Auriscléia não apareceu na escola naquela noite. Sem a sua presença, nenhum boletim de ocorrência foi registrado. Um detalhe importante, poderia ter mudado o rumo dessa história. Na manhã seguinte, Auriscléia enfrentaria o marido.
As informações sobre o que aconteceu na manhã do dia 11 de junho de 2025 são bastante confusas. Enquanto alguns jornais noticiaram que a uriscleia é quem teria saído da casa após a recente separação, outros afirmam que ela permaneceu na residência.
Há também desencontros em relação às crianças. O jornal regional Ecos da Notícia publicou que Auriscléia, em companhia dos dois filhos, foi até a casa onde Natalino estava para propor um acordo com o ex-marido. Enquanto o portal Juruá em Tempo noticiou que as crianças já estavam com Natalino quando Auriscléia chegou para conversar.
Para não compartilharmos aqui todos os desencontros do acontecimento, a gente vai focar no que é fato. Bem, como mencionamos anteriormente, possivelmente fortalecida pelo apoio que vinha recebendo de amigas e familiares, a Uris Cleia decidiu, enfim, colocar um ponto final no casamento e pediu a separação de Natalino.
O problema é que Natalino não aceitava a ideia de viver longe da esposa e dos filhos, ou simplesmente não aceitava a ideia de um casamento fracassado que iria quebrantar toda a imagem que ele havia construído ali. Afinal, não tem como ele ostentar uma imagem de vida perfeita sem a família.
Inconformado, ele passou a insistir em tentativas de reconciliação, cercando Auriscléia sempre que podia, fazendo declarações de amor, prometendo mudar, insistindo em pedidos desesperados por uma nova chance. Mas Auriscléia estava decidida, e mesmo diante da insistência e da pressão emocional e das ameaças,
Ela recusou todas as tentativas de reaproximação, se mantendo firme na decisão de seguir em frente com a separação e reconstruir a própria vida longe de Natalino.
Na manhã de 11 de junho, Auriscleia estava no quintal da casa onde havia vivido com o Natalino nos últimos seis anos. Ela estava acompanhada do irmão, de apenas 14 anos, e dos dois filhos. O pastor também estava no local. A intenção do encontro entre o ex-casal era discutir a guarda das crianças.
Natalino, no entanto, não tinha como reivindicar a guarda dos dois meninos. O filho mais velho de Auriscléia tinha um pai, um pai presente e participativo, o qual limitava qualquer pretensão nesse sentido de Natalino ficar com o menino. Mas ele insistia em ficar com o menino mais novo, que era o seu filho. E mais uma vez, se era a mãe quem cuidava integralmente da criança, se foi ela que adiou os planos de estudar e se dedicar a si mesma para estar com os meninos,
Por que é que este homem fazia questão de ficar com a guarda do caçula? Que ele nem ajudou a tirar do carro quando tiveram acidente, né?
Mas é o que a gente vê aí com bastante frequência. Quando as ameaças não atingem a mulher e não a mantém sob o domínio do cara, eles miram nos filhos, porque sabem que as crianças são o calcanhar de Aquiles das mães. O problema é que a auriscleia não se curvou ao ex-marido, e a conversa que começou amistosa escalou para uma discussão acalorada. Natalino, que não estava acostumado a ouvir o não da esposa, se irritou.
Ele entrou na casa. Pegou um terçado, que é uma espécie de facão grande, com lâmina larga e levemente curvado. É muito usado para abrir trilhas e trabalhar na roça. Com esse terçado, ele atacou a auriscleia.
Enquanto a mulher tentava se defender instintivamente com os braços, ela foi atingida 37 vezes, golpes que atingiram em cheio, tanto os braços quanto sua nuca. Ao ver o pai atacar a própria mãe, o filho do casal, de apenas 4 anos, tentou intervir para protegê-la, mas acabou sendo atingido por um golpe de facão no rostinho.
O irmão de Auriscleia, um adolescente de 14 anos, também tentou impedir a agressão, colocando-se entre os dois. Mas, tomado ali pelo ódio, Natalino se voltou contra o menino também e avançou com o terçado, desferindo golpes sem qualquer hesitação.
No entanto, ao contrário da irmã, o adolescente não foi pego de surpresa e conseguiu se desvencilhar dos ataques, sendo vítima apenas de ferimentos mais superficiais ali no tórax. Inconformado, o Natalino se preparou para cravar o terçado no peito do menino. Porém, o garoto conseguiu pegar uma cadeira para se defender.
Nesse momento, com gritaria, cadeira voando e tudo mais, o Natalino fugiu, se embrenhou no mato e foi embora sem deixar rastros.
Quando tiveram certeza de que o pastor havia deixado o local, o irmão e os filhos de Auriscleia correram até ela, na tentativa desesperada de entender o que havia acontecido, talvez ainda com a esperança de que os vizinhos pudessem ajudar a socorrê-la. Estava com muita gritaria ali, gritando, gritando, gritando, e logo ia chegando ali os vizinhos para ver o que estava acontecendo, né?
Mesmo gravemente ferida, Auriscléia ainda encontrou forças para puxar o irmão e fazer um último pedido, que lutasse pelos seus filhos, que garantisse que a guarda deles ficasse com a família e não com o Natalino. Depois, a jovem perdeu os sentidos e morreu ali, no quintal de terra batida da casa que um dia chamou de lar.
No assentamento Campo Alegre, os limites entre as residências não eram definidos por muros. E se por um lado isso facilitou a fuga de Natalino, por outro, permitiu que os vizinhos, ao perceberem a movimentação, chegassem rapidamente ao local para acolher as crianças e o adolescente. A polícia militar foi acionada e agentes do 4º Batalhão isolaram a área para o trabalho da perícia criminal.
Paralelamente, equipes iniciaram buscas pela região e avançaram pela área de mata na esperança de localizar o assassino, que poderia estar escondido ainda nas proximidades, aguardando a poeira baixar antes de fugir definitivamente.
Porém, apesar dos esforços, Natalino não foi localizado. Logo, o delegado Aldizio Neto também chegou ao local para assumir as investigações e revelou que Natalino era um homem condenado pelos crimes de estupro e homicídio e que inclusive estava foragido. Pode ter sido aí um choque para a sociedade num geral? Até pode, mas para a família de Auriscleia, aquela informação não era bem uma surpresa.
Diante de notícias como essa, é natural que as pessoas julgassem a Auriscléia pela falta de iniciativa, né? De denunciar o agressor, de sair de casa com os filhos. Mas vocês conseguem perceber como se dá a manipulação pelo medo e ainda imaginar como era a vida dessa mulher ao lado do marido?
Isso sem falar que quando ela tomou uma atitude, acabou morta por ele. Então não dá muito para falar, pô, mas ela sabia, sabe? É um julgamento aí muito complicado de se ter. Enfim, de acordo com os levantamentos iniciais da investigação, foi traçado um perfil do Natalino.
que mantinha Auriscléia sob vigilância constante, sem contar nas agressões e ameaças relatadas por testemunhas, parentes e vizinhos. A irmã de Auriscléia, a Rita de Cássia, ela relatou. Ela relatava as ameaças, que ele dizia que, se ela se separasse, mataria ela e o menino. Mas a gente nunca imaginava que ele faria isso de verdade.
Ainda no local do crime, a perícia concluiu que o golpe de terçado na nuca da vítima foi extremamente profundo e que teria sido esse o golpe que tirou a sua vida. O corpo de Auriscleia foi removido e encaminhado ao Instituto Médico Legal de Rio Branco para a conclusão dos exames cadavéricos, antes de ser liberado para o sepultamento.
Assim como era desejo de Auriscléia, os seus filhos foram entregues a pessoas de confiança. O mais velho, filho do marido de Ana Maria, foi entregue ao pai, e o fato de não conseguir verbalizar a sua dor preocupava a madrasta. O caçula, que também foi vítima do ataque do pai, recebeu alta do hospital no dia seguinte e foi entregue à família materna. Com as crianças em segurança, as atenções se voltaram às buscas por Natalino.
Determinados a capturar o assassino o mais rápido possível, agentes das polícias civil e militar se uniram a equipes de municípios vizinhos para realizar uma varredura na região, conhecida como Araxá. É localizada entre Capixaba e Chapuri.
Os policiais passaram a monitorar e vasculhar todos os ramais da região, fechando possíveis rotas de fuga durante todo o dia 11 de junho, mas não obtiveram resultados. Parecia que Natalino havia evaporado.
Natalino era cauteloso. Ele passou a circular de madrugada para não chamar a atenção. Mas a imagem do falso pastor passou a circular pelo Estado, e foi graças a isso que veio a primeira pista sobre o seu paradeiro. Uma pessoa atenta que já tinha visto ali a notícia, as imagens de Natalino, o reconheceu na madrugada do dia 12 de junho, quando Natalino foi até uma lanchonete na divisa de Chapuri e Capixaba.
A testemunha entrou em contato com o 190 e a informação animou os policiais, já que as equipes do delegado Aldiz e o Neto estavam cercando a região correta. Uma foto tirada a uma distância segura e enviada para as autoridades confirmou que o homem avistado na lanchonete era realmente quem estavam procurando. Capturá-lo era uma questão de tempo.
No dia seguinte, outro morador entrou em contato com a polícia para relatar que o suspeito estava circulando pela zona rural de Capixaba, provavelmente em busca de comida, já que depois do crime, Natalino fugiu apenas com a roupa do corpo.
Uma policial civil da cidade também cruzou o caminho de Natalino no dia 13 de junho. No entanto, ao receber voz de prisão, ele fugiu em direção a uma área de mata fechada, o que impossibilitou que a investigadora desse continuidade à abordagem.
Diante das denúncias, a polícia definiu um perímetro de varredura e helicópteros passaram o restante do dia sobrevoando a área apontada como a rota de fuga do pastor. Isso sem contar nos agentes que percorriam a mata por terra, né? Então tinha olhos no céu e na terra em busca do pastor.
É evidente que Natalino conhecia a região como a palma da própria mão, porque mesmo dando pinta em alguns momentos, sempre que as buscas se intensificavam, ele simplesmente desaparecia, deixando todo mundo com aquela pulga atrás da orelha. Será que ele estava recebendo ajuda e abrigo de algum amigo do assentamento? Ainda não era possível seguir por essa linha, mas fato é que o dia 13 de junho acabou da mesma forma que começou, sem que o criminoso fosse capturado.
Essa busca toda me lembrou da fuga do serial killer Lázaro Barbosa de Souza, que ocorreu em 2022 em Goiás. Eles se embriam na mata ali por 20 dias, fugindo da polícia como um fantasma. Mas, diferentemente de Lázaro, Natalino se entregou espontaneamente depois de três dias de fugas intensas pelas matas da região.
Na manhã do dia 14 de junho, a polícia recebeu o telefonema de um morador do assentamento Campo Alegre para informar que o assassino queria se entregar. Natalino estava cansado, com fome, sede e sabia que o cerco estava se fechando.
Não havia mais para onde fugir. A informação recebida pela Central da Polícia Militar foi prontamente repassada para a equipe do delegado Aldizio Neto, que, sem alarde, chamou apenas um policial e foi até o local para efetuar a prisão.
O delegado tinha conhecimento da revolta da população e da família da vítima, e para evitar linchamento, optou por transferir Natalino para a Delegacia de Flagrantes em Rio Branco. Quando a notícia da prisão se espalhou pela cidade, um grupo de pessoas chegou a ir até a Delegacia de Capixaba e cercar o local na tentativa de agredir o Natalino.
O delegado Aldízio sabia com quem estava lidando, né? Ali era o seu povoado. No entanto, àquela altura, o assassino já estava longe dali, fora de qualquer risco imediato à sua integridade física. No trajeto à capital, ali na transferência do Natalino, ali do assentamento de Capixaba para Rio Branco, o Aldízio conversou com o Natalino e perguntou os motivos que o levaram a atacar a esposa diante dos próprios filhos.
Natalino respondeu e sentia um ciúmes absurdo de Auriscléia, e que a discussão pela guarda dos filhos o irritou de tal maneira que ele perdeu o controle da situação e a atacou. Quando iniciou os golpes, a mulher estava segurando o filho do casal no colo, e nem isso foi capaz de conter a sua fúria. Natalino também revelou ao delegado que, ao contrário do que todos imaginavam, o menino mais novo...
não era seu filho biológico. Segundo ele, Auriscleia já estava grávida quando os dois se conheceram.
Eu não pude confirmar a veracidade dessa fala de Natalino, mas caso for uma informação verdadeira, eu fico me perguntando se o fato de estar grávida, somado ao medo dos julgamentos por ter mais um filho fora de um relacionamento, de um casamento, não teria sido o verdadeiro motivo que levou Auriscléia a aceitar a aproximação de Natalino.
E aqui, se for isso, a gente entra numa outra camada desse episódio, que é como esse julgamento social, essa expectativa social, nesse meio tão conservador e religioso que ela vivia,
acabou empurrando ela aos braços de um assassino. Ou se nada disso for verdade, Natalina só estiver dizendo isso porque estava com raiva ali na hora, porque por ter matado a mulher, a gente fica com outra opção. Será que a Euriscleia realmente se apaixonou por aquele falso pastor assassino?
Cinco dias após o crime, em audiência de custódia, o juiz Leandro Gross, da Vara Estadual do Juiz das Garantias, decretou a prisão preventiva de Natalino. Em sua decisão, argumentou que a prisão ocorreu dentro dos limites da legalidade e que todos os seus direitos foram preservados. O fato dele ser reincidente e foragido deram ao magistrado a base legal para mantê-lo atrás das grades até o julgamento.
Com a confissão de Natalino, o inquérito foi concluído dentro do prazo, e o pastor foi denunciado por feminicídio e por dupla tentativa de homicídio pelos ferimentos causados no filho e no cunhado. Cerca de um mês depois, no dia 15 de julho, o Ministério Público aceitou a denúncia e o tornou réu pelo assassinato da esposa. Em relação às condenações anteriores, a justiça unificou o tempo restante das duas penas.
que somavam aí 35 anos, e determinou que Natalino voltasse a cumpri-las em regime fechado. O julgamento não demorou a ser realizado e, menos de seis meses depois da morte de Auriscleia, Natalino se sentou no banco dos réus para responder pelos crimes cometidos contra a companheira e os meninos. A sessão durou um dia.
E após analisar as provas, ouvir a acusação e a defesa, o juiz Wendelson Mendonça da Cunha fixou uma pena de 45 anos pelo feminicídio qualificado, 5 anos, 8 meses e 13 dias pela lesão corporal grave contra o próprio filho e a 4 meses e 3 dias de detenção pela lesão corporal leve praticada contra o cunhado, além do pagamento de 10 salários mínimos como indenização às vítimas.
Na sentença, o juiz considerou a reincidência em homicídio e o fato do crime ter sido cometido na presença da criança.
entre nós. E parece que Natalino sente prazer em matar mulheres na frente dos filhos, já que fez o mesmo com Silene mais de duas décadas antes. Se a gente somar todas as penas, por todos os crimes cometidos por Natalino, ultrapassam aí a casa dos 80 anos. A gente torce pra que dessa vez a justiça não conceda a ele nenhum benefício por bom comportamento.
Mas assim, né? Essa decisão aconteceu no fim do ano passado e foi em primeira instância, então ainda cabe recurso. Enquanto isso, Natalino do Nascimento Santiago permanece preso no Complexo Penitenciário de Rio Branco.
Apesar de não conter a dor, a condenação e prisão de Natalino trouxe conforto para a família de Auriscleia. Para a irmã Rita de Cássia, o mais importante agora é que a memória da vítima seja preservada e que ela não seja reduzida a uma estatística. A irmã afirmou.
Ela era uma jovem cheia de sonhos, uma mãe dedicada, uma filha amorosa e uma mulher que, mesmo sob ameaças, ainda acreditava que podia reconstruir a própria vida. Espero que ela não seja esquecida. Eu gostaria que as pessoas lembrassem dela, como ela realmente era. Sorridente, alegre, uma menina humilde que gostava de ajudar os outros.
E esse foi o caso Auriscleia Lima, uma mulher de apenas 25 anos que teve a vida interrompida dentro da própria casa, no lugar que deveria ser o mais seguro do mundo. Uma mulher que deixou filhos que agora crescem com a ausência impossível de preencher de uma mãe.
E se isso tudo já não é trágico e triste o suficiente, a gente ainda entra aqui numa discussão que me deixa, assim, o coração, gente, na mão. Enquanto o sistema discutiu o bom comportamento de um homem, enquanto alguém era considerado apto a voltar para a sociedade, mesmo já tendo tirado outra vida, quem pagou o preço foi ela, a Uris Cleia. E isso não é só um detalhe de um conto.
É um fato, foi um fato, determinante que acabou com a vida de uma mulher muito real e amada. O Natalino teve a chance de recomeçar a vida fora da prisão depois de ter cometido homicídio e necrofilia contra sua primeira vítima. Isso porque ele se comportou bem.
Já Auris Cleia nunca teve uma segunda chance de recomeçar a vida longe dele e ao lado dos filhos. E ela até tentou, né? Ela estava firme, uma mulher forte, foi em busca dos seus sonhos. Mas essa tentativa foi o seu fim definitivo. E eu acho que essa é a parte mais dura dessa história. Entender que esse não foi um crime isolado. Já era padrão natalino matar mulheres que diziam não em frente aos filhos.
Hoje eu trago essa história pra que a vítima seja lembrada, como a sua irmã afirmou, né, que a sua memória seja preservada. E é isso que precisa prevalecer, quem ela era. Uma filha, uma mãe, uma amiga, não apenas uma vítima de Natalino.
Mas eu também trago essa história porque quando a gente lembra de Auriscleia e de tantos outros casos que a gente vê aqui de feminicídio, a gente lembra da necessidade urgente de que histórias como essa parem de se repetir. Não basta a justiça apenas condenar. É preciso que a memória dessas vítimas vivam para que crimes como esse sejam impedidos de acontecer de novo. É romper o ciclo, né? Quebrar esse padrão.
E às vezes a gente não pode esperar para que isso aconteça, né? Eu sei que denunciar é difícil, é complicado, é delicado, mas também é urgente e pode salvar uma vida. E nenhuma mulher deveria enfrentar isso sozinha, né? O apoio de familiares, de amigos e instituições...
podem fazer muito a diferença entre continuar em risco ou conseguir sair dessa com apoio. O acolhimento imediato é muito essencial para realmente afastar a vítima do agressor e quebrar esse ciclo de uma forma segura. E aí eu queria deixar aqui alguns contatos para vocês, porque se você está vivendo isso, violência doméstica, ameaças, ou se você conhece alguém que esteja vivendo isso,
Procure ajuda agora. Vá até uma delegacia especializada de atendimento à mulher ou entre em contato com a Central de Atendimento à Mulher. Existem muitos outros recursos para te auxiliar. Só joga aí no Google. Ajuda a violência contra a mulher, que vai aparecer aí todo o passo a passo do que você precisa fazer.
Mas a gente precisa parar de ignorar esses sinais. Dos mais pequenos aos mais óbvios, né? No caso do Natalino, era um sinal óbvio de um homem que já tinha matado outra mulher, matado outro homem, cometido necrofilia. Mas às vezes começa nos pequenos sinais, no ciúme, no controle, naquela coisa, né? Diante de qualquer indício de violência ou ameaças de violência, acione as autoridades. Porque nesses casos, agir rápido não é só importante, mas é o que pode salvar uma vida.
Escutar True Crime pode ser um entretenimento para muitos, mas ele vem também com a responsabilidade de estar informado e saber quando e como agir diante de violências. É sobre quebrar esses ciclos e esses padrões. E você faz parte disso.
Amanhã, quinta-feira, eu vou postar as imagens desse episódio lá no Instagram e no Twitter. Sigam a gente, somos o arroba café com crime no Instagram, arroba café c crime no Twitter. Comentem lá comigo o que vocês acharam deste caso. Eu volto daqui a duas semanas, não na próxima quarta, mas na outra, volto com um novo episódio pra vocês. E até lá, não tente ter uma conversa civil com quem é animal. Porque de desgraça, já basta esse podcast. Tchau, tchau.
Esse episódio foi roteirizado, produzido e apresentado por mim, Stephanie Zorbi. Pesquisa e roteiro de Ana Paula Almeida, com design de som, de Luíde Calistrato. As fontes de pesquisa utilizadas neste episódio foram
Portal G1, Ecos da Notícia, Portal JT, Portal Gazeta.net, A Gazeta do Acre, Cidade AC News, AC 24 Horas, Portal Iaco News, Ministério Público do Acre, Portal Norte e TV Gazeta.
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