Episódios de Vedanta Cast

#𝟭𝟮𝟰/𝟮𝟬𝟮𝟲 – 𝗢𝘀 𝗣𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀 𝗣𝗮𝘀𝘀𝗼𝘀 | 𝗦𝗲́𝗿𝗶𝗲: 𝗘𝘀𝗽𝗶𝗿𝗶𝘁𝘂𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗹𝗶𝗴𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗔𝗿𝘁𝗶𝗳𝗶𝗰𝗶𝗮𝗹

05 de maio de 202616min
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Participantes neste episódio1
J

Jonas Masetti

HostTiara de Vedanta
Assuntos5
  • Caso Air Canada e Responsabilidade da IAChatbot da Air Canada inventa política de reembolso · Decisão judicial: empresa é responsável pelo que o chatbot diz · Agente de IA como extensão do usuário e sua responsabilidade
  • Conselhos para interagir com IAInstruções customizadas em português comum · Diferença entre usar IA como brinquedo e ferramenta · Definição do papel e identidade do agente · Estabelecimento de limites e regras de conduta · Importância dos valores espirituais na IA · Materialização de valores em ações concretas
  • AutoconhecimentoArticular quem você é e o que você quer para a IA · IA refletindo o usuário e a necessidade de autoconhecimento · Dificuldade em verbalizar pensamentos e valores pessoais · Configuração de um assistente em 15 minutos para quem tem clareza
  • Educação com IAMecanismos de aprendizado: memória, exemplo, calibração e tempo · Memória de contexto e a necessidade de instruções permanentes · Uso de exemplos para demonstrar o tom e estilo · Calibração através de feedback e ajustes · A importância do tempo para a consistência das respostas
  • Meta e ferramentas de IAUso do Whisper para comunicação por voz com a IA · Evolução contínua e não esperar perfeição inicial · Opções para configurar um assistente pessoal · Configuração da rotina do agente no dia a dia
Transcrição44 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Bom dia, pessoal. No episódio passado a gente falou do porquê. Por que vale ter um assistente pessoal e onde mora a armadilha?

Hoje a gente desce para o chão, para o Beabá. Como é que se instrui um agente? Onde se escreve? O que se escreve? Como que ele aprende o seu jeito? Sem programação, sem tela preta, sem termo técnico, sem terminal, português comum. E no meio do caminho de um caso real.

de um chatbot que custou caro para a empresa porque ninguém instruiu o chatbot direito. Isso também eu vou falar. Então, é isso aí, galera. Vamos seguir em frente. E, mais uma vez, se fizer sentido para você, compartilha esse áudio com as pessoas que você quer que façam essa jornada junto com você.

O meu nome é Jonas Masetti, sou uma tiara de Vedanta e você está no VedantaCast, esse espaço onde eu converso com os meus alunos de turma regular de Vedanta diariamente. Estamos agora no tema AI e espiritualidade. Então, na hora que você vai abrir o seu assistente, a primeira coisa que você vai fazer é instruí-lo. Então, onde escrever e o que escrever?

Então, se você for no chat GPT, no Clodian, no Gemini, hoje eles têm uma tela que é chamada assim, instruções customizadas, que é um campo de texto que você abre, escreve em português, salva e pronto. E aí toda vez que você vai usar aquele chat GPT, aquelas instruções já estão lá na frente do que você está dizendo. Então, a diferença real de quem usa AI como um brinquedo e quem usa como uma ferramenta,

é ter essas instruções escritas. Porque quem não tem, vai começar do zero toda a conversa. Então, o que precisa ser dito para a AI? E agora, quando a gente está falando de um agente de AI, a gente não vai precisar se preocupar, num primeiro momento, com a estrutura de onde ele guarda essas informações.

você vai dizer para ele, olha, eu quero te passar um conjunto de instruções que vai ser a base de todo o nosso trabalho. Então você pega essas instruções e guarda no seu local devido. Dependendo do agente que você tiver, os arquivos mudam um pouco. Por exemplo, se você estiver no OpenClaw, aí você vai ter lá um arquivo chamado user.md, soul.md. Se você estiver no...

no Cloud Code, que é o que eu estou usando hoje em dia. Aí você vai ter lá o arquivo cloud.md, rules.md. Então, não se preocupa com onde você vai gravar, porque ele sabe onde tem que gravar. O importante é você dizer para ele que ele tem que gravar. Então, a primeira pergunta é quem ele é. Então, qual é o papel dele? Olha, você está aqui para ser o meu assistente pessoal.

Sem isso, ele não sabe por que ele está existindo e o que ele vai dizer. Você pode dar um nome para o seu agente, você pode, você pode não, você deve dar um nome para o seu agente.

mas você deve tomar um cuidado, que eu já vi muita gente fazendo isso na internet, quer dizer assim, olha, você vai ser um especialista de script, para você me ajudar a escrever o script dos meus vídeos, haja como se fosse um script writer muito experiente, só que quando você faz isso, ele não fica mais inteligente, quando você faz isso, ele vai fingir,

que é um scriptwriter profissional, vai falar como um scriptwriter profissional. Então, a identidade dele não é como, pode até ser, como você quer que ele fale com você, mas é você estabelecer os parâmetros do papel dele. E, naturalmente, uma vez que você definiu o que ele é, a segunda pergunta é quem é você?

Então, o que ele precisa saber de você? Qual é a sua profissão? Qual é a sua rotina? Com quem você se comunica no dia a dia? Os seus e-mails, em geral, vêm de quem? Como que você trabalha? Qual que é o contexto? Porque sem o contexto, ele inventa o contexto. Então, você tem que dizer para ele, olha, eu sou isso aqui, trabalho desse jeito.

Aí, se você, por uma questão de conexão, você pode explicar para ele como ele deve falar, o tom, o idioma, o cumprimento, primeira pessoa, terceira pessoa. Isso é o que separa o amador do profissional. Mas olha só, não se iluda. Ele está fazendo isso de forma treinada. Ele não está fazendo isso porque ele respeita você, ou seja lá o que for. E outra coisa muito importante...

É entender que quanto mais ele falar, mais dinheiro você gasta. Então, manter uma conversa objetiva, mais cordial, é a minha sugestão. Então, o que não fazer? Tipo assim, isso é outra coisa importante. Então, quem ele é, quem você é, como ele deve falar e agora o que ele não deve fazer.

E aí você tem que botar limites duros, por exemplo. Não responda cliente sem me consultar.

Não inventa número. Não promete nada em meu nome. Então, são todas as coisas que você falaria para um estagiário que está falando no seu nome, respondendo um e-mail. Você vai falar, você não deve fazer isso, não pode fazer isso. Isso vai virar um conjunto de regras. E aqui é uma coisa importante, porque no início, e é uma coisa que eu preciso conversar com vocês, a espiritualidade é a chave do uso da AI.

Porque, no fundo, o que você quer é que a CI tenha os valores espirituais.

porque ela não foi treinada em valores espirituais, ela foi treinada em valores mundanos. Então você precisa dar a ela o que são os valores espirituais. Por isso, inclusive, alguns amigos pessoais falam que podem me ajudar a instalar a AI. Eu já ajudei para uns três ou quatro, sabe? Mas eu falo para todos eles, olha, não pega só a AI, deixa eu te dar alguns módulos que eu tenho aqui que fazem a AI funcionar da forma como você espera.

Porque não adianta você só instalar a AI. Daqui a pouco ela mente no seu nome. Então não, você tem que estabelecer os valores. E tem uma forma de fazer. Não é assim, tipo, satyam, verdade. Eu já tentei. Ela realmente até referencia quando você vai falar alguma coisa que ela acha que é mentira. Ó, tem o valor pela verdade. Mas não é isso. Porque a AI...

Ela é muito inteligente, como a gente sabe. E ela funciona melhor não com valores abstratos. Ela funciona melhor quando os valores estão materializados na forma de ação. Então você tem que pensar assim, o que ele não deve fazer? Não responder clientes no meu nome, não inventar número, não prometer nada em meu nome, seja lá o que for, vamos dizer assim, as diretrizes onde o seu negócio pode dar ruim.

E aí depois, tendo colocado depois ou antes, falou assim, olha, a verdade é um dos valores da nossa operação. E, portanto, olha, estou dando aqui alguns exemplos do que você não deve fazer e outras coisas também que você interprete dessa forma, você também não faça.

Agora, o que ela faz quando ela não sabe? Isso é uma outra regra de ouro, porque nem tudo ela vai saber, vai ter coisa que ela vai ficar na dúvida. E aí tem o segredo, que é o seguinte, o que você não souber, você me pergunta. Nunca inventa. Então, instruir bem é articular quem você é, o que você quer.

E se você nunca articulou isso para você mesmo, cara, você vai sofrer. Mas você vai aprender. Isso aconteceu comigo e acontece com todo mundo. Por isso que eu digo, o uso da AI, cara, é praticamente uma terapia. Porque você percebe que tem muita coisa que você faz, como pessoa, como no seu trabalho, na sua vida.

que você nunca verbalizou, sabe? Você nunca colocou de uma maneira concreta. E aí, quando você vai colocar, você vê que não é tão fácil assim quanto parece. Então, eu vou contar um caso que deu muito errado para vocês, da Air Canada, em 2024. Tinha um passageiro que precisava voar de última hora para um funeral. Ela conversou com o chatbot do site da Air Canada. O chatbot disse, olha, compra a tarifa cheia agora, depois você pede um reembolso de luto em até 90 dias.

O passageiro comprou e pediu o reembolso. A Air Canada negou, né? Essa política não existe. O chat inventou. Aí eles foram ao tribunal. Cara, e a decisão foi a seguinte. A empresa é responsável pelo que o chatbot diz. A Air Canada teve que pagar. E essa é uma lição que vale para qualquer um.

O seu agente, quando ele fala no seu nome, quando ele responde um e-mail seu, ele é uma extensão de você. E você precisa se responsabilizar pelo que você está programando. Você não pode dizer simplesmente que não tem nada a ver com isso. Então, um agente sem instrução clara de limites é responsabilidade sua. Ele vai responder por você. Então, agora vou falar uma outra coisa importante.

Como que ele aprende o seu jeito? Ele vai aprender através de quatro mecanismos. A memória. Então, ele precisa lembrar das coisas que você está dizendo.

Ué, mas ele esquece? Esquece, lembra? Ele tem memória de contexto. Então, enquanto você conversa com ele, é você que diz para ele o que ele precisa guardar na memória. Ele não tem o bom senso de saber que ele vai esquecer daqui a, sei lá, três dias, porque a sessão vai acabar. Aí aquilo que você instruiu, ele perdeu. A segunda coisa é as informações para o...

para uma AI precisa ter exemplo. Então, por exemplo, você pode dar para ele dois, três e-mails seus enviados, para ele entender como você quer enviar o e-mail. Então, o tom é a coisa mais difícil de descrever em palavras, mas é muito fácil de mostrar em exemplo, ele consegue entender muito rápido. E aí você vai fazer uma calibração.

Ficou bom? Por exemplo, eu estava mandando uma mensagem esses dias para alguns alunos que cancelaram matrícula ano passado, viajei muito, etc. Aí eu falei, olha, prepara um e-mail para mandar para essas pessoas. Aí o e-mail ficou genérico. Não, o e-mail ficou no tom. Não, tira esse tipo de palavra, isso aqui eu não quero que use. Lembrando que tudo aquilo que você queira que fique permanentemente, você tem que dizer para ele guardar nas instruções dele.

sabe? E, por último, o tempo. Então, essa... Pra ele aprender o seu jeito, você vai ter que trabalhar a memória, o exemplo, a calibração, que é esse feedback, e o tempo, né? Por que o tempo? Porque é o tempo que vai mostrar pra você a consistência na resposta. E se você não leva em consideração o tempo, você acha que é uma máquina que vai ter que fazer de uma vez só, aí você tá perdendo.

Então, o que não fazer? Não instrua coisas vagas. Por exemplo, seja útil. Seja útil, tipo, né? Que pode ser útil de diversas maneiras, né? Então, entrega uma coisa assim genérica pra ele e não representa nada, sabe? E a outra coisa que você não deve fazer. Não definir limites.

porque se você não definir limites do que ele pode e do que ele não pode fazer, ele inventa na melhor maneira possível, como aconteceu com a Arcana. Outra coisa é, se você atualiza uma instrução, você precisa testar. Tudo que você passa, você tem que testar. Aí você sabe, pelo menos você tem uma convicção de que aquilo que você explicou, ele está fazendo.

E outra coisa, eu de vez em quando faço isso, eu estou falando com a gente e falo assim, você entendeu, segue essa linha. Não.

Você não pode dizer que você entendeu. Você entende, né? Não. Porque ele não é um ser humano que tem todo o contexto que um ser humano tem. Ele só tem aquilo que você está explicando. Então, você tem que articular tudo. Uma das coisas que me funcionou muito bem foi poder usar a voz. Então, escrever leva muito tempo para a gente. A gente acaba querendo ser minimista, né? Minimalista quando a gente escreve.

Eu instalei uma coisa chamada Whisper, que eu vou sugerir que vocês instalem também no agente de vocês, porque você liga o Whisper e você pode mandar uma mensagem de voz, de 10 minutos para ele se quiser, você explicando a situação, os casos todos, etc. Aí ele consegue. Então, vê só, outra coisa importante, não vamos esperar a perfeição no começo, vamos esperar uma evolução contínua.

E, por último, nesse episódio, eu queria dizer para vocês assim, que instruir bem um agente é uma prática de autoconhecimento, porque o agente está refletindo aquilo que você é. E poder articular quem você é, como você fala, o que você aceita, o que você não aceita, é um trabalho sobre si.

A maior parte das pessoas nunca falou isso para si mesmo. E por isso que parece que é uma coisa difícil, mas não é difícil tecnicamente. É difícil porque toca em uma coisa que é difícil de lidar, que é quem sou eu, afinal? Mesmo que não seja eu, o Brahma, o sujeito, mas quem sou eu dentro desse mundo? Como que eu falo? Qual é o meu tom? Às vezes a pessoa, na hora de escrever um e-mail, você fala que isso aqui não tem cara de e-mail do Jonas, ou sei lá, de quem. Não tem cara, sabe?

Então é muito importante que a gente estabeleça essa clareza. Se você não estabelecer, aí você começa a ter ruído. Então lembrando, a gente precisa entender o sua dharma do agente. O nosso foco, quando a gente instalar o nosso agente, é caramba, o que esse agente é capaz de fazer bem? Como ele se conecta comigo? No fim do dia, isso não é uma atividade de um programador.

Essa é uma atividade de quem sabe o que quer. A interface é a parte fácil. A gente resolve muito rápido. Claro que tem gente que tem mais dificuldade de programação, mas a gente tem caminho para isso também. A parte difícil, que equivale, é a clareza que vem de dentro para fora.

Quem chega articulado, sabendo o que fazer, configura, cara, um assistente em 15 minutos. Quem não chega articulado, né? Por exemplo, se você não tiver todo esse background que eu estou passando aqui, cara, você vai levar tempo, mas eu digo assim, mês, para conseguir fazer um agente funcionar do jeito que você quer. Bom, é isso, pessoal. E se esse episódio fez sentido para você, manda para aquele amigo que vai instalar o AI junto com vocês, para vocês brincarem juntos com essa nova tecnologia.

E lembra que no último episódio desse arco eu vou abrir três caminhos para quem quiser ter o próprio assistente. São minha sugestão, não é obrigado, a gente está aqui no VedantaCast, mas é minha sugestão forte, cara, faz. Então, um é para você fazer sozinho.

Um setup assistido por uma AI, com supervisão de uma equipe, e uma mentoria para aqueles que querem fazer a coisa com mais força. Por enquanto fica só a curiosidade. No próximo episódio a gente vai para configurar a rotina. O agente trabalhando de verdade no seu dia. E aí vai aparecer aquela parte que ninguém comenta, que o que muda em você quando você passa a ter alguém ou uma AI que sabe do seu jeito e está sempre por perto.

Um abraço para todos e até amanhã. Rarião.

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Vero

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