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De Segunda a Sexta | Ep.04 - De Avaliador a Discípulo | Pedro Galoza | 03 de maio 2026

04 de maio de 202651min
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Assuntos4
  • Avaliador vs. DiscípuloA distorção invisível da avaliação · A ciência por trás da avaliação · O perigo de julgar o outro · A hipocrisia religiosa · A fé encarnada e o discipulado · Anatomia do avaliador · Projeção da sombra (Jung) · Humildade radical do discípulo · O discípulo como ajudador · Tornar-se um lugar seguro
  • O Sermão do MonteNão julgue para não ser julgado · O cisco e o tronco no olho
  • Práticas para o discipuladoOração por revelação das sombras · Buscar conselho de amigos confiáveis · Autoconhecimento e tratamento de traumas · Foco em si mesmo antes de julgar o outro
  • João 3:16 e a missão de JesusDeus amou o mundo · Jesus não veio para condenar
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Ele descobriu que toda avaliação carrega uma distorção invisível. Toda avaliação carrega uma distorção. Qual era essa distorção? Ela sempre passa pelo filtro de quem avalia. Não apenas da ferramenta ou do instrumento utilizado, mas por quem está avaliando. Com as suas experiências, as suas inseguranças, os seus pontos cegos.

E aí nessa, as suas pesquisas demonstram que mais de 60% de qualquer avaliação diz respeito ao avaliador e não ao avaliado. Então, olha que interessante. Então, você está avaliando uma pessoa, e aí o resultado final, de acordo com pesquisas do Marcos, tem mais a ver com você do que com quem você está avaliando.

Olha que interessante isso. Quantas pessoas você avaliou essa semana? Quantas pessoas você avaliou essa semana? E não, eu não estou perguntando se você aplicou algum teste de feedback, de avaliação, de personalidade, não, não é isso. Quantas pessoas...

apesar de você não ter preenchido nenhum formulário, não ter convocado nenhuma reunião, você avaliou e emitiu vereditos. Quantas pessoas? E mais, e você acreditou que você estava vendo a realidade. Você, assim, avaliou e você tem certeza que você está certo. Bom, de acordo com a ciência...

As melhores ferramentas, onde se gastam bilhões por ano nas empresas, podem estar erradas no resultado final. O Burkiger diz assim, em um dos artigos que ele escreve, a minha capacidade de avaliar você não é determinada por quem você é, mas pelas minhas próprias idiosincrasias. Ou seja...

tem muito mais a ver com as minhas experiências, as minhas inseguranças, os meus pontos cegos do que você. Sabe o que isso tudo traz para a gente? Do ponto de vista da ciência. Que avaliar e julgar o outro é perigoso, falho e cheio de distorções.

A gente acha que a gente está certo. Mas a ciência está mostrando que é perigoso, é falho e é cheio de distorções. Quantas pessoas você avaliou essa semana? Não vou perguntar no último mês, tá bom? Essa semana. Bom, quantas pessoas você avaliou hoje? Igreja é um negócio legal para avaliar pessoas.

A gente olha assim, nossa, fulano, aqui. Quantas pessoas você avaliou hoje, essa semana? Quantos vereditos você, resultado final, essa pessoa é isso, essa pessoa é aquilo. Essa aqui não tem jeito. Essa aqui, não, você não conhece essa aqui. A gente...

esqueceu de avisar para o religioso isso que a ciência tem comprovado. Interessante, enquanto no mundo corporativo, pelo menos começam a reconhecer o problema, muitas vezes, nesse ambiente aqui, dentro de igrejas, no meio religioso, avaliar e julgar virou ministério.

Avaliar e julgar virou revelação. Eu tive uma revelação. Não, revelação é coisa nenhuma, você está avaliando e julgando. Não tem nada de revelação nisso. Então, quem avalia tem uma unção diferente. Tem, vem do inferno essa unção. Porque de Jesus não vem.

No sermão do monte, Jesus fala outra coisa. Disso que no meio religioso a gente se acostumou a fazer como se fosse normal e correto. Veja, Evangelho de Mateus capítulo 7, versículo de 1 a 5. Não julguem, e nessa palavra que julguem, cabe, de acordo com a palavra do texto original grego, avalie. Você não deve avaliar ninguém.

Jesus é categórico, não avalie, não julguem, para não serem avaliados, para não serem julgados. Pois vocês serão julgados pelo modo como julgam os outros. O padrão de medida que adotarem será usado para medi-los. Por que você se preocupa com o cisco no olho do seu amigo enquanto há um tronco no seu próprio olho?

Como pode dizer ao seu amigo, deixe-me ajudá-lo a tirar o cisco do seu olho, se não consegue ver o tronco em seu próprio olho? Hipócrita. Primeiro, livre-se do tronco em seu olho, então você verá o suficiente para tirar o cisco do olho do seu amigo. Jesus. Assinado Jesus.

Hoje a gente termina essa série, que a gente poderia ficar muitos outros domingos conversando sobre o Sermão do Monte, e eu quero terminar com esse tema aqui, que é muito do que Jesus está ensinando nessas palavras. A gente está falando sobre uma fé encarnada, a gente está falando sobre uma fé que não é do ambiente religioso, a gente está falando de uma fé que não é...

da mão levantada na hora do louvor, não é isso, a gente está falando da fé segunda-feira, terça-feira, a fé no trânsito, a fé no trabalho, a fé ali no meu condomínio, a fé quando alguém está me atendendo no mercado, é essa fé cristã de um discípulo, uma fé encarnada. É possível ser cristão?

enquanto classificação religiosa, e não ser um discípulo enquanto alguém que anda com Jesus para aprender a pensar como Jesus pensa, falar como Jesus fala, fazer o que Jesus faz. Se você ainda não entendeu que o cristianismo é sobre isso, você precisa entender isso agora. É sobre isso. Por isso é uma pessoa.

Não é uma filosofia, não é uma ideia. Uma ideia, uma filosofia, você pode entendê-la, compreendê-la. Mas a fé cristã é, no seu ponto mais simples, mas também mais completo, alguém que, ao ser achado, encontrado por Jesus, convidado por Ele a andar com Ele, nesse caminhar contínuo, se transforma em alguém como Ele é.

E Jesus está dizendo, eu não sou um avaliador ou um julgador. Quem anda comigo não é um avaliador ou um julgador. João 3,16 é um dos textos mais decorados e conhecidos do meio cristão, porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Se você continuar lendo, não parar no versículo...

16, você vai ver que o texto é claro ao dizer que Jesus não veio para condenar o mundo. Jesus não veio para exercer um julgamento sobre o mundo, uma avaliação sobre o mundo. Por quê? E o texto diz, porque o mundo já está avaliado e condenado. Não faz sentido Jesus ser uma boa notícia, que não seja uma notícia que nos resgate desse lugar de condenação. Esse é Jesus.

Nós precisamos aprender isso. E veja, se tornar um discípulo, fazer essa transição de um avaliador para um discípulo, é, antes de tudo, para o nosso bem, para o seu bem. Isso se desdobra para o bem daqueles que estão ao nosso redor, que passam por nós, que caminham conosco.

E a gente precisa aprender com Jesus. Como é que é deixar de ser um avaliador e passar a ser um discípulo? E aí Jesus, nessas palavras dele aqui, traz o que eu estou chamando de anatomia do avaliador. A anatomia do avaliador.

Quem é essa pessoa? Quem é esse homem que vive avaliando, julgando? Quem é essa mulher que vive avaliando e julgando? Bom, primeiro, ele enxerga o outro com lupa. Já viu? Deixa eu ver aqui. Ele enxerga o outro com lupa. Ele olha para a vida do outro, assim, coloca uma lupa para ver os mínimos detalhes.

Não, aquela camisa preta ali, não é possível, tem um pelinho branco ali. Essa é uma característica da anatomia do avaliador, enxerga o outro com lupa. Ele usa dois pesos e duas medidas. Ele usa dois pesos e duas medidas. O outro, o erro do outro, a falha do outro, o pecado do outro, tem um peso.

O meu é quase imperceptível. É levinho. O meu é leve. O outro é extremamente pesado. Quando o avaliador, o julgador erra, há sempre um contexto. Não, mas é porque o contexto foi esse. Por que você falou assim? Não, deixa eu te explicar o contexto. Quando o outro erra, há um veredito.

Não há nem espaço para o outro falar. Quando o avaliador, o julgador se atrasa, foi o trânsito. Já viu a terceira ponte? Por isso que eu atrasei. Quando o outro se atrasa, é irresponsabilidade. Dois pesos e duas medidas. Dois pesos e duas medidas. Quando...

o avaliador reage mal a algo, é porque o dia dele não foi bom, eu tive um dia mal. Quando é o outro, é porque é o jeito dele. Mas ainda, o avaliador, nessas palavras de Jesus, tem um outro traço. Ele se aproxima com um discurso de ajudador. Ele se aproxima com um discurso, assim, até espiritualizado.

Ele se aproxima com a ideia de que ele se preocupa, mas aí Jesus está chamando essa pessoa de hipócrita. Por que você, Jesus, por que você está chamando alguém, você está me chamando de hipócrita, eu só quero ajudá-la. Por que Jesus está chamando de hipócrita? Porque ele fala, você não está vendo o que está em você.

Como é que você quer ajudar alguém, mas você não está observando o que tem em você? Ele ignora os seus erros. Ele ignora os seus erros. Não é que ele nega os seus erros. Até porque aí já seria uma insanidade completa. Alguém aqui dizer assim, você errou essa semana? Não, não, essa semana eu não errei. Não tem como, né? Então não é negar, mas ignora.

Ignora-se, passa despercebido. Ele julga com uma roupagem espiritual, usa até versículo para julgar. Esse avaliador aqui, esse julgador aqui, ele até tem versículos decorados. Não, mas a árvore se conhece pelo fruto, né? Então, veja, essa é a anatomia.

do julgador, do avaliador que Jesus está confrontando aqui nesse texto. Beleza, se isso aqui fosse uma matéria para a gente estudar, para fazer uma avaliação, um teste.

Vamos supor assim, é só hipoteticamente, Jesus vai avaliar você a partir disso aqui. Aí para avaliar você a partir disso aqui, você estudou isso aqui, ele vai te dar uma prova, um teste para você responder as opções, esse teste aqui. O teste é, primeira pergunta, você enxerga os erros dos outros com mais facilidade que seus próprios erros? Eu vou te ver.

Riscar aqui. Vamos lá, você. Você enxerga no seu cotidiano, no seu dia a dia, você enxerga os erros dos outros com mais facilidade do que os seus próprios erros? O meu eu vou riscar já no não aqui. Claro que não. Talvez, né? E aí? Segunda pergunta do teste. Quando você erra, você busca explicação? Justificativa.

Contexto. Mas quando o outro erra, você não dá nem espaço. Já é veredito final. Julgamento. Sim, não, talvez. Terceira pergunta. Você usa as palavras que espiritualizam o seu julgamento para validar opiniões? Que no fundo são suas opiniões. Não põe Deus nesse negócio não.

Tira o versículo, a opinião é sua, você faz isso? Para validar o seu julgamento, as suas avaliações, você pega versículo emprestado? Sim, não, talvez. E aí a última pergunta, a régua que você usa para medir o outro, é a mesma que você aceita ser medido? É a mesma? Jesus disse assim, ó.

À medida que você usar para avaliar o outro, vai ser usada para avaliar você. Beleza. É assim com você, o seu dia a dia? Qual seria o resultado final dessa avaliação aqui, na sua vida? Qual seria? Vou nivelar todo mundo, ok? Eu sou o primeiro. Hipócrita. Resultado final.

Peço licença se alguém aqui, falo, não, não, eu tirei 10 ali, eu não. Quando eu começo a pensar nessas perguntas ali, falo assim, qual seria o resultado final? Hipócrita. Isso combina bem com religiosos, com líderes religiosos, com pastores. Acho que o primeiro lugar para a gente...

aprender com Jesus, ou melhor, para a gente sair desse lugar da hipocrisia para o lugar do discipulado, é a gente reconhecer que muitas vezes nós somos hipócritas. Nós somos estes que Jesus está dizendo ali, hipócritas.

Por quê? Porque vocês vivem julgando as pessoas. Porque vocês vivem para avaliar as pessoas. Porque no cotidiano de vocês, vocês fazem isso o tempo todo. O tempo todo você está medindo alguém, você está avaliando alguém. Então sim, se nós olharmos para o nosso cotidiano, gente, até na pregação a gente julga. Porque a gente ouve a pregação assim, fulano tinha que estar ouvindo essa pregação.

Olha, até na mensagem assim. Mas Jesus quer transformar a minha vida e a sua vida numa vida de coerência, de cotidiano coerente, com a vida dele em nós. E acredite para o seu bem, para o meu bem, para o nosso bem, para o bem do mundo, para a manifestação da glória de Deus no seu trabalho.

as pessoas que passam por você. Jesus quer se revelar a cada uma delas através de você. Mais do que você ficar medindo o fruto da vida das pessoas, Jesus quer que as pessoas ao seu redor sejam frutos da sua vida.

Mas para isso a gente tem que aprender o que é ser um discípulo de Jesus nesse ambiente contínuo em que vivemos de avaliação. No nosso tempo, ainda mais inflamado, porque a gente vê o que as pessoas estão fazendo o tempo todo. Na verdade a gente acha que a gente está vendo o que elas estão fazendo com base no que elas postam, com base num story de 15 segundos. E a gente entrou numa zona perigosa de...

O tempo todo, avaliação, julgamento, vereditos. E como vimos, a ciência fala, olha, é mais sobre você do que sobre o outro. O que você está avaliando e julgando aí, tem mais a ver com você do que com o outro. Jesus está dizendo, não julgue, saiam desse lugar, esse lugar não é para vocês, esse lugar não é seguro, é de alta periculosidade. Tá bom.

Eu não quero ser um hipócrita, mas eu sou. E eu tenho certeza que você sendo, assim, no mínimo, alguém que quer viver bem, você também vai dizer, não, eu não quero ser um hipócrita, eu quero ser um discípulo de Jesus. Eu acredito que Jesus vai nos ensinar com essas palavras.

dois movimentos bastante práticos para que a gente saia desse lugar da hipocrisia, para a gente viver um discipulado coerente no cotidiano, nesse ambiente de constante avaliação em que vivemos. E a primeira coisa que nós precisamos entender e aprender é que um discípulo, um discípulo, um hipócrita não, mas um discípulo, tem humildade para primeiro reconhecer e encarar as suas distorções.

um discípulo de Jesus, ele olha para si, ele olha para dentro, ele tem coragem de ir para diante do espelho, e ir para diante do espelho não como o narciso foi para o lago. A história do narcisismo, o que é o narcisismo? É a paixão demasiada por si, idólatra de si.

É esse espelhamento utópico, idealizado, que anula os pontos cegos, anula as cicatrizes, anula as inconsistências, as incoerências e se torna o centro do mundo. Um discípulo de Jesus não vive assim, não vive assim. Um discípulo de Jesus encara uma humildade radical.

no cotidiano, dentro de casa, dentro de casa, na criação dos filhos, na relação com a esposa, com o marido, um discípulo de Jesus é radicalmente humilde, reconhecedor e ele encara as suas próprias distorções.

Por que você se preocupa com o cisco no olho do seu amigo, enquanto há um tronco em seu próprio olho? Primeiro, livre-se do tronco em seu olho. Primeiro, assuma quem você é, as suas distorções, as suas inconsistências, as suas incoerências. Assuma que você tem esse problema. Esse problema que você está tentando ver no outro, ele está em você.

E é interessante porque Jesus disse que o que eu vejo no outro eu vejo como um cisco, enquanto o que está em mim não é um segundo cisco, é um tronco. Sabe o que é interessante? Um cisco sai do tronco, não é verdade?

Quem sabe os ciscos nos olhos das pessoas ao seu redor estão saindo do tronco que há em você e que você não assumiu e encarou ainda ser tratado. Quem sabe você, pai, mãe, está espalhando cisco pelas pessoas ao seu redor porque você ainda não tratou isso que está em você. Seu filho está ficando igual você. Seu cônjuge, seu funcionário.

Tem um tronco nos nossos olhos. Jesus está falando, e essa desproporcionalidade aqui não é exagero retórico. É um convite a uma humildade radical. Uma humildade radical. Antes de você se preocupar com mínimos detalhes que precisam ser resolvidos no outro, Jesus aponta para algo que está gritando em nós. Mas nós não assumimos que temos.

Nós fingimos que não existe. O discípulo é alguém que faz uma escolha de antes de olhar para fora, olhar para si mesmo. Olhar para dentro de si mesmo. Esse é um discípulo, essa é uma postura de um discípulo de Jesus no cotidiano. Para de olhar para fora, para de julgar o outro, para de apontar para o outro, para de avaliar o outro.

Tem coisa na vida do outro? Tem, mas olha para a sua, tem coisa aí em você. E é mais do que você acha que é. Como é que isso acontece no cotidiano? Eu fiquei pensando e estudando assim. Pensa ou preste atenção nas pessoas que te irritam de forma desproporcional. Eu já sei que rapidinho já veio na sua cabeça.

Quem são as pessoas que te irritam, assim, de forma desproporcional? Não aguento mais. Não aguento mais esse erro aí. Não gosto nem de ouvir a voz. Presta atenção nisso. Elas quase sempre estão tocando em algo que ainda não foi resolvido em você.

E a ciência fala disso e explica isso. Olha que interessante. O Jung tem uma de suas teorias, algo que ele chamou de projeção da sombra. Projeção da sombra. Ele disse assim, quando algo no outro te incomoda de forma desproporcional, olhe para dentro.

Tudo que é inconsciente em nós descobrimos no nosso próximo. Essa é uma verdade. Presta atenção nisso, então. Comece a ver, por que há uma desproporcionalidade no seu julgamento com relação a essa pessoa aí, com relação a essa postura aí? Por quê? O Jung, no mínimo, questiona você a pensar, será que isso aí não é algo...

que está inconsciente em você e que você está descobrindo no seu próximo? Uma projeção. Você está projetando uma... Você não aguenta mais isso que você está vendo no outro, mas na verdade você não aguenta mais isso que está em você. E aí você está projetando no outro.

Então, preste atenção nos julgamentos que você vive repetindo. Pode ser que eles revelem mais sobre você do que sobre o outro. Preste atenção nas áreas onde você é mais duro com o outro do que consigo mesmo. Pode ser que aí more uma distorção. Eu queria trazer algumas questões bem práticas para quem sabe você começar a aplicar na sua vida sobre esse ponto aqui agora.

Qual foi a última vez que você teve um tempo com Deus? Vou começar com um tempo com Deus. Tempo com Deus, em que você comece a sua oração, seu tempo com Deus, sua meditação assim. Deus, revele-me as minhas sombras. Qual foi a última vez que você fez essa oração? Você está tão preocupado em orar pelo cisco do olho, do outro.

Deus, faz... Só eu que oro assim, ok? Só eu que oro assim. Deus, faz a Marina enxergar o que ela não está enxergando. Mas qual foi a última vez que eu orei assim, Deus, me faz enxergar o que eu não estou enxergando sobre mim.

Por que Deus que eu estou tendo essa reação? Por que eu estou tendo essa vontade? Por que eu estou tendo esse desejo? Deus tem sombra dentro de mim? Deus tem algum tronco no meu olho que eu não estou conseguindo ver? Isso é prático. Essa é uma oração de um discípulo. Dá para você começar a fazer isso hoje. Mas ainda, a humildade...

de você buscar alguém que você confia, fala assim, vem cá amigão, cara, o que eu não estou conseguindo ver em mim? Me ajuda aí. Me ajuda. Quais são os meus pontos cegos? Qual foi a última vez que você teve uma conversa honesta com um amigo e que você sentou e falou assim, olha, cara, eu quero que você, eu quero te dar aqui autorização e eu quero te dar aqui.

para você, você me conhece, cara, o que eu não estou vendo? Tem que fazer isso, questões práticas, senão a gente entra na zona perigosa do narciso. A gente começa a conversar só com a gente no espelho. Daqui a pouco, nessa da gente conversar só com a gente no espelho, a gente já está idolatrando a nossa imagem. Questões práticas, para a gente começar a fazer...

Quem sabe é você topar iniciar um processo de autoconhecimento real. Real. Deixar algumas coisas, revelar sobre você, sobre sua personalidade, sobre seus traumas, sobre algumas coisas assim, que se você não fizer, é isso aqui que o Jung está falando, você vai projetar no outro.

Você vai querer que o outro trate algo que na verdade era você que era para estar se tratando. Então é o outro que é violento, o outro que é narcisista, o outro que é traumatizado. Mas na verdade isso é você. Um discípulo de Jesus.

Não é alguém que não tem distorções, problemas, dificuldades, mas é alguém que não se acostuma com elas e tem a humildade para encará-las todos os dias. E se a gente fizer isso, a gente não vai ter nem tempo de ficar tentando tirar o cisco do olho do outro. Olha só uma frase do C.S. Lewis que vale para a gente carregar essa semana.

para a gente carregar essa semana, tente não pensar, muito menos falar sobre os pecados deles, os seus próprios são um tema muito mais proveitoso, vamos levar isso aqui para essa semana, vamos tornar isso aqui um hábito, vamos tornar isso aqui uma prática, o deles, o do outro.

Vamos tentar parar de falar, parar de pensar, parar de tentar corrigir. Os meus próprios. É muito mais interessante. Tem bastante coisa. Os meus tem bastante coisa aí. Os seus tem bastante coisa aí. Então.

Jesus está ensinando isso aqui, olha, um hipócrita é aquele que vive julgando, avaliando o outro, mas um discípulo tem humildade para primeiro reconhecer e encarar as suas próprias distorções. Mas ainda, um discípulo, de acordo com Jesus, ele acaba se tornando, é quase que naturalmente,

Um ajudador próximo, gracioso e amoroso. Esse é um discípulo de Jesus. Um discípulo de Jesus se torna um ajudador. E é interessante porque Jesus termina dizendo, então você verá o suficiente para tirar o cisco do olho do seu amigo.

Jesus não diz assim, não, cada um vive individualmente para resolver o seu próprio tronco e resolver o seu. Ótimo. O outro, deixa o outro morrer com o tronco dele lá. Não, não, Jesus não termina dizendo isso. Mas Jesus alinha a rota aí do discípulo. Jesus corrige a dinâmica, o dia a dia do discípulo.

É interessante, Jesus começa me chamando de hipócrita, Jesus começa te chamando de hipócrita e ele poderia ter parado aí, mas ele continua e o que vem depois da palavra mais dura do texto, que é essa, hipócrita, você é hipócrita, é um convite maravilhoso, é um convite bonito. Jesus não veio para te deixar nessa acusação aí. Ele veio para te mover na direção de uma transformação.

de deixar de ser hipócrita, de deixar de ser um avaliador e se transformar num discípulo ajudador do próximo. Mas ajudador do próximo, sendo gracioso com o próximo, sendo amoroso com o próximo. O hipócrita, ele chega com um veredito. O hipócrita chega, na verdade, com uma miopia. Ele não está vendo porque tem tanta coisa nele.

Um discípulo é aquele que humildemente reconhece os seus, está disposto a ser corrigido nos seus e então chega perto com o coração muito mais aberto, muito mais tratado, muito mais curado. O que vai mudar aqui é quando essa distorção em mim, que eu estou negando, ela passa a ser tratada, eu vou começar a encarar.

o outro com uma outra lente, com uma outra lente. Vai começar a ver pessoas antes de ver os problemas das pessoas. A gente começa a enxergar histórias e se interessar pelas histórias antes do comportamento. Porque comportamento carrega história.

Aliás, comportamento muitas e muitas vezes é reflexo de histórias. Mas o hipócrita não está nem aí para as histórias. Ele está interessado no comportamento. Mas o discípulo, ele até deixa de lado o comportamento e ele olha para as histórias. Porque Jesus faz assim.

As pessoas chegam para apedrejar alguém olhando para o comportamento. Jesus entra na frente, não, não, não, ninguém joga pedra. A história. E Jesus fez isso comigo e com você. Você sabia que Jesus sempre, antes de olhar para o meu e para o seu comportamento, ele olha para as nossas histórias? Aliás, Jesus morreu numa cruz.

Não foi para te livrar de um comportamento, foi para redimir a sua história. A gente começa a sentir compaixão, onde antes a gente só queria exercer julgamento. Porque quem, pelo processo de encarar as suas próprias distorções, chega ao outro sem a necessidade de estar certo, sem o prazer velado de encontrar o erro alheio,

A religião é um campo disso. As lupas escondidas nas Bíblias. Anda com Bíblia, mas por trás tem uma lupa. A gente quer achar o comportamento errado. E a gente inclusive tem prazer nisso. Mas um discípulo chega perto porque genuinamente quer ver transformação.

por experiência própria, sabe o quão difícil é carregar um tronco. O discípulo ajudador é aquela pessoa que, quando ouve sobre a situação difícil de alguém, a primeira pergunta que faz não é, mas o que é que essa pessoa fez para chegar nisso também? Mas é, como é que eu posso me aproximar dessa história? É aquela pessoa que quando percebe o erro no outro,

Não vai falar sobre o erro do outro com terceiros. Mas vai até a pessoa e fala, vem cá, o que está acontecendo? Por que isso está acontecendo? Esse é um discípulo. E vai falar sempre com cuidado, no momento certo, sem plateia. Faz perguntas antes de querer dar respostas. Ouve antes de tirar conclusões.

Às vezes fica em silêncio, sem precisar preencher o silêncio com opiniões. Um discípulo tem essa sabedoria. Um discípulo, às vezes, só se aproxima e se cala. É aquela pessoa que quando vai corrigir alguém, começa por se lembrar de quando ela mesmo precisou e foi acolhida com graça. Esse é um discípulo.

Quando a gente chega nesse lugar, a gente pode ajudar alguém. E a gente vai de fato ajudar alguém. O Henry Noé capturou muito bem o retrato desse ajudador com algumas frases que eu quero trazer para esse ponto ficar bem marcado em nós. Veja, ele diz assim, Quando somos livres...

que é uma libertação mesmo que nós precisamos. Quando somos livres da necessidade de julgar ou condenar, podemos nos tornar lugares seguros. Onde as pessoas se encontram em vulnerabilidade e derrubam os muros que as separam. Você é para alguém um lugar seguro? Essa é a questão.

Você é para alguém um lugar seguro para alguém que tem cisco nos olhos. Você é um lugar seguro para o seu conge, para os seus filhos, para os seus amigos, para as pessoas da sua igreja. Você é um lugar seguro para as pessoas do seu trabalho ou você é um lugar perigoso para essas pessoas. Um discípulo de Jesus se torna um lugar seguro. Agora olha isso aqui.

Isso aqui me marcou muito essa semana. É do livro O Curador Ferido. Quando perguntamos honestamente, pensa aí você, quando perguntamos honestamente, quais pessoas significam mais para nós?

Frequentemente descobrimos que são aquelas que, em vez de dar conselhos, soluções ou curas, escolheram compartilhar a nossa dor e tocar as nossas feridas com mão quente e terna, com acolhimento. O amigo que pode ficar em silêncio conosco, num momento de desespero, que pode permanecer conosco numa hora de luto, grife isso aqui, que tolera não saber,

Não curar, não resolver, esse é um amigo que se importa. Só que fiquei pensando nisso. Será que eu sou assim para alguém? Será que eu estou disposto a chegar perto de alguém assim? Cara, eu não quero te dar resposta, eu só quero tocar suas feridas.

Eu não quero te dar conselho, eu não quero não faz isso porque eu já fiz isso, você está errado, não, não, cara, eu só quero te dar um abraço. Tocar. Não, eu quero tolerar estar com você sem a prepotência de querer sempre saber o que você tem que fazer.

Porque a gente, a nossa prepotência religiosa, o avaliador, ele se coloca nesse lugar. Ele sempre tem uma resposta. Ele sempre vai apontar um caminho e ele, não, isso é o certo. Mas um discípulo de Jesus, ele tolera não saber. Ele tolera chegar para abraçar. Ele tolera tocar com mãos acolhedoras.

E é dessa forma que um discípulo se torna um ajudador próximo, gracioso e amoroso, que às vezes, sem falar, ajudou alguém a tirar um cisco dos olhos. Com um abraço. É interessante porque tirar cisco do olho, como é que a gente faz na prática? Se diz eu...

A gente estava em algum lugar, o Luca entrou um cisquinho no olho dele e ele ficou, como é que a gente faz? Como é que a gente faz para tirar um cisco do olho de alguém? A gente não bate, grita, né? Fala assim, filho, vem cá. Saiu, pai. Sopro. Vida. Eu oro para que a gente viva um cotidiano assim.

Porque acredite que tem pessoas ao seu redor que precisam de você assim. Precisam de você como um discípulo de Jesus. Precisam de você como alguém que ao andar com Jesus se tornou coerente. Precisam de você com cicatrizes, não com maquiagens. Cicatrizes.

Às vezes a gente tenta maquiar aquilo que nem está curado em nós. Mas para ter cicatriz precisa passar por processo de cura. Um discípulo de Jesus, antes de ficar tentando tirar o cisco no olho do outro, se submete a processos de cura em si mesmo. Deus, eu preciso disso, me ajuda. Não estou aguentando mais, esse negócio está doendo. A minha vida está doendo. E eu sei que é...

por coisas que estão em mim, Deus. Que eu estou tentando tirar no outro, mas na verdade, eu estou projetando no outro que está em mim, Deus. Me ajuda, um discípulo vive assim. E então, somente então, se torna um ajudador. Próximo, gracioso e amoroso. Para a gente ir embora...

Eu queria fazer algumas perguntas para você, quem sabe, transformar tudo isso em decisões bastante práticas. A primeira pergunta para nós. Existe alguém, e aqui eu estou sendo muito específico, que você tem julgado com facilidade, enquanto ignora completamente as suas próprias falhas? Tem alguém aí na sua rotina?

Cara, você já ultrapassou a linha. Você só transfere palavras de julgamento, de acusação. Tem alguém, às vezes dentro da sua casa, ok? Tem alguém que assim, a pessoa já nem chega perto de você, porque ela já está com medo de chegar perto de você. Tem alguém assim na sua rotina, no seu cotidiano? Hoje é um dia para você...

se submeter a Jesus e tomar algumas decisões no sentido de, Senhor, eu quero me tornar um ajudador dessa pessoa. Eu não quero mais massacrar essa pessoa com os meus julgamentos, com os meus apontamentos.

E aí eu trago essa segunda questão muito prática, que passo concreto, que decisão você vai dar essa semana para começar a tirar o tronco do seu olho? O que você vai começar a fazer? Você precisa começar a fazer algo. Sabe por quê? Porque Jesus quer nos ajudar. Jesus falou aqui...

Ele veio para os que estão cansados e sobrecarregados. Tronco pesa. Então assim, o que você vai começar a fazer? Eu dei alguns exemplos aqui. Eu espero que você comece hoje a orar diferente. Mas, deixa eu te desafiar assim. Essa semana você não vai pedir para Deus ajudar ninguém.

Vamos fazer essa experiência. Não, essa semana eu não vou pedir para Deus ajudar fulano a ver tal coisa que ele não está vendo. Não, essa semana o meu compromisso é, eu quero chegar domingo que vem assim, uau, eu vi um monte de coisa em mim que eu não estava vendo. Deus me mostrou um monte de coisa em mim que eu não estava vendo.

Então eu quero que você, e eu vou fazer isso também, essa semana, a nossa oração vai ser, não é, Deus me abençoa e Deus, ajuda aquele infeliz a ver o que ele não está vendo. Não é essa oração. A oração dessa semana não é, Deus me abençoa, é, Deus, mostra-me as minhas sombras. Deus, mostra-me os meus pontos cegos, que eu não estou vendo. E pede para Deus.

Coloca alguém na minha vida para me ajudar a ver os meus pontos cegos. Se você não tem amigos assim. Não adianta fazer fila de atendimento que eu não tenho revelação. Não tenho isso. Eu não sei fazer esse negócio. Tá bom? Eu posso orar. A gente ora.

compartilha, mutualidade, a gente pode chegar nesse lugar, você me conta os seus, eu conto os meus, e a gente chora junto e ora junto. Atitudes práticas, isso vai transformar a sua vida, vai transformar nossas vidas, e vai transformar a vida de gente ao nosso redor. Alguém na sua vida que precisa de um ajudador próximo, gracioso e amoroso, não é um avaliador. Não é um avaliador.

é um ajudador próximo, gracioso e amoroso, e que você tem chegado como um avaliador, quem é que você está tentando ajudar? Então hoje você vai sair daqui assim, eu preciso rever como que eu tenho tentado ajudar essa pessoa. Porque agora, e aí você vai ver que talvez você vai chegar perto dessa pessoa essa semana sem conselhos.

Sem, é isso, é por isso que você está passando por isso. Então, pode ser que essa semana você chegue perto dessa pessoa, toque, abrace. Assim. Amém, gente? De hipócritas a discípulos de Jesus. Vamos ser discípulos de Jesus.

Quero te convidar a ficar de pé para a gente cantar essa canção que na verdade é uma oração importante. É uma oração através de música que é um convite, a gente pede, Santo Espírito, és bem-vindo aqui. Mas não é és bem-vindo aqui nesse prédio, és bem-vindo aqui.

Espírito de ajudador, gracioso, amoroso, bondoso, és bem-vindo aqui na minha mente, no meu coração. Vem inundar a minha vida, Senhor. Vem inundar cada espaço que eu tenho ocupado com um estilo de vida avaliador, hipócrita. Senhor, vem tirar esse negócio de mim.

esse espírito de julgamento religioso, e vem colocar em mim, um espírito de Jesus, manso, humilde, acolhedor, bondoso, e transformador, vamos cantar, faça dessa canção a sua oração,

Nada igual, não há nada melhor, há que se comparar, a esperança viva, Obrigado pela tua presença Jesus, tua presença, Nós provamos, você já provou, desse amor acolhedor,

Eu provei e vi o mais doce. Obrigado.