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O Que Você Precisa Entender Sobre SAÚDE MENTAL e BURNOUT | TEMPO DE MESA

01 de setembro de 20261h39min
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SAIBA MAIS SOBRE A LEO MADEIRAS: https://bit.ly/Leo-jj

Saúde mental deixou de ser um assunto restrito ao consultório. Hoje, ela também precisa estar na mesa de líderes, empresários, famílias e de qualquer pessoa que queira construir uma vida sustentável.

Neste episódio especial do Tempo de Mesa, Joel Jota recebe Dra. Ana Beatriz Barbosa, Andréa Vermont e Izabella Camargo para uma conversa sobre saúde mental, burnout, liderança, ambiente de trabalho e responsabilidade individual. Três perspectivas diferentes para discutir um tema que exige mais profundidade e menos simplificação.

A conversa passa pelo impacto do adoecimento mental dentro das empresas, pelos riscos psicossociais, pela NR-1, pelo presenteísmo e pelos custos que muitas organizações já enfrentam sem perceber. Mas também entra em uma discussão fundamental: até onde vai a responsabilidade da empresa e qual é o papel de cada indivíduo no cuidado com a própria saúde mental?

O episódio também diferencia estresse, esgotamento e burnout, discute os riscos da banalização de diagnósticos e mostra por que prevenção, inteligência emocional, sono, limites, terapia e autoconhecimento precisam fazer parte da rotina antes que o adoecimento aconteça.

Se você lidera pessoas, trabalha em equipe ou simplesmente quer entender melhor como cuidar da própria saúde mental sem terceirizar responsabilidades, essa conversa pode ampliar sua visão sobre o tema.

Neste episódio, você vai entender:

◼️ Como a saúde mental impacta produtividade, afastamentos e resultados dentro das empresas
◼️ O que são riscos psicossociais e por que eles entraram no debate corporativo
◼️ O que é presenteísmo e por que ele pode ser um custo invisível para as empresas
◼️ Até onde vai a responsabilidade da empresa pela saúde mental no trabalho
◼️ A diferença entre estresse, esgotamento e burnout
◼️ Por que nem todo sofrimento ou desatenção deve ser tratado como diagnóstico
◼️ Como líderes podem desenvolver mais inteligência emocional
◼️ O papel do sono, dos limites e do autocuidado na prevenção
◼️ Por que saúde mental precisa ser construída todos os dias

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🎙️ Host: Joel Jota @joeljota
🗣️ Convidadas: Dra. Ana Beatriz Barbosa, Andréa Vermont e Izabella Camargo

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Participantes neste episódio4
J

Joel Jota

HostPodcaster
A

Andréa Vermont

ConvidadoPsicanalista
D

Dra. Ana Beatriz Barbosa

ConvidadoMédica psiquiatra
I

Izabella Camargo

ConvidadoJornalista, apresentadora, palestrante, escritora e pesquisadora da Cime de Burnout
Assuntos6
  • A saúde mental dos brasileiros e o impacto no ambiente de trabalhoafastamentos do trabalho por transtornos mentais·prejuízo econômico·mulheres no mercado de trabalho·equilíbrio emocional·inteligência emocional
  • A importância da NR-1 e a obrigatoriedade das empresas em cuidar da saúde mentalNR-1·riscos psicossociais·consciência e ressignificação·presenteísmo·custos para as empresas
  • A responsabilidade individual e coletiva pela saúde mental e a importância da educaçãoautorresponsabilidade·corresponsabilidade·educação em saúde mental·Organização Mundial da Saúde·prevenção do suicídio
  • Conselhos para líderes e pais sobre o desenvolvimento da inteligência emocional e a cultura de trabalhointeligência emocional·terapia·limites·cultura de trabalho·NR-1
  • Diferença entre estresse, esgotamento e burnout e a perda de funcionalidadeesgotamento·burnout·perda de funcionalidade·ambiente de trabalho·autorresponsabilidade
  • Hábitos e rituais diários para manter a saúde mental e o autocuidadosono·higiene pessoal·alimentação·limites·autocuidado
Transcrição271 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DADra. Ana Beatriz Barbosa

Sem equilíbrio emocional, você é incapaz de ter inteligência emocional.

AVAndréa Vermont

Se você não se conhece, se você não se cuida, se você não olha para você, você tá perdido dentro de você. Impossível você liderar alguém. Um cego não guia outro cego.

ICIzabella Camargo

Custo da doença mental no mundo, no Brasil, esse dado não afeta o seu coração, não vai afetar o coração do empresário.

JJJoel Jota

Do meu lado esquerdo, eu tenho aqui Isabela Camargo. Isabela Camargo, que é uma amiga, uma empresária, empreendedora. Ela também é jornalista, especialista em comunicação em saúde integral no trabalho e criadora do EPIs da Saúde Mental. No meu lado direito eu tenho a doutora médica Ana Beatriz Barbosa, especializada em residência em psiquiatria pela Universidade do Rio de Janeiro, e referência, tá, gente, referência nacional, escritora, e ela entende muito sobre transtornos mentais e comportamento humano.

Na outra ponta da mesa, também psicóloga, psicanalista, especialista em saúde mental, também já veio no JJ Podcast, especialista há mais de 15 anos na mente humana, 15 anos na área clínica, e também trabalha com educação e formação de profissionais nesse assunto. Andréia Vernal. Posso começar forte? Como que tá a saúde mental dos brasileiros.

ICIzabella Camargo

Você tem que ter interesse de saber quais são esses dados.

JJJoel Jota

Qual que é a perspectiva de vocês sobre a saúde mental dos brasileiros?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Vai melhorar?

JJJoel Jota

Vai piorar?

ICIzabella Camargo

Agora o que eu vou trazer vai doer, e é para provocar.

AVAndréa Vermont

O cenário não é animador.

ICIzabella Camargo

Por que que nós estamos aqui? Nós estamos defendendo quem?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Sem inteligência emocional você não lidera nada.

AVAndréa Vermont

Se você não dá conta do que tá se passando dentro de você, como é que você vai dar conta do que tá se passando com seu time?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Quase 500 mil afastamentos por questões de transtornos mentais.

JJJoel Jota

A minha pergunta é: de quem é a responsabilidade da saúde mental? Senhoras e senhores, este é o JJ Podcast. É um episódio especial. Eu nomeei esse episódio como Tempo de Mesa. Tempo de Mesa porque a gente senta ao redor de uma mesa e conversa. O assunto de hoje é importante, um assunto que merece a nossa atenção: saúde. Hoje aqui nesta bancada são mulheres empresárias, empreendedoras, especialistas no que fazem, que já vieram aqui no JJ Podcast para falar sobre os assuntos que elas são especialistas e sobretudo sobre saúde.

Sejam muito bem-vindas ao JJ Podcast. Obrigado por estar com vocês aqui. Nós temos uma plateia, vocês já vieram aqui, vocês são de casa.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Somos de casa. E aí, se a gente não for, né?

JJJoel Jota

Aí, isso aqui tinha uma viagem para fazer, né? E aí falou, não, mas o assunto é importante, a gente vai bater esse papo. A gente tá no assunto aqui que é saúde mental. Eu quero começar forte. Posso começar forte? Como que tá a saúde mental dos brasileiros? Eu quero ouvir uma opinião de cada um de vocês. Como que tá a saúde? Eu vou melhorar minha pergunta. Qual que é a perspectiva de vocês sobre a saúde mental dos brasileiros? Vai melhorar? Vai piorar? Como que tá? Como é que tá o negócio aí?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Olha, primeiro, tá péssima nesse clima, tá péssima. Se você for ver dados muito práticos, a gente teve aí praticamente quase 500 mil afastamentos do trabalho por questões de transtornos mentais. A gente teve, por exemplo, a gente tem hoje praticamente 56% dessas pessoas são mulheres dentro desse mercado. Você tem um prejuízo econômico que beira 300 e alguma coisa bilhões por esses afastamentos, porque a gente tem uma sensação errada de que quem deprime, quem é um ansioso, esses funcionários são os funcionários mais frágeis e por isso eles dão mais prejuízo.

O que a gente viu e percebe, aquele que deprime na realidade é aquele que aguentou muito mais tempo. Tanto que em geral, quando você tira, sai um funcionário da tua empresa por depressão, Você em geral tem que botar 4 a 5 funcionários para fazer o que ele fazia. Então assim, isso é uma média. Então o que que acontece? Não é depressão, não é gente fraca, é gente que foi forte demais por tempo demais e assumiu muito mais do que o seu papel, seu único papel.

Então se a gente entende isso, hoje manter saúde mental e evitar o adoecimento É um grande investimento que só não faz quem é burro, literal. E eu sempre digo uma coisa: sem equilíbrio emocional, você não é, você é incapaz de ter inteligência emocional. Sem inteligência emocional, você não lidera nada, nem, nem consegue trazer com você seu time. E sem inteligência emocional, você não tem saúde mental. E sem saúde mental, em última instância, você não consegue ser feliz. Não há possibilidade.

JJJoel Jota

Muito bem, já começamos forte, né, Andréia? Você viu que esse foi o clima, né? Andréia, para você, como é que tá a saúde?

AVAndréa Vermont

A Bia falou muito da perspectiva atual, né? E você perguntou também se há perspectiva de melhora, né? A Bia trouxe brilhantemente aí os números. Nós temos afastamentos hoje muito, muito maior por questões de saúde mental do que por hipertensão, diabetes, que era um cenário anterior. E eu gostaria de falar um pouco da perspectiva do futuro, especialmente se tratando de Brasil, e até fazendo uma deixa um pouco para Isabela. Quando a gente percebe aí a entrada da NR-1 e uma obrigatoriedade das empresas cuidarem de saúde mental, eu vejo numa perspectiva filosófica, e nem positiva e nem negativa.

Eu faço uma análise. Eu gosto muito de um filósofo inglês, Jean-Jacques Rousseau, que ele vai dizer o seguinte: só existe a necessidade da lei Quando a gente não tem consciência. Se houvesse consciência, não haveria necessidade da lei. Por que que é o sinal vermelho? Porque a pessoa não tem consciência que ela não pode atropelar quem tá passando, ela deveria parar. Se houvesse civilidade, não haveria necessidade da lei. A lei só entra porque não há civilidade.

No momento em que a gente impõe uma NR-1, nós estamos dizendo que o Estado entra numa perspectiva de uma coisa que nós já deveríamos ter feito há muito tempo, E a gente já trazia números sobre isso, a Bia, há muito tempo, eu também, palestras sobre a lógica da saúde mental e o impacto disso dentro das empresas. Eu brinco que nem que seja por interesse, você precisa cuidar da saúde mental das pessoas ao seu redor, seja nos relacionamentos ou dentro da sua empresa, porque necessariamente isso vai te trazer um prejuízo.

Então nem que seja por interesse. Agora entra aí essa perspectiva legal de obrigatoriedade de cuidar da saúde mental. Ainda não vejo com bons olhos. Ainda pode ser que venha a ficar bem melhor, porque a psicanálise vai dizer que o primeiro passo é a consciência. Só que a consciência não basta, tem que haver consciência e haver o segundo passo, que é a ressignificação. Para mim, a NR-1 traz consciência ainda de forma parca, mas já traz um pouco.

Mas ainda, na minha perspectiva, ainda não há ressignificação. Eu vejo as empresas batendo cabeça, não sabendo ainda direito o que fazer, não sabendo direito o que é NR-1, não sabendo direito como agir, como implantar, o impacto disso, fazendo isso de uma forma muito arbitrária por ser obrigatório e não por passar por uma perspectiva de entendimento. Então eu não quero ser negativa até no nosso início aqui, né, mas ainda não vejo a perspectiva futura com bons olhos.

Tirando o ambiente corporativo empresarial e trazendo para nossa vida, quando a gente vê o aumento de feminicídio, de violência, de agressão, eu vou falar no mineirês, o estupim das pessoas está mais curto. Não sei se você percebe isso no seu dia a dia, eu percebo de forma contumaz. O estupim das pessoas está mais curto, as pessoas se exacerbam por qualquer razão. Então eu percebo um declínio da nossa saúde mental. Gosto muito de uma psiquiatra, Ana Clara.

Você deve conhecer, uma menina maravilhosa, novinha, uma querida. E Ana Clara fala assim que saúde mental— eu amo essa definição dela— saúde mental é a gente saber identificar o que a gente está sentindo e ter ferramentas para lidar com isso. Maravilhosa essa definição, simples e prática. Saber o que eu tô sentindo e ter ferramentas para lidar com isso. Eu não vejo as duas coisas. As pessoas não sabem o que elas estão sentindo e nem sabem como lidar com isso.

Se eu estou no trânsito e acontece alguma coisa comigo, eu preciso entender: isso é frustração, isso é raiva, isso é inveja. Então, primeiro eu dou nome ao que eu estou sentindo. Dai nome. A Bíblia vai dizer isso, né? Você dá nome e domina. Deus manda Adão: vai lá, dá nome para os bichos tudo, depois domina. Nomeai e dominai. Aquilo que eu dou nome, eu domino. Então, primeiro eu passo por uma situação Eu entendo o que está se passando dentro de mim.

Passei raiva agora, esse cara me ultrapassou, esse cara me desafiou. E depois eu vejo qual ferramenta que eu vou lidar com isso. Isso para mim é saúde mental. Quando eu olho ao meu redor, eu vejo pouca leitura de si e pouca ferramenta para lidar com isso. Então para mim o cenário não é animador.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Tá ótimo.

AVAndréa Vermont

Eu aprendi com ela, viu? Ela é minha mestra. Minha mestre, minha inspiração. Eu também.

JJJoel Jota

Para você, Isa, como é que tá o cenário da saúde mental? Qual que é a tua perspectiva?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

A cara daí.

ICIzabella Camargo

Vamos lá. Antes de qualquer coisa, eu preciso dizer que a primeira fonte que eu bebi desse assunto foi a Bia.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu sou vintage.

JJJoel Jota

A Bia é vintage.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu tô quase Matusalém. Não, não tava lá com ele.

ICIzabella Camargo

Não, não, não é, mocinha. Veja só, veja só. E eu preciso já declarar isso já lá na largada, porque em 2016 2016, quando eu nem sonhava, né, com que aconteceria comigo e qual seria minha relação com a saúde mental, eu fui entrevistar a Bia lá no Rio de Janeiro, no consultório dela, sobre as doenças do tempo. Depressão, aqui, esse aqui, o Dá um Tempo, que você entrevistou várias pessoas, 150, mas uma das primeiras foi a Ana, a, né, a Doutora Bia, e foi sobre as doenças do tempo.

O que que era depressão, ansiedade e estresse, burnout. Eu não sabia que eu viveria o burnout depois, mas enfim.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Então, aquela frase, você lembra?

ICIzabella Camargo

Depressão, excesso de passado. Ansiedade, excesso de futuro. E estresse, excesso de presente. Naquele momento eu já tava muito doente. Isso é curioso, eu já estava muito doente quando eu entrevistei a Bia, só que eu não sabia. Eu já estava escrevendo sobre as percepções do tempo. Aliás, parabéns para quem fez essa abertura maravilhosa. Eu não sabia o que aconteceria comigo. Então tudo que eu vou dizer agora, quero só dizer que eu bebi desta fonte.

Então preciso fazer esse reconhecimento, que inclusive reconhecimento é um promotor de saúde mental. Obrigada. Bom, como é que eu vejo o que foi falado aqui e como é que a gente pode avançar? Há 300 anos ninguém escovava o dente todo dia. E eu vou te fazer uma pergunta: quem te ensinou a escovar o dente?

JJJoel Jota

Minha mãe.

ICIzabella Camargo

E você, Bia?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Também.

ICIzabella Camargo

E você, André? Alguém aprendeu a escovar o dente dentro do consultório do dentista? Não, você só aperfeiçoou.

JJJoel Jota

Então vamos lá.

AVAndréa Vermont

Então agora eu, quando chega lá é porque não escovou.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Pronto, escovou, escovou mal, né?

JJJoel Jota

Direito. Não, vamos lá, vamos lá.

ICIzabella Camargo

Não, isso curioso, eu poderia dar minha resposta aqui de diversas maneiras, mas eu vou da maneira mais simples possível. Nós aprendemos a cuidar da nossa saúde bucal com a repetição dos nossos familiares, o chinelo da mãe em alguns momentos, né? Então você já sabe que, cansada ou não, cansado ou não, você vai precisar cuidar da sua saúde bucal. Quando? Quando?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Todo dia. Todo dia.

ICIzabella Camargo

Todo dia.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Você aprendeu isso.

ICIzabella Camargo

Só que agora o que eu vou trazer Vai doer e é para provocar. Nós aprendemos sobre saúde bucal com os nossos familiares e é evidente que mesmo eu cuidando da minha saúde bucal todos os dias, eu também preciso do dentista. O que que eu quero falar com isso em relação à saúde mental? Nós estamos vivendo um momento em que a educação da saúde mental precisa passar pelo que a educação da saúde bucal passou nos últimos 300 anos. Se eu deixar essa conversa só dentro dos consultórios, eu vou estar falando de doença, não vou estar falando de prevenção.

Então, onde eu quero chegar, que é o meu papel que eu tenho desempenhado nesses últimos anos, é o Christian Dunk outro dia disse: se a gente somar, pegar todos os profissionais que fizeram medicina, a gente não vai dar conta das pessoas que estão precisando de ajuda. Então, o meu convite aqui, Joel, e foi por isso que eu aceitei, é para provocar todos que estão nos assistindo que A educação da saúde mental não depende só dos médicos.

Falar sobre saúde mental, saber como cuidar da saúde mental, depende de todos nós, com responsabilidade. Evidente que o que eu estou falando é com responsabilidade. Então hoje eu vejo, com a inclusão dos riscos psicossociais nos ocupacionais, que é o que a NR-1 tá trazendo, uma grande oportunidade para as empresas que já fazem vários trabalhos de educação sobre vários temas incluírem isso também. Porque você vai falar assim, mas Isabela, a NR-1 é sobre saúde mental?

Não, gente, olha só, a NR-1 atualizada não está buscando doentes, nem bandidos, nem vilões. A NR-1 busca a reorganização do ambiente de trabalho. Se você quiser uma imagem, eu tenho inclusive para te mostrar assim, porque eu tenho rodado o Brasil levando esse assunto. Eu falo, quer que eu desenhe? Eu vou desenhar, vou mostrar uma imagem. E ela é extremamente autoexplicativa. Quando você quiser, a gente coloca. Mas vamos lá, ou eu vou começar a falar de prevenção, que é o que a NR-1 está trazendo.

A gente tá saindo da cultura da reação para cultura da prevenção. Isso aconteceu, não sei se você quer falar já disso, na década de 70. O Brasil ganhou 2 títulos, um você sabe, Copa, e o segundo, campeão mundial de acidentes de trabalho. O Brasil economicamente tava bombando. Mas culturalmente, na década de 70, a gente podia ter trabalhadores construindo prédios com chinelo, eu poderia ter trabalhadores com vários riscos físicos, químicos, biológicos, e aquilo era normal.

Então o Brasil precisou ganhar o título de campeão mundial de acidente de trabalho pela OIT para as NRs serem criadas. Então a NR-1 atualizada não é nova, ela só teve uma atualização, que foi a inclusão dos riscos psicossociais nos ocupacionais. Então nós não estamos falando de nada novo, a gente só está trazendo agora para esta mesa, para as mesas das empresas, um assunto que sempre existiu, mas que agora nós já temos dados. Então o adoecimento mental, Joel, ele não aparece quando a pessoa só se afasta.

O adoecimento mental no trabalho aparece no presenteísmo. Aí eu te pergunto, qual é o custo de uma linha de produção em que uma pessoa tem presenteísmo? Pode causar, ou seja, o corpo tá ali, a alma não. Não dá para saber. Eu só consigo ter os dados de afastamento, eu consigo ter o dado do custo do plano de saúde. Então assim, quando a BIA traz o custo da doença mental no mundo ou no Brasil, esse dado não afeta o seu coração, não vai afetar o coração do empresário.

O dado que vai afetar o seu coração é o que está acontecendo dentro da sua empresa, mas você tem que ter interesse de saber. Quais são esses dados? Quer falar de dinheiro? Quero.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Pronto.

ICIzabella Camargo

Quais são os dados, né, Bia? Porque se a gente não falar da parte do corpo que mais dói no corpo humano, que é o bolso, esse assunto vai ficar: ah, não, isso é bobagem. Nós estamos falando de lucro, produtividade, nós estamos falando de negócios. Então, se você não tiver interesse em saber como é que tá o meu turnover, tá alto ou tá baixo, então eu preciso saber qual é o custo do afastamento. Sabe quanto é o custo de uma pessoa que sai?

Dependendo do cargo dela, até 200% do salário dela, porque você tem o custo da pessoa que entra, o treinamento, aquelas pessoas que estão tendo que treinar aquela nova. Então, primeiro custo que tem que saber: turnover tá alto, tá baixo, já é um indicativo. Plano de saúde, ou seja, hoje o aumento do plano de saúde ultrapassa a inflação, porque a gente não usa o plano de saúde para cuidar de saúde, usa para cuidar de doença, porque falta educação em saúde.

Então a gente tá saindo de uma reação, uma cultura de reação, para uma cultura de prevenção. Mas aí tem outro custo que você precisa saber. Então, primeiro, turnover. Segundo, seu plano de saúde, como é que tá. E terceiro, processos trabalhistas. Ai não, Isabela, esse assunto é horroroso, eu não quero saber disso. Mas se você tá falando de lucros, você tá falando de negócio, você precisa saber o que tá acontecendo na sua empresa.

Então como é que a gente resolve isso? Ao invés de fazer só entrevista de admissão, Faça uma entrevista de demissão para você saber, ó, o que que tá acontecendo aqui. Sabe o que que você vai descobrir? Os problemas que você precisa resolver ao ouvir uma pessoa que está se afastando, de repente foi até demitida por uma questão relacionada à saúde mental. E aí tem um outro custo que aí não tem como mensurar. A coisa mais cara que existe numa empresa, qual é a coisa mais cara que existe numa empresa, numa instituição, numa pessoa?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Reputação.

ICIzabella Camargo

A reputação é o que mais está em jogo agora com atualização da NR-1, porque nesse momento, nesse momento, nós estamos na fase da obrigação. É obrigatório. Só que até se tornar convicção, que é quando a gente faz o que precisa fazer independente de quem tá vendo ou não, se eu tenho multa ou não, eu preciso do quê? De comunicação. Eu tô nessa fase, nós estamos nessa fase para sair da obrigação E para convicção eu preciso de muita comunicação, muita educação, muita repetição.

Só que a gente só lembrar, Bia e Andréia e todos, todas as normas, quando elas são incluídas, todas as leis têm resistência. Nós tivemos resistência para usar o cinto de segurança, e hoje você usa para não levar multa ou para sua segurança? Pronto. Só que até hoje tem gente que usa para não levar multa. Para essa pessoa só vou dizer boa sorte, né?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Vai precisar.

ICIzabella Camargo

Então o que nós estamos trazendo aqui, Joel, aí a minha perspectiva então para fechar minha resposta é a seguinte: a saúde tá doente, ponto. A NR-1 ainda tem lacunas que deixam as pessoas nessa subjetividade, mas ela é inquestionável porque nós já temos dados. Quando tem dados eu posso agir por segurança. Então se você ainda tá com medo de entender a NR-1, não se preocupe, é só se preparar. É só buscar de verdade. Mas o que que é isso aqui mesmo?

Ah, então agora eu tenho que mapear o que tá afetando o relacionamento das pessoas, porque esse relacionamento afeta o quê? Resultado. Vai afetar o negócio. Então não adianta bater meta querendo bater nas pessoas, não adianta bater meta e morrer pelo caminho. O que a NR-1 está trazendo em 2026 como uma obrigação é para o seu lucro, é para o seu negócio continuar. Então, se você não pensar na vida, no sujeito que tá adoecendo, vai pensar no bolso, porque o custo já está acontecendo.

Só que, ó, não adianta ver custo de mundo, tá? Vou reforçar, vou reforçar, não é o custo. A perda da saúde mental é de 5 bilhões. Não é esse número que afeta. O que vai afetar a sua decisão de ser um promotor da saúde, independentemente de lei ou não, é saber quanto é que você tá perdendo E o que que você pode fazer para não perder mais?

JJJoel Jota

Agora, tá, peguei, peguei a perspectiva de vocês três. Ótimo. Aqui, por exemplo, na plateia só tem empresário, empresários com funcionários. A turma que escuta o JJ Podcast, em sua maioria empresários, empreendedores. A turma que caminha com o Joel Jota, prioritariamente, na sua grande maioria, empresários, empreendedores. Ninguém quer que o seu time saia. Óbvio, ninguém quer provocar uma situação desconfortável para o seu time.

Aliás, ninguém quer isso para si, ninguém quer isso para si, né? Eu não quero estar numa situação onde eu, poxa, será que eu tô, não tô com saúde? Será que eu tô com burnout? Assim por diante. Como que essa turma— eu vou fazer uma pergunta de duas partes. A primeira é assim, ó: o empresário que tem time, que lidera equipe, O que que ele tem que observar rápido, prático, simples, que dá indício para ele se o time dele caminha para um lado de ter algum problema de saúde mental e que ele pode perceber rápido? O que que ele poderia ver?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu acho que primeiro quem tá liderando tem que ter saúde mental e inteligência emocional. Não tem como. Que que é inteligência emocional? Que André bateu até na definição ali, que é o reconhecer minhas emoções, é entender minhas emoções e gerenciá-las para que eu nesse processo tô me tornando uma pessoa melhor e tô somando com os meus liderados. Se não tiver isso, não tem como, porque eu vejo muito líder, por exemplo, um líder não tem o direito de elevar a voz.

De gritar, de expor? Não tem. Aí você vai falar assim, ah, mas ele tá estressado. Então ele sai da liderança, deixa alguém no seu lugar. Porque pode acontecer, pode. A Isabela falou uma coisa, que a gente aprendeu a saúde, a saúde bucal, escovar o dente. Inteligência emocional ninguém nasce sabendo, você tem que ser treinado, você tem que ter treinado exatamente nisso. Alguém tá descontrolado, você vai elevar a voz com essa pessoa?

Jamais, porque senão vão ser dois descontrolados. Então existe uma série de técnicas que você treina essa equipe e você consegue todo mundo tá ali no mesmo ritmo. Claro, você falou a questão do trânsito, as pessoas estão mais intolerantes. Acho que as pessoas estão burras emocionalmente, que as pessoas não se dão conta. Pera aí, eu tô sentindo raiva de quê?

JJJoel Jota

Porque a burrice é porque ela não sabe, né?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Ela não identifica, porque o que que é inteligência emocional? É você reconhecer, entender, é legítimo, não tem problema nenhum. Estou com raiva, estou com raiva. Aí vem essa situação, porque são outras, é porque é de agora ou é uma que eu deixei lá atrás, ontem, anteontem, né? E a partir daí gerenciar.

AVAndréa Vermont

E é de quem, inclusive, né? Que às vezes você tá com raiva de outra pessoa, não é daquela.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Agora, isso tem que virar um hábito. Isso é um treinamento. Você não nasce com inteligência emocional.

JJJoel Jota

Agora, quem nasce— quando a pessoa reconhece que errou, ela começa a ficar um pouco mais inteligente?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Menos burra. Porque não basta, não basta reconhecer.

AVAndréa Vermont

De novo, consciência é só 50% do processo.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Porque a pessoa fala assim: ah, basta eu reconhecer. Não, não basta. Não basta o erro.

JJJoel Jota

Vou lhe dizer aqui assim: não basta mesmo. Puts, me errei, não devia ter falado isso, poxa vida, fui lá, você não devia nem ter errado dessa forma. Mas aí não tem nem um pouquinho, doutora, um centimetrozinho assim, cara?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Ninguém vai errar. Pera aí, um líder vai começar a liderar, ele tem que ser treinado para aquilo. Você vai ser um piloto de Fórmula 1 sem treinar profundamente? Não vai. Por que que você vai ser um líder? Por que que você vai ser um empreendedor sem treinar?

AVAndréa Vermont

E a questão também é assim, Joel, você tá falando aí que é Como que a gente identifica um empresário, um líder, um empreendedor? Como que eu identifico que a minha, que o meu time está adoecendo? E a Bia foi muito feliz na colocação dela, né? Primeiro olhando para si. Eu gosto muito de uma ideia que é o seguinte: quem entende de negócios precisa entender de gente, porque negócios são feitos de pessoas. Quem compra é pessoa, quem vende é pessoa, quem lidera é pessoa, quem trabalha é pessoa.

Então você precisa entender muito de pessoas. Partindo dessa ideia, eu não gosto muito da ideia de empresário, empreendedor, médico, a menina da faxina. Não, somos todos gente, e gente precisa, todo mundo, da mesma coisa. Como que eu identifico que o meu time tá adoecendo? Não, primeiro esquece que ele é seu time. Primeiro se coloca no lugar de gente, todo mundo aqui no mesmo lugar, na mesma altura. E aí parte pela ideia de que a Bia falou: primeiro olha para você.

Então, quando eu trabalhava na universidade corporativa e eu desenhava a grade dos executivos, o primeiro curso que eu punha, que eu colocava na grade Autoliderança, ou liderar-se a si mesmo. Se você não dá conta do que passa, do que está se passando dentro de você, como é que você vai dar conta do que tá se passando com seu time? Então é 3, 10 passos para trás. Se você não se conhece, se você não se cuida, se você não olha para você, se você, se você tá perdido dentro de você, impossível você liderar alguém.

Um cego não guia outro cego. Então, antes de você pensar em identificar as emoções do seu time, o adoecimento do seu time, primeiro olha para você. Antes de tirar a trava do olho do outro, olha para que tá no seu olho. E aí eu vou ser um pouco o advogado do diabo aqui com a Isa. Quando a gente fala, ah, de saúde mental, NR-1, e os empresários precisam tomar consciência, a história do cinto de segurança— mas agora eu vou fazer um pouco lá dos empresários, porque uma coisa é falar de cinto de segurança e braço quebrado, outra coisa é falar de saúde mental.

É um salto aí quante gigantesco, porque saúde mental é imensurável, não é algo tácito, medido. Um braço quebrado você vê, e um cinto de segurança também. Então é muito simples você pôr numa planilha e mostrar o cinto, capacete, ausência de capacete nessa empresa provocou isso, e você pode morrer, e vai acontecer isso. A consciência, ela vai acontecer de forma muito mais rápida. Em relação à saúde mental, isso é extremamente mais complexo.

ICIzabella Camargo

Por quê?

AVAndréa Vermont

Porque a doença mental não é algo visto e mensurável. Como que eu vou fazer alguém tomar consciência sobre riscos emocionais se as próprias emoções são tão difíceis de serem reconhecidas? Outro dia eu coloquei um texto no LinkedIn, eu falava muito sobre contratação por caráter. Eu falei, se eu fosse inovar o mercado de recrutamento e seleção, eu inovaria literal. Eu criaria todo um novo teste. Eu contrataria as pessoas por caráter e por vontade de vencer.

O resto você treina. Tem um menino lá trabalhando com a gente, um querido, começou tem 2 dias. Ele vendia paçoca no sinal, paçoquinha, chiclete. Um dia ele falou com um dos meus sócios lá, entregou um livro sobre comunicação. Os meninos perguntaram: por que esse livro sobre comunicação? Você vende paçoca? Ele falou: porque eu sou apaixonado em comunicação. Inclusive, eu sei quem vocês são. Inclusive, o meu sonho é trabalhar com vocês.

Cara, essa pessoa, se brincar, vai virar CEO lá da empresa. Tem caráter, tem saúde emocional, sabe quem é, sabe o que quer. A chance de uma pessoa dessa entrar numa história dessa é bem menor. O Vitor Frankl dizia, né, a alma humana suporta qualquer coisa menos ausência de sentido. O burnout não é o corpo que adoece, é a alma que foi embora. O corpo continua trabalhando. Eu tive burnout. Quando você realmente consegue não, quando você realmente não vai mais para empresa, você já tava doente há muitos meses. O seu corpo estava indo, quem não estava indo era sua alma.

JJJoel Jota

Mas aí é o sentido, você tá dizendo, né? A perda de sentido.

AVAndréa Vermont

Burnout tem muito menos a ver com excessos e com N situações do que com ausência de sentido. Eu acredito muito E eu acho que o nosso trabalho incessante é por isso, para trazer sentido e propósito para a vida das pessoas, e o seu também, dessas pessoas que estão aqui também, senão não estariam aqui. O Vitor Frankl falou disso a partir de um campo de concentração, a partir de Auschwitz. Ele percebeu dentro de Auschwitz que quem tinha sentido para continuar existindo suportava os horrores do nazismo.

Então, ainda que o seu ambiente esteja totalmente deteriorado, se você tem um porquê, você suporta qualquer como. A gente toma pancada todo dia por trazer saúde mental para um ambiente mais amistoso.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu acho que tem as duas coisas, André. Eu acho que isso aí é fundamental. Por exemplo, para depressão, isso é uma verdade inquestionável, o sentido e propósito. Porque sentido, eu tenho que exercer aquilo que eu tenho de melhor, mas propósito, eu tenho que fazer isso me tornar melhor e somar na vida das pessoas. Não basta o sentido, porque tem gente que pega o sentido sem propósito e nada, nada, né? Agora, eu acho que tem isso que você falou, não tem?

Para depressão, eu vejo isso. Não é à toa que a gente tem a geração aí com maior índice, a geração Z tem maiores índices de depressão, né? Que a gente não imaginava que isso fosse acontecer e tá acontecendo. Eles não têm sentido e propósito, eles vão numa velocidade e muita tecnologia e pouca humanidade, né? Habilidade. Mas existe de fato aí aquela coisa do que tá ao redor. O ambiente de trabalho, ele pode trazer um tipo de estresse que vai favorecer, junto com a falta de sentido e propósito, a coisa explodir.

Porque assim, a gente tem que ver, por exemplo, na pandemia. Eu falo muito isso em questão burnout porque fica inquestionável. Na pandemia, não sei aqui em São Paulo, mas no Rio Os médicos, os enfermeiros, auxiliares de enfermagem, pessoal da faxina do hospital, eles tinham épocas que não iam para casa porque eles não podiam contaminar suas famílias. A prefeitura chegou a pagar hotel para esses médicos irem para esse hotel sozinhos.

As pessoas não falam, mas muitos médicos se foram na pandemia, não pelo COVID, Então isso pela condição, aí a gente tá falando de um burnout, que o burnout é quando o trabalho traz essa falta de condição, porque ali era desumano. Eu tenho um médico conhecido meu que teve um dia que ele me ligou chorando e falou assim: eu não aguento mais, eu hoje entubei 18 pessoas. Entubar 18 pessoas é um movimento assim, quando você num plantão Que a gente entubava 1 ou 2, já era uma coisa tensa.

Agora imagina num dia, como ele era o que entubava melhor, então todo mundo chama o Gabriel, chama o Gabriel. No final do dia ele falou, não posso voltar para casa, e acabei de entubar 18 pessoas, provavelmente 80% vai morrer.

AVAndréa Vermont

São coisas complementares, exatamente, complementares. Exatamente. Se as duas coisas não forem cuidadas, o ambiente interno e externo Nós estamos enxugando gelo.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Botou a questão do ambiente interno nesse sentido e propósito.

AVAndréa Vermont

A grande questão para mim que ainda fica nublada é que nós estamos falando muito de ambiente externo e de condições emocionais favoráveis, mas eu ainda acho que as coisas— isso, exatamente, isso é só 50% do processo. Se você não tiver uma empresa ou um ambiente operacional onde o que as pessoas estão fazendo faça sentido para elas. Porque às vezes a sua empresa faz muito sentido para você, mas ela faz para quem tá lá?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

E a gente tem que saber identificar esta pessoa, entendi agora, porque se contratar o menino da paçoca, entendeu, aquilo faz sentido para ele. É isso. Então, porque a gente não dá o sentido, claro que a gente cuida de tudo lá, faz tudo, você pode oferecer o melhor emprego, tempo de cada um. Se não tiver no sentido e propósito daquela pessoa Ele vai se motivar só pelo dinheiro?

AVAndréa Vermont

Dinheiro não motiva.

ICIzabella Camargo

Você acha que o sentido e propósito de um jovem que não tem filhos é o mesmo de uma mãe que tem família, filhos, e tá numa faixa que a gente chama, né, geração sanduíche, que também cuida da mãe?

AVAndréa Vermont

Sentido e propósito muda durante a vida.

ICIzabella Camargo

Então vamos lá, então primeiro a gente tá falando de uma coisa que é flexível. Eu não posso comparar a reação de uma pessoa em um ambiente com uma outra que não tem as mesmas características que ela, primeiro físicas e depois familiares. Deixa eu tentar pegar aqui um pouquinho do que todas disseram, porque eu vivi o burnout na principal emissora de comunicação, e eu me achando especialista em comunicação, tenho certeza absoluta que eu só adoeci porque eu não sabia me comunicar comigo.

Então, primeira coisa, eu não sabia me comunicar comigo, senão eu não teria negligenciado por 4 anos problemas gravíssimos no meu corpo, mas eu ainda funcionava. Então a diferença do esgotamento para o burnout é porque no esgotamento você já tá doente, mas ainda funciona. Quando você tem o diagnóstico da síndrome de burnout, aí você deixa de funcionar, tá claro assim? Porque é importante, porque tem muita gente dizendo que tem cansaço, tá esgotado, tá com burnout.

Não, cansaço é uma coisa, faz parte da vida adulta. Cansei, descansei. Se você vem de uma cultura em que não permite, o que você se envergonha de cansar, ou se você tá tomando remédio, comendo, bebendo, comprando, jogando para se anestesiar, é outra coisa. Esgotamento, você já tá doente, mas ainda tá funcionando, tá indo lá abrindo o laptop, batendo crachá, começa a desistir, mas você ainda está funcionando. No burnout você perde funcionalidade.

Só que agora eu vou te falar uma coisa que a turma vai amar: o problema do burnout não é o trabalho. O problema do burnout é o excesso de trabalho em um ambiente desorganizado, com assédio, e você está sem sentido ali. É como um avião cai por conta de uma coisa. Fala para mim quanto do burnout tem a ver.

JJJoel Jota

Mas aqui é quando você chega e fala assim: o problema do burnout é o ambiente. Quanto que tem da proteção da pessoa dela a se autopreservar, se autodefender e não deixar que as coisas externas afetem ela?

ICIzabella Camargo

Vamos lá, autorresponsabilidade. A palavra que precisa entrar aqui junto com a necessidade da educação? Porque tudo que foi falado aqui, André falou, ah, mas eu tô falando de um negócio que eu não tenho dados, né? Então assim, agora nós já temos, eu falei que não tem mensuração. Então agora nós estamos buscando medidores, porque se eu tenho afastamento, eu tenho a Previdência, eu já tenho todas as instituições falando sobre saúde mental.

A OMS declarou que a depressão ia ser a doença mais incapacitante do mundo há mais de 10 anos que 2030 a depressão seria a doença mais incapacitante do mercado de trabalho. Não é Isabela, não é Ana, não é ninguém. Então há 10 anos nós já sabemos que o que vai acontecer daqui 4 já tava mapeado. Então a questão é o que que eu faço com aquilo, com aquela informação que eu tenho. A gente não tá mais agora na— e eu vejo muitos líderes querendo diagnosticar problema ou querer dar validação de dor.

Não, mas essa dor É assim ou não, Joel? Dor que não sangra dói em dobro e custa o dobro. Eu falo isso porque eu vivi isso. Dor que não sangra dói em dobro e custa o dobro, não só para o empresário, para pessoa, para família, para sociedade. O custo de uma pessoa doente não se compara a ela saudável. Então tá na hora primeiro da gente, primeiro, disponibilidade de entender, bom, Eu preciso querer entender sobre o que é saúde mental.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Nós não estamos mais naquela crença que eu acho que a gente tem que entender e usar a definição da Organização Mundial da Saúde, que é perfeita. Repete para turma: estado de bem-estar no qual o indivíduo identifica suas habilidades, aí o sentido, né, tem condições de lidar com os estresses normais da vida, faz parte do jogo. Ou seja, todos nós passaremos por estresse Não é um privilégio. E fazer com que isso a gente se torne melhor e também colabore com o que está ao nosso redor.

E tem uma outra definição, que é a comunidade, sua casa, minha casa, é a capacidade para lidar com o que está nos dias. Então, então saúde mental não é não ter transtorno mental, porque eu vejo gente falar assim Mas eu nunca deprimi. Parabéns, minha querida. Que bom. Porque assim, que bom, tá? Mas tá na fila.

ICIzabella Camargo

Olha, aliás, você não tá sabendo. Você não tá sabendo. Você não tá sabendo que tem uma fila. E a condição que a gente sente, a gente tava conversando antes de entrar, a Bia viveu uma questão de saúde que até saber o que era, a gente, então a gente precisa dar nome, como você falou, eu preciso dar nome.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Sim.

ICIzabella Camargo

Então a educação em saúde mental passa também pela saber lidar com as emoções. E a gente também tá num período que assim, não é porque ninguém te ensinou que você não vai buscar aprender. Se você quiser aprender alemão, o que você vai fazer, Joel?

JJJoel Jota

A minha pergunta é: de quem é a responsabilidade de ter saúde mental?

AVAndréa Vermont

É nisso que eu queria entrar.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Começa pela pessoa.

AVAndréa Vermont

Sua pergunta caiu no vaso.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu acho que quem é a responsabilidade? Em criança, em criança e pré-adolescente, até adolescente, é, meu amor, lóbulo frontal ainda não tá formado. Mas o adulto, o adulto, a gente tem que ser agente ativo da nossa saúde.

AVAndréa Vermont

Porque você perguntou assim, mas se a pessoa tiver bem preparada, não tem como ela tá blindada disso, não? De novo eu vou fazer o advogado do diabo, e até porque estamos aqui entre empresários. Às vezes eu tenho a sensação, porque eu já trabalhei em empresa, tem gente falar, mas como que ela fez isso tudo na vida? Eu não sou Highlander, eu atendi a empresa e à noite eu atendi no consultório, por isso eu consegui fazer as duas coisas juntos.

Eu trabalhei 15 anos no mercado corporativo, fui diretora de faculdade, Trabalhei instituição bancária, enfim. Então eu sei a realidade do empresário. A sensação que eu tenho é que parece que a gente tá terceirizando tudo para empresa. Parece que virou responsabilidade do empresário. Você tem que dar negócio de academia, plano de saúde, agora de saúde mental, bolsa, não sei o quê. Gente, vai virando um negócio tão grande que a gente terceiriza o que é de nossa responsabilidade.

Podemos criar todo um ambiente favorável? Podemos e devemos. Essa é a nossa obrigação. Eu costumo falar isso lá na minha empresa, é: eu não estou pedindo nada, nenhum benefício por eu ser quem eu sou. Eu tô pedindo dignidade. E dignidade todo ser humano merece. Você não merece ser tratado bem porque você é o Joel Jota, você merece ser tratado bem porque você é um ser humano, você tem dignidade. Isso nós como empresários temos obrigação de dar.

Mas qual é a responsabilidade do indivíduo, do CPF? Porque estresse teremos. Olha a definição da OMS: todos ambientes que oscilam. Por mais que você crie o Alice no País das Maravilhas lá na Jota, em algum momento vai haver pressão, vai haver meta, vai haver alguém que tá desequilibrado, vai haver N situações. E qual é a responsabilidade do indivíduo? Dele mesmo cuidar da sua saúde mental, dele se conhecer, dele aprender a se regular.

Porque senão a gente começa a terceirizar demais e daqui a pouco eu não sou responsável por nada. Toda obrigação minha, da minha existência passa a ser do terceiro, do CNPJ.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Não, mas eu acho que a NR-1 é muito clara nisso. Assim, o empresário não vai virar terapeuta, mas há um discurso nesse sentido. É, mas eu acho que as pessoas nem estão lendo isso que nós estamos aqui, não estão entendendo o que tá acontecendo. Vou pedir uma atividade para todos da definição da OMS.

AVAndréa Vermont

Não, tá?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Ó, que eu acho legal, acho legal.

AVAndréa Vermont

Na verdade, ela é claríssima.

ICIzabella Camargo

Atividade para todos. Pensem agora num aquário bem sujo. Pensa num aquário bem sujo, mas bem sujo, cheio de lodo, cheio de lodo. Aí você tá conseguindo ver um peixinho aqui em cima, um Highlander, tá, que tá nesse ambiente super sujo e contaminado. Adianta só eu pegar esse peixe, afastar desse ambiente sujo, medicar ele, né? Aí, ah, passou 15 dias de afastamento? Não. 2 meses? Opa, então volta. Não adianta eu trazer o peixe aqui para o aquário sujo.

Eu preciso fazer o quê? A manutenção do aquário. O que a NR-1 está promovendo, pedindo, sugerindo, te convidando é: reorganiza o ambiente de trabalho. Porque se o ambiente de trabalho tivesse organizado, os líderes também não estariam adoecidos. A primeira resposta, quando você disse: como é que o empresário percebe que alguém está adoecendo? Aí a Bia já mandou: primeiro ele tem que fazer a sua auto-observação. Perfeito. E depois?

O sujeito que está com irritabilidade e agressividade porque ele já tá com outras centenas ou dezenas de doenças acumuladas. Então o que eu gostaria de trazer aqui, a palavra é de autorresponsabilidade e corresponsabilidade. Primeiro eu como indivíduo, eu não posso reclamar daquilo que eu escolhi, Joel. Eu não posso reclamar do que eu escolho. Então eu escolho ter uma empresa, eu tenho que gerir pessoas. Se essas pessoas não estão chegando preparadas como eu gostaria, eu preciso educar.

Ponto. Assim como eu tenho vários trabalhos de educação dentro da empresa. Você não tem campanha de vacinação, você tem campanha de educação sobre vários temas. Qual é a dificuldade de você começar a dar subsídios para pessoa compreender que assim, olha, você pode estar na melhor empresa com os melhores benefícios, mas se você não souber tomar suas decisões, você também vai adoecer. Então eu tô falando de uma pessoa com condições básicas para trabalhar Eu preciso saber o seguinte: meu trabalho vai ser como no jornalismo.

Eu tenho deadline, certo? Eu vou enfrentar, eu vou enfrentar pessoas brigando, eu vou enfrentar trânsito. Eu não posso reclamar disso. É como eu escolher morar em São Paulo e reclamar do trânsito. Então a vida está nos cobrando autorresponsabilidade, porque crachá eu posso ter vários, emprego eu posso ter vários, vida é uma só. Então se eu estou em um ambiente em que eu estou sendo maltratado, ou se o aquário tá sujo, eu tô vendo que o aquário tá sujo, Enquanto eu tenho saúde, eu consigo sair.

Só que se eu não tenho saúde, eu adoeço aqui, aí vai ficar muito mais difícil sair. E o que a NR-1 está pedindo é só limpa o aquário.

JJJoel Jota

Então onde tá a linha entre burnout e estresse?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

O burnout, ele é um estresse que ele começa, se perpetua ali no trabalho, estresse crônico, todos os dias, todos os dias.

ICIzabella Camargo

Não é ruim, trabalho, exato, todos os dias a pessoa não tem recursos para fazer aquilo que ela precisa fazer, não tem condições do ambiente.

AVAndréa Vermont

Fator relacionado ao ambiente de trabalho.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Olha, eu vou dar um exemplo básico das necessidades fisiológicas de Maslow. Não, você não tá dando condições dignas de trabalho, você tá insalubre, sim, insalubre, ou assédio. Aí é em relação ao aquário mesmo, ao aquário, tá? Burnout é isso.

AVAndréa Vermont

Qual que é a grande questão? Que é o que eu falei, que nós não temos mensuração diferente de ter dado. Uma coisa é ter dado, outra coisa é ter mecanismos de mensuração. E aí, e deixo muito claro, eu sou super favorável das da NR-1 não é sobre isso. Se tem alguém que fala sobre saúde mental, sou eu. Eu só quero ponderar porque nós estamos diante de uma plateia que eu acho que talvez essa seja a grande curiosidade. Não à toa você traz tantas perguntas nesse sentido.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Não, mas eles vão poder fazer perguntas, né? Tá com mascarinha aí.

AVAndréa Vermont

Qual que é a sensibilidade, Joel, entre o que é meu e o que é seu?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Exatamente.

AVAndréa Vermont

É esse que é o difícil, esse tratamento de saúde mental e burnout. Porque se o jornal tiver uma causa trabalhista, e aí você falou assim, o cara tá estressado, isso não é banal. O que que é meu e o que que é do ambiente?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

É esse que é o ponto difícil.

AVAndréa Vermont

E por isso que é difícil fazer intervenção. E por isso que eu faço aqui o discurso dos empresários, porque para o empresário, e nós somos empresários, é muito complexo e é muito sensível, uma vez não tendo mecanismos de mensuração física Mas aí é um bom médico faz isso, porque eu cansei de receber gente falava assim: ah, me arruma um atestado de burnout.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Olhava para a cara da pessoa, falava assim: como assim? Me conta aí. Eu tive uma funcionária, uma funcionária de uma grande empresa, ela chegou: Bia, você vai ter que me arrumar um atestado de burnout. Falei: amor, vamos lá, você sabe o que é burnout? Ah, papapá. Falei: amor, o teu burnout tá dentro de casa. Você tem uma relação tóxica de um cara que te bate. Se eu te deixar dentro de casa, eu te garanto que você vira estatística.

Vai por mim, investe mais no teu trabalho que você vai produzir mais, vai ter independência financeira para sair dessa furada.

AVAndréa Vermont

Tá vendo como isso é sensível?

JJJoel Jota

Sensível.

AVAndréa Vermont

Você tem sensibilidade, precisou de um instrumento muito acurado.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Quem é que tem?

AVAndréa Vermont

Porque senão vira festa, porque senão as pessoas deixam de medir. O cara tá com N problemas e vira burnout. Esse instrumento afiado aqui para dizer o que é e o que não é Essa é a grande dificuldade para mim durante o seriado.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Um médico que faz esse tipo de atestado, ele tem que estar seguro do que tá fazendo.

ICIzabella Camargo

Por isso que a educação é fundamental.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Ele é responsável.

JJJoel Jota

Aliás, ó, diagnóstico de burnout, diagnóstico de ansiedade, diagnóstico de saúde mental, de depressão, depressão, tá assim, né? Tá subjetivo. Nossa, quem tem déficit de atenção?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Isso aqui não é para ser tão subjetivo assim.

ICIzabella Camargo

Só que, Joel, olha só, concordo com a Bia. Bia, vem cá.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Não é, não deveria. Todo mundo chega, deixa eu ver TDAH. Eu falei, quando começou o seu TDAH? Ah, depois da faculdade. Querido, tinha que ter começado na primeira infância. Quem tinha que estar me falando disso no início? Porque tem um histórico, tem um histórico genético, tem um histórico. Não existe isso. Eu não fico TDAH, imagina.

JJJoel Jota

Ó, tá vendo coisa boa?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu não fico.

JJJoel Jota

A quantidade de gente que acha que fica TDAH.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Se você se alimenta mal, se você dorme mal, meu amor, você vai ter desatenção, você vai ter impulsividade, você vai ter irritabilidade. Isso é TDAH?

ICIzabella Camargo

Não. Joel, aí a autorresponsabilidade entra. E o que eu tô frisando aqui, eu quero deixar muito claro, da nossa autorresponsabilidade por buscar este conhecimento onde quer que ele esteja. Hoje a gente tá falando de possibilidades de você ver os conteúdos da Doutora Ana, a Bia e a Andréia de graça. Quando eu fui entrevistar a Doutora Ana Beatriz, eu tive que marcar com agenda de antecedência para fazer uma entrevista para ela, com ela, com muita antecedência.

Então, onde eu quero chegar aqui nessa história? Toda mudança traz resistência. Esse programa tá sendo exibido em setembro, dia 10 é Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. E eu acho que de tudo que a gente tá falando aqui, a gente tem que pensar É no fim da linha, porque quem está tentando se livrar da vida não quer se livrar da vida, quer se livrar de uma dor, e essa dor não está sangrando. Então eu repito, dor que não sangra dói em dobro e custa o dobro.

Então setembro é melhor. Então de novo, por que que nós estamos aqui? Nós estamos defendendo quem? Eu tô defendendo a vida.

JJJoel Jota

Legal.

ICIzabella Camargo

E a vida se defende como? Com conversas difíceis. Eu só consigo promover a vida para prevenir o suicídio com conversas difíceis. Se você não tem energia para ter conversas difíceis, você tá tolerando uma vida difícil. Então, para ter uma vida mais fácil, eu preciso dessas conversas, eu preciso da divergência, eu preciso do complemento. Então eu preciso ter disponibilidade, eu preciso querer entender que de repente essas crenças que eu tenho, elas não funcionam mais.

E é isso que incomoda, é você ter consciência que, pô, então isso que eu acreditei minha vida inteira tá errado. Então agora mudou. Vou trazer aqui algumas coisas que você vai gostar. A gente passou séculos acreditando que a Terra era o centro do universo. Brasil, eu precisei de quantas pessoas, de quantos dados para dizer: ó, então a Terra não é o centro do universo. Então o que eu quero dizer aqui é que se esse assunto ainda está difícil para você compreender, tenha paciência, porque nós estamos no início da educação.

Todas as vezes em que eu tenho mudanças sociais, eu tenho resistência. Quantas vezes nós toleramos cigarro em ambiente fechado? Fala para mim. Nós toleramos cigarro em ambiente fechado, assim como nós toleramos situações de assédio muito constrangedoras. Então agora nós já estamos na fase de que, olha, eu já tenho informações que o cigarro faz mal, então agora eu não posso mais tolerar alguém fumando do meu lado. E eu já tenho informações que uma gestão com assédio, com falta de comunicação, em que eu tenho sobrecarga— vamos trazer os adultos para conversa, gente.

Eu estou falando sobre autorresponsabilidade. Então assim, bom, sei do que eu sei, eu escolhi trabalhar na cozinha, eu vou ter que lidar com fogo, vou ter que lidar com faca. Eu posso eliminar a faca da cozinha, sim ou não? Não posso. Não, eu posso eliminar o fogo?

AVAndréa Vermont

Não.

ICIzabella Camargo

Mas eu posso diminuir os riscos que isso causa aqui, ó. Adorei!

AVAndréa Vermont

Posso eliminar o fogo?

ICIzabella Camargo

Olha para mim, porque todo mundo vai conseguir visualizar o que a NR-1 tá dizendo. Existem contextos variáveis que eu não consigo eliminar do ambiente. Eu não consigo eliminar um risco de queda para construir esse prédio. Eu posso oferecer recursos para esse sujeito, se sofrer um acidente que não tenha uma gravidade severa, ou seja, que não tem um risco severo, desculpa, um risco severo. Quando eu criei em 2023 os EPIs da saúde mental, E eu fiz isso analisando várias notícias.

Eu falei, uau, mas a gente já tá sabendo que transtornos mentais fazem parte das 3 principais causas de afastamento do trabalho. Então, se eu já sei disso, o que que eu posso fazer para minimizar isso? O que eu estou trazendo aqui, defendendo para todas as pessoas, é o seguinte: você escolheu um jogo, esse jogo tem risco, faz parte do jogo que você escolheu. Reclamar dessas regras, reclamar desses riscos é sua responsabilidade.

Então, se você tá reclamando daquilo que você escolheu, Desculpa, você não tá agindo como adulto. Ok, primeira coisa. Segundo, estou em um ambiente, percebo que ele não é para mim, opa, ou já foi, que é o que eu gosto muito de chamar de atualização de identidade. Você quem muda, é você que precisa sair, mas não fica lá contaminando o ambiente. E também não adianta só trazer para o ambiente a responsabilidade do seu autocuidado.

E agora eu vou arrematar: a educação da saúde mental passa pela educação do autocuidado básico. As pessoas estão se estressando no trânsito, com os parceiros, com as coisas que fazem parte da vida, porque não estão primeiro dormindo direito. Como é que você fica depois de uma noite mal dormida, Bia? Intolerante, raivosa, querendo morder as pessoas. Então, Joel, todas as vezes que eu te encontro, eu pergunto o quê?

JJJoel Jota

Perguntei hoje para o Alalas: você dormiu bem?

ICIzabella Camargo

Você tá dormindo bem? Porque se você não tiver dormindo bem, você pode estar trabalhando no melhor lugar do mundo.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Então, nem remédios.

ICIzabella Camargo

Então essa conversa É luxo.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu não uso nada para dormir. E tem uma coisa que eu faço que é bonitinho. Isso aqui, eu adoro isso aqui que o Joel tem. Eu também tenho meus caderninhos.

ICIzabella Camargo

Eu também vou anotando aqui.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu, antes de dormir, antes, quando eu tô me preparando para dormir, eu boto tudo que eu tenho que fazer no dia seguinte, tudo, tudo.

ICIzabella Camargo

Aí a cabeça desliga todo dia.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Querido, eu já entreguei. Aí eu faço assim, Deus, dá uma olhada, hein, cara. Porque o pessoal vai dormir e faz o quê? A pessoa faz o seguinte: ah, mas não posso esquecer não sei o que lá, anota aí, ó, não sei quem amanhã tem que falar para fazer berinjela, berinjela com carninha moída, não sei o quê.

JJJoel Jota

Isso é boa para gente, hein, gente?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

O sono vai ficar totalmente pesado.

AVAndréa Vermont

Anota o que ia ficar na cabeça, que aí fica fácil.

JJJoel Jota

Quem quer fazer pergunta aqui, ó, passa o microfone. Ô, gente, tá vendo esse novo estúdio aqui do JJ Podcast? A gente fez um rebranding, rebranding de cenário, de microfone, de luz, a fotografia. E esse cenário aqui, ó, é de madeira. E quem fez isso para gente aqui com muito carinho e com muita competência foi a turma lá da Léo Madeiras. Léo Madeiras é uma empresa fantástica, mais de 80 anos. Conheço a turma toda da Léo Madeiras, já entrevistei o CEO, que é o Nicolai, um amigo querido.

E o time todo fez com muito cuidado, com muito carinho, esse cenário. Aliás, a Jota toda é Léo Madeiras. Tudo que você vê por aí, ó, na Jota Lab, tudo que você vê no meu escritório, no corredor, quando eu recebo as pessoas no JJ Podcast, tudo que você vê de madeira, lindo, bonito, muito bom gosto, é Léo Madeiras. Aqui também, ó, aqui nesse cenário, aqui atrás, é Léo Madeiras. Você tá vendo um vídeo também da MLS House agora. MLS House inteira é Léo Madeiras.

Então para o seu escritório, para sua casa, para o seu estúdio, para você gravar, para você receber os seus clientes, para sua clínica, qualquer que seja o seu objetivo. Eles trabalham com qualidade, com velocidade, eles são os melhores no que eles fazem, além de ser uma turma assim incrível, fantástica e maravilhosa. Então eu gostaria que vocês soubessem que tudo que vocês olham aqui, madeira, no Joel, JJ, na MLS House, vem da Leo Madeiras.

Também gravei um podcast que você pode assistir junto com o Nicolai, que história maravilhosa. Então eu gostaria muito que vocês conhecessem todas as soluções da Léo Madeiras, tanto de projeto quanto de arquitetura, quanto que você coloca nas suas ideias e tudo aquilo que é importante para você fazer, tá? Aqui tem um QR code na tela, link na descrição. Fala que você veio do JJ Podcast que eles vão te atender assim no altíssimo nível, com qualidade, vão fazer um preço super especial para todos vocês, tá bom?

Então clica aqui, conheça mais. E turma da Léo Madeiras, obrigado pelo apoio de sempre, parabéns por todos os resultados. Bora voltar para o JJ Podcast. Cadê? Ó, aqui, ó. Aproveita, aproveita, tem microfone aqui. Quem quer fazer pergunta aqui na frente, direciona a tua pergunta, tá?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Por favor. Eu queria saber se o burnout ele tem cura assim, ou se uma vez que você teve você vai ter sempre predisposição para ter assim.

ICIzabella Camargo

Vou dar minha perspectiva como quem teve. Sim, tudo bem, posso?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Pois não.

ICIzabella Camargo

Bom, vou falar sobre a minha perspectiva. Exato, exato, exato. Isso é muito importante. Primeiro que pior que o primeiro burnout é o segundo, porque na primeira recuperação que você tem, você já volta para aquele estilo de vida, para aquele aquário sujo, contaminado que você tava. E a culpa que você sente, a vergonha que você sente por ter adoecido é tão grande que você quer fazer até mais do que você já fazia. E aí vem o segundo episódio, que é muito pior do que o primeiro, porque o seu corpo já tá totalmente debilitado.

Eu vou falar por mim. Para mim, o burnout é como diabetes, como pressão alta, não tem cura. Eu tenho que ter vigilância constante, porque pessoas que têm o diagnóstico da síndrome de burnout, eu não conheço nenhuma que não gosta do que faz. Então, ao gostar do que você faz, ser idealista— e a Maslach falou isso na década de 80— quais são as profissões mais sensíveis ao burnout? Adivinha? Profissionais da educação, da saúde, da informação e da segurança.

Então são pessoas idealistas por natureza, ponto. Querem mudar o contexto. E aí amam tanto o que fazem que não veem problema de se deixar para depois. Só que se eu tenho 20 e poucos anos e eu me deixar para depois, é uma consequência. Só conforme o tempo passa, eu preciso me cuidar mais. Então para mim, burnout é ausência de si mesmo. Essa é a minha definição. Então respondendo sua pergunta, para mim o burnout não tem cura, ele tem vigilância constante.

Porque se eu perder a minha saúde mental por alguma razão e cair numa cilada de novo, numa armadilha da competência, que é o que te faz levar ao burnout, que é buscar o reconhecimento no lugar errado, você pode ter de novo. Então eu já conheci pessoas e médicas e médicos, inclusive não posso nem dizer quem que você conhece, e que disse assim para mim: Isabela, Caí no terceiro. O doutor, você caiu no terceiro, que é prova de que o adoecimento mental— o Dr.

David Whippe, um dos maiores infectologistas do mundo, aos 69 anos, ele assume que teve burnout. Então eu acho muito bom quando um homem, né, de pele branca, médico infectologista reconhecido mundialmente, assume que tem um problema que algumas pessoas ainda dizem que é frescura. E essa necessidade da educação, porque enquanto ainda tem gente achando isso é frescura, a Organização Mundial da Saúde já reconhece o fenômeno como mundial.

Então, enquanto tem gente achando que assédio no trabalho faz parte do jogo, o mundo já fala que, olha, não dá, os nossos afastamentos. Então, burnout não tem cura, mas tem prevenção. E tudo que eu posso prevenir, eu preciso de educação, porque a gente vem dessa cultura que eu primeiro adoeço, aí depois eu vou procurar a saúde. E não, Então eu trabalho com a comunicação da educação e saúde mental para trabalhar com prevenção. Eu sou médica?

Não, mas eu sou jornalista que viveu na pele e pesquiso com as fontes mais genuínas como que a gente pode trabalhar a prevenção. E aí eu faço de novo o convite: nós não aprendemos a cuidar da nossa saúde bucal dentro do consultório. E acho que eu não sei se ficou claro, mas há 300 anos uma escova de dente era usada por todos os membros da mesma família. E ir no dentista era frescura. Então hoje eu já sei que para ter um sorriso bonito eu preciso escovar o dente todo dia, e mesmo assim eu vou no dentista.

JJJoel Jota

E minha saúde mental?

ICIzabella Camargo

Mentira, maravilhosa. Então com a saúde mental eu preciso tomar cuidado para não cair em achismos, para não cair nos radicalismos. Ah, é isso ou é isso? Não, gente, tem um gradiente enorme aqui dentro. Calma, paciência. Nós estamos no início da educação de um tema que há mais de 2000 anos é visto como Ou fraqueza.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

É um pouquinho mais complexo. Primeiro, garantir que se trata de um burnout.

ICIzabella Camargo

Exato.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Primeira coisa, muitas vezes o burnout já chega com depressão associada, porque ultrapassou, foi indo, indo, indo, teve ali aquela parte de irritabilidade, de despersonalização, de insônia, de falta de vontade de trabalhar, de incapacidade de fazer o que fazia antes. E tem gente que já pula para depressão, tanto que muita gente fala depressão do trabalhador. Se essa pessoa já tem uma genética, um histórico de transtorno do humor, seja bipolar ou seja, ou seja, da depressão recorrente, já fica um pouquinho mais assim.

Mas o que ela falou vale, tá? Porque a gente é possível tratar, é super possível. Agora, tratar depressão, tratar burnout, tratar pânico é fácil. Agora, reestruturar o que levou aquilo, que ninguém chega nesse ponto em 6 meses, bote aí 2 anos a 3. É um processo, ele vai vindo, ele vai vindo, a pessoa não nota. Então o grande desafio do médico e do psiquiatra É falar assim, ok, você tá um pouquinho melhor, vamos começar a ver os últimos 3 anos da sua vida, porque é ali que a gente vai refazer.

Porque tem gente que fala assim, chega, fala, ah, eu tô assim há 2 meses. Eu falei, lamento, 2 meses tá a fiação queimada. Mas assim, isso já vem muito tempo, leva muito tempo para se armar uma tempestade, não é assim? Então a gente tem que tratar sair dali. Se for uma coisa que já tinha uma genética e abriu um transtorno, a gente tem que ter um pouquinho mais de cuidado. Mas fazer as transformações, saber quem se é, para onde se vai, se eu tô no lugar certo, tô no lugar certo, isso realmente a gente vai ter que dar conta de fazer. E aí a inteligência emocional, não tem como.

AVAndréa Vermont

Pia, é possível burnoutar e não recidivar? Ou burnout, assim como a depressão, ele vai ser recidivante a vida toda?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Depende. Você pode ter um único episódio de depressão ou de burnout.

AVAndréa Vermont

Mas é possível você burnoutar e não reincidir mais?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Por exemplo, com essa educação que a gente tá colocando de educar as pessoas para ter saúde mental, e saúde mental não é não ter doença mental, isso aí já é o final da reta, né? Aí sim eu acho que vai ser possível, porque hoje o que acontece, agora é mais fácil, tá? Mas o que acontecia há 20 anos atrás, há 30 anos atrás, quando eu comecei, Você tinha era uma ignorância tão profunda, quando você falava, olha, agora vamos começar a ver a sua história, os pacientes iam embora do tipo assim, não, tá tudo bom para mim, não quero tocar nesse assunto, não quero mexer nisso aqui, não quero.

Aí você já contava, ficava no relógio, vai dar um ano e meio, papapá, vai voltar. Aí volta te mandando um recado, pelo amor de Deus, voltou tudo de novo, some, some o olho.

AVAndréa Vermont

Mas você tem paciente que tratou e Tenho zero.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Tem, porque você refaz isso, entendeu? E ele não tem nenhum tipo de genética ou biologia para um transtorno de abertura. Aquilo ali foi uma situação. É difícil, é difícil.

ICIzabella Camargo

Até porque aí você já começa a perceber os sinais.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Exatamente.

ICIzabella Camargo

Então, por exemplo, eu vou falar aqui abertamente, eu tenho viajado muito, eu tenho duas crianças, eu tenho neném de um ano. Que aliás começou a andar agora, né? E eu só consegui ser mãe maravilhosa, maravilhosa. Então eu só consegui ser mãe depois que eu vivi o burnout. E aí eu vou dizer agora uma coisa muito importante: a cura está no burnout. Eu precisei adoecer para me curar de uma ilusão que eu vivia num aquário que não era para eu estar.

Esse é o ponto. Acho que essa é a reflexão que a gente tem que trazer. A cura está na doença, porque ela tá te tirando de um contexto, de uma situação que te levou para aquele quadro. Então eu só consegui ser mãe depois de quando eu achei que seria meu fim. Aí que eu entendi, agora que a história começa. Então eu hoje somo a minha experiência com— ano que vem eu faço 30 anos de carreira. Colágeno tá bom, não tá? Estímulo também tá bom, né, Bia?

Ano que vem eu faço 30 anos de carreira. Então imagina o que eu ressignifiquei daquela situação. E aí o que eu quero fazer esse convite para todo mundo que tá assistindo é: se você tiver sentindo alguma dor, ela tá querendo te dizer alguma coisa. Dor não é punição, dor é consequência das suas escolhas. Então não adianta de novo reclamar daquilo que você escolheu. Só que eu não tinha essa consciência antes porque eu estava ainda muito contaminada em uma sociedade de vitimização.

Porque eu estou aqui, meu Deus, eu acordo, eu escolhi fazer tudo aquilo, essa é a minha responsabilidade. Agora, qual é a responsabilidade da empresa ao ver o adoecimento de uma pessoa não tomar uma providência? Porque ela também não tem condições. Quando eu peço ajuda para todo mundo e chego no endocrinologista, ele me fala: toma esse remédio aqui. Eu já tava tomando remédio para dormir e aí ele me deu um remédio para acordar.

Não era aquilo que eu tava esperando. Não era aquilo que ele deveria ter me receitado. É essa provocação que eu quero trazer. Só que eu já não tinha mais saúde para analisar o que que era certo, o que que era errado. Então o convite é: com prevenção você consegue tomar as suas decisões antes de não ter mais condições. Porque depois que você perde a saúde, você não sabe mais nem onde você mora. Então você não tem condições de analisar.

As pessoas me perguntam: por que que você não pediu demissão antes? Como que eu teria condições de pedir demissão no estado adoecido que eu estava? Mas por fora, como dizia minha avó, bela viola. Por dentro, pão bolorento. Então, de novo, a educação é o que vai nos levar para autorresponsabilidade e fazer você sair de ambientes que não são mais para você.

JJJoel Jota

Muito bem. Andréia, bate-bola contigo: um hábito que você acredita que é bom para manter a saúde emocional?

ICIzabella Camargo

Um, eu teria alguns, né?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Alguns, alguns. Pode ser também.

AVAndréa Vermont

Ó, eu vou, eu vou falar sério e pode até parecer piada, mas dormir para mim é condição sine qua non. Assim, eu já entendi as minhas horas de sono, eu preciso de 8 horas.

ICIzabella Camargo

8.

AVAndréa Vermont

E por exemplo, às vezes eu chego outro dia, eu tive que pegar um voo muito cedo, e aí quando eu cheguei na cidade logo após eu teria palestra daquele daqui 3 horas. Aí eu optava, eu almoçava ou eu dormia antes da palestra. Eu optei por dormir. Dormir para mim ainda é mais importante muitas vezes. Se eu precisar trocar, comer uma refeição rápida e dormir, para mim o sono ele muda tudo. E aí a Bia pode dar uma aula aí de neuroanatomia, quanto a gente passa por uma série de questões quando a gente não dorme.

Então assim, dormir para mim é o hábito que me mantém ali dentro daquilo que eu preciso estar, de toda a minha capacidade. Aí tem exercício físico que eu coloquei na minha rotina agora há pouco tempo. Já fazia, mas agora de forma mais intensa, e isso mudou tudo. E também está muito centrada em mim. Também tenho aprendido muito isso com a Bia. A Bia me ensinou a não usar o WhatsApp assim. Eu achei que o WhatsApp, a mensagem caía, era obrigado a responder. E um dia eu perguntei para ela, falei, Bia, como é que você faz?

JJJoel Jota

Receber mensagem é diferente de responder a mensagem.

AVAndréa Vermont

Mentores, você e a Bia me ajudam muito. Falei, Bia, como que você faz? Me ensina a lidar com WhatsApp.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Na hora do dia, se o recado chegou antes, passou a hora, ou chegou depois, ela foi maravilhosa. No máximo 2. Ela falou isso para mim, ela falou assim, o hábito do sono aí eu já, para mim já é sagrado. O sono é, né?

JJJoel Jota

Mano, você entra 2 vezes no WhatsApp por dia?

AVAndréa Vermont

Ela falou assim para mim, olha a resposta, 2 vezes por dia, Ana Beatriz. Presta atenção na resposta.

ICIzabella Camargo

Que isso?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Surpresa! A não ser que você, por exemplo, emergência, tem uma mãe de 89 anos, não, mas aí aquela entrada tem um sinalzinho que é diferente. Você tem um pai de 91 anos, uma mãe de 89, né? Tem um sinalzinho que é um pouquinho diferente.

JJJoel Jota

Duas vezes por dia? Você deixa eu dar um pulinho aqui no WhatsApp rapidinho.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Você me viu com o celular ali?

JJJoel Jota

Não vi.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Da outra vez que eu vim, você me viu com o celular?

JJJoel Jota

Não vi também. Duas vezes, tipo assim, de manhã e de tarde, assim?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Não, é de manhã, tem que tomar um café da manhã, é um ritual mesmo.

JJJoel Jota

Não tem um atalho nisso?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Ó, ó, ó, e isso é meio monja. Olha, eu acordo, tem todo um ritual, eu, é um carinho que eu começo a fazer em mim. Primeiro eu tomo banho, me perfumo maravilhosa para dormir, que eu mereço. E tem gente que fala, ah, vou usar o perfume para sair. Que isso? Eu também vou usar, mas para mim. Aí tá, deito, durmo. Olha, é uma maravilha. Adormeço. Eu nunca acabo de fazer minhas orações. No dia seguinte eu acordo e falo, peraí, faltou qual?

O Salmo 91 faltou? Aí eu começo de manhã. Aí eu vou, sempre duplo de ar-condicionado. Eu desligo o ar uma hora antes de levantar. Para o corpo começar a se adaptar à temperatura. Não saio da cama e como diferente.

JJJoel Jota

Ela tá muito na nossa frente, Andréia. Ela desliga o ar uma hora antes.

AVAndréa Vermont

Eu ainda quero te contar da resposta e da cara de surpresa que ela fez para mim. Eu falei: Bia, como que a gente lida com WhatsApp? Meu WhatsApp tá bombando. Ela falou assim: uai, minha filha, você olha várias vezes no dia? Falei, ué, Bia, não é assim não? Ela falou, não, não é porque cai mensagem toda hora que você tem que responder toda hora. Falei, Bia, que hora que eu respondo? Ela, só a hora que você quiser. Você sabe um hábito que me faz muito bem também, a partir dessa perspectiva da Bia?

Quando eu acordo, antes de eu querer saber do mundo, abrir jornal, Instagram, rede social, e antes de eu abrir o WhatsApp para saber das pessoas, eu quero saber de mim. Então a minha primeira 15 minutos eu me pergunto como que eu estou, como que eu acordei, como que eu tô me sentindo hoje, qual a minha perspectiva.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Esse checklist que você faz, sem mania de acordar querendo saber do mundo.

AVAndréa Vermont

Você acorda, já pega o celular, vê todas as redes sociais, depois você vê o WhatsApp, vê se sua mãe não morreu, se a casa não pegou fogo, se o menino não pulou do sei da onde, sem nem saber de você.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu preparo meu omeletezinho, aí depois tem que ter, eu corto a bananinha, depois bota canelinha Em cima.

ICIzabella Camargo

Então, dedinho assim, ó, você vê que a Bia é uma, é um ser humano premium, né? Andréia, ser humano premium. O meu sonho é ser humano premium, né?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Isso vai ser o luxo, ostentação dos nossos tempos.

ICIzabella Camargo

E o que a gente não quer adoecer, isso é ostentação.

AVAndréa Vermont

É porque a gente brinca, mas saúde mental ela é uma construção, ela é uma consequência. Saúde mental ela não acontece assim. Ninguém adoece da noite para o dia e ninguém adquire saúde da noite para o dia. Isso também eu aprendi com muitos tombos na vida. Ela é uma construção. Se você não colocar mini hábitos, mini atividades, mini rituais no seu dia a dia, não cultivar a sua saúde mental, você vai adoecer. Então não existe solução mágica.

Então quando a gente brinca da bananinha do WhatsApp, eu brinco que depois da Bia, o meu atual, o meu Atual hobby é não responder WhatsApp. Só fala: nossa, tem 3.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

É outra coisa, eu tenho uma playlist, eu tenho uma playlist quando eu tô escovando o dente.

ICIzabella Camargo

Playlist do nervo vago.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Não, eu tenho a playlist maravilhosa de músicas que aquilo é inspirador, é inspirador, é conversa. Tem para tudo.

ICIzabella Camargo

Para quê?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Não, mas eu chamo aqui no WhatsApp.

ICIzabella Camargo

Que às vezes a gente fica incomodado com a cobrança das pessoas também. Ah, te mandei, você não respondeu, etc.

AVAndréa Vermont

E aí eu já te falei sobre isso, sou responsável pela angústia dos outros também.

ICIzabella Camargo

Mas aí, no tempo da ansiedade, se a gente trabalha com o telefone, as pessoas também esperam alguma coisa. Então o que que falta a gente comunicar? Qual é a sua disponibilidade? Eu chamo isso de contrato de tempo. Todo mundo pegar o telefone agora, debaixo do nome vai poder colocar um recado. O meu recado é: reenvie a mensagem se eu não responder em 24 horas. E aí, se a pessoa me liga, se a pessoa me escreve dizendo: pô, você não respondeu, eu falo: mas não, melhor que não.

Você vai falar: como é que é isso? Cultura. E no fundo, tudo que a gente tá falando aqui é sobre cultura. Eu, tempo de sono é inegociável, higiene pessoal inegociável, porque eu sei que quando você tá a um passo do burnout ou de qualquer outro adoecimento incapacitante, você está com seu autocuidado zero, você tá se negligenciando. Então quando eu falo para as mulheres, ó, se você não tá tendo tempo de lavar o cabelo, isso é um indicador gravíssimo.

Se você não tá conseguindo fazer a unha, você tá lá no laranja. Mas o cabelo é um indicador profundo. Eu mostro sempre nas palestras 3 colunas, autoexplicativo: verde, laranja e vermelha. Coisa que a gente vai fazendo piada, você faz piada que você tá com alergia, tá com bruxismo, tá com não sei o quê. A gente vai normalizando o anormal. Então uma das coisas que eu preciso dizer, você que chegou até aqui conosco, se você tá sem energia para lavar o cabelo, você tá sem energia para fazer a barba, no caso dos meninos, é porque você já tá se negligenciando há muito tempo.

E por que que é importante dormir? Não sei se você sabe, mas a gente tem 78 órgãos no corpo funcionando aqui o tempo inteiro, e é no tempo de sono que eles recuperam. Então se você tá dormindo menos do que o seu corpo precisa, você não tá recuperando todos os seus órgãos. Confere, doutora. Então o tempo de sono precisa ser inegociável para você começar a se cuidar. As pessoas me perguntam em relação ao burnout, doutora, assim, o que que eu preciso fazer?

Yoga, Pilates, meditação? Falei, não, você não precisa fazer nada, você precisa fazer faxina agora. Você precisa criar espaço para você, para que você primeiro comece a se respeitar. Tempo de sono, higiene, alimentação, que eu chamo de 3 faxineiros da saúde mental, e que são todo dia. Sono, higiene pessoal, alimentação. Não adianta você tomar o whey, contratar nutricionista, aí você tá lá comendo coisa saudável e se inflamando aqui com o dedinho nervoso.

E aí depois deles aí vem atividade física, tempo de lazer, e assim vai. Não adianta você dormir menos antes.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Como é seu nome? Ju, eu acho que tem uma coisa antes, que é você começar a ter essa coisa automática de saber ler, identificar suas emoções. Isso é tão profundo, porque assim, todo o resto você vai achar o melhor exercício físico para você. De repente é só caminhar e tá bom, tá maravilhoso. Você vai achar o seu jeitinho de ir para cama mais cedo. Mas se você não soubesse ler, você vai chegar e você vai, Jesus vai dizer: mas minha filha, para onde você tá indo? Você vai falar: Não sei, vamos fazer um bate-bola.

JJJoel Jota

Vou fazer uma para cada um, tá?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Tá, vamos lá.

AVAndréa Vermont

Papum!

JJJoel Jota

Tá, muito bem. Um vai ser uma para cada, tá? Aí vai ser assim: Andréia, Ana e Isa. Andréia, um livro para quem quer ter mais saúde mental.

AVAndréa Vermont

Um livro para quem quer ter mais saúde mental, quem quer conhecer, quer se aprofundar mais em saúde mental? A Coragem de Ser Imperfeito, tá bom?

JJJoel Jota

Brené Brown. Bia, um filme barra documentário para quem quer ter mais saúde emocional?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Documentário, eu acho que seria Field One, porque pega mais uma coisa de definir uma espiritualidade dentro de uma tomada de consciência.

AVAndréa Vermont

Esse eu não conheço não, também não.

JJJoel Jota

Tá bom, então vai anotando aí, gente. Tão anotando? Tão anotando, né?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Esse tá no YouTube.

JJJoel Jota

Tá no YouTube?

ICIzabella Camargo

Tá.

JJJoel Jota

Isa, algo que você acreditava e hoje não acredita mais? Sobre saúde mental?

ICIzabella Camargo

Repete a pergunta.

JJJoel Jota

Algo que você tinha como certo atrás e hoje você refletiu, amadureceu e reajustou e adaptou?

ICIzabella Camargo

Que cuidar da saúde mental era só quando eu fazia terapia, ou só quando eu ia a algum outro especialista, um neurologista ou a psiquiatra. E hoje eu entendi que saúde mental é todo dia, assim como saúde bucal. Eu preciso fazer minha parte e mesmo assim eu vou precisar em algum momento da minha vida, ou em todos, como é o caso de muitas pessoas que conseguem fazer terapia, ajuda de um especialista.

JJJoel Jota

Essa vai ser a mesma para vocês três, aí vocês cada um dá uma resposta. Uma dica prática para pais, homens e mulheres, para observar, treinar, desenvolver a saúde emocional dos seus Comece muito cedo, que as crianças têm uma capacidade de aprender indescritível.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Eu me lembro que uma vez eu, um menininho, quando atendi a criança, Mateus, ele um dia chegou para mim: a minha mãe todo mês fica insuportável, tia. Aí eu falei, é, aí eu falei: eu acho que ela tem TPM. Aí ele: que que é TPM? Eu falei: totalmente perturbada e maluca por uma semana. Ele falou: é uma semana? Aí eu expliquei para ele, expliquei. Ele falou: o que que eu faço? Quando ela tiver assim, ensina ela a respirar, ativar o vago.

Então vamos fazer a respiração, vamos. Aí ensinei isso tudo. Um dia ela chega no meu consultório: esse menino tá maluco. Outro dia ele falou: mamãe, para, para, para, falando baixinho comigo. Que eu falei: fala alto. Ele: não posso, não posso. Respira, mamãe. E aí a mãe falou: o que que foi? Foi eu, efeito colateral sou eu. Aí ela falou: mas fiquei bem melhor. Eu falei: Primeiro procura um ginecologista, porque TPM desse grau é uma disforia, você tem que se tratar. E faz que nem ele faz, ah, me ensina. Eu falei, só marcar.

JJJoel Jota

Nossa, que legal!

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Então criança pega rápido, mas muito rápido. E as crianças muito bem orientadas para inteligência emocional educam seus pais.

JJJoel Jota

Andréia, uma dica para pais?

AVAndréa Vermont

Uma dica que eu daria para pais é que ensine os seus filhos a serem tão fortes e corajosas a ponto de não serem vulneráveis a nenhum ambiente. Eu acredito profundamente nisso. Eu acredito muito no poder do autoconhecimento e da autorresponsabilização. Minha mãe tinha uma frase que eu gostava muito, ela dizia: a vida é uma escola que tem mais aula que recreio. O mundo não vai te alisar, a empresa vai fazer o dela, mas ela não vai criar um ambiente 100% favorável.

Situações vão ocorrer, o carro um dia vai bater, sua esposa um dia vai ficar azeda, 200 coisas podem acontecer, mas quando o seu diálogo aqui dentro é muito legal, você não fica vulnerável às coisas que acontecem. Eu tenho muito medo da permeabilidade. Eu acho que quando a gente é muito permeável, a gente fica muito vulnerável. Então isso eu tento fazer com os meus filhos e sempre tentei desde pequena, evitar permeabilidade. Saiba quem você é, saiba o que você está sentindo, saiba as ferramentas que você tem, independente do ambiente onde você estiver.

Esteja pronto para que você dê conta. Então eu acho que isso, isso é um bom conselho. Eu daria esse conselho. Eu acho que esse, sabe a hora de entrar e sair.

JJJoel Jota

Boa, Isa, conselho para pais?

ICIzabella Camargo

Limites desde cedo. Isso eu faço com Angelina já. Quando ela quer alguma coisa ou quando ela tá em alguma manifestação assim incontrolável, eu falo, filha, isso é limite. A mamãe só descobriu sobre isso depois dos 30 anos. Então falar sobre limites com os filhos é muito importante. E os EPIs da saúde mental, por exemplo, você quer ver uma coisa que eu fico feliz quando me mandam pelo Instagram? É quando as escolas estão usando já os EPIs.

Tenho rodado pelo Brasil. É uma coisa tão simples que você já usa na porta do seu hotel: não me perturbe, para mostrar que isso é cultura. Então os EPIs da saúde mental te ajudam inclusive a criar limites. Se você não aprendeu, você vai aprender, você vai comunicar.

JJJoel Jota

Vou mais uma, tá?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Mãe, faça skincare, que é aquela hora que tranca a porta e vai na boa. E faz, mesmo que você não faça, finge que tá ali. É um momento só você e você, porque se falar— olha, meu skincare, que eu quase nunca faço, é a hora que eu fecho e ali eu começo meu ócio criativo. Ah, vai precisar? Tá bom, depois. Mãe tem que fazer skincare e filho tem que aprender a respeitar.

JJJoel Jota

Outra aqui, ó, para vocês três responderem. Uma crença sobre saúde mental, uma crença popular que precisa ser abandonada.

AVAndréa Vermont

Depressão é falta de Deus, depressão é preguiça, depressão é falta de exercício, depressão é falta de esforço. Essa precisa ser abandonada. Depressão é uma doença grave que tem uma causa fisiológica importante e que muitas vezes ela independe de todos esses fatores. A gente perde todo dia pessoas para o preconceito. Ontem mesmo, Infelizmente perdi uma aluna por estar numa crise de depressão muito grave e não suportou todo o entorno.

Então, e eu tive depressão, e essa palavra era que mais me machucava. Isso é falta de Deus. Você não acha que você deve rezar mais? Se eu te levar no hospital onde as pessoas estão doentes, morrendo, será que você comparar a sua situação como se fosse um game de dor? Se você tiver perto de alguém que tem mais dor, aí a sua dor melhora. Então Comecem a considerar as doenças mentais, apesar de não serem visíveis a olho nu e nem a laboratório e nem a nenhum exame, comecem a considerar as doenças mentais como algo sério que merece cuidado, que merece empatia, que não é falta de vontade, não é falta de força, não é falta de exercício, não é falta de Deus.

São questões inclusive endógenas, com grande envolvimento fisiológico, que precisam ser levadas a sério sob essa perspectiva.

ICIzabella Camargo

Boa!

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Concordo totalmente com a Andréia e diria o seguinte, que saúde mental não é ausência de doença.

JJJoel Jota

Saúde mental não é ausência de doença.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

As pessoas acham saúde mental, ah, eu não tenho depressão, ah, não tem isso, não tem aquilo. Nem por isso você tá saudável. Então voltar lá a definição de saúde mental da Organização Mundial de Saúde e tentar. É difícil, mas quando você entende aquilo ali e exerce aquilo ali O mundo fica diferente, inclusive o WhatsApp. Ele não se conformou e nada em volta te abala.

JJJoel Jota

Essa foi boa. Isa, uma crença que tem que ser abandonada?

ICIzabella Camargo

Que nunca ninguém morreu de trabalhar. No Japão, desde a década de 80, já existe uma indenização para famílias com vítimas de karoshi, que é a morte súbita pelo excesso de trabalho. Então tá na hora da gente já começar a se responsabilizar para mudar a cultura, que nós não estamos falando do trabalho como o problema. Trabalho é promotor de saúde, desde que com respeito, desde com dignidade, desde que haja uma relação de troca.

Trabalho, antes de tudo, é troca. Então eu me lembro de ter ouvido isso inclusive da minha própria família, e isso é muito importante de trazer antes que acabe o programa, Joel. Muitas vezes nós vamos insistir em modelos que nós aprendemos de pessoas que nós amamos. Então eu ouvi de familiares, inclusive de fim de semana quando eu tava de folga: não, mas você não vai trabalhar por quê? E aí você não tá estudando por quê? Como é que você tá tendo folga?

Então nós também viemos dessa cultura. Então tem que tomar cuidado, porque essas pessoas que estão falando isso querem o seu bem, mas elas viveram em outros tempos em que você saía do trabalho, trabalho saía de você. Mas agora não. Se você não souber colocar limites, sim, você pode— tô falando aqui de Carocha, morte súbita pelo excesso de trabalho— mas você pode ter outros problemas incapacitantes e que vão trazer prejuízo para toda a sua família.

JJJoel Jota

Mais uma rodada: uma decisão que todo líder tem que tomar amanhã com relação ao assunto que nós discutimos hoje.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Procurar desenvolver inteligência emocional. Nele, nele, nele. Porque ao fazer isso, ele identifica quem não tem inteligência emocional e torna a vida com muito menos atrito.

JJJoel Jota

Ele faz isso de maneira prática.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Você vai ter— como é que você faz exercício? Indo fazer exercício de maneira prática, começar o básico. Tô falando assim, qualquer emoção que teu corpo reaja, ele tem que ser capaz de começar a falar interpretar. Ele tem que identificar, ele tem que entender para depois gerenciar. É um hábito, gente. Eu hoje já fico rindo às vezes porque eu falo assim: nossa, essa emoção tá atrasada, você me pegou foi semana passada, hoje já tá para despachar isso aqui, entendeu?

E se não despacha, eu escrevo, porque despacha. Escrever materializa coisas que a gente não fechou. O cérebro é muito ruim de fechar histórias. Se você não materializa aqui, ele fica procurando, o circuito fica rodando para ser fechado. E uma das coisas, e por isso que a gente evoluiu tanto como espécie quando veio a escrita. Então assim, escrever, esse caderninho é tudo, todo mundo tem que ter. Você quer ver um presente que querem me dar?

Me dá caderninho, porque eu uso uns 8, 9, 10 no ano. E eu vou escrevendo. Tem coisas absurdas, né, que depois eu falo, nossa, mas tem coisas que eu falo, gente, eu pensei nisso. Outro exercício na prática, avião, todo mundo lá vendo aquele, a telinha, e você escrevendo. Eu, meu caderninho, ainda fico observando os outros escrevendo dos outros.

JJJoel Jota

Nesse momento que eu escrevo, observo um rapaz ali que está de pé, outro dia tinha um casal do meu lado de gente conhecida.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Ele estava numa pancadaria que eu falei, gente, mas não há o menor constrangimento pela pessoa que tá aqui do lado escrevendo. Mas eles estavam tão imbuídos naquela discussão, nos egos dos narcisistas, assim que eu falei assim, gente, eles não estão nem aí. E eles falavam assim, eu não acredito que você tá falando com fulano, é meu inimigo. Mas assim, para todo mundo ouvir. E eu ainda ficava assim, eu tava aqui, eles dois, janela e corredor.

De vez em quando fazia assim para o lado, né, quase falando com o outro do corredor, do tipo, tá difícil, né? Nada, era tão centrado neles que sequer notaram que a gente tava todo mundo constrangido com a pancadaria. Inacreditável. E no final, aos beijinhos. Inacreditável. Aí, ah, aquilo me rendeu tanta coisa de relação tóxica, Muito bem.

JJJoel Jota

André, você?

AVAndréa Vermont

Conselho para amanhã para qualquer líder: faça terapia. Eu acho imprescindível. Eu acho que em algumas posições a gente pode escolher se faz ou não terapia, faz algumas coisas terapêuticas, mas eu acho que quando você lidera um grupo de pessoas é impossível você conseguir isso sem antes você entrar para esse universo que é o seu e separar o que é seu, que é do outro. Quando eu atendi no consultório, era eu, meus pacientes e minha família.

Agora que eu tô na empresa, eu, a empresa, que são as 70 pessoas, e mais 7 milhões de pessoas, os divertidamente começa a bater cabeça lá dentro. Então a sala de controle começa a pegar fogo. Se você não fizer terapia, você não sabe o que é seu e o que é do outro. Quando você não sabe o que é seu e o que não é seu e o que é do outro, você começa a sangrar em cima de quem não te cortou. Então terapia, a gente faz terapia para isso.

Para a gente não sangrar em cima de quem não foi essa pessoa que nos cortou. Muitas vezes eu tenho questões que são minhas, e é na terapia que eu entendo isso, para eu não chegar lá na empresa brava com todo mundo, é, tá tomando algumas decisões impopulares, para eu não ir para rede social e falar besteira, para eu não gravar um vídeo muito mais passional do que racional. Então, se você lidera pessoas, se você está à frente de um grupo de pessoas, agora não tô nem falando de sanidade, agora não tô nem falando de prevenção, agora tô falando de sanidade mental mesmo.

Se você lidera um grupo de pessoas e você não está no processo terapêutico, dificilmente você vai ter sanidade mental, porque vai misturar demais os universos. E aí você já não sabe onde começa o outro, onde termina você. Então faça terapia.

JJJoel Jota

Como que um líder escolhe um bom terapeuta? Qual que é o critério que ele tem que usar? Por onde ele tem que ir?

AVAndréa Vermont

Eu pelo menos tenho os meus critérios. Eu vou falar como que eu escolhi, né? Eu, primeiro, indicação. Eu acho isso importante. Eu acho que terapeuta, eu, eu gosto da ideia de que alguém já conheça ou tem uma referência, pela competência técnica e pela afinidade. É, outro dia, é muito interessante, a gente tava num assunto assim, a minha terapeuta ainda brincou, falou, Andréia, você sabia que eu te amo? Eu falei, você sabia que eu te amo também, apesar de não poder?

Aí ela disse, quem disse que não pode? Eu acho que é isso que faz a terapia fluir. Eu acho que precisa. E aí o Freud vai falar de transferência e contratransferência, precisar ver uma relação de muita empatia. Porque ali é o lugar que você rasga a sua alma. Se tem um lugar onde você tá desnudo, é em terapia. E a gente só fica nu na presença de quem a gente confia. Então eu acho muito importante ser alguém que tenha empatia, tenha zelo pela sua vida, que tenha um carinho pela sua vida, que seja valores parecidos com os seus para não chocar.

Então questão da competência e questão da afinidade e da indicação. Alguém que te indica. Eu escolhi dessa perspectiva.

JJJoel Jota

Muito bom. Isa, um conselho para um líder, que o líder deveria tomar amanhã.

ICIzabella Camargo

Primeiro, ter disponibilidade para reconhecer que a cultura mudou, ela já mudou. Então, primeiro, complementando o que a Andréia e a Bia disseram, é ter a consciência de que a cultura mudou, os negócios mudaram, os ambientes mudaram, a cultura também mudou. A partir disso, procure saber mais sobre a atualização da NR-1, se vai ser comigo ou com os 20 mil alunos que passaram por mim nesses últimos meses, que eu estou formando pessoas para ter esta, este repertório, porque senão a gente não vai dar conta.

Então, se você somar quantas cidades nós temos no Brasil, quantas empresas, quantas famílias, eu entendo que a hora que o líder tiver consciência das consequências do que ele faz ou deixa de fazer, assim como nós, A gente para de reclamar e vai buscar soluções. Soluções, você vai se juntar a quem tá olhando para a solução. Então, ou eu posso olhar para reclamação, para o problema, ou eu vou juntar forças, eu vou somar forças, que é o que eu acredito desde sempre, para avançar com as soluções de problemas que são muito antigos.

Nós não estamos falando de problemas atuais, nós estamos falando de dilemas atuais, nós estamos falando de dilemas milenares. Então eu preciso de disponibilidade para reconhecer A cultura mudou. Quem é que vai comigo nessa mudança? E aí sim você vai conseguir dormir melhor, procurar terapia, se analisar diante destas emoções, porque geralmente você tá descarregando, né, sangrando em quem não tem nada a ver. E é isso que acho que mais causa confusão na cabeça de quem emprega pessoas.

Você afeta o coração, você afeta o batimento cardíaco das pessoas, sabia? Você afeta o batimento cardíaco das pessoas. Bia, todos nós estamos afetando o batimento cardíaco das pessoas. Quando eu começo a ter mais consciência de que eu, como ser humano premium, que, né, estou lutando para ser todos os dias, assim como eu já lutei para ser tantas coisas que não era para eu ser, eu agora eu acordo todos os dias para ser um ser humano premium, que se eu afetar o seu coração vai ser para despertar para o seu melhor.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Vai inspirar.

JJJoel Jota

Muito bem, é sempre muito bom falar com vocês, tá? Gostaram?

AVAndréa Vermont

Recíproco.

JJJoel Jota

Foi bom? Vocês estão mais saudáveis, hein, Julião? Você tá mais saudável? Ainda mais, Júlio. Amor, você tá mais saudável lá?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Cada nós.

JJJoel Jota

É, antes de eu fazer sempre a pergunta que finaliza, que é uma frase, é, por favor, deixem aqui as redes sociais de vocês, falem como que as pessoas encontram vocês, dos programas, dos projetos. Cada uma pode aqui expor aqui os seus contatos, por favor.

AVAndréa Vermont

@andreavermonti, Andréia sem i, Vermonti com T mudo no final. Temos o canal no YouTube, temos o podcast que a Bia é madrinha, inclusive ela estreou e é madrinha do nosso podcast, é No Divã com a Doutora Andréia. Temos o canal no YouTube, estamos aí nessa, nesse universo maravilhoso que é as redes sociais. E com muita alegria, com muito prazer, eu faço o que eu faço com muito amor, muito, muito amor. A minha obsessão é entrar na vida das pessoas e transformar.

Eu acho que é a nossa, né? E assim, Deus tem sido muito maravilhoso. Eu falei o ano passado, até falei isso com a Bia, que Deus encheu os meus celeiros, esse ano seria o ano do transbordo. E graças a Deus tem sido assim. É, as pessoas que entram na minha rede social todos os dias, elas podem ter a expectativa de ouvir uma palavra que leve conhecimento. Eu acredito muito que conhecimento liberta. Então acho que é para isso que nós estamos aqui nessa vida.

Eu continuo dizendo que nós somos heróis da resistência. Eu acho que a gente luta contra— nós somos— é insano o que a gente faz. Quando a gente para para pensar no que a gente faz, é insano, porque a gente não tem apoio, a gente não tem uma série de coisas, e a gente faz unicamente porque a gente acredita demais naquilo que a gente faz, a gente ama demais aquilo que a gente faz. A gente ama acima de tudo as vidas. Quem trabalha com ciências humanas ama as vidas.

É, ontem alguém me dizia, ah, não fica assim porque você perdeu aluno. É impossível não ficar. Para mim não existem números, existem pessoas, e cada pessoa é uma pessoa. Cada vida que se perde, para mim ela tem um impacto gigantesco, e eu não quero me acostumar com isso, jamais quero me acostumar com isso. Isso faz eu me acordar ainda mais cedo, eu estudar mais, eu falar para mais pessoas. E dizer para as pessoas que elas se deem uma chance, que existem possibilidades, existem recursos, e que todo mundo tem uma chance de mudar a própria história.

Eu mudei a minha, a Bia mudou a dela, a Isa mudou a dela. A gente tem dentro de nós, existe uma força, Joel, que é algo transcendente. Se você descobre isso, você vira uma potência. E se você vira uma potência, você começa a atingir outras pessoas. Eu não mudei só a minha vida, eu mudei a vida da minha geração inteira. E nós todos temos esse poder. A BIA mudou a minha vida. Através da minha vida, eu mudo vida de outras pessoas.

E eu acredito muito nessa corrente do bem. Eu acho que se a gente se unir e fazer isso, eu acho que isso é maravilhoso demais. Então fica aí o meu coração sempre.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

De amor andamos todos precisados, né? É, eu acredito nisso. Eu acho que o bem nunca teve tão Nunca teve tão necessário se unir, porque as pessoas sempre acham, ah, mas isso, a maldade lá. Não, o bem hoje tem que ser muito mais ativo, muito mais participativo e ter uma união muito maior. É minha rede, olha, tem tanta coisa lá. Ana Beatriz 11 é no Instagram, de lá você pode ir para o YouTube, de lá você vai para o TikTok. Porque eu tenho aquilo há muito tempo.

E Ana Beatriz, Doutora Ana Beatriz, já tinham pego, já tinham pego aqui, já tinha. E eu gosto do 11, 11 é o meu número da perfeição, para mim sempre foi. Então botei Ana Beatriz 11. Então lá tem o, vai para o podcast que é o Pod People, você botar Ana Beatriz vai dar lá. Tem o TikTok, tem o Face, tem os cursos, né, que a gente tá sempre pensando em alguma coisa. Eu tô muito agora, eu tô naquela fase de devolver a educação. Eu sou filha de pais professores e sou muito honrada por isso, muito, muito mesmo.

E aí, ser uma pessoa que acredita na educação, e a educação tá ruim, tá mal, e a gente tem que começar a sair do consultório, porque é muito fácil julgar o professor que tá lá. Então senti essa necessidade, isso é uma necessidade que eu já tinha 10 anos, de começar a dar um pouquinho do meu saber para uma sala de aula, criar uma cultura onde a gente começa a ter inteligência emocional desde cedo. Então isso era uma coisa que eu queria fazer e tá nascendo.

Tem outros projetos para o ano que vem, mas eu vou no meu tempo tocando minha vida. Eu não tenho mais pressa, eu tenho sentidos e propósitos a fazer, mas pressa não tenho mais.

ICIzabella Camargo

Se a gente tivesse um violão aqui, eu já ia pedir para o Joel.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Ando devagar porque já tive pressa. Exatamente.

AVAndréa Vermont

Exato, exato.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

A nossa WhatsApp, a gente vai vendo de acordo com as coisas, duas vezes por dia, tá?

JJJoel Jota

Tá alinhada aqui as expectativas, tá?

AVAndréa Vermont

Eu mando mensagem para Bia, eu encontro a Bia dois meses depois numa palestra, dois meses depois.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Não, mas ali eu tava doente, mas ali eu tava doente, ali eu tava doente.

ICIzabella Camargo

Exato.

JJJoel Jota

Mas eu acho maravilhoso. Suas redes sociais?

ICIzabella Camargo

Bom, é Isabela Camargo Real, Isabela com Z e dois L's, Camargo Real. Aí lá tem os caminhos para as palestras, para as formações, inclusive com certificado do MEC para gestor de NR-1. Isso é uma coisa que me orgulha demais. E aí nesse momento eu vou honrar uma pessoa que está aqui no estúdio chamada Dani Martins, porque outro dia a Dani disse assim: quando você vence, mais pessoas vencem com você. E é essa mensagem que eu gostaria de dizer.

As minhas redes sociais não são para ego, São para eco. E para a gente sair do ego e ir para o eco, eu preciso de saúde para ter elos, eu preciso de saúde para olhar para as pessoas, para me relacionar com elas, para ter convivência genuína. Então, Dani, muito obrigada. Aquela frase sintetizou o que eu venho sentindo nesses últimos anos, quando eu comecei a ter mais consciência do movimento que eu fiz ao sair da cadeira da vítima e ir para cadeira de aprendiz.

Então Quando eu estou vencendo, quando eu estou ouvindo as pessoas me dizendo, Isabela, eu pedi demissão, eu— parabéns! Gente, eu não tô querendo que ninguém saia aqui do emprego amanhã. Eu só tô querendo que você tenha mais respeito por você e não espere que o mundo resolva aquilo que você precisa resolver. Então minha rede é @isabelacamargoreal. Lá tem palestras, cursos e o Interioriza, né, que é um podcast que eu já faço já há muito tempo.

Já levei o Joel. Meu sonho é levar a Doutora Ana Beatriz, Andréa Vermont. Já está aqui o convite, não é? Ideias que já passaram do tempo da gente assimilar. Então fica aqui o convite para todos poderem interiorizar, né, inclusive esse assunto que a gente falou aqui.

JJJoel Jota

Então, muito bem, gente, sigam elas nas redes sociais. Se você ainda não segue, manda mensagem, compartilha, deixa ela sentir qual foi o impacto desse encontro, desse bate-papo. Frase para fechar, sempre pergunto direto e reto, tem que ser uma frasezinha, uma coisinha assim, ó. Se vocês pudessem mandar uma mensagem para 8 bilhões de pessoas no momento atual da vida de vocês, agora, agora vai chegar. 8 bilhões vão ler, ouvir, ver.

Vai chegar, vai chegar traduzido, vai chegar nos lugares. É uma coisa só. Que mensagem seria essa?

DADra. Ana Beatriz Barbosa

A vida gosta de quem gosta dela. Só isso.

JJJoel Jota

A vida gosta de quem gosta dela. Tá bom.

DADra. Ana Beatriz Barbosa

Andréia?

AVAndréa Vermont

Tudo que a vida requer da gente é coragem.

JJJoel Jota

Tudo que a vida requer da gente é coragem. Muito bem. E Isa?

ICIzabella Camargo

Você só vai dar conta da sua agenda se você se incluir nela.

JJJoel Jota

Muito belas frases, muito boas frases, gente. Obrigado, então, prazer estar aqui com vocês. Isso é tão importante. Adorei o papo. Plateia, obrigado por vocês terem vindo. A todos vocês do JJ Podcast, muito obrigado também pela audiência. Se você não nos segue ainda, se inscreva no canal no YouTube, no Spotify, no Instagram, no TikTok, a gente tá lá também. Obrigado pela sua audiência. JJ Podcast, um podcast relevante que traz assuntos importantes com pessoas queridas e que são especialistas no que elas fazem.

Eu procuro fazer a pergunta que você faria, meu coração sempre ensinável. Minha agenda tá aqui, ó, para anotar os insights e sempre aprender e melhorar, tá? Muito obrigado, a gente se vê no próximo JJ Podcast. Um abraço, valeu, tchau!

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