[DESCOMPLICA] PRESENTISMO PROFISSIONAL e o impacto nas NOVAS GERAÇÕES (05/05/26)
Entendendo como o excesso de telas, a ausência de referências e a falta de troca com “mestres” impactam aprendizado, criatividade e percepção de inovação no ambiente de trabalho.
Arthur
Igor Drude
- Profissões do futuroIgnorar o passado como ativo estratégico · Excesso de telas e câmaras de eco · Novas gerações e a percepção de revolução · Fundamentos básicos descobertos como novidade · Repertório baixo por falta de influência do ambiente · Curadoria de IA e redes sociais · Buy Now, Pay Later vs. Crediário · Impacto do home office e pandemia
- Influencia do AmbienteDesejo de ser diferente e quebrar paradigmas · Influência da escola, pais e mídia · Herança de conhecimento de gigantes anteriores · Osmose do conhecimento pelo ambiente · Inspiração por repertório do ambiente
- Diminuição do Quociente de Inteligência (QI)Tendência de aumento de QI por geração · Pesquisas recentes com surpresas negativas
Sempre trazendo um termo novo, minha chamada para o Igor é sempre a mesma coisa. Hoje ele vai trazer uma palavra nova, um termo novo, uma expressão nova. E a de hoje é presentismo profissional, como novas gerações têm ignorado o passado. E a pergunta que eu já deixei lá no bloco anterior, Igor, não é algo de novas gerações? O jovem não tem sempre uma vontade de deixar o passado no passado e tentar fazer algo novo e pensar só no presente? Tem uma diferença hoje em dia?
Tem, Arthur. Boa tarde a todos. Arthur, vamos pensar, a gente já foi jovem, né? Estamos aqui com as nossas tenras idades ao vivo. Mas quando a gente era jovem, a gente tinha esse ímpeto de ser o diferente, o radical e tudo mais. Quebrar os paradigmas. Só que a gente não conseguia, sabe por quê?
Porque a gente estava na escola, tinha os nossos pais em cima de nós, a gente assistia TV, assistia o He-Man, ouvia o Michael Jackson. Então, as coisas do ambiente que traziam a experiência do passado estavam nos conformando. Então, a gente aprendia muito com o ambiente. O ambiente é formado de gigantes que vieram antes de nós. Então, a gente herdava muito conhecimento do próprio ambiente, a gente absorve ele. É meio osmose do nosso processo cognitivo. Mas se a gente tem esse desejo, esse ímpeto de fazer essa disrupção,
não conseguíamos. Ou, quando ela acontecia, era muito inspirado por esse repertório que o próprio ambiente nos influenciava. E o fenômeno do presentismo, o presentismo é justamente isso, é quando a gente ignora o passado como um ativo estratégico para justamente querer tirar as coisas da manga, tirar o coelho da cartola do zero. Isso é um fenômeno que, em geral, é difícil de ser feito porque o ambiente nos influencia.
Qual que é a treta com as novas gerações? Que muita gente vai perceber ali. Vai pegar lá alguém muito jovem que foi lá perguntar algo para o chat de EPT e ele traz como fazer uma atividade X, um processo Y, algo muito comum que já estava no ambiente. Só que por ele não se permitir muitas vezes se influenciar pelo ambiente, ou seja, o excesso de telas, aquela câmara de eco que é a própria internet.
O que acontece? Muitas vezes ele traz como uma grande revolução algo que é muito óbvio e básico, que ele deixou de aprender com o próprio ambiente. Esse é o fenômeno que a gente tem percebido hoje cada vez mais ostensivamente. Os indivíduos que estão se desligando cada vez mais das heranças que o mundo real tem trago para nós.
Aprender com o que chegou antes, ler um bom livro, ter boas conversas, participar de bons encontros, para quando aprender a partir de uma tela ou com um grande oráculo, como as inteligências artificiais, achar que aquilo é altamente revolucionário e bradar isso aos quatro ventos. Então, aí pessoal, quem está lidando com jovens tem percebido isso, um fenômeno muito comum.
fundamentos básicos de matemática, fundamentos básicos do mundo, quando descobertos, por serem muito legais, já vieram antes, é apresentado como se fosse uma grande descoberta. Então, isso é o ver coisas básicas de pessoas que às vezes trazem jargões até que já se utilizava no passado.
que já eram velhos, como se fosse uma grande descoberta do indivíduo dentro do ambiente de trabalho. Então, Arthur, o presentismo tem prejudicado, não somente com essa questão cultural, de falar, pô, tá se achando aí com uma coisa que eu já sabia, com outro aspecto que é justamente o repertório baixo. Um repertório que não se alimenta do ambiente e que vive, muitas vezes, ficcionado pela curadoria que a inteligência artificial e as redes sociais têm feito para os indivíduos, que, em geral, tem sido muito pobre.
Tem um caso bem interessante. Foi ali na época da pandemia, que acho que foi na Europa, que começou um movimento chamado Buy Now, Pay Later, que é compre agora e pague depois, que foi revolucionário. Nossa, é a nova economia e tal. E a gente daqui, da selva, que eles acham que a gente mora na selva, a gente aqui da selva, tu piniquente olhava e tal, os franceses descobriram... Não, não é o consignado. O crediário.
que é compra agora e paga depois. Eles descobriram o crediário como se fosse a oitava maravilha do mundo. Então é isso. Igor, isso tem muito de impacto do home office, da pandemia, do trabalho remoto, porque você entra num ambiente de trabalho. Por exemplo, estou olhando aqui o meu xará Arthur.
Ele é um operador há pouco tempo. Aí eu tô olhando do lado dele, que eles estão trocando a cadeira agora, que é uma hora a troca de turno. O Marlon tem... Quantos anos, Marlon? Uns 20 anos, 30 anos de... 20 anos, pelo menos, de operação. Uns 20 anos de operação técnica. O Marlon, ele resolve qualquer coisa. O Marlon, ele consegue colocar qualquer programa no ar em qualquer lugar. Dá um microfone, uma mesa de som, ele coloca o programa no ar. E aí eu vejo várias vezes eles conversando, o... O...
Jedi e o Padawan. Pra puxar bem pros nerds, é o Jedi e o Padawan. É o aprendiz e o mestre ensinando. E sem essa presença, não tem a mesma. Mesmo que tente, não tem, né?
E isso gera justamente essa sensação, na falta de um mestre, quando eu descubro os fundamentos básicos sozinho, ou por meio de algum instrumento artificial, de que aquilo é revolucionário, que eu sou um grande gênio. E isso tem gerado esse fenômeno do presentismo, ou seja, cara, uma capacidade de ignorar todo esse repertório dos grandes mestres, dos gigantes que nos antecederam, para justamente descobrir tarde demais pequenos fundamentos.
E aí, Arthur, vai começar em pesquisas polêmicas, que tem a apresentar, vai ficar para um outro papo nosso. Sim, a Alice já está entrando bravo aqui. O que é o efeito Flynn? Que é, cada geração que nós temos da humanidade, a tendência é que ela seja mais inteligente que a anterior. Sim.
Aumento de QI, aumento de repertório. E nas últimas pesquisas, algumas surpresas não tão boas. Tá, então deixa para a semana que vem. Traz o efeito Flynn para terça-feira que vem. Então estamos acertados. Muito obrigado, Igor Drude. Até semana que vem. Grande abraço. Valeu, Arthur. Tchau, tchau, pessoal. Descomplica com o Igor Drude.