Episódios de 60 Minutos

GESTÃO do CRICIÚMA em FOCO com PAULO CÉSAR BITTENCOURT (04/05/26)

04 de maio de 202634min
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A gestão no futebol é tão decisiva quanto o desempenho em campo e define o futuro dos clubes. Arthur Lessa conversa com o superintendente administrativo do Criciúma Esporte Clube, Paulo César Bittencourt, sobre o cenário financeiro do clube, as estratégias de gestão, sustentabilidade e planejamento para os próximos anos.

Assuntos9
  • Empresariado e representação de atletasAvaliação de patrimônios físicos (estádio, CT, terrenos) · Contabilização de investimentos em atletas de base · Ativos intangíveis: direito de imagem de atletas profissionais · Valor de atletas de base para o clube
  • Composição da chapa de HaddadSócio torcedor como principal fonte de receita · Receita proveniente de direitos de TV · Patrocínio master e outros espaços na camisa · Renda de jogos e bares · Venda de ingressos para visitantes
  • Custos e análise econômicaRemuneração de atletas de futebol · Impacto da criação das ligas no futebol brasileiro · Injeção de recursos na Liga Forte · Custos com INSS, FGTS, PIS, COFINS e Sistema S
  • Papel do sócio-torcedorImportância do sócio-torcedor para o Criciúma · Número de sócios torcedores · Estratégia de valorização do sócio torcedor · Percentual do sócio torcedor nas receitas do clube
  • Histórico de Alexandre MagnoTempo de atuação no Criciúma · Transição de gestão no clube · Experiência anterior no Grupo A Tribuna
  • Diferença de cargosSuperintendente administrativo vs. Diretor administrativo · Remuneração de cargos no clube
  • Promoções e PatrocíniosMenor valor de patrocínio · Maior valor de patrocínio · Busca por mensuração exata do valor de exposição · Exposição de marcas em camisas antigas
  • Concessão de EstádiosLegislação municipal sobre comercialização · Venda de produtos falsificados · Apoio a vendedores informais em jogos da base
  • Negociacao de AtletasContrato de formação de atletas · Cláusulas em contratos profissionais · Percentual de atletas negociados com outros clubes · Cláusula de clube formador em transferências internacionais · Acordo de cavalheiros entre clubes
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Não, você não confundiu o horário, a gente não se perdeu aqui no Fuso Horário, mas agora vamos falar do Cristium Esporte Clube aqui na Som Maior, aqui nos 60 Minutos. Eu tenho prazer de receber aqui no estúdio o superintendente administrativo do Cristium Esporte Clube, Paulo César Bittencourt. Paulo, muito boa tarde.

Boa tarde, Arthur. Boa tarde a todos que nos ouvem aí pela Rádio Somer. Eu conversei com o Paulo e aqui sempre tem uma pré-entrevista aqui no intervalo. E aí eu perguntei para ele há quanto tempo ele está no Criciúma e há quanto tempo ele está como diretor administrativo do Criciúma. E ele fez uma correção que eu acho interessante fazer no ar também, até porque é um dos pontos administrativos que a gente vai falar, que é a relação das pessoas.

com o Cris Schumann. O Paulo César não é diretor administrativo, ele é superintendente administrativo. Qual que é a diferença dos dois cargos, Paulo?

Isso, a diferença é que todos os diretores do clube, eles são nomeados, nomeados pelos dirigentes eleitos, são eleitos um presidente, um primeiro vice-presidente, um segundo vice-presidente. Estes, após eleitos, têm o poder de nomear os diretores. Todos estes diretores e vice-presidentes e presidentes...

eles não são remunerados, eles são voluntários. Então, por isso, muita diferença de que nós, como gerentes ou superintendente, como no meu caso, nós somos remunerados pelo clube e os diretores e os vice não são remunerados. O estatuto atual, após a atualização que foi feita há cerca de dois anos atrás, já permite que os diretores e o presidente e vice-presidente sejam remunerados. Mas o clube ainda não adotou essa prática, todos eles são voluntários, se doando e muito pelo clube.

Maravilha. Então vamos à pergunta principal. Há quanto tempo no Criciúma, Paulo? Então, há seis anos no Criciúma. Foi levado ao Criciúma pelo ex-presidente Anselmo Freitas, justamente para fazer uma transição da gestão do Jaime Dalfarra, da GA, da gestão de ativos. O Jaime Dalfarra saiu ali no final de 2020. Eu entrei já nessa transição ali pelo dia 20 de dezembro. O Anselmo venceu a eleição ali no final de novembro, início de dezembro.

e me convidou para fazer parte desse time e já ia antes. Então eu já participei do grupo do Jaime Dalfarra, pelo menos uns 10 dias. Aliás, o Jaime, além desses 10 dias, ele ficou indo até o quinto dia útil. Era um compromisso da gestão dele, deixar tudo em dia, então fechou a folha de pagamento. Eu acompanhei nesse período de transição, ali no dia 20 de dezembro, já no Natal, Ano Novo.

acompanhando a equipe dele, bem de fato como acompanhante mesmo, só observando, para depois a gestão do Anselmo assumir. Naquela pandemia, o clube sem poder ter jogos com o público, sem ter uma receita efetiva, uma situação bem atípica mesmo, que todos nós vivemos, né, Arthur?

E assim, só para fazer um histórico do Paulo antes de a gente entrar no Criciúma, bastante tempo com o Anselmo também, né? Eu conheci o Paulo César em 2013, num curto período que eu e o Adelor, a gente esteve fora da Som Maior, o Adelor desde 2004, e eu tinha entrado em 2010, a gente ficou um curto período longe da Som Maior, e o Paulo César já era, tu era diretor administrativo na época do grupo A Tribuna?

Isso mesmo, eu entrei como contador, eu fui chamado para ser contador, a tribuna, depois que teve esse período de transição, Beto Colombo liderou um grupo de 25 sócios aqui da região, se transformou numa SA.

E aí, por conta disso, havia uma necessidade de ter um contador de SA, apesar que eu também não entendia muito de SA, me especializei a partir disso, em conversa com o pessoal da Secrisa, à época. E realmente, foi lá que eu te conheci, Arthur, lá na redação. Acho que eu estava estagiando, algo assim.

Exatamente. Vamos falar do Cristiúma. E antes de a gente falar de como administra o dinheiro, vamos começar falando de como entra o dinheiro. O que faz, o que compõe a receita do Cristiúma hoje de um clube de futebol? O quanto que vem da publicidade? O quanto que vem dos direitos de TV?

merchandising, ingresso, a gente estava falando aqui, ingresso hoje é vírgula, porque é muito os ingressos, digamos, que entram na sociedade, nas mensalidades, mas como é que é a composição da receita do Criciúma?

Isso, eu acompanho muito aqui o programa de debate de vocês aqui com o Enio, com o Maranhão, com o Nitinho. Aqui se fala muito sobre o grande patrimônio do Criciúma, que é a torcida. E de fato, o principal responsável financeiramente pelo clube é o sócio torcedor. Então hoje, a maior arrecadação do clube...

É com o sócio torcedor. O maior patrocinador do clube é o sócio torcedor. Algo em torno de um milhão e meio mês. Então, esse é o principal recurso. Depois vem a TV. A TV também dá um valor bem significativo. Por mais que a gente reclama muito dos horários dos jogos. Jogos às oito e meia, no domingo. Nosso próximo jogo será no domingo às dezoito e trinta. Mas a TV paga um valor significativo.

também há números públicos, posso estar falando aqui, porque isso pode ser consultado facilmente, algo em torno de 1 milhão e um pouco mais mês, 11 milhões e 800, 12 milhões, é o que vem hoje da Liga Forte, a Liga Forte Intermedia, com várias emissoras que compram pacotes, ESPN, Disney e alguns sites também que transmitem pelo YouTube.

Depois, sim, aí vem os patrocinadores. Patrocinador master, patrocinador que está à frente da camisa, os outros em espaços diferenciados. Aí, sim, esses valores têm termos de confidencialidade, não poderia estar aqui dizendo. Mas a principal receita do clube, quando a gente prepara um orçamento do clube para o ano inteiro, a gente primeiro começa a estipular quantos sócios temos, quantos vamos perder ou vamos ganhar, quanto vai ficar a mensalidade, multiplicado isso pelas 12 parcelas.

o quanto a gente tem já de contratos com a TV garantido. E aí sim, o nosso departamento de marketing comercial vai buscar com o patrocinador de camisa. E aí tem a renda dos jogos dos bares, porque a renda dos jogos, como você frisou no nosso bate-papo aqui antes de entrar no ar, a venda de ingressos é muito insignificante.

Hoje, se estivéssemos na Série A, faria toda uma diferença. Imagina todo 10% de torcedores de um Flamengo, de um Corinthians, comprando ingresso a uns R$200,00. Só falando que faz tempo que não compra um de visitante. Isso mesmo. Por incrível, eu até trouxe essa fala para ti, porque a gente tem uma menina nova, que é free, só vem para fazer vendas naquele dia do jogo específico.

E ela é realocada sempre para o setor visitante. Eles dizem, poxa, eu não tive a experiência de usar a maquininha de crédito para passar um ingresso no visitante. Os clubes de Série B, eles têm um acordo, Arthur e ouvintes, de reciprocidade de 50 ingressos cada um. Então, sempre que o Kusuma vai fora, tem 50 ingressos de cortesia, que distribui para a sua torcida que está lá, se a torcida vai visitar, vai viajar, como agora em Caxias do Sul.

A gente vai ter ônibus, então a torcida vai conseguir ir até lá. Ou é pros familiares dos atletas. Então, as torcidas visitantes que vêm aqui acabam utilizando, ainda nem utilizam os 50 ingressos, a maioria tem 10, 15 torcedores. Então, por isso, pouca venda de ingresso visitante.

Certo, e só uma curiosidade, não precisa ser número exato, mas quanto que é o espaço mais barato da camisa do Chris Silva hoje? Só para o pessoal ter uma ideia de quanto dinheiro circula, porque o menor e o maior, não precisa ser do valor atual, que eu sei que tem confidencialidade, mas assim, em média, só para a gente ter uma ideia.

Então, o menor valor hoje está algo em torno de R$35 mil, menor valor na camisa que se uma, e o maior valor algo em torno de uns R$600 mil. Mês. Mês. Mês. É uma força de marketing. É uma força de marketing que a gente ainda entende que está mal estimado. O clube, o departamento de marketing, que é capitaneado pelo diretor Jair Tamanique Barreto e a gerente Viviane Olimpio.

Já estão buscando aí mecanismo, tem uma plataforma aí do próprio BOP, que consegue mensurar de forma exata o quanto que vale pelo número de exposição, consegue fazer uma contagem minuciosa de quantas vezes apareceu em cada jornal, em rede nacional, estadual.

toda a parte da publicidade de cada item. Então a gente está adquirindo essa ferramenta que vai fazer uma mensuração bem mais exata. A gente entende que vale muito mais a exposição de que anunciar numa Globo ou de estar com a marca na camisa e que acaba tendo essa exposição nos próprios veículos.

E assim, pensando na frente, é uma marca que fica, né? Porque é só você ir no estádio, tem camisa de 2026, mas tem camisa de 2024, camisa de 2022, de vez em quando aparece uma Seara, de vez em quando aparece uma Dom Fiorello, vai aparecendo várias marcas. A Eliane mesmo, a Eliane fez um contrato vitalício absurdo naquela época dos anos 90, né?

É verdade, é bem colocado por você, é uma exposição que fica eterna, a gente tem colecionadores que pagam valores absurdos por camisas antigas, tem uma cena que mostra um gol do Zico contra o Cristiúma, que passa sempre a mesma cena, o Zico marcando gol contra o Cristiúma, e está lá a exposição da marca, do patrocinador da época, então mesmo nos reversos, a marca ainda fica lá mantida por muito tempo.

E do outro lado, como é que é a matriz de custo do Cristiúma? O quanto que é do profissional de pagar os salários dos jogadores? Porque a gente sabe que é um ticket altíssimo dos jogadores de nível de Série B, porque para a gente...

A gente está acostumado com Série A. Então, para a gente, a gente fica meio triste quando está na Série B querendo estar na Série A. Mas, assim, é o topo do topo do topo da cadeia do futebol e é o topo do topo do topíssimo da cadeia de pagamento do Brasil, né? Sim, com certeza. A remuneração hoje que é dedicada aos atletas de futebol...

sempre foi alta, sempre foi, digamos, um tempo pra cá, mas tá absurdamente valorizada, principalmente por conta de, há três anos atrás, o futebol brasileiro teve aí a criação das ligas. Então, a liga que o Cristiúma faz parte, a liga forte, foi colocado, foi injetado, à época, cerca de 4 bilhões de reais, distribuído pelos clubes, cerca de 40 clubes. Clube como o Cristiúma recebeu aí, pelo contrato...

Pela antecipação de 10% dos seus 50 anos de TV, algo em torno de 15 milhões. Então, outros clubes que estavam na Série A naquele momento, a própria Bahia na época estava na Série A, recebeu muito mais. Então, todos os clubes receberam uma bolada, acabou inflacionando, os atletas, os empresários sabendo disso, começou a haver uma disputa pelos atletas e os valores ficaram muito altos.

Esse dinheiro todo já se acabou e ficaram agora esses valores altíssimos de salários, de premiações, de luvas, de gratificação, de bonificação. O empresário tem um percentual de até 10% sobre a negociação do atleta.

É o 10% vezes o salário, a remuneração do atleta pelo período de contrato. Então, imagina o atleta ganha 100 mil reais, fez um contrato de um ano, é 1 milhão e 200. O até 10% permitido pela FIFA vai para esse empresário também.

Além de que o Criciúma é um clube legalista e registra em CLT os atletas. A lei permite que até 50% seja registrado em CLT e o outro 50% em direito de imagens, aí sim com uma nota fiscal. Mas você imagina aí 50% de uma folha desses atletas com nível aí na faixa de 100 mil reais. Realmente precisa ter uma arrecadação gigantesca para não entrar no vermelho.

Deve receber uma cesta de Natal do FGTS todo ano, né? Porque só de contribuição para o FGTS deve ser uma banana também. Então, é isso mesmo. O Cristiúma, se for contar INSS, FGTS, junto, PIS, COFINS, as contribuições do Sistema S, algo em torno de 700 a 800 mil mês.

E aí a gente entra num ponto que é o que mais me provocou a te trazer aqui, que é a beleza. Salário é salário, porque é basicamente isso, profissional é salário, e as receitas são mais tangíveis, mas o Cristina tem patrimônio. E é esse patrimônio que eu queria que tu explicasse aqui.

Como é que tu dá valor a um jogador profissional? Beleza, é quase uma bolsa de valores, né? Quanto que paga é quanto que vale o jogador. Mas a base, como é que define o valor da marca do Criciúma? Como é que define o valor da base? Entrou um guri agora de 12 anos, quanto é que vale esse guri? Como é que funciona essa contabilidade?

Isso, é bem complexo realmente, a gente tem um contador nosso, Juarez Sartor, que está há muitos anos à frente do clube, trabalhou com a gente também na tribuna, talvez você não vá lembrar, e também faz a contabilidade da Federação Catarinense, é bem complexo sim. O clube, com relação ao patrimônio, tem os patrimônios físicos, tangíveis, como o próprio Gilberto Wilson, o CT, os terrenos, foi feita uma avaliação até os últimos dois anos.

E tem avaliação dos atletas de base. Então, como que são contabilizados isso? Todo investimento em base, todo gasto em base, a contabilidade é lançada como um investimento. Ela vai se transformar numa despesa se esse atleta não vingar, não virar, como se diz aí na gíria do futebol.

A todo mês, o departamento de base passa uma relação dos atletas que foram dispensados. À medida que eles são dispensados, é feita uma avaliação de quanto custou esse atleta naquele período em que ele esteve alojado, ou que não esteve alojado, mas almoçou, jantou. E aí, esse valor, aí sim, se tornou uma despesa.

enquanto ele está no clube com seu vínculo de atleta de base de formação que a gente coloca a partir dos 14, 15 anos ele passa a ser um ativo e o valor dele para a contabilidade é o valor que o clube investiu de um gasto que a gente chama como investimento

Já os atletas profissionais, estes não. Aquilo que eles têm de valor não é lançado no balanço do clube. O que é lançado é o direito de imagem. O direito de imagem deles é um ativo do clube, que vai sendo reduzido à medida em que o tempo de contrato vai passando.

O atleta é contratado por um salário de 100 mil reais, o clube paga 50 mil em CLT, 50 mil em direito de imagem. Esse 50 mil de imagem vezes 12 meses, ou seja, 600 mil, é um ativo do clube. Então esse é um ativo que vem como um bem intangível, que é o direito de explorar essa imagem do atleta. A CLT está ali, está resguardado pelos contratos da legislação trabalhista.

E esse contrato vai zerando a cada mês a partir do momento em que vai se apropriando o tempo de contrato. Mas os atletas da base é dessa forma sim. Então o clube lança toda a despesa que é para a base, é o investimento e é o patrimônio do clube com relação a tudo que investiu. Até porque quando um clube...

um Palmeiras, um Flamengo, vem buscar um garoto da base e se ele não tem um contrato profissional, o quanto que ele vale é duas mil vezes quanto o clube gastou com ele no período que ele esteve alojado ou que ele esteve com vinco.

Esse é um cálculo básico. É uma referência. Quando não há uma proposta formal, o clube chegou e pegou o nosso jogador, se vai ser feito um cálculo, é X mil vezes o valor que ele ficou, que o clube fez a formação dele.

Sim, ó, tem aqui a... Aí, me desculpa, mas eu não sei se é homem ou mulher. Eu entendo que é mulher. Liete. Ouvindo o Paulo falar, fica claro como o sócio-torcedor virou a base de tudo. A gente, às vezes, acha que não faz diferença, mas no fim é o torcedor que sustenta o clube no dia a dia. E a Carolina já colocou aqui. Fiquei curioso...

Curiosa, imagino, com essa divisão de receitas. Sempre achei que patrocínio fosse o principal, mas pelo visto o torcedor e a TV são muito mais decisivos. Tu falou disso, mas tem um percentual de quantos se tu juntasse esses dois? Então, é até importante repassar ali para Eliette e Caroline, né? Isso. Que essa é uma realidade do Criciúma, que é um case de sucesso com relação ao número de sócios torcedores. Sim. Certamente não é... São quantos hoje?

Hoje são em torno de 15 mil sócios torcedores. Isso não é uma realidade da maioria dos clubes, não. De fato, os outros clubes não têm um número de torcedor tão grande que representa quase que toda a capacidade do seu estádio, como é do Criciúma. Alguns nem fazem muita questão, até porque preferem vender um ingresso, um custo maior, do que ter o sócio pagando um valor fixo, e o Criciúma adotou isso.

desde que quando teve essa situação do Anselmo Freitas, depois o Marguedes e todos os demais presidentes que o sucederam, de valorizar o sócio torcedor. Então, em termos percentuais, vamos colocar em números, o torcedor está representando o sócio torcedor em torno de, sozinho, 50% das receitas do clube. Depois vem receita de TV, receita de patrocinador.

E aí as diversas outras receitas de placas de publicidade, quando o clube avança na Copa do Brasil, ele tem um valor significativo, esse ano não teve, mas tem um valor bem significativo, né? Mais de um milhão de reais por cada partida, por cada fase que ele avança. Também tem as placas que são distribuídas, os camarotes que são locados, o clube acaba também fazendo receita.

com aluguel de espaços no próprio pátio. Então tem essas fontes de receita bem menores, que não se comparam ao sócio-torcedor, por isso a gente precisa desgastar, desculpa, não desgastar, destinar uma atenção muito especial a esses sócios-torcedores.

Deixa eu tirar uma outra dúvida aqui. Metade das perguntas aqui é curiosidade minha, tá, gente? Eu imagino que vocês tenham a mesma curiosidade que eu. O pessoal que vem no entorno do estádio, tem alguma parceria com o Criciúma? Eles pagam pra estar ali ou não? Estou falando fora do estacionamento. Isso. Não, não. Eles não pagam pra estar ali. Ali é um... Quem legisla sobre a comercialização no entorno, fora do pátio de Roberto Wilson, é a Prefeitura Municipal do Criciúma.

Por vezes algumas pessoas vêm nos questionar, perguntando, eu posso estar vendendo ali fora? Pode estar vendendo à vontade. A questão da fiscalização não é do clube. O clube também não faz nenhum empecilho com relação a isso. O clube questiona por vezes quando estão vendendo produtos falsificados. E aí sim o clube acaba perdendo receita. Mas o pessoal que está ali ganhando o seu dinheirinho, vendendo...

É que normalmente é comida, né? Normalmente é comida e isso faz muito bem. Em situações até, tem situações de jogos da base, né, Roberto Luiz, que por vezes os bairros não são abertos. E a gente quer muito que eles estejam ali vendendo para o pessoal poder ter como se alimentar depois no final do jogo.

Eu acabei derivando, eu quero voltar porque tem outra pergunta sobre a questão da base. Muito legal ter uma conta, mesmo que não seja a conta final, ter essa conta de valuation do jogador. E quanto que é de cada um? Porque isso é uma dúvida que eu sei que muita gente tem. Eu tenho, por exemplo, meu filho está na base.

O quanto que é nosso, dele, meu, da família, o quanto que é do jogador, o quanto que é do empresário e o quanto que é do clube desse valor, digamos que ele vale a um milhão, de quem que tem cada pedaço?

Então, até que chegue aos 14, 15 anos, não poderia haver um contrato ainda com esse jovem. Normalmente, se tem alguma criança de 8, 9 anos, 10 anos, que tem um destaque muito grande, provavelmente, se algum clube tem algum vínculo...

será com os pais e não com esses atletas. A partir dos 14 para 15 anos, aí sim, acho que agora já está em 12 anos, passa a ter o contrato de formação. Aí aquele cálculo que eu te passei, duas mil vezes o valor de que está sendo aplicado àquele atleta desde quando ele assinou um contrato de formação, os pais dele, obviamente, e aí já é permitido 12, 14 anos.

Esse é o valor multiplicado pelo tempo que ele está. Para que haja um valor fixado, é preciso que tenha um contrato profissional. E a partir do contrato profissional de 17 anos, de 18 anos, aí sim tem um valor estipulado. Aí pode ter cláusulas que digam que 50% é do empresário ou do pai, ou de quem representa o atleta.

ou do clube A ou do clube B, a gente tem muitas situações assim, inclusive com clubes como o Internacional, por exemplo, atletas que saíram daqui, foram para lá, tem um percentual que é do Criciúma, tem um percentual que é do Inter, tem um percentual que é do atleta. O próprio Claudinho, por exemplo, que foi negociado recente, foi a negociação mais recente, pelo menos de um atleta nosso, tem um percentual que é dele, tem um percentual que é do clube, tem um percentual que é do empresário.

E sobre a questão de clube formador, que é uma receita também, só que é uma receita que não dá muito para prever, porque depende da movimentação. Primeiro sobre a regra, são só transferências internacionais, o jogador tem que mudar de país, então se ele está na Itália do Milan e vai para Lásio, por exemplo, não pega, mas se ele sair do Milan e for para...

para o Alavés da Espanha, para dizer que não é nem um clube grande, é só trocar de país. Aí vem, né? Como é que vocês acompanham isso?

Então, o clube tem um escritório de advogados no Rio de Janeiro, o advogado é o cestário, é o titular, que acompanha junto à FIFA toda a movimentação dos atletas que estão vinculados ao clube. Então, por vezes a gente acaba sabendo, vem pela própria notícia, o Nino está voltando.

Ou está sendo negociado. E aí o clube, a gente já aciona ele ou por si só ele é comissionado, então também tem interesse em acompanhar e ver como é que está. Demora um pouco para esses valores acontecerem, se materializarem em recurso na conta. Até porque a FIFA acaba ficando um tempo com esse valor. Ela faz a gestão primeiro, depois distribui para os clubes.

Mas é importante, isso realmente é um ativo, é um investimento que se ganha no tempo, literalmente. O Clube de Estima tem vários atletas que por vezes aqui não vingaram, ele empresta ou libera, mas libera para um clube com um percentual. Então a gente tem 10%, 20% de muitos atletas, um número absurdo mesmo, de que se virarem.

a gente vai ter esse nosso percentual, sim. Assim como, vez em quando, a gente recebe alguns valores com relação a esses atletas. Então, vale a pena. Primeiro porque tu aposta entendendo que ele vai virar um atleta profissional para o teu elenco.

Mas se não virar para o teu elenco e naquele momento ele não for competitivo e precisar ser negociado, vendido ou dispensado, mesmo dispensado que vá para outro clube, o Cristiúma foi o clube formador até aquele período, o clube precisa sim fazer um pagamento, uma compensação por conta dessa negociação. Mesmo quando é dentro do Brasil, Arthur, nesse caso, quando o atleta teve a formação aqui,

A gente teve um caso recente, o caso do Lira, que foi para o Palmeiras. O Palmeiras, o Lira tinha sido dispensado do Havaí, mas o Havaí, mais que tinha dispensado, tinha sido o formador dele. Então, quando dá negociação, tem um percentual que o clube, quando o Kicilma recebe do Palmeiras, repassava para o Havaí.

Sim, mas isso é o ponto de ter uma parte do jogador. Mas tem a cláusula também de clube formador, acho que é 5%. Então, esse clube formador recebe nessas negociações internacionais, mas também quando o atleta não foi profissionalizado naquele clube que o dispensou, mas existe...

Eu vou dizer para ti que seria um acordo de cavalheiros entre os clubes. Ah, entendi. Olha, esse rapaz ficou aqui a base inteira, não deu certo aqui, saiu, mas foi aqui que ele ficou. Então, entre os clubes tem esse acordo de cavalheiros de que se ele virar no outro, eu te repasso a parte dele. Senão, o clube acaba entrando na justiça e comprova isso que eu te falei. Olha, ele ficou aqui desse período a este, comendo, bebendo, não sei, treinamento. Eu me entendo no direito de ter uma parte dele.

Deixa eu voltar na subjetividade do negócio, porque agora que eu vi a hora, a gente já está estourando o tempo. Mas eu acho que é uma dúvida que muita gente tem, que é o seguinte. Tem a parte financeira, a parte empresarial, digamos assim, e tem o futebol.

O Flamengo hoje é uma potência, mas o que o Flamengo teve que fazer antes, que o centroavante, o principal homem golzer era o Obina, era uma época que eu não lembro quem que era, não lembro se era o Bandeira na época, que ele chegou e ele assim, vamos arrumar as contas. O flamenguista, não espere nada, se ficar na Série A a gente bate palma e está tudo certo. Só que é um negócio que tem um impacto absurdo. Como é que vocês administram isso lá dentro? A questão de...

digamos, soltar mais para impulsionar o futebol e dar uma segurada mais para manter a sustentabilidade da empresa? Então, a gente costuma, eu pelo menos, costuma dizer, né, Arthur, que o futebol, um clube de futebol, é uma entidade privada, mas de alma pública. Sim. Porque você não pode fazer tudo o que quer, não adianta chegar a um super gestor.

E economizar em tudo. Porque a torcida cobra títulos, cobra atletas, cobra resultado. Então o equilíbrio disto é algo que, olha, eu não me habilito a ser um diretor ou presidente de um clube. Porque talvez eu não teria a capacidade de poder dosar tudo isso. Eu sou muito mais prático, sou da área financeira. Mas tem toda essa subjetividade.

que é a paixão que envolve, e como a gente já falou, o torcedor que é o principal produto nessa questão, que opina e tem muito valor a sua opinião. Então a diretoria precisa dosar, saber que precisa fazer investimentos pontuais, precisa sim.

tentar tirar aquele investimento, aquele atleta que é necessário, aquele equipamento que vai fazer com que o atleta fique melhor condicionado, que de fato é o que precisa e a gente vai ter um ganho, então precisa dosar muito isso. O clube errou muito lá atrás, a gente sabe disso com contratações.

que acabaram não dando resultado. A gente apostou no acesso já de imediato no ano passado, por isso teve um grande número de contratações. Este ano não, a atual direção está sendo bem calculista com relação às contratações e com relação aos investimentos. Uma diretoria realmente muito focada e muito responsável. Está sendo contratado, Arthur, que tem muito a ver aqui com o teu programa, uma empresa que vai fazer uma assessoria.

do zero e fazendo todo um planejamento, inclusive da valorização dos atletas, de quando o atleta vai ser colocado à venda, de todas as funções de hierarca, um organograma do clube. Essa empresa começa já a partir dessa semana.

E o Cristina vai se colocar num patamar acima, assim como o Flamengo, essa empresa já assessorou o Flamengo, já assessorou o Palmeiras, assim como esses deram uma virada lá atrás. Com muita responsabilidade a gente vai viver pelos próximos dias aí, se Deus quiser, um avanço com relação a como lidar com isso. Com os custos, com o orçamento e com aquilo que o sócio quer. Títulos, jogadores, clube competitivo.

Para fechar, eu não poderia deixar de fazer essa pergunta, até porque várias vezes eu pergunto para grandes empresários que eu vejo que existe a possibilidade, se farão IPO. Já fiz para a Librelato, que chegou a ensaiar, já fiz essa pergunta para o James Almeida Jr. do Nações Shopping também. E a gente está numa onda de vários clubes virando SAFs.

esse assunto é tratado de que maneira dentro do Criciúma? Porque tu não vai me dizer que ninguém ofereceu, porque eu já sei de gente que tentou conversar com o Guedes, na época que era o Guedes presidente, para oferecer essa mudança. Como é que isso é tratado dentro do Criciúma?

Então, a gente entende que o clube virar uma SAF, ele vai valer muito mais se ele estiver organizado. Senão fica muito fácil para quem coloca qualquer valor, porque o clube está desorganizado e não consegue ser...

se auto-mensurar. Então, de fato, se conversa bastante sobre isso. Essa é uma conversa muito mais a nível de conselho deliberativo do que a executiva. É importante a gente deixar claro que o Cristiúma tem esses dois poderes. Os executivos, e eu faço parte da linha da executiva.

E do Conselho Deliberativo, que é quem aprova, altera o estatuto. Então, essa conversa é muito mais na esfera do estatuto, de uma alteração no estatuto que permita que uma pessoa ou uma empresa faça um investimento e, por conta disso, possa fazer a gestão do clube.

isso tende a ficar muito mais forte, e vocês aqui comentaram muito mais, porque a partir do próximo ano, os impostos, para quem é uma entidade associativa, ele vai ficar muito mais alto em comparação a quem é uma entidade empresarial, eu digo no futebol. Então, se tornar uma SAF, vai ser...

Uma estratégia tributária. Uma estratégia tributária. Vai ser economicamente mais viável. Aí já não vai ser uma questão de eu quero ou não. Vai ser quase uma questão de autossustentação mesmo. Porque já é estudos, a não ser, que é o que muitos clubes estão aguardando, que os legisladores mudem isso ou alguma brecha apareça.

Do jeito que está hoje posto, nós como uma associação, que se chama uma associação, vai pagar mais imposto do que um Vasco, que é uma SAF, ou uma Chapecoense, enfim, que é uma SAF, Figueirense.

porque a legislação está colocada dessa forma. Então, se conversa muito, mas nós, nesse caso, é mais questão de bastidores, não há nada formal, porque tudo que chega até nós, e chega sim, como você disse, a gente encaminha para o Conselho Deliberativo. Este é o que tem o poder de mudar, porque o Estatuto precisaria ser modernizado para poder receber essa SAF.

e aí colocar as amarras para que o clube fique só com a parte de sócios ou não, enfim aí conforme o modelo de cada SAF Maravilha, Paulo César, muito obrigado pela participação aqui no programa

Arthur, obrigado pela oportunidade. É uma fala diferente. A gente fala mais sobre dia a dia dos jogos, mas falar um pouquinho sobre a economia. O Cristina, de fato, movimenta muito a economia aqui da cidade, da região, por tudo que ele representa. Então, foi um prazer participar do teu programa.

Conversei com o Paulo César Bittencourt, superintendente administrativo do Crispim Esporte Clube. Como eu falei no começo do programa, falei de manhã também, falei algumas vezes aqui. O objetivo aqui foi entender a dinâmica, não entrar em pontos muito específicos. Então eu recebi perguntas aqui sobre o que deu o desequilíbrio financeiro do último balanço. Isso aí o Enio está acompanhando muito bem.

e ele está acompanhando inclusive cotidianamente está fazendo as perguntas, está apertando o Paulo César quando tem que apertar, está apertando quem tem que apertar, aqui a nossa ideia foi pegar um outro foco, por isso que eu não trouxe essa questão e é isso se você tiver mais alguma sugestão de algum outro tipo de negócio que você quer

entender melhor, manda pra gente pelo WhatsApp e eu fecho o programa de hoje, desculpa Alice, desculpa Diego, acho que o Diego vai me desculpar de certeza, porque tá falando do Criciúma, se ele tivesse aqui agora, ele deve estar lá na recepção se tivesse aqui agora, ele ia dizer, vai, vai pode seguir, mas é isso depois do intervalo você fica com o programa do avesso, volto amanhã com mais uma edição do programa, até mais