Diferenças entre o uso de IA e ser uma empresa AI First - Data Hackers Podcast #123
O que realmente significa ser uma empresa AI First? Ter centenas de agentes rodando, automatizar processos ou repensar completamente a forma de resolver problemas?
No novo episódio do podcast Data Hackers, Gabriel Lages e Paulo Vasconcellos mergulham em um dilema que muitas organizações vivem neste momento: entender a diferença entre adotar IA apenas para acompanhar a tendência e usar IA de forma estratégica para gerar valor real ao negócio.
Porque não basta acumular ferramentas, copilotos ou milhares de agentes se eles não resolvem problemas de verdade.
Falamos sobre por que os modelos de operação do passado já não servem mais para o futuro, como empresas estão redesenhando produtos e processos com inteligência artificial e por que ainda estamos nos primeiros passos dessa transformação.
Um episódio sobre maturidade, impacto real e os desafios de construir empresas verdadeiramente preparadas para a era da IA.
Paulo Vasconcellos
Gabriel Lages
- Empresa AI First vs. Usuária de IADiferença entre adotar IA e usar IA estrategicamente · Métricas de vaidade em agentes de IA · Transformação cultural para a era da IA · Paralelo com a digitalização das empresas · Hype cycle e adoção de IA pelas lideranças
- IA impactando diferentes indústriasDificuldade de sobrevivência em mercados de alta disrupção por IA · Setores menos dependentes de IA · Perda de clientes e oportunidades de crescimento · Comparativo com a digitalização de empresas · Risco de substituição e diminuição de valor de marca em tecnologia
- Desafios e Oportunidades da IACusto e risco de começar errado na adoção de IA · Estratégia de longo prazo vs. pedido do CEO · Alfabetização e habilitação de sistemas em IA · Engajamento da liderança na transformação de IA · Resistência cultural à adoção de IA
- Inteligência ArtificialIncentivos para adoção de IA e reconhecimento de resultados · Habilitação de ferramentas e prática para uso de IA · Gamificação e criação de comunidade em torno de IA · Aplicação de IA em produtos e processos · Inovação incremental e validação de hipóteses
- Regulação de IARiscos de custo, vazamento de dados e ações ilegais de agentes de IA · Gerenciamento de riscos através de comitês e grupos de trabalho · Cultura de governança como fator chave · Comparativo com a governança na era da internet
O seu gerente está usando o chat GPT pessoal dele para tomar decisões e não faz de você uma empresa AI First. Saiba disso. Eu também. Agentes de AI começou a se tornar uma métrica de vaidade. É como se fosse o número de funcionários que você atende a empresa. Eu tenho 1.500 funcionários e 1.500 agentes.
Você pode ter 1.500 agentes que são inúteis. São inúteis. Não é a forma como você resolver os problemas antes do mundo da AI. Não é a mesma forma que a gente vai resolver os problemas no futuro. Então, todo mundo está tendo que passar por essa transformação. Por isso que eu acredito que está muito nos primeiros passos aí. Sejam bem-vindos ao podcast do Data Hackers, o maior ecossistema de dados e inteligência artificial do Brasil.
Fala DataHackers, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast direto desse estúdio maravilhoso aqui. Você pediu para a gente, faz ali episódio presencial, faz episódio ali ao vivo, está aqui atendendo o seu pedido, para a gente falar novamente aqui sobre um papo muito bacana, falar sobre inteligência artificial, não tem como falar em 2016, essa área aqui vai ser muito forte. Estou aqui com o meu querido amigo Lages, mais uma vez para a gente trocar ideia sobre esse assunto. É isso aí.
Muito bom. E agora deixa eu te fazer uma pergunta aqui. A sua empresa, ela é só uma usária de IA? Só usa IA ali? Ou ela é IA first? Você sabe a diferença disso? Você sabe como identificar em que estágio da adoção de IA a sua empresa está? Então essa é a ideia do papo hoje, né? A gente vai falar um pouquinho sobre isso. É isso aí, Paulo.
Vai ser muito bacana aqui, né? O Laje, vocês já acompanham a gente há vários anos aqui, você sabe que o Laje é um grande executivo de empresas gigantes de tecnologia aqui no Brasil, no mundo. Então, eu tenho essa visão de uma pessoa que está ali tão na frente, de iniciativa de AI, vai ser muito, muito bacana. E eu aqui vou pontuar também com umas asneiras, com umas groselhas que eu falo também, para dar uma equilibrada no episódio, né? Que não pode faltar, né?
É isso. Bom, Paulo, e assim, nos últimos anos a gente vem vivendo um hype muito forte em torno de AI, né? Muita empresa correndo atrás de tecnologias de AI, de dar treinamento de AI, de colocar AI dentro das soluções, mas a verdade é que, passado dois, três anos ali, a gente ainda vê poucas empresas que a gente pode chamar de AI first, né? Que conseguiram gerar impacto real, mensurável com AI, né?
Exato. Acho que isso aí você trouxe um ponto inicial muito bom, que é assim, o que é a diferença, cara? O que é uma pessoa ali que está ouvindo a gente, o que é uma empresa que é só uma usuária de AI e é uma empresa AI First? Como é que você diferencia esses dois players? Eu acho que não é uma resposta fácil, porque não tem uma receita de bolo. É isso que faz essa empresa ser AI First.
Mas eu vou tentar contar uma história aqui pra galera que tá aí de casa entender melhor. Pensa o seguinte, novembro de 2022, lançamento do chat de PT, aquela hype absurda. Todo mundo falando que os empregos iam acabar, que as empresas que não usam AI iam morrer. E o primeiro efeito disso, isso bate muito forte nos grupos de investidores, no board das empresas, nas lideranças das empresas, nos CEOs das empresas, né?
E veio o movimento de, cara, se eu não tiver AI na minha empresa, eu vou morrer. O CEO simplesmente foi descendo top downs, os CEOs do mundo foram dando top downs de, temos que ter AI. Então, eu quero um plano pra ter AI na empresa e tudo mais.
E isso fez com que muita gente descesse AI para as empresas de qualquer jeito. De qualquer jeito. Então, a gente vê assim, por exemplo, muita empresa entendeu que era só comprar uma ferramenta de AI e você viraria AI first. Aí eu vou pôr o copiloto da Microsoft, que é o copilot da Microsoft, para todo mundo da minha empresa. E aí no Excel, pronto, é isso. Agora eu tenho a IA dentro da fórmula do Excel. Agora eu vou pôr chat GPT, vou comprar uma licença de chat GPT para cada funcionário da minha empresa. É, sim.
Só que passado um ano, dois anos, chegando ao terceiro ano ali, ué, mas cadê o resultado disso? Cadê a produtividade que o mercado me prometia, que a imprensa me prometia e tudo mais? E aí as empresas foram começando a entender que o buraco é mais embaixo. Você é ser uma empresa AI first, você conseguir medir resultados factíveis do uso de inteligência artificial.
É mais complexo do que se imaginava. Não basta só com uma ferramenta. Não é só pro lugar, né? Não é só pro lugar. Fazendo um paralelo com a digitalização das empresas, né? Se eu der acesso à internet pra todo mundo, eu tornei minha empresa digital? Perfeito. Não, você tem que mexer. Ferramenta é só um pedacinho pequeno de uma transformação na empresa.
Uma transformação mexe em processos e mexe principalmente em pessoas. Então existem formas de você usar AI para tirar o maior proveito dela, para dar mais resultado, ou simplesmente usar AI como uma muleta ali no dia a dia. Sim, total. Todas essas coisas reunidas vão separando mesmo a empresa que vai surfar essa onda da AI, que está conseguindo surfar e que vai surfar, porque essa onda ainda vai durar por muito tempo, digamos assim. Sim, sim.
versus a empresa que vai ser só empurrada para a praia ali com o uso de AI, sabe? Total. E você exemplificou basicamente como algumas empresas reagem a qualquer hype, né? A gente está na área de dados há muito tempo, você tem mais de 15 anos aí trabalhando com dados e tecnologia, e a gente viu isso em outros momentos, né? O Big Data, o próprio Data Science. Eu lembro que na empresa que eu trabalhava um tempo atrás, quando surgiu o termo do Big Data, sei lá, uma executiva de marketing chegou e falou assim...
Nossa, a gente precisa do tal do Big Data aqui dentro de... Que é o futuro, sem agora o Big Data. Então assim, sempre vai ter muito esse viés ali sem evolução, né? É, se a gente for... Legal esse parálogo que você fez. Se a gente for voltar na história, teve vários pontos que a hype foi guiada dessa forma, né? Sim. Poxa, eu comprei ferramenta... Comprei Power BI pra minha empresa. Por que as pessoas não tomam decisões baseadas em dados ainda?
Sim. Você voltou num ponto importante, né? Que é cultural, né? A questão de pessoa, processo e tudo mais. Total.
Olá, a gente fala muito também na própria Data Hacks, né, sobre a questão do hype cycle, né, do Gartner, né, que você tem ali aqueles momentos de um hype, de adoção do mercado, da validação da tecnologia. No seu, da sua perspectiva, assim, que você conversa com muitas empresas também, com muitos líderes, como que você diria que está a adoção das lideranças das empresas A e A? Está alguma coisa ainda, assim, muito early adopter, só quem, assim, está ali na vanguarda mesmo está utilizando, ou você já está vendo, assim, isso...
chegando ao mainstream, chegando a empresas que talvez não eram tão tecnológicas, mas que estão vendo o IA de uma forma interessante. Cara, eu acho que ainda está bem com early adopters, na minha visão. É porque a gente tem que separar o seguinte, o uso da AI para uso pessoal, a pessoa fazer uma pergunta no chat de APT igual ela perguntava para o Google, por exemplo, isso não é o que vai fazer a empresa conseguir surfar em toda essa revolução de AI.
então o gestor está usando o chat de EPT para fazer perguntas não quer dizer que ele está usando AI no dia a dia, que ele está incentivando o uso de AI que ele está conseguindo entender as maiores oportunidades do uso de AI de incluir AI nos processos incluir AI no dia a dia da empresa de fato
Então, pensando nisso, eu acho que as empresas ainda estão dando os primeiros passos em direção à AI. E quando eu falo isso, galera, mesmo empresas tech-natives, empresas nativas digitais, elas estão precisando fazer uma nova transformação para entrar no mundo da AI. Não é a forma como você resolver os problemas antes do mundo da AI, não é a mesma forma que a gente vai resolver os problemas no futuro.
então todo mundo está tendo que passar por essa transformação por isso que eu acredito que está muito nos primeiros passos ainda perfeito, perfeito, cara e a gente tem cenário de empresas que tem desde 100 funcionários até 1.500 funcionários, 1.000 e 2.000 funcionários como é que você começa a influenciar essa galera, cara? porque é uma pergunta que deve chegar muito também a gente quer começar a ter essa cultura aqui a gente quer começar a aplicar e ar aqui dentro da empresa
E aí, como é que começa isso? Boa. O início, ele geralmente é muito desafiador. Porque se você começar errado, se você começar na direção errada, você pode gastar muito tempo, muito esforço e muito dinheiro. Então, começar perdido, começar numa direção errada, é um risco grande também para a adoção de AI. Porque tudo isso de AI custa muita grana. Ferramentas, poxa, a licença de JAPT não é tão cara.
Mas quando você vai usando isso em larga escala, quando você vai incluindo AI no seu sistema, no seu processo e tudo mais, então se você está rodando um prompt para cada novo usuário que entra no seu sistema, isso aí vai multiplicando exponencialmente o custo de um sistema.
Então, é um grande desafio dar esse primeiro passo. Mas uma forma importante de você pensar nesse primeiro passo é sempre pensar assim, qual é a sua estratégia? O que você quer no longo prazo para dar esse primeiro passo?
Você quer realmente transformar sua empresa numa empresa AI first, surfar essa onda e tudo mais? Ou você quer simplesmente atender um pedido do CEO? Sim. Então, a forma de lidar com essas coisas vai ser muito diferente, porque toda transformação digital, toda transformação de inteligência artificial ali, ela é um processo construtivo. Você vai precisar alfabetizar as pessoas em AI, você vai precisar habilitar sistemas que elas não têm acesso hoje, você vai precisar cuidar da governança de tudo isso.
Então, é um processo que envolve um grande esforço. Senão, não teria uma grande recompensa do outro lado também. Se fosse fácil, só apertar um botão, todo mundo faria. Exatamente. Então, por outro lado, tem grandes oportunidades, porque nem todas as empresas vão conseguir. Assim como, poxa, nós estamos em 2026, tem um monte de empresa que não conseguiu ser uma empresa digital ainda. Sim. E eu acho que com a AI não vai ser diferente.
Perfeito, cara. Bom exemplo. E aí a gente está falando de diferentes níveis dentro das empresas, porque a empresa tem líderes, tem o pessoal que está na operação, tem os times que estão organizados ali. Cara, como é que você começa a influenciar essa cultura nos líderes? A pensar AI First nos projetos, nos produtos que eles estão criando.
Eu acredito que a liderança é fundamental em qualquer processo de transformação. E com a AI não é diferente. Por quê? Imagina o seguinte, eu tenho um time, querendo ou não, o time acaba sendo o espelho da liderança. Então se a liderança é uma liderança agressiva e tudo mais, o time tende a ser um time agressivo, um time mais incisivo ali. Por quê? Porque ele está vendo aquele exemplo ali na carreira, no dia a dia. Ele está vendo que as pessoas que estão sendo promovidas são pessoas que estão com essas características e tudo mais.
E com AI também eu vejo dessa forma. Se o líder não é totalmente adepto da AI, não acredita, não vê valor em AI e não entende que AI vai fazer a transformação, o time dele também não vai ver valor. O time dele vai tentar esquivar. Por quê? Porque a pessoa vai tentar levar uma ideia, vai tentar levar uma transformação de AI, tentar sugerir a inclusão de AI num processo. E lembrando que toda transformação é dolorosa no início. Você tem que preparar as pessoas, você tem que fazer as coisas de forma diferente do que todo mundo está acostumado. Sair dando conforto ali, né?
Você tem que refatorar muita coisa, refazer sistemas, refazer processos, redesenhar processos, redesenhar sistemas. E isso tem um custo. Você perde velocidade num primeiro momento para depois ganhar velocidade. Então, se o líder não é um cara comprado com essa ideia, o time também não vai ser comprado e a empresa também não vai ser comprada. Então, o primeiro passo é muito de engajar as lideranças e estar todo mundo entendendo aonde que a empresa pode chegar com essa transformação de AI. Ótimo, perfeito.
E aí isso se torna, para cada time, cada contexto, passando isso para os outros níveis, são específicos, né? Para o profissional mesmo, para a operação, o desenvolvedor, a pessoa que está consistente ali e tudo mais, né? Eu lembro, cara, que quando eu entrei na Hotmart, eu fui conversar com uma pessoa... E aí
eu fui num grande jornal daqui de BH ainda existem jornais, tá galinha? ainda existe? ainda existe até jornal impresso, engraçado tem banca de jornal ainda a banca de jornal hoje em dia só vende coisa da Shopee
Mas eu fui conversar com... Eu fui numa imprensa aqui, numa grande imprensa aqui de BH, pra fazer alguma parceria e tudo mais, lá pra Hotmart no começo. E foi muito engraçado, porque eu conversei com um grande jornalista das antigas ali, e ele falava, cara, eles só tão pondo energia na internet. Só tão olhando pra internet.
não estão dando valor para os grandes jornalistas antigos, é isso que mantém a imprensa, é isso que faz sentido e tudo mais. E eu lembro que na época eu falei, nossa, cara, é muito difícil você convencer essa pessoa de toda essa transformação de tudo que vai mudar. É verdade. E com a inteligência artificial eu vejo da mesma forma. Imagina que você está lá com uma pessoa que pensa com uma cabeça muito antiga, que não acredita e não vê valor. Ela vai jogar contra mesmo. É, exatamente.
Então... Voltando à questão cultural, né, Lácio, que você falou, né? É uma transformação cultural mesmo. Sim, total. Às vezes a gente menospreza isso, né? Pensa muito no ferramental, né? Pensa muito em comprar licença de chat de PT, comprar licença de cloud e tudo mais, colocar ferramenta, plugar um Power BI aqui e tudo vai se resolver. Mas é cultura, cara. É muito mais antigo o problema do que a gente pensa, né? Muito bom.
E aí, Laje, você tem essa resistência que eventualmente acontece no time, né? Sempre vai ter um líder ou uma pessoa ali da operação que não vai gostar, não vai querer comprar e tudo mais. Pessoas que vão ter diferentes vieses, assim. E como é que é a sua visão dessa adoção de IA? Ela tem que ser obrigatória? Ela tem que ser algo top-down? O CEO da empresa tem que falar assim, a partir de agora todo mundo vai ter que usar IA e vai usar IA?
Ou é uma coisa opcional, assim, que vai de cada pessoa ali, de cada contexto? Como é que é a sua visão? Boa.
Eu nunca gostei muito de trabalhar com imposição. Porque se a pessoa não acreditar, se a pessoa não vê valor naquilo, ela pode até fazer por um tempo, ela pode usar a ferramenta lá porque você mandou ela usar, ela pode fazer aquilo porque você obrigou ela.
Mas, no fim, ela tende a voltar para a forma que ela trabalhava antes. Na primeira oportunidade, no primeiro espaço que tiver, ela vai voltar para a forma que trabalhava antes. Então, eu acredito que essa transformação, ela não tem que ser top-down no sentido de todo mundo agora vai ser demitido quem não usar AI. Mas a mentalidade de transformação de AI tem que ser top-down.
Porque se o borde da empresa não acreditar, se a alta liderança não acreditar e não ver valor, a pessoa que estiver lutando por aquilo ali na operação, na base, não vai ter fôlego para conseguir promover essa transformação. Então eu acredito que a mentalidade precisa ser top-down.
E aí você tem que criar os incentivos para que as pessoas convivam com essa transformação e sejam agentes dessa transformação. Ótimo. Então, quais são esses incentivos? Você tem que mostrar constantemente o tanto que essa pessoa vai ser mais produtiva com o uso de AI. O tanto que a AI vai ajudar ela a alcançar melhor os resultados dela.
E ela alcançando mais resultados, ela vai ser reconhecida e recompensada por esses resultados. Isso vai criando toda uma cultura de resultados e conquistas na empresa ali. E aí vai ajudar a acelerar isso. E obviamente vai ajudar a acelerar a produtividade da empresa como um todo. Perfeito, cara. Perfeito.
Bom, então imagina aí um cenário, tudo certo, acreditamos, a gente está gostando, e há o futuro mesmo, o CEO está comprado, o time está comprado. E aí, como é que você começa esse processo? A gente fala muito da questão da literacia, da alfabetização. De alfabetizar, né? É uma nova linguagem, é uma nova forma de conversar. Perguntar para a AI é diferente de perguntar para o Google, né? Sim, total. Então, as pessoas têm que ser treinadas nisso, né?
Então eu acredito que o primeiro passo que você precisa, aí volta um pouco na questão da ferramenta, que é o seguinte, eu não posso treinar a pessoa se ela não vai ter nem onde praticar. Ótimo. Eu não acredito em aprendizado só teórico mais. Tipo, a gente tá num mundo digital, um mundo acelerado, um mundo onde as pessoas aprendem muito mais rápido se elas praticarem, se elas conseguirem colocar no dia a dia delas.
o uso de inteligência artificial. Então, querendo ou não, a partir do momento que você tem essa mentalidade da inteligência artificial começando na empresa, você vai precisar de habilitar canais para que as pessoas consigam usar AI. Perfeito. Então, ela vai usar só AI de forma de uso pessoal? Difícil, né, cara? Que empresário vai querer que todas as decisões da empresa, que todas as informações da empresa estejam dentro das contas pessoais das pessoas, estejam espalhadas assim?
Imagina o risco disso, o risco da governança. Então você tem que pensar em habilitar, onde que vai ser a ferramenta onde as pessoas vão poder usar AI? Vai ser um hub de AI interno da empresa? Vai ser uma ferramenta única que todo mundo vai usar? Aí eu acho que vai muito da cultura de cada empresa. Mas o primeiro passo eu acho que vem nessa de habilitar um stack mínimo de ferramentas de AI que as pessoas consigam pelo menos usar LLM no dia a dia, que os desenvolvedores consigam ter copilotes de AI, ter ferramentas para acelerar o uso de AI no dia a dia.
E depois que você habilitou, você vai ter que começar a criar incentivo para que as pessoas usem mais AI. Isso pode vir através de onboarding, treinamento, alfabetização, igual você falou. E eu gosto muito também de você criar, gamificar esses processos.
Então tudo com pessoas funciona melhor quando você, poxa, dá um prêmio para quem criar uma solução inovadora com AI, dá um prêmio para quem promover um treinamento que ajude outras pessoas a evoluírem com AI, dá um prêmio para as pessoas que estiverem se destacando pelo uso disso no dia a dia, estarem trazendo impacto positivo para os clientes com o uso de AI. Então esse tipo de coisa vai criando uma atração que outra pessoa vai vendo aquele exemplo, as pessoas seguiam muito pelo exemplo. Então outra pessoa vê aquele exemplo,
E vai querer também vai querer também surfar essa onda junto com os early adopters ali, né? Total. E isso acaba gerando dentro da sua própria empresa uma comunidade ali que tá se ajudando, tá trocando muita ideia, né? Eu já vi exemplos disso. A própria Hotmart é muito bacana ver o pessoal descobrindo coisas sozinho por ele mesmo, né?
Alguém está usando isso? Alguém está usando isso? Como é que você está fazendo? É a força da comunidade, né? Ajuda muito a acelerar, né? Com o tempo as próprias pessoas vão treinando os outros, as próprias pessoas vão tirando dúvidas, as próprias pessoas vão orientando. Perfeito, cara. Perfeito. E lá, a gente já falou várias vezes aqui no Data Hacker que a IAL é uma ferramenta. E aí, muitas das vezes, a IAL pode ser aquele martelo de mássula, né?
Que é... Tudo é um prego, né? Tudo é um prego ali, vou tentar usar essa ferramenta.
Para quem só tem martelo, parafuso ou prego. Exatamente, exatamente. E aí, como é que você vê algumas visões que tem nas empresas? Tipo assim, aplicar IA em tudo. Tem até um movimento, por assim dizer, que mostra que algumas empresas estão forçando você a usar IA.
voçando ali você, colocando e há um destaque muito grande, há um chat que abre, há um botão que aparece, há uma tela que carrega. Como é que você vê isso, cara, sendo nos times? Que é muito fácil você se perder e se embebedar por esse poder, né? Total, Paulo. Isso acontece tanto internamente quanto externamente. Vou tentar dar uns exemplos aqui. No começo, falaram assim, desenvolvedor que não usa AI vai morrer. Aí as empresas começaram a obrigar os devs todos a usar AI de uma forma muito intensiva. E assim, use...
De qualquer jeito, né? Não tinha uma boa prática, não tinha um exemplo a ser seguido, nem nada. Use AI porque eu li no jornal aqui que tem que usar AI. E aí, passado o tempo, muitas empresas viram que a produtividade dos times estava caindo em vez de aumentar. Parte disso é porque tem uma parte de aprendizado que leva tempo e demora, mas parte disso é porque o pessoal estava tentando usar AI em tudo de uma forma, sei lá, AI estragando e a pessoa tinha que parar para arrumar o que a AI estava fazendo.
Então internamente isso acontece muito, mas a gente está vendo muito isso também no produto final, para os clientes finais. Sei lá, cara, você vai... Hoje em dia tem tudo, as empresas estão tentando embutir AI, até em coisas que você não precisa muito. Exatamente. Tem muitos exemplos disso, sei lá. Você vai pedir uma pizza, tem AI na parada.
E assim, tem algumas coisas que a AI faz sentido pra pedir uma pizza. Você pode tirar uma dúvida se tem... A AI vai conseguir tirar a dúvida de você melhor se tem camarão nessa pizza, sei lá, se tem uma partícula X que você é alérgico, né? Um amigo viu que ele é alérgico ao corante 42 amarelo. Ele vai conseguir perguntar pro AI e a AI vai falar essa pizza tem corante 42 amarelo. Mas, pra muita coisa, é meio que perda de tempo, né? Muita gente tá tentando colocar AI de qualquer jeito. Perfeito.
E eu acredito mais numa cultura de experimentação e inovação incremental. Então, poxa, você tem essa ideia de pôr AI no seu produto? Coloca, põe um pequeno grupo de usuários para usar, entende o que é uma métrica de sucesso dessa AI no seu produto, é fazer as pessoas comprarem mais, é fazer as pessoas ficarem mais satisfeitas, dar um feedback positivo, qual é a métrica que você vai usar?
E aí, com essa pequena amostra de usuários ali, estatisticamente significativa, você consegue validar se essa foi uma boa estratégia, se essa hipótese sua foi boa ou não. E aí, quando você vai fazendo isso de forma incremental e criando essa cultura, você vai conseguir que seu produto tenha AI onde realmente faz sentido. Porque onde não fizer sentido, quando você testar com uma amostra pequena, já vai dar para ver que aquilo não é o melhor caminho, sabe? Perfeito, Lange.
E aí, cara, um cenário que a gente vê muito, principalmente pra gente acompanhar muitas empresas, é aquela empresa que ela se gaba de ter, tipo assim, as empresas têm mil agentes, têm 1.500 agentes rodando aqui todo dia e tal. Cara, a empresa precisa de tudo isso mesmo? Faz sentido ter tanto agentes assim? Ou isso é um reflexo do que você acabou de falar? De experimentação, prototipação, ainda estão sabendo onde que o IA está fazendo esse sentido?
Cara, eu acho que isso é muito um reflexo da hype, porque o último ano, 2025, foi muito guiado por agentes de AI. Todo mundo correu atrás de criar agentes de AI, de fazer agentes de AI e tudo mais. E aí, agentes de AI começou a se tornar uma métrica de vaidade. É como se fosse o número de funcionários que você tem na empresa. Tem 1.500 funcionários e 1.500 agentes.
você pode ter 1.500 agentes que são inúteis ou que vão atrapalhar seu trabalho em vez de ajudar então eu acho que a métrica agentes por agentes traz muito pouco valor pra empresa mas a cultura de que as pessoas entenderem o que é um agente de AI o que um agente de AI faz e terem como construir seus próprios agentes de AI isso sim pode ser muito importante nesse processo de transformação e pode trazer muito resultado. Com certeza, cara
E aí, você falou um ponto interessante aqui, que acho que casa com essa questão dos milhões de agentes ali que as empresas têm, que é como é que você governa isso tudo, né? Como é que você garante que um agente ali não está compartilhando dados da empresa que não deveria, está xingando o cliente se você não está nem sabendo disso, né? Não está respondendo da forma que você quer. Cara, como é que começa a governar, a gerenciar IA num cenário de grande adoção?
Total. Isso traz vários riscos, né? Tem o risco do custo explodir, que você pode estar fazendo uma coisa errada em larga escala. Então, esse é o primeiro que todo mundo vê. Tem o risco de vazamento do dado, tem o risco do agente estar fazendo uma coisa ilegal. A gente viu muitos exemplos disso, a gente trouxe no DataHackers News vários exemplos disso. Sim, sim. Comprando... Um carro lá. Um dólar. A gente vendendo e dando desconto ainda. Ele era orientado a dar desconto.
Então, tem todos esses riscos. E aí eu acho que a forma que a gente tem de fazer a governança disso é a primeira coisa você entender que, ao promover essa transformação, você vai ter que gerenciar esses riscos, vai ter que governar esses riscos. E aí já tem toda uma literatura, tem todo um...
uma ciência empresarial da forma de fazer essas governanças. Pode ser através de comitês, pode ser através de grupos de trabalho, pode ser através de regulações. Aí vai depender muito do setor, da área de atuação e tudo. Mas eu acho que a primeira coisa é entender que esses riscos existem. Dificilmente você vai conseguir promover uma transformação tão grande sem ter esses riscos. Vou dar um exemplo. No começo da internet, para você acessar um site, você tinha que pedir um departamento de TI para acessar aquele site. Ele tinha que liberar.
E depois, com o tempo, a galera foi entendendo que as pessoas conseguiriam administrar esses riscos e lidar com eles no dia a dia. Foram surgindo melhorias de controle desses riscos na própria internet e tudo. Então, os riscos existem e a empresa que vai estar lá na frente surfando essa onda, depois de ter surfado essa onda, vai ser uma empresa que vai conseguir administrar isso de uma forma legal.
Perfeito. E isso é de cada um, né? Porque tem muita gente que tem um time de governança, mas governança somos nós ali que estamos desenvolvendo de forma responsável também, né? Governança é cultura também, né, cara? Não dá pra você acreditar que um time vai controlar tudo que é feito na empresa de ponta a ponta. Sim, total. Então, a cultura da governança é mais importante que o time de governança, na minha visão. Excelente, excelente ponto.
Laje, pra gente encerrar, não pode faltar aquela pergunta polêmica aqui, né? A gente gosta, né? A gente gosta da polêmica. A gente gosta de uma polêmica boa aqui. E aí eu quero o seu take aí, a sua opinião de empresa que não é AI First, empresa que não tá adotando IA ali no seu processo. Ela tende a morrer, na sua visão? Cara...
Eu acredito que as empresas que não são AI First, e muita empresa acha que é AI First, e não é. O seu gerente está usando o chat GPT pessoal dele para tomar decisões e não faz de você uma empresa AI First. Saiba disso. Exatamente. Então, no mercado que a gente vive hoje, a velocidade de transformação, a velocidade de ganho de oportunidades ali, uma empresa que não é AI First vai ter muita dificuldade de resistir e de sobreviver.
todas as empresas que não são AI First vão morrer? Não, tem setores inteiros que não dependem de AI, que não tem tanta influência de AI o setor de tecnologia ele é um dos setores da sociedade não são todos eles, mas eu acredito que muitos mercados vão ser totalmente, vão sofrer disrupções profundas com AI e nesse cenário a empresa que não for AI First vai ficar muito pra trás
Perfeito, cara. Então, assim, poxa, eu volto no exemplo da digitalização. Toda empresa que não se digitalizar vai morrer? Não, mas em alguns setores, sim. Sim. Um exemplo, banco. O banco que não conseguiu se digitalizar e tudo, ele ficou muito para trás de banco que surgiram nos últimos cinco anos ali. Total, total. Então, ele perde os clientes, ele perde as oportunidades de crescimento, ele perde muitas outras coisas ali. E vai morrer?
Cara, provavelmente não, mas vai jogar um jogo muito diferente do que o que ele joga hoje. Perfeito.
E eu acho que o cenário fica bem específico também para empresas digital native, empresas de tecnologia, porque a gente sabe que tecnologia é velocidade, é você estar inovando ali. Então, se você... Hoje é uma empresa que está líder do cenário e você não tem uma adoção e a Air Force acaba sendo inovação também, você corre um risco bem grande de ser substituído pelo que está no segundo lugar, terceiro lugar e até diminuir a sua percepção de valor de marca mesmo.
O mercado de tecnologia gira as empresas muito mais rápido, né? Sim. Porque tem essa facilidade do cliente, tem poucas barreiras, assim mesmo. Então tem essa facilidade do cliente sair de um e ir para o outro. Então quem não usar AI para promover melhor experiência para os usuários, para promover melhores processos, para ser mais eficiente, tem uma tendência muito forte a ser muito menor do que é hoje no futuro. Perfeito, cara. Perfeito.
Bom, Laje, encerrando por aqui nesse nosso papo, muito bacana. Obrigado, Paulo. Muito massa estar aqui mais uma vez. É bom conversar com você, ele conversa muito no off, então tem a chance de compartilhar com a galera que é muito bom também. E nesse novo formato promissor aqui, formato em vídeo, depois de sete anos de podcast, né, Paulo? Exatamente. Já diz pra gente aí nos comentários aí, já diz aí o que você achou desse episódio, diz pra gente aí só, a empresa, ela é aí, ou ainda tá engatinhando aí, ainda precisa de uma ajuda, um empurrãozinho ali, né, Laje, pra conseguir seguir essa trilha aí.
Conta aquela história para a gente rir um pouco aí. Exatamente. E já segue o Data Hackers aí no seu Play de Podcast Favoritos. Se você está no Spotify, já aproveita e dá 5 estrelas para a gente. Lá a gente tem mais de 1.100 avaliações. 5 estrelas. Mais de 1.100? 1.100. Foram geradas por AI? Não foram geradas por AI. Isso aí é humano. Não foi gerado por AI. Então já deixa aí também o seu comentário, a sua avaliação. E segue a gente. Tem muita coisa boa vindo aí. Valeu, galera. Valeu.
Esse podcast foi editado por Aerolitos, edição inteligente.