#19 - Rita Silva | Ecos da PGET
O que permanece depois de uma pesquisa?
Neste episódio do Ecos da PGET, Rita Silva compartilha sua pesquisa "Pesquisas sobre Tradução Teatral no Brasil em Línguas Sinalizadas e vocalizadas: perspectivas dialógica e cienciométrica", apresentando seus resultados, contribuições e desdobramentos.
O Ecos da PGET é um espaço dedicado à divulgação das pesquisas desenvolvidas por mestres, doutores e pós-doutores do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET), aproximando a produção científica de diferentes públicos e fortalecendo o diálogo entre pesquisa, formação e prática profissional.
Este conteúdo também está acessível em Libras no canal da PGET no YouTube.
Desejamos uma excelente escuta.
Rita Silva
- Apresentação da pesquisa sobre tradução teatral no Brasil em línguas sinalizadas e vocalizadasPesquisas sobre Tradução Teatral no Brasil em Línguas Sinalizadas e vocalizadas: perspectivas dialógica e cienciométrica·tradução teatral·Libras·cienciometria·dialogismo
- Metodologia cienciométrica e dialógica na análise de artigos científicoscienciometria·dialogismo·artigo científico·abordagem mista
- Aprofundamento da discussão no corpus de línguas sinalizadas e suas contribuiçõeslínguas sinalizadas·Carolina Fomin·Neiva Alves·invisibilidade do intérprete·verbovisualidade·políticas públicas
- Construção do corpus de artigos científicos sobre tradução teatralcorpus·artigos científicos·línguas vocalizadas·línguas sinalizadas·Cielo·Periódico da CAPES·Otradilis
- Tendências temáticas e periódicos que concentram discussões sobre tradução teatraltendências temáticas·periódicos·Cadernos de Tradução·Urdimento·acessibilidade da cena·processo tradutório
- Análise cienciométrica da produção de artigos por ano e autoresprodução científica·artigos por ano·autores recorrentes·Thiago Luiz·Carolina Fomin
Olá, seja bem-vindo e bem-vinda ao Ecos da PGET, um espaço dedicado à divulgação científica e à promoção do conhecimento produzido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina, a UFSC. Eu sou Rita Silva, mestra em Estudos da Tradução, sob orientação da professora Neiva de Aquino Alves, E minha pesquisa está localizada em tradução teatral. Meus cumprimentos a todos. A minha pesquisa sobre a qual a gente vai conversar hoje é intitulada Pesquisa sobre tradução teatral no Brasil em línguas sinalizadas e vocalizadas: perspectivas dialógica e cienciométrica.
Eu sou tradutora e intérprete de Libras, atuando também em teatro, e na dissertação do mestrado busquei compreender o que dizem as pesquisas nacionais sobre a tradução teatral nas duas modalidades de línguas, especificamente a partir do gênero discursivo artigo científico. Defendi, né, a dissertação há pouco, estou aí na fase final dos ajustes para entrega à biblioteca universitária. Quando você estiver assistindo, possivelmente já vai estar disponível aqui no link na descrição deste vídeo.
E é uma honra estar aqui com vocês hoje compartilhando o meu trabalho. Durante a pesquisa, nós percebemos que os trabalhos sobre a produção teatral têm aumentado no país e nas duas modalidades de língua, né? E após anos de pesquisas na área, nós encontramos aí uma lacuna, a ausência de um panorama da tradução teatral a nível estrito senso, um panorama que evidencie o que está sendo pesquisado, quem são os principais autores do campo, quais são as contribuições dessa pesquisa, né, por exemplo.
Então, o caminho que nós percorremos nesse trabalho foi entrecruzado por 4 campos. A partir da esfera científica e da esfera artística, nós adentramos o campo da tradução, do teatro, que são objetos de estudo, né, desse trabalho. E a cienciometria veio a nos ajudar a encontrar os artigos científicos, e o dialogismo foi o que fundamentou todo o trabalho. De forma teórica, metodológica. A metodologia cienciométrica veio a fornecer as informações mais numéricas, e o dialogismo ele funciona, né, costumo dizer, como um sopro que dá vida a estas informações.
Então, no texto nós usamos elementos né, da área teatral, fazendo aí uma analogia. Por exemplo, a introdução para nós é o prólogo, capítulo é um ato, a conclusão é o epílogo. E são termos que eu vou estar utilizando aqui hoje com vocês, né. Por exemplo, todos os capítulos eles são introduzidos com uma rúbrica, né, uma descrição do que vamos encontrar nesse capítulo. E agora, começando o primeiro ato, Eu vou mostrar um pouquinho dos bastidores dessa dramaturgia, né?
Nós vamos ter a pergunta de pesquisa, os objetivos e a justificativa que eu vou apresentar agora. Desculpa. Então, como pergunta, né, que guiou o nosso trabalho, nós tivemos: quais são as principais discussões e tendências de pesquisa sobre tradução teatral no país, a partir do corpus composto por 206 artigos científicos científicos publicados no Brasil entre 1996 e 2025. Durante a etapa da construção desse corpus, nós conseguimos localizar estes 206 artigos científicos de línguas vocalizadas e de línguas sinalizadas.
E esta pergunta foi a que contribuiu, né, para construção do panorama a que nos propusemos. E este recorte temporal foi algo natural, né, a partir do primeiro artigo, que é de 1996, e finalizou em 2025 para que a gente tivesse tempo hábil, né, de analisar as informações e apresentar os resultados na defesa. Então, como objetivo geral na pesquisa, nós tivemos realizar um mapeamento cienciométrico de artigos científicos brasileiros sobre a tradução e interpretação na esfera teatral, nas duas modalidades de língua, né, visando construir um panorama do campo e aprofundar a análise das produções sobre Libras a partir dos princípios do dialogismo.
Ainda aí nos bastidores, né, nós temos os objetivos específicos. O primeiro é mapear quantitativamente esses artigos científicos nacionais sobre a tradução e interpretação de línguas vocalizadas e de línguas sinalizadas no recorte temporal de 96 a 25. O segundo objetivo específico foi identificar e sistematizar as tendências temáticas, os autores recorrentes, os periódicos que concentram as discussões sobre a tradução na esfera teatral no recorte, né, do corpus.
Por fim, O terceiro objetivo específico foi analisar qualitativamente o corpus de artigos de línguas sinalizadas à luz dos conhecimentos teóricos metodológicos da perspectiva dialógica da linguagem, examinando o fazer tradutório teatral mencionado nos trabalhos. Como temos aí, né, um corpus de 206 artigos, no objetivo específico 3 nós escolhemos olhar para um recorte, né, do corpus composto apenas por artigos de línguas sinalizadas, que são 22.
A justificativa para elaboração deste trabalho adveio muito de motivação pessoal e profissional, né. Eu tenho gostado muito de consumir teatro e de atuar na tradução e interpretação teatral. Então a pesquisa foi justamente visando o aperfeiçoamento, né, da minha atuação enquanto tradutora teatral e também o aperfeiçoamento de outros profissionais, né, que trabalham, que almejam trabalhar nessa esfera. Como eu mencionei, né, as pesquisas na área elas têm aumentado e a gente ainda não tinha um panorama que mostrasse né, que desse essa visão ampla da área.
Então entendemos que a pesquisa ela vem a contribuir com os estudos da tradução e da interpretação ao destacar, né, quem são esses autores, quem são, quais são os periódicos que eles estão publicando e quais são as principais temáticas da área, né. Esse vai ser, esse é o panorama construído. Após esses bastidores, né, que acabo de apresentar, nós temos outros atos que abordarei na sequência. Os bastidores são o ato 1, né, o primeiro capítulo.
E em seguida nós temos um primeiro cenário que é mais geral, o Círculo de Bakhtin e os estudos teatrais. Um segundo cenário que vai afunilando, tratando da produção teatral em diálogo também com o Círculo, né, e Batim. No quarto ato vamos discutir a metodologia de pesquisa, que trazendo aí para metáfora construída, né, é a partitura que orienta o nosso mergulho aí nesse percurso. Na dissertação a gente faz duas metáforas, uma trazendo os elementos teatrais que eu comentei com vocês, e outra que faz alusão à navegação no sentido da Libras, seu grande oceano, e a cienciometria, o teatro e a— desculpa, e o dialogismo serem mares que de alguma forma se conectam.
No quinto ato, vamos para análise, né, intitulado A Performance pela Lente Dialógica e Cienciométrica. E por fim, vamos para o epílogo, que eu chamo de O Ancoradouro das Reflexões. No ato, nos atos 2 e 3 são aspectos mais teóricos. No ato 2 partimos aí de questões mais gerais, de batim dos estudos teatrais, e no 3, né, vamos focar em questões mais específicas. Aqui eu trago em acordo, né, com Brat e Gonçalves, 2021, que os conceitos centrais de Baratinho e Círculo permitem pensar a linguagem e consequentemente o teatro e a tradução.
Vale destacar que durante o trabalho nós vamos aí estabelecendo diálogo com várias vozes, né, com vários autores. Por exemplo, com Pavi, que é um autor da esfera teatral, e ele vem, por exemplo, a afirmar que Os estudos teatrais se interessam pelo conjunto da representação, eles se interessam a tudo o que cerca e que excede o texto. Então, para nós, os estudos teatrais também se interessam pela tradução. Então, aqui já no ato 3, nós entendemos, né, a tradução como um diálogo entre línguas e culturas, né, o que vai requerer aí um entendimento do dialogismo interno do texto de partida e do texto de chegada.
Para a gente, a tradução age como uma palavra responsiva, né, como uma resposta ao texto de partida. E eu trago nesse slide, né, destacando o que Sobral diz, que traduzir é sempre interpretar. E foi muito interessante, né, essa citação mobilizou uma discussão na pesquisa justamente sobre a polissemia do termo interpretar, né, pensando aí os tradutores de textos teatrais de línguas localizadas, né. Para traduzir eu preciso primeiro compreender, né, o primeiro sentido aí destacado no quadrinho azul, que é o sentido cognitivo.
Nós, tradutores e intérpretes de línguas sinalizadas também, né, nós também precisamos aí ter a compreensão do texto a ser traduzido. Além disso, nós, diferente dos tradutores de línguas vocalizadas, também interpretamos no sentido de retextualizar ao mesmo tempo, né, em que o texto teatral acontece. E além disso, né, além de compreender, além de retextualizar, nós podemos usar de elementos da encenação que os atores estão, alguns gestuais da própria encenação dos autores, dos atores, perdão, na nossa atuação.
Agora, adentrando o capítulo metodológico, a gente dá uma continuidade ao diálogo e apresentou de forma sucinta a metodologia adotada. Aqui, né, a gente dialoga com autores como Paranhos, Santos, Kobachi, pensando exatamente a cienciometria, né, que vem a examinar a ciência especificamente a partir do gênero discursivo artigo científico. E aí algumas pessoas perguntam, ah, por que que você não utilizou dissertações, capítulos de livros?
Porque a metodologia utilizada é justamente tem foco justamente nos artigos científicos. Então nós trabalhamos apenas com esse gênero. Na metodologia nós também dialogamos, né, com o dialogismo. Então trazemos Voloshinov, Baratinho, que são dessa perspectiva, né, como eu disse, que é a perspectiva basilar da dissertação e para mobilização da análise. Ainda na metodologia, quanto à abordagem, temos uma abordagem mista, que é quantitativa e qualitativa, de natureza básica.
Quanto ao tipo, é uma pesquisa descritiva e explicativa. E quanto aos procedimentos, se trata de um estudo cienciométrico e de um estudo dialógico. Para coleta dos artigos, nós utilizamos 3 plataformas: a Cielo, a Periódico da CAPES e o Observatório da Tradução e da Interpretação de Línguas de Sinais, o Otradilis, é um banco de dados do Otradilis Intertrades. Construímos aí critérios de inclusão e exclusão dos artigos. Em resumo, são trabalhos do gênero artigo científico que abordem simultaneamente tradução e teatro, que sejam artigos publicados no Brasil, podem ser artigos escritos em outras línguas, né, mas que sejam publicados no país, artigos que tenham aí como línguas de tradução a Libras ou português entre seus pares linguísticos.
E os trabalhos que não têm essas características, né, foram excluídos. Os artigos selecionados na Cielon foram 28, na periódico CAPES 48, e na outra Dili, né, 12 trabalhos distintos dos já encontrados. Além disso, nós fizemos outras buscas, né, tivemos materiais de outras fontes. Eu entrei em todos os periódicos encontrados até aqui, né, seja da Cielo, do Periódico Capsule ou do outra Dili. Eu fiz uma planilha e entrei em todos os periódicos, em todas as revistas, colocando as mesmas palavras-chave, né, tradução, teatro, e consegui localizar mais 63 trabalhos.
Também fiz uma busca interna nos currículos Lattes de todos os autores encontrados até aqui, e assim eu consegui mais 46 trabalhos para o corpus. Além disso, tive indicação direta de trabalhos de colegas, e a partir das leituras encontrei, né, aí mais 6 trabalhos. Desses, né, de outras fontes, apenas 2 são de línguas sinalizadas. No total São 206 artigos, sendo 184 de línguas vocalizadas e 22 de línguas sinalizadas. Agora, já começando a análise, né, da parte cienciométrica, nós observamos mais os números.
Aqui nós temos um gráfico que vem a mostrar a organização, né, a quantidade de artigos por ano. Nos anos iniciais, vocês podem ver que nós temos uma produção que varia de 1 a 8 artigos por ano. Em 2008, 2019, 2020, nós temos um pico, sendo 2020 o ano de maior produção com 30 trabalhos. E depois esse número começa a ser reduzido, mas mantém uma estabilidade, né, 28, 16 ali trabalhos por ano. Pensando, e esse, perdão, esse material, né, esse gráfico, ele vem aí a responder, né, ele tá de acordo com o objetivo específico 1 do mapeamento.
Na dissertação a gente faz toda uma análise, toda uma discussão mais detalhada. Aqui eu trouxe apenas para representar um pouco do que a gente discute no trabalho. Agora, pensando o objetivo específico 2, né, de identificar os autores, na dissertação nós vemos, né, todos os autores. Aqui o autor de maior, com maior quantidade de artigos publicados que tratam de tradução e teatro é o Thiago Luiz, com 14 trabalhos. Isso em línguas sinalizadas.
Em línguas sinalizadas, vocalizadas, né, Thiago? Em línguas sinalizadas nós temos a Carolina Fomin com 6 trabalhos. A gente percebe, claro, durante a pesquisa que essa intersecção entre tradução teatral e Libras é menor em volume e também é mais recente em comparação com a produção de línguas vocalizadas. Ainda no objetivo específico 2, que foi no sentido de identificar os periódicos, nós fizemos essa figura que vai trazer a quantidade de artigos em cada revista.
Nós temos a Cadernos de Tradução com 24 artigos que tratam da temática, seguida aí pela Urdimento com 19 trabalhos. Além, ainda no objetivo específico 2, agora observando as tendências temáticas, nós percebemos no corpus como um todo que há um resgate de textos canônicos, né, uma tradução, uma discussão dessa tradução da tragédia e das comédias antigas, principalmente de Shakespeare. Também percebemos uma discussão sobre a tradução para a página e a tradução para o palco.
Além disso, há uma discussão sobre acessibilidade da cena, né, questões de audiodescrição e de Libras, e a temática, né, sobre o processo tradutório. Temos aí traduções comentadas e traduções anotadas também. Agora, chegando no objetivo específico 3, que foi, né, aprofundar a discussão no corpus de línguas sinalizadas, nós vamos trabalhar Nós trabalhamos com os 22 artigos de línguas sinalizadas apenas. Podemos ver aqui na figura a distribuição dos trabalhos, né?
Enquanto em línguas vocalizadas nós temos o primeiro artigo de 1996, em línguas sinalizadas o primeiro trabalho é de 2016. Temos em 2020 um maior quantitativo de trabalhos, né, com 8 publicações. E em 2024 nós temos aí as últimas publicações da área. Como eu falei, Carolina Fomin é a que tem mais publicações, 6 trabalhos. A Neiva Alves tem 4 trabalhos, sendo um, né, em colaboração com a Carolina Fomin. Nesse aprofundamento da discussão do corpus de línguas sinalizadas, nós observamos quem são esses autores, quais são as suas contribuições e a articulação entre eles.
Percebemos, né, na dissertação nós fazemos toda uma discussão de quem são esses autores, né, quais são suas formações, onde estudaram, Quais são as ligações com os outros autores? E aí nós percebemos que há uma heterogeneidade na graduação, na graduação dos pesquisadores. Temos pesquisadores formados em Letras Libras, mas temos pesquisadores formados em urbanismo, em direito, em outras áreas. Percebemos que boa parte dos autores, né, que são 26 no total, atuam como tradutores e intérpretes de língua de sinais, né, estava explicitamente no currículo deles enquanto atuação profissional. 11 dos 26 deixam isso de forma explícita.
Então são profissionais, os pesquisadores são profissionais que vivenciam as questões da tradução no dia a dia, né, na prática. Observando agora as suas contribuições, nós fizemos um quadro de forma sucinta, né. Primeiro a gente discute em detalhes todas as contribuições de todos os artigos científicos, em seguida a gente faz uma síntese comparando a contribuição de cada trabalho. Por exemplo, o primeiro artigo, né, lá de 2016, Barros, Anjos e Baraúna, vem apresentar a necessidade de articulação entre comunidade surda E os artistas, a partir da criação artística e terminológica no processo tradutório.
Depois, né, a Fominha, ela vai introduzir um aporte teórico que concebe o tradutor como autor criador. Em seguida, já vai trazer o conceito de verbovisualidade. Depois, a Rigo vai evidenciar, perdão, a alta complexidade da atuação do tradutor-intérprete no teatro. E na dissertação vocês vão poder encontrar as contribuições de todos esses trabalhos. Também observamos de forma geral, comparando os 22 trabalhos, que há sempre um embate para questões já ditas, né?
Por muito tempo o intérprete tinha que ser invisível também no teatro. Então autores como Fominha e Ferreira Silva Neto, eles vêm trazer essa discussão, né, do que é essa invisibilidade. Também temos a temática, né, da verbovisualidade em resposta à materialidade da cena, com autores como Fomin, Alves e Santos, Medeiros, Ribeiro e Santana Dispensa. Temos ainda, né, questões mais práticas, né, a é discutida, a preparação, o esforço cognitivo.
É uma temática que aparece em 16 dos artigos, sendo Mendes e Nogueira o artigo que mais discute, né, que tem essa preparação como objeto de pesquisa. Em 16 trabalhos também há uma discussão sobre qual o posicionamento do intérprete, né, qual a estética da interpretação, sendo Fominho 2020A o que mais discute essa questão. Também as questões de políticas públicas é uma temática muito recorrente, né, e dos direitos culturais também aparecendo em 16 trabalhos, sendo Albrecht 2020A o que tem, o que mais discute essa questão.
Também temos, né, observado as temáticas no sentido de observar que estes artigos, né, que os enunciados desses trabalhos distensionam ali, né, a autoridade da esfera jurídica, dialoga também com as vozes da esfera artística e as próprias vozes dos tradutores, intérpretes e pesquisadores do campo. Nós observamos que há uma teia, né, um diálogo aí entre todos os autores, e a gente não traz apenas dados biográficos no trabalho. A gente vai justamente discutir como essa teia é construída, e assim a gente consegue observar o cenário concreto de produção e circulação desses artigos, desses, desses enunciados.
Então, no nosso panorama tem as questões mais diversas, né? De forma sucinta, nós observamos, analisando todos os autores, que há um protagonismo feminino na produção, né? A maioria dos autores, né, são autores. Percebemos também que há uma predominância de autores que escrevem, né, que pesquisam sozinhos, né, de trabalhos individuais. Mas também há uma rede de colaboração, é recorrente autores escreverem mais de um trabalho juntos.
Observamos que há uma assimetria geométrica Há uma hegemonia do eixo Sul e Sudeste, né? A maioria das publicações são ali dessas regiões, com destaque para Santa Catarina, né, para a UFSC, né? O Caderno de Tradução, como eu mencionei, é o que mais tem publicações. E outras regiões têm um quantitativo menor de publicações. Vocês podem acessar na dissertação o mapa com quantitativo de artigos localizados por região, por estado. E já entrando nas discussões, né, nas temáticas dos trabalhos, nós percebemos aí que teve um período que a tradução era pensando texto-texto, né, é uma tradição aí mais focada nos textos canônicos, nas dramaturgias escritas.
Depois observamos uma tendência, né, uma mudança aí pensando o processo tradutório, a prática tradutória, e as discussões elas vão ganhando aí outras vestes, né. Por exemplo, a superação dessa invisibilidade do profissional, a reivindicação de coautoria, né. Nós tradutores somos coautores espectadores, nós participamos da obra de arte teatral. E também a discussão sobre a integração estética. Já pensando as contribuições da pesquisa de forma metodológica, nós conseguimos analisar 206 trabalhos.
Epistemologicamente, né, a gente amplia aí o conceito de texto teatral para papel. Observamos as questões práticas, né, do tradutor, da acessibilidade linguística, como essa acessibilidade linguística como direito estético é algo bem presente nas discussões. E finalizando o trabalho, no epílogo, né, esse ancoradouro das reflexões, a gente faz todo o entrecruzamento das informações justificando cada objetivo, né, todos foram atingidos.
E a gente finaliza entendendo que a imersão propiciada pelo mestrado atua, né, como um marco de aperfeiçoamento pessoal e profissional, confirmando justamente a premissa de Baratinho de que arte, ciência e vida só atingem o seu verdadeiro sentido quando se misturam e assumem responsabilidade mútua em nós. Acredito que foi justamente, né, precisamente essa mistura dialógica que sustentou e guiou este trabalho. Algumas das referências utilizadas.
E por hoje a gente pausa, né, o nosso passeio entre o oceano da Libras e os mares dos estudos teatrais, da cienciometria e do dialogismo, com a certeza de que o espetáculo da tradução teatral não se esgota aqui. Muito obrigada a todos, fico muito feliz em poder compartilhar o meu trabalho. Agradeço a oportunidade. Então, gente, esse foi mais um episódio do Axios da APGET. Se você se interessa por tradução, interpretação e pesquisa acadêmica e divulgação científica, acompanhe os próximos episódios e continue conosco nesse espaço de diálogo.
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