Episódios de Esqueletos no Armário

250. Esqueletos da Bjork (de bruxas islandesas a Dançando no Escuro)

06 de maio de 20261h49min
0:00 / 1:49:51

A falta de lógica do comportamento humano, o místico islandês, folk horror feminista, poesias pagãs, santas contemporâneas, estresse pós-traumático de Lars Von Trier, noites divertidas em Bangkok, o fim da era dos musicais, humanizando Catherine Deneuve, ditando uma "era pop", needle drops insanos e lugares escondidos.

Feliz Dia das Mães! Hoje, fazemos o nosso próprio Bjorkcabana, revisitando as incursões cinematográficas da cantora islandesa em: The Juniper Tree (1990) e Dançando no Escuro (2000).

Comentado durante o podcast:

04:15 - Um pouquinho da carreira da Bjork.

41:05 - The Juniper Tree

01:02:33 - Dançando no Escuro

01:36:15 - Bjork na cultura pop + O Homem do Norte

Apresentado por:

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Luiz Machado⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠João Neto⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ e com a participação especial de Renan Guerra.

Confira o nosso site:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠esqueletosnoarmario.com/⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

@esqueletosgays no ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Twitter ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠e ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Acesse o⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠apoia.se/esqueletosgays⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

E o⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠orelo.cc/esqueletosgays⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Assuntos5
  • Carreira e Influência de BjörkInício na música clássica e disco infantil · Banda The Sugar Cubes · Transição para carreira solo e o álbum Debut · Influência na música pop e experimentalismo · Relação com a MTV e videoclipes · Legado cultural e influência em outros artistas · Discografia e álbuns favoritos (Debut, Post, Homogenic, Vespertine, Vulnicura, Volta)
  • Dançando no Escuro e a Experiência com Lars von TrierTrilogia Coração de Ouro de Lars von Trier · Personagem Selma e sua luta contra a cegueira · Musical como refúgio e escape da realidade · Relação tensa entre Björk e Lars von Trier · Acusações de abuso sexual e a experiência traumática de Björk · O uso de múltiplas câmeras e a estética do filme · Melodrama e a exploração da crueldade humana · Apoio mútuo entre Björk e Catherine Deneuve · O subtexto político e a crítica aos Estados Unidos
  • Björk no Cinema: The Juniper TreeAdaptação livre do conto dos Irmãos Grimm · Personagem Margui e a relação com a irmã Katla · Temática de folk horror feminista e misticismo islandês · Abordagem de coming-of-age e florescer feminino · Direção de Níka Keane e sua curta carreira · Relação com filmes como A Bruxa e O Espírito da Colmeia · Björk como oráculo/xamã em O Homem do Norte
  • Videografia e Colaborações Artísticas de BjörkColaboração com Michel Gondry (Human Behavior, Bachelorette) · Colaboração com Spike Jonze (It's Also Quiet, Triumph of a Heart) · Videoclipe Pagan Poetry e a colaboração com Nick Knight · Colaboração com Aiko Ishioka (Cocum) · Parceria com Alexander McQueen e o uso de figurinos · Uso de imagética de pássaros e fungos em sua obra · A influência de Björk na criação de 'eras' por cantoras pop · Needle drops em filmes e séries (Arquivo X, Sucker Punch, Gilmore Girls)
  • Nerdice e Cultura PopReferências em Gilmore Girls · Uso de músicas em My Mad Fat Diary · Big Time Sensuality em novelas brasileiras (Rebu, A Lei do Amor) · Army of Me em Sucker Punch e Tank Girl · All is Full of Love em Stigmata e na série Bife · It's Also Quiet em trailer de Aves de Rapina · Play Dead em The Young Americans · Sósia de Björk e Lady Gaga em programa de TV
Transcrição296 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

E, na verdade, você está assistindo muito, muito frames quando você está assistindo TV. Você está muito ocupado todo o tempo para calcular e colocar tudo isso em um filme. E então, porque você está tão ocupado fazendo isso, você não assiste muito caro o que o programa que você está assistindo é realmente sobre. Então você se tornou hipnotizado. Então tudo isso que está assistindo TV, isso vai direto em seu cérebro e você não está assistindo se é certo ou não.

Então, você só se espalha e se espalha. Isso é o que um poeta icelandicense me disse. E eu me tornei tão ansioso para a televisão que sempre me tive um problema quando estava aqui.

Olá, seja muito bem-vindo ao Esqueletos no Armário, seu podcast de horror queer criado por três islandesas mórbidas. Eu sou o Luiz e Milton... Milton, abre a porta, é a sua narigudinha. Não, não. Não sei se foi uma boa, mas foi o que eu consegui pensar. Meu nome é João e eu achei que eu conseguiria organizar a liberdade. Que escandinavo da minha parte.

Bom, pessoal, e como já é tradição aqui no Esqueletos no Armário, é o terceiro ano que a gente faz o nosso especial de Dia das Mães sobre uma diva pop no cinema. Tudo isso começou com uma brincadeirinha alguns anos atrás, quando a Madonna estava desembarcando em Copacabana pra fazer o primeiro show do que iria se tornar essa série de shows.

No Rio de Janeiro, em Copacabana. A gente falou sobre a carreira no cinema da Rainha do Pop. Descobrimos coisas muito interessantes. Sobre a Madonna artista. A Madonna atriz. Recomendo demais. Acho que esse é um dos episódios mais legais que a gente fez nos últimos anos. Eu tenho muito orgulho dele. A gente foi muito longe nas nossas pesquisas. E no ano seguinte, a Prefeitura do Rio. Continuando a sua escalada. Trouxe a Gaga. E a gente também ganhou uma desculpa.

Para falar da Lady Gaga nos esqueletos. Então ano passado a gente continuou a tradição. De fazer o especial Dia das Mães. Sobre...

Outra loira, outra mãe do pop. E a gente revisitou toda a filmografia da Gaga. Um pouco menor, um pouco diferente da da Madonna. Mas um episódio também muito divertido pra vocês ouvirem. E esse ano a Prefeitura do Rio decidiu fazer a sua aposta mais ousada de todas. E eles estão trazendo a Bjork.

Pro show em Copacabana. O Bjork e Cabana, a gente pediu. A gente queria Bjork apresentando com sinfonia. Em Copacabana. Mas pra esse episódio, a gente... Já que a gente vai falar sobre música, a gente trouxe um convidado especial pro programa.

Olá, gente. Eu sou o Renan Guerra. Estou me sentindo como a Bióquia chegando em Bangkok, aqui um pouco nervosa. Mas estou animado. E eu queria fazer uma menção honrosa, já que nós vamos ter um Bióquia cabana. Mas eu queria honrar a Shakira e dizer que a gazelle dela em Zootopia é muito importante para mim. Eu acho uma diva pop muito importante. Queria que ela tivesse outros personagens icônicos como esse. Uma pena que ela não tenha.

A gente discutiu a possibilidade de fazer um especial sobre zootopia. A gente discutiu. A gente falou o que a gente vai fazer. Esse ano, sabe? A gente tava... Cara, é que se for... Rolou um breve período que teve o boato que ia ser a Taylor Swift. Eu nunca acreditei nesse.

Mas aí o pessoal começou a falar da Taylor Swift e eu falei, ok, a gente consegue. A gente consegue puxar um Cats ali, a gente consegue puxar o doador de memórias, sabe? A gente consegue puxar aquele episódio de New Girl que ela aparece, o filme da Hannah Montana, tem algumas coisas que a gente pode brincar aqui. Mas aí quando fazia queira, a gente fica, ai, o que a gente vai fazer? Mas é isso, a gente então decidiu mudar, recalcular um pouco a rota. E agora, todo dia das mães, a gente vai falar de uma diva pop no cinema.

E eu já tava um tempo querendo falar de Dança no Escuro, falar da Bjork aqui, mas é isso já. Sem me atropelar, vamos iniciar o nosso episódio.

Bom, a Björk, ou a Björk Gudmundsdotir, eu acho que é assim que fala, Gudmundsdotir, eu fiquei planejando antes com o Google Tradutor, ela é uma das artistas mais inventivas e influentes da música contemporânea, caso você não saiba, agora você sabe. Ela é cantora, compositora, produtora e atriz também, e ela ficou muito conhecida por vir com esse pop totalmente imprevisível no começo dos anos 90.

Ela mistura muita música eletrônica, ela faz um pop bem experimental, mistura com trip hop, jazz, ela faz algumas orquestrações e busca sons da natureza, sons metálicos, sons que o próprio corpo humano produz em alguns dos seus álbuns. Ela vai brincando com diferentes sons para criar a música dela. E a carreira da Bjork, ela sempre foi muito marcada por uma liberdade criativa que recusa seguir algumas fórmulas prontas, principalmente na música pop.

Mas antes da gente falar da Bjork como um monumento que ela vai se tornar ao longo da carreira dela, voltando um pouquinho lá no começo, ela nasceu na Islândia e a mãe dela era uma ativista ambiental. E por causa disso a Bjork passou, boa parte da infância dela, numa comunidade hippie. Ela foi criada nessa comunidade meio coletiva. Isso nos anos 60.

Ainda criança, ela entrou para uma escola de música clássica, onde ela estudou piano, flauta e canto, e ela já chamava atenção por causa da voz dela e o jeito muito característico da Bjork de cantar. E por causa disso, com 11 anos, ela gravou o primeiro disco dela. Não sei se a maioria das pessoas sabe disso, mas é um álbum infantil de covers que foi lançado em 77.

E o nome do álbum é só Bjork, você encontra ele no YouTube. Ele é bem meio que um rock psicodélico, anos 70, interessantíssimo. Eu acho que vale muito a pena ouvir. Mas ela mesma nunca considerou esse o verdadeiro início artístico dela, até porque são covers e ela era uma criança, né?

Crescendo, então, já nos anos 80, a Bjork mergulha no punk e ela participa de várias bandas pequenas da cena underground da Islândia. Foi só mais pra metade dos anos 80, quando ela já estava no início da vida adulta dela, que nasce a banda The Sugar Cubes, que catapulta a Bjork pra um cenário um pouco mais internacional.

Ela era vocalista dessa banda e o primeiro álbum deles, Life's Too Good, saiu em 1986, sabia? Eu tinha 20 aninhos. A música Birthday desse álbum se torna um sucesso no circuito alternativo do Reino Unido e dos Estados Unidos. E a banda começa a crescer bastante, né?

Mas com o sucesso da banda, a Bjork começa a sentir que aquele som não era totalmente ela. Já tava parecendo um pouco limitado, ela tava querendo outra coisa. E nessa época também ela começa a frequentar os clubes de Londres. E se apaixona pela música eletrônica, o house, o techno. Ela era uma party girl, né? A Bjork sempre foi uma party girl. Ela dizia que aquele era o pop verdadeiramente moderno dessa época. E então, mais pra frente, a banda se desmantela, a banda acaba.

E a Bjork decide seguir a carreira própria, né? No meio disso tudo, existe o primeiro filme dela, que acontece em 1989. Mas a gente vai falar um pouquinho disso mais pra frente. E ela começa a trabalhar no debut, que seria em 1993. E seria realmente o primeiro álbum dela. E o primeiro single oficial da Bjork, que é o Human Behavior.

Que era também diferente de tudo que estava no rádio naquele momento, nos anos 90. E o resto é história, né? Ela vai se consolidando como uma das artistas mais interessantes, tanto dos anos 90, quanto dos anos 2000, dos 2010 e até hoje em dia. A Bjork ainda é uma artista muito provocadora. E é curioso, né? Porque você imaginaria que em 2026, mais de 20, 30 anos depois do debut dela, as pessoas já estariam...

Já entenderiam quem é a Bjork. Ou teriam uma noção mais cultural. Mas eu acho que a gente deu uma zerada culturalmente nos últimos anos. Eu vejo muita gente novinha que ainda se sente muito agredida. Pela Bjork enquanto artista. E o som da Bjork, né? E eu acho isso tudo muito incrível. Principalmente quando você vai ouvir os primeiros álbuns dela. Porque o som dela ainda tá muito atual. E ele ainda é algo muito fora da curva. Eu acho que até pros padrões de hoje em dia.

Mas pra iniciar esse programa, eu quero saber um pouquinho de vocês. Qual que é a relação de vocês com a Bjork? Vocês lembram do primeiro contato de vocês com ela? Qual foi o momento que vocês se apaixonaram por ela? Vou passar a bola pro Renan, nosso convidado. Eu acho que isso que você falou, de as pessoas terem uma certa... Um certo medo, parece, da Bjork hoje em dia. Ela virou esse...

Eu brinco que a Bjork virou pra música o que o cinema iraniano preto e branco documental virou para o cinema. É sempre uma coisa que não existe, eles não sabem o que é. Aí eles pegam um corte de Pluto, que é uma música que eu inclusive adoro, mas eles sempre pegam esse corte de Pluto e daí colocam como se fosse o grande horror da música ocidental moderna.

E é muito curioso, porque se você sugere que as pessoas vão ouvir, ou se você fala e tenta falar com uma seriedade, elas se revoltam. É muito curioso. Elas têm uma sensação muito esquisita e não tem muita explicação. E é muito interessante, porque eu acho que isso também tem a ver com a forma como as pessoas passaram a consumir música.

O crescimento mundial da Bjork está muito relacionado à MTV. A forma como os clipes dela chegavam e eram transmitidos na MTV. Eu conheci a Bjork através da MTV.

Foi um momento que eu estava muito psicótico em MTV, a minha mãe nem aguentava mais o tanto que eu assistia. E aí, basicamente, tinha um programa que a Luísa Micheleti apresentava, que eles, toda semana, eles escolhiam um artista, que ia ser tipo o tema da semana. E aí, todo dia, eles passavam um clipe legendado, porque o programa dela era só com clipes legendados.

E aí ela explicava antes meio que a historinha do clipe ou da música, tipo, sei lá, ela explicou que Isabel era uma brincadeira do nome da Bjork com o nome deles Regina, ela contou a historinha toda. Aí ela contou, sei lá, Bachelorette, ela contou a história do clipe com o Michel Gondry, todas essas coisas. Então ela meio que era realmente uma apresentação, explicava pro telespectador que era eu, uma bichinha adolescente no interior, o que era a Bjork e qual a importância dela no mundo.

Eu acho que esse tipo de mediação fez com que eu ficasse um pouco muito encantado com quem era a Bjork. E aí eu acho que a Bjork tem aquela questão de, tipo assim, basicamente todo artista que você gosta é fã da Bjork. A Bjork é a referência para todos os artistas que você gosta. Então acho que tem esse caminho também, me fez ficar muito apaixonado por ela. E aí depois eu entrei meio em psicose, mania.

E aí eu nunca mais saí disso. E aí eu ficava vendo todas as coisas dela, todos os clipes, todas as possibilidades. Eu... é engraçado porque eu sempre fui muito mais próximo do cinema do que da música. Embora eu consumisse muito música...

Mas na minha criação e na minha infância, eu sempre fui mais próximo do cinema e tal, acho que quase todas, e televisão, séries, enfim. Então, eu acho que muita coisa da minha bagagem cultural que eu fui coletando enquanto eu ia crescendo, vinha dessas coisas. E é muito engraçado porque a Bjork sempre foi, sei lá, uma presença um pouco onipresente nisso tudo, mesmo sem eu saber necessariamente quem ela era.

Porque eu vi indícios da existência dessa artista sem saber quem era Bjork, seja nesse legado cultural, no visual, na piada do vestido de cisne, das branquelas.

Vines as a Boy tocando no Leon Profissional, que era um filme que eu gostava muito de assistir quando eu era mais novinho. Toda a cena de Suckerpoint, Alessandro de Arme of Me, sabe? Tudo isso, eu adorava tudo isso, mas eu não sabia quem B.O.C. era.

Até o momento da minha adolescência que eu comecei a estar ciente da existência dela como artista. E estar nesse lugar de medo de desbravar a Bjork. Eu tinha medo de chegar e dar esse passo e finalmente começar a ouvir ela. E é engraçado que atualmente eu confesso que eu não sou tão familiarizado com toda a discografia dela. Porém, de uns anos pra cá, acho que na pandemia foi um pouco esse...

esse divisor de águas pra mim, que eu falei, não, vou me aventurar. E eu, por algum motivo, eu não sei explicar, mas por algum motivo eu decidi tomar o meu tempo com a Bjork. Eu não quis simplesmente, na mesma semana, ouvir todos os álbuns dela e ter uma lobotomia e fazer isso. Eu decidi tomar meu tempo, e aí eu fui e eu vi o debut dela e eu fiquei completamente apaixonado.

E eu passei meses e meses e meses só ouvindo The Beauty, até eu ir pro post, e daí eu passei meses e meses e meses e meses ouvindo post, até eu ir pro Homogenic, e eu fui meio que fazendo essa escadinha, enquanto eu ia conhecendo toda a...

parte do trabalho dela. Até hoje eu ainda não consegui finalizar toda a discografia dela. Eu acho que em parte também porque eu tô guardando. Eu quero saborear. Eu tô guardando e eu sei que eu vou ouvir os que ainda tá faltando. Acho que eu parei num Volta. Eu ouvi algumas coisas do Fossora. Tem umas músicas aleatórias que eu escuto de vez em quando, mas o álbum em si eu ainda não desbravei depois do Volta. É...

E eu sei que no momento certo da minha vida eu vou ouvir esse álbum e ele vai editar o que eu tô... O que eu tô sentindo naquele momento e ele vai conversar comigo de alguma maneira. Então eu tô tentando um pouco manter a Bjork ainda mais viva pra eu descobrir ela e não simplesmente já devorar tudo. E ser só isso, sabe? Eu não quero que seja só isso. Eu quero que esteja sempre alguma coisa pra eu ter uma primeira experiência dela a seguir.

Talvez você vai ter a experiência mais intensa, porque você ainda não passou pela fase vonicura, que é a fase... É verdade. É a fase, assim, dolorosa. É a fase delas intensas. Eu lembro que teve na faculdade, eu tinha essa amiga também que gostava muito de música, só que ela era mais um pop mainstream, e eu gostava de uma coisa mais esquisitinha. E eu me lembro de fazer uma introdução a ela, a Bjork, mandando coisas. Eu falo, ok.

Eu preciso te mostrar agora as músicas do Vonnie Kroo e você vai entender. Porque você vai se perguntar se existe algum lugar que você pode velar a morte da sua família, sabe? As pessoas precisam passar por isso em algum momento, só que é uma longa jornada.

Até você chegar lá. Inclusive, esse é um dos meus álbuns favoritos dela. Eu lembro que eu ouvi ele logo que ele saiu. E foi bem nesse período que eu tava começando a gostar. Ele é de 2011 ou 2012, esse? Acho que é 2011. Acho que é 2011, né? Não, 2015 já. 15? É, não, eu já era fã da Bjork. O Biofilia de 2011.

Eu lembro quando saiu esse álbum. Nossa, faz pouco tempo, na verdade. Na minha cabeça fazia mais tempo. Enfim. Mas é isso. É meio que uma mistura da experiência de vocês dois, a minha. Eu também fui uma criança MTV. Eu também era criança que ficava ligado na MTV o dia inteiro. Eu assisti no clipe o tempo todo. Eu contei no episódio da Madonna. Que eu me lembro do momento que eu acho que eu tive a consciência da Madonna. Que foi no lançamento do clipe Hang Up.

Porque eu era uma criança e eu vi aquele clipe passando na TV. E eu fiquei hipnotizado por aquela moça ruiva de colã rosa dançando na tela. E eu me lembro de quando saiu... Quando eu vi a primeira vez o clipe de Poker Face também ficar hipnotizado pela Lady Gaga saindo slow motion da piscina com os dálmatas do lado. E eu me lembro do clipe de Army of Me passando muito na televisão. Que é uma música que eu via sempre, mas eu não ouvia tanto.

E foi só alguns anos depois, com Sucker Punch, que eu acho que eu ouvi Army of Me no filme de novo, e eu falei, eu gosto dessa música, eu conheço essa música. E de fato, ir procurar ela e descobrir a Bjork, começar a desbravar a discografia da Bjork, e perceber também que a Bjork estava em tudo, né?

O João tava citando os needle drops, a gente até quer falar um pouquinho sobre os needle drops dela depois. Talvez a gente pode até falar agora, porque eu acho divertido pensar nisso. Mas um needle drop insano da Bjork, que é uma coisa que marcou muito a minha infância também, é Arquivo X. Tem um needle drop de Hunter no filme de Arquivo X. Então é algo que eu descobri essa música assistindo Arquivo X. E a partir disso também é essa coisa do...

A gente fala muito do cinema, né? Do pensar sobre cinema, pensar sobre o audiovisual. Uma das coisas que eu sempre gostei muito na Bjork, sempre me atraiu muito na Bjork, tanto quanto a música é o cuidado que ela tem com a videografia dela.

Os clipes da Bjork, eles são muito bonitos. E tinha essa coisa do... Ela trazer esses diretores, esses artistas pra trabalhar com ela nessas ideias dela pra cada música. Os sentimentos que ela tá querendo passar. Tem o fato de que parece que nenhum clipe parte de uma mesma ideia também. Eu gosto que eles são todos muito únicos. Eles são todos muito diferentes.

Eles são todos muito narrativos, né? Então essa coisa que você vai assistir alguns clipes de um artista e são meio que as mesmas ideias repetidas de formas diferentes ou coladas de formas diferentes, que não é necessariamente um problema, mas eu gosto muito de como é diversa da Bjork.

E eu acho que ela cria esses universos meio com os diretores que ela vai trabalhando, assim. Ela gosta... É meio que... É sempre uma troca artística, acho que isso é muito claro, assim. Você vê, por exemplo, toda a colaboração dela com o Michel Gondry, é muito claro que é um diálogo entre o universo dos dois. E o Michel Gondry usava os momentos de conexão entre os dois pra meio testar coisas que depois muitas vezes até aparecem nos filmes deles. Então você citou o Army of Me, é uma dessas parcerias deles.

Eles fazem o Human Behavior, né? Que é, tipo, talvez a parceria mais icônica deles. Porque eu lembro que, sei lá, tinha aquele programa na MTV que era os artistas escolhiam os clipes que iam passar. Toda vez que algum artista escolher um clipe, dizia, ah, eu gosto muito da Bjork, eu quero escolher Human Behavior, porque eu cresci assistindo esse clipe.

E era tipo assim, os artistas mais malucos, sei lá, de Júpiter, Maçã, a não sei o que, escolhendo o clipe da Bjork, eu achava isso muito fantástico. Mas aí tem outros momentos malucos deles, né, que é tipo, Isobel, Joga, Hyper Ballad, Bachelorette, eles vão testando vários formatos de fazer um clipe, e é uma parceria longa, porque eles continuam trabalhando até no Biofilia, eles ainda fizeram coisas juntos.

E eu acho que tem a mesma coisa com o Spike Jonze, que também dirige algumas coisas pra ela, como o It's Also Quiet e o Triumph of a Heart, que é um dos meus preferidos dela, porque ela é casa da cugada. É um dos meus também. Eu lembro, eu acho que a parte mais gostosa, realmente, de descobrir a Bjork, que é o que eu acho que todo mundo precisa ter o mergulho nela, é você um dia sentar, ligar a sua televisão e você ficar vendo um atrás do outro.

Queria até perguntar pra vocês quais seriam também os clipes favoritos de vocês, porque eu tava pensando no Triumph of a Heart. Eu gosto muito do The Bachelorette. Eu gosto muito do The Not Get, do Vonicra. Eu lembro que alguns, vários anos atrás, acho que já vai fazer 10 anos, enfim, veio a exposição dela pro Miss aqui em São Paulo.

que era desse álbum, né? Era um negócio em realidade aumentada. E eu me lembro, eu tava na faculdade, eu tava desempregado, e eu não morava em São Paulo ainda, eu me lembro de pedir dinheiro pra minha mãe pra pegar um ônibus e vir ver a exposição da Bjork. E o meu plano era pegar o ônibus 12 horas de noite, chegar aqui sábado de manhã, ir na exposição e entrar no ônibus pra voltar pra Santa Catarina.

Ela não deixou. Ela não apoiou essa loucura. Ela não apoiou a decisão, mas eu queria fazer isso. Eu lembro muito dos clipes dessa época também, de assistir todos eles e ficar tentando imaginar como seria isso em realidade aumentado, né? Porque é aquele universo...

cavernoso, triste, de luto islandês dela. A exposição aconteceu bem quando eu tava mudando pra São Paulo, fazia pouco tempo que eu tinha mudado, e eu tinha participado a primeira vez do podcast Vamos Falar Sobre Música. Eles tinham me convidado pra um episódio da Bjork, e eu ainda não fazia parte do podcast.

E aí, como eles trabalhavam e o meu horário era mais flexível, eles perguntaram se eu não queria ir na abertura da exposição como convidado de jornalista em nome do podcast. Aí eu fui e era realmente uma exposição muito maluca porque tinha, primeiro você passava por todas essas salas onde você via os clipes e em realidade aumentava. Alguns você dançava com ela, fazia umas coisinhas.

E aí tinha uma sala que tinha os aplicativos que ela criou para o biofilia, que são aplicativos educativos e tal, você podia jogar, e tinha uma sala imensa onde ficava passando em looping os clipes. Só que eu tinha trabalho depois, eu não pude ficar lá sentado assistindo todos os clipes. Mas o turning point dessa história é que eu fiquei um pouco obcecado com essa exposição e tudo mais.

E hoje em dia eu trabalho na produtora que trouxe essa exposição. E quando eu entrei na produtora, eu não sabia isso. E basicamente, a Monique Gardenberg, que é minha chefe hoje em dia, ela trouxe a Bjork várias vezes pro Brasil. Ela foi responsável por trazer a Bjork em 96 no Free Jazz, depois no Team Fashion em 2007. E o meu fun fact preferido que eu gosto de soltar é, tipo assim, quando a Bjork veio pro Brasil nos anos 2000 gravar o filme dela com o Matthew Barney, o Dry and Drawing...

Nunca sei falar o nome desse filme Enfim, o filme Conceito dela com o marido Ela tava passeando pelo Brasil Ela tinha ficado um tempo num terreiro Em Salvador, ela fez várias coisinhas Foi pro carnaval, e aí quando ela estava em São Paulo A Monique Gartenberg chamou ela Pra a pré-estreia de O Passado Do Héctor Babenco E aí todos eles jantaram juntos Depois, Héctor Babenco, Barbara Paz, Monique Gartenberg Bjork numa mesa

caraca, eu tô viado então nós estamos aqui tipo, a uma pessoa da Bjork já que a Monique tem isso que contar nossa, eu mataria todo o nosso público pra estar nesse jantar

Vocês me entendem. Um dos meus sócios da empresa falou que nesse jantar ele não ficou sentado perto da Bjork ele ficou sentado perto de um moço que era tipo da equipe da Bjork que ficou tentando falar sobre criptomoedas nos anos 2000 e ele ficou assim, por que a gente tá falando de criptomoedas? Tem artistas aqui lançando filmes. Enfim, histórias que eu tô trazendo aqui. Talvez eu tá expondo o compliance da empresa.

Pra vocês aqui no Cluj. É fascinante, velho. Nossa, eu tava lembrando muito aqui a pergunta do Luiz sobre os clipes favoritos. E eu tenho também o Triumph of Heart como um dos meus favoritos. Juntamente, eu acho que talvez com o All is Full of Love, porque o sexo robótico é uma coisa maravilhosa naquele clipe. E é lindo, e é muito à frente do seu tempo.

Até hoje ele é absurdo, assim, a técnica dele, tudo que envolve ele é muito absurdo. Mas o Trifor of Hider tem uma experiência muito engraçada, porque eu não tinha ainda mergulhado na videografia da Bjork.

Eu não conhecia esse clipe. Eu conhecia a música, mas eu não conhecia o clipe. E aí teve uma vez que eu tava com alguns amigos. A gente tava muito chapado. A gente fez uma sessão dupla de filmes. E depois a gente ficou assistindo o clipe na televisão. E eu tava já bastante meio fora de mim. E aí eles começaram a colocar... Todo mundo foi dividindo o controle da televisão. E colocando o clipe na fila e etc. E daí eles colocaram do nada a Karolina Palachek cantando...

É, I Belong... I Belong In Your Arms. Qual é o nome da música? I Belong... A versão em japonês. I Belong In Your Arms. A versão que ela canta em japonês. E aí eu comecei a dissociar. E eu fiquei... A Karolina Palachaga tá cantando em japonês. E depois entrou o clipe de Tripple Harder. E a Bióquia tá dançando com o gato. E eu fiquei muito, muito, muito, muito destrenado. Eu não sabia o que ia acontecer. Eu tava travado. E eu acho que foi a maior experiência possível.

De conhecer o clipe de Tripple Harder. Por isso que ele é um dos meus favoritos até hoje.

Você citou a Caroline Polaschek. Eu sou muito da geração hopeful millennial, assim. Então eu assistia, eu falei, eu assistia muito MTV. E tinha um programa da Carol Ribeiro, que é modelo e tal. Chamava It MTV. E ela andava por Nova York e contava coisas pra gente no Nova York.

Aí tem um episódio específico que ela apresenta quem é a Caroline Pochek e o Chairlift, porque na época eles tinham lançado um clipe que tinha sido meio plagiado pelo Kanye West. E é o mesmo episódio que nesse dia ela também mostra as pessoas no Brooklyn que faziam tricô para colocar em postes e árvores pelo bar.

É extremamente o início dos anos 2010. Enfim, gente, essa informação não era relevante para o episódio. Mas eu amei, eu amei. Mas eu queria dizer que o meu videoclipe preferido da Bjork é o videoclipe de Pagan Poetry, que é dirigido pelo Nick Knight.

é o que ela usa um vestido do Alexander McQueen, que é meio como se fosse um espartilho de piercings nas costas dela. Não quero saber se é de verdade ou não aquele pilsi dela, não me importa essa informação, o fato é que é lindo. E aí, durante muitos anos, existiu uma história de que, teoricamente, o Nick Knight teria dado uma câmera para a Bjork, ela levou essa câmera para casa, e ela tinha gravado os momentos íntimos de coito dela com o Matthew Byrne.

E esses momentos teriam sido distorcidos ali no clipe. E aí, basicamente, isso fez o clipe ser censurado na MTV norte-americana. Porque a MTV norte-americana é muito careta. E sei lá, enquanto a gente tava assistindo Just Fire My Love uma da tarde no Brasil, a MTV americana ia censurar qualquer coisa.

E aí, basicamente, esse clipe não é um clipe tão… Que as pessoas conhecem tanto, porque ele ficou muito tempo censurado. Sei lá, eu lembro que na época que eu descobri esse clipe, eu assisti ele no Dailymotion, porque ele não tinha nem no YouTube. Era tipo assim, ó meu Deus, o mamilo com o Pils da Bjork, que que é isso? E é tipo assim, absurdamente lindo esse clipe, eu acho essa música linda. Acho essa fase toda do Vespertyne muito delicada e muito interessante.

E é interessante porque é uma fase pós aqui, dançando no escuro, que a gente vai falar depois.

Mas é um disco muito delicado, de muita... Porque ela tá muito bem, muito feliz. E é interessante essas nuances também. Bjorky's happy moments, né? Ela tava transando bastante. Eu tava dando uma olhada aqui nos clipes dela pra lembrar de mais alguns. Eu queria falar disso, de Bachelorette. Eu acho lindo, lindo, lindo aquele preto e branco no começo, quando ele...

de escamba pra peça que ela tá apresentando. É muito bonito. O clipe de Hidden Place é um que eu me lembro de ver na televisão bastante também. E ser fascinado pela dinâmica do clipe, né? Que é ela nua, cantando, e vai aquele líquido. Esse passava muito de manhã cedo, a hora que eu tava, sei lá, tomando café da manhã antes de ir pra escola. Sempre passava na MTV. Algum ensurtado a fazer essa programação, eu amava.

E o de I Miss You, a animação do I Miss You, que é uma das minhas músicas favoritas dela. Eu amo essa música. Eu ia citar Venus is a Boy, que é dirigido pela Sophie Miller, que é uma dessas grandes diretoras de videoclipes dos anos 90. Venus is a Boy é engraçado porque é basicamente ela com aquele cabelinho clássico dos coquinhos.

E ela tá fazendo um ovo, e ela fica ali naquele ovo. E muitas pessoas não entendem direito o que tem a ver aquele ovo, mas aquele ovo, o clipe todo é uma referência à história do... Isso, a história do olho, do Jorge Batalho.

que a menina insere ovos nas cavidades íntimas e ela estoura ovos, e ela faz coisinhas com ovos. E basicamente é esse jogo. Porque é curioso também, porque às vezes as pessoas não relacionam... Sei lá, as pessoas criam um imagético sobre a Bjork.

E elas não relacionam a Bjork a sexo e a sexualidade. Grande parte da obra dela está relacionada a prazer, a prazer feminino, a liberdade sexual, a forma de você descobrir o seu corpo, experimentar essas experiências e tudo mais. Acho tudo muito bonito. Eu também gosto do clipe de... Os clipes que ela faz na época que ela está namorando o Stephanie Sedanu. Ela tem vários namorados nos anos 90, né?

E esse ela faz o Big Time Sensuality, que é o clipe que ela tá no caminhão por Nova York. E eu gosto muito de Possibly Maybe, que ela tá dentro da casa e a casa me fica piscando. Parece um cenário da TV Cultura, assim. Só que é tudo muito sensual também, ela nessa casa piscante.

Uma colaboração que é muito bafona e que eu acho que é muito importante ser mencionada aqui nesse podcast é justamente o clipe de Cocum, que foi dirigido pela Aiko Ishioka. Quem não consegue ligar o nome e a pessoa é a diva, a figurinista e estilista que desenhou todos os figurinos do filme Drácula, de Branstalk e do Coppola.

que é aquela coisa absurda, e ela também fez os figurinos do filme A Cela, estrelando Jennifer Lopes. Se vocês quiserem, a gente pode fazer próximo ano um especial de Jennifer Lopes, porque daria também um ótimo especial. Mas é uma coisa chocante, e é um clipe lindo também, que foi da época do Vespertyne, então é aquele...

Aquela linha vermelha saindo do corpo dela, saindo do mamilo, envolvendo ela. Ela está completamente coberta. É absurdo esse clipe. Eu acho que tem essa relação muito direta dela. A gente citou aqui alguns cineastas, como Michel Gondry e Spike Jonze. Existem alguns fotógrafos, como eu citei o Nick Knight e o Stephanie Sedanui.

Tem artistas de artes visuais, como o Chris Cunigan, que fez o Always Full of Love. E tem muitos estilistas que são muito marcantes na obra da Bjork, de diferentes formas. Eu acho que a parceria mais icônica dela é com o Alexander McQueen. Eles eram realmente muito amigos, tanto que quando ele faleceu, ela escreveu uma música para ele, ela canta no velório dele.

para ela foi uma perda muito forte. E eu acho muito interessante que ela trata as roupas e os figurinos dela como uma parte essencial de todo o universo que ela está construindo. Não é só uma adereça, é uma parte da mensagem que ela está nos transportando e nos conectando. Então é muito legal como ela também cria com esses estilistas. Eles não são só figurinistas, stylistes que escolhem as coisas para ela. Acho que isso é importante.

Algo que eu acho até curioso falando de figurino, que eu tava dando uma olhada logo antes da gravação, em todo o material de divulgação da Sona Escura, me adiantando um pouco, depois a gente pode falar um pouco mais sobre isso, é que uma linha que tinha entre todas as roupas que ela tava usando durante a divulgação do filme é que ela tava usando muito imagética de pássaros.

que também foi na mesma época do Vespertini, né? Que ela tá usando o vestido de cisne na capa, mas também no Festival de Cannes, quando ela ganhou o Melhor Atriz, ela tava usando uma bolsa de um passarinho que ela ficava botando em cima dos lugares.

Então, acho que tem muito a ver com a pesquisa toda, porque o Vespertans saiu em 2002, mas obviamente era algo que ela já vinha produzindo. Tem a ver com essa pesquisa que ela tava fazendo sobre os relacionamentos na natureza, os pássaros, porque os pássaros vão ser, a partir da virada do século, uma coisa meio constante nela. Depois vai ter outros discos que ela vai explorar o canto dos pássaros e tudo mais.

Mas acho que tem essa perspectiva meio de que as coisas que ela tá explorando vão ser relacionadas ao que ela tá usando. É tipo, na fase ali, pós-biofilia, ela vai começar a usar umas roupas que têm muito a ver com fungos, com pedras e coisas aleatórias que ela tá...

fixada naquele momento. Então acho que é muito interessante o que a gente falou, como as coisas que ela está interessada, que ela está pesquisando, também se conectam a formas de pensar esses universos, essas coisas outras que estão se conectando à pesquisa artística dela naquele momento.

Eu acho que talvez, juntamente com a videografia dela, eu não vejo sendo acreditada tanto pela influência e a digital que ela deixou na cultura pop, e principalmente esse legado dela de sempre buscar quebrar muitos paradigmas dentro do próprio...

corpo do trabalho dela e experimentar com esses diferentes artistas e fazer algo muito único e muito diferente de si. Mas eu acho que até essa postura dela, desse código de vestimenta que conversa com o trabalho atual dela e constrói essa mensagem, eu acho que influencia muito posteriormente dos anos 2000 para cá.

Talvez até essa ideia das eras nas cantoras pop e como elas tentam replicar um pouco essa coisa de uma identidade visual muito X dentro desse corpo de trabalho e as vestimentas e, enfim, tapetes vermelhos e toda essa codificação de uma era, de uma ideia visual conjunta dentro daquele corpo de trabalho. Se elas fazem isso tão bem quanto a Biorca, é outras questões.

Eu acho que tem uma conexão ali, tanto que a gente sabe que em algum momento específico dos anos 90, a Bjork e a Madonna colaboram, porque a Madonna está sempre atenta a quem está criando coisas interessantes no mundo. E eu acho que tem muito das duas nos anos 90 setando esse tipo de coisa. A Madonna cria imagéticos e cenários e coisas que ela codifica a partir de cada era.

E eu acho interessante que a Bjork faz isso de uma forma que é meio que um quebra-cabeça. E aí quando você vê no final da era, você entende tudo aquilo que ela queria. Eu acho que tem essa diferença. No da Madonna, sempre quando ela lança uma nova era, as coisas ficam muito claras. As cores, as coisas que ela vai fazer, os universos que ela vai seguir. E no caso da Bjork, eu acho que é uma construção temporal. E aí quando a gente vê em retrospecto, você olha e você entende.

Às vezes você vê uma foto dela e você já diz, ah, isso aqui é ali na fase do homogênico. Isso aqui é na fase do Vesper Tire, porque ela tá com determinada cor.

Isso aqui com certeza é biofilia, porque a gente nem está vendo o rosto dela, só uma peruca laranja. E aí é muito interessante que essas coisas realmente vão marcando as formas como ela está mergulhada naquilo. E é interessante que para ela não era uma era que eu estou definindo enquanto conceito pop, mas sim um trabalho artístico, uma pesquisa artística que eu estou mergulhada, e isso vai se refletir em todas as coisas que eu estou fazendo naquele momento. E aí essa pesquisa artística pode ser...

em torno do luto dela, como pode ser em torno da reprodução dos fungos na Islândia, como pode ser sobre as pedras geradas de uma explosão de vulcão na Islândia. Então a diva é amplo o leque dela. Eu vou falar que eu gosto muito do Volta. Eu acho que eu vejo muita gente cagando em cima do Volta.

Mas eu gosto muito do Volta. Eu acho que, inclusive, esse é um dos meus álbuns favoritos. Eu adoro Volta. Mas ele é um disco que, naquele momento, ele dialogava com signos e símbolos que, pra quem viveu os anos 2000, eles eram meio questionáveis. Tipo, Timbaland. A gente tava meio que numa exaustão de Timbaland. E ele...

e ele tá presente nesse disco e é engraçado porque ele tá presente em Hope que é uma das faixas que as pessoas quase nunca citam e Hope na minha adolescência foi muito importante tanto que eu tinha um blog que se chamava Redemoinho Interno porque esse é um dos versos da música e foi o meu primeiro blog e eu fiquei muito apaixonado por esse disco e ele também é o disco que me apresenta a Noine porque ela tá em The Flame of Desire

E aí eu vou procurar o Anorne de Johnson, todas essas coisas. É meio que um caminho que também me é levado. E esse disco tem algumas coisas muito bonitas. E tem um pouco dessa experiência dela com tecnologia, com outras coisas. Eu acho que é um disco que as pessoas, a juventude que não viveu a era de Cimbalan, está redescobrindo e gostando dele. Eu só acho que ele é um disco que às vezes não é tão coeso quanto os outros. Ele tem momentos muito bons e outros meio esquisitos.

Mas eu acho um disco maravilhoso de qualquer modo. Declare Independence, um bafo.

Declare Independents, Earth Intruders… Wanderlust. Ele soa muito alienígena, eu acho. E ele tinha… mas ele também tinha essa proposta de ser um pouco alienígena. Porque, por exemplo, Innocence era um clipe que ela pediu pros fãs mandarem opções de clipes. Depois ela escolheu um que era tipo um videogame.

The Do Flame of Desire, ela e a Noine gravaram a cara delas cantando e ela mandou esses takes para três diferentes diretores e o clipe é basicamente uma colagem desses três clipes diferentes. Eu acho que tinha uma experimentação dela também de, tipo, testar esses limites das coisas que eu tô fazendo aqui. É meio normal, tem dias que você despiroca e quer fazer essas coisas.

E o foda é que a turnê do Volta, o Voltaic, é uma das mais legais que ela já fez. Os ao vivo são muito fodas, as versões são bem ravezona. E eu queria que ela fizesse um show desse, queria que a minha avó voltasse a fazer rave. Mas pra gente encerrar esse blog antes de a gente falar dos filmes, eu quero também que vocês escolham qual seria, só um, só vale um, o álbum favorito da Bjork de vocês.

Um, é tipo escolher um filho, é escolha de Sofia. Só um, só um. E você tá sacrificando o resto. Você escolheu um e todos os outros vão ser apagados. O resto da vida. Eu vou ficar com... Ai, meu Deus. Ah, eu não sei.

Eu vou ficar com o Vulnicora, então, porque eu acho que ele é um disco muito pessoal. Tanto que é um disco que eu volto sempre a ele enquanto disco. Eu gosto muito de ouvir ele inteiro, do início ao fim. Tipo, ficar me batendo no peito, sofrendo com ela. Eu acho que eu gosto dessa experiência geral do disco. Mas, enfim, é difícil. Jesus. Tendo em vista que eu escutei menos álbuns do que toda a discografia dela, eu tenho poucas opções pra escolher nesse sentido. O que talvez possa fazer...

a minha decisão ser mais fácil. Mas eu acho que eu ficaria entre o Homogenic e o Vesper Time. Eu acho que, por serem álbuns muito diferentes, então vai depender da semana que eu estou tendo, talvez me alinhe com um deles. Eu gosto muito do Homogenic porque ele é muito inconstante no melhor sentido da palavra. Ele é muito volátil, assim. E eu acho que...

Se eu estiver tendo uma semana meio estressante, eu consigo me identificar muito com ele em certos pontos dele. E o Vespertyne, se eu estiver... Ah, e se eu estiver... Aqueles, né? Mas algo lindo. Eu acho que ele é muito puro.

Uma coisa que eu gosto muito nele é como ela lida com essa sexualidade de um jeito muito puro, assim. E não é nem só uma falta de pudor, é uma visão muito quase ingênua da sexualidade que eu acho muito bonito. Do jeito que ela imprime esses sentimentos dela, sabe?

O Vespertine tem muitos detalhezinhos, tem uns barulhinhos, umas coisas que acontecem. E na turnê ela fazia tudo isso ao vivo, né? Tinha tipo um moço que ficava pisando nos cascalhos, fazendo essas coisas. E aí essa semana, na divulgação de A Vesperada 2, alguma entrevista, não lembro quem, perguntou pra Anne Hathaway qual foi o melhor show que ela já viu na vida.

E aí junto com o show do... Mas ela citou que uma das experiências mais importantes da vida dela foi ter visto a turnê do Vesper Taino da Bjork. E aí eu pensei em uma jovem Anne Hathaway vendo a Bjork na turnê do Vesper Taino. Eu achei isso muito icônico.

Cara, o pior é que isso faz muito sentido. Isso faz muito sentido com a pessoa que a Anne Hathaway é. O meu Office Part Time também é o meu favorito dela. Eu acho que Hidden Place talvez seja... Não tem como escolher só uma música da Bjork, mas... Eu acho que se eu for escolher uma, seria essa.

É a minha música, Girl Who's Going To Be Okay. Sempre que eu me sinto esperançoso com o mundo, com os rumos da minha vida. Eu volto pra esse álbum. É exatamente por tudo que vocês falaram. Mas eu acho que tem isso, eu acho que tem um tom de esperança muito forte nele. Eu acho que tem aqueles coros todos femininos. Que ela andava com o coral islandês. É lindo, assim. A forma que aquelas mulheres dialogam com ela.

É um álbum de anjo, assim, né? Eu acho que é o mais próximo que a gente conseguiu fazer de uma música que como será que o céu católico sobe. O católico, né? O pior é que no caso dela, eu acho que é mais o universo de elfos islandeses que ela encontrou andando do lado da montanha. É Ewa, sabe?

Out from here, out from there, out to take you anywhere. Into iron, into stone, out from here, away, begun. Bom, a estreia da Bjork no cinema se deu em The Juniper Tree, né? Que...

porque ela tinha 22 anos, foi inclusive o mesmo ano que o Sugar Cubes foi fundado, esse foi o primeiro filme dessa diretora norte-americana, que se chamava Nishka Keane, e ele era uma adaptação bem livre, por assim dizer, desse conto dos irmãos Grimm, que aqui eu acho que ele ficou conhecido como A Moreira ou A Árvore de Zimbro.

Nessa adaptação, a gente acompanha essas duas irmãs numa Islândia medieval, a Margui, que é a Bjork, que ela interpreta, e essa irmã mais velha dela, a Katla, que elas precisam fugir após a mãe dela ser acusada de bruxaria e executada por isso.

A Catla se casa com um viúvo, ela seduz esse viúvo, faz uns encantinhos ali, faz, se entra na casa desse viúvo, pra que elas possam ter uma vida mais confortável dentro dessas circunstâncias. Só que ela precisa lidar diretamente com o filho desse homem, que é um menino muito desconfiado, não se dá bem com ela.

e acredita que ela está tentando substituir a mãe falecida. E existe essa relação muito problemática entre eles. Enquanto isso, esse menino acaba forjando uma amizade, uma relação muito natural com a Bjork, que é a personagem da Bjork, que é essa adolescente que tem visões com a própria mãe e essa conexão meio inexplicável com a natureza.

E é bem importante pontuar que o Juniper Tree é uma adaptação muito livre do conto original, porque as escolhas que a Nishka faz nesse filme são bem conscientes para repaginar a história dentro dessa perspectiva que ela tinha.

Porque ela tira as personagens femininas desse lugar de vilania clássica do conto original. Então na história original tinha essa dinâmica da madrasta, do mal, uma clássica vilã dos irmãos Grimm. Ela está atormentando esse menino e acontece várias coisas. E todas essas personagens femininas eram representadas dessa certa maneira.

E aqui ela vai e troca, ela inverte esses lugares. Ela reconta essa história através de uma ideia e de uma roupagem de coming of age, de amadurecimento, desse florescer feminino.

que está conectado com esse ambiente ao redor delas, da natureza, e também, principalmente, eu acho, desse medo muito recíproco entre o feminino e o masculino. Esse filme foi rodado em 1986, só que devido a algumas questões na pós-produção, ele só foi finalizado em 89.

Ele estreou em Sundance no ano seguinte, em 1990, e por muito tempo ele foi, e de certa forma ele ainda é esse projeto obscuro que a Bjork fez antes da fama internacional. Ele recentemente foi restaurado, em 2019.

inclusive pela fundação do George Lucas, e ele foi relançado nesse circuito limitado na época. E eu acho uma pena que a diretora, a Nítica, ela não conseguiu ver esse projeto recebendo esse tratamento, esse novo olhar, um novo contato com o público, porque ela faleceu em 2004. E eu sinto que é um pesar ainda maior, porque esse projeto, talvez ele era considerado muito nichado, muito experimental, muito...

a Vanguard 30 anos atrás, mas hoje eu acho que ele soa muito mais próximo de algo que outros cineastas que a gente tem mais contato direto estão tentando fazer. A Neytica vai pegar essa ideia de uma fantasia medieval, essa parábola com tons fantásticos, ela...

situa essa história dentro desse universo que é muito realista, muito silencioso, muito seco, muito bergloniano, sabe? Ela vai filmar em preto e branco, ela vai pegar toda essa paisagem da Islândia rural, ela vai codificar isso com a presença de algo sobrenatural, ou pelo menos ela vai tentar codificar a presença viva da natureza, né? E que pode ser enxergada pelos personagens como algo sobrenatural.

e essa conexão que essas irmãs têm com uma ideia de ocultismo, e ressignificar muito essa ideia desse feminino místico, que aqui nesse filme é usado principalmente como uma ferramenta de sobrevivência dessas personagens. E eu acho que colocando dentro dessa perspectiva, a gente vê que é uma abordagem que está muito mais próxima de algo que o Robert Eggers fez em A Bruxa, que o Oz Perkins fez no Jumim Maria dele.

que muitos folk horrors estão fazendo ultimamente. Tem aquele You Won't Be Alone, que vai seguir essa bruxa, é um filme completamente silencioso. Tem um chamado Ennisman também, que tem uma pegada muito parecida com esse.

E eu acho que, inclusive, eu lembrei muito, mais diretamente de uma bagagem pessoal, porque a gente recentemente fez um episódio sobre Morro dos Ventos de Vants, e eu assisti a versão que a Andrea Arnold fez em 2011 com a Kaiser Codelario, e ela tem exatamente a mesma pegada.

Ela só não é filmada em preto e branco, mas ela tem um pouco essa mesma pegada. E eu achei isso muito curioso, né? Mas ok, como a gente tá falando, a gente tá no episódio sobre a Bjork, a gente tá falando desse primeiro trabalho dela de atuação, a primeira performance dela, eu fiquei bastante hipnotizado com ela dentro desse filme, porque eu acho que, apesar de ser um papel muito abstrato, nesse filme que também é muito abstrato, eu acho que ela...

traz consigo esse quê de curiosidade que eu acho que é muito importante para esse tipo de personagem. Essa confusão natural das coisas, esse deslumbramento, essa coisa meio mágica que ela tem, que eu acho que dialoga muito com toda a temática do filme e eu acho que também dá um contraste.

bem direto com a performance da personagem da irmã. A irmã mais velha tem esses contrastes muito grandes, e o filme todo trabalha com esses contrastes entre essas duas duplas, essas duplas de personagens que estão lidando com o luto de maneiras diferentes e que eles vão se unir ou vão se virar um contra o outro da sua própria maneira.

Eu acho super interessante que tem uma coisa do filme que é muito anos 80, a Islândia. E aí eu acho que a forma como os islandeses lidam com essa coisa mística é uma maneira muito única. Eu acho que muitas vezes a gente chega a esses mitos e essas lendas nórdicas por visões que muitas vezes eram muito masculinas.

E muito limpas pra esse padrão, tipo, norte-americano, da forma de contar todas essas lendas, tipo, Pé Grande, esses monstros, os vikings, todas essas coisas eram contadas de uma maneira muito específica e muito diferente, eu acho, do que como essas pessoas enxergavam. E aí a gente tem que pensar que a Islândia era, tipo, realmente um bairro de São Paulo, que ela ainda é isso, né, na verdade.

E nos anos 80, eles realmente tinham um bar específico onde os artistas se reuniam. Então, todos os artistas eram meio conectados. Não tinha essa divisão assim, eu faço música, você faz cinema, eu sou poeta. Todo mundo andava meio junto. Tanto que a Biork tem várias parcerias com um poeta islandês, que agora esqueci o nome do...

do moço, e que ele é muito importante também. Mas nos anos 80, uma relação que eu acho interessante do cinema, que o cinema islandês também é muito pequeno, é uma produção pequena que passou a crescer especialmente nos anos 90, mas eles eram muito cercados pelo Friedrich Thor Friedrichsson, que é o diretor que fez o Hock i Heikjavik, que é um filme de 1982, é um documentário.

que registra essa cena punk. A Bjork aparece nele, ela deve ter 16, 17 anos. E ele é anterior a esse universo. E aí eu acho muito interessante, porque o Fredrickson vai ser reconhecido internacionalmente no início dos anos 90, quando ele lança Filhos da Natureza.

que é um filme muito lindo, que eu recomendo que quem nunca viu assista. Ele foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 1992. E ele acompanha a história de um casalzinho, que eles vão indo... Eles meio que querem fugir da família, eles querem ter uma vida...

sozinho, sem que a família fique tomando conta do que eles estão fazendo e eles vão adentrando pra dentro da Islândia só que o filme vai se transformando cada vez mais realismo mágico enquanto você vai entrando na história e é muito bonito, todo o cinema do Friedrichson, eu não sei se também estou pronunciando corretamente é muito bonito, ele tem um outro filme dos anos 90 que se chama Cold Fever que também vale a pena

assistir, mas enfim, acho que tem esse universo de uma forma de lidar com as narrativas que é diferente e que eu acho que é muito rico, tanto no cinema quanto nas outras artes, e acho que é por isso que as pessoas têm um encantamento tão grande com a Islândia, é a forma como eles bebem dessas fontes que vêm de fora.

Só que eles também trazem todas essas coisas que são muito deles para misturar nessas histórias. E aí eu acho que a atuação da Bjork, tanto no Juniper Tree, quanto depois a gente já falou do Dançando no Escuro, é uma coisa muito natural, porque ela não tem uma formação de atriz.

Só que ela usa dessa coisa de interpretação para a própria criação artística dela no palco. E aí pode ser uma coisa meio aleatória, mas sei lá, uma coisa meio tipo Maria Bethânia das ideias, que você entende que o palco é seu tempo sagrado, é seu espaço, e ali você também é uma personagem, você é uma parte, aqueles textos são parte da sua personagem que você está construindo ali, aquilo não é a sua realidade.

E aí eu acho interessante como isso transborda para as personagens da Biorc. E é muito interessante, acho que essa questão de ser um universo de juventude. E aí a gente falou, você falou, o filme é filmado em 1986, é o ano que o Sugarcrubs é formado, que o Sugarcrubs passa a existir. E quando o filme chega em Sundance, já é o momento que ela está chegando para o mundo e ela está passando a existir. Então as pessoas passam...

elas já achavam a Bjork estranha elas já achavam quem é essa menina esquisita essa gente que tá vindo da Islândia e aí basicamente ela aparece nesse filme que também é muito esquisito, eu acho que tudo meio que corrobora pra construir essa imagem mística e mítica em torno da Bjork nesse início dos anos 90

É engraçado porque esse filme, quando a gente teve a ideia para o episódio, eu fui atrás para ver, eu sabia a existência desse filme, fui ver se ele tinha feito mais alguma coisa que fosse com outros diretores e tal. E é isso, o primeiro papel dela e o último que a gente teve também foi o Homem do Norte, do Robert Eggers, o João até citou, o Abruxa. É engraçado pensar nesse filme também como a imagem da Bjork, que ela parece muito...

Parece muito natural a representação para o tipo de artista que ela ia ser e a imagem que ela ia criar na cultura pop, né? Não tem nada que a Bjork tenha feito também no cinema que não pareça algo da Bjork, não pareça uma escolha muito apropriada para ela, sabe? E é algo até que a gente discutiu nos outros episódios, os filmes da Madonna, quando você vai ver quem a Madonna estava interpretando no cinema, né? Quem é a Madonna...

Os papéis que a Madonna estava escolhendo. Como eles estavam muito alinhados também com a persona artística dela. E a Gaga também. A Gaga tem uma linha que junta todas as personagens dela. É curioso a Bjork. Porque a gente tem poucos, mas eles estão aqui. E parece quase que um presságio do tipo de artista. Do tipo de arte que ela viria a se tornar depois. Porque é bem nessa época que ela começa essa banda punk nos anos 80.

e depois vai seguir outros rumos dentro da carreira dela. E é uma presença muito magnética dentro desse filme. Esse filme tem esses tons muito... Como posso dizer? É muito pé no chão dentro dessa coisa do realismo fantástico, do conto de fadas.

Islandês, algo que eu tava pensando Que eu estive pensando Nas últimas semanas, eu quero até fazer um episódio sobre contos de fadas Tava conversando com os meninos Sobre isso, porque eu fui assistir O Veneno para Fadas Aquele filme mexicano que... Você já assistiu, Renan? Não, era a cabine, era no dia que eu tinha coisa de trabalho Fiquei muito triste, eu tenho que ver

Eu tava lá, eu fui na cabine, mas tente ver no cinema. É um filme lindo. Filme mexicano maravilhoso. E o jeito que ele conta, o jeito que ele encara o conto de fadas, ele é completamente diferente do jeito americano de se ver um conto de fadas, né? E principalmente essa coisa de um conto de fadas adulto, um conto de fadas mais macabro, né? É, porque...

Os contos de fadas são histórias infantis, intrinsecamente uma história infantil, ele tem uma lição de moral. Quando os irmãos Green escreveram eram essas coisas um pouco mais macabras, mas ainda assim eram histórias para crianças. Depois a gente tem essa reapropriação da Disney dessas histórias.

que eles vão lançando para o mundo e criam um novo imaginário em cima delas, e se perde um pouco dessa conexão antiga. Mas é engraçado como quando os Estados Unidos vão se reapropriar delas de novo, trazer elas para uma coisa mais próxima do original, eles vão para uma coisa muito violenta.

Parece, sabe? É uma violência, o macabro dos Estados Unidos é muito diferente do macabro, da história de bruxa, desses outros países que estão à margem dos Estados Unidos. Então eu tava pensando, assistindo ele, tava pensando muito no Veneno pra Fadas, que é um filme mexicano. Tava até pensando no Meia Irmã Feia, que por mais que seja um filme bem grotesco e violento, ele ainda tem um...

um estilo e um ritmo completamente diferente do se pensar dos Estados Unidos. E tem esse filme, né, que é essa história de bruxa, essa história que a violência tem caminhos violentos dentro dela, mas ele tá muito mais alinhado pra essa sensibilidade mística e essa coisa quase que pagã, né, do conto de fadas, a bruxa do conto de fadas, não existe essa coisa de...

De bem e mal. A magia aqui é uma forma de proteção e de preservação. As dúvidas do menino. A paranoia do menino. Ela é confirmada. Ela é uma paranoia real. Os desfechos dessa história vão ser. Dos mais tristes e trágicos. E tem uma lição de moral por trás deles. Mas é muito diferente. Do que a gente está acostumado. Para esse tipo de história. Eu achei exatamente muito interessante por causa disso. Eu gosto muito de como ele vai atrelar. Esse misticismo e essa magia.

A natureza também, parece que os cenários, a Islândia nesse filme, ela serve quase que como a Nova Zelândia para os filmes do Senhor dos Anéis, assim. Ela é o cenário que vai permitir com que a magia exista nesse mundo, mas não é a magia clássica que você está acostumado, tanto que quando ela se manifesta de uma maneira mais física, é muito bizarro, tem uma coisa meio... Tem um...

um grau de dúvida em cima, né? Não é uma coisa fantástica, digamos assim. É uma coisa muito mundana, muito bizarra, que tá espreitando... E parece muito natural, que tá espreitando a natureza daquele espaço.

Não, acho que isso que você falou dessa forma de olhar o misticismo e de como ele é retratado a partir dessas figuras femininas e de como essas leituras são feitas de outras maneiras em diferentes países, é engraçado porque a forma como ela filma essas meninas no filme me lembra muito as coisas que a Espanha produz nos anos 70, tipo o Cria-Coervos, do Carlos Saura, e o Espírito da Colmeia, do Vitor Erice.

Eu acho que a forma como essas meninas olham para o mistério, e como o mistério é parte da vida delas, e como elas se utilizam desses medos e desses misticismos, que para as outras pessoas podem ser coisas assustadoras e horríveis.

mas como para elas é uma possibilidade de encarar e de olhar para o mundo. E é interessante que no caso dos filmes espanhóis, eles são obviamente metáforas e logísticas para se falar sobre a ditadura de Franco nos anos 70, uma questão política muito tensa do país.

E é interessante que nesse caso do Juniper Tree, por ser uma diretora mulher e tem uma outra conotação, uma outra discussão, eu acho que o filme pende para outros caminhos que, como o João falou, se conectam muito a leituras que a gente tem hoje em dia desses filmes mais místicos que falam sobre a figura feminina dentro desse universo da bruxa, dessa construção histórica dessas personagens. Então, acho que tem...

caminhos para olhar esse filme em diálogo com outros filmes. E eu acho que isso que torna rico, porque eu acho que tem essa perspectiva de um filme pequeno, independente, produzido em 1986, na Islândia, com uma equipe pequena, sem dinheiro, e que está dialogando com outras formas de pensar essas histórias, essas narrativas ao redor do mundo. Sim, sim. Eu acho que toda essa confluência vem justamente...

disso, do fato da diretora ser norte-americana, eu tava pesquisando sobre ela porque não tem muita coisa sobre ela na internet, ela fez poucas coisas, ela acho que dirigiu dois filmes em vida, ela tava trabalhando num terceiro que eu acho que só foi finalizado depois que ela morreu.

Algo do tipo. E ela começou a carreira acadêmica dela estudando folclore e linguística germânicas. Então ela foi pra Islândia passar um ano lá estudando tudo isso. Ela volta, ela escreve o Juniper Tree e ela volta pra Islândia pra gravar o filme logo depois. Então eu acho que existe muito essa confluência.

que eu acho muito interessante para a época, eu acho que parecia até um pouco mais disruptiva, e ela está usando como base uma história que não é daquele lugar, mas ela vai unir com essa ideia de se lidar com o misticismo e lidar com quase esse realismo mágico dentro dessa própria linguagem que ela estabelece dentro do filme. Então ela vai fazer isso de uma maneira que...

todo o entendimento do que não é natural precede o que está acontecendo dentro do filme. É antes de um certo entendimento do que a gente teria sobre essa ideia da natureza. Podia ser basicamente, facilmente, mais um elemento da natureza o que estava acontecendo ali, sabe? E eu acho que...

Colocar e filtrar isso através da perspectiva dessas duas personagens, do menino também, da criança também, eu acho que a única pessoa que fica completamente alheia mesmo ali é o pai. Então eu acho muito interessante que isso é filtrado dentro do ponto de vista desses personagens que estão...

de certo modo, dentro do que se encaixa uma ideia de abjeção, né? Então, não apenas as mulheres, mas a criança também. Então, isso oferece para eles uma maneira diferente de encarar esses elementos, né?

Você citou a carreira curta da diretora. É curioso que ela faz... Nos anos 90, ela consegue fazer um filme, né? Que é pra TV, que é o Heroine of Hell. E que é protagonizado pela Catherine Keener e o Delmott Mulroney. Eu nunca sei pronunciar o sobrenome dele.

e é curioso, é um desse filme super pequeno você não acha em lugar nenhum assim mas ela realmente conseguiu produzir o outro só depois da morte dela que é finalizado, mas acho que também tem isso acho que essa própria questão da carreira dela também mostra um pouco como é você ser uma mulher produzindo filmes independentes é sempre

Era um desafio ainda maior. E é meio maluco, às vezes a gente fica falando assim, ah, diretoras femininas hoje em dia, mas todas elas conseguiram construir uma carreira longa durante muitos anos. É tipo assim, um esforço hercúleo absurdo pra você conseguir se manter enquanto, sei lá, tem uns homens que ganham dinheiro pra fazer filme de nada que nem deveria existir.

Então acho que isso também tem um pouco a ver com todo esse arco temporal para o filme dela ser redescoberto, ser revalorizado, porque a gente falou ali, o filme foi lançado em Sundance e tudo mais, mas durante muitos anos ele era um filme que mais as pessoas comentavam do que as pessoas tinham visto. Ele era um filme que as pessoas falavam, ah, o filme de bruxa que a Bjork fez nos anos 90. Eu lembro que ele foi surgir na internet brasileira.

Já no final dos anos 2000, assim, pra gente conseguir baixar e poder assistir. Aí tinha uma legendagem em inglês e tudo mais. Mas era uma qualidade bem ruinzinha ainda a primeira vez que eu vi. Então acho que tem esse caminho também até o filme ser redescoberto, que é interessante. É, e essa remasterização que a gente assistiu, ela é muito recente também. Se parar pra pensar, é 2019 pra cá.

Quer dizer, né? 2019 faz um tempo já. Mas é que o tempo se perdeu. Entramos numa fenda após 2020. Então faz pouquíssimo tempo. Pra mim é ontem. É, não. 2020 foi semana passada. O trem está chegando. Saia do carro, Jeff. Você tem que ser cuidadoso. Não se vê, não é?

E aí a gente chega agora em Dançando no Escuro, que é um filme lançado no ano de 2000, dirigido pelo Lars von Trier. Ele faz parte do que é chamado de a trilogia Coração de Ouro, do Lars von Trier. Então ele encerra essa trilogia, que é formada por Ondas do Destino, de 1996, Os Idiotas, de 1998, que é o filme do Dogma 95 dele.

e Dançando no Escuro, que é protagonizado pela Bjork e conta a história da Selma. A Selma é uma imigrante tcheca que está vivendo nos Estados Unidos dos anos 60, ela trabalha numa fábrica e aos poucos a gente vai entendendo que ela está perdendo a visão e é uma doença que o filho dela também tem e ela passa a juntar dinheiro para que, se ela vai perder a visão, que pelo menos o filho dela consiga fazer o tratamento para se curar perante isso.

O problema é que no meio desse entorno do dia a dia, que poderia ser tão simples da minha amiga de trabalhar, voltar para casa, fazer as coisinhas dela, ela é envolvida numa pequena comunidade ali onde ela mora, que essas pessoas acabam testando ela e explorando ela de diferentes maneiras. Isso é uma das logísticas.

dessa trilogia do Lars von Trier que ela meio que discute essas questões entre bondade e perversidade moral eu acho que isso é meio escancarado em Ondas do Destino uma das coisas mais absurdas que eu já vi na vida é Ondas do Destino e aí eu acho que Dançando no Escuro quem já tinha visto os filmes anteriores chega em Dançando no Escuro de uma forma meio

preparada, mas se você nunca esteve preparado pra isso, você fica tal qual a Bjork neste filme, porque a personagem da Selma ela vive ali num mundinho que ela tá participando dos ensaios de um musical, ela vai ao cinema assistir musicais junto com a sua amiga Catherine Deneuve

Elas fazem suas coisinhas e nessa experiência a Selma passa a olhar para o mundo a partir dessa perspectiva inspirada pelos musicais e por esse universo formado pelas canções dessa Hollywood clássica. E é interessante porque isso tudo se transforma, transforma o filme que é um drama pesadíssimo também, num musical e se transforma posteriormente no Selma Songs, que é a trilha sonora do filme escrito inteiramente pela Bjork.

Durante toda a produção do filme, a relação da Bjork com o Laszlo Antir foi sempre muito tensa, e isso ficou muito claro já na divulgação do filme na época. Tem uma história clássica de que a Bjork sumiu durante uma semana, ela cuspiu na cara do Laszlo Antir e ela sumiu e ficaria uma semana desaparecida, que nem a Joga, que é a melhor amiga dela, encontrava ela e tudo mais.

Essa é a história que se espalhou durante os anos 2000 e que a Bjork era uma artista difícil de se lidar. Foi isso que se contou durante um bom tempo. Em 2000 eles lançaram o filme em Cannes, o filme ganhou o prêmio A Palma de Ouro e a Bjork leva também A Palma de Ouro de atriz. E é interessante que durante muitos anos a Bjork praticamente não falou sobre essa experiência traumática dela com o filme do Lars von Trier. E ela só falava que ela não tinha mais vontade.

de ter outra experiência no cinema. E aí a gente teve outras histórias de diferentes atrizes que também falaram sobre suas experiências negativas ao lado do Lars von Trier. Acho que a Nicole Kidman é o caso mais vocal sobre isso. Toda a forma como a...

A experiência dela em Dogville marca a carreira dela e é bastante simbólica de um tipo de relação que passa a ser questionada a partir dos anos 2010, esse tipo de relação meio opressora entre o diretor e suas atrizes, porque, querendo ou não, antigamente isso era um parâmetro, digamos assim. Era muito normal que os diretores enlouqueciam suas atrizes, tipo as musas do Hitchcock eram meio atormentadas por ele.

E aí, a partir dos anos 2010, a gente passa a discutir isso. Com a chegada do Me Too, a Bjork fala publicamente, pela primeira vez, sobre a experiência dela no Dançando no Escuro. E ela fala que a experiência dos dois foi extremamente difícil porque o Lars von Trier ficava testando limites sexuais com a Bjork.

E ela dava negativas para ele, numa experiência que ela entende como um abuso sexual, um abuso físico do seu próprio corpo. E que isso foi corroborado por outras pessoas da equipe que trabalharam com ela nesse momento. O Les Von Trier diz que isso, ele nega essas acusações, ele diz que...

eles sim não se deram bem nessa produção, nessa gravação, mas que esse tipo de abuso nunca teria acontecido. O fato é que isso voltou a ser discutido, a Bjork chegou a falar novamente algumas vezes sobre esse tema, e ela falou que não necessariamente...

que o fato do Las Vonti de ter sido uma pessoa horrível, obviamente fez com que ela ficasse um pouco arisca do ambiente de uma gravação de cinema mas que não foi só isso que fez ela não fazer filmes, mas que ela não estava mais interessada em ter esses processos, tanto que eu falei que logo alguns anos depois ela participa desses processos experimentais do Matthew Barnes em todo o projeto de cinema dele, e a gente citou aqui ela faz O Homem do Norte posteriormente, que ela também está O Homem do Norte

em um ambiente que ela se sente mais tranquila para fazer e também ela não é aqui a protagonista. Só que eu acho que o caso de Dançando no Escuro é um grande marco, porque é esse momento que a carreira do Laszlo Montreux está...

talvez no seu grande auge criativo, que vai aqui do final dos anos 90 até metade dos anos, início dos anos 2010, que ele produz muitas coisas que têm um impacto cultural, que as pessoas comentam, que as pessoas debatem, que as pessoas estão interessadas em dialogar. E acho que a Bjork era uma figura, como a gente falou desde o início, artisticamente muito central para a cultura pop e ela está conectada a um filme que é tão doloroso, tão marcante e causa essas não saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben saben

Essas tensões. E aí eu queria saber de vocês como foi a primeira vez que vocês assistiram esse filme e subiu os créditos. Como vocês ficaram? Eu tinha visto esse filme uma vez, antes de hoje que eu revi o filme pra essa gravação. E eu era adolescente, eu já era muito fã da Bjork, eu tinha protelado esse filme por um tempo. Eu já conheci o Selma Songs, mas eu tive uma fase Las Von Trier, eu tive uma fase que eu comecei a... Eu entrei na fissura do Las Von Trier.

Eu falei... Não, eu menti, na verdade. Eu estou confundindo... A gente vai chegando nos 30, você começa a confundir datas. Porque se o Vespertini... Não, Vespertini não. Porque se o Vonicora é 2015, e eu me lembro de ter essa fase, que eu fiquei muito fissurado no Von Trier, e foi na época do Melancolia, então foi antes. Então foi antes, eu já era fã da Bjork, eu acho que eu fui ver o Dançando no Escuro, porque uniu essas duas coisas.

Porque eu me lembro de quando saiu o Anticristo do Von Trier. Que eu fiquei muito... Caralho, eu quero... Eu preciso ver se eu... Eu preciso ver se eu... Eu fiquei muito assim. Eu lembro quando saiu em Cannes. E saíram as primeiras reações. E as pessoas estavam deixando as salas. E teve aquela crítica. Aquele quote bem famoso.

Porque um crítico falou que assistir esse filme é igual alguém enfiar num garfo no seu olho. E eu fiquei, meu Deus, eu preciso ver esse filme, eu preciso ver esse filme. Adolescente foi de terror, né? Aí o filme caiu na internet, eu assisti. E daí eu entrei na onda de ver o máximo de filmes do Von Trier.

Que eu pude, que daí foi quando eu vi Dogville Eu aluguei Dogville e eu fiz a minha mãe e meu pai assistirem Dogville comigo Aham, aham E daí... Eu me lembro desses dias, a gente jogou um colchão na sala Minha mãe dormiu num ponto do fim, mas meu pai viu comigo até o final Eu assisti Os Idiotas nessa época também Eu assisti o Manderlei E eu me lembro de acompanhar o Belancolia, eu acho que foi nessa época também

Que eu vi o Dançando no Escuro. E eu já gostava muito da Bjork. Eu nunca revi esse filme. Porque eu me lembro de terminar de ver esse filme. E pensar. Nunca mais. Eu não sou uma pessoa que chora com muita facilidade.

Eu não choro no meu dia a dia, eu não choro por coisas que acontecem na minha vida, eu choro vendo filme, normalmente. E eu sinto meu olho aguar, mas chorar de verdade, chorar de soluçar, poucas coisas na vida me fizeram chorar de soluçar. Uma delas foi o final de Lost.

O último episódio de Lost é a coisa que eu acho que eu mais chorei na minha vida assistindo. Foi o último episódio de Lost. E a segunda coisa talvez seja a dança no escuro. Porque eu me lembro de terminar esse filme a primeira vez com a cabeça doendo. Eu lembro da minha cabeça latejar. De tanto que eu chorei assistindo esse filme. E eu me lembro de demorar pra terminar de ver esse filme. Porque ele me fazia mal. Eu me lembro de pausar o filme e falar...

Eu vou terminar depois E daí voltar e tocar o filme de novo E é isso, o filme terminou Eu falei, ok, não quero Não quero isso na minha vida, tá tudo certo Mas lindo, lindo, muito bom Eu adoro o Selma Song Eu adoro as músicas desse filme Eu continuo escutando só as músicas

E é isso, passou, cresci, me tornei um adulto. Sempre que falamos, ah, Dançando Escuro, eu falamos, nossa, é excelente, de fato, excelente Dançando Escuro. Meu namorado nunca viu Dançando Escuro. Eu sempre falo pra ele, você precisa ver Dançando Escuro, mas a verdade é que eu estava mentindo. Faz mais de 10 anos que eu nunca tinha revisto esse filme. É a primeira vez que eu dei play no filme. E eu dei play de muito bom humor. Estava contando pros meninos aqui antes da gravação.

Eu falei, olha, eu sei tudo o que acontece, sabe? Faz mais de 10 anos que eu assisti, deve fazer 15 anos que eu assisti, mas eu lembro como se fosse ontem, eu sei de tudo o que acontece com esse filme. Essas cenas ficam sendo postadas no Twitter toda semana, eu tô sempre vendo. E daí eu fui ver, eu tava de muito bom humor, tava até brincando com o João Neto, falando, ih, olha só. Só que aí toda vez que o filme começava a ficar meio sério, eu falava, não, não, eu vou fazer uma piadinha aqui, vamos escapar.

Até a hora que você trava, que é o julgamento. O filme já é muito pesado antes. Mas se você tá que nem eu, você tava no... Eu tava meio cínico, eu tava meio tipo, eu vou desarmado pra esse filme, eu não vou, sabe? Na verdade, eu tava indo armado. Eu acho que ele te desarma na cena do julgamento. Inclusive, eu não lembrava e eu não reconheci o Joe Gray nesse filme. Foi só nos créditos que eu vi o nome dele que eu falei, caralho!

O Joe Gray de Cabaré. Oh my God, Joe Gray foi no Cabaré. Esse filme, ele é uma metralhadora. Ele é um rolo compressor humano. Ele te pega ali de um jeito que você não consegue largar. E por mais que você saiba do final, por mais que eu tenha visto várias vezes a última cena, tem aquele baby engraçadíssimo que é aquele vídeo que as pessoas ficam postando da última cena com a propaganda do Bob Esponja aparecendo no meio. É.

Não dá, cara. Aquela última cena é a coisa mais diabólica que alguém já filmou. É, talvez... E é absurdo que a gente tava no Asjum Trim, né? Ele já filmou muitas coisas diabólicas. É que é tão sinistro e é tão longo. E você sabe o que vem, mas você não consegue antecipar. Então, quando cai, por mais que você saiba, você pega de surpresa. É um horror, é um horror. Mas é um grande filme. Vamos falar sobre ele aqui.

Você citou o elenco do filme, é interessante, todos os filmes do Lars von Trier tem elencos muito absurdos. Absurdos, absurdos. Lauren Bacall em Dogville, coisas absurdas acontecem. Cadu e da Neve, né? Sim, você citou o anticristo durante a faculdade. No primeiro ano da faculdade a gente foi fazer uma festa de filme de terror e a gente foi nas locadoras e pegou cartazes e eu ganhei um cartaz de...

o anticristo, esse cartaz devia ter quase a meia altura, acho que ele tá na casa da minha mãe ainda daqueles de lona não é de papel, ele ficava na parede do meu quarto inteiro caramba ele ia ter uns dois metros de altura esse cartaz enfim, mas ele foi a decoração do meu quarto durante toda a faculdade mas eu lembro que eu vi sua mãe não ficava escandalizada?

A minha mãe só foi na minha... Eu morava em outra cidade, então ela só foi visitar meu quarto no dia da formatura. Então, ninguém viu. Só os meus amigos. Todo mundo achava esquisito. Só as vezes quando eu ia receber alguém pra transar, as pessoas achavam esquisito. Eu tinha o de Valded que um dia minha mãe pediu pra baixar. Ela falou, ah, eu não gosto desse posto.

É engraçado porque eu vi Dog View, foi a primeira coisa que eu vi do Lars von Trier, porque eu vi, eu aluguei na locadora, antes de eu ser criança MTV, eu já era uma criança cinéfila. Então eu ia na locadora, às vezes eu conversava com as pessoas da locadora, e eu lembro que o moço falou, tipo, esse filme é bem esquisito.

E ele é longo, ele não tem cenário. E aí eu achei aquilo tudo muito encantador. E eu levei, fui destruído. Depois eu lembro que eu assisti Ondas do Destino. E aí uma coisa que eu não citei sobre Dançando no Escuro, que eu acho sempre muito interessante, é que o filme foi gravado com várias cenas, tem quase 100 câmeras no ambiente. Eu lembro que isso passava na época uns...

Os making-offs, tipo o programa Metrópolis da TV Cultura, mostrando como foi feito o filme Dançando no Escuro. Daí aparecia aquela parede cheia de câmeras. E aí, por causa disso, tem vários takes diferentes. Por isso que às vezes o filme tem cortes e a câmera pega diferentes reações deles. E aí eu acho que lembro que a primeira vez que eu assisti, isso também me impactou muito. Só que eu acho que é muito curioso, que antes de eu ficar triste no final do filme, eu tenho quase uma crise de ansiedade naquela metade toda, quando começam a fazer maldades pra ela.

Que é a mesma coisa que acontece em Ondas do Destino, eu vou ficando meio descompensado. E aí o final, porque eu diferente do Luiz, eu choro com qualquer coisa. Eu sempre choro e no caso desse eu chorei muito assim de ficar ranhenta. E depois de deitar em posição fetal e ficar ali e continuar chorando.

Esse é muito o tipo de filme de você ver na sua adolescência, né? Porque você, de alguma forma, se você gosta de filme, você vai entrar em contato com esse filme. Porque também tem toda uma aura em volta dele, assim. Ele já tem toda uma coisa em volta dele, assim. Quase uma mística em volta dele.

E que vai despertar sua curiosidade. Seja você fã da BIOC. Seja você quer descobrir o cinema do Las Maltrias. Você vai... Seja você esbarrando numa lista filmes mais chocantes. Sei lá, sabe? Adoro cinema. E daí... Alguma coisa desse tipo. Você vai esbarrar em Dançando no Esquoro.

E foi exatamente essa minha experiência. E eu lembro de ficar meio anestesiado, assim. Eu não sabia pra onde esse filme ia. Eu sabia que ele tinha algumas coisas musicais. E ainda assim, era uma abordagem muito diferente de tudo que eu tinha visto de musical no cinema. Então, foi uma experiência bem overwhelming, assim. Eu lembro que eu tava...

Eu tava muito sobrecarregado com tudo que o filme tava jogando em mim. E eu nunca tinha revisto ele até essa semana. E à medida que a gente tava se aproximando desse episódio, eu tava um pouco assim... Será que eu tô preparado pra falar sobre esse filme? Eu sei que eu vou rever ele, mas eu não sei. Pra falar sobre ele, a gente tem que falar um pouco sobre o cinema do Las Vontri. E eu acho que eu preciso assistir mais coisas do Las Vontri. Eu acho que eu não vi quase nada do Las Vontri.

Será que precisa, amigo? Então, então. Eu acho que, como você falou, Dançando e Escurir um Filme pra ver na adolescência, eu acho que a psicose com o Lars von Tira é uma coisa pra gente ter na adolescência. É muito, é puntual. Porque depois que eu passei dos 30 anos, eu lembro que eu fui ver a casa que Jack construiu. Eu quase fiquei assim, gente, por que eu tô me propondo a isso? Pra quê? Pra que eu preciso disso? Eu sou um homem adulto, eu não preciso mais disso, sabe?

Ao mesmo tempo, esses filmes, eles se tornam nostálgicos pra vocês depois, sabe? Sim. Eu acho que a experiência de Dogville é muito icônica. Exato. Não, recentemente no Porão do Belas, eles passaram Anticristo. E eu falei, ok, eu vou rever Anticristo no cinema. Foi tão nostálgico, eu me senti com 13 N de novo, assistindo o filme Anticristo do Las Vontri.

Eu fui ver e percebi que eu já tinha assistido bastante coisa do Las Montreux, apesar de eu nunca ter visto Dogville. Então tem coisas de fato que eu tô devendo e eu preciso ver Nicole Kidman, sabe? Ela sofreu muito. Vai mudar a sua vida, Jonato. Chloe Sevigny.

É que o Watchdog View é tipo assim, filme de atrizes, grandes atores entregando cenas incríveis. É uma coisa muito absurda e é muito maluco porque o filme faz algo que é quase impossível de fazer, que é transmitir essa experiência do teatro para o cinema, porque são linguagens muito específicas e o teatro tem uma suspensão que você acredita nas coisas que eles estão dizendo. Ele diz que aqui tem uma porta, você acredita no teatro.

Mas no cinema, se você não tem a porta, você diz assim, ah, palhaçada, né, Mona? Coloca uma porta aí. Só que aí, no caso dele, ele faz você acreditar nisso. E é muito assustador. E acho que todo o elenco tá, tipo assim, incrível. Eu preciso, eu preciso ver. Mas ir rever o Dançando no Escuro foi uma experiência muito curiosa pra mim, porque...

Foi a primeira vez que eu estava assistindo esse filme com uma ciência de Bjork, conhecendo parte do trabalho dela e sendo fã do trabalho dela. Foi algo completamente diferente do que ver pela primeira vez e ser essa pessoa um pouco desconhecida, que eu era bastante alheio. E entender um pouco também parte da história em relação a isso. Mas foi engraçado, porque eu estava muito fascinado. Eu fiquei fascinado o filme inteiro.

Mas nessa experiência específica, eu acho que depois que rola toda a putaria, sabe, e o filme vai pra aquela segunda hora, eu comecei a entrar num campo muito desensibilizado. E eu só conseguia reagir com as coisas tipo assim, Ai, que filme cretino. Ai, que filme cretino. E meu namorado tava se acabando de chorar do meu lado, e eu, Ai, que filme cretino, sabe.

Eu não conseguia acreditar que ele tava indo lá fazendo essas coisas, porque eu acho que é justamente essa linha tênue do Las Ventrias, e tem essa coisa do cinema do Las Ventrias, até Dogville e depois de Dogville, ele muda completamente. E eu acho que ele se atém muito no melodrama nesse filme, principalmente. Eu acho que é o filme mais melodramático dele, de toda a filmografia dele.

Ele se atém muito no melodrama pra arrancar uma reação do público. E ele tá sempre caminhando nessa coisa do melodrama barato, da reação barata. Porque...

Porra, essa personagem, que é essa imigrante fodida, que tá ficando cega, ela trabalha nessa fábrica de lataria, o filho dela também tá ficando cego, ele não sabe, ela tá juntando dinheiro pra pagar a cirurgia dele, tem um lance com o vizinho, o vizinho rouba o dinheiro. Ele vai progressivamente piorando essa situação e ele quer que você reaja de alguma forma, porque dentro dessa trilogia informal que ele tava fazendo, Coração Dourado, ele vai confrontando muito.

essa coisa da perversidade humana, da covardia e da crueldade humana, e que eu acho que tá muito pertinente discutir esses filmes, e assim como realmente desde que ele esteve em Cannes tinha discussões sobre, tipo assim, ah, esse filme é muito cruel, esse filme é muito cruel pra mim, ou ele passa dessa linha, ou algo do tipo, acho que faz parte das temáticas que ele tá discutindo.

E eu acho que foi um filme que ele ficou até um pouco mais claro pra mim, depois que eu revi ele, e eu fui assistir O Ondas do Destino hoje. E foi um filme que eu adorei, inclusive. Porque são filmes que dialogam muito diretamente entre si, justamente, porque tem essas duas personagens no centro dele, no núcleo dele, que são essas personagens que são retratadas de maneira muito ingênua. Elas, claramente, estão muito desconectadas das normas sociais em volta delas.

Aqui a gente tem a Selma, ela está nesse cenário, ela é imigrante norte-americana dentro dessa comunidade no interior dos Estados Unidos, nos anos 60. Então, tem também toda uma questão dentro do filme, para além de tudo, que é um subtexto político, né? Então, é no meio da Guerra Fria, tem essa...

Essa imigrante lá do meio da Europa, que falou uma vez numa certa conversa entre eles que ela apoia o comunismo, e daí na primeira oportunidade toda a cidade se volta contra ela e tem toda essa questão. Então tem uma estabilidade maior no subtexto, enquanto no Ondas do Destino tem essa personagem que é mais voltada para uma questão da comunidade ser...

muito religiosa e conservadora. Os dois filmes andam muito pau a pau, assim, com as dinâmicas e as conversas dele, de transformar essas personagens em santas, basicamente. Essas personagens são martirizadas, elas são santificadas pela bondade delas, pela integridade delas, pela fé no amor, como é a personagem do Ondas de Destino, pela integridade moral da Selma aqui, esse objetivo muito...

muito genuíno dela e muito... como é que se fala? É uma pessoa que não pensa em si mesmo. Eu esqueci o nome do termo que fala sobre isso. Altruísta, é. Esse sentimento, esse objetivo muito altruísta dela de salvar o filho dela, mas que também está conectado a uma culpa.

da maternidade dela, né? Dela ter se tornado mãe sabendo que ela tinha essa condição hereditária da família. Então ela carrega muito essa culpa dentro de si de ter gerado essa vida que está condenada a esse mesmo destino. Então tudo o que ela está fazendo é tentando espiar um pouco dessa culpa também para poder salvar o filho. É uma personagem que é muito complexa apesar do melodrama e é muito interessante.

E aí a gente tem dentro do centro desse filme a Bjork, né? E a Bjork, dessas poucas atuações que ela teve na carreira dela dentro do cinema, dentro de personagens fictícias, talvez não, sem dúvidas, a performance mais intensa dela, que ela se entrega completamente pra essa personagem. Ela já falou em diversas entrevistas que ela entrou nesse processo criativo de encarnar Selma e ela dizia que na época ela começou a agir diferente, a se comportar de maneira diferente, a falar de maneira diferente.

Tava fazendo todo o processo dela de... A nossa Lady Gaga. Atendimento, sabe? Ah, e as moscas estão correndo atrás de mim, sabe? Ela entrou um pouco nesse... Nessa vibe. Vocês também ficam bêbados com bebidas de site? Não, não, não. Eu adoro a cara da Fenella Picruz. A Kirsten e a Dunn. Se eu contar, se eu falar isso... A Kirsten e a Dunn fica assim...

Mas falando dessa questão Que você falou entre o universo De Ondas do Destino e o de Dançando no Escuro Acho que tem uma perspectiva De que, como eu falei Toda essa era de ouro do Lars von Trier Ele discute coisas que são muito Interligadas Entre esses filmes Que tem essa questão de uma religiosidade Que poda as liberdades das pessoas

Acho que tem um cinismo dessa humanidade, a forma como ele retrata esses personagens, eles são sempre muito cínicos, muito egoístas, ou eles meio que ignoram as necessidades do outro. Eu acho que isso é uma marca bastante clara nos dois filmes aqui, mas isso também fica muito claro em Dogville de uma outra maneira, por uma outra perspectiva.

E aí eu acho que tem uma forma também de como determinados personagens rompem com essas logísticas. E daí pode ser tanto os personagens que são extremamente bons, os personagens que cometem coisas que seriam consideradas crimes, como a Nicole Kidzman e Dogville, ou os personagens que corrompem e subvertem essas logísticas como os idiotas.

Então acho que tem caminhos que ele cria. E é interessante que você falou do melodrama de Dançando no Escuro, porque eu acho que o filme, como ele dialoga com essa experiência do norte-americana, que é uma questão que vira meio que a grande bandeira do Lars von T. Contra os Estados Unidos. Ai, eu nunca fui para os Estados Unidos, mas eu odeio os Estados Unidos. E aí basicamente ele pega signos que são muito claros da Hollywood clássica, né?

Então tem esse melodrama, esse exagero que é muito Hollywood clássico anos 50, assim.

E tem os musicais, que eu acho que tem essa coisa de ele pegar um gênero que obviamente fica claro que ele não gosta. E ele quer dizer, vou fazer um musical pra quem não gosta de musical. Durante tantos que tinha muitos anos que as pessoas sempre diziam Ah, eu não gosto de musical, mas eu gosto de dançar um discurso.

Eu acho esse filme muito interessante, porque vendo ele agora, eu tava percebendo o quanto ele é bizarro também. É um filme muito esquisito. Ele é cheio de antíteses, sabe? Tudo nele parece que aponta pra um lado diferente. Tem essa coisa de que ele é uma... Como o João falou, essa paródia de melodrama. Eu vejo que parece, às vezes, que ele tá até parodiando esses filmes mais... Olha lá, essa era do Douglas Sarkins, essa coisa do subúrbio.

Sonho americano. Ele é um musical praticamente anti-musical também. Ele se passa nos anos 60, mas ele é filmado com uma câmera digital, várias câmeras digitais, o que dá um ar muito moderno pro filme, ao mesmo tempo que o que está datado hoje em dia, que está datado hoje em dia, mas pra época. Ele tem esse visual super analógico que esses filmes dessa época dos 2000, essas experimentações estavam tendo, né?

estava lembrando muito do Extermínio e do Império dos Sonhos do Lynch, que é curioso ver também como muitos filmes dessa época usavam das câmeras digitais para trazer esse tom de pesadelo para esses filmes. Então, é isso, ele está tratando de uma era muito clássica, com essas características muito clássicas, usando essas câmeras modernas.

Ele é um musical que não respeita também tanto as normas de musical, só que ao mesmo tempo eu acho que ele não vê o gênero de musical com tanto cinismo quanto você esperaria do filme. Ele vê de maneira até bastante romântica, sabe? Pra mim, o que impede o filme de desmoronar, como o João tava falando, é muito a Bjork também, mas essa honestidade desses momentos, assim, é algo que... Eu e o João, a gente tava até conversando, ele tava falando do...

É Ondas do Destino, né? O outro filme Que o Von Trier, ele é um diretor tão cínico Que parece que Você sempre se surpreende com Os momentos de honestidade dele E eu acho que todo filme dele tem um pouco disso São esses filmes super Super violentos no sentido de

de ser violentos com o público também, né? São filmes agressivíssimos. Mesmo que não tenha coisas agressivas acontecendo na tela, cenas violentas, no caso, né? Se não tem sangue, coisa assim. Você fica agredido assistindo o filme. Parece que ele sempre tem uma humanidade muito forte em vários desses filmes, que eu acho muito interessante dele, como diretor, você ser desarmado por tudo isso.

Eu acho que, disso que você falou, dessa humanidade, desses momentos únicos, eu acho que a parceria da Bjork com a Caterina Deneuve é um desses momentos. É fantástico. O encontro das duas na tela é muito lindo, e a forma como elas se apoiam durante todo o processo de divulgação do filme. A gente tem todas as fotos icônicas delas.

abraçadinhas delas fumando junto, delas tomando drink, delas fazendo coisinhas delas, que dá pra ver que é muito um apoio ali de atrizes e que eu acho que todas as atrizes que passam esses trabalhos com o Lars von Trier, eu acho que é uma experiência tão traumática que todas elas saem, por mais que algumas gostem e voltem, tipo o Charlotte Gansburg, todas elas saem e ficam meio juntinhas assim, tipo, amigas, vamos juntas por esse tapece vermelho de mãos dadas, que é meio isso, a Nicole Kidman com as outras mulheres do Dogville.

A Christian Dunst na época de divulgar Melancolia. Acho que sempre tem uma coisa Tipo assim, de você passou por Um campo de guerra, mas você Sobreviveu, menina mulher E nós vamos juntos Ai, eu tava até brincando com o João Que eu acho que a Catherine D'Aneville nunca esteve tão humana Num filme quanto nesse. Não Acho que é único E até a forma que ela fuma um cigarrinho Depois nas divulgações parece até Mais calma, não parece aquela mulher Que desrespeita a lei do fumo de São Paulo

Esse filme é cheio de cenas, né? É um filme, afinal. Mas o momento que me quebrou de vez, assim, quando eu tava vendo que eu falei, ai, não, não, não, baixaria, baixaria. Que é quando a... Como é que é o nome da personagem? É a Valda, né?

E ela tá falando, ah, o seu filho, o Gene, que é por causa do Gene Kelly, ela nobiou o filho dela em homenagem ao Gene Kelly, quer muito te ver. E daí ela responde, a Selma responde, mas não tem nada pra ver aqui. Eu gosto tanto de como ele trabalha também essa questão do musical, da música, como esse escape da vida da personagem e como a música e o cinema se tornam esse refúgio das pessoas. Eu acho que nós como pessoas...

LGBTs e algo que a gente discute desde o início do Esqueles no Armário é esse sentimento da arte, a gente encontrar refúgio na arte. Até quando a gente não tinha encontrado as nossas pessoas ainda e a gente se sente muito sozinho no mundo, parece que a tela de cinema sempre foi o seu melhor amigo. Aquela música da Ives Blood, o sentido da vida não brilha tão forte quanto a tela de cinema.

Enfim, gosto muito dessa mensagem, gosto muito disso. Gosto muito da cena que ela tá conversando com o policial e ela fala que ela ia embora antes da... na penúltima música de um musical, porque daí o filme poderia durar pra sempre também, que é uma coisa muito Margie Simpson, aquele episódio dos Simpsons, que a Margie fala que ela vai do cinema quando o filme tá feliz, porque daí ela só sai ganhando. E daí ela fala, por exemplo, Carrie...

deu tudo e tava dudutando errado mas no final ela tava tão feliz no baile eu acho que é uma maneira muito inteligente do filme que eu acho que pode ser essas personagens elas testam um pouco o público, elas testam o quanto o público tá disposto a comprar alguém tão genuinamente bom ao ponto de ser ingênuo dessa maneira tanto que eu já vi pessoas comentando sobre o filme dizendo assim, meu Deus do céu não saben saben saben

Essa mulher se sofre porque ela se coloca nessas situações, porque ela é assim ou algo do tipo. É uma maneira de arrancar uma reação do público também, né? Mas eu acho que nesse filme, tem o outro também do Ondas do Destino, que é uma logística bem parecida.

Mas eu acho que quando o Dançando no Escuro usa os musicais como uma contraparte pra situar esse imaginário dessa personagem num mundo que ela consegue se expressar melhor e ela consegue...

ver mais harmonia, que dá esse contraste muito forte com o mundo real, que é muito seco e é muito injusto, e é muito violento e agressivo, né? Eu acho que é uma maneira do filme um pouco equalizar as coisas e conseguir equilibrar essa empatia que a gente pode sentir pela Selma, para além de ela ser só apenas uma coitada. E eu acho que é aí que entra a magia da música da Bjork nesse filme, né? Porque...

Eu acho que a Bjork, através dos números musicais e as músicas que ela compõe atrás do filme, ela consegue equilibrar esse universo dentro desses números musicais dentro do filme. Que tem toda essa coisa do filme ser filmado de uma maneira mais crua, tem muita coisa do Dogma 95 que o Las Vegas está trazendo para o jeito que ele filmava nesse filme. Tanto que eu acho, se eu não me engano, ele tentou fazer essa trilogia ser uma trilogia...

toda do Dogma 95, só que eu acho que apenas os idiotas conseguiu se encaixar dentro das regras muito rigorosas desse movimento. É que eles próprios inventam a regra e depois eles desistem dessa regra. Exato, sabe? Eles fazem assim, ai, vintei a regra, agora sem se vir, gente, não quero mais essa regra. Exato, sabe? E aí ele vai pegar isso e ele vai usar como contraponto os momentos musicais de imaginação da Selma, que já são filmados de uma maneira muito mais decupada. Então existe...

todo esse pensamento em volta do movimento, das composições da câmera, dos ângulos, câmera mais fixa, etc. E a própria presença dessa música non-diegética dentro dos números musicais. E aí, voltando para o que eu estava falando aqui...

Eu me senti muito mais sensibilizado nessa primeira hora do filme, antes do crime, do que na segunda. Porque, de fato, é muito vulgar. A segunda hora é muito vulgar. A maneira que esse filme está constantemente tentando mexer com você. Isso não interfere necessariamente. Eu continuo achando um filme fantástico, mas...

Foi interessante ter uma experiência tão diferente, assim. Porque a primeira hora eu me sentia muito mais sensibilizado pelo filme todo. Eu acho que combina muito na cena de Yves Saint-Neil. Que é muito linda e eu comecei a lacrimejar. E é muito sensível e você enxerga muito essa visão de mundo da personagem.

que ela tá se excluindo da narrativa, ela tá se excluindo da sua identidade, ela tá se excluindo da sua própria vivência pra poder fazer esse sacrifício e, enfim, é algo muito fantástico, assim. Eu acho que, de novo, a Bjork, ela segura muito o filme de não descambar pra uma...

quase um exploitation emocional, assim. Continuou sendo muito agressivo, mas eu acho que ela, e até os momentos dela com a Catherine Denil, os momentos dela com o Peter Stromer, traz muita humanidade ali pra aquela situação e muito peso. Eu acho que o silêncio se fosse concentrado. Eu estava pensando.

É bom. O que? A snowman. A snowwoman, realmente. Você sabe qual é o nosso? Ele definitivamente tem a mais personalidade. Ele parece que... Bjorg. É o que nós vamos fazer. Mas todos pensam que o outro no final vai ser o ganho. Muito? É tão overdone. Eu concordo. Você deve ganhar. Não há argumento.

Vocês tinham pedido pra separar as coisas de... os momentos que a Bjork aparece em coisas... coisas, eu separei coisas, não separei só filmes, tá, gente? Porque é que... Primeiro que eu acho muito legal como a Bjork é usada em séries, eu gosto de todas as referências que eles fazem à Bjork em Gilmore Girls. Amo todas as vezes que ela é citada em Gilmore Girls.

Porque eu acho que tem muito, de novo, que a gente falou, de chegou um momento nos anos 2000 que a Bjork virou essa coisa esquisita. Mas a Bjork era uma figura pop, gente. A Bjork estava recebendo o prêmio da mão da RuPaul e da Karlie Minogue nos anos 90, sabe? Ela não era essa figura tão vista como esquisita pelas pessoas.

E aí eu acho muito interessante que Gummer Girls é citada várias vezes e eu adoro o momento que a Rory entende que ela tá apaixonadinha por ele, pelo menino na hora que o menino vê um boneco de neve e fala, nossa, aquele boneco de neve parece a Bjork e ela veio e olha assim, nossa, ele sabe quem é a Bjork e aí você se entende muito na Rory nós meninas somos estranhos, nós estamos assim ai, ninguém sabe quem é a Bjork, todo mundo sabe quem é a Bjork mas a gente quer achar no nosso coração que só a gente conhece ela de verdade, e aí eu adoro essa cena eu gosto muito também como as músicas da Bjork são usadas em My Mad Fat Diary E aí

Porque é uma série que fala muito sobre os anos 90, sobre essa geração. E a gente falou aqui dessa coisa de você ser estranho e de você se identificar com algumas coisas na arte. Eu acho que a personagem protagonista de My Mad Fat Diary, ela caminha muito pra música ser esse escape dela, de não se achar tão horrível e tão horrendo e tão maluca quando ela tá conectada com essas canções. Então adoro os momentos que eles usam a Bjork.

E aí, eu sou muito noveleira, e aí eu queria trazer o fato de que, um, na novela Rebu, eles usam Big Time Sensuality numa grande cena de festa. Porque a novela inteira, não sei se vocês já viram Rebu, é uma novela que ela se passa inteira numa festa. Qual versão? Ah, tá, qual versão não, porque a primeira é de anos 70, desculpa, a de 2014. É que a primeira, a primeira nem, ela pegou fogo mulher, só tem um capítulo. Desculpa, eu fui meio insano agora.

Tava meio menina sonhadora aqui, desculpa. Tem uma cena icônica de que eles usam big time sensuality, eles estão na festa, tem essa fichalote belíssima, Daniel Oliveira, todos aqueles bafos. E aí, uma das cenas que eu acho mais icônicas do que a Bjork é citada é uma cena que, se eu não me engano, é da novela A Lei do Amor, que é o Otávio Augusto, um moço diz pra ele, ah, eu vou ir pra Islândia. E aí, o Otávio Augusto fala, mas o que tem na Islândia de interessante além da Bjork? E aí...

Ele faz esse questionamento. Só que é muito bom você ouvir da voz do Otávio Augusto falando isso, com aquela mãozinha do Otávio Augusto, que é tipo assim, parece que ele saiu aqui direto da moca, dizendo o que tem na Irlândia de bom além da Bior. Todo mundo sempre lembra do The Army of Me em Sucker Punch, mas um little drop The Army of Me, que eu sempre lembro também, é de Tank Girl, da Rachel Talalay, com a Naomi Watts. É muito gag, e é na cena que elas sobem no tanque pela primeira vez. É incrível.

E eu tava tentando lembrar também que outros usos de músicas da Bjork Houve o breve momento, logo antes da pandemia, em que a gente surtou no filme Aves de Rapina Que também foi o único momento na história que o filme Aves de Rapina existiu

Que foi também o último respiro de um interesse em filmes de super-herói. E era só porque tinha a Mary Elizabeth Winstead. Porque foi isso. O filme... A gente ficou 2020 inteiro fingindo que a gente se importava com esse filme. A gente nunca mais falou disso. Mas tem aquele trailer do filme com It's Also Quiet. Que eu acho que talvez tenha sido um dos trailers que eu mais vi naquele período. Porque eu fiquei tão alucinado com o cara...

Caralho, It's So So Quiet no trailer de filme de super-herói. Eu ficava revendo aquele trailer várias vezes. E daí eu só vi o filme no cinema e nunca mais revi depois. Você citou algumas coisas que me fizeram lembrar. O fato de que, curiosamente, nos anos 90, tem muitas músicas da Bior que aparecem em filmes meio de ação. Tinha essa correlação, tanto que aparece em Leon, o profissional. As pessoas sempre associam o Vinos e o Zabói a esse filme.

E tem o fato de que ela fez Play Dead pra The Young Americans, que é o filme com o Harvey Keitel. E tipo, o clipe tem o Harvey Keitel. É o meu mundo, eu nasci desse clipe, eu nasci da redescoberta da carreira do Harvey Keitel no início dos 90 e o nascimento da carreira da Björn.

O fio que liga a Bior Calabria e Ketel, né? É, esse fio é muito importante. O fio de cocaína, né? Nossa, tem um needle drop que eu gosto muito dela. Que foi em Bife. A série Bife. Lembro da série Bife. Tem um... Quando essa série saiu, teve um needle drop que eu acho que meio que sequestrou toda a discussão. Que foi o needle drop do Ruba Stank no piloto. Na cena que o Steven Umija a casa da outra Mona lá. E ele sai correndo. E é hilário.

Só que tem um niddle drop que me deixou muito gag, que foi justamente o niddle drop de All is Full of Love. Acontece lá no final da temporada e vem muito de supetão, é num momento muito tenso. Você acabou de assistir uma decapitação que ninguém esperava, você tá muito estressado com essa série. Começa uma sequência de perseguição de carros na estrada.

E é um momento muito pivô entre esses dois personagens que estão em conflito a série inteira. Os comportamentos auto-institutivos dele estão arruinando a vida de todo mundo ao redor. E aí entra a Bjork cantando que existe amor em tudo a sua volta se você se abrir pra ele. E eu fiquei muito gag com esse needle drop. Eu fiquei muito gag.

Ah, e tem outra coisa. Não é um needle drop, mas é um vídeo que eu sou muito fascinado. E na época da pandemia eu usava ele incansavelmente. Que é um vídeo, eu não sei as origens desse vídeo. É algum programa de televisão espanhol ou mexicano, eu não sei. Não sei se vocês sabem do que eu tô falando. É um vídeo de um programa de sósias em que tem uma sósia da Pioca. E a sósia da Gaga que tem um Big Time. Juntas. Sim.

você citou os malucos de All is Full of Love eu lembrei que essa música toca em Stigmata você já viu esse vídeo? eu já vi, mas toca em Stigmata eu não lembro disso toca em algum momento aleatório dessas coisas malucas Stigmata é um filme completamente maluco

Eu lembro que a minha mãe é um pouco religiosa, ela também é professora, ela ligou esse filme no VHS pra gente ver, ela achando que seria, sei lá, um filme meio religioso que ela poderia usar com os alunos. E daí a gente foi impactado por esse filme em casa. Toda a família assistindo Estigma e Mata.

experiência. Patricia Arquete Jesus Cristo, sabe? É religioso. É, sabe? E daí você pensa na cabeça da minha mãe que leu essa sinopse e achou, pensou assim, será que eu posso usar esse filme em sala de aula pra discutir a questão religiosa? Não sei o que passou na mente dela. Pra fechar o episódio, vamos mencionar rapidamente, né? O último crédito na filmografia da Bjork, que foi justamente a pontinha que ela fez em The Northman, O Homem do Norte, que foi o épico Viking do... ...

do Robert E. Eggers, e que todo mundo ficou chocado que ele conseguiu tirar a Bjork da ilha dela na Islândia pra fazer uma pontinha nesse filme. Principalmente que agora todo mundo tava muito ciente da experiência muito negativa que ela teve com Las Vontriah, e tava todo mundo muito ansioso. É uma cena de dois minutos, e ela é fantástica, ela é linda. A Bjork faz basicamente essa espécie de oráculo de xamã que aparece pro personagem do Alexander Skarsgård pra trazer enigmas pra ele, a Eve Riddle, sabe? Ela chega no meio do filme, solta isso.

Mas eu fui pesquisar, porque eu acho que na época eu não tinha parado pra pesquisar. Fui pesquisar como foi que se deu justamente essa participação dela nesse filme. A gente sabia que fazia sentido, porque era um filme que estava lidando com toda essa mitologia viking da Islândia e essa mitologia...

de fato sobrenatural, que é algo que vem se aliando com a carreira da Bjork e os estudos dela, que começaram a se voltar muito justamente para o espaço lá da Islândia, né, e a conexão dela com o lugar. Então a gente sabia que fazia sentido, mas eu achei muito fascinante porque ela falou em entrevista...

que, no final das contas, é ela que apresentou o Robert Jägers ao John, que é um parceiro de longa data dela. Ele era o poeta, que eu tentei lembrar o nome que eu falei, que eles estavam todos no mesmo bar nos anos 80. Exatamente. Era ele, era ele, no caso. Exatamente. Apenas ele. Ela deu um jantar, ela colocou todo mundo no mesmo lugar, e ela meio que pariu essa parceria, que, posteriormente, eles escreveriam o filme juntos, né?

E foi um convite que acabou sendo bastante fácil dela aceitar, justamente pela conexão e a proximidade das pessoas envolvidas. Ela chegou, teve uma ótima experiência com todo mundo. Fez essa pontinha que conseguiu dar essa oportunidade de uma geração de fãs assistir ela no cinema, talvez uma última vez, num papel super afetado, super criativo. E é um bom último crédito, caso ela nunca venha a voltar a fazer coisas no cinema.

Eu sei que ela já fala, ela falou constantemente sobre como ela não se vê como atriz, ela não é uma atriz, ela é um cicista, ela gosta da performance, mas ela não gosta de atuar, então a gente entende que não é a área dela, mas eu acho que por esses poucos créditos a gente consegue ver tanto potencial, isso não quer dizer necessariamente que ela não esteja explorando esse potencial que ela poderia usar no cinema também como uma ferramenta, né?

Porque se tem uma coisa que ela faz explorar todas as ferramentas que ela tem a seu favor,

durante a carreira inteira dela, todas as temáticas que ela está interessada e ela está trabalhando em cada álbum. A videografia dela, à parte, já é uma coisa que eu acho que sustenta bastante, talvez, essa necessidade. Mas, ao contrário do que ela acha, do que ela pensa de não ser uma atriz, ela é uma ótima atriz. Eu, particularmente, adoraria ver ela em diferentes projetos, essas diferentes colaborações com...

Claro, cineastas e diretores que ela tenha mais afinidade e não precise passar por um estresse psicológico que foi o Dançando no Escuro, talvez pudesse dar luz a coisas muito ricas e muito interessantes.

A gente citou o Sion aqui, que é o roteirista do Homem do Norte. E no caso, ele é o compositor das canções do Dançando no Escuro junto com a Bjork. Como eu falei, eles são amigos de muitos anos. E acho que talvez ele também pode ter sido uma dessas pessoas que ajudou ela a passar por essa experiência de Dançando no Escuro e ter sobrevivido. O príncipe que se tornou de sua fé. A beast que se preocupa por...

Bom pessoal, esse foi o Esqueletos no Armário Espero que vocês tenham gostado Vocês encontram a gente em qualquer rede social Com o arroba Esqueletos Gays Você pode também conferir o nosso site Que é esqueletosnormario.com E se você gosta desse projeto e quer ajudar a gente a continuar Produzindo ele, o Esqueletos É um projeto completamente independente Então você pode conferir as nossas salas de apoiadores Que a gente tem Várias opções de apoio lá Com qualquer trocado você já ajuda a gente a conseguir Manter o podcast funcionando Então E assim

semanalmente, com mais de um episódio por semana, porque agora a gente já tá com mais um spin-off pra começar agora no mês de maio, então fiquem atentos às nossas redes que a gente, acho que essa semana a gente já começa a lançar, inclusive, o novo spin-off do Esqueletos no Armário, mas confira na sala de apoiadores no apoia.se barra esqueletos gays ou norello.cc

barra esqueletos gays, a gente também faz episódios exclusivamente pra apoiadores lá, falando sempre sobre lançamentos e filmes que a gente não quer ter a nossa opinião pública gravada pra posterioridade. Está sempre lá no Apoia-se dos Esqueletos no Armário. Eu sou Luiz, você me encontra no Instagram com o arroba machado, L-U-E, TikTok com o arroba coisas cabrosa e no Leatherbox com a roupa Z-Coiz.

Eu sou o João, se vocês quiserem me achar nas redes sociais, é arroba neto do Jô. Esse também é o meu usuário no Lederbop. Renan, muito obrigado por estar aqui com a gente. Muito obrigado pela participação. Foi uma delícia conversar com a Bjork. Conversar sobre a Bjork. Com a Bjork. Com a Bjork, caralho.

Eu não sou a Bjork, mas vocês me encontram como underline rena guerra em todas as redes sociais e toda sexta-feira eu tenho uma newsletter que tá no Substack, também é só procurar rena guerra lá, vocês acham, e vocês podem me ouvir no Vamos Falar Sobre Música. Por lá a gente também tem um especial sobre a Bjork e eu e o Kleber gravamos clássicos VFSM sobre os discos Post, Homogenic e Vespertyne então é só vocês procurarem clássicos VFSM Bjork, vocês vão achar esses episódios são episódios curtos que a gente destrincha os clássicos da Bjork.

Enfim, estou muito feliz, muito contente por ter participado aqui. Eu amei, gente. Obrigado. E vão escutar o episódio sobre o Carry and Low do Sufyan Chivas, que eu participei também lá. A Bublé. Vão ouvir. Eu aqui, eu estou. Até também tem o nosso feat com os esqueletos, que a gente tem que falar sobre música no filme de terror. Então tem vários encontros aí.