#107 - História do Antifeminismo na América Latina
Você acha que os ataques aos direitos das mulheres e o antifeminismo são fenômenos da era dos algoritmos? O novo episódio do podcast Hora Americana convida a olhar para essa história de outro modo. Para investigar as raízes históricas dessa reação conservadora, nosso podcast recebe a historiadora Thais Batista Rosa Moreira, mestre e doutoranda pela USP.
Ao longo da conversa, você vai descobrir como o humor e a sátira gráfica das primeiras décadas do século XX foram usados para ridicularizar e deslegitimar as lutas das pioneiras da luta sufragista na América Latina. A convidada apresenta a histórica metáfora do “mundo às avessas”: uma fantasia caricata em que homens seriam transformados em donos de casa submissos enquanto mulheres gigantes dominariam o espaço público. A imagem revela como o pânico moral de ontem guarda semelhanças surpreendentes com os debates de hoje.
O episódio também explora as diferenças entre os antifeminismos na América Latina. Na Argentina, o chamado “antifeminismo inquieto” estava associado à preocupação com a preservação da ordem social. No Brasil, o “antifeminismo depreciativo” recorria com mais frequência à zombaria e à ridicularização visual para desqualificar as reivindicações das mulheres.
A conversa aborda ainda algumas contradições incômodas: a participação de mulheres na reprodução desses discursos e a presença histórica do rechaço ao feminismo em setores da esquerda - percurso que passa pelos revolucionários anticlericais mexicanos e chega a Betty Friedan, autora de Mística Feminina, e ao conhecido embate com a equipe do jornal O Pasquim durante a ditadura militar brasileira.
Mais do que simplesmente explicar de onde vem o antifeminismo, o episódio ajuda a compreender sua configuração no presente, colocando em perspectiva aquilo que permanece e aquilo que mudou ao longo do tempo. Ao colocar diferentes momentos históricos em diálogo, a conversa revela tanto a permanência de certos argumentos e estratégias de oposição às reivindicações das mulheres quanto as transformações provocadas por novos contextos e formas de mobilização. Essa perspectiva permite compreender as idas e vindas dessas lutas e perceber como as reações a elas também contribuíram para definir os caminhos e a temporalidade das duras conquistas obtidas. Prepare os fones de ouvido e venha compreender as disputas do presente através das lentes afiadas da história.