A liderança moderna está em crise? | Com Carlos Hoyos | Café com ADM #495
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Sobre o episódio:
Vivemos uma era de líderes cansados, relações superficiais e empresas obcecadas por performance. Mas será que estamos formando pessoas preparadas para liderar o futuro?
Neste episódio do Café com ADM, Leandro Vieira recebe presencialmente o executivo, autor e coach internacional Carlos Hoyos para uma conversa profunda sobre liderança, autoconhecimento, inteligência emocional, burnout, propósito e os desafios do mundo corporativo moderno.
Ao longo do episódio, Carlos compartilha reflexões sobre:
• a pandemia silenciosa da solidão nas lideranças
• os efeitos da aceleração do mundo moderno
• o impacto da inteligência emocional nos negócios
• a diferença entre influência e manipulação
• liderança servidora e autoliderança
• como o ego afeta líderes e influenciadores
• os hábitos que destroem a credibilidade de um líder
• o futuro da liderança na era da inteligência artificial
Uma conversa poderosa sobre presença, propósito e o que realmente diferencia líderes extraordinários.
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- Gestão de Crise e LiderançaLíderes cansados · Relações superficiais · Empresas obcecadas por performance · Pandemia silenciosa da solidão nas lideranças · Efeitos da aceleração do mundo moderno · Impacto da inteligência emocional nos negócios · Diferença entre influência e manipulação · Liderança servidora · Autoliderança · Ego de líderes e influenciadores · Hábitos que destroem a credibilidade de um líder · Futuro da liderança na era da inteligência artificial
- Líderes comuns vs. extraordináriosFoco em si vs. foco no serviço/propósito · Humildade e aprendizado contínuo · Presença e energia pessoal · Automaestria e autoconsciência · Comunicação e influência · Formação de outros líderes · Legado e impacto no ecossistema
- Autoliderança na práticaAutoliderança como processo de auto-influência · Visão de longo prazo e objetivos · Autoestima e auto-amor · Autogovernança e gestão pessoal · Plano de negócios para a vida · Elástico da autoliderança · Bússola de elite (governança, liderança, autoliderança)
- Formação e autoconhecimento profissionalFalta de foco em autoconhecimento na formação · Importância da inteligência emocional · Habilidades técnicas vs. inteligência emocional · Comunicação e influência · Tecnologia e IA na formação · Aprendizado de inglês
- Influência vs. ManipulaçãoLiderança como processo de influência · Propósito da influência · Benefícios mútuos na influência · Benefício unilateral na manipulação · Influenciadores e liderança de vendas · Líderes como educadores e vendedores
- Hábitos destrutivos de liderançaIncongruência (falar uma coisa, fazer outra) · Falta de integridade · Falta de transparência · Falta de equidade no tratamento · Falta de accountability (responsabilização)
Fala, galera! Está no ar mais um Café com ADM, a sua dose de cafeína nos negócios. E olha só quem estamos recebendo hoje presencialmente aqui no nosso estúdio do Café com ADM. Eu vou receber hoje Carlos Roios. Cara, eu estou emocionado aqui que ele veio pessoalmente aqui fazer essa visita aqui para a gente e bater esse papo aqui com vocês. Olha, fica ligado, esse Café com ADM de hoje vai ser turbinado de cafeína, você vai sair transformado daqui.
Você responde constantemente às mesmas perguntas de clientes todos os dias? Perde oportunidades de negócio porque não consegue responder instantaneamente ou 24 horas por dia, 7 dias por semana? Os chatbots comuns são rígidos e robóticos, mas a IA da Dialisme chegou para mudar o jogo. Ela não é apenas um robô, é um funcionário de vendas com IA nativa que aprende tudo sobre seu site e documentos em segundos. A Dialisme fala naturalmente, adapte-se ao seu tom de voz.
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Se liga aqui no currículo dessa fera. Ele é Business Advisor e Global Executive Coach, com mais de 25 anos de experiência em liderança no Brasil e no exterior. Ele é membro do Forbes Coach Council, atua com C-Levels e empresários em estratégia, governança e alta performance.
Ele é autor de oito livros, incluindo o poder da autoliderança e é host também do podcast Líder de Elite, que eu já tive a honra de ser entrevistado. Ele é especialista em desenvolver líderes com foco em resultados sustentáveis, inteligência emocional e autoliderança. Carlos Roios, cara, eu tô emocionado, já errei aqui várias vezes aqui só pra fazer essa introdução, porque, cara, ter você aqui é uma honra muito grande. Seja muito bem-vindo.
Gratidão, Leandro. A honra é minha. É uma realização de sonho, eu estava te falando. Tenho acompanhado vocês há, sei lá, pelo menos uns 15 anos e poder estar aqui com você, trocar figurinha com você, conhecer administradores pessoalmente aqui. Que delícia, que gostoso. Conhecer o Simão, seu sócio, o pessoal aqui, muito gratificante.
Eu estou emocionado porque você é um cara extremamente generoso, você é um cara gigante, você emana. E a coisa que a gente estava falando agora há pouco, pessoal, no nosso almoço, é como que o presencial tem uma energia que o virtual, o remoto, ele jamais consegue atingir. A gente sentado no mesmo ambiente, a gente consegue perceber coisas que são sutis, que uma call no meet ali não consegue alcançar.
É verdade. A mágica acontece nos encontros pessoais. Durante um bom tempo, por conta da pandemia, essa loucura que aconteceu, a gente precisava fazer o social online. Mas na hora que a gente volta e pode fazer esse encontro pessoal, a energia é outra.
É verdade. Muito bem. Carlos, você tem uma grande experiência à frente de conselhos de empresa, aconselhando grandes empresários, pessoas em posição de diretoria de grandes empresas. E eu queria que você comentasse o que você tem observado do mundo corporativo hoje. O que você nota nas lideranças? Você acha que os líderes hoje estão mais cansados? Enfim.
Queria que você comentasse quais são as suas impressões dessas conversas com esses grandes líderes.
A percepção que eu tenho é que a gente está vivendo, testemunhando uma aceleração brutal das nossas realidades corporativas. Eu vejo pessoas cada vez mais jovens em posições executivas, com cobranças, responsabilidades. E aqui no Brasil a gente entende que a carga tributária, todas as mudanças, as políticas, as dificuldades, deixam o empresário cada vez com menos cabelo, cada vez mais preocupado.
O cabelo branco, assim que nem o meu. No cenário global, as políticas são diferentes, mas os altos executivos têm cada vez mais demanda, são cada vez mais jovens, com cargos e responsabilidades maiores. É algo que a gente estava até comentando antes.
O sofrimento das pessoas está cada vez mais aparente. Nós vivemos hoje numa pandemia de solidão, as pessoas realmente estão sós, elas não têm a habilidade de serem elas mesmas, eles têm um julgamento muito grande. Cada vez mais as coisas se fazem de forma acelerada, sem profundidade, é uma casca. Então as pessoas não têm contato humano, aquela...
Aquela visão de que a liderança é solitária, ela está sendo cada vez mais solitária. É difícil saber em quem você confia. O mercado está mais difícil. Record de ansiedade, record de depressão. Então, é um cenário que eu vejo que existe muito potencial para a gente mudar, mas a gente precisa sair um pouco dessa aceleração que a própria inteligência artificial nos traz e que as redes sociais projetam cada vez mais rápido, cada vez mais rápido.
E a gente está perdendo o melhor da existência, que são esses momentos, como esses de conexão real, olho no olho, sentir uma outra pessoa próxima com as suas necessidades. Então, esse movimento tem acelerado. Eu tenho visto desde o início da pandemia, deu uma pausa inicial, as pessoas, espera aí, vamos ver o que a gente está fazendo. Mas no momento, do meio para o final da pandemia, para cá, cada vez mais rápido, mais acelerado, mais demandas, mais burnouts. Infelizmente, essa é a percepção que eu tenho.
E qual que você identifica que é a maior fragilidade emocional desses líderes, de elite, como você chama?
Não sei se seria a maior fragilidade. O que eu entendo é a raiz dessa fragilidade é não ter o autoconhecimento. E quando eu digo autoconhecimento, é não conhecer o dia a dia, do que me gatilha e por que me gatilha. Mas é um conhecimento mais profundo que me permite ter consciência a cada momento daquilo que me faz ser quem eu sou ou fazer o que eu faço.
E aí eu realmente me dobro à potência da psicologia humana de buscar entender como foram os anos formativos, o que levou um ser humano a ser como ele é, a fazer o que faz e entender que os nossos porquês não são aquela razão que a gente dá. Eles estão muito mais antigos. A necessidade de aprovação, a necessidade de status, a necessidade de serviço, a necessidade de estar correto, a necessidade de serviço com uma pessoa forte.
E isso passa por todos os nossos relacionamentos. Então, quando você pergunta, indaga sobre a fragilidade, o que eu vejo é, por causa desse mundo acelerado, necessidade de trazer resultado, as pessoas vão atrás de resultados e sucessos, chegam lá e falam, e agora? Eu não curti a jornada, os meus melhores anos passaram, estou arrependido, e o que eu vou fazer? Porque não dedicaram tempo para se conhecer de verdade profundamente. Isso, para mim, é a causa raiz das grandes fragilidades.
Com certeza. E eu acho interessante a gente falar isso aqui no Café com a DM, mas a gente está num podcast, na sua raiz é um podcast de administração. Mas lógico que é de interesse de todo mundo. Porque hoje em dia todo mundo está vinculado a alguma organização. Então o que a gente conversa aqui é de interesse geral. Só que na formação desse profissional específico, de um administrador ou de uma pessoa, independente da sua formação, que vai...
fazer a sua carreira dentro de uma organização, seja empreendendo, seja desenvolvendo a carreira ali dentro, em nenhum estágio da sua formação alguém para para falar o que você está falando aqui agora. Então assim, eu estou falando porque eu fui professor de administração, fui aluno de administração e em toda a minha carreira de graduação, mestrado, enfim, pós-graduação, o que quer que seja, ninguém parou para falar sobre isso.
E talvez esse seja o grande problema da sociedade moderna. E eu queria que você comentasse agora o que falta na nossa formação, justamente para a gente, enfim, se a gente vai enfrentar esses dilemas uma hora ou outra na nossa vida, o que falta na nossa formação para a gente estar mais preparado para enfrentar esse grande desafio.
Obrigado pelo presente dessa pergunta. A gente está muitas vezes preocupado com ter as respostas certas. Eu acredito que é até pelo estoicismo. A gente precisa aprender a fazer as perguntas que levam à reflexão.
Eu entendo que o sucesso em qualquer alçada da nossa vida, seja pessoal ou profissional, tem que passar por pessoas. Os negócios, assim como já se falaram sobre a democracia do povo pelo povo para o povo, os negócios são feitos por pessoas, através de pessoas e para pessoas.
Então, fazendo uma linha, vamos dizer assim, vou sair no meio do mato agora, sair da trilha para o meio do mato, que existe muito hoje a discussão do ponto de vista econômico com essa substituição de pessoas por IA, e a gente já sabe que já não está funcionando mais, porque tem que voltar a contratar desenvolvedores júniores.
O que vai acontecer quando tudo for feito? Quer dizer, e as pessoas que estão nessa história? As empresas, elas precisam vender para alguém. Como é que você mantém a economia? Então, o que acontece? A raiz de tudo são pessoas. Então, voltando para a sua pergunta, para a sua reflexão, o que falta na formação? E aí é um aprendizado meu. Eu entendo que o sucesso com pessoas, ou sucesso no mundo dos negócios, está muito relacionado em eu me conhecer muito bem e saber em tempo real como eu estou.
Eu conhecer, conseguir fazer uma leitura das pessoas, ler o ambiente a cada momento e depois conseguir me comunicar e influenciar de forma precisa dentro do contexto com base dos resultados mútuos de uma relação, de um relacionamento pessoal e profissional.
Então, quando a gente estuda de forma tradicional, eu sou formado originalmente em engenharia, fiz muitas outras especializações, especialização em administração, inclusive, fiz outros cursos e informações, no fundo a gente está buscando ou informação técnica ou a gente está buscando informação não técnica. E a gente já sabe, o Daniel Goleman está na plataforma fantástica dos administradores primos, aliás, sou assinante, adoro.
Olha aí, galera. É, realmente super recomendo. Administradores.com.br barra assine. É isso aí. Aproveitar esse depoimento. Vai lá, com certeza. O que ele identificou nas pesquisas é, chega um determinado momento na vida do executivo e do empresário, não é mais conhecimento técnico, é a inteligência emocional. Como você lida com as suas dificuldades, com os seus gatilhos, como você navega isso, como você se relaciona com as pessoas, como você resolve conflitos externos. Então, o que acontece?
A parte técnica e informacional é cada vez menor, especialmente com a tecnologia. Antes era Google, agora IA, você tem curso sob demanda, você tem plataformas incríveis. Então, é importante, claro que é, mas não é isso que vai ser o grande diferenciador. O grande diferenciador de ter sucesso nos negócios e nas pessoas é você saber estar presente, saber o que está na sua cabeça, o que está na frente dos seus olhos, o que está atrás dos seus olhos e como você se comunica de forma precisa para ter um impacto positivo.
dentro de uma experiência que pode ser que dure alguns minutos, ou às vezes você tem horas e não sabe aproveitar porque você está focando em alguns detalhes. Então, do ponto de vista de formação, eu acredito que está faltando a base das pessoas se conhecerem. Então, não é autoconhecimento, quais são as minhas habilidades, meus desafios, é por que eu faço o que eu faço? Quais são os meus porquês? Quais são os meus gatilhos? Por que eu me relaciono bem com pessoas X e não com pessoas Y?
o que eu gosto, o que me faz feliz, o que faz meu olho brilhar. E depois buscar, depois dessa autoanálise, entender como as pessoas são. Isso passa por comunicação, passa por um pouco de neurociência, não precisa ser super profundo, mas você precisa conhecer a base do nosso cérebro, como as relações se formam, comunicação. E no mundo conectado que nós estamos hoje, eu digo sempre, estude inglês. Talvez o meu grande diferencial competitivo é como eu aprendi inglês logo.
e comecei a desenvolver o início do meu trabalho, me permitiu até acesso a informação que não tinha aqui. Aí você vai poder se comunicar na famosa aldeia global. Essa é a linguagem do mundo, você precisa saber tecnologia. Então, independentemente da cadeira, você precisa saber de pessoas, você precisa se conhecer, conhecer os outros, saber como se comunicar. Claro, a informação técnica vai estar e se abre para o mundo, fala a linguagem do mundo e o avanço na tecnologia.
Cara, fantástico, né? E eu queria também deixar aqui para a galera, mais uma vez aqui, a indicação do podcast Líder de Elite, não é isso? Que está em inglês também agora, não é isso?
A gente começou em fevereiro, agora o braço internacional com entrevistas em inglês. Então já procura aí, podcast Líder de Elite, que vale muito a pena. E tem uma entrevista comigo lá, cara, que eu adorei bater aquele papo com você ali, Carlos. Foi massa. Bom demais. Ô, Carlos, me diz uma coisa. Você está falando do que a gente precisa fazer, enfim, para liderar de forma realmente... Como é que eu posso dizer? Completa.
O que você diria que separa líderes comuns de líderes extraordinários? Qual é o fator-chave que você olha assim, esse cara aqui é um líder extraordinário de um líder comum?
Na minha forma de entender, são vários quesitos. O primeiro é, que eu diria que talvez seja o guarda-chuva, onde está o foco? O foco está em mim ou o foco está no serviço, na missão, no propósito? Porque se o foco está em mim, eu já estou pensando na minha carreira, no meu salário, no meu crescimento. Quando eu começo a focar nos outros, eu começo a estar a serviço de uma comunidade maior.
E pelo que eu entendo, um verdadeiro propósito transcende a si mesmo. Se eu tenho o meu propósito de eu estar bem, eu ganhar dinheiro, me aposentar bem com a minha família, tudo bem, é um propósito, mas ele não serve à humanidade. Então, daí você vem os braços, por exemplo, da liderança servidora, você está a serviço.
Uma outra questão é a questão da humildade. A gente nunca chegou lá. Eu acredito que a liderança extraordinária, liderança de classe mundial, liderança de elite, é a liderança que a gente tem a humildade de saber que eu nunca vou chegar lá. Eu vou continuar tendo que estudar a cada momento, me aprofundando.
Recentemente, nos últimos 12 meses, eu tive que revisitar tudo aquilo que eu achava que eu sabia sobre liderança. Eu estava perfeitamente sidetracked, totalmente fora da realidade do que realmente é liderança. Eu tive que revisitar muitos dos meus conceitos, porque eu me expus a outras informações que redefiniram o conceito de liderança.
Só para tangibilizar é como é que você lidera pessoas puramente pelo exemplo, sem se comunicar, pela sua presença, pelo seu sistema nervoso. Normalmente a gente não para para pensar nisso, a gente pensa em efeitos e coisas. Agora, quando nós estamos literalmente considerando uma liderança extraordinária, são pessoas que na sua presença conduzem outras pessoas.
E tem algumas personalidades. Eu não tive o privilégio de conhecer pessoalmente, mas quem teve e tem relatórios de pessoas que conheceram pessoalmente, a Madre Teresa de Calcutá, repórteres que diziam que quando ela entrava, mesmo as pessoas que não a conheciam sentiam que existe ali uma presença diferente. E grandes líderes, eles mudam o ambiente.
por estarem ali. Agora, como é que você desenvolve isso? Automaestria, autoconhecimento, autoconsciência, ou seja, autoconhecimento em tempo real. Eu estou bem ou não estou bem? Eu estou focado em mim ou estou focado nos outros? Humildade para continuar aprendendo. Serviço a ir atrás de outras pessoas.
E aí você poderia pensar, claro, maestria na comunicação, influência, capacidade de agregar valor, capacidade de formar outros líderes. Aí você vai embora. Agora, se você parte do princípio da essência do básico, se o propósito é focar na missão, no propósito de um grupo maior...
Você já está falando de uma pessoa que está saindo da média, porque a maior parte das pessoas, feliz ou infelizmente, talvez seja a natureza do ser humano, pensa num ecossistema muito microscópico, muito pequeno. Eu e minha família e, no máximo, meus colegas, meus vizinhos. Quando você começa a pensar, e você tem isso, você está pensando no ecossistema do Brasil, você deixou um legado que não tem como ser apagado, porque o seu foco foi em algo muito maior do que você.
Então, essas são as qualidades, os atributos primordiais. Agora, a partir daí é construção, construção, construção. Com certeza. E agora eu estava pensando, à medida que você ia falando, eu ia pensando como que isso é difícil de ser alcançado, essa percepção, essa clareza, nos dias de hoje, porque a gente vive numa sociedade que é muito autocentrada em si mesma.
Cada um, enfim, joga os holofotes para si. Nós temos ferramentas para isso, nós temos redes sociais, nós temos nosso próprio canal de televisão. E a gente usa esses instrumentos, na sua maioria, que lógico, generalizando aqui para a maioria, a gente usa isso para aparecer, para a gente se destacar, enfim, e tal. E a gente esquece de ter um olhar para algo que seja maior que a gente mesmo. Sim.
E esse é o grande desafio, né? Numa sociedade que está totalmente nos favorecendo para seguir exatamente esse caminho, né? Não tenha dúvida. Eu entendo que todas as pessoas que vão para a comunicação em algum momento se perguntam...
se são de verdade ou se não são de verdade. Esse é um questionamento que eu fiz muito. E se eu olhar para os meus primeiros vídeos, eu falo, quem que é esse fantoche? Quem que é essa construção que eu era? Que eu não era, assim, legitimamente a mesma pessoa na câmera, atrás da câmera, num bate-papo. Eu vesti uma persona. E eu levei anos para soltar isso. E, no fundo, o que ficou...
Era eu sem aquele monte de cascas que eu achava que eu precisava ter. Porque, no fundo, a gente está buscando... De novo, por isso que o autoconhecimento profundo dos anos formativos são tão importantes. Eu estava fazendo as coisas para quê? Para ter aprovação dos meus pais, da minha família, para eu ser reconhecido, não me sentir mal, sentir que eu sou alguém, que eu tenho um valor. Ou seja, eu não estava buscando...
fazer um trabalho de agregar, de puramente agregar valor para as pessoas. Eu estava buscando uma aprovação que tinha sido incutida na minha mente, talvez até por mim, porque foi o meu instinto de sobrevivência. Então, as minhas entrevistas, você vê o que está no meu fundo. Aquilo é uma homenagem aos meus pais. Meus pais são doutores, meu pai é pós-doc.
que é uma referência até o lance de escrever livros. Então, uma vez que você toma consciência, não é que você simplesmente vai deixar de fazer isso. Então, essa busca por conhecimento e informação me permitiu chegar até agora. Eu onco os meus pais, eu escrevo livros, eu leio, eu estudo, eu continuo me dedicando. Essa é algo muito positivo. Agora, se eu perco o equilíbrio...
e faço isso mera exclusivamente para receber externamente as glórias, a aprovação, a aceitação, eu me perdi de mim mesmo. Então quando eu tenho essa consciência, não é que o negócio vai mudar para sempre, talvez o meu perfil não mude, mas eu tenho consciência. Até que ponto eu faço isso para ter um resultado versus eu tenho isso para ter status.
E o que você sabe, porque você também é uma pessoa super transparente, humilde, está sempre buscando, super aberta a novas ideias, é... Você pode ter milhões de seguidores, você pode estar na mídia 24 por 7, usar para continuar promovendo o seu trabalho, promover o trabalho de outras pessoas, mas não deixar isso roubar a sua essência. Que é aquela história, a diferença entre confiança e arrogância.
Confiança é, cara, eu sou imperfeito, eu vou pisar no tomate muitas vezes, só que eu confio que eu vou encontrar uma forma de sair. A arrogância é, eu sou muito bom, sou melhor que as outras pessoas, eu não preciso de nada. Então, assim, esses são extremos. Então, quando a gente pensa na mídia, esse é um questionamento muito grande que eu tive. Eu vou ter que fazer ou não vou ter que fazer? Eu vou ter que estar no social ou no social?
E depois de um ano e meio fazendo conteúdo todo santo dia, eu falei, beleza, experimentei, paguei o preço de falar que eu fiz o que eu tinha que ser feito, foram, sei lá, durante um ano e meio, cento e tantas lives ao vivo com entrevistas de podcast, uma, duas vezes, três vezes por semana, conteúdo de um minuto todos os dias. E aí eu percebi, beleza, eu já fiz, eu não estou fazendo mais para agregar valor e para aprender, eu estou fazendo pelo ego.
Porque eu olhava e falei, olha que incrível, eu já fiz 360 dias, 700 dias. Eu falei, cara, 450.
Que besteira. Para, acabou. Já tive essa experiência. Então, o que eu entendo, como diziam os gregos, é o caminho do meio. A virtude é você estar entre os dois lados do rio, que são exageros. De um lado você tem o caos total e do outro lado você tem a máxima rigidez. O caminho da flexibilidade é o caminho da alegria, é o caminho da paz, é o caminho da serenidade. E a cada momento eu falo, será que eu passei do ponto? Volta um pouquinho.
para mim é o que faz sentido. Muito bem. Carlos, me diz uma coisa, qual é a diferença?
Eu não sei se a gente pode pontuar como diferença, mas assim, ou qual que é a relação entre influência e liderança. E quando eu falo influência, eu estou me referindo à influência dos influenciadores. Então, indo por esse caminho. Porque muitas vezes a gente tem uma pessoa que tem uma popularidade muito grande nas redes, é muito influente, mas não necessariamente essa pessoa é...
Um grande líder. E aí eu queria que você pontuasse quais são as diferenças. E depois eu continuo aqui lembrando de alguém que eu conheci há bastante tempo atrás, o Jack Welch. Aí eu falo na sequência aqui sobre ele. Quero ouvir a sua experiência com o Jack Welch.
Para mim as coisas estão muito relacionadas. Eu estudei muito John Maxwell. John Maxwell dizia assim, liderança é influência, nada mais, nada menos. Eu super respeito, ela já treinou milhões de pessoas, tem uma fundação, uma instituição maravilhosa. Eu vejo liderança de uma forma um pouco diferente. Eu entendo que liderança é um processo de influência, só que não influência pela influência. É uma influência para você ter algum tipo de resultado.
Então, quando você pensa em influência desta maneira, a influência tem um propósito. Mas não pode ser um propósito só para si. Porque senão essa influência acaba se tornando mais uma manipulação do que uma influência. E uma vez eu vi uma definição muito bacana sobre a diferenciação entre influência e manipulação. Não acredito que seja uma verdade absoluta, mas...
Influência é quando você tem benefícios mútuos. Manipulação é quando o benefício é só para si, independentemente ou em detrimento se acontecer algo pela outra pessoa. Então quando você se sente manipulado, você se sente mal no final das contas. Quando você se sente influenciado e você compra um produto e você não se arrepende, você não acha que a compra foi enganosa, você fala, pô, todo mundo saiu ganhando. Então a influência, ela visa um todo maior. E você tem influencers que conseguem liderar multidões.
para algo melhor. Agora, quando a pessoa entra num processo de se tornar um influencer, porque aquilo é um mercado para ganhar cliques, para vender propaganda, ela pode ser uma líder de vendas. Mas não necessariamente ela está liderando pessoas de uma forma positiva para ter um resultado maior.
N exemplos dos dois lados da mesma moeda. Então, eu entendo que elas estão relacionadas. E para nós sermos bons líderes, eu acredito que nós precisamos ser bons educadores, bons influenciadores e bons vendedores.
Porque se eu quero que a equipe faça uma coisa que não quer, eu preciso influenciá-la e eu preciso vender uma ideia. Comprem a ideia e falam, beleza, para lá que a gente vai. Então são atributos que combinam junto com a influência, mas não estão presos à influência. Cara, fantástico.
Olha aí, galera, falei para vocês aqui, impossível sair deste podcast sem ser transformado com esse incrível líder aqui. Ele é o líder de elite mesmo aqui, Carlos Roios. Carlos, me conta uma coisa, o que significa autoliderança na prática mesmo?
Eu estudei muito liderança, como te falei antes, fui atrás de vários proponentes do conteúdo, falei o que significa influência, e eu cheguei na definição do John Maxwell, liderança, influência, nada mais nada menos, mas eu não fiquei satisfeito. E quando eu fui atrás de saber o que era liderança, eu encontrei um autor que se chamava Kevin Cruz.
que ele define como liderança, que é o processo de influência social para maximizar o esforço para atingir resultados. E a partir daí, o que eu identifiquei no meu trabalho com executivos, empresários, até se leva aos founders e tudo mais, que o limite da liderança era o limite do desenvolvimento da própria autoliderança.
E a analogia que eu faço é que aqui não tem nenhum elástico, mas imagina que as minhas mãos estão presas. A minha mão direita é liderança, a minha mão esquerda é autoliderança. Se eu quero liderar outros, eu primeiro preciso construir o meu próprio autoestofo e direcionar a mim mesmo. Se eu quero liderar outras pessoas dando exemplo, primeiro eu tenho que ser exemplo da minha própria existência. Não para o mundo ver, não fazendo aqueles horários, estou na academia, mas aquilo, eu me torno essa pessoa que eu não preciso explicar. As pessoas notam isso.
Então o que acontece? Eu não gosto de inventar a roda, vou dizer o que já existe. Então eu emprestei essa definição e apliquei para a autoliderança. Liderança é o processo de auto-influência para maximizar o meu esforço, para quê? Para atingir os meus objetivos. Só que se você começa a desmembrar isso, você começa a pensar, quais são meus objetivos?
Quais são os meus objetivos de curto, médio e longo prazo? Eu preciso começar com uma visão. É um trabalho que eu faço com todo executivo e empresário. Onde você quer estar daqui a 3, 4, 5 anos? 2026 vai para 2030. Qual é a sua visão para 2030? Qual é a sua vida em 2030? Como é que está a sua empresa em 2030? E dentro dessa visão que você tem, quem você é em 2030? Quais são as qualidades? Quais são as características, os atributos?
Uma pergunta que eu sempre faço é, às vezes eu percebo quando não existe esse auto-amor no nível elevado, é de 1 a 10, quanto você se ama? Porque se a gente chega num ponto em que a gente não se ama, como você espera que outras pessoas te amem? Se você tem filhos e você não se ama no nível 10, como você vai esperar que as crianças cresçam com esse auto-amor? Vão sempre ter um loco de controle externo. E a gente perpetua manipulação sem querer, porque a gente aprende coisas, nossos pais fizeram melhor para a gente, mas a gente aprendeu a ter amor condicional.
Então quando você começa a fazer essa visão, quando você começa a avaliar, eu quero uma pessoa que sou estável emocionalmente, uma pessoa que se basta do ponto de vista interno, que, claro, nenhum ser humano é uma ilha, a gente precisa de conexões, pessoas que fizeram a roupa, prepararam a comida deliciosa que foi hoje, amigos, a gente precisa de tudo isso. Mas se eu colocar o meu controle de amor para outras pessoas, eu já perdi o jogo. E aí o meu exemplo vaza na minha comunicação.
Então quando você tem autoliderança, primeiro, você tem essa visão de longo prazo, você entende o que você quer ter, o que você quer ser, mas acima de tudo, quem você vai ser. E a partir disso você tem um gap do Carlos de 2030 e do Carlos de 2026. Então quando eu vejo esse gap eu falo, ok, hoje o que eu preciso fazer para me aproximar de quem eu quero ser?
Então, a autoliderança é todo o processo que você tem para liderar outras pessoas, autogovernança, gestão, só que aplicado só a você. Então, eu tenho um plano de negócios para a minha vida, eu tenho um projeto de vida que é a mim, pessoal, profissional, e eu começo a executar isso. E eu aprendo com os meus erros. Então, quando eu elevo a minha autoliderança, eu consigo elevar a minha liderança. Mas chega uma hora que o elástico estoura e a autoliderança, ou seja, o potencial de autoliderança, é muito mais forte que a liderança.
Então, eu penso nesse compasso, você tem uma bússola o tempo todo, compas é do inglês, o artigo foi em inglês, então estou lembrando, você tem uma bússola, que eu chamo bússola de elite, que é, você tem governança, que é a gestão médio e longo prazo, você tem a liderança para você conectar e estimular outras pessoas, mas você tem a autoliderança. E a cada momento, em qualquer empresa, qualquer instituição, grupo, um dos três está defasado.
E a dúvida normalmente que tem é, o que está faltando aqui? Você vai voltar para a autoliderança? É algo que eu não fiz, que eu deveria ter feito. É alguma coisa que eu deixei de visualizar e que precisa ser visualizado e precisa começar a implementar. No momento que eu mudo o exemplo que eu dou para mim mesmo, eu impacto a liderança e eu faço o que eu preciso fazer do ponto de vista de governança. E você acha que existe um grande líder que não seja também um autolíder de si mesmo? Acho muito difícil.
Não tem um líder que renuncia a si mesmo em prol de um grupo, alguma coisa nesse sentido.
Se isso faz parte dentro do sentido da própria autoliderança, se a gente for pegar os grandes movimentos espirituais, os grandes líderes espirituais renunciaram a si mesmo, mas a visão deles era justamente a visão do todo. E você também pode pegar grandes líderes que tinham um propósito maléfico e nocivo no mundo, que foram grandes líderes porque conseguiram levar muitas pessoas atrás deles, mas o propósito dele era nocivo.
Só que se você não tem o autocontrole, a automaestria, a autoconsciência de quem você é e o que você quer, dificilmente se impacta os outros. Porque...
Se a gente for pensar num ponto de vista puramente neurológico, mamífero, aquele mamífero que vive em nós, sem pensar na casca do córtex pré-frontal, o neocórtex, que é mais recente, nós somos movidos a pertencimento e a hierarquia tribal. A cada momento existe uma comparação tribal instantânea com outras pessoas.
E isso não é consciente. Então, no momento, o que é o líder é qual é aquele que consegue estimular o maior nível de segmento sem precisar abrir a boca. E normalmente isso acontece sem a palavra abrir. É o sistema nervoso da pessoa. Porque os animais sabem, através do sistema nervoso, energia sensorial, de alguma forma, quem que é o alfa. E as pessoas sentem isso da mesma forma.
É que no ser humano você exerce poder, você exerce força, você tem armas, você pode ameaçar as pessoas. Mas quando você nivela e todo mundo está no mesmo nível, é o sistema nervoso. Então, voltando à sua pergunta, grandes líderes, quando eles se estabilizam, o sonho deles é o sonho do grupo.
Jesus, Gandhi, Buda, você pode escolher a figura messiânica que você preferir. Foram grandes líderes que precisavam ter automaestria. Pegar o caso de Jesus, que é um pouco mais conhecido, pelo menos para mim e a cultura. 40 dias no deserto para lutar contra o demônio. Se é físico ou não físico, real ou não real, ele estava lidando com os desafios dele. A hora que ele passou pelo processo, ele jejuou e falou, bora para a cruz. Agora eu consigo executar o que eu tenho que executar. Mas primeiro foi esse processo de acertar internamente.
Cara, fantástico. E me diz uma coisa, Carlos, agora, sobre os hábitos dos líderes. Existe algo que destrói a liderança? Destrói? É, algum hábito que seja destrutivo, que, enfim, que um líder cultive ali e que isso pode culminar, enfim, pode minar ali a liderança dele frente à equipe? Eu diria que a incongruência...
É o pior hábito que pode existir num líder. E a incongruência se vê. Eu falo uma coisa, eu faço outra. Eu falo que vou fazer uma coisa, eu não cumpro. Ou seja, eu faltar com a minha integridade é uma das coisas que mais limita. E aí, vamos voltar de novo. Eu gosto de pegar o que existe aplicável. Vamos expandir esse leque. Quando você pensa em governança, que é uma das minhas especializações, você tem cinco pilares principais do Instituto Brasileiro da Governança Corporativa. Um deles é a integridade.
Então, se eu não tenho a integridade comigo mesmo, falo, vou começar a minha academia e eu não faço, eu enfraqueço o meu sistema nervoso e eu perto de outras pessoas, as pessoas sentem que existe uma fraqueza em mim. Isso é no nível subconsciente. Então, a pessoa já sabe tomar cuidado com essa pessoa. Outra coisa, a transparência. Se eu escondo, eu tenho uma segunda agenda, eu falo com as pessoas de uma forma meio subreptícia, é um negócio que você...
meio, você não sabe exatamente o que está acontecendo, tem uma coisa estranha ali, as pessoas sentem isso. Imagina se eu não trouxe só transparente comigo mesmo, eu minto para mim mesmo, cara, não tem. Então o hábito de não ser transparente, não ser um íntegro, são hábitos ruins. Terceiro hábito, equidade, não tratar as pessoas de forma justa, adequada.
As pessoas confundem tratar todo mundo igual ou tratar de forma de equidade. Não, você não deve trabalhar um bandido assassino da mesma forma que você trabalha com um santo e uma santa. Um bandido tem que ir atrás das grades, você não quer que essa pessoa, pessoa santa, você vai promover. E santo aqui não estou falando do sentido cristão católico, para uma pessoa honesta, íntegra que precisa. Então você trata de forma proporcional às pessoas.
E quando eu desrespeito as pessoas, eu não estou tratando a pessoa de forma com equidade. É um dos grandes exemplos que a gente pode dar para os nossos filhos. Tratar as pessoas com respeito, independente da classe social, isso é equidade. Mas você não vai pagar para uma pessoa que lava o seu carro o mesmo dinheiro que você paga para comprar o carro. Então a equidade traz justiça nas relações. Esse é um hábito, as pessoas não têm equidade e aí falta liderança. Segundo, é a questão de accountability, é a responsabilização.
Você me cobra, eu te cobro, começa sempre com a minha alta accountability. Eu não falei que eu ia fazer? Eu não falei que eu ia bater essa meta? O que eu preciso fazer para resolver? Qual é o meu PDCA? Qual é o meu 5W2H para fazer isso? Se eu não tenho o hábito da minha própria accountability, qual vai ser o stuff que eu tenho para cobrar a minha equipe? Para cobrar meus clientes? Para falar, pô mano, você não falou o que você ia fazer?
E o quinto, finalmente, é a questão da longevidade. Você focar no longo prazo. Se eu estou preocupado com o prazer a curto prazo, e eu não estou preocupado que isso vai me fazer mal, como é que eu posso dar exemplo para a empresa ser uma empresa longeva? Então, é...
Começa daí. Esses são hábitos que são construídos no mundo da governança, que a gente aplica para si mesmo, que se eu não honrar esses hábitos, eu vou ter problemas. Se eu honrar, eu posso começar nos próximos hábitos. E todas vão vir daí. Eu vou fazer jejum, se é a melhor forma de eu manter a minha saúde, vou me hidratar bem, me alimentar bem, vou fazer terapia se eu tenho algum problema, vou continuar fazendo o curso, porque eu foco na minha longevidade.
Então, se você pegar... E esse é um dos artigos que eu escrevi na Forbes com muito orgulho de ser brasileiro, porque eu trouxe os pilares da governança.
do Brasil para o mundo. Está em inglês, está escrito lá. Então se você começar com algo muito simples e começar a aplicar ele repetidamente, você vai cada vez mais desenvolver novos tipos de hábitos positivos. E as pessoas sentem isso. Sensacional. Carlos, a liderança está muito associada, pelo menos no senso comum, a liderar as pessoas para aumentar a performance de uma empresa.
Ponto. Então as empresas precisam de líderes para aumentar a sua performance de vendas. Perfeito. Tá, legal. Só que aí chega num ponto, que talvez possa chegar nesse ponto, em que essa busca pela performance, alta performance dentro das empresas, se transforma em algo tóxico.
E a gente conhece vários casos de... Eu ia dizer grandes empresas, mas eu vou inverter. Empresas grandes, que é diferente. Olha, o português tem essa questão semântica. Só inverter a ordem das palavras já muda completamente o sentido. Então, empresas grandes que têm...
uma cultura de resultado, resultado, resultado, e o resultado acima de tudo. E aí, enfim, eu queria que você comentasse qual que é a relação da liderança com a alta performance e em que ponto essa alta performance passa a ser algo tóxico dentro de uma empresa, essa busca, essa obsessão.
As duas coisas estão relacionadas. Então, vamos começar por partes. Eu vou dizer assim de uma forma totalmente arromântica, sem romantismo. Ninguém contrata um líder se pudesse fazer o mesmo resultado sem o líder. Líder é mais caro, é uma pessoa que vai crescer mais rápido na carreira, vai ter mais demandas, vai ter mais necessidades para manter. Então, eu digo assim, liderança, gestão, níveis hierárquicos são, entre aspas, um mal necessário para a empresa. Por quê? Porque sem isso você não tem coordenação.
Então, do ponto de vista puramente de resultado de métrica, você precisa de pessoas que estão nessas posições. E por que isso é interessante para o lado do líder? De entender que eu não estou ali porque eu sou o bam, bam, bam. Eu estou ali para servir. No momento que eu não tiver mais um objetivo, eu vou ser cortado. E é o que está acontecendo, em muitos casos, com inteligência artificial. Então, se eu for pensar do ponto de vista meramente numérico...
cargos intermediários de níveis táticos, níveis operacionais entre o operacional e o tático, entre o tático e o estratégico, enfim. A hierarquia existe por uma necessidade da empresa. A empresa, dentro do capitalismo, gera lucro. Quando você vai para um ambiente diferente, onde você não tem lucro a qualquer custo, e é o capitalismo consciente, uma abertante muito interessante, você tem responsabilidade social.
O lucro precisa existir, porque senão a empresa quebra. Você não tem longevidade. Se você não focar em lucro, em fazer o reinvestimento do caixa, você guardar, criar oportunidades de crescimento, a empresa não se perpetua. Porque os ciclos econômicos são os maiores matadores de empresas. Ponto. Não tem como. Não existe romantizar isso. Então, você precisa focar em lucro. Agora, quando você leva em conta que o ser humano é também muito importante...
O que vai acontecer? Aquela ideia original de que você só precisa ter líderes porque eles são necessários, porque senão você não conseguiria fazer, ele se torna uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento de pessoas. Então o que acontece? Você tem esses dois lados. Porque em algum momento você precisa considerar que você precisa pagar as contas. Então você não vai inchar a sua empresa. Porque eu não estou sendo um bom empresário se eu incho a minha empresa.
Agora, se eu consigo agregar valor, eu coloco mais pessoas para continuar agregando mais valor, eu me torno, entre aspas, o bom capitalista, porque eu sou capitalista consciente. Por quê? Porque eu estou gerando valor, estou gerando divisas, estou pagando impostos, estou ajudando a construir a infraestrutura do país, estou ajudando famílias e estamos agregando valor. Mas no final das contas, a menos que você tenha um dinheiro mágico, você tem que fazer a conta bater. Então,
Existe essa toxicidade quando é resultado a qualquer custo. Quando o único que conta na balança é o bottom line, é o acionista. E aí o que acontece? O que já se sabe com o resultado triplo, o ESG, é se você não focar no todo, no médio e longo prazo, a empresa não se sustenta. Porque ela precisa de um ecossistema em que as pessoas estão crescendo.
Então não é longevo você focar em resultado a qualquer custo. A própria IA está sofrendo essa crise agora. Resultado a qualquer custo, e essas pessoas não têm mais dinheiro, porque você vai pagar um salário para todo mundo, para que as pessoas não morram de fome, mas elas não vão crescer mais. Então essa dicotomia é como se fosse uma dança. A minha opinião pessoal é, precisa gerar lucro, senão a empresa não sustenta, mas não pode ser só lucro.
O Simon Sinek, que a gente estava falando para ele, diz o seguinte, a balança precisa ser equalitária, pode ser um pouquinho mais para o lucro, tipo 51%, 52%, mas você precisa focar nas pessoas, senão no final das contas o sistema não se perpetua.
Muito bom. E a gente falou aqui no comecinho, você chegou aqui a comentar do quadro atual da sociedade, das doenças, depressão, burnout, enfim. E aí agora acho que a gente desemboca nesse tema, falando dessa questão da liderança tóxica, e acho que a gente chega na questão dessas doenças de ordem mental, enfim. Queria que você comentasse, isso é uma consequência inevitável do mundo moderno? Todas essas...
Mas elas... Eu não diria inevitável.
Eu acredito que no nível de consciência que a maior parte das pessoas estão, essa é a tendência que nós estamos indo. Porque nós estamos em níveis recordes. E esse é o momento que nós estamos contabilizando agora. E infelizmente o Brasil é um dos recordistas, ou número um ou número dois, no mundo ou na América Latina, de depressão e de ansiedade. E no fundo, os dois são problemas de não estar no momento presente.
Mais uma vez o estoicismo, né? O que é depressão? Eu estou frustrado com o que aconteceu. Ou eu não vejo esperança. Eu não estou no momento agora. Eu não estou no que eu posso fazer. Ansiedade, preocupação, síndrome do pânico, é o que pode acontecer de errado no futuro. Eu não estou no aqui, no agora.
Então, o que eu entendo é, é evitável desde que exista um novo nível de conscientização. E o nível de conscientização, na forma que eu venho aprendendo e praticando, requer um processo de desaceleramento. Se eu estou acelerado, eu estou no modo reativo.
Você observa pessoas conversando. Quando as respostas são rápidas, elas estão no 95% do piloto automático. Não existe algo novo sendo criado. Não existe um espaço legitimamente contextual. A pessoa aprendeu a receber informação reativa. Isso existe por natureza. Porque o cérebro plenamente consciente, o córtex profrontal, gasta muita energia.
Só que a gente tem muitas coisas na nossa vida que é piloto automático, que são os 95% que a gente faz para economizar energia. Então, o que acontece? Quando nós estamos diante de momentos críticos no ambiente corporativo, com pessoas em que a nossa decisão clara, límpida, ela é requerida, ou quando nós estamos com pessoas que amamos, nossa família, nossos amigos, nossa comunidade, ali a gente precisa estar presente. E a forma que eu trago a presença, está no meu livro, eu gosto de comentar muito, é...
Presença é estar presente no presente, com os presentes e ser um presente. E eu não acredito que é possível eu me fazer um presente se eu estou focado só nos problemas que estão acontecendo ou nas desgraças que já aconteceram. Então, se eu não estiver aqui no agora...
recebendo o Leandro, recebendo o Simão, recebendo o que está presente agora, como é que eu posso devolver o que está? Aí eu venho com a minha agenda, não venho com a agenda do que é necessário, aí eu venho com as minhas vontades, eu não venho com os desejos da comunidade.
E voltando para a sua pergunta, é evitável desde que nós aprendamos a desacelerar? E há muitas formas, técnicas estratégicas para que nós nos tornemos conscientes, desaceleramos, estamos presentes e começamos a agir de forma intencional ao invés de simplesmente responder e reagir.
Bacana isso, cara. Estou pensando aqui e pensando aqui no papo que a gente teve aqui antes sobre essa questão do estoicismo. O Brasil é um prato cheio para um estoico, né, cara?
Podemos praticar, né? É, porque o estoico é aquele que vê em cada dificuldade, em cada diversidade, uma oportunidade de crescimento e de exercer ali a virtude. Mas ô paizinho difícil, hein, cara? Eu aprendi isso com a minha mãe. Minha mãe dizia assim, mar tranquilo não cria bons marinheiros. Verdade.
A gente sabe, se a gente pode empreender no Brasil, a gente consegue provavelmente empreender em qualquer lugar do mundo. E se eu penso em um ambiente mais amplo, o que o Brasil faz é exportar soluções criativas para o mundo.
A gente tem esse potencial, e a gente tem esse potencial justamente pelos desafios, pelas dores, pelos sofrimentos e sacrifícios que a gente precisa fazer. Como eu acredito numa visão mais ampla de mundo, essa é uma escola que eu não teria se eu estivesse num país em que tudo funcionasse maravilhosamente. Verdade.
Então, na minha crença, na minha alma, a minha oportunidade de crescer aqui é enorme. E talvez tenha pessoas que estejam em lugares piores, mais favorecidos, que têm uma oportunidade ainda mais rápida de crescimento. Mas é o que é. O amor fati. Amor é o que está presente. E lembrar também o momento mori. Eu sou homem mortal e eu vou morrer. Então, o que eu posso fazer nesse ciclo de tempo? Para mim é o que é o relevante. É isso que vai fazer a diferença.
Bom demais. E, Carlos, agora a gente falou da importância do presente, mas eu queria olhar um pouquinho para o futuro. Como é que você enxerga o futuro? Novas gerações, futuras gerações de líderes. Você acha que as novas gerações estão preparadas para liderar as empresas nesse mundo que está se desenhando à nossa frente? Eu gostaria de ter uma resposta diferente.
eu não vejo um movimento consistente de formação de líderes preparados para os desafios que estão vindo. Agora, o ser humano é incrível na sua capacidade de reinvenção. Então, se a gente for pensar, todas as barbaridades que nós, como civilização, já fizemos.
Todas as atrocidades humanas, de seres humanos contra seres humanos, e nós continuamos aqui, eu acredito que nós temos o potencial de resolver esse problema. Eu seria arrogante imaginar que eu sei qual é a solução. Eu entendo que são elementos que, para mim, fazem sentido, mas eu não sei se é essa fórmula. Então, para te responder, eu não vejo a nossa preparação para a liderança do futuro, que o mundo precisa para continuar a existência.
Eu vejo muitas pessoas se pronunciando em relação aos perigos da inteligência artificial, mas eu ainda vejo que essa balança está muito desequilibrada em quem vai vencer a corrida de quem tem o domínio da inteligência artificial geral, super inteligência, enfim.
Quando essa balança estiver um pouquinho mais equilibrada, eu acredito que nós vamos ter mais liderança, por exemplo, nessa área. Agora, eu sei que nós precisamos de referências, para a gente ter, para a gente admirar. E hoje, na minha humilde percepção, nos faltam referências de liderança, fortes, de uma forma mais ampla. A gente tem lideranças em nichos, que são extremamente poderosas.
Você faz um trabalho de liderança muito bacana com administradores, com empresários no Clube Black. E eu sei que tem novidade vindo aí, mas eu não quero queimar as novidades aí. Então, o que eu vejo é que existem esses bolsões de liderança, mas nós não somos uma geração que está produzindo os líderes que o futuro vai precisar.
nós vamos envelhecer. E quem vai ficar no lugar? Porque hoje tem o imediatismo, hoje não tem muito o senso de esforço de pagar o preço da conquista. Então, o que eu vejo é, eu não sei quem disse isso originalmente, pessoas repetem, viram memes, mas tempos difíceis criam pessoas fortes, pensas suas fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam pessoas fracas, pessoas fracas criam tempos difíceis, e aí o ciclo se continua.
Então, o que eu vejo é que nós estamos mais uma vez num processo de transição. E aí, eu acredito na humanidade. Vou inventar alguma forma de se recuperar. Mas eu não vejo a curto prazo. Eu não vejo um plano de novos líderes amorosos, dedicados pelos serviços da humanidade. Infelizmente, a gente não evoluiu como civilização para pensar no todo. Que bacana, cara.
Eu estou dizendo bacana a sua reflexão, a sua capacidade de reflexão, não a resposta que não foi tão otimista com relação... Mas assim, existe um otimismo no ser humano. Eu sou otimista. Eu também acredito que o ser humano é capaz de coisas incríveis.
Mas, cara, nós temos uma audiência bastante eclética aqui no nosso Café com a DM. Apesar de ser um podcast nicho de negócio, esse nicho é imenso. Então, nós temos desde pessoas muito experientes que estão escutando aqui o nosso podcast, a pessoas que estão ali no começo da sua formação. E eu acho super importante que essas pessoas estejam atentas aos nossos diálogos aqui.
Para essas pessoas e até mesmo para essas pessoas mais experientes que também têm, eventualmente, um filho, um neto, enfim, algum parente da família mais jovem, qual que é a sua recomendação com relação a alguma característica, alguma habilidade que eles devem se concentrar em desenvolver para justamente performar? Eu não gosto dessa palavra, mas enfim, você entendeu, né?
É difícil colocar isso como uma habilidade. Eu vejo duas características que são importantes para o ser humano estar mais estável. Aprender a perdoar a si e os demais, seu passado, pessoas que te feriram, bobagens que eu mesmo fiz, que outras pessoas fizeram. Aprender a perdoar. E segundo, amar de forma incondicional. E por que eu entendo que essas são, eu chamo isso de habilidades? Porque é prática.
Quando eu parto de um princípio que o que acabou de acontecer eu perdoo imediatamente e eu amo o que está acontecendo, o amor fati, e eu amo incondicionalmente as pessoas, eu deixo de perpetuar aquelas dependências emocionais com outras pessoas. E se eu legitimamente amo a tudo, e eu tenho inclusive post-its espalhados na casa, um deles é ame tudo e ama todos,
significa que eu vou fazer o melhor a cada momento. Porque quando você ama algo de verdade, você vai entregar o seu melhor. Se você ama uma pessoa, você quer o melhor para essa pessoa. Você não vai passar a mão na cabeça, você vai dizer o que precisa ser feito para essa pessoa. Então, como empresário, se você ama legitimamente a sua empresa, você vai tratar as pessoas de forma grata, você vai cuidar das pessoas. Você não vai deixar sujeira. Se você é funcionário, você ama seu líder, você ama seus pares.
de forma incondicional, primeiro, neurologicamente, psicologia positiva já diz, você vai ser mais feliz, se você é mais feliz, seu sistema imunológico vai ser mais forte, você vai viver mais longe, você vai ser mais preciso. Então, assim, são coisas que soltam as amarras e traz o foco no dia a dia. E aí, quando você tem esse auto-amor e amor pelos outros, você fala, pô, como é que eu posso trazer mais amor para a vida das pessoas, para os meus funcionários, para os meus sócios?
Eu preciso estudar, eu preciso aprender, eu preciso nutrir. Então, são premissas como seres humanos.
Porque a partir daí tem N coisas, disciplina, crescimento, contribuição. Mas se não tem o perdão e não tem o amor, o que está em cima é muito temporário.
Muito bem, cara. Eu acho que a gente fechou aqui, Carlos, com chave de ouro. E eu queria que você deixasse aqui para a nossa audiência agora. Turma, Carlos Roios, procura aí rede social, LinkedIn, enfim, onde mais você está produzindo conteúdo, o podcast Líder de Elite, coloca para seguir. É fenomenal. Cara, Carlos, eu estou impressionado aqui com o nosso podcast e estou impressionado aqui com...
Cara, com você pessoalmente, uma pessoa que eu já admirava muito e que agora eu me tornei aqui um verdadeiro fã. E queria te agradecer aqui pela presença, por ter vindo até a João Pessoa, para a gente bater esse papo, tomar esse café junto aqui e para brindar aqui a nossa audiência com tanto conhecimento, tantas reflexões poderosíssimas, cara. Um Café com ADM aí para a gente emoldurar aqui e você construiu um legado aqui dentro do Café com ADM.
Cara, eu sou muito grato por esse espaço, por essa permissão de estar aqui contigo, que é uma pessoa que eu admiro e que deixou um legado incrível no empresariado, mas também no coração das pessoas. Então, para mim, eu só tenho a agradecer por esse espaço e espero ter contribuído um pouquinho contigo e com a sua audiência.
Demais, cara. Contribuição gigantesca. Carlos Roios. Pessoal, sigam. Grudem no Carlos. E, Carlos, eu quero te receber aqui mais vezes, cara. Tinha mais coisas que eu queria te perguntar aqui, mas acho que ia esticar demais o nosso podcast. Então, eu quero te receber mais vezes.
Já está feito aqui o convite para você voltar em João Pessoa num final de semana de sol, porque dessa vez foi só chuva. Mas obrigado mesmo, Carlos. Obrigado, será uma honra. Perfeito. E eu quero saber você aí do outro lado, o que você achou do nosso podcast de hoje?
turbinado de cafeína com o Carlos Roios. Já quero que você deixe aqui o seu comentário dizendo o que você achou, o que chamou mais a sua atenção e o que você vai colocar em prática depois desse podcast. Deixa aí nos comentários, compartilha também esse episódio com quem vai tirar proveito e turma, na semana que vem você já sabe, estaremos aqui novamente com mais cafeína pra vocês. Combinados então? Então até a próxima semana e mais um episódio do Café com ADM, a sua dose de cafeína nos negócios. Até lá!
Dealism