Episódios de CBN Madrugada

Renegociação das dívidas deve ser feita diretamente com os bancos, lembra Gilberto Braga

06 de maio de 202619min
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Faltou sincronia entre governo, Caixa Econômica Federal e os bancos para o início do novo Desenrola, nesta terça-feira, afirma Gilberto Braga. Segundo o economista, o passo a passo para ingressar no programa de renegociação de dívidas pode ser encontrado nos aplicativos dos próprios bancos.

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Participantes neste episódio2
G

Gilberto Braga

HostEconomista
P

Paulo Henrique Galvão

Co-host
Assuntos2
  • Desenrola 2.0Atraso no início do programa · Falta de sincronia entre governo e bancos · Negociação direta com os bancos · Uso do FGTS para abatimento de dívidas · Condições de renegociação (desconto, juros, prazo) · Limite de R$ 15 mil por pessoa/instituição · Participação de pessoas com até 5 salários mínimos
  • Opinião sobre apostas esportivasProibição de apostar por um ano para participantes do Desenrola · Importância da educação financeira · Destinação de 1% do valor recebido pelos credores para educação financeira · Subterfúgios para apostar em nome de terceiros · Análise matemática e probabilidade nas apostas
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CBN, valorizando o seu bolso, com Gilberto Braga. Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para a nossa conversa semanal com o professor economista Gilberto Braga. Gilberto, muito bom dia, tudo bem por aí?

Bom dia, tudo bem, tudo tranquilo. E com você, Paulo Henrique Galvão. Tudo ótimo, Gilberto. Bom, não tem como a gente não falar, não voltar ao Desenrola 2.0, programa do governo federal que já estava prometido, foi anunciado oficialmente esta semana, deveria ter começado nesta terça-feira, mas a coisa está meio problemática, não é, Gilberto? Está enrolada.

Desenrolou, né? Desculpa a redundância aí da piada, mas... O secretário da Fazenda, o Rogério Seron, disse que nessa quarta-feira, hoje, portanto, o negócio vai desenrolar. Mas, obviamente, que isso causa uma apreensão aí, né? Causa, né? Então, a primeira coisa que a gente precisa lembrar para o ouvinte do CBN, o Madrigal, é que, apesar do anúncio governamental de que nessa...

segunda e terça-feira começava tudo, até agora nada, ficou para quarta e a questão é uma questão tecnológica. Então não vamos ter mais aquele aplicativo do desenrola um, então não tem que entrar em site nenhum, não tem que fazer qualquer tipo de cadastro, então a negociação vai ser direta com o banco.

Só que os bancos, para poderem fazer essa negociação direta, tem que ter as informações do governo, sobretudo o link com o FGC, ou seja, com os dados lá do Fundo Garantidor e do FGTS, dos trabalhadores, que como a gente sabe é operado em outra plataforma, é a Caixa que toma conta.

Então, essa falta de sincronia não permite que você consiga fazer as operações e daí a coisa ficou azeda, ficou enrolada e vamos ver se nessa quarta-feira a coisa funciona melhor.

Não deu certo até agora, né, Galvão? É verdade, é muita gente, não é, Gilberto? No começo estávamos falando em 20 milhões, agora nessa terça eu já li lá que pode ser 27 milhões de pessoas atingidas. Acho que a ideia, nosso ouvinte, o nosso ouvinte, com certeza tem gente que vai se aproveitar desse benefício. Na prática, como que a pessoa faz para participar, para renegociar essa dívida, hein, Gilberto?

Olha, alguns desses bancões já colocaram dentro dos seus app's um ícone para o Desenrola 2.0, o novo Desenrola, que é o nome oficial do programa.

Então, a partir dali, vai ter um passo a passo. E, nesse momento, o participante, o devedor, ele já está dentro do aplicativo do banco. Ou seja, ele já fez todo o seu processo de identificação, seja facial, seja por senha, seja combinado, dupla checagem. Então, ele já está dentro do ambiente que ele domina, já está dentro da conta corrente dele.

E ali, normalmente, as plataformas dos bancões já têm também a informação do endividamento, seja lá no cartão de crédito, seja empréstimo pessoal. Essas informações já serão capturadas através desse ícone para fazer o processo de renegociação.

E aí vai ter lá uma série de opções que o banco vai dar em função do perfil da dívida. Então a gente tem que começar a especificar que o próprio banco vai abrir a condição inicial. Lembrando que não é uma condição que o bevedor tem que aceitar de cara. Ou seja, existe ali um processo de negociação. Então vai ter do outro lado a possibilidade de um chat para você poder conversar.

e fazer contrapropostas, de alguma maneira colocar alguma dúvida. Então, vai ter uma interação do outro lado por conta dos bancos. A princípio, é isso que está sendo desenhado. Vamos ver na prática como é que vai funcionar, né, Galvão? Agora, as condições parecem bem vantajosas, não é, Gilberto? Inclusive, com a possibilidade de utilização do fundo de garantia, uma parcela, uma limitação no uso do FGTS.

É verdade, vai ser disponibilizada a possibilidade de você utilizar 20% do saldo que o devedor tem no fundo de garantia, ou até R$ 1.000,00, o que for maior.

e estima-se que isso pode chegar até o uso do FGTS em 8 bilhões e 200 milhões de uso dos recursos. E segundo o governo, não farão falta porque vão ser utilizados uma série de mecanismos para cobrir esse saque de 8 bilhões e 200.

Agora, essa questão do FGTS, achei interessante, né? A gente olha assim, bom, só mil reais, né? Parece um valor baixo em princípio. Agora, é importante essa limitação, né, Gilberto? Para não também desfalcar o fundo.

de garantia da sua finalidade precípua, que é financiar o sistema habitacional e também manter uma certa segurança para o trabalhador numa eventualidade, de uma demissão ou quando ele for comprar a casa, mas principalmente numa eventualidade. A pessoa demitida é importante ter ali esse dinheiro para aquele momento de dificuldade. E se não houvesse essa limitação, com certeza as pessoas iam tirar bem mais.

É, com certeza. Agora, quando você fala 1 mil reais, Galvão, a gente precisa lembrar o seguinte, é o que for maior, o 20% ou 1 mil reais. Então, ele vai sacar o 1 mil reais...

se o saldo dele for o 20%, que for inferior a 1 mil. Então, agora, se o 20% do saldo acumulado for mais que 1 mil reais, esse trabalhador vai poder ter uma compensação, ou seja, um desconto maior na dívida. Então, vai sempre ele no limite. Eu havia entendido errado, então. Quer dizer que o limite máximo não é mil reais. Eu tinha entendido errado. É, o que for maior.

Então, vai ser essa possibilidade de você fazer o abatimento de 20% ou de R$ 1.000. Entendi. Então, se a pessoa tiver lá R$ 20.000 no FGTS, ela vai poder tirar R$ 4.000. Então, é isso, né? Exatamente. E se, por um acaso, o 20%...

do saldo foi inferior a mil reais, por exemplo, 750 reais, ela vai poder tirar um mil reais, ou seja, vai tirar mais de 20% do saldo. Entendi. Entendeu? Então, isso é bastante vantajoso. Sim, claro. E lembrando aí que o desconto vai ser entre 30, que é o desconto mínimo na pior condição, e 90% com taxa de juros de 1,99 ao mês.

e 48 meses de prazo e 35 dias para pagamento da primeira parcela, ou seja, vai esperar cair o salário do mês que vem para você começar a pagar. Então isso é bastante interessante. Lembrando que pode participar quem ganha até 5 salários mínimos, precisamente R$ 8.105.

E a dívida pode ser de até 15 mil reais por pessoa, por instituição financeira. Então, a princípio, essa é a condição. Dívidas acima de 15 mil, então, não entram no desenrola? Não entram nesse desenrola.

ou poderá ser negociado em mais de um banco, dependendo se ele tiver mais de uma dívida, ele pode, que é uma dúvida que as pessoas têm, ele pode fazer mais de uma negociação, desde que o valor do endividamento esteja enquadrado dentro desses limites do desenrola dois. Porque muita gente deve no banco A, no banco B, no banco C, vai poder negociar em todos eles, desde que o valor da dívida se enquadre.

E essa questão das bets Queria que você falasse um pouco sobre isso Na importância de limitar As pessoas que participarem Ficarem proibidas De apostar nas bets por um ano Mas em que medida também Não há necessidade De se criar outros mecanismos Para impedir essas apostas Porque a gente sabe, a gente pode até falar aqui sem problemas Porque infelizmente a gente sabe As pessoas acabam

se utilizando de subterfúgios, apostando em nome de outras pessoas. Isso deve estar acontecendo com o pessoal do Bolsa Família. Queria que você falasse um pouco desse aspecto e da importância, que a gente até já falou, mas acho que é muito bom reforçar, de educação financeira, de tentar fazer com que as pessoas tenham uma consciência maior em relação a essas apostas, Gilberto. Isso é absolutamente indispensável e necessário.

criar um pouco mais de consciência do uso responsável dos recursos. E uma coisa interessante é que de todo o valor que o banco receber, o credor receber na litigação de dívida, 1% vai ser destinado para a educação financeira. A gente não sabe ainda como é aquilo.

serão as ações, mas haverá pelo menos aí uma dotação de 1% do valor e isso vai ser utilizado em projetos, programas de educação financeira, que envolvem inclusive a questão de não, entre aspas, desperdiçar o seu dinheiro nas apostas esportivas.

A gente sabe que as bets viraram uma febre, então é bacana torcer, é bacana você fazer aposta.

alguns ganham, de vez em quando as pessoas ganham uma bolada, mas como negócio, como qualquer negócio, para se sustentar ele tem que ser sempre contra o apostador, então um ganha e muitos perdem, então não dá para todo mundo ganhar e aí tem uma análise matemática de probabilidade que faz com que...

Isso tudo, de alguma maneira, fica atraente. Se aposta um, recebe cinco, se ganhar. Isso mexe com o imaginário. As pessoas acham que é fácil, acham que tem um palpite, que é o dia certo, que a lógica do apostador, quanto mais é essa. Então, hoje é meu dia de sorte. E aí é o time do coração, é um time mais forte, teoricamente.

contra um time mais fraco, então ele acha que é dinheiro o Gui Club certo, e às vezes, a gente sabe, né? Eu como torcedor de futebol, você também, só para pegar o esporte mais apostado, nem sempre dá lógica, né? Sim. Então é importante isso. Agora, o que você falou é verdade, Galvão, a possibilidade de utilizar aí subterfúgios, de alguma maneira você apostar com CPF de terceiros, isso é uma possibilidade real, né? Porque...

Não haverá bloqueio do núcleo familiar ou do núcleo próximo de parentes. O bloqueio vai ser do CPF daquele que está hoje em devedor com dívida aí no programa e que vai acessar o desenrola dois. O bloqueio vai ser automático. Mas nada impede você utilizar o famoso laranja, né? Sim.

Para a gente fechar, Gilberto, queria abordar um outro aspecto. Não há dúvida nenhuma de que, pelo menos na minha opinião, que esse programa é positivo, vai ajudar muita gente, mas também acredito que não há nenhuma dúvida de que tem um caráter eleitoreiro.

E a pergunta que eu faço, Gilberto, é o que fazer para evitar que a gente tenha logo mais à frente um desenrola 3.0, novíssimo desenrola, porque esse já é o segundo. A gente sabe que em relação às empresas tem refis, tem um refis aqui, depois tem um outro lá.

O que fazer para que isso não se transforme numa cultura da inadimplência? O que acaba, no final das contas, desestimulando as pessoas a honrarem os seus compromissos? Porque não há dúvida nenhuma, a pessoa que está com seu compromisso em dia...

Ela olha para uma situação dessa e fala, opa, quem sabe de repente vale a pena eu deixar de pagar e lá na frente vou ter um benefício e tal. Obviamente que muita gente que está endividada, a maioria, é porque aconteceu alguma coisa. Perdeu emprego, teve um problema de saúde, está com problemas para realmente falta de educação financeira, que também é necessário o que a gente está falando aqui.

A gente não pode culpar essas pessoas por essa situação de forma deliberada, porque a gente sabe que tem muita gente passando necessidade, não por culpa própria. Agora, colocando todo esse pano de fundo aí, Gilberto, o que fazer, o que o governo, o que a sociedade pode fazer para que a gente não transforme isso em recorrente?

Bom, eu defendo sempre que é necessário um conjunto de ações. O primeiro deles é que além da questão de você atuar, digamos assim, no sintoma, a gente tem que também trabalhar as causas, porque o endividamento...

a dor de cabeça que você tem hoje. Então você vai tomar o remédio que o governo está dando. Agora, o que causa a sua dor de cabeça, o que te leva a ficar endividado, isso tem muito a ver com juros muito elevados durante um período muito longo. Então nós ficamos aí com juros a 15% em muito tempo, aí caiu 0,25%, agora mais 0,25%.

estamos em 14,50. É uma caixa de juros de partida, que é a caixa básica. A caixa do cheque especial é absurdamente escorchante, do cartão de crédito mais ainda. Então a gente observa que a cultura brasileira de distribuição de...

irreal ou injusta de renda leva as pessoas a fazerem a dívida. A sociedade de consumo no Brasil é historicamente, não pela distribuição equilibrada dos recursos, entre os que ganham poucos, que ganham muito, a distância é muito grande. Então, as camadas que são, digamos assim, menos bem remuneradas, que ganham menos na sociedade dentro da participação do bolo econômico.

elas vão ter a Copa do Mundo e vão fazer o crediário da televisão, ou vão fazer o crediário para pagar uma conta atrasada, ou para tratar de uma questão médica, ou porque fizeram uma reforma em casa e de repente faltou dinheiro, porque gastou mais do que podia e mais era preciso. Então são situações que nem sempre se estão a ver com a questão da desinformação.

da falta de educação financeira, mas às vezes tem a ver com desequilíbrios e com situações que podem ocorrer na vida de qualquer pessoa, de qualquer família. Então é importante que o governo tenha equilíbrio fiscal. Os juros estão altos porque o governo se desequilibrou, ou seja, a gente gasta mais do que arrecada. E a cultura atual do governo, sem querer entrar numa discussão eleitoral e ideológica...

é a cultura de que a despesa pública é boa porque ela traz benefícios para a população. Isso é obviamente inegável, mas por outro lado, você ter um regime de equilíbrio, de não gastar tanto, é também importante, porque fazer bondade sem ter dinheiro, qualquer um sabe fazer. A dificuldade é fazer o bem sem fazer o mal ao mesmo tempo. Então, toda vez que você tem inflação elevada...

e é obrigado a elevar os juros por conta do desequilíbrio fiscal, que é uma das maneiras de você combater, isso desestimula o consumo, ou seja, a principal forma de acesso a bens e serviços da população, isso fica mais caro e o endividamento fica impagável. Isso por um período curto é até aceitável, mas por um período longo...

Isso socializa, digamos assim, esses efeitos de uma forma geral. E a maioria da população não está tendo benefícios com essas despesas públicas. Tem muita ineficiência, tem muito gasto.

Então, na prática, isso não chega. Quando você vai no supermercado e a conta final fica mais cara, o dinheiro não dá para você chegar no final do mês ou para pagar todos os boletos, entra o desespero. E aí vem o endividamento. Então é preciso responsabilidade e equilíbrio. Professor economista Gilberto Braga, sempre valorizando o seu bolso aqui no CBN Madrugada. Gilberto, mais uma vez, muito obrigado, uma excelente semana e até a próxima.

Um abraço a todos e até semana que vem.

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