Turismo Cervejeiro com Ana Cláudia Pampillón | Surra #309
Turismo cervejeiro é só uma visita guiada com degustação no final ou pode ser um dos caminhos mais inteligentes para crescer no mercado atual?
Neste episódio do Surra de Lúpulo, Ludmyla Almeida recebe Ana Cláudia Pampillón, turismóloga, sommelière de cervejas e uma das principais articuladoras da Rota Cervejeira do Rio de Janeiro, para uma conversa direta sobre o que realmente está por trás desse tema que todo mundo cita, mas poucos executam bem.
Ao longo do papo, você vai entender por que transformar uma cervejaria em destino exige muito mais do que abrir a porta, quais são os principais gargalos do turismo cervejeiro no Brasil e como experiências bem construídas podem gerar mais receita, fidelizar consumidores e fortalecer marcas.
Além disso, a conversa aprofunda o papel do associativismo, a importância de preparar não só as cervejarias, mas também quem vende o turismo e por que o poder público ainda é um elo frágil nessa cadeia.
Se você trabalha com cerveja, turismo ou quer enxergar novas oportunidades dentro do mercado, esse episódio traz provocações práticas e exemplos reais que podem mudar a forma como você pensa o seu negócio.
Dá o play e vem entender como sair do discurso e transformar o turismo cervejeiro em estratégia de verdade.
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Ludmila Almeida
Ana Cláudia Pampillón
- Turismo CervejeiroOportunidades e Estratégias · Gargalos e Desafios no Brasil · Experiências Estruturadas · Papel do Associativismo · Importância do Poder Público
- Rota Cervejeira RJHistória e Evolução · Parcerias com Hotéis e Conventions · Experiências Criativas
- Metodologia de TreinamentoTreinamento de Agências e Guias · Precificação de Experiências · Parceria com SEBRAE
- Impacto do cooperativismoBenefícios para Pequenas e Grandes Cervejarias · Cerveja Colaborativa · Apoio em Situações de Crise
- Autoridade e Competência no Poder PúblicoDivulgação e Incentivo · Falta de Continuidade Governamental · Emendas Parlamentares
- Cultura de qualidade na cervejaExperiência do Cliente · Cervejarias Ciganas e Parcerias
- Cervejas ArtesanaisBusca por Parcerias · Eventos em Parceria com Hotéis
Alô, tem alguém aí? Será que vocês são como eu, que perdem o sono pensando no mercado cervejeiro? Por que as cervejarias seguem fazendo Reis e Ipa tudo igual? Qual é o tamanho do mercado cervejeiro artesanal no Brasil? Quantas cervejarias ciganas tem no país? Dos estúdios da Pint Network, eu sou Ludmila Almeida, mais conhecida como Ipa Condrica. E o Surra de Lúpulo de hoje é Turismo Cervejeiro.
Eu acho que o turismo é um pilar extremamente importante, mas também eu tenho certeza e convicção que não é eu vou abrir a porta e vou receber o turismo. Não é assim. O turismo precisa ser estruturado, ele precisa ser pensado, ele precisa ser praticado como turismo.
Uma dificuldade muito grande que a gente teve foi o receptivo turístico. O receptivo turístico da região, as agências das cidades do interior do estado, elas não estão preparadas para ofertar esse tipo de produto.
Então, um grande gargalo foi não só preparar as cervejarias, como também abraçar as operadoras, as agências e os guias de viagem com o quê? Com treinamento de capacitação, inclusive, do produto. Trazer essas agências, essas guias e essas operadoras para falar, olha, vamos aprender um pouquinho sobre o produto que vocês vão vender.
Com o passar do tempo, eles entenderam, eles sabem da importância de uma associação e os pequenos foram vendo na prática a ajuda não só na comunicação, porque quando você comunica um bloco é muito mais fácil do que você comunicar uma cervejaria cigana, por exemplo, que não teria condições de ter visibilidade se ela não fizesse parte do grupo.
Minha convidada para esse papo é Ana Cláudia Pampilhon, que é turismóloga e sommeliere de cervejas, possui longa jornada de atuação no mercado turístico e cervejeiro do estado do Rio de Janeiro, coordenadora da Rota Cervejeira aqui do Rio de Janeiro, além de envolvimento no setor de lúpulo e queijos. A mulher não para. Quinta-feira, 7 de maio de 2026.
Sabe um jeito bom de contribuir com o Surradilúpulo? Bebendo cervejas. Ah, vocês vão falar, mas a gente já faz isso. Não, meus amigos e minhas amigas. Aqui eu me refiro a comprar e consumir cervejas de quem ajuda o Surradilúpulo a se manter no ar e com a casa arrumada. Sabe quem? As Tannis, que não só produz rótulos incríveis de altíssima qualidade, mas vão além, proporcionam experiências completas com seus bares próprios e o e-commerce que entrega a cerveja em todo o Brasil. E o melhor.
Quem está nos ouvindo pode aproveitar o cupom SDL12 para garantir 12% de desconto em qualquer produto no site da Stannis. Então acessa stannis.com. Ana, eu estou tentando emplacar uma pergunta aqui para as nossas convidadas, que é por que caceta trabalhar com cerveja?
Eu costumo dizer que é um gosto aprendido. Há 26 anos eu comecei a trabalhar em cervejaria e comecei a aprender sobre cerveja e não parei mais. Acho que é por aí. É um bom motivo, é um bom motivo.
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Bom, para a gente começar o nosso papo por aqui, a gente vai falar de um assunto que deveria interessar a todas as cervejarias. O turismo cervejeiro é frequentemente citado como uma oportunidade para cervejarias artesanais, mas ainda é pouco explorado como estratégia estruturada de crescimento.
Vamos pensar em um cenário de margens muito apertadas, competição crescente, dificuldade de distribuição. Então, transformar a sua própria cervejaria em destino pode ser mais do que uma ação de marketing. Ela pode ser uma forma concreta de gerar receita, fortalecer a marca, desenvolver toda uma região.
Mas nem tudo são flores e nada é simples. E é por isso aqui que a gente também vai conversar. Para isso acontecer, não basta abrir a porta e oferecer uma degustação. Ah, vem aqui beber minha cerveja. É preciso pensar nas experiências que você vai oferecer. Estabelecer a cooperação com parceiros, envolver o poder público e muito mais. Para conversar sobre esse tema, a gente trouxe aqui a Ana, que tem um currículo que já elimina qualquer dúvida sobre se ela pode dar a carteirada aqui ou não, que atua nessa área há muito tempo. E tem construído pontes onde haviam muitos muros.
Além disso, ela também atua aproximando produtores de lúpulo das cervejarias e conectando mais os elos desse ecossistema. Então, bora falar dos desafios, das oportunidades e principalmente dos caminhos práticos para o que o turismo cervejeiro deixe de ser uma ideia e se torne uma estratégia real de crescimento da cerveja artesanal. Apresentei bem o que a gente tem como turismo cervejeiro, Ana? Super, você já falou tudo.
Não falei tudo não, que você vai trazer aquela, cada cavucada nesse programa é uma minhoca. E cada pergunta que a gente faz, o convidado sai com insight diferente. Bom, você coordena a Rota Cervejeira desde a sua fundação. O que mudou na prática para as cervejarias que passaram a integrar uma rota turística estruturada? Eu acho que isso é muito importante.
Bem, vamos lá, vamos voltar um pouquinho na história. Antes do nascimento da Rota Cervejeira, eu administrei um projeto de turismo muito grandioso aqui na cidade de Teresópolis, que foi a Vila Sangalem, que era a casa de experiência da marca da Teresópolis. Então, ali eu vi o quão importante é o turismo na vida de uma cervejaria. E aí nós começamos o projeto.
com três municípios e seis cervejarias, e com o passar do ano foram entrando as cervejarias, e o principal desafio era fazer com que as cervejarias falassem a língua do turismo, porque a cervejaria tem uma linguagem própria, o produto cerveja é o que vai para a prateleira do supermercado, e a gente tem que começar a falar do produto experiência turística que vai para a prateleira do turismo.
Então, fazer os empresários entenderem a importância, a relevância do turismo na operação do negócio deles sempre foi um desafio muito grande. E desde o começo, a nossa sorte foi que nós tínhamos grandes aliados, que era na ocasião a Teresópolis, que tinha a Vila Sangalha, que já era um produto de turismo estruturado. Nós tínhamos o Museu da Boêmia, que também já era um super produto estruturado.
E aí era uma oportunidade ímpar das pequenas aprenderem e entenderem um pouco melhor como funcionava a questão do turismo cervejeiro. E eu tenho certeza que a maioria das cervejarias pequenas, médias e grandes, elas entendem e sabem e conhecem a importância do turismo cervejeiro no exterior.
na Alemanha, quem não fez um turismo cervejeiro na Alemanha, quem não fez um turismo cervejeiro nos Estados Unidos, na região do Lúpulo, por exemplo. Enfim, então, para eles era uma realidade que era possível. Só tinha uma dificuldade das pequenas, que era...
ocorre do dia a dia, né? Os pequenos, eles têm muitas funções dentro do seu negócio. Eles são o marketing, eles são a contabilidade, eles são o que produz a cerveja e acho que isso fez com que esse início fosse um pouco mais difícil de implantar essa cultura.
turismo cervejeiro. Hoje eu falo com muita alegria que passado esse tempo, hoje eles entendem perfeitamente a importância do turismo cervejeiro na realidade deles. Perfeito. Não sei se te respondi exatamente.
Não, respondeu, sem dúvida. O fio condutor dessa... Perfeito. E eu acho que é importante uma coisa que você falou, tem várias coisas importantes que você falou, pelo amor de Deus, mas, primeiro, a cervejaria, só pensar no produto dela enquanto a cerveja que está na prateleira do supermercado.
Quando ela começa a desdobrar que existem mais produtos dentro de uma cervejaria que vão para além da cerveja, a coisa começa a mudar de figura. Mas as dificuldades, como você disse, os pequenos são muito equipes solitárias, equipes muito pequenas, com muitas atividades, e aí acaba não sobrando tempo e você fala, eu tenho que focar naquilo que é o core do negócio.
e o core do negócio de uma cervejaria, via de regra, é vender cerveja. Mas será que só, dependendo de onde você está, enfim, então acho que essas são as provocações que o turismo pode trazer. E aí eu acho que nesse lugar a gente traz o gancho de falar do turismo um pouco mais para além de oportunidade e um bocado sobre estratégia. Estratégia significa primeiro...
Analisar cenário, planejar e não necessariamente falar, hum, tá bom, de hoje pra sábado eu montei um turco cervejeiro aqui na minha fábrica. Mas peraí, isso não tem nada pra mostrar aqui, não tem uma coisa bonita e tal. Então assim, na sua visão, ele é complementar ou ele pode, assim, o turismo cervejeiro é complementar ou ele pode ser um pilar de sustentabilidade financeira pras cervejarias da maneira que a gente tá executando hoje? Sem dúvida ele é um pilar.
muito importante, principalmente no cenário atual. No cenário cervejura atual, onde a gente discute a carga tributária, é um ano muito importante para as cervejarias nessa questão, são muitas lutas em relação a tanta tributação nas pequenas, então eu acho que o turismo é um pilar extremamente importante, mas também, eu tenho certeza e convicção pela sua função.
que não é eu vou abrir a porta e vou receber o turismo. Não é assim. O turismo precisa ser estruturado, ele precisa ser pensado, ele precisa ser praticado como turismo. E nós, ao longo desse tempo, porque foi uma construção, são 12 anos,
construindo. Hoje eu tenho certeza que nós somos mil vezes melhores do que éramos 10 anos atrás, até mesmo por conta do que a associação proporciona para os associados às cervejarias que fazem parte da Rota Cervejeira, por exemplo. A função estratégica da associação foi também para dentro do grupo o SEBRAE, que é um importante parceiro nessa capacitação.
Então nós tivemos, nos últimos dois anos, oficinas importantíssimas, onde o Sebrae trouxe todo um time para preparar as cervejarias para esse receptivo turístico, onde ela trouxe consultores especializados em turismo de experiência.
onde ela trouxe um especialista em precificação, porque você não pode jogar. Quando você entra para o game, você tem que ganhar. Então, para você ganhar, você precisa saber precificar. Não adianta você colocar um produto e chegar no final do mês, você fazer a conta e trocou seis por meia dúzia. Então, a questão da precificação foi muito importante, até mesmo, como eu falei anteriormente.
Para essa língua do turismo, você colocar um produto na prateleira, você tem que pensar que o guia tem que ganhar, a agência tem que ganhar. É toda uma cadeia que está se formando para o ganha-ganha, não é somente a cervejaria. Então, a cervejaria é entender que ela faz parte.
desse ecossistema onde todos ganham é muito importante. Então, essas oficinas foram fundamentais para que a gente tivesse experiências estruturadas, precificadas, e o mais legal é que nós conseguimos, entre as cervejarias do nosso estado, oferecer experiências totalmente diferentes umas das outras, o que para o turismo é importantíssimo, porque é uma questão de que, se eu fui em uma, eu vou querer ir nas outras 20, porque eu sei que vão
ser diferentes. Elas não têm aquele padrão. Então, a importância de se preparar para abrir a porta para o turismo é muito grande. Perfeito. É crucial. Você falou de Alemanha. Eu mesma fui à Bélgica duas vezes num sistema de passaporte, de passeio. De quero conhecer esse lugar. Então, assim, é muito importante. E, às vezes, a experiência até a próxima.
É um bocado a mesma. Porque foi muito engraçado que no primeiro ano que eu fui, a gente foi em todas as cervejarias, você fala assim, ah, tá bom, legal. No segundo, você fala, cara, eu nem quero fazer mais a visita. Posso repetir a cervejaria porque eu adoro beber do tanque, etc. Mas eu nem quero mais visitar pra falar, água, malte, lupo, levedura. Já sei!
Mas enfim, no final tem uma degustação, no final tem um brinde, no final tem um não sei o que. Então as pessoas seguem indo, né? E elas repetem as coisas. Então é importante ter em mente isso, que sempre tem que ter um atrativo para quem está, que é o tal da revenda, né? Tipo, a gente sabe fazer a primeira venda, a gente sabe fazer a segunda venda para a mesma pessoa. Essa é a mais difícil, né? Manter a pessoa instigada para continuar.
E aí, Ana, você já citou algumas coisas e você já trouxe até uma das soluções que foi a chegada do Sebrae?
para falar de gargalo do desenvolvimento do turismo cervejeiro. E aí, olhando para o Brasil de uma maneira geral, a gente podia falar de quê? Infraestrutura, legislação, capacitação, ou a mentalidade empresarial, ou tudo isso junto. E o que vocês conseguiram debelar dentro do teu universo aí?
Olha, acho que uma dificuldade muito grande que a gente teve, a gente já, vamos pular essa etapa das cervejeiras se estruturarem, mas foi o receptivo turístico. O receptivo turístico da região, as agências das cidades do interior do estado, elas não estão preparadas para ofertar esse tipo de produto. Então, o que acontece?
A maioria das agências, elas são emissivas. Elas são aquelas agências que você liga e fala, quero viajar para tal lugar, elas emitem o bilhete. Mas elas não são especializadas em fazer o receptivo de trazer grupos para esses produtos específicos do turismo cervejeiro. Certo.
Então, um grande gargalo foi não só preparar as cervejarias, como também abraçar as operadoras, as agências e os guias de viagem com o quê? Com treinamento de capacitação, inclusive, do produto.
trazer essas agências, essas guias e essas operadoras para falar, olha, vamos aprender um pouquinho sobre o produto que vocês vão vender. Por quê? Tem um traslado do visitante que vende um grande centro para o interior do estado, por exemplo, se ele tem um guia que já vai contando a história riquíssima da cerveja, torna aquela experiência muito mais rica. Então, essa etapa foi uma etapa que eu ouso dizer.
que ela tem que ser trabalhada o tempo inteiro, toda oportunidade que a gente tiver. Porque sempre vai ter agência, guia, operadora, que quer trabalhar o turismo cervejeiro e não tem ferramentas para isso. Então, a ferramenta é essa capacitação também com as agências. É um dia de falar sobre o produto, um dia de mostrar a diversidade das experiências para que elas possam colocar na prateleira do turismo.
E aí a gente não pode perder uma oportunidade que a gente tem de falar para esse lado do mercado, para os guias, agências e operadores que são os que vendem os produtos turísticos. Então eu faço um paralelo que me dói muito, que é com o Eno Turismo. O Eno Turismo mal começou.
E ele já estava em pleno vapor, não tinha vinha plantada, não tinha videira plantada, e o turismo, o enoturismo já estava acontecendo. E a gente, com uma construção sólida, a gente não teve esse apelo que o vinho teve. Então, o nosso trabalho, eu costumo dizer que tem que sempre ser o dobro, a gente tem que trabalhar muito mais, a gente tem que ter...
aproveitar todas as oportunidades para estar trabalhando nas duas pontas, tanto nas cervejarias como quem traz o mercado, quem faz acontecer. Perfeito, perfeito. Eu fiquei surpreendida com a tua informação de que e faz todo sentido, eu fiquei surpreendida porque o meu conhecimento do assunto é de turista.
sendo levada por pessoas que já conhecem, ou seja, guias que, entre aspas, já estão treinadas para esse olhar. Mas pensar nisso, na formação do guia, no entendimento do que pode ser feito e pensar até que, não necessariamente falando da Rota Cervejeira do Rio, que está muito focada na serra, mas você tem que falar com várias agências de turismo aqui da capital.
Porque é uma viagem de uma hora e meia, uma hora e quarenta, que o turista vai de boas, como você falou, ouvindo um bocado sobre a história, faz uma visita em duas ou três cervejarias, que é absolutamente possível fazer aí na região, né? Escolhendo determinados lugares sem grandes distâncias. E dá pra voltar no mesmo dia. Então, a gente vê aqui na praia de Copacabana, mora em Copacabana, letreiro maravilhoso, falando que sei quantos milhões de turistas, recorde de turista.
Esse turista tem que subir a serra pra tomar cerveja boa, pra tomar cerveja artesanal, nacional, carioca. Então...
É louco pensar que, tá bom, cervejaria, cria sua experiência. Isso é um passo. Mas para e passo a isso, na paralela, tem que formar a pessoa que de fato vai vender o seu produto. E aí a precificação, como você disse, todo mundo precisa ganhar dinheiro nesse ecossistema. E não vai ser, inicialmente, a gente fica pensando assim, não, a cervejaria sozinha vai conseguir vender o pacote dela. Não! Porque no máximo vai trazer uma família.
Agora, se você bota um ônibus com 40 pessoas ali dentro com aquele pacote já vendido, é diferente, né? Nossa, impressionante. Exatamente.
e aí, depois passada essa questão toda de construir a experiência de pensar no guia e etc, o que você acha que transforma uma visita à cervejaria em uma experiência turística relevante e não apenas na degustação, que é um pouco do que eu te falei você chega lá, água malte, lúpulo, levedura mas ao mesmo tempo, dependendo da cervejaria que você vai, vou te dar um exemplo muito fora do que a gente tem aqui nas pequenas você vai na visita na dúvida pernas
É quase lúdico, né? Você tem um ambiente, é uma fábrica gigantesca, enfim. Você tem muita coisa para ver, mesmo o cara passando pelo périplo do água, malte e lupo, levedura. O que você acha que pode transformar? Se você quiser dar exemplos de experiências que foram criadas aí na rota e que você acredita que vão ser um sucesso, estão sendo um sucesso, acho que pode ser legal, né?
É, eu acredito que, por exemplo, nós não fazemos nada sozinhos, né? Nós precisamos de várias pessoas para que um turismo lindo aconteça. Ultimamente, a gente tem trabalhado muito em união com os conventions, que são os que são responsáveis pela rede hoteleira, né? Porque eles têm interesse.
E que o turista fique mais do que um dia somente na cidade. Querem que o turista durma na cidade. E, como você falou, o Rio de Janeiro inteiro, a cidade que fica mais longe da cidade do Rio, fica três horas. Quer dizer, é perto, relativamente perto.
Então, essa união também com a rede hoteleira tem sido muito importante para que a gente possa trabalhar alguns pacotes formatados onde eles agregam muito valor à experiência. Então, por exemplo, vou dar um caso recente, muito recente, que nós fizemos uma parceria com o Convention.
Um gestor de um grande hotel, algumas unidades hoteleiras de Nova Friburgo, ele já está vendendo o pacote dele de final de semana, incluindo produtos da Rota Cervejeira dentro do pacote.
Ah, que legal. O visitante, ele vai lá comprar o pernoite dele e ele tem a opção de comprar o pacote completo do final de semana ou de dois dias, onde ele ali vai ter, por exemplo, o Circuito das Flores, que vai ter visita nas flores e vai ter uma visita a uma cervejaria, um café da manhã.
E é isso que criou oportunidades das nossas cervejarias criarem experiências únicas. Por exemplo, um caso que está sendo destaque na mídia, a cervejaria Barão de Nova Friburgo, por exemplo, que fez uma parceria com um rapaz que solta balão, que tem o balão. Então ele é de cachê de macacu, é da região, ele faz voos.
como na Cappadocia, só que lá em Nova Friburgo é o que chama de voo cativo. Você sobe 60 metros no nascer do sol ou no pôr do sol, aquela imagem linda, e quando você desce, aí você tem uma experiência cervejeira. Se é no nascer do sol, logo na sequência tem um café da manhã bávaro. Se é um sunset, quando o sol se põe, tem um rockzinho rolando.
uma cervejinha rolando, é um sunset diferente. Então, eu acho que enriquecer essas experiências para que elas se tornem diferente do mesmo, tem sido um desafio, ao mesmo tempo, tem sido muito interessante ver as cervejarias pensarem fora da caixinha, né?
fora do malte, lúpulo, levedura, e vai e degusta no tanque. Óbvio, tem um ou dois que fazem isso, porque tem uma fábrica muito interessante, muito inovadora, com tecnologia, então vale a pena. Mas as experiências dentro delas são muito criativas. Por exemplo, uma plantação de lúpulo...
é fazer um piquenique no lúpulo. Você, quando chega na visita, você recebe uma cestinha e aí tem a técnica agrônoma que vai explicar sobre a planta, o lúpulo, como cresce, a utilidade dela e no final, cada um que recebeu a sua cestinha com uma toalha, joga ali a sua toalha e faz um piquenique debaixo desse lúpulo. Então, assim, se torna para...
gosta de cerveja, são experiências que ficam na memória, ficam, sabe, eu não esqueço o dia que eu visitei uma plantação de lúpulo em Alertal, sabe, era outono, não tinha uma folha sequer, num pé de lúpulo, mas ao mesmo tempo eu sinto a emoção que foi eu estar ali, né, então é muito peculiar.
O que as cervejarias têm feito para atrair esse público. Nós temos hoje uma cervejaria também, por exemplo, que fica na região de Itatxá. Hoje nós estamos abraçando todo o estado do Rio, não somente a região serrana. Ele tem o pub, ele tem o restaurante e ele tem hospedagem. Hospedagem temática. Você fica num quarto que é de cerveja, você tem uma chupera que está ali para te servir o final de semana.
todo. Você tem o quarto do lúpulo que tem a banheira que você toma um banho de lúpulo. Então, essas experiências, você viver essas experiências, são muito ricas. Eu acredito que tem atraído bastante os visitantes pela maneira que eles estão se posicionando hoje com essas experiências.
Nossa, perfeito. Eu aqui, vou lembrar de uma visita que eu fiz há alguns anos, mas que eu li recentemente que eles ainda aprimoraram mais. Foi uma cervejaria no Rio Grande do Sul chamada Edelbral. Eles já tinham uma visita bem lúdica, uma fábrica pequena e tal, não sei o quê. Eles aí incrementaram.
E aí fizeram animações que você vai assistindo ao longo do caminho pra explicar o processo cervejeiro, o que seja. Mas no final, é igual o parque da Disney. No final do brinquedo, você cai na lojinha. Sim. E aí na lojinha, você faz a degustação, você compra cerveja, você compra camiseta. O negócio, a experiência foi positiva, né? Claro. Então... É.
Eu acho que todas essas, como você disse, todas essas experiências que levam a gente pro coração e que no final te caem na lojinha, a compra é emocional, gente. É muito difícil você... Exatamente. Eu costumo dizer, inclusive, que a cerveja tem uma grande vantagem, né? Que é quando você bebe, você fica feliz e você fica rico.
Então, quando você chega na lojinha, você tem uma experiência tão rica que você quer levar tudo pra casa, você quer levar a experiência pra você reviver com os amigos, e aí você nem pensa em quanto você tá gastando, depois que a conta do cartão de crédito chega, é que você vai analisar o que você fez. E a oportunidade das cervejarias venderem diretamente pro consumidor é muito bacana também, porque você tira o intermediário daí da negociação, então você vê uma possibilidade de ganho real.
Né? Sim.
A Ana tocou num ponto que parece óbvio, mas muitas cervejarias ainda a negligenciam. O turista que volta quer encontrar a mesma cerveja. E isso significa que a cervejaria não pode depender de lote que deu certo por acaso. E a gente sabe que um dos pontos mais suscetíveis à variação e até a problemas reais é a fermentação. Por isso, a Pineapple, nosso patrocinador, oferece leveduras de qualidade, selecionadas com muita pesquisa e entregues.
a cervejaria com todo o suporte necessário para trazer consistência e os melhores resultados sensoriais. Seja para cervejas diferenciadas, como Reziipas e Sours, ou para uma excelente Pilsen, a Pineapple tem soluções para atender todo o portfólio das cervejarias mais exigentes e preocupadas com sabor, confiança e qualidade. Acesse o Instagram, arroba pineapple.ingredientes para conhecer todas as soluções.
A gente parte para uma parte do nosso papo que tem a ver com associação e cooperativismo, né? Associativismo e cooperação, na verdade. A Rota Cervejeira reúne hoje 18 cervejarias e dois produtores de lúculo. E aí eu acho que é importante a gente trazer aqui quais foram os maiores ganhos práticos do associativismo e da cooperação entre essas empresas.
que em tese são concorrentes. Mas no final, se você parar para pensar, é mais fácil você tirar uma pessoa da casa dela para fazer mais coisas, entre aspas, parecidas, que vão gerar um bloco de experiências, do que falar assim, eu vou sair daqui agora, vou sair da minha casa em Copacabana, e aí eu vou para Petrópolis e vou visitar só AX em Petrópolis. Pô, estou lá, posso visitar cinco se eu quiser.
Às vezes na mesma rua. Petrópolis é louco em relação a isso. Sim, sim. Então, vamos falar um pouquinho da importância desse associativismo e cooperação, como você já citou o conventions, né? Que a gente também tem que pensar que não é só dentro do... O associativismo não está ligado só a falar de cervejarias associadas entre si, mas outros players e outros parceiros que podem ajudar, facilitar e gerar essa roda. Sim. O associativismo, né, ele é trabalhado ali...
aveia. Eu levo isso na minha vida como uma coisa mais importante. Nós temos ali duas grandes cervejarias que são a Ambev e a Boêmia.
o grupo Petrópolis e as outras todas pequenas nessas cidades. E aí a pergunta é, para o grande faz diferença fazer parte da associação? Faz. Para eles é importante eles serem vistos pelos pequenos como players de um grande jogo. Eles não precisariam da associação para nada, mas eles às vezes entendem a importância muito mais do que os pequenos.
Os pequenos, no começo, tinham essa mentalidade de que, até os grandes, a primeira reunião com as seis cervejarias foi uma reunião de estranhamento, onde você botou numa mesa a Ambev, o Grupo Petrópolis, na época a Cidade Imperial era do Francisco Orleães, a Teresópolis e duas pequenininhas. Era uma reunião de estranhamento. Com o passar do tempo, eles entenderam, eles sabem da importância de uma associação e os pequenos foram vendo na prática.
ajuda não só na comunicação, porque quando você comunica um bloco é muito mais fácil do que você comunicar uma cervejaria cigana, por exemplo, que não teria condições de ter visibilidade se ela não fizesse parte do grupo, mas a troca que existe dentro do grupo.
Uma vez por ano a gente faz uma cerveja colaborativa onde todas as cervejarias participam desse processo. Elas colaboram na receita, colaboram na produção e colaboram na venda desse produto para arrecadar fundos para a associação, para que a associação possa reinvestir.
investir em comunicação. Então, esse trabalho, eu tenho vários cases para citar, por exemplo, de apuros, uma ocasião numa enchente em Petrópolis, uma cervejaria pequena.
viu a fábrica sendo levada, sabe? E a grande entrou nesse caso para ajudar com barris, para ajudar a guardar, para ajudar nessa movimentação de mudança que foi essa fábrica para um outro local. E que se não fossem eles, teria sido muito difícil para essa cervejaria que era pequena.
E da mesma maneira, essa cervejaria grande uma vez não pôde participar de um projeto porque era muito burocrático buscar recurso no corporativo por conta do compliance. E aí essa pequena que foi ajudada falou assim, não deixa que eu pago, eu faço questão de pagar essa parte deles e eles não vão ficar de fora. Precisaria disso? Não, não precisaria, mas foi um...
uma questão da associação que me deixou com muito orgulho deles, né? Assim, essa dinâmica. Mas a gente, quando você pergunta, né? O que a gente precisa? Quem são os players? Quem pode nos ajudar? Eu já falei do Convention, eu já falei do Sebrae. E a gente precisa muito do poder público. A gente precisa muito do poder público.
Aí você já me dá o gancho perfeito para a gente justamente falar sobre o papel do poder público nessa brincadeira toda. E, como eu te falei, aqui no Rio você está caminhando na orla, você vai ver o totem gigantesco falando de uma quantidade de turistas que está sempre subindo, sempre subindo. Isso tem a ver com um incentivo maior à visitação ao Rio de Janeiro, sobretudo depois da pandemia, para resgatar tudo o que já aconteceu aqui.
que é óbvio que a gente precisa pensar em segurança para a população que mora aqui, não apenas para o turista que está aqui. Mas, enfim, se a população está segura, o turismo também é melhor propagado e etc. Então, qual deveria ser o papel dos governos, sei lá, municipal, estadual, no desenvolvimento do turismo e onde você enxerga que eles mais falham?
A gente precisa do poder municipal, do estadual e do federal também, através da Embratur. Então, eu acho, eu acredito, nós, como associação, toda vez que muda um governo, muda um prefeito, muda um governador, muda uma presidência da república, eu tenho que ir lá bater na porta.
desse time do turismo para falar, olha, nós existimos, nós estamos aqui. Então, a nível municipal seriam as secretarias de turismo municipais, a secretaria estadual de turismo, e dentro do Ministério do Turismo a gente tem a Embratur, que é a maior agência de divulgação de turismo do país.
E a minha dificuldade maior é essa mudança de governo, onde eu tenho que, cada vez que eu mudo governo, bater na porta e falar, olha, nós estamos aqui. Nós temos isso para colocar na prateleira do turismo. Não precisa ser divulgado. A gente precisa da divulgação do poder público, como você falou, você tem Copacabana ali.
que vai mensurando o número de turistas estrangeiros, visitantes estrangeiros que estão vindo. A gente precisa do apoio do poder público para divulgar. Quer dizer, o município vai para uma feira, ele tem que levar no pacote dele o turismo cervejeiro. A Secretaria Estadual de Turismo vai fazer um evento de turismo estadual, representando o estado do Rio de Janeiro, a gente tem que estar.
no pacote a ser divulgado da Secretaria Estadual de Turismo. A Embratur vai para a França, vai para Portugal fazer feiras internacionais para divulgar o destino do Brasil, ela tem que falar do turismo cervejeiro. Então, eu vejo essa uma grande dificuldade, porque eu vejo que a gente não está nesse institucional.
do poder público. É com muita luta que às vezes eu consigo estar num evento municipal, num evento estadual, né? E por isso é que eu falo sempre, Ludi, que a ideia da Rota Cervejeira do Rio, ela tem que ser disseminada no país inteiro para ela ganhar força.
Então eu já fui várias vezes para São Paulo, eu já fui para Bahia, eu já fui para Roraima falar de turismo cervejeiro, porque eu entendo que se o Brasil inteiro se junta para falar de turismo cervejeiro, a gente tem muito mais chance de estar presente nessas feiras internacionais.
como uma grande coisa, como eles anunciam o turismo rural, como eles anunciam o enoturismo, como eles anunciam o turismo do Rio de Janeiro, da cidade do Rio de Janeiro, Cristo Redentor, o pão de açúcar, eu acho que é isso que eu sinto mais falta.
Eu tenho o apoio de um ou outro dentro do poder público, onde eu já tive a ocasião de uma secretaria estadual fazer um mapa do turismo cervejeiro do Estado. Enfim, mas é uma luta, sim. É uma luta e a gente tem, infelizmente, um governo que está mudando toda hora. E aí, toda hora, eu vejo a necessidade de eu estar conversando com essas pessoas e apresentando novamente o projeto da Rota Cervejeira.
que já era para ser um projeto que já devia estar sendo divulgado como referência a partir do momento que a gente sai daqui para ir para os outros estados e falar o que a gente faz e ajudar o resto do país a se consolidar, porque eu acredito.
que o turismo cervejeiro vai se fazer forte quando todo mundo estiver falando da maneira que a gente fala também. Então a gente vê no Rio Grande do Sul o turismo cervejeiro, por exemplo, na região sul do país, tem muitas cervejarias, você vê uma ou outra cervejaria estruturada.
você não consegue ver o turismo cervejeiro de forma estruturada, onde você possa fazer que nem você faz na Serra Gaúcha. Eu vou para a Serra Gaúcha, para o enoturismo. Você não faz programas, eu vou para o Sul fazer turismo cervejeiro. É mais difícil, você até vê, mas o meu sonho é chegar no mesmo patamar que o enoturismo.
É engraçado você falar da Serra Gaúcha e do Rio Grande do Sul. Eu vou passar meu aniversário esse ano lá no Rio Grande do Sul. E a gente decidiu fazer um grupo informal. E vamos do dia 2, que é o dia do meu aniversário de fato, me deem parabéns. Do dia 2 até o dia 7, que é uma segunda-feira, que é o feriado, a gente vai percorrer algumas cidades e visitando mais ou menos umas três cervejarias por dia. Mas é assim, a gente, eu tenho uma amiga lá, a Debbie, que...
me ajudou a montar, ah, isso faz sentido sair de Porto Alegre com uma van, nessa cervejaria, nessa, nessa, dorme em tal cidade. Aí você vai no dia seguinte, vai três cervejarias, dorme em outra cidade, pra gente ir chegando na cidade de Farrupilha, que é onde vai acontecer o meu aniversário na cervejaria Guarnieri.
então tipo, a gente montou tudo né, tipo quais cervejarias a gente vai estamos falando quais cervejarias, porque é isso vai ter um dia que é uma quarta-feira, a cervejaria nem abre e eu entendo que eles não abram mas eu falei, ó, a gente vai chegar aí com um grupo de sei lá, oito pessoas de cara porque vai ter gente que vai chegar só pro sábado e tal vamos chegar aí com um grupo de oito pessoas não, vou ter que cobrar um pouquinho a mais, tudo bem
Você imagina as experiências, chegar lá, vou almoçar na cervejaria, porque tem um restaurante, a gente vai ver a cervejaria, é um lugar lindo de viver, aí você sai de lá como você disse, com um coração quente, querendo mostrar essa experiência adiante, mas isso depende, eu estou fazendo esse pinga-pinga por mim. Sim, porque você é uma pessoa que trabalha com cerveja, gosta de cerveja, louca.
E você quer fazer esse e uma tema. Então você saiu buscando. E eu acho que, por exemplo, essa cervejaria que vai abrir numa quarta-feira, ela vai ver que às vezes, nessa quarta-feira que ela vai abrir para um grupo de oito pessoas, ela vai ganhar mais do que uma quinta-feira normal de movimento, um domingo normal de movimento. Porque são pessoas empolgadas com o tema, que vão ter uma experiência e que vão querer consumir.
E levar tudo, enfim. E tipo, pensa naquela palavrinha que as pessoas adoram usar pra botar, pra dar mais valor a alguma coisa, que é o tal da exclusividade. Sim. Abriu só pra mim. Entendeu?
Então, assim, eu acho, gente, que tem um caminho muito longo a ser caminhado, né? Tem muita capinada nesse matagal. Mas eu também acho que se a gente ficar naquela do tipo, ó, isso vai dar muito trabalho, eu não vou fazer, a gente não tinha chegado ao ponto que a gente chegou em quase nada nessa vida, né? Sim. Ah, isso vai dar muito trabalho, eu não vou fazer não, gente. Se a gente for que desiste na hora, não vai funcionar. Exatamente.
E aí, eu acho que você podia, de repente, dar exemplos concretos de políticas públicas ou ações simples que podiam destravar o turismo cervejeiro rapidamente. O que você acha? Você analisando esse tempo todo, você tendo que fazer lobby, porque aí você faz no final, você tem que fazer lobby com cada um que entra. O deputado do Rio é o novo prefeito, é o novo governador.
Pelo amor de Deus, hein? Aqui no Rio está difícil, governador. Mas eu acho que o que a gente tem que fazer é o que a gente faz. É isso, é bater na porta do poder público, falar quem somos, levar números, estatística. Por isso, tão importante o trabalho que vocês fazem da pesquisa do consumidor. Porque quando a gente fala com o poder público, se você leva estatística, se você leva números, né?
você é mais ouvido. Então, a gente ter esses números atualizados para que a gente possa ter conversas que mostram para eles o que a gente gera de emprego, o que a gente movimenta economicamente na rede hoteleira, na economia de uma cidade, não só nas cervejarias. Então, isso se torna um pouco mais atraente para o poder público, para ele comprar sua briga e ele investir.
Porque é lobby mesmo, né? A gente precisa fazer lobby o tempo inteiro. Eu costumo dizer para os meus amigos, ah, eu não sou política. Eles falam, não, Ana, você é política. Você não faz politicagem, mas você é política porque você tem que estar o tempo inteiro entrando.
junto com o poder público para poder destacar o projeto de turismo cervejeiro. E é de uma importância ímpar, sabe? Quando a cidade compra a sua ideia, a Petrópolis com a capital estadual da cerveja, com títulos, com placas. Você tem aquelas placas marrons que são as placas de turismo. Então a gente tem que ir atrás de emendas parlamentares com os deputados para que eles consigam...
viabilizar essas placas marrons, dizendo a rota cervejeira passa por aqui. Ou enfim, você ter o poder público trabalhando junto com você é uma alavancada e tanto. É por isso que, de repente, a associação, a cooperação, a reunião dessas cervejarias ou desses negócios, que uma associação de turismo pode não ser apenas só a subserveja, como vocês já estão aí com o lúpulo também dentro da rota.
mais pessoas em conjunto vão ter... Porque esse cervejeiro sozinho, esse dono de cervejaria, essa dona de cervejaria, não tem condição de ficar fazendo tudo isso. Mas se a rota está estruturada, se tem coordenação, se tem pessoas que estão atuando ali, você divide o trabalho, claro, com pessoas que têm experiência, né? Não basta ter pessoas fazendo. Divide o trabalho para que você alcance esses objetivos que são pinga-pinga, né?
né Ana, tipo trabalho de formiguinha é, trabalho de formiguinha de fato e a gente assim, uma coisa que eu tenho muito orgulho é que há cinco anos a gente tem uma cadeira dentro da Câmara Setorial da Cerveja no Ministério da Agricultura então o fato da única associação turística do Brasil que é a nossa fazer parte
da Câmara Setorial, para a gente isso é muito importante, porque a gente consegue, como associação, como você falou, a importância da associação, eu consigo, em nome de todos, levar pautas que são pertinentes também não só para o turismo, mas como também os empresários se sustentarem de pé. Então, mais uma vez, eu reforço a importância do turismo na vida dessas cervejarias.
como ferramenta, como fomento econômico para eles. Eu acho que ali dentro da Câmara Setorial a gente vê claramente a importância da união dessas cervejarias. Agora, num momento como eu falei anteriormente, um ano onde você tem uma carga tributária que vai afetar o empresário.
da cerveja, no caso. Então, nós temos ali uma força de uma associação que é de turismo, mas, ao mesmo tempo, a gente está falando de uma pauta tributária. Então, isso é muito relevante também dentro da associação, poder ter essa representatividade ali dentro da cadeia da cerveja de todo o nosso país. Perfeito.
Eu conheço outras associações cervejeiras que são menores, né? Que tem a ver com as regiões, em Campinas, no Paraná. Enfim, meio que entendem que a Bracerba está lá adiante, nacionalmente tentando olhar para todas, fazendo o que pode fazer. O Giba lá com a representação dele. Mas eu também entendo que você ter esses pequenos núcleos regionais...
Exato, regionais, pode ajudar você a movimentar o dia a dia prático da coisa. Que é se movimentar para ir junto no Mundial de La Bière, por exemplo, para se movimentar para criar um evento. Eu já fui num evento criado da Rota lá em Guapi, se não me engano, fazer um evento numa das cidades, com outras cervejarias de outras cidades da Rota, enfim.
Eu acho que tem um movimento macro, que a Bracerba está fazendo lá, e que é importante apoiar, que é importante incentivar. Tem o movimento da Câmara Setorial, que é para você estar vendo o que está acontecendo. E tem o movimento que é o dentro de casa, que é o menorzinho, onde você consegue fazer pequenos reparos e tal. E aí me conta, para a gente chegar no final do nosso papo.
Se uma região brasileira quisesse começar agora uma rota cervejeira, depois de 12 anos de experiência, depois de ter quebrado essa pedra toda, quais seriam os passos essenciais para que isso rodasse mais tranquilo do que foi a rota, porque vocês estavam aprendendo esse caminho?
O que você ia dar de conselho? Eu acho que começar, eu acho que hoje, com tantos exemplos que já dão certo de turismo cervejeiro, eu acho que se torna uma tarefa menos árdua. Eu acho que a união faz a força, uma frase tão clichê, mas funciona demais essa união.
É muito importante, onde não possam, assim, eles não podem ver como concorrentes, porque ali eles estão tratando de uma outra coisa, eles não estão tratando do produto deles, quem tem a melhor pilsen, por exemplo, né, eles estão tratando de um objetivo que é fortalecer uma ferramenta que vai trazer benefício para eles, né, vai trazer rentabilidade para eles. Então,
Para quem está começando agora, eu acho que é importante entender essa questão do associativismo, da importância de ter cervejarias diferentes no mesmo barco. Cada um respeitar a diferença do outro, do vizinho, as opções, as escolhas de estilo de cerveja, a forma de trabalhar, eu acho que ele não é uma competição comercial como a que existe no mercado do dia a dia. Então, esse entendimento é fundamental.
O segundo é entender que é necessário sim investir numa infraestrutura para receber o visitante. É importante que tenha um banheiro adequado, acessibilidade, todas essas questões do turismo, entender um pouco da língua do turismo. A gente está falando de um país que teve recorde, de um estado principalmente, que teve recorde de visitantes.
estrangeiros no ano de 2025. Então, se adaptar a esse mercado, ter cardápio em três idiomas, fazer uma folheteria em três idiomas e abrir a possibilidade de você ter visitante não só o local, como quem está vindo de fora, que é uma fatia enorme que você pode abraçar, que você já começa podendo abraçar desse público que está vindo para o Rio de Janeiro.
Então, se preparar com a questão da infraestrutura, de entender essa questão do turismo para que ela possa, de fato, trazer retorno. Entender que a estrutura do local é importante, você ter disponibilidade de horário.
Então, como você citou o exemplo que a cervejaria vai abrir no meio da semana para você, é a cervejaria ter a consciência de que ela pode fazer isso sempre que precisar, que você vai sempre ter um grupo que vai vir num dia que você vai precisar fazer uma manutenção ou que você vai ter uma produção. Então, a cervejaria entender que ela precisa, às vezes, remanejar.
o seu calendário, o dia que ela vai fazer a cerveja para poder receber um bom grupo, porque não é todo dia que cai na sua cervejaria um bom grupo que vai gastar bastante. Então, ter esse entendimento da importância do turismo é fundamental. E foi uma questão que a gente foi aprendendo aos poucos e hoje todos eles entendem perfeitamente a importância do turismo na vida deles.
Então, isso é muito legal que você já comece desse jeito, com essa visão. E uma outra questão também é trabalhar muito em conjunto, muito próximo com as agências, os guias, as operadoras que vão vender o seu produto. Porque você fazer um produto lindo, maravilhoso, estruturado, perfeitinho, mas você não tem quem venda esse produto para você, é muito difícil.
Esse trabalho de formiguinha, ele se torna inexistente, porque não vai, não rola, não rola. Se você for anunciar no seu Instagram visitação no próximo sábado, é muito difícil você conseguir o número de pessoas para que justifique você abrir a sua fábrica.
Então, o turismo precisa de frequência. Você começa abrindo num sábado para quatro pessoas, no outro já vão ser seis, no outro já vai ser oito. Ele cresce aos poucos com o trabalho dos guias, das agências, das operadoras que vão começar a vender o teu produto. Agora, se você já começa a colocar...
empecilhos para qualquer grupo, esse guia já desiste de você e já vai trabalhar com uma coisa que seja mais fácil e que dê mais dinheiro para ele. Então eu acho que são esses três pontos que eu acho que são muito importantes para quem está começando agora. A importância de se ter um grupo.
Eu acho que esse grupo te levanta, te dá mais visibilidade do que como você sozinho, principalmente se é muito pequeno. A questão de você preparar a sua estrutura para você receber o visitante bem, para que ele tenha uma boa experiência, pensando em todos esses temas que eu falei de acessibilidade, de infraestrutura mínima e essa questão de estar alinhado.
com todo o trade, com a rede hoteleira, com os guias, as agências e com a própria cidade. Você, de vez em quando, fazer um trabalho dentro da cidade para dizer para a cidade, olha o que eu tenho aqui, para não ter aquele risco do visitante chegar e falar assim, olha, eu vim fazer turismo cervejeiro porque tem uma cervejaria aqui, e o visitante, o frentista, o taxista falar aqui? Não, aqui não tem nada disso. Então, é importantíssimo que a cidade...
tem esse sentimento de pertencimento também. Então, por isso a importância dos festivais locais, onde você possa mostrar a força que você tem do turismo cervejeiro, que tem sim na sua cidade, que aqui tem lugares maravilhosos, cervejas maravilhosas, histórias maravilhosas.
Então acho que é basicamente isso, Luz. Acho que falei pra caramba, né? Não, mas foi ótimo, porque é muito importante quando a gente já vê um caminho caminhado, é muito burro. Quando a gente vê um caminho caminhado, a gente fala assim, eu vou inventar roda. Não inventa roda, isso não é receita de bolo. Você está passando o que funcionou para a Rota Cervejeira do Rio e vem funcionando com muito trabalho, porque é o gerúndio. Estamos fazendo.
Não termina nunca esse trabalho. Então eu acho que tem um caminho caminhado, tem sugestões de possibilidades. E você trouxe coisas aqui que falam sobre hospitalidade. Pouco se falava sobre isso na cerveja, que as pessoas falam assim, mas eu sou cigano, mas aí eu abri um bar, não abri um brew pub, eu sou cigano. Mas enfim, às vezes hospitalidade é você é cigano, mas você vende cerveja pro bar da Ana.
Aí você vai lá e você treina o pessoal do Bar da Ana para servir sua cerveja corretamente, para o copo estar limpo, para saberem falar sobre a sua cerveja. E aí, consequentemente, você começa a vender mais para o Bar da Ana, porque o Bar da Ana sabe vender melhor a sua cerveja, mesmo você sendo cigana. Então, a hospitalidade está desde a pessoa que é só cigana até o dono de uma fábrica, um brew pub, que tem um espaço próprio para receber visitantes. Então, eu acho que ter um caminho, um caminhado, é um bom lugar para trilhar.
então não é receita de bolo pode funcionar para uns, pode funcionar para outros mas aí a gente vai adaptando e vai descobrindo o que funciona mesmo ou não para a sua realidade, para a sua região duas coisas que eu gostaria de acrescentar uma em relação a esse cigano que você falou que também nós temos ciganos no grupo
Ah, legal! Esses ciganos, eles saíram da zona de conforto deles e buscaram parcerias que realmente fizeram a diferença. Então, eu tenho um cigano, por exemplo, que fez uma parceria com um hotel, uma pousada, e que uma vez por mês, essa pousada, ela faz um evento cervejeiro com essa cervejaria cigana.
Então ele tem atividades cervejeiras no final de semana, onde os visitantes já vão ficar hospedados, já contando com essa programação. Então é muito interessante esse trabalho dos ciganos que a gente tem, que buscaram alternativas para entrarem nessa onda do turismo.
E uma outra observação que eu também faço, nós estamos presentes sempre nos eventos cervejeiros, tipo o Mondial do Labier, a gente procura estar presente nesses eventos cervejeiros, porque a gente entende que é um público consumidor do turismo cervejeiro, importante para a gente, mas mais importante do que os eventos cervejeiros, são os eventos de turismo. Na semana que vem, por exemplo, tem a WTM, que é a Mófira de Turismo das Américas, que vai acontecer em São Paulo.
Então, você estar presente nessas feiras onde você pode falar para pessoas de fora do país, de fora do seu estado, também é muito importante. Importantíssimo. É só uma observação, porque às vezes a gente entende que...
Só estar em feira de cerveja, eventos cervejeiros, é o suficiente, mas não. A gente tem que estar presente nas feiras de turismo. Você teve recentemente conosco no Expo Rio, que é a maior feira de turismo do estado do Rio de Janeiro, onde a gente teve a oportunidade de ir ali.
Não só, óbvio, de vender a cerveja, até mesmo para pagar os custos da operação do evento, mas a nossa missão ali era falar diretamente com os guias, com as agências, mostrar o que a gente tinha e o corpo a corpo ali com esse pessoal que vende o turismo, né? É a parte importante da cadeia. Exato. Que a gente tem que estar sempre atento, né?
É o bom e velho, quem não aparece não é lembrado, né? Então não tem jeito, a gente tem que aparecer. Exatamente. Ana, muito obrigada pelo papo. Eu adoro quando a gente traz temas que podem ajudar a melhorar os negócios cervejeiros, mas ao mesmo tempo mostram para os nossos ouvintes, que não são donos e donas de cervejaria, novas possibilidades de descobrir a cerveja. Então, estamos...
Também ativamente, quem ouve a gente aqui, vá procurar experiências cervejeiras na sua cidade ou nas suas viagens, porque vai que você descobre, mesmo que não tenha alguma coisa organizada, como a Rota Cervejeira do Rio tem, que tem outras experiências que você pode fazer. Então visitar a cervejaria local também vai ajudar que essa cervejaria fala, olha só, hein, veio aqui, tá vindo de tal cidade, veio aqui me visitar, então isso é importante também.
Eu queria agradecer demais a sua presença aqui mais uma vez, Ana, obrigada. Eu que agradeço.
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Este podcast é uma produção da Pint Network e está disponível no Spotify, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Na nossa equipe, contamos com a colaboração de Henrique Boaventura, Ludmila Almeida e Maurício Tecá, sócios e apresentadores do podcast. Também fazem parte do time Gabriel Gurian, na apresentação e redação do blog, Rubens Reis, na edição, Hop Your Media, nas redes sociais e Laís Andrade, no design.
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