LíderCast 418 - Rafael Barbosa - Coragem de empreender
Link para o À Mesa: https://www.lucianopires.com.br/amesa/a-mesa-instagram?utm_source=Podcast&utm_medium=LiderCast&utm_campaign=Amesa
O convidado de hoje é Rafael Barbosa, que é sócio administrador da Smart air Climatizadores. Rafael tem uma história ótima de escolha de mudança de carreira. Aos 34 anos, atuando no México numa fábrica de um dos maiores grupos brasileiros no qual atuava há 17 anos, com a vida tranquila e estabilizada, decide jogar tudo para o alto e retornar ao Brasil para se transformar num empreendedor, começando do zero uma sociedade. Uma história de coragem, senso de oportunidade e um pouco daquilo que consideramos “sorte”.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
- Climatizadores Smart Air· TecnologiaInspiração para empreender no México · Conhecimento do produto climatizador evaporativo · Oportunidade de sociedade com ex-chefe da esposa · Mudança para Balneário Camboriú · Investimento inicial com venda de terreno e consórcio
- Relacionamento e Networking na IndústriaInfluência do livro 'Quem Pensa Enriquece' · Participação em grupos de empreendedores (MLA, Café Brasil) · A importância de estar em ambientes de crescimento · Aprendizado com os erros dos outros
- Carreira em Empresa Multinacional17 anos na empresa, começando como estagiário · Expatriação para o México em 2013 · Participação em projeto de siderúrgica nova · Desafio de montar equipe sem falar espanhol
- Vendas como HabilidadeTransição da área técnica para comercial · Superação do nervosismo inicial em vendas · Busca por capacitação em vendas com Ricardo Jordão · Trabalho solo nos primeiros 8 meses
- Jornada de Sueli GonçalvesMudança de carreira aos 34 anos · Empreendedorismo · Coragem e senso de oportunidade
- Infância de GisèleOrigem em Curitiba e criação em Araucária · Sonho de ser piloto da Força Aérea · Formação técnica em eletrônica e engenharia elétrica · Influência familiar no empreendedorismo
- Uso de Ar-CondicionadoDiferenças entre climatizador e ar-condicionado · Princípio de funcionamento e sustentabilidade · Aplicações em indústrias, supermercados e academias · Vantagens: economia e manutenção da umidade · Desvantagens: menor potência de resfriamento
Olha só, ao final do dia todo mundo foi embora, mas a decisão ficou com você. É você que tem que escolher se avança ou se recua, você que contrata ou demite, você que insiste ou encerra. E quase sempre, cara, você decide sozinho justamente aquilo que pode mudar o rumo da sua empresa, da sua carreira e da sua vida. Cara, que baita solidão! Você já se sentiu assim? Sozinho? Bom, essa solidão tem um preço. Porque sem alguém confiável para pensar junto, o medo se disfarça de prudência, os nossos vieses parecem bom senso e a dúvida começa a paralisar.
Cara, que problema! Então, nos dias 1 e 2 de agosto, das 9 às 13, eu vou conduzir a Mesa. Tem uma crase nesse A. É um convite, um convite para um encontro online e ao vivo para empresários, líderes e profissionais que estão cansados de carregar sozinhos as decisões que mais importam. Vão ser 2 dias de casos, reflexões e conversa para melhorar a qualidade das suas escolhas em ambientes de incerteza. Olha, daqui você não vai sair com respostas prontas, não.
Vai sair é com muito mais clareza para encontrar as suas próprias respostas. Eu sou Luciano Pires, reserve o seu lugar à mesa em lucianopires.com.br/amesa. Eu vou repetir, ó, lucianopires.com.br/amesa. Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um Lidercast, o podcast que trata de liderança empreendedorismo com gente que faz acontecer. O convidado de hoje é Rafael Barbosa, que é sócio-administrador da Smart Air Climatizadores.
Rafael tem uma história ótima de escolha de mudança de carreira. Aos 34 anos, atuando no México numa fábrica de um dos maiores grupos brasileiros, no qual atuava há 17 anos, com a vida tranquila e estabilizada, decide jogar tudo para o alto e retornar ao Brasil para se transformar num empreendedor começando do zero uma sociedade. Uma história de coragem, senso de oportunidade e um pouco daquilo que consideramos sorte. Muito bem, mais um Lidercast.
Sempre começo contando como é que o meu convidado veio parar aqui. Isso é uma história longa, né, cara? Já estamos aí em contato há muito tempo. Mas esse meu convidado faz parte do nosso MLA, tem uma história de empreendedorismo legal e chegou a hora de trocar uma ideia. Começo com as 3 perguntas que você já conhece quais são, as únicas que não pode errar, o resto pode chutar à vontade, mas as 3 tem que ser na lata. Seu nome, sua idade e o que você faz?
Maravilha, muito obrigado pela oportunidade de poder estar participando aqui do Lidercast, que é algo que eu já ouço há muitos e muitos anos. Já escutei centenas de episódios do Lidercast, então para mim é uma honra mesmo poder estar aqui participando. Bom, meu nome é Rafael Barbosa de Santos, eu tenho 44 anos e eu diria que eu sou empresário, mas gourmetizado, hoje é empreendedor, né? Empreendedor fica mais gourmetizado, mas mais do que empreendedor eu diria que eu sou um facilitador.
Que é algo que eu aprendi durante o meu mundo corporativo, né, que na empresa que eu trabalhava, que era uma grande multinacional, tinha o papel do facilitador, que era a pessoa, né, o líder responsável em facilitar a vida de todas as pessoas ali para fazer o negócio fluir. Então eu acho que eu sou um facilitador.
É boa, é um bom termo esse. Resumindo, você é o dono da firma?
Sou o dono da firma.
Dono da firma, isso é o cara. Nasceu onde?
Eu nasci em Curitiba, nasci em Curitiba, mas me criei em Araucária, que é uma cidade da região metropolitana. Acho que eu fui pra lá com uns 9, 10 anos, então toda a minha vida ativa que eu me lembro como pessoa foi em Araucária.
Por isso está nesse frio desgraçado de São Paulo, você está de camisinha, numa blusa, foi treinado no frio, né?
Sim, não, aqui tá tranquilo, o clima aqui hoje tá bem tranquilo.
Tem irmãos?
Tenho, tenho um irmão, tenho um irmão mais velho, 2 anos mais velho. Sim, seguimos mais ou menos as mesmas linhas também. Ele fez técnico em eletrônica, depois fez engenharia também, então a gente seguiu o mesmo caminho. Inclusive você também, né, fez técnico em eletrônico, né?
Me formei, acredite ou não, técnico em eletrônica, cara, mas eu sou da pré-história, cara. Eu sou de 73. Imagina eletrônica em 73, é pré-computador. Pré-computação. Eu vi o computador nascendo, eu vi o flip-flop, não vou nem explicar o que é, cara, mas naquela minha época, faz tempo, né? E o grande avanço foi aquelas máquinas gigantescas que você botava um cartão perfurado, era o computador da época, loucura aquilo. Teu pai e tua mãe faziam o quê?
O meu pai, ele é comerciante há muitos anos, assim, Eu lembro que ele trabalhava, chegou a trabalhar em indústria também, trabalhou na área de produção, mas praticamente desde quando a gente se mudou para Araucária ele abriu um bar, tem esse bar até hoje, já deve ter uns 30 anos mais ou menos esse bar, então ele é comerciante.
Sim.
Tem o bar lá, ele tá num momento hoje que, meu pai tá com 75, 75 para 76. E ele fez uma clientela dele ali já de muitos anos que hoje, apesar dele ter um bar, ele decide a hora que vai abrir, a hora que vai fechar. Eita! Então tá bem tranquilo.
E sua mãe?
A minha mãe, ela, eu lembro que ela trabalhou por muitos anos como diarista. Eu lembro muito bem dessa época que foi quando eu comecei a trabalhar. Lembro dela também trabalhando como vendedora. Ela fazia algumas excursões, ia comprar roupa em Santa Catarina e trazia pra Curitiba pra vender. Lembro dela vendendo essas revendedoras Avon, né? Tinha ali o caderninho com produtos, semi-joias. Eu via minha mãe vendendo um pouco de tudo já.
Muamba do Paraguai também. Eu lembro que uma época meu pai e minha mãe iam pro Paraguai trazer algumas coisas. E vendiam. Então eles são comerciantes.
Então já tem o bichinho do empreendedorismo, já tava no DNA, né?
Tem, tava no DNA, mas como o padrão, né, aqui é sempre, eles sempre insistiram para a gente estudar, para arrumar um bom emprego, né, para ter uma boa carreira e não seguir o rumo deles, né?
Uma boa esposa, uma boa casa, uns bons filhos, tá resolvido. Isso aí, né? Qual era o seu apelido quando era pequenininho? Como é que era?
Quando era pequeno, muita gente chamava de Rafinha, mas acabou não pegando muito. O apelido que pegou mesmo já foi na adolescência, que é Tampico. Até hoje ainda tenho alguns amigos que me chamam de Tampico, depois abreviaram para Tamps, por causa da altura. Tamps.
O que o Tamps queria ser quando crescesse?
Eu lembro que eu tinha um sonho de ser piloto, especificamente piloto da Força Aérea, pilotar caça e tudo mais.
Pô, então você ficou maluco lá no MLA quando cruzou com o piloto, né?
Pô, muito bacana. E eu lembro que na época que eu fui fazer o meu alistamento, né, para o Exército, a ideia era fazer aeronáutica. E aí quando eu cheguei lá, na minha época, me deparei que eu não podia fazer por causa da minha altura. Agora parece que não tem mais isso, mas na época eu acho que tinha que ser acima de 1,70 para poder fazer a inscrição para aeronáutica. E aí eu não fiz. E aí para o Exército também não queria. Eu tava no meu último ano do curso técnico, né, de eletrônica.
Se eu fosse parar para ir fazer a O exército ia perder esse último ano, então pedi para dar baixa e como tinha excesso acabou dando baixa e não serviu o exército.
Então a sua primeira grande decepção foi não ser aceito na aeronáutica por causa do tamanho. Isso te atrapalhou na vida, cara?
Não, nem um pouco.
O fato de você ser um thumps atrapalhou?
Não, nem um pouco. Na verdade, eu acho até que me ajudou porque O fato de ser um pouco mais baixo, você tinha que, pra azaração e tudo mais, né, com as meninas, você tinha que ter mais lábia, né, pra conseguir conquistar. O que amigos meus, às vezes mais altos, né, mais bonitão, não tinha esforço, né, pra conseguir namorada. Aí eu tinha que me dedicar mais. Então foi, acho que é onde me ajudou a a também empreender mesmo, porque empreender é lidar com pessoas, então você tem que estar seduzindo, né, teoricamente a todo momento, né.
Mas caindo por terra o sonho de ser piloto de avião, o que que restou?
Aí restou o técnico eletrônica, que eu lembro que eu gostava muito de desmontar brinquedos, entender como as coisas funcionavam, então Quando apareceu a oportunidade de fazer, na época que existia o segundo grau técnico, né, depois acabaram com isso, né, então fiz o segundo grau técnico em eletrônica. E pô, gostei muito, foram 4 anos ali do ensino médio de eletrônica que me ajudou muito a entender mesmo como as coisas funcionam e foi o que definiu a minha carreira depois também.
Caiu um Atari na tua mão um dia?
Caiu um Atari, inclusive eu tenho até uma foto com um Atari na época que o meu pai comprou um Atari no Paraguai, nessas idas e vindas dele. Eu lembro que a gente jogava muito Atari, depois eu tenho uma outra foto com um Super Nintendo também.
Essa molecada ouvindo a gente hoje não faz ideia do que era o Paraguai, né? Aliás, é uma coisa impressionante, né? Porque naquela época Paraguai era o lugar das falsificações, vinha tudo falsificado, E muamba, né? Entrava por lá a muamba, então para computador, montava lá, lembra? Trazia os computadores montados de lá para cá, era uma loucura. E o sonho da gente era encontrar alguém que vinha de lá, porque vinha com perfume, com bebida, com eletrônico, brinquedo, tudo vinha com muamba do Paraguai.
Olha hoje como é que nós estamos olhando o Paraguai, né? Paraguai hoje é o destino da, pô, eu vou trabalhar lá, quero mudar minha empresa para lá, que virada sensacional, né? Aí vocês formou em quê?
Aí eu me formei em engenharia elétrica, que como eu já vinha da formação de técnico eletrônico, o caminho natural seria seguir para engenharia elétrica, né? Então me formei em engenharia elétrica, sou engenheiro eletricista. Hoje até uso um chavão que eu sou engenheiro de formação, mas empreendedor por paixão.
Esse foi o meu também, era o caminho natural, só que entrou comunicação aqui no Mackenzie no meio do caminho. Então vieram as duas, olhei para as duas e falei: "Natural, o que que é? Fazer engenharia." Mas no coração tá comunicação, virei para comunicação e deu no que deu, né?
Com certeza, foi a melhor escolha.
Pô, você tava nessa época onde? Em Curitiba?
Eu morava em Curitiba, me formei em Curitiba.
E foi trabalhar?
Aí fui trabalhar, daí eu já trabalhava antes de começar a faculdade, eu já trabalhava na Gerdau. Gerdau, que foi a empresa, praticamente o único emprego que eu tive efetivo, né?
E que baita empresa, cara!
Sim, foi uma experiência muito boa, tanto que fiquei 17 anos lá, né? Então, para você ficar 17 anos numa empresa, porque ela é engenharia, você ficou mais para o final da minha carreira, eu fiquei na engenharia, mas eu comecei como estagiário técnico na época que eu fazia o técnico eletrônico ainda. Então comecei como estagiário técnico, depois fui efetivado como técnico e uns 4, 5 anos depois que eu fui fazer engenharia, que daí relutei muito na época para fazer engenharia também, não tinha essa intenção de fazer um ensino superior, mas aí os meus líderes falaram: olha, aqui na Gerdau para você conseguir galgar novos horizontes para liderança, você tem que ter um ensino superior, nem que você faça uma administração, qualquer coisa.
Aí eu falei: "Ah, como eu já tô na área técnica, tudo, então eu vou fazer engenharia." E aí fiz 4 anos de engenharia, que na época estudava de manhã, então tinha um programa especial lá que eram mais aulas e conseguia se formar em 4 anos.
Característica dessas empresas lá, foi a minha história na Dana, né? O que esses caras davam de informação pra gente era um negócio brutal. Pô, eu fui fazer curso de marketing nos Estados Unidos, cara. Pela empresa, ela investiu em mim, fiz a GV aqui com os caras investindo em mim, sem contar os cursos lá dentro, né, que tinham milhares deles, né, formaram uma equipe sensacional lá. Então é uma bênção você tá num lugar como esse aí. Quando é que você saiu da Gerdau? Que ano foi?
Eu saí da Gerdau tá fazendo 10 anos, saí em 2016, comecei em 99 para 2000.
Saiu por quê?
Com um sonho de empreender.
Então, aí chegou no ponto.
E aí eu estava morando no México, né, nessa época.
Pela Gerdau você estava no México?
Pela Gerdau, aham. Em 2013 teve um processo de expatriação, no fim acabou sendo um processo de localização, que eu me inscrevi, né, abriu essa vaga, essa oportunidade para uma siderúrgica nova, uma siderúrgica, uma laminação nova. Era um projeto na época de cento e poucos milhões de dólares e abriram essa oportunidade, abriram a candidatura para os colaboradores do Brasil inteiro e eu já estava assim num momento de... Isso foi 2013, então eu já estava ali quase 14 anos de Gerdau e já conhecia toda a área que eu trabalhava, que eu trabalhava na unidade ali de Araucária mesmo.
Era bem perto da casa dos meus pais e já tava pensando em procurar outra coisa para fazer porque já estava saturado. Aí quando apareceu essa oportunidade eu falei: "Caraca, então ao invés de sair eu vou me candidatar para esse aí porque vai ser uma baita experiência, né? Conseguir, além de ter a experiência de morar fora, participar de um projeto desde o início, né?" Então eu fui, fiz a minha inscrição Acabou dando tudo certo, passei, fui um dos escolhidos para ir para lá.
E aí fui em 2013, cheguei lá, tava na terraplanagem ainda, a empresa tava começando a levantar. Então foram 3 anos assim de muito aprendizado e com um budget, né? Esse tipo de projeto é bom que—
Ah, e com a festa começando, né, cara? Isso é sensacional. O duro para brasileiro é você chegar lá e entrar no meio de uma estrutura de como o estrangeiro que chega lá, né? Cara, no tempo da Dana, cara, tinha operação na Venezuela, tinha baita operação na Argentina, Estados Unidos, Europa, num monte de lugar. E um monte de amigos meus foram, né? E eles relatavam como era complicado você chegar e ser enfiado no meio de uma estrutura que já funciona, eventualmente no lugar de alguém que era da turma de lá, que gostava do cara, tiraram, botaram o gringo, E aí tinha um problema seríssimo, cara. Eu lembro da briga com os argentinos, cara.
Nossa Senhora! Era um problema.
Você foi pra lá casado ou foi solteiro?
Fui pra lá, essa é uma história interessante também, que eu namorava na época que eu fiz a inscrição, né, pra esse processo seletivo. Eu namorava. E aí quando eu fui um dos escolhidos pra ir pra lá, Aí eu cheguei, então, na minha namorada: "Passei num processo seletivo para o México e eu tô muito a fim de ir. Tá a fim? Vai comigo?" Aí ela falou: "Eu vou, mas para ir a gente tem que casar." Eu falei: "Óbvio." Não pensei nada diferente disso, né?
Tem que ir casado. E aí a gente decidiu casar, casamos, ainda fizemos nosso casamento assim bem na correria porque não tinha muito tempo para se programar. Casamos no No civil e fomos. E aí um pouco antes ainda dessa, da gente decidir ir, ao mesmo momento ela foi convidada, né, ela era gerente de comércio exterior do cara que hoje é meu sócio. E ela fazia, ela tinha sido convidada para ir para a China, para ir morar na China também.
Caramba!
E a empresa dele, para ajudar na empresa dele.
Que ano era? 10 anos atrás?
Isso, foi 2013. Caramba, cara! Não, é 2013. A oportunidade dela também foi 2013. Então, 13 anos atrás. E aí a gente botou na mesa as duas possibilidades.
Ia para a China ou ir para o México.
Ou os dois para a China ou os dois para o México. Aí como em termos de estrutura e cultura o México é muito mais próximo que o Brasil, E pela estrutura da Gerdau, né, já tava muitos anos na Gerdau também, a gente decidiu ir pra lá. E ela pediu a conta do imóvel.
Você morava onde?
Eu morava com os meus pais ainda em Aralcária.
Então, vamos lá. Você mora com seus pais e resolve dar uma virada na tua vida. E a virada significa tornar-se um homem casado, ou seja, vai morar na tua própria casa, agora você é o chefe da família. E vai para outro país, outra cultura, outra língua, embora o México é muito perto da gente, né? Mas de qualquer forma, cara, é uma virada, é uma paulada, é uma paulada, né?
Foi um baita desafio.
Como é que foi, cara, chegar lá de malinha na mão e falar: "Bom, vamos procurar nossa casa, vou construir a nossa casa." Não é que eu tinha no Brasil, desmanchei e fui para lá. Você não tinha.
Sim, não, tudo zero. A gente nunca morou junto no Brasil. Quando a gente decidiu casar, ela morava com a mãe dela, eu morava com meus pais.
E a gente foi morar junto só no México.
Sim, aqui no Brasil a gente nunca morou junto, então foi uma experiência assim que foi bem interessante, porque primeira coisa, quando a gente chegou lá, fala, cara, que a gente vai ter que dar certo agora, porque é só nós dois, estamos longe de todo mundo. Aí até brinquei na época assim, falava, você me dá o teu passaporte, eu te dou o meu, e qualquer coisa que acontecer errado aqui não tem como, ninguém vai poder, ninguém vai poder ir embora.
Mas no fim, acho que foi a melhor coisa que aconteceu, porque daí a gente começou A nossa família longe de todo mundo, então qualquer B.O. que desse a gente tinha que resolver entre nós, não tem como correr atrás da mãe, né, para pedir auxílio, então a gente acabou se acertando.
Tinha um grupo de brasileiros lá?
Tinha.
Tinha, então você conseguiu ter uma comunidade que se suportava lá?
Consegui, tinha uma comunidade. Lá a gente tinha, até pela empresa ser brasileira, né, então todo o corpo diretivo era basicamente brasileiros. E então fez uma, a gente tinha uma comunidade bacana lá.
A posição que você foi para lá era de liderança?
Era de liderança. Eu já era líder aqui, né? Eu tava com uma equipe, eu cuidava aqui da equipe de manutenção elétrica.
Sim.
E para ir lá eu fui com o desafio de montar equipe de manutenção elétrica e mecânica. Então eu fui com o desafio de montar uma equipe de 45 pessoas na época, sem falar espanhol direito ainda, porque isso é uma situação legal, cara, que eu não me lembro de ter pego aqui uma situação assim.
Eu já conversei com um monte de gente que foi pra fora e normalmente o cara chegava lá e tiravam alguém, botavam ele no lugar e falavam: "Tá aqui você, essa tua equipe, manda bala." E era um puta problema porque o cara já caía dentro de um time montado, funcionando, que tinha sua própria cultura, e o sujeito entrava lá com uma... enfiaram uma farpa nele, né? Ele tinha que se virar pra conquistar aquela turma e tudo. Mas no teu caso não, cara.
Você era que ia contratar e montar a tua equipe. Já, já foi melhor, porque aí eu montei equipe em cima já dos valores do conhecimento que eu tinha aqui no Brasil. E lá ainda foi até um pouco mais fácil montar a equipe, porque a maioria lá dos técnicos no México já são engenheiros. Então eu tinha quase 60% da minha equipe eram engenheiros. Só que lá, como formam muitos engenheiros, acaba não tendo mercado, não consegue absorver todo mundo, e os engenheiros acabam indo para área técnica também, né?
Aceita trabalhar como técnico. Então, pô, uma equipe bem multidisciplinar e já com, já formada já. Então ficou espanhol, era não, espanhol era um portunhol na época.
Então como é que se dá um esporro em portunhol num cara que tem uma cultura diferente da sua, bicho. Eu tive histórias maravilhosas aqui. Tive uma das histórias que eu adoro, que teve aqui conosco. Ele tinha, foi presidente de empresa aqui no Brasil, da Autopeças, tudo. Ele contou uma história que eles foram para o Irã para implementar uma operação no Irã. E tava lá a operação deles, que era, acho que era Engesa, acho que era da Engesa na época.
E botaram a operação no Irã, aquela coisa toda, tá, e tal. E um dia ele tava lá, nós estávamos lá no pátio e fomos conversar, e tavam lá um grupo de de funcionários com um tipo de reivindicação. E um deles falando com a gente lá, e papai, aquela conversa toda, a gente tentando se entender com eles, culturas completamente diferentes. Quando chega um caminhão lá, tipo caminhão do exército, desce lá um militar comandante. O que que tá acontecendo aqui?
Não, nós estamos conversando. Quem é o cara? É aquele lá. Aí chamou os caras, falaram, deram uma surra no cara, caraca, na frente de todo mundo. Deram um pau no sujeito. E aí ele virou, passou por mim e falou: "Cara, aqui é assim." E entrou no caminhão e foi embora. Ele falando: "Cara, imagina, a gente com uma cultura aqui, vamos conversar com..." "Não, desceu aqui é aquele lá, vai lá dar um pau no cara e tá resolvido o assunto." Que é uma diferença, a cultura é um negócio que pega pra cacete.
Pega muito.
Estive no México, senti o México muito similar ao Brasil, mas com uma cultura de comida, de folclore e tudo que é completamente diferente da gente.
É, eu tenho muita saudade dessa parte.
Mas você se enturmou bem lá?
Me enturmei bem, aham. Graças a Deus eu tenho uma facilidade assim de adaptação, então eu consegui me adaptar rápido, tanto a comida, porque eu gosto de experimentar coisas diferentes, então hoje o que eu tenho, uma das coisas que eu tenho mais saudade do México é a comida, né, que é muito rica, a culinária deles. E a cultura também, né, é muito legal que eles têm uma história pré-hispânica, né? Algo que aqui no Brasil se perdeu, né?
Que a gente não tem nada, né? Antes da colonização. E lá tem, eles alimentam essa cultura ainda, né? As pirâmides tem. Então é muito bacana.
Você olhando hoje para tua— 10 anos atrás você tinha 34 anos. Você olhando para aquela tua experiência lá hoje, se tivesse que recomendar um garoto de 34 anos, vai chegar você, ó, tô indo embora, ir para o México, para Irlanda, sei lá o quê, o que você falaria para o cara, bicho?
Falaria tchau, vai.
Primeiro sim, vai, mas segundo, chegando lá, qual é a tua pegada, cara? O que você acha que pega para um cara que sai do Brasil e vai para uma cultura nova?
Eu acho que o principal é você tem que estar aberto para entrar nessa cultura, não adianta você querer ir para um país novo e querendo carregar a cultura e todos os os trejeitos daqui do Brasil e querer implantar isso aí lá, não tem como. Então você é um ser diferente ali, então você que tem que se adaptar à cultura onde você tá entrando. Então é estar de cabeça aberta, tem que estudar a cultura. Isso é um negócio interessante também da Gerdau, né, que antes de fazer esse processo a Gerdau paga também uma empresa para fazer uma consultoria de alinhamento cultural.
Então isso já ajuda bastante também, porque daí você já chega sabendo algumas coisas de costumes, né? Putz, aqui não pode falar isso, aqui não pode fazer isso. Então já ajuda bastante também nesse processo, né, de aprendizagem. E eu acho que o principal é esse mesmo, é estar aberto à nova cultura, não ter— que às vezes o cara vai, por exemplo, vai morar no México e fala "Eu não gosto da comida de lá, não sei o quê." Cara, você tem que estar aberto a experimentar e provar novos sabores, porque não adianta, você tá dentro da cultura deles, né?
Nós tivemos aqui muitos gringos que vieram pra cá, muito americano veio pra cá, né? E um deles veio e assumiu uma operação de Sorocaba, a fábrica de Sorocaba toda, uma operação grande, tinha lá 900 pessoas, uma coisa assim, né? Esse cara ficou lá acho que 5 anos e não aprendeu a falar uma palavra de português. Ele deixava evidente para todo mundo que ele não queria estar aqui durante 5 anos.
Cara, como é que um cara desse lidera um grupo, cara?
Como é que ele conquista confiança e tudo? Quer dizer, não é aquela história do eu vou liderar porque eu tô no organograma e vou pelo medo, né? Ninguém vai brigar por mim, ninguém vai me defender aqui, ninguém tá. Mas era um terror, cara. Chegava lá, o cara não quer estar aqui. Ele não quer estar com você, não quer comer tua comida, ele não quer nem falar teu idioma, né?
É complicado.
Mas vamos virar dono da firma, vamos lá. E aí, você tava lá no Bem Bom, que que foi? Que deu um bichinho, te mordeu?
Então, o que eu falei, que se alguém hoje de 34 anos perguntasse, vai, eu falaria vai e aprenda, porque o fato de você viajar e tá imerso em outras culturas, começa a abrir tua mente para novas oportunidades. Não só oportunidades, né, acho que abre tua mente para aceitar novos desafios, porque a decisão de sair daqui e ir para um outro lugar, cara, já é um baita desafio você encarar uma transição dessa. Então Acho que é muito importante ter essa vontade, esse desejo de aprender essa cultura.
Então, por exemplo, nesses 3 anos que eu tive lá no México, Como a empresa tinha budget, eu consegui, a gente tinha vários treinamentos. E nesses 3 anos lá no México foi aonde eu mais viajei na minha vida. Tive oportunidade de ir para Abu Dhabi visitar a empresa, tive oportunidade de ir para Itália fazer um treinamento, que a empresa que era responsável lá pelos equipamentos era uma empresa italiana, então fiquei 3 anos na Itália.
3 anos?
3 anos. 3 semanas. 3 semanas na Itália. Então ajudou a abrir a mente assim para essas culturas. E junto com isso, é igual eu falei, né, antes de eu ir para lá eu já estava meio que decidido a sair da Gerdau. Queria fazer alguma outra coisa porque eu sempre me achei na verdade meio que um inconformado, né, sempre querendo, eu não consigo ficar muito tempo fazendo a mesma coisa e ficar estagnado, né? Então tem que ter novos ares.
Que não era necessariamente trabalhar numa outra empresa?
Não, não necessariamente trabalhar numa empresa.
Você tava na tua cabeça já de que eu quero montar o meu próprio negócio? Tinha um bichinho já ali ou não?
Ainda não, esse bichinho começou a aparecer quando eu fui pro México. Que aí comecei a, nessa época que acho que foi mais ou menos nessa época que eu conheci o o Café Brasil. Então até foi o meu irmão que indicou o Café Brasil. Eu lembro que ele me mandou na época um podcast pelo iPhone mesmo, né? E falou: "Escuta isso aqui", né? Daí eu escutava aquele "Nheguinha Pocotó" e falei: "Cara, o que que é isso?" Daí comecei a escutar e gostei.
Falei: "Caraca, olha só, ele tem uma história interessante". Aí eu lembro quando eu escutei um podcast teu que falava sobre a gaiola de ouro, E ali foi onde começou a me despertar também. Falei: "Cara, será que eu não tô nessa gaiola também?" Só que enquanto ainda tava com esse dinamismo, um projeto novo, pô, tava legal, tava diferente. Mas eu sabia que a partir do momento que a gente estartasse a produção, ia voltar a mesma coisa que acontecia aqui, né? Só ia estar em outro país, mas fazendo a mesma coisa.
Rotina, o bolo de cozer, e tal.
E rotina de manutenção, aquela rotina China louca, que te ligam 2 horas da manhã, você tem que ir lá resolver problema. Então eu sabia que ia continuar nesse mesmo. Então eu já ali eu comecei, falei, cara, não, preciso mudar, preciso empreender. E aí comecei a estudar, comecei a estudar que nem um doido empreendedorismo, focado empreendedorismo. Escutava Café Brasil, assinei na época o Meusucesso.com, que era um projeto lá do Flávio Augusto, Lembro que eu devorava todos, na época acho que tinha uns 10 estudos de caso, eu devorava todos aqueles estudos de caso e aquilo ali foi entrando na mente.
Até de um outro podcast teu que você fala sobre serendipidade, né? E é bem isso, né? O serendipity, né, que é quando você começa a estudar muito, focar em um negócio, parece que algo acontece, né, que Começa a aparecer coisa. Começa a aparecer coisas. E aí foi numa dessa de começa a aparecer coisas, eu já tava na minha mente que queria empreender, não tinha nem ideia em que, mas sabia que ia querer empreender. Aí em 2016 eu tive um treinamento que eu precisava fazer aqui no Brasil pela Gerdau mesmo, aí eu vim aqui para o Brasil e aí eu pedi ajuda para minha esposa, falei: olha, "Eu tô querendo empreender, não tenho nem ideia em que, mas eu preciso conversar com alguém que já empreende." Só tinha ideia e estudava vários estudos de caso de empreendedores, mas nunca tinha sentado conversar com algum empreendedor.
Aí eu falei com a minha esposa para ela falar com o Alan, que era o ex-chefe dela, E se ela conseguia uma reunião com ele para eu bater um papo com ele, que já tinha uma empresa, que já tinha uma empresa já na época, empresa já tinha uns 10 anos, já tava acho que quase uns 10 anos de empresa já, empresa super estruturada, uma empresa de importação, então já tava em um outro patamar. E era o único empresário que eu tinha próximo, né, que eu pudesse conversar.
Aí ela ligou para ele, aceitou me receber. Aí na época ele tinha acabado de mudar o escritório dele lá para Balneário Camboriú, que é o motivo de eu morar lá hoje. E aí fui visitar ele, aí ele me recebeu lá no escritório, ainda tava uma bagunça que ele tava arrumando escritório. Aí eu lembro que ele me levou para conhecer um apartamento que ele tava montando ali na Praia Brava mesmo, na região. Ele, porque uma das coisas que eu falei para ele de empreender talvez era alguma área de automação residencial, porque como eu já vinha da área de automação industrial e tal, então era uma área que eu tinha interesse de abrir um negócio.
Aí ele me levou nesse apartamento justamente para eu dar algumas dicas para ele do que ele podia fazer de automação. E aí quando eu entrei nesse apartamento dele lá, que é um condomínio de luxo lá na Praia Brava, cara, já me deparei com um mundo assim que eu nunca tinha visto. Falei: caraca, o que é isso aqui? Parecia um resort. Falei: cara, é como se você mora num resort. Daí fala: acabei de comprar esse apartamento. Na época, sei lá, custava uns 6 milhões um apartamento.
E aí eu olhei aquilo e falei: caraca, não, para conseguir um negócio desse aqui é só empreendendo mesmo, né? Não tem, eu acho que trabalhando de CLT aí vai ser muito difícil conseguir comprar um apartamento aqui. E ali deu aquele estalo, falei: cara, meu sonho um dia é morar um lugar como esse também, né? Então, então aí papo vem, papo vai ali com ele, né? Dei algumas dicas para eles ali do apartamento. E aí, almoçando com ele, eu lembrei, aí eu vou ter que voltar um pouquinho no tempo.
Um pouco antes da gente se mudar para o México, a minha esposa veio pedir ajuda para fazer uma atualização de um manual de instruções de um produto que que a empresa dele importava, que era um climatizador. Eu nem conhecia esse climatizador evaporativo na época. E aí eu ajudei a minha esposa ali, né, fiz toda a parte técnica ali, né, para deixar o manual correto. E tranquilo, né, nem cobrei nada, né, fiz pela parceria ali mesmo.
E quando eu tava conversando com ele, eu lembrei desse manual que eu tinha revisado E perguntei para ele da Smart Air, aí, como que tá a Smart Air?
Tá bacana?
Você conhece a Smart Air? Porque ele nem sabia que eu tinha feito revisão do manual e nem precisava saber também, né? Daí ele falou, não, eu conheço, eu fiz uma revisão do manual para vocês em 2013.
Smart Air era o produto?
Smart Air era a marca do produto.
Era a marca do produto.
A marca desse produto. E aí eu fiz essa revisão para vocês, tal, e como que tá? Aí ele, então, a Smart Air "Olha, eu tô querendo parar com esse produto que é um produto que representava na época muito pouco do faturamento total da empresa dele, ele tinha um vendedor que mais dava dor de cabeça lá para ele do que resultado, então ele tava querendo parar com esse negócio." Aí eu falei para ele: "Pô, mas é um negócio bacana, né, um produto bom, sustentável, né, tem uma pegada de sustentabilidade, de meio ambiente bacana." Uma pena, né, ter que parar com isso aí.
Daí foi aonde apareceu a bendita oportunidade. Ele pegou, olhou para mim e falou: "Ah, então você quer empreender?" Falei: "Cara, eu quero, tudo que eu mais quero." "Então faz o seguinte, vem para cá e toca SmartShare." Eu falei: "Como assim tocar SmartShare?" "Não, você vem para cá, abre uma empresa, a gente fica sócio nessa empresa, eu já tenho o canal de importação e preciso de alguém para cuidar aqui." você tocar a empresa e vender e fazer acontecer.
E ali, nessa conversa informal, apertei a mão dele e a gente saiu sócio. Eu lembro que a minha esposa arregalou o olho desse tamanho assim.
Ela tava junto na hora da conversa?
Ela tava junto.
Mas então, ele te pegou de surpresa?
Pegou de surpresa.
Você não esperava por isso?
Não.
E você topou na hora?
Na hora. Na hora apertei a mão dele. Aí, como que a gente faz? Falei: não, primeiro você tem que voltar para cá, né, que você tá morando no México. Falei: "Não, beleza, eu volto para lá, peço demissão e venho para cá." Você está ouvindo o Lidercast, um podcast voltado para liderança e empreendedorismo.
De onde veio este tem muito mais. Por exemplo, a minha mentoria MLA, Master Life Administration, um programa de treinamento contínuo em que reunimos pessoas interessadas em conversar sobre literatura e temas voltados ao crescimento pessoal e profissional. Comunidades online oferecem conexão, compartilhamento, apoio, aprendizado e segurança. O MLA é mais do que isso, é um mastermind para profissionais, com encontros mensais presenciais e online, promovendo uma sensação de comunidade e uma troca muito valiosa de experiências.
Olha, tem vagas disponíveis, se Se você se interessa em estar comigo, acesse mundocafebrasil.com e clique no link para saber mais. Se você tivesse contado para mim que você estava insatisfeito pra cacete no México, estava ganhando mal, a empresa te sacaneava, você não tinha se adaptado ao México, eu entenderia. Pô, preciso sair daqui, topo qualquer parada. Mas não era o que estava acontecendo.
Você estava bem no México.
E aí você toma a decisão de largar um negócio que estava bem, uma empresa que você estava boa, aliás, excelente empresa, 17 anos na empresa, sei lá quanto tempo você estava lá, e você chuta tudo isso para se jogar no escuro.
No escuro.
Qual foi? O que foi? Deixa eu entender esse processo de decisão.
Primeira, a vontade de aprender.
Aliás, e surpreendendo até tua esposa, você quer pior. Você fala: "Não, ela estava do meu lado e vamos, e vamos, e vamos." Não. Foi surpresa pra ela. Então, que porra de processo de decisão é esse, cara?
Então, eu acho que o primeiro foi a vontade. A vontade era muito grande de empreender, então... Eu queria, né? Já tava decidido que ia empreender. Só não sabia quando e não sabia em quê. E aí, de repente, numa conversa, apareceu o quê e o agora. Então, falei: "Cara, não posso perder essa oportunidade." "Por mais que dê tudo errado." Isso que me ajudou, à base de ter estudado muito empreendedorismo antes também, é que acabou moldando também a minha mentalidade, minha forma de pensar assim, de falar: "Cara, se der tudo errado, a gente vem pra cá, beleza, tenta e der tudo errado." Que é o que acontece com a maioria das empresas.
Se der tudo errado, bom, eu continuo sendo engenheiro, continuo tendo meu currículo, Se der tudo errado, eu vou buscar outra coisa.
Você não teve esse pensamento depois que ele te fez o convite? Isso já tava, tua cabeça já tava feita, tava com ela pronta, né? E a hora que o negócio— quanto que ter visitado aquele apartamento maravilhoso, aquele lugar maravilhoso, pesou nessa sua decisão na hora lá?
Ah, bastante, pesou muito. Ali eu entendi que eu só conseguiria alcançar um patamar desse empreendendo. Então, apesar de já ter, como vim estudando, né, já tinha visto várias histórias. E sim, e até tem uma definição que eu acho boa, que aprendi com o próprio Flávio Augusto também, que ele fala das 3 competências ali, né, que na verdade são 3 coisas para empreender, né: visão, coragem e competência. E realmente eu acho que é bem nessa linha, né. Então A visão foi ali.
Ali você construiu uma visão, né?
Ali eu construí a visão.
Tem o Xará Rafael do MLA que conta uma história, você lembra da história que ele conta? Que ele morava lá em Duque de Caxias, ele pegava a esposa, ia para Copacabana, ficava caminhando na praia olhando aqueles apartamentos, um dia nós vamos morar aí, um dia nós vamos morar num desse aí. E falei, não tinha dinheiro para porra, mas a gente ia lá, visitava com corretor, via, E ele falou: "Eu olhava aquilo tudo e pensava: um dia nós vamos morar aqui." Ele estava construindo essa visão, né?
Que é um negócio meio... Vamos falar um pouco disso aí, porque isso é legal, tem um insight muito legal aí, né? Sonhar não custa nada. Sim. Porra! Aliás, o sonho... Aquela máxima, né? "Sonhar é sonhar." É, o sonho pode sonhar à vontade, não tem problema nenhum. E o sonho não vai te levar a lugar nenhum. Cara, o que vai me levar a algum lugar é uma meta, é um plano, é um projeto. Isso me leva. Mas se não tiver o sonho, não tem a meta.
Você olhou para aquele track e falou: "Cara, eu quero vir para cá e tem que ser rápido e trabalhando de série T eu não vou conseguir. Chuto tudo e mergulho aqui." Quer dizer, é claro que a decisão não foi aquilo, mas a pergunta que eu te fiz não foi por acaso, né? Quanto ter visto o objetivo te fez se jogar nele lá, né? E naquela sequência, quer dizer, foi tudo no mesmo dia. Tudo no mesmo dia. Em algumas horas, né?
Sim, em algumas horas. Foi tudo no mesmo dia. E outra coisa que ajudou na decisão também é que ele devolveu o emprego para minha esposa. Então, nesses 3 anos lá no México, a minha esposa fez alguns trabalhos lá, estava estudando, e aí ele devolveu o emprego para ela na hora.
Ele falou: "Não, olha, se vocês voltarem, ela tá garantida aqui." Ela tá empregada.
Aí eu falei: "Pô, bom, pelo menos sustentar a casa até a empresa começar a andar, já tem o sustento da casa, né?" Ela que segurou a bronca da casa por alguns anos, né, até a empresa começar a rodar. Então isso ajudou muito, facilitou muito na decisão. Outra coisa que facilitou na decisão que eu vejo é que a gente não tinha filhos na época ainda, então também eu acho que—
Se errar só tem duas bocas para segurar. Duas bocas que se sustentam, as duas, né? Como é que foi? Aí você voltou para o México com a cabeça—
Não, voltei para o México, eu tô falando em português.
A cabeça ficou em Camboriú.
Não, eu saí ali de Balneário de Camboriú Búzios até Curitiba ali, que dá 3 horas mais ou menos, com a cabeça fervendo a milhão. E minha esposa ali, o que que você fez? Acabei de firmar uma sociedade. Você é louco! Bora, vamos! E aí ela aceitou também, óbvio, né, também o emprego de volta também. Então entendeu que ali era algo importante. E aí a gente, o importante disso assim, a gente tava disposta a dar uns 10 passos para trás, porque lá no México a gente já tinha comprado um sobrado, já tava estruturado, já tava tudo tranquilo, e ia ter que praticamente dar um all-in, porque a única coisa que eu tinha aqui no Brasil era um terreno, eu tinha que vender esse terreno para poder investir na empresa, então era praticamente tudo que eu tinha.
Você ia voltar atrás, você ia dar um passo para trás, tá? Como é que você tava preparado para a empresa tentar te segurar lá? Tipo, vou te prometer, vou te promover, vou te dar um salário melhor, vou te— você tava preparado para isso?
Eu tava, eu tava decidido, não tinha nada que eles pudessem fazer. Até porque a minha meta no México era ficar no máximo 5 anos. Sim, então isso já era uma meta que eu tinha, já tinha acertado com a minha esposa, que 5 anos, daí em 5 anos ou a gente tenta galgar alguma outra oportunidade nos Estados Unidos Gerdau antes, que aconteceu com vários amigos meus lá, foram para outra Gerdau nos Estados Unidos e depois acabou indo para outras empresas, ou ia voltar para cá, mas a gente já tinha um prazo definido de 5 anos, acabou antecipando.
Saiu de boa da empresa? Saiu de porta aberta?
Bem de boa, bem de porta aberta, voltei. É até uma história engraçada que eu tinha acabado de, um pouco antes de eu vir para o Eu tinha entrado um novo gerente lá na nossa unidade, que era um colombiano. Colombiano doido. Binto. Venezuelano, não colombiano. Ele é um venezuelano. Cara, mas um workaholic, um cara muito louco. Nunca tinha trabalhado com um cara tão doido. E bem no dia que eu voltei de viagem, Bem nessa noite, eu tinha acabado de chegar, tava cansado pra caramba da viagem, deu um problema lá na empresa e me ligaram.
E eu falei: "Cara, sem condições de eu ir aí porque tô cansado, se eu for aí é até perigoso e tal, então eu vou descansar, amanhã cedo eu vou aí pra dar uma mão." E aí esse gerente ficou louco, falou: "Não, você tem que ir e tal." Meio que totalmente até fora do normal que era a cultura da Gerdau. Ele falou: "Não, você tem que vir, se você não vir você pode passar no RH amanhã aqui." Que... Então tá bom, eu passo no RH amanhã, porque eu também tava com a tranquilidade que eu já tava decidido que ia sair, né?
E no outro dia eu fiz isso, passei direto no RH e fui falar lá com o gerente de RH, ó. O gerente pediu pra eu passar aqui hoje, porque ontem eu não quis atender um pedido cheguei na casa dele porque eu tava cansado, não podia vir aqui trabalhar, e ele falou: "Vai passar o quê?" E no Brasil quando se fala que é para passar na regaia é porque vai ser desligado, então só me diga onde que eu assino aí o meu desligamento. Aí ele já nem ficou louco, já chamou o diretor, já chamou o diretor-geral do projeto também para conversar, entender o que tava acontecendo, eu expliquei tudo, mas mesmo assim depois dessa conversa eu falei: "Não, mas mesmo assim eu tô decidido a sair." "Ah, eu vou sair, vou buscar outro rumo." E aí, na época, até eles pensaram que tinha sido por causa desse evento só, né, que eu resolvi sair. Mas depois eu expliquei que eu venho de lá.
Você até hoje deve ter tomado um enrabado.
Depois eu fiquei sabendo que ele teve um AVC, deu um burnout nele, porque ele é um cara muito doido assim.
Aí você vem para o Brasil, malecuida.
Primeiro a minha esposa veio, se instala Foi morar mal, né?
Ruim, né? Pô, que lugar ruim, né, cara? Que cidade ruim, né? Foi para Nova York, Camboriú, morar perto da praia para começar do zero uma operação. Ou você tava, tinha uma salinha na operação dele e ali você ia tocar? Foi basicamente começar do zero com nível estrutural, o que eu já tinha era comercial, basicamente.
O que eu já tinha, que ele me passou, era o fornecedor e o fluxo de importação, que a empresa dele é uma trade, né? Então ele já trabalha com importação, então eu já tinha isso encaminhado. Sim, toda essa parte de exportação ele que fazia, né? De importação, né, no caso aqui para o Brasil, ele que me ajudava. E a hora que chegasse o container aqui, eu tinha que me virar em vender isso aí. Então aí eu tinha um vendedor só.
Você saiu de um ambiente de fábrica que é completamente diferente desse ambiente novo que você foi. Você tinha 17 anos e chão de fábrica brigando com máquina, e agora você tá no lugar que lida com pessoas, com venda e tudo mais. Você se preparou para isso assim? Como é que foi a bomba?
Que estava preparado é uma palavra muito, muito forte. Eu vim estudando muito, né? Sim. Então, mas preparado mesmo é só quando do que você começa a fazer. Porque a minha formação é técnica, né? Então fiz engenharia, trabalhei sempre na área técnica dentro da empresa. Eu lembro até quando a gente passava na área comercial da Gerdau lá, a gente viu os caras sentados lá no telefone, os cara aqui, né? Os cara ficam aí de boa, não fazem nada, e a gente lá no chão da fábrica.
Eu era marketing, né? Eu sei como é que era isso. Mas você deixa de ser mocinho e vai ser índio do dia para noite, né? E aí, como é que foi o choque, cara? Aí você passou a valorizar os caras do comercial?
Demais! Não, demais! Daí quando eu comecei a estudar, na verdade eu já comecei a valorizar. Falei, porra, aqueles cara que eu falava lá, xingava eles que não faziam nada, falei, os cara que toca a empresa. Uma empresa sem comercial, uma empresa sem venda não existe. Não tem como existir uma empresa sem venda. Então o primeiro desafio foi esse, comercial. Eu lembro que nas primeiras ligações que eu fazia para alguns clientes, né, porque eu peguei, na época eu tinha uma carteira com mais ou menos uns 50 clientes, hoje a gente está perto de 5 mil.
Então eu lembro que as primeiras ligações, cara, era, eu meio que ligava torcendo para que o cliente não atendesse, porque De tão nervoso que eu tava, né, para fazer essa venda. Então eu lembro que ficava nessa: tomara que não atenda, tomara que não atenda. E aí de novo eu falei: cara, eu preciso buscar uma capacitação. Qual foi o primeiro lugar que fui buscar capacitação? Num cara que eu conheci no Café Brasil, Ricardo Jordão Magalhães.
Grande Jordão!
Conheci o Ricardo Jordão, aí tinha um treinamento aqui com ele umas 2 semanas depois, tinha um treinamento dele aqui em São Paulo. Vim aqui ficar uma semana com ele.
O Vendas Quebra Tudo.
O Vendedor Rainmaker, né? Que vendedor tem que fazer chover. Então vim fazer esse treinamento aqui com o Jordão uma semana e ali foi aonde começou a me destravar para as vendas. Sim. Porque eu sabia que precisava vender, não tem jeito. Igual eu falei, só tinha um vendedor, a única coisa que eu tinha quando eu abri a empresa era o canal de importação o produto e um vendedor, mas um vendedor que era aquele vendedor que tava dando dor de cabeça já para o meu sócio.
E até o primeiro desafio que eu tinha já nessa empresa era praticamente desligar ele, porque não desliguei nem recuperei. Um concorrente meu levou ele, então me facilitou a vida.
Que sorte!
Me facilitou a vida. Porque como esse vendedor, ele tinha os contatos do fornecedor e tudo mais, esse concorrente levou ele para abrir o fornecedor lá na China e tudo mais. Mas enfim, aí ele acabou saindo, daí eu fiquei sozinho, daí já deu mais um medo, né? Falei: "Cara, agora é eu e eu, não tenho o que fazer, então vou ter que pôr a mão no telefone e começar a vender, porque senão ferrou." Então, vamos falar desse engenheiro que virou suco.
Você vem de uma área que é pragmática, é matemática, se 1 1 vai dar 2 sempre, que é engenharia, cara, e não tem erro, cara. Ali aplicou, não deu certo, você vê o resultado cagado na hora, né? Cai a ponte. Ali não admite, vamos romantizar. Cai a ponte, cara, cai o avião, não tem por onde. Engenharia é isso, né? Para uma área onde tudo é meio relativo, né, cara? "Fiz tudo igual ontem e hoje não deu." Mas não deu porque o cara brigou com a mulher e a promessa que ele cumpriu não foi feita, atrasou o caminhão.
Tem toda uma conversa, que a área de vendas ela é toda humana, essa coisa de relacionamento, né? E você muda de uma para outra, cara, é água para o vinho. São dois ambientes que eu já vi gente se quebrar completamente na hora da cruzar. De um ambiente para o outro, né? Você sentiu essa pegada? O que que você parou para pensar? Falou: cara, eu vou ter que mudar a minha razão de ser, a minha, não só meu jeito, como eu sou um cara tímido, não posso mais ser. Então, o que que você fez? Foi buscar ajuda além do Jordão, em algum lugar?
Além de buscar ajuda, uma, algo que me ajudou muito nessa jornada na Gerdau é que eu trabalhei com muitos anos com liderança, né? Então já tinha que lidar com gente também, né? Não da maneira de vendas, né? Mas era lidar com gente, né? E gente é gente, né? Então eu sempre gostei de gente também. E aí talvez tenha um pouco da influência do meu pai e da minha mãe, que eu sempre vi eles sendo comerciante, conversando com todo mundo.
Então talvez isso tenha ajudado também, né? Para quebrar esse desafio, porque eu não tinha técnica de venda, mas conversar e me relacionar Eu sempre me relacionei bem, só faltava a técnica. Então a técnica que eu fui buscar. E depois da técnica é mão na massa, não tem jeito. Aprendeu lá, já aplica aqui, já começa a aplicar, começa a aplicar, começa a ligar, começa a seguir um roteiro e vê que começa a dar certo e vai aumentando.
E foi assim os primeiros meses da empresa. Porque isso é outra coisa que eu aprendi estudando empreendedorismo, que, cara, é importante você ter toda a visão do negócio, né? Então eu decidi que eu só ia contratar uma pessoa quando eu já tivesse saturado. Então eu fiquei praticamente 8 meses na empresa fazendo logística, fazendo comercial, fazendo financeiro, fazendo tudo. A logística, na verdade, eu terceirizava, né? Empresa só fazia a parte de separação e despacho, mas toda administração era sozinho.
Aí quando eu vi que já tava saturando, falei: "Não, agora tá na hora de trazer um colaborador", né? Daí trouxe uma pessoa para me ajudar e ali já deu uma desafogada, que aí pelo menos toda essa parte de faturamento, essa parte mais administrativa, já consegui passar e comecei a focar só no comercial.
Quanto foi isso? Quantos anos atrás?
Foi 2016, a empresa tá fazendo agora, 30 de junho, 10 anos de CNPJ aberto.
Então nesse processo você sai de 50 para 5 mil clientes. Quantos funcionários tem empresa hoje?
Hoje a gente tem 14 funcionários.
Continua sendo uma operação basicamente comercial, você continua importando, continua importando, eventualmente dá um tapa aqui, bota uma etiqueta, tropicaliza alguma coisa, mas não é uma operação industrial.
Tem uma linha industrial até porque a gente faz a montagem de alguns produtos aqui, né, que a gente importa desmontado por questão logística mesmo, de espaço. Então a gente acaba montando uma linha de produção para montar esses equipamentos antes de vender. Mas é basicamente comércio ainda, né, porque é uma linha bem simples, não é nada assim tão industrial.
Quando foi que você bateu a chavinha em você de que, cara, deu certo? "Estou me fodendo aqui, estou trabalhando que nem um desesperado sozinho, porra." Quando foi que você falou: "Cara, deu certo"?
Eu acho que quando terminou o primeiro ano. O primeiro ano que eu digo assim, é que a empresa foi, igual eu falei, o CNPJ foi aberto em 30 de junho, mas a primeira importação, até conseguir as licenças, radar, a minha primeira importação chegou em dezembro de 16. Então a gente começou a vender em janeiro de 17.
Ele não tinha o produto aqui ainda? Não tinha o produto no Brasil ainda?
Não tinha, já tinha esgotado. Ele trazia meio sob demanda antes, conforme ia precisando ia trazendo. Não era um produto de linha. Não tinha. Então essa primeira importação levou quase 6 meses para chegar. E aí quando chegou a primeira importação, que aí eu comecei toda essa luta de ter que vender. A gente começou, importei primeiro um container de 20 pés, né, que é um que é um container menor, que ali foi praticamente toda a reserva que eu tinha, que é do terreno que eu consegui vender.
Até engraçado, tem uma história bacana que eu tinha esse terreno e tinha um consórcio. Eram os únicos dois investimentos que eu tinha aqui no Brasil. O terreno eu consegui vender antes de vir para cá, que o terreno a princípio era para pagar essa primeira importação. Esse meu sócio, ele me dava um crédito lá na China. Quando chegava aqui, eu pagava o desembaraço e depois eu pagava ele lá quando vendesse. Mas eu comprei a metade da marca também dele.
Ele não me vendeu só a operação, ele me vendeu metade da marca também, que na época foi R$120 mil, metade da marca. E essa outra metade, eu falei: eu tenho um consórcio aqui, quando eu conseguir contemplar esse consórcio, daí eu te pago. Aí eu lembro que demorou, dava lance e tudo mais. Demorou para sair. Eu lembro que um dia ele até falou: "Consegui um sócio aí que está esperando ganhar na loteria para começar." Porque o consórcio tem essa coisa, né, gente? Tem que esperar o sorteio ali, né?
Eu sei, eu estou com um aí.
Mas no fim acabei conseguindo ser contemplado, aí paguei ele e ficou tudo certo.
Cara, numa dessas você já foi para a China? Já foi visitar os teus fornecedores lá?
Fui visitar.
Mas você não me respondeu quando foi que deu a, pô, cara, acho que eu acho que virou Godamole.
Quando fechou o primeiro ano, quando fechou o primeiro ano de empresa, a gente faturou ali um pouco mais de R$1 milhão. Aí falei, caraca, R$1 milhão, para mim é muito dinheiro. Não tinha nem ideia, né, nem imaginava, né, que ia ter uma empresa assim faturando acima de 1 milhão assim já no primeiro ano de operação. E aí eu lembro que até conversei com alguns amigos, inclusive com o Daniel Scott, que a gente estava conversando agora pouco também.
Quando eu conheci ele em 2017, perguntei para ele: "Cara, uma operação aí de 1 milhão é uma operação, é uma empresa já média, pequena, o que que é?" Ele falou: "Cara, comparado com o nível de indústria de empresas que tem no Brasil, né?" que é microempresa e tudo mais, acima de 1 milhão é uma empresa já, tá indo pra porte médio já, né, pequena média. Então ali eu falei, cara, então tem potencial. E isso praticamente no primeiro ano, com eu e mais um que chegou ali no finalzinho do primeiro ano.
Falei, então ali que eu acho, falei, cara, aqui eu acho que vai dar certo. E aí o meu pro labor mesmo, eu comecei a tirar dinheiro da empresa só depois desse primeiro ano. Que aí eu comecei a tirar um pouquinho, que não era nem um terço do que eu ganhava, menos, não era um quinto do que eu ganhava na época da Gerdau.
Ficou claro que ali era o caminho para você comprar o teu apartamento ali naquele lugar maravilhoso, né?
Sim.
Conseguiu?
Ainda não, mas tá mais perto. Comprei bem pertinho ali já. Hoje eu tô morando, é porque, como eu falei, como eu dei 10 passos atrás, então a gente morou de aluguel por muito tempo, né? Mas agora eu tô com meu apartamento próprio ali na Praia Brava mesmo. Ainda não é esse ali, mas já tô bem mais perto do que há 10 anos atrás.
Então você falou umas coisas interessantes que acho que dá para a gente ter um insight legal aqui, né? Você falou aqui muito te serviu ouvir o Café Brasil, você veio fazer o curso com o Jordão, depois você falou do Daniel Scott, você faz parte tava num grupo com ele ali, né? O que que é essa? Vamos falar dessa coisa de você se colocar em ambientes que possam trazer para você um crescimento. Então, normalmente, quando a gente fala assim, o cara: bom, o que que foi?
Fui fazer um curso, entrei numa escola, sentei numa sala de aula e fiz um curso, me coloquei naquele ambiente ali, eu aprendi alguma coisa, né? Mas não é disso que nós estamos falando. Eu tô falando de você se colocar num curso, não no curso, no ambiente que não é Curso é um ambiente de relacionamento que foi o que trouxe você para o MLA, para o nosso MLA aqui, né? Como é que é isso? Me fala dessa tua visão de falar: cara, essa é a mesa que eu preciso sentar.
O que foi? Quando é que você percebeu que isso era fundamental, que era importante?
Eu acredito que foi quando eu li um livro que depois até cunhou o termo do mastermind, foi através desse eu li esse livro do Napoleon Hill, né, que é Quem Pensa Enriquece. Ali ele fala muito sobre essa comunidade, né, de pessoas juntas, né, pensando no mesmo assunto, né, para fazer alavancar, né, que é o mastermind. Então depois que eu li esse livro, eu falei, cara, eu preciso procurar isso. Então na época, os primeiros que eu encontrei foi o do Daniel Scott, ele tinha acabado acabou de se mudar para Curitiba.
Então ele foi, ele fez um evento lá para alguns empreendedores na época, e aí eu subi, né, para Curitiba. E foi o primeiro, primeiro contato assim que eu tive com empreendedores mesmo, que daí um monte de gente ali querendo aprender, né, que era juntar um grupo que tem interesse comum, que no caso era empreender, crescer, business e tudo mais.
Ali recebe um tipo de conteúdo, compartilha, né, E ali você viu o valor, né?
Isso, é aquela máxima de você é a média das pessoas que você convive, né? Então eu queria estar no meio de pessoas que já chegou aonde eu desejo chegar, né?
E isso custa. Custa. Isso custa. É um investimento. Esse é um ponto interessante, né? Quer dizer, é um tipo da coisa que você fala Pra um cara como eu, por exemplo, eu tenho uma formação, pô, eu sou muito mais velho que você, muito mais velho que você, né? Tenho uma formação muito mais, como é que eu vou dizer, pô, eu nem sei que termo que eu vou usar aqui, mas é aquela história que você fala, pô, se eu botar na mesa, se eu encontrar com um povo pra gente conversar, legal, vou no restaurante, pago um almoço, pago um vinhozinho ali, a gente Conversa, tudo bem.
Não é disso que nós estamos falando. Nós estamos falando de você chegar lá e assinar um negócio e eu pago para estar junto com essa turma, não pago barato, pago caro, mas eu sei que se eu tiver um insight ao longo do ano, esse insight pode mudar minha vida, pode virar tudo de ponta cabeça. E eu só vou conseguir um insight desse tipo se eu der a sorte de estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas, né? Foi isso que te trouxe pro MLA, cara?
Sim, foi assim que— como é que você— como que foi que você— não vou aproveitar essa, não vou perder essa oportunidade, né? O que é que você— o que que te pescou ali?
Ali foram duas coisas. Primeiro é o fato de, lógico, tá em um ambiente, né, com pessoas, né, de sucesso, né, que já tem um nível de sucesso, e E outra coisa que pesou muito, que eu já te conhecia há muito tempo, então, por causa dos podcasts, Café Brasil já acompanhava muitos anos, Lidercast já acompanhava muitos anos. Então, quando eu vi a primeira vez ali numa chamada tua falando da MLA, falei, cara, tá aí a oportunidade de eu conseguir estar do lado do Luciano.
Sim. Então abracei essa oportunidade, me inscrevi, né, e comecei agora Esse ano acho que eu tô no terceiro ano do MLA, tive uma pausa só. É, e então estamos indo para o terceiro ano. E cara, é um valor assim que é imensurável. Você tá diante de pessoas que compartilham a mesma visão, mesmos valores. Então é um grupo de honra mesmo, né? E o MLA, diferente de outros grupos que eu participo tipo de business, né, que é mais focado em empreendedorismo mesmo, o MLA tem diretores, tem executivos, tem CLT, tem dono de empresa, dono de empresa, tem inclusive uma funcionária pública.
Então, cara, essa multiculturalidade eu acho que é ajuda agregar mais também, porque não é só business, né? É, até tem aquela máxima do Simon Sinek, né, que 100% dos clientes, né, são pessoas, 100% dos colaboradores são pessoas. Então, se você não entende de pessoas, você não entende de negócio. E tendo essa equipe multicultural, cara, te ajuda a abrir para muita coisa. Então eu acho que é algo que eu recomendo para Eu falo para todo mundo que quer empreender ou já está empreendendo, tem que participar de grupos como esse porque ajuda.
Eu hoje, por exemplo, nesse grupo, tanto aqui no grupo de Melei quanto em outros que eu participo, daqui a pouco estou com uma dúvida, algum problema na minha empresa, o bicho está pegando, cara, o primeiro lugar que eu tenho ali é aquele grupo de contatos ali que explica o problema, provavelmente vai ter alguém que já passou por isso, Já vem uma dica de um fornecedor, né?
Já vem um insight, já vem uma dica de um contador, de alguma coisa assim.
Tem uma história bacana também de um grupo que eu participei, inclusive aqui de São Paulo, já nem existe mais, que era— me fugiu o nome, faz anos isso aí, faz anos não, foi bem na época da pandemia ali, mas enfim, daqui a pouco eu lembro o nome. Mas eu lembro que eu fiz um processo de mentoria, que acabava sendo um processo de mentoria ali também, né, com as pessoas que são o head desse negócio, igual o MLA, você que tá tocando, né.
Então se eu tiver alguma dúvida, alguma coisa, posso chegar até em ti com a tua experiência para me ajudar em algo no meu negócio. E nessa época eu tinha entrado na sociedade de uma outra empresa. Com esse mesmo sócio, que era uma indústria de móveis. A gente fazia uns móveis de design assim, umas banquetas, umas... uma pegada bem bacana assim. Éramos 3 sócios, um sócio era o sócio criativo, né, é o designer. Inclusive alguns produtos ele até tinha ganhado alguns prêmios, né, de design.
Então era um produto bem bacana. E aí essa empresa não tava indo muito bem, aí o meu sócio vendo o trabalho que eu fiz na Smart Air, ele me chamou para ir para essa outra empresa também, para ver se eu conseguia dar uma ajudada lá para fazer a empresa levantar. E aí foi isso, 2019, fazia um ano antes da pandemia. Aí a gente conseguiu até conseguir montar um site, a ideia era vender no e-commerce esse produto. E aí chegou a pandemia, a empresa tava ainda tava no vermelho, a gente não conseguia, não tinha conseguido tirar ela do vermelho.
E no meio da pandemia ali, foi fazer uns cálculos ali de custo, né, que a gente tinha. Falei, cara, a gente já tá no vermelho, então se ficar 2 meses sem faturar, não tem empresa, vai quebrar. E aí, na época, esse outro sócio, não precisamos fazer um empréstimo e tal, não sei o quê. Fazer empréstimo para um negócio que já tá negativo, né? E aí Foi aonde eu levei esse assunto numa mentoria. E aí eu lembro até hoje que esse mentor na época, ele pegou e falou: "Cara, você tá... você precisa correr.
Você tem duas mochilas. Você tem uma mochila cheia de pedra, que é essa empresa, e você tem uma mochila que tá cheia de pena, que é a Smart Tech, que tá te dando resultado e tudo mais. Você precisa escolher uma mochila dessa pra pôr nas costas e correr." "O que você vai fazer?" Aí foi onde eu decidi, ali depois dessa mentoria, falei: "Não, vou abandonar essa outra empresa." Cheguei no meu sócio e falei: "Ah, não quero mais, pra mim não dá mais." Valeu o aprendizado, foi quase um ano e pouco mais ou menos nessa empresa, valeu o aprendizado.
O principal aprendizado que eu tive é ter cuidado, né? Se você tá com uma empresa em expansão, precisa dedicar energia nela. Não começa um outro negócio para você dividir a tua energia com esse negócio que tá crescendo ainda. Então, de repente, esse um ano e pouco que eu mudei meu foco para essa empresa, eu poderia ter levado a Smart Air para outro patamar. Então, então, um aprendizado que eu tive, o que me ajudou a abrir essa mente foi a mentoria.
Talvez se eu não tivesse essa mentoria, pudesse ter tentado levar mais um pouco Daqui a pouco você começa a tirar dinheiro de uma empresa, que aconteceu isso, até tirar dinheiro de uma empresa para pôr na outra.
E nem se trata de encontrar um gênio que chega para você, tira um coelho da cartola e põe na mesa e você fala: "Cara, que sacada genial!" Não, é alguém que simplesmente fale algo que você já viu, já está na tua cabeça, já de alguma forma passou pela tua mente, mas de repente alguém fala: "Pera um pouquinho, deixa eu botar isso aqui na luz." Joga uma luz em cima e fala: "Cara, que insight!" É isso que a gente costuma comentar lá.
Eu vou discutir, os caras que vêm conversar com a gente pra ir pro meu LA, né? "Ah, mas não sei o quê, mas é caro." Fala: "Bicho, um insight basta, um, tá? Ao longo do ano." Então você vai fazer um programa de um ano inteiro, vai ter 6 encontros presenciais, 6 encontros online, conteúdo e relacionamento que não acaba mais, um insight ali, pode virar a tua vida de ponta cabeça, pode fazer você vender tua empresa, ampliar tua empresa, trocar o negócio, abrir outra coisa, abrir um negócio novo.
Então essa exposição é que é o fundamental, né? E se você não tiver num grupo que é só blá-blá-blá, como canso de ver, cara, grupos que não acaba mais aí. Tem bastante. Por que que eu vou lá? Eu vou lá para exibir meu relógio, né? Eu vou naquele grupo para exibir o relógio novo que eu comprei, para falar como eu sou foda, para dizer que a minha empresa é do cacete e para tentar ganhar dinheiro de alguém ali, né? Não é isso que nós estamos falando, eu estou falando de uma outra coisa, cara.
Eu vou me colocar em um ambiente nutritivo, sentar numa mesa, nós estamos lançando agora uma campanha que começou ontem, que vai ser um evento que vai chamar "A Mesa" e o conceito é exatamente esse. Cara, você tem responsabilidade na tua empresa, não importa o que você faz, tá? Você pode ser dono, chefe, executivo, gerente, não interessa. Você tem que tomar decisões o dia inteiro. E muitas vezes você se vê sozinho, né, cara? Eu tenho pares aqui, mas eu não consigo dividir com eles.
Eu tô com uma dor aqui e eu não consigo, nem com meu sócio eu consigo dividir a dor que eu tô sentindo aqui, né? Será que tem alguém com quem eu possa dividir? Então a ideia é essa, uma mesa onde você senta e tem mais gente que ou ou já passou por isso, ou vai passar, ou tá passando por uma dor parecida com a sua. E aí de repente você descobre que, puta, cara, me abri e alguém entrou ali e falou a palavrinha que eu tinha que ouvir naquela hora para mim abrir um caminho para mim, né?
Quanto vale isso, cara? Não tem dinheiro no mundo que pague. E essa coisa também não é, não é negócio de engenharia, não tem uma planilha, não tem uma formatação. Primeiro isso, não, cara. Senta, abre o coração com gente do bem, cara, vai sair coisa que não sairia de nenhuma planilha ali, né? Então é só que quantificar isso aí é complicado, né? Explicar para as pessoas é muito complicado, né?
Quantificar é difícil, mas eu acho que é essencial. Sim, até talvez você até consiga fazer tudo sozinho e conseguir escalar consiga crescer, mas com certeza vai ser muito mais difícil.
Tem um limite também, né, cara? E outra, tem cagadas que você não precisa fazer, tem bobagem que você não precisa fazer, basta encontrar alguém que fez.
Então, relembrando até agora essa época lá do meusucesso.com, eu lembro que tinha um dos insights ali, né, de cada estudo de caso, que era os erros que cada empreendedor cometeu. Eu lembro que eu Assistia mais de uma vez aquilo ali. Falava, cara, não, essa aqui, isso aqui é importantíssimo, não fazer a mesma cagada que eles fizeram. Então aprender com os erros dos outros é muito mais barato. Então era uma das partes que eu mais gostava, era ver isso aí.
Como é que tá a Smart Air hoje, cara? O que que você tá, você tá com catálogo de, o que que ela faz? Ela é, eu sempre tenho dificuldade, é climatizadores ou aclimatizadores? Como é que é?
Climatizadores evaporativos.
Climatizador evaporativo, o que que esse treco faz?
O climatizador evaporativo, ele é um produto que ele ajuda na climatização, né, mas ao contrário do ar-condicionado, ele vem para trazer conforto térmico. Então, por exemplo, tem lugares aonde é inviável você climatizar com ar-condicionado. Por exemplo, sei lá, pega uma oficina mecânica, 1000 metros quadrados, Não adianta, o dono dessa oficina não vai climatizar isso aí com ar-condicionado. Então é onde vem o climatizador para ter esse apoio.
Ele é um produto mais ecologicamente correto, porque ele não tem gases, né, igual tem o ar-condicionado. Ele trabalha basicamente só com água e um sistema de evaporação, água e painel evaporativo. Ele vai—
deixa eu entender essa. Agora eu vou usar minha ignorância, que eu tenho licença para usar, porque eu não sou do ramo, não entendo porra nenhuma. Então vou usar minha ignorância. Um ar-condicionado, eu boto o aparelho na parede, ele chupa o ar de algum lugar, passa por uma serpentina cheia de gás que gela esse ar e devolve o ar para o ambiente geladinho. Então quando o ambiente doer, gelou. Esse é o funcionamento dele.
Ele pega o ar do mesmo ambiente e faz recircular esse mesmo ar, retira a umidade do ar para poder fazer o esfriamento dele e fica nesse ciclo constante. Ou seja, você não tem renovação de ar. O climatizador evaporativo, o princípio de funcionamento dele é com renovação de ar. Então, ao contrário do ar-condicionado, que você precisa fechar o ambiente para ter uma eficiência boa, o climatizador não, você precisa ter um ambiente aberto para poder fazer essa troca de ar.
Então é na troca de ar, mais esse ar umidificado que o equipamento joga, faz baixar a sensação térmica. Então ele é um produto para trazer conforto térmico.
Me explica o funcionamento dele do jeito que eu expliquei o ar condicionado. O ar passa pela serpentina, esfria e volta ao ambiente. O teu como é que faz?
O climatizador ele pega o ar quente e seco do ambiente, passa por um painel evaporativo, que é como se fosse um um radiador, a grosso modo, que esse painel ele tá repleto de água para aumentar a superfície ali de contato da água. Esse ar quente e seco passa para essa água, faz o processo de evaporação e devolve um ar úmido e com a temperatura mais baixa para dentro do ambiente. Então ele usa o princípio, é o mesmo princípio de quando você sai molhado, por exemplo, saindo do chuveiro, você tá com o corpo molhado, você sai, se bate qualquer ventinho, você já tem uma sensação de geladinho, um gelado.
Esse gelado que dá é o princípio de funcionamento do climatizador evaporativo. Ou seja, ele tá roubando a temperatura ali, né, do teu corpo, né, e jogando para o ambiente. Isso faz sentir isso. Então o funcionamento é o mesmo, ele baixa a temperatura e faz a troca de ar do ambiente.
Ele também tem uma saída de água que fica pingando água em algum lugar.
Não, esse não. Esse é um produto que ele trabalha com a reciclação de água, utiliza água para fazer essa evaporação, mas num ciclo contínuo. Então não joga água para o ambiente nem nada, só vai um ar mais úmido e frio para dentro do ambiente, mas sem umidificar. E por isso que tem que ser um ambiente aberto, né? Porque como ele aumenta a umidade do ambiente, se for um ambiente fechado, ele tende a saturar a umidade e aí vai acabar fazendo um efeito reverso.
Então o climatizador evaporativo, ele é justamente para ambientes aonde é inviável você fazer instalação com ar-condicionado.
Quem que usa isso? A família usa isso?
Indústrias. Família tem uma linha de climatizador evaporativo que é portátil, que provavelmente você já deve ter visto também, que tem bastante para vender. Então, por exemplo, o climatizador evaporativo portátil dentro de um quarto também você tem Tem que seguir os mesmos princípios, tem que ter uma porta aberta, uma janela aberta para fazer esse ar circular. Qual que é a vantagem com relação ao ar condicionado? Primeiro, economia, né? 90% mais econômico que um ar condicionado, porque ele não trabalha com compressor, né?
Ele é basicamente um ventilador e uma bomba de água. Outra coisa, ele mantém a umidade do ambiente, então para quem tem problema respiratório, por exemplo, a gente não pode ficar com ar-condicionado a noite toda ligada porque arrebenta, né, com o sistema respiratório. O climatizador ajuda nisso porque ele mantém úmido. E a desvantagem, o que que é? Ele não tem potência de resfriamento igual tem o ar-condicionado. O ar-condicionado você consegue lá programar 18 graus, ele vai vir para 18 graus, né, porque ele tem potência para isso.
E a conta vem junto.
E a conta vem junto. Já o climatizador não, ele depende de fator externo, ele depende da temperatura e umidade. Quanto mais quente, mais seco, melhor eficiência. Então ele pode reduzir até 13 graus.
Então, 13, 13, caramba!
Então em regiões, por exemplo, a gente vende muito para regiões quentes, por exemplo, sim, o Mato Grosso, Mato Grosso, Goiás, toda essa região ali. Inclusive eu fui visitar um cliente no Mato Marioso alguns anos atrás, que ele tinha acabado de fazer uma climatização numa, era uma, um comércio de ferramentas gerais, era grande, era um espaço de uns 2.000 metros quadrados mais ou menos. Eu lembro que temperatura externa na época foi bem no verãozão, devia estar mais ou menos uns 38 graus, aí quando eu entrei nessa loja, cara, fresquinho, devia estar ali uns 27 mais ou menos. 26, 27 graus.
Então quem não conhece o sistema de climatização furativa e entra naquela loja, dá a impressão que tá com ar-condicionado, de tanta eficiência que é nessas condições, né, de temperatura e umidade baixa. Então ele tem esse fator, né, quanto mais quente, mais seco, melhor eficiência.
Vira um pouquinho mais, só um pouquinho mais. É isso aí.
Então esse é o princípio. Então a gente A gente vende muito para indústria, supermercado, academia. Faz muito sentido para academia também, porque academia o cara já vai lá para suar, né? Ele só não pode estar num ambiente tão quente que ele vai desmaiar, né? Então, lógico, a gente tem muitas academias que usa ar-condicionado também, mas aí também o custo dessa academia não é barato também, né? São academias de high ticket, né, que usa ar-condicionado, mas a grande maioria é ventilador.
E aí que vem o climatizador. O climatizador ele é mais eficiente que um ventilador, menos eficiente que um ar-condicionado, mas traz conforto térmico, que é o que precisa. E aí você consegue direcionar, por exemplo, dentro de uma indústria, numa linha de produção. A gente mesmo lá tem uma linha de produção que a gente coloca o climatizador direcionado para as pessoas na linha de produção. Então você não precisa climatizar às vezes todo galpão, né?
Sei lá, a gente tem um galpão igual o nosso O galpão lá é 10 mil metros quadrados, você não vai climatizar todo o galpão. Então você direciona o climatizador aonde tem pessoas ali, traz o conforto térmico ali para aquelas pessoas.
Interessante. E eu vi que você está fazendo uma ação agora para dar um up na imagem, na marca e tudo mais, né?
Sim, a gente está fazendo uma reestruturação de marketing.
Então, me deixou só, a gente estamos chegando no final aqui, só para eu entender. A empresa nasce, cresce e fica madura e um belo dia ela encontra essa necessidade que você encontrou agora. Falei: "Poxa, acho que estou maduro o suficiente para botar algum dinheiro em marketing e tudo mais." O que te levou até essa decisão? Alguém te falou no teu ouvido ou você olhou em volta e falou: "Cara, está faltando alguma coisa"? O que foi?
Eu senti que tava faltando, porque assim, a empresa tá fazendo 10 anos, então eu falei, cara, o conhecimento, tudo que eu fiz até agora para trazer a empresa até aqui para 10 anos, já tá aqui. Então se eu quero galgar novos crescimentos e tudo mais, eu preciso fazer coisas diferentes. Então a gente começou a investir um pouco mais pesado agora em marketing, em linhas de produto, porque assim, nesses 10 anos de empresa, graças a Deus a gente conseguiu crescer com capital próprio.
Então a gente nunca precisou recorrer a banco e tudo mais. Então foi reinvestindo o próprio lucro no negócio e fez ele crescer no patamar que ele tá hoje. E agora, para crescer mais, a gente precisa transformar a marca mais conhecida, deixar a marca mais conhecida. Então o foco do investimento em marketing agora é esse, para trabalhar com branding mesmo, né, transformar a máquina e também levar o conhecimento de climatizador evaporativo, porque muita gente não conhece ainda. Muita gente já até viu, mas não tem nem ideia o que é.
Eu te fiz as perguntas porque eu mesmo não sei qual é a mecânica. Agora você foi falando, eu já fiquei curioso, né, que o negócio trabalha com a porta aberta, Num galpão, então é completamente diferente da imagem que se faz de um ar-condicionado, né?
Totalmente. Legal a história. Principal dele é a sustentabilidade, né? 10% mais econômico, 90% mais econômico que um ar-condicionado, né?
Sim. Tô com dinheiro, é isso aí. Sim. Bom, meu caro, que baita história, história de um empreendedor brasileiro aí. Você falou de coragem, né? Você falou primeiro de, sabe, de ambição, né? Da ambição. Ambição, cara, quero estar mais longe. Você tem um insight que te brilha no olho, é para aí que eu quero ir, né? Teve a coragem de tomar uma decisão complexa, foi complicada, não foi uma decisão de uma hora para outra. Deu sorte de encontrar um cara que trouxe oportunidade, estava pronto para ela.
Cara, Então isso faz toda a diferença, de ter uma companheira aí que aceitou a loucura, né? Então não tem ponto sem nóia, cara. Isso é uma construção e tomara que dê certo. Tá dando, né? Já deu, né?
Já deu, graças a Deus. Hoje estamos num patamar que não imaginava 10 anos atrás, né? Então começa a colher os frutos do que plantou, né? Acredito muito também nessa, na fé, né, respeitando a fé de cada um, né. Mas eu sou cristão, né, sou católico, então eu acredito muito nessa parte de colheita mesmo, né, que você plantou. Se você plantar o bem, vai colher o bem, né. Às vezes pode demorar um pouco, mas com certeza vai.
Tem muito diabinho no meio do caminho puxando o tapete. Bom, vamos lá, quem quiser encontrar você, encontrar empresa, quero comprar teu produto, quero conversar com você, quero sei lá, vai encontrar onde?
Hoje a gente tem o nosso canal do Instagram ali que é Smart Air Climatizadores, tudo junto, tudo junto, Smart Air, né, Smart Air Climatizadores, @smartairclimatizadores. O meu pessoal é Rafael NLG, M, M, L de Luciano, G de Gato. Isso.
Rafael MLG. Rafael com F, sem frescura. Rafael MLG. O site da empresa?
O site é smartairclimatizadores.com.br.
E ali?
E ali já vai ter todos os nossos contatos ali, é só entrar ali que já vai cair no pessoal do comercial lá para dar um apoio.
Maravilha. E eu não podia deixar de mencionar, né, Primeira ação de marketing pra valer que você fez foi patrocinar o Café com Leite.
Sim, pô, Café com Leite é um produto assim que, assim como os outros podcasts que você já toca, é um produto assim que desde o primeiro episódio que eu ouvi, falei: "Caraca, isso aqui tem muito valor", assim, né? Então, poder participar, poder patrocinar É uma honra pra gente, porque eu acredito muito nesse projeto. Porque se a gente não conseguir moldar a educação nesse país, ferrou, né? Não tem. Acho que a educação é a base, né?
É o alicerce pra tudo. Então, conseguir colocar na cabeça dos pequenos essa mensagem de valores e tudo mais que o café com leite proporciona, acho que de tremenda valia.
E se você terceirizar isso aí para o Estado ou para o algoritmo, os dois vão te levar para um buraco, cara. Tem que fugir desses dois. Essa é a proposta lá. Obrigado por estar aí com a gente, por aceitar. Cara, bem-vindo ao Lidercast, cara. Baita história de empreendedorismo aí.
Obrigado.
Orgulho de estar com você lá. E tá com a malinha aí? Sábado, depois da manhã, nós temos um webinar.
Sim, sábado temos encontro. Eu aproveitei agora essa viagem para visitar alguns clientes.
Maravilha.
Amanhã vou sair na correria visitar esses clientes, mas sábado estou de volta. Então, muito bom.
Abraço, tudo de bom. Valeu. Muito bem, termina aqui mais um Lidercast. A transcrição deste programa você encontra no lidercast.com.br. Você ouviu o Lidercast com Luciano Pires, mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafeabrasil.com.br.
Café com Leite
PodcastLidercast
PodcastSmart Air Climatizadores
Climatizadores evaporativos