LíderCast 416 - Fredy Machado - Vida pessoal x profissional
O convidado de hoje é Fredy Machado, que começou a trabalhar ainda adolescente, carregando caminhões numa empresa familiar. Ao longo de mais de 20 anos, tornou-se executivo, empreendedor e sócio de empresas no Brasil e no exterior, tornando-se diretor na organização da família, que chegou a ter mais de 8 mil funcionários. Uma angina, durante seus estudos em Harvard, interrompeu a corrida e mudou seu rumo. Depois de trabalhar em uma ONG nos Estados Unidos e escrever o livro É Possível, voltou ao Brasil com uma nova missão: ajudar pessoas e empresas a encontrarem seu verdadeiro norte por meio de uma liderança mais autêntica. Acaba de lançar seu novo livro, O Mito da Separação.
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- A Trajetória Profissional e a Relação com a FamíliaImpacto da mobilidade na infância · Dificuldades de adaptação cultural · Relação pai e filho no empreendedorismo · A busca por propósito e sentido na vida · Burnout e saúde mental · O mito da separação entre vida pessoal e profissional · Fred Machado · Luciano Pires
- Desafios do EmpreendedorismoCrescimento e gestão de grandes empresas · A Lava Jato e seus impactos · Corrupção no meio empresarial · Dificuldades de empreender no Brasil · Legislação trabalhista e seus riscos · Fred Machado · Luciano Pires · Petrobras
- Empreendedorismo e burocracia no BrasilRiscos e armadilhas para empresários · A complexidade do judiciário brasileiro · A importância de contratos e acordos entre sócios · Fred Machado · Luciano Pires
- Futuro do TrabalhoA demonização do trabalho · Burnout como CID e seus impactos · A responsabilidade do empresário na saúde mental · A nova geração e suas prioridades · Fred Machado · Luciano Pires
- Liderança e autoliderançaA importância da liderança autêntica · O processo de autoconhecimento · Vulnerabilidade e ambiente psicologicamente seguro · Fred Machado · Bill George
- O Papel da Fé e EspiritualidadeFé como ferramenta de enfrentamento · A busca por sentido transcendental · Fred Machado · Luciano Pires
Eu trabalhei duro, cara, muito tempo, mais de 40 anos, fiz sacrifícios, abri mão do tempo com a minha família, passei anos construindo meu patrimônio e agora eu olho para o Brasil, vejo essa instabilidade política, mudanças a todo momento nas regras, tudo imprevisível e olho para isso e falo: "Cara, e meu patrimônio?" Pra onde é que ele vai? Bom, eu descobri que eu posso me proteger em moeda forte investindo no exterior. Encontrei a Guardian Global Investments, que é o primeiro escritório brasileiro 100% focado em gestão patrimonial internacional.
Eles entendem que a gente não pode ficar refém da estabilidade do nosso país. Sabe qual é o diferencial? Você não precisa se preocupar com nada da burocracia. A Guardian cuidou de todo o planejamento estratégico, abriu minhas contas, Faz a gestão ativa, sucessão patrimonial, cara, tudo 100% legal e estruturado, com o respaldo de quem realmente entende do mercado global. A gente mantém controle total, mas com a tranquilidade de saber que o nosso patrimônio está diversificado, protegido e em moeda forte.
Pare de apostar no incerto, meu caro. Seu futuro financeiro merece mais segurança. Eu sei, já botei meus caraminguás com eles, cara. Converse agora com os especialistas da Guardian acessando guardepatrimonio.com.br. Vou repetir: guardepatrimonio.com.br. Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um Lidercast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. O convidado de hoje é Fred Machado.
Que começou a trabalhar ainda adolescente carregando caminhões numa empresa familiar. Ao longo de mais de 20 anos tornou-se executivo, empreendedor e sócio de empresas no Brasil e no exterior, tornando-se diretor na organização da família, que chegou a ter mais de 8 mil funcionários. Uma angina durante seus estudos em Harvard interrompeu a corrida e mudou seu rumo. Depois de trabalhar em uma ONG nos Estados Unidos e escrever o livro É Possível, voltou ao Brasil com uma nova missão: ajudar pessoas e empresas a encontrarem seu verdadeiro norte por meio de uma liderança mais autêntica.
Acaba de lançar o seu novo livro, O Mito da Separação, que discute a separação entre trabalho e família. Muito bem, mais um Lidercast. Eu sempre começo contando como é que o meu convidado veio parar aqui. Isso aqui foi um daqueles e-mails que chegam de assessorias de comunicação. "Ah, tô com um cara interessante." E aí uma dica interessante, você que tá ouvindo a gente e ficou interessado aí, né? Eu recebo muita sugestão de pessoas que vêm pra vir falar aqui e a maioria absoluta são empresas de comunicação que querem saber de business.
Então eles querem alguém que venha falar da empresa, do marketing, tudo. E essa não é a pegada do Lidercast, né? Eu, pra trazer pra cá, a gente, pô, deixa eu ver quem é, como é que é. Então o Lidercast normal a gente não aceita sugestão. E aí eu criei o Líder Cast Business, que é pra isso. No business a gente aceita sugestões e conversa e vamos lá. Mas mesmo assim não é todo mundo que vem, né? Quando eu vejo que o negócio é marketeação, eu falo: "Não vem." Mas se tem bala na agulha ou café no bule, eu falo: "Deixa eu." E aí eu vi um pouquinho da proposta, falei: "Pô, vamos lá." Combinamos diretamente de Jundiaí, né? 3 perguntas pra começar, que são as únicas que você não pode errar, o resto você pode chutar à vontade. É o seu nome, sua idade e o que você faz.
Bom, obrigado Luciano pelo convite, por estar aqui com você. Eu sou Frederico Augusto Arantes Machado, mas todo mundo me conhece como Fred Machado. Tenho 51 anos, sou de 29 de abril de 1975, nascido em Joinville, moro em Jundiaí por escolha e eu sou, estou hoje como palestrante, consultor, executivo, empresário E um apaixonado por gente.
Você é daqueles que quando a pessoa pergunta: "O que você faz?" Você fala assim: "Você tem tempo?" "Quantos minutos eu posso falar?" "Me dá um tempo aí que eu tenho pra introduzir." Isso é um puta problema, aconteceu comigo, cara. Quando eu saí da empresa, eu falei: "Meu, e agora, cara?" Tudo que eu falava era um pedacinho, né? A hora que você quer abraçar, não dava. Então, até hoje é um problema isso, né? Você nasceu em Joinville?
Nasci em Joinville.
Nasceu lá mesmo?
Nasci lá, meu pai é engenheiro mecânico, né? Então meu pai do Rio de Janeiro foi para Uberlândia, Minas Gerais, fazer faculdade de engenharia mecânica, casou-se com a minha mãe, casou-se e já entrou numa empresa de engenharia e começou a rodar o trecho. Então eu nasci em Joinville, meu irmão nasceu em Patos de Minas e nós moramos em mais de 19 cidades pelo Brasil aí rodando o trecho.
Cara, como é que é isso? É uma loucura! Eu nasci em Bauru, vivi em Bauru até os 18, vim para São Paulo e estou aqui desde lá. Então são duas São dois núcleos, né? Como é que você faz, cara, quando você não fixa raiz num lugar e passa por 19, cara? Como é que faz?
Olha, eu vou falar para você o seguinte, que para mim isso foi já um grande desafio internamente, né? De não ter raiz, de não criar raiz, de não ter proximidade com a família, que a família da minha mãe é de Minas, do meu pai é do Rio, e a gente sempre morando longe das famílias de origem. Mas com o passar do tempo eu descobri que isso foi um dos maiores presentes que meu pai e minha mãe puderam dar para mim e para o meu irmão.
Que nós somos pessoas adaptáveis, sociáveis, relacionais devido muito a isso. A gente não tinha outra opção. Então tinha lugares que a gente mudava no mesmo ano, saía de um lugar e ia para o outro lugar. Então você tinha que chegar na escola, você tinha que fazer amigo tudo de novo, você tinha que começar a jogar futebol, basquete, andar de skate com a turma que tava ali fazendo isso. E a obrigação que você tinha era de se relacionar, porque na minha época ninguém ia fazer isso por mim.
Ou eu faria ou não teria muito espaço. Então foi muito desafiador no primeiro momento. Quando saímos de Jundiaí, fomos para Salvador, que foi o lugar que nós moramos mais, maior período de tempo, né? Foi o mais sentido porque nós já éramos um pouco mais velhos, eu e meu irmão. Então sentimos muito a mudança. Foi a primeira vez que nós saímos de cidades relativamente menores, fomos para uma cidade grande. Morávamos sempre em casa, casas de bairro.
Fomos morar num apartamento recém feito sem muita gente, sem muita criança para brincar, sem muita— uma escola completamente diferente da escola que a gente estudava, que estudava no Divino Salvador em Jundiaí, escola de padre. Fomos para uma escola de bairro em Salvador, onde pela primeira vez na minha vida eu escutei um porra dentro da sala de aula. Aí vim descobrir que na Bahia porra é vírgula. Então todo mundo falava, minha mãe, minha mãe foi na diretoria da escola perguntar isso.
A diretora falou assim: amiga, você chegou na Bahia, porra aqui é normal, né? Então assim, a gente, e A gente soube lidar com essa diversidade cultural, a gente aprendeu muito com essa diversidade cultural, que nós moramos praticamente nos 4 cantos do país.
Sim, sim. Que interessante isso, cara, uma visão interessante. Pra quem como eu só teve duas, a raiz está fincada em dois lugares, né, e é interessante. Eu tenho um cunhado que fez isso também, depois de velho, né, casou, foi trabalhar na Shell e aí foi morar em Salvador, Rio de Janeiro, São José do Rio Preto, São Paulo, Campinas. Conta também, que loucura cada vez, né? Mas legal. Você tem irmão?
Tenho um irmão mais novo.
Tá. Você, que que teu pai e tua mãe fazia? Você falou que teu pai era?
Meu pai engenheiro mecânico.
Tá.
Meu pai trabalhava numa empresa grande de engenharia na época, de construção e montagem e manutenção industrial, eletromecânica. Começou como engenheiro, né? E aí pela habilidade, competência dele, foi criando, foi galgando espaços na empresa até se tornar sócio dessa empresa que ele trabalhou a primeira. Legal. E ele era muito apegado ao presidente dessa empresa, um italiano, o senhor Otello Gazzoni. O senhor Otello tinha esclerose múltipla, e aí em determinado momento a doença avançou demais.
Ele é daqueles italianos bem, né, duros, não aguentou conviver com aquilo e acabou tirando a própria vida. A empresa migrou para viúva e para alguns outros diretores que ficavam aqui em São Paulo. Nessa época meu pai já estava lá em Salvador, ele tinha ido para—
já era sócio?
Não, já era sócio. E ele tinha ido para Bahia para montar a filial da empresa que daria apoio à construção do Polo Petroquímico de Camaçari. E nesse momento, quando começou a desviar um pouco da linha de atuação, da forma com que a empresa era conduzida, meu pai olhou e falou assim: bom, acho que já não caibo mais aqui nessa estrutura, vou sair montar a minha própria. E foi quando ele saiu e montou a empresa dele na mesma linha, mas com base em Salvador.
Que ano era isso?
Isso era 1990 e... ai meu Deus, 1995, 1992, 1993.
1992, isso é logo depois do Collor, final do Collor.
Isso aí. Acho que no Collor a gente já passou por um aperto com aquela confisco da poupança, ele tinha saído da empresa e tava abrindo a dele, a gente já passou algum aperto ali.
Sim.
Posso estar me equivocando com as datas, mas foi nessa época.
Aí ele montou um business, montou um negócio.
Montou um negócio. No mesmo ramo, né, de atuação. Sim. Logo depois, a outra empresa, ela de fato não aguentou, sucumbiu, porque a gestão que assumiu lá não foi profissional e não deu conta de tocar. Ele montou o negócio dele, montou o próprio negócio.
Como é que era o teu apelido quando você era criança?
Cara, eu tive um monte de apelido. Eu tenho um irmão meu, amigo. Isso que é outra coisa boa também, Luciano. Como eu tenho, eu morei em vários lugares, eu tenho amigo em todo lugar. E graças a Deus eu não tenho ex-amigo. Sabe, eu sou uma pessoa que eu mantenho as minhas amizades. Eu tenho um irmão, Fábio, ele já me botou tudo quanto é tipo de apelido: Globossauro. O que ficou mais, que pegou mesmo foi Sapo, né? Sapo? É, porque, né, meu irmão nasceu em Patos de Minas, então meu irmão era o Pato.
E aí, como eu era gordinho, usava o óculos tartaruga redondo assim e tal, aí ele falou assim: bom, já que aqui a sua casa é uma lagoa, porque tem o pato, então tem que ter o sapo também.
Aí eu fiquei como sapo.
É o meu apelido.
O que o sapo queria ser quando crescesse?
Assim, a minha história de... Eu já quis ser de tudo um pouco, né? De bombeiro a jogador de futebol.
Faça um pouquinho aquela garrafa lá, só empurra pra lá. Isso, pronto.
De bombeiro a jogador de futebol, jogador de basquete, skatista, né? Tudo isso. Mas assim, eu fui um péssimo aluno de escola. Não era um bom aluno da escola, tanto é que eu bombei um ano e aí meu pai me colocou para trabalhar carregando caminhão lá em Camaçari, na Bahia, no verão.
Carregando caminhão? Trabalho braçal?
Isso, isso. E comia marmita debaixo da boleia do caminhão com os peão e assim. E eu me dei muito bem com tudo isso por essa trajetória de mudança e ter que ficar se adaptando a tudo, né? E para mim foi uma maravilha. Ele pensou que aquilo para mim era um castigo, mas na verdade eu adorei fazer aquilo.
Tem um entrevistado que veio aqui, cara, que foi sensacional. Ele me falando o seguinte, que o pai dele trabalhava com obra, aquela coisa toda, e que foi trabalhar com o pai dele. Chegou lá, o pai dele pega uma pá e você vai cavar, ó. Cava um buraco assim, assim, puta buraco. E o moleque foi lá, cara, e foi, puta dureza, cavou o buraco inteiro. Chegou: "Pai, tá pronto." "E agora?" "Agora tampa o buraco." "Como assim?" "Tampa." "Que isso que eu tampo o buraco?" E foi lá e tampou o buraco.
"Por que você?" Ele falou: "Para você entender que esse aqui é o lugar que você não deve ficar. Para você saber que não é aqui que você tem que ficar. Você tem que ser muito melhor que isso. Não vai fazer o que eu fiz da minha vida. Vai sofrer agora para ver como é ruim isso aqui e vai estudar e vai arrumar um negócio mais digno, né?" Mas com você deve ter... Ele tentou fazer isso e não deu certo.
Não, na verdade assim, eu adorei fazer aquilo, né? Eu me sentia útil, né? Fazendo alguma coisa que para mim fazia sentido. A escola para mim não fazia sentido. Aí hoje, por muitas vezes, eu conversando com a minha filha, minha filha: pai, mas para que que eu tenho que estudar química? Não vai servir para nada. Eu penso comigo, mas de fato não vai servir para nada na sua vida, porque você não vai ser engenheiro química, você não vai ser, sabe?
Mas tem que estudar. Então aquilo, eu tomei gosto por aquilo, né? E aí fui capengando na escola até tentar entrar numa faculdade. E aí foi um sapeco para entrar na faculdade, porque porra, não tinha base. De estudo, e entrei na faculdade de matemática. Porra! Aí eu falei: mas o que que eu vou fazer com a faculdade de matemática, né? Só que aí eu falei: bom, pelo menos se eu perder meu réu primário, eu não vou para cadeia comum, se eu tiver o diploma, né?
Aí eu falei: não, mas isso não é o que eu quero. Aí tentei mais uma vez a faculdade de administração de empresas. E aí eu acho que pela segunda, terceira, quarta lista, sei lá, conta vigésima lista que foi, eu entrei na Faculdade de Administração de Empresas, aí eu larguei matemática e comecei a fazer administração. E ali eu comecei a descobrir o gosto pelo estudo.
Você voltou atrás, você tinha perdido um ano, você tinha bombado um ano. Isso. Na faculdade você fez quanto tempo de matemática?
Só um, só um ano.
Mas mesmo assim você perdeu mais um ano.
Perdi mais um ano.
Perdeu mais um ano.
Perdi mais um ano. Perdi mais um ano, mas assim, hoje a gente fala perdeu, né? Mas eu acho que eu ganhei, porque ali foi acumulando. Nós homens, a gente demora muito para ter maturidade, né? Eu acho que eu ainda tô nem na metade do meu copo de maturidade. Naquela época não tinha nenhum copo ainda. Então assim, para mim ainda tava formando muita coisa na minha cabeça. E a questão de entrar na faculdade já trabalhando me deu muito argumento, porque eu pegava tudo que eu estudava na faculdade, eu ia para empresa E tentava colocar lá pra funcionar e eu via que na prática não funcionava.
Eu voltava pra escola e falava assim: "Ó, isso que você ensinou não faz sentido." Sim. E aí eu tinha uns embates muito legais com os professores, porque a grande maioria dos professores da minha época eram somente professores.
Sim, só tinha teoria.
Só tinha teoria. E eu levava muito a prática. E aí levava meus amigos pra fazer trabalho dentro da empresa. Então assim, foi muito bacana. Tudo isso, né? Isso me deu uma bagagem muito boa, tanto é que eu me formei como um dos melhores alunos da escola de administração.
Pô, que legal! Do péssimo aluno lá, foi? Que legal, cara! Normalmente não é assim que acontece, né?
Vai péssimo o resto da vida, né?
Pegou, seu pai deve ter ficado satisfeito, né? Pô, o filho tirou o certificado, né? E aí, cara, tinha um bichinho dentro de você para você ser dono da firma também?
Então, isso é uma coisa que é sempre delicado falar, né? Porque na verdade, quando eu tava, quando eu comecei a trabalhar, eu não tinha a menor ideia do que era aquilo. Quando eu entrei na faculdade, comecei a ver o que eu tava entendendo e vendo na faculdade, comecei a ver que talvez não fosse aquilo que eu queria. Talvez eu precisava de outras experiências com aquilo ali, tanto é que Muito tempo depois eu vim descobrir que eu não tava vivendo a minha vida ou o meu sonho, eu tava vivendo o sonho do meu pai. E que super legítimo por parte dele ter esse sonho.
Ele te deu cargo na empresa? Você galgou?
Na verdade eu comecei carregando caminhão, eu fui passando por todos os setores da empresa, eu passei por todos os setores, troquei telhado, fui encanador, fui caldeireiro. Soldei, fui administrativo de obra, fiz tudo, tudo até me formar, porque isso era uma coisa que ele falava: "Você só vai assumir algum cargo de chefia aqui se você se formar." Eu me formei na Unifax, a universidade lá da Bahia, e pensei comigo: "Porra, o que é um diploma de uma universidade de administração privada na Bahia?
Não vai acrescentar muita coisa, com todo o respeito a tudo isso." Aí eu resolvi fazer uma pós-graduação fora do Brasil. Eu queria ir para Harvard, porque era meu sonho ir para Harvard, só que eu não tinha nem dinheiro nem QI para ir para lá. Aí eu fui para Hayward, que é na outra costa. Harvard é em Boston, lá em cima, né? E Hayward é lá em cima também, só que na costa oposta, na costa oeste, na entrada do Vale do Silício, ali perto de San José e etc. Aí fui estudar, isso em 2000. Voltei e aí de cara já assumi um papel.
Você fez a pós lá?
Fiz.
Saiu de lá com a pós em?
Em Marketing Internacional e RH.
Legal.
E aí eu fiz essa, e aí voltei, no que eu voltei assumi já um cargo de gerência na empresa. E aí a coisa começa a ficar mais complexa, porque eu via certas coisas acontecendo na empresa ia debater e discutir isso com meu pai, e aí o pau comia, porque ele não aceitava assim ser desrespeitado dentro das diretrizes dele. Fiz o MBA aqui no Brasil porque o que eu tinha estudado nos Estados Unidos fazia muito sentido para aquele mercado de lá naquele momento.
Fiz o MBA aqui para dar uma tropicalizada no meu conhecimento e baixar um pouco também para o que era a situação de cá. Isso eu fui pegando mais conhecimento e aí eu comecei a falar: bom, já que aqui na empresa eu não posso fazer isso, eu vou começar a fazer em outros lados. Aí abri outras empresas menores com amigos, me influenciei em associações, fundei a Associação de Jovens Empresários de Salvador, fui conselheiro da Confederação Nacional de Jovens Empresários, me tornei coordenador de RH da ABM, Associação Brasileira de Montagem Industrial, Aqui em São Paulo.
E aí eu fui me envolvendo em diversas outras coisas onde o meu conhecimento naquele momento era, era, falar respeitado é muito duro, mas era mais ouvido, vamos dizer assim, porque dentro da empresa não era.
Seu pai, ele devia ter um sonho de sucessão na empresa, que seria um filho dele, né? Não sei se você ou seu irmão, mas seria um filho dele, né? Isso não incomodou ele vendo você desviar a tua atenção do core business de vocês, cara?
Veja, o meu irmão, ele foi na empresa uma única vez, ele ficou lá durante meia hora e teve a coragem de chegar para o meu pai e falou assim: isso aqui não é para mim. E foi embora. Meu irmão, ele teve esse ato de coragem.
Sim.
Todas as vezes que eu falava, porque na minha cabeça eu pensava assim: eu preciso fazer uma outra coisa fora daqui porque eu só conheço isso aqui. Para eu ter outras visões, para eu conseguir implementar essas outras visões aqui. E aí todas as vezes que eu ia dar esse grito de euforia, olha, eu tô saindo, vou para outro lugar, aí minha mãe chegava e falava assim: "Oh, se você fizer isso, você vai matar seu pai de desgosto. Seu pai tá fazendo isso para você e tal." Mas eu não tô pedindo isso para ele, isso não é o meu sonho.
Então assim, meu pai ele dava a corda Mas sabe aquelas coleiras de cachorro que tem um limite que vai até lá e depois volta? Ele dava a corda mais do tanto que ele podia puxar de volta. E de novo, ele não tava errado, tá? A cabeça dele era— o sonho dele era esse: vou fazer meu filho e tal. Só que era o homem, né? É uma— eu sempre falo isso, sempre sou criticado. O homem é um desastre completo em relação a certas situações. Ele tinha isso, uma visão completamente egocêntrica da parte dele.
Ele tava pensando mais nele do que em mim, e ele não tinha tempo de me formar porque a empresa era muito grande, atuava no Brasil inteiro. Ele tinha outros. E aí eu brinco com uma coisa, Luciano, que de vez em quando a gente fala umas coisas meio polêmicas, mas também paciência, né? Tem uma hierarquia no mundo. Sim, hierarquia é advogados e seus, né, desembargadores, juízes, Excelências, etc. Os médicos e todos os engenheiros e todos eles, Deus e o resto.
Então eu tava numa empresa de engenharia que eu era o resto, porque a gente tinha uns 7 sócios, dos 7, 6 eram engenheiros e eu era o único que não era engenheiro. Então tudo que eu trazia, pô, teve uma vez que eu cheguei lá e tive a brilhante ideia de reunir toda a minha equipe administrativa, toda inteira, e pedir feedback para eles. "Como é que eu tô atuando? Vocês estão gostando da forma? Tem alguma coisa que eu preciso melhorar?" Cara, quando meu pai ficou sabendo disso, eu só não apanhei porque eu já era grandinho.
"Mas você é maluco, tá pedindo coisa de feedback? Isso não funciona em empresa de engenharia." Falei: "Cara, mas funciona no mundo inteiro, por que que não vai funcionar aqui a gente?" Então a gente tinha um pouco desses embates, sabe? E óbvio, dentro da estrutura que ele teve Eu não culpo mais.
Cara, você tem uma visão mais humanista, e que é natural, tá? Que o pessoal sempre reclama hoje em dia: "Pô, essa geração nova, esses caras que vêm com esse papo de proteção à natureza, essa coisa toda." Cara, quem é que ensinou essa molecada a ser mais humanista? Fomos nós, cara, porque a gente tinha um discurso, né? Então, seu pai, querendo ou não, né, ele fez você para ser melhor que ele. Sim, sim. E esse ser melhor que ele significa abrir a cabeça para coisas que na educação dele... E cara, você falou um negócio certo, ele não estava errado.
Não.
Era a visão dele, era o que ele tinha lá.
Como é que vai chegar para um cara que levou a empresa até onde ela estava e falar: "Oh, está tudo errado, o que vale é o que vem agora." Como você pegar um cara, filho de uma família onde tinham 5 mulheres, o pai do meu pai faleceu, meu pai tinha 3 meses de vida, E foi um dos caras que chegou a carregar tijolo quente, trabalhou em olaria com 9, 10 anos de idade. O cara saiu desse lugar para montar a empresa que chegou a ser a 8ª maior empresa do Brasil. Meu pai tem todos os méritos, todos.
Foi a maior, 8ª maior empresa do Brasil em montagem e manutenção industrial. Que loucura, cara! Que ano era isso? Você falou que era 90 e pouco.
Isso foi quando ele fundou a empresa, né? Então a gente chegou, a gente veio devagarzinho, pequeno, foi crescendo, crescendo, crescendo. Nós chegamos em 2006, 2007 nessa posição.
2006, 2007. Então você saiu do Collor, você passou pelo Sarney, pelo Itamar, depois você pegou o FHC duas vezes, Lula 1, Lula 2, e aí quando Quando tudo isso se formou, meu pai tinha uma visão muito clara de tudo que ele queria.
E assim, eu acho que o grande erro que nós tivemos, e aí é o que eu falo para muitos dos empreendedores, a gente tem o visionário, o cara que sabe o que quer, onde quer, mas ele tem que ter do lado dele é o pinkie, o cérebro. Ele tem que ter um cara do lado que vai pegando esse sonho e vai colocando ele numa esteira que ele seja factível de ser feito. Meu pai, ele tinha o sonho, ele tinha a energia de fazer as coisas acontecerem, ele tinha uma turma que sonhava e só obedecia o que ele fazia, e ninguém que questionava ele a não ser o filho.
Então isso, isso para ele foi muito difícil também, não foi fácil para o meu pai. Então, porra, mas ele criou uma puta de uma empresa que até hoje dá frutos aí, né?
Que tamanho é isso? Quando você fala puta empresa, que quantos funcionários?
Chegou a 8 mil funcionários no Brasil inteiro.
Coitada, cara.
Chegamos a 1 bi de faturamento, isso era uma das maiores brigas que eu tinha com ele.
1 bi em 2006?
Em 2008.
1 bi em 2008?
É, e era uma das maiores brigas que eu tinha com ele. O indicador dele era faturamento, eu falava: "Cara, não é faturamento, é resultado. Não adianta você faturar 1 bi e ter prejuízo de 500 milhões. Vamos faturar 500 e ter resultado de 50, é muito melhor." "Não, eu quero faturar, faturar." Porque era a métrica que se falava na época. Mas nós chegamos a isso, cara.
8 mil funcionários, bicho, e você com formação em RH.
É isso aí, meu Deus do céu. E eu tentando implementar, a gente implementou bastante coisa legal.
Então, mas com esse tamanho vocês estavam trabalhando para o governo, inclusive?
Para o governo? Governo a gente só trabalhava para Petrobras, que é empresa mista, né? Mas a gente não fazia obras de estrada de rodagem, pavimentação, não. A nossa era eletromecânica, estrutura metálica, vaso, torre, trocador de calor, essas coisas mais da parte elétrica e mecânica, menos da parte civil.
E o que houve com a empresa depois de chegar nos 8 mil?
A empresa, a gente foi crescendo, né, e começou a incomodar os donos do país. Aí teve aquela famosa Lava Jato, né. Da Lava Jato, nós não entramos no esquema de dividir o país como as grandes fizeram. Inclusive, está registrado na Revista Veja, tem reportagem, tem tudo mais. E aí, por não termos participado...
Peraí, tem reportagem falando de vocês?
Falando que os contribuintes brasileiros deveriam agradecer às empresas que nunca fizeram parte do cartel. E a nossa empresa tá lá.
Ah, botaram o nome desse... Botaram o nome lá.
Eu tenho isso aqui guardado assim, eu tenho a revista guardada e tenho isso guardado assim.
Quer dizer, posso explorar um pouquinho isso aí? Pode, pode. Quando você fala assim, não fizeram parte do cartel, É porque houve oportunidade para isso.
Sim, sim, claro.
E essa oportunidade, eu não sei se ela apareceu, tipo assim, numa mesa de jantar, todo mundo conversando, ou se de repente chega um emissário na tua, entra na sala de vocês, senta lá, vamos conversar um pouquinho, trocar uma ideia. Como é que é isso, cara?
Na verdade, assim, essas pessoas na época, elas não se expunham nesse ponto, né? Eles mandavam recado. E os recados geralmente eram recados bem duros. Tipo assim, você ganhou uma licitação de forma legal, lícita, e eles iam lá por debaixo do pano e fazia você perder a licitação, e você não tinha nem como questionar aquilo, porque tava tudo costurado em cima. Então assim, e aí quando nós chegamos e começamos a perceber isso, eu na época eu era conselheiro da Associação Brasileira de Montagem Industrial, que a sede era aqui na Avenida Paulista em São Paulo, E essas conversas elas rodavam e rodavam e as pessoas falavam e a gente via isso sendo dividido entre as grandes nestas mesas.
E chegou o convite mesmo de participar. Aí a gente falou: "Não, a gente não vai participar disso, a gente não quer ficar, a gente não quer ser do tamanho de vocês, a gente não quer atuar no mercado que vocês atuam, isso não é pra gente, deixa a gente fazer o nosso trabalho aqui." Só que quando você fala isso, E você foi convidado, aquela mesma coisa. Puta, eu tô com você, tamo aqui conversando, combinando de matar um cara ali.
Se você virar um arquivo ambulante, você vira, né? E aí esses arquivos tem que ser de certa forma calados. Você não vai participar, não vai participar de nada. E na época tinham pessoas extremamente arrogantes, né, que hoje tudo isso é público, tem filme, tem tudo, documentário, e que fizeram isso conosco, né? Foram massacrando a gente aonde podia. Até estourar a Lava Jato, e quando estourou a Lava Jato, aí é tipo assim: qual o mercado que você faz parte?
É o de engenharia? É? Você trabalha para Petrobras? Trabalha. Crédito zerado. Como é que você faz um crédito zerado para uma empresa que trabalha 30 dias pagando folha, duas folhas de pagamento, alimentação, transporte, saúde, plano de saúde, impostos, e só recebe com 60? Porque para trabalhar Petrobras e Vale era isso na época. Você trabalhava 30 dias, media e recebia com mais 30. Tanto é que eles faziam, eu fiz isso, né? Você emitia a nota, entrava num guichê ali, aí no guichê do lado você antecipava.
Então o resultado financeiro da Petrobras era tão grande por conta dessas antecipações que eles cobravam, que era agiotagem mesmo, né? De antecipação de nota, porque você precisava do dinheiro.
Esse guichê era o guichê da própria Petrobras?
Da própria Petrobras. Só que aí depois, com o advento dos governos que vieram, Eles tiveram uma grande sacada, falaram assim: "Gente, por que que nós estamos fazendo isso? Vamos fazer os fundos e os fundos antecipam e a gente dá uma capilaridade maior, em vez de antecipar só para um ou outro, a gente antecipa para todo mundo e vamos ganhar dinheiro." E assim foi feito.
Então construíram uma operação financeira gigantesca que desemboca nos Master, nos bancos Master.
Isso, vai desembocando em tudo que tem dinheiro.
Aliás, que nasceu lá na Bahia.
Nasceu na Bahia.
Começou na Bahia.
Credsexta e Sexta do Povo, etc. Então a nossa empresa acabou que sucumbiu.
Eu tô me coçando aqui, cara, mas se eu fizer para você as perguntas que eu quero fazer, eu vou partidarizar a conversa, depois vão me acusar aqui. Mas eu vou te contar uma coisa aqui, eu tenho meu mastermind, né, e tem vários empresários, você vai estar num deles agora para falar com a gente, né, e um deles é um empresário lá do Norte e Nordeste. Um dia ele chegou numa reunião nossa e falou: "Vou botar um assunto na mesa aqui, me ajudem, né?
Eu trabalho com a parte de informática e TI, alguma coisa assim, presto serviço pra tudo quanto é empresa, inclusive empresas do governo." E, cara, mudou o governo, mudou o partido, eu não preciso dizer qual partido que assumiu, e esse partido, os caras, os emissários vieram falar comigo, sentaram na minha mesa e falaram: "A partir de agora tem mais 30% aí." para você continuar, né? E ele falou: cara, eu nunca fiz na minha vida, não tô me sentindo bem para fazer, e se eu não fizer eu vou perder esse time, vou quebrar, e eu tô jogando na mesa aqui.
O que que vocês fariam no nosso lugar? E aí virou uma puta discussão. Mas o que ficou muito claro lá é que numa mudança de gestão, ele falou: até então, cara, eu era avaliado pela minha competência técnica, minha capacidade, eu ganhava as concorrências. Porque eu era o melhor, cara, e eu fazia trabalho para todo mundo. De repente, isso não valia mais nada, cara. Valia se eu desse uma propina para o cara. Isso é a corrupção, é um câncer, né? Ela toma conta de tudo.
E aí, cara, a nossa empresa foi a única empresa a fazer uma parada de manutenção na planta da Petrobras em Paulínia com emissão zero de carbono. E essa emissão, nós zeramos a emissão de carbono plantando árvores aqui em Bugaçu com uma ONG de jovens dependentes químicos. A nossa empresa ganhou, e eu falo ganhou porque a gente sempre perdia ou pra Braskem ou pra Petrobras, anos consecutivos melhor estágio e melhor empresa de trainee pra engenharia.
A nossa empresa, ela sucumbiu com 4 anos de balanços auditados pela PricewaterhouseCoopers sem uma ressalva. A gente tentou fazer tudo certo, a gente tentou fazer tudo direitinho, jogar nas 4 linhas. Mas assim, quando você tem alguém muito maior que você, é que nem você botar o Poitin para lutar com o Zé Aldo, não tem como, entendeu? A gente tá falando de UFC, é você jogar, pô.
Com o Cyril Gane já deu uma merda. Pois é, imagina, né?
Então assim, é botar o Embiid do San Antonio Spurs para marcar, sei lá, eu que tenho 1,92m, o cara tem 2,28m. É, não tem como.
Você está ouvindo o Lidercast, um podcast voltado para liderança e empreendedorismo. De onde veio este, tem muito mais. Por exemplo, a minha mentoria MLA, Master Life Administration, um programa de treinamento contínuo em que reunimos pessoas interessadas em conversar sobre temas voltados ao crescimento pessoal e profissional. Comunidades online oferecem conexão, compartilhamento, apoio, aprendizado e segurança. O MLA é mais do que isso, é um mastermind para profissionais, com encontros mensais presenciais e online, promovendo uma sensação de comunidade e uma troca muito valiosa de experiências.
Olha, tem vagas disponíveis. Se você se interessa em estar comigo, acesse mundocafebrasil.com.br e clique no link para saber mais. Quando a gente começa a falar de Brasil é complicado, porque cada lugar que você mexe tem uma merda gigante correndo lá, né? E nós estamos falando de um negócio que é básico, né, cara? Que é a corrupção entronhada, enfranhada em todas as categorias e chega num ponto tal em que ela cria um sistema que ele se autoprotege.
Então quando você entra alguém lá e fala assim: eu vou mudar isso aqui, Esse cara é expelido, cara. Esse cara é esmagado.
Ou assim, eu não quero participar.
Sim, você não tem opção.
Lembra quando os pais da gente falava: você não fica andando com aquela turma que fuma maconha, que você vai ficar com fama de maconheiro?
Sim.
Então assim, eu não quero fazer parte dessa fama. Deixa eu fazer meu trabalho quietinho aqui. Ou você faz parte ou você tá fora. E o tá fora é simplesmente acabado. E isso vai tudo—
só para terminar essa nossa— o exemplo que eu te dei, né? A decisão desse meu, desse Cara conversou com a gente, ele saiu do negócio, cara. Falou: "Não vendo mais, não participo mais de nenhum negócio que envolva entidades públicas. Eu só trabalho com..." Caiu o faturamento dele, reduziu o tamanho da empresa drasticamente, mas ele falou: "Cara, senão eu não ia dormir à noite." E aí: "Porra, cara, eu estou sendo penalizado porque eu quero ser honesto, quero fazer o meu trabalho." Porra, isso é uma doença, isso é um câncer.
E aí a gente daqui a pouco vai entrar no tema do nosso papo aí. E aí ainda vem alguém falar para você que você tem que conseguir separar vida pessoal e profissional. Sim, fala para esse cidadão aí para separar. Ele não dorme, não tem como, ele não vai, ele vai chegar em casa, ele não vai dormir. E possivelmente, obviamente eu não o conheço, mas se fosse, se você comenta isso com certas pessoas hoje, você vai ser taxado, você é um puta de um idiota, tá todo mundo fazendo isso.
Sim, sim, sim.
"Ah, tá bom, amigão, prefiro ser um puta de um idiota do que não dormir." Cara, deixa eu te contar um caso que aconteceu comigo uma vez.
Não envolve corrupção, nada disso, mas é um exemplo muito legal disso que você acabou de falar aí. Eu fui fazer uma palestra para um cliente meu. Nem me lembro mais quem era o cliente, mas era uma empresa grande. Cheguei lá na hora da palestra, "Tabico, como é que eu faço? Fecho a palestra? Quanto tempo eu tenho?" Eu negocio o tempo da palestra antes de ir. E normalmente eu tenho uma puta encrenca porque eles querem menos do que eu quero.
Eu quero fazer, eu tenho 1 hora e meia. Negociei com os caras, a palestra era 1 hora e 20. Maravilha, vou pra lá com tudo pronto. Na hora de eu subir pra fazer, vem uma menina da empresa e falou: "Ah, você precisa reduzir pra 30 minutos." Eu falei: "Não, eu negociei com vocês 1 hora e 20." "Não, não, vai reduzir pra 30 minutos, não tem mais tempo." Eu falei: "Bom, então eu não vou subir pra palestra." "Não, não vou, cara, eu vim com ela pronta aqui, armada, você não pensa que eu tiro um pedaço?" "Não vou fazer." Puta confusão, chamaram o diretor, o diretor veio e falei pro cara: "O diretor, não, você vai fazer com 1 hora e 20, não foi negócio?" "Foi." "Sobe e faça." Fiz a palestra com 1 hora e 20.
"Ah, foda-se se os caras erraram lá, né?" E aí eu fui comentar isso com um amigo meu, uns dias depois. E esse amigo meu virou pra mim e falou: "Cara, você é trouxa, bicho." E eu falei: "Por quê?" Ele falou: "Cara, sobe lá, faz meia hora, ganha teu dinheiro e foda-se." Eu falei: "Cara, mas pera aí, você tá achando que eu fui lá pra ganhar dinheiro, cara?" Eu, quando eu subo num palco ali, o dinheiro é a última coisa, eu nem lembro.
"Aliás, pra falar a verdade, eu nem faço parte da negociação. Eu quero ir lá entregar a minha ideia, eu quero entregar um..." Então se eu tenho 1 hora e 20 minutos montada, aquilo foi pensado.
Estudado.
Não foi pra chegar: "Não, cara, faz meia hora." E aí depois, conversando com outro palestrante, ele falou pra mim: "Eu prefiro fazer meia hora 10 vezes do que 1 hora 5 vezes. Então se o cara pedir, eu faço com 10 minutos, com 15 minutos, com 20 minutos." Eu falei: "Cara, mas..." Bicho, aí juntando isso que você falou, né? Se a minha visão fosse só de business, foda-se, é 20 minutos, eu faço 20 minutos, dane-se. Mas não é, e eu não consigo separar uma coisa da outra.
Se eu fizer só business, eu não vou estar feliz, eu sei que vai me custar caro eu ter feito um pedaço, quando eu descer eu vou estar infeliz e não vou conseguir separar uma coisa da outra, né? E aí esse amigo meu que estava falando com a gente aqui, imagina, A situação dele, cara, ele passar uma situação angustiante, ele chega em casa angustiado com aquilo que está acontecendo na empresa, aí a filha vem brincar, ele está puto da vida, ele vai sobrar para todo mundo, ele vai brigar com a mulher dele, ele vai acordar de manhã, vai comer mal, vai se ferrar. Não tem como separar, cara.
E é isso, Luciano, que eu demorei muito para descobrir tudo isso. Então, fazendo uma uma mudança aqui, né? Então eu falei para você que eu tinha um sonho de ir para Harvard, né? E esse sonho ele não baixou. E tanto é que quando eu voltei, eu comecei a estudar e comecei a passar os desafios maiores que eu passava na empresa. Fala assim, cara, mas eu preciso saber mais, conhecer mais. Eu fiquei 5 anos tentando, aplicando para Harvard, tomei bomba 5 anos, até que um dia alguém falou assim, vamos ligar para esse tonto aí que tá querendo vir para cá de qualquer jeito, fazer entrevista com ele para saber, porra, por que que ele tá tanto insistindo em vir, né? E aí fiz entrevista e consegui ir para o primeiro curso em 2010.
Foi?
Consegui ser aprovado para o primeiro, fui.
Quanto tempo lá?
Esses primeiros que eu fiz, uma semana, duas semanas, aí depois uma semana, uma semana, duas semanas, e depois três anos sendo um mês lá, direto lá. Eu fiquei seis anos indo para lá, que a primeira vez que eu fui, depois aí tirou da frente, né, aquele bloqueio, e aí a coisa andou. E aí eu descobri em 2013, eu tive um burnout lá, e é nessa época eu tava com a vida assim completamente pirada.
2013, que idade você tinha?
Eu tinha 38 anos.
38 anos, isso.
Você na empresa do seu pai aqui, na empresa do meu pai, tocando mais outras 7, 8 empresas que eu queria em paralelo, menores, sim, com associações, com várias coisas que depois eu vim descobrir que tudo isso era fuga para eu me provar bom, já que aonde eu estava eu não era considerado bom. Mas não é que eu não era considerado bom, era só um cabo de guerra ali, né? Só que, porra, demora para se conhecer.
E aí você vai para Harvard, onde não é só sentar e assistir uma aula, né? Não dá para ficar no celular brincando ali. Lá o negócio é para valer.
Lá é para valer. O primeiro treinamento que eu fiz foi bem Primeiro curso foi bem interessante, o segundo foi de liderança autêntica, que foi onde me destruiu por inteiro, né? Foi quando eu conheci o Bill George a primeira vez e fiquei apaixonado por ele. Tive uma relação de empatia muito grande. Então assim, puta, foi amor mesmo à primeira vista. Tanto é que na entrega do diploma eu dei um abraço nele e um beijo. Falei assim: ó, professor, deixa eu te falar uma coisa, no Brasil eu trato assim as pessoas que eu admiro, respeito e amo.
E o senhor se tornou uma dessa em uma semana. Então, tanto é que é meu amigo até hoje, deu depoimento no meu livro. Sou o único brasileiro certificado por ele para fazer a metodologia da liderança autêntica em português.
Que legal!
Ele me certificou em 2018. Então, e aí em 2013 eu comecei a fazer o curso que era o meu sonho, que era o OPM, que era como se fosse um pós-MBA para donos e presidentes de grandes empresas, 150 donos e presidentes de grandes empresas do mundo inteiro por 3 anos. E eu chego lá em 2013, puta, feliz da vida de ter sido aprovado, mas a empresa já com certa dificuldade, a gente passando por um processo de venda para uma empresa alemã.
Eu contratei uma empresa, uma das Big Four, que o sócio de M&A não sabia falar inglês. Eu tava negociando com a empresa alemã do outro lado, na primeira reunião eles já perceberam que o sócio não falava inglês e concentraram tudo em mim. Então, além de tocar as empresas, além de tocar a minha casa com a minha ex-mulher em depressão pós-parto, minha filha com 3 anos de idade passando por todas as dificuldades possíveis e imagináveis.
2013?
2013. Também já era Dilma, né, nessa época.
2013 era Dilma e no ano seguinte ia ter um 7x1 lá que era pra fechar o caixa.
Exatamente. É isso mesmo. E aí Eu passando por tudo isso, chego lá com 150 kg, dormindo 2 horas por noite, 2, 3 empresas fora do Brasil, as empresas aqui no Brasil, tudo fazendo, trabalhando que nem um retardado, que era essa, era isso que eu via, tinha que trabalhar muito.
E teu pai?
Meu pai trabalhando também, né, a empresa do tamanho que tava, e meu pai ele nunca foi Vou usar, eu tenho que tomar cuidado para não usar nomes, né? Mas meu pai nunca foi um showman, ele nunca foi de aparecer, ele não gosta disso, ele gosta de trabalhar. Até hoje tem 78 anos de idade e se ele ficar parado ele pira. Ele é um cara de trabalhar. Então assim, ah, tem que receber prêmio, não sei onde, vai lá, não tem paciência para isso.
Ah, mas tem que fazer uma palestra, vai você. Não tem paciência para isso. E aí ele ficava pensando onde é que ia ter um emprego, onde é que tem obra, onde é que ia ter não sei o quê, como é que tava e tu, como é que tava pionzado, como é que tá. Ele ficava nessa, nessa loucura da—
eu perguntei dele porque para mim ele tinha que ter tido um burnout antes de você.
Mas ele teve, ele teve, só que na época não era burnout, né? Meu pai teve, porra, angina, foi parar no hospital com problema de coração, teve vários piripaco, só que Na época, eu, quando eu tive em 2013, eu passei por 12 médicos para saber o diagnóstico de burnout.
Lá?
Aqui, eu voltei, né? Lá o meu diagnóstico foi angina, eu tive um problema no coração, pré-infarto, tanto é que adormeceu o braço, desmaiei, pressão gigantesca, aquelas coisas todas. Pelo cateterismo a coisa dissolveu e fluiu, né? E aí eu comecei a tomar conta.
Você fez lá o cateterismo?
Fiz lá.
Você teve uma angina em inglês então?
Tive angina em inglês. E aí, parênteses, né? Eu brinco que foi a primeira vez que eu tive contato com a morte 3 vezes. A primeira vez foi quando eu comentei com um amigo e falei assim: cara, eu tô passando muito mal, tô passando muito mal, meu braço tá dormente, não sei o quê. O cara falou assim: você tá tendo um ataque do coração. E para mim, ataque do coração na minha idade, vou morrer, né? E aí, quando você fica sabendo disso, não melhora, te dá uma piorada.
Aí eu cheguei numa antessala lá onde tinham alguns médicos participando também, empresários, e eles tiraram minha pressão. Eu só lembro disso, ele tirava a pressão, olhava para minha cara, tirava a pressão, olhava para minha cara. Eu assim: porra, tem alguma coisa errada. Aí eu apaguei, apaguei. Aí quando eu voltei, já tinha paramédico, já tinha segurança da faculdade, gente pra caralho. Me botaram numa maca e fizeram 3 acessos em mim.
E já começaram a me dar remédio. E o policial do lado perguntando: "Você usou droga? Você fez isso? Você fez aquilo?" Bom, não tinha usado droga porque eu nunca usei, tinha tomado meia taça de vinho porque eu não aguentei beber, não aguentei comer. Isso foi interessante, porque eu nem consegui beber, nem consegui comer. E aí, no que eles estavam me levando, saindo dessa sala para entrar no elevador para descer e botar na ambulância, me derrubaram na maca.
Aí no que derrubaram da maca, saíram os acessos e aí foi sangue para todo lado. Aí quando os cara tavam chegando, o pessoal ficou sabendo, né? Quando vieram do corredor assim, que viram eu no chão, aquela montoeira de sangue, teve um que falou assim: nossa, o Fred morreu! Puta, será que eu morri mesmo? Já tô viajando aqui, não tô sabendo o que tá acontecendo. Foi o segundo. O terceiro foi a médica americana, aquela doçura de ser humano que não dá para ser mais gelado do que o médico americano, que depois de fazer alguns exames e tal e detectar, ela falou assim: olha, não vamos precisar abrir seu peito, não é caso cirúrgico pelo que a gente viu, pelas imagens, pelos exames de enzima e tal, pelo cateterismo vai resolver, mas você precisa ficar internado.
E eu ainda no meu modo ataque, falei: minha querida, 'Vou ter aula amanhã, que mané ficar internado? Tem que ir para aula.' Ela falou: 'Se eu te der alta, pode ser que amanhã você não acorde vivo, é uma escolha sua.' Você não tinha sacado ainda? Não tinha percebido a gravidade que era o negócio. E aí passei lá o meu tempo no hospital. E a saída foi interessante, que foi um médico indiano que me deu alta, que deu um livro assim de exame, tudo que eu tinha feito, me explicou tudo tecnicamente.
E quem tava comigo me acompanhando, eu fiz muita amizade com os indianos na faculdade, né? E o Piyush tava lá. E o Piyush, ele é ainda hoje ministro de Minas e Carvão Mineral da Índia. E ele ficou no hospital comigo nessa parte final. E aí o médico veio, um médico indiano, reconheceu ele, porque aquela casta, né? Porra, o cara é ministro do meu país e tal. Trocaram uma ideia lá na língua dele. E aí ele falou, o Piojo falou para mim: Fred, ele quer falar com você as coisas que a gente acredita na nossa religião, da nossa cultura, nossa religião.
Ele pode? Eu falei: perfeitamente. Tava doido para sair do hospital, tava querendo qualquer coisa. Ele vai falar, eu vou embora. Vai falar, você vai embora. Então pode falar. E o cara começou a falar um monte de coisa. E para finalizar com chave de ouro, ele falou assim: o seu problema é que você tá infeliz. "Infeliz, e essa infelicidade vai te matar." Caralho, como? Eu tenho tudo, pô. Tenho dinheiro, tenho, porra, tenho tudo.
Você tá infeliz. E aquilo ficou na minha cabeça, né? E aí depois eu voltei e descobri que de fato eu tava infeliz. Tanto é que isso foi aos 38, aos 40 eu tinha saído da empresa, desfeito as coisas que eu tinha.
Você voltou e eu voltei.
Aquilo Esse acontecimento foi um gatilho muito forte, até porque eu só lembrava do rostinho da minha filha. Sim, como é que a minha filha vai crescer com pai que morreu porque tava infeliz fazendo uma coisa que eu não gostava? Para quê? Qual o sentido que vai ter isso de vida para ela? E aí eu comecei a buscar o sentido de vida para mim, né? Aos 39, aos 38 para 39, foi maio Então aí eu fiquei ainda mais 2 anos ali tentando organizar as coisas para sair de tudo.
Eu não queria mais nada daquilo e fui fazer terapia, fazer atividade física, fazer exame, enfim, fui fazer todo o processo que demorei 38 anos para fazer, entender que de fato não tava bem, não tava feliz. Não cheguei a ter depressão, pânico, nada disso, mas eu não tava bem.
Aí você resolve fazer um...
Aí eu volto, resolvo entender o que estava acontecendo comigo, fazer terapia e tal. Resolvi escrever o primeiro livro, que é possível se reinventar e integrar a vida pessoal e profissional.
Você saiu da empresa do seu pai?
Saí, saí de tudo. E aí foi quando, enfim, a empresa veio a quebrar e tal.
Você terminou Harvard?
Terminei, terminei em 2015, eu me formei. Tenho meu diploma, sou ex-aluno, foi o lugar que de fato mudou minha vida. E aí comecei essa nova jornada depois dos 40, né? Eu comecei esse novo ciclo da minha vida que é trabalhar com propósito, com propósito de transmitir esse conhecimento, essa vivência, essa experiência e a parte técnica também que eu vim adquirindo.
Então, mas aí tem um processo, né, cara? Você tava jovem de montão, você tava com 40 anos de idade. Isso. 40 anos é um garotão ainda, né? Você tá, você nem entrou na melhor fase ainda, você tá na decolagem ainda, né? Mas quando você decide, então, vou parar aquilo que tá me deixando infeliz, eu tenho que encontrar o que me deixa feliz, né? Que que foi isso, cara? Foi um processo de reflexão gigantesco, você foi para um retiro, que que você fez, cara? Agora eu tenho que encontrar o propósito. O que que você fez?
Na verdade, foi interessante porque na época não tinha essas coisas, não era muito famoso isso, né, de retiro e tal. Eu tava no, como você falou, no processo. Então foi muito difícil, pai. Eu passei um tempo bem perdido depois que eu saí da empresa. Aquilo que você falou, porque os 40, é como você falou, né, a gente tava começando a subir, mas eu comecei a subir com 20. Eu antecipei muito. Do que tava dessa vida que poderia começar aos 40, antecipei para os 20, para os 25.
Então abrindo empresa fora, participando de processo de venda de empresa, empresa faturando 1 bi, tomando conta de um monte de coisa.
Então assim, então aí com 39 anos de idade, cara, você com esse puta monte de coisa que você fazia, teu celular devia ser um pandemônio, cara. Era recado a cada 2 segundos, era ligação, era um pandemônio. E de repente você corta isso tudo E no dia seguinte o celular não toca mais?
Não, continua tocando, continua tocando para algumas coisas, mas é como eu te falei, eu passei um tempo meio anestesiado, sabe Luciano? Sem saber muito o que estava acontecendo. Aí eu debrucei nesse negócio de correr para escrever esse livro, para compartilhar essas ideias, para compartilhar essa experiência, para começar a trabalhar com isso. Então comecei a correr atrás de fazer palestras, fazer contato com as pessoas que eu conhecia.
Ir para dentro das empresas, principalmente conversar com sucessores de empresas familiares, com os filhos, questionar essas pessoas, questionar os pais.
Você montou um outro negócio?
Eu não montei, eu abri um CNPJ porque precisava emitir nota. Mas eu tinha ficado bem traumatizado com essa coisa de empresa muito grande. Então assim, hoje sou só eu.
Então você entendeu a minha história que eu te contei?
Entendi perfeitamente, perfeitamente. Perfeitamente, porque eu fiquei muito traumatizado com isso, né? Depois que a empresa quebrou, aí vem os processos trabalhistas, né?
Agora a empresa do seu pai, a empresa dele, tá? E ela quebra porque a partir do momento que ela resolve não entrar no esquema, ela começa a perder.
É porque a empresa, o negócio da gente era capital humano e financeiro intensivo. Você precisava de gente e dinheiro, você precisa se financiar ali. Não tem, a não ser as empresas que faziam tudo que fizeram, não tem como você sustentar uma empresa dessa se você não tiver um financiamento de capital de giro em cima disso.
Com R$8 mil na folha de pagamento, meu Deus do céu, cara.
Exato, você chegava no final de ano, novembro, era pagar uma folha de 13º com salário de R$70 milhões, R$80 milhões de reais, uma folha, fora imposto. Então era uma coisa bem absurda assim, bem gigante. Então passei esse tempo e aí eu falei: "Bom, não quero mais morar em Salvador." "Eu vou sair de Salvador, eu vou voltar para Jundiaí, que é o lugar que eu tenho como referência afetiva, que é o lugar que eu fui feliz uma parte da minha vida." Peguei a ex-mulher na época, com a minha filha, viemos para cá e aqui eu comecei a batalhar pesado essa coisa do livro, da palestra, das empresas e comecei até aí.
Espera um pouco, vamos investigar, investigar, que tem um personagem nessa história. Importante. Como é que você chegou para o seu pai e falou: pai, tô fora?
Quando eu voltei de viagem, né, eu voltei, cheguei.
Eles souberam que você tava lá?
Não, ninguém soube de nada.
Você não contou para ninguém?
Não contei para ninguém. Eu, quando no meu trajeto da faculdade para o hospital, na ambulância, eu conversei com dois amigos que estavam comigo, eu dei todas as orientações. Apenas e tão somente se eu tiver risco de morrer, você vai avisar para o meu pai, o telefone dele é esse daqui.
E a esposa?
Não, imagina, ela tava em depressão pós-parto. Se eu falo isso para ela, matava ela e minha filha junto aqui, né? Então, e aí eu, quando eu cheguei no hospital e eu fiz os primeiros exames e descartaram a cirurgia e eu fiquei bem, aí eu falei, porra, não avisa para ninguém. Aí eu liguei para uma pessoa, que a Carolina Polônia, que é minha comadre, eu sou padrinho da filha dela, que é médica. Expliquei tudo que tava acontecendo para ela, mandei alguns exames que tinham saído o resultado.
Ela falou: fique tranquilo, quando você voltar, você vai chegar aqui num dia, no outro você vai para essa médica aqui, a gente vai fazer isso, isso, isso, isso, mas fique tranquilo que não vai acontecer mais nada com você. E aí foi assim que foi feito. Então eles não souberam, eles só souberam quando eu cheguei.
Então seu pai não foi nem preparado para o que viria na sequência?
Não. Mas aí quando eu cheguei, eu juntei todos em casa, falei tudo que aconteceu, expliquei todo tal, tal, tal, Deu a primeira notícia: olha, passei por isso, foi pesado. E como eu tinha caído, né, eu tava com aqui a mão e o braço não era roxo, não era preto, porque você imagina, a agulha era profunda para pegar a veia profunda para dar remédio. Aquilo foi arrancado, então ficou preto aqui, né. E aí eu conversei com eles, expliquei tudo.
Puta, minha mãe chorando, meu pai, minha ex-mulher, todo mundo chorando, aquela confusão. E aí eu deixei passar uma semana da primeira notícia e aí eu fui conversar com meu pai. Falei assim: "Ó cara, você me desculpa, mas não dá para mim mais. Aqui é o seguinte, se você falava que se eu saísse você ia morrer, pode ser que eu morra antes de você sair. Então eu não quero mais." E aí ele ainda tava meio impactado, coitado, com a notícia de eu ter quase passado, quase morrido lá, né, e tal.
E aí ficou tudo bem, ficou entre aspas tudo bem. Ele falou: "Não, beleza, deixa tudo organizado, bota alguém no seu lugar aí e tal, só não me deixa na mão de uma hora para outra e vai tocar sua vida, vai fazer o que você quer fazer e segue sua vida." Então foi super tranquilo. Coitado, ele ficou meio assustado também, né?
Imagino.
Ele ficou assustado. E aí eu venho para cá, a gente lança o livro em 2018. Em 31 de dezembro de 2017, um amigo meu me liga, fala assim: Fred, tem uma oportunidade para você vir trabalhar comigo aqui em San Diego na ONG do Squash Urbano, você vem? Falei, cara, eu tava ainda, puta, patinando, as coisas não tava acontecendo, falei, cara, o casamento ruim, ruim, falei, puta, é uma oportunidade de eu sair, ir para um país trabalhando com visto de trabalho, com tudo tranquilo.
Minha filha vai ter uma experiência fora, minha mulher, eu morando lá legal, bonitinho. Foi fechado, topei, vamos nessa. San Diego, San Diego, vamos lá trabalhar com a ONG chamada Access Youth Academy, uma ONG que faz ali esporte, squash, criança carente e educação. Então a gente pegava as crianças das comunidades melhorava o GPA delas, né, melhorava estudo, melhorava as notas delas da escola e treinava squash. Porque squash é o único esporte que tem todas as Ivy Leagues nos Estados Unidos, times, só que tem vaga, porque ninguém quer, porque não é um esporte sexy.
Sim.
Então a gente treinava essas crianças, colocava eles no nível bom de escola e no nível bom de squash, e eles iam com full scholarship nessas escolas grandes e transformava de fato a vida das crianças. Fiquei lá de 18 a 19, volto para o Brasil, falei: bom, agora eu vou voltar de novo, né? Pandemia, aí buraco de novo. E aí eu afundei nas pesquisas de autoconhecimento e de todo esse processo de como fazer isso acontecer. E vão aparecendo as pessoas na nossa vida e vão encaminhando aí a A rotina, né?
E aí o ser humano virou moda de novo depois da pandemia, né? Porque a gente ficou muito tempo aí naquela questão de se equiparar a máquina, startup, rede social, etc. Vem a pandemia, coloca o ser humano no foco de novo. E aí com isso vem todas essas questões ligadas à saúde mental, né? Que eu falava inclusive isso com meu irmão, fala assim, ó, pandemia vai ter vacina, Coronavírus vai ter vacina, daqui a pouco isso vai estar teoricamente equalizado, mas a saúde mental, meu amigo, é um problema que já tá vindo lá de trás, essa vai ser pesada, pesada, pesada, pesada, e tá sendo, né?
E aí nós, eu venho batalhando nisso, eu desenvolvi uma metodologia de trabalho para as empresas de como tratar esse assunto.
Você foi buscar alguma formação? Psicologia, terapeuta, alguma coisa assim?
Não. Eu não fui buscar isso, eu fui buscar autoconhecimento, eu fui buscar embasamento técnico dentro das metodologias que eu utilizo, inclusive de mapeamento pessoal, dessas ferramentas de entendimento do meu comportamento, para daí começar a aplicar isso dentro de algumas metodologias, aplicar isso para as pessoas. E aí chegamos aqui hoje para conversar sobre isso também, que a gente agora, um mês atrás, lançamos um novo livro, O Mito da Separação, que é o que eu venho batendo há muito tempo, que não tem como separar vida pessoal de vida profissional.
E trazer um pouco de uma visão diferente do que está sendo colocado aí de NR1, de saúde mental, e colocando essa culpa aí para os empresários pagarem de novo.
Você, quando abraçou essa tese do mito da separação, Vamos falar um pouco disso aí, né? Essa coisa da separação do trabalho para a vida pessoal, naquele mundo lá atrás até dava para você compreender, né? No momento em que eu boto no meu bolso o smartphone, acabou, encerrou. Não, no momento em que eu ganho um laptop, acabou, né? Porque aí eu começo a arrastar para minha casa o trabalho e levar minha casa para o trabalho. E a hora que eu boto o smartphone no bolso, acabou, cara.
Eu tenho antigamente, eu tinha que ter um telefone em casa, uma linha fixa, e se bobear alguém me liga. Agora não, cara, eu tô conectado todo tempo, né? Pita a pandemia, home office, aí virou uma zona total e misturou tudo de vez, né? Então não tem mais como você separar uma coisa para outra. Quando pega um cara maduro como eu, para não dizer que é velho, né, Juventude acumulada. Que vivi aquela parte, tudo, que é muito estranho isso agora, né?
Porque você, cara, eu vejo o pessoal não aguentando porradas que pra mim não dói nada, né? Apanhei pra cacete, tem nada. E eu vejo o pessoal hoje em dia lidando com coisa e falo: "Cara, mas pera aí, você tá se doendo com uma bobagem dessa, né?" Que pra mim, que fui forjado na porrada lá atrás, você aguenta, né? Mas juntaram algumas coisas que a partir de 2010, né? 2010 populariza o smartphone, 2010 as redes sociais ganham uma presença brutal, passam a...
E a partir de 2010 o tal do algoritmo começa a tomar conta para chegar, desembocar no que nós temos hoje em dia, né? Que é esse bicho aqui, ele não é mais ferramenta, sou eu, eu sou. Esse celular aqui sou eu. Se eu perder esse bicho aqui, acho que ninguém me acha mais, né? Então ele sou eu, a minha dinâmica de vida, ele tá presente o tempo todo, por mais que eu não queira, né? Ele tá presente, eu preciso dele para sobreviver. E aí eu sou exposto a todo tipo de bobagem que antigamente eu tinha que procurar, né?
Eu precisava ir até agora? Não, cara. Fez um barulhinho aqui, eu peguei, já começou a aparecer na minha Pô, eu sou um merda, cara. Eu quero... Olha o avião que esse cara tem, olha o navio que o outro tem, olha a namorada que o outro tem, olha a viagem que o outro tá fazendo. Eu sou um bosta. Olha a empresa bem-sucedida, olha o cara ganhando 1 milhão por mês fazendo... Como é que é? Vendendo... Olha a Natália Beauty vendendo 150 milhões por ano fazendo marketing digital.
Cara, eu sou um merda. Que puta pressão, bicho. Que puta pressão. E eu imagino que se eu tô sofrendo isso com volta dos meus 70 anos, Imagina essa molecada nova que vai olhar isso aqui com desespero do "eu também quero" e vai trombar com um mundo que não vai dar essas oportunidades que ela tá achando que estão presentes aqui, né? Como é que, que tipo de armadura emocional eu tenho que ter, cara, hoje em dia? Acho que é muito maior do que eu tinha na minha época, cara.
Na verdade, assim, eu tenho algumas visões para falar sobre isso. A primeira coisa é Não é que essa geração agora ela é isso ou aquilo em relação à nossa que foi aquilo ou aquilo outro. É só diferente. É só diferente. A nossa equação, a minha equação foi: estuda, trabalha, arranja um bom emprego, compra sua casa, casa, tem filho, paga escola dos filhos, compra uma casa na praia ou no campo, faz umas viagens internacionais uma vez ou outra, Trabalha, trabalha, trabalha, com 65 anos você vai aposentar e vai ser feliz.
Essa foi a equação que eu fui criado, possivelmente você e muitos, meu pai, etc. A geração mais nova quando chega, ela inverte isso. Porque ela não quer comprar essa quantidade de coisa que a gente queria comprar. Não quer comprar casa, não quer comprar casa de campo, ela pode usar. Na nossa época a gente não podia fazer o que a gente pode fazer hoje. Você entra aqui no aplicativo, você aluga uma casa em Campos de Jordão, vai passar 10 dias lá, não precisa ser sua.
É a mesma coisa, você pode ir para praia, mesma coisa, você aluga, não precisa ser sua. O carro, você mora aqui em São Paulo, você não precisa de carro. Você quer um carro fazer uma viagem, você aluga, aparece na porta da sua casa, não precisa ser seu. Então eu acho que isso fez com que essa geração ela fosse mais imediatista do que a nossa. A nossa, a gente sabia que a gente tinha que gramar bastante para conseguir as coisas.
Essa agora, ela sabe que não precisa gramar tanto, né? Por mais que ela não precise de 100 dinheiros para comprar alguma coisa, ela pode por 1 dinheiro usar aquela coisa que custa 100, por tempo que ela quiser, e ela se satisfaz com esse 1 dinheiro, né? Então tem esse processo aqui. O segundo processo é, de fato, essa geração agora ela não teve muito do suporte emocional e construção emocional que nós tivemos. Por falta de presença dos pais que estavam aonde?
Trabalhando. Pra fazer o quê? Que eles falam, pra dar vida boa para os filhos. E os filhos pediram? Ou eles queriam a presença dos pais? Então tem muito trade-off que foi feito aí durante toda essa evolução e passagem de gerações, que aí eu trago muito desse tema falando sobre a terceirização da responsabilidade. Nós temos que assumir a nossa responsabilidade nesse processo. Essa geração tem que assumir o papel dela de responsabilidade também, para que todo mundo seja bem acomodado dentro das suas responsabilidades.
Não é que eles não aguentam porrada. É porque na nossa época a porrada servia de A a Z. Hoje a porrada serve para A de uma forma, para B de outra, e você vai no abecedário inteiro até chegar no Z com formas diferentes de porrada, e umas mais suaves, outras mais pesadas. Tem gente que só trabalha voltado para o dinheiro, tem gente que precisa de outras coisas que não é só o dinheiro. Só que nós criamos um arcabouço não só de legislação trabalhista como de estrutura empresarial, que a gente quer que a mesma coisa sirva para todo mundo, e não vai servir, não vai servir.
Então, de fato, hoje a gente precisa ter um arcabouço uma saúde mental mais desenvolvida para que a gente consiga transitar pelas diferenças. E quando eu falo diferença, não é diferença dessas óbvias de cor, de sexo, de gênero. Não, não é isso. As diferenças de pensamento mesmo. Hoje a gente se irrita muito facilmente com alguém que pensa diferente da gente na internet. E eu vi uma coisa que o Cortella tava falando esses dias, o Cortella não, o Clóvis de Barros, Antigamente você demorava um mês para ter 10 pessoas te enchendo o saco com o que você falava e que não concordava de você.
Hoje, a partir do momento que você colocar esse podcast no ar aqui, em minutos pode ter 1 milhão de pessoas metendo pau em nós dois. Então assim, e se você ficar sentido com tudo, o pensamento é: é só diferente. E não é que eu tô 100% certo, Não, até não tem nem pretensão de estar, mas eu tô aberto a ouvir a sua opinião, ouvir a opinião do outro, e se agregar a opinião que eu tenho fizer sentido, a gente pode discutir, pode chegar uma conclusão até de melhorar essa opinião, mas não precisa ficar disputando toda hora o que é melhor, o que é pior, quem sabe mais, quem sabe menos. Então penso que nós todos precisamos cuidar bem da nossa saúde mental.
Então essa tua opinião conciliatória, né, aplicada na sociedade da treta, é complicado, né?
É muito complicado, é complicado.
Eu acho até, até para você advogar essa tua posição, você não vai achar muito interlocutor, não.
Não. E outra coisa, e eu falo isso como até uma vontade, mas nem sempre eu consigo fazer isso também. Às vezes eu caio na porrada também, porque eu sou ser humano e eu não tô aqui pregando que eu sou perfeito. Eu não sou coach e mentores do Instagram aí que pregam a perfeição, ficam disputando quem tem o relógio mais caro, avião maior, o carro mais bonito, e vai mudar sua vida e não consegue mudar a própria, que é um bando de falido mentalmente falando.
Pode estar com o bolso cheio de dinheiro, mas emocionalmente falando e mentalmente falando, é um bando de falido. Então é difícil, extremamente difícil, mas eu tenho convicção de que as pessoas que forem se conhecendo fazendo um trabalho de autoconhecimento, entendendo quais são as suas limitações e aonde elas precisam procurar ajuda de complementação. Nós estamos transitando, Luciano, eu espero que a gente esteja transitando para a era da cooperação e não da competição.
Acho que a gente tá vendo que competir não vai levar a gente para muito lugar, sabe? A gente precisa cooperar mais. Eu sou bom em uma coisa, você é bom em outra coisa. O que nós dois podemos fazer juntos em prol daquelas pessoas que estão ali precisando da gente?
Ontem, anteontem, o Elon Musk fez o IPO da empresa dele, se tornou o primeiro trilionário do planeta e fez um monte de milionário na empresa dele, inclusive o cara do torno. Eu estava vendo hoje um dos caras do torneiro mecânico Ganhou $870 mil, o outro ganhou $13 milhões, ou seja, ele compartilhou aquilo na empresa dele e fez um monte de milionário junto com ele. Isso é uma visão do compartilhar, eu tenho aqui, tenho uma riqueza, não peguei ela toda para mim e eu estou dando para todo mundo porque o desenho do business permite, o que ele fez lá permite.
É claro que ele joga numa liga diferente, numa liga que a gente não vou nem chegar perto dela, mas é uma liga diferente onde estala um dedo e tá falando em bilhões e trilhões ali, né? Mas tem uma visão, ele tá criando riqueza, está criando riqueza e está distribuindo essa riqueza, né? Mas volta para o nosso dia a dia aqui, onde não está o seu Elon Musk, não tem o Elon Musk aqui para nos deixar ricos, né? E eu tenho aqui uma puta de uma dificuldade, cara, porque tem uns 12 boletos na minha mesa esperando para eu pagar amanhã.
E se bobear, tá acumulado com boleto do mês passado, que teve alguns que eu não consegui pagar. Então eu tô desesperado, eu preciso pagar, cara. E numa dessa, bicho, eu não tenho tempo para ficar pensando em autoconhecimento. Sai, bicho, preciso trabalhar, cara. Para com essa conversa, preciso trabalhar, né? Esse é o rolo compressor, porque ele me mantém preso num sistema do qual eu sou refém dele. Eu não tenho simplesmente como dizer: "Não, para tudo, vou cuidar da minha saúde e depois eu volto." Não, quando eu voltar acabou o mundo, né?
Como é que você lida com essa? Tem uma espécie de evangelização que você tem que fazer aí pra dar valor a isso que você tá dizendo e a pessoa entender que: "Cara, eu sei, eu tenho meus boletos, mas esse lado aqui, se eu não cuidar dele, eu não vou conseguir nem pagar os boletos porque eu vou ficar doido aqui e não vou..." né?
É a roda do rato, né? É aquela roda do rato que você Sabe aquela aula do Hamza que ele fica rodando? Sim, sim. Você falou uma coisa no que eu estava ouvindo ali no YouTube, que é sobre a fé. Lembra que você falou da sua história quando você era pequeno, você ia para a igreja, comungava e tal, e teve um determinado momento que você parou? Você chegou à conclusão que a fé é algo que ataca diretamente o seu raciocínio.
Vou fazer 70 anos daqui a alguns dias, né? E, cara, se com 70 anos eu não encontrei uma fé, eu acho que não vou encontrar nunca, eu vou morrer sem fé, né? Mas eu não coloco isso como algo definitivo, né? Eu coloco o seguinte, fala: cara, eu acho que em algum momento uma chavinha vai— e eu conheço um monte de amigos que a chavinha aconteceu, aconteceu um momento que houve uma iluminação e a pessoa entendeu que no transcendental estava o futuro e a verdade. Que eu acho que é o que aquele médico indiano fez com você.
Sim, sim.
Ele trouxe para você o transcendental, cara. E a hora que ele te contou aquilo tudo Falo: "Cazzo, esse cara foi buscar lá no lugar onde a gente não toca a explicação para aquilo que eu tô vivendo aqui." Eu acredito sinceramente nisso, né? Tanto que eu não tenho problema nenhum com quem tem fé. Eu admiro, cara. Admiro e falo: "Cara, mesmo que eu não tenha a mesma fé que você, eu sei que a tua fé vai estar provocando em você uma série de ações que vão me atingir, entendeu?
Então você vai ser bom e tá se comportando no André porque a fé fez você ser assim." E eu admiro. Falo: "Pô, que legal, cara." Se ela te ajuda, por favor, tenha, tenha mais. E não me importa que tipo de fé, se ela está te ajudando a ser uma pessoa melhor, por favor, eu não quero que isso acabe, eu não quero que interrompa. E o que eu coloquei naquele programa foi isso, né? Eu falei: então vai chegar um momento em que eu acho que em algum momento vai aparecer.
Talvez eu não tenha ainda hoje porque eu estou ocupado demais com os boletos, entendeu?
Não deu tempo. Mas aí voltando para o que você estava me falando, essa palavra evangelização, sim, para isso que eu tô falando, ela não cabe, porque não é isso. Porque cada um tem seu tempo nesse processo, cada um tem o seu tempo, e o meu é diferente do seu, que é diferente de todo mundo que tá ali. Eu vivo a mesma situação que você, né? Pode ser que uma das diferenças seja que quando o boleto chega para mim, eu tenho que ver se a minha conta tá desbloqueada para poder pagar.
Bom, né? Cada um tem Assim, a gente vai navegando nisso. Mas o que que acontece? Se você deixa entrar tão pesadamente nessa roda do rato, né, e fica só pensando, você vai morrer. Pode ser que não seja hoje, pode ser que não seja amanhã, mas vai chegar. Não é sustentável viver assim. Então o que eu penso é, antigamente falar sobre esses assuntos Era falar sobre o transcendental, era falar sobre o sobrenatural, era coisa de papo de RH, né?
Abraçar árvore, cheirar nuvem, viver do céu. Hoje em dia isso tudo é mensurável. Hoje você consegue mostrar para as pessoas como elas estão, o nível de estresse que elas estão e aonde isso vai levar elas. E se você chega, se a pessoa tem um mínimo, um mínimo de humildade, ela reconhece isso. E ela vai buscar um apoio, né? Terapia, conversas, né? Porque as conversas hoje são muito rasas. Você vai numa roda hoje de conversa, a partir do momento que você discorda de mim, eu já não quero ouvir você, eu vou falar o que eu quero.
Essa disputa é que tá tornando a gente uma sociedade ainda mais rasa. O meu ponto de vista é, primeiro, é falar para as pessoas o seguinte: olha, gente, Não adianta você querer separar a vida pessoal e profissional, porque essa é balela, você não vai conseguir. Esse é o primeiro ponto. A partir deste ponto aqui, vamos fazer o seguinte: se o pau que dá em Chico dá em Francisco, você tá apanhando dos dois lados e você não vai aguentar por muito tempo isso.
Então esse é o primeiro momento. Então o segundo momento é: se isso tá acontecendo, para de terceirizar a responsabilidade para o outro. Veja qual é a sua responsabilidade no processo. Eu por muito tempo fiquei culpando meu pai. Hoje eu não culpo meu pai mais. Ele fez o melhor que ele podia fazer por mim e fez muito bem feito. Eu não seria o homem que eu sou se não fosse por ele e pela minha mãe. A culpa de muita coisa é minha, não é dele.
Mas demorou 50 anos para eu descobrir isso. A partir do momento que você se autorresponsabiliza, começa a ver o que na sua vida não está encaixado. Tem uma grande mentora minha, a Márcia Lerina, que ela fala: "Se está pesado, está errado." Então, se tem alguma coisa que tá— não é que nem, ah, não, mas meu trabalho, eu vou mudar de trabalho, eu vou fazer— não é isso. De repente você pode fazer o seu trabalho, mas faça de uma forma melhor.
Ao invés de você passar metade do dia querendo arranjar confusão e fazendo fofoca e atrapalhando a produtividade do outro, pega o seu trabalho e faça. E se você achar que o seu trabalho tá demorando só metade do dia para fazer, peça mais trabalho para você fazer. Você tá sendo pago para trabalhar 8 horas. E aí, com todo esse contexto, ainda vem a OMS, ainda me faz uma cagada gigantesca, que é colocar o burnout com o CID e voltar isso apenas e tão somente pelo excesso de trabalho, que é a maior cagada que ela podia ter feito.
Tem muita gente ouvindo a gente aqui que não vai entender o que você falou aí, botar o burnout como CID.
Isso, a OMS, que é a Organização Mundial da Saúde, ela transformou o burnout em CID, que é o Código Internacional de Doença. Ela transformou o burnout como uma doença. A doença, sim, só que a descrição desse CID é excesso de trabalho, que essa doença advém do excesso de trabalho. Ela cria isso, e aí isso vem para o nosso querido Brasil, que em 2022 reconhece esse CID. O que acontece a partir de 2022? Explode atestado de burnout para tudo quanto é lado.
Os queridos médicos do trabalho, que não tem muitos que não consegue desencravar sua unha do pé, começaram a tacar testado de burnout à torta e à direita. Isso vai pesar na Previdência Social do Brasil. E o que que o governo faz? Vamos fazer um adendo à NR-1, que agora as empresas têm que cuidar da saúde mental dos seus funcionários. Isso aí virou um desespero completo. É mais uma conta para o empresário pagar, que não é culpa dele.
Ah, Fred, mas tem muito empresário que, pô, machuca o funcionário, que é tóxico, que dá porrada na mesa, que tem, tem, mas não são todos. E essas pessoas com o tempo elas não vão ter mais quem trabalhe para eles. Então essa história toda eu tô contando porque a gente tá chegando num ponto agora onde tá existindo uma demonização do trabalho, né? As pessoas estão demonizando o trabalho onde tudo e qualquer coisa é burnout. Tudo e qualquer coisa eu tô de atestado de burnout, sem saber o que que é.
Mas vai acabar agora o 6 por 1 e vai piorar, porque o cara que não for trabalhar ele vai arranjar um bico para fazer, para ganhar dinheiro.
Vai ter uma responsabilidade nova, né, cara?
É tudo, é tudo assim, é, são absurdos tão gigantescos, eu não sei como é que esses caras têm a capacidade de produzir tanta merda. E é isso, atrapalha diretamente os empresários. Eles estão— eu tenho feito algumas palestras em algumas associações, os caras estão desesperados. Que que acontece? O sindicato chega na cabeça do funcionário e fala: agora você tem que falar para o seu patrão que tem que botar um psicólogo aqui dentro para cuidar da sua saúde mental.
Só que a lei não fala isso, não tem que botar psicólogo, não tem que cuidar dos seus problemas que você traz de casa. Tem que cuidar se houver algum problema que é causado dentro da empresa. Então assim...
Mas com a legislação brasileira, cara, eu tenho... Me contaram essa semana, não vou me lembrar quem me contou, de um casal amigo que tem uma empregada. A empregada estava vindo para o trabalho e atravessou a rua fora do sinal e tudo mais, veio um motoqueiro, pegou ela, Motoqueiro morreu, ela se arrebentou inteirinha e deu acidente de trabalho. É isso aí, que ela estava a caminho do trabalho. E agora esse casal vai ter que arcar com as despesas dessa mulher até mais da vida.
Faz a vida, se eles não contestarem, né? Tiver imagem que ela passou fora, tá errado, isso foi comprovado.
O motoqueiro morreu e a mulher Ganhou a causa.
Mas veja, isso tudo leva a duas coisas, né? Leva a—
eu só usei o exemplo para mostrar o manicômio da legislação brasileira.
Isso leva primeiro ao incentivo a você não ser uma pessoa regularizada, né? E com a quantidade de bolsas que existem, ninguém mais quer ter carteira assinada. Aí agora, quando esse processo começa, se acabam as bolsas, todo mundo vai querer ser CLT. Que agora você vai cuidar da saúde mental e que tem que pagar a conta é o empresário. Eu penso que alguém tem que levantar a voz para falar sobre isso para os empresários, falar assim: "Olha, a conta não é sua." Eu tenho feito isso, eu tenho falado com as pessoas.
Mas, cara, aqui a gente demoniza empresário. A gente não, a gente não. É uma minoria muito barulhenta que continua demonizando empresário. Vou voltar para o exemplo do Elon Musk, né? Você viu a quantidade de gente aí escandalizada. "Imagina, ó." "Olha, isso é inumano, tem que tirar o dinheiro desse cara, porque se ele está rico alguém ficou pobre", aquela conversa de 1900 e alguma coisa, 1890 e pouco. E numa situação como essa, num ambiente como esse, onde eu trato empresário na porrada, onde no Brasil tudo é feito para te desestimular, quer dizer, nós estamos indo na contramão, cara.
Eu não quero contratar mulher. "Trabalhar na minha empresa CLT. Não quero, porque se ela fizer uma cagada e eu for brigar com ela, cara, por mais polido que eu seja, eu já vou arrumar uma tremenda encrenca, né?" Então eu começo a fugir dessa opção de querer ter alguém trabalhando pra mim, porque o que pra mim antigamente era um grupo fazendo acontecer, agora é um potencial de me quebrar depois da manhã. E a hora que eu quebrar, cara, eu não tenho o recurso que eu tenho lá fora, né?
Onde eu quebro, dou um jeito, se vira e sai, eu vou fazer de novo. Aqui não, cara. Eu quebrei pro resto da vida.
É isso aí, é pro resto da vida.
Como é que é, vai meu carro?
Vai tudo.
Vai tudo?
Tudo, tudo.
Vai tudo embora?
Você perde tudo. E você não tem direito muitas vezes a defesa, tá? Na Justiça do Trabalho você chega, você já é condenado já. Você só tem que ver o tamanho que você vai ser condenado. Que essa é a orientação deles. Isso é batata. O meu grande, a minha grande vontade Luciano, é justamente é cuidar dessa galera que tá em cima, dos empresários, dos donos de empresa, dos executivos, altos executivos. Eles precisam ter uma saúde mental bem controlada para que eles não entrem nessas armadilhas que estão sendo criadas para eles, porque isso é tudo um bando de armadilhas sendo criadas para eles.
Tem que ter. Mas você levantou uma lebre agora aí que me deixou com a pulga atrás da orelha aqui. Eu tenho minha pequena empresa, né, que tá aqui Não tem nada demais, não é absurdo, eu não tenho uma folha de pagamento gigantesca, eu não acordo no começo do dia primeiro desesperado com uma folha para pagar, mas várias empresas têm assim. E eu botei minha filha como sócia minha aqui. Minha filha não tem participação nenhuma, ela só é minha sócia na empresa. Ela está correndo risco. Tá. Eu botei minha filha em risco.
Botou.
Como dona de um negócio sobre o qual ela não tem nenhuma ascendência, Se eu quebrar amanhã, ela se ferra. E eu tentando fazer o melhor por ela, botei ela num perigo.
Botou. Se você correr risco aqui, se você deixar conta para ela pagar, ela vai pagar. Ela vai, ela vai, ela vai chegar nela. Qualquer sócio— eu saí da empresa em 2013 oficialmente. A empresa veio a quebrar em 2019. 15, 16, se eu não me engano, 17, uma coisa assim. E mesmo eu não tendo participado de nada do processo depois, eu perdi tudo. A minha casa tentam tomar todos os dias, só que é bem de família, o único bem de família.
Eu moro com a minha filha, então eles não podem fazer isso. É a única, mas também eu não posso sair de lá. Você vira, você vira um refém da, de uma de uma coisa que você não fez. E outra, querendo fazer a coisa certa, o que é pior. O que é pior, porque todos os que foram envolvidos na Lava Jato estão todos soltos, com o dinheiro, todos recebendo dinheiro dos acordos de delação premiada que fizeram.
Sim, né?
Voltando a fazer a mesma coisa que faziam lá atrás, né, com o governo que tá aí. E é isso. Agora, quem quebrou, meu amigo, é o resto da vida. O resto da vida, cara.
Que dureza, bicho! Que— e como é que você vai agora motivar a garotada nova que tá se formando? Vamos lá, seja empreendedor brasileiro, seja empresário, no ambiente pavoroso como esse, cara?
Tem como fazer isso, mas é falando a coisa que ninguém ensina. Faculdade não ensina, a escola não ensina, é fazer correto. Fazer de forma certa. Então, quer sócio? Não envolve a família.
Então vamos entender, quando você falou fazer de forma certa, eu já pensei, cara, com o judiciário que nós temos aqui, não tem mais certo e errado. Tem a cabeça do juiz, mas não é disso que você está falando. Você está falando de outra coisa.
É de começar certo. Hoje você pode abrir uma empresa, uma simples, sem ter sócio nenhum. Você e você e mais ninguém. "Ah Fred, mas a empresa vai ficar grande, eu vou precisar de botar sócio." Tudo bem, não coloque ninguém da sua empresa, da sua família. Veja alguém que complemente você na sua necessidade. Eu sou muito bom executor, vê alguém que é muito bom planejador e traga esse alguém, coloca direitinho para ele como é que funciona e tal.
Calcule os riscos que vocês vão tomar, né? Vai contratar funcionário, eu tenho uma coisa que eu sempre falei, né? Contrata devagar e demite rápido. Contratou, não tá dando certo, "Esse cara, se não tá dando certo no começo, não vai dar certo depois. Demite rápido." "Ah não, tá dando problema, vou ter que demitir, vai ter que ser por justa causa." Faça em juízo. Faça em juízo. Fala para ele pegar lá no sindicato o advogado dele, vai você com seu advogado na frente do juiz e faz o acordo de homologação ali.
E mesmo assim você ainda tem risco de tomar uma depois, mas pelo menos diminui bastante o risco, né? Contabilidade dentro da empresa. "Ah, pô, mas é pequena, não dá." Mas você tem que pegar o contador e ele tem que saber o que você faz, para ele fazer direito. Vai fazer cagada? Vai fazer? Então guarda o dinheiro da cagada que você está fazendo, que você vai precisar dele depois. Advogado, contrata o seu advogado, custa 10 por mês?
Paga 20, vai ser amigão. 10 aqui, e aí você faz uma poupança de 10. Paga o advogado em dobro, que você vai precisar dele depois quando você quebrar. E se não tiver dinheiro, ele não vai te defender. Então assim, são várias. Quer dever para alguém, deve para banco. Você vai quebrar? Quantos funcionários você tem? 10? Quanto é que custa para demitir os 10? 100 mil? Vai no banco e pega 100 mil emprestado e paga os 10. Não fica devendo funcionário, deve para o banco.
O banco depois você senta, negocia, faz uma parcela levezinha e tal, você vai ter direito de pagar, você vai ter direito de trabalhar, receber o seu dinheiro e fazer a coisa acontecer.
Outra dica importante é, além do teu contrato social que você tem com o teu sócio, fazer um acordo entre sócios fora do contrato. Sim, sim. E esse acordo entre sócios ele vai tratar de coisas que o contrato não vai tratar. "Se eu morrer, o que acontece com você que é meu sócio? Se você morreu, o que acontece? Para onde vai? Como é que é?" Então são todas aquelas coisas que estão fora, você faz em paralelo. Se você está ouvindo a gente aqui e ficou curioso, cara, entra no ChatGPT e pede para ele que ele te ensina.
"Como é que eu faço um contrato de sócio? O que eu tenho que falar?" Ele vai te contar. Então são dois documentos, um vai para junta comercial e o outro está lá na gaveta assinadinho entre os dois. A hora que der merda, ele é que vai te salvar a vida, não é o da, não é o da junta comercial.
E assim, eu tenho convicção que tudo isso, se você tiver fazendo tudo isso de cabeça boa, e cabeça boa não é que você vai estar livre de pressão, não é que vai estar tudo correndo às mil maravilhas, você vai estar cheio de dinheiro, não é isso. É você tá com a cabeça assim, olha, eu estou fazendo isso, eu estou aqui para fazer Isso, eu estou, eu me entreguei aqui, né? Se eu sou empresário e tal, me entreguei para fazer esse negócio, eu vou fazer bem feito.
Mas eu também vou ser um ser humano bem feito, você é um ser humano que vai entregar a necessidade que eu preciso de uma forma bem, bem íntegra, e sabendo que eu não tenho como separar, né? Sabendo que eu vou chegar em casa hoje, vou olhar para minha mulher e falar assim: hoje eu tô azedo, deu um monte de merda no trabalho, não venha, pelo amor de Deus, me trazer um problema que a máquina de lavar quebrou, porque a gente vai brigar.
É ter— tem dois conceitos hoje, Luciano, que são muito importantes, as pessoas desconsideram eles. Um é o conceito da vulnerabilidade, o outro é o conceito do ambiente psicologicamente seguro. A vulnerabilidade é você poder falar o que você tá sentindo sem ser julgado. Né?
Porque todo mundo julga todo mundo, que é complicado numa sociedade como a nossa aqui. Você se mostrar vulnerável, mostrar que você é um fraco, né?
Mas isso daí foi como nós homens fomos criados. Não podemos pedir ajuda porque a gente é fraco. Se chorar, ferrou, é fraquinho, tá? Por qualquer coisa chora. Pedir ajuda, como já falei, não dá para pedir, né? Puta, você falar que você tá com problema de alguma coisa e por isso você tá precisando de um apoio, cara, Meu, isso acabou. É necessário, porque as conexões reais, elas vêm disso daqui. Sim, porque o meu problema pode ser igual ao seu.
Isso vai conectar a gente de forma verdadeira. E o ambiente psicologicamente seguro não é um ambiente que você pode fazer o que você quiser, não é um ambiente que você vai estar livre de ser demitido, tá livre de chamar atenção. Muito pelo contrário, o ambiente psicologicamente seguro é aquele ambiente onde você pode ser quem você é e falar o que você quer falar. Mas também você vai ter que ter a capacidade de ouvir o que você não quer ouvir e a responsabilidade de arcar com as consequências e falar o que você quis falar, que é autorresponsabilização.
Sim, tá? Culpa não é sua, culpa não é minha. Tem culpa no que eu sempre falo, numa relação é 50% para cada um. Assuma o seu 50%, eu assumo os meus 50%, e aqui a gente vai procurar como a gente vai se se integrar.
Como é o nome do livro?
O Mito da Separação.
O Mito da Separação.
Esse é recente, acabou de sair, tem um mês, tem um mês que a gente lançou.
Tá onde? Onde é que eu acho?
Na Amazon. Tá lá, tá lá na Amazon, tem, tá vendendo na Amazon, tem nas livrarias também. O Edu Vilar, ela foi quem ficou.
O primeiro livro, como é que chamava?
É Possível Se Reinventar e Integrar Vida Pessoal e Profissional.
Tá, esse é de 2018.
Esse eu lancei em inglês também, tá na Amazon americana e, puta, foi um sucesso. Já tá esgotado, já ainda acha, mas foi com uma outra editora, né? E aí agora esse outro foi pela editora, pela EV.
Quem quiser te achar então para te contratar, para ouvir tua palestra, para ter uma consultoria, para trabalhar com você, como é que faz? Arroba o quê?
@fredmachadooficial, Fred com Y.
Então é Fred com Y, Fred Machado, tudo junto, oficial.
Ali é meu Instagram, tem LinkedIn também, a mesma coisa, Fred Machado. Ali tem, pode mandar direct, pode mandar o que for que a gente tem.
Um site também, montou um site?
Tem um site, mas o site tá ainda não tá da melhor forma não, mas é o fredmachado.com. Tem muito artigo lá, tem ainda tudo ainda voltado para o livro anterior, mas tá precisando dar uma repaginada nele.
Legal. Dia 27 agora você tem uma missão importante, você vai estar lá no nosso MLA, vai falar para turma lá, né, uma turma de empresários e donos de empresa e tudo mais, que eu achei bem legal essa ideia da, sabe, da discutir a separação, a separação aqui. E é um público de 45 para cima, né, 45 mais. Então é o pessoal que foi construído lá atrás, que não tá nessa Não é a geração Z não, é a geração antiga que deve estar com um puta de um pepino na mão, porque os filhos são Z, né?
Os filhos, netos são Z e eles estão ali: "Pô, como é que eu vou fazer agora?" Vai ser legal o papo lá.
Vai ser um prazer, vai ser um prazer. Eu te agradeço muito pelo convite, oportunidade de estar aqui. Conta comigo pro que quiser.
Vamos lá.
Tamo junto.
Grande Fred, bem-vindo ao Lidercast, cara.
Obrigado, Zé.
Um abração, bom trabalho pra você. Não vai faltar. Muito bem, termina aqui mais um Lidercast. A transcrição deste programa você encontra no lidercast.com.br.
Você ouviu o Lidercast com Luciano Pires, mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafeabrasil.com.br.
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