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Cafezinho 737 - Eu já sabia

24 de julho de 20266min
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A eliminação do Brasil na Copa do Mundo parecia pedir indignação, mas a reação mais comum veio em forma de resignação: “eu já sabia”. A frase, que soa como prova de lucidez, revela um mecanismo mais profundo. Depois de sucessivas frustrações, aprendemos a não esperar, a não confiar e, por fim, a não agir. Partindo do futebol, Luciano Pires investiga como a impotência aprendida se espalha pela vida pública, alimenta a procura por salvadores e enfraquece a responsabilidade individual. A saída não está em fabricar otimismo, mas em reconstruir uma esperança adulta, sustentada por instituições que funcionem e por resultados que devolvam sentido ao esforço.

Host: Luciano Pires - @lucianopires – lucianopires.com.br

Takeaways

• A descrença pode parecer uma proteção contra a frustração, mas se torna perigosa quando nos convence de que nenhum esforço produzirá resultado.

• A busca recorrente por salvadores revela uma sociedade que transfere responsabilidades e abandona o jogo quando seus heróis fracassam.

• A esperança coletiva não nasce de discursos, mas de experiências concretas que comprovem a relação entre participação, responsabilidade e mudança.

Capítulos

A derrota que ninguém estranhou
A inteligência aparente do “eu já sabia”
Como se aprende a desistir
Quarenta anos de esperanças frustradas
A procura por novos salvadores
O espaço deixado por quem cruza os braços
A esperança precisa de provas
Quem entra derrotado já começou a perder

Links relevantes

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Participantes neste episódio1
L

Luciano Pires

Host
Assuntos3
  • Superando a incredulidade e a desistênciaFrustração com resultados repetidos · Desistência e falta de esforço · Cidadão cruzando os braços
  • Solidão na Recuperação e Busca por GruposDependência de figuras de autoridade · Abandono do jogo após falha do herói · Necessidade de instituições funcionais
  • Renovação de EsperançaEsperança baseada em provas e resultados · Relação entre esforço e resultado · Instituições que funcionam
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LPLuciano Pires

Depois de enfrentar repetidamente situações em que nada parece mudar, a pessoa simplesmente para de tentar, cara. Para. Não é que ela tem certeza de que vai fracassar, não é por isso não. É porque ela aprendeu que se esforçar, se matar, não adianta não, cara. Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Luciano Pires e este é o seu Cafezinho. E o Brasil perdeu outra Copa. Ah, eu já sabia. Olha, depois da eliminação naquele jogo com a Noruega.

E eu esperava ver muita revolta, cara, esperava indignação, aquela sensação de quem acredita que perdeu alguma coisa que realmente podia ter conquistado. Mas foi muito curioso porque eu percebi que a reação que predominou foi outra, era a reação do já sabia, cara. Essa frase me chamou mais atenção do que a própria derrota em si, porque essa frase Ela tem uma aparência de inteligência, sabe? Quem diz assim, ó, eu já sabia, parece que é mais maduro que os otimistas, não é isso?

Essa pessoa, ela não sofreu porque ela não acreditou, ela não foi enganada porque já esperava o fracasso. E aí eu comecei a pensar que talvez exista um baita problemão aí, cara. Quando a descrença deixa de ser uma reação e passa a ser uma atitude diante da vida, ela deixa de apenas explicar as derrotas. Ela começa a produzir derrotas. A psicologia tem um nome para isso: impotência aprendida. Depois de enfrentar repetidamente situações em que nada parece mudar, a pessoa simplesmente para de tentar, cara.

Para. Não é que ela tem certeza de que vai fracassar, não é por isso não. É porque ela aprendeu que se esforçar, se matar, não adianta não, cara. E será que a gente não tá vivendo exatamente isso como sociedade aqui no Brasil, hein? Escândalos um atrás do outro, promessas que somem depois da eleição, reformas que morrem numa gaveta qualquer. O cidadão olha para tudo isso e conclui, cara, que a sua participação não faz nenhuma diferença.

E aí ele faz o quê? Ele cruza os braços, ele deixa a política para os políticos, deixa a educação para os burocratas, deixa a segurança para aqueles especialistas tais, e o futuro, cara, é para quem quiser ocupar. Esse vídeo chega a você com apoio da Terra Desenvolvimento Agropecuário. Se você é produtor rural, pense comigo: negócio que não mede, não controla e não compara não é negócio, é tentativa. A Terra Desenvolvimento Agropecuário entra justamente aí, ajudando você a transformar a fazenda num sistema gerenciável.

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E talvez seja por isso que a gente tenha se acostumado a procurar salvadores, sabe? A gente deposita toda a esperança no presidente, no juiz, no procurador, no empresário, no técnico da seleção, no santo, em Deus. A gente espera que alguém apareça para resolver tudo. E quando esse alguém não aparece, ou então falha, a gente não abandona só a pessoa, não. A gente abandona o jogo, cara. E o problema é que sociedades maduras não dependem de heróis, elas dependem de instituições capazes de funcionar mesmo quando os heróis falham.

A esperança funciona do mesmo jeito. Ela não nasce do discurso grandioso da promessa, ela nasce quando a gente percebe que existe uma relação entre esforço e resultado. Quando uma escola melhora, uma escola, né, melhora, quando uma rua deixa de alagar, Uma regra vale para todos, cara. A esperança precisa de provas. E eu acho que o maior risco para o Brasil não é perder outra Copa, não é nem eleger mais um mané aí que vai decepcionar a gente, não.

É nos transformarmos definitivamente no povo do eu já sabia. Sabe quem entra em campo convencido de que vai perder, cara? Já começou derrotado. No Café Brasil dessa semana, no podcast Café Brasil dessa semana, Eu desenvolvo essa ideia muito mais a fundo. Eu parti da derrota da seleção para discutir 40 anos de esperanças frustradas, cara, da impotência aprendida, a busca por salvadores e o que que a gente tem que fazer para tentar recuperar uma esperança, mas que seja adulta, baseada em instituições e responsabilidade.

Será que ainda dá? Bom, se essa história aqui te faz pensar, espera só até ouvir o episódio completo Procure aí, ó, Café Brasil 1039, A Grande Broxada. Tá no Spotify, Apple Podcast, tudo quanto é lugar aí, né? Ou então aqui, mundocafebrasil.com. Cara, essa conversa aqui é tudo menos futebol. Futebol é só consequência. Entre aqui, ó, mundocafebrasil.com. É o lugar que eu criei para a gente conversar como adultos e tentar recuperar essa esperança de que talvez, de alguma forma, a gente possa contribuir para que esse país aqui um dia dê certo.

Se der certo, acho que até a Copa a gente ganha. Vem nos próximos dias, 1 e 2 de agosto, na parte da manhã das 9 até meio-dia. Eu vou realizar um evento chamado A Mesa, tem uma crase nesse A, é um convite para você participar ali. Eu vou trazer alguns convidados muito especiais, nós vamos bater um papo ali sobre tomada de decisão, escolhas em ambientes completamente instáveis, no ambiente como nós estamos vivendo agora, né? Qual é o teu processo de tomada de decisão, cara?

Ele tá complexo, tá tudo muito difícil, né? Eu quero propor uma grande discussão rodeando você numa mesa de pessoas que têm conteúdo e que, assim como nós, estão preocupadas aí em prever a sua, a sua, o momento em que sua liberdade pode estar sendo ameaçada, né? Para isso tem que prestar atenção, tem que saber como é que funciona, tem que usar isso aqui, ó. Eu convido você dia 1 e 2 à mesa. Aqui na descrição do episódio tem um link, clique ali Venha conosco.

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