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LíderCast 421 - Edu Camargo - Pronto para empreender?

23 de julho de 20261h10min
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Hoje trazemos Edu Camargo, empreendedor, investidor, mentor, advisor e palestrante. Atuando na intersecção de negócios, empreendedorismo, inteligência artificial e neuroempreendedorismo, Edu é sócio da Mauna, onde transforma profissionais fora de série em empreendedores fora de série. É especialista em fintech, marketplaces e empreendedor por vocação. Acaba de lançar o livro Por que você não deveria empreender. Uma conversa sobre empreender no Brasil, que não é pra todo mundo.

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Participantes neste episódio2
L

Luciano Pires

Host
E

Edu Camargo

ConvidadoEmpreendedor, investidor, mentor, advisor e palestrante
Assuntos8
  • Foco como ferramentaSaúde física e mental · Tesouraria e reserva financeira · Advisors e mentores · Relacionamentos e família · Tração e validação de mercado
  • Psicologia do Mercado e Comportamento CíclicoJuros baixos e fundos de investimento · Investimento em PowerPoint · Ciclos de mercado e aprendizado · Elon Musk
  • Desafios do EmpreendedorismoMétodo científico para empreender · Opcionalidade e antifragilidade · Teoria da evolução · Elon Musk · Santos Dumont
  • O propósito por trás dos negóciosDiferença entre hobby caro e empresa · Análise científica de números · Cancelamento de projetos
  • A ascensão de um unicórnio brasileiroInfraestrutura de telecomunicações · Expansão regional e novos produtos · Unicórnio
  • A provocação do livro: Por que não empreenderEmpreendedorismo no Brasil · Dudu Camargo
  • Jornada de empreendedorismo e autoconfiançaAtleta de natação · Administração de empresas · Mercado de Venture Capital · Dudu Camargo
  • Esquerdomachismo EmpreendedorismoDecisões solitárias do líder · Medo disfarçado de prudência
Transcrição133 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LPLuciano Pires

Olha só, ao final do dia todo mundo foi embora, mas a decisão ficou com você. É você que tem que escolher se avança ou se recua, você que contrata ou demite, você que insiste ou encerra. E quase sempre, cara, você decide sozinho justamente aquilo que pode mudar o rumo da sua empresa, da sua carreira e da sua vida. Cara, que baita solidão! Você já se sentiu assim, sozinho? Bom, essa solidão tem um preço, porque sem alguém confiável para pensar junto, o medo se disfarça de prudência, os nossos vieses parecem bom senso e a dúvida começa a paralisar.

Cara, que problema! Então, nos dias 1 e 2 de agosto, das 9 às 13, eu vou conduzir a mesa. Uma crase nesse A, é um convite, um convite para um encontro online e ao vivo para empresários, líderes e profissionais que estão cansados de carregar sozinhos as decisões que mais importam. Vão ser 2 dias de casos, reflexões e conversa para melhorar a qualidade das suas escolhas em ambientes de incerteza. Olha, daqui você não vai sair com respostas prontas não, vai sair é com muito mais clareza para encontrar as suas próprias respostas.

Eu sou Luciano Pires, reserve o seu lugar à mesa em lucianopires.com.br/amesa. Eu vou repetir, ó, lucianopires.com.br/amesa. Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um Lidercast, o podcast podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje trazemos Edu Camargo, empreendedor, investidor, mentor, advisor e palestrante, atuando na intersecção de negócios, empreendedorismo, inteligência artificial e neuroempreendedorismo.

O Edu é sócio da Mauna, onde transforma profissionais fora de série em empreendedores fora de série. É especialista em fintech, marketplaces e empreendedor por vocação. Acaba de lançar o livro Por que você não deveria empreender, uma conversa sobre empreender no Brasil que não é para todo mundo. Muito bem, mais um Lidercast. Sempre começo contando como é que o meu convidado veio parar aqui. Esse aqui foi uma mensagem que veio de uma agência de comunicação, é isso?

ECEdu Camargo

Pode ser, né?

LPLuciano Pires

Sim. Lembra o nome dela?

ECEdu Camargo

LC?

LPLuciano Pires

Não me lembro mais. Eu sei que chegou uma agência aqui com o lançamento de um livro com um título extremamente provocativo, né? O título do livro é Por que você não deveria empreender. Falei, ah, eu tenho que conversar com esse cara. Aí dei um alô para eles rapidinho, ele topou. Então estamos aqui, né, nessa manhã fria de São Paulo, né?

ECEdu Camargo

Hoje tá complicado.

LPLuciano Pires

A gente começa com 3 perguntas que são as únicas que você não pode errar. O resto pode chutar à vontade. Essas 3 tem que ser chão na lata, tá? Seu nome, sua idade e o que é que você faz?

ECEdu Camargo

Eu sou Edu, Eduardo, mas Edu já virou o nome oficial. Eu tô com 37 anos e eu sou empreendedor. Eu sou formado em administração de empresas, mas minha vida foi ou empreender ou ajudar startups, empresas que estavam começando. Então minha diversão é ajudar a empresa a nascer.

LPLuciano Pires

Nasceu onde?

ECEdu Camargo

Nasci em São Paulo, vivi quase a vida inteira aqui. Tive uma experiência que eu morei fora do Brasil duas vezes, na Alemanha e na Califórnia, nos Estados Unidos, mas o resto, grande maioria aqui em São Paulo. Irmãos? 2 irmãos mais velhos, sou caçula, nasci 9 anos depois do do meio. Então fui um pouquinho mimado só, mas eu sei que fui, então acho que é importante, né?

LPLuciano Pires

9 anos depois do do meio, cara, tem 14 anos de diferença. Muita diferença.

ECEdu Camargo

Meus pais tiveram o meu irmão mais velho com 20 e poucos, minha mãe foi me ter com 36. Poxa vida, que hoje é uma idade normal, né, para ter filhos.

LPLuciano Pires

Mudou tudo, né, cara? Tá tudo mudado aqui, né? Você, o que seu pai e sua mãe faziam?

ECEdu Camargo

Meu pai, curiosamente, minha mãe era pedagoga, e aí quando foram nascendo os filhos, ela foi, né, como muitas mães da época, ficando em casa e ajudando a cuidar, né. E meu pai, ele era empreendedor. E aí é um pouco da, eu conto um pouco disso, dessa história no livro. Ele foi uma das pessoas que falava para mim que eu não deveria empreender. Então eu fui meio desobediente com ele.

LPLuciano Pires

É daí que veio o bichinho, né, o bichinho do empreendedorismo.

ECEdu Camargo

Mas eu entendo, acho que hoje a gente, ele sempre falou para eu não empreender porque ele empreendeu. E obviamente que o empreendedorismo mudou a vida dele. Ele foi empreendedor de necessidade, diferente de mim que fui empreendedor de oportunidade, né? Mas mudou a nossa vida. Então tudo que eu consegui construir foi através do empreendedorismo, né? Mas é muito difícil. E aí ele virou numa posição de, ó, já consegui te dar algumas condições aqui para fazer uma faculdade boa, para morar fora e tal, vai trabalhar numa empresa, aproveita, não vai querer arriscar, não vai querer perder tudo. E eu, como um bom filho desobediente, resolvi não ouvir ele, né?

LPLuciano Pires

Teu apelido quando era criança, Edu?

ECEdu Camargo

Eu tinha um apelido que não sei por que me deram, e eu achava que poderia ser por causa do Friends, mas que era Joey. E hoje é Joey. Não sei por que me tinha. Hoje em dia quase todo mundo me chama de Edu, os amigos mais das antigas ainda me chamam de Joey. E o curioso é que eu tava, que até criei um, essa época de agentes pessoais, né? Eu criei um agente pessoal, né, que cuida de agenda, email e tal. E aí eu dei o nome de Joey para falar, não vou esquecer um pouco das minhas origens ali, vou manter manter ele vivo.

Hoje eu sou o Edu, mas né, para o mundo, mas deixa eu deixar ele um pouquinho vivo aqui de alguma forma. O Joe tá me ajudando também.

LPLuciano Pires

O que que o Joe queria ser quando crescesse?

ECEdu Camargo

Olha que engraçado, eu acho que eu nunca quis ser nada muito grandioso assim. Eu fui atleta de natação, né, pelo Clube Pinheiros durante grande parte da minha infância, né, fui federado, mas eu sempre sabia que acho que atleta e não seria, era mais um hobby do que qualquer outra coisa. Eu fui fazer administração inclusive até por uma falta de certeza do que eu queria fazer e achava que administração fosse uma coisa um pouco mais generalista.

Mas foi muito engraçado porque hoje, com o que eu tô fazendo hoje, com a minha atividade, parece que tudo que eu fui fazendo meio que começou a se encaixar. Então eu acho que às vezes a gente tem uma pressa, né, aos 17, 18, 20, né?

LPLuciano Pires

Até sacanagem você exigir que um garoto de 17, 18 defina, vou ser isso na vida.

ECEdu Camargo

Não é uma jornada, né? A gente vai, agora que eu tô com 37, vai começando a encaixar tudo. E eu falo, putz, ainda bem que eu, às vezes a pessoa pergunta, você mudaria alguma coisa no teu passado? Cara, acho que não, porque hoje eu tô tão, acho que feliz, realizado. E foi a sequência das decisões boas e ruins que acabaram me trazendo para cá, né? Então acho que esse, o moleque de, sei lá, 10, 15, 20 anos, acho que ele não sabia muito o que ele queria fazer.

LPLuciano Pires

Mas você se formando e pegando o teu diploma de administrador de empresas, formou emprego? Seguiu?

ECEdu Camargo

Formou emprego. E aí eu lembro que eu gostava muito de startup na época, de empresas pequenas. Eu trabalhava lá na— eu fiz FGV, e lá tem uma empresa júnior, né, que é uma empresa que os alunos fazem consultoria para outras empresas que contratam elas, né. E os professores ajudam bastante, até porque um adolescente ali, de um adulto, né, de 18, 19 anos, não sabe ajudar uma empresa, né. E aí eu comecei a interagir muito com essas empresas, e aí comecei a pesquisar, tentar conhecer o mundo mais de startup, de pequena empresa.

Mas não tinha muita empresa aqui no Brasil de tecnologia, né, nem o Nubank existia, né. Então você tinha o comecinho do que seria o Google, né, o Uber, você tinha que começar essas empresas meio que nascendo, mas não tinha muita coisa. E aí eu fui para o outro lado da mesa, eu falei, ó, deixa eu ver quem tá nesse ecossistema de startups. E aí eu descobri que tinha os fundos de investimento, os fundos de venture Capital. Falei, deixa eu ir trabalhar nesses fundos.

Eu não sabia o que eu queria, né? Eu era muito bom de finanças, economia e tal. Deixa eu ir para lá que pelo menos eu vou ter contato com um monte de startup, né? Então foi uma primeira grande aposta assim ir para o mercado de investimento para ter acesso a essas startups.

LPLuciano Pires

Que ano era isso? 18, 19?

ECEdu Camargo

Não, 2011. Isso, 11, 2011, 2011. Então o Nubank acho que era de 2013, né? Então foi bem no A indústria de venture capital, eu acho que era uma indústria de 40 bilhões de dólares, que já é dinheiro. Hoje acho que 10 vezes esse valor, né?

LPLuciano Pires

E entrando ali, o que que você viu pela frente?

ECEdu Camargo

Eu descobri que eu queria estar do outro lado da mesa. É que assim, eu falo, o ruim de você conhecer empreendedor, tem uns que reclama muito, né? Eu reclamo bastante também, mas eu falo a verdade, né? Mas eles começam, eles têm uma, uma, você sabe, né, uma um drive, uma maneira de viver a vida, né? Parece que quer viver a vida no máximo dela e arriscar e tentar e se colocar à prova. E é contagiante, né? Então quando eu tava do outro lado da mesa decidindo, ah, vamos investir nessa, vamos investir naquela, vamos investir naquela outra, eu tava numa posição muito de dono da verdade, do dinheiro, né?

Geralmente quem é dono do dinheiro é dono da verdade. Mas eu via que quem tava do outro lado da mesa se divertia muito mais, se ferrava, né? Passava bastante perrengue e tal, mas eles parecia que viviam a vida na plenitude. E aí eu comecei a gostar muito do outro lado. E aí eu já tava querendo sair, já tinha ficado há uns mais ou menos uns 3, 4 anos em venture capital. E eu conheço dois empreendedores americanos que aí eu fui descobrir que os caras eram gigantescos, eram professores de Stanford, assim, os caras autoridades no assunto, vindo para o Brasil e com uma proposta muito básica.

Ele falou, cara, para você vir aqui, você é nosso braço direito, Nessa operação que a gente tá montando aqui no Brasil era uma operação de infraestrutura, né, em telecomunicações. Nada sexy, nada— era basicamente montar torre, sabe? Essas torres que tem no meio da rodovia, rooftop, né, que tem em cima de prédio. Mas um mercado gigantesco. O Brasil tava passando naquela transição do 3G para o 4G, então ia estourar o número de torres necessárias.

E eles falaram, cara, o mandato é super aberto, vem aqui ser braço direito. E aí eu fui tocar, fiquei quase 4 anos lá. A empresa virou um unicórnio depois. Então foi uma história muito— brincar, uma história de Cinderela assim, sabe? Eu sabia que os caras eram bons, mas não sabia que ia ficar desse tamanho, né?

LPLuciano Pires

Você era CLT lá?

ECEdu Camargo

Eu era um CLT. Esse que era um dos pontos, né? Eu não era sócio, eu era o que a gente chama de founding team, né? Que eu fui, acho que terceira ou quarta pessoa a entrar na empresa ali como um braço direito deles. Eu trabalhava tanto na área financeira quanto na área de novos negócios, eu tocava essas áreas ali. Eu que liderei toda a expansão região para novos produtos e para outros países também, e ajudava eles com tudo, relação com investidores, fazia muito do intermédio deles com operações, com marketing, com comercial.

Eu era um grande orquestrador ali que eles não tinham tempo para tocar, e eu ajudava eles a tocar localmente. Eles moravam aqui no Brasil? Moravam por aqui no Brasil.

LPLuciano Pires

Que loucura!

ECEdu Camargo

Eles ficaram aqui, ó, a empresa começou, se não me engano, em 2013, 2014. Eles ficaram aqui no Brasil acho que até 2018, 2020. Hoje eles já voltaram lá, eles são de Porto Rico, né?

LPLuciano Pires

A empresa continua, a empresa continua, tá? Você falou que ela virou um unicórnio. Bom, quem tá ouvindo a gente aqui não sabe que essa terminologia de startup, né? Unicórnio é quando a empresa passa a valer 1 bilhão de dólares, de dólares, 1 bilhão de dólares.

ECEdu Camargo

A gente tem uns unicórnios, a gente brinca os unicórnios tupiniquins, né, que são as empresas que valem 1 bilhão de reais. Essa aí valia, quando eu saí de lá, bilhão de dólares. Quando eu saí de lá, a gente tinha acabado de fazer uma captação de milhões de dólares. Caramba, que é dinheiro! Mas assim, infraestrutura também tem isso, né? É muito dinheiro. Então você nunca vai fazer uma captação muito pequena, porque é uma torre, na época custava R$300, R$400 mil, uma torre, uma torre.

Então assim, é muito capital intensivo, muito dinheiro, né? E aí logo que eu saio também, a gente acabou de levantar, tava estruturando um fundo de R$250 milhões de dívida. Então assim, é muito dinheiro, são valores totalmente fora da realidade do Brasil.

LPLuciano Pires

É um negócio que tá acontecendo com brasileiro aí. Eu tava até discutindo com um amigo meu outro dia, né? Que as cifras ganharam números tais que fugiu da realidade, não dá nem para pensar. Agora, se você fala em bilhão, como que fala? Que que é bilhão, cara? Ah, o fulano roubou só milhão? Bobagem, né? Não, roubou bilhão. Então não dá mais para— nós perdemos completamente.

ECEdu Camargo

E é dinheiro de mentira em alguns casos, né? Por exemplo, o caso do Elon Musk, né? A valorização lá da SpaceX, agora ele trilionário. Não é dinheiro que existe de fato, né? É uma avaliação da empresa dele. Então assim, vale se alguém pagou, vale, né? Eu sempre falo, vale se alguém pagou, vai.

LPLuciano Pires

Mas é uma cifra que não tem, não tem um cofre com isso aí guardadinho lá dentro.

ECEdu Camargo

Não é que ele tem, exato, que nem o Tio Patinhas entrou no cofre lá e tem um trilhão de reais, né? Então assim, As coisas estão perdendo bastante a proporcionalidade, acho que principalmente quando a gente fala de tech, AI agora, né?

LPLuciano Pires

Mas é em todos, é em tudo. Assim, essa conversa com um amigo meu que eu tava falando, cara, você consegue entender uma bermuda valeu o preço de um televisor?

ECEdu Camargo

É assustador.

LPLuciano Pires

Quando você põe do lado do outro, fala assim, como é que é? É essa TV, toda essa tecnologia, mas custa o preço dessa bermuda aqui, quer ter alguma coisa errada? Você consegue entender um apartamento de 16 metros quadrados valer?

ECEdu Camargo

Eu não sei onde as pessoas estão achando esse dinheiro, né?

LPLuciano Pires

Bom, esse é um outro ponto, de onde vem? Porque os cara lança e vende, vende, vende, alguém tá com meu dinheiro aí, mas por quê?

ECEdu Camargo

E o Brasil nunca teve tão endividado, né? Os níveis de endividamento aqui são recordes, a gente não tem crescimento econômico, né? Há muito tempo, inflação alta.

LPLuciano Pires

Ontem eu vi a relação dos, o carro mais barato do Brasil, né? É, com sorte você vai pagar, é Uno ainda ou não? É o Uno, R$77 mil um carro, o Uno.

ECEdu Camargo

Eu lembro quando era R$10 mil.

LPLuciano Pires

Pois é, nós perdemos completamente a dimensão. E eu acho que uma boa parte disso se deve a uma cultura da startup, que ela veio falando no bi como quem fala em milhão. Então foi uma escala, né?

ECEdu Camargo

A gente teve um momento no mundo, mas também chegou aqui no Brasil, que foi o 2021, né? Então Só voltando, eu trabalhei com esses caras, depois eu fui para fora do Brasil, fiquei 2 anos lá fazendo MBA lá em UC Berkeley, na Califórnia, queria conhecer lá o que que era o ambiente de startup. Volto, abro a minha empresa, e aí em 21 passo pela pandemia inteira, fazer crédito na pandemia. Ou seja, eu querendo dar crédito e a Câmara dos Deputados votando um projeto de lei para não poder negativar as empresas no Serasa.

Eu falei, cara, como é que eu vou dar crédito eu não sei se é bom pagador ou não. E aí 21 foi um ano muito marcante, porque foi um ano que eu acabo vendendo a minha empresa. Eu falo muito da jornada, foi uma jornada bem, bem complicada de empreender.

LPLuciano Pires

Quando é que você montou a empresa?

ECEdu Camargo

Ela começa em 2018. Eu vou para o MBA em 2016, volto em 2018 e abro ela. Você saiu daquela empresa lá das torres, saiu daquela empresa para ir fazer o MBA. É, a grande verdade é que foi o que você falou, eu passei por essa jornada inteira e, putz, eu aprendi muita coisa. Uma das melhores experiências profissionais que eu já tive, mas eu era CLT, eu era funcionário. Então assim, eu ajudei a construir algo muito grande, isso nunca vai sair do meu currículo, uma relação muito boa até hoje com todo mundo lá, mas não era meu.

Eu falei, cara, acho que agora eu queria tentar montar algo meu, porque assim, se eu consigo fazer isso aqui, e óbvio que eu não fiz sozinho, né, tinha todo um time, mas se eu vejo o valor que eu adiciono, que tal se eu tentar adicionar esse valor para mim, né, em algum negócio meu? Só que o Brasil naquela época, o Brasil nunca tá bem, né? Mas naquela época era o impeachment da Dilma lá em 2016, que assim, independente da esfera política, era um tempo complicado para todo mundo.

Economia tava ruim, tava muito complicado, estabilidade política. Falei, cara, acho que empreender agora não é talvez a melhor decisão. E aí eu fui estudar fora, já queria há um bom tempo morar fora, porque assim, sempre vivi minha vida inteira em São Paulo, uma vida confortável, né? Que meu pai deu condições boas. Falei, cara, eu quero me colocar em algum cenário em que eu vou, sei lá, brincadeiras à parte, lavar minha cueca, vou eu me virar para fazer minhas coisas, quero ver como é que é morar sozinho, quero ver como é que é morar num ambiente que eu não conheço.

E aí fui para lá, fui conhecer sobre empreendedorismo. E aí o que mudou a minha vida lá foi que eu fiz uma matéria do Steve Blank. Steve Blank, ele hoje é o papa do empreendedorismo, toda aquela metodologia do Lean Startup, startup enxuta e tal, ele que começa esse movimento inteiro. E ele é um professor lá de Stanford e de Berkeley, e ele dá uma matéria que basicamente o objetivo da matéria é que você monte uma empresa. E aí nessa matéria dele eu monto a minha empresa, que era a Efici, que é a minha primeira empresa.

E aí é uma empresa de crédito para PJ, eu dava crédito para pequenas empresas, tá? Eu sempre fui apaixonado por pequena e média empresa, sempre foi o meu, minha paixão aqui. E aí, putz, passo por uma, e aí a jornada do livro é essa, eu conto a minha experiência com a iFood, empreender durante a pandemia. Eu conto tudo que acontece, todas as verdades que as pessoas não falam. E o empreendedorismo, que eu comecei a aprender, é que ele é uma jornada muito solitária, porque ninguém quer falar das coisas que estão dando errado, porque parece que você é fraco, parece que você não sabe fazer, parece que você é ruim, parece que você tem algum problema.

E ninguém quer ficar perto de alguém que tem problema. Então as pessoas não falam. E aí elas vão começando a achar que, como ninguém tá falando, tá todo mundo indo bem. E na época lá, 2018, 2021, já tinha as redes sociais e tal, mas não é como é hoje. Empreender hoje em dia, todo mundo tá lindo, todo mundo tem sucesso, todo mundo tá indo bem, todo mundo vem no podcast, fala que a empresa tá maravilhosa, crescendo. E aí você tá com dificuldade e todo mundo tá com dificuldade, só que você não consegue assimilar.

Então o problema sou eu, só eu tô passando por essa dificuldade, só tá difícil para mim, só eu tô com a minha saúde indo para o ralo, só eu tô com a minha saúde mental indo para o ralo, só eu tô com a minha grana acabando. Tá todo mundo aí, ó, o famoso prosperando, né? Tá todo mundo prosperando. E aí eu comecei a me incomodar, né? Quando eu começo a escrever o livro, eu vou contar um pouco do recheio do que teve no meio do caminho, mas quando eu começo a escrever o livro, eu falo assim, gente, eu começo a olhar para as redes sociais, eu começo a ver uma uma mentira em massa sendo contada sobre empreendedorismo.

Começa a ver os tais gurus do empreendedorismo falar que é só ter força de vontade, que é só acordar cedo. Eu tenho uma filha pequena, se você acordar cedo, ela era a maior empreendedora do mundo, assim.

LPLuciano Pires

Porque você frequentou os eventos de startups?

ECEdu Camargo

Eu entro lá. Então, quando eu morei lá, eu ia em tudo que envolvia startup. Era muito engraçado porque Berkeley é uma faculdade muito focada em empreendedorismo hoje. Berkeley é a faculdade número 1 do mundo em formar empreendedores, tá? É uma estatística que todo mundo acha que é Stanford, Babson, é Berkeley a faculdade que mais forma. Então assim, tem muita coisa. Só que curiosamente, muita gente que vai para o MBA não vai com a vontade de empreender.

Por quê? Porque vai das consultorias, McKinsey, Bain, BCG, e vai com aquele acordo de ter que voltar. E aí nesse acordo tem que voltar, se eles não voltam, eles têm que pagar o MBA. E um MBA na época que eu fiz era R$700 mil.

LPLuciano Pires

Cacetada, bicho!

ECEdu Camargo

Hoje tá muito mais, hoje é quase R$1 milhão, R$1 milhão e 200 mil reais o MBA. Então assim, você não— alguém te patrocina, né, que é uma empresa, você não volta, você vai ter que pagar essa grana. Então eu fui, eu era um dos únicos que queria empreender, né? E eu frequentei tudo. E aí quando eu volto para o Brasil começo a empreender, né, e passo por essa experiência, e depois eu vendo a empresa, eu vejo que não tem no Brasil um local onde o empreendedor pode ir.

Não tem um ecossistema, não tem um local para conversar sobre o que tá acontecendo, sobre as dificuldades. Não tem um— o Sebrae não é esse lugar, né. O Sebrae é maravilhoso, mas o Sebrae ele é muito mais do empreendedorismo de necessidade. Ele acaba ajudando negócios menores. Para quem é empreendedor de oportunidade, né, que é, putz, alguém vira e fala assim, eu posso parar minha carreira e empreender. Não tinha esse ecossistema.

Então eu começo mais ou menos no ano passado a sentar com meu sócio, começar o projeto do livro e falar assim, cara, vamos montar. E aí o livro vai ser um pilar importante disso, um local, um ecossistema para que empreendedores que já estão empreendendo ou pessoas que querem começar a empreender tenham esse local de conversa, de ajuda, de acesso a outros empreendedores para ter conversas honestas do que que é fácil, do que que é difícil.

Tem nada a ver com o cubo. O Cubo, a gente até vai bastante lá no Cubo, a gente é sócio de uma empresa que fica lá no Cubo também. O Cubo, ele é, ele é mais um espaço de inovação, né, que acaba tendo muito mais de empreendedorismo. Mas eu brinco que o Cubo, ele é um coworking, ele é um espaço de trabalho ali. E o trabalho que o Cubo faz é muito legal porque eles têm lá uns preços especiais, pacotes para as startups que querem ficar lá.

Mas ele não tem, por exemplo, o que a gente tem, que é uma pegada de conteúdo, de educação, uma pegada de acompanhamento e mentoria próxima, uma pegada de comunidade em que as pessoas conseguem ter em grupo conversas sobre os desafios que elas estão passando. Então eu acho que a gente, a gente não tem espaço físico, o Cubo tem, o Cubo tem espaço físico, mas aí toda essa parte de educação e acompanhamento ele hoje não tem como serviço, né?

Então a gente quis trazer isso, essa coisa de Como que eu converso e aprendo mais sobre empreendedorismo tendo conversas reais? E aí eu achei que a forma mais real de eu falar sobre a jornada era falando a verdade.

LPLuciano Pires

Mas um pouquinho antes da gente entrar no livro aqui, você, então você acompanhou uma fase interessante do empreendedorismo que é pré-pandemia, pós-pandemia. Se você viveu o auge dele, quando tava aquela loucura toda, aquela bolha de dinheiro enfiado em tudo quanto é ideia que aparecia, você tava Você tava no olho do furacão ali, né?

ECEdu Camargo

Foi essa época de 2021, que foi a época— eu vendi a empresa um pouco antes dessa loucura do dinheiro de graça, assim que a gente fala, né? Qual foi a conjuntura? Juros muito baixos, tanto fora do Brasil quanto no Brasil. As pessoas precisavam colocar dinheiro em alguma coisa. Os fundos, né, no momento da indústria de investimento, né, em startup, eles tinham acabado de levantar muitos fundos. Então tinha muita gente com dinheiro em caixa.

Não tinha onde colocar. E eles começaram a colocar dinheiro adoidado em PowerPoint. Então você me pegava esse tablet aqui, abria, me falava de uma ideia, uma ideia, uma ideia. Mas o que que você fez para validar essa ideia? Nada. Que você já testou? Você já nada. E os cara jogavam. E aí não era, a gente não tá falando de cifras de, ah, vou colocar R$10 mil. Os caras colocavam 1 milhão de dólares, 5 milhões de dólares, guardando a proporção.

LPLuciano Pires

Isso aconteceu no ponto com, lembra da bolha do ponto com? Isso começou a rolar, era uma coisa, o software vale mais que a companhia aérea, lembra disso?

ECEdu Camargo

E agora tá tendo AI também, né?

LPLuciano Pires

Então, mas é isso que eu quero especular com você. Existem ciclos e a impressão que eu tenho é que parece que não tem um aprendizado ainda, né? Porque aparece uma ideia, a ideia é maravilhosa, todo mundo fica deslumbrado, vai todo mundo que tem um louco, aquele negócio explode, aí volta para o zero, começa outra vez. Agora o IA, mesma coisa, tá indo todo mundo, explode de volta para o zero. Parece que não tem um aprendizado nesse processo, cara.

Ou tá todo mundo: eu tenho que ser o primeiro, corre, porque eu tenho que chegar na frente, né?

ECEdu Camargo

Então, eu acho que tem um aprendizado, mas ele não é estrutural. Eu acho que ele é mais local. Que eu quero dizer com isso? Alguns fundos e alguns investidores aprendem e mudam, mas estruturalmente vai sempre vindo os novos que não passaram por aquilo, e aí não tem muito o que aprender. Ou não querem aprender porque às vezes você tem que lembrar dos incentivos hoje da indústria. Qual que é o incentivo do dono do fundo? Levantar fundo.

Porque como que ele ganha dinheiro? Ele ganha uma taxa de administração pelo tamanho do fundo. Então para ele, quanto maior for o fundo, melhor. E se ele faz investimentos que estão na mídia, é mais fácil ele levantar novos fundos. Então tem um certo desalinhamento de interesse entre quem é o a pessoa que opera a indústria e, né, e o mercado. Mas eu acho que tem um aprendizado local sim. Hoje, por exemplo, eu vejo muito, eu sou investidor anjo hoje, a gente dentro da Mauna, que é a minha empresa agora, a gente tem um club deal que é um para fazer investimento nas empresas que nascem lá.

Hoje o mercado ele é muito mais exigente em relação à receita, você tem que ter alguma forma de validação, tá muito, eu falo isso para as pessoas hoje, tá muito mais difícil levantar dinheiro no PowerPoint. Mas a gente tá ainda no cenário de juros alto. O que você tá falando, que eu concordo muito, é: será que no momento em que os juros não baixar não vai ter muito mais gente voltando a ser irracional? Porque a pessoa vive assim: eu preciso botar dinheiro para render em alguma coisa.

Prefiro pegar alguém com uma ideia boa e colocar do que deixar no banco ganhando juros pequeno. Então eu acho que são os incentivos da indústria. Eu acho que o aprendizado ele existe, mas eu concordo com você, ele é menos agudo Né, eu pego a própria crise que teve em 2007 nos bancos, né, que estourou tudo lá, né, em 2008, 2007, 2008, subprime. Aprenderam, aprenderam, mas ainda tem o caso do Master aqui, ainda tem outros casos.

Então acho que, eu acho que as indústrias aprendem, mas talvez não da forma tão aguda quanto a gente gostaria.

LPLuciano Pires

Você deu uma ideia interessante, essa ideia do Master, né? O que que causava o Master? É uma, é aquela, aquele, como é que eu vou dizer, tá me faltando a palavra aqui, mas é aquela ânsia do sujeito de ganhar dinheiro fácil, entendeu? Aí vem o cara do massa e fala, ó, tá todo mundo pagando 3%, eu pago 8%, bota meu dinheiro aí. Então tem uma ânsia, eu quero ganhar, quero ganhar, quero ganhar. Isso é que faz o preço do apartamento e parar na—

ECEdu Camargo

eu tava discutindo isso com um amigo meu que é americano, E ele falou que os Estados Unidos foi montado em cima do conceito do American Dream, né, que é o sonho americano. Que ele dizia o seguinte, ele dizia: se você trabalhar pesado, né, se você trabalhar bastante, você vai prosperar, você vai crescer. Isso por muito tempo nos Estados Unidos funcionou, porque a conjuntura mundial favoreceu, os Estados Unidos tomou boas decisões em investimento em infraestrutura e tudo mais, inovação.

Então o trabalhar ele era ligado diretamente ao teu crescimento, a tua prosperação. Hoje isso tá muito mais difícil porque o mundo está deixando de crescer. Não tem grandes economias. A China parou de crescer tanto quanto crescia, Estados Unidos parou de crescer, o Brasil parou de crescer. Então tá todo mundo estagnado e a gente tá sentindo que a gente tá trabalhando cada dia mais e a gente tá ganhando cada vez menos. Mas é porque o mundo tá estagnado.

Então a gente tá tendo menos oportunidade. O que que acontece quando o mundo tá nessa conjuntura? Qualquer pessoa que vem com um discurso fácil de enriquecimento e de prosperidade capta uma população que tá refém, que tá querendo escutar isso, porque essa população tá trabalhando, tá se esforçando, tá se ferrando e não tá conseguindo prosperar. Então o discurso hoje de falar que empreender é fácil O discurso hoje de uma bet, por exemplo, de falar que existe um ganho fácil ou que vai ter uma valorização imobiliária, compra esse imóvel que vai valorizar 5, 10, 15 vezes, isso pega uma população fragilizada que já tá trabalhando muito e não tá conseguindo prosperar, e eles conseguem cair nesse conto da sereia de que esse enriquecimento ele vai ser mais fácil porque não Não funciona mais hoje na conjuntura econômica, hoje, né, o modelo de, puta, vou trabalhar mais, vou ganhar mais.

Não, é, vou trabalhar mais é um dado necessário para eu não perder poder de compra. É quase que assim, eu preciso trabalhar mais, senão mês que vem eu vou comprar menos do que eu tô comprando. Não é que eu quero comprar mais, vou comprar menos.

LPLuciano Pires

Quando você entra no mundo do marketing digital e tudo mais, isso é isso que você tá falando ao cubo, né. Porque aí a promessa, cara, eu vou, me compre meu curso aqui que eu vou deixar você rico. Você vai ficar rico sem aparecer, você não precisa aparecer, você não precisa postar, você não precisa escrever nada.

ECEdu Camargo

É uma fórmula mágica. Uma coisa que a gente fala muito lá, e quando eu monto essa empresa com o meu sócio, a gente fala, cara, a gente vai deixar muito claro o que que é e o que que não é. E a gente fala, não é uma fórmula mágica, não tem, não é pegue isso, aplique isso, ganhe isso, isso não existe. Existe. Entenda isso, entenda aquilo, sim, teste isso e veja se funciona. E é isso. E é uma sequência de entendo como funciona, entendo como funciona, testo, vejo se dá certo, vejo se não dá certo.

Empreender, como qualquer coisa na vida, é uma sequência disso. É muito mais científico do que as pessoas gostariam.

LPLuciano Pires

E o que deu certo com o Padeiro Zé? Não dá certo com o Padeiro Pedro.

ECEdu Camargo

Existe aprendizado no que deu certo com o Padeiro Zé, mas não necessariamente isso é 100% replicável. A gente tem que deixar de ser simplista. O que que deu certo? Por que que deu certo? Será que naquela época, por exemplo, vou dar um exemplo. Não sei se você lembra que antigamente mudou o modelo de receita do pãozinho, que o pãozinho ele era por unidade e passou a ser por peso. Cara, isso aconteceu quando o Padeiro Zé deu certo?

É esse tipo de complexidade, porque é complexo. E eu acho que hoje as pessoas tentam simplificar para vender, e quem consome quer o simples, porque eles querem poder simplificar alguma coisa. E eu acho que quando você traz um argumento de que como é complexo as coisas e como é difícil, e tá tudo bem, mas você precisa saber que é difícil, você entra no contra-argumento. E eu achei que era necessário. E aí, né, voltando para o porquê o livro e tal, porque eu não via esse contra-argumento.

Eu vi o argumento de que é fácil, de que é só querer. Não, querer é, você precisa querer, é ponto mínimo, mas não é só querer. E tá muito documentado, tá muito escrito já o que que ajuda e o que que não ajuda, né?

LPLuciano Pires

Você está o Lidercast, um podcast voltado para liderança e empreendedorismo. De onde veio este, tem muito mais. Por exemplo, a minha mentoria MLA, Master Life Administration, um programa de treinamento contínuo em que reunimos pessoas interessadas em conversar sobre temas voltados ao crescimento pessoal e profissional. Comunidades online oferecem conexão, compartilhamento, apoio, aprendizado e segurança. O Emelei é mais do que isso, é um mastermind para profissionais com encontros mensais presenciais e online, promovendo uma sensação de comunidade e uma troca muito valiosa de experiências.

Olha, tem vagas disponíveis. Se você se interessa em estar comigo, acesse mundocafebrasil.com e clique no link para saber mais. Eu te atropelei no final de uma fala sua aí, que você soltou um insight aí que é sensacional, cara. Ciência não vende.

ECEdu Camargo

Ciência não vende.

LPLuciano Pires

Como é que é isso aí?

ECEdu Camargo

Assim, os Estados Unidos, por isso que foi muito legal para mim ter ido para lá, e foi muito legal ter trazido muita coisa que eu aprendi de lá para cá. Porque qual a história, né, das escolas de negócio, né? Os americanos, eles começaram a olhar e começaram a falar, gente, Será que não tem como a gente criar isso antes de existirem os MBAs, né? Será que tem como eu criar uma forma de quantificar o que dá certo e o que não dá certo?

Será que eu consigo transformar isso numa ciência, numa coisa que eu consigo estudar, melhorar, praticar? Só que isso foi voltado no começo para as escolas de negócio, era como fazer um plano de estratégia. Aí nasce, para quem conhece mais de administração, uma análise de marketing, as forças do Porter, tem até esses termos aí de administração, porque é o americano, os americanos na época tentando quantificar o que dá certo. Só que para um, para você crescer na sua carreira.

Logo depois eles olham para o empreendedorismo e eles falam, cara, será que tem como a gente quantificar o que dá certo no empreendedorismo? Será que eu não consigo entender se pode ser ensinado empreender? E eles começam, e aí nasce o que eu falei, startup enxuta, nasce uma sequência de pensadores, né, nos Estados Unidos. Eles não são 100% todos americanos, né, mas todos no ambiente americano que começam a quantificar o que que é a jornada de empreender.

E aí quando eu volto para o Brasil, eu vejo que ninguém tá olhando para isso. A galera tá no freestyle, tá ali tentando, levanta dinheiro, não consegue, vende, não sabe. Aí você pergunta o que que tá errado, aí a pessoa vai, deu errado, aí coloca na pandemia. Pô, pandemia foi difícil para todo mundo, cara. Tem. E aí eu viro assim, cara, vamos tentar tratar o empreendedorismo como a pessoa trata a própria carreira? Vamos tentar trazer um método científico?

E aí eu pego muito do que a gente aprende, do que eu aprendi lá. A gente lê muito sobre empreendedorismo, sobre tudo mais. Pegou a minha experiência, pegou a experiência do meu sócio, a gente pegou muitas experiências dos nossos mentores que ajudam ali, né, que são os especialistas que também são empreendedores. E a gente começou a quantificar e criar um método científico para empreender. E aí é muito, muito curioso, porque é uma quebra de paradigma muito grande.

Quando eu digo que empreender é a mesma coisa do que achar uma cura para uma vacina, as pessoas não entendem. Eu falo, cara, é a mesma coisa. O problema é— qual o problema? As pessoas estão adoecendo por causa de um vírus. Como que um cientista resolve? Ele cria vários experimentos e testa todos e vê qual dá certo. Que que a gente faz na hora de empreender? A gente escolhe um experimento. Sim, a minha ideia, põe tudo em cima dele, põe tudo em cima dele.

Na hora que ele dá errado, você não teve tempo nem dinheiro para testar todos os outros. E aí é tão óbvio, né, tão básico isso, mas as pessoas quando elas entendem— e aí é muito engraçado que aí nesse programa que a gente tem, depois do primeiro mês ali, as pessoas É muito engraçado, elas dão, elas entendem o que que é empreender, né, por esse método. E aí elas falam, tá bom, entendi, cara. Parece que dá o clique e fala assim, cara, isso faz sentido.

LPLuciano Pires

Tá parecendo o conceito de opcionalidade do Taleb, cara.

ECEdu Camargo

É, a ideia por trás desse método é um método em que você não sabe qual é a verdade, ok? É um papel de ignorância sobre a verdade. E acho que todo empreendedor bom, ele parte do pressuposto que ele tem uma ignorância. Se você é ignorante, se eu não sei qual a cura da vacina, eu preciso testar. E aí a minha ignorância faz com que eu crie a maior quantidade possível de testes que fazem sentido, tá? Também não vou testar, sei lá, um anticorpo que já foi dito no passado que não funciona, né?

Então tem coisa, muita coisa catalogada já que não funciona. Mas todos que não foram testados, ou todos que a combinação deles, eu vou testando cada uma delas. E aí eu vou aprendendo. E aí, em vez de eu achar que eu já sei a verdade antes, eu tenho um processo de sincera curiosidade sobre qual que é a cura da doença, né? Então você gasta menos tempo e dinheiro numa aposta única, você gasta mais tempo e menos dinheiro em várias apostinhas pequenas, e você vai deixando essa pequena te falar.

Putz, começa com 20, 10 dão certo, 10 dão errado, na próxima você só tá em 20. E aí naturalmente você vai chegar no que é a solução correta.

LPLuciano Pires

É a teoria da evolução, cara. Isso é o antifragilidade do Taleb, exatamente isso.

ECEdu Camargo

Só que aí você exige método, exige paciência, que é isso que as pessoas hoje estão—

LPLuciano Pires

você enxerga isso no Elon Musk tentando pousar o foguete de ré, cara, né?

ECEdu Camargo

Cara, quantos não deram errado antes?

LPLuciano Pires

E a tese dele é essa aí, cara. Cada um que deu errado foi uma lição que eu aprendi, e a gente vai testando até— aliás, eu vou gravar agora um episódio tese do— nasci um podcast chamado Café com Leite para criança, onde eu conto a história do Santos Dumont, né?

ECEdu Camargo

Sim.

LPLuciano Pires

E a tese dele é o seguinte: o que que o Santos Dumont fez, cara? Ele, ele se ferrou, porque caía e ficava pendurado no fio, não sei o quê. E aí a babica pergunta, né, mas, cara, mas que ele é teimoso, ele não desiste? Falou: não, cada erro que ele cometeu foi uma lição de alguma coisa que ele tinha que aprimorar, e um dia ele voou, né?

ECEdu Camargo

Mas pergunta quantas pessoas contam a história de quantas vezes ele errou.

LPLuciano Pires

Não, não, só no voo lá, né?

ECEdu Camargo

E essa, essa é interessante pegada.

LPLuciano Pires

E aí quando você faz, né, e quando você falou aí, eu me lembro de uma, quando teve a Copa do Mundo, aquela Copa que a gente perdeu, que o Parreira era o 2006, que o Parreira, e o Parreira, eu não me lembro se foi, acho que era o Parreira, ele tinha lançado, recém-lançado um livro, alguma coisa assim, e foi para Copa e perdeu a Copa. Falei, cara, ele devia fazer um novo livro falando história do meu fracasso, entendeu? Ver tudo que eu fiz que deu errado e trazer o fracasso, que aí que a gente vai aprender, né?

E no entanto só fica aparecendo o cara, por que que eu dei certo, porque que eu funcionei, né?

ECEdu Camargo

E aí quando você tá dando errado, porque não é uma questão de será que você vai dar errado, você vai dar errado, sim, por muito tempo. Sim, no caso, não conheço caso de ninguém que fez um negócio, deu certo na primeira vez.

LPLuciano Pires

Sim, como ele foi, como, como esse cara, como ele foi Era motivo de piada, né?

ECEdu Camargo

Não, a Apple, a própria Apple, é uma história de fracasso por um bom tempo, né? E eu acho que assim, quando você tá passando pela jornada ou você vai entrar na jornada e você acha que ela vai, ela tem que dar certo sempre, isso é um desserviço. Porque aí você, você vai entrando num buraco sem fundo psicológico. E cara, no final do dia, o teu corpo, tanto físico quanto mental, é o teu templo para qualquer coisa que você tá fazendo.

Se você não tá bem fisicamente, se a tua cabeça não tá boa, você vai se enfiando num buraco, num buraco, num buraco, num buraco, você não consegue mais sair. E aí quando você sai do buraco, olha, abre tua rede social e todo mundo tem sucesso, isso para o teu psique é assim. E aí vai entrando grana, aí vai entrando relacionamento, porque você vai empurrando as pessoas da tua família junto para esse buraco, você vai empurrando a tua saúde financeira para lá.

Então o livro foi para abordar todos os aspectos, né, da vida, da vida da pessoa. Falo de saúde mental, saúde física, falo de grana, falo de família e como que você faz com que todas essas variáveis embarquem na jornada de uma forma consciente, né.

LPLuciano Pires

O título do livro é uma delícia, né, cara: Por que Você Não Deveria Empreender: O que o Método Start ensina sobre como você deve se preparar para essa jornada. Leandro do Camargo, né? A pergunta não é se você deve empreender, é se você está pronto para pagar o preço. Quem tiver vendo aqui na— opa, aqui tô mostrando a capa do livro aqui, ó, Por que Você Não Deveria Empreender. O livro é um livro, tá bem editado, cara, legal, bonito o livro, e daquele jeito, letra grande, para mim que me dá aquele— pô, que beleza, né? Mas bem, bem interessante aqui.

ECEdu Camargo

Tem bastante coisa para complementar para um próximo livro.

LPLuciano Pires

Ele acabou ficando sempre assim, né? Mas por que que você não deveria empreender? Eu lancei um episódio do meu Café Brasil há um bom tempo atrás que ficou famoso. O nome dele é Empreender Espaço Dor.

ECEdu Camargo

A gente tem essa brincadeira também lá, a gente usa também.

LPLuciano Pires

E a tese dele é exatamente essa, cara: dói para um cacete, dói muito, e pouca gente explana essas dores aí. Porque depois que você paga o seu perrengue, tudo é festa, né? Dá risada do que eu passei. Mas, cara, e nessa cadeirinha já sentou cada história aqui que você fala, meu Deus do céu, cara, perdi tudo, acabou tudo. E de repente a gente vai, continua. E não é só pelo fato de ter continuado, é porque eu aprendi uma porrada de coisa, né?

Exato. E esse aprendizado não tá escrito em algum lugar ali. Você não, você mesmo seguindo uma regra, né, segue a regra que alguém te deu, que é tudo começa, não dá certo, cara. Tem um componente no meio do caminho que é a sorte de estar no lugar certo na hora certa, de ter um encontro, né, de ter um momento econômico, algo acontece que você tinha sorte de estar no lugar certo e o teu deu certo, o do teu amigo não dá.

ECEdu Camargo

A gente tem, eu tenho um conceito que eu falo muito em palestras, nos programas que a gente faz, que é da destruição criativa. É um conceito que muita gente não conhece. Schumpeter. Que bom, bom, bom, bom, alguém conhece, porque geralmente as pessoas não conhecem, né, o conceito da destruição criativa. A destruição criativa, eu brinco que é um jeito de você hackear a sorte. Eu costumo dizer que sorte, ele é uma ventania que bate para quem tá fora de casa, né?

Então você tem que estar disposto à sorte bater, senão você tá dentro de casa ali. É uma analogia, óbvio, dentro de casa, né? Mas você tá sem estar em movimento, a sorte tem menos chance de te bater, né? E eu brinco que o jeito, a destruição criativa, é um jeito de você hackear a sorte. Porque qual que é o conceito por trás? Acho que você conhece muito bem, né? O mundo tá morrendo todo dia. Não significa que é algo ruim, ele tá se desfazendo.

Então, por exemplo, o mundo tá se tornando cada vez mais equalitário. Isso não é algo ruim, mas tá morrendo um status quo anterior para um novo acontecer. E quando o mundo é destruído ele se reconstrói, porque a gente continua vivendo, o mundo continua rodando, a Terra gira, a gente faz as coisas, a gente acorda, toma café e tal. Nesse novo mundo que tá se reconstruindo, como que você como empreendedor se posiciona para aproveitar da melhor forma possível a maneira como esse mundo vai funcionar amanhã?

Então eu brinco, é uma forma de hackear a sorte, porque parece que você teve sorte, só que você só conseguiu ler uma conjuntura que tá mudando Então, por exemplo, hoje muita gente investe e cria negócio em wellness. Por que wellness? Porque as pessoas estão começando a cuidar mais delas, né? Ou, por exemplo, a gente fala do silver economy, que é terceira idade. Muita gente tá se posicionando lá porque é gênio? Não, é porque demograficamente as pessoas estão vivendo mais.

LPLuciano Pires

Então tem ondas, vão surgindo ondas, né?

ECEdu Camargo

É isso, o mundo vai se reconfigurando. Eu brinco toda vez que algo morre, algo nasce. E nesse novo nascer, como é que você hackeia? E aí eu acho que, por exemplo, o meu caso é muito legal, porque o meu sócio era um dos fundadores da Daqui, que é aquele aplicativo de entrega, né, que é unicórnio brasileiro nosso, unicórnio mais recente, que a gente mais rápido. Não, foi em 8 meses, ele foi o mais rápido do Brasil. A Daqui foi uma história muito legal.

Só que por que que é? Óbvio que teve muito Bom trabalho deles, um time maravilhoso lá, bons investidores. Mas eles começam a fazer entrega dentro da pandemia, que era todo mundo em casa, entrega do supermercado. Muita gente vira falar: é sorte. E ele conta, cara, não é sorte. Eu fiquei um bom tempo analisando quais seriam os maiores impactos que essa nova divisão no mundo teria e quais os negócios que iriam prosperar. Então falo que a sorte é um elemento quantificável, E eu gosto de falar da destruição criativa porque, por exemplo, hoje AI, para onde está indo o mundo? Onde que eu vou me posicionar?

LPLuciano Pires

Eu tenho um exemplo maravilhoso, cara, que é da economia pré-AI, pré-computador, pré-tudo. Nos anos 80 eu trabalhei, eu entrei no mercado automotivo, né, trabalhava numa indústria de autopeças. Uma das maiores empresas do Brasil era Volkswagen. Volkswagen tinha, sei lá, 80 mil funcionários, era um negócio absurdo, gigantesco aquilo. E aí entraram processos novos, então Lean Manufacturing, automatização, entrou uma porrada de coisa e de repente, algum tempo depois, a Volkswagen tava com 30 mil funcionários.

Aí você fala, peraí, de 80 para 30 tem 50 mil, onde foi parar essa gente? Isso não foi apagado? Aonde foi parar essa gente, né? Essa gente foi para outras coisas e se realocou em outras funções que a gente nem imaginava que existia, né? Então agora tá acontecendo a mesma coisa, todo mundo apavorado. Meu, como é que é? O IA chegou, não vai ter mais gente que faz transcrição, tradutor, ela vai tirar. Sim, esse povo vai se realocar em alguma outra coisa, não vai deixar de existir, não vai ficar todo mundo, não tem mais o que fazer, não tem mais trabalho?

Vai ter, cara. E se o trabalho não for montar uma peça, ele vai ser trabalhar a cabeça de alguém, né?

ECEdu Camargo

Eu acho que tem que— as pessoas que estão em risco, né, de— eu concordo com você, tem, por exemplo, tradutor, serviços jurídicos, algumas, alguns outros, alguns serviços que eram— você era dono de um conhecimento muito específico e hoje esse conhecimento é facilmente acessível, eles têm um risco um pouco maior. O que essas pessoas deveriam estar se mexendo hoje, e é o que eu provoco muito, é de entender qual que é a nova conjuntura, quais são os novos problemas que vão ser criados a partir dessa tecnologia.

Porque toda vez que você coloca algo, eu brinco que o mundo ele precisa se reajustar. E quando ele se reajusta, alguns problemas começam a acontecer, porque ele é um mundo novo, tem coisas novas acontecendo. Onde que eu me realoco, onde que eu me reposiciono aqui para aproveitar disso? Vou te dar um exemplo, uma coisa que hoje tem as IAs, né, tem o GPT, tem o tal do Claude, né, que tá todo mundo usando agora o Claude. E o Claude ele tem uma peculiaridade que é os tokens que você usa, né, que é basicamente o tempo que você ficou lá, ele dá uma travada, você tem que esperar um pouco para voltar a usar.

E eu até mandei nos grupos que a gente tem lá da Um cara criou um dispositivo que você conecta e ele fica ligado ali e ele te fala quantos tokens você usou. Quem imaginaria que há 3 anos atrás um cara iria ganhar dinheiro criando um computadorzinho que fala quantos tokens você usou numa inteligência artificial? Então eu acho que o que eu provoco as pessoas é: se você tá incomodado com o que tá acontecendo e o teu papel no mundo, tenta tomar um pouco do protagonismo.

E é difícil tomar protagonismo, a gente é bem estimulado a não tomar protagonismo no mundo, né? Procura as mudanças na tua indústria, cara. Ninguém conhece mais a indústria de tradução do que um tradutor, ninguém conhece. Pega esse seu conhecimento da tua indústria, entende, gasta um tempo e massa cinzenta da tua cabeça entendendo para onde essa indústria tá indo e começa já se reposicionar nesse mercado, já começa a tentar entrar num local que eventualmente outras pessoas não têm.

Vou dar um exemplo, você falou do tradutor, beleza, eu acho que para AI cada vez vai ser mais substituído, mas as pessoas estão voltando a fazer coisas presenciais e no presencial a tradução simultânea ainda não é tão boa. Cara, faz alguma coisa de tradução simultânea. Vai para o mundo físico.

LPLuciano Pires

Então você tá me pedindo uma coisa interessante, ó. Eu sou tradutor, ok? Sou tradutor, sou excelente, sou bom, traduzo há 30 anos, cara. Ninguém ganha de mim, eu sou um avião. E esse mercado começou a mudar e você tá me pedindo um tipo de inteligência que eu não sei se eu tenho. Ninguém me bate como tradutor. Agora, quando você pede para mim o seguinte: avalie o mercado, vê se tá me pedindo um pensamento lógico que não faz parte da minha caixa de ferramenta, cara.

ECEdu Camargo

É isso.

LPLuciano Pires

E aí eu não tenho bala para poder fazer essa, para entender como é que funciona, né? Aí talvez apareça um guru ali, vai dizer: eu tenho, vem aqui comigo, me dá sua mão.

ECEdu Camargo

Principalmente se ele for oferecer isso como algo fácil. Sim, eu acho que, eu acho que a desconfiança, porque foi o que você falou, essa pessoa ficou anos e anos e anos acumulando um conhecimento técnico que é incomparável. E ela não vai conseguir em um mês, duas semanas, numa imersão, mudar esse pensamento. Então, se ela for entrar em qualquer tipo de esforço, que eu concordo com você, é um outro músculo, é um outro, mas que é um músculo necessário, que é o músculo do empreendedorismo, que é o músculo de pensar fora do conhecimento técnico, pensar em negócio.

Eu falo às pessoas Qual que é o, pergunta para mim, qual que é o principal erro que você vê empreendedor cometendo? Tentar empreender com uma paixão que a pessoa tem, mas que ela nunca foi entender se aquilo pode virar um negócio. Aí vira um pesadelo e vira um hobby muito caro, porque ela vai colocando dinheiro para tentar viver de uma paixão que nunca vai ser um negócio. Então o que eu falo para essa pessoa? Procure ajuda para começar a ter uma visão mais talvez empreendedora, mais não vai ser em uma semana, não vai ser em uma imersão, vai ser um processo longo.

Talvez demore 6 meses, talvez demore 1 ano. Eu falo para pessoa: quanto tempo você não ficou acumulando conhecimento técnico do que você sabe fazer bem? Anos, 20 anos. Você acha que é uma imersão? Você acha que é um final de semana que vai, que vai te ensinar esse tipo de coisa?

LPLuciano Pires

Você não vira.

ECEdu Camargo

Então precisa ter um pouco de crivo também para quem tá passando por esse momento de ter que se reinventar, tem que ter um crivo em quem que eles vão confiar para aprender essas habilidades que não são nativas da pessoa.

LPLuciano Pires

Vamos falar do livro aqui, cara? Fala um pouco mais do livro aqui. O título é uma provocação, eu imagino que seja uma, né?

ECEdu Camargo

Por isso que ele é o post-itzinho aqui.

LPLuciano Pires

É um livro sobre empreendedorismo onde você dá uma, opa, por que não, né?

ECEdu Camargo

Quem é que é meu pai que veio colar? Eu fiz aquilo, ele colou.

LPLuciano Pires

Quem é que não deve empreender, cara? Deixa eu dar uma, pera aí, deixa eu melhorar ela aqui. Você falou do Sebrae?

ECEdu Camargo

Sim.

LPLuciano Pires

Tem lá o curso deles lá, o Empretec, né?

ECEdu Camargo

Sim.

LPLuciano Pires

Que eu sempre brinco com a turma, falo o seguinte, cara, você vai começar, vai lá, faça o Empretec, porque no final do Empretec você vai descobrir se você é para empreender ou não. Ele não é um curso que vai te ensinar a empreender, ele vai dizer se você é o bicho empreendedor ou não é. Vai mexer com a tua cabeça. Quando terminar, você fala: puta, não, meu, eu tenho que arrumar um emprego CLT e tem que ficar quietinho lá porque eu não sirvo para esse tipo de coisa, né? Então volto à pergunta: então quem é que não deve empreender?

ECEdu Camargo

Esse é um resultado ótimo. Até brinco, no final do livro eu falo: se você leu o livro inteiro e você não quer empreender, que bom, você gastou ali R$60, R$70 e se salvou de uma vida que Cara, tá tudo bem, não seria, não seria para você. Agora, se você sai energizado, você vai empreender com muito mais noção do que tá entrando em jogo aqui. E vai ser difícil, mas pelo menos você vai tomar decisão mais bem informado. Quem não deveria empreender?

Essa é uma pergunta que as pessoas me fazem. Eu acho que não deveria empreender quem trata o empreendedorismo como uma forma de procurar uma identidade fora do que a pessoa tá fazendo agora. O que que eu quero dizer com isso? Tem muita gente que tá com muita crise de ansiedade, não sei o que eu quero fazer. É que eu te falei, as pessoas estão trabalhando e não estão vendo, né, significado. E a pessoa vira e fala assim: já sei, acho que a solução para tudo é empreender.

Então, de colocar no empreendedorismo uma fuga do que você tem hoje eu acho que é uma decisão errada por natureza. O empreendedorismo não é uma fuga, ele é uma busca. Ele é uma busca muito intencional no sentido: olha, eu quero atuar nesse mercado, eu quero ajudar as pessoas desse mercado, isso tem a ver com meu propósito, isso tem a ver com o que eu quero fazer na vida, com a minha missão, qualquer espiritualidade que a pessoa tem, isso tem a ver com o que eu quero trazer para o mundo.

Eu identifiquei que isso pode ser um bom negócio, que às vezes pessoas vão lá e se entregam a um sonho. Eu quero fazer café para o resto da vida, cara, o cara não consegue montar uma empresa. Então é a busca por um propósito, por algo que vai fazer a diferença na tua vida, mas que seja um bom negócio, que tenha margem, que dê dinheiro, que as pessoas queiram. Isso que eu falo muito também no livro, a diferenciação entre o que é um hobby caro e uma empresa.

Então eu acho que não deveria empreender quem não tá disposto a descobrir a diferença entre hobby caro ou empresa, porque provavelmente você não tá disposto a descobrir a diferença, vai acabar virando um hobby caro e vai acabar com a tua vida.

LPLuciano Pires

E para descobrir a diferença eu vou ter que lidar com caixinhas com as quais eu não sou familiar, né? Eu sou artista, eu sou artista, eu faço, eu pinto azulejo, sou o melhor do mundo, todo mundo ama meu azulejo, eu vou montar uma empresa de vender azulejo pintado. Ninguém ganha de mim na pintura do azulejo. Mas, cara, você vem, começa a falar de fluxo de caixa, cara, contador, de que eu não quero essa merda, que o meu negócio é pintar azulejo, né?

E eu monto a minha empresa focada no meu talento de pintar azulejo e vou quebrar a cara.

ECEdu Camargo

É por isso que nesse livro, e eu falo que ele não é um livro de negócios, eu poderia ter escrito um livro de negócio aqui, você tá vendo pela conversa que, pô, eu tenho, poderia escrever sobre fluxo de caixa. Hoje eu sou professor de diversos lugares, eu dou aula de fluxo de caixa, eu dou aula de margem, eu dou aula de tudo, né? É custo de aquisição de cliente, cara, todos os termos que são importantes para você gerir um negócio, eu dou aula disso.

O livro, ele é sobre a variável, que as variáveis que você não precisa ter nenhum tipo de conhecimento técnico para mapear. Então a gente pega as letras, por isso que o acrônimo do Start, é porque eu falo de 5 itens super importantes para você empreender que estão no teu controle. Eu falo assim, se tem alguma coisa que tá no teu controle, são essas 5 coisas. O S é saúde física e mental. Como que eu me preparo? Às vezes a pessoa quer empreender, ela tá saindo de uma depressão ou ela tá com problemas de saúde muito sérios.

Eu não recomendo. Quem não deveria empreender? Quem tá, quem não tá com uma saúde pelo menos ok, não precisa estar óbvio, né, atleta nem nada, ou não tá com a cabeça muito boa, eu não acho que deveria começar a empreender. Eu falo de T, que é tesouraria. Cara, se você não tem um pouquinho de reserva, você não precisa ter todas as reservas do mundo, mas você não tem um pouquinho de reserva, você não deveria começar a empreender, porque você vai começar a entrar numa jornada de correr para achar resultado e vai tomar um monte de decisão errada.

A é advisors. Eu acho que você não deveria empreender num mercado que nem você falou agora, que você não conhece ninguém que empreendeu lá, você não tem amigos. Advisor são os mentores, são as pessoas, né, que vão te ajudar. Se eu não conheço nenhum especialista ou alguma pessoa que já abriu uma empresa naquilo, eu acho que você não deveria empreender. Você deveria conhecer pessoas que podem te dar dicas e tal. R é de relacionamento.

Então você não deveria empreender se não tá ok com a tua família, com a tua esposa, com teu marido, né, com teus amigos. Amigos, com teus pais, cara. Se não é uma jornada que quem tá próximo de você tá a fim que você entre, puta, não entra. E o T, para mim, que é o último, que é o principal de todos, que eu falo que é tração. Tração, termo que a gente usa muito em empreendedorismo, startup, que é, cara, alguém tá interessado em comprar o teu azulejo?

Ah, mas eu faço, meu bolo é muito bom, eu sou uma boleira, gosto de fazer bolo. Tá, as pessoas comprariam o teu bolo? Ah, mas eu faço bolo para minha família. Tá, mas você já tentou vender bolo no teu prédio? Esquece abrir uma lojinha, você já vendeu bolo no teu prédio? Já conseguiu vender café no teu prédio? Você já conseguiu vender café no teu bairro? Você tem algum sinal claro de que as pessoas têm demanda por aquele produto que você sabe fazer, ou aquele serviço que você quer fazer?

Caso você não tenha, Você não deveria empreender. E aí eu falo muito das pessoas começarem a testar essas variáveis e empreender enquanto elas estão no mercado de trabalho, porque não é o momento que você— o que que eu vejo as pessoas tomarem decisão errada? Elas estão ansiosas, elas estão chateadas com a vida e tal, larga tudo, e aí vai empreender. Aí ela tá já saindo de uma depressão, de um burnout, com a saúde lá nos pacová, Não conversou às vezes com a esposa, com o marido, toma a decisão de sair para empreender.

E a pessoa vira e fala: meu, mas vai mudar nossa vida para sempre. Quer empreender no mercado que não conhece ninguém, não tá com grana. E não precisa de muita grana, é uma mentira que as pessoas acham que precisa de muita grana. Precisa ter alguma grana. Eu ensino a fazer a conta: quanto que eu preciso ter de grana? Eu ensino a fazer essa conta. E nunca testou se as pessoas têm interesse no seu produto. Isso para mim é o quem nem eu deveria empreender.

E aí eu ajudo, por isso que eu falo que é um método para pessoa se preparar. E não só se preparar durante a jornada, como que você faz um tracking, né, como você acompanha essas variáveis. A minha saúde tá boa, não tá boa? Minha saúde mental tá boa, não tá? Meu relacionamento, como é que tá? Então como é que você vai fazendo esse aperto de parafuso, né? Putz, tô bem, vou empreender. Durante a jornada essas variáveis vão para lua, elas vão quebrando.

Então como é que você também mantém uma estrutura de monitoramento disso durante a jornada? Por isso que eu falo que ele é legal, porque ele não é de negócios, ele é sobre a pessoa.

LPLuciano Pires

A tesouraria e atração cabe numa planilha Excel, cabe.

ECEdu Camargo

E assim, é muito mais simples do que as pessoas acham. Sim, porque as pessoas acham que, ah, eu preciso ter uma— sabe quando você vai organizar tuas finanças? Eu sei na média brasileiro também não é muito bom, bem organizado, mas que você basicamente coloca ali, ó, essa é a minha receita, você abre todo o extrato do cartão, esses são meus gastos. Cara, é a mesma coisa, tô simplificando, obviamente que não é a mesma coisa, né, mas é a mesma coisa para o teu negócio.

E o que que você vai fazer durante algum tempo naquela linha da receita? Ela vai ser menor do que hoje, talvez você ganhe menos que o seu salário, Quanto que é o menor? E aí um menos o outro é o rombo de caixa, né? Quanto eu tô ganhando, tanto gastando, tanto faltando. A conta é por quanto tempo eu consigo financiar esse rombo. E a conta é tão simples quanto: quando terminou, e eu falo isso para as pessoas, terminou e você ainda não conseguiu inverter a relação de receita e custo, né, você não tá conseguindo gerar dinheiro com aquilo, para, para.

Mas tem que ser muito científico, tem que ser muito certa essa conta. Você não pode virar e falar: não, não chegou, mas eu vou dar mais 2, 3 meses. É esse o buraco que as pessoas vão se enfiando. Ela vai vendo aquilo acontecer, vai começando a dar errado, e aí o compromisso que ela fez com ela mesma ali, sei lá, 7, 8 meses atrás, que é: pô, vou gastar R$100 mil nesse meu projeto, R$100 mil, é grana. Chegou nos R$100 mil, ela vira e fala, mas eu tô tão próximo de chegar num negócio que eu vou botar mais R$20 mil.

Aí começa a pegar dívida ali, pega dívida aqui, e aí os acordos que você fez com você vão por terra.

LPLuciano Pires

E tem um amor pela coisa que está fazendo, né, cara?

ECEdu Camargo

Esse é o principal problema. Você tá tão apaixonado pelo que você gostaria que o teu negócio fosse que você não consegue entender que ele não é daquilo. E essa é a dura realidade. Você começa a projetar o que a sua empresa vai ser, só que quando você olha, as pessoas não querem comprar, elas não têm interesse no seu produto, elas não querem pagar o quanto você precisaria cobrar para aquilo fazer sentido. E aí você fica projetando o que deveria ser o seu negócio em vez de olhar para ele e falar, cara, e assim, isso não é um um desestímulo às pessoas empreenderem.

Eu quero as pessoas felizes com dinheiro na mão, e se for empreendendo, é a melhor coisa do mundo. Eu empreendo hoje, tenho 5 empresas, é a coisa que eu mais gosto de fazer no mundo. Minha esposa tá empreendendo comigo agora, ela tá começando a gostar também. Mas para muita gente você precisa tirar um pouco da paixão e olhar para os números como um cientista faria. Imagina se o cientista que curou o COVID fosse apaixonado pelas ideias dele, a gente não teria hoje a cura.

Então o empreendedor precisa ser mais científico, menos apaixonado pelo que ele gostaria que fosse a cura, e mais sobre, putz, o que que eu posso fazer para encontrar a cura certa? E se eu não tô conseguindo fazer no tempo de tesouraria que eu me dei, putz, cancela, volta para o mercado, volta para trabalhar, acumula dinheiro de novo, tenta de novo depois. Fala, pessoas, quer tentar? Tenta de novo, mas não vai entrando num buraco quando claramente aquele buraco não tem, não tem uma saída fácil.

LPLuciano Pires

Eu sou um pequeno empreendedor no interior do Maranhão, adorei tua ideia aqui, vou comprar seu livro, né? Mas eu preciso de algum tipo de suporte para isso aqui. Eu tenho um curso para eu fazer, tem alguma Onde é que eu busco, cara?

ECEdu Camargo

Vou fazer o jabá da minha própria empresa aqui, mas eu vou ser bem honesto nesse jabá, porque eu acho que, eu acho que tem uma coisa que é importante aqui. Foi o que você falou, hoje o Brasil tem o Sebrae, né? O Sebrae, ele é muito bom. As pessoas não conhecem o Sebrae, mas o Sebrae, ele ainda olha para negócios talvez de crescimento um pouco menor. Tu tá falando ali de empresas um pouco menores, que nem você falou, do artesão, né, empresas talvez de tal, e tá tudo bem.

Eu acho que, eu acho que o Sebrae é um ótimo recurso para quem, para quem precisa hoje disso. Foi por a gente não encontrar um local que ajudasse as pessoas a fazer essa transição do modelo que você falou, né, que é, cara, eu não sei como empreender, para como é que eu penso como empreendedor, que a gente cria a Mauna, que essa empresa que eu tenho, que eu tenho com meu sócio, chama-se Mauna. Mauna.

LPLuciano Pires

Mauna.

ECEdu Camargo

Mauna. UNA, que a gente tava até falando, é o nome da montanha, né, que tem no Havaí, com o objetivo de fazer as pessoas realizarem a transição do que elas estão fazendo hoje, seja profissionais autônomos, seja CLT, seja qualquer coisa, para o caminho do empreendedorismo. E olha que legal, a gente hoje tá com aproximadamente 50 pessoas que estão com a gente lá, né, fazendo essa transição, né, do corporativo iniciativo para o mercado de empreendedorismo.

E algumas, depois de— e é ótimo isso— depois de algumas semanas viram e falam, cara, empreender não é para mim. E olha que bom, olha que coisa incrível, porque ela entrou para um programa, ela tá aprendendo, ela tá vendo o que é necessário. Ao mesmo tempo que eu tenho pessoas que falam, putz, não, não são muitas, mas pô, não empreender não é para mim. Eu tenho pessoas que com 2 meses de programa estão faturando já. Então eu consigo acelerar quem tá disposto a passar pelo processo e fazer ele de forma correta e científica e metodológica.

E quem entendeu qual é o processo, mas não quer passar por ele, também vira e fala assim, cara, que bom. E eu tive uma pessoa que virou e falou assim, Edu, obrigado, porque, cara, eu há 2 meses atrás teria tinha largado tudo para fazer isso. E agora, e se eu descobrisse que é isso, já tinha largado tudo, tinha colocado um monte de dinheiro, já tinha colocado um monte de investimento aqui, já tinha quebrado a cara. Não porque a ideia não era boa, mas porque a pessoa não quer passar pelo passo a passo que é necessário para colocar o negócio de pé.

Então, mas você tem hoje também, hoje que eu recomendo para as pessoas, tá? Obviamente tem a Maura, que nem eu tava falando, Você tem o Sebrae, né? Tem muito conteúdo online, tá? Conteúdo mesmo é aprender o que que é o Lean Startup, né? Startup enxuta, aprender sobre todos esses termos aí e tentar se juntar em algum local de encontro de empreendedorismo, encontro de empreendedores. Aí, Edu, eu não tenho muita capacidade de investimento para fazer MAUNA, eu não quero ir para o Sebrae e não tenho uma comunidade de empreendedores aqui de onde eu moro, por exemplo, sou do Maranhão, cara, começa a sua.

Pega 3, 4, 10 empreendedores, faz você um grupo, começa a se encontrar com todo mundo toda sexta de tarde, que é o horário que dá para o empreendedor encontrar. Canal para chegar no conteúdo você tem de montão hoje em dia, tá muito popularizado.

LPLuciano Pires

O problema é você escapar das armadilhas.

ECEdu Camargo

Mas o que é a dica para escapar? Qualquer produto sério, primeiro que é feito por empreendedores. Acho que esse é o primeiro grande, assim, hoje a gente tem mais de 30 especialistas lá, que são os mentores que ajudam as pessoas no passo a passo ali. Todos, todos são empreendedores ou já foram. Porque aí, se eu vou falar de como que eu vou criar uma estratégia de marketing para minha empresa que tá começando, eu não vou querer conversar com o diretor de marketing sei lá, do Burger King, não é que eu tenho nada contra, deve ser pessoas profissionais incríveis.

O cara não tem o budget de R$3.000 que eu tenho para investir em marketing. Então acho que esse é o primeiro crivo: você tá fazendo algo que quem vai te ensinar ou quem vai estar com você é empreendedor? Acho que esse é o primeiro grande crivo. O segundo é: isso é uma coisa que vai te dar uma promessa de uma entrega? Ah, você vai abrir a tua empresa em em 2 meses, ou é algo que vai te ensinar a metodologia e o passo a passo. Você, quando começa qualquer jornada empreendedora, você é o protagonista.

Você é empreendedora protagonista. Você não pode terceirizar para ninguém o resultado. Então, se alguém te prometer resultado, eu cairia fora na hora, porque depende de você. Como é que alguém vai te prometer um resultado? Ah, mas eu quero comprar porque me promete resultado. Cara, você vai perder o resultado e o dinheiro. Muito provavelmente os dois. Vai ter que meter um processo nos cara para pegar o dinheiro de volta e tal.

Então vá no lugar que seja com empreendedores, vá no local que dê tempo, que não seja uma coisa de um mês e tal, que seja uma coisa— o nosso programa tem 12 meses, e é 12 meses que a pessoa pode renovar se ela quiser. Se o timing dela para empreender é um ano e meio, ela vai ficar um ano e meio lá, não tem tempo. E que não te prometa resultado, mas te prometa metodologia, processo, suporte, independente do local. Acho que eu procuraria essas 3 variáveis aí.

E desculpa de volta, olhar para a câmera e falar, desculpa te dizer, se você quer empreender, não é uma jornada rápida de um mês, é uma jornada de diversos meses, anos. Essa aqui que é a minha, tava olhando para errado. Então não ache que é algo que é simples, mas se é o teu sonho, se é a tua vontade, se você quer procurar propósito através disso, saiba que é uma coisa que é muito gostosa, mas que vai demorar o seu tempo, e tá tudo bem.

Até porque eu sempre falo para as pessoas, tudo na vida que a gente, que demorou para acontecer, são coisas mais gostosas. E tudo que vale a pena tem o seu tempo, né?

LPLuciano Pires

Perfeito. Por que Você Não Deveria Empreender é o nome do livro do Edu Camargo, que tá aqui. Vocês já viram pela conversa que Tem café no bule, tem conteúdo. Eu vou me divertir lendo esse livro aqui. Quem quiser te encontrar, vamos lá, qual é o caminho?

ECEdu Camargo

Eu sou muito ativo no Instagram, tá? A minha rede é muito fácil, é @empreende_edu, né? No LinkedIn eu uso menos, mas eu tô lá também, Edu Camargo. Falei que Eduardo ninguém me chama. E quem quer acompanhar a Dá para pegar o perfil da Mauna através do email, mas é mauna.ventures, Ventures, que é o nome completo, né? mauna.ventures. Perfeito.

LPLuciano Pires

Você, o livro tá na Amazon? Você encontra em qualquer lugar o livro?

ECEdu Camargo

Ele tá nas principais capitais do Brasil pela Editora Cidadel e ele tá na Amazon. Então a Amazon entrega o Brasil inteiro.

LPLuciano Pires

Tá bom, meu caro. Que legal! Você vai ser um evangelista do empreendedorismo empreendedorismo aí, cara, é legal, é um papel social até, vai além do econômico, cara, é social.

ECEdu Camargo

Ah, eu falo assim, eu vi, né, morando fora, o que que o empreendedorismo muda nas nações. Eu sou muito simples assim nesse sentido, eu acho que, puta, é super importante que a gente vota, o que que a gente faz e tal, mas eu acho que quando a gente consegue transformar propósito em negócio, precisa virar negócio, precisa ter, gerar emprego, pagar pagar imposto. O empreendedorismo é transformacional. Eu tenho uma microesfera do que ele fez pela minha vida, e eu sei hoje que eu tô fazendo pela vida, sei lá, das 50 pessoas que estão lá no programa.

Então eu sou um otimista eterno e um evangelista, se eu usar a palavra, né, do empreendedorismo. Mas eu acho que, como qualquer coisa na vida, tem que ser feita com bases muito sólidas, com muita verdade, com muita consciência do que tá sendo feito, né. Eu acho que viver a vida é melhor do que sonhar com uma vida que nunca vai existir.

LPLuciano Pires

Isso é meu pior. Cara, obrigado, bem-vindo.

ECEdu Camargo

Obrigado pelo convite, viu?

LPLuciano Pires

Um abraço, boa. Muito bem, termina aqui mais um Lidercast. A transcrição deste programa você encontra no lidercast.com.br. Você ouviu o Lidercast com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.

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