Café Brasil 1039 - A grande broxada
O Brasil perdeu uma Copa. Mas será que perdeu só um jogo? Neste episódio usamos a eliminação da Seleção como ponto de partida para investigar um fenômeno muito mais profundo: a sucessão de esperanças frustradas que transformou o "eu já sabia" numa filosofia de vida. Da redemocratização ao futebol, da política ao cotidiano, uma reflexão sobre como nasce o desalento coletivo — e por que recuperar a esperança depende menos de heróis e mais da coragem de voltar a entrar em campo.
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- Rodadas BrasileirãoResignação antecipada e descrença · Impotência aprendida na política · Ciclos de esperança e decepção · O papel do cinismo na sociedade
- Crítica à cultura contemporâneaDefesa contra a decepção · Abandono da participação política · Cinismo como maturidade
- Histórico de operações políticas e investigaçõesDiretas Já e a emenda Dante de Oliveira · Governo Sarney e o Plano Cruzado · Governo Collor e o confisco · Plano Real e suas consequências · Governo Lula e o Mensalão · Manifestações de 2013 · Operação Lava Jato · Impeachment de Dilma Rousseff
- Renovação de EsperançaDiferença entre moderar e castrar a esperança · O risco da desistência · A coragem de continuar tentando
- Qualificação e Articulação InstitucionalRedução da dependência de salvadores · Fortalecimento de mecanismos de controle · Relação entre esforço e resultado · Reconhecimento de avanços parciais
Olha só, ao final do dia todo mundo foi embora, mas a decisão ficou com você. É você que tem que escolher se avança ou se recua, você que contrata ou demite, você que insiste ou encerra. E quase sempre, cara, você decide sozinho justamente aquilo que pode mudar o rumo da sua empresa, da sua carreira e da sua vida. Que baita solidão! Você já se sentiu assim, sozinho? Bom, essa solidão tem um preço, porque sem alguém confiável para pensar junto, o medo se disfarça de prudência, os nossos vieses parecem bom senso e a dúvida começa a paralisar.
Cara, que problema! Então, nos dias 1 e 2 de agosto, das 9 às 13, eu vou conduzir A Mesa. Tem uma crase nesse A, é um convite. Um convite para um encontro online e ao vivo para empresários, líderes e profissionais que estão cansados de carregar sozinhos as decisões que mais importam. Vão ser 2 dias de casos, reflexões e conversa para melhorar a qualidade das suas escolhas em ambientes de incerteza. Olha, daqui você não vai sair com respostas prontas, não.
Vai sair é com muito mais clareza para encontrar as suas próprias respostas. Meu nome é Luciano Pires, reserve seu lugar à mesa, link na descrição deste episódio. Você que pertence ao agronegócio ou está interessado nele precisa conhecer a Terra Desenvolvimento. A Terra oferece métodos exclusivos para gestão agropecuária, impulsionando resultados e lucros. Com tecnologia inovadora, a equipe da Terra proporciona acesso em tempo real aos números de sua fazenda, permitindo estratégias eficientes.
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Há 25 anos colocando a inteligência a serviço do agro. Depois da eliminação do Brasil pela Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, eu vi pouca gente realmente brava. É claro, houve críticas, piadas, teve algum inconformismo, mas nada parecido com aquela indignação de quem sente que perdeu uma coisa que poderia ter conquistado. O que mais apareceu foi uma espécie de resignação antecipada. Ah, eu já sabia. Essa frase é curiosa, cara, porque ela tem uma aparência de inteligência, né?
Quem diz assim, eu já sabia, se coloca acima dos iludidos. Não sofreu porque não acreditou, não foi enganado porque já esperava o fracasso. O problema é que quando essa atitude se espalha, a descrença deixa de ser apenas uma reação à derrota e começa a fazer parte de suas causas. Na Copa dos superlativos, das surpresas e dos protagonistas, a gente voltou para casa como coadjuvante. Se tivéssemos uma parte só, só umazinha da garra e da vontade de vencer dos argentinos, dos suíços e até dos cabo-verdianos, talvez a nossa torcida não estivesse tão desalentada.
E a palavra é essa mesmo: desalento. Ausência de ânimo, de motivação, de esperança. O curioso é que quando uma funcionária da Nike apareceu propondo o Vai Brasa para camisa da seleção, a reação foi imediata. Muita gente que já não acompanhava os jogos, que dizia não se importar com a Copa e que havia se afastado da seleção, de repente se indignou. Afinal, cara, estavam mexendo num ícone, né? A camisa amarela pode ter perdido parte do seu encanto, pode ter sido capturada por disputas políticas e pode já não despertar o entusiasmo de outros tempos, mas continua guardada em algum lugar profundo da identidade brasileira.
Foi preciso alguém tentar rebatizar o Brasil para descobrirmos que ainda nos importávamos. E o curioso é que a gente defende com paixão o símbolo de uma seleção na qual já não conseguimos acreditar com a mesma paixão. Talvez a grande broxada comece exatamente aí. Ainda reconhecemos o que deveria nos unir, mas já não encontramos dentro de nós a força necessária para nos se entregar a isso. Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é o Café Brasil, eu sou Luciano Pires. Posso entrar?
Olha, já vai começar o programa! Não, não quero ser um cocô.
Talvez alguém veja uma contradição entre esse episódio aqui e o Café Brasil 1000, no qual eu falei sobre o orgulho de ser brasileiro. Mas o orgulho que eu defendi ali nunca foi a obrigação infantil de achar que tudo no Brasil é maravilhoso. Longe disso. Não era fechar os olhos para os nossos fracassos, não. Muito menos transformar crítica em falta de patriotismo. Era reconhecer que este país aqui é nosso, com suas grandezas e suas misérias, e que justamente por isso não podemos desistir dele.
A grande broxada trata do outro lado dessa mesma questão: o que acontece quando tantas esperanças são traídas que o cidadão, para não sofrer mais, deixa de acreditar, de participar e até de desejar? O contrário do orgulho não é a crítica, é a indiferença. Quem critica ainda espera alguma coisa, quem se desliga já entregou o país aos outros. Portanto, não tem contradição entre os dois episódios, não. Tem é uma continuidade. O orgulho de ser brasileiro não está em fingir que o Brasil deu certo, está em recusar a ideia de que ele não possa dar.
Olha, quando eu falo na Copa, eu não estou dizendo que os argentinos sejam melhores do que nós, embora dentro do campo, cara. Eu nem digo que gritar na arquibancada faça bola entrar, nada disso. Eu tô tentando entender uma outra coisa: por que que alguns povos, mesmo quando tudo parece dar errado, preservam a impressão de que ainda podem interferir no resultado, enquanto outros começam a assistir a própria história como quem acompanha a reprise de uma novela cujo final já conhece?
Talvez a resposta esteja na quantidade de derrotas que se acumulam sem produzir consequência. Quando uma equipe perde, analisa o jogo, troca jogadores, revê o treinamento e tenta novamente. A derrota pode até produzir um grande aprendizado. Mas quando perde e tudo continua igual, ela produz impotência. Com as sociedades acontece exatamente igual. Escândalos se sucedem, serviços permanecem ruins, promessas desaparecem depois das eleições e reformas morrem em alguma gaveta.
E aos poucos, o cidadão conclui que nada do que faça terá efeito. A psicologia chama isso de impotência aprendida. Depois de enfrentar repetidamente situações sobre as quais não tem controle, uma pessoa pode parar de tentar, mesmo quando surge uma possibilidade real de mudança. Tentar pra quê, cara? Na política, isso aparece quando o cidadão já não acredita que sua participação seja capaz de influenciar o governo. Ele se afasta, deixa a política para os profissionais da política, cruza os braços, não vai votar, não sai de casa, deixa a escola para os burocratas da educação, deixa a segurança para especialistas que nunca andaram pela rua e o futuro para quem tiver mais disposição para ocupá-lo.
E o espaço abandonado, meu caro, nunca fica vazio. Há muitos anos, enquanto o Supremo Tribunal Federal julgava o Mensalão, eu escrevi sobre essa sensação. Eu acompanhava as sessões com uma mistura de entusiasmo e desconfiança. Pela primeira vez, personagens instalados no centro do poder pareciam prestes a descobrir que a República não era apenas uma palavra decorativa impressa nos documentos oficiais, não. Os ministros condenavam empresários, operadores financeiros, dirigentes partidários e políticos importantes.
Chegava então a vez do chamado núcleo político, formado por José Dirceu, José Genuíno e Delúbio Soares. Era a hora em que, como se diz, o bicho ia pegar, cara. E eu queria acreditar, mas eu tinha um problema: a minha memória. Eu já tinha assistido aquele filme algumas vezes. Mudavam os atores, o cenário e o discurso, mas o roteiro permanecia estranhamente familiar. Primeiro aparecia uma promessa de redenção. Depois vinha uma mobilização popular, uma explosão de esperança, a sensação de que finalmente o Brasil havia encontrado a saída.
Então alguma coisa acontecia. A solução desmanchava, o herói se revelava menor do que parecia, as instituições falhavam e o país voltava ao ponto de partida, só que um pouco mais desconfiado. Naquele artigo, eu recorri a uma imagem que eu usava em minha palestra, o buraco da fechadura. A história brasileira parecia cheia de anjos e demônios. O anjo chega anunciando uma nova era, anunciando a redenção. Em seguida, o demônio aparecia, quase sempre saindo de dentro do anjo.
Foi assim com as diretas já. Em 1984, multidões ocuparam as ruas. Mais do que exigir o direito de votar para presidente, os brasileiros experimentavam a sensação de pertencer novamente ao próprio país. Depois de duas décadas de regime militar, cantar, erguer faixas e ocupar uma praça era recuperar algo que havia sido confiscado: a possibilidade de participar da história. A Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada no Congresso. O movimento não foi inútil, porque acelerou a transição democrática.
Mas para quem estava lá nas ruas, a mensagem imediata foi outra: Olha, podemos reunir milhões, empolgar o país inteiro e ainda assim perder na última curva. Foi a primeira grande broxada da redemocratização. No ano seguinte, Tancredo Neves foi escolhido pelo Colégio Eleitoral. Não era ainda a eleição direta que o povo desejava, mas representava o fim de um ciclo. Tancredo carregava a imagem do conciliador experiente, o homem capaz de conduzir o Brasil para fora do regime militar sem lançar o país no mar aventura.
Na véspera da posse, Tancredo foi internado e morreu semanas depois. O Brasil havia esperado 20 anos para ver um civil voltar à presidência e o presidente não chegou a tomar posse. A nova república começou com um funeral. José Sarney assumiu e herdou um país corroído pela inflação. Em 1986 surgiu o Plano Cruzado. Os preços foram congelados, os salários reajustados, uma nova moeda apareceu e os brasileiros foram convocados a fiscalizar os supermercados, nasciam os fiscais do Sarney.
E durante algum tempo pareceu que tínhamos derrotado a inflação com uma tabela, um broche e uma caneta. O povo entrava nos estabelecimentos procurando remarcações clandestinas. Donas de casa eram tratadas como guardiãs da economia nacional. O brasileiro comum, depois de anos apanhando dos preços, sentiu que finalmente podia participar da solução. A popularidade do governo disparou. Mas, sempre mas, a realidade econômica não respeita entusiasmo.
Os produtos começaram a desaparecer das prateleiras, surgiu o ágio, os controles se tornaram insustentáveis e a inflação voltou. Pior, voltou acompanhada da sensação de que a vitória tinha sido uma encenação e a gente broxou novamente. Eu vou dar uma pausa para você respirar.
Bom dia, boa tarde, boa noite. Oi, Luciano, aqui é a Bruna de Brasília. Tudo bom, Lala, Cissa, todo mundo que vai escutar esse áudio? Quero te agradecer pelo Café Brasil 1033. Acabei de ouvir, tava na ginástica, mas falei, não, hoje eu vou gravar o áudio para o Luciano. Muita gente na internet fala um pouco sobre o que você disse, né? Mas ninguém coloca da forma como você pôs, com teoria, dados e fatos. Lembrei até de um conceito que eu aprendi na graduação, quando você fala do Robert Simon e da teoria, né, da nossa limitação para decidir, das informações limitadas.
Mas na verdade eu queria te dar uma outra ideia. Alguns programas atrás Você tinha falado que queria falar das— tava se ensaiando pra falar da Escola de Frankfurt. Eu tenho uma ideia pra talvez você começar nisso. Existe um texto do Walter Benjamin que se chama A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica. E como você sempre fala sobre arte, eu acho que essa é uma excelente forma de você começar a falar da Escola de Frankfurt.
Não é um texto muito palatável, mas você é brilhante, vai tirar de letra. É uma forma de traduzi-lo para gente. Acho que você poderia começar por aí, pela arte. Talvez seja uma forma um pouco mais amena de começar a falar deles, tá bom? É isso. Fica com Deus, Deus te abençoe, e vida longa ao café brasileiro.
Oi, Bruna, que legal! Muito obrigado pelo comentário, viu? Ó, eu vou contar, mas é só para você, tá? Só para você. Olha o que aconteceu. Eu comecei a trabalhar na escola de Frankfurt e me incomodou que eu só encontrava conteúdos extremamente contra e extremamente a favor. Eu queria uma abordagem que fosse capaz de olhar para o que existe de maligno, mas também de aproveitável naquelas ideias, né? Eu mergulhei tão fundo, mas tão fundo, que eu acabei escrevendo um livro.
Na verdade, de verdade, cara, é um livro mesmo, real. Tá em processo de revisão, então em algum momento no futuro próximo eu vou anunciar essa novidade, tá? Provavelmente num episódio especial a respeito do assunto. Muito obrigado pela sugestão, viu? Onde é que a gente tava mesmo? Na broxada do Sarney, por volta de 1986. Então veio a Assembleia Constituinte. Ulisses Guimarães ergueu a nova Constituição e a chamou de Constituição Cidadã.
O texto de 1988 consolidou direitos, restabeleceu garantias, organizou a democracia e encerrou juridicamente o período autoritário. Era um documento inevitavelmente ambicioso, escrito por um país que saía de anos de privação política e queria se proteger de todos os abusos de uma vez. Mas o que nasceu ali, cara, foi uma máquina pública de enorme complexidade, com competências sobrepostas, interesses corporativos protegidos e um emaranhado institucional no qual quase tudo pode ser discutido, interpretado e judicializado.
Cara, o anjo nos devolveu a democracia e o demônio escreveu uma Constituição horrorosa e passou a cobrar o aluguel dentro da democracia. Chegamos então em 1989, a primeira eleição direta para presidente desde 1960. O país estava faminto por um salvador, e salvadores costumam aparecer quando a população deixa de acreditar em processos. Fernando Collor de Mello surgiu jovem, atlético e moderno, prometendo caçar marajás. Falava como quem vinha de fora da política, embora viesse de dentro dela.
Apresentava-se como o homem que enfrentaria privilégios, reduziria o Estado e colocaria o Brasil no mundo moderno. Pouco depois de assumir, confiscou o dinheiro depositado nas contas bancárias e cadernetas de poupança. Milhões de brasileiros descobriram que suas economias haviam se tornado inacessíveis por decisão do governo que prometera salvá-los. O caçador de marajás terminou envolvido num esquema comandado por Paulo César Farias.
Em 1992, o país voltou às ruas. Os caras-pintadas exigiram o afastamento do presidente. A Câmara autorizou o processo. E Collor perdeu o mandato. Tinha um lado luminoso naquela história. As instituições, afinal de contas, haviam funcionado. A imprensa tinha investigado, a sociedade se mobilizou, o Congresso reagiu e um presidente foi retirado dentro das regras constitucionais. Olha, talvez estivéssemos finalmente amadurecendo, né?
Mas até aquela vitória deixou um gosto estranho. O primeiro presidente escolhido diretamente depois do regime militar terminou afastado por corrupção. A democracia sobreviveu, mas a esperança depositada nela saiu bastante machucada. E então veio o Plano Real. Dessa vez não era apenas um congelamento improvisado. Havia uma construção técnica, uma transição monetária e uma tentativa mais consistente de reorganizar a economia. Quem viveu aqueles anos sabe o que significou entrar num supermercado e encontrar o mesmo preço na semana seguinte.
A estabilidade monetária não foi uma abstração, ela mudou a vida de quem recebia o salário e tinha de gastá-lo correndo antes que perdesse o valor. Fernando Henrique Cardoso tornou-se presidente embalado pelo sucesso do plano. O Brasil privatizou empresas, reorganizou parte do Estado, controlou a inflação e voltou a imaginar que poderia ser um país previsível. Mas a esperança cobrou mais do que o governo podia entregar. O segundo mandato de FHC foi atravessado por crises internacionais, desvalorização cambial, racionamento de energia, baixo crescimento e denúncias relacionadas à aprovação da emenda da reeleição.
Aquilo que tinha começado como estabilização terminou para muita gente associado ao desemprego e a estagnação. Olha, mas não significa que tudo tenha dado errado, não. Esse talvez seja um dos mecanismos mais cruéis da nossa memória política. Quando a decepção chega, ela apaga as conquistas anteriores. O plano que acabou com a hiperinflação passa a ser lembrado pelo apagão. A redemocratização passou a ser lembrada pela corrupção.
A Constituição passou a ser lembrada pela burocracia. Abrochada reescreve a história. Em 2002, Lula venceu a eleição presidencial. Para milhões de brasileiros, sua chegada ao Planalto parecia corrigir uma injustiça histórica. Um operário retirante nordestino, líder sindical, derrotado 3 vezes nas urnas tornava-se presidente da República. Até quem não votava nele compreendia a força simbólica daquele momento. Lula assumiu dizendo que a esperança havia vencido o medo, e havia mesmo uma esperança espalhada pelo país.
Seus primeiros anos combinaram estabilidade econômica, expansão do consumo, aumento do emprego, programas sociais e um cenário internacional favorável. Muita gente que jamais tinha entrado num avião passou a viajar. Famílias compraram geladeira, carro e casa. Jovens foram os primeiros e suas famílias a entrar numa universidade. Parecia que finalmente o Brasil tinha encontrado uma fórmula capaz de reunir crescimento, inclusão social e estabilidade democrática.
E então veio o Mensalão. Em 2005, as denúncias revelaram um esquema político e financeiro que atingia o centro do governo e do Partido dos Trabalhadores. A promessa de uma política moralmente superior desmanchou diante de operadores, empréstimos simulados, repasses clandestinos e compra de apoio parlamentar. A decepção foi maior porque não envolvia apenas mais um caso de corrupção. Tratava-se da corrosão de uma esperança moral.
Aquele grupo havia chegado ao poder afirmando que não era igual aos outros. Quando seus líderes foram apanhados praticando métodos que durante anos haviam denunciado, uma parte do país não concluiu só que o PT tinha falhado, não. Concluiu que todos eram iguais. E essa conclusão foi devastadora. Quando descobrimos que um político é corrupto, a gente pode substituí-lo. Mas quando passamos a acreditar que todos são inevitavelmente corruptos, deixamos de procurar alternativas.
A corrupção deixa de ser um desvio e passa a ser descrita como natureza humana, tradição nacional ou então característica genética do brasileiro. Cara, e sabe o que acontece? O corrupto agradece. Foi nesse ambiente que em 2012 acompanhei o julgamento do Mensalão. O Supremo condenou figuras que até então pareciam intocáveis. Zé Dirceu, Zé Genuíno, Delúbio Soares foram condenados. Outros réus também. Algumas prisões ocorreram. E durante algum tempo pareceu que estávamos diante de uma virada.
O país aprenderia que nenhum partido, por mais popular que fosse, estava acima da lei. O poder encontrara um limite. A República começava a amadurecer. E eu escrevi então que acompanhava tudo com entusiasmo contido e citava Saul Gorn: sempre espere ficar desapontado e você não ficará. Eu pensava que estava sendo cauteloso. Na verdade, eu tava sendo era otimista. Pouco tempo depois, em junho de 2013, o Brasil voltou às ruas. O movimento começou com o aumento das tarifas de esporte se transformou numa explosão nacional de insatisfação.
Havia cartazes contra a corrupção, os gastos com os estádios da Copa, a precariedade dos serviços públicos, os partidos, os governos e praticamente tudo que representasse autoridade. As manifestações eram difíceis de interpretar porque não tinham uma liderança, uma pauta única, nenhuma direção clara, mas carregavam uma mensagem compreensível: Pagamos impostos de país rico e recebemos serviços de país pobre. Por alguns dias, o brasileiro recuperou a sensação de que podia alterar o curso das coisas.
Prefeitos reduziram tarifas, governantes convocaram reuniões, o Congresso correu para votar projetos, a presidente anunciou pactos nacionais. A política parecia ter ouvido o barulho das ruas, mas aquela energia Não encontrou uma forma institucional duradoura. As manifestações se fragmentaram, grupos violentos, os black blocs, apareceram, as bandeiras se misturaram e o sentimento de união deu lugar a disputas sobre quem tinha o direito de representar a revolta.
A esperança de 2013 não desapareceu, ela se dividiu em tribos. E logo depois surgiu a Operação Lava Jato. A investigação revelou uma estrutura gigantesca de corrupção envolvendo empreiteiras, executivos, doleiros, partidos e dirigentes de empresas públicas. Durante anos, o país acompanhou delações, prisões, planilhas de propina e malas de dinheiro. Empresários poderosos foram presos, políticos que pareciam inalcançáveis tornaram-se réus, e mais uma vez veio a sensação de ruptura histórica.
Agora seria diferente. A corrupção sistêmica estava sendo exposta. O Brasil seria passado a limpo. Aliás, essa expressão deveria deixar a gente desconfiado, viu? Ela reaparece sempre que alguém promete resolver de uma vez problemas construídos durante gerações. Passar o Brasil a limpo. A Lava Jato produziu investigações relevantes, recuperou recursos e revelou esquemas que dificilmente teriam vindo à tona por meios convencionais.
Mas com o tempo apareceram abusos, conflitos de interesse, métodos questionáveis e uma proximidade imprópria entre acusação e julgamento. Processos foram anulados, condenações foram derrubadas por questões de competência judicial. Para o cidadão que havia acompanhado anos de manchetes prisões e sentenças, as distinções jurídicas quase desapareceram. A mensagem absorvida por muita gente foi bem mais simples: cara, deu em nada. Bom, não deu em nada, é claro, né?
Teve condenações, teve acordos, devolução de dinheiro, destruição de reputações, mudanças nas empresas e consequências políticas imensas. Mas o sentimento público não é produzido apenas pelos fatos. Ele também é produzido pela distância entre o que foi prometido e o que restou no final. Quando se promete uma refundação moral do país, qualquer resultado inferior vai parecer um fracasso. No meio desse processo veio o impeachment de Dilma Rousseff.
Para uma parte dos brasileiros, se tratou do funcionamento legítimo das instituições diante de crimes de responsabilidade. Para outra parte, foi um golpe parlamentar disfarçado de procedimento constitucional. O país que em 1992 havia se unido para retirar Collor agora não conseguia sequer concordar sobre o nome do que estava acontecendo. A broxada mudava de natureza. Antes, a esperança era coletiva e a decepção também. O Brasil acreditava junto e depois sofria A partir de certo momento, passamos a acreditar em grupos diferentes, em versões incompatíveis do país.
Quando um lado celebrava uma vitória, o outro enxergava uma fraude. Quando um lado falava de justiça, o outro via perseguição. Quando um lado dizia democracia, o outro ouvia manipulação. E nesse cenário surge Jair Bolsonaro. Para milhões de pessoas, Bolsonaro era o homem que enfrentaria o sistema, romperia com a velha política, restauraria a autoridade e impediria o retorno do PT. Sua comunicação direta, sua agressividade, o seu desprezo pelos rituais tradicionais foram interpretados como sinais de autenticidade.
Depois de tantos líderes treinados para dizer o que as pesquisas recomendavam, aparecia alguém que parecia dizer o que pensava. E mais uma vez O Brasil encontrou seu salvador. Mais uma vez colocou sobre um homem expectativas que nenhuma pessoa e nenhuma instituição democrática seriam capazes de cumprir. Vieram conflitos permanentes, trocas de ministros, atritos entre os poderes, pandemia, suspeitas, escândalos e uma radicalização que transformou parentes, amigos e colegas em inimigos políticos.
No fim do mandato, o país estava menos interessado em discutir o que deveria fazer e mais empenhado em decidir quem tinha o direito de falar. E Lula voltou à presidência, cara, depois de ter sido preso, libertado, recuperado seus direitos políticos e derrotado Bolsonaro numa eleição apertadíssima e muito suspeita. Para seus apoiadores, era uma reparação histórica. Para seus adversários, a prova de que o sistema tinha falhado definitivamente.
O mesmo acontecimento apareceu diante de metade do país como ressurreição e diante da outra metade como fraude moral. Já não havia esperança brasileira, havia esperanças partidárias alimentadas pela derrota do outro. E essa talvez seja a consequência mais profunda de 40 anos de broxadas. Cara, a gente não perdeu apenas a fé nos políticos, não. Perdeu a capacidade de imaginar uma vitória que não seja a humilhação de alguém. É assim que uma sociedade entra num marasmo.
E como é que se reverte essa situação? Bom, eu ia deixar para falar isso no episódio que é exclusivo para os assinantes, né? Mas eu mudei de ideia. Esse tema aqui, cara, é tão pertinente que eu resolvi publicar a versão completa mesmo para quem não assina o Café Brasil. É a nossa contribuição Pra cidadania. Pois então, olha, o marasmo O marasmo não é ausência de movimento, cara. O Brasil se movimenta o tempo inteiro. Temos eleições, escândalos, operações policiais, reformas, manifestações, decisões judiciais, CPIs, novas leis e debates intermináveis.
O marasmo é uma quantidade enorme de movimento que não produz sensação de avanço. É que nem correr numa esteira. O brasileiro acorda, trabalha, paga impostos, enfrenta o trânsito Paga escola particular porque não confia na pública, paga plano de saúde porque teme depender do Estado, instala uma cerca elétrica, contrata o seguro, resolve sozinho o que deveria receber coletivamente. E no final ainda ouve que precisa participar mais.
E ele olha ao redor e percebe que está exausto apenas para permanecer no mesmo lugar. Em algum momento Ele aprende a se proteger. Reduz as expectativas, para de acreditar em projetos nacionais, desconfia de qualquer pessoa que fala em transformação, ri de quem se entusiasma, chama esperança de ingenuidade e cinismo de maturidade. Nasce aí o cidadão do eu já sabia. Ele já sabia que a seleção seria eliminada. Já sabia que o político roubaria.
Já sabia que a reforma não ia passar. Já sabia que a investigação terminaria em pizza. Já sabia que o empresário bem-sucedido tinha algum esquema. Já sabia que o projeto fracassaria. E como ele sempre prevê uma derrota, raramente se decepciona. O cinismo oferece essa vantagem emocional. Quem não acredita não corre o risco de parecer ingênuo. Fica na arquibancada, observa os outros tentarem e espera o momento de dizer que avisou, cara.
Se der errado, prova que era inteligente. Se der certo, pode aderir mais tarde. É um investimento seguro. E sociedades que só fazem investimentos seguros param de crescer. E aqui está a ligação entre a Copa do Mundo e a política. Não é que o futebol explique o Brasil, essa frase já tá gasta de tanto que ela é usada, né? É que os dois revelam o mesmo estado de espírito. Quando a seleção entra em campo, uma parte da torcida já está se defendendo da derrota.
Em vez de desejar intensamente a vitória, administra antecipadamente a frustração. Observa os jogadores como quem procura sinais de que sua desconfiança estava correta. Um passe errado, uma convocação discutível ou uma escalação mal feita tornam-se provas de que não adianta acreditar. Quando vem a eliminação, ele não explode em fúria de quem se sentiu roubado por uma possibilidade perdida. Surge apenas o encolher de ombros e o eu já sabia.
Não somos apenas torcedores decepcionados, a gente se tornou especialistas em decepção. E talvez por isso a garra de argentinos, suíços ou cabo-verdianos incomode tanto a gente. Não se trata só de técnica, de tradição ou de qualidade dos jogadores. Tem povos que entram numa disputa convencidos de que a sua vontade ainda pode alterar os resultados. Nós começamos a nos acostumar com a ideia de que o resultado já está decidido por alguma combinação de incompetência, corrupção bastidores e destino.
Só que a desesperança também produz aquilo que ela prevê. Quando cidadãos honestos se afastam da política porque todos são iguais, o espaço fica disponível para aqueles que não são iguais, mas são piores. Quando eleitores deixam de acompanhar seus representantes porque não adianta, os representantes descobrem que realmente não precisam prestar contas. Quando gente competente evita o serviço público público para não se misturar com a sujeira, a sujeira encontra menos resistência.
A descrença pode começar como diagnóstico e terminar como colaboração. Então é preciso começar abandonando a ideia do grande salvador. A nossa história recente mostra que o Brasil concentra esperança demais em pessoas e atenção de menos em mecanismos. Esperamos pelo presidente, pelo juiz, pelo procurador, pelo empresário, pelo técnico da seleção ou pelo ministro da economia. Queremos alguém que entre em campo e resolva. Quando esse alguém falha, a gente não corrige só a avaliação que fazíamos dele, a gente desiste do próprio jogo.
Sociedades menos dependentes de heróis distribuem a esperança entre instituições, regras, hábitos e responsabilidades. Não precisam que todos os juízes sejam santos, mas de um sistema capaz de corrigir o juiz que erra. Não esperam que todo político seja virtuoso, mas constroem controles para limitar o dano causado por aquele que não é. Não procuram um governante que nunca falhe, mas mecanismos que permitam substituí-lo, fiscalizá-lo e puni-lo sem destruir o país a cada mudança.
Isso é menos emocionante do que esperar um salvador e também é muito mais trabalhoso. A gente precisa, além disso, reduzir a distância entre promessa e entrega. A esperança não se recupera com discursos grandiosos, campanhas publicitárias ou novas proclamações de que, ó, agora vai. Ela se recupera quando as pessoas enxergam uma relação entre esforço e resultado. Uma escola pública que melhora, uma Uma rua que deixa de alagar, uma fila que diminui, um criminoso poderoso que cumpre efetivamente a sua pena, uma licença emitida sem propina, uma prefeitura que simplifica um serviço.
Essas pequenas vitórias parecem modestas diante dos grandes projetos nacionais, mas são elas que fazem algo que os discursos não conseguem: devolvem ao cidadão a sensação de que agir ainda produz resultado. A esperança, meu caro, precisa de provas. Também temos de aprender a reconhecer avanços sem transformá-los em religião. O Plano Real não precisa ter resolvido todos os problemas brasileiros para ser reconhecido como uma conquista.
A Constituição de 1988 não precisa ser perfeita para representar uma ruptura civilizatória. O Bolsa Família não precisa eliminar a pobreza para ter produzido benefícios. A Lava Jato não precisa ser tratada como uma cruzada imaculada para que se reconheça o que ela revelou. Da mesma forma, reconhecer seus resultados não exige ignorar os seus abusos. Quando a gente só consegue escolher entre santificar e demonizar, a gente se torna incapaz de aprender.
A maturidade política começa quando a gente consegue dizer que algo deu certo sem declarar que tudo deu certo, e admitir que alguma coisa deu errado sem concluir que nada valeu a pena. Esse aprendizado permitiria que a gente escapasse do mecanismo da grande broxada. O anjo deixaria de precisar ser perfeito, o demônio deixaria de apagar tudo que veio antes. Em vez de oscilar entre euforia e depressão, a gente ia construindo uma confiança mais modesta, menos apaixonante e mais resistente.
Não aquela confiança infantil de que agora o Brasil vai decolar, acordar, ser passado a limpo ou encontrar finalmente seu destino. Não, cara, não é isso. A gente quer uma confiança adulta, a confiança de quem sabe que o país continuará produzindo corruptos, incompetentes, oportunistas e fanáticos, mas acredita que pode construir instituições capazes de limitar o poder deles. De quem sabe que toda conquista será incompleta, mas que prefere aperfeiçoar a conquista do que destruí-la.
De quem já foi enganado, mas se recusa a transformar a própria desilusão numa desculpa para abandonar o campo. Durante muitos anos eu pensei que controlar as expectativas fosse uma forma de inteligência, e continua sendo em certa medida, cara. Mas quem espera perfeição está condenado ao desapontamento. Mas tem uma diferença entre moderar a esperança e castrar a esperança. Talvez tenhamos moderado tanto nossas expectativas que a gente já não espera coisa nenhuma.
Para evitar outra broxada, a gente desiste do desejo. Só que um povo sem desejo, ele não fiscaliza, ele não constrói, não arrisca, ele não reage, ele só assiste. Foi assim que chegamos ao brasileiro do eu já sabia, esse sujeito que prevê todas as derrotas e exatamente por isso nunca participa de uma vitória. Na Copa, ele desliga a televisão antes do apito final. Na política, ele se desliga do país.
Eu tenho medo e medo está por fora, o medo anda por dentro do teu coração. Eu tenho medo de que chegue a hora em que eu precise entrar no avião. Eu tenho medo de abrir a porta que dá pro sertão da minha solidão, apertar Cidade morta, placa torta indicando a contramão. Faca de ponta em meu punhal que corta, e o fantasma escondido no porão. Faca de ponta e o meu punhal que corta, e o fantasma escondido no porão. Medo, medo, medo, medo, medo, medo.
Eu tenho medo, que belo horizonte. Eu tenho medo que Minas Gerais Eu tenho medo que Natal, Vitória. Eu tenho medo Goiânia, Goiás. Eu tenho medo Salvador, Bahia. Eu tenho medo Belém, Belém do Pará. Eu tenho medo Pai Filho Espírito Santo São Paulo. Eu tenho medo, eu tenho C, eu digo A. Eu tenho medo, um Rio, um Porto Alegre, um Recife. Eu tenho medo, Paraíba, medo, Paranapá. Eu tenho medo, Estrela do Norte, paixão, morte é certeza, medo, Fortaleza, medo, Ceará.
Eu tenho medo, Estrela do Norte, paixão, morte é certeza, medo, Fortaleza, medo, Ceará. Medo, medo, medo, medo, medo, medo. Eu tenho medo e já aconteceu. Eu tenho medo, ainda está por vir. E o meu medo, isto não é segredo, eu mando buscar outro lá no Piauí. Medo, meu boi morreu, o que será de mim? Mando buscar outro maninha no Piauí. Medo, meu boi morreu, o que será de mim? Manda buscar outro maninha no Piauí.
Olha, eu escolhi terminar o episódio de hoje com o clássico Pequeno Mapa do Tempo do Belchior, aqui numa interpretação maravilhosa de João Fênix e Juliana Linhares. Cara, que coisa linda! Belchior nunca foi um compositor da esperança ingênua. As canções dele conhecem o fracasso, a frustração, o desencontro, mas elas também carregam uma inquietação permanente, uma recusa em aceitar que o destino já esteja escrito. Em Pequeno Mapa do Tempo, ele parece nos lembrar que a vida não cabe nos nossos desapontamentos.
O tempo continua andando com ou sem a nossa vontade. A pergunta é se a gente vai caminhar com ele ou ficar parados repetindo que nada muda. Talvez a grande broxada não seja perder uma Copa, eleger o político errado ou ver mais uma promessa desmoronar. Eu acho que a grande broxada, cara, é permitir que Tudo isso nos convença de que não vale mais a pena acreditar. O Café Brasil 1000 terminava dizendo que sentir orgulho do Brasil não é fechar os olhos para os seus defeitos, é decidir que eles não terão a última palavra.
Esse episódio de hoje diz exatamente a mesma coisa, só que por um outro caminho. O contrário da esperança não é a decepção, é a desistência. Então ouça Belchior, cara. E não como quem procura uma trilha sonora para o desalento, mas como quem abre um mapa pequenininho, cara, um mapinha pequenininho, é verdade, incompleto, claro que incompleto, mas suficiente para dar o primeiro passo. Porque nenhum mapa leva a lugar nenhum se a gente decidir não sair do lugar.
No fundo, cara, foi disso que a gente falou hoje aqui, ó. Não falamos da derrota da seleção nem da política, a gente falou sobre o risco de uma sociedade desaprender a desejar, de trocar a esperança pelo cinismo, a participação pela arquibancada, o vamos tentar pelo confortável eu já sabia. Você que não é assinante recebeu hoje uma amostra de como é um episódio completo que os assinantes recebem, cara. É muito mais que o expresso dos não assinantes.
Como assinante, você agulha fundo no tema da semana. Mas o podcast Café Brasil é apenas a porta de entrada do ecossistema Café Brasil. Se você fizer assinatura do Prêmio, por exemplo, fizer um upgrade para o plano Academia, que dá acesso a todos os meus cursos online, vai aprofundar ainda mais o seu repertório, aprender a identificar manipulação e fortalecer o pensamento crítico. E se quiser ir ainda mais fundo, tem o MLA, Master Life Administration, O MLA é para quem decidiu parar de apenas reagir ao mundo e começar a governar a própria vida com método, clareza e responsabilidade.
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De onde veio este programa? Tem muito mais. E se você gosta do podcast, imagine só uma palestra ao vivo. Cara, eu já tenho quase 1.300 palestras no currículo. Conheça os temas que eu abordo mundocafebrasil.com. Mande um comentário de voz pelo WhatsApp no 11 964294746. E também estamos no Telegram com o grupo Café Brasil. Para terminar, uma frase atribuída a Santo Agostinho: a esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem. Indignação diante das coisas como são e coragem para mudá-las.
Café Brasil.