#652: Grandes cenas de abertura dos filmes
Neste papo, o time do Cinemação passeia por aberturas que viraram aula de cinema, de Matrix, com sua Trinity fugindo da polícia e sumindo no telefone como quem acabou de dobrar a realidade, até O Senhor dos Anéis, que condensa séculos de história em poucos minutos e ainda te entrega a grandiosidade épica sem perder o coração da fantasia. Tem também O Agente Secreto, Central do Brasil, Psicose, Tubarão, Jurassic Park, Star Wars, Pânico e, claro, a abertura insana de Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, que parece um curta dentro do filme e já chega humilhando meio universo audiovisual por aí.
Rafael Arinelli, Domenica Mendes e Rodrigo Basso entram nessa disputa deliciosa para discutir o que faz uma abertura ser memorável: atmosfera, tensão, impacto emocional, identidade cultural ou pura genialidade técnica.
No fim das contas, a pergunta é simples. Quem não te prende no começo merece mesmo seu tempo?
• 04m10: Pauta Principal
• 1h14m29: Plano Detalhe
• 1h27m29: Encerramento
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Agradecimentos aos padrinhos:
• André Marinho Moreira
• Bruna Mercer
• Charles Calisto Souza
• Daniel Barbosa da Silva Feijó
• Diego Alves Lima
• Eloi Xavier
• Guilherme S. Arinelli
• Thiago Custodio Coquelet
• Wilmar Arinelli Jr
• William Saito
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Plano Detalhe:
• (Do): Série: Paradise
• (Do): Série: A Origem
• (Basso): Filme: Homem-Aranha: Através do Aranhaverso
• (Basso): Série: The Rookie
• (Basso): Animação: Avatar: A Lenda de Aang
• (Rafa): Série: Brasil 70
Edição: ISSOaí
- Filmes Marcantes e Memórias AfetivasMatrix · O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel · Central do Brasil · O Agente Secreto · Homem-Aranha: Através do Aranhaverso · Psicose · Tubarão · Jurassic Park
- Desenvolvimento da escuta e aberturaIntriga e curiosidade · Estética e paleta de cores · Identificação pessoal e cultural · Impacto emocional · Genialidade técnica
- Mistério da mala trocadaConstrução de tensão gradual · Uso do silêncio e da ausência de diálogo · Quebra de expectativa com violência
- Interação com o PúblicoConexão emocional com a obra · Intimidade e expectativa do espectador · Identificação com personagens e temas
- Filmes de Fábio PorchatEra Uma Vez no Oeste · Baby Driver · Drive · Bastardos Inglórios
- Processo de criação de filmesContrato entre filme e espectador · Estabelecimento de atmosfera e ritmo
- Montagem de Hamlet no Cine CopanO Agente Secreto e a opressão da ditadura · O Poderoso Chefão e a dualidade da máfia · Corra! e o sequestro e lavagem cerebral
- O Futuro dos Filmes de HeróiBatman: O Cavaleiro das Trevas · Star Wars · O Rei Leão
- Aberturas que estabelecem a identidade do vilãoO Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas · O conceito de caos como ilusão
- Música de abertura com LupaO Rei Leão e a música 'Circle of Life' · Aberturas da Disney dos anos 90
- Indicações de sériesPânico (franquia) · Mad Max: Estrada da Fúria · The Rookie · Avatar: A Lenda de Aang · Brasil 70 · Paradise
Oi, tudo bem?
Aqui é o Daniel. Nesses 14 anos de podcast Cinemação, a gente já viu de tudo na internet. E infelizmente ela tá bem mais tóxica ultimamente, né? Pensando nisso, a gente quer criar uma comunidade mais próxima, mais acolhedora, mais respeitosa, onde a gente possa dividir o nosso amor pelo cinema, por séries e tudo mais, e seguir na contramão desses excessos que fazem tão mal para nossa saúde mental. Eu tô aqui pra te convidar a fazer parte desse grupo.
Além de participar da comunidade, você vai ter acesso exclusivo a uma live mensal, entrevistas com especialistas e muito mais. Pra isso é só acessar apoia.se/cinemasao e fazer o seu apoio. Vem com a gente!
Seja bem-vindo ao podcast Cinemação 652. Eu sou Rafael Rinelli e hoje temos aqui comigo Domenica Mendes.
Oi, Rafa, que gostoso tá aqui. Rafael 652, não é?
Eu sou esse maluco aí.
Conhece umas pessoas assim, conhece, né? Conhece umas pessoas que faz essas coisas, conhece.
Eu sei bem, eu sei bem. Às vezes você vê ela indo ao banheiro com o teu espelho, depois vai se arrumar para sair, às vezes sem estar arrumado.
É uma beleza.
Temos aqui também o querido Rodrigo Baço.
E aí, gente, tudo bem? Eu Tô sentindo que daqui a pouquinho a gente vai fazer a menção lá do Aslan, né? Do que é tipo, não cite a magia antiga, eu estava lá quando ela foi criada, né? Tipo, falar de podcast, não venha citar isso comigo, eu estava lá.
Exatamente. Não, última live que eu fiz com o Daniel, a gente falou sobre podcast, né? A gente resolveu falar sobre podcast e a ideia foi contar um pouco da nossa história dentro do podcast. Cara, a gente relembrando histórias, como a gente fazia no começo. Que doideira!
Era, olha, você contar, as pessoas não acreditam.
Não acredito. Pois é, pois é. Muito bem, meus amigos, olha só, estamos aqui reunidos hoje para falar daquele momento em que o cinema decide nos primeiros 2 minutos se vai te prender pela garganta ali ou te perder para sempre, né? Hoje o tema são as grandes cenas de abertura da história do cinema, esse instante preciso em que o diretor coloca todas as fichas na mesa e diz: pode confiar em mim ou não. Porque uma abertura não é só uma cena, é um contrato.
É o cinema olhando para os seus olhos e anunciando o tom, o ritmo, a alma do que está por vir. Quando a gente vê lá os tubarões atacando, né, o som de duas notas de John Williams, né, no filme Tubarão, você já sabe que nunca mais vai entrar no mar despreocupado, né. Quando a câmera, quando a câmera desce pelo que é aquele retrovisor em A Marca da Maldade sem um único corte por 3 minutos e 20 segundos, Orson Welles está mostrando que é um dos maiores.
E quando a pedra rola atrás do Harrison Ford em Indiana Jones, a infância de uma geração inteira começa ali. Mas a gente vai além dos clássicos. A gente vai falar de aberturas que enganam, aberturas que chocam, aberturas que entregam o final sem que você perceba, né? Porque tem diretores que usam os primeiros minutos para te hipnotizar, e outros que usam para te preparar para algo que você ainda não tem coragem de encarar. Então a pergunta que fica é: qual que é a abertura que para você define tudo?
É isso, vamos bater esse papo agora no segundo ato desse podcast. Eu acho que a gente tem que começar, né, de uma pergunta óbvia Que pra ficar bem claro, né, óbvio que a gente não tá aqui falando "vamos falar as principais aberturas da história do cinema e tal", a gente tá dando as nossas opiniões aqui, né, então acho que isso já tem que ficar bem claro pra quem tá ouvindo, mas eu já queria abrir justamente com essa discussão que é o que faz uma abertura de filme ser inesquecível?
Porque a gente sabe exatamente quando uma cena de abertura funciona, a gente tem uma sensação de que aquele 3 minutos ali o filme já te capturou, já te disse tudo que precisava dizer, né? Que ainda assim ele guardou algumas coisas que a gente vai ver, então a gente fica preso naquele mistério. Mas eu queria saber de vocês assim, o que que vocês sentiram nas aberturas que marcaram vocês?
E qual que foi a última vez que uma cena de abertura parou vocês assim, você fala: "Cara, agora sim, isso daqui me capturou." Cara, eu acho que, claro que assim, não é uma definição fechada, mas uma das coisas, acho que uma das definições que eu vejo de uma boa abertura, mas aquilo que o Rafa falou ali no começo do programa, que era você ter uma abertura, você olhar os primeiros minutos do filme e falar, cara, eu não sei para onde isso vai, mas eu quero ver para onde isso tá indo, sabe?
Eu acho muito assim, cara, quando pelo menos o que me pega numa abertura muito é esse coisa, não necessariamente que eu olhei e falei, putz, já sei que vai ser esse filme, ou nossa, Não é assim, cara, eu não faço ideia do que que vai ser isso aqui, mas eu quero ver, eu tô interessado, sabe? Eu tô muito curioso para ver como que, partindo daqui, da onde que a gente vai chegar.
E é um troço difícil, né, de acontecer. Tipo, não é todo filme que faz isso.
Eu já vou já dar um exemplo, acho que disso que me pega, que eu acho que a gente vai dar exemplos de outras coisas, né, que pega. Mas assim, para ilustrar um pouco esse sentimento, para mim, já vou queimar uma aqui já. Absurda, que é a abertura do Matrix. A abertura do Matrix com a Trinity, você olha, tudo que tá ali na abertura que não está explicado vai ser explicado depois, mas tudo que tá ali, apesar de não ser explicado, é intrigante.
Você vê assim essa mulher que de repente dá conta de um monte de caras, né, mega porradeira, né. Ali você já estabelece que ela é, poxa, cara, essa mulher é badass. E aí aparecem uns caras de terno e falam assim: "Cara, você não tem noção, seus policiais já estão mortos, né?" E aí você para e olha aquela mulher que até então tava mostrando que ela era infalível. Quando ela vê um desses caras de terno, ela começa a correr pela vida dela como se ela tivesse visto o próprio demônio encarnado.
E aí, num instante, ela sai correndo atrás de um telefone. E aí você fala: "Por que ela vai arriscar a vida pra atender esse telefonema?" Né?
E aí ela, no meio do nada, né?
No meio do nada, cara, atende telefonema do meio do nada. O cara vai, o cara quer impedir que ela atenda aquele telefonema, e ele vai com aquele caminhão gigantesco. E aí ela atende, olha assim, cara, o que é tão importante ela falar? E aí desaparece. Ela fala, tipo, ela escapou. Tipo, ela escapou para onde? Da onde? Da onde que ela veio? Porque ela foi, tipo, o que que é isso, né? É, cara, é assim, eu me lembro desse Matrix pela primeira vez a gente assistiu, depois quando fez 20 anos no cinema de novo.
E eu me lembro de olhar, falei assim, cara, como isso funciona? Porque você, eu já sabia nossas respostas hoje, né? Quando reassisti, eu ainda fiquei, sabe, você fica com aquele sentimento, por que que você tá fazendo isso, né? Aquela coisa da Trinity sacando as duas pistolas e apontando, tipo, wake up, né? Tipo, wake up não, é levantar. Tipo, você vê que ela tá dando uma ordem para ela mesma porque ela tá morrendo de medo daqueles, daquele cara que tá vindo.
Mas assim, é um engravatado que tá vindo ali. Você acabou de bater em 8 caras apostando armas para você, né, sem as mãos, sabe? O que que poderia, cara? É tudo muito intrigante. Depois vai sendo explicado tudo, mas tudo que você precisa saber sobre o mundo, que acho que torna aquilo interessante, tá ali no começo sem explicação. E aí depois isso vai ser desenrolado depois.
E eu acho que ele tem mais um fator também, que é justamente o aspecto visual, né? Porque ali você já, já é apresentado para algo que a gente, pelo menos naquele momento do cinema, não via. Era uma coisa totalmente diferente assim.
É, enquanto o Basso falava, eu tava pensando exatamente nisso, Rafa. O quanto que a abertura do Matrix, ela pega primeiro, eu acho que não é nem tanto por essa urgência que ela coloca, mas eu me lembro que a primeira vez que eu assisti me pegou muito pela paleta de cores, por essa estética de eu sei que é a noite, porque que tem essa mulher com essa roupa de vinil numa sala escura, úmida? Que ela tá fazendo? Ela tá na frente de um computador?
O que que ela é, sabe? Então eu acho que as cenas de abertura, elas são, como você disse, gosto disso que você falou, um contrato, mas que coloca a gente, né, nessa apresentação desse universo. E eu acho que o grande trunfo é quando um filme consegue na abertura fazer a gente se desconectar da presença de ser um espectador. Então assim, naquele momento eu tô naquele eu já não sou mais a Domênica que tô sentada no cinema com meu balde de pipoca, ou na sala da minha casa, ou na frente do meu computador, onde quer que seja, sabe?
Eu mergulhei naquela história, em alguma forma ela vai fazer sentido. Agora, também tem aquela cena de abertura que rola uma identificação muito pessoal e muito singular, que aí eu acho que passa por um aspecto bastante cultural, E para isso eu trago dois exemplos que são de filmes nacionais, que é Abertura do Central do Brasil, que tem lá, né, a Fernanda Montenegro escrevendo as suas cartas. Então a gente já sente aquele peso daquela mulher que já tem uma certa idade e ela se destaca na multidão porque ela tá fazendo uma coisa que é escrever cartas no meio de um monte de pessoas que estão fazendo outra coisa.
Então você já sente ali todo um peso.. E assim, de longe, acho que uma das melhores cenas de abertura que eu vi no cinema nacional, que abertura do Agente Secreto, né? Que só ela, cara, dá para fazer, nossa, pesquisas acadêmicas infinitas, né? O personagem do Wagner Moura chegando ali com seu Fusca para abastecer lá no fundo aquele emblema do ESSO, que assim, tudo bem, eu não vi um posto, né? Quando eu nasci já não tinha mais, ou se tinha, enfim, não tive o prazer de ver a marca.
Porém, é uma coisa que vem do livro de histórias, propagandas e tudo mais. Eu sabia o que que era. E aquele corpo no chão e aquela estética, e para aquele policial, e você sabe, puts, dá medo, né? Naquele momento você fala, cara, o que esse policial vai fazer com esse cara? E toda aquela estranheza. Aquele, aquilo é a essência do Agência 13 em si. Aliás, é um— é um—
acho que os dois exemplos que você trouxe, acho que de um outro tipo de abertura, que é o filme está tipo, olha, o filme inteiro vai ser sobre isso daqui, entendeu? Vou te colocar na atmosfera desse filme, né? No Central de Brasil, acho que a ideia toda da Fernanda Montenegro escrever nas cartas e o quanto que isso é essa mulher sozinha, o quanto ela vai sentir o peso dessa solidão dela pra todas as outras decisões que ela vai tomar em relação àquele garoto, em relação às coisas que ela vai— coisas que ela não se envolvia antes, que ela vai começar a se envolver por causa daquilo ali.
Então você sabe por que que ela vai fazer, tomar as ações dela lá. E no Agente Secreto você entende qual que é o clima do filme, né? O filme, olha, cara, o filme é sobre isso daqui, tá? É sobre pessoa, tipo, sobre esse cara que você não sabe ainda que ele é um fugitivo, mas você não sabe que ele tá sendo procurado pela ditadura. Você não sabe, mas você sabe, você sente que ele tá, essa opressão dele, você sente que ele tá como se comportando como se fosse aquele policial, aquela cena toda ali é o inimigo, né?
Então eu acho, concordo muito com a Dô, eu acho que é um outro tipo de abertura também que te prende, que é abertura que te coloca no mood, né? Tipo, dentro do mundinho.
Eu acho até que essa é uma das, dos grandes exemplos exemplos assim realmente de boas aberturas, né? Quando ele consegue, tipo, ele te pinça ali da sala de cinema, da sua sala e tal, e te leva para um espaço-tempo totalmente diferente de onde você tá. Tipo, você realmente se conecta com o filme assim. E eu lembro a última grande abertura que teve assim, que eu fiquei completamente embasbacado assim, foi Foi quando eu fui no cinema e eu acho que essa era uma das— foi um dos vetores né?
Que me ajudou também a entrar nesse lance da abertura. Eu fui no cinema para assistir Homem-Aranha: Através do Aranhaverso!
Puta merda!
Caralho! É... Para mim foi uma coisa assim, eu lembro de estar só— eu fui assistir o filme sozinho e eu tava sentado no cinema e a hora começou, cara, eu lembro de eu estar sozinho no cinema fazendo não com a cabeça, porque eu ficava assim: não é possível!
Incrédulo!
Eu fiquei completamente assim embasbacado com aquilo que eu tava vendo.
Eu achei uma beleza incrível. A gente tava no cinema, a hora que acabou toda essa sequência de abertura, que aí sendo justa, né, não são só 2 ou 3 minutos, é uma abertura bem longa, Sim, acabou. Eu olhei para a cara do Basti, olhou para minha cara, a gente falou: a gente volta e paga de novo.
Minha vontade era sair do cinema, pagar uma entrada novamente e falar para a moça: passa de novo essa abertura, tá ligado? Tipo, eu não preciso do restante do filme.
Ela é absurda mesmo, né? Ela parece— aliás, essa abertura para mim ela é um pouco diferente dessas outras que a gente tava dizendo, porque assim, o Matrix ainda— eu vou abrir uma exceção porque o Matrix ainda cai naquela questão toda do do universo de Matrix, né, da cultura da convergência e tudo mais. Então a abertura de Matrix me lembra muito também aquele material do Animatrix, né, que são aqueles curtas e tal. Então acho que ele funciona como um curta também, beleza, sabe?
Mas esse do Homem-Aranha, cara, para mim ele é um, ele é um microfilme ali, ele é um curta dentro do filme maior, sabe?
Ele é um absurdo, é um absurdo, assim, o Só para a gente ter certeza, a gente tá falando do Através do Aranhaverso, que é o segundo, né?
É o segundo.
Isso, isso.
Ah, tá, tudo bem. A coisa da Gwen Stacy, cara, eu fico embasbacado até hoje. Eu vejo corte das, literalmente, não estou zoando, 40 alterações de roupa que ela tem em 8 segundos de tela para mostrar passagem do tempo. Eu olho assim, os caras animaram, os caras fizeram 40 looks para essa menina. Só para animar, para você em 8 segundos ter uma noção da passagem de tempo, sabe? Era, é um absurdo, sabe? E a parte inteira dela ali, e assim, é um absurdo que assim, a gente tá vendo, a gente não tá vendo ainda o personagem teoricamente principal, entendeu?
Tipo, não é o cara principal, sabe? Tipo, sei lá, cara, me sinto no Príncipe Prometido, né, que o cara vira e fala assim: ah, mas tem uma coisa para te falar, eu não sou canhoto, né? Tipo, sabe, é isso, né? Quer dizer, isso que você me mostrou ainda não é, é entrada, não é o prato principal, entendeu? Tipo, é a saladinha com ver que os caras te colocam ali. Ah não, você tá me zoando!
Inclusive, isso que você comenta é interessante porque dá até para a gente dar uma brisada de como que essa abertura do Homem-Aranha faz a gente dar uma: galera, o primeiro filme foi muito bom, esse vai ser melhor, mas segura as tanga. 'Respira, vamos com calma.' E você tá lá tipo, meu Deus do céu, nem precisa mostrar o resto, eu tô de boa, valeu, tchau.
Você já me ganhou, você já me ganhou.
É, fala para mim uma música melhor do que essa então, não vou nem falar, vou só subir, tá ligado?
Tipo, entendeu?
Mas aí me vem uma pergunta que é a seguinte, assim, ó, a gente tá falando de vários filmes que são, tipo, emblemáticos, né? Nesse começo de conversa aqui, a gente já tá falando de Matrix, Central do Brasil, Agente Secreto, Aranha, Através do Aranhaverso e tal. Então, o que eu fico me perguntando é o seguinte: Quando uma abertura ela é absolutamente perfeita ou perto, né, da perfeição e tal, ela pode pressionar o restante do filme a um nível impossível de sustentar?
Vocês já viram tipo um filme que teve uma abertura tão boa que tudo que veio depois dele ficou menor assim? Ou isso é um problema tipo da abertura, do filme, do espectador e tal? Como é que vocês veem isso?
Não vi, cara. É foda porque a gente tá falando Provavelmente a gente vai falar tudo de filmes muito emblemáticos e muito icônicos, porque todos assim, teve filmes que foram icônicos e emblemáticos sem ter boas aberturas, mas não tem filme que tenha boas aberturas que não chegou, que não foram bons, entendeu? Eu não consigo imaginar um filme onde eu olhei e falei, cara, que abertura ótima, e os caras depois derraparam completamente no filme, fala assim, nossa, que desperdício, sabe?
Eu Eu não consigo me lembrar todos os filmes que eu acho que tem um bom início, eles conseguiram manter no mínimo no mesmo nível ou subiram, né? Eu não consigo imaginar nenhum assim que teve uma grande entrada, teve uma grande abertura e o restante do filme não correspondeu às expectativas. Acho que tem séries que acontece um pouco mais isso, né? Sei lá, um piloto maravilhoso e depois a galera não consegue sustentar.
Embora o contrário seja mais comum, né? Um piloto cagado e a série boa, né?
Também, também é bem comum, assim, é bem comum também. Mas assim, eu não sei, você lembra de alguma abertura memorável para você que depois do filme falou: olha, gente, assiste só abertura e vai embora, porque o restante não presta?
Cara, não, pior que não. Rafael me apertou sem me abraçar, porque eu fiquei pensando, tem filmes que a gente tem um carinho, né, que se tornam referência, que de alguma forma se conecta com a gente, não necessariamente necessariamente porque diz: nossa, que qualidade técnica maravilhosa! Você simplesmente gosta, mas não necessariamente eles vão ter uma cena de abertura marcante.
Agora, o contrário, eu acho que sim.
Você viu, Rafael, como é que a gente joga?
É só dar uma enrolada que o menino, a memória do menino, na verdade tem um diretor que eu acho que ele faz prólogos de filmes muito bons e os filmes não são bons.
Qual?
Zack Snyder.
Você falou o nome proibido.
É, né? Poxa, cara, assim, eu gosto muito da— assim, sem zoeiras, assim, eu— os filmes não são bons, o restante, mas eu acho o prólogo de Sucker Punch muito bom, eu acho. E assim, e você vai ver, eu até vou citar todos eles assim uma coisa, porque Todos eles seguem a mesma estética, seguem o mesmo roteirinho. A abertura de Batman vs Superman, a abertura de Sucker Punch, a abertura de Watchmen, todos eles é normalmente uma abertura que não tem falas, ela conta toda uma história ali para você de início, que te coloca até o ponto onde vai começar a narrativa.
Ela funciona muito, ela é menos um prólogo e parece menos uma abertura e parece mais um prólogo. E só através tipo de imagens ele te conta tudo que tem que ir para ali, ele te mostra tudo. Só que assim, o restante do filme, né, sei lá, cara, por exemplo, Sucker Punch eu acho uma história muito bacana ali no prólogo. Você entende tudo que aconteceu para aquela menina ser enviada para aquele sanatório sem dizer uma palavra, só numa sequência de imagens.
E todas elas são imagens normalmente escuras, normalmente à noite, possivelmente chovendo, né? Pode ver que assim é a estética do Snyder. O Sucker Punch, ele tem uma problemática imensa do restante do filme, entendeu? De misoginia foda, né? Hipersexualização, caralho, a 4. O Batman Superman, não vou nem dizer então que é uma bosta, não é acreditado, né? Mas a abertura, assim, zoeiras à parte, eu acho uma boa abertura contando como que os pais do Bruce Wayne morreram, né?
E sem dizer uma palavra, né? A abertura do Watchmen também, né? E o som só das porradas do cara matando o comediante. E aí a cena clássica daquela medalhinha de Smile, né, que tá com uma gota de sangue que cai, aí daquela cai lá na calçada, o pessoal, é onde aparece o investigador que vai contar que, ah, poxa, esse era o comediante, sabe? Então dali é que normalmente que salta o restante da narrativa, né? Eu acho boas aberturas de saga, mas os filmes, puta que me pariu, cara, como são ruins.
Os filmes são tristes mesmo, né? Aliás, eu acho que tem uma coisa assim, quando a gente começa a parar pra comparar mesmo, né, assim, tem uma questão também de intimidade nossa também com aquela obra, né? Intimidade e expectativa também, né, com que a gente tá. Porque enquanto você tava falando, tipo, do Zack Snyder, né, e do, tipo, de Super-Homem e tudo mais, a gente tem, por exemplo, alguns filmes de super-herói tem muito isso, né?
Mas, por exemplo, tem muita gente fala de Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, por exemplo, que começa com uma guerra e tal, que eu acho assim bem ok, sabe?
Tipo, eu nunca fui interromper agora. Eu vou te interromper porque eu acho a abertura do Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel uma das melhores aberturas de todos. Porque o cara consegue sintetizar todo o contexto da Lenda do Anel naquela frasezinha, naquela narração da Galadriel. E a transição absurda que tem, tipo, de: e a lenda virou— eu não vou saber repetir as palavras, mas tipo, né, que a lenda virou mito, mito virou história, até que isso aconteça, caiu na mão de um hobbit, né.
Tipo, a capacidade que o Peter Jackson teve de sintetizar toda a história da Guerra do Anel, de Isildur, do Canalha 4, tudo ali em uma narraçãozinha off, né, contando a origem dos anéis e todos eles, sei lá, 10 minutos. Eu acho um absurdo, cara, porque sei lá, se fosse pegar o Tolkien, são 14 livros para você entender aquilo que ele falou ali.
Ah, então, mas esse que é o ponto. Mas era isso que eu tava falando, por isso que eu falei que tem um tempero de expectativa nossa e um tempero emocional, porque era que eu tava falando. Eu nunca tive, não fui um leitor de Tolkien, não tenho, sabe, eu não tenho esse apego emocional com a obra. Então quando eu assisti assim, para mim foi, ah, tá bom, ele me explicou. E aí você tem ali a, né, para mim é uma explicação ok assim, tipo, não é uma abertura tipo genial, porque para mim foi só, ah, beleza, ele explicou, entendeu?
É diferente de tipo Matrix, que me prendeu assim. Eu falei, caralho, que que é isso e tal, entendeu? É outra expectativa. Agora, eu entendo que para quem gosta do universo, quem leu os livros e tal, a hora que você senta no cinema e aí tem ali uma explicação que já te leva para uma conexão com que você leu e tal, que isso daí te abraça de uma maneira diferente, sabe?
Olha, você tá falando, acho que é a questão de uma Falta de referência, né? Como você não sabe o que que é a história, você não consegue entender o quão foda é o cara ter conseguido sintetizar então poucas palavras.
Eu acho que passa por isso, mas assim, sendo justa, quando eu fui assistir A Sociedade do Anel, tipo semana passada assim, que eu tava, sei lá, na 8ª série, né, eu não conhecia nada de Tolkien e eu fui assistir. Gente, VHS VHS duplo. Olha o rolê, era em VHS, nem existia ainda DVD. Eu fui assistir porque saía As Duas Torres no cinema e um amigo meu falou: 'Dois, esse filme é muito bom, você tem que assistir, vamos assistir.' Quando eu vi que eram duas fitas, eu queria, né, deixar ele para lá e acabar amizade, queria, mas eu fui assistir.
E aí, o que que aconteceu? É a abertura, como eu não tinha ideia do que era, e assim também sendo justo, eu não acho que O Senhor dos Anéis é um título muito bom. E aí a gente tem que lembrar que era. E tem fator que assim, era Mini Domenica, né, que era 2000, né. Então também, isso, mas enfim, o livro foi escrito muitos, muitos anos atrás. Mas eu ainda acho que não, título bom. Mas eu também acho ele um título muito para menininhos assim.
Eu tinha esse rolê, né, de coisas que eram mais, ah, isso aqui foi pensado para meninos, isso aqui foi pensado para meninas. Então eu já ficava meio, ai, não sei, né, não sei se é muito para mim. Bom, quando eu fui assistir essa, esse prólogo, né, de abertura do Senhor dos Anéis, ele me causou também, ele já me pegou atenção porque ele, enfim, conta todo, todo o passado, né, daquela história. E depois ele já emenda naquela musiquinha e a gente já vai entrando ali no condado e a gente vai, cara, a transição do negócio extremamente épico para uma coisa numa casinha, entendeu, com um buraco no chão, né, uma porta redonda.
E aí, cara, é, para mim foi genial esse prólogo. Por quê? Porque quando começa o filme de verdade, que é mostrando ali o condado, parece uma vida tão tranquila e boa. E esse filme ele tem muitos tons de comédia, principalmente por causa do Mary do Pippin, né. Eu só fui me tocar que era uma história épica de luta entre o bem e o mal e tudo mais no final, porque aí eu lembrei do prólogo. Porque o prólogo te entrega: isso aqui é uma história épica de luta entre o bem e o mal para salvar o mundo, entendeu?
E eu acho isso do caralho, cara, porque você tem, você tem justamente aquilo que a gente tá falando da abertura, qual que ela é importante, ela te colocar no mood, ela te mostrar o para quê, que o que que você vai ver ali exatamente nos próximos 2, 3 horas, né?
Tendo dito isso, Rafa, quando a gente pensa na abertura do Senhor dos Anéis, você que não é um leitor de Tolkien, né, Eu acho que talvez o que ele possa causar em quem ainda não foi ler os livros, e assim, em 2000 isso era mais difícil da gente conseguir em formato de informação, né? Agora todo mundo fala disso na internet, é mais fácil. O ritmo do livro e a quantidade de páginas que o Tolkien demora para explicar isso, e a genialidade do roteirista, do Peter Jackson, e de tudo, de colocar isso sintetizado naquela abertura, é uma coisa assim de bater palma e falar, cara, Olha, é absurdo assim, é melhor do que o livro.
Aliás, né, eu gosto de Tolkien, mas os grandes leitores e amantes de Tolkien, que me perdoem, mas adaptação de O Senhor dos Anéis é muito melhor do que os livros, do que os 6 livros, é muito melhor, entendeu? Então eu entendo.
Vamos seguir, vamos seguir com o tema.
Não, calma, ele coloca a gente dentro desse universo também, né, que esse universo fantástico onde tem nomes próprios, criaturas próprias que a gente não o evento, lugar, é só enquanto a gente tá naquele universo da Terra-média também, né? Então conversa com aquilo que a gente tava falando lá no começo do nosso papo, né?
E eu acho que assim, é por isso que eu acho bacana, né? Porque a gente tem uma característica forte, né, em todos esses filmes. Primeiro, que é isso assim, né? O começo do filme ele vai se conectar com todo o desenrolar dele. Então por mais que você tenha por exemplo, começos que assim às vezes não te pega tanto e tal, às vezes o final complementa o começo e aí você fala assim: "Caraca, aquele começo fez muito mais sentido agora, tipo me apaixonei muito mais pelo filme agora e tal do que antes, sabe?" E eu acho que assim a gente tem vários desses clássicos assim que acabam levando para isso, né?
Um exemplo que eu tinha separado aqui que eu acho excepcional também é, por exemplo, O Poderoso Chefão. Poderoso Chefão começa com ele dentro de uma salinha, numa conversa ali e tal, meio que informal, só que tem toda uma construção de ambiente onde tá rolando uma festa lá fora, daí tem essa questão da separação, né, de ambientes, o que acontece dentro daquela máfia em um lugar, a família em outro, Os totais paralelos, não, opostos, né, que era o lugar fechado e escuro, lá fora tá aberto e claro, né.
Exato, exato. Então assim, você vê, e é um filme que lógico, né, ele é visto por muitos como um dos melhores filmes e tal, mas é isso assim, quando você olha para um filme que você fala, pô, esse filme aqui é excepcional, e aí você lembra, né, do começo, como ele já vai te capturando, como ele já vai te trazendo. E eu vou falar um negócio para vocês, enquanto a gente estava falando aqui, eu vou sempre anotando os filmes que a gente está falando.
E aí eu bati aqui o do Aranhaverso de novo e dei um play. Gente, isso daqui é uma obra-prima, cara! É inacreditável! Só para quem não sabe, tipo, os primeiros minutos do filme é a Gwen tocando bateria na banda. E aí tem umas explosões de cor e textura na tela que meio que resume o primeiro filme para gente. Mas é assim, é uma mudança tão grande de estilo. E de, cara, isso daqui, sério, é, eu acho que a minha favorita.
O Homem-Aranha: Através do Aranhaverso sozinho é melhor que Todo DCU, todo MCU, tá ligado?
Talvez essa abertura seja melhor do que muito filme, sabe?
Melhor que qualquer filme do Thor, por exemplo, sabe?
Só abertura. Inclusive, quem fala assim, ah, eu não gosto de Homem-Aranha, eu não gosto de desenho, cara, só assiste essa abertura assim, sabe? Ela não precisa assistir o filme, não precisa entender nada, porque Ela também, ela é muito— é isso, né? Ela fala por si.
Então, não, não, gente, é absurdo, absurdo. O Rafa trouxe uma abertura que ele gosta muito. Também tem um filme também que a Domênica nunca assistiu. Eu mostrei para ela só abertura do filme porque eu falei para ela assim: cara, você tem que assistir isso daqui, né, de abertura. E eu acho uma das aberturas mais assim absurdas que eu já vi na minha vida, assim, é um negócio que eu falei para ela: eu não consigo te explicar, eu tenho que te mostrar, que são os 7 minutos de silêncio que existe em Era Uma Vez no Oeste.
Ah, sim, cara, você olha, porque assim, a cena inicial do filme são 3 caras indo buscar alguém numa estação de trem, né, que tá chegando, e eles têm que matar esses 7 minutos, né, enquanto o cara tá chegando. E o filme, na verdade, o que que faz é uma construção de uma tensão, porque você não sabe o que que eles vieram falar, sei lá, você não sabe quem que eles vieram buscar, não tem fala, não tem diálogo nenhum, não tem músicas, não tem nada ali no início.
E você vê esses 3 claramente pistoleiros tentando passar o tempo até chegar o cara que eles estão esperando. O crescimento de tensão que existe nesse filme, nesses 7 minutos, se você não se vê com a bunda na ponta do sofá, sabe, inclinado, com os seus ombros retezados tal qual uma corda de violino, entendeu, e provavelmente já terminou de roer todas as suas unhas, você tá morto por dentro. Porque, cara, a tensão que eles vão construindo, não sei, lembra do quando eu te mostrei essa abertura desse filme?
Lembro. E tem mais um aspecto que eu acho que é muito importante da gente falar desse filme, que ele é um filme antigo, né? Então assim, é outro ritmo, ele te faz realmente se aterrar e você fica tenso ali, precisa falar, meu Deus do céu, o que que vai acontecer? Então também é uma experiência bem interessante de ver hoje.
Essa abertura, né, cara, conforme ele vai indo, vai indo, e assim vai indo até chegar o cara, né, e desce dali o Charles Bronson. Tem que lembrar que naquela época ele tava saindo de filmes de coisas românticas, tipo de coisa assim, ele fazia filme, não fazia filmes de faroestes, que é o primeiro filme de faroeste que ele vai fazer. Essa abertura é tão boa porque a quebra do silêncio vem em uma das maiores bravatas. Um dia, um dia Rafa, por favor, um dia vamos fazer um episódio do Cinemação só sobre bravata.
Cara, olha, ele, o cara olha, ele vem buscar esse pessoal, ele, e aí eles olham e tem só 3 cavalos amarrados. Eles são 3 e veio buscar o cara. E ali você já entende, tipo assim, cara, eles não vieram buscar esse cara. E o cara entende que ele não veio, que os 3 não vieram buscar ele, e os 3 entendem que ele entendeu isso. Então assim É aquele momento que todos eles olham assim. E aí tem a primeira fala, finalmente, do filme, é o cara olhando para o Charles Bronson de uma maneira super sarcástica, né, e virando e falando para ele: parece que nós trouxemos um cavalo a menos, né, dando risada para ele, para falar: porra, né, olha só o que será que aconteceu, né.
E o Charles Bronson olha para eles com a cara mais lavada do mundo e vira e fala assim: não, "Vocês trouxeram 2 cavalos a mais." E obviamente Charles Bronson metralha os 3 caras, né, com uma pistola que parece um cano que liga Nova York a New Jersey, né, tipo de comprimento, né. E monta no cavalinho com a sua gaitinha, né, que ele é o homem da harmônica, e vai saindo para, né, rumo ao horizonte. Aí você fala assim, cara, é uma abertura de uma construção de tensão absurda que começa, que tenta migrar numa piadinha, e depois o cara retoma numa bravata, e tem uma cena de tiroteio foda, e o cara vai embora, você fala: cara, isso é abertura do filme, entendeu?
O que que o restante do filme vai ser, né? O que que o cara preparou, sabe? Eu acho absurdo, cara. Eu acho absurdo.
E tem uma coisa meio que ele escorre testosterona dessa da tela, né? Porque os caras é tipo, como a câmera vai percorrendo, aquela coisa meio de bem os machões e tal, aquela coisa.
E o Chad Lindsbrough, você olha para ele, tem uma cara de ele, né, hoje quem deve lembrar, Charles Manson, com aquele bigodão, tudo mais, ele parece alguém, mas assim, ele era novo ali ainda, sabe? Você olha assim, ele não parece um matador, não parece aqueles cara com aquelas, aqueles queixo, tá ligado, que você parece poder dar uma batida de marreta neles e não ia quebrar, né, com aquela barba de 3 dias por fazer, que esse cara tudo bem que sujo, né, que você olha e fala assim, mano, esses cara são pessoas que foram endurecidas pela vida de jagunçagem, né? E esses três caras caem como moscas, né, neles.
Mas é engraçado, né, porque essa abertura que você falou é isso, é um excelente exemplo de uma ótima abertura. Mas eu acho que ela tem uma característica que é essa dela, e ela vai levando a atenção tipo tijolo a tijolo, né? E você vai acompanhando aquilo ali. Agora, tem uma que eu gosto muito também, que é de quebra de expectativa, que eu acho essas aberturas excelentes também. E pra mim um dos maiores exemplos é justamente de Tubarão.
Porque Tubarão começa, você assistindo, você fala assim: casalzinho na praia, ela vai andando tirando a roupa e não sei o quê." Aí você fala: esse é o tipo de filme que eu quero assistir." E aí o cara também fica lá na areia tirando o tênis, cai no chão e não sei o quê. E de repente, meu, começa a subir uma tensão que você sai de um tesão, né, com aquele casal, para um assassinato tipo sanguinolento ali, a menina sendo levada para um lado e para o outro assim, e o cara lá na areia, você fica desesperado com aquilo. É uma quebra de expectativa total assim, né, impressionante.
Ah não, cara, é muito absurdo, mano, é uma Eu acho que pega também porque o negócio escala muito rápido, né? Muito rápido muda de uma coisa para outra e você tá num, como você falou, eu tô numa outra, no outro sentimento aqui sendo trabalhado, tá ligado? E aí tem um negócio e fala: "Oh, oh, oh, não, não é isso", né?
Rodolvo, agora você tava lembrando, né, aí um lado nostálgico, né, lembrando algumas coisas que a gente fazia lá atrás, na época de Senhor dos Anéis e tal, Eu lembrei aqui de Tubarão, mas eu acho que você deve lembrar bem também de como outra abertura que é muito impactante é de Jurassic Park, que é uma abertura, eu não sei se você lembra disso, mas é uma abertura em que eles estão recebendo uma gaiola gigante no parque. E aí tem todo um trabalho de luz, né, que o Spielberg faz ali, e você de novo, você não consegue ver o que que tá ali dentro, Você só ouve os barulhos e tal.
E aí tem meio que um acidente, né? E aí um cara meio que é arrastado para dentro da gaiola, ele segurando e tal. E uma puta tensão mesmo, porque você vê que é um monstro ali, já mostra, né, a violência e dá meio que o tom de uma coisa aterrorizante. E depois o Spielberg, ele quebra isso, porque daí ele já te leva para uma outra coisa de pesquisa e tal. Então ele parte de um negócio super aterrorizante para depois mostrar que isso que é aterrorizante vai se tornar entretenimento em pouco tempo depois.
Então tem um questionamento meio ético, mas eu lembro que, meu, Jurassic Park é de 93, né? A gente assistiu aquilo e era assim, era chocante realmente aquele bicho. Porque eu acho que muita gente lembra de Jurassic Park aquela cena em que a galera sai do carrinho e vai ver aquele pescoçudo lá, né, andando e tal. Mas essa cena de abertura, ela tem um quê aterrorizante assim mesmo, que é meio que uma fórmula que o Spielberg fez em Tubarão e faz aqui de novo, né.
E outra, né, ele repete também esse tom dessa abertura, salvo engano, no Jurassic Park 2, né, também. É, agora essa do Jurassic Park para mim me pega muito, Rafa, porque Jurassic Park foi um filme que eu assisti muitas muitas vezes quando eu era criança, né? E aí tem uma questão pessoal com esse filme, que é, eu reassisti acho que ano passado com as minhas sobrinhas. E aí, claro, primeiro foi aquele choque de você assistir um filme inteiro que não foi cortado e editado pela Globo, né?
Você descobre que você não tinha assistido o filme inteiro, né? E a segunda coisa é o ritmo dele é muito lento, e eu não me lembrava que a cena de abertura do filme era essa. Então tem ainda, eu tenho uma dúvida que é, eu não sei se a Globo passou, quando eu gravei, né, eu gravei enfim o VHS da transmissão da Globo, eu não sei se eles cortaram essa cena de abertura ou se eu gravei tipo a partir de um minuto X, então não tinha essa cena de abertura, ou se bloqueou, sabe?
Eu não me lembro dessa cena de abertura também na Globo. Eles começavam já quando eles estavam indo para aquele professor lá daquela escavação, né, que eles estão chegando para levar o cara embora de helicóptero depois, né. Começa meio que, quer dizer, na verdade, desculpa, começa lá com o carinha roubando as— e agora, nossa, me confundi já, me lembro mais, é o do, da cena escavação do cara roubando os óvulos.
Você nunca sabe se é uma cena de um filme de, sei lá, cena do Jurassic Park, ou se é alguma cena de roubo, sei lá, de coisa que vai para um lado exorcista, né, que eles desenterraram alguma coisa, né, um pote, alguma coisa amaldiçoada sabe, tem toda essa estética também desses filmes dessa época. Mas foi um choque para mim, Rafa, quando eu assisti e eu vi essa cena de abertura, porque eu falei: menino, tinha esse T-Rex aí, vocês deixaram esse negócio?
Ninguém fez nada antes. Eu fiquei muito tipo: que isso, gente? Ó, a Netflix reeditou meu filme, essa cena não é daí, tá? Foi um sentimento muito estranho, muito estranho.
Só para deixar claro, depois que tem essa cena, né, de terror aí. Essa cena, ela termina com o cara sendo puxado para dentro da gaiola. E aí você tem um close na mão, é a mãozinha sendo levada para dentro assim, um cara gritando: tira, tira nele, não sei o quê e tal. Aí corta, e aí a gente tem aquele advogado, né, que é tipo um advogado lá do dono do parque e tal, ele chegando como se fosse numa numa canoa, numa jangada, sei lá, é ali onde eles estão fazendo aquelas expedições ali, né, fazendo aquela procura.
Ele tá no sítio arqueológico, exatamente.
E aí ele vai meio que indo aí no sítio arqueológico. Eu acho que é por aí, porque daí eles encontram o famoso mosquito, né, o mosquito mais conhecido da história Mosceto cujo DNA foi explorado de maneiras abusivas.
O pobre do bicho nem morto pode ficar. Enfim, mas é realmente muito chocante, né? E é engraçado porque você fala isso, a cena vem todinha e aquela garrinha do T-Rex assim, né? Tipo, ai, que bonitinho, precisa fazer uma manicure, né? Mas é uma quebra mesmo de expectativa. E eu acho que inclusive você assistir Jurassic Park com essa cena de abertura muda completamente o filme. Do que se você começar com esse advogado chegando no parque eológico.
O Jurassic Park é um filme de terror, né, em última instância, né. Agora a gente tá falando de vários tipos de abertura. Uma abertura que veio aqui na minha cabeça também, um tipo de abertura, né, que acho que a gente não citou muito, é abertura que faz a apresentação de personagem, né. E eu acho que tem algumas aberturas que servem muito para isso, né. Tem uma que eu gosto muito, que prova para mim que o filme não é sobre o herói, é sobre vilão, que é a abertura do Batman: Cavaleiro das Trevas.
Ah, sim, essa é uma das melhores, sabe?
Eu acho que porque assim, abertura inteira é apresentação, é basicamente a galera fazer o roubo ao banco e todos os ladrões estão falando sobre o Coringa, né, sobre o Joker. E você tem todos eles contando, cada um contando uma parte, uma versão dele vistindo obviamente máscaras de palhaço, o que deixa tudo mais engraçado, né, para quem sabe já de quem que eles estão falando. Até que culmina de você, cara, numa revelação absurda, e você vê que um dos caras que estavam ali fingindo assaltar o banco era o próprio Coringa.
E você fala, caralho, né, é o disfarce perfeito, né, você tá disfarçado daquilo que você é de verdade. 'Pô, não tem como disfarçar melhor.' E assim, ela é abertura inteira para você entender quem é o Coringa, o que me leva muito a concordar com muita gente que fala que esse não é um filme sobre o Batman, né, é sobre o vilão, não é sobre o herói. Mas eu gosto muito de como é que vai fazendo tudo ali, você, cara, e a conclusão da cena que é ele colocando a granada na boca do segurança, né, e falando que tudo aquilo que não te mata te deixa mais estranho, né, não te deixa mais forte.
Isso é uma bomba de, na verdade, tipo de, sei lá, é uma fumaça inofensiva colorida, né, que assim é absurdo. Então assim, o cara matou um monte de gente, mas aquele cara ele decidiu fazer uma piada. Por quê? Porque é esse tipo de personagem.
E a revelação do rosto dele, né, que é uma câmera bem fechadinha na cara dele assim, E daí você vai olhando aquilo ali, a hora ele tira a máscara e aí você vê o rosto dele mesmo e fala: caralho, é esse cara! E ele tem ali, você já é apresentado aquele jeito de falar, o tom de voz. É muito legal essa cena mesmo.
Eu acho ela muito absurda. E você, eu acho que tem tudo ali do personagem, né? É o quão ele tá disposto a se entregar no negócio, porque ele ele combinou que todo mundo ia matar um aos outros, e ele, se ele não conseguisse matar o cara, o cara ia matar ele, o cara que ele mesmo tinha contratado, né. Então você vê que assim, ele brinca com a sorte o tempo todo. Ao mesmo tempo que eu acho que revela uma coisa, que eu tenho um ódio tão grande quando o pessoal fala que o Coringa é um ser caótico, que você olha assim, cara, ninguém caótico faz um plano daquele, né.
O plano dele para assaltar o banco, ele é milimetricamente coordenado até os últimos, sabe, até o último fio de cabelo. Quilo, sabe? Tão bem esquematizada, tão bem planejada quanto aquilo, né? Então você olha, você fala assim, cara, o caos dele é uma ilusão, né? É uma ideia que ele tenta vender, mas ele mesmo não é. Ele tem um propósito, né, muito bem claro das coisas que ele tá fazendo, né? Não é nada aleatório. Eu acho que assim, apresenta inteiro o personagem para você numa cena de ação que você fica prendido.
Que se você não tiver prestando atenção, é só uma grande cena de ação muito boa, mas você vai prestando atenção, você tem toda a gênese do personagem ali. Eu acho fantástico.
E você sabe que daí eu acho que isso soma-se a um outro grande diretor, né, que é o Hitchcock. Porque quando a gente para para pensar na abertura de Psicose, por exemplo, ele faz um caminho com a câmera entrando tipo numa fresta de uma janela e você vai, né, percorrendo ali e tal. E chega um momento que você é apresentado para Marion e aí E você tem ali, teoricamente, a personagem principal, mas tem uma característica que é essa dele ir correndo com a câmera e meio que espionar ela, né?
Entrar numa fresta, ser uma coisa quase que abusiva, quase que ela já é ofensiva na sua criação ali, na sua abertura. E o que é genial dele é que ela morre no segundo ato do filme e acabou essa personagem. Aí você fica assim: "Caraca, como assim? Você me apresentou ela, você abriu o filme com ela e você me tirou ela." Então você tem essa sensação de perda que dá mais poder ainda para o vilão, né, no eu tava quebrando um pouquinho a cabeça, Rafa, pensando em outras aberturas.
E você perguntou para a gente aberturas que são boas, mas que o filme não é tudo isso.
E assim, é meio polêmico, é porque bater no Snyder é ter certeza, então não é. Eu falo, eu falo numa boa, boa, porque aqui nesse ambiente eu sei, mas cuidado que você vai falar.
É, talvez algumas pessoas não gostem, mas aí é simplesmente um gosto pessoal, tá? Eu acho a abertura do Madman Furry Road muito boa. O filme não. Ah, é, mas aí é gosto pessoal, ele não conversou muito comigo. A Estrada da Fúria. É, mas aí foi o filme que não me pegou tanto, tá? Abertura absurda, abertura é nossa, espetacular. Agora o restante do filme eu fiquei meio, ah, eu acho que não é tudo isso não.
Assim, cara, esse filme eu assisti duas vezes no cinema, foi um dos poucos que eu fui, paguei ingresso, voltei no outro dia assistir de novo.
Eu acho que ele tem cenas icônicas, entendeu? Tem cenas que eu carrego comigo.
Agora Agora, o filme em si, meu irmão, tipo, eu acho uma das melhores coisas já feitas, tipo, em cinema, de longe.
Eu gosto também. Mas é isso, eu acho que volta para aquele lance que a gente tava falando antes, que é da intimidade com filme, sabe? É assim, é por isso que quando a gente entrou no Senhor dos Anéis, eu acho que é isso, tipo, eu não tenho essa conexão que vocês têm com o filme. Filme. Não é uma, não é uma, tipo, não é uma sequência de filmes assim que me prendeu, que eu lembro e tal.
Franquia, o nome, franquia.
Exatamente, tipo, a mesma coisa, tipo, com Harry Potter, sabe? Esses são coisas que não me prenderam assim. Mas eu entendo, entendo isso, porque tem essa questão também dessa intimidade, tipo, pô, eu acho que ele filme excelente e tal. Aí a abertura ela ganha uma camada a mais dessa parte realmente emocional assim, acho que isso é claro.
A gente também tava falando de filme que dá o tom, a Dor falou de Strada da Fúria, eu lembrei de outro filme de carro, né, de coisa de corrida, que eu acho que não necessariamente apresenta só o personagem, mas acho que apresenta a proposta do filme, né, a abertura, que é a abertura do Baby Drive.
Ah, sim, Baby Drive, o próprio Driver também é muito boa abertura do Drive.
Não, abertura do Drive é a cena de perseguição, você tá falando do Driver, do Ryan Gosling? Não, aquilo ali é de verdade, eu preciso muito, quero muito que a Du assista esse filme, o Driver.
É, então, mas Baby Drive e Driver eu acho que são dois assim que tem esse lance do carro e tal, que é muito legal mesmo, muito bem feito.
Mas a ideia toda daquela abertura e toda abertura ser sincronizada com a música, que é que depois você vai ver que o filme inteiro ele é sincronizado com música, né? Então eu acho que ele é uma daquelas aberturas que assim, se você gostou, é igual tipo piloto de série, né? Você gostou desse episódio, a série vai ser inteira isso. Você gostou desse episódio, você vai gostar de todo o restante, né? O Baby Driver, sinto que é uma abertura ao contrário daquilo que eu falei lá no início, que é uma que pô, não sei para onde é que vai.
Ela é uma abertura que fala, cara, é isso daqui, tá? Vai ser isso. Curtiu? Então vem o restante, né? Você não curtiu? Pode levantar e ir embora. Porque a primeira parte inteira que é sincronizada com todo o restante do filme vai sendo sincronizado com música. E eu acho que isso é um, assim, tem gente que não gosta do Baby Drive, que acha uma montagem assim tipo cafona, uma coisa assim, já vi muita gente reclamando. Mas eu, apesar de não ser uma pessoa musical, eu gosto muito de das brincadeiras todas que eles fazem para conseguir sincronizar e fazer daquele match da música com a cena, né?
Eu acho que ele apresenta muito bem o filme, gostando daquilo ali, vai embora que você vai assistir todo o restante, você vai curtir todo o restante. Eu acho ela uma coisa que abre, que conta muito bem sobre aquilo que ele veio fazer.
Sim, sem dúvida, é uma ótima abertura também. Tem alguns outros, eu não sei o quão vocês gostam de filmes de suspense, suspense e tal, né, porque a gente falou aqui sobre Tubarão, Jurassic Park, o próprio Psicose, né, que acabam fazendo isso. Mas tem um mais recente que foi muito também comentado pela crítica, o público gostou muito e tal, e que eu acho que é uma excelente abertura também, que é de Corra. Corra tem uma abertura que começa com um cara andando na rua assim, e aí ele vai passando pelas sombras e do nada ele é atacado e sequestrado.
E ele vê lá um tipo um carro parado, não sei o quê, e aí ele é sequestrado, colocado no porta-malas do carro. Você não sabe o que que aconteceu. E aí de repente, depois lá na frente e tal, você vê que o cara tava num churrasco, que ele foi sequestrado e já foi, enfim, já sofreu lá uma lavagem cerebral e tal, enfim. Mas essa construção, né, da expectativa, aquela construção pesada, né, de tensão que vai acontecendo e tal, é muito, realmente muito bom isso assim, né, como ele se constrói ali.
E tem outras aberturas que a gente tava comentando aqui, mas tem duas que eu acho que a gente vai ter que falar nesse programa. A gente não a gente pode terminar o programa e não falar deles?
São duas aberturas para a gente gravar umas 3, 4 horas aqui.
Eu também.
Fala para mim que tá bom, a gente para.
Mas tem duas que eu acho que a gente tem que falar delas, porque são duas totalmente diferentes, mas que elas têm uma linha em comum. A primeira que eu acho que a gente tem que falar é Star Wars, porque Star Wars tem abertura mais clássica do cinema com a música e quase que aparece na nossa frente sempre um pergaminho gigante ali com texto gigante explicando todo o contexto e tal. Tudo que vocês falaram de Senhor dos Anéis e da genialidade, como ele resumiu a história e como tudo ali foi encaixado e tal, Star Wars parece querer fazer uma coisa muito mais simples para trazer essa explicação.
Não é?
Parece o oposto. Como é que vocês veem essa abertura textual?
Poxa, cara, então por um lado é que ficou depois uma marca registrada, né? Quando a gente começou a assistir os filmes, já estava consolidado isso como algo ok, assim como as transições de PowerPoint, né, que tem no filme todo, né, que parece aquelas coisas quando você aprende, você aprende a mexer no PowerPoint point, só fazer transição de slide assim.
Sacanagem você falar isso do filme!
É, mas é sem zoeira, é isso. Eles mantém, e mantiveram depois isso como estética.
Se você olhar, vocês dois saindo odiados do cinema, só uma falou mal de Mad Max, o outro falou que abertura de Star Wars é powerpoint.
Eu não falei mal, eu não gosto tanto, tá tudo bem, gente.
Eu gosto muito de, eu gosto assim, tipo, gosto gosto muito de Star Wars, né, tirando o Episódio 9, é que foi um sacrilégio que foi feito no Episódio 9, mas o restante eu gosto, eu gosto inclusive da trilogia prequel de 2000, que ninguém quase gosta, que acha uma bosta. Eu acho ela uma das melhores coisas que Star Wars assim fez para Star Wars mesmo, que é uma puta, uma explicação da história, tudo. Mas as transições do que quer dizer de PowerPoint, assim como os letreiros, que eu acho que é uma desses, que acho que é uma assim uma tentativa de fazer um pequeno resumo para o público algo para contar alguma coisa que fosse barato, que fosse simples. Assim, foi uma resposta a uma questão orçamentária, né?
A gente não tem como. Eu acho que era super tecnológico para época, cara.
Você pensa que você podia, no próprio exemplo que o Rafa deu, você podia fazer uma pequena cena de abertura fazendo um prólogo igual a gente tem da Galadriel, tudo mais. Você tem que filmar tudo mais para te, para dar só aquele contexto pessoal, ou você pode dá um prompt de resumo pro pessoal. Gente, a história é essa aqui. Algum pessoal, sei lá, os irmãos Coen gostam muito de fazer uma narração off no início para contar ali, né?
Também é um jeito assim tipo simples e barato de você dar um contexto para o público. Você vai literalmente falar: olha, o ponto que nós estamos é esse daqui, tá? Tem uma guerra lá, o pessoal tá, o teu império, tem uns rebeldes. A gente finalmente parece que tem um, os rebeldes vai tomar chance de dar o troco no império, né? E a gente começa tudo aqui nessa parte aqui. Então, "Beleza, todo mundo sabe onde a gente tá, todo mundo tá na mesma página, tá, vamos começar a contar a história que interessa", né?
E começa a cena. Mas me parece assim, uma solução para um problema grande que seria: "Pô, eu não tenho condições de fazer esse orçamento, gravar cena, tudo mais, então fazer o quê? Vamos colocar esse, igual o Rafa falou, parece realmente, agora você falou, parece um pergaminho que tá sendo desenrolado na nossa frente". O que ajuda um pouquinho, acho que talvez essa ideia, tipo, de dar uma ideia também de fábula, né? É basicamente, né, muito tempo atrás, uma galáxia muito distante, era tipo Era Uma Vez, né, num lugar, num reino muito, no reino tão, tão distante, é a mesma coisa, né? E dá um tom de fábula.
E quando foi perguntado sobre isso, né, o George Lucas sempre falou que nunca foi uma questão de orçamento, né, porque ele realmente queria, nasceu essa ideia porque ele queria dar essa sensação de mito, de fábula, de aventura e tal, desses livros, né, de capas amarelas e tal. Então era uma ideia meio que de ficção científica, só que mais fria ali. Então sempre começava com essa ideia de "há muito tempo, né, em uma galáxia muito, muito distante e tal".
Então o texto vai meio que rolando na tela, meio que nessa ideia de eu não posiciono esse filme em tempo nenhum, né, parece que ele se passou há muito tempo atrás, atuais, então dá a entender que se passa no passado. Então é quase como isso, é um mito, é uma fábula.
É, tô falando que assim, porque os dizeres são os mesmos, né? Você vai pegar a fábula Era Uma Vez em um Reino Muito Distante, de há muito tempo atrás, uma galáxia distante, é a mesma coisa. Você não marca lugar e você não marca tempo, e você dá uma noção bem vaga de que pode ser em qualquer lugar, que aconteceu tipo longe o suficiente para o que que você tá contando, saber do que você tá falando, né? Então, mas não sei, pode ser que ele falou que não era uma questão orçamentária.
Até aí, né, tipo, foda-se, né? Ele tá falando, não quer dizer que é verdade. Já, já superamos a morte do autor.
Sim, não, e pode ser muito bem um discurso para vender realmente a história.
Mas me parece, né, me parece muito assim, não sei. Daí, tipo, o que que você acha, Du? Você acha que foi preguiça?
Foi, cara, eu acho que gosta Ah, então, nossa, ela nunca mais me chamar, nunca mais vou me chamar para cá, gente.
Não, pode falar, aqui não tem problema não.
Ó, a abertura do Star Wars em si, essa estética, é o que eu mais gosto no Star Wars, a abertura. Coisa que eu gosto do Star Wars, gente.
Nossa, eu acho bem escrito, eu acho bonito.
Fonte, entendeu? Eu acho que se destaca aquela fonte branca com aquele fundo escuro, é fácil de ler, né? Eu acho bem interessante. A música tá muito bem encaixada, tá normalizado o áudio, é bem legal.
É uma abertura, né?
É uma abertura. Não, zoeiras à parte, é, eu tenho um trauma cinematográfico que é: eu queria muito gostar de Star Wars, mas não é uma franquia que conversa comigo. Eu tentei, eu tentei No rolô, não rolou, gente. Olha, eu me esforcei muito, não deu certo. Assisti os filmes mais de uma vez para ver, falei: não, agora eu vou conseguir gostar. Não, não consigo mesmo. E é isso, tá tudo bem também, né? Para cada pessoa que não gosta, tem infinitos fãs aí que gostam e tudo mais.
Mas assim, tem uma outra que era essa segunda abertura que eu ia falar, que eu acho que a gente, né, fazendo um programa falando especificamente sobre programas de cenas de abertura, que eu acho que é um que você pode comentar também aqui, que você acha que é um clássico também, principalmente da nossa geração, que é o Rei Leão.
Você assistiu o filme Rei Leão, Dô?
Eu assisti ano passado, mas eu não lembro da abertura, gente.
Nossa, os animais indo em direção à pedra e o bebê leão nascendo.
Olha, Rafa, verdade, foi o primeiro filme que assisti no cinema, tudo. Mas eu falo para você que não é uma abertura que pega não.
Jura? Caraca, pega muito.
Mas aí não é Por ser um aspecto afetivo da sua infância, Rafa?
Eu lembro, tem uma passagem de O Rei Leão que quando eu fui assistir o filme de 94, eu tinha 9 anos quando o filme saiu.
Ai meu Deus, tititico!
Pois é, e aí a minha prima foi até Curitiba nos visitar, né, morava em Curitiba, e ela quis nos levar no cinema, né, para a gente ver o filme. E eu lembro porque eu sempre fui uma pessoa que eu sempre gostei muito de desenhar, né, sempre gostei muito de pintura e tal. Então nessa época eu desenhava muito, principalmente desenho, né, em papel e tal. E aí eu fui com ela até o cinema e a gente comprou lá o ingresso e tal, era o filme que tava passando, né, para criança na época, e a gente entrou lá para ver.
E para mim tem um fator que é o, pra mim, o mais emblemático dessa cena de abertura de O Rei Leão, que é a música. A música, pra mim, ela é genial, maravilhosa, incrível e tal. E ela te captura emocionalmente ali. E aí a gente foi, entrou no cinema, a gente começou a ver o filme e eu fiquei encantadíssimo com o que eu tava vendo ali na frente, com essa música sabe, a percussão e tal, e tava encantado com aquilo. Eis que no meio do filme eu olho para o lado e a minha prima estava dormindo.
Maravilhoso!
E eu lembro de eu com 9 anos olhar para aquilo e falar assim: meu Deus, como ela pode estar perdendo lindo de ver essa obra-prima.
Nascia assim a semente do cinemação, aquele pequeno garoto que não se conforma de pessoas que dormem no cinema.
É isso, exatamente, exatamente. Eu sempre que eu saía assim encantadíssimo do filme. Depois ainda juntou, eu ganhei o VHS também, assisti muito, desenhei muito o Rei Leão. Então certamente eu tenho uma conexão, principalmente com esses filmes da Disney, tipo por exemplo A Bela e a Fera. A Bela e a Fera pra mim tem uma abertura que eu acho maravilhosa também, da Bela andando pela cidade, pelo vilarejo cantando, né, falando sobre o livro que ela leu, que ela adora ler e tal.
Então essas aberturas Disney dos anos 90 eu tenho uma paixão, mas eu tenho plena consciência consciência de que são assim muito emocionais mesmo assim, sabe?
Ah, mas eu acho, Rafa, que um grande resumo assim do que a gente papiou hoje é que as aberturas que marcam a gente, elas pegam justamente por essa linha afetiva de reconhecimento de alguma coisa, né? Então a gente não falou assim muito de outros gêneros, mas por exemplo, eu acho a abertura do primeiro filme do Pânico muito boa. Ela me passa absolutamente tudo o que a franquia se propõe a fazer. E quando você vai assistir ela e você não sabe do que o filme é, cara, ela te pega, sabe? Você fica lá.
Aliás, as aberturas dos outros filmes pânicos também, eu acho que elas são sempre muito inventivas. Inclusive, eu não lembro agora se é do 2 ou do 3, que você acha que tá assistindo a abertura do filme, na verdade é a abertura do web, né, do Facadas, cinema. É isso, você fala caramba, cara, tu não é abertura do filme. E aí depois você vê abertura do— depois eles repetem isso, mas na verdade corta. É com a Kristen Bell, que é a menina do Veronica Mars, do Good Place.
Eu acho que é esse mesmo, né, que ela tá assistindo com uma amiga dela, não sei o que tem. Você acha que é uma, né, tá assistindo já uma coisa, abertura, e ela saca a faca, enfia na amiga de repente, fala caramba, cara, sabe? Ele sempre, acho que ele sempre surpreende ele na abertura. Eu acho que criou um, eles criaram também uma linguagem própria na abertura deles que diz muito sobre o que que vai ser o filme.
Sim, inclusive essa cena com a Kristen Bell, é esse mesmo o nome dela, é no Pânico 4. Então assim, 4, meu Deus, 4, é, mas o Stab aparece antes. Mas eu acho que passa muito por esse campo mesmo de um certo reconhecimento, né, que são essas coisas que ficam na nossa cabeça. Porque, gente, quem gosta de assistir filme, quem gosta de assistir série, quem gosta de ouvir música, cara, a gente consome muita coisa, muita coisa. Tudo aquilo que a gente vai carregar com a gente, e tem que ter de alguma forma algum tipo de, acho que, conexão emotiva mesmo, sabe, do campo do afeto.
Eu fiquei tensa, eu fiquei emocionada, eu fiquei intrigada, eu fiquei curiosa, eu me identifiquei, né? Mais do que essa questão do técnico, do belo, do performático, né? Por exemplo, vocês estavam falando do Poderoso Chefão e eu concordo plenamente que é uma abertura muito bem feita, só que para mim ela não representa tudo aquilo que o filme é, sabe? É porque assim, para mim, a abertura do Poderoso Chefão, ela conversa muito mais com a série Sopranos Sopranos do que com o filme O Poderoso Chefão, sabe?
Nossa, questão do amor.
Então entende, é como, mas assim, eu, se você falar, Domênica, você prefere assistir O Poderoso Chefão ou reassistir Sopranos? Vou falar, eu não quero assistir nunca mais O Poderoso Chefão para assistir Sopranos pro resto da minha vida, entendeu? É porque passa por esse campo do afeto. Agora, acho ruim? Acho não.
Só não conversou tanto comigo quanto o muito, não sei, para mim, como você fala campo do afeto, parece muito, volta a falar, tipo, do Rafael, foi um filme que eu fui assistir na minha infância com gente, papapá, as aberturas que me marcam não é, não são essas assim, eu não sei.
Não, eu digo campo do afeto de uma linha mais lacaniana assim, é aquilo que te afeta, não emotivo.
Você acabou de falar aí todo emocionado de Senhor dos Anéis, o senhor Baço.
Desculpa, mas acho que não sei, para mim acho que pega muito. Apesar da Dô ter falado aí, eu discordo um pouco dela, não me pega acho que tanto pela parte emocional, mas mais pela parte técnica. Como eu falei, cara, o cara conseguiu resumir tudo isso em poucas palavras, né? O cara conseguiu criar tudo aquilo de tensão Mas o Star Wars também consegue resumir um monte de coisa em poucas letras. É, mas eu acho que é mal feito, entendeu?
Eu acho preguiçoso. Olha, eu não gosto da abertura do, assim, eu entendo que virou uma coisa canônica, entendo que virou uma, ali, um aspecto da franquia, e ok, entendeu? Assim como as naves fazem barulho no espaço, né? Então, sabe, não importa muito, é coisa que você tem que entender que foi da linguagem que que eles criaram para saga, né, para aquele universo. E você tem que aceitar, você tem que entrar no mundinho, né, e acabou.
Mas assim, não são aberturas para mim que pega. Por exemplo, não consigo imaginar abertura do Senhor dos Anéis com os letreiros tá no mesmo nível do que várias aberturas que a gente fala, que a gente falou aqui, né, do Poderoso Chefão, do Era Uma Vez no Oeste, do Matrix, né. Tipo, não consigo colocar elas na mesma prateleira.
Não, né, Star Wars, calma aí também.
Não, então eu tô falando, sim, o Star Wars, abertura aberturas do letreiro Star Wars não consigo colocar na mesma prateleira do que essas outras aberturas que a gente falou, como o Matrix, Era Uma Vez no Oeste, né?
Mas eu acho que é diferente mesmo, porque eu acho que a abertura do Star Wars ela vai te pegar depois que você já gostou do primeiro filme, e aí você entende que você vai ter que assistir esse filme pelo resto da sua vida, e todos os seus descendentes também estarão assistindo sequências desse filme. E aí quando ele toca, você se identifica e aquilo começa a fazer sentido, entendeu? Mas não ela em si, eu acho que ela se construiu dentro desse lore, né?
Isso, acho que também concordo, ela se constrói dentro do lore, acho que é bem isso mesmo, dentro do lore ela vai sendo construída para ser uma abertura boa. E desculpa, Rafa, também não acho abertura do coisa, eu achei que você tava, quando você começou a falar do negócio da Domênica, eu achei que você ia falar do abertura que eu acho que é uma abertura que talvez eu também goste, que é a abertura do Bastards in Glorious, do Rock 'n' Roll.
Ah, sim, é muito boa também, muito boa.
Falando, sei lá, tipo, 2 horas com o cara sobre ratos e esquilos, né?
E densíssima também, né?
Densíssima. E ela também, eu acho que ela é uma que— mas é duro, né? Como você vê que você tava falando sobre, a Du comentou sobre o O Agente Secreto, né? Eu acho que a abertura de Agente Secreto é a mesma ideia da abertura do Bastardos Inglórios. Você é uma situação de alguém que tem menos poder diante da figura de repressão, que ela é absurda, e você sabe que ele tá numa situação totalmente cotidiana, mas você fica tenso porque você sabe o potencial de perigo que aquela pessoa tá passando.
É que eu acho que Bastardos Inglórios ainda tem um temperinho, porque a gente tem ali um Christopher Waltz fazendo um, tem uma coisa meio irônica, ácida, sabe, no jeito dele falar e tal, que você fica, você fica assim.
Muita gente ficou marcada, eu me lembro na época, porque a galera falava, tava acostumada ali da retratação do nazista ser um idiota, bronco, assassino, e aí você tem de repente um cara culto e refinado. Não me pegou por isso porque assim, para eu nunca consegui entender direito essa representação, porque tipo assim, meu irmão, sério mesmo, os caras criaram uma máquina burocrática gigantesca, tá ligado? Tipo, esses caras não são burros, né?
Eu sei que adoraria pensar que eles são burros para um caralho, né? Mas assim, eles não eram. E acho que pegou muita gente para surpresa por isso. Mas, por exemplo, eu fico muito mais tenso com o exemplo que a Dotrouxe do Agente Secreto, né, do que, por exemplo, com essa abertura do Chris Frohaut. Apesar que eu acho que e tem muito mérito na abertura do cara segurar um diálogo por tanto tempo, que eu não faço ideia de quanto que é abertura do Agente Secreto.
Você tem noção mais ou menos quanto tempo tem aquela cena do— não sei te dizer, mas sei lá, deve ter uns 5 minutos, a cena dele no posto de gasolina mesmo.
Olha, eu colocaria entre 5 e 7 minutos assim, eu acho, tá?
Mas não sei. A do Christopher Waltz eu acho que tem uns 15 ou 20 minutos, é porque o filme do Bastardo de Gláucia longuíssimo, né? Tem 3 horas assim, ela é uma cena muito longa para você sustentar em 2 personagens conversando, né? Então, mas eu acho bom. Não sei, eu acabei cantando a bola, mas não sei se você gosta do—
eu gosto muito, eu gosto muito. Mas é isso, né? Esse é o caso do filme que abertura é boa e o filme também. Eu acho Bastardos Inglórios bem bom.
Nossa, você falou do jeito agora só para criar Nossa, é assim que a gente cria uma abertura.
É uma porcaria.
Não, é assim que a gente cria uma abertura. Você viu essa quebra de expectativa?
Aí, ó, olha aí.
Planos e detalhes da semana, aquele momento que a gente dá dicas para vocês ouvintes aí, né, para fazerem coisas diferentes. Certamente assim, a gente tem uma lista, né, de filmes com ótimas entradas francesa, que por sinal são ótimos filmes também. Então nem todos, mas você já ouviu, sabe que nem todos. Exatamente, exatamente. Será que você ouviu? Você já pulou direto para cá. Bom, vamos começar com você, Dô. O que que você trouxe de bom de Plano de Itália?
Olha, de bom nada muito assim, mas eu fiz a lição de casa e eu venho aqui, entendeu? Como adoradora de quem, Rafael?
Ah, de quem?
Olha só, não é meu futuro marido, Stellie Kay Brown. E eu finalmente terminei de assistir, eu sei, muito atrasada, a segunda temporada de Paradise, essa série maravilhosa. Cala a boca, baixo! E aí, o que acontece? Tenho que dizer que a segunda temporada do Paradise, ela é muito diferente da primeira, tá? Eu acho que les vão para um outro caminho, tanto em questão de como continuar aquela história, de montagem. Nós não temos mais bundinhas de Staircase Ralph, que eu preciso citar sobre isso, não é?
Não temos mais aquele homem arrancando a roupa, porém nós temos bastante Staircase Ralph correndo, o que inclusive, Rafael, é muito bonito ele correndo. Você deveria assistir, assim, o homem corre de uma maneira absurda assim.
Eu assisti essa série e aqui em casa eu chamava de do Agente Trapalhão.
Olha só que desrespeito! Olha que desrespeito! Mas tá errado? Não tá, né? Totalmente errado, não tá. Eu acho que a segunda temporada ela causa uma certa ruptura assim em quem tava assistindo, porque eu acho que a primeira temporada ela não é boa, excelente, maravilhosa, mas ela te dá um quesinho ali de vontade de continuar assistindo, né? A segunda, não sei se você concorda comigo, eu acho que ele vai para um caminho completamente diferente.
Inclusive os próprios materiais publicitários de colocar, né, o Sterling com a Shailene, é uma grande quebra de expectativa.
Exato.
Tudo que eu vou falar sobre isso. Mas eles fecham, né, várias coisas sobre essa história. Eu acho que inclusive dá um um final digno para a série como um todo. Se a série acabar aqui, eu acho que foi honesto, encaixou bem. Mas é necessário bastante paciência, gente. Assim, eu acho que eu demorei um tanto para engrenar até o 4º episódio. Depois parece que foi mais tranquilo, mas eu acho que é muito porque eles usam esse recurso, né, de flashbacks, e os episódios eles são muito sobre cada personagem. Imagem, e a história vai se montando dessa forma.
Eles usam muito esse recurso da ruindade, né, também.
Ela é sofrida, gente, mas assim, se eu passei por isso, todo mundo também tem que passar. É isso, né. Então vim aqui para trazer essa indicação. Uma outra indicação de série ruim, mas que às vezes é legal de assistir, poderia ser Origem também, que é uma série também Há quem goste bastante, mas não é também uma coisa maravilhosa, mas é uma coisa gostosinha para você assistir assim sem grandes pretensões. Talvez você encontre pessoas ali que curtam, né, teorias e coisas assim.
Eu vou mais por esse caminho hoje, Rafa, porque de coisa boa só indicaria mesmo, sei lá, Devoradores de Estrelas, mas isso já tem até cinemação.
Inclusive, ouvi, sim, ouvi. Tá bom, tá bom.
Tá bom, tá bom, muito bom. Tá aí então as dicas da Dô. E aí, Basti, você, o que que você trouxe para gente aí de planeta?
Cara, tem algumas coisas que eu queria recomendar que eu acho que é interessante. Não estava nas recomendações, mas poxa vida, assistam Homem-Aranha no Aranhaverso e Através do Aranhaverso. Eu não sei como é que ficou os títulos aqui do primeiro, do segundo, mas acho que são esses, né? Assim, é um desbunde, assim, é uma das coisas mais absurdas que eu já vi de bom nos últimos, sei lá, 15, 20 anos sobre filme de super-heróis, né?
Sobre animação no geral, assim, é um, porra, é um, é de verdade, gente, tem várias cenas que eu, quando assistiu mais de uma vez esse filme, que a gente parava assim, eu quero um quadro disso para colocar na sala.
Exatamente.
Melhorar isso e deixar isso permanente, porque isso aqui, gente, isso é arte. Absurdo. Mas bem, falando em séries bobinhas, né, eu tive uma série que eu peguei para assistir, bem, bem tonta, né, mas que eu achei legalzinha, né, me divertiu durante muito tempo, que foi The Rookie, né, tipo, você acha que o recruta, que é com o Nathan Fillion, né, que é o protagonista, é o mesmo cara do Firefly, do The Castle, né, tipo de vários outros assim, que é basicamente o cara que tá com uma crise de meia-idade, decide ser recruta da polícia de, eu acho que é da Califórnia, de Los Angeles.
E aí você vai ter uma daquelas séries policiais que eu acho legal, porque por um ponto eles tentam retratar um pouco mais realisticamente o que que é o dia a dia de uma patrulha, né. Então quais são os procedimentos, o que que eles têm que, como é que eles têm que fazer, como é que é o estágio probatório para passar ali Mas, mas a série é muito levezinha naquela questão de dramas pessoais, sabe? Não tem nenhum drama muito forte, né?
Uma ou outras vezes assim eles entram em algum tema mais sensível, mas a maior parte das coisas é assim, aquela grande coisa tipo agradável, que as coisas têm coisas ruins acontecendo, mas as coisas dão certo no final. As pessoas, mesmo as pessoas que parecem ser turronas e difíceis e broncas, elas têm compração, né? Então sabe, sempre tem um quesinho assim. Eu acho que ela é bem divertida. Agora, uma coisa boa também, boa de verdade, níveis absurdos, que eu queria aproveitar para falar, porque teve a segunda temporada do live action na Netflix que estreou agora, que é do Avatar: A Lenda de Aang, a animação de Avatar: The Last Airbender, né, para vocês assistirem.
Cara, é uma animação em 3 temporadas que conta a história desse avatar, dessas pessoas que dobram elementos, que elas podem manipular elementos da natureza. E é uma grande história, tipo, de libertação de uma nação opressora sobre o restante do mundo e a volta dos verdadeiros poderes, assim, para poder libertar essa galera, né. É uma série, ainda assim, é uma série mais juvenil, então também é super Censura livre, né? Não precisa ficar preocupado sobre isso.
Mas assim, ela é muito boa. A Du assistiu comigo já, acho que já deve ter assistido umas 3 ou 4 vezes as temporadas. Eu acho que ela é maravilhosa. Tá fazendo adaptação em live action na Netflix, estreou a segunda temporada agora.
E animação tá na Netflix também, né?
Animação tá na Netflix também. Assim, eu acho ela assim muito boa, cara. Ela, a continuação dela, que é essa, é A Lenda de Aang, né, Avatar, A Lenda de Aang, que é desse primeiro Avatar, e o que retorna depois de muitos, muitos anos que ficou ausente. E você tem a continuação de 70 anos depois, que é A Lenda de Korra, que agora é uma mulher que encarna esse Avatar, que esse ser que é para trazer paz e equilíbrio para o mundo, né.
E as duas, as duas animações as duas são maravilhosas, né? A Corre, eu acho que ela entra, ela já é um pouquinho mais adulta, ela entra em questões políticas, tudo. Mas tem muita gente que não gosta justamente por conta disso. Mas a primeira, que é Lenda de Aang, ela é maravilhosa, é um negócio muito, muito bem feito.
Mas tá aí, tem várias dicas boas aí também, né? E animação também para vocês assistirem. Lembrando que tudo que a gente tá falando aqui, né, vocês vão poder pegar, né, na descrição do episódio, no post desse episódio, vai ter link. Então é só você clicar e você vai ser direcionado aí para tudo que a gente tá falando. Para entrar um pouco aqui, né, nessa época que a gente tá vivendo, em Copa do Mundo e tudo mais, eu assisti a série brasileira que tá na Netflix, Brasil 70, né, uma série aí que vai contar um pouco sobre o caminho da seleção brasileira, do Pelé, lá na Copa de 70.
E enfim, é uma série que ela é ficcional, obviamente, né, mas baseado ali em relatos de como é que foi esse período. E é um período tenso, né, e fascinante também da história brasileira, porque se passa justamente no período da ditadura militar em torno da Copa do Mundo de 1970. A série ela conta, né, ali como que essa seleção se formou, como que ela passou de um técnico para o outro, né, e como que ela foi sendo criada ali com Pelé, Tostão, Rivellino, Jairzinho e tal, Gerson, né, assim, uma das seleções mais fortes e mais talentosas que a gente teve.
Ela passa um pouco pela questão dessa seleção ter sido usada como instrumento político, né, de propaganda anda política, mas ela não se aprofunda muito nessa questão política assim. Mas ela dá um parecer ali do que que estava acontecendo. Inclusive, o primeiro técnico do Brasil nessa época de 70, que era o João Saldanha, foi chamado porque a seleção tava em crise, conseguiu chamar os craques ali, montar uma seleção, e ele era um comunista, que daí acabou depois sendo mandado embora porque entrou em atrito justamente com o Madzi, que era o presidente na época.
E ele, e a história da série passa um pouquinho por isso. O João era um cara extremamente combativo assim e tal, e aí depois vem para o lugar dele o Zagallo, que já era um cara mais pragmático, um cara mais técnico e tudo mais. E aí mostra um pouco dessa adaptação, né, da seleção brasileira, esses dois estilos. Tecnicamente é um trabalho assim excelente, com uma assim a qualidade de como foi filmado, efeitos especiais, a série ela tá muito boa.
E uma das coisas que me incomodavam é quando eu assistia a série de futebol e tal, é porque às vezes as coisas pareciam muito artificiais sabe, mostrar que o cara deu um chapéu no outro e tal e fez o gol parecia sempre uma coisa artificial. E eu acho que essa série ela consegue driblar um pouco isso justamente porque ela coloca elementos gráficos ali no meio, mudança de câmera rápida também e tal, que te dá uma sensação dessa questão cinematográfica e ao mesmo tempo ela compactua com o dinamismo do esporte, assim.
Então eu acho que ela funcionou muito bem. Eles intercalaram ali, né, imagens dos jogos reais, né, com cenas fictícias e tal. Então dá também essa sensação. E tem uma trilha sonora excelente, os atores também estão muito bem, né, na série, e vale muito a pena produto brasileiro que tá na Netflix e vale muito a pena vocês assistirem. E tem uma, uma historinha, né, de bastidores para quem quiser depois procurar, tem no Instagram e tal.
Enfim, o Lucas Agrícola, quem vive o Pelé, era um cara que ele não tinha trabalhado como ator ainda assim, e aí ele vai viver justamente, né, o rei do futebol numa uma série que conta muito do protagonista do mundo Pelé. E tem uma cena de bastidores em que os pais do Lucas vão acompanhar a gravação e se emocionam com aquilo assim, se emocionam em ver o filho no meio de uma gravação com uma equipe com mais de 100 pessoas ali e tal, e ele sendo o protagonista.
E os pais, né, se emocionam com aquilo, em ver que o filho tá ali no meio daquilo e vivendo esse sonho também. Enfim, é lindo, a série é linda, é, tá muito bem montada, muito bem fotografada, vale muito a pena assistir. Você que gosta de futebol, gosta de série também, assim, acho que vale muito a pena para conhecer um pouco também da nossa história dentro do esporte. Chegando até o final desse podcast, podcast Cinemação 652. Batemos esse papo sensacional aqui sobre aberturas, né, cenas de aberturas aí de filme.
E que papo legal, né, que legal que é a gente a gente poder passar aí por tantos filmes bons, por tantas histórias, filmes que tocam a gente, né, que emocionam a gente. É muito legal a gente poder realmente reviver e dá vontade de ir lá e assistir tudo de novo, né. Porque enquanto a gente tava conversando aqui, uma coisa que eu fiz foi colocando um filme atrás do outro aqui, foi anotando, já fui falando: cara, deixa eu ver de novo essa abertura.
E já, já ia ver, porque muitos desses filmes estão nos também, né? Então fica fácil.
Homem-Aranha no Aranhaverso, através do Aranhaverso, tipo, já estou já vendo com a boca de quem a gente pode pegar para assistir.
Exatamente, exatamente, tem que assistir, é isso mesmo. E é isso, gente, queria agradecer aqui a Do e o Baço por virem aqui mais uma vez, né, bater um papo super legal. Do, muito obrigado, e por favor deixa aí meios de contato e como que as pessoas fazem para acompanhar você aí nas redes sociais também, Du.
Poxa, Rafael, que agradeço o convite. É sempre muito gostoso, né, tá aqui no Cinemação. A gente sempre encerra falando isso, mas é porque é muito verdade assim. Eu acho muito, muito bom gravar contigo. Obrigada pelo convite. Desculpa qualquer coisa, gente, eu não tô na melhor semana, é fim de mês, é fim de semestre, entendeu? Muita coisa acontecendo, se bem que vou datar esse episódio. Estou feliz porque hoje, vê só, sofremos na Copa do Mundo.
Primeiro que eu ri muito com a bolada na cara que o maluco levou, tá? Demorei assim uns 15 minutos assim, entendeu, rindo. Todo mundo tinha parado de rir, eu tava rindo ainda. Sofremos, né, mas vencemos o Japão, e depois nossos irmãos tiraram a Alemanha. Então tá um dia muito emotivo, entendeu? Tá um dia muito bom para ser brasileiro. E ficou melhor agora, né, que a gente gravou gravou esse episódio com você e eu conquistei a raiva de muitas pessoas.
Não vai ter raiva não.
Ai, sempre tem. Mas assim, é, tendo dito isso, Rafa, eu quero deixar aqui um convite, né, para o pessoal conhecer o Perdidos na Instante. Quem não conhece ainda, que é o meu podcast lá de adaptações literárias, tá em todos os agregadores, todas as plataformas de podcast aí que estão espalhadas por essa internet. Lá tem bastante coisa, a gente pega uma forma um pouquinho diferente de falar de obras. Lá tem bastante coisa sobre cinema também.
O Rafael já passou por lá, em breve vai voltar porque a gente já tá combinando uma gravação aí. Então fica o convite para as pessoas ouvirem. Eu sempre acho muito legal e sempre peço para quem sai daqui do Cinemação para deixar uma mensagem lá, né, falando que saiu daqui, porque é sempre muito bom depois poder falar para o Rafa: Rafa, ouviram podcast? Foram lá para o Perdidos.
É isso mesmo, tem que mandar mensagem.
O Rafa fica feliz, né, Rafa? Então, muito. Então também fico. Além do Perdidos, para quem quiser papear sobre coisas boas, também tô lá no Blue Sky, Domenica Mendes, lá no Instagram, fica em domenica.mendes, onde normalmente eu posto fotinhas dos meninos, né, do Farofa do Paçoca. Posto também os videozinhos de outros criadores de conteúdo e divulgo bastante sobre os vários podcasts, né, que eu estou envolvida e que eu trabalho e tudo mais. Rafa, muito obrigada pelo convite, viu? Sempre um prazer.
Obrigado você, Dô, mais uma vez. E queria agradecer também aqui Rodrigo Basso, que doou seu tempo também para vir aqui conversar com a gente. Basso, muito obrigado mais uma vez. E também diga aí, como é que a gente consegue te ouvir, Basso? Porque eu sei que em rede social você já não tá.
Não, em rede social não estou. Mas estamos cada vez mais reclusos, cara. Você pode me ouvir no boas, né? Talvez quando, de vez em quando, a dor deixa eu gravar lá, né? Então eu faço um outro episódio.
Olha o jeito que ele fala, você reparou? É por isso que eu vou casar com esse aí, quebrou. Você quebrou, não fala assim de mim no That Was Us.
Mas é por lá. E de vez em quando apareço em algum podcast quando o pessoal, tipo, lembra, né? Às vezes participei no Mid no RP Guaxa, em alguns outros programas assim, quando a galera convida. Mas é isso, queria agradecer muito, Rafa, por ter chamado. A gente sempre fala que a gente gosta muito de gravar aqui, né? Gostamos que dessa vez foi por um episódio que foi um pouco mais fácil de gravar, não tinha nenhuma pergunta filosófica altamente contemplativa, né, de busca do entendimento do nosso ser, nosso local no mundo, mundo, né?
Então é bom assim que foi um filme, apesar que assim, né, o que o Rafa, a gente desviou de uma bala, que o Rafa ia vir com os temas assim, a gente chegou e falou: 'Pô, se a gente gravar sobre isso, o que que você acha?' É isso mesmo, se bem que surgiu um Lacan aqui, viu, no meio do papo. E não foi de mim.
Alguma coisa eu tenho que fazer para tentar fazer com que as pessoas me levem a sério, né?
Muito bom, muito obrigado, viu, gente, mais uma vez. E é isso, Podcast Cinemação 652 fica por aqui e a gente se vê na próxima. Esse podcast foi editado pela Isso Aí Design.
Tudo isso é forma com função.
É design estratégico. É isso aí!