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#658: Os Infiltrados

15 de agosto de 20261h45min
0:00 / 1:45:21
Cinco indicações sem vitória. Foi assim que Martin Scorsese chegou a Os Infiltrados (2006), o filme que finalmente lhe deu o Oscar de Melhor Diretor em 2007. Mas será mesmo essa a melhor obra da carreira dele, ou o prêmio veio como uma espécie de acerto de contas atrasado da Academia?
Neste episódio de aniversário de 20 anos, o grupo destrincha detalhes que passam batido pela maioria do público: o filme é remake de um thriller de Hong Kong que nem Scorsese nem o roteirista assistiram antes de adaptar, a montagem de Thelma Schoonmaker que faz duas horas e meia parecerem uma só, e um motivo visual escondido em janelas e sombras que funciona como presságio de morte.
Rafael Arinelli, Caio de Aquino, Fernando Machado e Cecília Barroso discutem a masculinidade performática de Matt Damon, o pânico constante de Leonardo DiCaprio, os improvisos assustadores de Jack Nicholson com uma arma de verdade no set, e o final com um rato que quase foi apagado digitalmente após uma petição de fãs em 2019.
Vinte anos depois, Os Infiltrados continua questionando o sistema. Existe alguma diferença real entre o policial e o bandido?
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Agradecimentos aos padrinhos: 
• André Marinho Moreira
• Bruna Mercer
• Charles Calisto Souza
• Daniel Barbosa da Silva Feijó
• Diego Alves Lima
• Eloi Xavier
• Guilherme S. Arinelli
• Thiago Custodio Coquelet
• Wilmar Arinelli Jr
• William Saito


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Plano Detalhe:


• (Cecilia): Série: Cabo do Medo
• (Cecilia): Reality Show: O Ultimato - Queer Love
• (Caio): Anime: Madoka Magica
• (Caio): Jogo: The Amazing Spider-Man
• (Fernando): Álbum: Equilibrivm
• (Fernando): Álbum: Equilibrivm II
• (Fernando): Álbum: Tambores, Cafezais, Fuzis, Guaranás E Outras Brasilidades
• (Rafa): Série: A Casa do Dragão


Edição: ISSOaí
Participantes neste episódio4
R

Rafael Arinelli

Host
C

Caio de Aquino

Convidado
C

Cecília Barroso

Convidado
F

Fernando Machado

Convidado
Assuntos8
  • Os Infiltrados· EntretenimentoOs Infiltrados·Martin Scorsese·Oscar de Melhor Diretor·Conflitos Internos (Infernal Affairs)·Remake
  • O Papel do Vilão Costello· EntretenimentoFrank Costello·Manipulação·Vontade de poder·Jack Nicholson·Improvisos no set
  • Crítica ao Sistema e Corrupção· PoliticaSistema corrupto·Corrupção policial·FBI·Whittaker Chambers·Boston
  • Identidade e Masculinidade· SociedadeIdentidade·Masculinidade·Papéis sociais·Billy Costigan·Colin Sullivan
  • Cinematografia e Montagem· EntretenimentoFotografia·Montagem·Thelma Schoonmaker·Michael Bauhaus·Simetria visual
  • Culpa Católica vs Budismo· ReligiaoCulpa católica·Budismo·Sutra do Nirvana·Redenção espiritual
  • Recomendações da Semana· EntretenimentoCabo do Medo (série)·O Ultimato: Queer Love·Madoka Magica·The Amazing Spider-Man (jogo)·Equilibrium 2 (álbum)·Tambores, Cafezais, Fuzis, Guaranás e Outras Brasilidades (álbum)·Casa dos Dragões (série)
  • O Final e a Metáfora do Rato· EntretenimentoFinal do filme·Metáfora do rato·Traição·Poder político·Capitólio de Massachusetts
Transcrição191 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz 1

Eu me chamo Leandro Luiz. Oi, eu sou Francisco Carbone. Nós apresentamos o Tudo é Brasil, um podcast 100% dedicado ao cinema brasileiro.

?Voz C

Aqui você encontra entrevistas e debates em torno das estreias da semana e de clássicos do nosso cinema.

?Voz 1

Você escuta a gente toda quinta-feira nos melhores tocadores de áudio. Reais ou irreais, pessoas vivas, mortas ou Imaginária.

?Voz C

É mera coincidência. Seja bem-vindo ao Podcast Cinemação 658. Eu sou Rafael Rinelli e hoje temos aqui comigo o querido Caio Di Aquino.

CDCaio de Aquino

E aí, pessoal, tudo bem? É Rafa, Fernando, Cecília. É prazer estar aqui de novo no Cinemação e bora aí relembrar esse filmaço.

?Voz C

Filmaço, pois é. O Caio tava de férias do Cinemação por culpa minha, né, Caio? Porque eu não tinha, sumiu o contato do Caio aqui para mim. Eu comecei a procurar ele de todos os jeitos. Falei, cara, vou ter que mandar mensagem lá no Instagram e tal. E finalmente o Caio está aqui, mas tinha que te trazer de volta assim com obras boas.

?Voz 1

Entendeu?

CDCaio de Aquino

E eu sou ruim de responder no Instagram, então, vixe, então dei sorte ainda, né? Mas é um prazer estar aqui de novo, Rafa. Valeu pelo convite.

?Voz C

Valeu, valeu, muito obrigado, Caio. Temos aqui também Fernando Machado.

?Voz 1

Agora, será que a obra é boa mesmo?

?Voz C

Será? Opa, opa, opa!

?Voz 1

Você sabe que quando o Rafa me chama para gravar esses programas de filmes assim, que passou um tempo, já foi lançado, cara, é um espírito muito mais velho de pensar que esse filme tá completando 20 anos e eu vi no cinema. Isso é meio triste assim, deixa eu aqui um pouquinho ressabiado, mas vamos lá. Apesar que um filme de 2006 é meio que tá virando meio que um clássico assim.

?Voz C

É um clássico, pois é, cara. Estou um pouco preocupado, é um pouco depois de 2000, né? Depois de 2000.

?Voz 1

Então quando ele falou, pô, gravação infiltrada, eu falei, pô, que legal, cara. Ele falou, pô, é comemoração de 20 anos. É o quê? 20 anos? Não é possível. Não é, não tem como ter 28 anos.

?Voz C

Pois é, impressionante. Temos aqui também Cecília Barroso.

CBCecília Barroso

Boa noite, de volta aqui ao Cinemação. Amo, amo, estava com saudade. Como sempre gosto, amo estar aqui com você. Muito obrigada pelo convite, um prazerzão tá aqui com vocês todos. E vamos lá, né, falar de Scorsese também.

?Voz C

Amo demais Scorsese, pois é, meu grande ídolo.

CBCecília Barroso

É bom demais.

?Voz C

Grande ídolo. Pois é, isso mesmo. Muito bem, meus amigos, olha só, estamos aqui reunidos justamente para falar de um filme em que ninguém é exatamente quem diz ser, né? E talvez essa seja a maior força desse filme. Hoje o assunto é Os Infiltrados, justamente do Martin Scorsese, né, como você bem lembrou aí, que tem ali uma história sobre polícia, crime, mentira, identidade rachada e um sistema inteiro que já perdeu qualquer pretensão de pureza.

Os Infiltrados está aqui hoje porque ele completou em 2026 20 anos de existência. E o mais fascinante aqui é que o Scorsese pega uma trama de infiltração e transforma tudo numa tragédia sobre culpa e falência moral. Não estamos falando só de bandidos e policiais, a gente está falando aqui de homens presos em papéis que exigem mentira constante, de situações que funcionam no mesmo registro de corrupção e de um mundo onde a linha entre a lei e crime praticamente desapareceu.

E isso torna o filme muito mais do que um thriller, ele vira um estudo de identidade, paranoia e sobrevivência. Ao mesmo tempo, Os Infiltrados, né, é também um espetáculo de forma. A gente tem a montagem da Thelma Makar, né, que é parceira do Scorsese, a fotografia do Michael Bauhaus, é o uso, né, do motivo visual do X, que a gente vai falar sobre isso também, o ritmo implacável e o final niilista fazem do filme uma máquina de tensão muito precisa.

O Scorsese não quer apenas contar uma história sobre dois infiltrados, ele quer mostrar um universo em que todo mundo está de algum modo infiltrado em uma mentira maior. E o papo hoje promete, vai ser papo bom. E eu tenho que lembrar que você que vamos dar spoiler. Por isso, se você não viu o filme que está completando 20 anos, vai lá, corre aí no streaming, tá na Netflix, tá na Globoplay, enfim, dá para você assistir no streaming o filme completo com 2 horas e meia e vai se divertir horrores.

O filme é muito bom e a gente vai falar aqui sobre ele. É isso, vamos bater esse papo agora no segundo ato desse podcast. Chegava aos cinemas brasileiros no dia 10 de novembro de 2006 o filme Os Infiltrados, filme dirigido aí pelo Martin Scorsese e que teve, né, o roteiro do William Monahan, né, que inclusive usou o roteiro original, né, do Conflitos Internos, o filme chinês aí, como base justamente para que Os Infiltrados fosse escrito.

Mas o Scorsese se ajudou também, né, na escrita do roteiro. Scorsese, que, bom, dispensa apresentações, mas é o cara lá de Touro Indomável de 1980, Os Bons Companheiros, Gangues de Nova York, O Aviador, Ilha do Medo, Lobo de Wall Street, O Irlandês, Assassinos da Lua das Flores, enfim, um diretor hiper conhecido e sensacional que a gente tem. E o William Monahan, ele trabalhou em A Cruzada de 2005 e Rede de Mentiras de 2008. Os Infiltrados teve um orçamento de cerca de 90 milhões de dólares e o filme bateu aí, né, uma bilheteria mundial de 291 milhões de dólares.

Na história a gente acompanha a cidade de Boston, né, onde a gente tem a polícia e o crime organizado, né, travando ali uma guerra silenciosa. De um lado nós temos o Billy Costigan, que é vivido pelo Leonardo DiCaprio, que é um jovem policial infiltrado numa máfia comandada pelo Frank Costello, vivido pelo Jack Nicholson. E paralelamente a gente tem o Colin Sullivan, que é o Matt Damon, que é um criminoso que se infiltrou na polícia como informante do Costello.

Ambos vivem suas vidas duplas e quando as organizações descobrem que há espiões em seus meios, né, a tensão atinge aí limite e a sobrevivência de ambos fica super ameaçada. E é essa história que a gente acompanha. Na direção de fotografia nós temos o Michael Bauhaus, que trabalhou anteriormente em Os Bons Companheiros, né, junto com o Scorsese, mas trabalhou também em Drácula de Bram Stoker, em Gangs de Nova York. Enfim, o Bauhaus foi indicado 3 vezes ao Oscar de de melhor fotografia, mas nunca venceu.

Já na montagem, nós temos até uma Schoonmaker, né, que trabalha e é aí parceira de longa data do Scorsese. Ela trabalhou em Touro Indomável, Aviador, Os Infiltrados. E a Schoonmaker, que trabalha com Scorsese desde 1967, já ganhou 3 Oscars de montagem, né, pelos 3 filmes que eu falei anteriormente, né: Touro Indomável, Aviador e infiltrados. Já na trilha sonora, a gente tem o Howard Shore, que trabalhou em Senhor dos Anéis, tanto A Sociedade do Anel quanto O Retorno do Rei, e trabalhou também em O Aviador.

O Shore ganhou aí 3 Oscars de trilha sonora original pela justamente a trilogia do Senhor dos Anéis, mas ele também compôs aí outras trilhas famosíssimas, como a trilha do Silêncio dos Inocentes, Filadélfia, Ilha do Medo e por aí vai. No figurino nós temos a Sandy Powell, que trabalhou também Shakespeare Apaixonado, A Viadora, Rainha Vitória e levou também já— a Powell tem mais de 15 indicações ao Oscar, tem 3 vitórias, é uma figurinista aí super conceituada de Hollywood.

Já no elenco a gente pode falar do Leonardo DiCaprio, né, fazendo o papel do Billy, que é o policial infiltrado na máfia, do Matt Damon, que faz o Colin, que é o criminoso infiltrado na polícia, o Jack Nicholson, que faz o Frank Costello, né, que é esse chefão do crime organizado. Mas a gente conta também com Mark Wahlberg vivendo um policial aí da divisão especial, o Martin Sheen fazendo o Capitão Queenan, né, que é o supervisor do Billy.

Temos a Vera Farmiga fazendo a Madeline, que é a psiquiatra, o interesse romântico dos personagens, e também o Ray Winstone, que faz o Mr. French, que é o braço direito do Costello. Sem falar do Alec Baldwin, que também faz uma participação ali como o Capitão Mellerby, que é o supervisor justamente do Colin. Vale destacar que Os Infiltrados teve 4 Oscars, levou 4 Oscars, entre eles melhor filme, melhor diretor para o Martin Scorsese, quebrando justamente aquele jejum que o Scorsese nunca tinha levado o Oscar, mas levou também o melhor roteiro adaptado com o William Monahan e melhor montagem com a Thelma Schoonmaker.

E além do Oscar, né, ele já tinha levado Globo de Ouro, BAFTA, levou também o prêmio lá do Sindicato dos Diretores, do Sindicato dos roteiristas, do sindicato dos produtores, enfim. Esse é um daqueles filmes que entram, né, justamente para história, porque foi o primeiro e único Oscar, né, de melhor diretor aí para o Scorsese, e é um marco justamente na carreira dele. Eu quero começar esse episódio justamente contextualizando algo que muita gente às vezes esquece, né.

Os Infiltrados, ele não nasceu como uma ideia original Scorsese, né? Ele é um remake de um thriller de Hong Kong chamado Conflitos Internos, né, de 2002, cujos direitos a Warner comprou por apenas quase dali 2 milhões de dólares, né, deu 1,75 milhões de dólares. E o mais curioso é que o Scorsese e o roteirista William Monahan, né, que escreveram o filme, eles falaram em algumas entrevistas que eles nem tinham visto o filme original.

Então eles trabalharam só a partir, né, dessa, de uma tradução do roteiro chinês ali. E ainda assim o resultado foi um filme, né, que finalmente deu a Scorsese o Oscar de melhor diretor, depois de 5 indicações ali anteriores sem vitórias. Isso é uma virada e tanto, né, na carreira de um dos maiores diretores vivos que a gente tem. E eu queria saber, começar por aí assim, o que que vocês acham disso assim? Vocês acham que esse sucesso veio pela qualidade pura do material ali ou pela forma como o Scorsese conseguiu, né, transplantar essa história asiática para dentro de um universo que ele conhece bem, né, o universo hollywoodiano e tal, mesmo ele não tendo visto o original?

Ou é meio que a junção das duas coisas, assim, uma história muito boa com um diretor muito bom. E enfim, o filme acabou virando um sucesso por conta disso, assim. Como é que vocês veem essa, esse sucesso do filme 20 anos depois do seu lançamento?

CBCecília Barroso

Eu acho que a gente tem duas coisas aí, assim, a gente tem situações diferentes. Eu adoro Os Infiltrados, acho um filmaço, acho que O Scorsese faz isso que você falou de transpor maravilhosamente isso para a realidade estadunidense e para obra dele. Ele consegue construir. Não acho que seja o melhor filme ou um dos melhores filmes do Scorsese. Acho que ele tem filmes muito melhores. Não acho que seja o filme para ganhar o Oscar.

Eu acho que esse é sim um Oscar de consolação, é um Oscar pela carreira. Acho que, sabe quando o cara deveria ter ganhado por outros filmes e aí acaba ganhando por esse? Acho que esse Oscar é um desses Oscars. Mas vejo muitas qualidades em Os Infiltrados, e eu vejo isso que você falou de peguei uma grande história e consegui transformar essa história em uma coisa minha. Consigo imprimir a minha marca nessa história. Mas não vejo em Os Infiltrados o filme do Scorsese, sabe?

Eu acho que é um grande filme, acho que tem muita coisa aí que é incrível. Eu acho que o retrato da identidade, o modo como ele faz essa, esse, essa, como ele trabalha a identidade, né, como ele faz essa Essa história sobre identidade, essa busca pela identidade é muito legal. É como ele traz essa narrativa dos ratos, né, que é uma coisa que tá em toda obra dele, é muito legal. Mas não é o filme do Scorsese, eu acho.

?Voz 1

É, o Scorsese sempre foi um diretor muito pop, né, apesar dele ter um tamanho gigantesco e tal qual pegar, por exemplo, o Spielberg, que são contemporâneos. Só que o Scorsese é uma coisa que ele consegue mesclar muito esse cinema popular com um cinema um tanto mais autoral. Não que o Spielberg não tenha isso, né, o Spielberg até tem, mas em certos momentos o Spielberg acaba, ele acabou indo para um lado um pouco mais comercial.

Scorsese tentou manter essa uma certa autoralidade, só que ele sempre é uma coisa muito pop, o Scorsese. E eu acho que aqui o Scorsese ele consegue equilibrar muito bem essa coisa e o cinema muito pop, principalmente na questão da montagem do filme. É um filme de 2 horas e meia que parece que passa em 1 hora só de tão dinâmico que o filme é. Aí muitos méritos da Thelma Schoonmaker, não à toa ela ganhou o Oscar de melhor edição, melhor montagem, o que é muito comum nos filmes do Scorsese.

São geralmente filmes longos, mas com uma dinâmica muito interessante. E eu acho que aqui ele, a Thelma Schoonmaker, ela faz um um filme absolutamente dinâmico. É um filme, é um filme que eles têm essa proposta de, sabe aquela coisa de você segurar na cadeira de tensão? Muito se passa pela montagem, pela trilha sonora, que é uma trilha sonora que junto com a montagem cria esse dinamismo, né? O Insiders, ele tem essa coisa de mover, de mover a câmera, e junto com o movimento de câmera tem um som ali que aparece, tem um barulhinho que deixa aquilo muito mais dinâmico.

É um filme que vai transitando entre os personagens, foca nos dois, mas nunca parece que o filme dá tempo demais de tela pra um e de tela pra outro. É uma dinâmica que funciona pra esse filme ser um filme que tem esse apelo popular. Eu acho que a época que o filme foi lançado também, 2006, eu acho que o filme tem essa brincadeira do final que não é tão bem explicado, essa coisa do X, né, que é essa coisa que é uma brincadeira que assim, Eu acho uma bobagem, mas eu achei isso engraçado, né?

Essa coisa de ele marcar os personagens com X, que é uma coisa que, sei lá, isso daí, um filme dos anos 80, anos 90, não teria a mesma pena, porque é um tipo de recurso que demanda que a pessoa veja o filme várias vezes, que exista uma análise. Então é um tipo de coisa que só vai funcionar legal na época digital, que era 2006, com DVD, onde as pessoas tinham essa possibilidade acessibilidade. É, o baixo, talvez é essa coisa de baixar filme.

O streaming não existia na época, mas tinha essa coisa do DVD que você podia ver o filme várias vezes. Então isso aí colaborou para esse sucesso popular do filme. E além disso, é um tipo de história que prende, né, um tipo de história que vende. É investigação, é aquela coisa de você não saber, você saber o que tá acontecendo, mas não saber quando que que vai se descobrir aquilo, né? Muitas vezes a gente mesmo como espectador começa a ficar em dúvida de, mas será que ele é infiltrado mesmo?

Será que ele não tá trabalhando com um terceiro? Quando pinta a informação de que, até quando o personagem do Jack Nicholson é mostrado que ele é um agente do FBI, que fica com aquela puta teoria, mas se ele é um agente do FBI também ele é um terceiro infiltrado. Então o filme ele brinca com essa coisa de infiltrado, do infiltrado também ficar com os espelhos lá. É isso. Então eu acho que isso daí colabora muito por esse filme ser esse sucesso popular e por finalmente o Scorsese ganhar o Oscar.

Por mais que não seja o melhor filme do Scorsese, eu acredito que seja o mais popular dele, e isso acaba facilitando para que ele conseguisse finalmente ganhar esse prêmio, né, que era um prêmio que já merecia ter sido ganhado há muito tempo atrás.

?Voz C

E tem uma coisa, né, Caio, que meio que além de de tudo, né, além do Scorsese, além de Matt Damon, Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson e tal, tipo, a gente tem, né, uma gama estrelar ali. Mas Os Infiltrados, ele meio que marca também um retorno do Scorsese para esse gênero que o consagrou, né, que é o drama de crime e máfia assim. Porque antes disso ele tinha feito Gangues de Nova York e O Aviador, teve ali, né, um certo, uma certa crítica do público e tudo mais.

E aí ele volta quase 9 anos, 10 anos depois, quase volta para o gênero de máfia e tal, que é um gênero que ele domina assim como poucos também, né.

CDCaio de Aquino

Sim, e ainda é, e quando ele volta para o gênero, e aí que ele pela primeira vez ganha como o Oscar como melhor diretor, né. Ele até, ele faz uma brincadeira na iluminação, foi a primeira vez que ele fez um filme com esse tipo de enredo, né? E aí ele ganhou o Oscar de novo. E eu acho que Os Infiltrados, até complementando um pouco o que o Fernando tava falando, né, é que a questão da marcação do X e tal, que tinha essa questão de você assistir o filme, que hoje é muito mais fácil, é uma coisa que tinha sido feito também em outro filme de máfia, a gente pode dizer assim, né, que foi o Scarface de 32, o primeiro Scarface, o original.

Que fazia essa brincadeira do X e tudo mais. Então é meio que uma referência, uma homenagem. O Scorsese, cara, é um diretor que me fez gostar muito desse tipo de filme de máfia, né, de assunto de máfia, né. Tem toda— eu acho que esse, apesar do— esse eu achar que ele é mais um filme policial do que um filme de máfia, é bem mais um drama policial, né. Por conta dos filmes dele eu me interessei muito por esse tipo de de assunto em filmes e em obras de entretenimento e tudo mais.

E esse filme, ele tem essa coisa que é muito frenético, que vai um pouco contra, eu acho até, o que o Scorsese tem feito recentemente, né? Ele sempre vai meio contra a tendência dos seus tempos, né? É verdade. Se pensar assim, porra, esse filme, se ele fosse feito hoje, para geração de hoje que não consegue prestar muita atenção num filme, ele prenderia totalmente a atenção das pessoas. Ou no caso faria as pessoas não conseguirem prestar atenção, porque é tão frenético, né, que se você perde ali um momentinho, uma fala, alguma coisa, você acaba não entendendo algumas coisas e tal.

O Scorsese, ele vai, ele naquela época ele já tava com esse ritmo muito frenético e dinâmico, né. A editora que sempre acompanhou ele em vários projetos que foi a Thelma.

?Voz C

Não, e você sabe que você falando isso me faz pensar também, porque reassistindo o filme agora e tal, eu senti esse dinamismo assim, mas outra coisa que eu percebi foi assim, o coração do filme ele é uma simetria narrativa quase perfeita assim, porque a gente tem de um lado, né, o Colin, que é interpretado pelo Matt Damon, né, que é esse criminoso infiltrado ali na polícia estadual, né, de Massachusetts e tudo mais. E a gente tem o Billy, que é vivido pelo Leonardo DiCaprio, que é esse policial infiltrado na máfia do Frank Castello, né, que é o Jack Nicholson.

E o mais interessante é que essa dualidade ali ela aparece até na linguagem visual, assim, porque as cenas do Sullivan, né, que é justamente o Matt Damon, elas começam mais fechadas e elas se abrem simbolizando essa ascensão, nessa expansão de poder que ele tem e tal. Enquanto as cenas do Billy começam mais abertas e elas vão se fechando, refletindo justamente essa claustrofobia ali crescente, né, da missão dele, o quanto que ele vai se sentindo sufocado ali.

E é uma escolha de cinematografia, de fotografia extremamente sofisticada assim para comunicar essa psicologia, né, sem precisar dos diálogos, sem precisar daquela coisa falada e tal. Vocês acham que esse tipo de simetria visual assim que Enfim, ela é quase matemática, né? Torna os Infiltrados superior assim à maioria dos thrillers policiais assim? Ou vocês sentem que essa arquitetura que é calculada assim, ela pode em algum momento parecer artificial demais assim? Como é que vocês veem isso?

CBCecília Barroso

Eu gosto, eu acho, eu acho muito interessante. E assim, porque eu acho que ele alterna essa coisa que é de sentir, né? Você vai analisando a estética. E isso também tá dito porque ele coloca a Vera Farmiga pra você fazer— isso tem a interação com essa mulher, com a relação com o Billy e o Colin, né? O Billy, ele fala na interação com ela, né? Sim, faz a terapia. Então ele fala com ela. Ele fala de tudo que ele tá passando, dessa deterioração dele.

E o Colin se relaciona com ela. Então a gente vê essa coisa, essa masculinidade florescente dele de outra forma. Então a gente vê essa expansão dele de outra maneira. Então a gente tá vendo visualmente tudo isso acontecendo, mas a gente tá vendo também isso se revelar de outra forma. Então acho muito interessante como ele consegue revelar essas coisas esteticamente e isso também tá no roteiro. Eu gosto desse jogo, sabe?

?Voz 1

E até na relação dele, que é assim, o Scorsese, ele é muito criticado pela forma não muito profunda de utilização dos personagens femininos. Eu até entendo, a crítica ela é válida. E a personagem da Vera Farmiga aqui, ela tem esse, ela é subdesenvolvida. Ela acaba sendo uma personagem que serve de âncora para os dois protagonistas, mas ainda assim ela é muito interessante porque é nela que a gente consegue ver, que a gente consegue acessar um pouquinho da vulnerabilidade do Billy.

Tem uma cena que ela fala até mais algo mais ou menos do tipo: a sua vulnerabilidade é perigosa para mim, porque ela se sente atraída por essa vulnerabilidade dele. E o personagem dele é muito interessante. E assim, o DiCaprio, ele, eu acho que foi aqui que ele conquistou o coração dos corceis. Não que nos filmes anteriores, no Aviador e no Gangue de Nova York, ele não fosse um bom ator e tudo, não é, são bons filmes, ou são filmes ok, podemos dizer assim.

Mas acho que aqui, cara, ele entrega uma, ele, eu não sei como ele sobreviveu nesse filme, que ele parece estressado o filme inteiro assim, ele tá Ele tá o tempo inteiro à beira de ser descoberto. Ele fica... Quando ele tá com a psicóloga lá, com a personagem da Vera Família, ele meio que se desarma, assim, né? Talvez na primeira consulta, que ele tá ali em busca de remédio. Mas depois, ele se desarma. E os únicos momentos em que ele está relaxado, ou minimamente relaxado, é com ela.

E é ali que a gente consegue enxergar um pouquinho dessa vulnerabilidade dele, um pouco dessa, talvez até a questão Como ele é uma pessoa perturbada, mas ele tem uma certa ética, né? Ele tem uma certa moralidade, coisa que o personagem do Matt Damon não tem. E a relação dele com a Velha Formiga já parte de uma mentira, né? Eles falam sobre mentir, sobre se eles mentem, por que que eles mentem. Então até na relação com essa personagem a gente vê a diferença de um e do outro, né?

Mesmo os dois sendo infiltrados, existe uma discrepância muito grande entre esses dois personagens.

CDCaio de Aquino

E é uma pressão que vai vindo dos dois lados, né, em questão de roteiro, né. Você, acho que isso que constrói o suspense muito bem, é essa, esse lado, essa identidade dos dois que você sabe e que estão tão próximos, mas que eles ali em tela eles não sabem, né. Então isso gera muito essa e a forma que a edição vai contrapondo isso o tempo todo, né? Aí se você assistir o filme, você reparar, os momentos do filme, né, as cenas são muito curtas.

Então tipo, você tá vendo, você tá vendo o Sully vem de um lado, você tá vendo o Billy de outro lado. Então tá o tempo todo trocando essa perspectiva e você vai vendo aquilo apertar. E o Billy, ele tá sempre parecendo que ele vai ter um ataque de pânico A qualquer momento, né? Assim, o tempo todo. Ele parece, ele lembra um pouco até o personagem dele mais recente, do Leonardo DiCaprio, numa batalha após a outra, né? Que ele tá assim completamente transtornado e vai se tornando uma coisa insustentável, porque você tá, os personagens ali, eles estão constantemente tendo que esconder a identidade deles.

E o Billy, ele chega uma hora que ele Ele tá sofrendo tanto os perigos ali em volta que ele não sabe mais já se ele tá, a quem que ele é fiel, né, a quem que ele é leal. Ele tá tentando provar uma coisa para o superior dele, superiores dele ali na polícia, né. E assim como o Colin também, né, ele também tá tentando provar algo. É uma coisa até meio tóxica, né. Tem uma crítica do Roger Ebert que ele relaciona isso como uma síndrome de Estocolmo dos personagens, né.

Tipo, eles estão o tempo todo tentando provar para os seus superiores algo que na verdade vai meio que contra os princípios deles ali, né?

CBCecília Barroso

Aí você sabe que eu vejo isso, Caio, como totalmente um rolê de masculinidade, né? Para mim é uma parada muito de homem querendo provar que é homem.

?Voz 1

Existe uma admiração mútua entre eles, né? Parece que o Billy e o Colin, eles têm uma admiração pelo Costello. Você vê que o Colin mata ele meio que para se defender. Eu acho que ele não queria que ele morresse, na verdade, no final do filme.

CBCecília Barroso

E tem essa parada do Colin ser a figura masculina muito idealizada e tipo, nossa, é isso que tem, até essa parada meio paterna, né? Assim, o pai, né? Assim, uma coisa mesmo de admiração pelo, por ele, né? Então assim O pole não, o costelo, né? Assim, então existe essa coisa do Colin e do Billy, assim, por ele assim. Então eu acho que tem essa parada de uma masculinidade tóxica e da masculinidade frágil também, e da de sempre tá se buscando se provar e fugir da fragilidade, fugir dessa coisa que, ah, eu não posso ser, eu tenho que ser o cara mais forte, o cara que nunca vai fraquejar, o cara que nunca vai— eu tenho que ser como Costello, eu tenho que ser como aquele cara que foi um pai para mim, um pai. E o Costello é esse pai para os dois, né?

?Voz 1

É tanto que a relação do Colin com a psicóloga é muito— eu pelo menos interpretei dessa forma, que é muito um espelho da forma como O Costello tem as mulheres que ele gosta, né? O filme, ele mostra uma mulher, mas que eles tinham várias mulheres. E o Colin, ele não tem qualquer tipo de apego, qualquer tipo de sentimento, ou até mesmo de interesse sexual na personagem da psicóloga, na Madeline. Tanto que eles não conseguem consumar o fato porque ele simplesmente broxa, ele simplesmente não consegue.

Coisa que aparentemente, pelo que foi mostrado, não acontece com Costello. Então eu acho que o Colin, ele tem aquela admiração de tentar alcançar o que o Costello tem, e só que ele não consegue porque ele é um homem fraco, ele é um homem que vive das aparências, coisa que o Billy já não, já é para ele tranquilo. O Billy já tem essa coisa de, ele achou que o Billy já tá tão no modo sobrevivência. E para ele, a relação dele com a Velha Formiga é uma relação mais leve assim, é um, ele meio que sente seguro perto dela.

CBCecília Barroso

Mas aí a gente vê que a gente tem o Martin Shin, que tem uma outra figura de autoridade, né? Surge ali como é um rolê de proteção de força institucionalizada, de repente.

?Voz 1

É, o Costello, ele é uma proteção, uma proteção mais viril, e talvez o Queenan, ele tem uma proteção mais paternal, de acolhimento, né?

?Voz C

E eu acho essa relação entre eles, né, todas essas relações, tipo, entre Billy e Colin, né, a família também, enfim, o Jack Nicholson ali, o Costello. Eu acho muito boa. E cara, como eu amo Jack Nicholson na tela, gente do céu! Ele é incrível, ele é maravilhoso, ele é maravilhoso assim. Eu tenho uma saudade dele vê-lo, é porque tem uma coisa que já me chamou atenção logo de cara no começo do filme assim, que o filme começa com uma locução em off do Costello, né, contando um pouco da sua própria história.

E na locução você já vê esse cara que é super autoritário, mega preconceituoso, né, um cara super machista, racista e tal.

CDCaio de Aquino

No começo do filme, no começo do filme, ele ofende todas as minorias assim em 2 minutos. É impressionante.

?Voz C

Exatamente assim, impressionante. Porque no começo, e eu achei que isso já desenha para gente nesses primeiros minutos assim, justamente um pouco quem é quem ali, sabe? Como que a gente consegue ir percebendo essas nuances desses personagens. Porque teve uma coisa que me chamou muito atenção, que foi assim, o Costello ele vai contando contando a sua história. E aí tem um momento logo no começo que ele fala, aí é por isso que eu— e ele, né, no texto ele fala que é por isso que ele não gosta desse povo negro, né?

E ele fala nigger, que é uma gíria terrível, é super preconceituosa e tal. Então ele fala isso lá e ele fala que ele não gosta deles e tudo mais. Feito esse corte, A gente tem uma cena do Colin, né, depois quando ele tá treinando lá e tal, que você vê o mesmo preconceito já embutido ali nele, quando ele vai falar dos bombeiros e ele começa a falar, ah, aquilo ali é um monte de viado e não sei o quê, as bicha e tal, pá pá pá. Então você já vê que ele tem aquele pezinho, né, de quem cresceu muito próximo justamente do Costello.

E aí, quando a gente vai ver a história do Billy, aí tem uma mudança ali, porque a gente vê o Billy correndo do lado do único personagem preto que tem no filme, né? E o Billy não usa esse termo. Então você já vê que há uma costura ali de quem é quem e como eles estão se posicionando ali, entendeu? Quais são essas definições? Fora que ao longo do filme o Billy é relembrado várias vezes da ética do pai dele, né? Ah, se seu pai me visse aqui conversando com você, ele entraria aqui e ia matar todo mundo, inclusive a mim e tal, pá pá pá. Então esse desenho ético do Billy mostra—

?Voz 1

E ele questiona o próprio Costello, mas Eu conheço ele, aceitou o dinheiro de você. Ele tem essa preocupação ética, né?

?Voz C

Exato, tem essa preocupação ética. E é meio que um reencontro, né? Porque o Billy é um cara que ele é, ele tá sozinho no mundo assim, né? Ele se vê sozinho e tal. Então existe esse problema, que é um jeito da gente discutir esse problema filosófico, né, da identidade. Porque a gente tem o Billy, que é um policial que vive como um criminoso, e o Colin, que é um criminoso que vive como policial. E ambos são definidos menos por quem eles realmente são e mais por quem eles fingem ser, assim.

E isso é algo que, assim, grita pra gente, porque quando a gente começa a ver justamente essa interação com os outros personagens, né, o filme traz esse subtexto justamente de que toda essa galera que tá ali, que tá interagindo, porque depois você descobre que tinha outro cara que era infiltrado, aí tinha o próprio Costello que também tinha alguma relação com FBI, não sei o quê. Então você vai vendo esses personagens e a gente vai vendo que é isso assim, que todos eles ali, eles é uma grande mentira, é uma grande muita mentira assim, todo mundo vive meio que em torno desses fantasmas, né, dentro das suas próprias histórias.

E essa é uma ideia filosoficamente assim pesada para esse filme policial mainstream, porque a gente vê justamente isso, as mentiras que estão sendo construídas para gente.

?Voz 1

Isso é muito legal. É a própria personagem da Vera Farmiga, ela fala, né, que A mentira, ela entra como um equilibrador. Então no filme todo mundo mente em algum nível, né? Todo mundo ali faz parte de uma mentira. E é tão curioso assim que quando essa mentira é confrontada, cria até um— parece que para mim a cena que eu mais gosto do filme é a primeira interação entre o Billy e o Colin, que é quando Eu acho que o Billy pega o celular e liga para o Colin.

Eu acho que não, Colin pega o celular e liga para o Billy. E aí eles atendem, e aí fica ali um silêncio. Só que é uma cena que é engraçada, que o Scorsese, ele tem, o Scorsese junto com a Wes Craven, eles têm uma coisa que eles fazem o tempo rápido parecer curto, o tempo curto parecer longo. É uma cena, eu até voltei para ver, é coisa de 10 10 segundos, fica um silêncio, que é coisa rara nesse filme, porque esse filme não trabalha com silêncio, é o tempo inteiro com diálogo, com tiro, com trilha.

É um filme que trabalha muito pouco silêncio, que é proposital isso, né? Só nesse momento ele fica um silêncio de 10 segundos mais ou menos, e a câmera vai alternando de um personagem para o outro. Eles naquela tensão, tipo, quem fala primeiro? Uma cenazinha de 10 segundos, mas parece uma eternidade aquele silêncio, porque é a primeira vez que eles estão confrontados confrontando um ao outro e gera uma tensão tão grande, mas tão grande, que aí acho que o Billy desliga primeiro e aí desenrola e tudo, depois eles se ligam de novo.

Mas essa primeira interação, esse primeiro confronto deles com essa mentira, que é a primeira vez que eles estão realmente confrontados um com o outro, gera essa— é como se fosse um choque entre eles, um choque entre as duas mentiras, as duas realidades alternativas, né, de espião, uma de infiltrado, uma chocando com a outra. Porque eles sobrevivem uma mentira tão grande, quando eles se veem muito frente com outro, eles meio que não sabem o que fazer agora.

Será que eu fui descoberto? Será que não fui descoberto? Quem tá do outro lado? Como que, como que eu vou sair dessa situação agora? Porque eles estão o tempo inteiro fugindo desse momento do confronto, e quando acontece, eles simplesmente não sabem como reagir. Aí depois o filme desenrola, mas essa primeira cena, esse primeiro momento assim Já considerado o filme, é, para mim é ali que o filme ganha, é ali que eu falo, pô, realmente Scorsese sabe fazer negócio, né?

Realmente ele sabe trabalhar, porque é uma sutileza, é uma coisa pequena assim, mas que traz um peso tão grande para a história e para a relação desses dois personagens, que a gente tá acompanhando esses dois personagens o filme inteiro. E de repente para pensar que eles não se interagiram entre eles, eles não contracenaram ainda, né? E essa primeira vez se contracenam é justamente nesse momento de tanta tensão por conta dessa vida dupla que eles levam.

?Voz C

Cara, e eu gosto tanto desse tipo de coisa. Você A gente tava falando sobre esse lance da mentira, né? E tem isso, né? Porque uma das mudanças mais reveladoras dessa adaptação que o Scorsese faz é que no filme original de Hong Kong, Conflitos Internos, ele abre o filme com uma citação do Sutra do Nirvana sobre o inferno contínuo. E aí ele sugere que viver na mentira é uma redenção espiritual eterna. Então eles começam assim, isso é tão interessante porque essa é uma leitura budista de equilíbrio cósmico assim, né?

Então o filme chinês traz essa, essa pegada budista e tal. O Scorsese substitui completamente essa base filosófica pela culpa católica, né?

CBCecília Barroso

Que é lógico, ó, Mas como não? Como não?

?Voz C

Porque na comunidade irlandesa de Boston ali não funciona como uma fonte de consolo a mentira, né? Mas ela funciona como uma ferramenta de controle, né? Ele é um catalisador de repressão psicológica mesmo. Tanto que o Colin, né, no filme, ele é apresentado como o cara que pequeno ia para igreja, né? É o menino de ouro, né, cuja fé é usada pelo Costello como uma fachada de respeitabilidade, né? E aí essa troca desse eixo espiritual assim do budismo oriental para essa culpa cristã ocidental muda completamente o tom moral final da história, né?

CBCecília Barroso

Mas o Scorsese, ele, o catolicismo, ele está em todo Scorsese. Catolicismo, ele permeia toda a obra do Scorsese, e inclusive a culpa cristã está nos filmes do Scorsese. Aí você pega os Infiltrados e vem toda culpa, pecado, né? Então assim, faz parte dele. Então não tinha como os infiltrados não ter essa, essa coisa da culpa e da impossibilidade da absolvição. Assim, faz parte da trajetória desses dois a impossibilidade de absolvição, a fatalidade, né?

Assim, o destino final. Porque é isso, assim, a história de produção toda do escocese é baseada no cristianismo, né?

?Voz C

Exatamente.

?Voz 1

Não só no cristianismo, mas na questão da culpa católica também, né? Porque apesar dele ser católico, ele se declarar católico até hoje, ele é muito crítico a essa culpa cristã que ele carregou por muito tempo. Não sei como que, não sei como ele lida com essa fé hoje, né? Tem um projeto dele de fazer um, de fazer mais um filme sobre a história de Jesus Cristo. Acho que nem é sobre Jesus Cristo em si, se eu não me engano é um projeto sobre alguns santos, São Pedro, São João, alguma coisa assim.

Não sei como que tá esse projeto, mas ele sempre teve essa questão. Eu não sei dizer que é um conflito, mas ele sempre teve essa coisa de ele assumir a sua fé no cristianismo, podemos dizer assim, né, mas entender que isso isso trouxe muita culpa para ele, que ele teve que lidar com isso na infância, até na vida adulta. Tanto que os filmes dele sempre tá enfiado dessa questão de carregar essa culpa, nunca como um ataque gratuito, mas também nunca como uma coisa meio de passar pano para Igreja Católica. Sempre uma coisa meio, meio morde-assopra assim, né, Scorsese, né?

CDCaio de Aquino

É uma dualidade, né?

CBCecília Barroso

É, mas ele é crítico, mas ele é aquele, é crítico, mas é aquele crítico que não consegue se afastar da igreja.

?Voz 1

Isso, é exatamente assim.

CBCecília Barroso

Não que ele seja um pregador, ele não é um pregador, ele não está evangelizando, mas é aquilo, é como se aquilo, ele saiu disso, mas isso não saiu dele.

?Voz 1

Mais ou menos isso. Então eu gosto de interessante assim, né, é uma leitura, até seria interessante outros, outro, o Scorsese por ele ser um cara muito comunicativo. De repente ele fazer um, assim como ele fez os dois documentários falando sobre o cinema italiano e sobre o cinema hollywoodiano, onde ele fala bastante sobre a relação dele com o cinema, né? Eu veria fácil um documentário falando sobre essa questão da fé dele. Nossa, porque isso é, os filmes deles são muito permeados por isso, né?

A gente Não toca muito na questão da máfia, que é presente, mas a questão da fé cristã também tá muito presente nesse filme, né? Mesmo nesses filmes falando de máfia ou em outros filmes, que o Silêncio, por exemplo, né, que é um filme que ele vai lidar com a questão da fé. Mas é interessante mesmo, seria muito curioso. Eu veria fácil um documentário do Insider falando sobre esse tema.

CBCecília Barroso

Nos da máfia mais ainda, porque é isso, a máfia ela tá muito conectada a Igreja Católica, assim, não a Igreja Católica, mas as famílias, essa conexão dele ali na onde ele morou, né, lá nos Estados Unidos, né, essa coisa de ir à igreja, né, dos mafiosos ali de onde ele morava, essa vivência que ele teve. Não, não tô insinuando, não estou insinuando. Não, estudei, isso é real. Não tô insinuando, eu tô falando que essa frequentar a igreja era uma coisa muito real onde ele morava.

?Voz 1

Muito, nossa, demais.

CBCecília Barroso

A família. Então assim, ele cresceu vendo isso, ele, adolescência dele foi nisso. Então assim, isso tá porque ele viveu isso muito.

?Voz C

Agora me diz uma coisa, o Caio, queria sua opinião, porque tem uma uma frase, né, do Costello, que é dita logo na abertura do filme, né, que resume também, no meu ponto de vista, né, toda essa filosofia niilista da obra, assim, né. Ele diz uma frase que eu acho muito boa, assim, ele fala assim: eu não quero ser o produto do meu meio, eu quero que o meio seja um produto meu. Isso é praticamente uma declaração uma vontade de poder, né, assim, incontestável.

E essa ideia de que a força e a capacidade de manipular, né, ali o próprio destino, vamos dizer assim, importam mais do que qualquer código moral, né, fixo e tal, seja desse que a gente tá falando aqui da igreja, seja um código moral religioso, social, e por aí vai. E o mais irônico é que no final do filme, né, mesmo a gente vendo esse mestre manipulador aí, né, a gente vê que ele se revela vítima da própria rede de traições, né, que ele ajudou a criar.

Você acha que quando a gente para para ver esse cara, esse grande personagem, né, que é o Costello aí, a gente tá ali na verdade vendo a demonstração do colapso inevitável de qualquer sistema baseado só na força e na manipulação, sem nenhum tipo de ética assim? Você acha que ele traz um pouco disso assim? Que assim é uma maneira do Scorsese falar, cara, em algum momento esse tipo de reação, esse tipo de arquitetura, né, vai dar problema assim, ficar só nisso baseado na força e na manipulação. População, vai dar ruim, cara.

CDCaio de Aquino

Totalmente. Eu acho o Scorsese, não é surpresa para ninguém que ele sempre tem personagens que retratam ali muitas questões da identidade dos estadunidenses, né, tipo culturas imigrantes e tudo mais. Mas acho que principalmente dos Estados Unidos em si como identidade. E eu acho que esse personagem do Costello, com essa frase que ele fala no começo, reflete algo que é muito uma característica dos Estados Unidos, que essa questão da individualidade, né?

Tem até um momento ali no começo do filme que o Billy, ele vai bater nos capangas lá do Costello numa loja de conveniência, e aí o vendedor fala, porra, todo mundo nesse país se odeia, não sei o quê. É verdade, é verdade, não lembrava disso. Eu acho que esse, todo esse filme, como o Scorsese trouxe esse filme para o Ocidente, né, se passando nos Estados Unidos, tem muito esse contexto. Se você vai parar para pensar, né, que é um filme que tá vindo ali depois do 11 de setembro, então você tem uma desconfiança geral dos Estados Unidos com relação a uma paranoia ali assim de que o inimigo está dentro de casa, né.

Você tem esse reflexo isso ali no roteiro, nos personagens, né, dos personagens perseguindo um ao outro, né, essa desconfiança constante nos personagens. E eu acho que o Costello, ele meio que personifica esse sentimento dos Estados Unidos quanto país, né, de assim, até se você for ver, cara, isso é muito interessante porque eu tava revendo umas cenas do filme hoje, tem uma fala que me pegou muito assim, que é o personagem do Martin Sheen ali, o Quinnan.

É Quinnan, né? Ele fala a todo momento, a polícia tá indo investigar o roubo de uns microchips, né? Eles falam sempre disso. Quem tá roubando, entre aspas, esses chips? A China, né? Aí ele fala assim, é uma fala que ele fala exatamente isso, daqui 20 anos a gente vai estar em guerra com a China é por conta desses microchips. E não sei o quê, que é exatamente o que a gente tá vivendo hoje com inteligência artificial e tal. Então é um filme que ele prevê muito essa ideologia dos Estados Unidos assim, dessa postura truculenta que os Estados Unidos têm, não só como país externamente com outros países, mas internamente também, né?

É um ciclo vicioso quando você tem uma sociedade que tá desconfiada dela mesma o tempo todo, né? Você tá pondo o seu próprio policial para ir atrás do outro cara que que também tá infiltrado dentro da polícia, mostra um pouco isso assim. É uma sujeira que tá dentro do próprio sistema, né? E esse personagem, ao qual o Costello é inspirado inclusive, ele é um personagem real, né? Eu não sei pronunciar o nome dele direito. Whittaker Bulger, né, que ele foi um chefe do crime organizado em Boston, que ele atuou por muito tempo como informante do FBI.

Ele tinha era mais ou menos assim: ele entregava informações sobre os inimigos ali de outras gangues para polícia, e a polícia meio que fazia vista grossa para ele por conta desse papel que ele cumpria junto à polícia, né? Então é muito louco como isso, o Scorsese conseguiu colocar isso no contexto americano, né? Assim, se a polícia faz esse tipo de corrupção dentro dela mesma, né, como é que eles vão buscar, os próprios personagens vão buscar essa ética moral o tempo todo, né? Vai existir essa dualidade sempre.

CBCecília Barroso

Teve aquele filme que com Johnny Depp era baseado nesse cara, lembra? Aliança do Crime.

?Voz 1

É um que ele tá meio careca no filme, né?

CBCecília Barroso

Isso, ele tem assim uma careca assim até a metade, assim tá calvo, tá calvo.

?Voz 1

E tem uma, você falou dessa questão do do estado, do estado que já tá corrompido. Que quando o Costello, ele é interpelado assim pelo Colin perguntando, ah, então quer dizer que você trabalha para FBI? E ele não só não nega, como ele fala, é óbvio que eu sou, é óbvio que eu sou informante do FBI. É como se fosse, é como se ele estivesse falando, todo mundo aqui é infiltrado de alguém, todo mundo trabalha com alguém, todo mundo deve favor para alguém, todo mundo está preso a alguém.

Então esse é óbvio que eu trabalho trabalha pro FBI, pra mim soou meio tipo ninguém aqui está limpo disso, né? Todo mundo aqui trabalha pra alguém, com alguém. E aí quando o outro personagem lá ele mata o Costigan, ele fala, você acha que você era o único infiltrado aqui? E muito possivelmente existiam outros ali, né? Um se filtra no outro porque o problema não é de cunho pessoal, não é a questão dele, não era o Costello. Tanto que demorou para se pegar o Costello porque sabia-se que tem outras coisas ali envolvidas, não é só prender o Costello, era um sistema, é todo um sistema, né?

E aí quando ele é interpelado por isso, ele deixa claro que o sistema todo tá corrompido, não sou só eu, não é, a questão não é eu passar informação para o FBI. O FBI tem um cara como o Costello como informante é porque também o FBI não é, não é, né, não é muito confiável, né? Pra você ter um cara como Costello como seu informante, alguma questão ética vocês têm. Então dá a dimensão de como o sistema todo está corrompido, não apenas aquela unidade policial.

?Voz C

Aí vocês falam do Costello assim, e aí eu lembro da interpretação do Jack Nicholson. Eu tenho que falar dele mais uma vez assim, porque eu fico impressionado como ele rouba a cena, sabe? Quando ele aparece assim, muita gente nem sabe, mas ele não foi a primeira escolha do Scorsese, né? O Scorsese foi atrás do Al Pacino, que acabou recusando o papel e tudo mais. E aí o Jack Nicholson topou aceitou, né, fazer o papel e tal. E daí quando ele entrou no projeto e ele leu o projeto, como que seria, né, esse Frank Costello e tudo mais, ele foi lá conversar com William Monahan, que era o roteirista, né, e ele pediu para mudar algumas características do Costello, que originalmente era descrito como alguém pós-sexual assim, ou seja, era um cara que já não impulsos ou interesses sexuais, assim, era um cara totalmente voltado pros negócios mafiosos dele.

E o Jack Nicholson achava que esse cara, ele tinha que ter toda essa excentricidade, assim, e tal, né? Então você pega um vilão ali, esse cara que é excêntrico, ele tá decadente, ele é completamente imprevisível, E aí ele trouxe uma energia que os críticos na época até falavam que era, que ele tava brincando de atuar assim, porque ele constrói um castelo que encara toda essa violência com uma naturalidade assustadora, né? E é muito interessante de você ver, né, como que o Jack Nicholson faz essas interpretações ali.

E lógico, né, que o Jack Nicholson, ele coloca improvisos ali, né? Tem a cena icônica no restaurante onde ele tá conversando com o personagem do DiCaprio, né, sobre quem que é o delator, o rato ali e tal. E aí tem um momento de tensão absurdo ali porque o Jack Nicholson puxa uma arma, né, ali e aponta para o rosto do Leonardo DiCaprio e tal. E ninguém no set sabia que ele ia fazer isso. E aí ele tem um medo assim, o DiCaprio entra naquilo e tem uma reação completamente inesperada ali e tal.

E enfim, e o Jack Nicholson ele tem esses momentos assim que ele improvisa esses momentos, né? Por exemplo, ele queimando com isqueiro o desenho ali e tal. E falando que ele vai pegar o rato e tal. Então ele tem coisas que ele faz assim que são tão geniais dessa interpretação dele, que é uma presença hipnótica assim, sabe?

CBCecília Barroso

Eu ficava geniais. Mas imagina isso para os diretores de série.

?Voz C

Nossa, exato!

CDCaio de Aquino

Imagina o caos, né?

?Voz 1

É uma coisa que a gente até falou pouco, mas é um filme Bem engraçado, né?

?Voz C

É assim, é várias cenas engraçadas.

?Voz 1

É um filme que ele tem essa carga de tensão, mas muitas vezes, por exemplo, o personagem do DiCaprio, toda a interação dele com Costello é divertida, porque o DiCaprio ele fica desesperado durante o filme. Dá uma, assim, se a gente for pensar nessa, numa questão de verossimilhança, tipo, é só você olhar para a cara do Billy que você vai perceber que ele era culpado. Porque tava estampado na cara dele o desespero. Então assim, vamos, vamos, vamos, suspensão de descrença aqui, ninguém tá cobrando verossimilhança nisso, mas acaba ficando engraçado isso, porque o personagem do Costello, quando chega perto do Billy, ele entrega na cara dele que ele tá mentindo, que ele é o culpado ali, porque ele treme, ele fica nervoso, ele fica olhando para o lado e parece que ele estoa para caramba, e parece que o Costello Não é isso, mas assim, dá a impressão de que ele sabe e que ele provoca ainda mais só para ver a reação do Billy se desesperando, descabelando, né?

Isso daí é engraçado. Eu imagino que não deva ser intencional, mas eu me diverti. Eu acho engraçadíssimo saber disso. Pensa na possibilidade do Costello saber que ele é infiltrado, mas ele ir brincando e testando só para ver a reação dele se desmoronando, desespero ali de ser descoberto.

CBCecília Barroso

Engraçado, né? Porque isso assim, o DiCaprio, ele nessa tensão, ele brinca mesmo com essa coisa de um humor assim na tensão, né? Não é só nesse filme, ele tem essa coisa meio cômica mesmo, nessa chave quase cômica, né?

?Voz 1

É uma batalha após a outra, foi esse personagem assim, né?

CBCecília Barroso

De tão tenso ele fica engraçado.

?Voz C

Então o diálogo deles nessa cena do restaurante tem um momento em que o DiCaprio vira para ele e fala assim: você vai descobrir quem é o rato quando você perguntar para alguém se aquela pessoa faria o trabalho que você faz. E aí o Jack Nicholson vira para ele e fala assim: você gostaria de ser eu? Daí o DiCaprio fala: sim.

?Voz 1

Ele fica desesperado assim, ele Ele fica, ele fica tenso. E assim, o que é engraçado, você vê na cara dele, né?

?Voz C

É engraçado.

?Voz 1

Não, o que é engraçado na diferença do Billy para o Colin, né, o personagem de cabo do Matt Damon, é que o Colin ele é todo certinho, né? Tipo, até na hora de mentir, ele mente com convicção. Mesmo quando ele é pego de surpresa, ele se arranja ali, ele dá uma desculpa, ele mente e tal. Ele é quando ele é pego na com áudio que a personagem da Bruna Formiga pega, ele fala, não, não é bem isso, eu posso te explicar porque na verdade ele era meu infiltrado.

Ele sempre tem uma resposta pronta. O Billy não, o Billy não tem resposta nenhuma. Ele começa a suar, ele começa a gaguejar, ele começa a divagar sempre quando alguém questiona ele. Até quando ele tá saindo do restaurante e aí aqueles dois capangas falam, ah, você é policial. Ele trava, fica todo tenso. Tipo, vocês descobriram? E as caras, não, é só brincadeira, tarde, ele relaxa um pouquinho. Então eles são bem diferentes, mas isso faz o personagem do DiCaprio ser esse, esse cômico meio que não intencional assim, né?

Talvez ele não tenha sido, talvez nem tenha sido a ideia dele ser engraçado, mas eu me divirto. Para mim é o melhor personagem assim. Para mim, as cenas mais engraçadas é quando é ver ele nervoso. É ver ele suando frio.

CBCecília Barroso

Ah, mas eu acho que é intencional, não é possível.

?Voz 1

O DiCaprio é muito bom nisso, né? Ele tem uma forma, ele consegue ser engraçado sem nunca soar um humorista. É diferente do Costello, do Jack Nicholson, né? Ele consegue ser engraçado porque ele é engraçado, mas parece que ele não quer ser engraçado, e por não querer ser engraçado, ele fica engraçado, né?

?Voz C

Mas Esse lance do humor, cara, é muito legal. Mas tem as cenas, né, que tem o Dignam, que é o personagem do Mark Wahlberg, que são assim surreais.

?Voz 1

Quando ele entra para dar o briefing, ele e como ele é violento, né, gente, super violento, ele é muito explosivo, né. Ele é muito legal porque ele é muito pontual, né. Tem algum momento de explosão dele, depois some. Aí depois some.

CDCaio de Aquino

Tem até uma fala que ele sai de uma reunião assim, aí ele fala: não, é, desculpa, ele é um cara legal geralmente, né, sem ser nessas reuniões assim. E na verdade, tipo, você só viu ele nesse contexto o filme inteiro, tá ligado? Você não consegue ver ele de outra forma.

?Voz C

Exatamente, exatamente.

?Voz 1

Exatamente.

?Voz C

Não, essa cena dele conversando ali, que ele entra, e daí ele e o Ellerbee, né, que é o personagem do Alec Baldwin, eles dois meio que se xingando, falando da mãe e tal. E aí entra esse aspecto que eu acho que a Cecília levantou muito bem, que é esse elemento muito masculino assim, muito. Porque ele, além de tudo que a gente tá falando, né, dessa questão do catolicismo, dessa questão, né, das traições políticas, filosóficas e tudo mais, tem também essa camada dessa masculinidade que é interessantíssima assim, porque apesar da gente ver Billy e Colin fazendo papéis totalmente opostos e de uma certa forma se somando para narrativa, um lugar que eles se encontram em que é o lugar em comum é na terapia, né?

E ambos tratam aquilo de uma forma super assim banal e distorcida e tal. Então tem um encontro dessa masculinidade permanente ali, que é isso assim, tipo, os caras entram para dar o briefing, não é só dar o briefing, é um tem que esculhambar o outro, tem que mostrar que é melhor do que o outro, não sei o quê, tem uma competitividade masculina assim que chega a ser patética em alguns momentos assim, né?

CBCecília Barroso

Total.

CDCaio de Aquino

E que não é muito longe da realidade, né? Assim, tipo, é nesses meios assim, é muito comum em meio corporativo e meio policial ainda, que o pessoal é tudo até a tensão lá em cima o tempo todo, né? É uma realidade que existe o tempo todo, né?

CBCecília Barroso

Então Eu aqui no meio de 3 homens falando isso, foi mal.

?Voz C

Não, mas tem que falar mesmo, porque é isso. É, essa é a realidade.

CBCecília Barroso

Mas vocês não são assim, pelo menos não aqui. Aqui eu não vi.

?Voz C

Mas eu acho que uma coisa assim, que pelo menos muita gente, muitos homens assistindo esse filme, que talvez tenham um pouco mais, né, de flexibilidade no seu olhar, a gente é criado nesse meio.

CBCecília Barroso

Sabe, nessa coisa do não falar aqui agora. Vocês são assim, mas eu aposto que em 2006, depois de sair dessa sessão, foi totalmente diferente. Se fossem 3 homens saindo dessa sessão em 2006, foi totalmente diferente.

?Voz 1

É o que eu ia falar, assim, a gente pode, a gente pode não ser esse jeito, mas a gente convive com isso o tempo inteiro. A gente convive conviver com isso em reunião de família, na vizinhança, no trabalho, na escola, na faculdade. Então mesmo que, mesmo que a gente não age desse jeito, a gente tá exposto a isso, a gente convive com isso, né? E muitas vezes quando você não corresponde a isso, aí vem um monte de taxação, aí vem um monte de questionamento.

Mas o fato é, ainda mais que a gente tá falando de um mundo ali, a única personalidade feminina relevante no filme. Não, tem duas personagens femininas, tem a Madeline, que é a psicóloga, e a companheira do Costello. Então é um filme recheado de personagens masculinos, e esses personagens masculinos, todos eles têm algum desvio, tem algum comportamento agressivo, ainda mais no meio policial. Acho que o Kaique falou, né, que eles vivem sob pressão.

Então imagina, né, você precisa se mostrar masculino o tempo inteiro, e quando você Quando essa masculinidade ela é questionada, como aconteceu no caso do Colin, que ele não conseguiu ter relação com a Vera Formiga, ele foge do assunto, né? Ele finge que não aconteceu. Ele não pode falhar de jeito nenhum, mas de jeito maneiro que ele pode falhar. Então o filme também, ele traz muito essa leitura dessa brutalidade, né? E os filmes que eu chamo, a maioria fala muito sobre isso, né?

Fala sobre como essa masculinidade ela também é autodestrutiva. Não à toa os 3 personagens principais do filme morrem, né? Das formas mais brutais possíveis. Não só morrem como eles na verdade se matam, né? Um mata o outro. Mostra muito bem como essa masculinidade ela acaba se autodestruindo, ela acaba destruindo os próprios homens, né?

?Voz C

É, e aí tem essa camada, né? Porque no final das contas, essa masculinidade dos infiltrados assim é justamente sobre como esses homens são destruídos pelas instituições, né, que deveriam moldá-los e tal. Então a gente tem a igreja, a polícia, a máfia e tal, mas acima disso tem o próprio capitalismo, né, vamos dizer assim, o próprio sistema patriarcal também que que rege tudo isso e tal. Então quando a gente vê que eles são ratos, né, presos nessa estrutura baseada no medo, na traição e tal, a gente vê justamente esse desfecho trágico assim, né.

Sobra só essa violência seca, né, o sangue no carpete ali, né, a sensação de que, como diz o Costello, Monroe, né, em algum momento também do filme lá, que quando se tem uma arma na cabeça não é, não há diferença entre policiais e bandidos, né. E esse é um retrato cru assim de identidade fragmentada que se perde no caminho mesmo. Então é impressionante. E até isso que você tava falando, Fer, do Colin, né, que a gente vê ele lá e ele tem uma cena de de potência com a esposa ali, com a namorada, enfim.

Ele é pintado como esse cara que veste essa máscara do menino de ouro ali, né, do policial herói, né. Ele é aplaudido pela corporação e tal, mas por dentro, né, tem essa, esse sociopata assim, né, funcional, que prospera justamente na mentira, né. E ele fala isso assim, fala: eu sou, sou bom, não acredito nisso. Então a masculinidade dele é uma masculinidade performática, assim, né?

?Voz 1

Total, ele é muito performático na forma como ele se veste, tá sempre bem arrumadinho, sempre de terno, gravata. Enquanto o personagem do Billy é algo totalmente oposto, né? Sempre meio largado, tá sempre meio desleixado, às vezes meio sujo. O Colin, ele vai, a imagem dele vai se desfazendo do finalzinho assim para frente, assim, nos últimos minutos que ele começa a aparecer machucado, que ele toma aquela porrada do Dinho. Aí depois ele aparece, ele surge sangue, ele tem uma cicatriz no rosto.

Mas até então ele, a imagem dele tava limpinha, tava limpa, tava, é, ele tava, ele nem dá até o nome da gravata dele, fica certinho, né?

?Voz C

É, em compensação, o Billy é o outro tipo, né, de personagem masculino aqui, que ao final do filme a gente tá ouvindo ele falar literalmente ali que ele só quer recuperar sua identidade, né? Então, e ele briga por isso, né? Então é uma masculinidade que é definida muito mais por essa coisa do sofrimento, da dor, né? De, enfim, ter que voltar ao submundo que ele odeia ali, né? E a própria Madeline, né, que que é a psicóloga e tal, ela tem um momento que ela olha para o Billy e fala assim: essa sua vulnerabilidade me assusta.

Isso é muito maluco, né, também, que ali é quando a gente vê um cara que tá completamente assim sem lugar, ele não tem mais para onde ir, ele tá realmente sem identidade, ele não tem mais o que perder assim.

?Voz 1

Tem uma coisa para me no ar, eu não sei se vocês pegaram isso, não sei se depois foi explicado. Tem uma cena aqui no final quando o personagem lá, não lembro o nome do personagem, ele dá o endereço errado para o Billy e o Billy aparece. Aí ele meio que saca que o Billy É o informante. Antes de morrer ele fala, você não vai me perguntar o porquê que eu não contei que você é infiltrado?

?Voz C

Isso.

?Voz 1

E aí ele morre. Aí eu fiquei na dúvida, por que que ele não contou para os demais, para o Costello, que ele era infiltrado?

?Voz C

Porque ele era um infiltrado também, né? Porque quando eles desovam o corpo dele, sai na televisão dizendo que ele era um policial que estava há anos infiltrado ali e que finalmente encontraram o corpo dele e tal. E aí é quando inclusive o Costello se dá por convencido, ele fala, não, então beleza, encontramos o rastro.

?Voz 1

É, mas o Costello meio que deixa claro que aquilo ali era meio que um truque da polícia para que ele parasse de procurar o verdadeiro infiltrado, né? Pelo menos foi assim que eu entendi aquela parte daquele momento.

CBCecília Barroso

Eu acho que eu nunca parei para pensar nisso.

CDCaio de Aquino

É, nunca tinha parado para pensar.

?Voz 1

Eu fiquei nessa dúvida quando ele fala, você não vai, você não vai me perguntar o porquê que eu não contei nada. Só que ele morre, meio que fica por isso, é isso, né?

CDCaio de Aquino

Sim.

?Voz 1

Aí teve um momento que ele é identificado como policial, mas eu imaginei que a polícia meio que falou que ele era o policial para não descobrirem que o verdadeiro infiltrado era o Billy. Mas também pode ser que ele era policial também, né? Afinal, todo mundo ali tava meio meio que envolvido com isso, né?

?Voz C

É, a minha interpretação foi essa, foi que ele não questionou, né? Não falou para todo mundo, porque ele também, ele percebeu que o outro infiltrado era o Billy. E aí meio que ele, né?

CBCecília Barroso

Eu acho que talvez porque o Costello também era infiltrado, né?

?Voz C

Também era infiltrado. É, pois é, todo mundo infiltrado no final das contas. E tem uma outra cena que também eu queria queria saber a opinião de vocês, que é a cena final, né? Porque a cena final a gente tem um rato cruzando ali um corrimão, né, da varanda do apartamento lá do Colin.

CBCecília Barroso

Muita gente odeia essa cena, né?

?Voz C

Pois é, porque tem o domo dourado do Capitólio, né, de Massachusetts atrás e tal, visível, né, no fundo e tal. E aí gerou um monte de polêmica entre os fãs, né? Aí teve em 2019, quer dizer, 13, não, 13 anos depois que o filme foi lançado, teve uma campanha de financiamento coletivo pedindo para Warner remover digitalmente o rato, né, do filme.

CBCecília Barroso

Olha o nível das pessoas se metendo nos outros, é muito absurdo, pelo amor de Deus.

?Voz C

E aí, lógico que o pedido foi negado, né?

CBCecília Barroso

Porra.

?Voz C

E alguns acham, mas não é, não dá, é inacreditável. Mas alguns acham que a metáfora ela é óbvia, né, demais ali, que tá fazendo uma relação direta à política e tudo mais. Mas tem algumas leituras mais profundas ali que sugerem que o rato representa essa onipresença da traição, né, que não fica só restrita ao submundo do crime, mas ela se espalha até o coração, né, da própria, do poder político ali e tal, simbolizado justamente pelo Capitólio e tudo mais. Que é aquela famosa frase do Capitão Nascimento, né, que o inimigo é outro, né.

CBCecília Barroso

Nossa, eu nunca pensei que fôssemos chegar até aí.

?Voz C

Mas como que vocês veem essa cena final assim? Vocês acham bom esse fechamento, tipo, da gente ver toda essa construção, né, da gente ver o Mark Wahlberg indo lá matando o Colin, o rato? Vocês gostam desse final assim?

CBCecília Barroso

Cara, o homem falou de rato a vida inteira dele, deixa botar o rato, entendeu? Para mim, eu Assim, não me incomoda. Eu acho que tipo a gente sabe que tem rato em todo lugar. Ele falou no filme que tem rato em todo lugar. Deixa o rato.

CDCaio de Aquino

Acho que é para fechar esse raciocínio, né? Talvez, né? O raciocínio.

?Voz 1

É aquele negócio, tá se esforçando, entendeu até agora? É aquele negócio, né? É igual eu falo, tem uma coisa que eu acho bobagem, mas que também não prejudica em nada a experiência do filme, nada. Se tirar essa cena também não muda nada, tá lá, e também não muda nada. Sei lá, deixa o cara ser feliz, sabe? É aquilo, o Scorsese, ele tem uma coisa que ele gosta de dar aquelas piscadelas, sabe? Ou ele aparece em um momento na cena, ele bota ali um xizinho, ele bota uma ceninha diferente, ele bota um amiguinho dele lá no filme, ele gosta de botar as músicas dos amigos dele, é aquele negócio. E assim, se as pessoas estão incomodadas é porque as afetaram de alguma forma.

?Voz C

Deu certo, né?

CBCecília Barroso

Eu acho isso, ele passou o filme inteiro botando X em tudo que foi canto, vai incomodar o rato, gente.

?Voz 1

Ele botaria o rato de Mickey ainda só para— caraca, é sério mesmo? Teve essa, essa, essa petição, porque, cara, não faz o menor sentido isso.

?Voz C

Não faz, pois é.

CDCaio de Aquino

Mas é inacreditável, né? Parece piada, né?

?Voz 1

Pois é. Não, ainda mais assim, se é um pedido desse, ah, é um filme da Marvel, sei lá, no filme do Nolan, são filmes, vai, vamos dizer assim, são filmes mais estéreos, ah, beleza. Pô, mas Scorsese, mano, O projeto tá falando disso a vida inteira, a vida dele toda, sobre sistema corrompido. E sei lá, as pessoas vão ter que inovar agora. É isso especificamente, né?

CBCecília Barroso

Agora sim, você no começo do programa falou de Spielberg. Spielberg era um cara que colocaria um rato e ninguém acharia estranho. Agora o rapaz vai, o rapaz, o senhor vai colocar um rato, o povo fica de chubeca. Eu, hein?

?Voz C

Exatamente. Não, eu vou te falar que me deu um gatilho quando eu vi esse ratinho, porque quando eu vi ele andando pelo corredor, eu falei, meu, se a câmera acompanhar ele, ele entrar num cano, sair numa cozinha e subir na cabeça de um jovem cozinheiro, já emenda com outro filme.

?Voz 1

Eu não lembrava desse final assim com o rato, né? Aí quando eu tava, eu revi o filme hoje, aí eu vi, cara, não lembrava Isso daí não.

CBCecília Barroso

Olha aí, é tão irrelevante.

?Voz 1

É uma coisinha boba assim, é só para tipo meio que para aquela piscadela no final, sei lá, se alguns avisados não entender o filme, falar, tá, sempre tem, sempre teve aquela coisa, né, para ver se o óbvio precisa ser dito. Sempre tem uns avisados que não entenderam, então fala, tal, tal, para vocês entenderem bem, para vocês depois ficarem discutindo o que que era, o que significava aquele rato. Mas assim, você tira aquele jato, também não muda nada.

CDCaio de Aquino

Vocês não têm que pôr uma cena aí no final para deixar mais fácil?

?Voz 1

Vocês já me permitiram gastar com elenco gigantesco, né? Porque é um elenco, vamos combinar que é um baita de um elenco, né, cara? É um elenco, vai. Hoje em dia eu acho que os esforçadores têm esse tamanho para fazer um filme com elenco desse. Eu acho que hoje os esforçadores têm tamanho para fazer um filme com eleito que ele quiser. Nível nulo assim, né? Às vezes tinha lançado para fazer duas cenas, mas eu não sei se 2006 ele tinha, eu acho que ele tinha esse tamanho para indústria, mas talvez não para os estúdios.

?Voz C

Eu acho que não tinha assim, sei lá, 2006 ele tinha esse tamanho todo para mim, porque, cara, eu acho que tem um outro, eu acho que tem um outro fator que é o fator político também, né?

CBCecília Barroso

Porque, ó, 2006 Aviador em 2004.

?Voz 1

Imagina, é verdade, né? Gigantesco fracasso, mas o prêmio gigantesco.

CBCecília Barroso

Ó, Gangues de Nova York 2002, Aviador 2006, tudo elencões.

?Voz C

Mas ó, 2006 o presidente dos Estados Unidos era o Bush, né, o George W. Bush. Já tinha motivo para o Scorsese colocar um ratinho.

CBCecília Barroso

Vamos pensar no presidente atual. Então aí, necessário ratinho. Com orelha de Mickey, inclusive.

?Voz C

Quando tem essa, essa petição aí que eles pedem para tirar o rato, que é 2019, quem era o presidente em 2019? Trump.

CBCecília Barroso

Ratinho, ratinho, ratinho.

CDCaio de Aquino

Veja só, é, tem todo um por acaso, né?

?Voz C

Nada por acaso. Vamos, detalhe da semana, aquele momento para a gente dar dicas para vocês aí, para vocês fazerem em coisas diferentes, né, durante a semana. Aqui temos uma solicitação para Cecília começar, porque ela disse que veio preparada hoje, não é assim?

CBCecília Barroso

Na verdade, vou contar bastidores. Eu já comecei desesperada, que falei, ai, meu Deus, não pensei no plano detalhe. Mas aí fui rápida e falei, lembrei. E lembrei de dois planos detalhes.

?Voz C

Olha aí, sempre assim.

CBCecília Barroso

Como a gente tá falando de Scorsese. Acabei de assistir a série Cabo do Medo, que é a série que ele produziu com Javier Bardem refazendo aqui o papel do Robert De Niro maravilhoso. Tá na Apple TV. Então a gente tem aí a história de novo assustadora de Cabo do Medo.

?Voz C

É minissérie, é uma minissérie.

CBCecília Barroso

Minissérie hoje em dia eles chamam de minissérie essas séries que tem 10 capítulos, né? Não é minissérie, é uma série. Mas com a Amy Adams eles deram uma mudadinha na trama, né? Então assim, uma modernizada. Mas é isso. Temos aí Javier Bardem, Patrick Wilson. Então Max Cady é o Javier Bardem, tá? Horroroso, gente. Ele é demais, né? Ele é excelente ator e tá assustador como Max Cady. Então tem toda aquela trama com os filhos, com o promotor, advogada.

Então assim, eles deram uma mexida na trama e ele sai da cadeia e vai lá atormentar a família. Não vou dar muito spoiler, mas vale a pena. E é isso assim, Vale muito a pena, pelo Javier Bardem. Tipo, Globo de Ouro vem aí. Não vou falar mais também porque não posso.

?Voz C

E é uma série com Spielberg também, né?

CBCecília Barroso

Com Spielberg também.

?Voz C

Pois é, Scorsese, Spielberg. Caraca!

CBCecília Barroso

E eu achei muito legal porque pensando que a direção do filme foi do Scorsese, a gente tem muita coisa que veio do filme. Então assim, tem algumas cenas, a trilha sonora da série lembra muito a do filme, algumas coisas são iguais. Então você fala assim, ai, caraca, igual! E algumas cenas também. Então tem hora que o Max Cade aparece que você fala, é ele de novo! Só que é o Javier Bardem. Então assustador, gente.

?Voz C

E tem um lance de edição também muito legal também, né? Tipo uns movimentos de câmera, uma coisa bem anos 90 assim, é muito legal, que funciona super bem aqui. Que não é que é brega não, funciona bem mesmo.

CBCecília Barroso

Algumas coisas são bregas, né? Algumas coisas são bregas, mas eu acho que é isso assim, é trazer os anos 90 de volta.

?Voz C

A gente gosta de breguice de vez em quando, a gente gosta, a gente gosta. Você imagina o cara que dirige essa série tendo que chegar lá sendo contratado e entrando na sala e vendo que os contratantes dele é Spielberg, Scorsese, e te chamaram para dirigir. Imagina Aí você fala, bom, gente, é, eu tenho umas ideias aqui para essa série, mas nossa, eu falei, vocês não quiserem, dê estúdio.

CBCecília Barroso

É bom. E a minha segunda dica, já que eu agora comecei com produção de Spielberg e Scorsese, a minha segunda dica vai para Bagaceira, né, gente? Óbvio, é o ultimato queer love. Um reality show da Netflix que é o seguinte: Ultimato é um reality show onde uma pessoa quer casar, são casais, uma pessoa quer casar, mas a outra pessoa não sabe se quer casar. Então essa pessoa que quer casar leva essa outra que não quer casar para um lugar e esses casais vão ser separados.

A pessoa que quer casar vai escolher uma outra e vai se separar dessa pessoa que não quer casar, não sabe se quer casar. E essa pessoa que não sabe se quer casar vai escolher uma parceira. Então vão ficar em casais separados por um tempo, vão viver 3 semanas cada um com esses casais, com esse parceiro separado. Depois volta e fica 3 semanas com a parceira anterior, ok? E aí depois volta e vê se vai querer casar ou não. Ultimato Queer Love é isso com casais de mulheres lésbicas e pessoas não binárias.

Tá lá na Netflix, vocês não têm noção da confusão. É isso, intenso, intenso, muito intenso.

?Voz C

Aí então, dicas da Cê. Lembrando vocês ouvintes, né, que tudo que a gente tá falando aqui vai estar descrito aqui, né, no na descrição desse episódio ou no post, né, no nosso site. É só você ir lá clicar, você já vai ser direcionado para tudo que a gente tá falando aqui. E você, Caio, o que que você trouxe de bom para gente?

CDCaio de Aquino

Olha só, eu tô até agora, eu tô pensando, sabia? O que que eu assisti recentemente que não envolva cinema propriamente dito? Mas eu acho que uma última coisa que me tocou bastante, que assisti foi um anime. Eu assisto muitos animes, mas o que eu gostaria, até eu gostaria, às vezes eu preciso assistir mais série, mas como eu tenho tido pouco tempo, eu assisto anime porque dá para encaixar na minha rotina. E eu assisti um que é um clássico, é um anime bem popular dentro de quem gosta de anime, mas eu pelo menos nunca tinha visto, chama Madoka Magica.

Inclusive ele é um anime que é difícil de encontrar encontrar porque ele não tem nenhum streaming. Por algum motivo tiraram da Crunchyroll ou da Prime Video e tipo não voltou. Vocês já sabem o que vocês vão ter que fazer para achar. Mas cara, ele é um anime sobre garotas, então no colegial, e que elas são convidadas por um ser mágico, um bichinho mágico, para se tornarem garotas mágicas e proteger o mundo de, vamos dizer assim, de sentimentos ruins, né?

Porque existem nesse mundo, existem monstros e criaturas e bruxas que elas meio que propagam os sentimentos ruins no mundo. Então, tipo, depressão, suicídio, essas coisas acontecem por conta dessas entidades. E as garotas mágicas protegem o mundo dessa, limpam o mundo desses sentimentos, né? E, cara, só que parece meio bobo falando assim, mas o anime vai entrando temas muito sensíveis assim, principalmente do ponto de vista feminino, porque todas as protagonistas do anime são mulheres, né, não tem homens.

E tem muitas questões no anime sobre amadurecimento, né, das mulheres, e questão de o que esperam, né, da mulher quando ela tá amadurecendo e tudo mais, e as pressões que acontecem as dúvidas que se tem, né, os questionamentos que se tem nessa idade da adolescência. E elas estão prestando um papel ali que é muito importante, né, elas estão protegendo o mundo, né, e elas estão correndo risco de vida ao mesmo tempo, elas estão dando a vida dela para aquilo.

Porque tem uma condição muito importante aí para elas se tornarem garotas mágicas, que é: se elas se tornarem garotas mágicas, elas podem realizar um desejo, só que isso é irreversível. Então, para sempre, elas vão ter que proteger, defender o mundo. Então é um anime muito legal assim, eu fiquei muito surpreso de verdade. Ele até é bem emocionante o final, ele é bem curtinho, acho que tem 12 episódios mais ou menos, e teve 3 filmes também depois.

Ele virou meio que um anime meio cult, né, depois do seu lançamento e tal, depois com o tempo. Até hoje tem, sai jogo do anime e tudo mais. E fica aí a recomendação para quem gosta de anime, né, quer ver um anime bom que seja curtinho assim, Madoka Mágica é impressionante.

?Voz C

Para proteger o mundo no Madoka Mágica não tem o imperialismo americano, né, Caio?

CDCaio de Aquino

Não tem, mas tudo bem.

?Voz C

Outro mundo que eles têm que proteger lá, porque o nosso aqui ia ser mais complicado, eu acho.

CDCaio de Aquino

Ia ser bem mais complicado, né? Com inteligência artificial, com iPhone.

?Voz C

Com iPhone, nossa, esse é difícil. Mas algum caiu, é esse.

CDCaio de Aquino

Acho que outra coisa que eu tô fazendo de entretenimento assim, que não é, não envolve nem anime e nem filme nem série, eu tô jogando o The Amazing Spider-Man para PlayStation 4, porque eu assisti o último filme da Aranha. E aí eu lembrei, eu falei, nossa, eu tenho, eu tenho um jogo da Aranha comprado lá no PlayStation 4, né? Vou ver qual que é desse jogo. E caralho, que jogo bom, né? Eu deveria ter jogado antes. Assim, para quem não sabe, esse jogo do Spider-Man, ele é tipo um GTA, só que você é o Homem-Aranha, você pode fazer o que você quiser, mundo aberto.

E é muito legal, o jogo é muito bom, ele tem muita coisa para você fazer. Esses jogos, né, de mundo aberto gigantescos, que você tem um monte de side quest, um monte de coisinha para você fazer durante o caminho, mas ele tem uma história que é muito boa, é muito gostosa de acompanhar. Então você consegue encaixar muito bem na rotina assim, sabe? Tipo, eu chego em casa aqui, eu consigo jogar tipo uma meia horinha e não preciso necessariamente fazer uma missão da história, mas eu posso fazer umas side quests ali, ajudar um assalto ali que tá acontecendo, deter um assalto.

No caso, né, o Homem-Aranha não vai ajudar um assalto, ele vai deter o assalto. Exato. E é um jogo muito gostoso de jogar Eu tô gostando bastante assim. Eu tenho, eu geralmente eu tenho um pouco de receio com jogos que são muito grandes assim, muito longos, né? E o Homem-Aranha é um jogo que tá me resgatando um pouco essa vontade assim de jogar, sabe? Que às vezes a gente que gosta de cinema, a gente assiste muito filme, muita série, às vezes fica naquela ressaca, aí fala, pô, preciso fazer alguma coisa que não seja nenhum dos dois, né?

Que seja, não seja um entretenimento passivo assim totalmente. Então, apesar de ser um jogo bem popular, fica aí a dica: The Amazing Spider-Man. Eu tô jogando PlayStation 4, mas tem para PlayStation 5 também, tem para PC agora, e saiu o 2 também, se eu não me engano, recentemente.

?Voz C

Muito bom, tá aí então dica do Caio para vocês aí. Temos anime, temos jogo. E você, Fer, o que que você trouxe de bom para gente?

?Voz 1

Eu vou trazer, eu vou trazer 2 álbuns que eu tô, acho que os dois álbuns que mais tô ouvindo esse ano. Um é bem popular, muito provavelmente vocês já devem ter ouvido, ouvido falar, ouvido o próprio álbum. Mas por acaso alguém não ouviu, ouçam o álbum Equilibrium 2 da Anitta. Não sei se vocês já ouviram esse álbum ou se passou por vocês, mas assim, esse ano é uma, assim, é o segundo álbum, né? A Anitta tinha lançado Equilibrium 1, que é a Anitta revisitando as suas raízes maravilhosos.

É muito bom esse álbum. O primeiro, eu acho que até gosto mais do primeiro, por incrível que pareça. Ela às vezes vem revisitando as suas origens nas religiões de matrizes africanas. Se eu não me engano, a letra do Candomblé. E aí ela vai trazer muito dessas suas referências para esses dois álbuns. O primeiro eu acho que é uma introdução ainda um pouco sutil. Tem muitas letras que ela fala da da religião dela de uma forma um pouco mais discreta.

E no volume 2 é bem mais, bem mais aberto. Eu recomendo fortemente não só o álbum, é a música da mãe, essa é a minha favorita assim com força, Deus Mãe, que ela canta com a Kim Seitz. Lindo, lindo. Assim, tem participação da MC Tá, tem participação de Maria Bethânia. Uma música que eu gosto muito, para mim, eu acho que essa minha favorita, que é Não Me Cutuca, com Alceu Valença. E o que é engraçado, tipo, quando você pensa, ah, Alceu Valença deve ser um forrozão, e não.

A música ela tem elementos, mas assim, não é uma participação muito óbvia da Alceu Valença, né? Tem uma outra ainda que é Algum Me Rodeia, com Maria Bethânia, que também não é uma participação muito óbvia da Bethânia. E é um álbum que para mim ele ganha um outro contorno quando você vê o álbum visual, que é um vídeo que eu acho muito interessante, são 30 minutos de vídeo, quase como se fosse um curta-metragem, com algumas músicas, não são todas as músicas do álbum, mas são algumas músicas numa outra ordem.

Aí a Anitta, ela vai, ela vai falar um pouquinho sobre a relação dela com a Kylie Miranda, né, essa coisa de uma artista brasileira que vai para fora e ela é rejeitada dentro do próprio país. E é muito curioso que a Anitta, ela faz meio que uma mea-culpa, porque ela entende que muitas vezes ela forçou ser amada Meio que ela quis muito, ela quis tanto ser respeitada no Brasil que ela forçou muitas coisas. E que ela entende que isso daí custou algumas coisas para ela, e agora tá tentando ter esse resgate.

E eu acho muito interessante assim a forma como ela faz essa autocrítica, e ao mesmo tempo ela pisa firme e fala: não, eu sou desse jeito, se você gosta de mim vai gostar ou não, e aí o problema é seu, sabe? Eu sou assim, quer você goste, quer você não goste. E o segundo, aí já vou com um pouquinho, uma coisa um pouquinho mais, não muito popular, né, uma coisa um pouquinho mais underground, que é um álbum. Vê se você conhece um rapper chamado FBC.

É um rapper, eu não lembro qual que é a nacionalidade, qual que é, de onde que ele vem, mas ele é um artista de rap, mas também ele fresta muito com MPB, e agora ele tá abraçando com força o rock. Então ele lançou um álbum esse ano chamado Tambores, Cafezais, Fuzis, Guaranás e Outras Brasilidades. É bem longo o título do álbum, mas faz sentido porque ele é um álbum onde ele também vai transitar muito com essa origem dele, com as religiões de matizes africanos, mas ele vai trazer uma urgência, uma raiva.

Daí vem os fuzis, mas também uma brasilidade muito grande. Aí vem os cafezais, os guaranás. Então é um álbum que vai ele vai misturar muito com, vai mostrar muito samba, o MPB, com rock, hip-hop, rap, só que de uma forma muito intensa assim, é muito agressiva. Muitas vezes você tá ouvindo, parece que ele tá ouvindo, parece que você tá ouvindo um álbum de punk e não um álbum de rap. E às vezes você vai, que você vai cair no sambinha ali e tal, ele tem participação do Djonga, você vai ver um rap mais clássico assim, às vezes você vai ver uma coisa mais, uma coisa mais urgente, uma coisa meio machine.

E às vezes você vai ouvir uma coisa meio que um rock da cuíca, você vai ter um samba ali por trás. Aí você vai ver algumas músicas que é só uma gritaria frenética de xingamentos, é incrível assim, é uma experiência muito louca. Então você precisa entender a proposta, é um álbum para você que o artista ele extravasa assim. Então vai ter música, você vai falar, pô, não tem nem rima direito, né? Porque ele quebra a métrica só para xingar.

Depois ele volta É muito interessante, cara. É um álbum assim também, de novo, é um álbum curto, acho que uns 30 minutinhos você consegue matar ele. Baita álbum. Se eu puder indicar uma música para ouvir e conhecer, uma música que ele canta com o Djonga chamada Homo Sacra. É um rockão assim bem, bem na pegada de um, sei lá, um Rage Against the Machine. E o outro, que é uma coisa meio punk rap, que é um chamado Bandido Bandido Bom, que é a música de trabalho dele, que é uma música que tem uma pegada bem parecida com punk rap.

Se você gosta de punk rap, é bem provável que você vai gostar dessa música, Bandido Bom. E aí eu deixo essa dica, esses dois álbuns, né, uma coisa mais mainstream, uma coisa mais underground, para a gente tentar também se reconectar um pouquinho com essas brasilidades, mas fugindo um pouquinho do óbvio, né.

?Voz C

Muito bom, tá aí, olha aí. Eu adoro quando o Fer vem porque ele sempre atualiza Revisa meus álbuns musicais aqui.

?Voz 1

Eu gosto muito de música, eu sou muito mais musical do que de cinema, por exemplo, né? Eu consumo muito mais música do que cinema. Então sempre que eu venho aqui é muito fácil falar de música, que eu sempre tô ouvindo alguma coisa diferente. Então é fácil indicar.

?Voz C

Exato. Não, ficou muito bom.

?Voz 1

Aliás, uma curiosidade, FBC, eu vou, é o programa ser gravado sexta-feira, então no dia anterior ao lançamento do programa eu vou estar no show do FBC lá nos do Sesc Companhia.

?Voz C

Olha aí, o cara não só ouve o álbum, ele vai no show também. Isso é um consumidor completo.

?Voz 1

Aliás, se eu puder dar uma terceira dica, gente, vão nos shows do Sesc.

?Voz C

Legal.

?Voz 1

Se onde você tiver tem Sesc, tem show, vá prestigiar, porque o Sesc hoje, hoje é uma das instituições que mais valoriza e fomentam a música brasileira. Oliver. Então vão nos shows do Sesc e prestigiem. Muitas vezes eles fazem até show de graça em alguns Sescs, e os que não são de graça são a preços muito, muito baixos assim. Acho que para quem não é sócio é R$36 ou mais caro, você consegue também entrada. Quem tem carteirinha do Sesc paga, sei lá, R$12 no ingresso. Para quem descer perto, aproveita, porque é uma joia os shows do Sesc.

CDCaio de Aquino

Tem peça de teatro também, né? Eu fui recentemente numa peça lá, cara, com impressionado assim com a qualidade da apresentação, da estrutura do cinema ali para apresentação. Isso é bizarro.

?Voz 1

Não, utilizem, usem muito, porque assim, o Sesc quase não ia morrer, mas assim, na época do governo do maldito, o Sesc sofreu muito, tá ligado? Então acho que vale a pena a gente prestigiar, até para fortalecer também, porque o que eles fazem assim pela cultura é É grandioso mesmo, satisfaz.

CBCecília Barroso

Verdade. E tem até a plataforma digital também, que tem um monte de filme legal gratuito.

?Voz 1

Vale a pena, gente.

?Voz C

Muito bom. Bom, para fechar aqui, eu trouxe, já tinha falado sobre isso em algum outro podcast, mas tem que trazer de novo porque acabou agora, né, terceira temporada de Casa dos Dragões, a série que tá na HBO. Eu sou um fã da série, adoro, vou lá, assisto tudo e tal. Então enfim, quero recomendar aqui porque é uma série que passa por isso, né, entre uma guerra, né, de uma mesma família, mas que acabou se dividindo porque as pessoas naquela época não sabiam dar nomes diferentes.

Basicamente a razão toda da guerra é isso. Se o rei lá tivesse dado o nome de um filho de José e do outro de Salomão, pronto, resolvia as coisas. Mas não, ele dá José, aí o José I, José II, José III, e aí dá uma confusão desgraçada. Mas enfim, a série, essa terceira temporada, assim, enquanto a primeira e a segunda, sobretudo a segunda, né, foi ultra criticada porque era muito devagar e tal, as coisas estavam, né, meio que se encaixando.

A terceira temporada partiu realmente para ação assim. Então a gente tem várias cenas fortes lá com os dragões, de guerra, de virada, né, de personagens que morrem, novos personagens que surgem e tal. Então acho que a terceira temporada caminhou por sobre isso e ela tá muito legal assim. Para quem nunca assistiu a série, acho que agora pode ser um bom momento para começar, né, porque você vai passar por duas temporadas um pouco mais devagar de preparação para esse momento de ebulição realmente ali, né, da guerra e tudo mais.

E a quarta temporada, o showrunner, né, que é o Ryan Condal, ele já anunciou anunciou que a 4ª temporada vai vir maior ainda, que eles querem colocar mais personagens, novos dragões, novos locais e tal. Só que tem um problema, que a 4ª temporada, que é a última temporada, deve estrear só em 2028. Então, Ave Maria, pois é, mais uma vez vamos ficar aí 2 anos esperando né, para sair a série. E é isso, vamos acompanhando. E enfim, mas ela foi um fenômeno em termos de audiência, né, novamente um fenômeno em termos de redes sociais, muita gente comentando, acompanhando, publicando trechos e tal.

Então assim, é uma série que ela conseguiu engajar com o público novamente, só que ela tem esse problema, ela demora uma, cada temporada sai de 2 em 2 anos, 8 episódios ali. E é duro, né? A gente tem que ficar esperando.

CBCecília Barroso

Mas você acha que para caçar dragão é fácil? Imagina filmar dragão, tem que caçar, treinar.

?Voz 1

É difícil.

CDCaio de Aquino

Dragão fazendo aula de teatro.

CBCecília Barroso

O adeçador de dragão é difícil, né?

?Voz C

É uma profissão que tá em baixa, né?

CBCecília Barroso

Tá em baixa e eles morrem muito fácil.

?Voz C

Gente, é isso. Queria agradecer aqui, né, chegando ao final desse podcast, podcast Cinemação 658. Batemos esse papo sensacional aqui sobre Os Infiltrados aí, filme do Scorsese que chegou em 2006, né. Filme que realmente assim chama atenção pela qualidade. E eu não teria como fazer esse podcast sem meus convidados aqui, que abrilhantaram esse papo e trouxeram, né, muitas informações aí para a gente pensar, filosofar em cima e tal.

E é sobre isso, né? Então tenho que agradecer aqui. Cê, muito obrigado pela sua participação. E por favor, deixa meios de contato? Como que as pessoas fazem para te acompanhar aí, Cê? Nas redes sociais, seus textos?

CBCecília Barroso

Na verdade, eu não sou a Cecília, tô infiltrada aqui. Então, minhas redes sociais, não sou muito ativa. Toda vez que eu venho aqui eu falo isso, né? Mas pode me encontrar no Cenas de Cinema, que eu também não tô muito ativa. Atualmente, mas vou voltar porque Holy Shorts está chegando aí, mais uma cobertura de um festival de curtas-metragens que acontece em Los Angeles, e estarei cobrindo daqui do Brasil mesmo, mas vai ter lá cobertura desse festival de curtas.

E daqui a pouco começa também a correria aí do Globo de Ouro, então teremos textos também aí. É isso, lá no Senas estarei lá. Quem sabe a gente volta também a mexer no Instagram aí, né, assim. Mas isso é uma promessa vaga e pode não ser muito verdadeira, mas sempre fica essa esperança, né, gente. E todo domingo eu tô no Oscar Verso no YouTube. Então é o YouTube, @oscarverso. Tô lá com Chico Firimã e com a Mariane essa aula todo domingo às 7 horas.

E Rafa, muito obrigada pelo convite, fiquei muito feliz aqui. Sempre amo falar do Scorsese, né? Amei falar de Os Infiltrados. Fer, um prazer estar aqui com você. Caio, um prazer estar com você. E é isso, gente, muito bom, muito bom.

?Voz C

Muito obrigado você mais uma vez. Fer, obrigado também pela sua participação aqui com a gente. Também traz aí meios de contato aí, como que a gente faz, Fer, para acompanhar você também.

?Voz 1

Eu vou mudar, toda vez que você me falar onde vocês me encontram, eu vou falar me encontram aqui. É mais fácil vocês me encontrarem aqui do que em outros lugares. É verdade. Mas assim, eu tenho um projeto que é o Plano Sequência, onde a gente fala de cineastas, né? A gente faz carreiras de cineastas de todos os gêneros, de todos da época, de todos os países. É um projeto que parece que parou, mas não parou. A gente tá com uma periodicidade agora que é quando dá.

Mas esse ano a gente gravou um episódio sobre o Troféu e agora a gente vai falar sobre o Inar Begma. Então a gente tá voltando assim, né? Voltando aos poucos. E vocês me encontram lá, plano sequência podcast. E eu também tô com um projeto que é um projeto com Leandro e o Francisco Carbone, que é o Tudo é Brasil, um podcast sobre cinema brasileiro semanalmente. Então toda semana a gente lança um episódio falando sobre cinema brasileiro.

Então vocês me acompanham lá, lá eu fico mais nos bastidores, na edição, mas eu participo de vez em quando. É lá vocês podem me encontrar. E social, cara, nem vou passar porque eu não tô utilizando mais. Depois que o Twitter morreu, eu dei uma desanimada assim, muito social. Mas se quiser me achar em alguma, assim, Instagram da vida, pode me procurar por Fer mesmo, que vocês me encontram.

?Voz C

É isso aí, Fer, muito bom, muito obrigado. E também agradecer aqui o Caio, que depois de um longo inverno, né, Caio, o inverno estava chegando e você chegou também, Caio, aqui. Muito obrigado então pela sua participação aqui com a gente também. Como é que fazemos para te acompanhar aí nas redes sociais, o Caio, que é um fazedor de vídeos? Fazedor de vídeos é ótimo.

CDCaio de Aquino

Caralho, é pior que era uma categoria do Instagram, eu acho isso, fazedor de vídeo antigamente. Até eles criam, agora é criador de Reels. Eu acabei de olhar aqui, cara, bem mais interessante, bem mais legal. Fazedor, a tradução direta de videomaker, né?

?Voz 1

Fazedor, cara, é muito mais interessante.

CBCecília Barroso

Melhor que criador de vídeos.

CDCaio de Aquino

Bom, obrigado, Rafa, mais uma vez pelo convite. Cecília e Fernando, pelo papo aí, ótimo. É sempre um prazer participar, eu gosto muito de participar dos podcasts de cinemação. E vocês, quem quiser encontrar aí meus vídeos, né, eu faço principalmente vídeos curtos, que enfim foi o que deu certo nesse meu caminho como criador de conteúdo. Então vocês podem me encontrar no Instagram, TikTok ou YouTube como Caio De Aquino. Se você quiser procurar pelo arroba, é Caio Daquino, como se fosse Caio De Aquino, só que com D mudo.

E no meu canal no YouTube tem vídeos longos também, se você quiser. Eu, da última vez que eu vim aqui, eu falei a mesma coisa, mas eu estou tentando voltar com os vídeos longos, só que dá muito trabalho. Então vocês me perdoem. Os vídeos curtos, eu sou influenciador, esse é difícil. Então eu tô tentando voltar a fazer os vídeos longos, mas os vídeos curtos estão lá sempre, toda semana eu trago críticas de filmes e listas que as pessoas gostam bastante.

Então eu tô sempre cobrindo os lançamentos de cinema, do streaming, e então quem quiser ir lá conhecer Meu perfil é Caio Daquino. E muito obrigado mais uma vez aí pela participação, é um prazer participar aqui sempre do podcast.

?Voz C

Sensacional, muito obrigado, Caio. É isso, pessoal, o podcast Cinemação 658 fica por aqui e a gente se vê no próximo. Esse podcast foi editado pela Isso Aí Design. Tudo isso é forma com função, é design estratégico. É isso aí!

#658: Os Infiltrados | Castnews Index — Castnews Index