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#657: Homem-Aranha: Um Novo Dia

07 de agosto de 20261h52min
0:00 / 1:52:28
Depois de anos vendo Peter Parker precisar de um mentor por perto para resolver tudo, chegou o filme em que ele explica ciência para o próprio Hulk. E o público sentiu a diferença: Homem-Aranha: Um Novo Dia já passou de um bilhão de dólares em bilheteria mundial e se tornou o lançamento de maior sucesso de 2026, ficando atrás apenas de Vingadores: Ultimato entre as estreias mais rápidas da história a bater essa marca.
Mas o dinheiro é só a superfície. O filme usa o heroísmo como metáfora direta para burnout e saúde mental, mostrando um Peter que tenta suprimir a própria humanidade para ser só "o Aranha", e paga um preço físico e emocional por isso. Tem também Sadie Sink como uma Jean Grey perigosa e moralmente cinzenta, Jon Bernthal como um Justiceiro surpreendentemente engraçado, e um mistério chamado Vmax que não é o que todo mundo esperava.
Rafael Arinelli, Carol Tomé, Gabriel Mattos e Marcelo Miranda discutem como Homem-Aranha: Um Novo Dia foi parar em Glasgow, ângulos de câmera inéditos, referências profundas aos quadrinhos e por que esse recomeço devolveu ao Aranha seu título de herói do povo.
Ele cresceu. E ainda mantém as cicatrizes.
• 05m16: Pauta Principal
• 1h33m43:
Plano Detalhe
• 1h45m12:
Encerramento

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Agradecimentos aos padrinhos: 
• André Marinho Moreira
• Bruna Mercer
• Charles Calisto Souza
• Daniel Barbosa da Silva Feijó
• Diego Alves Lima
• Eloi Xavier
• Guilherme S. Arinelli
• Thiago Custodio Coquelet
• Wilmar Arinelli Jr
• William Saito


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Plano Detalhe:
• (Carol): Animação: To Be Hero X
• (Carol): App: BiblioSP Digital
• (Carol): App: MEC Livros
• (Marcelo): HQ: Homem-Aranha: A Última Caçada de Kraven
• (Gab): HQ: Teia de herois
• (Gab): Livro: Vilão iniciante
• (Rafa): Audiolivro: A Fé e o Fuzil
Edição:
ISSOaí
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CTCarol Tomé

Esse episódio do podcast Cinemação conta com a parceria do Topázio Cinemas. Acesse topaziocinemas.com.br e aproveite a melhor programação do interior de São Paulo.

RARafael Arinelli

Seja bem-vindo ao podcast Cinemação 657. Eu sou Rafael Rinelli e hoje temos aqui aqui comigo Carol Tomé.

CTCarol Tomé

Oi, gente, tudo bem? Tem um tempinho que eu não apareço no Cinemação, mas eu tô muito feliz de voltar. O Rafa sabe o quanto eu adoro esse projeto, o quanto eu adoro falar, né, de filmes. E eu vim aqui para falar de um dos meus favoritos, né? Ai, Homem-Aranha, você mora no meu coração! Então é um prazer estar de volta.

RARafael Arinelli

Que legal, Carol! Você vê que a gente fica equilibrando, né? Uma hora DC, uma hora Marvel, uma hora DC, hora Marvel. Exatamente.

CTCarol Tomé

E olha que eu sou mais Marvel, mas tudo bem.

RARafael Arinelli

É para tentar fazer uma coisa mais assim para você não pegar hate de lugar nenhum, entendeu?

CTCarol Tomé

Que eu sou jornalista e tem que ir, né?

RARafael Arinelli

Exatamente. Temos aqui também uma estreia. Gabriel Matos está aqui com a gente.

GMGabriel Mattos

Olá, olá, cinemação! Vim aqui fazer minha estreia para falar desse filme maravilhoso que é o novo Homem-Aranha, que me surpreendeu bastante. Na real, não sabia muito bem o que esperar depois dos últimos filmes da Marvel, e foi um grande acerto dele.

RARafael Arinelli

Pois é, Gabriel, que tá vindo lá do Gueto Geek, né, Gabriel? Lá vocês conversam, pelo nome do projeto dá para perceber que alguma coisa de cultura pop assim, né?

GMGabriel Mattos

Exato, a gente fala muito de Marvel lá, bastante de Pantera, do Miles Morales. Então falar de filme de herói é com a gente mesmo.

RARafael Arinelli

Sensacional! E temos aqui um cara que me revelou, e eu fiquei assim incrédulo com isso, que ele é um dos maiores especialistas em Homem-Aranha do Brasil e também atua às vezes como crítico de cinema, que é Marcelo Miranda.

MMMarcelo Miranda

Olha, mas eu não tirei essa onda toda não, você que tá sendo gentil, hein? Eu disse que eu era um dos maiores fãs, que você não sabia. Especialista aí eu deixo para sua conta no final do programa. Mas boa noite, gente. Não, não, por favor, não faça isso. Eu tenho, a gente pode falar disso durante o programa, mas eu tenho uma negativa fortíssima com esse, com essa alcunha que inventaram para o Homem-Aranha. Então, mas é quase, hein, Miranda?

É quase. Gabriel, Carol, boa noite, valeu demais ao Rafael. Eu quero deixar bem claro desde já, vou tirar o elefante da sala aqui, eu me convidei para esse programa, então agradeço muito a gentileza.

RARafael Arinelli

Que massa, que bom ter vocês aqui. Muito bem, meus amigos, olha só, estamos aqui reunidos unidos para falar de um personagem que nunca foi apenas um super-herói. Ele é quase uma ideia moral em movimento. O Homem-Aranha sempre funcionou como o ponto de encontro entre juventude, culpa, responsabilidade e sobrevivência. E no seu novo filme, Um Novo Dia, essa essência parece que voltou com força total. O mais interessante é que o filme parece entender que o Peter Parker não precisa só de mais uma aventura.

Ele precisa de um recomeço emocional. Depois daquele apagamento da sua identidade, a história o coloca numa condição quase cruel. Ele salva o mundo, mas faz isso sem reconhecimento, sem rede de apoio e com a sensação de que o heroísmo virou uma forma de exaustão permanente. E é justamente aí que o filme ganha relevância, porque ele transforma essa solidão do personagem num drama central e não apenas num pano de mundo ali. Ao mesmo tempo, o longa também enfrenta ali a velha tensão dos filmes da franquia, né?

Querer ser íntimo e ao mesmo tempo carregar o peso da MCU nas costas. Isso cria um debate bem interessante que provavelmente a gente vai conversar aqui, né, no podcast, porque o filme ele funciona melhor quando a gente olha para o Peter, né, como um homem quebrado, urbano e humano e tal, Mas o filme dá umas derrapadas ali quando a gente precisa lembrar várias vezes que ele faz parte dessa engrenagem maior. Mas no fim, Um Novo Dia, o novo filme do Homem-Aranha, parece apostar numa verdade simples e poderosa: ser herói não é ser invencível, é continuar se levantando quando ninguém está olhando.

Ah, e lembrando que a gente vai dar spoilers aqui, então se você ainda não viu o filme, corre para o cinema, As salas estão lotadas, o filme tá faturando muito e você pode realmente se encantar aí com o novo filme do Homem-Aranha. Então se prepare porque aqui o papo é com spoiler. É isso, vamos bater um papo agora sobre O Homem-Aranha: Um Novo Dia no segundo ato desse podcast. Chegava aos cinemas no dia 29 de julho de 2026 o filme Homem-Aranha: Um Novo Dia, filme dirigido aí pelo Dustin Daniel Cretton, com roteiro do Chris McKenna, do Eric Sommers e do Justin Kuritzis.

Esses roteiristas já tiveram outros trabalhos, por exemplo, no caso do Destin, que é o diretor, ele já tinha trabalhado em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, A Luta por Justiça e Temporário 12. Além dele, os roteiristas como o Chris tinham já trabalhado em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, Homem-Aranha: Longe de Casa e Homem-Aranha: De Volta ao Lar. E o Eric Sommers também trabalhou em todos os Homem-Aranhas. E o Justin Kuritzis trabalhou em Rivais, por exemplo.

Já o orçamento do filme foi por volta aí de torno de 200 a 225 milhões de dólares e o filme já arrecadou mundialmente aí mais de 1 bilhão de dólares ao redor do mundo. Uma das bilheterias mais avassaladoras, mais impressionantes deste ano. Aqui em Homem-Aranha: Um Novo Dia nós temos aí o Peter Parker que vive em um mundo em que sua identidade foi apagada da memória de todos e ele se vê sozinho em Nova York, mas continua ali combatendo os crimes como Homem-Aranha, né?

E de repente ele precisa lidar com uma nova ameaça, uma pressão crescente e alianças inesperadas. Em meio a tudo isso, ele ainda tem que lidar com essa solidão que o perturba e acaba também o destruindo aos poucos. Na direção de fotografia, nós temos o Brett Balak, ele que é o cara que trabalhou também lá em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, trabalhou também em Freshman Year, e alguns outros trabalhos ligados ao universo da Marvel.

Já na montagem, nós temos aí o Ned Sanders, a Gina Sampson e o Harry Young, que trabalharam montando o filme, editando o filme. O Ned Sanders trabalhou em Moonlight, por exemplo, e Manchester à Beira-Mar. A Gina Sampson trabalhou junto com o Destin Daniel Cretton, o diretor, incluindo aí o filme Wonder Man. E o Harry Young trabalhou, por exemplo, em Thunderbolts e também lá em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. Já na trilha sonora, nós temos aí o Michael Giacchino, né, um cara que trabalhou em todos os Homem-Aranhas aí desse universo da MCU, né, o De Volta ao Lar, Longe de Casa, Sem Volta para Casa, enfim.

Então é um cara que tá muito habituado, né, a trilha de um filme desse calibre. E temos aí como figurinista a Sanja Milkov-Reis, que também trabalhou aí nos filmes do Homem-Aranha anteriores. Já no elenco, a gente pode destacar justamente aqui o Tom Holland, né, vivendo Peter Parker, o Homem-Aranha, né, a Zendaya vivendo a MJ, a Sandy Sink, que tinha uma personagem que ficou em mistério durante muito tempo e agora a gente sabe, né, que ela vive a Jean Grey no filme.

Temos o Jacob Batalon, que é o Ned, né, o melhor amigo aí do Peter, o Jon Bernthal, que faz o Frank Castle, né, o Justiceiro, o Trammell Tillman, que faz o Bill Metzger, que é ali o chefe do controle de dados. Temos também o Michael Mando, que faz aí o Mac Gargan, que é o Escorpião. O Mark Ruffalo, né, vivendo novamente o Bruce Banner, ou Hulk. E a Lisa Collins-Ayas, que faz a detetive Jean DeWolff, né, que é ali uma espécie de parceira do Peter, né.

Eu tava me preparando aqui para o nosso papo, e aí fui puxar os dados, e o filme já ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares na bilheteria, o que mostra justamente a força absurda que esse personagem ainda tem no cinema, né? Quando a gente olha para além do número, né, eu queria saber a opinião de vocês assim, que são fãs do herói e tudo mais, né? O que que vocês acham que faz o Homem-Aranha continuar tão relevante para tanta gente depois de tantos filmes assim?

É só o espetáculo ou tem alguma coisa ali mais profunda, mais humana, se conecta tanto com o público assim? Como é que vocês veem?

CTCarol Tomé

Eu acho assim, e aí para explicar um pouco eu vou falar sobre mim. Eu sinto que o Homem-Aranha cresceu comigo, e eu sei que tipo existem muitas versões porque tem Tobey Maguire, tem o Andrew Garfield, tem os quadrinhos, tem animação, tem tudo isso em volta. Mas para essa nova era, né, ou no caso essa era mais recente do Tom Holland, eu sinto que ele cresceu comigo. Eu lembro de ir com a minha irmã menor assistir os filmes no cinema E tipo, eu fui com ela domingo e ela tá fazendo 20 anos esse ano.

Então tipo, sabe, desde 2019 para a sequência, né, de que a gente tem, eu sinto que é isso. Então você cresce com esse personagem assim, na minha visão. Mas para além da minha idade, né, e dessa questão, eu acho que o Homem-Aranha ele tem essa questão dele ser do povo assim, meio que independente da versão que ele tá. E aí falando isso um pouco como a gente tava comentando, que a gente tem o Aranhaverso, né, então a gente Tem o Miles Morales e muitos Homens-Aranhas ali dentro.

Mas eu também assisti recentemente o Spider-Noir, que tá na Prime Video, que também é outra versão do Aranha. Mesmo ele sendo mais velho, ele sempre é um personagem relacionado ao povo. Então, tipo, a cidade que ele habita, as coisas que ele defende, o que ele fala, o sacrifício que eles fazem pela família, é sempre conectado com isso. Então eu acho que dentro de uma roupagem que a gente tem hoje, em que os heróis às vezes eles são muito mirabolantes, ou eles são muito tecnológicos, ou eles são muito alienígenas.

É olhar para o Homem-Aranha e ver que nesse filme ele perde um pouco de toda aquela carga que ele tinha, né, do Tony Stark, das coisas assim de tipo, ai, olha quanta tecnologia! E mesmo ele tendo um pouco de tecnologia ali, ele ainda é o cara que pega metrô, ele ainda é o cara que que tipo fez faculdade e que tipo acompanha os amigos pela internet. Eu acho que isso é uma conexão cada vez mais humana que a gente tem. Eu acho que isso consegue ser encaixado.

E aí é um trabalho muito bom, né, dos roteiristas, dos quadrinistas, dos atores também, para manter essa conexão independente da geração. Sim, então para mim é isso. Aí eu queria saber se vocês concordam ou não, ou se vocês discordam.

GMGabriel Mattos

Tipo, independente da versão da Aranha, pode ser o Miles Morales, qualquer um que você pegar Ele é uma pessoa ali que tá sempre sofrendo problemas muito reais e palpáveis, sabe? Que acho que qualquer um conseguiria se identificar. Ele sofre problemas no trabalho, ele sofre também muitos problemas para equilibrar essa vida de super-herói com uma vida de gente comum. Então as relações dele são todas zoadas e muito por estar sempre nesse malabarismo eterno de ter que salvar as pessoas, mas também ter que arranjar um tempo para namorada, ter que arranjar um tempo pro trabalho e não pode faltar ao trabalho, mas ao mesmo tempo tem que estar no outro lado da cidade enfrentando um supervilão, porque aparentemente esse supervilão tem muito tempo livre.

E eu acho que essa ideia de ter que se desdobrar em mil pra conseguir sobreviver, basicamente, é uma coisa que é muito fácil de se identificar com todo mundo, independente do momento, porque heróis que cresceram com a gente existem muitos, mas eu acho que nem todos eles continuaram fazendo sentido para a gente em diferentes momentos da vida, sabe? Os X-Men, por exemplo, a gente consegue entender, a gente consegue fazer os paralelos de preconceitos que eles sofrem e tudo mais, mas a gente nunca vai sentir que nós somos aquelas pessoas que foram para uma escola de superdotados muito cedo e tudo mais.

Diferente do Homem-Aranha, que é só um cara que ou tá indo para escola, ou ele tá indo para trabalho, ou ele tá só vivendo uma vida como qualquer outra pessoa.

MMMarcelo Miranda

Eu concordo com tudo aí que os colegas falaram, sem dúvida nenhuma. E eu acho que tem alguns agravantes também, que é o seguinte, né, o Homem-Aranha ele sempre foi há décadas o personagem mais popular da Marvel Comics, né, dos quadrinhos. Sempre foi o que tava no topo de vendas, o que repercutia mais. Então ele tem uma popularidade realmente muito grande há muito tempo. É não à toa, né, o filme de 2002, que foi a estreia dele em um filme feito para cinema com o Tobey Maguire, foi um arrasa-quarteirão também, um sucesso absoluto.

E desde então, mesmo os filmes que patinaram um pouquinho na bilheteria, como Homem-Aranha 3 ou Espetacular Homem-Aranha 2, ainda era muito sucesso. Então eu acho que quando se chega no Homem-Aranha do Tom Holland já integrado ao MCU, e aí tem toda uma questão econômica de um acordo, né? O Homem-Aranha hoje no MCU, ele é emprestado da Sony, ele é tipo um jogador de futebol emprestado para outro time, né? Então assim, tem uma mudança de status muito grande entre o Espetacular Homem-Aranha 2 e o Homem-Aranha quando que aparece lá no Capitão América: Guerra Civil e depois no De Volta para Casa.

Ele já chega também com uma bagagem de popularidade muito alta porque as pessoas tinham tinha um carinho grande pelos filmes do Tobey Maguire e do Andrew Garfield. Então todo mundo queria ver qual era este novo Homem-Aranha no cinema. Agora ele vai aparecer com os outros personagens que já eram muito populares no cinema, nem tanto nos quadrinhos. Então acho que quando chega esse quarto filme, esse personagem do Tom Holland já é muito familiar ao público, como o caso da irmã da Carol, que cresceu vendo.

Isso, a minha irmã cresceu vendo esse personagem, né? Então ele já entra com essa bagagem e já entra com a bagagem dos interessados como eu, por exemplo, que me interessa por tudo envolvendo ele porque eu venho de leitura de quadrinho, né? É um personagem que eu leio desde os meus 9 anos de idade ininterruptamente, né? Inclusive eu tenho o couro duro porque haja fase ruim também que passaram com ele, coitado. E ao mesmo tempo é um filme novo, é um filme renovado, né?

Já vem do título, que inclusive depois eu posso falar um pouco sobre o motivo desse título. Então ele meio que abarca tudo um pouco, né? Ele é um filme construído há muitos anos, mas ele também é um filme do zero. E aí eu acho que naturalmente ele chega e realmente é um filme bom, né? Além de tudo, ele é um filme muito bom. Então acho que ele entra com uma bagagem garantida ali. Esse sucesso dele, óbvio, tem um marketing violentíssimo da Disney envolvendo isso.

Um filme desse não é um sucesso espontâneo também, a gente não pode ser inocente. Mas ele também poderia ser um fracasso, e ele não é, obviamente. Porque o personagem se garante, se sustenta em torno dessas questões que eu acredito que estão operando ali no filme, sabe?

CTCarol Tomé

O histórico da Marvel, ele realmente poderia ser um fracasso.

RARafael Arinelli

É um fracasso, né?

CTCarol Tomé

O que a Marvel entregou em algumas produções, realmente a gente poderia ter. Até porque eu acho que tem uma questão assim, igual você falou da Disney ter um sucesso, e não é obviamente 100% orgânico, tem muito dinheiro envolvido, tem muito do que se criou em volta da figura do Tom Holland mesmo, mas Mas é a gente também entender que tá passando por esse crescimento e muito provavelmente a gente vai ver uma despedida em breve, né?

Então é tipo esse período que você vê ele muito novinho, aí você vê ele amadurecendo, e daqui a pouco ele vai passar o bastão para ter essa questão, né, mais direcionada nesse sentido mais sazonal. Mas ainda assim eles conseguem entregar um filme em que eu ficaria assim, gente, daqui a 10 anos ele pode fazer outro filme do Homem-Aranha tendo que fazer hipoteca, que Eu vou assistir, não tem problema, eu vou trabalhar com ele.

MMMarcelo Miranda

E tem uma coisa aí, né, que eu venho, que a Carol tá falando, é que o sucesso devastador desse filme, ele não é um sucesso do MCU, ele é um sucesso da franquia Homem-Aranha, né? O fato das pessoas estarem entupindo o cinema não é porque elas querem ver o próximo filme do MCU, como aconteceria se fosse Homem-Formiga 4. Não existe fãs do Homem-Formiga, né? Vamos admitir aí de uma vez, ou ninguém conhecia Homem-Formiga até esse filme, né?

Só os de leitura, tipo eu e uns amigos aí. Mas o Homem-Formiga 4, as pessoas vão ver porque é o novo filme da Marvel.

CTCarol Tomé

As pessoas viam isso, o que que isso vai influenciar em Vingadores?

MMMarcelo Miranda

A grande ideia da Marvel foi, por exemplo, colocar o Homem-Formiga 2 ou 3, nem sei qual, entre um mega sucesso e outro, porque aí o pessoal vai ver, porque senão ninguém ia ver. Então esses filmes dependem muito de um universo que eles inclusive já se perderam completamente, mas depende muito de um contexto que depende um filme do outro, não só para entendimento de história não, eu me refiro a interesse do público. Homem-Aranha não, ele sim é um sucesso popular.

O filme ser bom ajuda, mas as pessoas não estão entupindo as salas para ver o filme do MCU. Isso daí é evidente, é só em qualquer, qualquer sessão pesquisar qualquer coisa, as pessoas estão indo ver Homem-Aranha do Tom Holland, blá blá blá. Por acaso tem lá o Hulk, aquelas coisas todas, mas, mas eu acho que não é isso que tá movendo definitivamente, assim.

GMGabriel Mattos

E eu acho muito doido pensar também que o Homem-Aranha entrou para o MCU porque na época que ele entrou, o MCU tava tipo no auge, sabe? Então esse movimento da Sony antes era puramente de interesse deles de surfar na onda do MCU, não que precisasse, porque eu acho que o Homem-Aranha já sustentaria sozinho. E agora tá acontecendo o contrário, eu acho que é mais na onda do Homem-Aranha para conseguir trazer esse interesse de volta para ele.

MMMarcelo Miranda

Inverteu completamente. Inclusive eles estão claramente usando o sucesso do Homem-Aranha para emplacar o Vingadores no fim do ano, porque eles estavam com uma Ainda tá quente na mão, porque ninguém tá realmente querendo ver esse filme, né, gente? Então assim, agora todo mundo vai querer ver.

RARafael Arinelli

Exatamente.

GMGabriel Mattos

E nem tá confirmado o Homem-Aranha nesse filme, teoricamente assim.

MMMarcelo Miranda

Então foi exatamente, exatamente. Eu não sei o que que eles vão arrumar aí não.

RARafael Arinelli

E agora, vocês sabem que tem duas cenas para mim que expõem muito essa ideia dessa humanidade do personagem que se conecta com o público e tal, que para mim saltou os olhos assim. Eu não sou tipo consumidor, né, de quadrinhos e tal, eu acompanho puramente pelo cinema e vezes algumas séries e tal, né? Quando eu tava assistindo, teve esse momento em que quando ele tem aquela cena final, né, em que ele tá saindo do hospital e a galera tá lá parada fazendo plantão, né, para saber se ele tá bem e tal.

Naquele momento ali eu olhei para aquilo, falei assim, cara, é isso assim, ele é um herói popular mesmo, sabe? Ele é um herói que tá ali no chão da fábrica mesmo, sabe, com a galera, com um, por isso que ele é chamado, né, do vizinho, né, o herói da vizinhança. Exatamente, porque é isso, ele tá, ele pode estar ali do seu lado e tal. E isso assim, lógico, né, concluiu para mim essa visão mais humana dele. Agora, a cena em que ele toma o tiro, para mim foi um choque assim, porque eu falei, caraca, ele não é à prova de bala? Não, não é, sabe?

MMMarcelo Miranda

Ele é uma cena, reprodução de uma história de quadrinho, né, que tem exatamente a cena em que o Justiceiro entra com ele no hospital. Eles decalcaram igualzinho.

RARafael Arinelli

Ah, é?

CTCarol Tomé

Tem uma procura, Rafa, depois é belíssima cena. Tipo assim, é óbvio que no filme do Homem-Aranha ela é bem mais sutil, ela é bonitinha, né? Na HQ ela é mais sanguinária, mas ela é muito bonita.

MMMarcelo Miranda

É numa minissérie chamada Guerra Civil, que também já foi adaptada de outro jeito no Capitão América: Guerra Civil.

RARafael Arinelli

Sim, eu queria que fosse Guerra Civil de verdade, porque essa cena do tiro assim, para mim foi um choque, porque a gente tá imerso, né, um ápice de poder da Jean Grey ali. E aí a gente tá vendo nela tipo controlar aquelas pessoas e o poder dela se expandindo, e ela congelando e manipulando toda aquela situação e tal. O Peter tá ali ali no meio e de repente ele toma um tiro e ele, né, se segurando, falando: não, não, tô bem, tá tudo bem e tal.

E aquele sangue vindo por trás dele e tal. Naquele momento ali eu falei: caraca, é isso, ele não é o Super-Homem, sabe? O cara que—

CTCarol Tomé

o Thor, né?

RARafael Arinelli

O Hulk. Tipo o Thor, é, não é.

CTCarol Tomé

É, não aguento mais, nem triscou nele.

RARafael Arinelli

E aí tem uma outra coisa que eu acho que é interessante, interessante, especialmente nesse filme, que é o seguinte: o Peter Parker, ele nessa fase do personagem nesse filme, ele tá carregando muita coisa ao mesmo tempo, né? Ele tá sozinho, ele tá mais maduro, ele tá mais cansado, ele tá mais vulnerável também, apesar dele se isolar para tentar não estar vulnerável, mas ele emocionalmente está vulnerável. E isso faz muito sentido porque hoje, né, quando a gente olha, pro filme saindo hoje em dia e tal, a gente vê esse estado nas pessoas, assim, muita gente se identifica com essa sensação de tá vivendo no automático, que tá mergulhado no trabalho, tentando resolver problemas práticos, emocionais, financeiros, profissionais, tudo junto ao mesmo tempo ali e tal.

Então o filme ele pega essa ideia e transforma em narrativa e o Homem-Aranha acaba virando uma espécie de espelho do nosso presente, esse presente acelerado, confuso, ansioso acima de tudo, em que quase ninguém tem tempo para sentir, para processar, para respirar. E eu acho que isso é mais um fator, além da popularidade do personagem, que faz com que o filme se conecte e seja tão bem aceito também pelo público.

GMGabriel Mattos

Total. Eu acho que inclusive eles conseguem traduzir muito esse sentimento em cenas do filme. Essa cena, por exemplo, que ele leva o tiro, eu acho que é o ápice de demonstrar como o Homem-Aranha é uma pessoa vulnerável. Ele pode desaparecer com um estalar de dedos, como já aconteceu antes, como aconteceria com qualquer um de nós. Essa ansiedade que você comentou, que a gente sente como sociedade no geral, eu acho que ela foi muito bem trabalhada com a ameaça invisível da sabe?

Uma ameaça que tá lá, ninguém sabe o que tá acontecendo, pode ser qualquer um, pode tomar qualquer rosto, cria essa paranoia nele que em qualquer lugar o perigo pode estar acontecendo, ainda mais que os poderes dele tão bagunçados, então ele não consegue antever o que tá acontecendo ali. E eu acho que a atmosfera do filme que gira ali em torno da Jean Grey, ela funciona muito bem pra gerar essa sensação de ansiedade, de paranoia, que é o que a gente tá vivendo hoje em dia como sociedade, onde de fake news para todo lado, você não sabe no que acreditar, em quem acreditar.

Então foi feito de uma maestria assim que é difícil de ver em filmes da Marvel, inclusive um filme tão atual, tão pé no chão com que a sociedade está passando no momento.

MMMarcelo Miranda

É, a gente tem aí o Peter Parker tendo um burnout, né? Ele inclusive começa a ter manifestações físicas e tá estressado. Eu acho muito interessante como o filme, como se passam 4 anos entre o final do anterior e esse, né, e a gente vai vendo um resuminho ali, uma espécie de previously de uma coisa que a gente não viu, o filme já mostra ele 100% atuando, porque ele não tem mais uma vida como pessoa, ele agora é puro Homem-Aranha.

E ele fica amigo da capitã de polícia, que aliás é uma personagem do quadrinho muito bem trabalhada no filme. E ele vai surtar, né, ele tá surtando, porque aí também tem toda a depressão da MJ, do Ned, tudo mais. Essa abordagem muito interessante no filme, eu acho, porque além dela ser fiel a várias fases do Peter nos quadrinhos, ela junta ali um monte de fases, né? Ela tira um pouco o Peter do Tom Holland de um certo lugar muito confortável que ele ocupou nos filmes anteriores, que era o menino sendo tutoriado pelos mais velhos.

Então ele sempre tinha armadura mais foda, o equipamento mais foda, porque como ele é muito carismático e talentoso e habilidoso, então ele é adotado pelo Tony Stark, depois ele é adotado pelo Doutor Estranho, etc., etc. O que para mim 1 enquanto interessado no personagem sempre me pareceu enfraquecer muito a presença dele no MCU. Há um motivo para isso, é econômico de novo. O MCU não pode fortalecer demais ele porque o dia que a Sony mudar de ideia e tirar ele de lá, eles precisam ter o que fazer, né?

Então eles jamais farão um filme que ele é puramente protagonista, ele sempre é meio coadjuvante, inclusive nesse, mas a gente fala disso depois. Mas é a primeira vez, por exemplo, que o Peter Parker do Tom Holland não é burro, porque, gente, ele é muito burro nos outros 3 filmes. Eu já vi esses filmes mais de 2 vezes cada um, tá?

CTCarol Tomé

Eu sinto que ele nem é burro, eu sinto que ele se faz de burro, porque parece que todo mundo— ele nem é burro, porque tipo assim, ele tá numa escola de meninos da inteligência, ele tá não sei o quê, ele fala não sei o que lá, de vez em quando ele fala umas palavras que parece que tipo igual quando ele queria fazer coisa louca, ele: ah, eu pesquisei raio gama, eu nem sei o que que isso significa. E aí eu sinto que ele nem é burro de Na verdade, ele só fala coisas burras porque todo mundo em volta tem que parecer muito mais inteligente. Porque se você botar ele do lado do Tony Stark, o lance é isso.

GMGabriel Mattos

Eu sinto que nesse, inclusive, ele tá menos burro e mais inocente, na real. Porque ali no começo, por exemplo, que ele vê o governo usando todas as tecnologias dos vilões a benefício próprio, ele só aparece tipo, ah, isso claramente vai ser feito para o melhor da população, nunca que eles usar isso contra mim. Então eu ainda acho que agora a gente consegue trabalhar como um otimismo e menos como burrice, porque nos outros filmes ele era só simplesmente burro.

MMMarcelo Miranda

É, eu acho que é a primeira vez que ele aparece enfim de igual para igual. Claro, tem com a coisa de maturidade, eles ficaram, gastaram 3 filmes para ele amadurecer, o que eu acho sinceramente, eu acho meio sacau assim. Mas, mas é a primeira vez, por exemplo, que ele não comete uma grande besteira que gera o plot. Então é só lembrar dos outros 3 filmes, todos sem exceção senão ele comete alguma bobagem absolutamente inadequada e o filme inteiro em torno dele corrigir a bobagem, incluindo o terceiro, né, que ele irrita.

Olha, gente, por favor, o feitiço dá errado porque ele irrita o Doutor Estranho na hora de fazer o feitiço. Cara, quem escreveu isso não tem a menor condição assim, sabe? Ele é muito tagarela e aí o Doutor Estranho erra o feitiço e pronto, caga tudo assim. Não dá, cara. Então assim, agora ele, ele é inteligente. Ele, poxa, a conversa dele com o Banner ali na escola, na faculdade, é brilhante, porque ele tá de igual para igual.

Ele explica para o Banner umas coisas, né, a ponto do Banner virar e falar: você não é meu aluno, né? Tipo, quem é esse moleque que tá falando uns negócio? Então assim, ele tá mais maduro, ele tá mais inteligente. E eu não acho que isso é só porque foram 3 filmes, não. É porque eles optaram finalmente por abordá-lo de uma maneira uma maneira realmente mais integrada ao próprio ambiente e não como um alívio cômico desastrado que fica cometendo um monte de besteira durante os filmes.

Então isso enriquece muito. Ele tem uma relação muito madura com a capitã de polícia, ele é muito maduro na relação que ele tem com os amigos que ele perdeu, com a mulher que ele ama, com o Frank Castle, sabe? Mesmo sendo engraçado, né, continua sendo um filme muito engraçado, ele é um personagem ainda engraçado. Mas todas as interações que ele tem no filme são interações de pessoas, sabe, minimamente espertas assim. Ele não é mais escrito como um bobão, que meio que Chico Bento no shopping, sabe assim, que nem ele conversando com o Mistério no segundo filme, cara.

Não tem a menor condição aquela sequência que ele entrega o equipamento do Stark com o Mistério. Aquilo não, nunca engolia aquele negócio. Então, sabe, eu acho que é uma espécie de escrita assim. Eles são os mesmos roteiristas, né? Eu esqueci o nome deles, mas é a mesma dupla de roteiristas dos outros 3 filmes. Eles meio que se libertam de— agora sim, galera, é um brand new day, nós vamos botar esse Peter aqui como um jovem que meio que tem consciência das coisas que tá fazendo. Então isso eu acho que é um grande acerto do filme.

GMGabriel Mattos

Eu acho que pode ser uma resposta também ao terceiro filme, que apesar de ter feito muito bem no cinema, esse terceiro filme sofreu muitas críticas por ele se sustentar 100% em participação especial. Então todo mundo tava querendo ver o retorno dos Homens-Aranhas dos outros filmes, e a escrita do filme acabou sofrendo um pouco de ser meio boba, meio infantilizada. E acho que nesse filme, inclusive, as participações especiais que acontecem são escritas de uma forma muito mais interessante.

E como o próprio Marcelo falou, de igual para igual, sabe? O Hulk aparece ali, o Justiceiro aparece ali para somar com ele. Até a vilã do filme também é escrita de um jeito mais interessante. Não só precisamos introduzir aqui os X-Men porque a gente quer usar eles nos próximos filmes.

MMMarcelo Miranda

E como é bom que, por exemplo, você tem uma cena como aquele vai pegar informações com a Viúva Negra, porque é uma cena de um herói atuante com uma personagem fodona, né? E ela é engraçada, mas é uma cena de igual para igual. Ele tá ali para pegar informação, ela tá ali para ajudar ele se relaxar é importante. E pronto, ele não é um idiota pagando, passando vergonha. Quer dizer, ele passa um pouco de vergonha, mas por motivos muito espontâneos, né?

Tem que tirar roupa. Adoro aquela cena, gente, que ele vai, ele vai tomar uma sauninha com a Viúva Negra.

GMGabriel Mattos

Então assim, expande o universo de um jeito que não parece barato, sabe? Ele tem um pouco como tá funcionando os Novos Vingadores sem parar de ser um filme do Homem-Aranha. O foco ainda é no Homem-Aranha, precisa fazer a missão dele.

MMMarcelo Miranda

E a Viúva Negra é aquela fonte de informação, ele vai lá para dizer, pô, tô precisando de ajuda aí. Todo personagem no quadrinho, o Homem-Aranha sempre teve uma figura que ele pega informação, é um jornalista, é um, é um, é um cara num bar. Isso é muito interessante que eles adaptam isso para uma personagem do MCU. Acho ali, eu acho justíssimo também.

RARafael Arinelli

E eu acho que tem um outro ponto, concordando com tudo isso que vocês falaram, porque eu acho que isso é uma das coisas que eu mais gostei também, é ver esse amadurecimento dele, né, deixando realmente para trás essa coisa de ser só um adolescente com poderes, né, que tinha aquela, aquele lance, né, de carregar o peso real das escuras e tudo mais. E aí a gente começa a ver que esse amadurecimento dele vem justamente com essa, com conquistas também, né, dele como personagem assim, porque ele vem com desgaste, vem com dor, vem com perdas, vêm com a necessidade de continuar funcionando mesmo quando a vida pessoal dele tá toda quebrada assim.

E aí entra também uma leitura que eu tava analisando aqui do filme, né, que é justamente essa ideia de que o Peter ele tenta apagar o homem para virar só uma aranha, né, virar, viver como uma aranha, né. Ou seja, ele tenta reduzir sua própria existência a função de salvar os outros ali. Ele deixa de lado essas relações, os afetos, né, a vida social, tudo aquilo que lembra do que ele é uma pessoa, né, antes de ser um símbolo. Só que o filme parece dizer que isso não funciona.

E aí, quando ele reprime demais essa dor, quando ele tenta viver só na lógica, né, da ação, da responsabilidade, e tal, é alguma coisa dentro dele começa a quebrar. E essa é uma metáfora muito poderosa assim, porque fala justamente de saúde mental, né, de um jeito muito honesto assim. Quanto mais a gente tenta ignorar o que a gente sente, mais aquilo cresce dentro da gente e tal. Quanto mais a gente finge, né, que tá tudo bem, mais o corpo e a mente cobram a conta e tal.

E no filme isso aparece de uma forma física quase ali monstruosa também, né? E esse lado aracnídeo dele assume o controle, os sentidos dele ficam mais agudos, a raiva cresce, a transformação fica assustadora. É como se o filme realmente dissesse que não existe heroísmo saudável sem as vulnerabilidades.

GMGabriel Mattos

Eu acho legal que isso acaba conversando com outro filme do Homem-Aranha que ele também tem burnout, que é o Homem-Aranha 2, que acaba que ele tenta fazer o contrário, ele tenta se desfazer do Homem-Aranha para conseguir viver a vida dele de Peter Parker. E acho muito interessante que esse filme tem paralelos muito fortes, só que a conclusão que ele traz é a contrária, sabe? Tipo, é você resgatar o seu lado humano e não se deixar se perder ali nas cobranças da vida, do capitalismo e de produtividade que você tem que ter o tempo todo.

CTCarol Tomé

Eu acho que é um filme que fala muito também Acho que sobre maturidade, assim, eu acho que eles fazem uma analogia muito interessante com esse ciclo que as aranhas passam, né, que eles chegam a explicar, e que o Peter passa porque ele foi mordido por uma aranha. Então ele é metade aranha, né, de alguma forma. Então você vê esse ciclo de amadurecimento dele mesmo, assim. E aí conversa diretamente com essa história que vocês estavam falando de que o personagem começou a ficar mais bem escrito.

Então ele começou a ficar mais adulto, ele começou a ficar mais maduro, ele começou a ficar mais inteligente. Pra mim, finalmente ele desenvolveu o sentido aranha, porque antes era só o arrepio do Peter mesmo. Agora finalmente ele chegou nesse lugar, né, sentido aranha, onde ele consegue, né, ter a evolução das capacidades que ele pode chegar, né, e trazer também essa dualidade. E aí eu acho que isso conversa, né, diretamente, para não ficar muito repetitivo com o que vocês já falaram, porque eu concordo, com a personagem da Jean Grey.

E aqui abrirei assim o meu coração para vocês, porque eu não gosto da Jean Grey. Eu não gosto dela nos quadrinhos, eu não gosto dela. Vocês, eu não gosto dela, eu não gosto delas, nenhuma das versões delas eu gosto. Tipo assim, ela sempre me irrita. Mas a Maleficent, eu gosto dela como fênix quando ela quebra tudo. Mas num geral, não, amiga, ela é muito chata, ela é muito coitada. Tipo Scott. Ai, não dá, me irrita.

GMGabriel Mattos

Eu gosto do meme que quando é para ela atacar os amigos, ela é tipo super poderosa, Fênix Negra, não sei o quê. Quando é para ajudar, é: ai, meu Deus do céu, minha dor de cabeça!

CTCarol Tomé

Ai, minha dor de cabeça! Aí ela grita o Scott, fica Scott.

GMGabriel Mattos

Não é, eu já me dei um WhatsApp versão Fênix.

CTCarol Tomé

Gente, ela me irrita assim. Eu acho que tipo a personagem no geral assim Eu não gosto muito dela, porém, entretanto, todavia, eu gosto muito da Sage, que é atriz. E eu acho que ela trouxe uma noção assim do que mais ou menos eles vão fazer com os X-Men, né, uma ideia. Mas o que ela me deu assim, que tipo para mim foi muito incrível, é essa zona cinzenta, essas tipo essa questão de que, ai, ela não é puramente boa, mas ela também não é puramente má.

Tipo, depois obviamente ela vai meio que sendo, entre aspas, de alguma forma inocentada, porque você tem, né, essa questão de que ela tava fazendo isso pela irmã dela. Mas ela não tem limite sobre o que ela faz pela irmã dela, sabe?

GMGabriel Mattos

Tipo, as pessoas que ela matou, ela fez inocente, sabe? Ela fez o cara te jogar no táxi.

CTCarol Tomé

E não só ela matou uma pessoa, tipo, ela meio que ela tipo faz uma maturou psicológica com o Peter. Quando aquela cena em que ela pega a MJ e faz a MJ fingir que lembra dele, tipo assim, sabe, ela tá revivendo o maior trauma da vida do cara até o momento, assim, tipo assim, ela tá uma assim de um jeito. E eu acho que isso reflete muito da capacidade assim.

RARafael Arinelli

E o Peter fala isso para ela, né, Carol? Fala, ele fala assim, pô, você é monstruosa, isso que você tá fazendo é monstruoso.

CTCarol Tomé

Mas eu acho que isso é um amadurecimento da própria outra personagem da Jin no geral. Porque eu acho que uma das coisas que nunca me fizeram conectar com ela e não me faziam, tipo, gostar muito dela é que, tipo, eles sempre colocavam a Jin como, ai, porque ela é mais poderosa, ela tem a fênix, ela tem poder, mas eles nunca deixavam ela ser isso. Ela era sempre tipo, ai, olha como ela precisa de uma outra personalidade para ser malvadinha e não sei o quê, e fazer as coisas dela.

GMGabriel Mattos

Exatamente. Concepção do espaço e tudo mais.

CTCarol Tomé

E aí quando isso acontece no filme, eu acho que é muito bem escrito, eu acho que faz um paralelo muito interessante com o Homem-Aranha. E outra coisa que eu gosto bastante é que tipo o MCU ele não tinha conseguido trazer ainda essa energia do Homem-Aranha de que ele é o amigão da vizinhança. Ele literalmente, ele vira uma rua, ele tromba em alguém, que ele é amigo de todo mundo na cidade.

GMGabriel Mattos

Ele conhece todo mundo.

CTCarol Tomé

É o advogado dele, é o Demolidor, sabe? O amigo dele é o Justiceiro. Assim, ele realmente conhece todo mundo. Então, tipo, ele ter uma conexão com a Dini, que é uma conexão que vem dele, porque ele é esse jeitinho, para mim foi muito bem colocado ali. E assim, gente, simplesmente cinema o lance do VMAX não ser nada, sabe? Tipo, mano, ela só Tipo assim, era a última coisa que ela conseguia transmitir para irmã dela, que era um pedido de socorro para irmã dela saber que ela tava naquela sala, sabe? Tipo, e eu fiquei, nossa, será que é mais um plot?

GMGabriel Mattos

E eu ficava muito com um nome muito de filme de herói mesmo, de filme. Eu falei, nossa, não sei o quê.

CTCarol Tomé

Eu falei, VMAX é o projeto que eles estão fazendo com a irmã dela e não sei o quê, não sei o quê. E não era nada. E eu fiquei assim, tipo, cara, incrível cinema demais.

RARafael Arinelli

Muito legal mesmo, foi muito legal.

CTCarol Tomé

A palavra que vocês dois falaram que me pegou muito nesse filme é monstro.

GMGabriel Mattos

Eu acho que o filme tá tentando trabalhar muito essa dualidade de quem é um monstro de verdade. O Peter, quando ele vai lá tentar suprimiu a aranha dele. O próprio Banner fala para ele, tipo, mas como você vai saber o que que é o monstro, o que que é ruim, e tirar isso? O Peter fala para a Jean Grey, pergunta se fala que ela é monstruosa. E a figura do Hulk, eu acho que funciona muito melhor nessa daí. Eu acho que é a melhor versão do Hulk que a gente viu na MCU até agora, porque realmente o Hulk sendo um monstro, sabe?

Ele trabalhou ali para poder suprimir o Hulk, mas ele não tem controle nenhum dele. Quando a gente vê ele sem aquilo, a gente vê uma cena maravilhosa dele perdendo totalmente o controle e assumindo o Mon.

MMMarcelo Miranda

Eu concordo com tudo que vocês disseram, só que eu não concordo com uma coisa no filme. Só que o problema é no filme, talvez seja minha grande ressalva em termos de estrutura, é que, bom, primeiro eu tenho uma certa implicância, mas aí pode ser um pouco do meu lado chatinho nessas horas, que por motivos de novo de novo Sony emprestando Peter para o MCU, o filme não tenha nenhum— não tem a mão que ele tem, na verdade. Mas as grandes ameaças de verdade do filme são figuras ligadas ao MCU e não ao universo do Homem-Aranha, que é a Jean Grey, que é ligada aos X-Men, e o Controle de Danos, que é ligado ao próprio MCU.

Porque tem lá uns vilões de meia pataca lá que aparecem, aliás, vários conhecidos clássicos: o Lápide, Escorpião, Bumerangue, o Tarântula. É muito legal, mas é coisa para de fundo de garagem assim, que só tipo passa rápido, a gente não tentáculo que na verdade é do Demolidor e tudo mais.

RARafael Arinelli

Mas é ok.

MMMarcelo Miranda

Mas aí é que tá, eu concordo muito com o que a Carol tava falando, a maneira como a Jean surge como uma ameaça misteriosa. Eu, por exemplo, sabia da Sadie Sink e suspeitava que era Jean Grey, mas eu não vi, não li, não procurei nada. Então eu fiquei completamente surpreendido de que a personagem que tava infernizando o Peter era Jean Grey. Eu fiquei assim, gente, mas não deve ser, ela tá má demais, ela tá muito má, não deve ser, deve ser outra coisa.

Então achei muito bom que ela realmente seja uma vilã perigosa, você tem a sensação de que o Peter corre perigos reais assim. Isso é muito difícil de você conseguir. Mas porém, todavia, quando a Sadie Sink aparece no filme de cara, quando a gente vê o rosto dela, de repente aí, aí eu acho que ela vira a Jean Grey, que a Carol não gosta. Ela vira uma coitada, né? O filme começa a redimir ela de várias formas, ela começa a ser injustiçada, tem um flashback longuíssimo dela com a irmã.

Aí o Peter descobre que ele tava sendo injusto. Quer dizer, o filme redime ela em 3 cenas assim. Isso me incomodou um bocadinho, porque, gente, ela é disparadamente a pior vilã que ele enfrentou nos 4 filmes assim, porque ela maltrata todo mundo ao redor dele, né? Não é só ele. Ela mata gente, ela toca o terror, ela comete atrocidades assim. Então não consigo ver muito essa viradinha para depois justificar que ela tava atrás da irmã.

Eu acho que ali foi um pouco de oportunismo de roteiro assim, que me tirou um pouquinho do impacto que vinha até então. Mas também nada muito grave, né? Só, só uma observação assim.

GMGabriel Mattos

Eu acho que funcionou, mas eu também gostaria de ter visto eles trabalhando algum novo vilão do Homem-Aranha, tipo o Senhor Negativo, alguma coisa que a gente não viu no cinema ainda.

MMMarcelo Miranda

É, o que eu acho que isso não vai acontecer nunca mais, porque os principais vilões que o Homem-Aranha poderia ser trabalhado já foram pela Sony e já apareceram no MCU. MCU no filme anterior, né? Então, tipo, dificilmente a gente vai ter uma própria Homem-Areia. É, não vai, porque eles já apareceram, eles já foram usados. Então acho que agora meio que a Sony tem um pepino para resolver no futuro, que eles vão ficar fazendo vilões de outros universos e etc.

Mas é isso, né? Eu acho que ok, optaram pela Dinha. Acho meio triste, na verdade, que o filme do Homem-Areia sirva para introduzir os X-Men no MCU. Acho isso meio humilhação assim. Mas tá tudo bem.

GMGabriel Mattos

Acho meio desespero da parte da Marvel.

MMMarcelo Miranda

Isso, exatamente.

GMGabriel Mattos

Pois assistam filme que vai ter os X-Men. Qual filme a gente escolhe? Um que não é nosso.

MMMarcelo Miranda

Isso. E aí também aquilo que você falou, né, Gabriel? Ou foi a Carol agora, não me lembro. Que é a Marvel se aproveitando da popularidade do Homem-Aranha para enfiar ali um novo núcleo de personagens, porque ali vai funcionar, sabe, em termos de público, né?

GMGabriel Mattos

Mas então eu acho meio filme, acabou sendo isso em tudo, sabe? Porque o Justiceiro é a Marvel tentando fazer a TV da Marvel acontecer, o Hulk é a Marvel tentando fazer os Vingadores acontecerem, novos Vingadores também, e assim vamos, né?

MMMarcelo Miranda

Então acho meio tudo meio humilhante, mais 1 milhão de dólares, né? Humilhados somos nós.

CTCarol Tomé

Gente, mas tá funcionando, porque no Twitter tá todo mundo animadíssimo porque eles estão revelando as escalações, né? É, inclusive eu tava, você tava até falando, Marcelo, e eu falei, nossa, eu queria tanto que ela fosse a Garota Esquilo, porque eu gosto tanto da Garota Esquilo. Ela combina com a galera, ela combina muito com a garota, e ela é muito bonita assim, ela tá tipo cada vez mais bonita. Eu acho que ela combina bastante assim com um coadinho.

MMMarcelo Miranda

Pena que não ia funcionar em termos populares, né?

CTCarol Tomé

Não ia ter o apelo da gin e tonic.

GMGabriel Mattos

Tem um dia assim de depressão mesmo que funciona melhor com a gin grey. A espirulina é muito up vibes para ela.

CTCarol Tomé

Mas fica aí minha ressalva que eu quero que a Marvel traga a garota esquilo assim. Tem uma coisa que eu gosto muito dela, eu acho que ela funciona muito bem com Homem-Aranha. Mas é isso, então é essa jogada de marketing, né? Porque a galera já tá meio que animada animada. Tem gente criticando a escalação na própria sede, tem gente falando que gostou, tem gente animado com as outras escalações. Agora tem gente falando assim, ah, então enfim, aquela cena pós-crédito com certeza confirma o Homem-Aranha dos Deuses. Tipo, confirma o quê, velho?

MMMarcelo Miranda

Nem a Marvel sabe que aquela cena pós-crédito, né, no próximo, sabe, Guerra Secreta.

CTCarol Tomé

É tipo assim, e eu acho que é uma questão assim complicada, porque para mim pelo pelo menos. Eu tava esperando um vilão completamente diferente para o novo Vingadores, né, assim como todos nós, devido a muitas questões narrativas que a Marvel foi mesmo criando, mas acabou, né, tendo essas questões que não deu para colocar. Então eu fico pensando que eu gosto muito do Victor Von Doom, eu acho que ele é um dos melhores vilões assim, tipo, no geral.

Só que eu acho que esse filme vai passar tão batido. E primeiro que eu não sei como é que o Robert Downey Jr. vai Fazer nesse filme. Eu acho que tipo vai ter muito desse apelo mercadológico do tipo, ai, olha só, ele era o Homem de Ferro antes, muito popular e tal. Mas é isso. E aí eu fico pensando que tipo, ah tá, o Homem-Aranha vai fazer nesse filme, ele vai chegar lá e aí ele vai ficar, olhar para cara do Victor Von Doom, vai ver que ele é igual ao Tony Stark, ele vai ficar triste. Tipo, esse vai, a gente vai regredir nesse arco, eu espero.

MMMarcelo Miranda

Mas aí, Carol, a gente tem um problema não resolvido ainda.

GMGabriel Mattos

Né?

MMMarcelo Miranda

A gente não sabe se o Robert Downey Jr. vai ser tratado no filme como uma cara do Tony Stark ou apenas o ator interpretando outro personagem, né? A gente não sabe disso.

CTCarol Tomé

É verdade. Mas se fosse, eu acho que ia regredir muito todo esse desenvolvimento, sabe? Porque eu acho que do filme todo assim, né, inclusive esses dias eu tava até revendo o 2 do Tom Holland porque passou na Globo, e aí eu tava assistindo antes de ir para o cinema, e aí eu fico tipo, nossa, mas esse filme todo só do Tony Stark, né? Ah, esse é tipo o pior deles assim.

MMMarcelo Miranda

Não é pior, e o Tony já morreu, gente, vamos para frente, né?

CTCarol Tomé

Assim, supera isso, sabe?

RARafael Arinelli

Mas eu acho que isso é um negócio legal da gente deixar claro, porque assim, eu acho que a metáfora que o Marcelo usou de jogador, né, emprestado para um outro clube, eu acho que ela funciona muito bem assim assim, porque é isso, quando a gente para para ver a história, né, tipo os X-Men, por exemplo, eles tinham lá o seu direito, né, vinculado à Sony e tudo mais e tal. Só que a Fox, a Fox, isso, desculpa, a Disney foi lá e comprou. A Disney em 2019 comprou, então é deles, exatamente.

MMMarcelo Miranda

Então assim, o X-Men é da MCU, né, tipo é deles, é propriedade hoje, é X-Men de cinema, né, ou de propriedade. Mas enquanto a Disney não compra a Sony, um dia isso vai acontecer, eles têm um acordo. Inclusive, esse acordo quase não permaneceu do terceiro para o quarto filme, né? Não sei se vocês se lembram, mas ficou um ano mais ou menos ali a Sony amarrando, porque tinha ganhado muito dinheiro com Aranhaverso e com o terceiro filme.

Então ficou amarrando se ia ter, se não ia ter, ficou meio impasse assim. Aí devem ter assinado um Pix violento lá, e aí rolou. Mas esse acordo, ele tá sempre ali cheio meio de dedos, né? Ninguém, ninguém pode errar, porque senão vai um para um lado e o outro para o outro.

RARafael Arinelli

Vocês sabem assim que eu, eu gosto muito da Sandy Sink assim, eu acho ela uma atriz assim fenomenal. Eu acho que ela traz uma coisa para personagem, principalmente, né, nessa Jean Grey que a gente conhece aqui, que como eu falei para vocês, né, eu não conheço a Jean Grey, conheço dos filmes e tal, e sempre também achei ela meio irritante nas aparições dela e tal. Mas aqui eu achei muito interessante assim, porque a gente vê uma Jean Grey que precisa, né, de alguém ali para fazer ela que consiga passar essa fragilidade e essa força, esse poder, tudo ao mesmo tempo assim.

Porque ela é, ela não é só uma personagem tipo hiperpoderosa, né, ela é uma personagem que parece você tá sempre ali à beira de alguma coisa, à beira do colapso, à beira do despertar, à beira de uma transformação e tal. Eu acho que a Sandy, ela tem exatamente essa energia assim, ela consegue ser jovem, intensa, vulnerável, perigosa e tal. Então acho que ela entrega para gente uma Jean Grey muito boa. E uma outra coisa que eu acho também que funcionou muito bem é que ninguém sabia direito o que que que ela ia fazer.

Tipo, a Marvel conseguiu trancafiar, né, essa informação durante muito tempo, porque logo que souberam que ela estaria no filme já falaram, ah, ela é ruiva e não sei o quê, é a Mary Jane, né, que vai aparecer aí. E ela nas entrevistas também não falava o que que ela fazia. Então não sei, para mim foi uma surpresa, pelo menos.

MMMarcelo Miranda

Até aí eles fizeram muito mais do que isso quando eles seguraram era uma participação do Tobey Maguire, do Andrew Garfield e de todo o elenco dos outros filmes no terceiro, né? É verdade, sabia que eles tinham filmado. Agora, o meu highlight favorito em relação a Sadie Sink no filme foi no Twitter, vocês devem ter visto, que era a grande revelação do filme é que ela sempre foi o Vecna. Eu achei isso muito bom.

RARafael Arinelli

Exatamente, exatamente. Exatamente. Agora tem outra coisa que eu queria saber de vocês assim, porque a gente tá falando aqui, né, sobre essa, enfim, dessas características, né, desse Peter amadurecido, estamos falando dessa Jean Grey e tal, mas tem um outro personagem aqui que também é popular entre os fãs, que é justamente do John Bernthal, né, que é o Justiceiro, que cria essa dinâmica ali de buddy comedy tenso e divertido ali, né, que tá acontecendo.

E aí o Frank Castle, ele representa esse caminho, né, do ódio, da letalidade e tal, que o Peter fica tentando evitar ali, apesar de ter toda essa dor dentro dele e tal. E aí a gente tem essa combinação, né, desse herói que é o herói mais gentil da Marvel do lado do cara que é o anti-herói mais brutal, tal assim. Como que vocês viram essa, essa parceria e tal, né? Funciona para vocês? É um contraponto moral ali que funciona para dinâmica do filme?

GMGabriel Mattos

Me surpreendeu bastante, na real, porque quando eu vi isso foi lançado faz tempo que ele estaria no filme, apareceu o trailer e tudo. E para mim ele é o personagem, um dos personagens mais sangrentos que a Marvel tem. E o Homem-Aranha, como todo mundo sabe, é o amigão da vizinhança. Então é uma discrepância de de temáticas muito grande. Eles conseguiram achar ali um meio termo que ele continua sendo desbocado, agressivo, violento, mas ele não é tão sangrento quanto ele seria nas próprias histórias.

Funcionou dentro do filme para mim, mas fica meio quebrado na minha cabeça como que isso existe dentro do universo Marvel. Porque a última vez que a gente viu o Justiceiro foi no especial que teve dele agora há pouco no Disney Plus, e ele era sanguinário para um caramba, e ele tava também completamente quebrado mentalmente. E nesse filme já parece que ele resolveu um pouco desses problemas que ele tinha e tá num lugar mental mais legal, a ponto dele conseguir coexistir com Homem-Aranha e conseguir chegar a um consenso ali.

Ele consegue não ser tão letal quanto ele seria, a base da conversa mesmo, mas também colocar o Homem-Aranha no rumo quando o Homem-Aranha tá tentando ser bonzinho demais. Então acho que tem esses meio termos que nós temos ali?

MMMarcelo Miranda

É, eu acho que, bom, primeiro lugar, a gente já vou dizer uma posição pessoal. Como a Carol lembrou, somos jornalistas, eu tenho meu lado pessoal e meu lado equilibrado. Meu lado pessoal é o seguinte: eu detesto a caracterização do Justiceiro no MCU. Na verdade, é anterior ao MCU, né, é da Fox ainda, nas séries da Netflix. Eu gosto dele ali na segunda temporada do Demolidor, eu acho que ele entra bem, mas quando ele começa a ter a série própria, quando ele aparece, eu Eu detesto essa caracterização de Jon Bernthal, eu acho ele chato, choramingão, falsamente profundo, acho insuportável.

Dado o xilique, eu preciso dizer que eu adorei a presença dele no filme. Acho que eles resolveram vários problemas dessa caracterização que eu não gosto. Eu acho que ele tá espirituoso, ele tá bem integrado, ele tá original, né, como é o personagem. É bom registrar, né, o Justiceiro surgiu nas HQs do Homem-Aranha como vilão do Homem-Aranha, né. Ele apareceu em 1974 numa história do Gerry Conley como um antagonista. Ele foi contratado lá como mercenário para matar o Homem-Aranha.

Então ele era para ser um vilão, só que o personagem fez muito sucesso. A coisa da caveira, essa atitude impetuosa e tudo mais, ganhou uma minissérie que contava a origem dele, E aí ele virou, na verdade, um anti-herói, ganhou revista própria, etc. Mas a origem dele é numa história do Aranha. Então ele aparecer como um personagem regular num filme do Aranha é muito legal, porque meio que faz aí uma espécie de retratação histórica, que é um personagem que nasceu nas HQs dele aparecer, enfim, no filme dele.

E as interações dos dois nos quadrinhos em geral eram muito parecidas com essa que a gente vê. O Peter, que é esse cara legal, legal, tentando conter a raiva e a selvageria do Frank. E o Frank dizendo, cara, você não sabe de nada, tem que matar mesmo. Aquela cena que ele fala que ele quer resolver no tiro, e aí o Peter fica dizendo, sem arma. E ele fala, pô, mas sem arma é foda. É, é, é a interação típica dos dois nos quadrinhos.

Então é uma coisa ali meio good cop, bad cop, sabe? Então acho que resolveu muito. O primeiro encontro deles no filme, que ele tá perseguindo o tanque e o Peter fica dizendo, cara, para com isso, baixa a arma.

GMGabriel Mattos

E ele tira uma arma maior.

MMMarcelo Miranda

Cara, aquilo muito legal, é muito fiel, e eu acho que funciona muito bem no filme. E olha, parabéns, tudo que eu detesto nesse personagem no MCU tá redimido nesse filme. Eu queria muito que ele continuasse nessa pegada. E Gabriel, eu não vi o especial, tá, porque gente, realmente não tem condições, mas eu não sei a cronologia, mas esse filme se passa um bom tempo depois, então pode ser que há uma elipse aí que a gente não sabe, entre o especial e o filme do Homem-Aranha.

Então pode ser que realmente ele passou aí por algum processo. Por exemplo, um amigo meu viu o especial, falou que ele fica conhecido da população no especial, né? E aí nesse filme ele anda pela população como se ninguém conhecesse ele, né? Então também não sei. Ou eles estão só ignorando mesmo e dizendo, galera, vamos fazer o Frank dos quadrinhos, esquece esse chato aqui, pessoal não aguenta mais. Pelo menos o Marcelo não aguenta.

GMGabriel Mattos

Muito chorão ali no próprio especial especial dele, sabe? E ali parece que ele tá já resolvido mentalmente, num espaço razoável. A única coisa que eles pegaram do especial foi isso dele rondando a cidade tentando ajudar todo mundo, ajudar todo mundo não, manter tudo ali funcionando, que é o que faz eles se encontrarem ali no começo. Então, tirando isso, acho que eles ignoraram o especial. Mas por mim também, se preferirem continuar usando essa nova versão do Frank Castle, tá funcionando na Marvel.

CTCarol Tomé

Eu acho que primeiro eu vou trazer uma referência visual. Para mim, eles são aquele meme da casa preta e a casa colorida um do lado do outro.

GMGabriel Mattos

Aí aquele meme brasileiro também do cara do ônibus, sabe, um todo feio.

CTCarol Tomé

Exatamente, do cara do ônibus, o que vê a vida bonitinho que chora, entendeu? Acho que eles são essa dinâmica que para mim é uma dinâmica bem interessante, porque— e aí essa é uma questão do próprio, do próprio MCU, e de não poder explorar o universo Aranha no geral, né? Porque a cidade de Nova York ela enorme. Então a gente tem um amigão da vizinhança, ele é conhecido no Queens, em outros bairros. Mas a cidade tem um monte de heróis, um monte de heróis que vão interagindo entre si.

Para entender um pouco também como é que funciona os bairros, então você vê que ele fica mais nas docas, né, que é uma área mais conhecida assim, tipo, por ter mercenários, por ter envolvido de crime, essas coisas assim. Enquanto o Homem-Aranha realmente ele fica mais ali nos centros, né, e nos bairros que ele mora mesmo. Mesmo assim. Tanto que tem o Ned fala: não é óbvio que ele é do Queens, né? E aquela cena engraçadíssima que ele mostra o Flash e o professor lá, né, de teorias.

Mas assim, voltando para o Frank, eu acho que é isso. Aí eles, ele traz um pouco dessa roupagem para a gente entender também um pouco da dualidade da própria cidade, né, Nova York, ou da própria metrópole assim, e de como você, né, escolhe assim. E eu acho que também tem muito tem muito a ver com essa dualidade do próprio Estados Unidos, né, de ser muito permissivo com armas, mas ao mesmo tempo falar, olha, toma cuidado, isso pode ser uma questão assim dependendo do lugar que você tá, né.

Porque é essa figura assim. E outra coisa que eu gostei bastante é que ele age como um pai, né. E aí eu fiquei muito, ai, olha como ele é o pai desse menininho ali. Porque quando a Viúva Negra chama ele, o Peter de garoto triste, né? Eu fico lá, mas olha assim, o garoto triste tem amigos agora, ele tem um pai que leva ele, faz as coisas. Aí ele se veste de Homem-Aranha para poder, tipo, ah, eu tenho um plano para você sair, não sei o quê.

E ele fica lá preocupado. E aí a gente também percebe, eu não vi esse especial também porque realmente eu nunca tive muito fato.

MMMarcelo Miranda

É porque tipo assim, eu não tenho a menor possibilidade, a não ser que me contratem, aí tudo bem.

GMGabriel Mattos

É só cena de ação, basicamente, especial. Só tiro para tudo que é lado.

CTCarol Tomé

Eu gosto muito, muito mesmo do Demolidor. Eu acho que tipo, é, pra mim, tipo, nessa adaptação ela é muito boa e eu gosto demais. Então quando ele aparece e o Justiceiro aparece, para mim eu fico tipo, ah lá, lá vem ele querendo roubar o brilho do Demolidor. Aí eu não investi muito nele. Então tipo, para mim eu não continuei. Mas essa rampagem realmente do filme, ela tá muito boa. E eu acho que tem essa questão de que também a gente vê que o Homem-Aranha salvou a vida dele, então eles têm um histórico, eles têm uma camaradagem, uma coisa de tipo, ai, somos, né, pessoas que salvam outras pessoas aqui.

E acho que essa relação deles vai se estreitando cada vez mais. Até porque quando a gente olha nas relações que o Peter constrói, né, no final, tipo, a primeira coisa que ele tá no começo do filme, que ele tá completamente isolado, e o quando ele chega no final é que ele entende que ele pode ter relações para além do Homem-Aranha, né? E tipo equilibrando esse lugar. Então eu acho que o Frank, ele traz exatamente esse lugar também, porque ele é um cara todo fodido, né?

Tipo, ainda mais quando a Jean entra na cabeça dele, ela fala: nossa, esse aqui tem muito estranho.

GMGabriel Mattos

Eu acho que ele funciona muito também como um contraponto do que, de onde você pode chegar se você se afundar muito nessa sua tristeza porque você perdeu gente e tudo mais, e se focar na vida de herói. Porque depois que perde a família, o Justiceiro ele foca nessa de eu tenho que combater o crime, eu tenho que impedir que isso aconteça com outras pessoas. No especial que a gente tá falando muito mal, é um pouco disso, dele acabar vendo outras famílias que estão ali sendo ameaçadas pela violência da cidade e tentar salvar elas do jeito brutal dele.

Eu acho que o Frank tá ali tentando fazer, tipo, ele tá ali como essa figura meio que parental do Peter, para tipo, olha, Peter, você tem que ser um pouco mais duro, mas também não precisa chegar nos extremos que eu cheguei.

MMMarcelo Miranda

E é isso, é interessante, sabe, Gabriel? Você tá falando uma coisa interessante, que nos outros filmes o Peter era tutoriado de uma maneira meio humilhante mesmo. Agora ele não é tutoriado pelo Frank, né? Ele é, digamos assim, o Frank é pra ele essa figura paterna, mas é também o cara cascudo que passou por tudo. E ele tenta ajudar o Frank a não mergulhar na mágoa e no ressentimento, na violência. Então ele também é um pouco tutor do Frank.

Então tem uma relação ali simbiótica, sem fazer nenhum trocadilho aí, entre os dois. Coisa que a gente não tinha visto ainda o Peter ser, que era um cara que ajuda o outro de verdade, né? Ajuda em termos pessoais mesmo, em termos de, poxa, não faça isso, pensa melhor, será que é isso mesmo, etc. Tanto que a cena que o Frank se veste de Homem-Aranha para enganar as pessoas é muito engraçada, porque ele se entregando a um lado lúdico de ser o Homem-Aranha, né?

É muito legal. Inclusive eu vi um meme maravilhoso, né, que é os 4 atores que interpretaram Homem-Aranha no cinema. E aí estão lá o Tom Holland, E o tio Wellington.

GMGabriel Mattos

Mas eu acho muito legal isso aí, se for parar pensar na real, o mérito do roteiro desse filme é que esse é o filme que o Peter Parker tem mais figuras assim paternas e maternas, porque a Viúva Negra também tá tentando cuidar dele, a policial também tentando cuidar dele como pessoa, mas eu acho que não fica nesse lado de tô tentando moldar sua personalidade, é mais uma preocupação de família, como se fossem tios, mas muito real, só dando um um toque.

MMMarcelo Miranda

Tipo, eles não estão tentando corrigir erros dele, né? Eles estão tentando trabalhar junto assim.

GMGabriel Mattos

Tipo, olha, não, legal, isso aqui do seu jeito aí, você tenta chegar no seu caminho, mas eu tô te dando um toque aqui.

CTCarol Tomé

É porque eu acho que todo o Tony Stark, essa roupagem que tinha antes, até pelo fato da gente não ter o tio Ben, né, e depois a gente fazer essa transição de morte para ele perder, né, tem outras questões, mas depois acontece com a May. É, para mim, e por mais que eu gosto muito, eu gosto muito do Tom Holland, eu gosto desses filmes, eu gosto desse Homem-Aranha assim, sempre tinha um olhar muito privilegiado. Tipo, ai, olha, ele recebe as coisas muito de bandeja, aí tem a tecnologia, aí tem não sei o quê, aí tem não sei o que lá, nananã.

Então eu acho que trazer essa conexão com o Justiceiro também, com essa questão dele se esforçando, ele tem lá a maquininha que faz a roupa dele, aí ele tem que ficar costurando, ele tem que ficar lavando, traz de novo essa humanidade, né, essa conexão. Então tipo, é isso, o Justiceiro tá muito mais próximo do Peter Parker do que o Tony Stark. Então tipo, acho que pareia isso assim nesse sentido.

RARafael Arinelli

É, e eu acho, eu tava pensando nisso, né, que o Gabriel falou mesmo, de tipo como a gente tem várias figuras no filme que acabam ajudando ele mesmo ali, né. E como ele já é um personagem mais amadurecido também, a gente vê justamente ele tendo tendo essas trocas constantes com esses personagens. E uma outra coisa me chamou, me saltou aos olhos também, porque se a gente fosse olhar os capítulos anteriores do Tom Holland como esse Homem-Aranha e tal nessa Nova York e pá pá pá, a gente via esse personagem e a Nova York que ele habitava ali também era um cenário que dependia também muito assim das telas verdes, daqueles cenários digitais e tal, e tal.

E a gente vê aqui uma mudança também nisso, né, porque o diretor, né, o Destin Daniel Cretton, ele resolveu ir para uma cidade, eles foram para Glasgow lá na Escócia para gravar várias cenas e tal, para representar, né, as ruas de Nova York, para trazer essa identidade e tal, essa coisa um pouco mais analógica, tátil, realista e tal. E eu achei que funcionou bem assim, porque eu senti uma Nova York também mais madura, sabe? Que parece que ela tá mais— ela não tá tão grandiosa e com aquelas coisas tão gigantescas e tal que a gente via antes, assim.

A gente vê essa escolha estética, né? Ela reforça justamente esse tom de reinício urbano, assim, da franquia. Uma coisa muito mais pé no chão e aproxima justamente essa experiência cinematográfica do sentido de vivência cotidiana ali, né, de que a gente encontra justamente ele passeando por aquelas ruas e a gente consegue perceber isso. E isso é uma coisa que eu gostei muito nesse filme. Assim, em off eu tava conversando com a Carol aqui, né, antes da gente começar a gravação, a gente tava falando do Aranhaverso e tudo mais, e esse filme ele me trouxe algumas coisas do que o Aranhaverso fez assim, que eu achei muito legal.

Primeiro essa combinação, né, dessa questão sensorial. Então a gente tem essa gravação em cenários reais e tudo mais, mas também umas inovações que a gente vê aqui, do tipo essa câmera do lado do olho dele ali, para a gente ver tipo o olho dele dentro do uniforme, que era uma coisa que a gente sabe, eu não lembro de uma cena assim em outros filmes do Homem-Aranha. A própria questão dos saltos, né, a parte da teia, tudo isso muito mais palpável assim também.

A gente já tinha visto cenas em primeira pessoa, né, que teve em outros filmes dele caminhando no topo dos prédios e tal, mas aqui ela tá mais, ela tá mais assim, mais próxima mesmo, né. Ela traz uma sensação de presença assim que que o digital muitas vezes traz uma coisa mais limpa assim, né? E eu gostei demais disso assim, demais de como essas coisas se encaixaram na história. E a gente consegue também ver isso, sabe? Como ele tá mais, mais próximo daquelas pessoas e daquela comunidade ali, sabe?

GMGabriel Mattos

Total. Você na realidade falando disso me deu um gatilho forte de lembrar que os outros filmes foram dirigidos pelo Jon Watts. E eu acho que os filmes do Homem-Aranha até agora eles deram certo apesar do Jon Porque ele era realmente um cara muito tipo, vamos resolver tudo na pós, vamos. Ele tava tentando fazer um produto realmente comercial ao máximo possível, 100% higienizado ali, pasteurizado, para não dar nada errado, para poder agradar o máximo de pessoas.

E eu acho que o Dustin, nesse novo filme, ele tentou tomar riscos criativos mesmo, de trazer essas ideias mais diferentes, mais caras também, mais arriscadas de se fazer. Fazer. Tanto que eles, ele colocou o Tom Holland numa cena para ficar pendurado de um lado para o outro, para a gente poderem filmar aquela perseguição ali no começo com ele se pendurando mesmo. Coisa que o John Watts falava que era impossível de se fazer hoje em dia, e foi provado que não era bem impossível.

Era uma falta de interesse ou de, sei lá, de risco para poder tentar uma cena legal. Eu acho que isso transpassa toda a visão do filme, toda a parte estética do filme, e acaba trazendo um um pouco mais para quem a gente via nos filmes antigos do Sam Raimi, o que me agradou bastante também.

CTCarol Tomé

Eu gosto, ia falar que os visuais, eu não joguei, mas tá todo mundo comparando com o jogo do Homem-Aranha, né, com alguns jogos.

GMGabriel Mattos

Principalmente a parte de teia, porque nos jogos do Homem-Aranha o pessoal elogia muito como é a sensação de todo mundo fala tipo, ai, eu tava me sentindo o próprio Homem-Aranha por causa da física de movimentação de teia. E tem aquelas cenas também no filme que eles pegam tipo uma visão do próprio Peter, de como é a teia tá saindo e pendurando no prédio, que eu achei fenomenal, Carol.

CTCarol Tomé

Sim, ele pulando também, né, quando ele cai também tem umas cenas dele caindo, tipo, né. Eu acho que eles pegaram bem essa atmosfera que o pessoal tipo falava que sentia falta, né, de tipo ser isso assim. Porque eu acho que também tem uma coisa, e até de cor mesmo, tipo, a cor do MCU ela é muito mais vibrante do que a gente tava acostumado a ver em outros filmes do Homem-Aranha. Então o fato desse filme ter umas cores até menos vibrantes em alguns pontos, né, porque tipo nem os vilões não são tão vibrantes como os outros, foi dando esse tom assim mesmo de tipo amadurecimento, maturidade.

Eu acho que tem toda uma noção. E aí vocês comentarem que são diretores diferentes, né, né, e diretores que atuam diferente no pós, faz todo sentido, né? Porque para mim, pelo menos, eu acho que essas tecnologias de tipo, não necessariamente efeito prático, mas essas tecnologias igual o Rafa falou, de humano, você ter um set, você gravar, você fazer, você trazer mais humano, para mim, com o advento de AI, de outras coisas, elas vão ficar cada vez mais raras.

E aí elas vão ficar cada vez mais preciosas. Maravilhosas. Então tipo, o nosso olhar vai saber a diferença. E aí pelo menos para mim parece que vai ser sempre uma experiência melhor, sabe assim? E aí eu tô lembrando disso porque eu tava assistindo Spider no ar e aí eu reparei que tem algumas partes, tipo a parede e tal, dá para você ver que é só papel de parede, não é uma parede real, sabe? Tipo, em outra cena de fundo. E aí eu fico pensando, nossa, Prime Video, tipo, esses detalhes assim.

Sabe, bem assim, é tipo o Prime Video, que é um Pix do Prime Day aí, porque é isso, tipo assim, é óbvio que tem os carros, tem as coisas, mas é tipo, pô, mano, o que que custa uma parede de tijolos, velho? Vamos lá e faz. Então acho que esses recursos eles ficam cada vez mais caros para gente, no sentido de tipo serem importantes, porque a todo momento a gente é bombardeado com esses, isso, né, a grande tecnologia, a IA também, que daqui a pouco vai começar a ficar cada vez mais comum, né, enfim.

Filmes. E aí é isso. E tipo, um diretor vinha e falasse, pô, ah não, eu não fiz porque era impossível, aí o cara vai lá, faz e lucra bilhões. Então tipo, acho que você não quis, né?

GMGabriel Mattos

E para o terror do Marcelo mais um pouco, eu vou citar outro filme ruim porque acho que faz sentido.

MMMarcelo Miranda

Mas filmes ruins não, não tem muito problema.

GMGabriel Mattos

Mas ele fica muito ruim. Vou falar de Madame Teia.

CTCarol Tomé

Esse eu não vi, esse eu não vi.

GMGabriel Mattos

É, então, o Madame T, eu acho que um, um, eu gosto, hein?

MMMarcelo Miranda

Atenção, atenção, polêmica.

GMGabriel Mattos

Eu gosto, talvez o único grande acerto do filme é que ele tem uma estética muito bem definida, muito bem marcada, traz um pouco uma ideia de filme tipo Crepúsculo e Premonição lá dos anos 2000. E eu acho que ele resgata, eles resgatam um pouco disso nesse Homem-Aranha, inclusive naquela cena da Jean Grey mesmo, com que ela tá na cabeça das praia e eles se beijam, que acontece num letreiro vermelho. Tem letreiro vermelho idêntico no Madame T.

Eu acho que visualmente pegar esses neon, essas cores fortes, funciona muito. E eu gostei muito de ver isso no filme do Homem-Aranha, que antes era tão qualquer coisa.

MMMarcelo Miranda

Gente, Madame T é um barato, não caiam nesse bait. Não, não do Gabriel, tá? O Gabriel na verdade tá fazendo o contrário.

GMGabriel Mattos

É muito legal, vamos ver.

MMMarcelo Miranda

É o único filme É o único filme que eu acho aceitável desses vilões da Sony, hein? Fica a reflexão.

GMGabriel Mattos

Eu não vi todos os vilões da Sony, acho que eu vi Morbius.

CTCarol Tomé

Não, então a comparação é com Morbius? Então nada a ver. Maravilhoso, cara.

GMGabriel Mattos

Outro que eu gostei foi o último do caçador, que eu esqueci o nome. Kraven.

MMMarcelo Miranda

Kraven, o caçador.

GMGabriel Mattos

Kraven para mim foi eles acertando o tom e depois disso eles desistiram. Então fiquei Tipo, poxa, é bem isso, é bem abandonaram.

MMMarcelo Miranda

Tipo, eles olharam e falaram, galera, isso aqui não vai continuar.

GMGabriel Mattos

Depois de 40 filmes ruins, eles acertaram um e desistiram. Então não, exatamente.

MMMarcelo Miranda

A Sony, até segunda ordem, abandonou essa franquia de vilões, né?

GMGabriel Mattos

Até tentaram trazer o Venom num filme do Homem-Aranha e voltar com isso.

RARafael Arinelli

Então isso era uma coisa que eu ia perguntar para vocês, que são entendedores do personagem, porque assim, quando o Peter começa a ter essas essas reações ali, né, o olhinho dele fica preto e tal. A minha primeira impressão foi tipo, meu, sei lá, a Jean Grey entrou na cabeça dele, deu uma bagunçada ali de alguma forma, nem que fosse meio superficial, e começou ali aparecer alguma coisa de Venom com esse olho aí. Só que o Venom é tipo um parasita, né, ele não é Mas o filme não tá passando por isso não.

MMMarcelo Miranda

O problema é que eles criaram tanta coisa em torno de Venom, Venom, Venom, que pode transmitir essa falsa impressão. Mas essa, esse breakdown que o Peter tem no filme tá baseado em duas histórias bem famosas do personagem, meio que mescladas assim. Uma é uma história ainda escrita pelo Stan Lee lá em 71, 72, alguma coisa assim, em que o Peter começa a começa a sentir umas coisas esquisitas e ele vai descobrir que ele tá virando uma aranha humana, porque a radiação da aranha que picou ele na verdade está transformando ele numa aranha, não é só dando poderes para ele.

E aí ele começa a tentar encontrar um antídoto e tal, mas ele acaba realmente virando um monstro, um monstro de 6 braços bem nojento assim. Quem viu o desenho dos anos 90 tem essa adaptação lá também. E ele vira um meio que a mosca, sabe, o filme. Ele vira um monstrengo horroroso assim. Aí ele acaba tendo que tomar um antídoto meio maluco lá. E depois tem uma outra história, né, dos anos 2000 já, de 2002, 2005, alguma coisa aí, que chama O Outro, que tem elementos no filme também, em que ele também começa a sentir que ele tá virando um monstro, só que os motivos são outros.

Mas, por exemplo, no filme, aquela cena em que ele acorda num casulo de teia no meio da cidade, ela é explicitamente tirada dessa história O um com o outro. Inclusive o plano é parecido assim. Então eles juntam esses dois momentos em que o Peter em algum momento estava aparentemente se transformando numa aranha para trabalhar. Só que o filme acaba usando isso de pretexto para ele criar o dispositivo, né? Mas ele efetivamente não viu.

Eu até tinha uma certa esperancinha de que eles iam trabalhar essa história do Peter de 6 braços, mas aí eu acho que eu subi a classificação do filme, não ia rolar não.

GMGabriel Mattos

Eu acho que eles usaram mais como uma metáfora para o coming of age dele, né? Porque nos outros filmes ele é mais jovem, nesse ele tem que aceitar a vida adulta querendo ou não, até porque ele meio que perdeu a vida civil dele. E foi um jeito deles atrelarem isso aos poderes dele que funcionou também.

MMMarcelo Miranda

Foi, mas exatamente, acho uma boa saída usarem esses plots para trabalhar o personagem nos filmes, né?

GMGabriel Mattos

Pegar o ponto que ele tá agora no cinema e entender quais histórias do passado podem ser usadas para dar uma base legal para isso.

MMMarcelo Miranda

Mas o próprio Brand New Day, né, até falei no início, é isso, né. O Brand New Day é uma, é um arco de histórias do também dos anos 2000 que era um recomeço mesmo. É bom, não vou nem entrar nesse buraco negro aí, mas houve um acordo lá do Peter com Mefisto que é muito parecido com o acordo, com o feitiço que ele faz no filme anterior, né, é para apagar o casamento dele com a Mary Jane. Jane, para poder salvar a Tia May. E aí eles apagam, o perfista apaga da realidade o casamento, as pessoas esquecem que ele se casou com a Mary Jane, inclusive os dois, né, eles não têm memória do casamento.

Então aí vem um Brand New Day, ou seja, ele acorda solteiro, né, todo, todo, todo de boa cuidando da cidade. E aí isso foi uma desculpa da Marvel para renovar as histórias, porque elas estavam meio desgastadas, tava tudo meio chato. Então, por exemplo, começar a ler do Brand New Day era uma uma grande jogada, porque era como começar do zero de fato. E aí funcionou muito na época. E aí eu achei inteligente deles de adaptarem um pouco isso no filme anterior.

E aí o novo filme tem o título dessa fase, que no Brasil também foi lançado como Um Novo Dia. É igualzinho assim. Recomendo, aliás. É, a Panini tá relançando num encadernado aí a primeira parte. É só o começo, né, porque durou muito tempo.

GMGabriel Mattos

Mas recomendo, são ótimas histórias, muito Falando só um pouco de fofoca de bastidores, que o Rafael tinha comentado que ele esperava ver mais o Venom nesse. E pelo que dizem aí, a ideia é que tivesse um grande foco no Venom mesmo, tanto que teve cena pós-créditos em outros filmes que deixou ali um pedacinho do Venom no MCU oficialmente. E a Sony tava querendo muito que isso acontecesse para valorizar o próprio Venom, obviamente, que o grande vilão desse filme fosse o Knull, que é o Rei Gigante vindo do espaço e tudo mais.

Ele aparece na cena pós-crédito de Venom 3. E a ideia da Sony era que esse fosse o grande foco desse novo filme, só que a Marvel não queria. E foi essa aí briga de braço para no final a Sony exigir pelo menos alguns personagens importantes para vender esse filme, já que eles não teriam Venom que eles queriam.

RARafael Arinelli

Não, na verdade não era nenhuma esperança minha, era assim a minha própria ignorância, sabe por quê? Porque assim, quando eu vi o olhinho preto, falei, olha, olho preto, cara, é o Homem-Aranha, é Venom. Isso daí para mim é Venom, entendeu? Essa coisa da— porque eu lembro também na época que saíram os filmes do Tobey Maguire e tal, que tinha também toda uma discussão sobre esse lance da teia, porque o Peter que faz o seu lançador de teia e tal.

Isso no quadrinho já foi uma questão assim, tipo isso que eles trouxeram para cá?

MMMarcelo Miranda

Qual questão? Ele fazer ou ele não fazer?

RARafael Arinelli

É essa questão, se ele faz e de repente ele começa a produzir uma teia orgânica, tipo isso é algo que o filme trouxe ou já existiu isso no quadrinho?

MMMarcelo Miranda

Nos quadrinhos essa de teia orgânica nunca existiu, exceto em situações muito específicas. Por exemplo, quando ele tá sofrendo alguma mutação, é mais assim uma história ou outra, nunca foi um grande drama, não existe isso. Isso apareceu de fato no filme de 2002 do Sam Raimi. Inclusive foi uma grande controvérsia de que o Peter do cinema não ia ter lançadores de teia mecânicos, porque isso é um elemento de prova de inteligência do personagem, ele que inventa aquilo ali, né, nos quadrinhos.

Então eles aí, o Sam Raimi alegava que, ah, mas é porque no cinema não ia ser muito plausível que um adolescente criasse um mecanismo tão sofisticado. Balela, né?

CTCarol Tomé

Igual o John Watts falar aquele negócio lá, é porque ele ser picado por uma aranha radioativa era tipo muito crível, geneticamente alterada, né?

MMMarcelo Miranda

Exatamente, no filme era geneticamente alterada. Porque isso, eles só não queriam, eles queriam economizar em memorabilha, porque aí bota orgânica ali, mete efeito especial, tá tudo certo. Quando o Andrew Garfield começou a fazer os novos filmes, eles inseriram o lançador mecânico. O Andrew Garfield usa, né, o lançador mecânico. Eles corrigiram aí uma falha de adaptação dos filmes do Sam Raimi. E aí mantiveram isso no Tom Holland.

Então essa coisa de teia orgânica, na verdade, é um problema dos filmes do Tobey Maguire. Tanto que tem piada disso no terceiro filme agora do Tom Holland, né? Eles ficam perguntando ele sai teia de todo lugar, porque isso sempre foi uma grande piada na internet. Mas não é esse drama da teia orgânica, da teia mecânica, não é exatamente um drama. No filme tá muito bem tratado, porque ele começa a manifestar isso por consequência da doença, né, e não porque ele vai virar.

Agora, gente, né, eles arrumaram uma ótima solução caso eles queiram aposentar os lançadores, né. Agora ele pode, por exemplo, passar a usar teia orgânica, que ele aprendeu a usar. Então também isso vai virar uma Desculpa aí.

GMGabriel Mattos

Eu acho um jeito legal de evoluir os poderes dele começando essa nova trilogia, sabe? Para não ser a mesma coisa que a gente já viu. Aí traz a teia orgânica, traz outros poderes também. Mas eu não sei como eles vão fazer a partir de agora, que o final deixou um pouco em aberto isso.

MMMarcelo Miranda

É, eu acho que eles deixaram bem tenso, ó, a gente decide.

GMGabriel Mattos

Tipo, o próximo roteirista pega isso, ele decide.

RARafael Arinelli

Isso, interessante. É interessante porque eu lembro dessa discussão no Tobi Maguire, porque nos primeiros filmes do Tobey Maguire era teia orgânica, né? E eu lembro dos fãs reclamando lá, isso não pode acontecer.

MMMarcelo Miranda

É claro que isso é um choramingo meio inútil também, é um grande tribunal de causas inúteis, né? Mas é porque havia uma expectativa muito grande, primeiro filme para cinema e tal, né? O Homem-Aranha só tinha sido adaptado live action numa série dos anos 70, meio vagabundo, e tudo mais. E aí um dos grandes charmes dele, que é ele criar o mecanismo e tal, ele tira do filme. Então rolou mesmo uma grita e tal. Eu vivi, eu estava lá.

Mas essa é verdade, eu acho que o Sam Raimi resolveu isso muito bem, eu não tenho nenhum problema com isso não. Curiosamente, essa saga, o outro que eu citei, ela insere teia orgânica pela primeira vez como constitutiva do Peter por causa do filme do Sam Raimi. Então Então foi uma das primeiras influências do cinema nos quadrinhos da Marvel, foi porque um bom tempo o Peter acabou tendo teia orgânica de fato nos quadrinhos. Depois eles aposentaram isso de novo por causa do filme.

GMGabriel Mattos

E é doido pensar que hoje em dia os quadrinhos são muito influenciados pelo cinema, tipo, o tempo todo. É trivial, sabe? A própria Miss Marvel, por exemplo, ganhou poderes diferentes agora nos quadrinhos porque no MCU ela tem poderes completamente novos.

MMMarcelo Miranda

É porque ninguém mais lê quadrinho, né, gente? Vamos, vamos falar a verdade, essa é uma mídia meio é uma mídia meio falida assim. Então não fosse os filmes dar uma segurada ali, já tinha meio que sumido de vez. Então os filmes ficam alimentando os quadrinhos agora, é o contrário, né? Fica alimentando os quadrinhos para galera meio que engajar um pouco ali.

GMGabriel Mattos

Mas não vira um ciclo, porque eles precisam que os filmes façam essa propaganda dos quadrinhos para os quadrinhos venderem razoavelmente bem. Eles têm coisa para adaptar também.

MMMarcelo Miranda

Isso, exatamente. Tanto que você citou o Knull, que é um personagem muito recente, né? Eles já queriam Tá meio que não é uma mídia que não, o cinema não depende mais dela, mas em alguma medida depende também, né?

GMGabriel Mattos

Então é meio que para validar só, tipo, é o jornal impresso, né?

RARafael Arinelli

Exatamente. Gente, tem mais alguma coisa que vocês queiram falar sobre o filme que de repente a gente não passou aqui e tal?

MMMarcelo Miranda

A minha reclamação que não teve Miles Morales ainda, quero digo num live Mas a Sony não vai deixar tirar o Miles da animação, porque animação, é bom lembrar, ela é exclusiva Sony, ela não é Disney, né? E aí o Miles é a pepita dos ovos de ouro da Sony, né, no momento.

GMGabriel Mattos

Então, mas ano que vem já sai o último animado, e espero que depois disso ele apareça no live action.

MMMarcelo Miranda

E a Sony tem um Oscar por causa do Miles Morales, vai ter que pagar muito caro para usar Miles Morales no MCU.

RARafael Arinelli

Não, e essa foi uma das pautas aqui quando eu tava conversando com a Carol antes de vocês entrarem, que eu acho que também existe uma outra coisa que é o fato da animação, né? A animação ela tem um tudo uma estética que torna o Miles Morales e toda enfim toda essa galera que foi apresentada ali no Aranhaverso tipo uma galera muito especial. Legal assim. E quando você traz ele para um live action, talvez você não consiga trazer toda aquela coisa lúdica, toda aquela, sabe, aquela explosão visual e tal.

E aí vire mais um personagem, entendeu, dentro desse universo MCU assim, né. Então ele tem algo muito diferente assim, né, nele, que talvez seja por isso que a gente se apaixonou tanto e queira ver ele também.

GMGabriel Mattos

Total, não, eu Eu acho que um dos problemas deles de adaptar o Miles exatamente porque toda uma geração conhece o personagem das animações e as animações são muito recentes. Então mexer com essa mitologia, esse imaginário que tem do Miles é complicado. Mas ao mesmo tempo eles conseguiram fazer isso de uma forma muito legal nos jogos, deixando o Miles como um protegido do Peter. O Peter tá ali para ensinar o Miles. Eu acho que seria legal a gente ver no cinema essa dinâmica dos dois ali juntos.

No próprio filme também tem o Peter da outra dimensão que acaba sendo tutor dele. Eu acho que antes de aposentar o Tom Holland, eu gostaria de ver essa dinâmica num live action aí.

CTCarol Tomé

Eu acho que foi o que eu falei para o Rafa, dentro das possibilidades que a gente tem, a Sony tá fazendo um trabalho muito primoroso, no caso o estúdio, né, todo o ali envolto. Tanto que a gente tá muito ansioso para o próximo Porque tipo assim, é sim o ápice da animação assim. Hoje eu acho que tipo um dos projetos criativos que eu mais gosto de acompanhar, e eu gosto de ver tipo bastidores também. Então ao mesmo tempo que eu quero muito o Miles tipo em live action, eu fico tipo, apareça Miles, nós queremos você!

Eu fico tipo, não, pelo amor de Deus, né? E se estraga o Miles Morales, eu vou fazer o quê, né?

GMGabriel Mattos

Porra, Marvel, aí você não fica Monroi, eu terei desesperado, mas agora eu tô mais tranquilo.

CTCarol Tomé

É, então tipo essa dualidade, mas ainda assim eu torço para a entrada dele. Mas eu queria falar, e ninguém falou disso antes, mas eu queria deixar aqui a minha fala para poder dizer que eu amo muito a MJ da Zendaya. Eu amo muito ela e eu queria falar de como ela foi muito madura com ele. Aquela cena em que ele fala te amo para ela Ela simplesmente fala que tipo, mano, eu não te conheço. Mas ainda assim a gente vê que ela tem uma abertura para entender quem é essa pessoa e conhecer a forma como ela amadureceu.

E eu vejo que tem gente que espera muito, e obviamente é muito racismo porque a Zendaya é negra, mas tem muita gente que espera que a Mary Jane perfeita apareça. Eu acho que isso foi uma das jogadas de marketing que a Marvel aproveitou muito para poder tipo esconder a personagem da Sadie, porque todo mundo olhou para ela e falou, ela é ruiva, ela automaticamente vai ser a Mary Jane, sendo que já existe MJ, tipo, e a Michelle Jones, e já tá tudo bem, sabe?

GMGabriel Mattos

Tipo, eu acho que esse foi um problema também, sabe, amiga? Eles não aceitar, não aceitarem, não bancarem colocar a Zendaya como Mary Jane, colocarem esse novo nome aí, Michelle Jones, para deixar aberto se ela fosse rejeitada aceitada pelo público, a gente pode introduzir essa nova personagem. Só que essa porta ficou aberta para sempre, acaba que dá margem para esse pessoal racista se apegar à possibilidade deles introduzirem uma Mary Jane que não vai ser a nossa MJ.

CTCarol Tomé

Não concordo. Tipo, a menina que, a menina que tipo cumprimentou ele na, na, tipo, que é vizinha dele, e aí tipo ela fala, ai, a gente é vizinho. Tipo, eu já vi a galera surtando falando, ai, é a Gwen. Porque a gente precisa muito da Gwen na vida do Peter. E eu tipo, gente, pelo amor de Deus, você pode ver que qualquer ruiva e qualquer loira, nem toda ruiva e toda loira é Mary Jane.

GMGabriel Mattos

Pior que eu inclusive automaticamente de uma personagem dos filmes do Sam Raimi, que é a vizinha do Peter também, que é uma loira aleatória que não troca de palavra com ele por motivos ali.

MMMarcelo Miranda

Inclusive, é muito bem lembrado aí, a vizinha loira, porque a gente já viveu isso no Homem-Aranha 2, eu acho, que o Peter vai morar sozinho e tem uma vizinha loira. É no 2 mesmo, no Homem-Aranha do Sam Raimi. Ele tem uma vizinha loira que, que ela, o nome dela é até uma homenagem a um dos criadores do Aranha, que é o Ditko, né? Ela é Ditkovich e ela é filha do zelador do prédio. E aí a galera falava, nossa, estão introduzindo a Gwen nos filmes e tal.

E não, gente, ela era apenas a vizinha loira assim. Então agora tudo volta, menina loira, vizinha. Impressionante como o pessoal não desapega de coisas que já foram assim. Concorda aí, cara? Eu adoro a MJ da Zendaya. Não gostei dela no primeiro, confesso, De Volta ao Lar. Acho que ela é propositadamente irritante demais ali no filme. Mas aí eu acho que no 2, no 3, e principalmente agora, nossa, é brilho total assim. Ela é engraçada, ela é espirituosa, ela inteligente. Ela, né, ela tá muito bem no papel. Enfim, eu adoro também, acho muito legal.

CTCarol Tomé

Nossa, ela é muito incrível. E eu acho que é isso, ela também traz essa, esse chão para o Peter. Porque primeiro a gente tem aquele momento em que a Jean está, né, tipo, controlando ela, mas tipo, é atuação da Zendaya ali, né? Então tipo, fazendo aquilo. Então a gente vê aquele, aquela ponta de esperança assim para Peter, mas depois a gente vê a tipo MJ real, que tipo assim, ó, cara, você me salvou e eu vou com você e tudo mais.

Mas tipo assim, cara, você não pode fazer isso comigo, essa é a minha vida, você deveria ter me contado, você deveria ter decidido. E esse, e eu acho que esse é um ponto para mim muito interessante, porque nós sabemos que a Marvel não escreve muito bem personagens Pessoas pretas, isso é racializado, primeiro vai ter problemas com isso. Mas eu acho que a MJ ela é um acerto exatamente porque ela começa tipo assim um pouco irritante assim, e eu acho que a caracterização dela melhorou muito porque eu acho que eles deixavam ela muito largada, tipo, ai, que eu sou, não sou que nem as outras garotas, e aí eu sou tipo inteligente.

Aí tipo, não, dessa vez ela pode ser inteligente e bonita também, não que as ideias conseguisse ficar feia, mas eu acho que ela traz esse lugar de colocar o Peter tipo no chão e também entender que as mulheres elas têm o poder de decisão, mesmo que ela não concorde, mesmo que ela tipo não fale, ou mesmo que tipo, ai, a gente tomou essa decisão e tal e eu esqueci, você deveria ter me lembrado, porque isso é uma questão assim que eu vejo de próprio conhecimento da personagem também, e dessa escolha, né, de você dar o benefício da dúvida para ela, de você caracterizar ela como um ser humano.

Então logo depois que eles têm essa discussão, e aí depois ele conta para ela e fala, ó, ele tipo me beijou contra a força, não sei o quê, sei lá. E tudo bem, aquilo vai fazer um gancho para ele descobrir sobre o negócio da Dinho, mas ainda assim eu tipo eu vi uma etapa de crescimento dele, de como tratar ajudar outras pessoas. E também é aí, por consequência, ele cresce junto com a policial, né, porque ele conhece, ele começa a conhecer mais sobre os filhos dela, ele começa a tipo ter mais essa dinâmica assim com ela.

Eu acho que tudo isso é um mérito dessa construção assim dessa figura, né, feminina assim. Eu acho que dentro do possível, dentro do filme As duas figuras femininas principais, que são três se você colocar, né, a policial que é a Jean e a MJ, elas para mim foram tipo bem escritas, o que me surpreendeu muito no processo da Marvel.

GMGabriel Mattos

Ainda mais pela MJ ser meio que uma donzela em perigo nesse filme, mas ela não cai naquele estereótipo de estou só esperando ser salvada, sabe? Ela tem decisão em todo momento ali do que tá acontecendo.

CTCarol Tomé

Ah, eu vou Ela confronta ele, né?

GMGabriel Mattos

Manda o Frank atrás do cara. Tipo, ela não tá ali passiva o tempo todo, ela é uma personagem ativa que tá tentando sobreviver a uma coisa absurda que tá acontecendo, que ela nem lembrava o motivo daquilo tá acontecendo também, sabe? Para ela, ela é só uma pessoa que tá vivendo a vida dela, do nada eu sou uma pessoa importante para o Homem-Aranha e agora tem que resolver isso. Mas ela não espera resolver sozinha.

RARafael Arinelli

E esse núcleo é muito bom, né? Ned, MJ Ypê também, muito bom. Eles são muito queridos, muito queridos.

CTCarol Tomé

Eu sei que tem gente falando assim, ah, ele devia superar. Eu falo, gente, eu não acho. Eu acho que ele devia trazer de volta.

RARafael Arinelli

Eu quero eles juntos, eu adoro.

GMGabriel Mattos

Um absurdo ela não ter se apaixonado de volta só de ver quem é, gente.

CTCarol Tomé

Não, ela segurou no colarzinho, ela não sabe que foi ele que deu aquele colar.

GMGabriel Mattos

Ela devia estar, gente, eu não sei quem é você, mas você é muito gato, vamos retar nossa relação. Eu não preciso saber quem você é.

CTCarol Tomé

Você é a melhor amiga do meu melhor amigo.

GMGabriel Mattos

Você é minha amiga, você quer mais do quê?

RARafael Arinelli

Plano Detalhe da semana, aquele momento que a gente dá dicas para você aí, né, ouvinte, para você fazer coisas diferentes aí, né, durante a semana. Carol, vamos começar com você. Que que você trouxe de bom para gente aí de Plano Detalhe?

CTCarol Tomé

Perfeito, eu trouxe duas coisas. Boa! A primeira é seguindo essa linha de animações incríveis. Recentemente eu terminei Hero X, que está na Crunchyroll. Quem não assistiu, assista. São 24 episódios. É um anime, mas na verdade é chinês, então eu não sei exatamente o nome que eles dariam para essa, para esse tipo de animação. Mas é uma animação em que a gente vai ver vários povos de heróis diferentes no mundo em que você recebe poderes baseado na confiança que as pessoas têm em você, e são poderes diferentes.

Diferentes. Só que o que acontece, a cada herói que a gente passa, cada povo que a gente vê, a gente tem uma animação diferente, um estilo de animação diferente. E tipo assim, o final é primoroso. Eu tô muito ansiosa para segunda temporada, que não sei quando eles vão lançar, em breve quem sabe. Mas eu acho que vale muito, muito a pena, ainda mais se vocês estão com saudade do Areiaverso, querem ver umas animações diferentes assim e se apaixonar outros tipos de heróis assim.

Eu acho que é uma dinâmica muito interessante que quebra um pouco dessa hegemonia de Marvel, DC, que eu acho que é um sentimento parecido que eu tinha no começo com The Boys, mas depois, depois foi estragando. Mas eu gosto muito de Gen V e também com Invincible e outras obras que tentam trazer uma dinâmica mais diferente para esse mundo de super-heróis. Eu acho que To Be Hero X na Crunchyroll faz exatamente isso de forma maravilhosa.

E a segunda é um aplicativo que é daqui de São Paulo, mas se você não é de São Paulo não tem problema, você pode fazer o seu cadastro normal, que se chama BiblioSP, que é a Biblioteca Digital de São Paulo. E lá você consegue ler tipo muitos títulos, inclusive tem quadrinhos e outras coisas. E eles também têm clubes de leitura, tanto virtuais quanto alguns são presenciais, em que tipo você pode ler mulheres negras, você pode ler livros coreanos, você pode ler desafios do mês assim.

E eu acho que é bem interessante para a gente gerar um pouco mais de acessibilidade também. Dá para ler pelo computador, pelo celular, gratuito, e eu acho que vale muito a pena. Então se alguém quiser entrar e ler uns quadrinhos do Homem-Aranha também dá.

RARafael Arinelli

Olha que legal!

CTCarol Tomé

Vários outros tipos de livros também, tem livros de sociologia, tem livros de jornalismo, Tem tipo livros assim, tipo dos mais variados tipos, e eles estão com catálogo eu acho que de mais de 20 mil livros. Então bastante coisa. E também tem audiobook de forma mais acessível também, né? Tem descrição para quem quiser acessar. Eu acho que vale super a pena conferir.

MMMarcelo Miranda

Vou reforçar, Carol, porque você fez a ressalva de não ser de São Paulo. Eu uso esse aplicativo e moro no Paraná. Então, galera, não tem desculpa.

GMGabriel Mattos

Floripa, viu?

CTCarol Tomé

Desculpa, é porque ele tá tipo Dili ESP. Aí eu pensou, não, gente, você pode no Brasil todo.

MMMarcelo Miranda

Já usei em Minas, me mudei para cá, continuei usando. Muito legal.

RARafael Arinelli

Muito bom.

GMGabriel Mattos

E reforçando também essas dicas de leitura gratuita de quadrinhos, o próprio Mac Livros do governo também tem bastante quadrinho da Marvel. Nossa, muito, muito coisa interessante para vocês lerem, e é gratuito, sabe? É só você entrar com a sua conta do próprio governo que dá para ler um montão um monte de coisa.

RARafael Arinelli

Ah, que legal, gente! Pô, adorei, adorei essas dicas.

MMMarcelo Miranda

Eu ia indicar o Mac Libro só porque a Carol indicou o Biblião, mas aí o Gabriel mandou bem. Então ótimo, porque tem muito quadrinho muito legal mesmo. Inclusive, bom, eu falo daqui a pouco.

RARafael Arinelli

Não, mas é isso. Eu queria que você já falasse aqui os seus planos detalhes, por favor, Marcelo. O que que você trouxe para gente aí de plano detalhe?

MMMarcelo Miranda

Na verdade, eu não vou fugir da pauta do programa. Então vou indicar um quadrinho do Homem-Aranha.

CTCarol Tomé

Legal.

MMMarcelo Miranda

É, no caso, eu vou considerar, acho que a Carol e o Rafael aí claramente são, sabem muito bem do que estão falando, então eles vão conhecer. Mas, né, o público ouvinte, maior acesso aí ao cinemação, é uma galera mais de cinema. Então acredito que nem todo mundo tenha lido isso, mas que é um contraponto absoluto ao Homem-Aranha no cinema até hoje, que é uma história do personagem dos anos 90 chamada A Última Caçada de Kraven, que é acho que de 1991, escrita pelo J.M. de Matheys, e foi publicado ali como dentro dos títulos regulares mensais do personagem.

Mas é uma história tão poderosa que ganhou um mito tão grande e ela acabou sendo encadernada, e até hoje é publicada e republicada mil vezes em vários formatos, em vários estilos. Você encontra isso em edição de luxo, capa dura, edição de bolso, etc., etc., etc. É uma história muito sombria, muito pesada, densa, psicologicamente complexa. É um quadrinho literário mesmo, assim, uma das melhores coisas já escritas em termos de mídia comercial quadrinística americana, comics, como a gente poderia falar.

E é basicamente o Peter numa crise, existencial terrível por conta de várias coisas que acontecem com ele. E ele é caçado pelo Kraven, né, que é esse personagem que ganhou o filme aí, que citado pelo Gabriel. Mas o Kraven, muito trágico, é tentando se vingar. Ele tem uma certa fobia por aranhas, então ele tá caçando o Homem-Aranha. E ele literalmente dá um tiro de espingarda no Homem-Aranha, enterra ele. E aí vem uma história absolutamente— é uma história de horror, na verdade, e de medo e tudo mais, que não tem nada a ver com nada que a gente já o Brasil dele no cinema e é muito cultuado.

Então recomendo, foi republicado recente no formato um pouco econômico, dá para encontrar em livraria virtual e física. A Última Caçada de Kraven, recomendo fortemente que todo mundo que esteja ouvindo tiver oportunidade leia, porque é uma leitura de mudar paradigmas de quem, até de quem não lê quadrinhos. Então fica a dica aí.

CTCarol Tomé

Muito bom, Absolute Quadrinhos, né? Capa dura.

MMMarcelo Miranda

Ai, é muito bom! Olha, o Carol, eu acho que eu tenho 4 versões dessa história, inclusive a primeira vez que ela saiu no Brasil, que ela abriu em 4 edições, 3 edições papel jornal e tal, que eu demorei anos para conseguir porque nas cidades do interior que eu morava não chegava. Aí eu consegui num sebo quando eu tava na faculdade e guardo assim o meu tesouro escondido.

RARafael Arinelli

Caraca, muito bom! Muito bom, tá aí então dica do Marcelo. Lembrando aí vocês, né, ouvintes, que tudo que a gente tá falando aqui vai estar listado na descrição desse episódio, né, no post desse episódio no site. Você pode ir lá clicar e você vai ser direcionado para tudo que a gente tá falando aqui. E você, Gabi, que que você trouxe de bom aí para gente de Plano Detalhe?

GMGabriel Mattos

Ah, eu trouxe duas coisinhas também para vocês. A primeira é um quadrinho que tá lançando agora pela Panini, se não é uma história nova do Homem-Aranha, que é a coleção TE de Heróis. O quadrinho novo que eles lançaram foi Homem-Aranha e Quarteto Fantástico, que é uma história do Homem-Aranha ali junto com quarteto, que o Doutor Destino está brincando um pouco com os eventos que estão acontecendo. Então acho uma leitura legal para quem gostou desse filme novo do Homem-Aranha e tá já ansioso para o próximo filme da Marvel, que é o Doutor Destino.

Faz uma ponte interessante. Mas a minha recomendação maior mesmo é de um livro fugindo um pouco do tema, mas não tanto, chamado Vilão Iniciante, do John Scalzi, que acho que é um dos meus livros favoritos da vida. E é a história de um professor substituto sem emprego, desempregado, que ele acaba herdando do nada toda a profissão de supervilão secreto do tio dele. Ele tem que lidar com esse mundo ali de intrigas e tudo mais. É um livro muito engraçado, muito divertido.

É um supervilão mais no sentido de 007, sabe, de espionagem. Ele tem que— ele era uma pessoa normal e do nada agora ele tem que coordenar todo um esquema de trapaças e crimes internacional. Ele tem a própria ilha secreta que ele tem que ir para lá, os capangas dele, os animais feitos em laboratório com inteligência e não sei o quê. É uma história muito absurda e quanto mais absurda ela vai ficando, mais divertido.

RARafael Arinelli

Muito bom, tá aí então. Então, ó, livro que o Gabi trouxe para gente. E para fechar aqui o Plano Detalhe, bom, eu trouxe algo que não tem nada a ver, né, totalmente fora do tema, mas enfim, é um podcast, um audiolivro na verdade, que eu tô, que eu tô ouvindo e tô gostando muito e gostaria já de deixar recomendado para vocês, que é o audiolivro A Fé e o Fuzil. Pois é, um audiolivro brasileiro aí, é de um livro indispensável para quem quer entender melhor, né, o Brasil de hoje.

Ele foi escrito pelo Bruno Paes Manso, né, que é jornalista, pesquisador e tal, e vem há anos investigando justamente as engrenagens ali, né, da violência urbana e tudo mais. E o livro, ele analisa justamente o cruzamento entre religião, crime organizado, periferias e política num país assim. E a obra parte de histórias assim que são de uma pesquisa ampla para mostrar como que muitos territórios ali marcados, né, pelo abandono do Estado, tanto as igrejas quanto as facções acabam ocupando esse espaço de poder, influência e de pertencimento também.

O que torna esse audiolivro bom assim, que é o que tá me encantando, é que eu acho que primeiro ele é muito forte, né? E é justamente a forma como ele foge de explicações fáceis assim, sabe? Em vez de repetir estereótipos e tudo mais, o Bruno Paes Manso, ele propõe um olhar mais complexo justamente sobre a ascensão do neopetecostalismo.

MMMarcelo Miranda

Nossa, eu consigo falar a palavra do diabo, né? Olha só.

RARafael Arinelli

É tipo isso, né? Ele vai falar também sobre a lógica do crime, né, as formas de organização social nas periferias brasileiras e tal. O resultado é um retrato super provocador assim, sensível, né, e muito atual do país. É um audiolivro assim especialmente bom de se ouvir, muito bem produzido, sabe? E ajuda também a discriminais, esses temas que seguem no centro do debate público, né? Fé, segurança, moralidade, violência, desigualdade, tá tudo lá.

Ou seja, não é só uma leitura sobre crime e religião assim, mas ele vai falar sobre um Brasil contemporâneo e essas disputas profundas, né? Então, para quem gosta dessas obras que combinam jornalismo, análise social, né, impacto político e tudo mais. A Fé e o Fuzil é realmente uma escuta muito boa assim. Então vão aí, procurem, vai ter link aqui da Audible, por exemplo, que dá para ouvir lá, e é muito, muito bom realmente. E é isso, gente, então chegando aqui ao final desse podcast, podcast Cinemação 657.

Batemos esse papo sensacional aqui sobre Homem-Aranha: Um Novo Dia, filme que que ainda está no cinema e que encantou a gente, né, deixou a gente super empolgado aí. E eu queria agradecer meus convidados por estarem aqui, por ajudarem a analisar o filme, a gente conseguir entender um pouco mais, né, das camadas desse filme. E eu tenho que agradecer, Carol, muito obrigado pela sua presença aqui com a gente mais uma vez. E por favor, deixa aí meios de contato, como que as pessoas fazem para encontrar encontrar você, ler você também, Carol? Como é que faz?

CTCarol Tomé

Bom, primeiro, obrigada por me convidar de novo. Eu amei, entendeu? Eu adoro gravar podcast, especialmente Cinemanzão, para falar de um filme que eu gostei tanto, de um herói que eu gosto tanto. Muito obrigada, Gabi e Marcelo, pelas contribuições de vocês, pelas trocas. Eu acho que foi um papo muito gostoso. Eu espero que todo mundo tenha gostado de assistir. Bom, vocês me encontram no @aconynews, onde eu falo um pouco sobre, né, cultura pop e também meu trabalho como assessora de imprensa.

E para ler o que eu tenho escrito agora, vocês vão no Gueto Geek, mas eu acho que dele o Gabe pode falar melhor.

RARafael Arinelli

Então é isso, é isso aí. Obrigado, Carol. Obrigado também, Gabe. Muito obrigado por você tá aqui com a gente, por a gente trocar essa ideia. Espero que você volte aqui mais vezes para a gente conversar sobre outras obras, séries e tal. Tem muita coisa para a gente trocar. E deixa aí o convite mesmo aí do Ghetto Geek. Como que as pessoas acessam, te encontram também para trocar uma ideia contigo?

GMGabriel Mattos

Muito obrigado, Rafa. O prazer é todo meu de estar aqui. Voltarei com certeza para falar de mais filmes de herói, de negritude, muita coisa assim, que é muito do que a gente fala também lá no Ghetto Geek. Então, se você se interessa por filme como Pecadores ou qualquer filme que a Marvel lança também, a gente vai estar falando sobre isso. Por lá. A gente tem o site Ghetto Geek, tem bastante coisa da Carol lá também para vocês lerem, e estamos também presentes no Instagram e no TikTok como @ghetto_geek. Então brota lá para a gente trocar uma ideia.

RARafael Arinelli

Muito bom, tá aí. E agradecer também nosso querido Marcelo Miranda, que já esteve aqui para falar de Kubrick, esteve de falar sobre cinema brasileiro, esteve, Marcelo. É o cara que estava aqui para falar de cinema e de repente, para minha surpresa e alegria do público do Cinemação, descobrimos um aranha maníaco.

MMMarcelo Miranda

Olha, primeiro eu quero te agradecer por não ter citado os programas que eu não estive, porque houve alguns que eu acabei não podendo estar presente por motivos vários, e você sempre foi muito cuidadoso Jota, muito obrigado. E também agradeço muito ter aceitado o meu convite de eu mesmo participar do programa. Fiquei muito contente de poder trocar uma ideia aí com a Carol e com o Gabriel. O Gabriel, eu conheço especialmente o trabalho do Gabriel.

Da Carol, eu já tinha visto o canal e tudo mais, vou acompanhar com mais atenção, cara. E gosto muito de cinemação também, é um dos meus podcasts favoritos aí. E, cara, falar de Homem-Aranha para mim é parte da minha vida. É claro, não passo a minha vida fazendo isso, mas fazer isso é uma coisa que eu sempre fiz com muito prazer, com amigos de escola, com amigos de faculdade, com aí comigo mesmo. Porque houve uma época aí, tem um gap aí em que as pessoas se desinteressaram.

E aí quem lia quadrinho lia, quem não lia não tava nem aí. Então eu vivi meio solitário nesse interesse. E sempre, bom, tenho tudo. É minha relação com ele, ele é muito ligado aos quadrinhos. Eu não sou o filho do Homem-Aranha no cinema. Na verdade, eu sou claramente um filhote dele de quadrinho, mas naturalmente vejo todos os desenhos, vejo todos os animais infantis também. Aquela, eu tenho filho de 8 anos, mas quando ele tava com 2 eu já botei ele para ver aquele Marvel Super Heroes, e é ele cabeçudinho, sabe, de 8, tem uns episódios de 4 minutos, tá ligado, Gabriel?

GMGabriel Mattos

Era o garoto que tava assistindo, não era ele que tava ali ligando televisão todo dia sentando atrás do garfinho dele para assistir. Marcelão, antes da gente ir embora também, eu queria saber qual o problema de Miranha que você comentou lá no começo.

RARafael Arinelli

Deixou no ar. Boa, gente!

MMMarcelo Miranda

É uma implicância absolutamente pessoal. Eu acho que é uma redução muito pobre do personagem, do nome. Eu acho irritante, eu acho uma palavra irritante, e parece que a pessoa tá com preguiça de falar. Tipo quem fala em vez de falar táxi, tem a mesma quantidade de fonema e a pessoa fala TX, sabe? Assim, é tipo, eu não gosto, eu não consigo nem falar, eu não consigo pronunciar essa palavra. Então assim, respeito todo mundo, não tem problema nenhum com isso, mas não contem comigo.

Essa palavra para mim tem que ser abolida. Inclusive eu pus no Twitter isso dizendo, gente, por favor, vamos colaborar, não falem mais essa palavra porque isso não agrega, não ajuda, isso é uma invenção de marketing. É apenas isso mesmo.

GMGabriel Mattos

Eu amo muito Miran. Eu acho até a forma carinhosa da gente, tá?

MMMarcelo Miranda

Fico muito feliz, Gabriel, fico muito feliz.

RARafael Arinelli

Marcelão, fala para a gente meios de contato aí para te encontrar também, ler seus textos.

MMMarcelo Miranda

Gente, eu colaboro em vários veículos assim, mas é sazonal porque eu sou freelancer. Então, Folha de São Paulo, Carta Capital, Quatro Cinco Um, mas eu não tenho como dizer para vocês vocês para procurarem, porque pode ser que tenha, pode ser que não tenha. Então eu costumo divulgar o meu Letterboxd, porque quando tem texto meu em algum lugar eu coloco lá, ou faço textos inéditos para publicar lá no meu, no meu diário de filmes, né?

Então às vezes eu escrevo para lá apenas, ou então eu linko, coloco. Então quem quiser me procurar, acompanhar, é o Letterboxd, é Marcelo Miranda, vou aparecer lá. E o Twitter, né? Uso o Twitter para falar coisas em informações, mas também umas provocações. Não, não sou polemista, não é isso, mas enfim, eu uso lá também como um espaço que eu gosto do Twitter, como um espaço de troca. Então quem quiser seguir, Marcelo Miranda 1, também tô disponível lá. E aí a gente vai conversando.

RARafael Arinelli

Muito bom, tá aí então. Mais uma vez, muito obrigado, pessoal, pela participação de vocês. Foi incrível, fico muito feliz da gente conseguir bater um papo sobre um filme tão bom. E é isso, o podcast Cinemação 657 fica por aqui e a gente se vê no próximo. Esse podcast foi editado pela Isso Aí Design. Tudo isso é forma com função, é design estratégico, é isso aí.

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