Episódios de Cinem(ação)

#643: O Cinema que Nos Faz Mudar de Opinião

01 de maio de 20261h49min
0:00 / 1:49:30
Seu cérebro sabe que Parasita é ficção. Mas por que ele cria novas sinapses e conexões neurais como se você tivesse vivido aquela experiência? A Universidade de Nova York tem a resposta, e ela envolve o córtex pré-frontal medial "acendendo" enquanto você assiste filmes humanizados sobre imigrantes.
Roger Ebert chamava o cinema de "fábrica de empatia". Mas até onde vai esse poder? Bicho de Sete Cabeças mudou leis antimanicomiais. Pixote ajudou a criar o ECA. Ainda Estou Aqui está mobilizando o STF. Mas e Tropa de Elite? Por que o público se identificou com o Capitão Nascimento em vez das vítimas? Onde está a linha entre intenção do autor e interpretação do espectador?
Rafael Arinelli, Anna Livia, Domenica Mendes e Rodrigo Basso debatem a "teoria da sopa de feijão" (sim, isso existe e explica por que ninguém mais sabe interpretar texto na internet), a atração psicológica por vilões como Coringa e Thanos, e por que saímos de Manic Pixie Dream Girl nos anos 2000 para a estética Sad Girl de hoje.
Cinema registra história, catalisa leis e devolve esperança. Mas você está consumindo de forma consciente?
• 06m13: Pauta Principal
• 1h19m43:
Plano Detalhe
• 1h38m36:
Encerramento

Ouça nosso Podcast também no:

• Spotify: https://cinemacao.short.gy/spotify
• Apple Podcast: https://cinemacao.short.gy/apple
• Android: https://cinemacao.short.gy/android
• Deezer: https://cinemacao.short.gy/deezer
• Amazon Music: https://cinemacao.short.gy/amazon


Agradecimentos aos padrinhos: 
• André Marinho Moreira
• Bruna Mercer
• Charles Calisto Souza
• Daniel Barbosa da Silva Feijó
• Diego Alves Lima
• Eloi Xavier
• Guilherme S. Arinelli
• Thiago Custodio Coquelet
• Wilmar Arinelli Jr
• William Saito


Fale Conosco:
• Email: contato@cinemacao.com
• X: https://cinemacao.short.gy/x-cinemacao
• BlueSky: https://cinemacao.short.gy/bsky-cinemacao
• Facebook: https://cinemacao.short.gy/face-cinemacao
• Instagram: https://cinemacao.short.gy/insta-cinemacao
• Tiktok: https://cinemacao.short.gy/tiktok-cinemacao
• Youtube: https://cinemacao.short.gy/yt-cinemacao


Apoie o Cinem(ação)!
Apoie o Cinem(ação) e faça parte de um seleto clube de ouvintes privilegiados, desfrutando de inúmeros benefícios! Com uma assinatura a partir de R$30,00, você terá acesso a conteúdo exclusivo e muito mais! Não perca mais tempo, torne-se um apoiador especial do nosso canal! Junte-se a nós para uma experiência cinematográfica única!


Plano Detalhe:
• (Basso): Série: Slow Horses
• (Basso): Série: Pluribus
• (Anna): Filme: Terra Estrangeira
• (Anna): Livro: Escudo de pardais
• (Domenica): Podcast: A Última Bolacha
• (Rafa): Texto: O Mundo Fala, Mas Ninguém Ouve
• (Rafa): Podcast: Nerdcast: Artemis II


Edição: ISSOaí
Assuntos7
  • Mudança de perspectivaO poder do cinema em gerar empatia e novas conexões neurais · Filmes que provocam confronto interno e deixam perguntas melhores · A diferença entre mudar de opinião e transformar a vida · A teoria da sopa de feijão e a interpretação de texto na internet · A atração psicológica por vilões e a estética Sad Girl · O papel do artista e a responsabilidade sobre as reverberações do conteúdo · A Teoria da Dissonância Cognitiva e a ambiguidade moral em filmes · O cinema como registro histórico e cultural e seu papel social · A evolução da representação do futuro no cinema: de utopia a distopia · A relação entre o clima social e a produção cinematográfica · O poder da imagem e do impacto imagético em documentários · A importância de consumir arte de forma consciente e madura
  • Tropa de EliteIdentificação do público com o Capitão Nascimento · Discussão sobre violência policial e a execução narrativa do filme · A mensagem sobre violência estrutural versus foco no protagonista
  • Bicho de Sete CabeçasO filme mudou leis antimanicomiais no Brasil · Transformação da visão sobre saúde mental e manicômios
  • ParasitaO impacto do filme na criação de novas conexões neurais · O filme como dispositivo de deslocamento e provocação interna
  • PixO filme ajudou a criar o Estatuto da Criança e do Adolescente
  • Espetáculo Ainda Existe Lá ForaO filme mobilizou o STF para rever leis
  • CoringaA atração psicológica por vilões como Coringa · O filme induz à dissonância cognitiva e questiona a moralidade · A espiral de raiva e a culpa da sociedade na formação do personagem
Transcrição283 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, eu sou Isabel Wittmann e hoje eu tenho um convite pra você. Quando você terminar de ouvir o seu episódio do Cinemação, que tal conhecer o Feito por Elas?

O Feito por Elas é um projeto focado em discutir e divulgar o trabalho de mulheres no cinema. Nós temos uma equipe super variada de críticas cobrindo festivais, escrevendo sobre lançamentos, sobre filmes antigos, brasileiros, estrangeiros. A gente tem entrevistas e, claro, podcasts, para você que já curte a mídia. Aproveita que em 2026 a gente está completando 10 anos, então tem um arquivo enorme para explorar e sempre novidades no feitoporelas.com.br.

Seja bem-vindo ao Podcast Cinemação 643. Eu sou Rafael Arinelli e hoje temos aqui comigo Domenica Mendes. Olá, senhor Rafael Arinelli. Como já está? O senhor está bem? Estou muito bem. E você, Edu?

Eu estou ótima. Rafa, você vai mudar bastante de opinião no episódio de hoje? Certamente. Eu sempre acabo a gravação, eu tô já com outra opinião. Olha aí. E uns arrependimentos, né? Eu entendo. E uns arrependimentos, exatamente, exatamente. Queria já deixar registrado que Domênica é parte importante aqui do meu dia a dia, que ela faz o meu dia ser mais alegre, porque ela me manda muitos vídeos de cachorrinhos. E é demais, sério, eu adoro. Por favor, continue.

continuarei, continuarei, continuarei nossa, eu me divirto aí eu pego e mando pra minha mãe mando pra minha irmã, é uma maravilha imagina se a gente conseguisse com que as pessoas que ouvem os nossos programas fizessem isso pela gente, rapaz nossa, pois é pois é, nossa, é muito bom mesmo muito bem, temos aqui também Ana Lívia Oi

Oiê, tudo bem, gente? Eu só queria falar que eu não mudo de opinião, porque a minha opinião tá sempre correta, tá? Desde sempre. A única vez que você esteve errada foi quando você achou que estava errada, né, Ana? Exato, gente, se eu mudo de opinião, na verdade não sou eu que mudei de opinião, entendeu? É a verdade que mudou pra caber dentro da minha opinião.

Pois é, exatamente. Vocês acham que a Ana vê filme? Não, o filme vê a Ana. Exato, na Rússia Soviética de Ana Lívia Marques. Muito bom. E temos aqui também Rodrigo Basso. E aí, gente, tudo bem? Assim, só queria dar uma opinião aqui que eu queria saber o porquê que o Rafa só chama a gente para termos calafobético.

Defina escalafobético. Temas que normalmente são assim... O que será que vai acontecer em 2042 quando lançarem o cinema 7D, sabe? O que que... É só umas coisas assim. Nunca vai chamar assim... Mano, vamos falar sobre o filme da sua vida. Nunca é sobre isso. Nunca é sobre uma obra. É sempre um sistema aleatório, né?

Olha lá, eu vou expor. Já que a gente tá nesse momento de expor o Rafael Arinelli ele passou o tema pra mim… Rafael, o que você vai querer exatamente pra eu não passar tanta vergonha? Ah, ele passou o tema pra você porque ele não passou o tema pra mim. Ele só falou, você está disponível às oito e meia? Eu falei, sim, entendeu? É isso, é isso. Ele me falou o título, e aí eu imediatamente entrei no Letterboxd pra pesquisar listas.

Porque eu esqueci… Gente, eu acho que eu nunca assisti um filme da minha vida, tá? Ele me falou o tema, e todas as coisas que eu já assisti fugiram da minha cabeça.

Então quer dizer que ele mandou mais ou menos a gente está fazendo esse tema de investigação. Ele mandou um pedaço do que era o episódio para cada um. Mandou o título para a Lívia, o tema para a Domênica, o horário para mim. Porque chega aqui, a gente reúne tudo. Faz essa mistura gostosa que funciona, está vendo? Entendi, entendi.

Muito bem, meus amigos. Olha só, nós estamos aqui reunidos para falar de um tipo de filme que não termina quando sobem os créditos. Ele continua reverberando, silencioso, às vezes incômodo, às vezes até desconfortável na gente. Não é necessariamente o mais bonito nem o mais tecnicamente impecável, mas é aquele que planta dúvida, que mexe com a gente e dúvida, quando bem cultivada, ela vira transformação.

Hoje a gente vai falar sobre o cinema que nos faz mudar de opinião. Aquele que não te diz apenas, pensa assim, faz daquele outro jeito e tal. Não, mas ele te faz sentir como é pensar daquela forma, ou como é você estar num outro ângulo diferente em determinadas situações. Porque olha só, quando você assiste, por exemplo, Doze Homens e Uma Sentença,

Você entra naquela sala de deliberação ali, sem grandes expectativas, e parece que já tá tudo meio decidido, uma maioria inclinada, condenação e tudo mais, mas aí um único personagem começa a questionar, não com certezas absolutas ali, mas com dúvidas, e essas dúvidas te contagiam, e você começa a pensar em outras coisas, que não só aquilo que o filme está propondo.

A gente vai falar sobre empatia, vai falar sobre filmes, né? Como, por exemplo, filmes que tocaram o coração das pessoas, como Central do Brasil, Parasita, por exemplo, que é um filme que provoca também pensamentos, funcionam justamente como dispositivos de deslocamento, assim. Então vamos falar sobre filmes que provocam, né? Eles provocam esse confronto interno.

e vamos entender por que o cinema que realmente transforma não dá respostas prontas, ele te deixa com perguntas melhores. É isso, vamos bater esse papo agora no segundo ato desse podcast.

Quando a gente começa pelo óbvio, que não é tão óbvio, que é exatamente o que faz um filme mudar a opinião de alguém, porque não é apenas informação que está ali. Se fosse, bastava a gente ler um artigo, assistir uma palestra e tal, e a gente mudaria. Mas o cinema opera em outra camada. Ele mistura emoção, imagem, som, ritmo.

identificação e tal, e ele não te diz só pensa assim, ele te faz sentir como é pensar daquela maneira. E tem uma frase que foi uma das coisas que me impulsionou a gravar esse podcast, que eu vi recentemente, inclusive publiquei lá no Cinemação, no Instagram do Cinemação.

que o Robert Ebert, que é um crítico famoso de cinema, ele define o cinema como uma fábrica de empatia. Eu achei isso tão certeiro, porque ele fala que quando você produz um filme e coloca ele no ar, você convida o espectador a olhar para as coisas de um outro ponto de vista, porque a gente nasce embalado.

Dentro de um estereótipo, dentro de uma cultura e tal, e é aquilo. Se você está aberto a assistir um filme e de repente sair um pouco desse quadrado que foi imposto para você, você consegue...

ver culturas diferentes, entender sentimentos diferentes, opiniões, pessoas que são colocadas em situações que às vezes são inimagináveis na nossa vida ordinária. Então essa coisa de colocar o espectador na posição do protagonista, do personagem, torna essa fábrica de empatia funcional. E eu queria saber de vocês, vocês concordam com esse tipo de coisa?

Ou vocês acham que o cinema funciona muito mais como entretenimento? Quem muda de opinião já está meio predisposto ali a mudar de opinião. Como é que vocês veem isso? Cara, eu acho que quem não muda de opinião deveria começar a responder essa pergunta. Ô, Ana!

O que você acha? Gente, é... Não, agora de verdade, de maneira genuína, eu raramente mudo de opinião, porque os filmes que me tocam, eu acho que eu não chego com opinião formada. Então, assim, não tenho como mudar uma opinião, entendeu? Eu chego com a cabeça muito aberta, e aí o filme me transforma. E aí eu tava tendo até esse debate com as minhas amigas, tipo, enquanto eu perguntava... Cite todos os filmes que você já viu! É...

A gente estava se perguntando justamente, tipo, qual é a diferença entre mudar de opinião e transformar a sua vida, o seu ponto de vista, te transformar como pessoa, porque eu acho que muitos filmes fizeram isso pra mim. Inclusive, eu acho que é o que diferencia o ser humano de outros animais, assim. Outros animais produzem arte, outros animais vivem em comunidade, outros animais têm ferramentas. O que diferencia o humano de outros animais é o fato de que a gente conta a história.

É o fato de que a gente cria narrativas E todo o nosso Senso de empatia Tá atrelado a isso A esse passar de histórias E uma certa suspensão da descrença Também, onde tipo Você sabe que aquilo é uma história, mas você sente aquilo Como se fosse real e pessoal e seu E que você viveu Mas mudar de opinião, eu sinto que

Eu precisaria ter chegado num lugar com uma opinião formada. Eu tava pensando muito, por exemplo, em Bicho de Sete Cabeças, que é um filme que transformou, tipo, mudou total a minha visão, assim, de maneiras como a gente lida com saúde mental, a história da saúde mental no Brasil, os manicômios, hospitais, médicos, etc. Mas eu não cheguei no filme pensando assim, nossa, manicômios são 10 de 10, ótimos.

Eu cheguei, tipo, pensando assim Ah, não sei nada sobre manicômios E saí pensando, putz É, eu tava tendo essa mesma discussão Ana, com a Do Hoje na hora do almoço E eu também chegava numa conclusão bem parecida com a sua Porque quando foi questão de mudar de opinião Eu também pensei, foi assim, poxa, eu cheguei, sei lá Cheguei no Tropa de Elite falando Putz, a polícia é bom pra caralho, adoro polícia Aí eu saí do Tropa de Elite e falei assim E aí

Nossa, que merda que a polícia era, né? Não foi, né? Porque pra mim, mudar de opinião, eu concordo com a Ana. Vem disso, né? Eu já tava com uma opinião formada, e aquilo ali alterou. Agora teve muitos filmes que sim. Eu acho que me despertaram com uma coisa que eu não estava pensando antes. E aí eu não sei se entraria na categoria de mudar de opinião, porque eu não tinha ela ainda, né? Eu não tinha parado pra pensar nisso, eu não tinha parado pra ver isso daí, né?

Então, é que talvez você não tivesse uma opinião, mas era uma opiniãozinha, assim.

Eu acho muito bom o exemplo da Ana Lívia porque eu nunca tinha parado pra pensar sobre a questão antimanicomial no Brasil até o Bicho Sete Cabeças. Eu pensei, é óbvio que você tem que ser antimanicômio a partir de agora, sabe? Com filme assim, eu nunca tinha parado pra pensar muito sobre isso, sabe? Não sei.

O que você falou da questão também do cinema, né? Que ele falou que é uma máquina de empatia. Eu acho que de forma geral, na verdade, eu sei que o cara tá puxando isso pro lado da sardinha dele, porque ele é crítico de cinema. Mas a arte em si é isso, né? A arte é você poder experimentar o mundo pela visão de outra pessoa.

Não, e somos aqui três podcasters de literatura. Então a gente tem que deixar um certo tempo nosso também. Ah, lógico, já gosta de estar aqui. Inclusive, eu falei pra Dô que, na verdade, eu, teve livros que de verdade me mudaram a minha opinião sobre coisas, mas filmes não. Eu acho que tem uma coisa, assim, que eu ouço na fala de vocês dois, é que...

passa também por esse processo de conscientização, de brincadeiras à parte, desse negócio que a Lafa tá falando assim, é uma opinião pequenininha. Não, às vezes a gente, realmente, né? Você tá entrando em contato com aquele tema, sendo abordado daquela forma, ou mesmo com aquele tema pela primeira vez, e se é a primeira vez, você, teoricamente, não conhece aquilo, né? É desconhecido.

Contudo, porém, Todavia, entretanto, mas nós somos seres agentes na sociedade. Então, sim, né? A gente bate o olho numa situação e a gente já tem algum tipo ali de formação que vai se criando. Então, o que o bicho de sete cabeças, por exemplo, fez...

entendo aqui que pra nós quatro, né, eu ouso dizer, é colocar a gente num papel de atenção pra essa questão da saúde mental, de como muitas vezes pode ser feito tratamentos agressivos, né, que aí não são tratamentos, mas são vendidos como tratamentos, como existe um preconceito pra sociedade, que eram coisas que até então passavam despercebidas pela gente, né, então eu acho que tem sim esse papel de, que aí eu entendo.

A fala do Rafa, né, que ele trouxe desse crítico, do empatizar com o que o outro tá contando. É a mesma coisa que aconteceu também com o Tropa de Elite. Não necessariamente existia uma grande admiração pela corporação ou atos policiais. E é importante a gente deixar claro aqui, pra quem tá ouvindo esse programa, né, a partir do lançamento em 2026, que uma coisa a gente falar do Tropa de Elite agora.

Outra coisa foi quando o Tropa de Elite foi lançado, que a gente não tinha essas grandes discussões sobre violência policial e de como as corporações estavam agindo. Enfim, sempre existiu a violência policial, mas era tudo muito escondido dentro de um racismo estrutural. Era muito voltado para um público que ninguém aqui faz parte, que é um pessoal que mora na favela, que é uma pessoa não branca. Então assim, são situações que a gente se coloca, mesmo não fazendo parte desses grupos,

Porque você olha e fala, pera, cara, tem alguma coisa muito errada. E essa coisa errada, nesses casos específicos, é algo estrutural que sim, quando a gente percebe isso, permite que a gente possa tomar algum tipo de atitude. Então eu não ouço isso como exatamente um mudar de opinião, mas talvez um convite pra gente também olhar e falar assim, putz.

Cara, eu nunca pensei sobre isso. E assim, você nunca pensou sobre isso porque você não conhecia esse tema, nunca houve contato com isso de verdade? Ou porque dentro, né, da sua criação, do seu desenvolvimento, aquilo não era importante pra você, não se destacava? Eu acho que, eu acho que às vezes tem temas que, assim, desculpa, a gente pode até ter uma opinião se alguém pergunta e aqui é uma roupa sobre alguma coisa, mas a gente não parou pra refletir sobre todos os temas.

É impossível, né? Inclusive é humanamente impossível. É, então, quando eu falo que, por exemplo, olha, eu não tinha opinião nenhuma, que assim, não que eu nunca tinha ouvido falar de, sei lá, por exemplo, tava dando um exemplo também que eu falei pra dor, quando a gente pega filmes que falam sobre ditadura, né? Por exemplo, teve um filme, nem a ditadura brasileira, teve um filme, acho que da ditadura, ai, agora não lembro qual país que era, era No Tempo das Borboletas.

Eu acho que era do Chile. Que ele chamava, acho que no tempo das borboletas, que eram de mulheres que estavam tentando resistir à época da ditadura. Cara, assim, o filme eu saí arrasado, sabe, dele. Porque, cara, era uma coisa, era você falar assim, não, poxa, realmente, ditadura é uma merda, né, tudo mais. A outra, você vê aquelas histórias e você se estabilizar de um jeito, você fala, mano, não, não dá, sabe? Não dá, assim, é... Acho que intensifica pra aquele lado, mas...

Nunca tinha parado pra pensar exatamente em alguns temas que eles tratam ali, de como que foi certas vivências naquela época pra pessoas que não são, que eram mulheres, então não é o mesmo gênero que eu. E aí eu acho que... Porque eu não tinha parado pra pensar. É, por isso que eu acho que...

Quando a gente para pra pensar nessa parte de mudança de opinião, não necessariamente é uma grande, sabe, nossa, mudei o jeito que eu vejo o mundo e tal. Não necessariamente assim, porque às vezes a gente tem uma opinião sobre alguma coisa que é uma opinião rasa, é uma opiniãozinha mesmo ali.

Porque a gente sabe, sabe por cima, porque leu a manchete de não sei o quê. E às vezes, muitas vezes, né? Principalmente hoje em dia, as pessoas têm muita dificuldade de dizer que não têm opinião sobre alguma coisa. Pô, né? Então...

As pessoas têm opinião sobre tudo. E tem uma coisa até pra exemplificar um pouco isso. Quando eu tava pesquisando aqui pro nosso papo, eu vi que teve um estudo que fizeram um experimento na Universidade de Nova York que eles pegaram umas pessoas e colocaram elas pra assistir alguns filmes sobre imigrantes. Horas depois, eles perceberam que essas pessoas que assistiram os filmes de imigrantes e eram filmes muito humanizados, contando histórias de dificuldade.

daquelas pessoas e tudo mais e tal. Horas depois disso, as pessoas que assistiram, elas demonstravam mais compaixão por refugiados reais ali. Então não era só um efeito placebo, sabe? Existia uma conexão ali. E daí, quando eles monitoraram, eles viram que tem uma parte do córtex pré-frontal medial do nosso cérebro que ele acende nesses momentos.

E que o cérebro, mesmo sabendo que é uma ficção, ele simula aquela experiência. Então quando o Basso fala assim, pô, assisti um filme e eu saí arrasado. É científico, é uma conexão neural que é feita ali. O seu cérebro criou novas sinapses para que você fizesse essa conexão. Então nesse caso que eu dei de exemplo, na Universidade de Nova York.

entre aquela coisa ali dos imigrantes, a pessoa foi assistir o filme só pensando, você tem opinião sobre imigrante? Ah, é, sei lá, eu vi que eles roubam o emprego, eu vi que eles estão fugindo de não sei o que e tal, eles partiram disso para uma coisa meio, não, eles são seres humanos mais complexos, com outras histórias, né?

Então eles ganharam novas camadas. Então essa mudança de opinião passa por isso também. E eu acho que é muito corajoso a gente chegar aqui num podcast e falar assim, talvez eu não mude de opinião porque eu não tinha opinião. E aí pode ser que as pessoas falem, o quê?

Você não tinha opinião sobre o BOP? Você não tinha opinião, sabe, assim, sobre manicômios? Cara, isso que você falou é muito interessante, porque eu acho que entra nesse assunto justamente do poder da empatia e aí a responsabilidade do artista numa questão política e social muito maior, assim.

Porque esse é um assunto que eu penso constantemente. Qual é a minha responsabilidade enquanto criadora? Eu tenho responsabilidade sobre as reverberações que o meu conteúdo vai causar ou não? E até que ponto, né? Porque a Do tava falando, por exemplo, do Tropa de Elite. E eu acho que a intenção do Tropa de Elite era essa, de mostrar...

a brutalidade do BOP e a maneira como a polícia desumaniza as pessoas das comunidades, etc. Mas a coisa mais louca da empatia é de você criar uma narrativa personalizada, de você trazer isso pra uma pessoa e você começar a se identificar com a pessoa da história. É que muita gente se identificou com o Capitão Nascimento e empatizou com a polícia.

Entendeu? Não com a pessoa que estava sofrendo a violência. Então, isso também entra nesse assunto de, tipo, beleza, a minha intenção foi X a consequência foi o extremo oposto. E qual é a minha posição enquanto artista, enquanto criador disso, assim, de, tipo eu coloquei agora uma bola de neve na sociedade e talvez gere coisas horrorosas, assim.

Esse exemplo do que a Ana trouxe é muito bom, porque o Tropa de Elite, ele é um exemplo muito bom, porque quando a gente entende o que está sendo feito no filme, você entende que ele está falando sobre a questão da violência estrutural. Só que ao colocar o foco narrativo...

Na personalidade, no protagonismo do Capitão Nascimento, existe sim essa conexão com aquele personagem, que inclusive é completamente natural, que é para isso que são escolhidos os protagonistas. Serão as pessoas com as quais o público vai bater o olho e falar assim, ok, esse cara, essa menina que eu tenho que seguir.

O problema é que a forma como ele foi executado não conseguiu atingir uma camada de crítica que está no filme, mas que fica muito. Você tem que olhar com bastante profundidade, que é de entender a violência que os próprios policiais do BOP ali estão expostos. Porque o filme, ele tem uma mensagem em si também.

E eles são perdoados dentro da história do filme. Então é natural que o público olhe e fale. Ai, coitado da polícia. No caso do Tropa de Alí. E ali, como existe uma dualidade muito grande. Entre o BOP e o restante dos civis. Da comunidade. Cara, se os policiais são pobres, coitados. Que a gente tem que defender logo. Todos os outros são errados. Então, a execução foi...

Eu entendi a ideia, a possível ideia, mas a questão foi ruim. Eu falo porque eles não inverteram. Eles fizeram voltar depois no 2, né? Pra falar, gente, a gente tá, na verdade, criticando. Entendeu? Então, assim, eu não quero fazer esse podcast um podcast sobre o Bop, né?

Por favor, não. Mas eu acho que ele é um exemplo... E sobre a tropa de elite. Mas eu acho também que faltou um pouquinho da questão do próprio público, né. Você tem várias outras obras que você coloca o personagem principal como vilão. E cabe também o público ter um pouquinho de discernimento pra perceber que não é porque o cara é o protagonista que ele tá certo.

Mas aí você tem J.K. Rowling Falando que o livro dela é Loli O favorito dela é Lolita Tem gente doida que interpreta as coisas De uma maneira doida E aí a minha questão é Qual é a sua responsabilidade enquanto autor De pensar, putz, tem gente doida nesse mundo Então, mas aí a gente lembra Que a obra é formada por

tripé, né? Por um trinômio ali, né? Autor, obra e público. O público tá... Você não tem nenhuma obra de arte se você não tiver um autor, uma obra e um público. Alguém precisa produzir arte, a arte precisa existir. Alguém precisa observar aquela arte, senão ela não existe, né? Tipo, o Otário Cândido já falava isso lá em literatura e sociedade. Então, você, como leitor literatura, só fecha o seu ciclo quando ela é lida. Então, o público faz parte da interpretação daquela obra e, assim...

A obra não precisa ser obrigatoriamente, não tem função nenhuma social de ser algo que vai educar, que vai determinar a moral, alguma coisa desse tipo. Eu sempre concordei muito com isso. Eu sempre achei que a obra tem que ser, e a interpretação é aberta, e não cabe ao autor ditar a interpretação. Eu acho que isso é... Já passamos desse tempo há muito tempo.

Mas eu também acho que… E aí, essa é uma dificuldade pessoal minha, assim. A gente tá num momento onde a gente sabe que a capacidade de interpretação de texto é confusa, né. A gente tá na era lá da… Vocês já ouviram falar disso da sopa de feijão? Não.

É uma teoria de que a internet entrou na fase de inglês, chama bean soupification, né? Que é a sopa de feijão. Que é uma pessoa, foi no TikTok e postou uma receita de sopa de feijão. E aí uma pessoa foi embaixo e comentou assim, ah, mas e se eu não gostar de feijão?

Que é essa ideia de que, tipo, tudo agora tem que ser feito pra você. E é a sua visão e a sua interpretação. E aí, a capacidade de interpretação de texto de, tipo, eu discordo, ou isso não é pra mim. Ou, putz, talvez seja melhor eu não comer esta sopa.

se perde um pouco, né? E aí entra numa coisa que eu acho muito, muito difícil de navegar, que é justamente entre você cria, você não subestimar a inteligência do seu público, que é uma coisa que eu acredito muito, cria a sua arte, o mais complexo, o tão complexo que você quer que ela seja, e as pessoas têm sim a capacidade de interpretação, ou você vai nivelar por baixo e criar uma coisa que não seja ambígua, para justamente você não ter esse medo de ser má.

interpretado. Aí você tá falando de tutelar, né? Vamos tutelar o público. Vamos falar pra ele o que ele tem que consumir, como a nossa responsabilidade de produzir algo, pra que não leve ele pra um outro lado. Aí você começa a entrar numa...

tutelamento ali, sabe, num negócio ali de fazer as pessoas olha, vamos ter que indicar pra eles o caminho, que aí eu falo assim, cara, aí acho que o negócio todo se perde, porque aí a arte vira ter uma função, então ela para de ser uma expressão da pessoa e ela vira ter uma função.

que é, vamos educar. Que é basicamente o caminho também que a gente tem visto muito, né? Que é isso que o Rafa falou, de tipo, arte versus entretenimento versus, eu acho que agora, entra no reino de conteúdo, que é um mar onde tipo, tudo é conteúdo, né? Absolutamente tudo. E aí, no final das contas, você acaba medindo as coisas pela régua justamente desse pessoal que você acha que não deve ser ouvido.

Eu sempre me lembro de uma... Olha só, né? Estamos de Antônio Cândido para Samurai X. Vamos lá. Mas teve um arco de histórias... Contemos multitudes. Tem um arco de histórias que tem um cara lá que fala que o forte deve ditar o que a minha cidade deve ser. Se a pessoa é forte o suficiente para impor a sua vontade, então a doutrina dela deve ser seguida por todo mundo.

e o Rorando Kenshin obviamente vai atrás do cara dá um pau no cara e tudo mais e na verdade muito da batalha está sendo uma disputa por um garoto que eles estão que está vendo os dois grandes espadachins lutando e o garoto estava e fica uma questão de qual que é a doutrina melhor e aí o Rorando Kenshin obviamente ganha do cara e fala que não que a gente não é o forte que deve determinar a força deve ser para proteger as pessoas e não para falar para elas como elas devem viver e aí o menino vira e fala assim nossa essa

do senhor Kenshin. Então, na verdade, o senhor tava o certo, porque o senhor era o mais forte, e aí o senhor pro seu mais forte, a sua doutrina superou. E então, a sua doutrina é correta. Aí ele falou, não! Você tá julgando a minha por isso, pelo argumento do cara que eu acabei de vencer. Eu tô falando que ele não tem razão sobre isso. Aí o moleque ainda olha e fala, nossa, isso tudo é muito complicado, né? Sabe?

E no final das contas é isso, né? Porque se a gente coloca aí, a gente fala, poxa, vamos, por conta dessas pessoas, a gente tem que fazer uma arte diferente pra evitar que essas pessoas, a doutrina dela se prolifere. E aí, por conta, sem perceber, a gente tá fazendo o tipo do pensamento deles prevalecer, porque a gente vai tutelar todo mundo, sabe?

Mas vocês sabem que vocês falando, eu lembrei aqui, né? Que tem uma teoria, né? Que se chama Teoria da Dissonância Cognitiva. Que foi feita lá por um psicólogo e tudo mais. E ela descreve um pouco do desconforto mental.

que a gente sente quando a gente mantém crenças, valores ou comportamentos que são contraditórios. E o cinema, ele meio que induz também a essa dissonância cognitiva, meio que de propósito, em alguns casos. Então ele te faz gostar, às vezes, de personagens que você deveria, entre aspas, odiar. Você deveria odiar.

E ele te faz questionar essa causa de deveria apoiar e te coloca nessa posição moral ambígua. Então eu acho que, por exemplo, eu tenho um exemplo que eu acho que é muito bom, que as pessoas vão lembrar, de Coringa, por exemplo. Que é o filme lá, que tem o Arthur Fletcher e tal. Quando a gente assiste o filme...

A gente tá olhando ali e tá vendo um cara fazer coisas terríveis, assim. Só que você entende a espiral que acontece ali. Você sente a raiva ser acumulada ali, né, e tal. E você sai pensando do filme, assim, tá? E se a sociedade realmente empurra as pessoas pra esse abismo, a ponto, né, da pessoa chegar nesse limite, assim? Assim, viu, gente? Empurra.

empurra, é empurra, isso é um fato a história é cheia de exemplos disso empurra, exatamente exatamente, porque assim essa coisa de isso que acontece o cinema te induz a fazer isso, te coloca numa posição que é uma posição complicada de você lidar, porque você vê aquilo ali e porque

E você não sabe exatamente como se mexer com aquilo, porque moralmente pode ser errado, só que como ele tem esse efeito empático, ele te conecta a um serial killer, ele te conecta a um...

Mas isso não é um saborzinho, não querendo dizer que… Claro que é. Claro que é. Eu acho que é, porque… Eu adoro, tipo, isso, assim. Eu adoro vilões que você dá um pouco de razão, sabe? Você tava falando, e eu lembrei de Pantera Negra. Que você fica, tipo, gente, esse vilão tem razão. É, o Monger tava todo mundo, né. Ou o maluquista, a galera achar que o Thanos tava certo, né, sabe? Ah, mas aí é só falta de pensamento mesmo. Embora o projeto seja bom, mas faltou pensar.

faltou pensar lógico é que o Thanos entra num ecofascismo que aí já é outra história mas em literatura também a gente pega um monte de gente comprando o barulho do Bentinho do Don Casmurro, sabe? só porque ele é o protagonista, está sendo dado por ele e acho que por conta disso ele não é o o FTP, sabe, da história ou o Brascubas mesmo, né? então

Eu acho que no fim a gente volta pro começo, tá o calcico da vida, que é quando a gente entende que o papel, não o papel da arte, porque na verdade a arte em si não tem papel nenhum, a não ser simplesmente existir. Porém, quando a gente tá nesse papel de pensar criticamente, ou até trocar um papo mais solto, como a gente tá fazendo aqui, existe uma questão de conexão. E aí, claro, vai passar por tudo isso que a gente vai...

se formando e como que a gente vai agindo. Por exemplo, o Basso não assistiu. Eu acredito que a Ana Lívia tenha assistido. Rafael, eu sei que assistiu. O Marte Supreme. Cara, assim, eu assisti o filme. Eu tive zero conexão com ele. Aliás, zero não. Eu tive menos 25 conexão com ele.

Eu estava no cinema, eu estava assistindo e falando ok, um bom enquadramento, uma lente boa, uma música agradável. Nossa, que atuação legal, entendi, entendi. Eu tive zero conexão, logo eu tive zero sentimentos para com aquela história, aqueles personagens. Saí de lá e tipo, falei, um bom filme, um bom filme. Tecnicamente, ok. Me causou alguma coisa? Que aí, pra mim, isso é importante, entendeu?

que ele me traga alguma coisa pode ser uma mudança de opinião pode ser um sentimento pode ser um entretenimento cara, não foi nada, foi, sei lá duas horas e meia da minha vida que eu poderia estar dormindo, lavando louça sabe

E às vezes até um reimaginar imagético, né. Porque eu tava pensando também… Enquanto vocês estavam falando, eu tava pensando muito no poder de documentários, né. Porque eu acho que documentários é uma área muito… Onde você entra nele presumindo que ali é uma verdade universal.

E aí você tem sempre que colocar essa coisa de tipo, não, isso é um ponto de vista, é uma visão. Aqui também tem uma construção de narrativa tal qual, numa coisa ficcional, ainda tem um viés e tal. Isso aqui não é tipo, meu Deus, todas as facetas da verdade. Mas aí, eu pensei em… Gente, o pensamento da pessoa que é não diagnosticada com TDAH, né. Mas que deve ter, porque meu pensamento foi então pra…

Não sei se vocês viram esse documentário Que é basicamente uma música Que fica o tempo todo falando E aí é duas horas de filme só mostrando imagens Imagens, imagens, imagens Meio que da formação do mundo, do planeta Da construção da sociedade, etc

E você sai dali, o impacto é tão forte, pura e simplesmente porque o impacto imagético é muito forte. E aqui, tipo, o poder da imagem por si só te transforma, sabe? Mas eles estão documentando o quê? Só por curiosidade.

Então, ele é um filme muito abstrato, assim. Eu acho que cada um… O objetivo do filme é, talvez, justamente esse. De que cada um saia com uma mensagem, assim. Mas as imagens, de um modo geral, são meio que, tipo… A formação da Terra mesmo. Sabe aquela cena… Não sei se você vai lembrar disso. Em Gilmore Girls, que o Kirk faz uma dança de como ele nasce. É, o Koenig Skatz que é aquilo, tá, gente? Tá.

É como surge a terra, como surgem os humanos, como se formam as cidades. Mas tudo de uma maneira bem abstrata, assim. Não tem texto, não tem narrativa. São só, tipo, uma colagem de imagens, assim. E aquilo, o poder da imagem por si só me impactou muito. E, assim, me mudou.

Talvez não de opinião, mas mudou a minha sensibilidade de olhar, talvez. Perfeito, perfeito. Mas assim, aí a gente também entender que a experiência desse filme, né? Que você assistiu, que você tá relatando pra gente. Possa ser realmente proporcionar essa experiência mais imagética. Só que assim, aquelas imagens, elas não são criadas por você ao ouvir o som. Elas foram criadas…

por pessoas que escolheram que outras pessoas escolheram colocar então assim, aí vem essa questão por isso que eu perguntei, né, o que que tá sendo documentado porque essa própria sensibilidade que você falou me lembrou muito um documentário brasileiro, muito, muito muito, muito bom que chama, nós que aqui estamos por vós esperamos nossa, todo mundo insistiu, né

O nome do meu podcast, Aqui Estamos, é por causa desse documentário. Eu adoro ele. Meu irmão, eu fui cursar História no Ensino Superior por causa desse documentário, entendeu? Porque eu virei e falei, eu preciso entender melhor isso aqui pra depois descobrir que eu ia… Além dos quatro anos, eu tinha que entender a obra do Hobbesbaum também, né? E aí ficou um pouco mais complicado o negócio. Mas ele é um documentário, né? Que faz essa…

Pra quem não assistiu, porque tem um público mais jovem, né? Que ouve a cinemação.

E não assistindo na escola, que era obrigatório passar pra todo mundo, né? É, houve, né? Assim, gente, há uns 20 tarará anos atrás, semana passada, era obrigatório, junto com o Cristiane F, Círculo de Fogo... Será que a juventude não assiste mais esse filme? Ilha das Flores, será que... Ilha das Flores, pô. Nossa, eu acho que não. Não tinha a nona série, tá, gente, nessa época. Tinha, mas não era chamado assim. Mas enfim, aí a questão é...

Esse filme, ele tem uma característica que é muito interessante, mas que faz todo o sentido do mundo na última cena, que é, são só imagens e músicas e não tem fala. Por quê? Porque as pessoas, né? Eu tô te contando a história de pessoas que não estão mais aqui. E aí, se encaixa, né? Não, eu ia falar só que, apesar de todas as três letras aqui, eu posso ser classificado por isso, mas eu acho que às vezes a fala, as palavras e tudo mais, elas são superestimadas. Disse ele em um podcast.

É, cara, sei lá. Eu falo pra Doug que às vezes... As ironias, né? Quando eu vejo num filme que o cara toma uma bebida, faz uma careta porque a bebida, tipo, obviamente não desceu bem, ele fala Nossa, que ruim! Eu falei, jura?

Por que será que a gente, às vezes, se identifica mais com um filme do que você ou lendo a mesma história, ou lendo, tipo, numa revista, uma coisa assim? Porque muitas vezes a revista também cria uma narrativa, né? Também cria esse senso de trazer pro pessoal. Mas eu acho que é você ver, sabe? Nós, assim, somos, de um modo geral, animais muito visuais também. Então, você conectar com, tipo, a emoção não verbal…

Puts! Assim, gente, juro por Deus, às vezes eu odeio uma pessoa. Eu tô assim, putaça. Aí a pessoa me dá uma lágrima no olho, eu já fico, ah, não. Ah, não. É, é. Eu não acho que foi mal. Eu odeio tanto.

Você estava falando também de documentários e coisas assim. Eu fiquei pensando muito que uma das propostas... Tentando fazer a volta pra voltar no que o Rafa tinha proposto. De filmes que impactam e ficam depois. E ficam fazendo a gente ficar refletindo sobre aquilo. Um que foi isso. E a Domênica vai ter flashbacks de guerra agora. Da discussão. Foi O Poço. Pra mim. Adoro.

Adoro. Foi difícil pra gente, olha. O post eu assisti, eu fiquei tipo assim, cara, sobre o que que é isso? Foi mesmo. E eu tive discussões homéricas com a Domênica, e aí eu fui escutar um milhão de podcasts, eu vi um milhão de coisas, vi outra coisa pra entender, que foi assim, ah, tá, era tudo múltiplo. Só porque agora é um bom momento. Ô, Basso, e você mudou de opinião sobre não ter entendido, ou sobre achar que é qualquer coisa? Mudei de opinião, sim.

sobre ele. Engraçado, né? Porque eu mudei de opinião sobre o filme, né? Não sobre as coisas que o filme traz. É, sim. Mas eu acho que foi um desses provocativos que acho que foi um dos gatilhos que o Rafa descreveu no início. Que tipo de filme que é um filme provocativo, né? Que puxa quardinhas, faz você falar assim Cara, o que...

E aí pra mim ele foi isso, porque eu falei, cara, talvez por ser uma coisa, acho que lúdica, e justamente ao contrário do que a gente tava falando no início, de não ser uma coisa mastigada, entregue pro pessoal certinho, assim, já bem roteirizada. Não, cara, é um negócio assim, meio sem perna em cabeça, que aí depois você vai remontando, e aí demorou um pouco pra eu sentir ele. Foi mais ou menos na mesma época que teve também, se não me engano, mesma época assim, tá, gente?

Um curto intervalo de alguns anos, né? Que teve também o Mother, né? Eu tava pensando no Mother. É um filme que eu nem gosto, mas que eu penso nele constantemente. E o Mother, ele é meio… Eu me lembro que eu ouvi no podcast que o Mother não quebra a cabeça, mas tá com todas as pecinhas marcadas já, né? Porque é meio que… A partir do momento que você insere a chave de leitura bíblica, né? É, cara, então. Mas pra mim, o que pega… Mas vai embora. E aí o Poço, ele pra mim não foi isso.

É engraçado que muito o que o pessoal sentiu no Mother que veio falar comigo. E acho que talvez seja por isso que a Ana Lívia não gosta muito, que deve ser um filme que todo mundo fica martelando a mesma coisa. E aí, pra mim, foi o oposto. Porque eu falei, cara, é um negócio lúdico que pra mim tinha muito mais interpretações, muito mais...

Mais possibilidades. Mas eu acho que é exatamente o exemplo contrário, né? Porque é impossível, depois que você viu a interpretação bíblica, cristã, no modern, ver aquele filme de outro jeito, entendeu? É impossível. Pode ser que não foi a intenção. Não vou nem entrar nessa discussão, mas enfim, pode ser. Eu acho que autor não tem que falar sobre a obra dele, ponto.

Só faz a sua obra, deixa que a tia interpreta, né? Deixa que eu fale o que eu quiser. Até porque ele cria, a partir do momento que você fala isso, tipo, ah, X tem a ver com tal passagem, não sei o quê. Você também cria buracos na sua própria narrativa, que é por isso que eu fico pensando nele até hoje, assim. Porque eu fico assim, mas isso não faz o menor sentido.

isso não combina com a passagem bíblica, como assim? o que que isso quer dizer? o que que a pia não estar chumbada, sabe? aí eu começo uma coisa de tipo de tentar montar um quebra-cabeça que beleza, as peças estão marcadas, mas as peças são erradas sabe?

Então você monta e vira uma coisa meio desfigurada, assim. Que às vezes, pode ser intenção. Eu acho que tem vários diretores que fazem isso intencionalmente, né. Eu tava até falando com um amigo também, de tipo… Ah, outros filmes, não sei o quê. E ele falou de Lars von Trier e tal. E eu acho que, enfim, Lars von Trier, com todas as suas problemáticas enquanto pessoa…

Mas que faz esse tipo de filme, né? Onde você monta o quebra-cabeça e o quebra-cabeça é desfigurado. Mas eu acho que é com intenção. E aí, Mother, eu acho que não era a intenção. Mas enfim, novamente, né? Tanto faz a intenção. Mas fico eu aqui pensando, tipo... Ué, mas o que eu montei? Eu saí daqui com o quê? E aí, eu fico pensando... Gente, isso me incomoda para todo sempre, tá? Às vezes eu durmo e abro o olhinho, assim... É, exato. Eu abro o olho no meio da madrugada e penso, Mother.

Nossa, Anália, pelo amor de Deus, amiga, supera. Mas assim, é, mas o Mother, o problema dele é que ele tava indo pra uma coisa que tava confusa. A partir do momento que você vê a coisa bíblica, tudo bem, realmente, gente, você quer saber como é que é a Bíblia? É assim, ó, você abre a Bíblia e lê, é isso. É assim que a gente sabe o que tem na Bíblia. Então não é sobre a interpretação, enfim, é uma metáfora com personagens bíblicos, ok. O que ferra é quando vem esse papel do...

diretor falando, eu fiz um filme questionando e criticando o aquecimento global, da onde? Da onde? Errado tá quem tá indo pra ouvir autor das obras. Exato, assim, o que você quis fazer, o que você fez, não me interessa, eu interessa o que tá lá e o que eu tirei. A gente fez um podcast em receite aqui, né, que se chama justamente Separar a Obra do Artista, onde a gente discutiu isso.

Mano, que ódio que eu tenho disso. Você tocou num ponto, Rafa, tá assim. Tem duas coisas diferentes, né. Uma é você separar a intenção do artista e a interpretação do artista da obra. E outra é você separar a biografia e, tipo, separar o impacto social presente dessa autora. Eu acho que são, tipo, papos completamente diferentes que as pessoas acabam agindo como se fosse a mesma coisa. Não, eu vou mais além.

Eles inventaram tudo na Lívia. Eu saí do Twitter e uma das últimas discussões que eu tinha no Twitter foi com uma galerinha. Porque eles falavam que tinha que tomar cuidado com... Escritores que escreviam em primeira pessoa e descreviam... E o personagem principal era um assassino, uma coisa assim. Porque isso demonstrava que o autor tinha tendências assassinas. Aí a gente entra no negócio da sopa de...

feijão. Exatamente. E aí, cara, eu sei que eu fui discutir com uma menina e falei assim, pelo amor de Deus, vai fazer letras. Eu falei, menina, eu sou formado em letras. Tipo, essa teoria, eu li. Ela falou, imagina, porque eu na academia já não tava sendo estudado, tá falando que a obra do autor influencia assim na coisa. Eu falei, caralho, velho. Tipo, porra.

O filho da puta do Flaubert, em 1800 e bolinha, em 50, sei lá o quê, teve que chegar pro porra de um promotor e falar pra ele eu sou Madame Bovary porque queriam acusar ele de estar cobrindo uma mulher adúltera porque a única possibilidade dele ter escrito o Madame Bovary é se ele conhecesse uma mulher que era adúltera. Porque a galera não acha que a gente pode pensar algo fora do nosso ser, sabe? Pois é, pois é.

E aí, cara, pra aguentar agora, puta que me pariu, cara, que ódio, essa discussão de separar autor de obra aqui é um puto de negócio essencial pra você poder fazer isso, e é um jargão que a gente aprende de literatura, que a galera colocou no bolo junto, tipo, de não dar dinheiro pra pessoa financiar artista transfóbico.

E daí você invalida essa discussão. Toda vez que eu vou falar, eu não pude mais falar sobre isso. Falar, olha gente, mas pera, se o autor virou e falou que é aquecimento global, pau na orelha dele, entendeu? Rodrigo! Mas sabe, você sabe que, assim, tem uma... Então, mas quem quiser, depois tem esse podcast lá que as pessoas podem ouvir, inclusive, né? A gente faz essa discussão. 641, tô até colocando na minha lista pra ouvir.

Mas tem uma coisa que eu acho interessante, que é a seguinte, porque quando a gente fala de mudança, o que a obra pode provocar essa mudança, é lógico que a gente está pensando na obra como um todo, mas não necessariamente, e a gente trouxe aqui o exemplo que vocês bem...

falaram de mãe, mas ela tem uma coisa também de que às vezes tem momentos da obra que te tocam mais do que outros, que te fazem sentir um pouco mais de empatia com aquele personagem, com aquela situação e tal que às vezes não é a obra toda, mas é um momento que simplifica o que ela sintetiza aquilo que a gente tá sentindo ali, e eu acho que isso é interessante da gente pensar também

Porque é óbvio que se você for pegar, sei lá, Central do Brasil, Cidade de Deus e tal, que vai mostrar pra gente realidades fora daquilo que você tá vivendo, de repente. Assim, nós quatro aqui.

Nós quatro, é, exatamente, exatamente. Mas assim, se a gente pega essas situações assim, às vezes tem um momento do filme que ela te pinça lá no fundo, assim, sabe? Tipo, um momento em que ela pede lá em Central do Brasil pra ela, sei lá, pra outra pessoa...

falar o que ela quer na carta e a mulher vai escrevendo e aí você fica emocionadíssimo com aquilo que te conecta. Ou mesmo essa coisa que a gente estava falando dessa coisa contraditória, eu pego um personagem que ele é extremamente ambíguo e aí quando ele explode em tensão, você

você simpatiza com ele naquele momento que você fala, cara, é isso. Assim, eu entendi por que você não aguenta mais. Então tem momentos, e eu tô falando isso porque às vezes, tipo, Modern pode ser um filme que tenha vários problemas ali, e mesmo que o autor da obra fale, ah, eu queria falar sobre problemas...

ambientais e não sei o que e tal, beleza, essa foi a interpretação dele, ele fez uma obra sobre isso, agora tem um monte de gente que tá interpretando de outra forma, porque a obra ela acaba tendo isso essa coisa, essa visão múltipla

E aí eu acho que entra uma outra coisa que a Ana Livi até falou pra gente um pouco antes, que é essa preocupação dela no momento em que ela está ali sentada pensando no tipo de conteúdo que ela vai fazer. Porque entra um pouco também do nosso papel como produtores de conteúdo, porque tem uma galera que pega na nossa mão e fala assim, pô, que a Domênica falar é mais ou menos aquilo ali que eu também acho, porque tem uma opinião muito...

próxima da Domênica, entendeu? E isso é um negócio que às vezes a gente tem que ficar de olho também, né? Nisso, tem que ficar atento a isso, porque às vezes a coisa se amplifica. Eu já tive alguns casos que eu até já contei aqui no Cinemação, que, por exemplo, o primeiro momento, quando eu assisti Pantera Negra, no primeiro momento eu não gostei do filme.

E aí a gente chamou os convidados e não sei o que e tal. A hora que a gente foi gravar, eu tava assim, com essa posição marcada, assim. Puta, eu não tinha gostado, eu tinha achado muita coisa clichê e não sei o que e tal. A gente trouxe aqui um convidado que começou a falar, e ele amante de quadrinho, negro e tal. Ele começou a falar da diáspora e não sei o que e tal. Terminou o podcast e eu falei, caralho, esse filme é foda demais e tal.

Sabe? Porque é isso, é uma coisa assim de tipo, às vezes, a interpretação, por isso que eu até falei pra vocês no começo, às vezes a gente acha que tem uma opinião, e na real, às vezes é muito mais difícil a gente admitir que não, que eu não tenho opinião sobre isso. Eu acho que o desafio é outro, né? Eu acho que o desafio é a gente aceitar, sim, que a gente tem uma opinião, assim como aceitar que nós somos seres vivos e cheios de contradições, então tá ok eu me identificar com um vilão dentro de um filme,

Tá ok eu estar assistindo um filme mega violento, de terror E sei lá, ver o arte e o palhaço estraçalhando um monte de gente Falar assim, estraçalha, sabe? Cara, a arte… John Wick, né? É, John Wick Não, tá certo, John, não foi o suficiente aí do cachorrinho É, o cachorrinho foi morto, continuou matando mais infinitas pessoas Sabe, tá ok você achar isso dentro de um filme, sabe? Ou dentro de um livro, ou dentro de um quadrinho Enfim, qualquer forma de expressão de arte humana Nesse ambiente, com muitas aspas, virtual Uau!

É seguro, está ok, são contradições do ser humano, não tem problema nenhum. Ou se eu quiser me identificar eu aqui, né, Domênica, com, sei lá, a Miranda Priestly do Diabo Veste Prato. Cara, tá tudo bem, assim. Eu e ela temos o quê em comum? Nada. Nada. Mas se eu quiser me identificar com ela e me identificar, está ok. Está no campo de segurança.

Agora, é claro que a gente sai de lá, desses filmes, dessas obras, com uma opinião. O que você tá relatando pra gente é que ao conversarmos com outras pessoas, nós podemos mudar de opinião. E isso, cara, é essencial pra evolução da pessoa.

Entendeu? Porque assim, olha, eu não gostei. E pode ser que a gente passe aqui horas e horas conversando, sei lá, como eu citei, não gostei do Mark Supreme, e vocês falem várias coisas, ok, entendo toda a opinião de vocês, beleza aí, e eu continuo não gostando. E tá tudo bem também, né? Não é um… não existe uma necessidade de manter sempre.

a nossa opinião, como também não existe uma obrigatoriedade de mudar de opinião mas se existe essa conexão que muitas vezes com a bagagem que a gente tem, a gente não teve com a obra e através de conversas eu acho que muita gente ouve podcast assiste videocast vê crítica, porque quer sim se conectar dessa forma ver através do olhar do outro algo que eu não consegui pegar uma interpretação específica isso é maravilhoso e aí

entendeu? Isso é super transformador. É de novo a conexão. É a conexão primeiro com a obra, depois a conexão com outras pessoas que também se conectaram, sabe? Aconteceu isso comigo um pouco com o Superman, novo. Quando eu saí também dele, eu não tinha gostado muito dele, na real.

Verdade, me lembro. Principalmente porque o cara que faz o Guy Gardner, o cara lá do Firefly, o Nolan alguma coisa, Nathan alguma coisa, né? Aquele cabelinho de tigela pra mim me tirava do filme toda vez que eu via ele aparecia. É triste, né? É triste. Mas, por exemplo, depois que eu saí, eu tava conversando com o Ado e com o Duque por assistir o filme.

comigo, e depois também escutando o Cinemação sobre o Superman pra mim, eu fiquei mais assim com o filme, e depois eu fui pegar no YouTube uma cena, só pra linkar com o que o Rafa falou sobre a questão de uma cena ali também muito específica, mas no Superman a fala dele, quando ele tá fazendo a pseudo entrevista com a Lois Lane

ele termina de falar e tudo mais, ela fala, mas isso é absurdo. Ele falou assim, olha, talvez isso seja punk rock. Quando, depois de ter conversado com todo mundo, e aí eu fui rever essa cena, falei, cara, essa cena é um filme, né? Talvez, tipo, sim, no mundo que a gente está hoje, você simplesmente ir lá e, porra, ele falou assim, olha, eu não quero saber o lado do conflito, eu sei que pessoas estavam em guerra, eu fui lá para a guerra, eu não sei porque ela começou, eu não sei.

os dobramentos dela, eu sei que ela tinha que parar eu fui lá, alguém precisava fazer alguma coisa eu fui lá e fiz, né, eu falei assim mas você tá sendo ingênuo ao jeito de parar ela não sabe as implicações sim, talvez isso seja muito punk rock hoje, sabe, você conseguir se colocar dessa forma, né você tentar fazer o certo no meio de um monte de coisa que tá sendo feita visando um milhão de coisas políticas e tudo mais, né, e aí eu falei, putz, cara não, esse filme tem uma mensagem boa mesmo sabe, tem um negócio bom, sim E aí

É, a gente tinha falado disso de trazer, talvez, atenção pra um assunto que a gente não tinha pensado antes. Eu acho que o cinema cai também nesse lugar de, às vezes, sim, você pensou no assunto, mas você não tinha todas as informações. E tudo bem mudar de ideia quando você recebe mais informações, né? Porque eu acho que é isso que talvez falta muito no Twitter e na sociedade atualmente, que é isso de, tipo…

Ah, sim, eu tinha uma opinião ontem, mas aí hoje eu recebi novas informações, os fatos mudaram e eu mudei de opinião também e tudo bem, né? É, exatamente. E eu acho que isso é uma coisa legal da gente observar, porque muitas vezes as pessoas acham que a crítica serve para explicar o filme e tal. E ela não explica o filme, essa não é a função da crítica. A crítica, ela revela justamente...

como que o filme pode nos desmontar, remontar e tal, baseado na visão daquele crítico também. Então a ideia da crítica não é dizer se um filme é bom, se o filme é ruim e tal, ele vai dizer o que impactou pra ele. E aí a pessoa que tá lendo aquilo, assistindo aquele conteúdo, baseado naquilo ela pode ir lá e ver. Mas...

isso acaba ajudando justamente nessa visão transformadora que a gente tem, que a gente pode ter. E aí entra numa coisa que eu queria perguntar para vocês também, a respeito do cinema, inclusive, como um agente social. Porque o cinema funciona também, assim como a literatura, como um registro histórico e cultural também, daquele momento que ele é lançado e tudo mais.

Então tem muitos filmes que refletem contextos que são produzidos, mas que eles acabam dialogando também com o futuro e tudo mais. E tem várias obras que abordam racismo, desigualdade de gênero, questão de políticas, enfim, que muitas vezes ajudam a gente a moldar o debate público. E eu estou falando isso porque a gente teve um caso muito...

emblemático no Brasil recentemente, com agente secreto, e antes disso a gente teve o filme da Fernanda, do Ainda Estou Aqui, que fez com que o Brasil e tal, e o STF, fosse levantar a hipótese de rever algumas leis.

e tudo mais e tal. Então existe também uma transformação que pode ocorrer de forma coletiva, a partir do momento que você percebe que há uma movimentação coletiva ao redor daquilo. Vocês acham isso importante também?

esse tipo de função do cinema, da literatura, enfim, no sentido de que muitas vezes a obra, quando sai, a gente olha para ela e às vezes ela é polêmica, ela é rejeitada, às vezes ela fica escondidinha e tal, e ninguém sabe dela, mas aí vai passando os anos e essas obras acabam sendo reconhecidas como fundamentais e tal.

Como que vocês veem isso? Vocês acham isso importante também para essa mudança e para a evolução? Ou é simplesmente uma arma política e de mensagens para o grande público?

Nossa, Rafael, tem como falar que não é importante? Tem como falar que não é uma arma? É, exato. Eu tava mais nessa de tipo, putz, eu espero que não usem como arma, né? É. Mas assim, eu acho que não é que esse seja o papel de um filme ou de um livro ou qualquer outro tipo de arte. Eu acho que pode ser uma…

consequência da existência desse material, e aqui eu puxo muito uma visão de historiadora, sabe? É claro que quando eu vou ler qualquer livro, ou ver qualquer filme é do mesmo jeito que existe nessa questão de eu, Domênica, ser um agente dessa sociedade atual assistindo aquilo, e se esse filme foi produzido agora também sei lá, no Brasil, e ele está retratando um

período ditatorial e foi feito por aquelas pessoas, se por um lado eu falo, não importa aquilo que você quis fazer, o que importa é o que você fez, existe sim um lado meu que é extremamente curioso sobre quem fez e por que fez. Mas aí é uma curiosidade minha.

porque enquanto historiador eu entendo também, e eu não vou conseguir desassociar, eu estudei isso não tem como desassociar que tudo aquilo que é produzido ele é fruto sim, da sociedade daquelas pessoas que estão inseridas naquela sociedade e tudo mais, e sim, isso diz muito sobre um grupo ao menos e sim, isso diz

que está inserido dentro daquele período de tempo, né, em específico. Porque você pegou aí duas obras brasileiras que são extremamente críticas à ditadura militar, por exemplo, ao mesmo tempo que, tudo bem, a gente tá falando aqui de filmes, né, não necessariamente filmes que vão ao cinema. Gente, existe muito, muito filme que é produzido pra YouTube de galera de extrema direita.

Sim, exato. Eu tava pensando isso agora, dos vídeos, os documentários do Brasil Paralelo, tentando falar que Maria da Penha é uma farsa, que tem doutrinação em escola, o pessoal também tá tentando produzir alguma coisa pra fazer o pessoal mudar de opinião.

Exatamente, e aí isso pode ter um caráter publicitário? Claro que sim, né, óbvio que sim Mas isso também pode ser feito dentro de um filme ficcional Entendeu? Essa mensagem que é colocada propositalmente ali Pra tentar, através dessa conexão e dessa empatia Desse reconhecimento da humanidade no outro Dar cola ali, né, com quem tá assistindo Então...

Eu não acho que é obrigação de um filme fazer esses papéis. O que eu vejo é um movimento meio que contrário, sabe, Rafa? Eu vejo… Cara, como o papel do agente secreto e do ainda estou aqui pra sociedade foi tão importante que seja… Porque uma parte da sociedade, né? Se emocionou, se conectou, virou e falou, olha…

isso aqui é errado, a gente tem que evitar que aconteça novas ditaduras militares na América Latina. Ouvei uma outra coisa assim, isso aqui é um bando de gente mentirosa, que, nossa, tá tudo errado, e não sei o que, não sei o que lá, esquerdista, comunista, safado. Cara, independente do que for, isso chamou a atenção do poder público ao ponto de esforço, assim, cara, vamos rever aqui algumas coisas e ver como é que a gente consegue para o todo.

trazer melhorias, entendeu? Então eu não acho que era a função dessa arte, eu acho que, de novo, a arte não tem um papel, né? Mas se tivesse, seria simplesmente de contar aquelas histórias, entendeu? Aham, eu tava pensando justamente nisso, quando você falou, porque eu acho que o papel da arte é talvez dialogar com o seu tempo.

e existe muito essa coisa de tipo as pessoas falarem, ah, porque estava à frente do seu tempo, eu acho que isso não existe porque tudo é fruto do seu próprio tempo, assim, né, tipo não tem como você estar à frente, você tá reagindo ao zeitgeist talvez você tenha ideias revolucionárias mas essas ideias revolucionárias brotaram de uma situação real no seu presente, né perfeito E aí

E eu acho que todos esses filmes, tanto os falando da ditadura e que nos fazem repensar, quanto esses filmes de direita que muitas vezes defendem e tal, todos eles são respostas ao clima.

que a gente está vivendo agora, né? E aí, enquanto a gente estava falando também, eu dei um Google aqui em filmes que ativamente mudaram leis, né? Que criaram consequências reais. E aí tem uma citação aqui que é de Pixote, a lei do mais fraco, que fez com que as pessoas começassem a pensar no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Que é consequência maior do que essa, assim. Você ter um estatuto da criança e do adolescente por causa... Óbvio que não é só por causa de um filme, mas por causa dessa comoção coletiva, né? E eu acho que, especialmente num país onde, infelizmente, a educação básica é tão fraca, né? As pessoas precisam muito, talvez, dessa ajuda de, tipo, ter informações.

Não é necessariamente o papel da arte. Eu acho que devia ser papel dos jordais. Devia ser papel das escolas. Mas a arte acaba meio que... Porque é a coisa que é consumida. Porque é palatável até certo ponto. É uma coisa que as pessoas conseguem...

entrar e consegue absorver e consegue entrar meio que sem ter o pé já meio que pra fora, pensando assim ah, mas eu não quero falar sobre isso, ah, mas eu não sei o que você entra achando que vai assistir um filminho e você sai transformado, e eu acho que esse também é o poder de tipo, ao invés de você falar assim vamos ter uma aula de história aqui, porque gente, todo mundo aprendeu na escola porque

Pior que seja, tipo, o ensino no Brasil, ainda assim, todo mundo aprendeu sobre a ditadura na escola. Às vezes, tipo, é uma coisa que acontece muito no Quarta Parede também. Que é assim, quando a gente falou sobre Dom Casmurro e a gente falou de uma maneira muito, tipo, normal, como se fosse fofoca, todo mundo ficou, nossa, meu Deus, eu odiava esse livro na escola. Porque às vezes é só uma questão de, tipo, um novo olhar, uma nova maneira. E você chegar nesse conteúdo também um pouco mais aberto a recebê-lo, né? E aí

Mas aí eu acho que é o trabalho da comunicação. É outra coisa, entendeu? Não é o papel do filme. É o trabalho da comunicação. Porque dentro de uma escola, existe ali papéis bem definidos. Claro, né? Carece de ajustes. Mas é, existe ali, né? Uma figura de um detentor do conhecimento que ele tem que trocar esse conhecimento com outras pessoas que vêm, né? Com seus próprios conhecimentos pra passar uma coisa que é determinada estruturalmente. E aí eu não consigo sentar e falar. Porque, por exemplo, com essa cultura.

O jeito que a gente está falando aqui de coisas que são extremamente complexas, que também tem teorias, né? Enfim, acadêmicas e tudo mais, é completamente inapropriado e não vai trazer os resultados necessários e almejáveis.

se a gente estivesse diante de uma banca de um TCC, de um nível superior ou de uma pós-graduação, entendeu? Porque aí deixa de ser uma coisa sensorial e opinativa e passa a ser uma coisa que, cara, eu preciso ter, né, uma base aqui, precisa ter metodologia, precisa ter outras coisas. Então tem isso também. Eu acho que filmes podem, sim.

trazer essas mudanças sociais, vamos colocar assim, entre aspas, mais reais, como projetos de leis, alteração de comportamentos sociais. Existem, pô, você falou de leis, mas eu fico pensando muito no papel que o Christian F. fez pra muita gente, entendeu? De ao trazer o processo de desintoxicação de dois adolescentes que eram dependentes químicos, que eram adictos.

O sofrimento deles, realmente é angustiante você ver a cena deles, entendeu? Se desintoxicando. Isso ajuda muito a gente. E também de apresentar David Bowie pra juventude, que é uma coisa muito importante. Também. Tem esse papel aí fundamental, mas aí pode ser papel da arte, né? É.

O Rafa estava falando sobre essa questão também da representação e como é que talvez às vezes mude, né? Eu fiquei muito pensando sobre, e ficou falando de futuro também, ou como, sei lá, se a gente vê os filmes, ou principalmente a literatura, na década de, sei lá, 20, 30, 40, 50.

como elas pintavam os futuros que seriam melhores. Então, existia uma visão positiva do futuro. Então, você tem um retrato desse nessa época, as pessoas ficavam mais esperançosas por conta desses filmes, falando assim, nossa, no futuro nós seremos carros voadores, nós seremos robôs que vão fazer o nosso trabalho. Então, existia uma pegada muito forte disso. E com o passar dos anos, esse futuro não chegando, você tem uma...

começando os filmes a trazer mais uma visão de coisas distópicas tanto que a gente teve na década de 80 e depois tem um revival agora na década de 2000, 2010 de filmes e livros que eram sobre distopias o futuro nunca é algo positivo o futuro sempre vai ser assim se tá ruim agora, vocês se preparam porque vai piorar muito

E ao mesmo tempo é curioso, né, quando a gente pensa nisso, porque se a gente pegar essa evolução nessa linha que você trouxe, eu penso muito na questão da distopia, né, que sim, o mundo está colapsando, mas você vai ter normalmente um grupo de pessoas que vai resistir. E aí o convite é pra que a gente seja parte desse grupo de pessoas. Sim. Então nós participamos com essas pessoas. Assim como a gente pega agora, né, a segunda década do século XXI.

E o que a gente tem? A gente tem muita obra criticando, por exemplo, a relação de trabalho. Por quê? Porque tá todo mundo cansado. A forma como a gente trabalha não funciona, entendeu? Então, o que a gente tem? A gente tem filmes e filmes que vai tratar lá da questão do trabalho. Que aí também é uma coisa louca.

porque eu vejo que não existe mais aquela ideia de um personagem heróico que vai resolver, por quê? Porque isso é um problema social gigantesco então você não vai ter um Superman que vai lá e vai dar um pole na cara do capitalismo e aí vai todo mundo se reorganizar magicamente não vai ter mais esse coração do trabalhador

entendeu? Fim da escala 6 por 1 gente, porque o Superman é um não existe isso, então são tratadas o que? As nossas agonias as nossas dificuldades a nossa questão de dificuldade de conexão com o outro por causa dessa questão do uso da tecnologia em redes sociais que são as coisas que estão hoje isso pode ser feito, é claro, de uma maneira é...

dramática, isso pode ser feito num filme de comédia, isso pode ser feito, enfim, de formas infinitas, né, até, enfim, sei lá, obras de terror, seja como for, mas são sempre temas que, claro, estão em alta. Pode ser que, e eu acredito que sim, né, é impossível, por exemplo, você assistir um parasita, que fala muito sobre essa questão, né, da relação de trabalho, da exploração do trabalhador, é impossível você sair daquele filme sem odiar o seu patrão.

E assim, o teu patrão nem fez você passar por aquilo que aquele cara passou, que aquela família passou. Não importa, entendeu? Porque não é sobre aquelas pessoas. É sobre o sistema, é sobre como a gente é explorado. Ah, isso não causa nada? Causa. Isso causa consciência nas pessoas e elas começam a questionar. E aí vai se formando, né? Organicamente, uma formação social ali de pressão que pode ser que com o tempo venha a surgir uma mudança em lei, como por exemplo, né?

enfim, é um long shot, mas sei lá, o fim da escala 6x1 no Brasil, entendeu? Então assim, essas obras acabam ajudando nisso, querendo ou não, e elas são frutos do nosso tempo, porque essas são as nossas angústias, né? E também nossos prazeres que também estão lá, né? Pra a gente não acabar esse programa falando só de coisa boa, né?

Não tem uma coisa de index zumbi? De que dizem que quando piora a situação econômica, crescem os filmes sobre zumbis e apocalipse, etc. Eu estava lembrando disso. Eu acho que nisso que a Dua falou também, tinha, por exemplo...

Na era Obama, que também era uma era bem Tumblr, etc. A gente tinha a Manic Pixie Dream Girl. Que é, tipo, uma garota perfeita. Que beleza, tem seus problemas, etc. Mas no fundo, no fundo, ela vai transformar a sua vida. E vai ser melhor. E ela vai te fazer tomar remedinhos pra cabeça. E vai ficar tudo bem. E você, sabe, o mundo vai ser cheio de possibilidades.

E agora, eu sinto que o estereótipo virou menos a Manic Pixie Dream Girl. E agora, a gente tem a Sad Girl, né? Tanto que existem várias playlists, muito mais na música, talvez, até, do que no cinema. Mas existem várias playlists de tipo, ah, é só a Sad Girl que você ouve. Tipo, Girl in Red, você ouve Phoebe Bridger, sabe? Você ouve Mitzke.

Eu acho que entra também justamente nessa mudança de temperamento social, assim. De tipo, putz, a gente achou 10 anos atrás, 15 anos atrás, 20 anos atrás, que existia um pingo de esperança. E aí, aos poucos, a gente foi perdendo essa esperança. E agora a gente tá…

Nesse lugar do tipo, da Sad Girl, do filme de zumbi. É lógico, né. E espero eu, Jesus Cristo amado, que essa onda, assim como um pêndulo, né. Porque a sociedade funciona muito em pêndulos, né. Que a gente pendule pra um lado de tipo, vamos voltar a ter esperança e o mundo vai ficar bom. Porque eu não aguento mais, gente. Eu não quero mais ser Sad Girl. Pelo amor de Deus, me volta, Tumblr, me volta. Me volta com as calças de galáxia.

Vai voltar, Ana, mas agora a gente tem que vender caneta emagrecedora e fazer diagnósticos de saúde mental individualizados por causa dos problemas sociais que a gente tem, entendeu? Agora a gente tem que vender pílula, passa por isso também. Amiga, sabe o que a minha terapeuta mais empia? Ela fala assim, Ana, a gente não vai resolver o capitalismo hoje, será que a gente pode focar em você? É isso, é isso, entendeu?

Por isso que o Bastos falou do Superman. Eu acho que o Superman é um filme extremamente importante. Porque ele é realmente um cara. Você sai de lá com uma esperança. Você pode não ter entendido o filme. Você pode criticar o cabelo de tigelinha. Se você não criticou, você tá errado. Você pode achar o Superman um saco. Mas se você não foi feliz com o cripto voando, pelo menos, cara...

Entendeu? Qual que é o seu problema? Eu acho que Devoradores de Estrelas, sem dar spoiler aqui, tá? Eu acho que ele passa também por essa coisa, cara, você sai do filme com uma sensação ótima. É. Maravilhosa, ele é solar, de uma maneira muito diferente do Superman, mas ele é solar também, você sai de lá com calma.

Não tô falando que é uma solução única Tô falando que é possível No fundo, no fundo A humanidade só precisa saber que é possível E as coisas tem que ser impossíveis de verdade É só isso A gente não pode esquecer que é possível E o cinema tem um papel importante nisso, né? De lembrar a gente quando a gente esquece Durante a pandemia Eu li o Estação 11

E aí todo mundo ficou tipo, nossa, por que você vai ler um livro sobre pandemia e o mundo acabar durante a pandemia? O que você está fazendo? E aí eu fiquei… A minha resposta era sempre tipo, beleza, o mundo vai acabar, mas houve Shakespeare. E aí isso me parecia tipo, meu Deus, é a luz do fim do túnel, sabe? Tipo, mesmo que tudo esteja perdido, um dia houve Shakespeare. E um dia Shakespeare impactou a vida de várias pessoas.

Exato, exatamente. Eu acho que isso é legal realmente da gente lembrar, porque eu pelo menos tenho reforçado bastante aqui esse discurso do consumo consciente e o quanto que a gente precisa realmente se conectar com a obra num nível de consciência mais...

maduro assim, né, porque a gente tá numa época de tanta coisa sendo produzida e essa superficialidade acaba trazendo isso, né de falta de empatia, de falta de conexão, de falta de mudança de opinião de repente, né e eu acho que isso é muito importante assim, a gente tem exemplos e a gente chegou também, a gente fez um vídeo pro Cinemação e tal, no Instagram do Cinemação E aí

em que a gente fala justamente sobre o poder dos filmes, que lá em 1915, por exemplo, quando fizeram O Nascimento de Uma Nação, esse filme ressuscitou a Kuklus Klan nos Estados Unidos, por exemplo. Foi super impactante naquele momento. Tem outros filmes, por exemplo, tem um filme de 1935 que se chama Triunfo da Vontade, que transforma Adolf Hitler num messias. Assim.

sabe? Você que pariu, hein, gente, vamos combinar? Pois é, então. Gente, a Laine Hefestal, que é a diretora desse filme, ela é meio que responsável pelo que a gente tem hoje como estética nazista, ela criou um imagético nazista. Exato, então. Então veja como é importante, né, quando a gente fala de opinião, de um filme construir opinião, não necessariamente você vai ver um filme e vai sair dele com uma opinião formada ou transformada, né? É, não.

Não é isso, ele é a composição de várias outras coisas que você lê, que você percebe e tal, e aquilo ali que faz com que você vá vendo o mundo de outras maneiras. Ele vai reverberar naquilo que você vai acender as luzinhas que já estão em você. Exatamente. Mas tem luzinhas que você não sabia que você tinha, que você pode criar, e tem luzinha que você vai olhar e falar assim, eu não vou acender isso aqui não.

Exatamente. Peluzia que não é pra acender, gente. Exatamente. Por isso que tudo bem você ver um filme em que tem um anti-herói, um vilão como personagem principal e você se identificar com ele ali, ter uma empatia com ele, entender os motivos. Não significa que você tá olhando pra ele e falando, nossa, é isso que eu quero pro mundo, esse caos. É dessa forma que vamos resolver as coisas, sabe? Não é isso, mas...

Também, Rafa, é muito subestimar, né? Pô, você não sabe a diferença, sabe, do mundo do Coringa? O dia que você viver em Gotham City, aí você vê se vale a pena viver naquele caos. Pode ser? Exatamente. Não, e tem essa coisa da fantasia também, que é justamente de você extravasar aquilo que você não pode fazer na sua vida real, né? É um lugar seguro de fazer isso, sabe? Então, o pessoal… Olha…

Tem coisa que eu tenho preguiça, porque é essa supervalorização da moralidade humana. Então a pessoa fala, ah, eu não gosto do Coringa, porque ele está muito errado. Mas tá ok chutar o gato na rua, sabe? Tá ok não falar bom dia pro porteiro. Exato. Sabe? Aí você fala, cara, problema assim, sabe? Se você pensar, como diz, né? No Choque de Cultura, você para pra pensar dois minutos nisso e é muito de opinião, sabe? Exatamente.

vem usar essas desculpas pra cima da gente, sabe? Pra saturar seu ego e querer pagar de bom moço, sabe? E abraça, assim, em níveis pessoais as suas contradições. Eu tenho uma contradição grande, Rafael, com o filme do risco duplo, por exemplo. Eu tava até comentando com o Vasso, porque ele é um filme antigo, né? Só que, assim, eu só aprendi a nomear depois de adulta.

adulto assim, depois dos 33, 34 anos que eu fui conhecer a tal da cultura de paz, beleza aí eu fui estudar um pouco disso, entendi o que era show mas eu sempre fui aquela pessoa do ai gente, não vamos fazer guerra, né vamos se burrer flores, sabe

Sempre fui, né? Não vamos discutir não, não vamos brigar, sabe? Eu sempre tive uma certa grande sensibilidade por esses temas, né? Principalmente quando são causados por humanos. Todo casal formado por duas pessoas, né? A Dominica e eu identifico a Cersei quando ela fala I choose violence, sabe? Exatamente. Exatamente. Exatamente isso. Isso é muito real.

Só que eu sou toda essa pessoa do não, vamos conversar, vamos compreender, nananana. Beleza, quando eu assisti esse filme, e de novo, é um filme antigo, eu me lembro que eu fiquei chocada comigo, porque eu vi aquela mulher e ela falando, eu vou acabar com aquele cara, e eu, acabe mesmo. Nossa, mas acaba com gosto, e eu, o que é isso que eu tô sentindo? Porque é claro, né, eu era, enfim, adolescente, eu não tinha ideia ainda dessa questão do esse é um ambiente seguro.

Pra você sentir isso? Aquela mulher, Ashley Jude. É, só, né? Sim, Ashley Jude. Tinha outras coisas também, mas enfim. Mas a questão é... Mas enfim, a questão é, hoje ainda adulta, eu olho e falo, sim. Eu acho que é importante a gente buscar caminhos, né? De conexão e de comunicação e cultura de paz, como vocês quiserem.

Mas também eu acho que ela tava certa de fazer tudo aquilo, sim. Se fosse hoje no mundo, eu ia falar assim, tá certo, tem que fazer mesmo. Entendeu? E é uma contradição? Entendeu? É, mas assim, é como o mundo é. Enquanto existirem homens que cometem atos de violência com mulheres, quando uma mulher devolveu, ela vai falar, tá errada? Tá errada. Não estou incentivando a fazer. Mas, meu amigo, naquele filme você mereceu. Entendeu? Você, você, você fez essa cama, cara.

Então, faz parte da nossa... É importante que a gente entenda também essas contradições nossas. E as nossas limitações, porque a gente tem muito uma tendência de achar que a nossa opinião é a única, a verdadeira, que o mundo inteiro se importa. Que passa por isso que a Ana falou lá atrás do... Cara, tá tudo bem se você conhecer uma outra coisa amanhã e mudar de opinião.

E no fundo, a tua opinião… Achei que você ia falar que era porque eu tava sempre certa e eu já ia falar muito. Eu também achei. Eu achei também entre nós, Domênica vai mandar um change desse mesmo canal. Olha aí, ó. Domênica, você não ouse, porque eu estou sempre certa.

Eu não vi aqui, se eu não falasse Será que eu vou ter que fazer o good cop dessa vez? Ó Tá vendo? É assim que se faz, gente É assim que se ergue a bola pros amigos Gente, antes que a polícia Da sopa de feijão venha atrás de mim Eu não estou sempre certa, tá? Pelo amor de Deus Pelo amor de Deus Não é possível que alguém ache que você tá falando sério

Assim, se você acha, é só a sua opinião também, tá? É. Tá tudo bem. Né? Vamos lá. Se dê a sua devida desimportância. Todos nós, né? Vamos lá. Imagine uma bola, pega sua bola, abaixa sua bola. É isso.

Plano Detalhe da Semana, aquele momento que a gente dá dicas aqui, né, pros nossos ouvintes, aquele momento pra vocês fazerem coisas diferentes durante a sua semana. Basso, vamos começar com você dessa vez, o que você trouxe de bom pra gente aí? Cara, eu recém descobri uma série da Apple.

que já tem algumas temporadas, não é uma série nova, mas que eu fiquei muito impactado com ela, que foi Slow Horse. Ah, Slow Horse. Ela é uma série que tem como um dos protagonistas o Gary Oldman. Então isso já me chamou atenção, né? Poxa, um baita de um ator de cinema tá fazendo série. Tá acontecendo muito isso, né? A pessoa tá voltando muito pras séries.

E ele fala sobre uma... A Slug House. Seria um departamento do MI5, né? Do Serviço de Inteligência Britânico. Que seria tipo uma e-c-a-se britânica. Que é um lugar onde o pessoal manda os agentes que... Eles fizeram cagadas. Fizeram... Cometeram...

tipo, erros, mas não o suficiente pra serem expulsos da corporação, sabe? Então eles vão pro certo limbo, eles vão pra um purgatório, sabe? Você vai ficar um tempinho ali de castigo naquele lugar que nada acontece, que é horrível e que é sujo com um chefe escrotasso, o Gary Oldman é um dos chefes mais escrotos que eu já vi na minha vida, em ser tratando cinema, porque ele não é nem aquele cara que, ah, ele parece isso aqui, mas ele tem um bom coração. Não, ele é realmente repugnante.

sabe? Ele faz realmente o papel do... Vocês não estão entendendo, vocês estão presos aqui comigo, sabe? E é uma série sobre espionagem, não aquela à lá James Bond, mas aquela espionagem mais real, que é aquele sentido de você estar buscando serviço de inteligência, buscar descobrir algumas coisas, conseguir fazer relações entre o que está acontecendo, pra descobrir, né? Pra prever possíveis... Evitar atentados, esse tipo de coisa.

E é uma série bem bacana, cara, porque ele só tem seis episódios por temporada de 50 minutos, o que é uma coisa bem estranha, né? Tipo, tem uma série só de seis episódios. E aí, com isso, a narrativa, ela vai direto ao ponto. Então, ela não tem enrolação, não tem barrigas ali no...

meio, não tem histórias secundárias, não tem nada disso. E eu adorei, cara. E assim, vocês vão ver vários outros atores muito fodas no curso. Tem o... Ah, esqueci o nome dele, sabe o que? Price. Como é que é o nome dele? Que fez os dois papas também? Jonathan Price? Jonathan Price, eu sou também.

Isso, o Jonathan Pryce tem no elenco, sabe? Então, depois tem o Hugo Even. Tem uma das temporadas, calma aí também, né? Não é na série toda. Não, o Jonathan Pryce e o Gary Oldman estão em todas as temporadas. Eles são personagens fixos. O Hugo Even, porra, o Hugo Even, né? Pô, Matrix, né? Ele faz a terceira e a quarta temporada, acho que agora me conclui um pouco. Ele dá uma temporada toda, então...

O Elenco é de primeira, né? O Elenco é muito bom, assim, cara. A história é muito boa, muito inventivo. Com um ritmo bem diferente. Numa outra proposta. Foi uma grande surpresa que eu descobri ali na Apple. Que as séries deles estão todas escondidas, né? Porque eu acho que é... Sei lá, cara. Eu acho que deve ser algum grande esquema de pirâmide ou de lavar de dinheiro da Apple, porque...

Não é possível fazer umas coisas tão absurdas de boa e não ter divulgação, ninguém sabe o que está acontecendo. Não existe divulgação no Brasil, no exterior é a divulgação da Apple e Google. Aqui não é muito porque a gente tem pouco público assinante da Apple no Brasil, da Apple TV. Ou mesmo usuário, né? É super inacessível. Pouquinho, pouquíssimos usuários mesmo. E também, quando eu falava de série de ficção científica, eu lembrei de ficar uma indicação aqui, o Plúbios. Plúribus, né? Plúribus, obrigado.

Flouribus eu achei uma baita de uma série. Quem que faz a personagem principal é a quem faz o... Better Call Saul. Que é o spin-off da Breaking Bad. Que, na minha opinião, é a personagem que segura a série de verdade. Junto com o Better Call Saul. Junto com o Sol. Meu Deus, como é o nome dela mesmo?

Rias Hearn. Isso. Ela, nossa, ela tá maravilhosa, assim, na série. Eu acho que é outra também da edificção científica. Muito boa. Eu acho que tem uma proposta bem diferente do que... Eu achava que eram outras coisas que estavam acontecendo, sabe? Eu achava que era tal coisa e depois não é. Quando você vai... E também é uma série curtinha, né? Tem poucos episódios também.

É, vale a pena até ressaltar que não à toa, né? A Pluribus, ela é uma série também que é do Vice Guinebel, né? Que é o escritor e o roteirista do Breaking Bad. Só que tem um probleminha, né?

Tá com previsão de lançamento da segunda temporada pro final de 27 ou 28. Então, gente, assim, assiste, mas não tem muita pressa, não. Porque, assim, é boa, mas tu vai ter que reassistir tudo de novo. É, exatamente, vai demorar, exatamente. É, então pode deixar isso daí pra assistir depois também, porque é isso, já foi renovada, então já foi. Quem assistiu agora não faz diferença pro streaming, então vai assistir outra coisa.

Muito bom, tá aí então, duas séries que o Bastos trouxe pra gente e você Ana, o que você trouxe de bom pra gente de plano detalhe? Eu trouxe um filme e um livro e aí o livro é de qualidade duvidosa porque essa sou eu mas enquanto a gente tava conversando e você até falou de tipo filmes que tem um momento e uma cena que te impactaram, eu falei putz eu vou indicar esse filme E aí

Que é o Terra Estrangeira, que nem é um spoiler, tá, gente? Mas assim, ele termina uma cena final num plano sequência longuíssimo com Fernanda Torres cantando Vapor Barato. Nossa. Essa cena, assim, o filme inteiro em preto e branco é do Walter Salles, é do comecinho da carreira dele, assim, bebê, neném. E é um filme, assim, muito… E agora...

Sei lá, é o filme que, quando me perguntam o meu filme brasileiro favorito, é esse que sempre vem em mente. Porque ele é muito simples, mas muito sensível. E esse plano sequência absolutamente mudou a minha sensibilidade pra todos os filmes que viriam depois. E aí, o livro, mudando da água pro vinho, o livro chama Escudo de Pardais.

Que é uma romantasia da Daphne Perry. Lançou agora no Brasil pela Paralela. E é uma história, gente. Vai ser uma trilogia. Eu já li os dois primeiros. O terceiro ainda não saiu. E assim, o primeiro livro é bem arroz com feijão. Um arroz com feijão bem temperadinho. Mas assim, é um livro basicão. Sobre tipo...

O que você espera de, ai, a donzela esquecida, ignorada pela família, casa com um cara que não gosta dela, mas eles precisam casar, casamento forçado. E aí tem uma montagem dela aprendendo a lutar e blá blá blá. Todos esses clichês de romantasia tem ali. Mas se você conseguir navegar pelo clichê...

Nadar pelas profundezas, o livro, no final das contas, acaba construindo uma história muito legal sobre uma terra em que existe magia nesse lugar. E essa magia, ninguém sabe por que ela existe. Ela é de uma maneira muito esquisita. Algumas pessoas têm, outras não têm. E aí, os animais dessa terra se tornam monstros.

Eles atacam pessoas, eles são monstruosos E eles começam a ficar infectados com uma doença que os torna piores ainda E é meio que um mistério sobre o que está acontecendo Por que esses animais existem Por que eles estão ficando infectados E começa a se construir um sistema de magia e de universo que é bem único E eu não vou falar mais porque começa a ser spoiler do segundo livro

Mas eu fiquei assim, gente, às vezes, só o que eu quero é um arroz com feijão bem temperado e esse livro entrega. Olha aí. Você falando, não sei, mas tá me parecendo, tem um cheirinho assim, ó, de adaptação. Já foi escolhido, já foi comprado pro, sei lá quem. Ah, mas não sei lá. Olha aí.

Cara, é impressionante como o termo romantasia acabou pegando mesmo, né? Quando ele surgiu eu achei que ele não ia ouvir muito no RPG no início o pessoal usando romantasia pra descrever livros de RPG, de fantasia medieval, que não eram tão voltados pro combate, e aí esse termo pegou mesmo, né? Fiquei impressionado. Eu fiquei impressionado também, porque foi a primeira vez que eu ouvi, então...

Nossa, pegou mesmo Pegou Pegou Pegou Tem um grupo da Ana É que vocês Vocês não estão Na minha bolha Do algoritmo Porque o meu algoritmo É só isso Eu não sei Se ela joga RPG ou não Mas eu Ela não é tiquetó Carbaço Então Eu acho que Tá fora da minha bolha É a primeira vez Jogar fora da minha bolha Eu tenho apenas 20 anos Apenas uma jovem garota Ah, você ter 20 anos Tá tudo bem Porque o Basso também Joga RPG Desde quando ele tinha 20 anos

anos, isso não é justificativa. Existia, viu, Dado e personagem dragão 20 anos atrás, Ana Lívia. Não, tô falando que eu sou TikToker, gente. Eu sou juventude, puro suco da juventude nessa mesa. E ela sabe disso, Domênica, porque ela assistiu Stranger Things, né?

desculpa, mas eu uso o emoji churrindo ainda, tá você, você não é mais jovem eu sou jovem também a Bênia a Bênia é maravilhosa muito eu muito bom, Dom, e você? o que você trouxe pra gente de bom aí?

Cara, eu vou indicar um podcast novo. Que tá... Meu Deus. Tá, tá, tá. Tá uma ideia fixa esse podcast.

Dá uma ideia fixa, porque eu descobri ele há uns três ou quatro dias atrás. E foi uma descoberta, assim, absurda. Sabe, absurda. Ele é curtinho, ele é um podcast narrativo publicado pela Pública. Chamado A Última Bolacha. Que ele conta a história do jornalista Ed Vanderlei.

Que num show, ele teve um mal ali, um mal estar. E ele era um homem obeso, né? Com mais de... Acho que ele tava com 145 quilos, se eu não me engano. E ele quase vai a óbito, né? Em decorrência de um problema cardíaco. Porque ele descobre ali que ele tava com um problema no coração bem grave. E aí ele entra numa...

numa jornada de tentar entender como que ele pode passar por um processo de emagrecimento. Só que ele foi fazendo isso que resultou na produção desse podcast narrativo. Então ele vai contando como que funciona a indústria de alimentos, como que funciona a questão de publicidade.

na indústria alimentícia, na engenharia de alimentos, a questão de cirurgias bariátricas, a questão do uso de canetas emagrecedoras, e assim, é uma produção muito, muito, muito bem feita, e é um trabalho magnífico, assim, eu tô realmente fascinada.

Porque ele vai falar, enfim, sobre questões de saúde, né? O tema que ele tá trabalhando é obesidade. Ele é o protagonista dessa história, mas ele traz informações que eu não vejo a grande mídia. Ou mesmo pessoas da ciência, muitas vezes, trazendo, sabe? Então, eu acho que ele é um podcast, nos tempos de hoje, meio que obrigatório pra gente tá bem informado. Mesmo que você não seja uma pessoa obesa, eu acho que ele vai...

pelo menos te fazer pensar sobre a questão dos alimentos que você está consumindo, como que a gente aprende a ler os rótulos. Ele vai trazer informações não muito boas sobre o uso de canetas emagrecedoras, que muita gente hoje em dia está utilizando, inclusive sem acompanhamento médico adequado. Isso é um perigo. Ele vai explicar o porquê e quando que é perigoso, se não é perigoso.

tudo, né, na vida tem os seus todos os lados, e tá realmente muito surpreendente, assim, é um podcast espetacular, tem todas as plataformas, chama A Última Bolacha, tipo a última bolacha do pacote mesmo, sabe? Nossa, já adicionei aqui, fiquei bem curioso, não tinha visto ainda esse lançamento desse podcast, eu ouvi a publicidade dele, né, contando sobre...

que ia sair e daí agora já adicionei aqui. Pode ouvir, Rafa. É uma realização da agência pública, tem o apoio do Instituto Ibirapitanga e do Instituto Serrapilheira, que está sempre abrindo aqueles processos de podcast para financiar podcast de ciência. Então ele tem uma curadoria muito boa.

É um podcast narrativo curtinho de cinco episódios. Então, tá pra sair já o último episódio, salvo engano, na próxima semana. Boa. Então, eu acho que é daqueles pra ouvir, baixar. E ter no seu dispositivo, no seu computador. Pra você poder reouvir, caso aconteça alguma coisa, né. Ele sair do ar, pra você poder eventualmente voltar a ele. E se manter informado. Eu achei, assim, um trabalho de utilidade pública, assim, esse programa, sabe? Sim, sim, excelente.

Bom, para fechar aqui o plano detalhe, eu primeiro queria fazer um alto jabá aqui, que eu criei um espaço lá no Substack, que eu já deixei claro lá e tal, que não vai ser uma coisa recorrente, mas é um espaço que se chama Aquilo Ali, é meu Substack, onde eu jogo textos que eu fico ali, enfim, me dá vontade de escrever, vou, escrevo e jogo ali.

Eram textos que eu tava, assim, com uma dúvida desgraçada onde que eu jogava, porque eram textos que não tem a ver com cinema, não tem a ver com, sei lá, não é um tema específico, assim, sabe? Não tem uma temática. E aí eu comecei a jogar eles primeiro no LinkedIn. E daí eu percebi que não tava fazendo sentido nenhum ter textos...

assim, filosóficos, né, de pensamentos sobre a vida e tal, no LinkedIn. E daí eu, conversando com alguns amigos e tal, falei, bom, quer saber, vou abrir um Substack, vou colocar lá. E o legal do Substack é que, enfim...

Não cobro nada pelos textos. Então você pode entrar lá e vai ler os textos que eu escrevi até agora. E se porventura você quiser, dá pra você se inscrever de forma gratuita. E aí todas as vezes que eu lançar esse texto, vai chegar até você. Mas assim, é muito esporádico. Tipo, pra vocês terem uma ideia, o último texto que eu tinha escrito foi no final de fevereiro. Então, tipo, não escrevo o tempo todo, né? Escrevo quando tá na telha.

E aí agora, acabei de escrever um que saiu hoje, inclusive, que eu terminei ele, que a gente estava gravando, então saiu na segunda-feira, dia 27 de abril, que é o texto que eu escrevi, O Mundo Fala, Mas Ninguém Ouve, em que eu falo sobre...

justamente a empatia que tem a ver com esse podcast, que é uma coisa que eu tenho pensado muito, refletido muito, principalmente no momento que a gente está vivendo e tudo mais, e que eu acho que tem uma questão paradoxal com o momento que a gente vive de hiperconexão. Eu acho muito louco a gente estar vivendo nesse tempo em que a gente está...

o tempo todo conectado e podendo conversar com o outro e tal, e a gente foi ficando menos empático ao outro, assim. E eu acho isso, eu vou refletir um pouco sobre isso, sabe, no meu texto. Aí eu, enfim, nessas pesquisas, né, eu começo a pesquisar lá, então eu vou atrás de filósofo sul-coreano, enfim.

dou uma pirada lá com as coisas que na hora que eu tô escrevendo eu começo a pesquisar, né? Eu começo a escrever e eu abro um parênteses, assim. Pesquisar se existe algum estudo, alguma teoria sobre tal coisa. Fecho parênteses e continuo escrevendo. Enfim. E aí eu escrevi esse texto, coloquei lá e eu acho que vale a pena quem enfim, quem gosta, né? De repente aí de uma filosofia barata aí, como a minha.

Vai lá pra você poder ver, ler esses textos que eu tô publicando. E um segundo plano de detalhe é também um podcast, mas é um episódio específico do Nerdcast, o Nerdcast que eles lançaram sobre o Artemis 2, que é outro assunto que eu tô fascinado.

adorando as fotos, pirei nas fotos que eles mandaram do lado oculto da Lua, e o podcast é muito legal, porque eles falam de uma maneira muito simples, muito didática também, a importância do Artemis II e tudo mais, e o porquê que essa foi uma missão tão importante, mandar o homem de volta à Lua, 50 anos depois, e aí mostrar justamente com a minha mente

Sabe, esse lado da Lua que a gente não viu com câmeras super precisas e de alta resolução e tal. E a gente conseguir ver essas imagens. E todas as vezes que eu olho aquilo, a primeira coisa que eu penso é, cara, primeiro a Terra, como a Terra é linda. E tem uma das fotos que você consegue ver até a aurora boreal na bordinha da Terra. Eu acho aquilo...

um espetáculo. E aí você, assim, eu olho praquilo e eu sempre penso no quão pequenininho a gente é e como isso também se conecta com essa questão da empatia também.

Enfim, então eu acho que vale a pena quem quiser ouvir esse podcast, acho que está super bem humorado, como o Jovem Nerd e o Azaghal sempre fazem, então é um podcast bem humorado, informativo, que fala sobre uma missão importantíssima do homem no espaço. Enfim, ficam essas minhas duas recomendações aí para você.

E é isso, gente. Chegando aqui ao final desse podcast, Podcast Cinemação 643, batemos esse papo aqui sensacional sobre o cinema que nos faz mudar de opinião. A gente falou aí sobre várias coisas diferentes, um papo sensacional, adorei a conversa que a gente teve aqui. E eu só tenho que agradecer a presença aqui dos nossos convidados. Ana, muito obrigado por você estar aqui mais uma vez. E por favor, deixa seus meios de contato.

E links também, né? Como é que as pessoas fazem pra ouvir você, ler você, acompanhar você no TikTok da vida aí, Ana? Gente, graças a Deus eu só vejo o TikTok e não produzo, tá? Porque não sou tão descolada assim, mas vocês podem ouvir a minha belíssima voz no Quarta Parede Podcast ou então no Aqui Estamos.

vão com calma, tá? Porque eu produzo os meus conteúdos, tal qual o Rafael escreve os textos dele, entendeu? É uma vez a cada milênio, mas as coisas que estão lá são legais, então se você quiser ouvir, acho que vale a pena. E eu tô em todas as redes sociais, no arroba analívia, MS, Ana com dois N.

Boa, tá aí então. Vão lá atrás da Ana, vejam o conteúdo que ela tá produzindo. E tenho que agradecer aqui também a Dô, que mais uma vez doou seu tempo pra estar aqui com a gente. Dô, muito obrigado também. E por favor, traga seus meios de contato também aí, Dô.

Ah, Rafa, é sempre um prazer enorme Gosto muito de gravar contigo Você sabe, gosto de papiar E ficar te mandando reels de doguinhos Também fazendo merda Adoro, minha curadoria é boa, né? Muito boa, muito boa Eu gosto da sua também

O bom é que o consumo da sua, daí o algoritmo me dá umas inéditas, entendeu? Pois é, rapaz. Você sabe que demorou, acho que... Ah, não demorou muito tempo não, né? Mas as pessoas falam assim, pô, você não viu tal coisa, sei lá, no Instagram? E eu, gente, só aparece pra mim cachorro e algum artista que eu tô viciada na semana. Tipo, sei lá, ou eu tenho a semana do Pedro Pascal, aí eu tenho a semana do Stelic Brown, aí eu tenho a semana, sei lá, de alguma atriz, entendeu?

É isso e cachorro. Depois tem a semana do Stray K-Brown, aí tem outra coisa, tem a semana do Stray K-Brown. Exatamente. Eu ia ficar voltando nisso. Tem os recorrentes também. Tem, tem, temos. Porque nós estamos educando. Eu tenho os favoritos nela. Eu tenho os favoritos. Nós temos... Você tem que entender, Basso. Aqui eu tô educando o algoritmo. E quando aparece coisa boa do Stray K-Brown... É isso que os jovens chamam agora. Exato.

Porque eu sou jovem também. E aí eu mando também pro Rafael, entendeu? As coisas do Stray K-Brown. Quando é alguma coisa se enfila aí, entendeu? Rafael.

Que coisa bonita é pra gente compartilhar com as pessoas, né? Tem que compartilhar os artistas. É verdade. Mas veja bem, pra quem não tem esse prazer, né? De ser o meu amigo pessoal e receber a melhor curadoria de doguinhos, Stair K. Brown, do Instagram, também pode ver a foto dos meus cachorros, né? E conhecer um pouquinho...

dos projetos de podcast que eu tô trabalhando, além de ficar, enfim, acompanhando umas baboseiras de vida pessoal que às vezes eu acabo compartilhando lá, um prato de comida, alguma coisa assim. Então é só me seguir no Instagram domenica.mendes vai ser um prazer receber você lá. Pode me chamar pra um papo, eu sou super acessível, sempre fui. Também tô lá no Perdidos na Estante falando sobre obras que são adaptações então com

livros, filmes, séries, games, músicas, fica um convite aí também pra você conhecer o Perdidos na Estante e, claro, né, tô trabalhando em vários projetos aí de podcasts, especialmente no gerenciamento de operações do Vida Palmarina e do Amarela Ouro, que são os dois últimos lançamentos da Central 3.

São dois programas também narrativos. Muito legal. Vida Palmarina fala sobre a vida em Palmares. Cinco episódios. E o Amarelo a Ouro. Salve engano, são nove episódios. Nove ou dez. Agora não me lembro. Mas que falam histórias da seleção brasileira de futebol.

Ao longo das Copas do Mundo. Então tá um projeto também bem legal. Que vai acabar com a chegada aí da Copa. Porque aí, né, gente? Aí é vestir assim uma brusinha, entendeu? E fazer aquele splat. E comemorar a Copa do Mundo à noite mesmo. Que é o que a gente tem, né? Mas vamos ser felizes, então.

É isso, sinta-se à vontade de ouvir o Perdidos me acompanhar lá no Instagram se você se sentir confortável e eu sempre peço que se você chegar lá no Perdidos fala que você veio aqui do Cinemação, porque eu fico feliz, comendo com o Rafa

Rafa está feliz também, né Rafa? Exato, exato. Não, tem que comentar mesmo, a gente tem que fazer esse intercâmbio, né, de ouvintes, eu acho que realmente vale muito a pena. Inclusive, quem entrar no Instagram do Perdidos, vai ver lá cortes de live com o Rodrigo Basso, que as más línguas diziam que ele não gravava.

que ele não produz conteúdo, que ele só vai nos podcasts dos amiguinhos e tal, e vocês vão ver lá que é mentira, que o Rodrigo Basso é muito bom em produzir conteúdo, que ele sabe tocar muito bem uma live. É isso aí, gente. Não é, Basso? Então passa também meios de contato. Como é que te acompanhamos, Basso?

sabe as redes sociais que a do Passor é nessas daí porque não tem as minhas então se alguém precisar mandar algum recado fala com a Domênica não fala comigo no meu pessoal pra mandar recado pra ele não não é assim também é minha vez de falar você tá me transformando o meu Instagram em Instagram de casal o passo é o pé grande da podosfera então você só vê de longe fotos embaçadas

Os castros dele, né? Você não acha ele de verdade. Ai, ai. Não, mas é sério. Eu fiz um movimento de não ter redes sociais há uns dois anos. E eu consigo manter isso. Então eu não tenho redes sociais pra poder passar pra qual pessoa possa me mandar alguma coisa, algo assim. Mas eu tô produzindo pro Porto da Estante.

Inclusive, acho que vai sair agora, dia 13 de maio, sai o podcast do Noite das Bruxas, falando do livro, da adaptação pro cinema do Kenneth Bradagan. Acho que assim se pronuncia o sobrenome dele, não sei. E tô fazendo algumas coisas com o Luciende, fizemos uma live, gravamos um podcast.

Estão produzindo alguns outros conteúdos aí que o Senho está voltando com o cabuloso cast também, então está ajudando. Então assim, ao contrário do que o Rafa fala, foi muito gentil aí. Ainda estou só produzindo o podcast dos outros, não voltei com o meu, então estou só participando dos outros. Um que vocês podem me encontrar muito também é no RP Guaxa.

então lá também eu gravei alguns episódios de, é um audiodrama que é gravado em formato de RPG e depois editado pra ser publicado em audiodrama então quem gosta de RPG ou audiodramas, eu acho que é uma boa pedida então ainda estou aí produzindo, eu falei pra Doki achei engraçadíssimo que esse ano eu falei pra ela, depois da conversa do nosso último episódio, que a gente gravou aqui eu falei, não, vou voltar com o Covil, né, porra falando tanto tempo, né, que fica vergonha na cara aí E aí

E aí, bastou falar isso que desde janeiro eu tenho gravado toda a semana um episódio pra alguém. Olha aí, tá vendo o som? Meio que sabe aquela coisa que ninguém convida nada pra você fazer e de repente no final de semana você tem oito convites. Então tá mais ou menos nesse esquema agora. Descobriram, descobriram o seu talento. Agora não tem mais volta. A podosfera está rendida. Até parece.

É a volta da nostalgia, né? O Lucien voltou no Cubaço, né? É isso. É a crise dos podcasts independentes brasileiros. Meu Deus. Copiando a crise do cinema e do audiovisual, não, cara. Não, cara. Mas é por aí, daí vocês me ouvem. Pode ir aí, então, mandar, às vezes, recado, alguma coisa em um episódio de lá. Comenta. Pode mandar no Instagram também, gente, do Perdidos. Pode. Pode mandar. Pode mandar. Que isso.

Pode mandar. Gente, é isso. Muito obrigado mais uma vez. É isso, pessoal. E antes de ir embora, deixa a gente te pedir três coisas bem rápidas e que fazem toda a diferença aqui pro Cinemação, né, continuar existindo. Primeiro, se você curte o podcast, avalie a gente no Spotify.

Cinco estrelinhas ajudam mais do que parece e você ainda leva o programa para mais gente que ama cinema tanto quanto você. Segundo, recomendo cinemação para alguém, um amigo, uma amiga, alguém que sempre topa falar de filmes depois da sessão, porque esse boca a boca é o que faz, o que mantém essa comunidade viva há tantos anos.

E terceiro, e talvez o mais importante, se você acredita nesse espaço, considera se tornar um apoiador do Cinemação. O mundo ficou mais barulhento, mais agressivo e mais confuso. E o que a gente quer aqui é justamente o contrário. Um lugar seguro, acolhedor e inteligente pra falar de cinema. Trocar ideia, discordar com respeito e se apaixonar, de novo, pelas histórias que a gente vê na tela.

Ao apoiar o Cinemação, você ajuda a manter o podcast no ar e ainda entra para uma comunidade de verdade. A gente vai ter lives mensais, conteúdos exclusivos, bastidores, podcasts especiais e um grupo onde o debate é sempre saudável. E quanto mais essa comunidade crescer, mais coisas incríveis a gente consegue fazer. A gente tem projeto de cineclube, encontros presenciais, debates ainda mais profundos e por aí vai.

Se esse podcast já te faz pensar, rir, discordar ou olhar para um filme de um outro jeito, então vem com a gente, avalia, recomenda e se puder, seja um apoiador do Cinemação. E é isso, o podcast Cinemação 643 fica por aqui e a gente se vê no próximo.

Esse podcast foi editado pela Isso Aí Design. Tudo isso é forma com função. É design estratégico. É isso aí.