297 - A operação sionista-americana para desestabilizar a Espanha
O que está por trás da chegada de 60 mil imigrantes a Ceuta em apenas dois dias? Qual o papel de Estados Unidos, Israel e Marrocos nessa operação que pode desestabilizar o governo espanhol? Como esse episódio fortalece a extrema-direita europeia, e restringe a entrada e deslocamento de imigrantes no continente.Apoie o Roteirices pela chave-PIX carlosalbertojr1569@gmail.com Colabore pela plataforma Apoia: https://apoia.se/roteiricespodcast#ceuta #espanha#imigracao#extremadireita#europa#eua#Israel#marrocos#estreitodegibraltar#carlosalbertojr#roteirices
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Você deve ter visto na mídia a notícia de uma invasão de imigrantes ilegais a Ceuta, uma cidade autônoma que faz parte do território espanhol desde 1668. Aqui no mapa você pode ver que Ceuta está localizada na costa norte da África, junto ao Estreito de Gibraltar, e faz fronteira com o Marrocos, que reivindica a soberania sobre o local, assim como sobre a cidade de Melilla, também está aí no mapa. O Marrocos argumenta que as duas cidades são colônias remanescentes.
A Espanha alega que os dois enclaves são parte do Estado espanhol desde antes da criação do Estado moderno do Marrocos e rejeita qualquer tipo de negociação de soberania. É uma briga antiga. Pois bem, nos dois últimos dias, imagens de milhares de imigrantes entrando em Ceuta estão disponíveis nos mais diversos meios de comunicação. E nas redes sociais. O que você vai ver agora é um vídeo de 32 segundos exibido ontem pelo Jornal Nacional. Vou colocar para vocês assistirem, depois eu comento.
Milhares de imigrantes saíram do Marrocos e chegaram a nado a Ceuta, que é um território da Espanha localizado na África. A imprensa local fala em 18 mortos no tumulto. Autoridades atribuem esse fluxo de pessoas a uma decisão da Suprema Corte espanhola No início do mês, o tribunal determinou que imigrantes que cheguem pelo mar não podem ter a entrada negada. O governo em Madrid enviou 60 militares e 200 policiais para reforçar a segurança em Ceuta.
Muito bem, o Jornal Nacional informa que a entrada dos imigrantes é resultado de uma decisão da Suprema Corte espanhola de que quem chegar pelo mar não pode ter a entrada negada na Espanha. Será que é isso? Para mim, isso mais desinforma do que informa. A decisão da Suprema Corte sim existe, e ela certamente serve de estímulo para quem está desesperado tentando entrar na Europa. Mas por que de repente entre 50 e 60 mil pessoas tentaram entrar na Espanha só entre ontem e hoje?
É um número quase equivalente ao total de habitantes de Ceuta, que é de 83 mil moradores. Bom, aí é que entram as questões geopolíticas. A Espanha tem incomodado muito os Estados Unidos e Israel por conta da condenação ao genocídio palestino e da posição contrária aos ataques ao Irã. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, inclusive não tem mais autorização para sobrevoar o espaço aéreo espanhol quando viaja para a Europa ou para os Estados Unidos.
Há vários meses, Estados Unidos e Israel atacam publicamente a Espanha por seu posicionamento. Veja o que o presidente Donald Trump diz durante entrevista na OTAN. O vídeo é um pouquinho longo, mas eu vou resumir aqui a fala dele. Ele diz o seguinte: a Espanha é uma causa perdida. A propósito, não queremos mais fazer nenhum negócio comercial com a Espanha. Eu gostaria que você acortasse. Ele diz isso dirigindo-se ao Mark Rutte, que é o primeiro, ex-primeiro-ministro da Holanda e atual secretário-geral da OTAN.
Que se notabiliza pelo nível de subserviência aos Estados Unidos. A Espanha, continua Trump, é um péssimo parceiro na OTAN. Eu não quero nada com eles. Corte todo o comércio com a Espanha, por favor. Isso é o Trump pedindo ao Mark Ruth, incluindo visitas. Eles não têm esperança. Bom, agora veja o que a Comissão de Orçamento da Câmara de Deputados dos Estados Unidos publicou num relatório divulgado no dia 30 de abril. A comissão observa que as cidades sob administração espanhola de Ceuta e Melilla estão localizadas em território marroquino e continuam a ser objeto da antiga reivindicação de Marrocos.
A comissão apoia os esforços do secretário de Estado para incentivar o engajamento diplomático entre Marrocos e Espanha sobre o status futuro de Ceuta e Melilla. Apesar do relatório não alterar a posição diplomática formal dos Estados Unidos em relação a Ceuta e Melilla, A redação do texto representa uma mudança significativa e sem precedentes na linguagem de uma comissão do Congresso. Tudo isso são etapas do que parece ser um plano maior para se vingar da Espanha e desestabilizar o governo de Pedro Sánchez.
Recentemente, o Pedro Sánchez visitou a Argélia. A viagem foi de apenas um dia, agora, 20 de julho. Em represália, o Marrocos teria não apenas liberado, mas estimulado essa entrada de imigrantes sem celta. E isso não foi a primeira vez. Em 2021, o governo da Espanha permitiu que o líder da Frente Polisário, o movimento que luta pela independência do Saara Ocidental contra o Marrocos, Brahim Ghali, fosse internado secretamente no hospital espanhol para tratar a COVID-19.
O que fez o Marrocos? Tirou os guardas da fronteira e mais de 10 mil pessoas cruzaram a nado ou a pé para Ceuta em menos de 24 horas. Para quem acha que não há conexão entre esses fatos e uma provável vingança da aliança israelo-estadunidense, vejam a ação coordenada de hoje nas redes sociais. Esse post é do ex-portavoz do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que foi demitido do cargo por ter causado um incidente diplomático ao entrar em discussão pelas redes sociais com o então chanceler britânico David Cameron.
O tweet foi deletado. Atualmente, Eilon Levy é influencer do genocídio e publicou hoje em sua conta uma provocação ao líder espanhol. Outra personalidade que atacou Pedro Sánchez foi o embaixador de Israel junto à ONU. Entusiasta do genocídio palestino, ele publicou um texto com desinformação sobre Ceuta e foi desmentido pela comunidade do Twitter. O pano de fundo dessa entrada em massa de imigrantes na Espanha é um projeto mais amplo de desestabilização dos países pelos Estados Unidos e Israel e Marrocos.
Mas não apenas isso. Essa crise fortalece o discurso de partidos de extrema-direita contra imigração para a Europa. A primeira-ministra da Itália, por exemplo, anunciou hoje que vai suspender temporariamente o Acordo de Schengen, o tratado internacional que garante a livre circulação de pessoas dentro dos países europeus signatários, eliminando o controle de passaporte nas fronteiras internas. Fica aqui a dica para quem quiser pensar um pouco mais sobre o assunto, em vez de apenas acreditar que essa onda de imigração é resultado de uma decisão da Suprema Corte espanhola que proíbe a entrada de pessoas que chegarem ao país pelo mar.
Quem descer lá no fundo do poço do extremismo e levantar o alçapão vai ver como a extrema-direita global está articulada e operando em alto nível para desestabilizar democracias onde quer que elas estejam. Se você gostou desse conteúdo, considere a possibilidade de apoiar financeiramente o Roteirices. Apoie com qualquer valor pela chave Pix carlosalbertojr1569@gmail.com ou pela plataforma Apoia.se. O link está nas informações desse episódio. Valeu!