Episódios de Roteirices

294 - Cristofascismo nas Américas: uma cruzada civilizacional, com Gabriela Segura-Ballar

24 de julho de 20261h54min
0:00 / 1:54:40
Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Jr.

HostJornalista
G

Gabriela Segura-Ballar

ConvidadoSocióloga
Assuntos10
  • Discurso de ódio e xenofobia na migraçãoDemonização de imigrantes como inimigo externo · Políticas de migração na Argentina e EUA · Racismo e xenofobia como motores políticos
  • Cristofascismo nas AméricasDefinição e origens do cristofascismo · Neoliberalismo messiânico · Hiperocidentalismo libertário · Libertarianismo cristão
  • Fraude Eleitoral EUAEstratégias de desacreditar o processo eleitoral · Acusações de fraude nas eleições brasileiras e americanas · O fantasma do comunismo como arma política
  • Palantir e o TecnofascismoPalantir e a vigilância estatal · Regulação de inteligência artificial como ameaça · Influência em comportamentos e eleições · Controle de conteúdo de votos
  • Polarização política e discurso de ódioA esquerda como inimigo existencial · Demonização da dissidência e do pensamento crítico · Violência simbólica e material contra opositores · Ódio e Discurso de Extrema-Direita
  • Ameaça de intervenção internacional e soberaniaClassificação de grupos como terroristas · Risco de intervenção militar dos EUA · Demonização de governos soberanos
  • Unificação Política de DireitaRede de acadêmicos e intelectuais conservadores · Influência da Escola Austríaca de Economia · J.D. Vance · Guerra cultural contra o pluralismo liberal
  • Impacto da Extrema DireitaCruzadas medievais como símbolo de identidade · Pete Hegseth e a obsessão com as Cruzadas · Discurso de guerra civilizacional contra o Islã e a esquerda
  • Etica e MoralDemonização do pensamento crítico · A necessidade de uma ética diferente · Crítica à celebração da riqueza extrema
  • Banalização do Mal e ImpunidadeObjetivo de acumulação de riqueza ilimitada · Elon Musk e a ideia de golpes de estado · Jeff Bezos e a elite acima das leis
Transcrição84 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CACarlos Alberto Jr.

Gabriela Segura Ballar, bem-vinda ao Roterices. Vamos conversar sobre um tema que está me preocupando muito, cada vez mais, e é baseado em cima de um texto que você escreveu chamado Cristofascismo nas Américas: Uma Cruzada Civilizacional. Mas antes da gente entrar profundamente aí nesse esse tema, eu vou pedir para você fazer uma breve apresentação sua.

?Voz 1

Bom, Carlos, primeiro te agradecer, né, pelo convite. Eu queria aproveitar também para agradecer o Zé Pires, que ele me colocou em contato com você. Então, primeiro vou falar um pouquinho de mim e como e por que eu estou fazendo essa pesquisa, né. Eu sou socióloga de formação. Eu sou originalmente da Costa Rica, eu estudei, trabalhei em temas de imigração internacional e direitos humanos, e eu trabalhei nesses temas por vários anos.

E depois eu mudei para os Estados Unidos para fazer um doutorado em estudos latinos e latino-americanos com ênfase em política. Na Universidade da Califórnia em Santa Cruz. E foi lá, aqui, ou seja, porque aí eu continuo morando nos Estados Unidos, foi que eu comecei a me interessar no tema da extrema-direita, porque foi no tempo da primeira, especialmente o início da primeira administração, governo do Donald Trump. E só que nesse momento eu continuava, ou seja, meu interesse de pesquisa continuava sendo as migrações, né?

Então o meu interesse era estudar, né, como a extrema-direita estava formando o discurso e as políticas das migrações internacionais, e como isso estava afetando também as políticas na América Latina. Só que em 2018 aconteceram dois eventos muito importantes. Um foi as eleições nacionais na Costa Rica, em fevereiro de 2018, que foi uma, como se fala, como um preâmbulo, uma coisa que, como o que aconteceu no Brasil, só que talvez em uma escala menor.

Você tinha um candidato que era evangélico com uma agenda assim muito reacionária. Então eu fiquei como chocada como era que isso era possível no país, na Costa Rica, né, que tem toda essa tradição de avanço de direitos humanos, de igualdade social e tudo mais. Então depois veio o que aconteceu no Brasil, que foi assim uma coisa muito impactante assim, não só para brasileiro, mas para toda a região. Aqui nos Estados Unidos, lembro, na universidade você teve muitas conversas e pessoas falando sobre o tema.

Então o meu interesse de pesquisa foi mudando, né? Aí não só queria estudar o tema das migrações, mas tinha mais, ou seja, mais outros elementos que eram, que viraram do meu interesse. E aí eu decidi estudar o Brasil, não estudar a extrema-direita no Brasil. Eu comecei a estudar português, estudei aprender a história do Brasil, conhecer mais sobre o Brasil. E aí eu participei de uma para de uma bolsa do Ministério de Educação aqui nos Estados Unidos, que o nome da bolsa é Fulbright-Hays, que é destinada para fazer pesquisa de doutorado em outros países.

Eu ganhei a bolsa, só que foi nesse tempo da pandemia. Então aí ficou, aí tudo ficou parado. Então eu tive que esperar um tempo para viajar para o Brasil, mas eu tive a oportunidade de ir lá para o ano das eleições em 2022. Então fiquei lá um ano, eu morei em 3 cidades, em São Paulo, Brasília e Rio, e acompanhei todo o processo aí da campanha e todo o processo aí também da campanha e depois da campanha, tudo isso que eu contei, toda aquela loucura.

E depois terminou a minha bolsa, eu comecei aí a sistematizar os meus dados. E nesse tempo começou as eleições, o processo eleitoral na Argentina. Eu tenho assim como muita familiaridade com Argentina porque eu estudei lá. Eu morei lá por 3 anos, então também era muito, de muito, assim como de muito interesse para mim. E de aí eu decidi incorporar o caso da Argentina também na minha, na minha tese de doutorado. Então, ao final, o estudo é sobre 2 países, né, o Brasil e Argentina.

E o grande tema assim que abarca os 2 países é o tema do Cristofacino. Só para dar aí um contexto aí, porque uma pessoa da Costa Rica está estudando, né, a extrema-direita no Brasil.

CACarlos Alberto Jr.

Muito bem. Não, tem tudo a ver. Você mencionou aí migrações, e migrações e ascensão de extrema-direita estão totalmente relacionados historicamente, né? Desde Segunda Guerra Mundial é sempre uma justificativa, né? A culpa é sempre do outro, do estrangeiro, que tá sempre a começar aí. E ontem eu tava vendo no New York Times, saiu uma matéria grande sobre a África do Sul que tem um problema também enorme. Os sul-africanos negros, que são a maioria no país, contra imigrantes africanos de outros países, estão fazendo ataques, estão criando milícias.

A reportagem até menciona uma milícia que foi criada e fica na porta de hospitais e clínicas exigindo documento das pessoas. Se você não for sul-africano, você não pode entrar. Uma coisa totalmente ilegal. Eles não são policiais.

?Voz 1

É interessante o que você fala disso, porque, por exemplo, eu quando fui para a Argentina era porque eles tinham uma política nacional que era inédita assim nas Américas de garantir os direitos humanos das pessoas migrantes, de reconhecimento do direito de imigrar como uma política pública. E aí, aí também isso foi refletido, né, em programas de pós-graduação, de estudo para formar pessoas especialistas nesses temas, mas com enfoque de direitos humanos.

E agora, como não começou com o Milei, isso começou com a administração de Macri, Maurício Macri. Mas o Alberto Fernández manteve, manteve, ou seja, manteve, mas não, não, como se fala, como não aprofundou, não aprofundou. Mas agora com Milei tem uma, agora não é só uma, esse avanço contra os migrantes, senão é uma adoção, assim como uma implementação do modelo dos Estados Unidos na Argentina, assim como um ICE argentino, uma coisa assim.

Então isso é muito interessante. Também no Chile você vê essa ideia, não, de construir um muro para na fronteiriça, não, essa de novo, essa demonização dos migrantes. Só que o interessante é que os migrantes passam a representar essa questão do inimigo estrangeiro, como você falou, ameaça externa. E essa ameaça externa toma uma forma diferente em cada, em cada formação de extrema-direita. Pode ser os migrantes, pode ser, pode ser a ideia globalismo, pode ser comunismo.

O comunismo sempre vai ser uma coisa, uma coisa que vem de fora, que não é nossa, porque o nosso nacional não rejeita esse tipo de ideias e as pessoas que representam.

CACarlos Alberto Jr.

Aqui nos Estados Unidos é comum, até já vi o presidente da, o speaker, né, o presidente da Câmara dos Estados Unidos falar: os bárbaros estão nos portões.

?Voz 1

Eu vi essa declaração, eu vejo, sim, sim. E que foi também no contexto, acho que foi aí do contexto do discurso do Trump em 4 de julho. Também foi, foi nesse contexto aí que ele falou isso.

CACarlos Alberto Jr.

É meio recorrente, tema não falta. Mas então vamos começar pelo início, pelo começo. O cristofascismo está em crescimento global. Então eu vou pedir para você dar uma definição. O que é o cristofascismo? O que justifica? Quais são as suas origens e como é que ele se manifesta nas sociedades?

?Voz 1

Sim, é tal, o cristofascismo na realidade é uma categoria que foi originada no campo da teologia. Foi uma categoria proposta por uma teóloga, teóloga da liberação, em 1970, em um livro que em inglês se chama Beyond Merely Obedience, ou seria como Além da Obediência. E ela usa a categoria para explicar como alguns setores da Igreja Católica abraçaram o nazismo, ficaram alinhadas com a agenda nazista. Só que ela não desenvolve muito a categoria.

Foi até os anos 80 que ela escreve outro livro chamado The Window of Vulnerability, ou que seria como A Janela da Vulnerabilidade, que foi publicado em 1990. E no livro ela desenvolve mais, não fala mais da categoria como tal, como uma categoria analítica teórica, mas agora é para explicar o contexto nesse momento nos Estados Unidos era para, por exemplo, tinha nesse momento o surgimento da extrema-direita cristã em um movimento que se chamava Moral Majority, ou Maioria Moral, que estava alinhado com o governo do Reagan.

Anos 80. E o que é interessante, eu achei, ou acho, da definição e como ela elabora a categoria do cristofascismo é que ela coloca, ou seja, faz a convergência de uma ideia, um projeto que de cristianismo, ou seja, fundamentalismo cristão com a doutrina neoliberal que começava a se implementar nesse tempo. Em nesse momento eles falavam de, por exemplo, de freedom of enterprise, né, seria como liberdade de empresa, essa ideia como que empreendedorismo, né, esse modelo assim que é um modelo que na realidade é um modelo bíblico, que o modelo, que os princípios econômicos de Deus, tem uma concepção assim como divina, como santa.

Então eu achava que essa categoria ainda foi, era do campo da teologia, era útil agora trazer ou resgatar agora para explicar essas novas formações da extrema-direita.

CACarlos Alberto Jr.

Isso aí, é para quem tá só no podcast, tá na tela aqui a capa do livro Beyond Mere Obedience.

?Voz 1

Isso, Dorothy, nem sei como pronuncia, Solli, Solli, não sei se é certo, mas acho que é. É uma teóloga de Alemanha, Alemanha, e sim, ela tem feito assim um trabalho muito bom evidenciando, né, esse, esse cristianismo que não, que não é um cristianismo realmente, não, porque não, não respeita os valores fundamentais cristãos, não, como a solidariedade, a compaixão, e mais bem fomenta cruzadas, fomenta campanhas de ódio, de ódio e de demonização de outros, dos outros, né.

CACarlos Alberto Jr.

E tem até um trechinho, Gabriela, se você me permite, do seu texto que eu vou ler aqui, e você fazendo referência ao livro Beyond Merit and Obedience, que é— e aí você também redefine um pouco o termo, né, dizendo que é um projeto político-econômico que funde o fundamentalismo cristão mercantil com uma ideologia de supremacia ocidental apresentado como uma cruzada civilizacional. Aí a autora, no caso você aqui, sustenta que esse fenômeno se manifesta de duas formas complementares: o neoliberalismo messiânico, que é a promessa de uma sociedade de mercado plenamente realizada, e o hiperocidentalismo libertário, que é a lealdade incondicional ao Ocidente em detrimento dos interesses nacionais.

E aí, de novo, uma referência ao livro Beyond Obediência. A virtude central da religião autoritária é a obediência. Sob o cristofascismo, o cristianismo é instrumentalizado para incitar ódio e desumanização do outro, mobilizando os fiéis para batalhas e cruzadas, que foi o que você comentou. Então aí, aqui a gente já abre duas outras frentes, que é o neoliberalismo messiânico e o hiperocidentalismo libertário. E aí, quando eu ouço essas expressões, eu fui ler um pouquinho mais a gente olha no mapamundi, é o que tá acontecendo, né?

Você vê ali Oriente Médio, Líbano, Irã, Turquia, essa confusão lá na União Europeia também. Então tá tudo imbricado, né? Tá tudo conectado.

?Voz 1

Sim, sim. Eu posso até contar um pouco também, porque eu não faço essa, porque tem uma manifestação mais que eu falo na minha tese, que é a ideia do libertarianismo cristão. Porque assim, eu comecei, como eu falei, eu comecei primeiro a estudar sobre o Brasil e eu decidi usar a categoria de cristofascismo para descrever o fenômeno, não, que estava acontecendo no Brasil, o bolsonarismo, extrema-direita brasileira. Só que quando eu comecei a estudar sobre Argentina, eu achava que tinha muitos elementos religiosos, só que não era era uma, não era um movimento cristão, como, ou pelo menos assim como de nacionalismo cristão, como é o bolsonarismo, que essa ideia do cristianismo, nacionalismo cristão, é uma das características do cristofascismo, pelo menos como o descreve a Dorothy Soyer.

Então eu usei a categoria do cristofascismo, só que eu fiz duas distinções. Uma é a ideia do libertarianismo cristão, que eu usei para descrever o bolsonarismo, e que essa ideia aí de essa combinação, essa, essa convergência, não, que parece irracional, mas não é irracional, de fundamentalismo cristão com doutrina radical neoliberal. E depois eu proponho outra ideia para entender o Milei na Argentina, o fenômeno do Milei na Argentina, que é a ideia do neoliberalismo messiânico.

Porque no caso do Milei, você, por exemplo, eu uso essa esse exemplo para fazer a distinção. Você tem, por exemplo, com o bolsonarismo, o lema de Brasil acima de tudo, Deus acima de todos, né? Mas em Argentina podemos dizer que o lema seria algo assim, ou seja, o projeto de Milei estaria representado em um lema que seria como o mercado acima de tudo. E ele começa, porque o projeto também está cheio assim, cheio discurso, as leis como elas são justificadas com metáforas e recursos que são teológicos, que são da religião.

Então esse esse projeto anarcocapitalista ou neoliberal, como você quer, como seja que se chame, está legitimado com uma dimensão religiosa. Então, por isso aí que eu fiz uma distinção. Isso eu acho que os dois podem ser, podem ser considerados projetos cristofascistas, mas os dois Mas tem distinções, então por isso eu não queria colocar eles assim como na mesma categoria. E depois a ideia do hiperoccidentalismo libertário é uma ideia que foi proposta pelo Juan Gabriel Tocatlian, que é um pesquisador, um professor da Argentina.

Que ele propõe essa categoria para explicar a doutrina de política exterior no governo de Milei, que é uma doutrina que está baseada em alinhamento estrito assim nos interesses e na política, ou seja, interesses geopolíticos que beneficiam a Estados Unidos e Israel. E por isso aí, essa, talvez esse meu aporte, não, não, a minha contribuição à categoria do cristofascismo é essa dimensão civilizacional que tem as formações neofascistas nas Américas, que não é só, por exemplo, uma questão de superioridade racial, senão também tem um componente que é colonial e que é civilizacional, e que em algumas instâncias assim pode ser até mais importante que a nação mesma.

Essa dimensão, acho que essa dimensão civilizacional dá uma, coloca, dá uma, seria como uma dimensão ainda mais mítica, não, mais, mais transcendental aos projetos da extrema-direita.

CACarlos Alberto Jr.

No caso da Argentina, tem um outro elemento que eu acho também muito interessante, é o fato de Milei ser judeu sionista. Ele teve há pouco tempo em Israel. Eu fiquei assim horrorizado, né, a hora que ele encontra o Netanyahu Ele só faltou chorar, né? Abraçou, eu te amo, cantou lá também.

?Voz 1

Não vai dar certo.

CACarlos Alberto Jr.

Ele se diz como o presidente mais judeu da história, tal. E enfim, isso tudo tem uma conexão muito forte, né?

?Voz 1

Tem, sim. Eu anotei aqui umas das coisas que eu me leio. Falou, sou em dois dos cursos, sou mais discursos mais recentes que ele falou, que por exemplo ele está escrevendo además um livro que vai ser publicado, não sei, nos próximos meses, que é algo assim como O Capitalismo como a Cruzada Moral, uma questão assim, não lembro exatamente o título, mas ele fala que os valores do capitalismo se identificam com os valores judeucristãos.

Cristãos, cristãos. E ele fala que os escritos de Marx são escritos satânicos. Ele fala que a vida, liberdade e a propriedade privada são os valores morais e civilizatórios supremos, e que a esquerda e os terroristas desprezam Israel porque Israel é o bastião do Ocidente. E ele fala que se Israel cair, depois virá atrás de todo o Ocidente. Então você tem o— porque o Milei assim é talvez o máximo representante assim dessa ideia do hiperoccidentalismo que propõe o Juan Gabriel Cutucá.

Tem essa ideia de eles vão, o projeto deles é a defesa do Ocidente, passou. Aí então aí vai a pergunta, e em parte em parte, em parte, essa é a minha pesquisa, a minha, a minha tese, né? O que é Ocidente? O que estamos falando pelo Ocidente, não? O que representa Ocidente? Mas sim, não sei se não.

CACarlos Alberto Jr.

E aqui tem, vou colocar na tela aqui também para quem tá só no podcast, é um tweet do Milei em que ele chama o Papa Francisco falecido, né, de Filho da puta, me perdoe o meu francês aqui. E aí coloca aqui uma imagem bíblica e cita um trecho da Bíblia, Lucas 4:58: estado igual um instrumento do maligno. Então, como tá em espanhol, vou deixar você ler em espanhol. Sim, pode ser.

?Voz 1

Luego, o demônio— ou vou tentar falar, fazer em português.

CACarlos Alberto Jr.

Tá bom.

?Voz 1

O demônio levou ao lugar mais alto E mostrou um instante, mostrou em um instante todos os reinos da terra e falou para ele: eu vou te dar este poder e esplendor destes reinos porque têm sido entregados, não, han sido entregados para mim, e eu te vou dar esses reinos para você. Seria um a um, e los doy a quien quiero, né?

CACarlos Alberto Jr.

Eu dou para quem eu quiser.

?Voz 1

É isso, é exatamente. E é essa ideia, os reinos representam o Estado e representam uma, essa ideia de tentação, tentação de quem, de quem, das pessoas, ou de quem controla o Estado, de aqueles que controlam, controlam o Estado. É uma tentação do poder, uma tentação de controle. Essa ideia de, de, né, vamos acabar com isso, de representação, na representação do Estado como uma forma de controle absoluto, né, que quer destruir a vida das pessoas, as liberdades individuais, as famílias e tudo mais, tudo que eles falam, não é É interessante isso.

CACarlos Alberto Jr.

Eu tô buscando aqui porque isso me lembra o Peter Thiel. Quando você fala em anticristo, Peter Thiel é um dos sócios da Palantir, criou o PayPal, e ele é o— tá nessa cruzada de anticristo também, né? Já tem feito embates aí com a Igreja Católica. E o Peter Thiel acabou de comprar por 12 milhões de dólares uma mansão na Argentina. Aparentemente ele tá querendo se mudar para lá. Eles sempre ficam atrás desses bunkers aí, né, para se o mundo acabar eles poderem se esconder.

Então muita propaganda aparecendo aqui. Cadê? Ó, 12 milhões de dólares, uma mansão, e ele não mantém segredo. Então ele esteve lá. Aqui seria a foto. Da mansão dele. Então isso tudo tá hiperconectado, né? Então o Peter Thiel tem declarações, né, apontando ao Papa ou a Greta Thunberg, né, ativista de meio ambiente, falando que eles são os grandes inimigos do mercado a serem demonizados e é preciso acabar com esse pessoal. Isso tudo leva a quê?

Você que tenha estudado aí esse tema, enfim, no caso dos políticos a gente consegue entender até, bom, dos empresários também, é poder, né? Eles querem se perpetuar no poder, ter mais dinheiro. Quanto menos Estado, melhor para essas empresas. Quanto mais elas puderem se autofiscalizarem, melhor para elas. Então você tem uma empresa de mineração E ela mesma que vai fiscalizar se está havendo poluição ambiental ou não. Não é que elas não queiram regras, elas querem regras, mas elas querem estar na sala em que as regras serão escritas.

Elas já vão levar o documento: as regras são essas aqui. Então, o que que dá para a gente compreender desse movimento todo que eu vejo sempre muito, que é da extrema-direita, uma extrema-direita global? Que é o ódio ao outro, ódio ao imigrante. Só os brancos de olhos claros é que tem direito e tem uma superioridade moral. E no fim das contas, o que que a gente pode esperar de todo esse movimento? É um 1984? Porque quando você conecta todo esse pensamento com essas empresas de tecnologia, e a própria Palantir, né, eu tava vendo outro dia Tem contratos em tudo quanto é lugar.

A Inglaterra tem um movimento grande para poder romper esses contratos, movimento popular. E no Brasil, a Palantir já tá com contrato com o Serpro, que simplesmente gera, gere todo, todo o aparato estatal em relação ao Imposto de Renda, tudo de internet do governo e Ministério da Educação. Aí se eles entram no SUS, é tudo que eles querem, né, pegar esses dados todos das pessoas E aí você começa a predizer o futuro, monitorar as pessoas, e a vigilância, o controle total.

A gente pode esperar desse movimento todo, né? Que o que nos aguarda em breve? Como é que tá a sua bola de cristal aí?

?Voz 1

Ai, meu Deus, é bom! E acho, é muito bom que você falou do Peter Thiel, porque E o tema do cristofascismo, ou seja, do anticristo, né, que ele é essa demonização da dissidência, porque afinal é isso. E também vamos falar depois dessa demonização da dissidência com a semântica, né, do terrorismo e do comunismo e tudo mais. Só que você encontra a presença, tem a Palantir já instalado em vários países latino-americanos. Só que talvez no caso da Argentina é o caso mais, não sei que mais interessante, só que é mais, eu falo assim como é a nova fronteira, não?

Argentina, a nova fronteira para esse projeto tecnofascista. Que não é como você falou, não é, não é que eles querem, porque o anticristo para eles é a regulação, a regulação estatal e a regulação do AI, não, da artificial intelligence ou inteligência artificial. Esse é o anticristo, qualquer intento, qualquer iniciativa que procure essa regulação é considerada como uma ameaça civilizatória, voltando para a ideia da civilização.

Então, no caso da Argentina, por exemplo, eles estão aí fazendo, passando legislação, ou seja, leis Que estão, que não, que ou seja, não para, como você falou, não é para destruir o Estado, senão para configurar o Estado em função deles. Eles estão, por exemplo, na Argentina estão criando uma figura de direitos jurídicos para Inteligência artificial. Estão, eles estão criando como, como estruturas jurídicas paralelas ao Estado e estão também controlando as instâncias do Estado que tem que ver com vigilância, que tem que ver com, com a repressão, né?

Por exemplo, questões que têm a ver com inteligência. Tem também, estão também, tem agora o controle de os dados de todos os argentinos. E como você falou, não, isso não é só para te vender coisa, não é só para isso, é também para primeiro para influenciar os comportamentos das pessoas. E também, e aí também está incluído o tema político, né, ou seja, comportamento, suas escolhas políticas. E também para definir, por exemplo, as eleições, um projeto de eleições nacionais.

Se você tem, por exemplo, controle todas as bases de dados de uma população, imagina o que você pode fazer, ou seja, em termos de influenciar e de forçar, não, um resultado eleitoral. Tem também, e esse é outro tema que a gente pode pode conversar, que é o controle também dos, o controle direito do processo de conteúdo de votos também, com as tecnologias das Big Tech e também de companhias do Israel. Ou seja, tem uma convergência assim de coisas que não é só como nós falamos, não é só assim como para, para, por exemplo, assim como que você compre alguma coisa, influir para que uma pessoa compre uma coisa na Amazon.

Não é só isso, é muito um projeto muito maior de influenciar as consciências, influenciar os comportamentos de povos inteiros.

CACarlos Alberto Jr.

É isso aí que me remete também algo que você mencionou aí eleições, é algo que a gente vai conversar também. Não é à toa que o Trump está tentando de todas as formas atrapalhar as eleições de meio de mandato que acontecem aqui nos Estados Unidos agora em novembro. Então vários estados, os republicanos começaram isso, eles estão fazendo o redesenho do mapa eleitoral. Então aqui nos Estados Unidos a eleição não é direta, né? Você vota nos delegados dos partidos, eles é que elegem presidente.

Você tem voto popular, o voto não é obrigatório para começar. Então você tem, aconteceu muitas vezes, né, o Trump na última eleição foi até o caso mais raro em que o candidato vence tanto no voto popular quanto no voto dos delegados, os colégios eleitorais. Então o que eles estão fazendo aqui é em regiões em que tem maioria de eleitores democratas, que elegem parlamentares democratas, os republicanos entraram com ações na justiça para redesenhar o mapa.

Então, por exemplo, eu moro numa região em que a maioria dos eleitores é democrata, vão eleger sempre parlamentares democratas. Então vamos redesenhar esse mapa. Se eu voto aqui no local perto da minha casa, eu agora vou votar do outro lado da cidade, em que tem maioria de eleitores republicanos. Então você dilui. Então a minha região, que tradicionalmente elege um candidato democrata, não vai conseguir mais eleger um candidato democrata.

Eles redesenham, e aí você tem menos parlamentares do seu partido e ganha mais o outro. Então Trump já começou a falar de fraudes de novo. Fraudes que nunca foram comprovadas. Falou, convocou Rede Nacional de Televisão recentemente para falar que a China interferiu nas eleições de 2020. E aí a gente volta, é que as pessoas esquecem, né? Mas eu não sei se você tava, você tava no Brasil nas eleições, né?

?Voz 1

Em 2022, sim.

CACarlos Alberto Jr.

O inferno que foi aquela história de fraude nas urnas. Ah, meu Deus, Bolsonaro chamar embaixadores de todos os países para falar mal das urnas. Era uma, assim, até difícil encontrar palavras para poder explicar o que foi aquele bombardeio que a gente recebeu para desacreditar o processo eleitoral. E o Trump fez isso toda vez que ele tem pesquisas indicando que ele vai perder, ele inicia um movimento para desacreditar o processo eleitoral sem qualquer tipo de prova, e as pessoas embarcam nessa.

E aí isso aconteceu no Brasil desde que o Bolsonaro ganhou. Ele já falava na campanha: se eu não ganhar no primeiro turno, é porque houve fraude nas urnas. Teve segundo turno e ele passou o mandato inteiro tendo como agenda principal desacreditar o processo eleitoral. E o que me chama muita atenção é Quando vamos usar o Trump e o Bolsonaro, os democratas estavam no poder, o Trump venceu a eleição. Ou então, se tinha fraude, como é que ele ganhou a eleição?

É uma coisa o Bolsonaro. E a hora que eles estão no poder, no governo, e tem o controle total de toda a máquina estatal, eles perdem a eleição porque teve uma fraude. Então os caras se infiltraram em todo o sistema e manipularam o processo todo para eles perderem. Não há conexão com a realidade, mas as pessoas continuam acreditando nisso. E agora o fato mais recente é a volta do comunismo, né? O Trump voltou a falar do comunismo, né?

Eu vou colocar aqui na tela para as pessoas verem. É um Twitter da conta oficial da Casa Branca. Os Estados Unidos da América não serão, nunca serão um país comunista, né? Então, a que se presta o comunismo, Gabriela? Há muitas coisas, né? Mas também para extrema-direita é um prato cheio, né? O comunismo nunca vai embora. Eu até, eu queria conhecer algum comunista assim, se você conhece, você como acadêmica, como objeto de estudo, você conheça.

Eu queria que me mostrassem, olha, esse aqui é um comunista que tá tentando implementar o comunismo aqui.

?Voz 1

Sim, sim, é porque é uma decisão que eu fiz agora aqui para você desmontar tudo, mas é uma operação assim como midiática, política, que tem por um lado eles desacreditam o processo eleitoral e ao mesmo tempo apresentam ameaça que a outra opção, o que o demônio do comunismo. Eu lembro no Brasil que essa, dessa campanha que começou antes das eleições de desacreditar o processo eleitoral foi o que levou aos acampamentos, né, depois.

Essa ideia que tive fraude, então eles, eles pediam, né, Não, mas pelo menos muitas pessoas comprometidas, não, com o Bolsonaro, elas foram acampar lá nas bases militares. Eu estive lá, visitei várias delas, porque para elas, elas estavam pedindo, não, ajuda ou intervenção militar porque tive fraude nas eleições. E o presidente verdadeiro, o presidente legítimo, era o Bolsonaro. Ainda continua, por exemplo, com o Trump, ainda continuam com essa conspiração de que o Trump ganhou em 2020 e que roubaram as eleições nesse momento.

E é interessante porque essa operação, essa campanha foi aplicada para, em 2016, pelos democratas com o Trump. Ou seja, quando o Trump ganhou a presidência, os democratas criaram toda essa campanha, o que é chamada de Russiagate, Russiagate, que uma que era culpar a Rússia pela presidência do Trump. Essa ideia que a Rússia interveio nas eleições em 2016 e que por isso o Trump ganhou as eleições.

CACarlos Alberto Jr.

Eles teriam vazado os emails da Hillary Clinton.

?Voz 1

É, então não é só uma operação aí, pelo menos aqui nos Estados Unidos, não é, não era, não é uma estratégia aplicada, usada só pelos republicanos, lamentavelmente, mas assim. E agora outro está fazendo o mesmo, mas usando a China. Ou seja, uma coisa assim bem absurda, mas é o que eles estão fazendo. Agora, você falou, você falou de tema de comunismo.

CACarlos Alberto Jr.

Eles estão, sim, eles estão agora como Voltando para essa, um pouquinho, Gabriela, antes de entrar no comunismo, eu vou colocar aqui uma matéria que tá no Jornal Nacional, que o Flávio Bolsonaro ele falou das urnas, né? Vou colocar o vídeo aqui, ó.

Flávio Bolsonaro afirmou que as urnas eletrônicas usadas no Brasil são fornecidas por uma empresa suspeita de envolvimento em fraudes. As informações já foram desmentidas pela Justiça Eleitoral. No evento que reuniu representantes de cerca de 40 embaixadas em Brasília, Flávio Bolsonaro citou uma reunião de 2022 em que o então presidente Jair Bolsonaro fez ataques às urnas eletrônicas. Bom, como eu falei, hoje o presidente, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ele está inelegível após uma reunião com embaixadores.

Alguém que tinha uma preocupação com a transparência, a segurança do nosso sistema eleitoral e apenas manifestava suas preocupações para que os embaixadores levassem esse cenário de preocupação para os seus países. A reunião citada por Flávia aconteceu pouco antes das eleições de 22, no Palácio da Alvorada, com diplomatas de várias embaixadas. O discurso foi transmitido por canais oficiais do governo. No ano seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral condenou Jair Bolsonaro por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

A maioria dos ministros entendeu que o ex-presidente usou a estrutura pública para atacar o sistema eleitoral e colocar em dúvida a confiança no processo de votação. Bolsonaro se tornou inelegível até 2030. Ontem, após citar essa reunião, o senador Flávio Bolsonaro disse que o Brasil utiliza urnas fabricadas pela Smartmatic e que a empresa, fundada nos Estados Unidos, seria venezuelana. O senador citou um relatório da CIA, a agência de inteligência americana, sobre um suposto plano de fraudes do governo da Venezuela nas eleições de 2012.

E hoje, há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico especial na Venezuela. Inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação. E uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha— uma das suspeitas é que tenha havido uma programação para alteração das votações naquele país.

E as eleições sob suspeitas que são citadas nos relatórios da Acer são as de 2012. Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma origem dessa empresa venezuelana. Em seguida, Flávio negou que estivesse questionando o sistema de votação brasileiro, mas pediu que os países enviem mais observadores Bom, nem precisa questionar, né, depois disso daqui.

CACarlos Alberto Jr.

Quer dizer, o segundo candidato nas pesquisas de novo trazendo a questão, o fantasma, o fantasma de desacreditar o processo eleitoral porque ele caiu nas pesquisas por conta de todos os escândalos em que ele sempre esteve envolvido, né. Lógico, vai chegar na campanha, todo mundo começa a fuçar o passado dele. E várias coisas são inexplicáveis. Ele tenta explicar o inexplicável. Então, mas isso de novo é um processo, mas acho que tá menos do que na eleição anterior, porque a eleição anterior foi surreal.

?Voz 1

Você espera, ainda tem mais que 2 meses mais de, especialmente porque eu lembro que toda a campanha do fraude foi muito perto, ou seja, foi especialmente no, vai aumentando, né, vai chegando perto.

CACarlos Alberto Jr.

E aí as pesquisas não vão dando o resultado que eles gostariam, eles vão intensificando os ataques.

?Voz 1

É, exatamente, exatamente. E também interessante ver como essa ideia do fraude é— e aí também por isso, porque é fraude só se eu perder. Exatamente. Mas essa campanha, ou seja, essa estratégia política de acusar de fraude é Ou seja, é uma das estratégias da extrema-direita. Como a extrema-direita está cada vez mais sofisticada, está mais, cada vez mais organizada, mais coordenada, mais profissionalizada, e eles começam a usar as mesmas, o mesmo vocabulário, as mesmas estratégias políticas, a mesma, a mesma, usar os mesmos instrumentos São globalizados, né?

Então não é só nacional, senão que é uma rede, uma rede que está, e está cada mês mais, é mais evidente, né? E foi muito evidente agora nas eleições em Colômbia, por exemplo. Tem até um informe que ainda não li, mas de todas as, de como tive ingerência externa no processo eleitoral da Colômbia. E acho que temos que prestar muita atenção a isso porque pelas eleições que estão vindo agora em Brasil, que acho que é assim a cereja que eles querem, o Brasil, o peso que tem o Brasil na América Latina.

Se eles conseguem virar aí a direita de novo, meu Deus, realmente os efeitos disso vai ser como bem difíceis, difíceis de revertir, não, de voltar para trás, porque agora vai ser um projeto, um projeto assim regional totalmente coordenado, coordenado desde os Estados Unidos.

CACarlos Alberto Jr.

E ainda tem um outro elemento que é o fato de os Estados Unidos terem declarado o PCC e o Comando Vermelho organizações terroristas. O que dá uma margem muito grande de operação, a ponto de o chanceler brasileiro Mauro Vieira ter falado no Congresso que isso sim abriria margem para uma eventual invasão, uma operação americana em território nacional.

?Voz 1

Que é o que estão fazendo também com México, declarando os cartéis como organizações terroristas globais. E acho que essa ideia de global é talvez o que seja novo, não é? Porque você tem um projeto, tem por exemplo um autor que ele se chama William Robinson, que é um professor lá da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e ele fala de o trumpismo global. Ou seja, essa extrema-direita que estamos vendo agora, não, especialmente nos últimos anos, é um projeto que para implementar o trumpismo a nível internacional, essa doutrina do trumpismo está sendo está sendo implementada em contexto nacional, mas realmente uma estratégia regional, uma estratégia internacional.

E é não só, não só, ou seja, para garantir os interesses tradicionais das elites econômicas e políticas nos nossos países, senão também para garantir os interesses imperiais dos Estados Unidos, especialmente na América Latina.

CACarlos Alberto Jr.

À medida que os países vão tendo eleições e os candidatos apoiados por eles vão vencendo, né, muito mais fácil exportar essa tecnologia legal para os países. Eu vou colocar aqui outro trecho, que é uma materinha da Globo News falando exatamente da história do Mauro Vieira.

?Voz 1

O Itamaraty informou à Câmara dos Deputados que vê riscos dos Estados Unidos usarem a força militar contra o Brasil depois de terem classificado a IPCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Felipe Matoso de volta com a gente para falar sobre esse assunto especificamente.

?Voz 1

Felipe, como é que o governo tá lidando com essa possibilidade, que esse era o grande temor desde o primeiro momento. À medida em que essas organizações criminosas são classificadas como organizações terroristas, abre-se uma brecha para um tipo de ação, para uma ação americana.

Oi, Leilani, boa tarde para você também. Boa tarde para todo mundo que tá com a gente aqui na GloboNews. É importante explicar o contexto, Leilani, porque o Brasil vinha dizendo ao longo dos últimos meses, quando surgiram as primeiras informações de que os Estados Unidos poderiam classificar o Comando Vermelho, o CV, e o PCC, Primeiro Comando da Capital, como organizações terroristas. O governo brasileiro vinha dizendo o seguinte: essa classificação por si só ela não resolve o problema do crime organizado, não desmantela facções criminosas, e mais, pode gerar consequências na vida de pessoas, na economia.

Por exemplo, pode prejudicar bancos que, sem saber, podem ter sido usados para operações financeiras de pessoas ligadas a essas organizações e acabarem sofrendo sanções justamente em razão dessas operações financeiras que não têm a ver com a atuação dos bancos. Então, o governo brasileiro vinha criticando bastante essa articulação no governo americano para que houvesse a classificação. Depois que houve a classificação, o governo informou que era contra e explicando que isso não é defesa das facções, mas sim da soberania nacional.

E mais, entendimento do governo brasileiro é que se os Estados Unidos quiserem cooperar, isso sim o Brasil aceita, mas que a classificação como ela se deu, o governo brasileiro é contra. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi questionado sobre esse assunto pelo deputado Evair de Mello. Houve um questionamento formal feito ao Ministério das Relações Exteriores. O ministro respondeu, e aí ele disse, por exemplo, é um documento extenso, Leilane, disse que órgãos de segurança pública, inteligência e justiça integraram o processo de coordenação interinstitucional, convergiram no entendimento de que a classificação de organizações criminosas como terroristas não apenas é inadequada do ponto de vista jurídico, como tampouco acrescenta benefícios para a cooperação internacional.

O Ministério das Relações Exteriores, nesse documento enviado à Câmara, Leilani, também disse o seguinte: que tem buscado traduzir no plano diplomático a prioridade atribuída pelo governo brasileiro à segurança pública e ao combate ao crime organizado. E aí a gente pode rodar agora na tela o trecho em que há referência a esse risco. O governo brasileiro diz o seguinte, abre aspas: há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro. Fecha aspas. Houve uma—

CACarlos Alberto Jr.

pronto, então o governo brasileiro oficialmente manifestou a sua preocupação com a possibilidade de uma intervenção americana aqui por conta de que eles pegaram o Maduro na Venezuela. Já tem uma prática comum aí já há vários anos, né? Eles Não cumprem a legislação. A lei vale só para os outros. Eles não aderem a tratados, não cumprem o que tá previsto, não aderem a vários organismos e a vários tratados, mas isso tem que valer para os outros.

?Voz 1

Exatamente. E é, e assim como eles começam, é uma, primeiro um processo de associar coisas que não tem relação, por exemplo, o progressismo com o com o tráfico de drogas, comunismo com o tráfico de drogas, é a esquerda com tráfico de drogas, é algo que a família Bolsonaro sempre fala, tentam associar.

CACarlos Alberto Jr.

Então aí você vai step by step, né?

?Voz 1

Exatamente. E aí o caso da Venezuela que você falou, tem anos, décadas demonizando a Venezuela Tem essa operação ideológica, não, de relacionar, fazer converger essa, um projeto soberano, não, que eu, afinal, ou seja, você pode ter muitas, muitas críticas, não, de Venezuela, mas eles têm um projeto que é deles. Que eles querem desenvolver, mas que não conseguem pelas sanções, pelas, pelo assédio que estão submetidos. Mas tem então essa demonização desses governos que são governos soberanos, são associados ao crime organizado.

Antes dessa invasão militar à Venezuela, teve a designação do, acho que foi, Trem de Aragua e Cartel dos Soles como organizações terroristas. E então essa é a escusa, não é escusa, o combate às drogas é a escusa, e ao terrorismo é a escusa então para invadir um país. Eu lembro, por exemplo, o Flávio Bolsonaro Acho que foi, isso foi ao fim do ano passado, ele publicou um tweet, um tweet aí, um post em X, onde ele fala, ele aplaude assim o que estão fazendo na Venezuela, porque nesse momento ainda não tinha invasão, mas estavam bombardeando os pescadores, as lanchas que eles falam de narcolanchas, você lembra?

E o Flávio Bolsonaro, ele colocou um tweet assim como falando que aplaudiu e que ele queria trazer isso para o Brasil. Olha que isso, ou seja, pedindo para um poder estrangeiro para bombardear o Brasil. Então eles não só, eles, ou seja, não é só que eles querem, não é só um tema de criminalização, um tema de segurança, ou eles querem abertamente permitir a intervenção dos Estados Unidos nos seus países. Você está vendo isso no Equador, você está vendo isso em Argentina, que eles estão invitando, fazendo como exercícios conjuntos com com o exército estadunidense sem aprovação do Congresso, sem nenhuma transparência o que está acontecendo.

E acho que, ou seja, tem muitos antecedentes já do que vai acontecer no Brasil se a extrema-direita ganhar de novo. En este año. Então, ou seja, voltando aí para essa associação, ou seja, como eles associam essa, essa, ou seja, por isso muito perigoso, não, o que eles estão fazendo agora, porque primeiro essa é uma violência simbólica, não, demonizar Primeiro, países progressistas e projetos soberanos, que é o que eles não podem permitir, porque eles veem a América Latina como sua pertença, como a sua área exclusiva de intervenção.

E de aí, não, se há pessoas, por exemplo, a Cuba, que não sei se você viu, há dois dias atrás publicaram um informe sobre a Cuba de 100 páginas descrevendo a Cuba como o centro do comunismo internacional e o centro de uma internacional anti-americana. E aí fala, aí até menciona pessoas, já que está começando a falar de pessoas e de movimentos e organizações nos Estados Unidos e fora.

CACarlos Alberto Jr.

Dos Estados Unidos para justificar, para criar o ambiente para eventualmente irem lá e prender as pessoas.

?Voz 1

Exatamente, exatamente.

CACarlos Alberto Jr.

Então eu vou colocar na tela aqui, Gabriela, para você comentar. A gente tava falando sobre isso aqui, né, alguns dias. O que que é esse evento que aconteceu aí? O ressurgimento do terrorismo político. Que tá na tela aqui vai ser um trecho da fala do secretário de Estado Marco Rubio Depois vai entrar o Stephen Miller, que é o grande arquiteto do mal em relação à anti-imigração e várias outras coisas. O que que foi esse evento aqui?

?Voz 1

Antes de eu colocar o trechinho da fala do Marco Rubio, então foi uma, isso foi convocado depois do discurso do Trump no 4 de julho. Aí eles começam com essa ideia de da ameaça comunista. Então, dias depois, convocaram para esse evento, que é uma cúpula, não? Invitaram a ter representantes de 66 países. Não tem uma lista quais países, não tem uma lista oficial, o que é estranho, não? Mas eles convocaram a 66 países para começar uma agenda de coordenação contra o que eles falam que é ameaça da esquerda terrorista global internacional.

CACarlos Alberto Jr.

E aí, bom, aí você vai mostrar aí um trecho aí para registrar que quando você tem um evento que tá lá o secretário de Estado e um dos um dos principais assessores do presidente da República, que é o Stephen Miller, você vê a prioridade que esse tema tem na agenda do governo do país, né, política de Estado. Eu vou colocar aqui um trechinho, depois eu abaixo o som para poder fazer a tradução aqui. É, então vou traduzir aqui, vou abaixar o som dele.

O que ele tá dizendo é o seguinte: essa é uma maldade distinta e única, sempre foi movida pelo ódio, acima de tudo um ódio à própria civilização. É uma revolta dos piores contra os melhores. Mas quem são os melhores e quem são os piores? Uma revolta dos fracos e covardes contra os fortes e os bons é perpetrada por aqueles que não conseguem construir, que não conseguem criar, que não conseguem realizar grandes feitos e que se vingam do mundo por sua própria inadequação, buscando destruir aqueles que conseguem.

Isso é o que o esquerdismo radical— ele pode usar diferentes slogans e ideologias conforme o lugar e a época, podem se autodenominar anticapitalistas ou antiimperialistas, ou comunistas, ou anarquistas, ou marxistas, mas o caráter fundamental é sempre o mesmo, é sempre o mesmo: é um ressentimento venenoso disfarçado na linguagem da igualdade, da justiça e da libertação, e uma necessidade avassaladora de destruir o que homens superiores construíram, de arrasar o que é belo, o que é certo, em nome de pessoas que estão cheias apenas de feiura e que não têm mais nada a oferecer ao mundo.

Pela violência e pelo terror eles buscam mais uma vez impor sua feiura a todos nós. O velho dogma estava errado. O velho dogma estava errado. Nada disso é movido pelo idealismo, não é utópico. Na verdade, ao contrário. Uma das críticas que às vezes se ouve sobre o comunismo, por exemplo, é que ele soa bem na teoria, mas nunca funciona na prática. Isso na verdade não é verdade. O comunismo não soa bem nem mesmo na teoria. O mundo que ele imagina para todos nós é pequeno, plano, cinzento, nivelado, sem nenhuma exceção, esvaziado de tudo que é bom e nobre na alma humana.

O mundo que ele imagina é um mundo sem coragem, um mundo sem criatividade ou ambição, um mundo sem heróis, sem glória, sem grandes causas pelas quais lutar, um mundo sem milagre, sem mitos, sem homens que se elevam acima dos demais para realizar feitos incríveis e extraordinários. E o mundo que o comunismo imagina é um mundo sem Deus. Para esses arquitetos da violência revolucionária, a conquista imponente da nossa civilização é para eles uma humilhação insuportável, um lembrete daquilo que eles não conseguem fazer e um lembrete daquilo que eles não conseguem ser.

Por isso optam por destruir, atacam oleodutos, atacam ferrovias, atacam redes elétricas e laboratórios, os símbolos físicos e concretos do poder, da invenção e da conquista. Essa é a natureza do terrorismo que enfrentamos hoje. Eles desprezam o Ocidente porque o Ocidente é grandioso. Essa fala aqui tem tanta coisa, ela remete a um passado glorioso que pode não ter acontecido, e se aconteceu pode não ter sido, provavelmente não é daquele jeito.

Deus, pátria, família, o belo, né, a estética do belo, a estética da perfeição, da superioridade. Os bons contra os maus, nós contra eles. Se vocês não estão conosco, vocês são os inimigos. E aqui ele descreve basicamente o que os Estados Unidos fazem, né? Atacam oleodutos, ferrovias, elétricas e laboratórios. Eu não sei se é uma— ele tá reconhecendo que o país está fazendo e tal. Bom, agora eu vou deixar você comentar.

?Voz 1

Sim. E é isso que você falou, é interessante, né? Porque o terrorismo só aplica, ou seja, o terror deles que eles aplicam nas populações no mundo inteiro, isso não é terrorismo.

CACarlos Alberto Jr.

Terrorismo é só dos outros.

?Voz 1

Exatamente. E eu queria também mencionar, já que a gente vai falar um pouquinho sobre isso, o que falou Steven Miller depois, você vai mostrar depois, vou colocar, posso colocar agora inclusive.

CACarlos Alberto Jr.

Se você quiser, para ser uma e emendar, vamos ver se é esse aqui, ó. Bom, Stephen Miller é uma figura execrável, para quem não conhece. Eu vou colocar aqui, tem um livro que foi escrito sobre ele, que é, vou colocar aqui rapidinho, pera aí. Que se chama— não, vou botar o vídeo depois, eu acho aqui, porque tá demorando.

?Voz 1

Tá, tá.

CACarlos Alberto Jr.

Esse aqui, cadê? Aqui é a fala dele nesse mesmo evento em que estava lá o Marco Rubio. Eu vou colocar aqui, aí eu faço Também a tradução. É o que ele tá dizendo é o seguinte: presidente Trump emitiu uma diretriz, na nossa terminologia trata-se de um memorando Presidencial de Segurança Nacional. Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, essa medida determina que todas as nossas agências de aplicação da lei e de inteligência trabalhem em conjunto para desarticular, identificar, cortar o financiamento, bloquear o acesso a serviços bancários, prender e processar esses terroristas políticos que atuam em nosso país.

É fundamental compreender que o terrorismo político de esquerda busca como objetivo final a derrubada do nosso sistema e da nossa forma de governo. Vimos isso acontecer inúmeras vezes em diversos lugares ao longo dos anos, e o secretário Rubio apresentou a vocês muitos exemplos. Terrorismo de esquerda sempre resulta em derramamento de sangue, miséria e sofrimento. Ele segue apenas uma direção. Não há um ponto em que o terrorista de esquerda se dê por satisfeito com suas conquistas e pare de avançar.

?Voz 1

E ele fala também, ele fala também algumas coisas ainda piores do que falou Marco Rúbio. Ele fala que a esquerda é o câncer fatal para a civilização. Ele fala da civilização como a própria casa e que tem que ser defendida de um invasor inimigo, que nesse caso é a esquerda, né? Ela fala que o esquerdista é fundamentalmente motivado pela inveja, pelo ódio e pelo ciúme. O esquerdista olha para aquilo que é velho, aquilo que é bom, aquilo que é natural, olha, que é natural, e se enche de inveja e ódio.

Nenhum deles parece normal, todos são deformados de alguma maneira em sua aparência, em sua maneira de se vestir, em seus modos, sua aparência exterior torna-se uma manifestação de seu ódio interior. E ela fala: confie, confie em seus instintos, como fazem todos os povos em toda e em todas as civilizações. Você sabe o que é normal, você sabe o que é belo, você sabe o que é bom, você sabe o que as famílias são corretas. Você sabe que as crianças são preciosas e belas e devem ser protegidas.

Você sabe que o criminoso, o viciado e o predador representa uma ameaça à vida normal e saudável. Isso é muito mais profundo do que questões relacionadas a tributação e a regulamentação, embora eles sejam extremadamente, extremadamente importantes. Trata-se de uma, ou seja, ele está defendendo uma vida normal, saudável e ordenada, desejando aquilo que pertence às pessoas moralmente superiores, superiores pela forma simples e honesta como conduzem suas vidas, pessoas que eles veem como felizes, equilibradas, pacíficas e atuantes em suas comunidades.

Então aí Como você falou, tem muita, muita coisa aí para analisar. Mas se você compara esse tipo de discurso com o tipo de discurso que fazia o Hitler, por exemplo, é muito parecido. Você não pode argumentar que então que esse discurso não representa uma ameaça. Uma ameaça de violência primeiro, como falávamos, né, uma ameaça primeiro de construir um inimigo que é difuso, não, que é assim disperso e que até assim como fantasmagórico, não, pode ser qualquer pessoa, qualquer ideia, qualquer movimento.

Primeiro você dá essa identidade a esse inimigo. E a identidade basta só para uma violência que passa a ser depois material. E não importa se o que você faz ou fez ou não fez, porque você é isso, não é? Você representa essa ameaça.

CACarlos Alberto Jr.

Vou colocar aqui na tela. Conclua. Não, concluí. Você ia comentar algo mais?

?Voz 1

Sim, não, só que essa Só a existência desse inimigo, ou seja, eles dão uma identidade diabólica. Então aí essa existência passa a ser uma ameaça existencial.

CACarlos Alberto Jr.

A sobrevivência deles depende da existência desse inimigo.

?Voz 1

Exato. E também eles têm que criar o inimigo também, mas o Centauro justifica projetos que estão baseados na exterminação do inimigo também.

CACarlos Alberto Jr.

Então tá aqui na tela, ó. Isso aqui é um livro, Hatemonger: Stephen Miller, Donald Trump e a Agenda Nacionalista Branca, um Exame da Radicalização e do Extremismo de Direita. É um livro de uma jornalista sobre o Stephen Miller e é a trajetória dele. Chega um ponto que o Stephen Miller é judeu, e aí a autora entrevista um tio dele dizendo que se as políticas anti-imigração, que foi o Stephen Miller que idealizou e o Trump tá implementando ainda lá em primeiro mandato, aquela política inclusive de separar crianças dos pais na fronteira, inclusive bebês.

Hoje há algumas centenas de crianças que nunca mais foram reunidas com os pais, porque quando foram detidas e separadas dos pais não sabiam falar, não sabiam andar, foram mandadas para estados diferentes. E ficou impossível. Eles não fizeram registro ou deliberadamente destruíram os registros. Então você tem um monte de gente que não conseguiu reencontrar a família por conta desse cara, o Stephen Miller. Então eu vou ler só um trechinho aqui da explicação do livro.

Radicalizado ainda adolescente, Miller se deleitava em provocar na sua escola em Santa Mônica, Califórnia, cidade de tendência liberal. Entrava em conflito com os administradores e hostilizava colegas de pele cultura, com investidas contra o bilinguismo e o multiculturalismo. Na Universidade Duke, revestia ideias racistas e classistas com a linguagem do patriotismo e da herança cultural para conseguir espaço em meio a controvérsias.

No Capitólio, trabalhou para a deputada do Tea Party Michelle Bachmann e para o senador nativista do Alabama Jeff Sessions. Recrutado para a campanha de Trump, Miller reconheceu seu ídolo, tendo sonhado com a presidência de Trump antes mesmo de ele anunciar sua candidatura. Miller tornou-se seu assessor sênior de políticas e redator de discursos. Juntos alimentaram temores distópicos sobre os democratas, o estado profundo e a carnificina americana, retratando migrantes e seus apoiadores como uma ameaça existencial aos Estados Unidos.

Por meio de manobras nos bastidores e pura força de vontade, Miller sobreviveu a dezenas de demissões e incentivou os impulsos mais duros de Trump, entrando em conflito até com a própria família do presidente. Enquanto Trump investia contra a imigração ilegal, Miller travava uma cruzada contra a imigração legal. Ele visava refugiados requerentes de asilo e seus filhos, provocando uma crise ética numa nação que outrora se via como a consciência do mundo.

Miller mobilizou apoio para essa agenda mesmo quando os juízes federais tentavam impedi-la, cortejando a fúria branca, que encontrou expressão violenta em tragédias de El Paso e Charlottesville. Ele tem um tio, acho que eu já mencionei, né, a história do tio, né? Se as políticas fossem aplicadas, a família dele não estaria nos Estados Unidos, né? Então o que a gente consegue ver agora nesse segundo mandato do Trump é isso. Agora até os imigrantes legais estão perdendo, eles estão cancelando todos os vistos, todos os pedidos de asilo para poder expulsar esse pessoal.

E aí eu vou colocar aqui na tela. Deixa eu só achar aqui. É um outro, tem um outro livro que mostra como é que esse pessoal todo foi sendo formado, né? Você tem um vice-presidente, o JD Vance, que aqui os críticos dizem que ele pertence ao Peter Thiel, que é quem financiou a campanha dele ao Congresso. E vai por esse caminho. Então você tem dois livros aqui, ó. Esse aqui é o Furious Minds, não sei se você conhece. Vamos ver se ele aparece aqui para mim.

Vamos ver aqui, pera aí. Não, são vários livros aqui que eu selecionei para gente. Esse é o Hate Monger, isso aqui a gente vai falar dele daqui a pouco. Não, vou ter que entrar de novo aqui. Pera aí, Furious Minds, perdoe. Aqui, ó, Furious Minds. Essa aqui é uma acadêmica americana e ela traça a história do movimento intelectual conservador radical que molda a agenda do Donald Trump e como ele ameaça as liberdades e valores e a democracia americanas.

Trump não é um grande pensador, mas a vitória dele em 2016 representou uma oportunidade enorme para aqueles que são e desencadeou um processo de radicalização e reconfiguração do mundo intelectual conservador. Nesse livro, a Laura Fields, ela passou quase uma década em círculos acadêmicos conservadores, quase uma Uma infiltrada. Ela narra a ascensão da nova direita, a rede de acadêmicos, intelectuais públicos, influenciadores que fornece o combustível ideológico do trumpismo.

Esse movimento inclui figuras como Patrick Deneen, Christopher Rufo e o Peter Thiel e J.D. Vance. Essa agenda foi construída para durar e traz implicações graves e duradouras para a democracia liberal. Essa nova direita tem precedentes na história americana, mas se por sua juventude, sua misoginia e seus sucessos extraordinários, sobretudo a ascensão de Pence à vice-presidência. Quer dizer, o Pence, se ele eventualmente se eleger para suceder o Trump, ele vai estar sendo operado e manipulado por esse pessoal todo, que é quem o colocou lá.

Então, o movimento que reúne associados do Claremont Institute, de orientação direitista, Os nacional-conservadores, os pós-liberais e a direita radical. Eles defendem uma economia nacionalista, fronteiras rígidas, isolacionismo e valores sociais reacionários. Esse pessoal ajudou a arquitetar o 6 de janeiro e criou o Projeto 2025. Mas acima de tudo, a nova direita está engajada em uma vasta guerra cultural— olha aí de novo— contra o pluralismo liberal moderno.

Tá determinada a capturar o poder do Estado e utilizá-lo de formas novas e liberais dos campi universitários ao cenário internacional, tudo impulsionado pela fantasia de restaurar uma América pura. E aí tem um outro livro também que eu li há pouco tempo que é interessantíssimo, que é Unholy, que é o seguinte: tem uma jornalista, seria profano numa tradução livre. Por que tantos evangélicos votaram em Donald Trump, um adúltero adúltero quanto mais, com credenciais.

Inclusive, ele foi condenado e pagou mais de 5 milhões de dólares para uma moça que ele abusou sexualmente. É um adúltero quanto mais, com credenciais conservadoras questionáveis, que parece desafiar os valores cristãos a cada declaração sua. A repórter Assala Poznań, que cobre religião há muito tempo, e ela cobre a direita religiosa há décadas, Para ela, a resposta acaba sendo muito mais intuitiva do que se poderia imaginar. Nessa investigação, ela mergulha na história radical da direita religiosa para revelar como as questões de raça e xenofobia sempre estiveram no cerne do movimento, e como a religião frequentemente encobriu ansiedades relacionadas a ameaças percebidas a uma América branca e cristã.

Movidos por um impulso antidemocrático e unidos por essa narrativa de vitimização invertida, invertida. O Trump fala, né, os brancos estão sofrendo preconceito, né, vamos acabar com essas políticas todas de cotas e tal. Unidos por essa narrativa de vitimização invertida, a direita religiosa e a alt-right sustentam uma agenda comum e utilizam ativamente a erosão das normas democráticas para reverter avanços em direitos civis, preencher o judiciário com juízes de linha dura, enfraquecer e desregulamentar agências federais e minar a credibilidade da imprensa livre.

Então você vê que há essa arquitetura. E como você mencionou agora há pouco, vou tirar aqui da tela, que isso é um fenômeno global. Tem aqui um rapaz que eu quero de novo mostrar aqui o vídeo, porque a gente não pode esquecer algumas coisas. Pessoas esquecem muito rapidamente dos problemas. Não é esse. Não, tá aqui, ó. Esse aqui tá no meu Twitter. Me perdi aqui, tanta aba aberta. Tá aqui na tela agora. Flávio Bolsonaro. Esse aqui é um vídeo dele de alguns anos atrás, ele falando sobre Cotas.

Eu já me coloquei contra qualquer tipo de cotas para ingresso nas universidades públicas do estado. Eu acho que o que tem prevalecer é o mérito. E no caso específico das cotas raciais, eu acho que ele é um legado muito nocivo que tá sendo deixado para as futuras gerações, porque sem dúvida alguma que discrimina, discrimina antes de entrar na faculdade, discrimina dentro da faculdade e discrimina também esses profissionais quando forem buscar um lugar no mercado de trabalho, porque vão ser taxados principalmente pela iniciativa privada como pessoas que são menos competentes, pessoas que são menos qualificadas.

Tem distinção na nossa sociedade em raça? Por que que uma pessoa só porque tem a pele mais escura vai ter preferência sobre a outra que tem a pele clara? Por que que uma pessoa só porque tem a pele mais escura vai ter preferência sobre a outra que tem a pele clara? Então isso tudo eu acho que tem gerado sérios transtornos. E a gente vê que a política de cotas nas universidades estão muito longe de atingirem o tão propalado objetivo ao qual se propunha, que era a inclusão social e a redução da discriminação, ou atenuar o racismo. Enfim, a gente sabe que o racismo existe, que a discriminação existe.

CACarlos Alberto Jr.

Sim, sabemos, por pessoas como ele que promovem esse tipo de situação. Bom, as pesquisas todas mostram que no primeiro momento os cotistas eles até podem ter um pouco de dificuldade, mas que ao longo do curso eles não saem, não terminam sem dever nada para nenhum outro aluno que entrou sem cotas, né? Eles têm capacidade sim, basta dar a oportunidade, né? Isso aqui é um discurso, né, um debate que já deveria estar superado há tanto tempo, e aí ele volta a trazer isso, ressurgiu agora, não sei qual vai ser o argumento que ele vai usar, se ele mudou de ideia politicamente para poder angariar mais votos ou não.

Mas isso se conecta totalmente a esses livros que eu mostrei agora, né? Você vê que tem esse movimento racista: os brancos é que são superiores, os outros não importam, os imigrantes estão aqui para roubar nossos empregos, roubar nossas mulheres e para nos matar. Então nós precisamos estar armados e impedir que esse pessoal cresça, senão nós vamos desaparecer.

?Voz 1

Se essa ideia do— primeiro, essa ideia de vítima, como você fala, vitimização, vitimização, é isso, que é muito, é quase como uma das características, né, do fascismo geralmente, não? Essa ideia de apresentar o corpo social como vítima de alguma coisa, não seja dos migrantes, seja das políticas inclusivas do Estado, seja de, por exemplo, da conspiração globalista, qualquer coisa, seja qualquer coisa entra aí e é apresentada como uma ameaça.

Essa ideia do, neste caso, uma essa construção das pessoas brancas como vítimas e essa ideia do racismo invertido, que também é muito comum aqui nos Estados Unidos, essa ideia de que querem eliminar aos brancos e que também está muito associada com a ideia de eliminar a Western Civilization. Essa ideia do Ocidente e dessa ameaça, essa ameaça da civilização ocidental, essa está muito associada também essa ideia de eliminar as populações brancas e os valores ocidentais que são superiores, que são morais, né?

O que estamos falando dos dos discursos do Rubio e do Stephen Miller, esse medo assim irracional representado em, em as políticas, isso, nas políticas, políticas inclusivas e as políticas que tratam de remediar discriminações e formas de violência que são históricas, não, e que começaram Séculos atrás, e que colocam por isso em posição de desvantagem, como se fala, desvantagem, desvantagem a muitos grupos, né, que já de por si não tem as mesmas oportunidades que outros têm.

E aí, Carlos, eu queria também, como estava falando aí da cumbre, ou seja, da cúpula da semana passada, eu queria falar aí um pouquinho sobre isso, porque eu conversei para você que você fez umas notas. Eis, fiz umas notas aí só para compreender o contexto, ou seja, que essa cúpula nossa não saiu aí da nada, não foi uma coisa sino que eles estão construindo um discurso, uma política que não é só interna, sino que também é internacional, que está no centro da política exterior dos Estados Unidos, do projeto desse trumpismo global que estávamos conversando.

E aí, porque, por exemplo, O Stephen Miller, ele fala de um memorando, que é o memorando número 7, que é um memorando para o combate ao terrorismo doméstico e a violência política organizada. E aí é muito importante ir lá e ler esse memorando, porque eles falam que, afinal, Carlos, eles é uma grande uma operação assim para combatir a ação antifascista. É isso, né? E aí você coloca, quando eles, porque foi, foi em setembro do ano passado, né, que o governo do Donald Trump designou Antifa como uma organização terrorista. Aí você começa a demonizar um inimigo como uma ameaça existencial.

CACarlos Alberto Jr.

E aí você coloca tudo, você coloca aí, não é um grupo, não é um grupo, não tem uma pessoa, não tem uma sede, não tem uma presidência, nada, não tem nada.

?Voz 1

Só para você colocar aí, por exemplo, as pessoas que defendem o meio ambiente, as pessoas que estão, lutam pela causa da Palestina, aí as pessoas que que estão, por exemplo, como Code Pink, pois é uma organização aqui muito, que é muito, muito importante de resistência, que de resistência, que por exemplo agora eles têm umas, fazendo muita luta em relação com Cuba, com a política de assédio a Cuba. Ou seja, você coloca aí as pessoas que defendem direitos humanos fundamentais, as pessoas que estão protestando contra o AIDS, tudo, tudo.

Você coloca aí toda essa coisa inconexa e assim de repente vira um inimigo, um inimigo interno e também um inimigo internacional, um inimigo externo que precisam estar por isso de essa coordenação que é representada nessa iniciativa da semana passada, não, para combater essa suposta ameaça internacional de esquerda terrorista. E também você teve, não sei se você se lembra, em março, acho que foi em março, o Escudo das Américas.

Que também foi uma primeira também iniciativa de coordenação de política, que afinal é isso, um espaço, um espaço para coordenar, de coordenação, mas também isso de compartilhar um vocabulário que vai ser também implementado e uma série de política que vai ser implementado nos nos governos nacionais, neste caso na América Latina, com a mesma lógica de persecução, isso aí que tem esse loginho aí, que como que algumas pessoas falam que é uma, é como um novo Plano Cóndor, não, uma, esta ideia de coordenação de logística e de perseguição, perseguição, perseguição da dissidência, mas a nível regional.

Ou seja, que não só uma questão interna, senão que é um projeto, um projeto regional. Mas eu falava aí, ou seja, este é o antecedente da cumbre da semana passada. Só que esse aqui é o selo de Américas, o escudo das Américas. Era só no hemisfério, não, só era só América Latina. Ou da semana passada é global, é uma iniciativa de coordenação global. E o Stephen Miller, ele falava desse memorando número 7, que acho que é importante mencionar, porque aí eles falam que o terrorismo que os elementos comuns que animam o terrorismo incluem o anti-americanismo, o anticapitalismo e o anticristianismo.

Então, essas, essas três características são o que eles definem como ameaça terrorista, que está representada nessa sacola difusa que o antifa, ou a luta antifascista. Então, por isso eu achava que era importante mencionar isso. E depois tudo isso começa a ser implementado em política, né? Você tem, por exemplo, a Estratégia Nacional de Defesa, a Estratégia Nacional de Controle de Drogas, a Estratégia Nacional de Contraterrorismo, e todas elas começam a usar o mesmo vocabulário, o mesmo discurso que começa a ser implementado e operacionalizado em política.

Por exemplo, a estratégia de controle de droga está para combate ao narcoterrorismo, a Estratégia Nacional de Contraterrorismo. Elas são 3 ameaças que eles listam. Uma é narcoterroristas e gangues transnacionais, Depois os terroristas islamistas e depois os extremistas violentos de esquerda, incluindo anarquistas e antifascistas. E tudo isso então não é só que vai assim como a um nível de política pública nos Estados Unidos, sino também em nossos países.

Por exemplo, vocês agora vocês veem na Argentina, eu mencionava O caso da, como eles estão implementando uma política migratória que é assim como uma cópia do ICE, do modelo do ICE na Argentina, mas também tem agora uma política, eles criaram uma como uma nova unidade assim para combater o terrorismo e eles designaram algumas organizações como terroristas. Seguindo a agenda da política exterior dos Estados Unidos, não? Por exemplo, as forças revolucionárias do Irã, os carteis, alguns dos carteis, como por exemplo os carteis mexicanos, os Zetas, não lembro o nome, mas ou seja, eles, isso começa a ter um efeito concreto em termos de política e em termos de discurso.

E só para também dar outro exemplo de que isso não é uma coisa como, ai, que medo, que pode acontecer. Ou seja, isso está acontecendo, essa perseguição de pessoas está acontecendo. Eu não sei se você conhece o caso do que aconteceu em Texas. De um tribunal de Texas que condenou um grupo de pessoas que fizeram uma manifestação frente a um centro de detenção de doais. Não sei se você viu essa notícia.

CACarlos Alberto Jr.

Eu sei que tem havido várias manifestações e as ações têm se voltado contra os manifestantes, né?

?Voz 1

O ano passado tive uma manifestação manifestação frente a um centro de detenção em Texas, que virou aí, tive, eu li sobre o caso, eles usaram, como se fala, fireworks, fogos de artifício, isso, isso, eles usaram como pólvora aí, tipo assim, então Tive aí, acho que um dos manifestantes estava armado, mas estamos falando de pessoas comuns. Ou seja, tive aí um professor, um professor de escola, de ensinança, ou seja, de colégio, assim, é uma, tenho que escrever aqui, um professor, um estudante.

Um trabalhador de talhapiés, ou seja, pessoas comuns. E elas foram há pouco, acho que foi há 2 semanas, condenadas apenas entre 50 e 100 anos de cadeia. E elas foram condenadas por terrorismo de antifa. E em alguns casos é por prestar apoio material ao terrorista. Tinha uma pessoa que ela, essa pessoa, esse cara recebeu uma condena de 30 anos de prisão só por transportar uma caixa de zines antifascistas, que é uma publicação. Então, ou seja, e isso não tive assim muita cobertura midiática, sabe?

Era como, então estamos vendo assim como uma Ou seja, essa ameaça está agora, estamos vivendo, não é mais uma ameaça, está acontecendo. Exatamente. Então, e também não é só para compreender o perigo disso aqui nos Estados Unidos, senão também em nossos países. Por isso era importante falar dessa cúpula da semana passada ou do Escudo das Américas, porque isso aí começa a ser implementar em política. Eles começam aí a construir um inimigo que, afinal, qualquer coisa que eles considerem que é uma ameaça, seja para um projeto econômico, seja para uma política, uma política que eles querem aprovar, ou um, que seja, uma uma, ou seja, qualquer movimento que eles vejam como com algum tipo de ameaça para um projeto político, econômico, que eles querem implementar em uma situação particular, ou também o que seja uma ameaça para os interesses dos Estados Unidos também nos nossos países.

Por exemplo, na Argentina tem aí estão por aprovar uma legislação que é, que o nome da legislação é assim como, seria como o respeito à propriedade privada, é assim, Deus, Pátria, Família, né? E essa legislação é para abrir a tenência ou a pertência da terra no país, ou seja, donos estrangeiros. E não, por isso não é casualidade, não tem, não é coincidência. Exatamente. Tem uma série de coisas que eles vão aprovando assim uma de vez, que começa assim como a blindar um projeto que ainda eles não sejam eleitos, por exemplo, o Milei em 2027, no próximo ano.

Aí esse projeto fica aí blindado, ou seja, é toda uma série de políticas e legislações que protegem um projeto que não é tão fácil de reverter, ou seja, que não tá fácil de desarmar.

CACarlos Alberto Jr.

É, isso remete a algo que a gente tinha comentado mais cedo, né? O problema não são leis. As leis têm que ser as que eles querem, a que eles criam. Eu já mencionei algumas vezes em outras conversas, saiu um artigo na revista The Wire, de um produtor, ator, diretor americano, que ele foi convidado para uma festa do Jeff Bezos, dono da Amazon, só com gente VIP. Foram todos de jatinho e tal. E a conclusão dele é que o objetivo era fazer networking.

Então eles pegam os ricos, os mais famosos, para criarem essas conexões instituições e com objetivo de algo melhor e que dê mais dinheiro para eles. Mas a conclusão dele desse encontro é que esses trilionários, né, agora você tem o primeiro trilionário que é o Elon Musk. Depois que você se torna um trilionário, qual é o seu objetivo na vida? Se tornar um quatrilionário, né, o primeiro quatrilionário. E aí a conclusão dele é que esse pessoal tem dinheiro que é até difícil da gente imaginar Eles estão acima das leis, eles estão numa situação que eles podem fazer qualquer coisa.

O próprio Elon Musk chegou a publicar um tweet, depois ele apagou, né, que ele daria um golpe de estado onde quer que ele quisesse para poder ter os recursos, né. E no caso se referindo à Bolívia, né, daria um golpe de estado lá para ter o lítio para as baterias dos carros e das empresas dele. Esse pessoal tá tão acima de tudo. Você imagina, quem é que vai prender um Jeff Bezos? Quem é que vai prender o Elon Musk? Quem é que vai prender o cara lá do Facebook? Não tem esse pessoal, Peter Thiel, né?

?Voz 1

E ainda são celebrados, eles são vistos como íconos, como uma pessoa. Eu posso virar um Elon Musk.

CACarlos Alberto Jr.

Modelo, né, uma referência.

?Voz 1

Então, e esse é o problema. Por isso, e acho que ao começo nós falamos sobre essa, é uma batalha, uma luta pela consciência, né, que como, e também que eu comecei falando sobre a ideia do cristofascismo e da como foi realmente uma uma categoria que foi, que surgiu no campo da teologia. E como, ou seja, a luta é também uma luta pela ética, pela como evidenciar o terrível que é isso, como para que essas pessoas sejam, consentem esse nível de de riqueza, não, como se fala, riqueza, riqueza, é porque tem muitos, tem populações inteiras, não, que, que, que, que, que têm sido roubadas, não, das suas riquezas, desses recursos, dessas formas de vida.

Então é como uma, uma, uma luta, uma luta pela consciência e também uma, uma, uma luta por, por tipo uma ética diferente, não, que não pode ser isso aí, essas pessoas que têm que ser celebradas. As pessoas têm que ser totalmente demonizadas.

CACarlos Alberto Jr.

Exatamente. Então, falando nisso, para a gente encerrar aqui nossa conversa, já está com 1 hora e 40, vou colocar aqui só essa figura na tela, que é o Pete Hegseth, que é o secretário de Defesa ou da Guerra, né, como podem preferir. Isso aqui é uma imagem que circula aí de tempos em tempos na internet, são as tatuagens que ele tem no corpo. E aí aqui fizeram uma explicação do que representa cada uma, só para a gente ter uma ideia de quem é que está no poder nos Estados Unidos, de quem é a pessoa que está controlando a máquina de guerra nos Estados Unidos.

Então, número 1, que é a Cruz de Jerusalém, que ele tem tatuado no peito. É também chamada de Cruz dos Cruzados, é composta por uma cruz grande cercada por 4 cruzes menores, historicamente associada ao Reino Cruzado de Jerusalém e as cruzadas medievais. Hoje é usado tanto em contextos religiosos ou militares legítimos, quanto mais recentemente apropriada por grupos nacionalistas cristãos e de extrema-direita como símbolo de identidade civilizacional.

Olha aí, tudo a ver com seu trabalho, né? Número 2 aqui: Deus vult, que tá no braço dele. Em latim, Deus quer, Deus assim o quer, foi o grito de guerra atribuído aos cruzados na Primeira Cruzada, em 1096. Nos últimos anos, a frase foi adotada por movimentos online de extrema-direita e nacionalistas cristãos como lema simbólico de uma suposta guerra civilizacional contra o Islã ou contra o secularismo. Pete Hegseth, que tem discursos contra o Islã demonizando.

A terceira tatuagem é We the People com algarismos romanos. Nós o povo são as primeiras palavras do preâmbulo da Constituição dos Estados Unidos. Os números romanos ao lado parecem ser, e, né, 1% ou similares costumam remeter ao movimento Three Percenters, ou 3%, um grupo miliciano patriota de extrema direita dos Estados Unidos que se refere ao mito de que apenas 3% dos colonos americanos pegaram em armas contra a coroa britânica.

Número 4 é uma tatuagem com cobra e espada. É um tipo de desenho, costuma ser no estilo militar tático, às vezes ligado a unidades de operações especiais ou lemas de vigilância e força. E essa aqui não tem um contexto que ligaria exatamente a grupos de extrema-direita, mas eu acho, tendo o histórico dele, provavelmente é. E aí a outra é o brasão com espada e o ne desit virtus, frase em latim que significa aproximadamente que a virtude não falte, ou que não falte— opa, me perdi aqui.

Ou que não falte coragem. Esse tipo de brasão com lema costuma ser insígnia de unidade militar. Ele lutou em algumas guerras aí pelo Exército americano e comum em brasões da Guarda Nacional dos Estados Unidos. Ou seja, essa é a pessoa que tá aí no centro do poder. Então, se alguém tem dúvida de que ele é um nacionalista branco, né? E enfim, só isso aqui já é um outro episódio, né?

?Voz 1

E tem toda essa estética das cruzadas, é muito, é muito característica da extrema-direita. E tem, ou seja, é apresentado diferente dependendo do contexto, mas é bem característica da extrema-direita. O discurso também, esse discurso que nós falamos do Stephen Miller e do Marco Rúbio, é toda essa aí uma ideia de uma cruzada moral, uma cruzada religiosa, espiritual, espiritual. E o Pete Hetzel, ele escreveu um livro que eu li parte, ele está escrito assim, é para como, como para, como é bem básico assim, ou seja, não é uma, não é uma, aqui na tela, American Crusade, American Crusade, como Cruzada Americana, nossa luta para permanecer livre.

Ele aí ele fala de Ele fala de, ele está, ele convoca os cruzados, ou seja, que os americanos como os cruzados que têm que defender os Estados Unidos, que tem que defender a civilização ocidental. E quais são as ameaças? Ele fala de o Islã, não, fala de À esquerda, não, claro, fala de a China. Então esse é sempre esses inimigos reinventados, inimigos de sempre, são que talvez, cara, agora não é a União Soviética, agora é a China.

E tem, por exemplo, a guerra contra o Irã. Foi apresentada como uma cruzada pelo Pete Hetzel. Tem vários vídeos aí onde ele faz várias referências à Bíblia e de por que é uma cruzada religiosa. Um vídeo que ficou, viralizou dele citando passagens bíblicas, na verdade eram trechos inventados Sim, sim, sim, era, ou seja, é uma, eles, ou seja, por isso é importante, é interessante, bem interessante como analisar essa estética também, tudo aí.

Só que sempre, ou seja, sem esquecer que tudo isso é parte de um projeto, o projeto que que é racional. Você tem aí muita coisa, muita coisa assim, muita coisa maluca assim, muita, mas tem uma racionalidade por detrás, que é uma racionalidade, um projeto que é fascista, não, que é um projeto que tem uma dimensão estrutural e que vai se estabelecendo em políticas. Políticas públicas e com um efeito não só doméstico, senão também internacional. E acho que é isso que a gente não pode se como—

CACarlos Alberto Jr.

então tá tudo aqui, olha, explicar. Tô colocando na tela de novo aqui os livros Unholy, como os cristãos nacionalistas brancos, né, deram apoio ao Trump. Independentemente de tudo que ele tenha feito, é só porque o Trump, por questões políticas e de poder, apoia a agenda desse pessoal. Assim, contra LGBTQIA+, contra cotas, contra imigrantes, né? Eles são os melhores. Então o único objetivo é esse, não tem nada de nobre nessa parceria.

Aqui um outro livro, não é esse, o que o Stephen Miller Aqui temos Furious Minds. Então aqui você tem um retrato de como esse movimento vem sendo forjado há décadas. Isso não começou ontem, isso aí vem dos anos 40, 50. As pessoas que estão em cargos de poder hoje, eles vieram de ONGs ou think tanks estão ligados a universidades, estão ligados ao Hayek, aquele pessoal da Escola Austríaca de Economia, o Mises, que flertam com o nazismo e o fascismo o tempo todo, né?

Então você tem de fato uma operação, uma tecnologia em marcha para perpetuar esse pessoal no poder. Vamos ver se as eleições agora de novembro vão de fato acontecer e se muda um pouco o cenário do Congresso. Eu não tenho muitas esperanças, até porque eu não vejo muita diferença entre democratas e republicanos. Se você pega historicamente, especialmente Biden e Clinton, eles fizeram guerra do mesmo jeito. Acho que a diferença é que eles não fazem propaganda, não ficam divulgando, não falam, não assumem publicamente o que eles pensam.

Mas tem um monte de vídeo aí, né, o próprio Biden Saiu uma matéria agora nessa semana da The New Yorker falando como é que ele acabou facilitando tudo que tá acontecendo ali em Gaza, né, esse genocídio em andamento. Ele não segurou a onda.

?Voz 1

E a perseguição contra os estudantes, as manifestações também aqui, você lembra?

CACarlos Alberto Jr.

Sim, várias coisas que o Trump fez ele não desfez, ele manteve. Ele não começou Não, ele manteve, porque tem vídeo dele dizendo que ele é sionista, que não precisa ser judeu para ser sionista, que se o Israel não existisse, os americanos teriam que ter inventado. Então só muda a velocidade com que as coisas acontecem. Mas, Gabriela, quero te agradecer muito aqui por essa conversa e já deixar o convite para a gente fazer outras assim que você tiver novos textos aí.

?Voz 1

A gente combina. Eu vou seguir muito de perto a campanha. Espero também conseguir ir lá. Eu apliquei para uma bolsa, só que não sei se vai dar tempo assim, mas eu vou tentar ir lá pelo menos umas semanas. Fala que no Brasil, em Brasil, sim, no Brasil. E senão, ainda assim, eu vou aí seguir muito de perto. Então a gente poderia conversar sobre isso também, porque vai ser essa eleição, é assim muito, muito importante, vai ser muito importante assim para toda a região.

E agradecer, Carlos, pelo interesse e pela oportunidade. Aí você faz um trabalho muito importante, não, os que estavam falando aí de criação de consciência, porque ao final eles, toda essa demonização, demonização do pensamento crítico Então você faça aí também o seu aporte, né, a sua contribuição nessa luta aí que tá ficando difícil, mas temos que continuar.

CACarlos Alberto Jr.

É isso. Obrigado, Gabriela.

?Voz 1

Obrigada a você.

CACarlos Alberto Jr.

Espero que você tenha gostado da entrevista com a Gabriela Segura Ballar. Se gostou, compartilhe com seus contatos nas suas redes sociais. Isso é muito importante para ativar os algoritmos das plataformas e fazer esse conteúdo chegar para mais gente. Eu aproveito para te convidar a apoiar financeiramente o Roteirices. É possível fazer isso pela plataforma Apoia.se ou fazer um Pix de qualquer valor usando a chave carlosalbertojr1569@gmail.com.

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