Ordem do Dia – com Jair Miotto (PL): riscos dos cigarros eletrônicos
Os jornalistas Camila Levien e João Guedes conversam com o deputado Jair Miotto (PL) sobre o Projeto de Lei 297/2025, que cria uma campanha para conscientização de crianças e adolescentes sobre os riscos à saúde trazidos pelo uso dos vapes ou cigarros eletrônicos.
Camila Levien
João Guedes
Jair Miotto
- Cigarros eletrônicos e saúdeRiscos à saúde de cigarros eletrônicos · Vapes · Nicotina · Danos cardiovasculares · Danos pulmonares
- Campanha de conscientização sobre vapesProjeto de Lei 297/2025 · Conscientização de crianças e adolescentes · Ambiente escolar · Mídias sociais
- Fiscalização e regulamentação de cigarros eletrônicosPortaria da Anvisa · Fiscalização federal
Olá, seja bem-vindo ao podcast Ordem do Dia. Eu sou o João Guedes, estou aqui com a minha colega Camila Levien para conversar com o deputado Jair Mioto, do PL, autor do projeto que trata dos riscos do uso do cigarro eletrônico entre crianças e adolescentes. Seja bem-vindo, deputado. Obrigado, é um prazer estar aqui com vocês para tratar de um tema tão importante, tão atual. Deputado, o senhor propôs uma campanha focada em crianças e adolescentes. Como é que ela deve funcionar?
Esse nosso projeto, ele traz à tona uma preocupação que tem sido noticiada, inclusive, na mídia. E com resultados de pesquisas do próprio IBGE, hoje, cresceu mais de 30% o consumo de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens, a partir de 12, 13 anos.
Então é um dado preocupante e mesmo tendo uma portaria da Anvisa que proíbe o consumo, a venda, a distribuição aqui no nosso país, mesmo assim, se nós andarmos aí nas escolas, se nós andarmos aí nas festinhas, a gente vai ver que essa norma não é cumprida, não é fiscalizada e nós temos um crescimento.
gigante no consumo. Inclusive, quem mais consome são as meninas. E estima-se que 8,7% dos adolescentes já são viciados nisso. Então, é um dado alarmante que nós precisamos criar.
medidas preventivas e esta instituição que nós estamos fazendo através de projeto de lei é instituir justamente um programa, uma campanha estadual de conscientização e proteção informando dos riscos, dos dados, trazendo as informações, dos malefícios que isso traz para que a gente possa evitar que esta seja mais uma geração viciada em nicotina.
Deputado, essa questão da informação é importante também porque existe uma crença entre os jovens, inclusive, de que o cigarro eletrônico, que também é chamado de vape, de pod, ele seria menos danoso à saúde do que o cigarro tradicional. Isso não é verdade. Sim, isso é mito. Na verdade, causa os mesmos danos cardiovasculares, respiratórios, os mesmos danos pulmonares que causa o cigarro tradicional. Só que...
a indústria se reinventa. Eles já fizeram algo que é parecido com o pendrive, algo que tem sabor, morango, tutti-frutti, sei lá, tipo sabores que tem chicletes, por exemplo, e também tem toda uma fumaça diferente, uma fumaça que daqui a pouco, eu presumo eu, que da criatividade desse pessoal da nicotina, eles são capazes de colocar até fumaça colorida para atrair o jovem.
São mecanismos para atrair essa geração. E é o mesmo debate que se fazia na década de 60, quando também a indústria do tabaco dizia, não, não é nocivo. E olha aí, olha o que nós vivemos hoje. Então, acredito que seja um investimento, porque quando nós investimos em conscientização e responsabilidade...
Nós estamos economizando recursos que depois vão ser gastos na saúde, na fila dos hospitais, pessoas que vão ter a sua vida abreviada, pessoas que vão passar por muitos problemas, que vão ser limitadores na saúde das pessoas. Então é um investimento que nós estamos fazendo na vida dos nossos jovens.
Quando se fala em campanha de conscientização, muito se vem à mente no primeiro momento, no início dos anos 2000, com a campanha de tabagismo, com o É Proibido Fumar, que foi muito significativo e um case de sucesso nacional. A ideia é trazer propostas semelhantes aqui para Santa Catarina, inclusive incluindo o ambiente escolar nesse debate?
Exato, o principal foco é o ambiente escolar, já está na emenda do projeto, que é justamente nessa faixa etária dos estudantes de ensino médio, mas também ensino fundamental, universidades, é conscientizar esse pessoal. E é óbvio que as campanhas precisam ser utilizados, os mecanismos do próprio colégio, como palestras, ações educativas.
distribuição de materiais informativos, atividades e estratégias pedagógicas que vão tangenciar nas matérias, mas também há que se fazer campanha através das mídias sociais. Então, acho que é importantíssimo a gente também conectar com os jovens, fazer uma campanha atualizada nesse momento em que a grande maioria usa a rede social. Então, é importantíssimo essa atualização da maneira de conectar com os jovens.
Deputado, para encerrar, o senhor apresentou esse projeto aqui no ano passado, aqui na Assembleia Legislativa, né? Qual a expectativa do senhor para a aprovação, para que isso possa sair do papel? Então, nós já tivemos a aprovação por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça, vai para a Comissão de Finanças e, em seguida, acredito eu, para a Comissão de Educação e de Saúde.
Então, talvez, se dermos celeridade, acredito que logo teremos aprovação e sanção do próprio governador do estado, uma vez que já existem recursos na própria Secretaria de Educação para incentivo a políticas públicas para os jovens, a políticas de prevenção a malefícios. Então, tem tudo para que o projeto seja...
realmente aprovado e que também esperamos que haja uma fiscalização do governo federal, uma vez que há a lei que já proíbe a portaria, mas a gente não vê fiscalização, parece até que o governo federal não está muito se importando com essa pauta.
Tá certo, muito obrigada pela sua participação, deputado. Obrigado, pessoal, muito bom estar com vocês aqui. Muito bem, muito obrigado, deputado. E esse foi o Ardem do Dia, podcast de entrevistas da LESC, que está disponível no Spotify, na programação da TV LESC e nos perfis e canais Assembleia SC no YouTube e no Instagram. Siga nos acompanhando e até a próxima.