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O poder da escuta na cultura organizacional

28 de abril de 20261h8min
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Cultura organizacional não se constrói com deck de apresentação. Ela vive nas histórias das pessoas, e na capacidade de ouvi-las de verdade.

Mas o que acontece quando essa escuta é estruturada? Quando, em vez de dados e métricas, uma organização se olha através das experiências reais de quem faz parte dela?

Nossos convidados da vez, Alexandre Simone e Lucas Galdino, criadores do Ter.a.pia e da produtora ta.nacasa, dedicam o trabalho deles a exatamente isso: conduzir histórias reais para revelar o que nem sempre é perceptível dentro das empresas, e ajudar pessoas, grupos e organizações a se (re)enxergarem.

Nesse papo, a gente mergulha em:

→ O que aparece nas escutas que nunca chega aos canais formais.

→ Como uma experiência individual pode se tornar referência para toda uma organização.

→ Por que temas como diversidade, equidade e pertencimento ganham outro peso quando vêm da voz de quem os viveu.

→ Os cuidados necessários para conduzir histórias sensíveis sem expor ou simplificar quem as viveu.

→ E o que ainda precisa ganhar mais espaço, e mais voz, dentro das empresas hoje.

Uma conversa sobre escuta, cultura real e o que as histórias das pessoas têm a dizer sobre as organizações.

Créditos:

Roteiro e execução: Baruco Comunicação Estratégica

Na condução do episódio: Erika Baruco e Bruna Carvalho

Edição e sonorização: Leonardo Engelmann

Participantes neste episódio4
E

Erika Baruco

Host
B

Bruna Carvalho

Co-host
A

Alexandre Simone

Convidado
L

Lucas Galdino

Convidado
Assuntos3
  • Poder da escutaCultura organizacional · Diversidade e inclusão · Histórias reais · Conexão entre líderes e liderados · Impacto da escuta na produtividade
  • Desafios da comunicação internaRigidez na comunicação · Importância da escuta ativa · Impacto do erro na liderança
  • Transformação organizacionalMudança cultural · Empatia nas relações de trabalho · Adoção de práticas inclusivas
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Então a gente sempre vai conduzir no sentido de não é um problema, obviamente desde que você não afete outra pessoa, mas não é um problema você errar, desde que você esteja aberto a aprender com o seu erro também. Que as pessoas colocam numa caixinha dicotômica, ou é 8 ou é 80, ou é preto ou é branco, essa coisa de eu contra eles, e a gente vai entendendo, ao ouvir essas mais de 400 histórias, que as pessoas são complexas.

Porque se você não tem uma cultura, não tem um respeito, não tem, enfim, uma tratativa que é real, você pode ter uma crise despertada ali dentro de algo que você está querendo trabalhar.

Às vezes os líderes não têm noção do privilégio que é ser um líder, a falta dessa conexão de entender quais são as necessidades ali de baixo, da galera que está sendo liderada por essa pessoa. Dá para você falar de uma ação institucional, de uma campanha institucional, de uma forma que as pessoas abracem, que as pessoas gostem, que as pessoas se sintam representadas ali. Não só naquela coisa fria, estéreo, né?

Explore o universo da comunicação e potencialize seu desenvolvimento profissional e pessoal. Baruchesk

Olá, bem-vindos ao Barucast. Eu sou a Erika Barucco, mulher branca, 50+, olhos azuis, cabelos castanhos claros, meio ondulados, na altura dos ombros. Uso óculos de armação dourada. Já chamo aqui minha parceira, a Bruna, para fazer sua autodescrição. Olá, eu sou a Bruna Carvalho, mulher 35+, cabelos pretos, hoje estou de coque, uso óculos, estou de blusa laranja no nosso fundo aqui.

com o nosso M da marca Conquista. É isso aí. Bom, hoje a nossa conversa parte de um ponto que costuma ser tratado de uma forma bastante superficial dentro das organizações, mas que na prática é o que sustenta a construção da cultura organizacional, da cultura das empresas, que é a escuta. Existe um volume grande de informação sobre pessoas e pautas.

Mas nem sempre ele é acompanhado por uma escuta estruturada das experiências que acontecem no cotidiano das equipes. E é aí que muitas iniciativas acabam não se sustentando ao longo do tempo. E é uma alegria para a gente receber hoje, para aprofundar um pouquinho nesse tema, o Alexandre Simone e o Lucas Galdino, criadores do projeto Ter a Pia, da produtora Tá na Casa.

Eles que desenvolvem um trabalho baseado na condição de histórias reais em diferentes contextos, inclusive no corporativo. E a partir dessa escuta direcionada, eles constroem dinâmicas em que a experiência das pessoas ajuda a compor a forma como as outras pessoas, grupos, as organizações vão perceber e se reorganizar.

Então, a proposta hoje da nossa conversa é entender como essa escuta, quando bem conduzida, fica aqui o alerta, pode contribuir de forma concreta para a leitura e a construção da cultura organizacional das empresas. Bem-vindos, meninos, Alexandre e Lucas, que eu também agora convido para vocês fazerem as suas aulas de inscrição, e se apresentarem, apresentarem o Terapia, para quem ainda não conhece, porque já tem muita gente que conhece, aproveito também para já convidar quem não conhece para acessar o canal dos meninos.

e aproveitar tantas coisas maravilhosas para a gente aprender nessa escuta por lá. Muito obrigado, gente. A gente fica muito feliz de estar fazendo parte e falar do que a gente mais ama, que é o poder da escuta. Eu sou Alexandre Simone, um homem branco, alto, cabelos loiros e encaracolados. Hoje estou vestindo preto.

E sou parceiro sócio aqui do Lucas nessa nossa empreitada de ouvir as pessoas. Vamos lá, eu sou o Lucas, eu sou um homem branco de cabelos cacheados, um pouquinho abaixo dos ombros. Uso óculos de armação marrom, meio tartarugada, com manchinhas.

E tô vestindo uma regata verde oliva. E é isso, assim, eu falei, a gente tá aí há oito anos já contando histórias. A gente começou, como bem disse a Bruna, né? Com o canal, ouvindo histórias e contando, e levando essas histórias que a gente ouve pras redes sociais. Esse ano faz oito anos que a gente faz isso. Já são mais de 400 histórias contadas. Então, 400 pessoas que a gente foi até a casa delas.

ouvir, tomar um cafezinho ali e poder, enfim, expandir o nosso mundo e levar esse mundo expandido que a gente agora pertence para as outras pessoas também através das redes sociais. Muito bom. E eu começo então com você mesmo, Lucas, perguntando, né? Ao longo então dessas mais de 400 histórias, dessa experiência que vocês têm, o que vocês entendem que a escuta das histórias reais revela sobre as pessoas e sobre os contextos em que elas estão inseridas?

Ele estava refletindo sobre isso esses dias, por incrível que pareça. A gente recentemente gravou uma história com uma pauta super urgente, né? Que a gente está discutindo muito a respeito da jornada 6x1. E a gente foi ouvir uma empreendedora que já adota desde 2019 uma escala 4x3. Então, tudo certo, tudo dando certo. Enfim, e aí a gente conversando depois da gravação, a gente...

descobriu algumas coisas que pareciam não condizer com o discurso dela. E aí eu acho que uma coisa que a gente aprende muito, aprende desde 2018, que é quando a gente começou, é entender que as histórias são complexas. Hoje a gente vive num mundo muito dicotômico, quer dizer, que as pessoas colocam numa caixinha dicotômica, ou é 8 ou é 80, ou é preto ou é branco.

Nessa coisa de eu contra eles. E a gente vai entendendo, ao ouvir essas mais de 400 histórias, que as pessoas são complexas. Elas não são um único pensamento. Obviamente, se a gente for olhar para a questão política, da coisa política partidária, é mais fácil a gente colocar as pessoas nas caixinhas. Mas a gente aprendeu ouvindo essas histórias que as pessoas são muito complexas. Não é porque ela diz uma coisa que ela vai falar outra, que ela aceita um, que ela vai aceitar o dois.

E isso acho que vai tecendo, obviamente, desde que as histórias e essas pessoas não atinjam outras vivências de forma negativa, de forma agressiva, isso vai fazendo com que essa complexidade humana forme uma teia muito bonita de se ver, que é realmente aquela coisa colorida. Eu acho que, energeticamente, na minha cabeça, quando eu vou vendo essas complexidades, essas conexões das histórias das pessoas, isso vai se tornando quase um...

uma colcha de retalhos, assim, que fica bonito. Nesses oito anos ouvindo histórias, foi isso que eu principalmente aprendi, assim, que as pessoas são complexas e isso não é um ponto negativo, é um ponto extremamente positivo. Porque aí é isso, a gente vai falar sobre adoção, pode ser um tema recorrente na página, mas cada adoção é única, cada motivação de adotar uma criança é única e cada jeito de se adotar, cada jeito de lidar com aquela situação é única e isso serve pra todos os temas e todas as histórias possíveis.

Quando a gente transfere essa visão, porque o História de Terapia, ele vem de muitos lugares, de muitos personagens ou muitas personalidades, essas pautas se constroem dentro aí das pessoas de vocês por muitos caminhos. E algumas delas vêm pelas empresas, por umas encomendas, vamos dizer assim. O que muda dentro dessa configuração, então, quando a gente fala de visibilidade, ou indo mesmo para a escuta?

costuma aparecer nessa escuta que não está tão claro, tão transparente, nos canais que são os canais formais da comunicação, porque a comunicação tenta trazer ali uma cultura que vem de uma estrutura geralmente hierárquica e que eventualmente não conversa com essa escuta.

Então, eu queria entender aí até dentro também da experiência de vocês, o que geralmente vocês percebem que não está concatenando, que não aparece nessa escuta que é formal, mas que aparece ali quando vocês estão de fato ouvindo a equipe, o colaborador, enfim.

Eu acho que a gente foi aprendendo, junto com as parcerias que a gente faz, né, comercial, óbvio que a demanda que vem pra gente é uma demanda muito institucional, e aí a gente tenta tirar um pouco dessa institucionalidade, assim, a gente tenta quebrar um pouco disso, porque o produto final, né, que é o vídeo, a história sendo contada ali nas redes, tem que engajar, tem que cativar, tem que brilhar o olho de quem tá assistindo.

Mas também a gente tenta passar, antes do vídeo ser produzido, antes da gente ir lá gravar, a gente tenta passar para esse parceiro que, da mesma forma que a gente vai ouvir a pessoa entrevistada, que a gente vai fazer ali na entrevista do nosso trabalho, quando a gente está ouvindo o parceiro também tem que ter essa escuta atenta.

de entender a demanda, de entender se aquilo ali é uma coisa muito rápida, uma demanda que, putz, surgiu daquele momento que eles querem aproveitar ou não, se é algo que já está sendo construído, até mostrar para eles que, de repente, aquele caminho da pressa também não é um caminho que faz tanto sentido ali naquele momento. Mas eu acho que a demanda da escuta vai estar sempre presente do comecinho do primeiro, do meio enviado, pedindo um orçamento até a produção final. Alícia, tem mais alguma coisa para você...

Eu acho que tem também uma abertura para surpresa, ainda mais quando a gente conta histórias, e até geralmente algumas empresas nos procuram para falar sobre determinado tema, e aí a gente vai atrás do entrevistado, de alguma história. Tem as surpresas que acontecem nessa entrevista e que às vezes fogem de um roteiro inicial pensado.

que a gente também entende como oportunidade e possibilidade que enriquece a campanha. Mas aí parece que tá todo mundo aberto, né? A gente, quando vai fazer uma entrevista com alguém, a empresa também, quando a gente pensa em como que a gente vai comunicar tudo que a gente consegue captar, né? Sim, total. E é isso, assim, é tirar um pouco desse lugar institucional.

Até que, recentemente, além do projeto, né? A Bruna também comentou da produtora, né? Na casa. É isso, acho que a gente entendeu e, principalmente, nossos trabalhos mais frequentes são com empresas que são muito rígidas na comunicação por uma questão...

Até por conta do nicho, né? Necessária. Aqui são o nicho de saúde, farmacêuticas e tal. São frequentes aqui as campanhas que a gente participa. E a gente foi entendendo que sim, é necessário ter uma rigidez ali, porque eles estão lidando com questões extremamente sérias. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que eles encontram na gente, no nosso conteúdo, o jeito de falar de uma forma não tão institucional, aquela coisa fria.

Dá pra você falar de uma ação institucional, de uma campanha institucional, de uma forma que as pessoas abracem, que as pessoas gostem, que as pessoas se sintam representadas ali. Não só naquela coisa fria, estéreo, né? A gente tenta levar isso, e a gente foi entendendo que essa demanda, não só com os conteúdos que a gente leva para as redes sociais, mas também nas próprias comunicações ali. Por isso que na casa, a gente coloca ela pra jogo, assim.

Porque a gente entendeu que, além das redes sociais, a gente já faz isso aí há muito tempo, né? Oito anos. Mas que essa comunicação antes das redes também precisa ser feita de uma forma institucional, mas que não seja institucional chato, que ninguém vai querer... Só é mais um vídeo que a empresa está fazendo. Ela pode ser mais um vídeo que é feito, mas que agrade, que acolha, que ouve.

Que conecta com o seu público-alvo. Pode ser interno, pode ser também o público ali que é o consumidor, que é o cliente daquela farmacêutica. Eu acho que a rigidez não pode afastar do público, né? Às vezes tem sim mensagens muito chaves que precisam ser ditas em determinada campanha, mas às vezes essas mensagens chaves podem vir como consequência de uma história bem contada e não a mensagem chave vindo primeiro. Porque aí tudo que tem cara institucional, duro, quem tá rolando feed, passa, né? Pula.

A gente sempre tenta chamar, puxar pela emoção, pela história, e aí, como consequência, a gente dá a mensagem necessária, sabe? Perfeito. A gente até conversou recentemente, em umas trocas aqui de trabalho, sobre a necessidade de dessensibilização. E quando a gente vem para a comunicação interna, particularmente falando, essa abertura que vocês trazem é ainda mais importante, porque toda comunicação vem de dentro para fora, quando a gente fala de empresa. Se eu não consigo me comunicar com o meu público interno...

dificilmente eu vou conseguir me comunicar com o público externo como se deve. E o trabalho não vai fluir como todas as empresas esperam que esse trabalho flua. Então, eu queria até ouvir de vocês. Vi também um post do Lucas recentemente falando de uma pesquisa que vocês fizeram.

que vocês ouviram ali mais de 800 pessoas, e um dos dados ali era de que mais de 96% passaram a entender melhor como desigualdade, preconceito, afetam oportunidades, por exemplo. E em que momento a história deixa de ser ali apenas um relato individual?

e passa a ter esse poder de transformação, essa função de transformação dentro da organização, indo para esse dado que é muito forte, do que a Alexandre trouxe agora, é ouvir histórias reais. O institucional, a Erika, colocou ali o comunicado, a gente vem aqui na condição de comunicação interna e externa também.

de um pedido das empresas sempre, eu preciso de um comunicado para isso, eu preciso comunicar aquilo, mas se a gente não olhar e não tiver essa escuta primeiro para entender o que comunicar e como comunicar, a gente não vai conectar e não vai transformar. Então, eu queria ouvir um pouco, a partir dessa experiência de vocês, exatamente isso. Quando isso deixa de ser um relato e passa a ter essa função de transformação.

Eu acho que a gente fez essa pesquisa recente, né? A gente ouviu ali a nossa própria comunidade pra entender qual era a força das histórias reais, que é o nosso material base, assim, de conteúdo, tanto pras nossas redes também, quanto pra todas as parcerias que a gente faz, sejam elas de comunicação pública ou comunicação interna, né? E a gente entendeu que as histórias não são...

apenas conteúdo, né? Elas são uma tecnologia social mesmo, capaz de alterar as percepções, os comportamentos e as estruturas. E aí, a partir disso, como bem disse a Bruna, né? A gente ouviu mais de 870 pessoas. Obviamente, essa pesquisa é de impacto auto-percebido, então, a gente não ouviu ali a satisfação de você gostar de ouvir histórias. A gente foi perguntar, isso muda algo em você? E a gente foi descobrindo realmente dados muito legais, assim.

Cerca de 90% das pessoas amplia a capacidade de se colocar no lugar do outro. Ou seja, contato repetido com narrativas reais treina a capacidade de compreensão do outro. Isso também vai reduzir julgamentos precipitados, vai permitir que as pessoas percebam nuances que antes elas ignoravam. Isso vai aumentar a abertura para aprender com as...

histórias e as vivências de outras pessoas que têm trajetórias diferentes, ter a compreensão das desigualdades, como bem trouxe a Bru, que 96% das pessoas passaram, a partir do momento que elas consomem histórias reais, que elas estão ligadas ali com essas histórias reais, elas passam a entender melhor como desigualdade e preconceito afetam as oportunidades das outras pessoas. Isso mostra também que o contato com histórias reais conecta o particular ao coletivo.

E aí torna visível essas estruturas que antes eram invisibilizadas de alguma forma. Isso também faz com que as pessoas liguem histórias pessoais a questões estruturais da sociedade, enxerguem privilégios e barreiras com mais clareza e também procura saber mais sobre alguns temas. Então, vou querer saber mais sobre racismo, vou querer saber mais sobre misoginia, após ouvir essas histórias, né? Porque a gente sempre fala aqui que...

a gente faz um trabalho quase que prévio das pessoas que lutam por causas, né? Então tem ali as pessoas que lutam por causas ambientais, causas de gênero, causas de raça. A gente faz até um trabalho prévio, assim. A gente vai lá e mostra uma história, porque a história vai primeiro fazer com que aquela pessoa...

tem a conexão com aquele tema. Porque às vezes a gente vai falar sobre alguma pauta específica, se eu, Lucas, o homem gay, vou falar, coloco um vídeo falando, ah, porque a LGBTfobia é uma coisa séria na sociedade, muita gente vai se desconectar totalmente. Mas se eu levo a minha história pessoal, ah, aconteceu isso, isso, isso comigo, tive que fazer tudo isso aqui pra conseguir lidar com toda essa situação de preconceito, até chegar aqui, eu trago uma narrativa.

Quase a jornada, a storytelling mesmo, assim, a jornada do herói mesmo, contando aquela trajetória até a pessoa se posicionar de uma forma positiva, né? Ter aquele, o gancho ali da superação, isso vai fazer com que a outra pessoa entenda e consiga encontrar elementos simbólicos ali que remetam à sua vida, mesmo ela não sendo parte da mesma comunidade, né? No caso aqui da comunidade LGBT. Então, acho que esses dados que a gente reuniu dessa pesquisa mostraram pra gente coisas muito, muito bacanas.

Tem esses números que são lindos, a gente adora ficar revendo ali, mas eu acho que é um espelho mesmo da sociedade que também, se a gente for pensar, está cada vez mais individualista, cada vez mais autocentrado, olhando para si e esquecendo do coletivo. E quando a gente esquece do coletivo, a gente esquece também de começar a agir para melhorar algumas questões de convivências nossas.

Eu acho que institucionalmente falando, quando alguém quer também comunicar alguma pauta dessa, não tem como não começar, seja uma pauta sobre LGBT, uma pauta racial, uma pauta sobre mulheres. É impossível não começar escutando quem está ali do lado, porque a gente só conhece o universo de alguém quando a gente escuta aquela história daquela pessoa. E parece tão...

Parece até simples dizendo, né? Tipo, nossa, as pessoas não conhecem com quem elas trabalham e ao longo desses oito anos é o que a gente vai vendo que as pessoas realmente não conhecem quem está do lado. Mesmo a gente, durante as gravações, é muito forte quando a gente começa a gravar, quando a gente começa a fazer o trabalho de um escuta totalmente entregue, que a gente tira as nossas bagagens e fica ali pronto para escutar o outro.

a gente já fez entrevista com pessoas que eram próximas nossas, parentes, e que a gente realmente não conhecia ainda a história delas por completo. E aí quando a gente pensa num ambiente de trabalho, eu tenho muito a lembrança de trabalhar em agência e chegar com tanta demanda, com tanta tarefa, e já chegar e abrir o computador e aquele bom dia, aquele tudo bem.

quase que só obrigatório e sei lá, que a pessoa respondeu ou não, e também tem uma coisa que quase como se ela não estiver bem também, meio que não dá tempo de te ouvir agora, inclusive você tem que estar bem porque a gente precisa produzir. E aí isso vai gerando também um cenário, um ambiente de trabalho e de produção.

muito ruim, onde as pessoas vão ficando adoecidas de algo que parece tão simples, aqui falando, mas está falando que é só as pessoas escutarem umas às outras, mas muitas respostas estão dentro do próprio ambiente de trabalho, então como que a gente vai organizar o nosso dia ou a nossa convivência uns com os outros, sem saber a história da pessoa que trabalha com você diariamente, todos os dias.

Esse trabalho de sensibilização começa bem no dia a dia para depois partir para as ações mais práticas. E eu acho que muitas vezes as pessoas pulam essa etapa, né? Pula, escuta e já começa a pensar, mas qual que é o projeto? Qual que é a ideia? Como é que a gente vai transformar as coisas sem antes parar e olhar para o próprio ambiente?

Porque é isso, né? A gente acaba vendo um monte de empresas, assim, vira até piada na internet, quando a gente vai ver, né, quando tem, sei lá, o mês do orgulho. Aí tem aquela coisa, aquela piada que diz, ah, então durante junho todas as empresas mudam o logo pra colorido, a cor da bandeira do arco-íris, B1 de...

julho, já acabou aquele discurso. Então não pode ser só ações pontuais, né? E aí, voltando pra pesquisa que a gente fez, a gente sabe que realmente, quando é pontual, vai ter um certo impacto ali. Porque se você faz uma ação muito bem feita ou muito verdadeira também, eu acho que tem a questão de ser verdadeiro, você estar disposto a falar sobre aquilo com profundidade, vai ter algum impacto. Mas se você faz coisas realmente com rotina...

E na rotina do cotidiano da empresa, como o Ale falou, né? É ouvir as pessoas, é entender quem é aquele colega de trabalho, se você é uma liderança, de estar realmente imerso ali nas vivências mesmo. Porque eu sei que a gente está acostumado, né? Acho que aquele ditado de, ah, problema de casa a gente não leva para o trabalho.

impossível, a gente tá vivendo hoje, a gente trabalha de casa, né? A maior parte das pessoas aí estão tudo em home office, não tem como separar as coisas, né? Então, quando a gente começa a ter frequência dessa conexão, a gente tem um impacto percebido também, né? Então, aí, voltando pra pesquisa, a gente entendeu quanto maior tempo de contato com as histórias.

maior é a transformação das pessoas. Então, 28% das pessoas que têm mais... Na verdade, o impacto é 28% maior das pessoas que têm uma frequência maior de contato com essas histórias do que aquelas pessoas que veem às vezes. E, obviamente, a regularidade... E aqui, olhando muito para questões de consumo de produto audiovisual, mas é só a gente também traduzir isso para o dia a dia. Então, a regularidade que a gente tem de contato com essas histórias de vida vai fazer com que a gente tenha um impacto maior lá na frente.

Se a gente começa a fazer ações que são cotidianas, rotineiras, a gente vai passar daquela empresa que vai fazer uma ação em novembro para falar sobre questões raciais de uma forma muito rasa e vai discutir aquilo todo dia. De repente, um funcionário seu passou uma situação de discriminação racial no metrô e você não está sabendo. Como você vai lidar? Você vai acolher aquela pessoa ou não vai? De vez a gente fazer só uma ação, uma palestra.

no mês de novembro, porque a gente não está de olho para saber realmente o que está acontecendo ali com as pessoas que estão trabalhando com a gente, né? Deixa eu trazer um exemplo que acho que é bom, tem muito a ver com isso.

A gente uma vez foi chamado para uma empresa para fazer uma campanha com os funcionários LGBTs, a gente deveria entrevistar essas pessoas e a gente ia postar na cena do Histórico de Terapia sobre as atritórias deles. Durante algumas entrevistas, as pessoas nos disseram não, esse lugar que eu trabalho não é acolhedor comigo. E aí foi que a gente parou e pensou nossa, a gente está fazendo uma campanha para essa empresa, mostrar nas redes quem são os funcionários LGBTs que trabalham lá dentro.

sendo que eles estão nos contando que eles não estão se sentindo seguros ali dentro. E aí que a gente pensou, nossa, talvez tinha um trabalho antes desse, de fazer essa série. A gente estava fazendo o trabalho de levar essas histórias para fora da empresa, a gente podia estar fazendo o trabalho primeiro das pessoas ali dentro se ouvirem, e para depois fazer esse trabalho da série de uma maneira muito mais bonita e efetiva. A gente é muito isso, né, Bru? É quase uma missão de vida aqui, fazer o que os...

Isso é algo que a gente milita muito, né, Bruna? A gente tem muita demanda das empresas, e a gente fala assim, peraí, vamos voltar um passo atrás, porque, inclusive, se você fizer essa ação, você vai gerar um efeito reverso. Porque é isso. Porque se você não tem uma cultura, não tem um respeito, não tem, enfim, uma tratativa que é real, você pode ter uma crise despertada ali dentro de algo que você está querendo trabalhar.

Nesse caso, em particular, vocês fizeram alguma intervenção? A ação prosseguiu? Como é que vocês lidaram? Só para a gente entender. A gente levou para a empresa, né, os dados que a gente tinha recebido, que a gente achou muito curioso as pessoas terem coragem de ter nos contado, talvez coisas que elas não tinham contado ainda internamente, né, então a gente levou para eles, mas é isso, é tão difícil fazer as pessoas compreenderem isso.

que infelizmente eles não quiseram fazer um trabalho interno com a gente, né? Então assim, receberam a crítica e não sabemos como que eles prosseguiram com isso, eu acredito que de maneira nenhuma. E a gente achou interessante o funcionário conseguir se abrir para nós e contar abertamente, né? Eles sabiam que a gente estava sendo contratado pela empresa, então talvez até para ele foi uma tentativa mesmo de fazer com que essa mensagem chegasse do outro lado, usando a gente como meio, né? Como uma ponte, né? E até por ser externo, né? Não tem um envolvimento...

hierárquico ali, né? Contratual e hierárquico que fizesse com que vocês não pudessem se comprometer e se comprometeram levando. Acho que é um desafio muito grande mesmo. E nesse aspecto vindo pra dentro da organização que entendo que ainda é um lugar que a gente precisa mudar muito.

porque a rede social expande, mas a gente já tem hoje um movimento de disseminação muito grande. Quando a gente fala de cultura organizacional, a gente tem um caminho ainda um pouco mais tortuoso para trabalhar exatamente por essa raiz.

Porque a gente precisa, como vocês tão bem trouxeram, de ações de verdade. A gente não precisa de vídeo bonito, de comunicado maravilhoso, café da manhã no dia X ou Y. A gente precisa de ações no dia a dia. Então, eu queria entender de vocês como é que a gente consegue, em diferentes níveis, de forma prática, trazer essa conexão. Vocês têm um trabalho que eu acho fantástico, que é a pessoa lendo a história como se fosse ela e a história de uma pessoa real.

Eu acho aquilo de uma sensibilidade muito grande, porque eu sou de uma época que já quase 40 aí, que os filmes baseados em fatos reais têm um impacto na nossa... Quando a gente via lá no final, né? Baseado em fatos reais, aquilo trazia um negócio. Você fala, poxa vida, aquilo aconteceu de verdade. Você sentia o que a pessoa sentiu, você conseguia se conectar. E você ver a pessoa lendo, você enquanto um ser humano, lendo a história de um outro ser humano, em algum momento ali você consegue se colocar literalmente no lugar dela. Tchau.

Como que a gente consegue trazer isso para essa realidade organizacional, meninos? Vocês conseguem deixar aqui algum caminho? O caminho das pedras? Luca, você pode falar na sequência, eu só vou aproveitar aí. Porque essa nossa ideia, ela nasceu de uma sensação de que existia... A gente estava falando muito sobre empatia em todos os lugares, precisa ser empático, precisa ser empático, empático na vida, no trabalho. E a gente começou a perceber que existia quase uma mentira ali, tipo, a empatia é quando você se coloca no lugar do outro.

E aí a gente estava entendendo que quando a gente se coloca no lugar do outro, pensando assim, ah, o que eu faria se eu estivesse no seu lugar? A gente está só se colocando, só pensando em nós, né? Então a gente fala assim, ah, mas se eu fosse fulano, eu faria isso. Ah, mas eu já passei por isso e eu reagi de outra maneira. Então tinha uma visão da empatia meio falsa.

Como se, primeiro, que claramente não é possível a gente sentir tudo que o outro sente, mas o nosso desafio era como é que a gente faz, então, para que as pessoas, quando conheceriam uma história, conseguirem abrir mão do repertório delas, pelo menos por alguns instantes, para entender o porquê que o outro toma decisões diferentes da gente. Porque, às vezes, se a gente olha superficial, parece... Nossa, a gente tem uma trajetória parecida, assim, né? Crescer, fazer faculdade, fazer o que é que começou a trabalhar.

Mas se a gente não aprofundar nas entrelinhas e na bagagem que o outro realmente carrega e que vai interferir nas tomadas de decisões, a gente nunca vai compreender o outro na sua plenitude.

E aí esse exercício, né, então a gente faz com que as pessoas leiam uma história como se fosse delas em primeira pessoa, né, então só de você ler a história e você se ouvir falando, né, saindo da sua própria voz, às vezes você se emociona em textos que você não imaginaria, então é um exercício de, por alguns instantes você quase que tá sentindo a mesma coisa que o outro, e a gente encontra isso como uma maneira das pessoas abrirem o repertório delas, né, e aí a gente percebeu que isso dá pra fazer em todos os lugares, então a gente faz na rua, na Vida Paulista.

A gente faz um encontro fechado que a gente faz com nossos seguidores e a gente consegue fazer dentro das empresas também. E isso é muito catástrofe. Então, a gente já teve, assim, exemplos de pessoas que nos falaram assim, ah, depois que vocês vieram e fizeram essa atividade, pessoas da equipe que não tinham nem amizade foram viajar juntas na outra semana.

Às vezes alguém pode pensar, mas o que isso tem a ver com o trabalho no dia a dia, né? Uma equipe que está muito mais integrada e junta, com certeza ela vai trazer resultados para a empresa, né? Então, para além da importância social, você ter um time integrado que se entende, que se conhece, isso também contribui para que se produza de uma outra maneira e todos os lados da cadeia terminam felizes, assim, eu acho.

Eu acho que essa ação que a gente faz, a gente nomeia, depende, quando vira vídeo tem um nome, quando tá dentro dos eventos, né, tem outro. Mas essa ação da leitura é o que a gente tenta pregar desde o vídeo que a gente faz lá com o pessoal lavando louça, até todas as ações que a gente pensa em conjunto com as empresas pra comunicação interna, que é coletividade.

E quando a gente faz uma fala, dentro do nosso evento, quando a gente criou o Sentir, né, que é o nosso evento presencial, que tanto pode ser que é feito com a nossa comunidade quanto pra dentro das empresas, quando a gente criou ele, a gente não queria fazer mais um evento de palestra. A gente não queria ser mais um TED, sabe, assim, da gente falando, ah, olha só, tem que ouvir as pessoas, né, olha que interessante e tal. Mas como que a gente coloca de fato as pessoas pra fazerem isso?

É com coletividade, porque quando a gente só fala, cada um vai pegar aquilo que a gente falou e vai interpretar de um jeito.

Obviamente que quando a gente faz essa atividade, cada um que estiver assistindo aquela atividade vai interpretar de um jeito, só que é um jeito um pouco mais coletivo, porque já está explícito qual é a mensagem ali, né? Então, o que é justamente ouvir aquela história com atenção, você entender onde está explicitado o grande problema daquela história. Então, pode ser uma questão de uma doença, pode ser uma questão de raça, de gênero também.

Eu acho que todas as ideias que a gente faz, né, dentro dos nossos escopos internos, né, pra comunicação interna, é muito fazer com que a pessoa veja o mundo da outra ou de outras pessoas através de uma perspectiva que antes era ignorada. Porque é óbvio, é isso, como eu disse, tá todo mundo...

agindo de forma automática e individualista, porque o mundo está fazendo com que a gente siga assim. Só que, é quase clichê o que eu vou falar, mas assim, nós somos seres sociais, então, sem essa conectividade, a gente não progride. Então, se eu e o Alexandre, a gente age aqui dentro do Terapia, de formas separadas, a gente vai cada um para um caminho, e esse caminho nunca vai se encontrar. Se a gente age junto, a gente se encontra e começa.

com as nossas diferenças, faz com que essa engrenagem funcione de uma forma muito mais natural. E isso acontece internamente dentro das empresas também, né? Quando o relato individual de alguém, justamente nessa ação, ele traz à tona questões estruturais da sociedade. E a pessoa fala, nossa, nunca tinha pensado essa situação por essa perspectiva.

Sim, porque você só está pensando na sua perspectiva, né? Então, acho que tudo que a gente faz é sempre pensando no coletivo, sempre pensando em como mexer nessas estruturas individualistas, assim. E aí, é de pares, né? Então, ali, da galera, chão de fábrica, basicamente, assim. Então, está todo mundo ali no operacional. Quanto dos líderes também, né? Às vezes, os líderes não têm noção do privilégio que é ser um líder.

A falta dessa conexão de entender quais são as necessidades ali debaixo, né? Da galera que tá sendo liderada por essa pessoa. Então quando o líder também desce e entende aquela realidade, entende por que a pessoa de repente age daquele jeito, por que a pessoa é daquela forma e ouve aquela história, né? Ele vai conseguir, a partir dessa lente empática, ver que é necessário também agir de outra forma.

Bem legal o estudo que vocês fizeram, porque quando você fala de coletividade, você fala, na verdade, de comunidade também, né? E você tem muitas comunidades dentro dessa coletividade. Em tudo, você fala enquanto sociedade, enquanto organização a gente também tem, quando nós temos indivíduos que pertencem a suas comunidades dentro das suas individualidades e que carregam isso para dentro de uma organização. E aí você vai para a organização e você tem os processos que vocês disseram, os protocolos, os fluxos que...

Muitas vezes também estão atrelados não só à estrutura da empresa, mas a um segmento, como a gente trabalha um pouco de saúde e rigidez, e você tem compliance. Então você tem regras e fluxos. E aí acho que até retomando um pouco do começo da conversa, quando vocês fizeram a palavra rigidez, essas confundem muito o que é cumprir processos com ser rígido. Eu enxergo aqui que são coisas distintas. Você tem que, claro, ter um fluxo organizacional.

porque você se reporta a normativas dentro do seu segmento, da sua empresa e tal, e que precisam ser cumpridos por segurança, inclusive às vezes do próprio colaborador, da instituição e etc. Mas a rigidez por si só não resolve o problema, porque se ele não entender o porquê daquele processo. Isso porque também quem está nas hierarquias, nos processos acima, não entendendo as dificuldades,

que essa escala toda vai tendo para aderir. Cada um vem de um lugar, vem de um entendimento. Quando você fala de estruturas muito diversas, no sentido de funções, de atividades, não dá para falar com todo mundo de forma igual. Não dá para usar o mesmo comunicado padrão e querer que as pessoas atendam a um processo rígido, porque elas, no máximo, vão ser robôs. E robôs também sujeitos a falhas, como toda máquina e como todo ser humano. Então, se você não vem com essa conexão...

onde você consegue, de fato, acessar as pessoas naquilo que elas precisam entender e também, a partir delas, mostrar para as outras instâncias quais são as dificuldades que elas têm, os lugares que elas vêm para poderem ser acessadas, a gente não vai dar um match nessa mensagem, nessa cultura, que tem que se fazer, de fato, no corredor, né? Tem que se fazer, de fato, no dia a dia e não na tal data, como vocês colocaram ali, é o dia a dia, coloca o comunicado, o mundo se veste de tal cor.

e tá tudo bonitinho, e aí depois não atende. E aí a gente não muda nada. Vira tudo só um grande, assim, protocolo vazio, e que não transforma nada. E de novo, corre-se riscos de gerar mais crise, porque você tá mexendo num vespeiro no qual você não cuida. E aí quando você não cuida e você vai acessar, ele vai se rebelar.

Acaba sendo muito mais delicado esse processo dentro desse caminho. Mas eu queria até entender como é que vocês enxergam mesmo esse desafio, quando vocês têm estruturas que são muito diversas e diferentes, dentro do que vocês têm que aplicar e ouvir e eventualmente transformar, porque não é missão de vocês transformar. Na verdade, a missão de vocês é despertar essas pessoas para essas histórias e fazer elas se conectarem e entenderem o que elas precisam. Vocês estão no meio de uma pauta de uma empresa que demanda.

E vocês têm que atender aquilo que vocês fazem de melhor, que é conduzir essa pauta por meio do acesso a essas pessoas, sem condicioná-las. Eu acho que isso é bem legal de vocês. E eu queria até entender qual é o segredo de vocês para não condicionar e, ao mesmo tempo, conduzir. Porque, de novo, são duas coisas diferentes. Vocês precisam conduzir pauta, mas vocês não podem condicionar as pessoas para as falas que a empresa deseja.

Eu acho que é muito no momento que a gente está ouvindo a pessoa. Então, tem algumas estratégias de pergunta que funcionam. Então, um jeito que a gente poderia induzi-las é a gente usar uma frase, geralmente, que em extrematéria poderia ser usada, que a gente use uma frase e a gente pede para a pessoa concordar com a gente. Então, eu preciso que você diga isso. Então, eu já falo, não é verdade? E aí você induz que a pessoa fale exatamente o que você falou. A prática do jornalismo, né?

E a gente nunca faz isso. A gente sempre vai indo pelas perguntas para que a pessoa seja o máximo sincera possível e ela nos traga aquela informação. Tem vezes também que a pessoa não consegue trazer exatamente da maneira que o cliente gostaria.

E aí a gente encontra outras maneiras de colocar aquele recado dentro do conteúdo, deixando claro que aquilo não saiu da boca do entrevistado para também honrar ele e as coisas que ele fala. Mas, geralmente, como a gente entra muito preparado do que a gente está procurando, do que a gente precisa contar e quem que a gente procura para nos ajudar aquilo, tem uma sinergia, já tem uma pré-conexão de que a gente está na mesma página e eu acho que isso nos ajuda a passar a mensagem necessária.

É muito delicado, é uma linha muito tênue isso mesmo, de você conduzir, mas não condicionar. Mas eu acho que a troca é tão genuína que eu acho que facilita isso mesmo, de a gente estar aqui para te escutar e eu acho que já deixar claro que não vai haver um pré-julgamento de qualquer coisa que a pessoa fale. Ela pode falar alguma coisa que...

vai estar errada, desde que ela esteja disposta a aprender com aquele erro, no sentido de sim, a gente tem nossos preconceitos, a gente tem uma visão cultural diferente, cada um nasce numa família, cresce numa região, com um poder aquisitivo diferente, então tudo isso vai moldando o nosso olhar do mundo.

Agora, se a gente está disponível a ver, como eu disse, o mundo com as lentes, dessa lente da empatia mesmo, de aprender, de entender que existem privilégios, de entender que existem segmentos que são muito diferentes e o jeito que as pessoas lidam com esses segmentos também é um jeito diferente.

Eu acho que isso faz com que a gente consiga ir nesse caminho da condução e não do condicionamento ali. Então, a gente não quer ouvir de você que você, nossa, depois disso, nunca mais vou falar uma frase problemática. Não vou nem colocar agora um tema específico, mas uma frase problemática.

Não, talvez você fale, mas desde que você esteja falando, opa, pera, falei um negócio aqui, não era o que eu realmente queria dizer, vou me corrigir e vou tentar aprender, ou estar aberto também a ser corrigido, né? No sentido de, sei lá, um colega de empresa ou, enfim, qualquer pessoa da sua vida. Você falou alguma coisa, a pessoa vai falar assim, putz, não é legal você falar esse tipo de coisa. E a pessoa vai falar, tá bom, é verdade, desculpa, eu realmente estou aqui aprendendo.

Tudo depende muito de quão aberto você está. Então a gente sempre vai conduzir no sentido de não é um problema, obviamente, desde que você não afete outra pessoa, mas não é um problema você errar, desde que você esteja aberto a aprender com o seu erro também. Eu acho que a gente tem muito que ter uma verdade.

porque acho que quando alguém assiste qualquer tipo de campanha, o que dá mais sucesso é quando tem muita verdade. Já teve vezes de cliente falar assim pra gente, ah, eu queria que o entrevistado falasse essa frase. A gente fala, não, a gente não vai pedir pra ele falar essa frase. Ah, não, mas eu queria muito. Então a gente vai achar outro jeito de botar essa frase. A gente vai botar uma aspa no letra, ele vai botar numa legenda, vai botar em algum outro lugar.

Mas a gente não tá gravando com um ator, que a gente manda o texto e ele fala, porque às vezes tem isso, né? Eu quero que ele mande todas essas mensagens. Aí a gente ignora tudo que ele tem a dizer, só pensando nas mensagens chaves.

Então a gente também é muito fiel a isso, tipo assim, isso é inegociável, a gente não vai trabalhar dessa maneira. E com isso, a campanha vai ter muito mais valor, porque quem assiste, na hora já saca o que é natural de que alguém está falando que está saindo dela verdadeiramente.

ou do que ela tá falando ensaiado. Eu acho que cada vez mais o nosso olhar tá muito treinado pra isso, assim. Hoje em dia, a gente bate o olho num texto no Instagram, a gente já sente se aquele texto é da pessoa ou se foi feito por inteligência artificial. Não vem aí vídeos, terapia e ah, não, né? Não, não vem.

E aí tá, eu acho que o nosso maior capital... A gente até passa mais rápido, né? A gente passa, mas tipo assim, ah, isso daqui não é ela, não foi ele que escreveu. Não tem alma, né? Não tem alma. Tem até o conteúdo da pessoa, mas a linguagem não tem alma, porque ela tá tudo padronizada ali. Não é fluído. Exato. E eu acho que é isso que a gente não faz, a gente é muito fiel à verdade. Eu acho que essa é uma regra básica nossa. E a verdade tem erros, né?

Eu acho que é isso também, as pessoas têm muito medo do erro, do errado, do incorreto.

E não, tem erro também, tudo bem, óbvio, a gente não... Falando em vídeo, né, como a gente edita o material, a gente não vai expor a pessoa caso ela tenha falado alguma coisa que é muito problemática. Mas assim, existem erros. Sabe quando a pessoa usa um termo que, na verdade, aquele termo não significa aquilo, mas ela tá usando ali com tanta verdade que eu entendi, entendeu, o que ela quer dizer, você vai entender, então acho que estar aberto ao erro é também algo que traz muita verdade. Então isso também vai fazer pro vídeo.

que vai pras redes sociais, vai ser pras conversas que a gente vai ter dentro das empresas ou até mesmo nas nossas famílias, com nossos amigos também.

Nada mais humano do que errar, né? Dizem por aí que errar é humano. E quando a gente vem para isso, me trouxe agora muito essa questão de hoje, a gente está cada vez, a gente está sendo mais forçado a não errar, né? E dentro de uma empresa onde você tem processos que você precisa seguir o tempo todo, o erro se torna muito crítico. E quando você tem essa escuta aberta e esse olhar para o outro também...

Os próprios erros, eu acho que a gente diminui chance de erro quando a gente tem essa troca e quando a gente erra a gente tem mais chance de acertar depois do erro. O Lucas trouxe no começo a história da escala 6x1 e a gente vem muito agora com o NR1.

Eu acho que é bem importante para as empresas. E onde esse lugar de escuta, de erro, de espaço para o erro, de espaço para a escuta e de espaço para essa desconstrução, vai ser cada vez mais importante. Para a gente humanizar e para a gente conseguir, inclusive, viver nesse mundo, nessa era da IA, nessa era de tanta produtividade.

e de tanto cansaço mental, físico, onde as instituições correm riscos enormes de desmoronarem. Então, quanto essa humanização vai, para o olhar de vocês, vai ser importante para que a gente mantenha essas estruturas de pé, inclusive.

Eu gosto dessa relação com o erro, porque eu acredito, assim, que se você tem alguém que você é próximo, que você conhece a pessoa, e aí essa pessoa vai errar em algum momento. Mas aí você tem uma construção com ela de outras histórias, né? Então você vai conhecendo ela por completo. Até quando ela erra, você compreende ela no todo, e aí é um passo mais fácil de perdoar um erro dessa pessoa. Agora, quando tem alguém que erra e você não tem nenhuma conexão com essa pessoa, ela nunca não tem nenhuma conexão com essa pessoa.

tentou estar próximo de você, nunca fez nenhum movimento pra criar uma relação, mas aí quando ela erra, ela ainda quer que você compreenda, sabe? Então, não tem como a gente engolir erros de pessoas que não estão fazendo nenhum tipo de movimento pra se integrar. É diferente de quando você conhece aquela pessoa, você observa o movimento dela, tipo, você dá um vacilo, mas é isso. As pessoas vão vacilar, mas precisa do contexto inteiro, né?

E acho que a gente tem que partir do pressuposto de que vão ter erros. Como é que a gente constrói essas relações pra que esses erros também aqui.

Além de serem não só aceitados, mas de entender como corrigi-los. Porque também, se você criou relação com as pessoas, você consegue perguntar para elas, né? Tipo, esse caminho aqui é um bom caminho, não é o melhor caminho? Então vai criando uma relação de confiança que só existe quando tem uma dedicação na relação, né?

É como relacionamento mesmo, eu acho. Total. E é isso, assim, quando você acolhe o erro do outro ali, você mostra pra ele que ele pode confiar em você pra te perguntar antes de errar de novo. Que é mais ou menos isso que o Ale tá falando mesmo. Então...

Eu acho que essa relação é o mais bonito mesmo, assim, no sentido de, ó, tá tudo bem se você errar aqui, porque eu vou estar aqui pra colher, vamos tentar resolver o erro, obviamente, mas aí a pessoa, antes de errar de novo, ela vai falar assim, não, aquela pessoa era tão bacana que eu vou lá perguntar pra ela se é assim mesmo que faz. E aí, algo que ela poderia estar, não, eu tenho que mostrar que eu sou muito capaz, eu sei fazer tudo sozinho. E aí ela vai lá, faz e erra, ela vai chegar e eu vou falar assim, ah, então.

Tô numa dúvida aqui, tô com uma questão, será que você pode me ajudar? Você acha que é por esse caminho ou por aquele? E aí a outra pessoa vai ajudar ali, enfim, e pode até errar também, né? As duas podem errar juntas. Mas é um erro que é uma prática social mesmo, né? De você tá junto com o outro e confiar no outro pra que tudo flua de uma forma muito melhor.

Então, realmente, eu acho que em época de IA, que tudo é muito da inteligência artificial, acho que o erro, que seria quase contraditório, o erro humano seria quase o inverso da inteligência artificial, é algo que a gente precisa explorar muito e que a gente precisa abraçar de verdade, sabe?

Porque é no erro que a gente aprende, né? Mas eu entendo que isso tudo que vocês falaram se resume numa palavra. Quando você fala do aceitar ou não esse erro e da escuta e você querer ser aceito dentro do erro, que é a tal intenção. Quando você entende de onde vem aquela intenção, ainda que com o erro, você entende que a intenção é boa. A gente fala que de boa intenção o inferno está cheio, então tem que ter muitas astros quando a gente fala de intenção.

que essa intenção tem que vir de um lugar legítimo de desejo de melhora, de aprendizado, e que se eu quero essa escuta do lado de lá, eu tenho que ter uma escuta do lado de cá para entender o porquê que eu estou errando. Porque daí, se eu entendo porquê que eu não aprendo, e porquê que eu não acesso aquilo que eu não consigo transformar em mim, como é que eu vou querer que o outro tenha essa escuta para entender o meu erro? Então, essa escuta tem que ser recíproca, esse aprendizado, o tempo todo, e a gente fala muito de escuta, e que essa palavra já caiu também na banalidade.

E ela tem muitas camadas em termos do que é essa escuta, que o raso é ouvir muito mais do que ouvir e entender e estar no lugar dessas coisas que muitas vezes você não acessa. Mas existem caminhos mesmo, né? A gente brinca até com a neurocomunicação para você, de fato, acessar o lugar dessas pessoas para entender de onde que vêm esses problemas e tudo mais, para acolher ou não.

até onde você acolhe ou não, desde que também o outro esteja disposto a dar o primeiro passo. E aí, voltando para a pauta das organizações, o quanto a gente vê que as lideranças, que precisam bater metas, precisam atingir ali as cabeças, e também são cobradas pelo mercado, é cobrado pelo cliente, é sempre ter alguém acima de alguém.

E aí, em cima disso, tudo acaba sendo meio que relativizado nessa escuta. Porque eu preciso pagar as contas, porque eu preciso lucrar, eu preciso isso. E aí, você vai para esse fake, que é fingir que vou escutar, vou fingir que vou fazer uma campanha, vou fingir que estou organizando. E que, no fim, fica tudo muito superficial e, de novo, muito mais frágil. E aí, até eu queria entender como é que vocês enxergam, né? O quanto pode ser problemático essa construção toda?

Muito protocolar e não realmente intencional dentro da organização. E quando fala intencional, inclusive, pode ser até não ser legítimo de sentimento, mas até daquilo que é estratégia. E às vezes eu tento colocar isso até para um cliente, olha, assinuar do seu coração, que dentro da sua estratégia seja verdadeira. Isso também não vai dar certo. Porque se o seu objetivo é só lucrar, seja minimamente também correto dentro da estrutura, você precisa mudar, porque precisa mudar.

Como é que vocês enxergam esse impacto na reputação da marca mesmo? Quando você traz uma proposta de um trabalho onde você tem que, vamos supor aí, nas boas intenções, ouvir essa estrutura, ouvir como é que os processos dessas pautas, vamos supor, de diversidade, de assédio moral, de assédio sexual e tantas outras, e que eu preciso acessar o entendimento das pessoas para aquilo que está errado na comunidade, no sistema, na vida e dentro da organização.

mas partindo da visão individual delas, de onde elas vieram, como é que vocês enxergam o impacto disso, os cuidados que vocês também têm que ter enquanto alguém que está contratado ali, para não repercutir na própria marca, na reputação, naquilo que vai dar. Vocês deram até um exemplo aí mínimo que o processo se interrompeu na liderança.

Como é que a gente poderia trabalhar isso de uma forma diferente via liderança e tendo um cuidado também com esses colaboradores, transformá-los e dizer, olha, eu entendo esse lugar de onde vocês estão falando, mas será que se a gente não der voz para isso que vocês estão trazendo aqui, a gente não consiga? Porque vocês não vão manipular. Se a gente não conseguir trazer essa sua voz dentro desse corredor que não funciona aqui embaixo, a gente não vai conseguir mudar essa estrutura da empresa que você diz que não te acolhe?

Se não for intencional no sentido de você querer fazer essa mudança interna, você pessoa física, né, enquanto liderança, que seja pelo bolso, porque é isso. Imagina se acontece uma situação de um abuso, de um assédio moral, de um assédio sexual dentro da sua empresa, e aí você só marca uma marca respeitada no mercado ali, naquele mercado ali onde ela atua.

Imagina se isso sai pra fora, sabe? Se isso tá acontecendo com frequência, se isso sai, você vai manchar a sua marca de alguma forma, sabe? Se não for intencional, que seja intencional no sentido de uma mudança real, verdadeira, profunda, que você esteja aberto, como eu disse, você está aberto a essas mudanças, mesmo no erro, que seja pelo bolso, porque isso com certeza vai manchar e, ah, tudo bem, mas daqui a algum tempo vão esquecer.

Hoje, eu acho que é muito mais difícil as pessoas esquecerem, porque assim, vira e mexe, alguém pode relembrar isso. Vira e mexe, pode sair uma reportagem. Vira e mexe, pode viralizar numa rede social. As pessoas vão ficar com medo de trabalhar na sua empresa. Então, eu acho que se no coração não pega, que pegue no bolso, sabe? Se você não quiser por bem, você vai ter que querer por mal. Porque a gente chegou num momento do mercado que para além de reputação, se vai viralizar ou não...

as coisas viram processo agora. Então, aí seus funcionários vão embora e vão te processar, porque coisas que antes as pessoas não tinham coragem de falar, elas estão passando até, além de coragem, a estrutura jurídica, a leis também, para reivindicarem problemas. Talvez isso as pessoas ainda tratam como só uma questão. Ah, não, mas é só...

É, e depois, sei lá, demite a pessoa, a pessoa pediu demissão, mas se a pessoa acha que não quiser pelo bem, ela vai sofrer consequências. Aí eu acho que tem um lugar também dos líderes que vai mexer no ego de todo mundo, que é se você é um líder e você não consegue se comunicar com as pessoas que você precisa se comunicar, com as pessoas que respondem a você. É um erro seu, porque, vamos supor, se ninguém te entende, o erro é de quem está tentando se comunicar e não está conseguindo. Então, não é um erro de quem não está conseguindo ouvir.

É meio que o carimbo de mau líder, né? Quando a sua equipe não consegue falar para você as coisas que estão dando errado dentro da própria empresa. E aí você vai perdendo cada vez mais domínio, confiança e possibilidade de fazer diferença ali. Então, eu acho que esse processo, ele é...

inevitável, não tem como você negar ele. Se você negar, vão ter consequências depois. E acho que uma coisa muito importante que você falou, Érica, é um lugar de que se você fizer uma campanha de algo que você não faz, isso realmente vira uma crise interna porque quem trabalha com você passa a ter raiva. Eu, enquanto funcionário, já trabalhei em empresa que fazia um postzinho de aconemorativo que todo mundo ficava possesso.

Por que eles estão falando isso? Porque essa pessoa que é a minha chefe, que nos trata mal todos os dias, tá tentando falar sobre essas pautas. Então isso vira uma outra crise. Ou as pessoas olham pra isso como uma pauta essencial e necessária, ou vão ter consequências, né? Mas eu acho que tem que ser também, assim. Porque lideranças, eu acho que estão muito acostumadas a isso.

não tá dando certo é porque a galera lá de baixo que não tá conseguindo fazer, e aí é fácil você delegar a culpa. É difícil você assumir a culpa. E fazer com que se assumir a culpa vire algo que você vai fazer uma mudança em você mesmo, né? No seu jeito de liderar e tudo mais. Eu acho que o exemplo... Eu acho que a gente entendeu que precisa existir, às vezes, um papel de mediador. Que é meio que isso que a gente tá se propondo a fazer.

Porque realmente mexer nesse vespeiro é muito difícil. O que a gente tá tentando levar é aqui.

Dinâmica, sensibilização, história, a gente está criando um processo para que essa barreira que parece ser tão grande seja possível de ser quebrada.

Perfeito, acho que é importante esse ponto que você trouxe, né, Alexandre, das leis eu acho que tem muita gente que ainda não e até líderes que não estão bem treinados e esse é um ponto importante pra lembrar que homofobia é crime, racismo é crime a gente tá lidando com processos hoje que não são mais, eu acho eu sinto, eu entendo, não é mais o seu achismo, a sua vontade existem processos em cima disso e aí

pegando um pouco esse gancho e de tudo que vocês trouxeram, perguntar para vocês o que precisa, então, de estrutura, o que precisa estar bem estruturado dentro de uma empresa para que vocês tragam o trabalho de vocês para dentro dela e já com um adendo. Aqui a gente, enquanto coordenadora de comunicação interna e externa, e a gente, né, nosso...

Nossa outra militância da comunicação aqui é a comunicação 360 graus, porque a gente também vive num mundo muito segmentado e cada vez mais as pessoas segmentam a comunicação e, no fim, não existe comunicação de nada. É porque as pessoas não entendem a raiz do negócio, a base, o que é, o porquê.

com quem está se falando, para o trabalho de vocês, o que precisa estar estruturado, e vocês enxergam essa diferença quando vocês entram numa empresa que tem uma comunicação, uma coordenação estruturada, concreta, com essa visão 360, de empresas que não têm isso.

Eu acho que de estrutura, o mais legal de trabalhar com essa questão das histórias, com a sensibilização a partir de vivências, é que tem impacto em baixo custo. Porque você já tem todo o material dentro da própria empresa. Você não precisa chamar muita gente, você não precisa fazer uma campanha enorme.

Meu Deus, vamos decorar isso aqui, vamos comprar, não sei o quê. Não, você já tem todas as pessoas ali. Então, o custo é baixíssimo. Basicamente, isso que o Ale falou, a gente tá ali pra mediar, porque de repente é isso. Se o chefe, por mais que ele tente conduzir e não condicionar, ele vai acabar condicionando, porque ninguém vai querer bater de frente ou questioná-lo, né? Precisa ter um mediador. Então, acho que assim, o custo é isso.

É o custo de uma pessoa pra mediar tudo aquilo. E esse mediador ser respeitado, né? Porque senão não adianta, né?

Tem isso também, porque senão não vai adiantar de nada mesmo, assim, né? Porque se você traz um mediador que, de repente, tem uma conexão maior com o líder e as pessoas falam, ué, mas esse mediador aí é amigo de não sei quem, sabe? Tem essas questões também, né? Mas eu acho que é isso, assim, a de estrutura é as pessoas. Se você tem as pessoas, você já tem a estrutura, sei lá, 90% pronto pra fazer esse tipo de sensibilização.

E acho que tem que ter uma sensação de, primeiro, de disposição, porque talvez vai mexer em lugares que machuquem, que não sejam fáceis de lidar, mas também precisa ter uma consciência de que vai precisar ter constância. Não é tipo um dia, uma palestra, e aí mandou ali um e-mail para a equipe inteira, que vai resolver as questões. Então, a nossa pesquisa até mostra isso. Os nossos seguidores na página, que acompanham há mais tempo, e que...

consomem mais histórias, mostrando mais mudança de comportamento de quem acabou de chegar. Então, eu acho que é um trabalho que precisa ser constante e que talvez a gente pode até levar para a primeira semente, mas que precisa continuar acontecendo o tempo inteiro e todos os dias, né? Para ter resultado. Porque todo mundo fala assim, mas qual é o resultado? Então, o resultado é um resultado de longo prazo, né?

E é uma questão do social, né? O impacto social nunca é um impacto do dia pra noite. Existem outros formatos e ideias que têm uma ação mais rápida, mas o impacto social, você só consegue ver ele quando você faz algo com uma recorrência, com uma frequência grande, né? É uma sementinha plantada que você vai colher. Realmente é igual ao ciclo de uma planta. Você planta...

só vai colher ali o milho que você plantou meses depois, então realmente é algo que você tem que construir junto com a sua equipe, junto com os líderes, tem que estar totalmente engajados nisso também, de estrutura vem esse capital humano esse capital social ali, e depois você vai ter que ter essa disposição de ir fazendo isso ao longo do tempo, de uma forma genuína verdadeira, e encontrar tempo pra isso também, porque eu acho que a gente vai falar mas eu não tenho tempo pra ficar falando, tenho que entregar tenho que entregar, tenho metas

Ok, mas de repente suas metas podem ser alcançadas de uma forma muito mais eficaz se você fizer todo esse trabalho onde as pessoas vão conseguir trabalhar de uma forma muito mais produtiva, mas não só da produção robotizada, de produz, produz, produz, mas uma produção humanizada, onde as pessoas estão se sentindo bem e por estarem se sentindo bem, vão entregar resultados melhores.

Com certeza, como tudo na vida é hábito, né? A gente não ganha músculo do dia pra noite, a gente não agrece do dia pra noite, a gente não muda pensamento e estrutura, especialmente porque a gente vem de lugares que já nos construíram de forma errada. Quando você fala de organização, inclusive você tem gente entrando e saindo o tempo todo.

As que chegam nessas histórias diariamente perderam uma ação que foi pontual ali atrás. Então, de novo, você não tem isso como uma sustentação de agenda e não como pauta temática. Na hora que você precisa da pauta temática, ela não vai estar estruturada, ela não tem alicerce. Porque a pauta temática era muito mais realmente celebrativa no sentido de...

que você tem algo ali para reforçar de uma prática diária, ou de um trabalho diário, uma sustentação diária, que você tem que fazer mesmo, como tudo, né? Então, acho que essa agenda tem que ser estratégica, necessária, e que se não for pelo amor, vai pela dor, né? Que é o que resume isso que vocês falaram aí.

Exatamente, é. Eu imagino muito, e aí, enfim, eu adoro usar essas imagens, que eu acho que me ajudam muito a concretizar essas ideias, mas eu imagino muito essa parte de ações temáticas, pontuais, Mês do Orgulho, Mês das Mulheres, Setembro Amarelo, agora com o NR1 chegando, como o dia da colheita mesmo. Você plantou, cuidou, regou, adubou, e lá você vai ver, inclusive, que o seu time vai estar ativamente participando daquilo.

Porque ele enxerga a verdade nisso, né? Não só, ah, mais uma palestra, um dia de palestra, ah, vai ter uma dinâmica em grupo, odeio dinâmica em grupo. Sabe, essas coisas que todo mundo que trabalhou em uma empresa sabe que é um saco, porque não é verdade. Se fosse verdade... Vou perder uma hora da minha produção, que depois vão me cobrar para... Vou me cobrar para entregar metas, entendeu? Se quiser colocar no cronograma, né? Porque se a pessoa, ela se ausenta aquela hora, depois ela fica ferrada, tem que trabalhar até mais tarde, aí ninguém vai estar entregue naquele momento, porque elas vão cair.

Vai estar no celular, mandando e-mail, de vez que está prestando atenção naquela mensagem. Então, vamos fazer com que... Eu anotei aqui a colheita, Lucas. Vamos trabalhar essa colheita. É isso, é isso. Vamos trabalhar a plantação primeiro. Vamos trabalhar a plantação, que com certeza você vai colher frutos melhores depois.

E aí eu acho que é isso, não é só a ideia de duas pessoas, sei lá, eu e o Alexandre, que somos muito idealistas. Não, a gente tem números mesmo agora para comprovar, entendeu? É isso. 28% das pessoas que acompanham diariamente a nossa produção de conteúdo tem mais impacto do que quem acompanha, sei lá, menos de uma vez por mês. Então a frequência e a recorrência geram muito mais impacto do que ações pontuais. Então acho que a gente tem que começar a pensar realmente na colheita.

Se quer ter uma colheita farta, começa a plantar suas mudinhas e cuidar dela com muito carinho.

Indo aqui para os finalmentes, porque eu e a Erika gostamos um pouquinho de conversar também, então, e vocês gostam de escutar, a gente ia ficar, a gente pode ficar aqui o resto do dia. Mas indo para os finalmentes, vocês trouxeram um exemplo ali de algo que vocês receberam, levaram para a direção, e aquilo eventualmente não foi para frente. Vocês têm algum caso para compartilhar com a gente de transformação, que vocês viram acontecer ali uma transformação positiva?

Eu acho que o Alê até deu esse exemplo, eu vou até aprofundar um pouco mais nele, mas foi isso, a gente foi num time de qualidade de uma empresa e a gente foi fazer todas as nossas sensibilizações, a gente fez essa leitura das histórias, a gente falou um pouquinho ali sobre o nosso trabalho e a importância desse trabalho. E uma das pessoas que se ofereceu para ler a história era isso, era uma pessoa que era tímida, que não era tão entrosada no grupo e depois a gente recebeu o feedback da gestora da equipe ali falando, cara, essa pessoa é outra hoje.

Porque na hora que ela estava lendo a história, ela começou a chorar. Ela se emocionou bastante ali na leitura. E aí mexeu com ela de alguma palavra. A gente não chora no trabalho, né? A gente só chora escondido no banheiro. E essa pessoa chorou na frente de todos os colegas. E todo mundo meio que... Não foi com dó cuidar ali dela. Mas foram acolher de uma forma muito genuína. E depois é isso. Veio essa gestora falar, gente...

essa pessoa começou a falar com as outras pessoas de uma forma um pouco mais produtiva mesmo, no sentido de ter essa troca no trabalho. Antes ela chegava mais séria, ela começou a chegar sorrindo, ela muda o ambiente de trabalho por conta dessa atividade e por conta dessa atitude dessa pessoa. Antes ela chegava com uma cara fechada, agora ela chega sorrindo e já mudou. Bom dia já é diferente. Quem gosta de receber um bom dia de cara feia? Ninguém. Teve esse impacto na construção...

ela e aí recentemente a gente foi atrás dessa... Isso foi já tem um tempinho, né, acho que foi em 2023 que a gente fez essa ação. E aí recentemente a gente foi pegar o feedback de novo pra saber como que tá essa equipe e realmente continuou essa mudança. Essa mudança...

ela foi realmente duradoura ali. A pessoa realmente está trabalhando melhor, a equipe está mais entrosada. A própria gestora se sente um pouco mais próxima do seu time de liderados. Então, realmente, acho que esse exemplo é o grande exemplo que a gente teve de feedback a partir dessa atividade que a gente fez lá com esse time. E até nos eventos que a gente faz com a nossa própria comunidade, a gente observa muito que as pessoas saem com esse sentimento de grupo.

a gente faz o evento presencial, aí tem gente que não se conhecia e está comprando o ingresso junto para a próxima edição e está marcando o dia todo mundo junto. Então, tem esse poder, acho que, de aproximar as pessoas e depois as pessoas voltarem e falarem, ah, depois da última vez eu comecei um novo projeto, comecei uma nova coisa porque eu fiquei com coragem. Eu acho muito bonito quando as pessoas realmente se entregam, estão dispostas a mergulhar, ouvir, a olhar.

ouvir a história do outro, mas também ver como tudo aquilo bate nele, a gente se transforma, né? Acho que o Lucas está se transformando há oito anos e a gente vai observando isso em todo mundo que vai consumindo todos os tipos de produtos, vamos dizer assim, que a gente já criou ao longo do tempo. E acho que falando...

do nosso evento, a gente tem dessa pesquisa que a gente fez, a gente direcionou algumas perguntas a respeito do evento também, né? A gente teve também dados muito legais, que é isso que o Ale falou, 89%, né? Então, quase 9 a cada 10 pessoas que participaram ali se sentiam conectados genuinamente com outras pessoas. 8 a cada 10 também saiu do evento com reflexões importantes, né? Então, a partir daquela conversa...

saiu refletindo ali sobre a vida. E acho que os dois números que eu mais gosto disso é que 84% se sentiu pertencente a um espaço seguro. Então, realmente, essa mediação faz com que exista um espaço seguro ali, que se você faz com uma conversa só líder e liderado, talvez não vire um espaço seguro num primeiro momento.

porque tem esse medo, esse receio de ser sincero e de ouvir com clareza. E 84% também praticaram escuta com mais presença. Ou seja, não ficaram ali no celular, né? Porque é uma regra nossa. Não é pra pegar no celular enquanto a gente estiver fazendo as nossas atividades. Não é nem por uma questão de ego nosso. Não é nem na hora que a gente tá falando, mas na hora que as pessoas estão falando, na hora que as pessoas estão se conectando, não pega no celular.

E isso faz com que elas escutem com mais presença e aí a partir disso, tá com essas reflexões, falam de si com mais honestidade, porque vão estar mais entregues e também se sentem conectados com outras pessoas. Então, assim, é uma coisa que vai puxando a outra, né? Eu acho que esses dados também nos mostram isso, assim, acho que reforçam algo que já era empírico da gente. A gente via as pessoas saindo muito transformadas, mas aí agora a gente sabe que realmente elas saem dali transformadas de uma forma muito positiva.

É isso, né? A comunicação é uma teia e tudo precisa se entrelaçar para ficar forte, inclusive, e isso não ser derrubado de qualquer forma. Meninos, infelizmente a gente precisa acabar. Muito bom, gostoso, né? Conversando com as ideias.

Mas eu queria de antemão agradecer muito a fala e a escuta de vocês o trabalho de vocês também e de novo convidar quem está nos ouvindo aqui no Barucast para ir lá também acompanhar a terapia Para finalizar aqui, eu queria vocês já deram várias dicas aí para quem ouviu com uma escuta atenta várias dicas já foram dadas de como a gente fazer essa transformação pessoal e dentro das organizações mas se vocês pudessem dar aqui aqui

Algum conselho, alguma dica, especialmente ali para gestores, para líderes e também para os colaboradores, que é a grande maioria, que vocês diriam para que a gente traga essa transformação dessa forma genuína e nesse nosso dia a dia. Uma dica para a rotina, para o dia de amanhã.

Eu, ah, bom, quer que eu comece? Não, por favor, porque agora me pegou muito primeiro, eu vou ficar pensando aqui. É profunda essa pergunta. Eu acho que é meio que sair do modo automático, sabe? Quando a gente, geralmente, está no nosso processo de trabalho, a gente tem muito essa tendência a entrar no modo automático de... Até para a gente, com a gente mesmo, né? De fazer as coisas, de preencher o checklist.

de entregar o maior número de coisas possíveis, e aí às vezes a gente não para para pensar também até se aquilo está fazendo sentido para a gente, do que a gente está fazendo, e quem dirá para as outras pessoas que estão à nossa volta. Então, eu acho que se todos os dias a gente tivesse um instantezinho que a gente saísse um pouco desse modo de entrega e de produtividade mesmo, que como máquinas, que a gente às vezes esquece que nós somos humanos e não máquinas, isso nos ajuda a olhar se o que a gente está fazendo faz sentido para a gente mesmo, e se o que a gente está fazendo faz sentido para quem está à nossa volta.

Porque às vezes tem uma sensação de que como se eu parar o que eu estou fazendo para olhar a minha volta, a gente tem muito uma sensação de doação, assim, ah, eu vou me doar para entender o outro, mas não é se doar, tipo, quando você está escutando a outra pessoa, está percebendo o seu redor, o seu ambiente de trabalho, você está se melhorando também, na verdade é sempre uma grande troca.

Então, acho que esse é um desafio enorme do nosso dia a dia, de sair desse modo automático, de sair tanto das telas, das redes, da conexão, e para essa conexão que está ao nosso lado o tempo inteiro e que a gente se desconectou de alguma maneira, eu acho. Eu acho que, do lado de cá, eu tenho pensado muito sobre a questão do erro mesmo, de não ser perfeito, de ser realmente, de fato, imperfeito, porque somos...

E isso acho que vem da terapia, mas vem também da palhaçaria que eu tenho estudado. Então, abraçar o erro tem me feito um profissional muito melhor. Não é porque eu falei aquilo que não sei se ficou tão claro, que eu não gostei, que eu vou me considerar assim. Então, acho que eu levo isso e falo muito pras pessoas realmente de abraçar o seu erro, de até abraçar, de certa forma, o seu ridículo, né? Porque é isso, quando a gente erra, a gente se sente ridículo.

Mas tudo bem, todo mundo erra, todo mundo está errando, todo mundo está imperfeito. E isso só faz, e quando a gente abraça, isso só faz com que a gente cresça e se torne cada vez melhor, não perfeito, mas melhor a gente consegue se tornar. Muito bom. Se eu puder complementar aqui, se eu puder deixar um conselho, é a gente ter coragem de se acessar. Vocês deram muitos exemplos de como as pessoas que se permitiram se acessar, e às vezes elas se acessam ouvindo o outro também.

ela consegue se transformar e transformar o outro e o lugar que ela vive de uma forma melhor. E isso exige coragem. E exige coragem das pessoas e das organizações. E as organizações são feitas de pessoas em todos os níveis. A gente sabe que a teoria é muito fácil. A gente está sempre submetido a um sistema que nos paga a conta, que tem uma série de questões, cada um de novo no seu lugar.

E a gente tem limites, às vezes, para essa liberdade. Mas que a gente nunca abra a mão dela. De uma forma ou de outra, de se colocar com respeito. Mas se colocar, porque se não for assim, a gente nunca vai transformar a estrutura que a gente está e que está ruim. E a gente vai sempre submeter a um sistema do qual a gente não está feliz. Em lugar qualquer que a gente esteja, a gente vai estar sempre submetido e infeliz a um sistema do qual a gente não se encaixa.

Então, dentro desses temas que a gente, invariavelmente, tem que estar, a gente tem que ter coragem para ser o que é.

respeitando sempre o outro. Meninos, eu quero muito agradecer vocês. Foi muito bom ouvir vocês, que ouvem o tempo todo tanta gente aí, são extremamente habilidosos e eu acho que não existe habilidade melhor do que a escutatória. Fala-se tanto da oratória, mas a escutatória eu acho que ela é realmente uma habilidade muito superior e mais difícil de ouvir e não interferir. Então, parabéns pelo trabalho. Espero realmente que nos escute.

abram um pouco mais a sua mente para isso tudo que a gente trouxe aqui, especialmente as empresas que precisam investir um pouco mais nesses processos organizacionais e mudarem com a intenção real essas estruturas por meio do espaço que precisam dar de fala para todo mundo. Obrigada e que a gente leve essa mensagem mais adiante. Explore o universo da comunicação e potencialize seu desenvolvimento profissional e pessoal.

Baroqueche.

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