Visibilidade LGBT+ e saúde mental - Participação de Mariana Farias - Vídeo do programa 133
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- Direitos LGBTQIA+Impacto da invisibilidade e representações depreciativas · Importância de modelos positivos e identificação · Heteronormatividade e o conceito de 'desviante' · Déficit na formação de profissionais de saúde sobre sexualidade e gênero · Tabu em torno da sexualidade e gênero · Alegria como forma de luta e rompimento com o status quo
- Literatura infantil e formação leitoraLivro 'A Princesa e a Costureira' de Janaína Leslão · Livro 'Joana, Princesa' de Janaína Leslão · Livro 'Meus Dois Pais' de Valci Carrasco · Livro 'Leituras sobre a Sexualidade em Filmes, Identidades, Dissidentes e Opressões' · Impacto positivo de imagens de potência e alegria
- Educacao SexualNecessidade de informações validadas cientificamente · Diferença entre opinião pessoal e análise científica
Boa noite, pessoas. Olha só, vocês estão aqui num domingo à noite para conversar sobre assuntos importantes. Eu sei que cada semana nós temos um assunto diferenciado.
Vocês também vão reconhecer aqui do meu lado a psicóloga doutora Mariana Farias. Olha, ela já esteve aqui, trouxe uma discussão bastante importante. Hoje ela traz outra discussão. Mariana, primeiro, boa noite. Obrigado por estar aqui. Obrigado por estar vindo outra vez com um assunto que é diferente do que você veio da primeira vez, mas agora traz outras discussões. Obrigado mesmo. Obrigada, Oswaldo.
Prazer estar aqui com você e estar aqui nesse programa tão importante, com discussões tão importantes, né? E falar sobre o tema da visibilidade, representatividade LGBT e saúde mental. Olha, esse é o tema de hoje. Exato, que é um tema importante da gente falar. Vamos me apresentar também um pouquinho?
Eu sou psicóloga, atuo na área da psicologia, interface com a justiça. A minha área de pesquisa, tanto do mestrado quanto do doutorado, foi com o tema das famílias homoafetivas com filhos, inclusive foi o tema do outro programa que eu participei.
Basta procurar aí no... Que foi muito interessante. No site, no YouTube da Rádio Vibe Mundial e também no YouTube do Impassex. Vocês conseguem encontrar. E também no Instagram do Café com Sexologia. Dá para encontrar lá o programa inteiro. Dá para assistir de novo.
Sou professora também no IMPA-SEX, no curso do IMPA-SEX. É verdade. Nós temos que sempre agradecer a você que está participando do nosso curso de especialização em sexologia aplicada porque traz formas de discussão que são muito importantes para os nossos alunos. Muito bom. Fico muito feliz também de estar aqui.
E esse tema, Oswaldo, foi um tema que também apareceu na minha pesquisa. Vou trazer um pouquinho dos dados para contextualizar, para daí a gente poder desenvolver. Então, eu trabalhei no doutorado com 12 famílias homoafetivas com filhos, casais de homens e mulheres que tinham filhos. E dentre os temas que a gente abordou, eles trouxeram muito a questão...
da importância da visibilidade das suas famílias, no caso, que era o tema que a gente estava trabalhando, até para que os filhos pudessem, e outras famílias que tivessem famílias ou afetivas com filhos, essas crianças e adolescentes tivessem...
Modelos, pessoas com quem se identificar. Será que existe uma família que é igual a minha? Porque quando a gente invisibiliza, quando a gente não tem um modelo para se identificar, e aí vamos falar da população LGBT, né? Há um tempo atrás a gente até tinha algumas representações, por exemplo, na mídia, mas de uma forma muito depreciativa.
caricata e depreciativa. E isso impacta na saúde mental, né, Oswaldo? Porque a gente vai aprendendo, se a gente está, se a gente tem uma ideia hegemônica, se a gente tem relações que privilegiam algumas relações, por exemplo, a heteronormatividade, que dizem como a gente deve se relacionar, quais são os comportamentos esperados, o que é idealizado, a gente tem também aquilo que seria desviante desse ideal.
E aí, a partir do momento que a gente tem algo que é desviante e algo que é ideal, a gente tem um grupo que é opressor e um grupo que oprime.
E se a gente não tem uma construção de um imaginário, uma visibilidade, por exemplo, na mídia, em filmes, em livros infantis, que tragam essa imagem positiva a respeito daquelas famílias, a respeito das pessoas LGBT, como que eu vou construir uma autoimagem positiva a respeito de mim mesma?
Primeiro, se eu não me vejo ali representada, quem eu sou? Eu não existo? Então, isso é invisível. E se eu vejo algumas imagens que são depreciativas a respeito daquilo que eu vivencio, eu trago isso para mim também? Então, isso tem impactos na saúde mental e isso é importante que a gente faça um enfrentamento.
Claro, existem outros aspectos que vão impactar a saúde mental, como, por exemplo, a importância do apoio da família, a atuação dos profissionais de saúde, a escola, que a escola esteja preparada, que tenha material didático que aborde a diversidade. E a gente tem também a questão da visibilidade e da representatividade.
Você está me passando uma compreensão de que nós vivemos num momento histórico na nossa cultura onde muitas circunstâncias poderiam se modificar para que todas as pessoas...
tivessem o mesmo direito de viver nessa mesma sociedade. E você está contando que a observação da nossa cultura é que existem pessoas que são desclassificadas enquanto pessoas.
Exato, então a partir do momento que um grupo hegemônico institui aquilo que é considerado ideal, que é considerado humano, quais são as pessoas que se encaixam nesse grupo, nessa norma? E vão ter as pessoas que não se encaixam nessa norma dita ideal.
Então, quem não se encaixa vai ser visto, muitas vezes, como desviante, vai sofrer violência. Essa violência pode ser física, psicológica, pode ser o silenciamento. Nós dois usamos óculos. Sabe, eu sempre fico pensando assim...
mas nós usamos óculos porque precisamos usar para melhorar nossa visão. Mas uma criança usando óculos, ela recebe uma agressão de outras crianças. Adultos já começa a ser assim. Tem mais adultos usando óculos, então se torna um problema menor, porque se torna mais visível. Aliás, é visível, né? Porque está no rosto da gente usando óculos. As outras questões de expressões, por exemplo, de sexualidade ou de...
relacionamentos afetivos e sexuais, isso não é visível exatamente, e nós vamos pressupor de uma maneira negativa, porque há cerca de 150 anos se fala negativamente, se falava literalmente negativamente no âmbito da saúde. Profissionais médicos, psiquiatras e, inclusive, psicólogos, consideravam essas circunstâncias...
doenças. Vamos lembrar que demorou um tempo, mas é desde a década de 1980 que oficialmente não se percebe como doença, porque não é doença. Então, gente, não tem cura porque não é doença. É claro isso. Já começamos por aí.
Mas você sabe que isso me faz uma coisa, nós estamos até conversando sobre essas questões profissionais. Nós não temos nas nossas formações em profissionais de saúde, essas discussões de uma maneira que permitam que o profissional de saúde, ao se formar, já perceba algo que nós podemos chamar de preconceito.
Sim, me parece que tem um déficit. Me parece, não. Existe um déficit aí na formação em relação às questões de sexualidade e gênero, né? E a gente precisa dar conta disso, porque os profissionais de saúde, eles precisam estar preparados para atender o público. E aí...
qualquer grupo. Então, se você tem um profissional que às vezes nega o atendimento por preconceito ou que faz um atendimento, mas sem ter um conhecimento das especificidades de cada grupo, isso acaba, às vezes, trazendo prejuízos. E isso é muito ruim, porque também pode fazer com que esses grupos acabem diminuindo a procura pelo atendimento.
Diminui a procura e provavelmente ele não vai ter uma eficácia adequada naquela busca de um profissional de saúde, porque é como se ele estivesse, bom, está escondendo uma informação também, porque, espera um pouquinho, o profissional de saúde tem uma responsabilidade. Se o profissional de saúde não pergunta diretamente, é ele o responsável por não ter a resposta.
Porque sempre eu fico pensando, caramba, estou no meu consultório, alguém chega lá, se eu não perguntar, eu não vou saber. Mas como é que eu pergunto? Perguntando. Mas eu tenho que perguntar de uma maneira também, a saber como é que eu vou me sentir com a resposta, o que eu vou fazer com a resposta.
Eu tenho desconfiança, do jeito que você está contando também, que, assim, os profissionais de saúde já não sabem, então é melhor não perguntar, porque se me disser eu não sei o que fazer, então eu vou fazer do mesmo jeito, desse jeito que eu sei fazer, que é com todo mundo.
E isto não é funcional, porque cada subgrupo tem suas especificidades. Veja, é mais fácil, parece, que é mais fácil nós discutirmos as variações de grupos etários com relação à saúde, saúde física, saúde mental, porque suponha, afinal de contas, eu nasço, tenho 10 anos, 20 anos, 30 anos, 50 anos, 60 anos, 70 anos, ou seja, vai acontecer.
Todo mundo passa por isso. Sei, mas existem outras formas de ser que também exigem uma atenção focada dos profissionais de saúde. Você está trazendo um assunto que eu fico pensando, como é que a gente vai ver isso? Porque não é só profissional de saúde, porque aí é todo mundo. Sim, sim. E a gente tem um tabu da sexualidade e das questões de gênero.
é um déficit ali na formação, mas também é um tabu para nós aprendermos a desconstruir os nossos próprios mitos a respeito de falar sobre sexualidade, de falar sobre essas normas, de falar sobre as minhas crenças que às vezes...
Eu aprendi na escola, na religião, na família, e às vezes está distorcida. E poder ter a tranquilidade de poder falar sobre isso, porque é apenas mais um aspecto da nossa vida. Mas a gente aprendeu muito de que isso não é legal falar sobre sexualidade. É ruim, é difícil, tem que ter um porém ali.
Claro, você tem que abordar o assunto de uma forma científica, de uma forma respeitosa, e se trabalhar para poder falar sobre isso.
Agora você está usando um argumento que fico imaginando as pessoas que estão ouvindo. Vamos dizer assim, até tenha um profissional de saúde ou outro ali de qualquer formação, mas a maior parte das pessoas que podem estar nos ouvindo ou vendo ao longo da semana, pelo YouTube, até pelos canais de streaming, que também estão colocando vídeos, imagens lá também. A maior parte das pessoas não teve...
aulas formais sobre questões da sexualidade, sobre educação para a sexualidade, onde possam receber informações validadas cientificamente. Não é opinião pessoal. Nós não estamos aqui discutindo opiniões pessoais. Nós estamos trazendo uma discussão que é baseada em ciência. E você está contando da visibilidade, mas existem mecanismos de trazer uma visibilidade, vamos chamar adequada.
Eu entendo, Oswaldo, que a partir do momento que a gente consegue se reconhecer nos lugares, então, por exemplo, livros infantis. Eu trouxe até alguns aqui para mostrar. Vamos falar deles. Então, olha, esse daqui, vou mostrar aqui para o pessoal, chama A Princesa e a Costureira, da Janaína Leslão.
É um livro que aborda a história de uma princesa, que ela é prometida para casar com um príncipe, e ao ir fazer o seu vestido, ela e a costureira se apaixonam. Então, a Janaína vai contar essa história aqui. Esse é um livro para crianças? É um livro para crianças. Tem aqui, deixa eu ver.
Tem aqui ilustrações, tem texto, é um livro muito interessante de ser lido. E isso gera a possibilidade de identificação. Se a gente for pensar no passado, há 30 anos...
desconheço livros. Ainda hoje, ainda são poucos. E o quanto é importante para que crianças e adolescentes possam se enxergar e se enxergar de uma forma positiva. Olha, tem uma história que parece aqui, que é parecida com o que eu sinto. Eu consigo me identificar. A gente consegue produzir um outro imaginário que não o silêncio e que não uma forma depreciativa.
Eu vou complicar a coisa aí, porque assim, eu ouço pessoas e vejo nas discussões sociais nos últimos anos todos, a preocupação de que se começarmos a mostrar essas questões, nós vamos transformar pessoas. Conta um pouquinho disso, porque nós temos que fazer as pessoas ouvirem que existirem esses materiais, livros, filmes.
Isso não faz as pessoas mudarem o que elas são. Saibam disso. Nós não mudamos porque alguém quer que a gente mude. Aliás, essa é a razão pela qual não existe uma forma de mudar alguém. Não tem, tá? É assim mesmo, né, Mariana? Sim, a orientação sexual não é alterada de forma voluntária.
É, não é só voluntária, porque assim, o ambiente pode ficar cutucando a gente, também não é assim. Isso, exatamente. Não é assim? Então a gente tem pessoas lésbicas, gays, bissexuais, que foram bombardeadas a vida inteira exclusivamente com imagens heterossexuais.
Com pais e mães, com família, com TV, com jornal, religião, né? E isso não interferiu para definir a orientação sexual. Então, a gente não consegue fazer uma...
essa modificação nessa orientação sexual a partir de um livro, de uma mídia, né? Isso aí. Pois é, você trouxe esses livros assim como exemplos que você coletou antes de vir para cá para o programa. E pelo contrário, né, Oswaldo? Isso aqui é tão importante porque permite que a gente não se silencie e que a gente possa também atuar na saúde mental, porque a partir do momento que eu tenho...
imagens para me identificar, histórias para me identificar, eu me percebo ali como alguém pertencente àquela sociedade, àquela cultura, àquele grupo, e alguém que pode existir. Porque se está silenciado, como é que eu vou existir?
Se não temos algo fora de nós, no mundo em que nós vivemos, que representa aquilo que eu percebo, sinto, imagino, o que quer que seja, se não houver alguma coisa fora, eu não tenho nem como discutir com o mundo. Discutir no bom sentido, entrosar, participar desse mundo. Sim. Como é que eu vou sentir confiança para conversar com alguém se existe um silêncio, se ninguém fala sobre isso, se eu não vejo nada? A partir do momento que eu vejo, que tem um livro, eu posso conversar.
com alguém da minha família, com algum amigo, com algum profissional. Esse outro livro aqui também é da Janaína Leslão, chama Joana, princesa. Então, Joana foi chamada de João ao nascer. E aí, ao longo do livro, ela vai contando a história de Joana, princesa, até que...
Rei e a rainha reconhecem ela como Joana, a princesa. E é um livro muito bonito, muito emocionante também. Quer dizer, você já está dando exemplos de circunstâncias que precisamos compreender em prol de saúde mental. Só dessa pessoa? Desculpe-me. Dessa família, inclusive, porque afinal de contas...
essa possibilidade, essa família, pai e mãe, lidarem com essas diferenças do que eram percebidos antes da criança nascer. Afinal de contas, antes da criança nascer, nós já tivemos nomes. Sim, já tem as expectativas de gênero, já tem as pré-determinações que foram pensadas. E são sociais e históricas, não são biológicas. Sim.
Uau! E tem mais, assim? Tem, eu trouxe esse aqui também, que chama Meus Dois Pais, que é do Valci Carrasco. Valci Carrasco, vocês já ouviram o nome dele, ele, nossa, produziu um monte de novelas, todo mundo já assistiu. É um livro também muito interessante e emocionante de ler, então conta a história de um casal heterossexual que se separa, e aí o pai se casa com outro homem e ele vai morar.
com o pai e com esse... Mas até então ele não sabe a respeito do... Não imagina, não se fala, é o silêncio. Não se fala. E ele vai... A criança vai criando várias fantasias, assim. Mas o que é que não se fala do meu pai, que não se pode falar? Então ele fala que alguma coisa... Olha, a mãe fala, não esqueça de me telefonar sempre, principalmente se quiser conversar sobre alguma coisa ou sobre o seu pai.
Fiquei mais curioso ainda, o que havia para descobrir sobre o papai? Então, assim, existe um silenciamento e ele vai ficando angustiado ao longo do livro, até que isso se dissipa, o conflito se dissipa, a mãe também apoia.
Você está trazendo os livros e me passa também a compreensão de que esse é um momento histórico nos últimos, sei lá, dez anos, em que começam a aparecer essas discussões e essa discussão está aparecendo no livro O que será? O que será? Ou seja, não é algo que a nossa cultura lida com uma situação assim. Isto já sabemos... É possível todos verem, saberem e então nós podemos conversar, discutir porque é normal isso. Normal no sentido de vamos conversar, vamos saber.
Vamos poder falar sobre isso, né? Esse outro livro aqui chama Leituras sobre a Sexualidade em Filmes, Identidades, Dissidentes e Opressões, organizado pela Leilani Raquel Espadotto de Carvalho e a Ana Cláudia Bortolosi. E é um livro bem interessante.
Tem vários capítulos aqui que vai fazer análise de alguns filmes e séries relacionando com as questões de sexualidade, LGBT. Esse livro, gente, dá para baixar também na editora, tá? Pedro João Editores também. Pedro João Editores.
Dá pra baixar. Então dá pra você ter o acesso a um livro. Olha, tá mais fácil alguns livros, né? Mas interessante, porque você tá contando que são duas pesquisadoras que trabalham com questões de sexualidade há bastante tempo. Então foram buscar livros, séries, filmes, né? Pra poder trazer o assunto. Olha, vocês podem descobrir. Ah, eu não sei onde encontrar. Já tem algum lugar pra encontrar. Ah, mas eu posso procurar na internet?
Pode, mas eu tenho a desconfiança que essas autoras e os autores que participaram foram procurar de uma maneira a trazer a discussão de uma forma científica. E não, de novo, não por opinião pessoal.
fundamentada e de uma forma a fazer essa análise exatamente que a gente está fazendo aqui, né, Oswaldo? De olhar para essa construção normativa de gênero e sexualidade e fazer uma análise sobre isso, trazendo uma crítica bem importante e interessante. Eu estou gostando da forma que você trouxe esse tema, que é um tema assim...
Olha, podia levar para qualquer forma de discussão, mas você está trazendo uma maneira que dá acesso às pessoas, porque são publicações, publicações que nós encontramos nas livrarias, pela internet, ou seja, esse é um mecanismo que, então, há 20 anos, basicamente nem existia. Não havia exatamente livros específicos sobre o tema.
É, especialmente para o público infanto-juvenil, Oswaldo. Talvez a gente tivesse alguns artigos, livros, capítulos que já abordasse essa temática da sexualidade e gênero com certeza, trazendo também algumas análises de filmes e séries, mas infanto-juvenil é algo novo e é algo absolutamente necessário. E aí a gente estava conversando também da importância...
da gente ter uma visibilidade de imagens na mídia, uma representatividade também, pessoas LGBT que ocupem lugares de poder, lugares em que elas obtenham sucesso e que a gente possa ver sobre isso. Por quê? Porque quando a gente cresce num ambiente que a gente aprende que a gente é desviante da norma, olha...
Será que eu tenho alguma falha social? Isso são questionamentos que podem surgir. Será que eu internalizo essa imagem do mundo, que o mundo tem sobre quem eu sou, sobre uma parte de mim? E quando a gente... Porque quando a gente tem um grupo que oprime, um grupo que oprime e outro que é oprimido, é como se fossem dois grupos aqui. Olha, você está aqui, abaixo.
exatamente onde você deveria estar. Então você não pode ter os mesmos direitos que eu, a mesma alegria que eu, o mesmo sucesso. Muitas vezes isso não é dito, mas isso é percebido. Nem precisa ser dito, porque existe uma imposição do mundo para aquela pessoa, ela precisa assumir uma identidade que a torna subalterna e responsável pelo próprio sofrimento, não é dos outros.
E às vezes é difícil, talvez pode acontecer, de ser difícil se permitir sentir alegria, sentir felicidade, o merecimento, o sucesso. Então quando a gente tem imagens de potência, visibilidade, que também trazem potência, que também trazem alegria, é claro que a gente tem que falar sobre o preconceito, isso é absolutamente importante para que a gente possa enfrentar.
e também para que a gente tenha dados para a construção de políticas públicas. Mas é importante também que a gente traga imagens, representações positivas, de potência, de alegria. Eu costumo falar que fervo também é luta, né? Quando a gente fala da parada, por exemplo. Então, alegria também é luta, porque quando a gente se permite demonstrar essa alegria...
eu tenho a impressão que a gente rompe com o status quo. Então, eu estou saindo daqui, a gente rompe com essa ordem social que é criada e que diz que um grupo tem que estar acima, o outro tem que estar abaixo e tem que seguir algumas regras. Eu acho que você trouxe um fechamento importante para esse assunto.
demonstrar que nós precisamos ter as possibilidades visíveis ao nosso redor, que com essa visibilidade nós melhoramos a qualidade de vida dessas pessoas e de todas as pessoas ao redor.
E a gente permite que as pessoas que não são LGBTs também conheçam e vão desfazendo os mitos e crenças. A gente tem que lidar com a realidade. Isso é importante. Lidar com a realidade. Mariana, eu tenho que agradecer a tua participação. Nós tivemos aqui a psicóloga, professora, doutora Mariana Farias. Ela trouxe um assunto que você precisa...
Será que não precisamos ver de novo esse vídeo para poder entender o que está acontecendo? Porque se você não compreendeu, assista de novo.
Mas eu quero agradecer a sua participação e, olha, sempre que tivermos uma nova oportunidade... Muito obrigado, Osvaldo, com certeza. Obrigado também para todo mundo que está assistindo a gente. Acho que é um tema muito importante e que a gente possa cada vez mais produzir materiais, que a gente possa ter essa visibilidade, de fato, potente. Isso.
E semana que vem, mesmo horário, às 20h30, domingo aqui na Rádio Vibe Mundial, também no Instagram do Café com Sexologia, puxa, nós teremos um urologista para falar sobre além do tadala. Ah, o que significa isso? Existem homens que podem precisar de uma série de outras circunstâncias para melhorar suas capacidades genitais. E um urologista para falar do assunto, precisamos também. Até mais então, gente. Boa semana para todo mundo.
Você ouviu o programa Café com Sexologia com o psicólogo e sexólogo Oswaldo Rodrigues. Todos os domingos, ao vivo, às oito e meia da noite.
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