Trânsito, Carros e Cidade: O Futuro da Mobilidade em Curitiba | Tribuna Cast (T2E6)
Você já parou para pensar que a forma como você se desloca diz muito sobre a cidade onde você vive? 🏙️
Curitiba já foi referência mundial em mobilidade urbana, mas hoje enfrenta novos desafios que colocam em discussão o futuro do transporte, da qualidade de vida e do uso do espaço urbano.
Neste episódio do Tribuna Cast, discutimos como a mobilidade urbana está mudando e o que isso significa na prática para quem vive a cidade.
Falamos sobre o aumento do uso do carro, o impacto no trânsito, a mobilidade ativa como alternativa e a importância de repensar o modelo atual de deslocamento em Curitiba.
Para aprofundar essa discussão, recebemos:Laís Leão – VereadoraHermes Nichele – Arquiteto e urbanista, especialista em planejamento urbanoViviane Mendonça – Ciclista e pesquisadora de mobilidade ativaJuntos, eles analisam se o modelo atual de mobilidade está esgotado, o papel da bicicleta e do transporte público, a importância das calçadas e como tudo isso se conecta com o futuro da cidade e as mudanças climáticas.💬 E fica a reflexão: se continuarmos nos deslocando como hoje… que tipo de cidade teremos daqui a 10 ou 20 anos?👍 Gostou do conteúdo? Deixe seu like💬 Comente como você se desloca na sua cidade🔔 Inscreva-se no canal para acompanhar mais episódios do Tribuna Cast
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- Expansão da malha cicloviáriaDesafios da ciclovia fragmentada · Segurança e estresse no trânsito · Ciclovias de lazer vs. mobilidade urbana · Integração de bicicleta no transporte público · Bicicletas em terminais e segurança
- Mobilidade urbana e acessoCrise do transporte individual · Infraestrutura viária saturada · Desafios do transporte público · Necessidade de investimento e estratégias novas · Integração de modais
- Uso de Espacos PublicosResponsabilização pela manutenção das calçadas · Calçadas como espaço público · Insegurança para mulheres em calçadas ruins · Acessibilidade para mobilidade reduzida · Projeto de lei para fundos de requalificação de calçadas
- Mudança de ambiente e mobilidadeEmissão de gases poluentes por carros · Impermeabilização do solo e construção de asfalto · Perda de espaço verde e permeável · Reabertura de rios enterrados · Mobilidade ativa como resposta aos desafios climáticos
- Democracia de Modais e Liberdade de EscolhaDireito de escolha entre diferentes meios de transporte · Custo elevado do carro individual · Impacto econômico e de saúde da mobilidade · Cidades como pontes, não obstáculos
- Marco legal do transporte públicoRevisão do plano diretor · Licitação do sistema de transporte coletivo · Oportunidade para direcionar o futuro da mobilidade
- Novos Modais e Desafios FuturosUso de patinetes e bicicletas elétricas · Regulamentação de trânsito para novos modais · Desafios dos veículos autopropelidos · Cidades de 15 minutos
- Pesquisa Origem e Destino DesatualizadaDesatualização da pesquisa de 2014 · Impacto da pandemia e transporte metropolitano · Crescimento de carros por habitante em Curitiba · Necessidade de dados qualitativos e conversas com usuários
- Segurança em MobilidadeRisco de travamento e imobilidade urbana · Impacto na qualidade de vida e acesso a oportunidades · Aumento do custo de loc
Curitiba já foi referência em mobilidade urbana, mas hoje a gente vê cada vez mais nas ruas, carros e mais carros e muitas vezes com uma única pessoa dentro. E ao mesmo tempo surge uma nova discussão. Como repensar a forma como a gente se desloca diante dos desafios da cidade e principalmente das mudanças climáticas? A gente vai buscar essa resposta logo depois da vinheta.
A mobilidade urbana está no centro de várias discussões. Qualidade de vida, tempo, meio ambiente e até no acesso à cidade. E para a conversa de hoje do Tribuna Cast, eu recebo três pessoas. A primeira é a vereadora Laís Leão. Tudo bem, vereadora? Oi, gente. Tudo bem? Bem feliz de conversar de mobilidade, que é um tema que eu gosto muito com vocês.
Aqui do meu lado, a gente também tem o arquiteto e urbanista Hermes Nichelli, que é especialista em planejamento urbano. Olá, tudo bem? Obrigado pelo espaço. É ótimo discutir um pouquinho de mobilidade e que está todo dia na nossa vida, né? Isso aí. E junto com a gente, a gente também traz a ciclista e pesquisadora Viviane Mendonça, que vive a mobilidade ativa na prática.
Olá, obrigada pelo convite. Também estou muito feliz em contribuir com as discussões sobre a mobilidade urbana e ativa e como ciclista, mulher, professora, os desafios que a gente encontra todos os dias na cidade. Sejam muito bem-vindos. Para essa conversa, já quero começar diretamente com o Hermes perguntando até quando Curitiba consegue sustentar esse modelo de mobilidade baseado apenas no transporte individual?
eu acho que já não consegue sustentar mais. Eu acho que já tem alguns anos, já diria que tem algumas décadas, que o transporte individual já sobrepassa demais a infraestrutura da malha viária em geral, os investimentos, e toda a mobilidade da cidade acaba sendo voltada para o transporte individual, transporte motorizado individual, indica-se de passagem, diferente dos não motorizados.
Então, ao invés de a gente ter uma cidade voltada para o transporte público em pequena escala, nos bairros, ou em grande escala, nos eixos de BRT, a gente tem vias lotadas para carros. As vias rápidas já não dão mais conta. Já não são mais rápidas, né? Já não são mais rápidas. Nem a Visconde, Silva Jardim, a... Padre Agostinho. Padre Agostinho, a Castro Alves já não dão mais conta.
E as canaletas, mesmo assim, elas continuam com baixa infraestrutura e com pouco acesso ao transporte público. Então, a gente vê ali em Curitiba alcançando a saturação tanto no transporte individual, nas vias, quanto no transporte público, que vai a cada ano decaindo.
E é engraçado, porque, assim, existem as canaletas, eles até estão criando alternativas dentro do transporte coletivo, eu falo porque eu sou uma usuária, porém, eles não investem, por exemplo, em mais veículos, né? O Ligeirão é um exemplo, o Norte e Sul, eles criaram a linha, ela é superfuncionável, inclusive eu levo 15 minutos do meu bairro até aqui, o que é muito pouco, otimiza muito, mas falta ônibus. Vocês concordam com isso?
Eu acho que sim, eu acho que a gente tem um processo que a gente precisa destravar algumas questões do transporte público. A gente vive num looping hoje de que se diz que não se faz mais investimento no transporte público porque a quantidade de usuários baixou, mas ao mesmo tempo como é que você vai aumentar a quantidade de usuários?
se você não dá incentivo para isso, né? Eu acho que já deu o tempo de ficar jogando o problema na conta da pandemia, porque realmente, na pandemia caiu drasticamente a quantidade de usuários, por motivos óbvios, mas já deu tempo de recuperar, né? Mas eu acho que para a gente conseguir fazer essa recuperação, de fato, precisa de investimento massivo e de estratégias novas, né? E não só do transporte público, mas que viabilizem a mobilidade ativa para que as pessoas consigam chegar ao transporte público, fazer o pequeno trecho.
com a pé, de bicicleta, ou sei lá, de patinete, como for. E às vezes até de Uber, a depender do caso, e fazer o trecho maior de transporte público de massa. Então, a gente tem outras alternativas, só que para isso precisa de investimento, né? E é um efeito dominó também. Exato, exato. Se você não investe, o transporte público perde qualidade. As pessoas deixam de usar. Menos pessoas usam.
Menos pessoas usando tem que reaver as contas desse transporte público. Aí a passagem aumenta, a qualidade diminui, menos veículos, menos infraestrutura. E aí menos pessoas vão pegar, porque a qualidade está ficando pior. É um efeito dominó. Exato. E já vinha antes da pandemia. Sim. Muitos anos antes, né?
Viviane, na prática, a sua mobilidade é superativa, né? Você é ciclista há mais de 20 anos e anda de bicicleta todos os dias? Praticamente todos os dias. É o meu meio de locomoção hoje em Curitiba, principalmente de casa ao trabalho, né? Você chega a fazer essa integração de diferentes modais quando precisa ou você foca somente no transporte via bicicleta? Quando necessário, sim, mas você não tem essa logística preparada, né? Com a conexão. Então, você não tem a integração dos modais.
Então, na verdade, eu já nem penso na integração justamente por conhecer que é complexo e que eu não vou conseguir. Então, hoje eu não consigo colocar minha bicicleta no ônibus e integrar um modal se eu quisesse fazer um trecho mais longo, né? Da minha casa ao meu trabalho, hoje são praticamente quatro quilômetros. Dois quilômetros eu faço por ciclovia e dois quilômetros eu...
Você se aventura nas ruas. Estou junto com os carros ali. Eu vou na calçada, quando eu me sinto coagida, né? Esse lugar não é pra você, aí você vai pra calçada. Mas na calçada você também não se sente bem, porque não é o meu espaço, né? Então, quando eu falo de mobilidade ativa, eu tenho que respeitar todos que fazem parte desse universo. Não só a bicicleta, não priorizar a bicicleta.
Então, como essa rede cicloviária, muitas vezes, não tem uma ligação, você acaba caindo no meio dos carros. E eu não desisti, mas eu sei que isso impede que muita gente desista do uso da bicicleta ou que nem passe a usar.
Então, quando você não integra também essa rede cicloviária, isso também é um agravante. Para que você consiga integrar tudo isso e para que você consiga fazer com que o transporte público, já que a mobilidade ativa vai atender quem caminha, quem usa o transporte público, quem usa a bicicleta, por exemplo, é necessário que você faça todas as conexões. Então, não só criar uma rede de ciclovias, mas...
Que o ônibus seja integrado e que todo mundo entenda o quanto é complexo isso, mas que é possível fazer. É porque é complicado, veja bem. Você tem o transporte público que é mais rápido, né? E ele é, vamos pegar só o modelo das canaletas. Não vamos pegar alimentador, nem os interbairros da vida, nem nada disso.
Porém, você quer estimular com que a pessoa às vezes se movimente mais, faça atividade física, a bicicleta é uma alternativa, mas você não coloca caminhos seguros para ela. E ao mesmo tempo, ela quer chegar mais rápido no trabalho e às vezes quer usar a própria canaleta, que não é o lugar ideal para a bicicleta estar ali se deslocando. Então, como que a gente consegue resolver isso? Você como uma praticante diária, você avalia que essa estrutura atual de Curitiba...
precisa melhorar? Como que você percebe essa situação? Se você perguntar para mim, sempre como uma ciclista, eu sempre vou dizer que tem que melhorar, eu nunca vou dizer o contrário, porque eu acho que essa rede cicloviária tem que acompanhar o crescimento da cidade. Assim como eu construo o asfalto, as ruas, calçadas, na minha cabeça de ciclista, e que vem estudando isso há muito tempo, é entender que esse conjunto tem que crescer junto.
Então, quando o ciclista deixa a ciclovia para andar na canaleta, a gente pode pensar no tripé do visão zero, por exemplo. Então, você precisa ter educação, você precisa ter infraestrutura e fiscalização. Às vezes, eu tenho a infraestrutura.
mas eu não tenho essa educação do trânsito que também precisa acompanhar. Então, o ciclista talvez ele não entenda que o risco ali é grande, mas ele precisa vir para a ciclovia. Ou a ciclovia termina num lugar que ele vai novamente voltar com os carros, então ele prefere ir pela canaleta. Exige um estudo técnico desse espaço para entender o que está acontecendo. Exige a educação. Então, são várias frentes que precisam ser tomadas. O trânsito é complexo e ele não é só...
o meu achismo, né? Eu preciso ter todas essas frentes trabalhando. Exato. E a gente tem uma malha cicloviária extremamente fragmentada, né? A gente tem uns trechinhos e você pega o mapa, é como se fosse como se uma...
como se você tivesse pegado um marca-texto no mapa, assim, e feito uns pedaços, assim, sabe? Elas não têm uma conexão direta. Tem, né? O plano de diretrizes e tal, mas entre ser uma diretriz e ser uma coisa de fato executada, tem outros 500, assim. E sem falar no processo de qualidade dessas ciclovias, né? É diferente você projetar uma ciclovia para lazer do que uma ciclovia de mobilidade.
Quem que vai? A pessoa precisa chegar no trabalho. Ela tem que ir do ponto A ao ponto B. E ela tem que pegar um caminho que fica fazendo voltinhas? É um caminho contemplativo? Não, ela não quer fazer um caminho contemplativo. Ela quer um caminho objetivo que vai fazer ela chegar no ponto A ao ponto B do jeito mais rápido e mais confortável. Que ela tenha que pegar menos subida, que ela tenha que se colocar numa situação de...
estresse, numa situação perigosa menos vezes, então é um pensamento diverso, a gente teve por muitos anos um processo de planejamento cicloviário que era muito focado nas ciclovias de lazer e não nas ciclovias de mobilidade urbana de fato, né?
Sim, eu ia comentar exatamente isso. O nosso sistema cicloviário é um resquício dessa época de ciclovias voltadas para o lazer. E ainda, enganchando com o que você comentou sobre as canaletas, quando a gente vai relacionar com o BRT, com os ligeirinhos, a gente olha...
O conceito de desenvolvimento orientado ao transporte, nessas áreas da canaleta, que são as áreas de transporte público de massa, essas áreas deveriam incentivar ao máximo o transporte ativo. Então, melhores calçadas e melhores via ciclava, via ciclofaixa.
Então, nessas áreas é que deveria ter o máximo de áreas voltadas para ciclistas. E muitas vezes é as áreas que são piores. É as áreas que, se a gente olhar algumas pistas da canaleta, na República Argentina, por exemplo, tem vários trechos que o ciclista é um espaço compartilhado, uma ciclorota. E aí depende da questão de...
É de respeito, de segurança, de educação no trânsito, que é uma coisa difícil. Esses problemas que a gente já apontou aqui, eles chegam para você no gabinete? Essas demandas chegam? Com muita frequência, sim. A gente tenta conciliar, né? Acho que a gente recebe, proporcionalmente a gente recebe uma quantidade de reclamações
enorme sobre o transporte público, seja pela... A gente fez até uma pesquisa na metade do ano passado, a gente fez um diagnóstico completo sobre as coisas que mais incomodam as pessoas no transporte público. São elas... O que mais nos surpreendeu, acho que foi a questão da limpeza, assim, muitos usuários reclamando da limpeza.
E é aquela coisa, né, entre você ter o seu carro individual, que você fica ali tranquilo, sem contato com ninguém, com um ambiente que você construiu ali pra você, e você ter que ser subordinado, ou você ter que escolher ser subordinado a estar num espaço que tem barata passando na sua frente.
Óbvio que as pessoas não vão escolher o transporte público. Então, não é surpresa pra ninguém que aí a quantidade de usuários vai cair. Então, a gente recebeu reclamações sobre limpeza, a gente recebeu reclamações sobre preço, porque aí chega aquela coisa, se você já tá em mais de uma pessoa, já começa a valer a pena você pegar um aplicativo, por exemplo, um carro de aplicativo. Não começa a valer a pena se você vai pegar um ônibus, a não ser que você faça um trajeto bem grande, bem extenso. Então, tem várias questões que a gente recebe com bastante frequência.
A questão das ciclovias, a gente recebe muitas vezes essa reclamação com relação à conectividade, né? Você querer ir de um ponto ao outro e não conseguir porque não tem infraestrutura. A gente recebe com muita frequência essa questão do modelo da ciclovia.
da integração da ciclovia com calçada. Ai, o pedestre quer usar calçada e falar, eu quase fui atropelado por um ciclista aqui ontem. Isso acontece comigo quase que direto. Então, a culpa é do ciclista? Não necessariamente, porque o ciclista também, se ele tivesse um lugar seguro pra andar, ele estaria andando num lugar seguro.
Então, a gente precisa ter um... Desenvolver, eu acho aqui, uma ideia mais profunda dessas ideias de rua completa, assim, né? Você precisa ter todos os espaços. E agora estão chegando coisas novas, né? As pessoas estão usando patinete. As pessoas estão usando skate na rua. Eu estava pensando, além do patinete, tem as bicicletas elétricas também. Que a gente vira e mexe aqui no centro. A gente vê eles andando muito aqui, né?
E não tem um espaço adequado pra esses veículos um pouco mais rápidos e que não são motores, né? Como uma moto, por exemplo. Sei lá, uma Vespinha. Minha filha adora falar Vespa por causa de um filme, enfim. Mas não tem um espaço adequado pra eles. Assim como não tem a bicicleta, mas também não tem uma regulamentação.
de trânsito para esses outros modais, né? E a gente vai ter o desafio dos autopropelidos agora, que tem uma limitação de velocidade que é 32 km por hora, se eu não me engano, que se eles ficam na via tradicional, eles são super pressionados pelos veículos, mas ao mesmo tempo se vão para ciclovia ou se vão para calçada, pior ainda. É pior ainda porque...
Um pedestre anda a 5 km por hora. Imagina um veículo passando a 32 do lado dele. Então, é perigoso, né? Então, a gente vai ter novos desafios que vão surgindo e a gente não resolveu nem os antigos, né? Nem o de caminhar pela cidade. Falando em desafios, você, viradora, tem projetos que incentivam, obviamente, a mobilidade ativa, como a gente já vem discutindo aqui. E um deles permite uma coisa que...
ela já reclamou que é a questão da bicicleta no transporte público, né? Como é que você avalia a importância de medidas assim? Então, eu sou uma grande defensora dessa integração que a Vivi falou, assim. Eu acho que a gente tem que promover essa integração. A gente propôs esse projeto sabendo que é gerar um baita de um debate, porque...
As pessoas falaram, mas o ônibus já está lotado, você quer enfiar uma bicicleta aqui dentro? Eu falei, gente, eu entendo que o ônibus está lotado. A gente precisa trabalhar para que o ônibus não esteja lotado. Mas se a gente incentiva a mobilidade ativa, na verdade, a gente vai gerando uma bola, um efeito inverso da bola de neve, né? De conseguir um ciclo positivo de mobilidade. Só que para isso a gente precisa fazer várias coisas. Não adianta só... São lutas paralelas.
Isso, não adianta só a gente falar, não, a partir de agora pode. E aí não fazer mais nada. Não, tem que fazer um combo de coisas, né? A gente propôs justamente pra trazer o debate, mas a gente sabia que não ia ser tão simples assim. Tem casos bem-sucedidos mundo afora, né? De vagões exclusivos, né? Que só pode entrar em determinado, especialmente no metrô, né? Só pode entrar em determinados vagões com a bicicleta, outros vagões não pode.
Casos e casos. Aqui já teve uma tentativa de colocar a bicicleta por fora, o que eu acho meio delirante, assim.
porque vai parar o ônibus, vai pôr a bicicleta por fora, não sei. Mas eu acho que poderia ser muito mais simples, mas também entendo totalmente a frustração das pessoas, porque é isso, o transporte público está cheio, né? Mas seria muito bom, nós temos nossa ciclista aqui, que pode dizer que, em termos de mobilidade, né, Vivi, seria muito interessante, porque abriria novas ideias.
Sim, eu acho que sempre tem ideias acontecendo mundo afora, como você colocou, né? A minha dissertação de mestrado, ela é muito recente, então, como é recente, você acaba trazendo coisas que aconteceram pós pandemia, assim, né? Onde as cidades, obrigatoriamente, tiveram que tomar decisões muito rápidas em relação à mobilidade urbana.
Então, você tem Berlim, por exemplo, né? Decisões rápidas porque não podia aglomerar e aí tem que criar ciclovias. E o que era temporárias, que são as pop-ups, se tornaram ciclovias que ficaram para sempre, né? Então, você vai ter 500 quilômetros de ciclovias, 1.200 quilômetros de ciclovias em Paris. Então, imagina você ter uma cidade com mais de 1.200 quilômetros de ciclovia, quase...
pra gente hoje, impensável, né? Então, talvez a gente não consiga colocar a bicicleta dentro do ônibus, mas a gente pode pensar naquela micromobilidade. Então, eu saio da minha casa, eu vou até o terminal, a minha bicicleta fica em segurança, aí eu pego o ônibus e faço o trecho mais longo.
Na minha cabeça, isso seria o ideal. Aí volta e pega a bicicleta. Como deixar a tua bicicleta num lugar seguro? Como é que a política pública pode fazer com que isso aconteça? Então, os exemplos, os bons exemplos, eles já existem. Como adaptar essas ideias ao que a gente tem? Então, a gente tem as ruas completas, a gente tem a cidade de 15 minutos. Então, como que você pode propiciar que a pessoa dentro do bairro utilize a bicicleta para que ela não pegue o carro?
numa sociedade onde a pessoa tem que usar um carro pra andar duas quadras pra comprar pão, a gente não pode achar que isso é normal, gente. Exato. Eu acho que o grande desafio pro poder público e pras políticas públicas é exatamente pensar nessas pequenas soluções. Às vezes não é mesmo pra cidade toda.
Às vezes é para lugares específicos, para bairros específicos. Então, quem está disposto a fazer esse estudo de verdade, entender como cada bairro funciona e respeitar isso e incluir a mobilidade ativa, eu acho que é aí que está uma das grandes alternativas para o futuro das cidades. E esse tipo de integração, na sua avaliação, ele é suficiente ou precisa de uma mudança estrutural, uma mudança muito maior?
Inclusive, a gente tem que pensar o seguinte, que a gente está nessa fase de revisão do plano diretor, né, vereadora? E aí vem também agora a licitação do sistema de transporte coletivo para o ano que vem, talvez ela venha para a Câmara avaliar também. Então, como que você pensa nisso, assim?
É exatamente o que eu ia comentar. Nessa integração da bicicleta com os ônibus, com o sistema de transporte público, tem muito a melhorar. Porque, ah, podem até dizer, existe paraciclos nos terminais, nas estações tubo, mas quão seguro é você deixar a bicicleta lá? Eu mesmo, eu também sou ciclista, me coloco aqui como ciclista, também como técnico.
Também já fui muito do ciclismo utilitário do dia a dia. Hoje em dia eu trabalho um pouco mais longe, fica um pouco mais difícil. Um tanto por questão da infraestrutura, mas um tanto pela distância. Mas, por exemplo, uma vez eu fui fazer um multimodal, uma viagem multimodal. Pensei, poxa, que lugar que eu posso deixar a minha bicicleta que eu sei que vai ser seguro.
eu deixei na estacionamento de bicicletas da Reitoria da Federal, que é um lugar ali que, nossa, tem passagem o dia todo, é tranquilo. Só que daí eu tive que andar mais para pegar o ônibus do que se eu tivesse deixado em algum local mais perto do ponto do ônibus. Então, foi uma viagem multimodal mais complexa. E aí, se você... Você teve que andar. Eu tive que andar.
Se você prepara os terminais, a infraestrutura do transporte público para receber com mais qualidade, com segurança a bicicleta, isso facilitaria. E a gente já está vendo alguns exemplos aqui na região metropolitana. O bicicletário, por exemplo, do terminal de Campo Largo, em Campo Largo, ele é bem bom e ele é muito utilizado. Muitas pessoas vão até ali para daí pegar o ônibus e vir para Curitiba. Isso está sendo implantado também em outras cidades da região metropolitana.
É o que vocês estavam comentando, os modelos já existem. E o de campo largo foi feito um estudo de usuários, quantos usuários, horário de pico. Então, não se instala o bicicletário e fala agora você usa que está tudo bem. Porque não vai ficar tudo bem, né? Para as pessoas que estão em casa terem uma noção, como é que é esse bicicletário?
Você vai lá e só encaixa a bicicleta e coloca... O de Campo Largo? É, o de Campo Largo. Eu não conheço o bicicletário, mas eu sei que a empresa que fez, fez todo um estudo, e eu acompanhei, para ajudar em algumas ideias. É um local fechado lá. Mas é seguro, e foi feito um estudo junto à prefeitura, uma incorporadora que fez esse trabalho.
Que daí eles já até coligaram com bicicleta compartilhada também, já estão fazendo isso. É um local fechado que o pessoal pendura a bicicleta, assim, então ele consegue acumular o máximo possível de bicicletas. E já tem também banheiro, então tem toda a infraestrutura que um bicicletário demanda, né?
Essa pesquisa que eles sempre falam, vereadora, quando a gente fala do transporte coletivo, que a UBS às vezes cita, inclusive, quando vem falar sobre isso aqui na Câmara, que eu já ouvi, porque eu já acompanhei CPI do transporte coletivo, já acompanhei comissão especial também, né? E eles sempre falam da tal da pesquisa origem e destino. Ela pode ajudar a pensar a integração desses modais junto com o transporte coletivo?
Pode, mas ela está extremamente desatualizada. Exato. Então, assim, já estamos em 2026, se eu não me engano, a OAD de Curitiba é de 2014, né? Então, assim, ela já tem 12 anos e ainda ela é referência. Então, acho que já está um pouco... Já teve pandemia no meio, as pessoas já estão usando a cidade de um jeito completamente diferente. Já teve fragmentação com o transporte metropolitano.
Já teve, exatamente. Então, a gente já tem uma realidade, né, que beleza, a demanda demográfica de Curitiba não cresceu muito, mas a demanda demográfica da região metropolitana cresceu pra caramba, e isso chega, nos afeta aqui, porque afeta a quantidade de usuários, a quantidade de carro por habitante em Curitiba nos últimos 10 anos cresceu assustadoramente, a gente é uma das capitais que mais tem quantidade de carro por habitante. Então, a gente tem uma realidade completamente diferente hoje, em 2026.
do que era a realidade da OD, da pesquisa origem e destino, em 2014. Então, assim, eu acho vergonhoso usar essa pesquisa de base ainda, porque não é mais a realidade que a gente tem. Precisaria, no mínimo, ser feita uma pesquisa nova.
Mas eu defendo que falta muito hoje dados qualitativos sobre o transporte público. Você não precisa inventar a roda. Para ali uma semana no terminal e converse com as pessoas. De onde você vem? Para onde você vai? Qual que é o maior problema? Então, assim, eu acho que, lógico, a gente precisaria de uma atualização, de uma pesquisa origem e destino, mas eu acho que também falta este processo de conversa mais próxima com o usuário do transporte público.
E falta a gente avançar muito, mas muito rápido. Especialmente na questão das calçadas, porque todo mundo é pedestre. Não importa se você tá dirigindo carro, se você tá pegando ônibus, se você tá andando de bicicleta. Eventualmente você será pedestre. E ainda é mais difícil se a pessoa tem algum tipo de mobilidade reduzida, né? A gente lidou com casos essa semana assustador no Guabirotuba, que a moradora não conseguia simplesmente sair de casa, porque as calçadas em volta da casa dela eram intransitáveis.
Então, assim, o direito à cidade fica muito comprometido e a mobilidade é extremamente relacionada a isso. Então, a gente precisa ter de dados novos, mas também a gente não pode ser atea só a pesquisas enormes sobre esses dados. A gente precisa também ir dando essas micro soluções, né? Como a Vivi e o Hermes já colocaram aqui para ir avançando, senão a gente vai ficar para trás.
Só reforçando essa questão das calçadas, né? Você tem um projeto que trata justamente disso? Tem. Aqui na Câmara. Dois até agora. A partir da semana passada, eu tenho dois. A gente faz um questionamento bastante grande com relação ao Poder Executivo sobre a responsabilização das calçadas, né? A gente recebeu... Hoje a gente tem uma lei municipal que...
que responsabiliza os proprietários dos terrenos sobre a execução e manutenção das calçadas. Só que isso vira um grande Frankenstein na cidade, assim, porque tem a regra, tem o decreto da calçada, mas cada pessoa faz de um jeito no frigir dos ovos e tem gente que nem faz. Então, não tem como fiscalizar e exigir e ficar ali batendo de porta em porta e, às vezes, é um custo.
prático, muito grande para o morador. E a calçada é espaço público. Eu, como arquiteta, entendo que a calçada, do mesmo jeito que a rua, deveria ser responsabilidade do poder público de executar. Grandes debates. A gente poderia ficar horas fazendo um podcast só discutindo isso.
Mas eu acho que a gente tem que avançar muito. E acho que os países que melhor trabalham a questão de direito à cidade, de espaços culturais, de revitalização do centro, são os países que assumem responsabilidade sobre as suas calçadas. Você vai para essas cidades que são referência das pessoas usarem a rua, que as pessoas se sentem seguras de usar a rua.
Você olha a calçada, calçada é impecável. Dentro da minha, já que a gente estava falando da dissertação de mestrado, vou colocar meu chapéuzinho da academia aqui. Dentro da minha dissertação de mestrado, uma das coisas que a gente percebeu com relação às mulheres é que as mulheres se sentem muito inseguras se a calçada é ruim. Porque subconscientemente você pensa...
Se eu precisar fugir, eu não vou conseguir, porque eu vou trupicar nessa calçada aqui e acabou, entendeu? Então, assim, a gente precisa muito urgentemente avançar nessas discussões, porque senão a gente vai ficar só enxugando gelo nos problemas de mobilidade, né? Não vai avançar de verdade. E há até um impasse.
Porque há quem diga que a legislação federal já diz que é do poder público essa competência das calçadas. E aí, em Curitiba e em muitos outros municípios, ou fica numa nuvem, né? Fica nebuloso de quem é a responsabilidade, ou o município diz que é do proprietário.
Só que aí rola esse Frankenstein das calçadas. E, se a gente parar para pensar ainda, a prefeitura acaba gastando com calçadas. Em grandes projetos ela vai lá e faz a calçada, ou em manutenções ela vai lá e faz a calçada. Na minha rua, a gente está com a obra do Inter 2 na minha rua. Não temos calçadas por enquanto, está só no barro. Eu tenho uma dúvida em relação a isso de cidadã mesmo. É possível que haja uma alteração agora com a mudança do plano diretor dessa ideia de que...
Enfim, que haja mudança de quem é responsabilidade da calçada ou não? Então, não é diretamente vinculada ao plano, diretor, a gente, a lei que a Pedrita comentou, a gente fez um protocolo de uma legislação justamente para transferir essa competência. A gente já tinha feito um pedido de alteração de legislação, no sentido de que o Fundo Municipal de Requalificação de Calçadas fosse usado para também instalação de calçadas na frente da casa e no entorno da casa de pessoas.
cadastradas com mobilidade reduzida, porque acontece muitas vezes da prefeitura multar uma pessoa que tem deficiência por não estar com a calçada adequada e muitas vezes a pessoa não consegue adequar a calçada justamente porque ela tem uma limitação de acesso a oportunidades, ela não consegue sair pra trabalhar porque a calçada é ruim, daí como é que ela vai pagar uma nova calçada, então fica aquele looping
Então, a gente já tinha proposto um projeto, tá pronto pra votação esse projeto, inclusive, que permite o uso do fundo de readequação de calçadas pra realização da calçada de pessoas com deficiência. Mas agora a gente foi um pouco mais além, a gente fez a proposição de transferência integral. Lógico, eu sei que isso não é do dia pra noite, né? Não é do dia pra noite que você joga isso na conta da prefeitura e fala, se vire. Mas a prefeitura pode propor um processo de transição.
Ah, nos próximos 10 anos a gente vai fazer dessa maneira pra conseguir requalificar todas as calçadas do município, tá bom?
Se você tem um plano, eu acho que qualquer, o legislativo, o judiciário, todo mundo iria, a população, todo mundo iria compreender. Mas lavar as mãos não dá, né? Porque a calçada é espaço público. E a própria Câmara pode propor, né? Colocar emendas para que esse projeto da requalificação das calçadas também possa sair do papel, né?
Falando agora, gente, sobre mobilidade e o futuro da cidade, a gente quer falar também sobre mudanças climáticas, né? Hermes, quais que são os riscos de não repensar o modelo de mobilidade e ignorando as mudanças climáticas?
Eu acho que aí a gente volta na discussão do começo, Pedrita, sobre o transporte individual. Se a gente não começar a considerar essa mudança na mobilidade e incluir as questões climáticas, a gente vai continuar perdurando esse sistema do transporte individual que tem toda a questão de emissão de gases poluentes, o que complica ainda mais.
E a gente vai continuar tendo problemas com impermeabilização da terra, com construção de asfalto, de pistas para carro. Enfim, dá para falar muita coisa nesse sentido. E, além disso, quando você traz mais espaço da via para o carro, você tira espaço não só do pedestre, não só da bicicleta, do ônibus, mas espaço que poderia ser verde, espaço que poderia ser permeável, espaço que poderia reabrir um rio.
que está enterrado, tantos rios em Curitiba que são enterrados, o Água Verde, o Ivo, o Belém, o Juvevê. Pois é, é uma loucura, né? Porque, assim, eu não sou daqui, eu sou de Minas e moro aqui há quase 14 anos. E foi só recentemente que eu descobri, por acaso, que existem vários rios que estão enterrados. Então, assim, você não faz ideia de que tem um rio passando.
Por debaixo, né? Pra mim, o mais chocante é a Mariano Torres. Acho que todo mundo... Curitibano raiz é o apego da Mariano Torres, né? Porque o Rio Belém, que chega lá no passeio público, a água que tem no passeio público é o Rio Belém.
E aí, se você for voltar na Mariano Torres ali, e chegar na rodoviária, ali embaixo do estádio do Paraná Clube, você encontra o Rio Belém de novo. Toda Mariano Torres é Rio Belém. E era Rio Belém. E ele foi fechado pra aumentar a quantidade de pistas de carro, historicamente, né? E aí tem, né? Acho que talvez a maior utopia dos urbanistas de Curitiba seja a reabertura do Rio Belém na Mariano Torres. Igual na Coreia do Sul.
Vamos abrir o Ribelem e pôr uma ciclovia do lado ali. O que você acha, Lilian? Uma ciclovia, um corredor... A IA fazendo todo o projeto. Imagina. Um corredor de VLT. Porque hoje é só na IA. A gente não conseguiria fazer isso. Infelizmente, não temos esse projeto financiado pelo BID. Mas você acredita que a mobilidade ativa pode ser uma resposta para esse cenário? Eu não acredito, tenho certeza.
Não só como usuária, mas dos estudos que o mundo vem fazendo, que eu fiz na dissertação, né? Porque quando você vai entrando nesse universo do urbanismo, da arquitetura, porque eu não consegui falar só da bicicleta sem ir para esse universo. É impossível você desligar, né? Eu tive que entrar nesse universo. A mobilidade ativa, principalmente diante dos desafios climáticos...
ela deve ser colocada num primeiro item de uma lista quando se repensa a cidade, né? Na minha cabeça, assim, não só de ciclista, mas também de professora, né? Olhando o que eu falo para os meus alunos, o que se debate nas salas de aula, o que fala-se sobre as questões ambientais e os desafios, né? Os estudos mostram o CO2, como o Hermes já colocou, os carros de passeio, a quantidade de carros nas cidades. E como você...
A mobilidade ativa quando eu coloco ônibus, caminhar e pedalar, porque às vezes as pessoas falam, mas o que é esse novo termo? O que é esse conceito de mobilidade ativa? É importante também sempre lembrar, quando você estimula que as pessoas façam nas suas cidades o que for possível, caminhar, pedalar, ou agora o patinete, que também é um desafio, e o transporte público foi incluído na mobilidade ativa justamente...
Porque se entende que para você chegar até o ônibus, você precisa. Ou caminhar, ou pedalar, enfim. Você precisa chegar até o terminal, o ponto de ônibus. Ninguém vai ter um ponto de ônibus na porta de casa. É um privilégio. Então, diante disso, o transporte coletivo foi inserido na mobilidade ativa. E qual é, por exemplo, o papel da bicicleta na mobilidade ativa? Toda vez que eu repenso a cidade, que eu coloco ciclovias, que eu deixo essa cidade mais democrática. Porque numa cidade onde eu...
eu não atendo e não priorizo a mobilidade ativa, automaticamente eu forço a pessoa a ter um carro. Então, eu não consigo ir de ônibus, eu não consigo ir de bicicleta, eu não consigo ir de patinete nem caminhando, eu vou comprar um carro. Não existe outra opção. Eu não tenho essa democracia de modal.
Então, a mobilidade ativa te dá esse direito de escolha. Eu acho que é isso que é bacana quando você olha os países que deram certo na mobilidade. Hoje eu posso ir de ônibus? Eu vou de ônibus. Não, hoje eu quero ir de bicicleta, eu tenho ciclovia. Hoje eu quero caminhando as calçadas. Hoje está chovendo. Isso. Então, é essa democracia dos modais, onde eu possa escolher da forma como eu chego.
Agora, quando ela é imposta, realmente o cidadão não tem opção, né? É, se você for pensar bem, o custo do carro é tão alto para o cidadão, né? Porque não é só o carro, é o IPVA, é o seguro, é o combustível, é a peça. Isso mesmo. E aí eu não concluo com o raciocínio, desculpa, né? A gente acaba fazendo... Pode ter mesmo. A cabeça da gente fica viajando, quer falar muita coisa, mas...
Pensando em todo esse contexto, quanto isso, quando você promove a mobilidade ativa, você obviamente tem menos uso de automóveis individuais e, consequentemente, você contribui para o meio ambiente, sem falar que você contribui para a saúde da população, porque você tem...
As pessoas se mexendo, se movimentando. E para a segurança também, né? Conversa com aquilo que a Laís falou. Se tem mais pessoas andando na calçada, você vai se sentir mais seguro. Seja a hora que for do dia. A Jane Jacob já dizia isso, né? Sobre os olhos da rua. Os olhos da rua. A gente precisa das pessoas ali na janela da sua casa, andando devagarzinho na rua para observar e trazer aquela segurança coletiva, conjunta.
E eu acho que tem um ponto muito importante, né? Que as pessoas acham que, ah, porque a gente tá falando de bicicleta, tá falando de mobilidade a pé, tá falando de transporte público, a gente é anti-carro. Não é anti-carro. Não é demonizar. Tem um monte de gente que precisa usar carro, que tem muitas razões pra usar carro. Vai fazer uma distância enorme, tem algum tipo de mobilidade reduzida. Uma mãe, um pai com três crianças, é mais fácil, lógico.
Tem várias realidades, né? Tem, pô, tá doente, tá com o pé quebrado, tem várias.
motivos. Tem o transporte de carga também. Isso, transporte de carga, enfim, tem várias questões, né? Mas eu acho que é bem nessa linha do que a Vivi comentou. É a liberdade de você poder escolher, não é? Você ser obrigado a fazer alguma coisa porque você só tem infraestrutura pra aquilo, né? Porque aí você limita a vida das pessoas, você faz a cidade como obstáculo ao invés de ser ponte, né?
Então, acho que a grande função, inclusive nossa aqui, como Câmara, como Poder Público, é poder prover e incitar os debates para garantir que as pessoas tenham a possibilidade e a liberdade de escolher. Então, essa questão da democracia do espaço público. Você não precisar fazer uma coisa ou outra, né? Você ter a oportunidade de fazer várias e um dia escolher uma coisa, outro dia escolher outra, para ter mais acesso a oportunidades.
Eu acho que com base em tudo que a gente falou aqui agora, a gente pode entrar num consenso de que a cidade, ela precisa se reinventar em relação à mobilidade urbana? Eu acho que não é reinventar. Eu acho que não é uma questão de reinventar a roda. Eu acho que a gente tem as soluções. Eu acho que é uma questão de priorizar. Eu acho que talvez seja uma questão de virar o volante. Isso, isso. A roda está ali. A gente só tem que virar o guidão, exato. Virar o guidão para a direção.
pra direção certa, eu acho que não é a gente não precisa, nossa, de uma super nova tecnologia que venha da China, não sei o que resolva o negócio, fazer um metrô, mudar um novo, nossa, seria bacana se a gente tivesse metrô, a gente teria novas oportunidades mas a gente não precisa de uma solução mirabolante
As soluções estão lá. Se a gente começasse resolvendo o problema da calçada, nossa, a gente já resolvia muita coisa, entendeu? Então, eu acho que é bem isso, assim. Essa metáfora é muito boa. A gente tem a roda, ela tá lá. A gente tem as ideias. A gente só precisa ali passar uma engrenagem e direcionar o volante pro lado certo.
Eu concordo. Eu acho que não é uma solução única que vai resolver isso. Não é um pacote único, mas são micro soluções, soluções pontuais em conjunto, planejadas de maneira bem assertiva para que a gente tenha essa mudança de paradigma. Eu acho que é uma mudança de paradigma, né? Uma mudança de você olhar como você olha a cidade na mobilidade. Não como ela deve ser feita, né? Mas como você está olhando a mobilidade, você entender e...
E aos governantes também uma coragem pra bancar, né? A ideia. Por que Curitiba é referência? Porque lá atrás teve alguém que falou assim, eu vou bancar e vai ser assim. Então é muito difícil, assim, a gente precisa...
E é muito curioso, porque não é um tiro no escuro, é um tiro bem certo, a gente sabe que dá certo. A gente tem exemplos no mundo todo, a gente tem exemplos aqui que dá certo. Agora, vamos supor que esse guidão aí, não vão virar ele, ele vai continuar naquele mesmo caminho, né? E a gente vai continuar se deslocando como hoje, daqui a 10, 20 anos. Então, como... Que tipo de cidade a gente vai ter se esse guidão não virar?
Eu acho que a gente não vai se deslocar mais, a gente vai travar, a gente vai ter... A gente já tem hoje realidades de cidades que literalmente travam em determinado momento. Curitiba, a depender do horário, trava já, tipo assim, não é mais uma questão de deslocamento, é uma questão de que a gente vai começar a não se deslocar mais, vai desistir de se deslocar, vai desistir de usar a cidade e eu acho que daí a gente começa a entrar a pesar no bolso, né?
Porque isso vai ter impacto econômico, isso vai ter impacto na saúde, isso vai ter impacto no acesso a oportunidades, então...
Isso já é um cotidiano para as mulheres, né? A gente já é muito imobilizada por causa do medo. Eu acho que a gente vai começar a ser mais generalizado, porque além do medo, você vai ter uma limitação de custo, porque vai ser muito caro se locomover, e vai ter uma limitação de tempo, porque as pessoas não vão ter mais tempo de fazer as coisas, porque você vai desistir, porque você vai ficar duas horas no trânsito toda vez, você vai começar a desistir de fazer as coisas. Isso vai ter inevitavelmente um impacto econômico, eu acho.
Concordo, Viviane? Hoje, muitas pessoas já, no meu trabalho, né? Eu tô olhando, sempre falando aqui num lugar de escuta, de ouvir muitas mulheres, o lugar que eu trabalho é composto, sei lá, por 95% de mulheres, né? Então, toda vez que eu falo da bicicleta, sempre tem uma mulher pra dizer, ai, como eu gostaria de vir de bicicleta. Mas eu moro na região metropolitana, eu não consigo fazer esse deslocamento de bicicleta.
E leva uma hora, uma hora e meia para chegar no trabalho todos os dias e de volta. Então, já é uma realidade as pessoas distantes do trabalho, né? Essa construção da cidade também leva as pessoas a morarem mais distantes. Vocês como arquitetos e urbanistas sabem disso melhor que eu. Então, cada vez isso implica mais em ter mais deslocamento, mais tempo, mais transporte público, mais disponibilidade. Ou, então, construir mais vias para carros, porque quando você não tem o transporte coletivo...
Eu acho que se isso não for repensado de um jeito em que as pessoas tenham acesso, de alguma forma, mais rápido aos espaços, talvez a cidade realmente seja pior do que a gente veja hoje. Para mim é isso. Eu já tenho um cenário que não é tão positivo, como a gente já colocou. Então, daqui a 20 anos, como que isso vai? Ou, de novo, como que...
Só quem tem dinheiro vai ter mais acesso? Então, quem não tem dinheiro continua sem acesso a espaços, a tempo, qualidade de vida, porque eu também estou falando de qualidade de vida, né? Se eu passo quatro horas do meu dia no trânsito, quase duas horas para ir, duas horas para voltar, são quatro horas diárias. Isso seja em carro, seja em qualquer coisa, se você está no trânsito. Eu poderia me dedicar à família, à minha saúde, numa caminhada.
O quanto isso vai trazer de itens negativos na vida de uma população, né? E uma população doente, você também tem gastos econômicos do poder público, você... Enfim... É um looping, né? Uma coisa vai levando à outra, né? São consequências que uma geração inteira vai levar pra recuperar depois, né? Sim. Hermes, sua resposta.
Eu concordo plenamente com a fala das colegas. Eu acho que já é um cenário que já vem sendo dificultado. E se continuar nessa, daqui uns 20, 30 anos, a gente vai ter algo que sai até pior do que coisas que a gente vê em São Paulo, Rio de Janeiro, que são metrópoles muito maiores.
Tem sempre aquela esquina de São Paulo que sempre dá aquela travada, volte meia, vira a meme. É uma esquina de duas avenidas com dez faixas cada uma que simplesmente trava. Eu vejo muito isso acontecendo aqui em Curitiba. E daí toda essa questão da qualidade de vida, as pessoas vão começar a se sentir presas nas suas casas, nas suas quadras. E vai se alastrar para toda a população, coisas que hoje em dia é mais voltado para as minorias, as mulheres, as pessoas com deficiência, as crianças, os estudantes.
vai começar a ser um cenário global. Bom, gente, o recado está dado. Se você acompanhou até aqui, você já deu para perceber que a forma como a gente se desloca diz muito sobre a cidade que a gente quer. Então, eu queria que vocês se despedissem. Eu já agradeço a participação de vocês. E aí já informem para quem está nos assistindo como que podem encontrar vocês aí nesse universo da internet. Começando pela Viviane.
Podem me encontrar nas ciclovias. Tô brincando, mas também podem. Podem, né? Mas também podem, porque já aconteceu isso, né? De encontros nas ciclovias por aí. Mas pode me encontrar na rede social. Vou de bike, salto alto. Tô lá com...
Agora menos, né? Quanto mais a gente trabalha, menos tempo a gente tem pra se dedicar nas redes, mas durante a pandemia consegui fazer um trabalho bastante rico, assim, com várias mulheres do Brasil todo, muitas conexões, e isso faz com que a gente aprenda também como as mulheres se deslocam em outras cidades do Brasil, será que usam a bicicleta, em que contexto, se são seguras, se não são, enfim, essa discussão também é importante, né? Você conhecer outras realidades, é...
E eu estou lá à disposição para trocar ideias e aprender e, enfim, discutir essas questões que envolvem a mobilidade ativa, né? Principalmente a mobilidade ativa, porque a urbana a gente já sabe do que se trata. Agora a ativa tem esse foco mesmo nas pessoas, na cidade para as pessoas, né? E agradecer o convite da vereadora Laís. Estou muito feliz de estar aqui conhecer você pessoalmente, o Hermes, e dizer que eu estou à disposição para outras conversas sobre outros temas da cidade também. Isso aí. Hermes?
Também podem me encontrar na ciclovia, podem me encontrar no ônibus, podem me encontrar nas ruas. Se você vê um cara fechado assim, andando rapidinho, bem curitibano sou eu. Mas, entre outros lugares, vocês podem me encontrar no Instagram, nas redes.
com o arroba Hermes.en. Lá eu venho falando bastante sobre transporte público de Curitiba, da região metropolitana, sobre transporte público em geral, sobre mobilidade em geral. Tenho feito alguns apontamentos, algumas reclamações, algumas ideias. Venho trazer daí essas provocações de uma pessoa usuária e de uma pessoa técnica, uma pessoa acadêmica.
E, por fim, eu agradeço também à vereadora Laís Leão por esse espaço, essa conversa. Eu acho que é muito importante a gente estar todo dia conversando a mobilidade urbana e trazendo esses questionamentos para a população. Porque, quando eu comecei os meus vídeos, eu começava a questionar... Mas isso não é óbvio?
Só que aí eu fui falando com uns colegas e eu fiquei tipo, mas às vezes o óbvio precisa ser dito. Porque as pessoas às vezes sabem esse óbvio, mas quando elas veem outra pessoa falar, elas começam a conversar, se sentem, não, vamos debater isso. Então, agradeço. Eu agradeço a conversa também das colegas, Pedrita e Viviane. Obrigado. Nada. Laís, que já é a nossa parceira de podcast aqui, ó. Desde o começo da legislatura.
Já tô acostumada, já é uma extensão do gabinete, quase, vir aqui fazer podcast. Gente, vocês podem me encontrar aqui na Câmara Municipal, circulando pela cidade inteira, aí a gente tem um pezinho nos 75 bairros de Curitiba, então...
continuarei aí cobrando por mais ciclovias, mais calçadas o melhor transporte público na nossa cidade sempre lá no Instagram também, é leão, Laís o sobrenome primeiro, mais fácil de encontrar, e lá mesmo, no Instagram sou eu mesma que respondo então podem mandar
mensagem pra nós, podem mandar aqui também no gabinete, a gente tá super à disposição, e tudo que se tratar de urbanismo, transporte público, meio ambiente, mobilidade ativa, a gente tá sempre por dentro, eu fico muito feliz de ter essa discussão aqui, essa conversa aqui, e também não queria terminar a conversa no pessimismo, né, tipo, estamos indo pro guidão pro lado errado, mas eu acho que a gente tem uma oportunidade muito bacana esse ano com a revisão do plano diretor, com a revisão E aí
da nova concessão do transporte, também para direcionar esse guidão para o lado certo e a gente pensar em novos modelos, pensar em novas ideias para trazer as pessoas para o transporte público e ajudar a colocar Curitiba de novo nesse espectro da referência na mobilidade. Então, contem com a gente, contem com a Câmara Municipal. Isso aí, muito obrigada pela participação de vocês e a gente te espera no próximo Tribuna Cast. Até lá!