Tarifa zero em Curitiba: quem paga a conta do transporte gratuito? | Tribuna Cast (T2E5)
A ideia de tarifa zero no transporte público está avançando no Brasil — e agora entra de vez no debate em Curitiba. Neste episódio do Tribuna Cast, você vai entender como funciona o transporte gratuito, quais cidades já adotaram o modelo e, principalmente, se ele é viável na capital paranaense.Com a passagem de ônibus em Curitiba custando R$ 6,00 em 2026, cresce o interesse por alternativas que ampliem o acesso à cidade. Mas afinal: tarifa zero é custo ou investimento? E mais — quem paga essa conta?🎙️ Participam do episódio:Vanda de Assis (PT), vereadora e autora de proposta sobre tarifa zero em CuritibaLafaiete Neves, professor e especialista em transporte públicoLuandra Sansão, arquiteta e urbanista com experiência na implementação do modeloAo longo da conversa, você vai descobrir:✔️ O que é tarifa zero no transporte coletivo✔️ Como funciona na prática em cidades brasileiras✔️ Quais são os desafios financeiros e operacionais✔️ De onde pode vir o financiamento (subsídios, fundos públicos e outras fontes)✔️ Os impactos na mobilidade urbana, na economia e na desigualdade social💡 O episódio também apresenta experiências reais e levanta a pergunta que está no centro do debate: Curitiba está preparada para adotar a tarifa zero?📜 Além disso, você conhece o projeto de lei que prevê a implantação gradual do transporte gratuito em até 4 anos, com mudanças no sistema e ampliação da oferta de ônibus.👉 Dê o play agora, entenda tudo sobre a tarifa zero e participe dessa discussão que pode transformar o transporte público em Curitiba.💬 Comente: você é a favor ou contra a tarifa zero?#TarifaZero #Curitiba #TransportePúblico #MobilidadeUrbana #Ônibus #PolíticaPública #TribunaCast #TransportePúblicodeCuritiba #Urbs #Biarticulado #BusãoCuritiba #Busão #Vermelhão #Preçodapassagem #CamaradecuritibaAcompanhe tudo o que acontece na Câmara Municipal de Curitiba no site: https://www.curitiba.pr.leg.br/Também tem muito conteúdo nas redes sociais:📲 INSTAGRAM: https://www.instagram.com/camaradecuritiba/📲 TIKTOK: https://www.tiktok.com/@camaradecuritiba📲 X: https://x.com/CamaraCuritiba📲 THREADS: https://www.threads.com/@camaradecuritiba?xmt=AQGzn3YxPjMd_Ah2f5XtbW45dhTcMZi8btIB2PDLqUhtd9A📲 FACEBOOK: https://www.facebook.com/CamaraCuritiba/Confira nosso conteúdo do CMC Podcasts no Spotify: https://open.spotify.com/show/77uZ6a7lpDGWPnyMy2ABCo
- Experiência de Rio Branco do Sul com tarifa zeroImplementação da tarifa zero em Rio Branco do Sul · Impacto social da tarifa zero em Rio Branco do Sul · Financiamento do transporte público em Rio Branco do Sul
- Tarifa zero CuritibaFontes de financiamento para tarifa zero · Vale Transporte como fonte de financiamento · Recursos do ESTAR para transporte público · Publicidade no transporte público · Multas e sanções de concessionárias
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- Direitos e garantias individuaisTransporte público como direito constitucional · Acesso a serviços públicos · Impacto do transporte na vida das famílias
- Meio ambiente e tarifa zeroRedução de carros nas ruas · Diminuição da poluição · Qualidade do transporte público
- Marco legal do transporte públicoRegulamentação do transporte público como bem social · Financiamento tripartite do transporte público
Pegar ônibus faz parte da rotina de muita gente, inclusive da minha, mas o preço da passagem ainda é um dos principais obstáculos para muita gente na hora de ir e vir. Mas e se existisse um modelo em que o usuário não precisasse pagar a tarifa? No Tribuna Cast de hoje, a gente vai falar sobre a tarifa zero. Roda a vinheta!
A ideia de transporte público gratuito ainda gera muitas dúvidas e também muito ceticismo. Mas esse modelo já existe em algumas cidades, aqui no Paraná já são 15, e começa a ser debatido em outras cidades também, como aqui em Curitiba.
E para essa conversa de hoje, eu recebo três convidados muito interessados no tema. Comigo aqui está a vereadora Wanda de Assis, que é autora de um projeto de tarifa zero aqui em Curitiba. Tudo bem, vereadora? Boa tarde, Pedrita. Boa tarde, professor Lafayette. Boa tarde, Luandra. Eu quero agradecer a presença de vocês nesse podcast, saudar todos que nos escutam e boa tarde.
Junto com a gente aqui, como a vereadora já introduziu, nós temos o professor Lafayette Neves, que estuda o tema há anos. Tudo bem, professor?
Tudo bem, Pedrita? Um prazer estar aqui no podcast da Câmara do Espada do Curitiba, junto com a vereadora Wanda, autora do projeto, e a Luanda, que é a secretária de mobilidade urbana do município de Rio Branco, onde temos a tarifa zero em uma das quatro cidades da região metropolitana, cercando a capital.
Como o professor já disse, a gente também tem aqui a Luandra Sansão, que é secretária municipal de desenvolvimento urbano da cidade de Rio Branco do Sul, que ajudou também na implementação da tarifa zero na cidade. Tudo bem, Luandra? Tudo bem, boa tarde, Pedrita, professor, vereadora banda. É um prazer enorme estar aqui, principalmente falando sobre mobilidade urbana, que é um tema...
muito atual, que está no nosso dia a dia e muito importante para a população como um todo. Quero começar essa conversa, gente, já pedindo para que o professor Lafayette, que já é um estudioso do transporte coletivo de Curitiba, trace para a gente aqui, bem brevemente, professor, um cenário de como que é hoje o transporte coletivo da capital.
O transporte coletivo de Curitiba foi estruturado lá pelos idos dos anos de 1954, quando as famílias tradicionais ganharam do prefeito Neibraga a concessão, sem qualquer trabalho.
E isso veio depois, até 2010, uma luta longa para poder ter uma primeira licitação. Essa primeira licitação não foi uma licitação, porque colocaram uma cláusula de barreira que impediu concorrência, que a cláusula era só pode participar da licitação do transporte coletivo de Curitiba, em 2009, as empresas que tiveram modal tecnológico.
de Curitiba. Impediu todas, porque era o único modal no Brasil com canaleta própria e com embarque elevado, com estações tubo. Esse é o modelo baseado nas estruturais, nos ônibus com maior velocidade.
com custo menor realmente e com cada vez mais, com uma crise hoje mais profunda, que é a elevação da tarifa de uma forma extraordinária, que impede que grande parte hoje use o transporte, perdendo 30% dos usuários.
Professor, agora eu queria que você falasse um pouquinho para a gente, bem rapidamente, que a gente está num processo de licitação do transporte. Ano que vem, a prefeitura vai ter que licitar novamente esse sistema do transporte coletivo. Na verdade, está programado ainda para esse ano e, de fato, pode ser que haja um atraso, já inclusive...
Para surpresa nossa, o sindicato dos empresários entrou com ação para suspender. Alguma coisa tem, e nós estamos atentos a isso. E isso para nós significa o seguinte, objetivamente. Naquele 2010, não houve licitação por causa da cláusula de barreira.
E nós já tínhamos dito que isso iria levar a tarifa a um patamar extraordinário. Quando se implantou lá em 2010, a tarifa era R$ 2,75. Hoje é a segunda mais cara do Brasil. A mais cara é Florianópolis, depois é Curitiba. E ela explodiu para R$ 9,30, que é a tarifa técnica paga aos empresários. Então, nós estamos muito atentos porque...
O sistema vai ser inviabilizado. Se ele for feito uma licitação nesse patamar, não vai recuperar os 30% do inúmero de passageiros que perdeu nos últimos cinco anos. Vereadora, de onde que surgiu, então, essa ideia de propor a tarifa zero? Seria principalmente por conta do valor da passagem de hoje, que veio aumentando nos últimos anos, né?
Então, Pedrita, a ideia desse projeto vem de muito longe. Eu sou aprendiz do professor Lafayette. Então, desde quando moro em Curitiba e participo das lutas populares, uma das nossas grandes lutas é por tarifa zero. A proposição vem porque hoje eu sou vereadora. Então, estando vereadora, eu estou trazendo uma demanda com a qual eu convivi todos esses anos na luta popular, porque nós entendemos que transporte público é direito.
Então, hoje, pagar a passagem para as famílias que ganham pouco, as famílias da periferia, a maioria das famílias da nossa cidade, custa aproximadamente 14% do ganho das famílias. Então, isso é muito no orçamento familiar. Nós precisamos mudar essa realidade. Sabendo que custa caro para a família...
O que então está acontecendo? As famílias estão perdendo o direito à cidade, deixam de circular, deixam de fazer atividades que são na cidade. E muitas vezes atividades essenciais, como busca por saúde, muitas vezes busca por trabalho, porque falta transporte. É caro o transporte em Curitiba. Então, para uma família que às vezes tem que pagar transporte para uma ou duas pessoas numa mesma saída, fica inviável.
Então, quando a gente propõe, agora nosso mandato propôs, esse projeto de tarifa zero em Curitiba, nós propomos a partir dessa escuta, dessa realidade vivida por nós e o desejo grande de ver essa cidade ser realmente inclusiva. E garantir transporte tarifa zero é garantir direito à acessibilidade, é direito à mobilidade, é direito à cidade para todas as pessoas.
E o exemplo que nós já vemos hoje de ter 146 cidades no Brasil com tarifa zero nos inspira a fazer essa luta aqui em Curitiba. Não temos ilusão de que será fácil. Sabemos que ela só acontecerá com grande participação popular porque depende de vontade política e a gente tem visto que a vontade política não é exatamente atender interesses dos mais vulneráveis, dos que trabalham.
Nós temos uma gestão que tem se empenhado muito e quando se trata de transporte público, o interesse em beneficiar empresários tem se mostrado muito forte. Então, nós sabemos que para que essa pauta seja efetivada e esse direito garantido, nós vamos precisar de muita mobilização social, muita mobilização aqui dentro da Câmara de Vereadores, mas nós sabemos que é possível e vamos fazer isso acontecer.
Professor, agora eu queria que você explicasse tecnicamente, para quem só ouviu falar, mas não sabe o que é, o que é de fato a tarifa zero? Pedrita, essa é a pergunta. O povo pergunta, mas como tarifa zero? Quem vai pagar? De onde veio o dinheiro? Aí a gente para e diz, escuta, você sabe que você tem saúde gratuita?
E quem paga? O Estado. E quantos anos? Décadas. E é possível, se tem saúde gratuita. Ah, mas o que mais? Escola pública gratuita? Quantas décadas? Então, como que não é possível?
Mas quem paga? O povo. Como o povo? O povo é que paga impostos e o dinheiro dos impostos é dividido para os gastos do município. Como disse a vereadora, é importante que o município tenha uma legislação que determine o gasto com o transporte. Eu acho que foi um ato de muita propriedade da vereadora Wanda, a primeira vereadora a dar um instrumento concreto para implantar a tarifa zero.
Todo mundo vem discursando há décadas, mas ninguém dizia como fazer. Tinha que ter um instrumento, uma lei, um projeto, e aí está. Agora, trata-se de todo mundo se empenhar e aprovar esse projeto. É possível? 146 cidades já têm a tarifa. E, professor Lafayette, no momento em que isso está sendo também discutido, no Congresso, então acho que é o momento oportuno de todas as cidades. Curitiba não pode ficar para trás. Acho que nós temos que sair na frente e ser uma...
capital que implanta a tarifa zero. E nosso projeto propõe que isso aconteça de forma gradual em quatro anos. A gente também sabe que não é de hoje para amanhã, mas em um período de quatro anos a gente pode viver essa transição e chegar na tão esperada e merecida tarifa zero. Você falou uma coisa importante, eu acho que agora realmente você jogou a bola aí. O que é que estava dificultando ter tarifa zero? Era a falta de uma legislação federal.
Porque a saúde pública é a legislação federal, a educação pública é a legislação federal e o transporte público é a legislação federal. Mas já existe isso na legislação federal? Eu falei, existe. O artigo 6º da Constituição foi aprovado pela deputada Luísa Irundina.
na época prefeita de São Paulo, pelo PT em 94, hoje do PSOL, ela aprovou em 2015 uma emenda constitucional transformando o transporte público em bem social equivalente à educação e saúde. Então já é...
constitucional. Mas quem que pode aplicar a tarifa zero que já está na Constituição? Somente os prefeitos, somente os municípios. Então é por isso que a Wanda fez um projeto, porque a prefeitura não tomou iniciativa, ela tomou. Está certo, alguém tem que fazer isso. É isso, Wanda, que de fato vai acontecer. Agora o marco legal já está no final da aprovação.
Todos os partidos aprovando. Sabe que dessas 146 cidades que têm tarifa zero, 95% dos prefeitos são dos partidos conservadores. Conservadores. Inclusive na região metropolitana de Curitiba. Então não é uma coisa de alguém que é doido, varrido, que não tem ideia na cabeça.
Eu queria trazer, já que a gente está falando especificamente das prefeituras, a experiência da Luandra, que trabalha lá em Rio Branco do Sul, ela ajudou na implementação da tarifa zero em Rio Branco do Sul, que é uma cidade aqui do Paraná. Luandra, explica para a gente um pouquinho como que essa discussão começou lá na cidade. É uma cidade que tem quase 40 mil habitantes e é um modelo que já foi implantado há quase cinco anos.
Então, esse modelo foi implantado e iniciado os estudos em 2021. A nossa agora ex-prefeita, mas eterna prefeita do município é Karim Faiad. Ela trouxe isso, ela é arquiteta urbanista.
Então, ela trouxe com ela essa linha do taxa zero. É um município de Rio Branco do Sul, é um município que tem mais de 50% da população que cai de único, em baixa renda. Então, o que acontecia muito no município era assistencialismo, né? Você via muitas pessoas pedindo para vereadores, ah, preciso ir em algum lugar, me levem lá, porque não tem como se deslocar.
Então, a gente via muito assistencialismo no município. Ou via muitas mães com criança no colo, subindo e descendo ladeira, com o município de Rio Branco, que tem muita declividade. E isso foi um dos motivos principais para ela trazer essa questão da imobilidade no município taxa zero, porque muitas pessoas não conseguem pagar.
o deslocamento com ônibus ou com táxi ou qualquer tipo de aplicativo. Então, ela pediu para a gente iniciar esses estudos lá em 2021. Foi iniciado inicialmente e começou com uma linha.
Agora a gente ampliou, o município, apesar de ser grande, a área urbana dele é pequena, então hoje a gente tem quatro ônibus fazendo essa circulação na área do município e já atendeu ao longo desses anos 290 mil pessoas. A gente tem a catraca nos ônibus, mas para contagem, não é cobrado.
mas se a gente colocar isso em números de valores, multiplicar ali por R$ 7,00, hoje ele está R$ 9,00, mas vamos fazer uma média de R$ 7,00, quanto vai dar isso em renda que as pessoas deixaram de gastar com a mobilidade e elas podem gastar com comida, com lazer, seja o que for. Então, para o município de Rio Branco do Sul em si...
Ele foi um marco, né? A população trabalhava muito com assistencialismo e hoje em dia ela tem a sua legalidade, né? Ela tem o seu direito e ela não precisa pedir pra ninguém, é o direito dela, ela vai aonde ela quiser ir.
Então, para a gente como município, eu como secretária, tenho certeza que a nossa prefeita, o nosso prefeito agora, é um motivo de orgulho dar esse benefício que é um direito da população. Então, o custo da passagem, quem banca é a prefeitura, isso? É a prefeitura, exatamente. E hoje, qual seria o valor pago pelo usuário lá em Rio Branco? Se ele fosse pagar, seria quanto a passagem? Se ele fosse pagar, seria em torno de uns R$ 7,00.
R$ 7,00. Um pouco a mais do que aqui em Curitiba, né? É uns R$ 6,00, R$ 7,00, se não me engano. Impactos econômicos. A cidade já percebeu algum tipo de impacto econômico positivo ao fazer com que as pessoas circulem mais pela cidade?
Acho que o pacto econômico, principalmente, quanto o município de Rio Branco do Sul, ele tem um eixo central bem marcante. Então, esse eixo é onde tem os comércios. E as pessoas se deslocam para lá com mais facilidade. Então, consequentemente, elas vindo de uma área mais periférica do centro, conseguindo se deslocar para o centro para fazer a compra dela, para fazer essa...
esse gasto, essa fonte de renda, é muito mais fácil. Então, a gente viu que, apesar de ser cinco anos, então o município foi crescendo como um todo, provavelmente um dos motivos seja esse. Agora, vereadora, tem uma coisa que acredito que muita gente se faz essa pergunta quando a gente trata de tarifa zero.
inclusive eu já escutei cobrindo a comissão especial do transporte aqui da câmara, já escutei quando eu cobri lá em 2013 a CPI do transporte coletivo quem que paga a conta da tarifa zero? quem que vai pagar? é o usuário? é o empresário? é a prefeitura? explica pra gente a sua visão a respeito disso
Muito bem, Pedrita. Eu também escuto muito as pessoas dizerem, ah, mas não existe almoço de graça. Sim, não existe mesmo almoço de graça. Quando nós defendemos a implantação da tarifa zero, a gente já imagina de onde pode vir, a gente quer que venha desses espaços mesmos. Então, o fundo de urbanização deve ser um dos financiadores dessa tarifa zero. Publicidade no transporte público, que já é feita, ela também deve ser usada para subsidiar.
multas e sanções das concessionárias, também deve ser investido para o transporte, subsídios públicos, taxa do transporte para empresa com mais de nove funcionários, porque hoje é regra, está na lei, empresas com mais de nove funcionários, elas já pagam o transporte para esse trabalhador, ela vai continuar pagando, a diferença é que quando ela paga, isso vai subsidiar o transporte público, que vai beneficiar aquele trabalhador e todos de forma solidária, né? Então,
É possível a gente imaginar que hoje já é o transporte público, já tem uma parte que é paga por a prefeitura, por fundo público. Então, o que a gente está propondo no nosso projeto é que seja unificado todas as fontes de investimentos que têm a ver com o transporte público e que dali saia o pagamento dessa tarifa zero. E o que acontece? Somos nós que pagamos igualmente a saúde, a educação.
Tudo que a gente tem hoje de serviços públicos, eles são custeados com impostos. E são custeados a partir do desenvolvimento que somos nós, a classe trabalhadora que produz. Então, a gente só está dizendo que esse direito...
ele também deve ser custeado da mesma forma. E, no caso, o fundo do transporte, hoje, não é impossível. Tem uma importante tarifa que não entrou aqui para custear o transporte público, não entrou no nosso projeto, mas, conversando com o professor Lafayette, a gente já entendeu que nós vamos fazer uma emenda no nosso próprio projeto para incluir, que é a destinação do recurso do ESTAR para o transporte público. E o recurso do ESTAR é grande.
Mais ou menos 15 milhões por ano são arrecadados por estar. Hoje, quem circula em Curitiba sente a dificuldade de achar a vaga de estar para estacionar seu carro. Então, isso quer dizer que todas as vagas estão em todos os momentos sendo utilizadas. Então, está gerando ali uma economia, um investimento. Nós achamos que isso tem que ir para o fundo e esse fundo subsidiar o transporte público. Bem fechada a conta, talvez a gente já tenha de onde vem todo o recurso para pagar essa tarifa.
Só que nosso próprio mandato não fez esse estudo até hoje. Nós vamos fazer antes dele passar pelas comissões que nós queremos defender e sustentar a possibilidade e a viabilidade desse projeto. Mas eu tenho certeza que o professor Lafayette já fez esse estudo econômico e ele já pode dizer para a gente como é que o transporte coletivo de Curitiba pode ser financiado.
Pedrita, realmente você acompanhou bem mesmo a CPI e a comissão. Você sabe o que está falando. Já está resolvido esse problema. Como assim? Simples. Não é assim, mas é viável. Qual? Vale Transporte. Sabe quanto o Vale Transporte arrecada no Brasil?
Por ano, R$ 45 bilhões. O Vale Transporte é aquilo que as empresas pagam para custear o transporte. E o trabalhador paga 6%, o restante a empresa paga e dá um cartão para o empregado e todo mês a empresa manda o empregado ir lá novamente renovar esse crédito.
Está aí, já está aí um valor. O Brasil precisaria de quantos bilhões para financiar o transporte gratuito para todos os brasileiros, como faz com saúde e educação? 60 bilhões, faltam 15. Está fácil, não está? Está fácil.
Então não é o problema, não é financeiro mais. Por favor, quem vai pagar? Já está explicado. Outra coisa, eu estava em um debate em Garopaba, no litoral de Santa Catarina, me chamaram para um debate, porque lá eles implantaram a tarifa zero. E o prefeito achou que precisava modificar e tirar uma parte da população dessa tarifa zero, que não pode ser feito porque é um direito constitucional, é igual à saúde. Você vai dizer não.
A escola pública, não. Eu não posso pôr meu filho. O vereador quer pôr seu filho na escola pública. Não pode, vereador, senhor. É um homem de alta renda. Não há construção, garante. Se eu me cair, me machucar, vou ali na unidade de saúde, no hospital.
Não pode, é só apresentar carteira de identidade. O transporte vai ser igual. Aí eu respondi para o público que estava lá. Sabe que outro dia eu vim pensando, eu uso muito ônibus, eu tenho meu cartão e tal. Eu vim pensando, escuta, ninguém nunca falou de uma coisa. Já existe tarifa zero no Brasil há muitos anos. Aí eu lembrei. Como? Quem? Todos os vereadores do Brasil têm tarifa zero.
Tem o carro, o motorista, o tanque cheio e vai para onde ele quer, inclusive para o interior, viajar, fazer alguma atividade. O deputado tem tarifa zero, ele vai, vai, vem do interior todo, que o seu carro, o seu motorista, o motorista da Câmara, da Assembleia, ele tem tarifa zero. O deputado federal tem tarifa zero de avião.
Ele vai e vem quantas vezes ele quer. Aí a gente nunca parou para perguntar isso. Nós que pagamos o imposto para eles terem tarifa zero, eles não podem votar para nós termos tarifa zero? Não é, vereador? Pergunte isso para cada vereador. O senhor tem tarifa zero? Por que o senhor não renuncia à tarifa zero? Agora o senhor vai ter coragem de não votar a favor desse projeto para que todo o povo de Curitiba e região metropolitana também tenha que, como foi o caso de Rio Branco já, em 2022.
Eu, então, fiquei pensando, gente, por que pergunto se tem tarifa zero, se a dívida já existe há quantos anos no Poder Público Federal, Municipal e Estadual?
Quanto que é hoje para subsidiar o transporte coletivo de Curitiba? O senhor tem essa noção? Tem. Tem esse dado? Tem hoje, está em torno de 100 milhões. 100 milhões por ano? Mês. Por mês. É 1 bilhão e 200 milhões por ano. E só de subsídio, a prefeitura está dando hoje em torno de 300 milhões por ano.
olha só, já está pagando quase, chegando na metade da tarifa, só falta um pouquinho. Prefeito, vereador, só falta um pouquinho. E aí, com o dinheiro do Estado, das multas também, pode. Com o dinheiro do Estado, transparência. É, transparência. E publicidade. O que nós precisamos saber é quantos passageiros viajam por dia em Curitiba. Isso é um segredo de Estado.
Em BH está na televisão, está no site da BH Trans, aqui tinha que estar no site da Urbis. Você passou na roleta, rodava o site. Vocês lembram do impódromo que tem ali na situação comercial? Era aquele que passa e rola. Nós não sabemos por que a gente está pagando R$ 9,30 para o empresário e a gente não sabe quantos que estão passando na roleta.
Luandra, lá em Rio Branco do Sul, como é que foi viabilizado o subsídio para garantir a tarifa zero? Como que funciona hoje? Então, no município de Rio Branco, o município está inserido na região metropolitana de Curitiba, né? Sim. Então, ele recebe um recurso.
um recurso do governo para a mobilidade. Hoje, o município de Rio Branco do Sul, ele é atendido pelo ônibus hoje da MEP, né? O ônibus, ele é da região petrocolitana, ele circula dentro do município, leva as pessoas de Curitiba para Rio Branco e tem Rio Branco para Curitiba.
Mas logo a gente não vai mais atender uma série de municípios, então o Rio Branco do Sul é um desses, e a gente já está trabalhando para conseguir suprir essa demanda da população. Então o município recebe uma parte para esse subsídio, o restante é o município mesmo que geriu.
O município hoje em dia não tem esse fundo, como o professor comentou, mas é um dos estudos que a gente vem levantando, né? Como eu comentei, a gente também tem ali aquela área central comercial, então todos os carros param ali, provavelmente a gente vai partir para o Star também, e é uma boa ideia, né? Usar esse recurso para esse fundo, para ele girar. Agora, como a gente ampliou ali a nossa frota,
Agora que a gente vai começar a ver também esses gastos maiores. Então, é uma boa ideia também que o professor e a vereadora deram. Mas o município em si, hoje, ele está girando com recurso próprio. Basicamente, com recurso próprio. Viu, Luandra, eu acho que você abriu uma brecha pedrita, já tinha feito isso na pergunta, que há uma fonte aí que é...
Muito clara para nós é que o pessoal não para para perceber. Se eu não pago a tarifa para o empresário direto na catraca, esse dinheiro eu economizo. E o que eu faço com ele? Eu vou no comércio, vou na loja, vou na farmácia, vou no sapateiro, gasto no supermercado, gera o ICMS. Vai para onde? Para o cofre do município.
O que está... É simples. Eu deixo de pagar o empresário e o empresário não vai investir para melhorar o transporte, como não tem investido nada. Inclusive, quando eles querem comprar ônibus novo, quem está financiando é o governo federal via BNDES, como sem ônibus novos aqui elétricos de Curitiba. Há 4 milhões cada um.
Eles não usam esse lucrão que eles têm para comprar ônibus, quem está comprando é o governo com financiamento do município, e se eles não pagarem, o município é que vai pagar. Isso, então, esse dinheiro que eu gasto no comércio gera imposto, esse imposto vai pagar tarifa zero. Gente, não tem ônus nenhum para o município, ele não vai tirar um centavo a mais do orçamento atual dele, é só tirar o dinheiro do empresário e botar no bolso do povo, o povo botar no comércio, o comércio botar na prefeitura via imposto.
Está pago a tarifa zero do município. Já 30% dos municípios fizeram pesquisa e já provaram que o gasto da renda municipal aumentou em 30% dos municípios.
Como é que... Pode falar, vereadora. Só queria destacar que nós estamos falando de um benefício que é para o usuário do transporte, que é para o acesso à cidade, mas nós também vamos tratar do meio ambiente garantindo tarifa zero. Teremos menos carros e, portanto, menos poluentes. A gente tem visto aí a necessidade de cuidado com o meio ambiente, e são muitas as formas de cuidar do meio ambiente. Então, ela não está descolada da garantia da tarifa zero, porque o número de carros na cidade hoje é absurdo, a gente sabe disso.
Então, diminuir o volume de carros circulando nas cidades só é possível com um transporte público gratuito e de qualidade. Porque hoje, se uma família vai sair com duas, três pessoas de casa, super compensa pagar um Uber. Porque, afinal, junto ao valor de três passagens, paga Uber para aquele deslocamento. Então, e são muitos carros nas ruas. E o trânsito inviável, dependendo do deslocamento que você vai fazer hoje, que de ônus pode fazer em 30 minutos, você vai gastar 40, 50 de carro, porque está impossível mesmo.
Então, acho que a gente tem que ter essa responsabilidade. Tarifas horas sobre o meio ambiente. Então, eu mesma venho muito mais rápido de ligeirão do novo mundo até aqui na Câmara do que se eu pegasse um Uber. Às vezes, por exemplo, eu estou atrasada, né? Eu pegasse um Uber da minha casa até aqui. Eu gasto muito menos tempo de ônibus do que de...
E a gente quer que isso aconteça com todas as pessoas. Nosso projeto prevê que com a implantação da tarifa zero seja ampliada a frota e as linhas, porque as pessoas vão ter desejo de andar de ônibus e vão conseguir chegar nos seus destinos em tempo correto. Para isso, temos que melhorar, porque hoje temos ouvido muitas reclamações de pessoas que não têm linha de ônibus nas suas comunidades, ou é muito demorado o tempo do ônibus, ou sábados, feriados e domingos, a linha para.
Então, isso não pode acontecer. Nós precisamos, hoje, imediatamente ter todas as linhas funcionando todos os dias e, quando implantada a tarifa zero, ampliar essas linhas e a oferta de ônibus e da qualidade, para que seja possível abrir mão de andar de carro como faz Pedrita e vir de ônibus.
Isso que a Wanda falou, eu sempre testo. Hoje eu fui pegar o meu ônibus, consultei os horários na Urbis. Eu tinha opções Uberaba, Vila São Paulo, Jardim Centauro e Tiberi. Fiz a pesquisa. Centauro saia às 11h, o próximo 11h45.
Gente, quase uma hora de um ônibus para o outro, que absurdo. Os convencionais, terríveis. Depois foi fazer lá do Uberaba, era 10h30, o outro era 11h30. Veja bem, nós estamos com um problema sério. É o ônibus de hora em hora, entre pico. Esse lucro vai para a bolsa do empresário, porque ele não está gastando nada. Os ônibus estão na garagem, ele não está gastando e o povo está se esfolando. É mais complicado quando você precisa pegar um alimentador.
pra poder ir pra qualquer outro lugar aqui. Eu falo pela minha experiência mesmo de usuária, porque, por exemplo, pra mim é super tranquilo, como eu falei, andar de ligeirão, porque ele vem pela canaleta e eu chego super rápido aqui no centro. Mas eu fui fazer um cálculo de eu sair da minha casa em Santa Felicidade, porque eu preciso levar minha filha uma vez por semana lá pra fazer patinação.
E aí, pra mim, não compensa ir de Uber. Não compensa ir de ônibus. Porque eu gastaria uma hora e meia pra chegar lá. Então, eu tenho que fazer, nesse caso, a escolha de carro, de Uber, pra eu conseguir ter um deslocamento no trânsito um pouco menor, né? Então, até isso mesmo, né? As linhas... Ah...
como que as linhas se deslocam, quanto tempo que elas gastam de ir para um lugar para o outro, isso também precisa ser repensado caso Curitiba for implantar a tarifa zero, né? Isso é super fácil, é só vontade, nós estamos tratando aqui de demandas viáveis hoje, então...
Nosso projeto, acho que precisa ser conhecido da população, por isso quero até agradecer, Pedrito, por a oportunidade desse podcast, para que a população possa acessar o debate e chamar para si. É uma defesa que todo mundo tem que trazer para si. Quem vai se utilizar do transporte diretamente...
mas também quem quer ver uma cidade melhor para se viver. O exemplo de São Caetano do Sul, acho que é São Caetano do Sul, a pesquisa é da FGV, da Fundação Getúlio Vargas, mostrou que aplicado a tarifa zero nessa cidade, houve uma redução, uma retirada de 1.500 carros por hora. Imagine a gente viver isso em Curitiba, ver...
Uma quantidade grande de carros a menos nas ruas vai ser bom de se morar aqui, vai ser confortável. E já está provado que é mais vontade política que está faltando. Então, nós estamos nessa luta porque queremos a cidade inclusiva, boa para se morar, que preserve o meio ambiente.
Isso que você falou agora me vem à memória também. Outros ganhos que os moradores da cidade vão ter. Imagine uma família pobre que ganha salário mínimo. Ela tem que tomar ônibus e, se não tomar ônibus, ela perde o emprego. Então, ela gasta 30% hoje, na média, das famílias, renda familiar, com transporte.
E o que o trabalhador conhece a vida inteira dele é onde ele mora e onde ele trabalha. Ele não conhece mais nada, ele morre e não conhece. Eu fiquei um dia muito impactado quando a RPC-TV fez uma pesquisa com os alunos das escolas municipais que foram visitar o Teatro Guaíra. E a repórter perguntou para um menino de 13 anos, então, o que você achou?
O menino, ai, é muito lindo essa praça, aquele prédio lá, o que é a Universidade Federal? Nossa, eu nunca tinha visto. Eu olhei, mas o que é isso? Ela falou, mas o que mais você conhece em Curitiba? Não, eu só vim aqui, é a primeira vez. Mas você mora onde? Mora num bairro do Chaxim, mas como é que você... Não, eu vivo lá.
Eu vivo lá, eu... Lafayette, temos vários exemplos. Sempre que a gente discute outros acessos a políticas públicas aqui, o transporte aparece como um impedimento. Um exemplo, nós temos CAPS, um CAPS por regional. Só que as regionais, elas são muito grandes. Então, mesmo para usar um CAPS numa regional como Cajuru ou SIC, a família depende de ônibus. Ela não pode ir a pé, está longe.
Então, essa família tem que pagar ônibus. E, às vezes, ela não tem ônibus, não tem a passagem para atender aqueles encaminhamentos que a assistência, que a saúde faz. Então, quando a gente está atendendo famílias de vulnerabilidade no CRAS, no Conselho Tutelar...
Esse é um dos dilemas. Recebe uma sequência de atividades que ela deve cumprir, ora no CRES, ora na escola, ora no CAPES, e assim ela tem uma via sacra a fazer para atender as exigências do plano de atendimento para aquela família. Mas o transporte não é garantido.
Então, essa família começa a faltar por falta de acesso mesmo. Esse é um exemplo. O outro, que a gente já discutiu aqui na Câmara, inclusive, é que os armazéns da família são muito bons. Eles ofertam produtos com até 30% de desconto. Mas tem família que, para acessar o armazém da família, ela depende de ônibus. Aquele 30% de desconto, às vezes, já vai ficar no transporte. Então, ela não consegue acessar o benefício do armazém da família porque não tem garantido o transporte gratuito.
E assim outros direitos, para fazer consultas, para usar os serviços que são oferecidos gratuitamente hoje por a Secretaria de Cultura, a Secretaria de Esporte vive oferecendo atividades no centro da cidade, inclusive aos domingos, coisa e tal.
Não adianta a gente oferecer serviços de acesso livre se o transporte não for tarifa zero, porque as famílias vão ficar impedidas disso, visitar os parques. Os parques que são tão falados aqui em Curitiba, é para quem pode pagar passagem, é para quem pode se deslocar de Uber, por exemplo, senão ela não vai, a família da periferia não vai acessar os parques que estão todos muito bem localizados na nossa cidade, mas depende de ônibus.
Agora, uma das coisas mais graves de tudo que você falou aí é a violação do maior artigo da Constituição, é o direito de ir e vir. Diz que todo cidadão tem o direito de ir e vir. Você pode ir a Broadway, em Nova Iorque, assistir um teatro.
Eu não sei, eu sou da classe média, eu não posso. Então, onde é que está o direito de ir e vir se o meio de transporte me impede, porque eu não tenho renda? Então, gente, realmente temos que repensar tudo. O direito de ir e vir tem que ser garantido pelo poder público em todas as esferas.
Luandra, os dois já deixaram bem claro aqui o que a tarifa zero pode impactar na vida da população, mas eu queria saber também da sua opinião sobre isso. Então, é como eu falei, principalmente no nosso estudo de caso, no município de Rio Branco do Sul,
a população mais 50% sendo baixa renda, isso impacta diretamente na vida da pessoa, e não é nem na questão de mobilidade, é como a vereadora comentou aqui, é questão de cultura, de lazer, a gente tem ali no município...
Hoje a gente está tentando desfazer isso, mas hoje ainda é muito centralizado os equipamentos públicos. Então é isso, se a pessoa mora mais na periferia, ela não consegue acesso ao CRAS, ao CREAS, ao BOS, que o município sempre faz muitos eventos para chamar a população para trazer isso, mas se não tiver esse transporte, ele não...
Ele não consegue acesso. Então, assim, eu acho que é só um ganha-ganha. A população ganha muito com isso e principalmente no direito... A cidade ganha. É, a cidade ganha. O comerciante ganha, o munícipe em si que está sendo deslocado ganha. Mas eu acho que é muito a questão do direito dela...
ter aquilo e ela não precisar mais pedir. Eu acho que uma coisa evidente lá no nosso município era isso, ela ter que pedir assistencialismo para um vereador.
E hoje não mais, ela vai aonde ela quer e no horário que ela quer. Então, isso é muito bonito, assim, né? Eu acho que é o mínimo você conseguir disponibilizar isso para uma pessoa. Agora, assim, eu tenho certeza que você já levou essa experiência de Rio Branco para outras cidades também, já falou sobre a tarifa zero em outros locais. Conhecendo a realidade de Rio Branco, de outras cidades paranaenses que já implantaram a tarifa zero e conhecendo a realidade de Curitiba.
Você acha que a cidade está preparada para discutir e implantar a tarifa zero? É como eu estava conversando aqui antes da gente começar aqui no podcast, cada município, cada cidade tem o seu orçamento e tem a sua demanda, né? Cada um tem a sua realidade. Município de Rio Branco do Sul é um município da região metropolitana, é um município menor, mas é como o professor falou aqui, né? Ele já fez esse estudo, ele já comprovou que sim, que pode ser feito.
Eu acredito que é tudo um começo. Lógico que as coisas vão ter barreiras, não vai ser fácil, mas eu acredito que sim. É possível, tanto que a gente já tem 140 municípios, né? E seis. 146 municípios que fazem isso. Então, por que não mais que isso?
O que falta, então, gente? Aí a pergunta é para os três, né? O que falta para Curitiba avançar nessa discussão? Começando aí pela vereadora Wanda. Para a gente encerrar o podcast. Agora não falta nada. Tem um projeto de lei proposto aqui na Câmara, tem vontade popular, tem necessidade de democratização do direito à cidade.
Já está aprovado o que nós estamos indicando aqui, de onde pode vir as fontes, de onde pode vir o recurso para subsidiar o transporte público gratuito em Curitiba. Eu penso que agora nós não podemos mais esperar. Para mim, tem tudo o que precisa.
Tem a vontade popular, que é o mais importante, e a Câmara de Vereadores precisa respeitar a vontade popular, o prefeito Eduardo Pimentel também, e Curitiba tem, Luandra, Curitiba com certeza, em proporção, é mais rica que Rio Branco do Sul. Nós somos uma cidade rica, nós temos dinheiro, então aqui se produz muita riqueza.
A forma de distribuição é que ainda não está adequada, ela precisa respeitar os direitos dos que mais precisam e o transporte público vai beneficiar principalmente quem mais precisa, mas não só. Já falamos aqui sobre os benefícios que diz respeito à cidade, à vida coletiva, à qualidade do meio ambiente, à preservação do meio ambiente.
Então, Pedrita, não falta mais nada. Ao meu ver, nós estamos entrando nos quatro próximos anos onde será implementada em Curitiba a tarifa zero. E eu tenho comparado, quando converso com as pessoas sobre esse projeto, eu tenho dito assim...
Quando foi que nós começamos a discutir o fim da escala 6x1? Que era impensável. Ninguém propunha acabar com a escala 6x1 porque parecia que já estava dado que assim seríamos para sempre escravizadas e escravizados no trabalho, pela forma como as leis protegem hoje o contratante.
E agora nós estamos vendo o projeto do fim da escala 6x1 acontecer no Brasil por vontade popular. Agora o Congresso vai ter que votar esse projeto porque a população brasileira pautou o fim da escala 6x1. Da mesma forma que muita gente nega a possibilidade do tarifa zero, negam o fim da escala 6x1 e que vai acontecer, nós vamos ver isso acontecer no transporte público.
Então, tenho feito essa comparação para as pessoas, para a população acreditar que quando a gente trata de direito, de acesso à cidade, de cidadania, de dignidade, de qualidade de vida, precisa de participação popular. Porque os governos que temos hoje, as assembleias, as câmaras, o Senado, o Congresso...
eles não vão pautar o que é benefício para o trabalhador e para a trabalhadora. Isso tem que vir da manifestação popular e depois eles vão, por pressão, realizar. Essa é a disposição que eu tenho e trouxe aqui para a Câmara. Propor o projeto foi o primeiro passo, mas nós estamos aqui prontas para fazer mobilização social e pressionar. Desde os 37 vereadores...
Eu diria 30, porque nós contamos com apoio de 8, com certeza, de largada nesse projeto, mas sensibilizar os 30, que hoje são base do prefeito, para que a gente tenha esse projeto aprovado na Câmara. É isso. Lafayette, o que falta para Curitiba avançar nessa discussão?
Pedrita e aqueles que nos acompanham, falta muito pouco a decisão política. Porque o orçamento não falta. Vocês sabem quanto Curitiba arrecada por ano? 15 bilhões de reais.
Vocês sabem quanto o prefeito está dando subsídio para os empresários, os gulins e outros poucos? 300 milhões por ano. Só falta 700.
E aí põe dinheiro nisso de quem? Vem mais dinheiro do governo federal e dos governos estaduais. Por quê? Porque já está em final de aprovação no Congresso Nacional o marco do transporte público, que torna o financiamento tripartite, como é educação e saúde, será também transporte, porque é o artigo 6 da Constituição que está sendo regulamentado.
Acabou a choradeira. Dizem, não, vai ser o caos, vai destruir a economia. Quando foi implantado o salário mínimo, diziam, é o caos, o Brasil vai quebrar. Não quebrou. Quando implantaram o regime de oito horas de trabalho, é o caos, o Brasil vai quebrar. Não quebrou. Quando implantaram o décimo terceiro salário, gritavam, o Brasil vai quebrar. Não quebrou. Quando implantaram a educação pública, vai quebrar. Não quebrou. Saúde pública, vai quebrar. Não quebrou.
tarifa zero, vai quebrar não vai quebrar, vai ser igual as outras coisas, gente é só dar o empurrão em cima dos vereadores agora porque é o município e o prefeito, né
Luandra, quer complementar? Já que Rio Branco do Sul não quebrou? Eu acho que sim. O que é muito comum, como já comentaram aqui, é o querer político. Acho que agora, apesar da vereadora já ter feito esse início, dado esse pontapé inicial, vai precisar da adesão agora dos demais vereadores e do prefeito.
Então, é muito do querer político para que isso se conclua. A gente já viu, tem vários estudos de casos que deram certo, falta agora essa conclusão desse processo.
Gente, eu queria agradecer bastante a participação de vocês. Como sempre, é um tema que a gente pode ficar aqui uma hora e meia, duas horas falando. Tem muitos argumentos a favor da tarifa zero. E eu queria que vocês, se puderem, quiserem se aprofundar aqui. Vou mostrar o livro do Lafayette Neves. Está pegando aí, gente?
Ele é um estudioso da Tarifa Zero e vocês podem, se quiser aprofundar, encontrar o livro no site estantevirtual.com.br para que vocês possam se aprofundar mais no debate que a gente não consegue estender muito aqui no podcast e para que as pessoas continuem acompanhando o que vocês estão falando, acompanhar também a experiência de Rio Branco do Sul. Eu queria que vocês falassem onde eles podem encontrar vocês nas redes sociais, começando pela Luandra.
Então, a gente tem o site da Prefeitura, né? Prefeitura Municipal de Rio Branco do Sul. Ali, o nosso município foi o mais transparente do estado do Paraná por três anos consecutivos. Então, tudo que você quiser, ele tem ali no site da Prefeitura. No Instagram e no Facebook, eles também são bem ativos. Então, a gente sempre está postando ali coisas sobre... Até sobre o Circula, né? A gente chama ele de Circula RBS, o nosso ônibus ali.
Então, sempre que precisarem achar a gente, pode ser nesses dois meios. Eu, especificamente, no meu Instagram, Luandra Sansão. Professor? Então, meus estudos estão sempre publicados à disposição de todos que estão nos acompanhando. No Instagram, Lafayette Neves. Só chamar Lafayette Neves, a gente está junto, conversando pelo Instagram.
E a vereadora Wanda? Meus contatos podem ser Instagram, Wanda.deassis e o celular do mandato 41991001313 também aqui na Câmara o gabinete fica no anexo 2 no primeiro andar, o primeiro...
O primeiro gabinete é o nosso, estamos à disposição. Pedrita, eu quero te agradecer e deixar aqui um grande agradecimento a essas duas pessoas especiais que vieram tratar desse tema tão importante, a Luandra, pela experiência vivida. Leve um abraço para Rio Branco do Sul e para a ex-prefeita, que é minha amiga.
Não foi só no transporte público que ela inovou, ela fez muito trabalho, que eu tenho muita admiração, na política de resíduos sólidos, atendendo catadoras e catadores de materiais recicláveis. Minha grande admiração. E o professor Lafayette Neves, nosso...
nosso mestre, nosso sabedor e inspirador na luta do transporte público em Curitiba, e não só em Curitiba, onde Lafayette foi, levou a pauta, implementou tarifa zero, e eu desejo muito, Lafayette, que a luta que você começou junto com outras companheiras e companheiras há muito tempo atrás, seja de fato agora concretizada a partir do nosso...
da nossa experiência aqui de mandato popular na Câmara de Curitiba, porque nossa cidade merece. Curitiba merece ter essa política de inclusão, de direito à cidade, de democratização dos acessos a outros direitos, que é garantir tarifa zero. Então, tarifa zero já. Um abraço para todas e todos que nos acompanham. Eu espero que vocês se somem aí nas ruas para que esse projeto se torne realidade. Muito obrigada.
E com essa mensagem da vereadora Wanda, eu encerro esse episódio e convido você para continuar acompanhando essa temporada do Tribuna Cash. Até o próximo. Tchau, tchau.