NovusCast - 8 de Maio 2026
Nossos sócios Luis André Oliveira, Tomás Goulart e Sarah Campos debatem, no episódio de hoje, os principais acontecimentos da semana no Brasil e no mundo.
No cenário internacional, a semana foi marcada pela divulgação dos dados de mercado de trabalho nos Estados Unidos. O payroll voltou a surpreender positivamente, mas a pesquisa das famílias mostrou sinais mais fracos, com queda no número de empregados, leve aumento da taxa de desemprego e redução da taxa de participação. No campo geopolítico, voltaram as notícias de possível avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, incluindo discussões sobre moratória do enriquecimento nuclear iraniano, retirada de sanções e flexibilização das restrições no estreito de Ormuz, mantendo o mercado atento aos desdobramentos, sem confirmação por parte do Irã.
No Brasil, a produção industrial de março veio levemente positiva, reforçando expectativa de crescimento forte no primeiro trimestre. A ata do Copom trouxe leitura um pouco mais dovish que o comunicado, aumentando marginalmente a probabilidade de continuidade dos cortes de juros, embora o cenário de petróleo elevado siga limitando espaço para aceleração do ciclo. A balança comercial de abril registrou superávit recorde para o mês, impulsionada por soja, carne e petróleo, ajudando o desempenho do real.
Nos EUA, os juros fecharam a semana com variações marginais, enquanto o destaque ficou para as ações de tecnologia – Nasdaq +5,5%, S&P 500 2,33% e Russell 2000 +1,72%. No Brasil, o jan/29 fechou 15 bps, o Ibovespa caiu 1,71% e o real valorizou 1,37%.
Na próxima semana, destaque para dados de inflação nos EUA e no Brasil, e dados de varejo nos EUA.
- Mercado de TrabalhoPayroll surpreende positivamente · Pesquisa das famílias mostra sinais fracos · Queda no número de empregados · Aumento da taxa de desemprego · Redução da taxa de participação
- Petróleo e Setor de EnergiaDesenvolvimentos com relação ao petróleo · Petróleo caiu por volta de 7% na semana · Derivadas e Petrobras também caíram · ETF de energia nos Estados Unidos caiu 5%
- Dívida Pública BrasilLeitura mais dovish que o comunicado · Aumento marginal da probabilidade de cortes de juros · Cenário de petróleo elevado limitando espaço para aceleração do ciclo
- Mercado financeiro BrasilJuros nos EUA com variações marginais · Destaque para ações de tecnologia (Nasdaq +5,5%) · Ibovespa caiu 1,71% · Real valorizou 1,37%
- Geopolítica EUA e IrãPossível avanço nas negociações · Moratória do enriquecimento nuclear iraniano · Retirada de sanções · Flexibilização das restrições no estreito de Ormuz
- Produção Industrial BrasileiraProdução industrial de março levemente positiva · Expectativa de crescimento forte no primeiro trimestre
- Relações Comerciais Brasil-BolíviaSuperávit recorde para o mês de abril · Impulsionada por soja, carne e petróleo · Ajuda no desempenho do real
- Perspectivas para o Segundo Trimestre BrasilProdução industrial de março com terceira alta seguida · Primeiro trimestre com crescimento forte · Semana que vem: pesquisa mensal do comércio e serviços · Observar a desaceleração no segundo trimestre
Bem-vindos a mais um podcast semanal da Novos Capital. Eu sou Tomás Goulart e ao meu lado estão Luiz André Oliveira e Sarah Campos. Nessa semana que a gente continuou tendo desenvolvimentos com relação ao petróleo, né Sarah?
Isso, Tomás. Tivemos a divulgação de alguns dados econômicos também. Foram divulgados os números de mercado de trabalho nos Estados Unidos, o mais importante deles, o payroll, nessa sexta-feira. Eu acho que tal como aconteceu no mês passado, o payroll surpreendeu positivamente, mas os detalhes da pesquisa das famílias não foram tão bons assim.
A gente tem, de acordo com a pesquisa das famílias, o número de empregados caindo no mês. E aí uma parte foi para o grupo de desempregados, o restante saiu da força de trabalho. A taxa de desemprego subiu um pouquinho ali na segunda casa decimal. E teve essa queda da taxa de participação. Que se tivesse ficado constante, a taxa de desemprego teria aumentado um pouquinho a mais.
A métrica de mercado de trabalho mais ampla, aquela U6, também subiu, já que teve um aumento de pessoas dizendo que estão trabalhando em meio período por causa de motivos econômicos. Então, quando você olha o todo, continuam tendo alguns sinais dentro da pesquisa das famílias de um mercado de trabalho mais frouxo. Percentual, por exemplo, de pessoas...
que estão desempregadas há 27 semanas ou mais, continua elevado. Já do lado do payroll, do número de vagas mesmo, de contratações, com esse número mais forte do mês de abril, a média móvel de três meses das contratações totais do setor privado está rodando em torno dos 50 mil por mês. Esse é um número considerado o suficiente.
para manter o mercado de trabalho estabilizado, a gente também vê alguma melhora no percentual de difusão, que é o número de indústrias contratando. Então, a média móvel disso vem mostrando recuperação, ainda que de forma muito gradual.
Então, no todo, é um número que vai na direção do que o FED, o Banco Centro-Americano, tem falado, de que o mercado de trabalho cada vez mais mostra sinais de estabilização na margem.
E isso, o simples fato de o mercado de trabalho estar um pouco melhor, com contratações melhores, faz com que, num ambiente de inflação elevada, o mercado de trabalho fique em segundo plano e o Banco Central tenha que focar na outra parte do mandato.
que é a parte da inflação, principalmente quando você está enfrentando diversos choques que são autistas para a inflação. Então, eu acho que o mercado de trabalho mostra resiliência e os dados de atividade de uma forma mais geral e aí faz com que o Banco Central tenha que estar mais preocupado com o outro lado do mandato.
E o outro grande tema do último mês, mais de um mês, Estados Unidos e Irã chegou a sair no meio da semana de que eles estavam próximos de um memorando preliminar para encerrar a guerra e retomar negociações.
que incluiria moratória do enriquecimento nuclear uraniano, alívio de sanções pelos Estados Unidos, de flexibilização das restrições no estreito de Hormuz. Como aconteceu já em outras semanas, em outras oportunidades, a gente vai...
para aquele fluxo de que o mercado fica mais preocupado, aí sai uma fonte, uma notícia mais positiva, eles falam que estão chegando perto de um acordo, e aí a gente tem isso se retroalimentando. Então foi uma semana que falaram novamente que está perto desse acordo, que o Irã ainda não respondeu, inclusive a previsão era que saísse hoje, na sexta-feira, até a hora que a gente está gravando aqui, a gente ainda não tem.
atualização, mas o mercado fica nessa de que acho que o grande ponto é que parece que não vamos voltar para um cenário de ataque generalizado. Então o mercado vai sustentando e acompanhando esses headlines no dia a dia, né Luiz?
O mercado segue nessa toada de olhar para o conflito no Oriente Médio. A gente está na semana de melhora e, apesar do petróleo ainda permanecer em nível alto, por volta de 100 dólares, na semana o petróleo caiu por volta de 7%. E as derivadas também, a Petro aqui no Brasil também caiu por volta de 7%. O ETF de energia nos Estados Unidos caiu 5%.
O mercado ainda está tradando esses headlines, barra, twitters e afins, ditando o ritmo do nosso dia a dia aqui. Acho que o destaque da semana foi a parte de tecnologia. Já vem assim desde as últimas duas semanas. Semana passada teve bastante resultado e essa semana seguiu a reprecificação. Nasdaq, destaque absoluto, que é o índice de tecnologia subindo por volta de 5%.
Nos emergentes, a Coreia do Sul, que também se destaca pela participação de muita empresa de tecnologia e chips, subiu por volta de 15%, representando esse fluxo para esse setor e inteligência artificial como um todo.
Voltamos para esse inflow para a tecnologia, acaba não sobrando fluxo para o resto dos ativos. O Brasil andei performou, na toada da Petro caindo e acabou não sobrando dinheiro. O Brasil foi destaque ao longo do ano com o inflow de estrangeiro. Eu acho que nessa reprecificação de tech acaba tendo algum outflow de Brasil. Acho que por isso andei performance, apesar do juros ter fechado junto com o Petróleo, fechou por volta de 10 meses.
Na semana a gente teve no Brasil a produção industrial de março, você teve uma pequena alta ali na margem, a terceira seguida, a gente já falou aqui que o primeiro tri vem com um número muito forte de crescimento, próximo a 1%.
Semana que vem a gente tem a pesquisa mensal do comércio e a pesquisa mensal de serviços, que vão finalizar os dados do primeiro TRI, para a gente ter depois, começar a observar o que vai acontecer no segundo TRI. Qual o tamanho da desaceleração? Porque você vem de um crescimento de 1% no trimestre, a gente vê claramente que é uma coisa não sustentável. O nosso número preliminar do segundo TRI ainda é de 0,4, mas só tem poucos indicadores ainda. A gente ainda não tem um cheiro muito...
muito significativo com relação ao segundo tri. A gente teve a ata do Copom, a gente teve uma leitura levemente mais dovish, um pouquinho mais dovish do comunicado, pelo fato dele, de alguma forma, deu a impressão de que planeja ter mais cortes do que a gente tinha lido ali no pós-statement da semana passada.
Então, de alguma forma, é uma leitura de que o BC pode estar reduzindo um pouco o peso do modelo, ou então ele está esperando para ver os desenvolvimentos do petróleo, para não ser muito influenciado pelo petróleo, e que de alguma forma o petróleo está batendo nas expectativas mais longas e que está influenciando o modelo. Então acho que tem tudo isso aí em termos de perspectiva.
Então, se a discussão fosse se vai cortar ou não vai cortar, na próxima reunião, lendo a ata, a gente achou que a probabilidade dele cortar depois de ler a ata aumentou com relação ao statement. Mas assim, é bem na margem, vai ser um corte de 25. Com esse patamar de petróleo, o que está acontecendo com a inflação?
Tem toda essa questão de uma dificuldade do Banco Central ter a possibilidade de acelerar a velocidade de cortes. Então ele vai seguir indo por 25, 25, 25. Não vemos muita chance de acelerar. Semana que vem a gente tem o IPCA. Terça-feira vai ser super importante para a gente ver as aberturas. Só para finalizar, um dado menos importante, mas acho que ele ilustra bem o impacto desse choque do petróleo.
É a balança comercial de abril, né? Teve um superávit recorde pelos meses de abril, 10 bilhões e meio, então...
Safra recorde de soja, muita exportação de carne, petróleo também bombando. Isso daí significaria que a gente ia ter uma balança comercial de 90 bi, se você anualizar o que aconteceu nesse mês de abril. Lembrando que no ano passado foi 68 bi de dólares de balança comercial. Então isso explica também um pouco por que o BRL tem se comportado tão bem.
porque esses choques são melhores para as nossas contas externas. Na semana que vem lá fora, Sara? Lá fora a gente tem os números de inflação, destaque para o CPI na terça-feira, além do número de varejo na quinta. É isso, pessoal. Um grande abraço a todos. Até a próxima. Bom final de semana.
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