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RODA VIVA | TARCIANA MEDEIROS | 09/03/2026

10 de março de 20261h20min
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Em homenagem à Semana da Mulher, o Roda Viva entrevista Tarciana Medeiros, a primeira mulher no comando do Banco do Brasil em 200 anos de história da instituição.

O Roda Viva vai ao ar toda segunda, a partir das 22h, na TV Cultura, no site da emissora e no YouTube!Acompanhe também no www.tvcultura.com.br

#RodaViva #SomosCultura #DiaDasMulheres #TarcianaMedeiros

Assuntos15
  • Primeira mulher presidente Banco do Brasilmarco histórico de 200+ anos · simbolismo e responsabilidade · trajetória profissional de 23 anos · geração de primeiras
  • Diversidade e Inclusãorepresentatividade de mulheres em liderança · presença em conselhos e diretorias · vice-presidentes mulheres · tecnologia e negócios digitais · áreas historicamente masculinas
  • Inadimplencia Agronegociorecorde histórico de inadimplência em 2025 · fatores conjunturais · guerra Rússia-Ucrânia · preços de commodities · recuperação judicial · MP 1314
  • Resultado financeiro do Banco em 2025queda de 40% do lucro · maior resultado histórico em 2024 · impacto do agro no resultado · crescimento acumulado em 4 anos · projeções para 2026
  • Governança corporativa e institucionalcomitês de diversidade e inclusão · aprovação em níveis de governança · sustentabilidade das políticas · responsabilidade de conselhos · lei de 30% em estatais
  • Investimentos Financeirosanálise de risco diferenciada para mulheres · histórico de dados desigual · gestão de capital de giro · programa Esportação para Elas · microcredito e pequenos negócios
  • Atuação de Lucia na políticametas de representação (30%) · Race Prioridade no Banco · habilitação de pessoas negras · mulheres em cargos de gestão · programa Mulheres no Topo
  • Responsabilidade Social e Estadobanco público vs negócio · compromisso com sociedade · acionistas e investidores · políticas públicas · presença em pequenas cidades
  • Rede de agências e atendimento ao clientepresença em 98% dos municípios · não fechamento de agências · evolução de formatos · modelos pioneer (bebê) · atendimento remoto · presença física adaptada
  • Economia do Cuidadotrabalho não remunerado · 8-12% do PIB · plano nacional de cuidado · cuidadores de crianças e idosos · independência financeira · políticas públicas
  • Inteligência Artificialmodelos estatísticos históricos · vieses em algoritmos · política de IA do BB · ética na tecnologia · 1800+ modelos em operação · transparência
  • Lideranca Femininaaumento percentual de diretoras · superintendências estaduais e regionais · gestoras de unidades · crescimento de 200% em 3 anos
  • Gestão humanizada e produtividadeíndice de satisfação de funcionários · gestão diferenciada · gestão de capital humano · índices de reclamação · proximidade com funcionários
  • Sistema Financeirogovernança robusta · mecanismos de acompanhamento · regulação e fiscalização · CDB acima de 100% do CD aí · responsabilidade das instituições
  • Debates Geraistermo presidenta · dicionário Aurélio · debate sobre linguagem · gênero gramatical · importância da representatividade sobre termos
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Boa noite, estamos juntos de novo no Roda Viva e para um programa muito especial. Já que estamos na Semana da Mulher e a convidada de hoje é a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros. Quem fundou o Banco do Brasil foi Dom João VI, isso a gente aprendeu na escola. Isso foi em 1808. E a primeira mulher a dirigir o banco foi Tarciana Medeiros, em 2023. Levou 215 anos para uma mulher chegar à presidência do bebê. Esse é o tamanho do desafio.

E não é só isso, porque Tarsiana começou feirante, virou professora, foi estudar, fez administração de empresas, pós-graduação em negócios e liderança, entrou no Banco do Brasil em 2000, começou numa agência no sul da Bahia, ofereceu crédito, vendeu seguros, liderou, atendeu público e 23 anos depois já era presidente.

em maioria no Brasil, o Roda Viva dessa noite tem uma bancada toda feminina.

de universidades públicas e privadas de São Paulo. As ilustrações que são do Eduardo Batistão. Ele é os únicos homens nessa noite aqui, então pedimos licença a vocês mulheres para podermos receber aqui a presidenta. Agora sim, vamos lá começar pelo elefante na sala. Sempre vem à tona essa discussão se o feminino de presidente existe e se é presidenta, já que não existe presidento.

seria um termo neutro. Mas o fato é que não há neutralidade nisso. A gente está falando de discriminação e de postos que não são ocupados normalmente por mulheres. Seja bem-vinda, Presidenta. E me diga qual é a sua visão sobre essa discussão. Muito obrigada. Boa noite a todos. Boa noite a todos que nos assistem. É um prazer estar aqui. Agradeço pelo convite. E aí já começando por uma polêmica inicial

quando eu tomei posse como presidenta do Banco do Brasil. O termo presidenta está correto. Presidenta é o feminino de presidente. Foi dicionalizada essa palavra no século XVII. O Aurélio, que é o dicionário brasileiro mais utilizado, traz qual é o significado da palavra presidenta. E o significado é simples e claro, é o feminino de presidente.

em relação ao termo presidente ou presidenta. Mas deveria ter, e essa é a minha intenção, abrir a discussão de termos poucas presidentas. Então, o termo não é comum. Ele está correto e não é comum. E o não ser comum é que é o incorreto. O não ser comum é que está incorreto. Então, prefiro presidenta. Presidente é neutro, mas, de acordo com o dicionário, é o masculino de presidenta.

Então, eu prefiro presidenta e penso que a discussão precisa ser em como nós teremos mais presidentas de mais instituições, de mais empresas no país. Pois é, e essa parece ser a questão central, porque as mulheres representam mais de 50% da nossa população e não tem representação equivalente nem nos poderes, nem nas empresas, na vida como um todo, ainda há muito o que acrescentar.

companhegas a tomarem a palavra e encaminharem suas palavras, suas perguntas para a presidenta do Banco do Brasil, que está conosco hoje. Tarciana, prazer te ouvir sempre. Bom, a gente está falando aqui, a senhora é a primeira mulher na presidência do Banco do Brasil em mais de 200 anos de história. Eu queria te ouvir, como que a senhora enxergou e lidou com esse marco de ser a primeira? Sei que a senhora também tem um TEDx e fala sempre sobre ser a última geração de primeiras.

senhora, de um lado, abrir caminhos e de outro, a responsabilidade e uma certa solidão de ter chegado ao topo e não enxergar outras mulheres como você ao seu lado. É interessante. Muito obrigada, Fernanda. Boa noite. Muito obrigada pela pergunta. Para mim, inicialmente, eu te confesso o que é que eu pensei. Poxa, consegui. Você é a primeira mulher presidenta do Banco do Brasil. E naquele primeiro instante, eu não me dei conta do tamanho do simbolismo

do tamanho da responsabilidade. Eu sempre tive comigo e sempre durante a minha jornada, mulheres e mentoras, tanto na família quanto no banco, que me formaram, que me acompanharam. Então, no banco, eu sempre tive essa rede de apoio. O que é que eu busquei fazer como primeira atitude? Nomear outras mulheres para o Conselho Diretor do Banco do Brasil. Então, além de ser a primeira vez que em 200, mais de 200 anos que eu estou como presidenta, ter uma mulher como presidenta do banco,

Também é a primeira vez que o Conselho Diretor tem 40% de mulheres na formação dele. Até a minha chegada à presidência do Banco do Brasil, nós tínhamos tido apenas uma vice-presidenta mulher. Hoje nós temos três. E em áreas que historicamente não se viam mulheres, em áreas que improvavelmente seriam mulheres. Nós temos a única vice-presidenta de tecnologia, negócios digitais e tecnologia do sistema financeiro, que é a Marisa Reguini.

uma mulher gerindo a rede de varejo do Banco do Brasil, que é a Carla Nezzi, e temos uma mulher que faz a gestão da vice-presidência corporativa, que cuida de toda a infraestrutura, por exemplo, de toda a infraestrutura do Banco do Brasil no país e no mundo. Então, eram três áreas que, improvavelmente, nós teríamos mulheres. Então, eu não me sinto sozinha na gestão, porque eu já trouxe outras mulheres juntas que foram mentoras e que já tinham trabalhado comigo, inclusive.

Passado a senhora ter que levar mulheres para reuniões do Conselho, que era exclusivamente masculino, no início. Em algumas reuniões, desde que eu assumi cargo de gestão no banco, os primeiros cargos de gestão, acontecia, em muitas situações, de ir numa reunião em que eu era a única mulher. E aí, nesses instantes, eu convidava outras colegas, mesmo se não tivesse nada a ver com o assunto, para eu não ir sozinha. Então, isso aconteceu muitas vezes.

no banco, você ter homens em cargo de liderança. Então, não existiam mulheres. Então, eu levava minhas colegas que trabalhavam comigo, as mulheres da minha equipe, as mulheres de outras equipes, as mulheres que estivessem indo para o corredor para outra reunião, eu dizia, olha, eu tenho uma reunião importante e eu não posso entrar sozinha lá, preciso de você. E ia junto. E fui junto com elas também, em outras reuniões também. Mas eu entendo que a representatividade, a presença é muito importante. Então, mesmo antes de entender,

O real significado disso, eu já busquei praticar. Marta, sua pergunta. Continuando nesse assunto, você entende que o Banco do Brasil é uma ilha dentro do mercado financeiro? Porque você fez um esforço muito grande de trazer uma pauta de diversidade para dentro do Banco do Brasil, de colocar mulheres, pessoas negras em posições de liderança dentro do banco. Mas isso é uma coisa que a gente não vê no mercado financeiro como um todo.

um pouco para você, dentro do próprio governo, que é um governo que tem poucas mulheres em cargos importantes. E, por exemplo, não seria o momento agora de o presidente Lula nomear uma mulher para a diretoria do Banco Central? Ó, eu vou te responder primeiro, vamos olhar historicamente. É o governo que mais tem mulheres em cargo de liderança, na história do país. Desde a fundação do Brasil, lá, eu tomei posse no banco em 2000, então há 500 e...

Eu tomei posse no Banco 2000, tem 26 anos. Então, eu te diria que acompanhando esses 26 anos e acompanhando a evolução das mulheres no mercado de trabalho, quer seja no governo, quer seja no mercado privado, a gente sempre chegou em determinados níveis de cargo e daí em diante não se evoluía. Então, eu te diria que, primeiro, a gente chegou num nível hoje que ainda é muito pouco, a gente precisa evoluir, evoluir muito mais, mas é o governo que mais teve mulheres,

em cargos de gestão. Te falando especificamente sobre nomeação ou não nomeação, eu não vou entrar nessa questão porque não diz respeito à minha gestão lá no Banco do Brasil. Mas no Banco do Brasil, eu posso te dizer o seguinte, não é só uma questão de convicção, não é só uma questão de ser feminista. Eu sou feminista e também trabalho, levo minhas convicções para o trabalho. Mas, para mim, vai adiante.

questão econômica, porque uma empresa que não tem diversidade na sua formação, uma empresa que é a primeira empresa, o primeiro CNPJ de um país diverso como o Brasil, não pode ter na sua composição de liderança, principalmente, aspectos não observados de diversidade. A diversidade, na minha opinião, ela traz ganhos econômicos para o presente e para o futuro.

envolve uma solução com diversos olhares, com pessoas diferentes naquele desenvolvimento, você não precisa voltar para refazer. O índice que a gente chama de retrofit da operação é mínimo. E isso no mundo, que as coisas mudam a cada segundo, você já ter na sua composição, na desenvolvimento de soluções, na liderança, na gestão e na observação econômica do teu negócio, diversidade já te coloca muito à frente.

dos demais concorrentes do mercado. E tem mão de obra disponível, presidente? Isso que é para suprir proporcionalmente os cargos. Vamos supor, se fôssemos representar o que é a sociedade brasileira, 51% de mulheres. Tem gente suficiente para ocupar? Gente qualificada? Gente preparada? Pelo menos 51%, eu diria. Se procurarmos de todos os cargos de gestão que existem no país, eu tenho certeza,

absoluta que temos 51% de mulheres para preencher esses cargos de forma muito rápida e sem dúvida nenhuma. Agora vai depender da diversidade da banca que avalia. Também, né? Aí é que está. É isso. Por isso que a diversidade é tão importante. Os olhares diversos trazem resultados muito melhores. Então eu acredito na diversidade por convicção e acredito na diversidade como resultado econômico do futuro da empresa. Para a sustentabilidade econômica também da empresa. Tem dado certo?

Muito certo. Ótimo. Que bom. Meninos. Oi, Tarciana. Boa noite. Boa noite aos colegas de bancada. Obrigada pelo convite. A senhora é reconhecida pelo seu trabalho com gestão humanizada e pela implementação dessas políticas de diversidade e inclusão. Aliás, a senhora mesma disse que foi fruto de políticas afirmativas. A senhora está aqui hoje por isso também, né? Além, claro, do seu mérito, do seu esforço, a trajetória e tudo mais. Nos últimos dois anos, a gente vem vendo um recurso

nessas políticas, principalmente nos Estados Unidos, mas o Brasil, timidamente, a gente consegue mapear que tem algumas empresas diminuindo o investimento em diversidade e inclusão, com medo também de, enfim, de sucar em desuso por algum motivo, seguindo essa tendência nos Estados Unidos. Eu queria saber se a gente retrocede nisso, quais que são os avanços que a gente pode perder. E eu queria aproveitar para saber os resultados no Banco do Brasil em 2021.

quando a senhora tomou posse, disse que ainda não era possível fazer uma quantificação, mas que tinha certeza que teria um crescimento econômico. Então, agora eu gostaria de saber os frutos que foram colhidos. Vou te responder essa pergunta em duas partes. Camila, em relação ao avanço da diversidade, eu posso te falar do universo do Banco do Brasil e te dizer como que a gente está trabalhando para avançar e não retroceder.

principalmente na empresa normativa como o Banco do Brasil, é a governança corporativa. O banco tem uma governança corporativa extremamente robusta. Então, eu cresci no banco em áreas de negócio. Passei pelas áreas de crédito, passei pela seguridade, passei pela área de clientes, passei nos mais diversos níveis de agência do banco. E uma coisa que eu sempre percebi é o quanto o banco é fiel ao que está normatizado e ao que é institucionalizado.

Então, a primeira providência foi que as ações afirmativas e os programas de diversidade e inclusão não ficassem apenas como programas esporádicos de uma gestão. Então, por exemplo, nós temos comitês de diversidade e inclusão no banco, que hoje, na governança, têm o mesmo nível do comitê de crédito. O comitê de crédito, ele é a alma do banco.

de crédito. Essa é a grande função do banco. Então, hoje, nós temos um comitê de diversidade e inclusão aprovado no mesmo nível de governança do nosso comitê de crédito. Então, a primeira coisa é institucionalizar e cuidar na governança institucional para que os avanços que ocorram sejam corporativos e não de uma gestão ou de uma pessoa. Então, no banco, a gente evoluiu, conseguimos evoluir. Primeiro, a primeira evolução foi conseguir colocar na governança corporativa.

institucionalizar o tema diversidade e inclusão. Com ações, eu gosto sempre de falar que a gente tem muita iniciativa e precisa ter acabativa. Então, com acabativas que tragam resultados concretos. Então, o que eu posso já te falar? Nós, em 2023, quando eu tomei posse e as vice-presidentas, nós tínhamos, por exemplo, quatro mulheres como diretoras ou gestoras de unidades nacionais do banco.

Hoje, nós temos 12. Então, é uma evolução de 200% em três anos. Quando eu falo das superintendências estaduais e regionais, nós tínhamos pouco mais de 7%. Nós temos agora 36%. E onde que isso já se transforma em resultados e números? Nós observamos uma gestão mais humanizada, mais proximidade com os funcionários,

Em índice de produtividade. Então, nós tivemos um ano de 2025 desafiador, mas a produtividade cresceu. A produtividade do banco nessas superintendências cresceram. Então, a gente tem observado muito de perto o que vinha acontecendo até aquele instante e daquele instante em diante. Os números ainda são frágeis porque são só três anos. Mas há uma estimativa já? Não, eu não tenho como te estimar. Mas o que é importante?

E para mim é super importante. Nós não caímos nem um milímetro, não retrocedemos nem um milímetro, nem de resultado, nem de gestão, onde nós nomeamos gestoras. E, principalmente, o índice de satisfação das pessoas é diferente. O índice de humanização da quantidade de reclamações, da quantidade de insatisfações é diferente. Esses índices a gente já tem, números estamos acompanhando.

No futuro, e eu acho que o banco como a principal, o CNPJ número 1 do Brasil, tem a obrigação de ser exemplo para as demais instituições. Eu tomei posse numa instituição, porque o banco a gente faz concurso público, a gente toma posse, passa a ser da gente, né? Daí em diante, eu nunca mais vou ser Taciana Medeza, Taciana do Banco do Brasil. Quando a gente toma posse, eu tomei posse numa empresa que em 2008, por exemplo, possibilitou já a inclusão da minha companheira no plano de saúde.

as pessoas podiam utilizar o nome social no cadastro. Então, o banco é de vanguarda também no processo de diversidade e inclusão, não só no desenvolvimento de soluções financeiras. Então, assim, eu tenho muito orgulho desse trabalho e penso que o banco é um vetor de comportamento do mercado. Então, a gente tem trabalhado muito, e eu digo a gente porque tem um conselho diretor que acredita muito que é possível trabalhar com diversidade,

pautas concorrentes. Presidenta, nós temos aqui também a Viviane Moreira, conselheira executiva de gestão de riscos. Ela não é jornalista, mas faz pergunta, viu? E cada pergunta... Vamos lá. Bom, eu preciso começar parabenizando pela sua jornada, que faz a gente, quanto executiva, as mulheres negras desse país, se sentir honrada e saber quando a gente tem oportunidade, a gente consegue trazer resultado. Parabéns. E eu queria trazer um pouquinho de negócios aqui, né? Falar um pouquinho sobre gestão de risco. A gente sabe que o Banco do Brasil,

hoje é reconhecido pelo acesso ao microcrédito, que a gente sabe também que transforma jornadas em empreendedorismo, principalmente feminino, que muitas vezes é barrado em grandes instituições. Queria ouvir um pouquinho qual a importância associada à governança corporativa, à ética, a acessos a essa concessão de microcréditos, muito bem com riscos gerenciados, porque a gente sabe que a taxa de inadimplência de vocês é muito bem controlada. Viviane, muito obrigada.

dos créditos de pequenos valores, eu diria que não necessariamente o microcrédito, mas principalmente o crédito para micro e pequenas empresas e empreendedores. O banco tem um trabalho de vanguarda nesse sentido. A gente sempre buscou apoiar micro e pequena empresa. O que a gente adicionou nesse contexto? Um olhar diferente quando eu tenho uma empreendedora e quando eu tenho uma empresa gerida por mulheres, que têm dirigentes mulheres.

Se a gente olhar as análises de risco e de crédito históricas, considerando com o todo, eu vou sempre ter limites menores para as mulheres e vou sempre ter uma análise de risco pior, porque a minha análise temporal é muito menor. Mulheres começaram a ter empresas no Brasil, poderem ser dirigentes de empresas no Brasil depois dos anos 80. Se a gente pensar nisso, eu tenho apenas 46 anos de dados.

Enquanto o banco foi fundado há mais de 200 anos, eu tenho 200 anos de dados masculinos na minha base. Então, eu te diria que a análise de risco e retorno é base do que a gente faz. Retorno ajustado ao risco é base. A partir daí, a gente buscou começar a fazer modelos que incluíssem peculiaridades da gestão de mulheres em empresas. Então, há um histórico que as mulheres fazem gestão melhor do capital de giro,

gestão diferenciada da empresa, a gestão é sempre pensada para o longo prazo e os desafios dos micro e pequenos empreendedores, eles são similares, mas há uma diferenciação. O turnover em empresas geridas por mulheres é menor, então nós incluímos na análise de risco e de crédito esse tipo de variável, que os modelos acabam ficando viciados pelos dados históricos.

Tivemos algumas oportunidades de promover o empreendedorismo feminino, principalmente. Então, a gente lançou um programa, Primeira Exportação, para elas, para que a gente tenha empreendedoras conseguindo exportar o seu produto no mesmo nível dos empreendedores homens. O acesso a isso era muito restrito. E nós entendemos que produtos desenvolvidos pelas empreendedoras tinham tanta qualidade quanto.

preparação para que aquela empreendedora colocasse o produto para exportação. Nós observamos, por exemplo, nessa melhor gestão do capital de giro, a oportunidade de analisar diferente os perfis. Eu sempre falo de um banco para cada cliente. Então, quando a gente analisa retorno ajustado ao risco, a gente também analisa por cliente. E aí você acaba tendo uma diferenciação de carência, de prazo, de preço, porque o preço vai estar ajustado ao risco. Então, quanto melhor a gestão da empresa,

Quanto mais longeva essa empresa no mercado e quanto maior a possibilidade dessa empresa, num plano de crescimento claro, nós tivermos acesso, melhor serão as condições. Então, na hora de apresentar a documentação completa, por exemplo, as empreendedoras apresentam a documentação completa, mesmo que demore um pouco mais para voltar. Então, esse tipo de trabalho, a gente tem feito junto às empreendedoras mulheres e nas empresas que têm dirigentes mulheres.

um dos lançamentos que nós fizemos foi o programa Mulheres no Topo, que está disponível no portal do Banco do Brasil, www.bb.com.br barra Mulheres no Topo. E nós temos um canal no LinkedIn, também Mulheres no Topo, que tratamos desses temas. Eu entendo que para a mulher empreender e para ir adiante àquele empreendimento, para que ela tenha sucesso, é preciso três pilares. Educação, acesso,

e crédito, porque o acesso ao crédito e a tomada de crédito são pontos diferentes nessa jornada. Mas com educação, acesso e crédito, aí você tem mulheres mais independentes, por consequência, empresas mais longevas. Então, eu diria que nessa análise de risco e de governança, a gente segue todos os normativos que a gente precisa seguir, a gente segue toda a legislação que é necessária, todas as regulações, mas com um olhar diferente, porque o modelo de risco e de crédito

É dos bancos. Eu digo sempre, eu falava disso quando, logo quando eu cheguei no banco, eu dizia assim, poxa vida, se algum dia eu for presidente do banco, eu vou vender os modelos de risco do banco. Aí hoje em dia eu já digo, jamais venderemos os nossos modelos de risco. Porque dá certo. Mudou do lado do balcão, né? Com certeza. Mas agora eu preciso fazer um rápido intervalo, Thalita Moreira e Juliana Rosa vão fazer as perguntas delas logo a seguir, porque o nosso intervalo é rápido, o Roda Viva volta em instantes com Tarciana Medeiros.

Estamos de volta com a presidenta do Banco do Brasil, Tarsiana Medeiros, no centro do Roda Viva. Eu queria ouvir a pergunta da minha colega Juliana Rosa. Obrigada, Ernesto. Boa noite, Tarsiana. Boa noite a todas que estão aqui comigo e a todos. Tem dois, né? Prazer novamente para mim, certamente como mulher, ver a senhora à frente do Banco do Brasil num setor onde majoritariamente é composto por homens. É um orgulho e para muitas mulheres também isso tem um poder importante.

desigualdades e, principalmente, Tassiana, valorizar, como você estava colocando bem, a educação, o conhecimento, o seu preparo para estar nesse posto. Eu queria explorar a parte do crédito agrícola, porque o Banco do Brasil, historicamente, tem um papel importante para fornecer crédito para o setor agrícola, um setor que tem tido safra de recordes, foi, inclusive, há poucos dias, um número que surpreendeu no PIB de 2025 e que,

está com muitas dificuldades, tem muitos pedidos de recuperação judicial. E qual é a sua visão do que está acontecendo em meio a uma safra record, preços que estão razoavelmente bem? Como é que está a situação de inadimplência e como que isso está afetando o banco? Muito obrigada, Juliana. Eu vou começar te respondendo com uma afirmação que eu tenho feito em todos os lugares por onde eu passo. O Banco do Brasil continua sendo o Banco do Agro Brasileiro.

Estamos juntos em todos os momentos dessa jornada. Então, o meu vice-presidente de agro gosta sempre de lembrar o seguinte. Nós temos uma inadimplência que foi fora da curva em 2025. Foi a maior inadimplência histórica em relação ao agro, mas histórica em relação a uma carteira que sempre teve inadimplência muito baixa. 95% dessa carteira permanece adimplente.

uma crise no agro brasileiro. Prova disso, a safra recorde. Eu te diria, e já falei disso numa das teleconferências de resultado do banco, que nós tivemos uma conjunção de fatores históricos que para uma parcela dos produtores e para algumas safras muito específicas, em algumas regiões também específicas, geraram dificuldades ao longo de 2025, principalmente, na honra dos créditos que foram emprestados.

Então, a gente tem ali dois grupos. A gente tem um grupo que lá, quando a gente tinha a taxa selic a 2%, por exemplo, se alavancou um pouco mais, porque buscou arrendamento de terras, para numa época em que eu tinha preço recorde de uma commodity, a soja, por exemplo, preço recorde, num momento em que se desenhava adiante safras recordes continuadas. Talvez não naquele mesmo patamar lá de 2018,

2018, 2019, quando a gente teve esse instante, mas em patamares elevados. O que a gente teve logo em seguida depois dessa Selic a 2% e dessa alavancagem financeira? Nós tivemos guerra, Rússia e Ucrânia, que interferiram no preço dos insumos. E ali, naquele momento, já uma redução do nível de rentabilidade desses produtores que negociavam com essas principais commodities.

do que tinha sido previsto adiante, e uma redução do preço dessas commodities no mercado mundial. Então, esses fatores conjugados trouxeram um pouco mais de dificuldade para alguns produtores em determinadas regiões. Eu te diria que esses produtores tiveram, buscaram o mecanismo, alguns deles buscaram o mecanismo da recuperação judicial. Eu até já falei disso, é um mecanismo legítimo,

que levado para quem de fato precisa. Então, nós tivemos aí nessa parcela, na nossa opinião, uma parcela de produtores que buscaram a recuperação antes de buscar uma renegociação ou uma recomposição da sua dívida. Temos uma parcela disso, que faz parte desse inadimplência, mas temos uma parcela de produtores que, eu acho, eu sempre falo assim, que tudo que vem sobre o agro, a gente acaba vendo primeiro, alertando primeiro e sofrendo os impactos primeiro,

pelo tamanho da participação do Banco do Brasil no mercado de agronegócio. Então, lá no final de 2024, no último tri de 2024, eu lembro que a gente alertava sobre o crescimento das RJs no mercado agro. Mas era algo que ali naquele instante só o Banco do Brasil enxergava pelo tamanho da carteira que nós temos e a quantidade de produtores. Em 2025, ali no início de 2025, nós percebemos uma elevação nos não pagamentos das operações de agro,

já no período da safrinha, que a gente tem ali no primeiro trimestre do ano, os vencimentos. E isso fez com que, lá em 2025, a gente tomasse a decisão de colocar os guidances em reanálise. Nós tiramos ali aqueles números que a gente tinha divulgado a mercado no final de 2024 e colocamos esses números em análise. Ao longo de 2025, a gente trabalhou, primeiro, para estar junto do produtor e para buscar orientá-lo da melhor forma, quer seja na recomposição,

necessidade de ele recorrer a outras possibilidades de reestruturação da dívida. E trabalhamos muito junto aos demais players e aí também ao mercado, aos reguladores, para que a gente buscasse alguma solução para a reestruturação das dívidas desses produtores. Muitos têm condição de pagamento, têm bens dados em garantia, mas o banco não é imobiliário. Eu sempre falo isso, banco não é imobiliário, eu não quero as garantias, eu quero...

o valor do crédito de volta para o emprestar de novo. E a taxa de juros atrapalha também, né? A taxa de juros, eu diria que uma taxa de juros elevada, como o patamar que nós temos hoje, ela não atrapalha o agro. Ela consome renda da população. Ela consome renda dos brasileiros. E, por consequência, também afeta o resultado das empresas. Então, em relação ao agro, o que é que nós buscamos fazer? Buscar alternativas de reestruturação e de renegociação.

junto aos demais players ali através da Febraban, no final de 2025, ali no último trimestre de 2025, o governo emitiu a MP 1314. O presidente Lula, inclusive, foi vocal em falar que não se tratava de um perdão de dívidas, que era uma necessidade que tinha sido observada para regularização e recomposição da capacidade de pagamento desses produtores.

2025 e fomos até meados de fevereiro. Acho que foi dia 10 ou dia 12 que a MP se encerrou, o período dela se encerrou. Nesse período, nós fizemos contratação de operações na monta de 35 bilhões de reais. Isso significa que nós colocamos de volta na possibilidade de pagar as suas dívidas e tomar novos créditos de plano safra adiante milhares de produtores.

Eu te diria que para 2026, eu tenho falado isso ao longo de 2026, a gente entende que a gente vai ter aí um controle nesse crescimento da Ináide do Agro com sinais de inflexão ali a partir do segundo semestre. Então, o trabalho possível de ser feito nesse sentido nós fizemos. E, repito, estamos juntos nos bons momentos e naqueles que são desafiadores também. Boa noite. Continuando um pouco nesse assunto, a gente sabe,

A gente viu o peso que o agro, essa questão do agro, teve no resultado do Banco do Brasil. O Banco do Brasil teve uma queda de 45,5% no lucro. E você disse recentemente aí nas teles de resultado que em 26 anos de banco, 2025 foi o mais desafiador de sua trajetória no Banco do Brasil. Olhando a projeção que o banco fez para este ano, a gente vê um crescimento, vocês estão prevendo um crescimento pequeno do crédito,

bem abaixo do mercado. Então, assim, o que vai ser feito para essa recuperação? Vai ser um ano de pé no freio, no crédito? Vai ser... Da onde que vai vir essa recuperação? Ou esse próprio giro da carteira, ele vai sanear e vai melhorar o resultado? Eu te diria que os guides que a gente divulga no mercado, por si só, já trazem esse nível de resultado que a gente está se propondo para 2026. Parece um crescimento pequeno, mas é um crescimento de 20% em cima de 20 pontos.

Eu te agradeço pela oportunidade de falar dessa queda do resultado do Banco do Brasil de 40% de um ano para o outro. Acho que vale ressaltar que em 2024 nós tivemos o maior resultado da história do Banco do Brasil, aproximadamente 38 bilhões de reais. Então, é uma queda de 40% em relação ao maior resultado da história do banco. E aí, a gente falando em resultado, eu gostaria de ressaltar o seguinte. Resultado de uma empresa, de um SA,

como o Banco do Brasil, não deve ser analisada em um ciclo, não apenas em um ciclo, mas nos diversos ciclos que uma empresa tem para trazer resultado, para formar resultado e, principalmente, para formar resultado futuro. Então, eu gostaria de ressaltar que eu tomei posse na presidência do banco no dia 16 de janeiro de 2023, ou seja, para construir o resultado de 2023. Nesses três anos de gestão, e aí eu vou incluir aqui o guidance que a gente está se propondo

nos quatro anos agora de gestão, nós vamos entregar, e eu tenho plena convicção disso, R$ 118 bilhões em resultados acumulados. Esses R$ 118 bilhões é a soma dos sete anos anteriores a 2023. Então, é muito importante a gente entender o tamanho desse resultado nesse ciclo. 2025 foi o ano mais desafiador da minha história como funcionária do Banco do Brasil.

do Banco do Brasil. Segundo, que foi uma inadimplência no agro nunca vista no sistema financeiro brasileiro. Não foi algo que afetou o Banco do Brasil apenas. Afetou todo o mercado que opera com o agro naquelas culturas e com aquele perfil de produtores. E eu te diria que em 2026 nós construímos resultados, construímos números ao longo dos últimos três anos.

uma carteira histórica, nós temos condição de continuar crescendo margem financeira. Não tenho dúvida disso. Acho que o ano passado a gente provou isso ao longo do ano. Trimestre a trimestre a gente tinha crescimento de margem financeira. E o crescimento da margem significa mais negócios com mais clientes. No mix de crédito, a gente está trazendo um crescimento mais robusto na carteira de pessoa física, que tem melhor retorno ajustado ao risco no nosso negócio, ajustando o mix dessa carteira para garantir esse resultado.

outro lado, eu te diria que não crescer numa carteira de pessoa jurídica e numa carteira agro, por exemplo, significa precisar emprestar o que eu fiz o ano passado inteiro apenas para repor a carteira. Então, a gente está se propondo a manter a rentabilidade das duas maiores carteiras que nós temos, que é a carteira de pessoa, aliás, crescer a rentabilidade na carteira de pessoa física, manter a rentabilidade na carteira do agro, manter a rentabilidade na carteira da pessoa jurídica. Esse mix de negócios com foco maior,

em pessoa física em 2023, garante o nosso crescimento para 2026. Presidenta, nós na TV Cultura também temos a nossa ênfase na educação. E é por isso que temos quatro jovens universitários aqui. E eu vou pedir que a Juliana Zanin, da PUC, do curso de jornalismo, faça a pergunta dela para a senhora. E depois eu vou querer também que a Letícia Santos Gomes do Mackenzie complemente, que eu acho que as perguntas de vocês podem se somar. Curtinho, hein, pessoal?

Primeiramente, bem-vinda, obrigada por estar aqui. Presidenta, desde que você tomou posse, o discurso da diversidade, não só como uma luta política, mas também como uma estratégia na economia, é muito trazido nas suas falas. Quais são essas iniciativas que você vê que são necessárias para que as pessoas como mulheres, pessoas negras, LGBTs,

esses espaços, principalmente a economia, que é um setor magitoriamente masculino, mas também muito limitado. Letícia, por favor, complemente. Eu gostaria de complementar a pergunta da Juliana. Como, na verdade, garantir que esses grupos também integrem espaços de tomadas de decisão, não apenas cadeiras intermediárias, mas posições de liderança também?

Obrigada pela pergunta de vocês. Primeiro ponto que eu falei já anteriormente é garantir que qualquer iniciativa, qualquer ação afirmativa esteja aprovada institucionalmente nos níveis de governança adequados. Esse é um primeiro ponto, porque a gente precisa avançar e não retroceder. Segundo ponto, a gente é um banco, trabalha com números, tem que ter meta. A gente tem que ter meta até que não precise mais ter meta sobre isso. Então, temos, a gente declarou essas metas, inclusive, de até 2025,

alcançarmos 30% de negros e outras etnias em cargos de liderança e 30% de mulheres em cargos de liderança. Negros e outras etnias nós atingimos 30,6% em 2025. Mulheres em cargos de liderança a gente vai atingir agora no primeiro tri de 26. Estamos trabalhando muito forte para isso. E são ações, Juliana e Letícia, que eu acredito que precisam ser feitas paralelamente em todos os índices.

da empresa. Nos níveis hierárquicos ali, daquelas funções mais intermediárias, a gente precisa preparar a sucessão para que eu tenha negros e outras etnias e mulheres não capacitados, mas habilitados. O banco tem um processo de habilitação para cada nível de função. Então, a gente precisa oportunizar o acesso a essa habilitação. Então, nós criamos um programa chamado Raça é Prioridade,

no banco, em que nós tivemos programas específicos de habilitação para pessoas negras e de outras etnias. De um outro lado, também, proporcionalização adequada da participação de mulheres nos processos de habilitação para os cargos de gestão. Isso é básico, tem que ser feito. De um outro lado, é pegar todo mundo que já está habilitado, já está pronto, e intencionalmente nomear, sim. Se eu tenho 10 pessoas habilitadas e eu tenho uma mulher habilitada nesse processo,

vai ser essa mulher que vai ser nomeada. E isso a gente precisa pensar que é o seguinte, não é só nomear mulher ou só nomear negros porque é bonito falar disso fora. É porque eu tenho as pessoas habilitadas. Essas pessoas passaram por todo o processo do banco, por todo o processo que a corporação exige para assumir um cargo de gestão e simplesmente eram preteridas na hora de assumir esses cargos.

ter atingido a meta de 30,6% de negros e outras etnias em cargo de gestão e vamos atingir agora 30% de mulheres em cargo de liderança. E quando a gente fala desses índices, o que é que é importante falar? Lá, quando a gente se pôs a meta, eu não tinha noção do tamanho do desafio, mas eu sabia já que número que a gente ia buscar. É um desafio muito grande. Por exemplo, quando eu falo de negros e de mulheres em cargo de gestão,

representar novos, manter todos os que já estão, nomear na substituição de quem sai para manutenção e crescer. Tem que ter novas nomeações. Então, esse é um processo que precisa permear toda a instituição e precisa estar em discussão permanente. A gente não pode, de jeito nenhum, largar esse processo em nenhum instante. Então, assim como acompanho a cada 10 segundos o quanto que a gente já desembolsou de crédito,

naquele dia, quanto que eu já recuperei de dívida naquele dia, quanto que eu tenho de investimento, eu acompanho também as nomeações pelo país afora. Presidenta, e a gente sabe que o seu cargo é, digamos, volátil. Não há uma lei que proteja a senhora. A senhora pode ser nomeada, pode ser destituída a qualquer momento. Espero que não, que continue por muito tempo. Mas o que eu quero saber, essas políticas poderão sobreviver quando a senhora deixar o cargo?

Por quê? Porque nós temos o Banco Público de Economia Mista. Então, eu tenho o acionista majoritário representantes do governo nos meus conselhos e tenho representantes dos acionistas minoritários. Essa governança híbrida traz para nós também a responsabilização desses conselheiros enquanto cidadãos. Nós temos hoje a obrigatoriedade de ao menos 30% de mulheres, é lei, ao menos 30% de mulheres,

em cargos de conselhos de administração de empresas estatais. Eu espero que as empresas privadas sigam também esse modelo. Mas por que eu te digo que sobreviverão? Qualquer empresa que tentar retroceder num processo de ascensão de mulheres que já estarão em cargos de liderança, e de negros e outras etnias que também já estarão em cargos de liderança, vai ter que se explicar bastante para o mercado.

O seu acionista que patrocinou a presença naquele conselho vai ter que se explicar nos níveis de hierarquia da empresa. Por isso, a institucionalização na governança corporativa é tão importante. Não pode ser uma ação isolada de uma gestão isolada. Precisa ser um avanço da empresa, como empresa que participa do mercado, que tem responsabilidade social com o país e que representa, dentre a sua composição de funcionários,

do país. Nós somos 125 mil diversos espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Nada mais justo do que essa representação dentro da empresa replique o que o Brasil tem de diversidade. Então, eu te diria que são ações que foram estruturadas para que não retrocedam. Para durar. Para durar. O problema é que nós temos visto uma onda conservadora crescente. Existem autores que dizem que há um movimento

mundial, porque principalmente as famílias conservadoras tendem a ter mais filhos e a formar seus filhos numa linha conservadora. A senhora não teme o retrocesso? Não, eu não temo o retrocesso. O que eu temo é que nós tenhamos menos mulheres falando disso, menos pessoas tratando disso, de que eu não tenha homens também tratando desse tema. Isso eu temo. Eu temo o retrocesso de pessoas pensantes nesse sentido, de pessoas que tratem de forma responsável da evolução

da evolução das empresas, da evolução da sociedade. E isso eu temo. Mas eu não temo em retrocessos em relação, por exemplo, ao que a gente está fazendo no banco. E aí, estando naquela empresa há 26 anos, os retrocessos são bastante traumáticos. Então, eu vi mínimos retrocessos ao longo da minha trajetória no banco. E aí, eu nem estou falando de questão de diversidade. Qualquer que seja o retrocesso. Perfeito. Colegas? Eu vou aproveitar esse gancho para falar sobre inteligência artificial.

Nós sabemos que a gente temos hoje em dia uma forma de espalhar muito rápido. O brasileiro é early adoption por ascensa a tecnologias. E, por outro lado, a gente tem um risco muito grande ligado à inteligência artificial pelos vieses. Os vieses que vêm carregando essa tecnologia versus acessos, como a tecnologia bancária do PIX, por exemplo, que possibilitou acesso às margens e aos centros de maneira igualitária.

Quais são as preocupações ligadas para influenciar o segmento financeiro sobre a importância de adotar uma tecnologia tão potente quanto a IA, mas de maneira responsável e mitigando esses riscos que podem impactar as pessoas. Em relação, eu adoro esse tema. Aliás, eu adoro o tema de tecnologia como um todo. Quando a gente trata de inteligência artificial, eu acho que é importante relembrar que o Banco do Brasil, há mais de 20 anos, 25 anos mais ou menos,

estatísticos de análise de perfil de clientes. Eu lembro de tomar posse lá no Imposto da Mata e ficar encantada com um modelo em que eu ia atender a pessoa e eu sabia quem era, eu sabia onde é que tinha nascido, eu sabia numa tela só, o que é que já tinha consumido no banco, o que é que tinha de crédito ou não tinha, investimento, e isso sempre me encantou. Daí em diante, toda a evolução que o banco foi fazendo, eu fui estudando junto. Então, o tema de inteligência artificial, a gente vem tratando

bem antes da IA se popularizar, tanto a IA generativa quanto os modelos de analytics, a gente já vem trabalhando e já vem testando há muito tempo. Eu penso que ter a responsabilidade de gerir o maior banco de dados do país, porque nós temos 217 anos de dados acumulados. Então, gerirmos essa base de informação dos brasileiros

muito grande. Nessa linha, nós não só adotamos um modelo de governança em IA, como nós também desenvolvemos a primeira política de governança e inteligência artificial do mundo. Somos o primeiro banco no mundo a ter uma política aprovada na governança do banco que trata de inteligência artificial. Então, a gente tem trabalhado muito para garantir que vieses não sejam replicados, para garantir

que os modelos levem em consideração a ética no momento da análise para garantir que a inteligência seja artificial, porque por trás eu tenho inteligência humana. Então, eu acho que é algo para a gente parar e pensar sempre. Essa inteligência é artificial, mas ela é alimentada, ela é curada, ela aprende, replica e amplifica o que os humanos têm para colocar ali. Então, eu te diria que, mais do que nunca,

É o momento de a gente trabalhar a inteligência humana, para que eu tenha inteligência artificial, de fato, respondendo e apoiando nas nossas necessidades principais. Nós temos hoje, no banco, já mais de 1.800 modelos de IA rodando nos diversos sistemas. Traz muita agilidade, traz muita simplicidade, traz mais assertividade na tomada de decisão,

muito rápido, mas se a gente não cuidar, nós teremos vieses replicados. Nós teremos ali uma IA que, ao invés de trabalhar a serviço, pode trabalhar contra. Mas eu acredito na IA a serviço. Eu acredito na IA apoiando na tomada de decisão, apoiando no crescimento da empresa, muito mais nos auxiliando do que nos comprometendo. Então, pelo menos no banco, a gente está tratando muito forte para que a gente tenha esse processo,

desenvolvido, com muita ética, com muita transparência e com muito cuidado. Muito obrigado. Nós vamos fazer um rápido intervalo agora e voltamos já já com Roda Viva, com Tarciana Medeiros. Estamos de volta com a presidenta do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, no centro do Roda Viva. Presidenta, eu vou aproveitar, já que eu estou com a palavra, eu queria saber, quando se chega ao seu cargo, a pessoa deixa de enfrentar preconceitos, discriminação,

Olha, eu te diria que eu, desde o dia que eu tomei posse nessa função, o primeiro preconceito começou com a queda das ações, no dia da posse. E daí em diante foi uma sucessão de situações de preconceito, de racismo, de dúvidas em relação à minha capacidade de gerir o banco. E eu penso hoje que tudo que eu passei na vida, desde o meu momento como feirante,

aprendi a me relacionar com as pessoas, até o ano de 2022, me prepararam para que em 2023 eu pudesse sentar nessa cadeira de presidenta do banco e exercer essa função passando por tudo isso. Eu diria que a minha trajetória de vida me preparou para esse momento. E eu tenho muito orgulho de estar enfrentando essas questões para abrir caminho para as outras presidentas do Banco do Brasil

virão e que terão outros desafios. Eu espero que os desafios sejam bem diferentes desses que eu tenho enfrentado nesses três anos e três meses aí de gestão. Mas o preconceito, ele é permanente, a necessidade de se provar a todo instante é permanente e os olhares que duvidam da capacidade, eles acontecem em várias instâncias, em vários momentos e essa necessidade de

ter que se provar a todo instante é cansativo. É cansativo. Às vezes beira exaustão. Mas eu tenho um propósito, eu sei por que eu estou aqui, eu sei o que é que eu quero fazer. E mais do que tudo, eu amo essa empresa, é o meu trabalho. Maravilha. Falando justamente disso, da sua capacidade, da sua trajetória para ter chegado até aqui, você já me disse uma vez que foi natural se destacar no banco por essas habilidades que você aprendeu desde os oito anos de idade.

são essas habilidades e como ter passado por quase todas as posições dentro do Banco do Brasil te ajudou a sentar nessa cadeira e gerir o banco no dia a dia? Quando eu era criança, ser feirante foi excelente. Eu aprendi a vender. E aí, quando um bebê nasce e chora, ele está se vendendo para a mãe. Eu aprendi muitos conceitos, o nome, o termo técnico de muitos conceitos que eu já sabia e já carregava ao longo da vida na faculdade. Por exemplo, combo. Um combo de produtos.

Eu já na feira já vendia comba há muito tempo. Colocava ali tomate com cebola junto para não estragar o tomate. Tinha que vender rápido. Então, assim, downsizing, por exemplo, quando os entregadores lá não davam conta, a gente fazia um downsizing. Mas eu só fui saber disso anos depois e já trabalhando no banco. Mas a capacidade de me relacionar, de expor o produto que eu tinha para vender, de tratar de forma muito objetiva das questões,

é vendedor, é dinheiro mesmo. Então, tratar de forma muito objetiva, muito clara, sem muito rodeio das questões que eu precisava tratar e, principalmente, eu cresci numa família de mulheres muito fortes em que me disseram sempre que eu podia falar o que eu pensava e eu cresci nessa casa, que as pessoas falam o que pensam, que eu podia ser qualquer coisa. Então, eu vim para o banco com essa formação de falar o que eu penso e de olhar no primeiro dia que me perguntaram o que eu ia ser no banco, eu falei que eu ia ser diretora, porque naquele momento era o cargo que eu via, que era mais

Então eu cresci nesse modelo educacional que me formou para eu ser quem eu quisesse ser, para eu falar o que eu pensava. E na minha trajetória no banco, nas diversas funções que eu exerci, esse processo de falar o que eu penso, de tratar as questões de forma objetiva, algumas vezes foram muito complicados, eu tomei muitos nãos ao longo da minha carreira no banco, mas que bom que os sims que eu tomei me trouxeram até aqui.

As colegas do banco e os colegas do banco para que a gente tenha uma empresa que as pessoas falem o que pensam, proponham soluções e que busquem exercer os diversos cargos. Por exemplo, quando eu tomei posse no banco, tinha uma situação de vou nomear uma mulher em tal lugar. Não, ela não vai. Porque ela é casada, tem família, tem filho. Só que não perguntava para ela. E me perguntaram. E todos os instantes que me perguntaram, eu falei sim. E fui.

inteiro. E a liderança foi natural pra você ou foi uma coisa que você foi desenvolvendo? Olha, liderança, aperfeiçoamento de liderança a gente desenvolve sempre. É possível sim criar um líder por educação, mas eu acho que eu já nasci meio com uma liderança natural por vir desse lugar em que eu podia falar o que eu quisesse, podia falar o que eu pensava e aí o banco era meu, eu tomei posse. Eu fiz um concurso público e eu tomei posse. E como o meu, aí é que eu cuidava como o meu mesmo. Até hoje.

Quero saber, então, o que você pensa sobre essa grande crise que a gente está vivendo no setor financeiro por conta do caso Master. Um assunto aí que está deixando todo mundo de cabelo em pé, preocupado com o fintech, se o seu dinheiro é seguro e tudo mais. E que causou um rombo histórico no Fundo Garantidor de Crédito, que vai ter que ser recomposto agora, principalmente por grandes bancos, como o Banco do Brasil, inclusive Caixa Econômica e os grandes bancos privados.

a senhora fala que não tem problema em ser direta. Era um modelo de negócio que sempre chamou atenção, 140% do CDB de rentabilidade. Era uma preocupação dos grandes bancos? Tiveram alertas dos grandes bancos ao Banco Central? E há uma necessidade de novas regras no sistema do FGC e nas regras do sistema financeiro? Eu te diria primeiro o seguinte, que nós nunca tivemos esse problema no Banco do Brasil,

a gente segue todos os normativos, todas as regulações e tudo que nós recebemos dos nossos reguladores como orientação. Então, não existe sistema infalível. Os sistemas, as leis são criadas para serem cumpridas, a regulação é criada para ser seguida e o sistema é criado para que atue de acordo com a regulação e com a normatização. Desvios nesse processo é que não são normais.

que quem tiver com dúvida, quem tiver com medo, pode trazer para cá, a gente cuida, tem 217 anos que a gente está cuidando disso. Em relação à normatização e ao processo da FGC, eu acredito que no instante que você tem situações que são anômalas, a necessidade de evolução da governança desse processo, ela se mostra urgente. Então sim, eu acredito sim na necessidade de evolução na governança da FGC.

acredito na necessidade ética do mercado quando se cumpre os normativos e como se trata dos bens das pessoas, do dinheiro das pessoas. O FGC foi criado para trazer segurança para o sistema financeiro, é um seguro para o sistema financeiro daqueles investimentos que são mais corriqueiros do brasileiro, principalmente a poupança e os CDBs. Os CDBs são cédulas de crédito emitidas pelos próprios bancos.

No momento em que acontece o que tem acontecido agora no mercado, os grandes bancos, aí eu vou citá-los, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Santander, Itaú e Bradesco, principalmente, vem aqui para reforçar esse seguro e garantir a segurança e a robustez do sistema financeiro. Então, o sistema financeiro brasileiro tem uma governança robusta, tem sim mecanismos sofisticados de acompanhamento dessa governança, e eu digo isso porque nós somos regulados,

fiscalizados e acompanhados o tempo todo, mas não é um sistema infalível como nenhum sistema infalível. Mas não tinha uma preocupação adicional? Não tinha uma preocupação que esses grandes bancos levavam ao Banco Central antes da decretação da liquidação? Olha, nós analisamos pela nossa atuação. De acordo com a nossa atuação, por exemplo, quando eu ofereço um valor acima do CDI para um cliente,

risco e de retorno adiante, eu sei quanto eu vou ter de rentabilidade para garantir aqueles 110, 105, 102% do CDI que eu ofertei. Então, eu acredito que as instituições e a normatização foi feita para que cada um que oferta arque e tenha os mecanismos de recompor essa carteira. Então, assim, quando você tem um CDB a 140% do CDI, se você olha o CDB isolado, tem uma variável.

no mercado. Se você olha o tipo de negócio que essa empresa traz, pode fazer parte do negócio dela. Não vou julgar a forma que foi conduzida. Agora, o que é que eu te falo? Preste sempre atenção, né? Quando a gente tem ali no mercado alguma oferta que não condiz com a realidade do mercado como um todo. E a velha lei, né? Da esmola muito grande, né? É. Então, eu te diria que, nesse aspecto, acredito que os reguladores tenham acompanhado, tenham tomado as decisões que têm sido tomadas,

Mas o que é que eu te garanto? Na gestão do Banco do Brasil. Não é o caso do Banco do Brasil, não será o caso do Banco do Brasil. E a gente precisa de aperfeiçoamento das governanças sempre que ocorrem situações como a que tem ocorrido ultimamente. É o seguinte, ainda continuando no Master também, uma herança desse caso é a crise no Banco de Brasília, no BRB. E tem havido conversas para um apoio dos bancos à capitalização do BRB que vai ser necessária.

se o Banco do Brasil participa dessas conversas e pode entrar em uma solução, qualquer que ela seja, para a capitalização do Banco de Brasília ou até num segundo passo, num caso mais extremo, para uma federalização do BRB? Olha, só deixando clara uma questão, eu não estou continuando no assunto que vocês trataram, eu estou falando do sistema como um todo, de qualquer desvio, de qualquer natureza.

até falei disso hoje com os colegas, assim, primeiro, a gente não tem informação que esta empresa esteja à venda para a federalização. De um outro lado, também, não fomos chamados nem consultados para discutir um possível aporte do crédito para aporte ao BRB. Então, assim, eu não tenho muita informação para te dar, porque, de fato, a gente não tem tratado desse tema. Mas só para aproveitar nisso, tem uma informação que circula por Brasil,

de que o Ministério da Fazenda e o Tesouro Nacional pediram especificamente ao Banco do Brasil e à Caixa que não olhassem os ativos do BRB, que não entrassem na operação do BRB, que é um banco que está sangrando, o governador Ibanez Rocha conseguiu aprovar agora uma lei que permite a capitalização do banco, uma tentativa do governo do Distrito Federal de resolver o problema do BRB, mas talvez seja inevitável que precise de uma ajuda federal.

para os ativos do BRB? Eu não conversei com o Ministério da Fazenda sobre isso. Mas eu te diria, Marta, que nesse momento eu estou muito preocupada com os meus ativos do Banco do Brasil, cuidando deles direitinho para que a gente consiga entregar o guidance de 2026, analisando principalmente os nossos ativos do agro e na previsão de que a gente tem em 2026 uma estabilização e inflexão dessa curva de inadimplência. E já que você está falando do seu guidance, eu queria aproveitar e te pedir uma explicação sobre uma decisão que vocês tomaram.

que foi pedir o diferimento de um pagamento de quase 2 bilhões ao Tesouro. Algumas pessoas leram isso como uma tentativa de melhorar o índice de Basileia, porque o banco estaria muito próximo dos limites dele. Se você puder explicar o que foi essa decisão, por que ela foi tomada, e isso de alguma forma pode ser lido como uma tentativa de capitalizar o Banco do Brasil? Não. Nós temos no banco uma responsabilidade e um plano,

de capital. E a gente segue isso muito à risca. Então, durante o período de 2025, nós tivemos ali provisões na monta de 60 bilhões de reais. A gente precisa cuidar desse capital futuro. Nessa previsão de capital futuro, um dos indicadores que trariam para nós ali algum decréscimo em capital era a questão do IHCD. Como outras instituições fizeram, isso já estava aprovado, já havia jurisprudência sobre esse tema, nós pedimos também. Não quer dizer,

que a gente necessite e que seja indispensável para a sobrevivência e para o capital do banco esse diferimento. Nós somos o único banco que vinha pagando integralmente essas parcelas e pedimos um diferimento até 2029, no pedido que foi feito. Na minha opinião, a questão não é o pedido, nem a leitura. É a publicização de algo que outros bancos também fizeram e que, para nós, é um plano prudencial. E o que é um plano prudencial no Banco do Brasil?

Nós temos um percentual bem acima do índice que Basileia coloca como um indicador de prudência. É um índice bem elevado em relação ao índice de Basileia, que a gente não quer tocar essa linha. Muito obrigado, porque agora a gente faz um intervalo rápido e volta em instantes com Tarsiana Medeiros. Pronto, Roda Viva está de volta com a presidenta do Banco do Brasil, Tarsiana Medeiros. Agora eu peço a pergunta da Camila Cetrone.

Marciana, quero falar com você sobre a economia do cuidado, porque eu acho que é um assunto muito importante, pensando que a gente está na Semana das Mulheres. Existem estudos que apontam que o trabalho não remunerado, e aqui eu estou incluindo cuidados com crianças, idosos e tarefas domésticas, que recaem muito mais em mulheres. Pode representar entre 8% e 12% do PIB brasileiro, embora não seja contabilizado formalmente na economia.

Em dezembro passado, o governo federal anunciou o início da implementação de um plano nacional de cuidado, inclusive disponibilizando 24,9 bilhões de investimentos até o ano que vem. Dito isso, que impactos esse plano poderia trazer para a economia do país, mas também para o dia a dia das mulheres? E como o Banco do Brasil pode contribuir, ou outras instituições também, para o fortalecimento dessa política e também para esvaziar esse gargalo de mulheres sobrecarregadas?

bastante endividadas, o índice delas de endividamento é de 76,9%. Então, eu queria te ouvir sobre isso. Primeiro, Camila, é importante a gente ressaltar que a economia, quando a gente fala da economia do cuidado, que representa entre 8% e 12% do PIB, é importante a gente falar que tudo que a gente não gasta entra como investimento. É um investimento a partir de um trabalho não remunerado,

e de pessoas que cuidam da família, principalmente mulheres que cuidam dos pais, idosos, que cuidam dos avós, que cuidam das crianças. Nesse contexto em que a gente fala da necessidade de educação e de independência financeira, esse programa vem para apoiar nesse processo de que essas pessoas tenham acesso à educação, a crédito e a independência, para que tenham condições de continuar cuidando mais

uma forma que a pessoa que cuida não se apague, não suma enquanto cidadão, enquanto cidadão brasileiro. Então, como que o Banco do Brasil pode apoiar nesse sentido e a gente já apoia? Primeira coisa, identificando quem são essas pessoas. Então, no momento em que eu tenho a capilaridade que o Banco do Brasil tem hoje de estarmos presentes em praticamente 98% dos municípios brasileiros, tratar desse tema com a cidadania

cuidadoras do município, é uma obrigação do Banco do Brasil. É mostrar quais as possibilidades financeiras que o banco, através de políticas públicas, pode oferecer, é obrigação do Banco do Brasil. Então, no instante em que eu tenho, em primeiro ponto, em primeira mão, a análise e a evidenciação de que existe essa economia e que ela pode ser movimentada,

e que ela pode ocorrer com dignidade, a gente já traz para a possibilidade de crescimento real da economia entre 8% e 12%. Então, você pensa, é 8% e 12%, que já não são remunerados, mas entre 8% e 12% de possibilidade de crescimento, de manutenção dessa participação, mas com crescimento, com políticas públicas adequadas. Então, eu acho que o banco tem uma missão muito grande de executar políticas públicas, principalmente aquelas que beneficiam extratos da sociedade,

sociedade que não são vistos, que não são corriqueiramente atendidos. E nesse sentido, o banco pode sim e vai colaborar bastante com esse processo. Mas a senhora acredita que já existe alguma ação implementada que consiga dar esse próximo passo? Para além das informações e tudo mais, mas atualmente já tem sido feito alguma coisa, tem caminhado de alguma maneira? Olha, eu acredito que sim. Escolas de tempo integral é um exemplo.

Quando a gente trata dos avanços do SUS no tratamento de pessoas idosas, é um exemplo.

que você pensa a necessidade que uma pessoa que cuida tem de acompanhamento do tratamento de um idoso pelas questões da idade. Hoje o governo tem políticas específicas para esses perfis. O SUS tem evoluído muito nesses processos. Então, quando a gente analisa o que tem sido feito, principalmente em relação às escolas de tempo integral, e de um outro lado, nessas pessoas mais idosas, com concessão de benefícios, inclusive,

já há, sim, avanços nesse processo. Precisamos avançar mais e avançar mais rápido. Mas já há avanços nesse processo. O que precisa também ficar muito claro é que essa questão é uma missão de todas as esferas do poder. Não apenas de uma política pública do governo federal, mas os governos estaduais e municipais têm um papel muito importante nesse processo. E as instituições no processo de execução dessa política pública. Muito bem. Eu tenho uma pergunta.

O Banco do Brasil é um banco público, portanto, tem uma função social diferente do banco, que é um mero negócio. E a senhora coloca muito a sua ênfase no lado social da sua gestão. Mas é o seguinte, o banco também precisa sobreviver, precisa alcançar índices de basileia e outros grandes mistérios do mundo financeiro e seguir regras. Então, eu queria lhe perguntar, quando tiver que fechar,

a agência numa cidade e andou fechando, se não me engano, em Salvador, até uma capital. Me corrija se eu estiver equivocado. Mas a impressão que eu tenho é que o negócio bancário hoje muda de perfil. Em função dos aplicativos, do acesso via internet, as pessoas precisam menos ir a uma agência física. Então, isso pode levar ao fechamento e tem levado já em várias redes bancárias

A gente sabe de municípios brasileiros que ainda não tem mais banco, por medo do cangaço, por medo ou por falta de clientes. E os Correios acabam acumulando esse papel, Correios que também não andam bem das pernas. Quer dizer, como é que a senhora compõe toda essa equação e resolve o compromisso social do banco, quando o banco também é um negócio que tem que sobreviver com as próprias pernas? Eu não tenho dado mais ênfase ao social.

Eu tenho dado ênfase a um social, que é a obrigação do banco, que o banco faz, mas que ninguém sabe. Eu tenho, no início da minha gestão, recebi algumas críticas sobre isso e eu continuo na minha convicção de que eu trabalho no Banco Público de Economia Mista. Eu sempre falei, e vou repetir hoje, que o resultado econômico não concorre com o papel social do banco. Eu tenho um banco que tem 50,01% de ações do controlador do governo federal,

99,99% de ações no mercado financeiro. 23% desses 100% de ações do banco é de capital internacional. Então, eu tenho ali a exigência dos investidores e dos acionistas do banco por resultado. Mas quem investe no Banco do Brasil, quem está conosco há muitos anos, e muitos investidores são de muitos anos, entende e sabe que o Banco do Brasil vai entregar o resultado econômico que ele se propõe,

entregar, mas que tenham obrigação social. E dessa obrigação social do banco, a gente não abre mão, porque nós temos realmente esse compromisso com a sociedade. Eu tenho falado muito da necessidade da evolução do atendimento com base na necessidade dos clientes. Então, o que a gente vai ter sempre? Eu vou ter o banco no formato e na necessidade que aquela população daquele município exigir. Eu não acredito no fechamento de agências por fechamento de agências.

Mas eu acredito na mudança dos formatos com base na necessidade do cliente que a gente atende. Então, na minha gestão, nós não fechamos nenhuma agência. Nenhuma agência. E nós não fizemos nenhum programa de desligamento de funcionários. Eu acredito que com a evolução da tecnologia, com a evolução da IA, com a evolução da mitigação e da extinção de processos, eu acredito que nós precisamos e teremos cada vez mais pessoas cooperando com pessoas.

adiante, é justamente o que a gente tem, atendimento humano. Quando a gente trata de dinheiro, quando a gente trata de doença, quando a gente trata de questões que são caras para nós, por mais que a gente recorra ao auxílio da IA, da tecnologia, eu quero falar com alguém. Eu quero olhar no olho de alguém. E aí, como é que faz isso na cidadezinha pequena, onde não há mais agência? Na cidadezinha pequena, onde nós temos agência, nós vamos permanecer com o ponto físico, quanto àquela população

mandar atendimento presencial. Nos grandes centros, nós vamos adaptar aquele atendimento para a necessidade do cliente. Então, eu tenho agências, por exemplo, que hoje funcionam de forma remota, porque o cliente presencialmente, fisicamente, não vai naquele ponto. Mas se ele precisar estar naquele ponto, temos funcionários para atendê-los lá. Isso não quer dizer o ponto físico, a presença do ponto físico com a porta aberta ou sem a porta aberta, não quer dizer falta de presença do banco.

Vamos adaptar organicamente a evolução da nossa rede à necessidade do cliente. Eu vou te dar um exemplo. Nós vamos inaugurar brevemente, em Belém, um modelo pioneiro do Banco do Brasil, reconhecido no mundo como experiência de atendimento ao cliente, que chama Ponto BB. Eu tenho, no mesmo local, atendimento da pessoa física, o atendimento da pessoa jurídica, o atendimento dos diversos perfis e segmentos de clientes, de forma conjunta, a prestação de serviços,

e parceiros clientes. Então, fizemos o primeiro em Recife, em 2024. Se mostrou um case de sucesso, porque o cliente não vai, talvez não vá mais a agência bancária sacar e transacionar. Mas se ele precisa abrir a empresa dele, se ele precisa resolver questões do negócio a que ele está vinculado, se ele precisa de educação, atendimento de empreendedorismo, por exemplo, ele vai frequentar não mais uma agência bancária tradicional.

mas ele vai frequentar uma plataforma de negócios. Então a gente acredita nesse modelo. Fizemos em Recife e brevemente teremos inauguração em Belém. O Vila falando de negócio é importante, é uma mulher à frente de uma instituição centenária e não podíamos ter uma entrevista mais significativa para esta Semana da Mulher. Muito obrigado pela sua presença, obrigado às colegas e à especialista que participaram, às universitárias. Feliz Semana da Mulher para todas.

E a gente encerra aqui com o nosso Eduardo Batistão, que faz agora a sua última assinatura no programa especial da Semana da Mulher. Vamos a ela. É verdade, são duas bandeiras, né? Principalmente um abraço para você aí de casa. Você fica a partir de agora com o Metrópolis. Uma boa noite e até segunda que vem.

RODA VIVA | TARCIANA MEDEIROS | 09/03/2026 | Castnews Index — Castnews Index