Episódios de Roda Viva

RODA VIVA | ERIKA HILTON | 30/03/2026

31 de março de 20261h20min
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Na última edição do Mês da Mulher, o Roda Viva recebe a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Eleita neste mês presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, ela se tornou a primeira mulher trans a ocupar o cargo na história do colegiado.

O Roda Viva vai ao ar toda segunda, a partir das 22h, na TV Cultura, no site da emissora e no YouTube!

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#RodaViva #TVCultura #SomosCultura #MêsDaMulher 

Participantes neste episódio2
F

Flávia Marreiro

HostJornalista
É

Érika Hilton

ConvidadoDeputada federal
Assuntos5
  • Direitos das MulheresViolência contra mulheres · Feminicídio · Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher · Políticas públicas para mulheres
  • TransfobiaExperiência de mulheres trans · Discurso de ódio · Direitos da população LGBTQIA+
  • Discurso de ódio e intolerânciaTipificação da misoginia como crime · Discurso misógino nas redes sociais
  • Bet EducarPapel da educação na sociedade · Valorização dos profissionais da educação · Regulação das Big Techs
  • PEC da Escala 6x1Mobilização por direitos trabalhistas · Redução da jornada de trabalho
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Boa noite, nós estamos juntos mais uma vez aqui no Roda Viva, transmitindo para todo o país pela TV Cultura e sua rede de afiliadas. Nossa convidada de hoje é a deputada federal, Érica Hilton.

Erika Hilton foi eleita em outubro de 2022 pelo PSOL, aqui do estado de São Paulo. Ela é uma das primeiras mulheres trans a chegar à Câmara Federal. Por isso, muita gente achava que Erika seria uma representante apenas dos interesses da população LGBTQIA+.

Só que a deputada tem ido muito além. Ela é autora do projeto de lei aprovado que cria proteção para a população em situação de rua. E agora mobiliza a discussão nacional em torno da mudança da escala de trabalho 6 por 1. E neste começo de ano, de eleição, a deputada foi escolhida presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. E o fato de ser uma mulher trans despertou discussão e questionamentos.

Para entrevistar a deputada, nós convidamos Ana Virgínia Balussier, repórter especial da Folha de São Paulo, Caê Vatiero, jornalista da Transmídia e Artigo 19, Clarissa Oliveira, analista de política da CNN Brasil, Fábio Turci, jornalista, Lumaza, cineasta, Tiago Amparo, professor na FGV em São Paulo e presidente da Comissão de Direito Internacional da OAB.

Temos ainda a presença dos estudantes de jornalismo de faculdades públicas e privadas do estado de São Paulo. O debate vai ser traduzido ao vivo, em caricaturas, pelo nosso brilhante Batistão.

Muito bem, e você que em qualquer lugar do mundo nos acompanha pode enviar perguntas pelo WhatsApp usando o QR Code que aparece durante o programa. Vamos lá, deputada, boa noite, muito obrigado por voltar ao Roda Viva, não é a primeira vez, né? Não é a minha primeira vez, boa noite Ernesto, boa noite a bancada, obrigada a vocês por me chamarem novamente, sempre bom estar nesse programa. A senhora era vereadora na época em que foi convidada pela primeira vez, muito bem.

Agora, a sua marca registrada tem sido sempre a da combatividade, a senhora não foge de discussão, de debate, e às vezes levanta a voz e não tem problemas com isso. Queria lhe perguntar, a sua indicação, a sua nomeação para a presidência da Comissão da Mulher...

despertou mil discussões, debates, controvérsias. E eu queria lhe perguntar, será que isso não serve, talvez, de uma distração dos temas da Comissão da Mulher?

Talvez foi o que tentaram fazer. Tentaram transformar em uma distração aquilo que, de fato, era importante e prioritário para a Comissão da Mulher. Porque nós temos hoje um espectro no Brasil que não consegue compreender algumas movimentações. A Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres tem pautas sérias, enfrenta no Brasil um momento duro.

Nós estamos diante de uma epidemia de violência contra as mulheres no âmbito digital, no âmbito pessoal. Cada dia que a gente liga o noticiário, nós nos deparamos com casos ainda mais estrondosos e, de repente, um debate que poderia ser muito produtivo do ponto de vista do que é que esta deputada...

tem de políticas públicas para as mulheres. Qual é a contribuição da deputada Erika Hilton para a defesa dos direitos das mulheres? Foi completamente contaminado por um discurso odioso, por um discurso de que talvez por ser uma mulher trans, eu fosse menos mulher e menos capaz de, dentro de um espaço da política pública, representar os interesses das mulheres brasileiras. E agora o nosso desafio vai ser esse. O nosso desafio vai ser não permitir que esta onda...

horrorosa que se levantou de mentira, de desinformação, de ódio, de ataques pessoais, possam continuar a protagonizar aquilo que de fato é importante para a Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres. Até porque as mulheres brasileiras esperam das instituições brasileiras respostas contundentes diante do aumento do feminicídio, diante do aumento dos casos de estupro, diante do aumento dos debates misóginos que acontecem produzidos por grupos como o Redspill. Nós, enquanto legisladores, nós, enquanto uma casa de leis,

Não podemos perder tempo debatendo conceitos ou até mesmo ódio. Nós precisamos não ancorar naquilo que de fato é esperado pela sociedade brasileira. Na sua visão, o quê? O que é esperado? Qual é a prioridade? Acho que a nossa prioridade nesse momento é de fato levar adiante as pautas de enfrentamento ao feminicídio, de proteção às mulheres no âmbito digital, meninas e mulheres que estão completamente expostas, vulneráveis.

Nós temos uma série de proposições importantes do ponto de vista da saúde da mulher, né, neonatal, nascimento das crianças. Existe uma série de matérias que são relevantes, que são importantes, que já tem projetos, inclusive, na Comissão das Mulheres, que precisam amadurecer, que precisam encaminhar e que essas mulheres estão esperando. Estão esperando do poder público respostas a todas essas ondas e a toda essa onda, inclusive, de desigualdade.

Porque nós precisamos também lembrar das mulheres rural, nós precisamos dar lembrada das mulheres trabalhadoras, nós precisamos lembrar das mulheres negras, nós precisamos fazer esse debate qualificado, trazendo a dignidade, a valorização. As mulheres têm sido tratadas recentemente de maneira generalizada como se fossem nada. São tratadas como lixo, com discursos que a tratam como lixo de maneira aberta e livre nas redes sociais.

A nossa prioridade é a valorização da vida das mulheres, a proteção dessas vidas, a dignidade e que todas as mulheres brasileiras...

pobres, trabalhadoras, indígenas, brancas, ricas, todas as mulheres possam ter dignidade, possam ter um lugar e que a Câmara dos Deputados também possa acolhê-las. E que isso não permita que mulheres transexuais e travestis também sejam abandonadas.

Quanto tempo nós demoramos para chegar a este espaço? Quantas de nós conseguiram chegar a este espaço? Será que seria justo? Será que a Constituição espera que nós sejamos abandonadas no primeiro país do mundo que mais nos mata? Eu acredito que não. O nosso trabalho é unir esforços com as mulheres brasileiras na sua multiplicidade, com toda a sua diversidade, para que nós possamos construir uma frente de proteção, de dignidade para todas elas enfrentar a violência, o patriarcado e a misoginia que tem matado e dificultado muito a vida das mulheres.

Agora, deputada, essa distração do foco principal que o Palha mencionou acaba se aproveitando do seu estilo de comunicação. Quer dizer, esse estilo, por vezes, ou frequentemente mais duro, um estilo de enfrentamento, ele acaba sendo usado para desqualificar a senhora em termos de...

Postura democrática, né? A senhora é acusada de não ser democrática por ter essa postura de enfrentamento. Isso a gente vê vindo não só do campo opositor, do campo da direita, mas inclusive dentro da esquerda. E é comum encontrar em fóruns, na internet ou fora dela também, pessoas com esse mesmo tipo de postura. Eu acho que uma boa parte dessa explicação vem da sua história e do que é ser uma pessoa trans no Brasil.

Talvez uma grande motivação da sua postura de comunicação seja a sua própria história. Agora, pensando em estratégia, pensando na necessidade de conquistar corações e mentes para além da sua base, a senhora às vezes pensa em rever o seu estilo de comunicação?

Eu acho que eu revejo, não só penso, Fábio, eu acho que eu revejo em muitas vezes o meu estilo de comunicação. Eu vou ser muito sincera com você que às vezes eu gostaria de ser até mais dura do que eu sou. Às vezes era preciso ser mais dura do que eu sou. Agora, há uma deturpação de algumas coisas que são colocadas para criar essa pancha.

de antidemocrática. Eu acho isso, assim, até um pouco curioso, tentarem atrelar isso à minha imagem, porque a gente não pode, e aqui eu quero evocar aquela reflexão de Malcom X, confundir a reação dos oprimidos com a violência dos opressores.

Nós temos, às vezes, algumas reações que são a medida necessária para que a gente possa fazer frente à onda de violência, à onda de ódio, à onda de ataque. Não dá para esperar que uma pessoa que está sendo apedrejada, que está sendo ridicularizada, que está sendo violentada, que está sendo negada da sua própria identidade...

reaja com flores e com palavras dóceis. Mas pensando nisso que você coloca, do ponto de vista da estratégia, muitas vezes eu acabo amaciando, muitas vezes eu acabo deixando de pontuar algumas coisas. Na primeira reunião, por exemplo, da Comissão das Mulheres, eu busquei adquirir uma postura mais dócil que eu era capaz de adquirir. E eu nem sabia que era possível ser tão dócil naquele momento.

Porque eu não achava que ali valeria a pena um embate, que ali valeria a pena colocar as minhas convicções e a minha visão. Eu ouvi coisas bárbaras que talvez outras pessoas não suportassem me escutar. Eu fui ridicularizada, eu fui agredida, eu fui violentada, mas eu estava na cadeira da presidência. Eu não quis fazer daquela cadeira um espaço de dar resposta àquelas ondas de ataque. Então, por óbvio que eu penso, e não só penso, atuo nessa medida, mas há muita coisa que é tirada de contexto.

por estas ondas de fake news, de ódio, de ataque, para dizer, olha, isso daqui acho que foi radical demais, isso daqui acho que passou do tom demais. E quando eu vou avaliar todos esses exemplos, porque, obviamente, em algum momento pode ser que eu fale, nossa, talvez, será que eu passei? Eu vejo que foi na medida da bordoada, na medida da violência, na medida do ato...

com o qual eu fui recebida. Então, eu acho que sim, faço essa ponderação, mas não dá para esperar o tempo todo que nós estejamos apanhando e sendo ridicularizadas e não respondamos a isso de alguma maneira. Deputada, eu queria continuar nessa pauta da estratégia.

Bom, eu acho que tantos decibéis gastos nessa questão da eleição para a comissão mostrou que a pauta trans divide o eleitorado. Uma pesquisa, por exemplo, da More in Common, mostrou uma boa aceitação para o nome social, mas malta a rejeição popular para o uso de banheiro feminino por mulheres trans ou a participação em esportes, que são considerados espantalhos eleitorais.

Quando tentar a reeleição, o presidente Lula, a quem a senhora apoia, qual o espaço que ele deve dar a essa pauta? Porque dentro do campo progressista eu vejo duas linhas. Uma que fala num recuo estratégico diante de uma chance real da vitória do bolsonarismo e outra que fala que é injusto pedir que uma minoria tão marginalizada pegue a senha e volte para o final da fila.

Qual linha a senhora seguiria agora? Eu acho que as duas linhas têm espaço. Porque se nós não formos estratégicos, não é para o final da fila que a gente volta. É para a vala, é para o noticiário dramático, é para a morte, é para a ausência da educação, das políticas públicas, é para o silenciamento total. Então a gente precisa ter esse cuidado estratégico, porque o que está colocado contra nós não é simplesmente um discurso de talvez essa pauta.

o uso do banheiro, que é um espantalho absurdo, porque você não tem como olhar para mim e dizer que eu deva ir a um banheiro masculino. Isso num país que mata, num país que estupra, num país que violenta. Isso é tudo narrativa para criar pânico moral, para fazer esses espantalhos. Mas agora, por óbvio, é preciso ter algum nível de estratégia para que a gente não vá com todas as pautas para cima de uma sociedade que ainda está muito ancorada.

na violência, na desigualdade, na desigualdade da informação, da compreensão do que são as pautas trans. Por outro lado, nós também não podemos ignorar esta agenda, porque ao ignorar esta agenda, nós nos tornamos refém da extrema direita, que a qualquer momento, quando nós falarmos de pessoas trans ou de debates LGBTs, vão querer usar isso para nos colocar contra a sociedade. E aí quando eu digo nós, não sou eu, porque eu sou essa sujeita. Eu falo em nome do governo, pensando na pergunta que você me faz.

Então, eu acho que precisa ter equilíbrio, precisa ter um misto de duas coisas. É preciso saber aonde que é um recuo estratégico, em qual pautas, em qual momento nós temos mais a perder do que ganhar, mas sem ignorar que, primeiro, nós somos sujeitas e sujeitos de direito, estamos na sociedade, votamos do presidente Lula. Mas o presidente Lula deve espontaneamente trazer esse assunto para a eleição, por exemplo?

Olha, depende de qual é o contexto do assunto, qual é a pauta do assunto. É o enfrentamento à violência? É mais oportunidades educacionais? Eu acho que tem que trazer, claro, o que vai estar colocado, atrelado a esta população. Porque muitas vezes as pessoas acham que o debate da população trans travesti no Brasil é esse debate que a extrema direita quer colocar como protagonista. Os nossos debates são outros. Nós queremos moradia, nós queremos trabalho digno, nós queremos proteção, nós queremos poder viver com a nossa família.

Nós queremos poder frequentar uma igreja, ter religião. Esta é a nossa discussão. Não me parece que se o presidente Lula trouxer esse debate para o debate público, seja algo ruim. Agora, precisa entender em quais circunstâncias, quais são as discussões. Não dá para abandonar a pauta da comunidade LGBTQIA+. Não vou nem trazer aqui só as pessoas trans, vou incluir toda a comunidade LGBTQIA+. Porém, em um país tão polarizado como o Brasil, com uma agenda tão odiosa...

Nós vimos agora o que é a minha eleição para a presidência da Comissão da Mulher. Abriu-se um esgoto. O ódio perdeu o pudor. É ódio de maneira descarada, mostrando que o Brasil ainda nutre profundamente um ódio à diversidade. Um ódio às pessoas trans.

Nós não podemos ser levianos diante disso. Temos que tratar esta matéria com responsabilidade, estas pautas com responsabilidade, mas em determinados momentos, alguns recuos estratégicos são importantes, porque, volto a dizer, se nós não dermos recuo estratégico para garantirmos um governo democrático que respeite a nossa agenda, que tenha uma pasta dentro dos seus ministérios que nos proteja, o que nos espera é a vala, é a morte, é o silenciamento completo das nossas agendas. Obrigada.

Deputada, queria retomar esse tema do enfrentamento à violência, porque na de hoje que você, assim como toda a população trans, recebe ataques odiosos nas redes sociais, em vários casos você tem buscado órgãos responsáveis para encaminhar essas ameaças.

Eu queria entender um pouco como nesses últimos anos de mandato você tem percebido a resposta das instituições frente a esses ataques. Houve omissão? Houve melhora? Como é que você tem percebido essa resposta, esse enfrentamento à violência aos seus ataques? A omissão, a omissão.

e há até, eu acho, muitas vezes, um certo desprezo a uma determinação feita pelo Supremo Tribunal Federal. Era importante que o Supremo Tribunal Federal não permitisse que alguns órgãos dos judiciários debochassem da sua decisão.

Porque quando nós acionamos o judiciário, nós esperamos que se faça cumprir aquilo que foi determinado pela Suprema Corte quando equiparou a transfobia, a LGBTfobia ao crime de racismo. E quando nós chegamos aos tribunais, na maior parte das vezes, o que nós vemos são arquivamentos de processos, o que nós vemos são dizer que ali não houve dolo, que não houve uma intenção de agredir a vítima. Então, assim...

Nós ainda estamos diante de uma dificuldade de poder fazer valer os nossos próprios direitos. Porque nós conquistamos o direito e agora nós precisamos brigar por eles. Nós precisamos brigar pelo direito de exercer o direito. Porque há uma determinação, LGBTfobia, transfobia é considerada crime. Quando nós vamos recorrer a algumas instâncias, nem sempre nós temos a resposta que nós achamos que deveria ser aquela resposta diante de crime. E eu não estou dizendo de casos que possa haver uma outra interpretação.

ou de casos que deixam margem para se questionar se de fato ali houve um crime de transfobia. Eu estou dizendo de casos graves, de casos abertamente transfóbicos e que muitas vezes nós temos uma grande dificuldade de conseguir emplacar uma legislação. Por isso que é tão importante que haja uma manifestação em algum momento do Supremo Tribunal Federal, do CNJ, dos órgãos responsáveis, para que...

as decisões judiciais sejam cumpridas. A lei precisa ser cumprida. E nós, diante do crime, e não só de homo-lesbo-transfobia, quando a gente vai pegar crime de racismo também, há uma dificuldade gigantesca muitas vezes de se aplicar a lei. Aí querem levar pra injúria, não querem enquadrar naquilo que a lei diz. Por quê?

Porque nós ainda vivemos em uma sociedade profundamente racista, em uma sociedade profundamente LGBTfóbica, e isso se reverbera, se reverbera no legislativo, mas também se reverbera nos tribunais. Agora, Dutada, a senhora vai concordar que a gente vive num momento em que o discurso de ódio dá voto. E dá voto para os dois lados. Então, quando a senhora reage com manifestações como aquela... E dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações, e dá voto para ficar com manifestações,

postagem que a senhora faz referência aos imbecis, ou, por exemplo, aquela situação do embate que a senhora teve com a deputada Júlia Zanatta, onde a senhora manda ela hidratar o cabelo, esse tipo de coisa também não alimenta, não dá munição para esses personagens parlamentares que estão fazendo esse discurso de ódio descrito pela senhora para ganhar voto e a senhora não retroalimenta essa dinâmica quando...

Reage com essa intensidade? Olha, não acho que eu esteja realimentando. Até porque esse discurso foi bom que você trouxe, porque na hora que eu respondi o Fábio e falava de ausência de contexto, eu me referi exatamente a esse discurso como rapidamente essas parlamentares e os parlamentares também pegaram um discurso que não tem nada a ver para dizer que eu estava chamando mulheres de imbecis e etc.

Aquele dia tinha sido um dia muito doloroso, muito difícil, muito desgastante, com uma enxurrada de ameaças de morte, de ridicularização, de pinturas nuas minhas circulando na rede social, porque esses grupos faziam. E a única manifestação que eu fiz no Twitter, e disse isso na primeira reunião da Comissão das Mulheres, se eu quiser chamar alguma das senhoras de imbecis, eu faria aqui, dentro da Câmara dos Deputados.

Eu fiz aquilo na internet me referindo a esses grupos odiosos, de head peels, esses grupos que me ameaçavam, esses grupos que faziam pintura. E eu acho que muitas vezes, e é o que eu respondi agora e vou retornar, naquele momento era a minha reação diante da violência, da barbárie, dos horrores e do absurdo.

Eu não sei se a senhora já teve fotos, caricaturas da senhora circulando de maneira aberta com a senhora nua nas redes sociais, sendo você uma parlamentar que acabou de ser eleita para a presidência da Comissão das Mulheres e aquilo endossado por pessoas sérias. Aquilo sendo tratado de maneira completamente leviana. Você sendo ameaçada de morte, você sendo exposta. A única reação que eu tive foi a renação da ironia, foi a reação do deboche.

Foi a reação do dizer, se isto incomoda a esta claque odiosa que está no âmbito digital, eu sinto muito, eu estou fazendo o meu trabalho e se transfóbicos e imbecis, e aí coloco cis em capsulox, jamais, de maneira nenhuma, para incluir todas as pessoas. Isso daí é algo que realmente foi usado, como sempre fazem esses odiosos, para gerar mais engajamento, para gerar mais clique, e me surpreendeu quando não só ficou com eles.

Quando eu vi jornalistas escrevendo artigos tentando legitimar esse discurso tão raso. Esse discurso que, para mim, não tem outra classificação, senão baixo e desonesto. Agora, não me parece que eu esteja alimentando a narrativa que eles esperam que eu esteja alimentando. Ali não precisa nada se alimentar.

Não, mas não é a narrativa, é a dinâmica em que o ataque contra ataque alimenta o jogo político eleitoral. É, não fiz com essa intenção. Não fiz pensando em alimentar o jogo político eleitoral. Fiz pensando em me proteger, fiz pensando em colocar uma posição contundente, fiz pensando em colocar uma posição firme e depois achei até que eu fui um pouco equivocada.

Não equivocada pela maneira e pelo tom, mas equivocada sabendo que o Brasil é o país que é, com parlamentares que nós temos, com escritório do ódio organizado para desorganizar qualquer coisa que você fala. Eu já tendo esse conhecimento, talvez eu deveria ter me precavido mais.

Eu deveria ter sido um pouco mais atento e pensado, será que elas não vão tentar tirar isso daqui de contexto? Será que não vão transformar esse texto em alguma outra narrativa? Nesse ponto, eu reconheço que eu fui um pouco ingênua, eu fui um pouco leviana, mas eu também justifico a minha ingenuidade diante...

da atrocidade da qual eu estava colocada e inserida e usei aquela manifestação para me proteger, assim como fiz no episódio com a deputada na Câmara dos Deputados, que também falava coisas horrorosas, estrondosas. E se eu precisasse responder na medida do que eu escutava, talvez o nível fosse de muito baixo calão.

Então, para não descer tanto nível, para não ser tão de baixo calão, eu preferi um comportamento que, em alguma medida, também não deveria ter usado, porque a gente não pode se nivelar por baixo. Ignorar é uma opção, deputada? Ignorar as provocações é uma opção?

Eu acho que em alguns momentos a gente precisa ignorar as provocações e ter sangue de barata. A gente precisa ter sangue frio e entender, olha, talvez não seja estratégico entrar nesse jogo. Porque muitas vezes o que acontece é que as provocações fazem parte de uma teia. É como se fosse uma aranha que coloca aquela teia ali para que você... Se você não vai, você consegue se preservar.

Se você vai, muitas vezes você é amarrada por aquela teia. Tudo é feito de maneira calculada. Então agora eu tenho pensado que em alguns momentos é preciso ter sangue frio. Só que eles também conseguem usar ferramentas de desestabilização muito forte. Eles entram em esferas e camadas muito profundas. E aí vai caber a nós fazer um exercício de respirar, meditar, calcular e não se permitir ser envolvida por essas teias. Ah, bom, desculpa, Tiago.

Deputada, a senhora mencionou um pouco do debate público, inclusive entre jornalistas, utilizando muitas vezes categorias que são associadas com rádio FEM, com feminismo radical, associando a condição de mulher com sexo biológico.

E a senhora entende que esse tipo de discurso é uma normalização da transfobia no debate público, porque há esses discursos que são discursos claramente transfóbicos, claramente ofensivos, mas também há uma normalização e uma utilização no debate público desse tipo de discurso.

focada em realidade material, sexo biológico, nesse sentido, e muitas vezes utilizando categorias, inclusive, da relatora da ONU atual sobre mulheres. Entende que esse discurso é uma normalização da transfobia e, como a senhora entende, muitas vezes até por ter acionado como estratégia a justiça nesses casos.

Ele é completamente uma normalização, Tiago, da transfobia. As pessoas acham que transfobia é só matar, só agredir, só bater numa pessoa trans na rua. E muitas dessas pessoas já se sentem constrangidas com esse tipo de discurso.

Então como é que nós vamos legitimando o ódio e a desigualdade a esses grupos, se não pela força bélica, se não pela força da violência? Nós vamos dizendo que essas pessoas são menos dignas da própria identidade, que elas não podem pertencer a determinados grupos.

que elas não podem requerer alguns níveis de participação, como, por exemplo, na comissão da presidência da mulher, e fazem isso com discursos muito simplistas, fazem isso com discursos que são violentos, com discursos que já foram, inclusive, descartados em outros períodos históricos. A eugenia era biológica para colocar uma condição menor da população negra, para dizer que a população negra era inferior à população branca. Nós tivemos ausciência sendo utilizada em números.

espécritos em inúmeros momentos para dizer e legitimar violência e barbárie contra determinados grupos na sociedade. E aí vão dizer, olha, esta mulher não pode representar um espaço de mulheres, porque não é a mulher fêmea, não é a mulher biológica, mas vão se silenciar, por exemplo, quando Sônia Maria é encontrada analfabeta, surda, na casa do desembargador e é uma mulher classificada nesse lugar. Por que você percebe que não se trata de defender um tipo de mulher?

Se trata de violar, de negar direitos, de aprisionar às margens outros tipos de mulheres, porque em vários casos de violência, de abuso, de encontros a trabalho análogo à escravidão, estas mesmas mulheres, em sua grande maioria, mulheres brancas, de classe média, mulheres que vêm do espaço universitário, não levantaram e bradaram as suas vozes.

Agora usam esse recurso biológico para legitimar, sem sombra de dúvida alguma, um ódio. Porque aí não é só uma questão genuína, honesta. Porque nós podemos trazer uma questão honesta. Ninguém está ignorando a biologia. Ninguém está desprezando os cromossomos. Ninguém está desprezando as genitálias.

O que nós estamos afirmando com segurança absoluta é que estes elementos não são os únicos elementos que compõem o gênero na sociedade. Uma mulher não é apenas a menstruação, não é apenas o útero, não é apenas a sua genitália. Uma mulher é mais do que isso, até porque nós teremos mulheres cisgêneras que não terão útero, que não menstruarão, que terão uma genitália ambígua, no caso de pessoas intersexo. E como é que dentro desse discurso simplista nós tratamos essas mulheres?

Como é que nós incorporamos ela, inclusive, dentro do debate da política pública? Então, não há dúvida de que nós estamos vendo uma instrumentalização da ciência, mais uma vez, para justificar o discurso de ódio. E aí trazem o discurso biológico e, na sequência, uma série de discursos completamente violentos e atroz. Eu aproveito a conclusão desse raciocínio para fazer um pequeno intervalo. O Roda Viva volta em instantes com Erika Hilton. Até já.

Pronto, rapidinho, estamos de volta com a deputada federal Erika Hilton no centro do Roda Viva. Agora é a vez da cineasta Lumaz a fazer a sua pergunta. Deputada, a senhora tem uma agenda diversa, mas nesse primeiro bloco que nós tivemos do programa, tudo percorreu a questão da sua identidade, o fato da senhora ser uma mulher trans. Me parece que os ataques, as violências que a senhora sofre são principalmente por esse marcador social que a senhora carrega.

Além do discurso pseudo-biológico que visa a nossa exclusão da sociedade, como a senhora enxerga a possibilidade de dialogar com um país que é ainda moralista muitas vezes e associado a um entendimento, a uma compreensão de religiosidade?

que muitas vezes nos exclui, nos desumaniza e, portanto, nos aparta de todas as discussões, inclusive de discussões muito urgentes, como as discussões trabalhistas e o fim da escala 6x1 que a senhora defende. Eu acho que primeiro a gente precisa lamentar.

o quanto a nossa cor de pele, o nosso gênero chega primeiro do que o nosso trabalho, do que as propostas que a gente defende, do que aquilo que a gente acredita. E eu acho que vai ser difícil romper com esse lugar. A sociedade ainda vai ter um desafio muito árduo. As próximas gerações talvez possam colher outros frutos de entender que nós somos mais do que esses marcadores que nos impõem. Nós temos trabalho, nós temos estudo, nós temos trajetória, nós temos uma...

quantidade de coisas absurdas que às vezes são sufocadas por uma questão de quem nós somos. Como se fosse um crime ser quem somos. Como se nós tivéssemos que pagar um preço altíssimo. Porque já que o nosso corpo não foi tombado em uma esquina, já que o nosso corpo não foi tombado na primeira oportunidade que tiveram de tombar o nosso corpo, então agora é hora de nós pagarmos o preço de não atingirmos o status quo de que muitos dos meus homens, meus colegas atingem e etc.

Então, primeiro, eu gostaria de lamentar isso, porque eu acho que é importante pontuar, né? Autoras de importantes matérias, por exemplo, em proteção e defesa do direito das mulheres, e desde o momento em que me torno presidenta da Comissão de Defesa do Direito das Mulheres, eu não tenho falado dos meus projetos.

Eu não tenho falado dos projetos de dignidade menstrual no tempo de crises climáticas. Eu não tenho falado do meu projeto de inclusão das mulheres em programas quando elas estão relacionadas à crise climática. A lei Ana Hickman, por exemplo, para que mulheres não precisem pagar a pensão de seus próprios agressores. Lei Maria da Penha. Uma série de debates importantes de proteção às mulheres tem sido completamente sufocado. Isso é parte de uma estratégia. Agora, eu acho que uma maneira que nós vamos precisar, Lumaza, encontrar...

Para bloquear, para quebrar esse bloqueio, em especial quando ele está atrelado ao debate religioso, é fazendo com que esta parcela importante da sociedade desperte das mãos destes cafetões da fé. Porque a diferença entre um pastor, um líder religioso e um cafetão da fé é aquele que quer lucrar em cima da esperança, do medo e da religiosidade das pessoas.

Nós vamos precisar fazer com que elas, já te passo, entendam que o evangelho, que Cristo, não quer que as pessoas vivam em guerra e sejam odiadas. Essa é uma narrativa do fundamentalismo. Essa é uma narrativa daquelas pessoas que querem continuar a enriquecer a sua própria família.

a criar patrimônios em cima da fé. Nós vamos ter que tirar desse adormecimento, essa parcela da população, para entender, olha, se Jesus voltasse amanhã, ele se sentaria conosco. Se Jesus voltasse amanhã, eles pediriam para aqueles que nos apedrejam para olharem os seus próprios pecados. Isso não é ensinamento cristão. Isso não é a vontade de Deus. Saia deste lugar.

Olhe para o seu irmão, trate o seu irmão como a si mesmo. Eu acho que quando nós despertarmos e arrancarmos das mãos desses cafetões da fé que se nomeiam pastores, se nomeiam líderes religiosos, mas estão enchendo. Nós vimos, por exemplo, no caso do Banco Master, uma igreja que tinha uma fintech. Uma fintech, uma igreja que tem um banco. Isso já traduz muito do que é essa minha interpretação sobre cafetões da fé. Mas me desculpa, você queria fazer uma outra observação.

Eu só queria complementar de como esse ódio costuma ser avalizado na nossa história e, ao longo do tempo, nós vimos uma inclusão acontecer de diversas minorias. A minoria negra, de alguma forma, PCD. É óbvio que muito aquém das nossas necessidades, muito, muito aquém dos povos originários, mas nós temos uma noção moral.

de que é equivocado o ataque a essas pessoas. No entanto, o ataque, a violência, inclusive o assassinato de pessoas trans, muitas vezes é concordado, aplaudido por parte dessa sociedade, usando justamente argumentos, muitas vezes, pseudobiológicos ou pseudorreligiosos para justificar essa agressão a nós.

E aí, como a senhora acredita que a gente possa trazer esse avanço, a nossa inclusão, a nossa presença, o nosso discurso, e transpor o nosso adjetivo como trans, sem sermos interpretadas dentro da nossa urgência como as mulheres loucas, nervosas, que não conseguem dialogar, quando, na verdade, do outro lado, o ódio está apontado para a nossa face.

Talvez eu não seja a melhor pessoa para te responder, como não ser enquadrada nesse lugar, tendo em vista que o tempo inteiro ficam buscando me enquadrar nesse lugar. E quando eu olho, eu penso, gente, mas eu estou completamente distante de tudo isso. Eu sempre busquei o diálogo, inclusive dentro do parlamento.

Se você perguntar para os deputados ou quando eu era vereadora, eu sempre tive um ótimo diálogo com todo mundo, tenho um ótimo diálogo com a sociedade, busco ter um ótimo diálogo com as populações, as camadas evangélicas da sociedade, porque eu acho que primeiro a gente precisa desmistificar.

Há uma mistificação do que são essas identidades. É como se essas identidades representassem por si só a destruição da família, a destruição do status quo. E eles se aproveitam desse pânico moral. É como se dissesse, a partir do momento em que a deputada Erika Hilton tem algum nível de dignidade, todo mundo vai perder. Todo mundo vai acabar. O que a gente entende de sociedade, o que a gente entende de família, meu Deus, o que a gente entende de banheiro, não vai mais existir. E isso vai gerando.

num nível de desigualdade e de desnivelamento mesmo de conhecimento nas pessoas, um medo, um pânico. E eu acho que uma das coisas mais importantes e potentes que nós podemos fazer é estar. Quando eu me coloco à disposição para encontrar esta briga, é porque eu quero estar. Eu sei o que eu vou enfrentar.

Eu sei as violências que vão me receber naquele espaço, mas eu preciso ser vista, eu preciso ser ouvida, eu preciso deixar que a minha narrativa sobre mim mesma também sejam contadas e não só a visão dos meus algós. E nós precisamos parar, enquanto esquerda, ou enquanto comunidade LGBT, ou enquanto qualquer grupo, de achar que nós temos que estar de um lado e que evangélicos, católicos, cristãos precisam estar do outro lado.

Isso é uma guerra que nós não criamos. Nós queremos andar ao lado de todo mundo. Nós queremos fazer valer as palavras e o ensinamento de Jesus Cristo. Eu cresci em um lar evangélico. E eu vi o Evangelho destruir a minha família. Eu vi os cafetões da fé usurpando o Evangelho, melhor dizendo, destruir a minha família. E quando a minha mãe conseguiu se conectar, de fato, com a verdade de Deus, com a fé dela, tudo passou.

Então eu acho que a gente precisa ir lá falar com as senhorinhas, ir lá falar com as pessoas e dizer, olha, isto que este homem está te falando não é o que está escrito no Evangelho, não é os ensinamentos de Cristo. Cristo nos ensinou a amar uns aos outros como eu vos amei. Será mesmo que Jesus Cristo quer ver esta onda de morte a pessoas trans, pessoas trans tendo o seu coração arrancado, logo ele que teve uma morte tão bárbara da maneira como nós assistimos? Eu acho que nós precisamos fazer esse tipo de conexão.

Porque a nossa presença, com essa fala e esse resgate, vai fazer com que as pessoas e a sociedade compreendam cada vez mais a naturalidade das identidades trans e travesias. Deputado, desculpe, só eu quero colocar aqui perguntas do público que vão exatamente na direção do que a senhora estava dizendo agora. Pulando, saindo, extrapolando a pauta mais imediata que alguns setores querem impor. Pergunta de Pedro Igor Pimentel, de Kixaramobim, no Ceará.

Qual o papel da cultura como política pública no fortalecimento das identidades nas eleições e por que isso incomoda tanto a extrema-direita? E eu acrescento outra pergunta da paulistana Luciana Basile.

Sou professora, vivencio diariamente os desafios da formação cidadã nas escolas. Na sua visão, qual é o papel da educação no combate às desigualdades sociais e na construção de uma sociedade mais inclusiva? E que políticas públicas concretas poderiam fortalecer esse processo dentro da sala de aula?

É muito bom quando a gente tem duas perguntas que unem cultura e educação, que são, na maior parte das vezes, o primeiro ponto que governos fascistas, autoritários, insistem em atacar. A cultura faz um resgate da nossa própria identidade, dos nossos próprios valores, dos caminhos que nós devemos traçar, dos caminhos que já foram traçados, abrindo horizonte.

A cultura quebra muitas vezes com aquelas caixas segmentadas com as quais nós estamos introduzidos e nos permite se relacionar, se incorporar com uma variedade de coisas, ideias, valores e pessoas que fortalecem muitas vezes a nossa própria identidade. E isso tem um poder gigantesco.

Porque pessoas que conseguem se conectar consigo, com a sua história, com o seu meio, com o passado, para desenhar o futuro, vão para uma eleição, que é a qual a pergunta se refere, com muito mais consciência. Com consciência de qual é esse futuro, de quais são essas histórias que devem ser recontadas, de quais são os valores que devem ser preservados. A cultura é um pilar importante, porque além de fortalecer toda...

Esta nossa relação com quem somos, com quem fomos e para onde vamos, ela também nos permite olhar para várias etapas da história e dizer, isso eu não quero mais, isso eu não quero repetir. E muitas vezes faz isso com uma leveza, faz isso através da música, faz isso através do cinema, faz isso através do teatro, faz isso através de uma série de coisas que são os pilares que sempre são atacados. E aí não à toa a educação. A educação muda as pessoas.

As pessoas mudam o mundo, já nos ensinou Paulo Freire. A educação faz e nos transforma em um pilar cada vez mais consciente. Não em pessoas que vão para a sala de aula aprender a ler, escrever e trabalhar de maneira robótica, como soldadinhos de uma organização capitalista para servir a sua mão de obra de maneira barata, mas como pessoas críticas.

conscientes do seu lugar no mundo, do seu papel no mundo, dos deveres dos legisladores a quais elas elegem, das obrigações que devem ser exigidas. A educação é o nosso pilar principal. E eu acho que uma das coisas mais importantes é, primeiro, a valorização dos profissionais da educação. Não tem como ter educação sem haver uma valorização dos educadores, dos professores, das tias de creche, das merendeiras, das pessoas que fazem com que essa escola funcione. E, segundo, uma educação que seja crítica.

Uma educação que nos faça refletir, uma educação que nos coloque para pensar. Não essa ideia de escola sem partido, por exemplo, que é ventilada, que na verdade tem um partido. O partido de fazer com que as pessoas fiquem completamente castradas de qualquer discussão pública, política, que as pessoas não tenham uma visão global, mas que as pessoas possam discutir tudo.

Que a escola permita com que o aluno, aluna, pessoa, estudante que lá está possa sair dali, não apenas uma pessoa formada, mas um cidadão para o mundo, uma pessoa que vai contribuir com a sociedade, uma pessoa com senso crítico, analítico. A senhora tem uma proposta concreta para a sala de aula, como disse aqui a professora Luciana?

Nós atuamos muito nessa questão da valorização dos profissionais. E eu acho que esta é uma questão extremamente relevante. Valorizar os profissionais, trazer uma melhor remuneração, tirar muitas vezes profissionais que viviam as sombras ali no magistério para que tenham uma categoria valorizada, respeitada. São projetos dos quais nós atuamos de maneira muito forte. Incentiva a leitura. É uma coisa muito importante. As pessoas pararam de ler.

As pessoas não leem mais, as escolas, os alunos não conseguem mais fazer esse uso da leitura. E a leitura é um lugar muito importante, tem uma relação direta com a cultura, porque o livro, a literatura, a ficção, o romance, etc. Mas também tem um papel importante no desenvolvimento.

no desenvolvimento das pessoas. As pessoas perguntam, deputada, por que a senhora fala tão bem? Acho que porque cresci em lar evangélico, frequentando os cultos das igrejas, mas obviamente porque li, porque comecei a ler Machado de Assis, foi o primeiro livro que eu li, depois fui ler Jorge Uol. Então eu acho que essas propostas que nós estamos trabalhando, mas há uma dificuldade muito grande.

Quando nós chegamos, por exemplo, num congresso que há pouco tempo tinha como presidente da comissão de educação um deputado que nada representa e nada apresentou para a educação. E isso não chocou tanto, isso não incomodou a sociedade. Um deputado que inclusive perseguia alunas menores de idade em banheiros, dentro das escolas que presidiam a comissão de educação.

Há um certo desprezo pela pauta da educação dentro do Congresso Nacional e entre outras pautas e a gente precisa ficar remando contra uma maré para fazer dizer que é importantíssimo valorizar esses profissionais, valorizar a educação como ferramenta importante e fundamental de transformação das pessoas que consequentemente transformarão a sociedade.

Deputada, eu queria bater um pouco mais nessa teca da identidade religiosa. A senhora já contou que foi líder evangélica de falar em línguas, esse dom comum nas igrejas pentecostais. Queria saber qual a sua relação com a fé hoje e por que a esquerda tem uma entrada tão limitada nesse campo? A senhora falou em cafetões da fé, mas há também uma resistência dentro do próprio campo em tratar com os crentes, como se eles fossem uma marcha a ré da civilização?

Concordo, Ana, com essa afirmação. A gente viu, por exemplo, o presidente Lula fazendo ali algumas propostas e projetos, o próprio dia do gospel para a população religiosa e evangélica, que tem uma importância, trazendo esse setor para dialogar e etc. Acho que há uma determinada ala, e aí é isso que eu respondia para a Lu, que talvez por conta da violência a qual, muitas vezes, essas populações são tratadas, esses grupos estão tratados,

acabam criando um certo espanto, um certo afastamento. E eu acho natural, eu acho normal que quando você é expulsa de casa pelo discurso religioso, quando você é empurrada para a prostituição pelo discurso religioso, quando muitas vezes, diante do genocídio, da morte, da violência, os religiosos acabam não fazendo aquilo que se espera para contrapor a essa narrativa, que determinados grupos tenham esse tipo de reação.

E por isso que eu tenho chamado cada vez mais a atenção e tentado buscar as pessoas para entender que dentro das igrejas há muita gente maravilhosa, potente, importante, que faz esse Brasil caminhar. As Donas Marias, os Seus Joãos, as obreiras, os próprios pastores. Há muito pastor bom, há muito padre bom, há muito pai de santo bom.

assim como também há muito pai de santo horroroso, há muito pastor horroroso, há muito padre horroroso. Acho que a gente não pode tratar como tudo fosse igual. Mas agora é muito importante que a gente consiga buscar um ponto de contato e diálogo para tirar essa dicotomia.

Essa divisão que não existe. Não existe esta guerra entre, pelo menos não da nossa parte, entre cristãos e comunidade LGBT. Isso não existe, nós não estamos propondo isso. Mas esses que eu trato como cafetão da fé, e não há outra nomenclatura.

Esta é a nomenclatura. Este é o termo que deve ser aplicado. Pessoas que se usam da vulnerabilidade, do medo, da precariedade, muitas vezes da ausência do Estado, para enriquecer, para manipular o Evangelho, para copitar almas e corações para o seu bel prazer, é isso que é o fundamentalismo. O fundamentalismo se coloca acima de Deus.

O fundamentalismo não se preocupa com a verdade de Deus, ele se sente superior. E aí nós vemos as lagoinhas da vida, entre tantos outros, que se colocam acima do evangelho para pegar o ódio e a violência. Mas eu acho que nós, enquanto espécrito político, que nós temos, por exemplo, figuras que fazem essa discussão, o meu partido tem uma figura, por exemplo, o pastor Henrique Vieira, que é uma pessoa que traz a teologia, que traz o debate do evangelho para uma outra, para um outro olhar, na busca de dizer, olha...

Não é essa divisão que existe. Não é tratar, como você coloca, como marcha ré esses grupos. É dizer, este grupo foi contaminado por gente mau caráter, por gente desonesta, por gente que acaba atrapalhando com que este grupo consiga entender de fato a sua importância, inclusive no papel eleitoral.

no debate político, nas eleições, e são contaminadas por um discurso raso, superficial, odioso, no qual eu acho que se nós não nos abrirmos a quebrar com essa dicotomia, a sentar com essas figuras, a dialogar com elas, a entender aonde estão esses medos, o que está colocado, o que está preocupando estes grupos sociais, vamos tratar.

Vamos falar, vamos conversar, vamos trazer outras vertentes, outras visões para que esses grupos possam trazer as suas próprias conclusões. Nós vamos sempre ser colocados como aquelas e aqueles que querem estar distantes ou que não sabem dialogar, ou que não podem, ou que não são capazes. E eu acho que isso é uma bobeira. Eu acho que nós, enquanto...

parlamentares ou enquanto sociedade, ou não importa, eu acho que nós temos o dever de conversar com todo mundo, em especial com um grupo tão significativo quanto são os cristãos no nosso país. E a sua relação pessoal com a fé hoje? Olha, a minha relação pessoal com a fé hoje eu acho que é nula, assim. Eu não sou uma pessoa muito da fé religiosa. Eu tenho muita fé.

Eu tenho fé na vida, eu tenho fé nas coisas que eu fiz, eu tenho fé nas forças da natureza. Eu acredito que há uma força divina que nos rege, mas essa força pode chamar Deus, pode chamar Oxalá, pode chamar Buda. Eu acho que a minha fé está muito mais em entender qual é o meu papel no mundo.

diante dos meus, diante das outras pessoas, do que esta fé religiosa, espiritual, de ir a uma missa, de ir ao culto. Mas eu estava recentemente gravando com uma importante liderança religiosa um vídeo para o seu podcast e eu disse para ele, eu não...

Tenho essa relação direta com a fé, mas eu estou sempre envolvido com religiosos. Porque há um carinho muito grande por muitos religiosos de todos os espectros. Das religiões de matriz africana, da igreja católica, da religião evangélica. E eles sempre me procuram para fazer orações, para fazer alguma coisa. E eu recebo. Eu recebo porque eu acho que a fé está no lugar de fazer bem, de ser boa ao outro. E eu vim da gerontologia, contava isso por Ernesto, e a fé tem um papel muito importante nos cuidados paliativos.

A religião tem um papel importante ali na hora da morte. Eu aprendi a me relacionar, me re-relacionar, nem sei se essa palavra existe, mas reencontrar-me com ela neste momento, fazer as pazes também com muitas mágoas, muitas dores e muitas violências que estavam ali colocadas. E hoje eu defendo que as pessoas possam ter a sua fé em um estado laico, experimentar e viver ela da forma que mais lhe agrada e que mais lhe atribua, mas que ela jamais seja usada para estigmatizar, para violentar e para pregar o ódio.

Eu gostaria de trazer o assunto da escala 6x1 na conversa com a senhora, porque é fato que a senhora foi uma peça-chave para essa mobilização. Na época em que o seu vídeo viralizou, eu conversava com o ministro do presidente Lula e ele me disse que a senhora tinha criado um problemão para o governo.

Porque o governo, sobre quando a senhora fez aquela postagem a respeito da escala 6x1 e aquilo ganhou aquela proporção enorme. E ele disse que a senhora tinha criado um problemão para o governo, porque afinal de contas, esta era uma agenda que o governo não tinha a menor intenção de abraçar naquela época.

entendia que havia uma resistência muito grande inclusive do setor produtivo, tinha tido confusão de taxa da blusinha, não queria trazer essa agenda e, segundo esse próprio ministro, ficaria muito chato para uma figura como o presidente Lula, que fez a sua carreira política como líder sindical, não apoia algo desse tipo. Então, que o governo estava numa saia justa. Mas aí chegou perto da eleição e de repente todo mundo abraçou.

Eu gostaria que a senhora fizesse uma interpretação sobre essa avaliação, uma avaliação sua a respeito dessa fala, e também qual que é o papel que a senhora atribui a si própria por ter conseguido fazer essa agenda avançar.

Eu não sei que ministro foi esse, Clarissa, mas eu imagino que hoje ele deve estar muito constrangido, talvez embaixo da mesa, olhando para todas as mobilizações que nós fizemos. No começo dessa discussão, não só esse ministro, mas eu acho que muita gente tratou esse debate como se eu fosse ser uma doida. Meu Deus do céu, vem mais uma esquerdista trazendo um debate sem pé nem cabeça, que não para de pé, que a economia não vai sustentar e etc.

Eu sinto que eu fui tratada desta maneira por muitas pessoas, em muitos lugares.

Mas as pessoas não esperavam que eu não estivesse fazendo um debate leviano, que eu tivesse buscado economistas, que eu tivesse buscado autoridades no tema, que eu tivesse estudado, pesquisado e tentado encontrar qual era o caminho para que essa discussão caminhasse. Nós já tínhamos exemplos em outros países do mundo, nós já tínhamos uma série de matérias que teciam sobre a redução da jornada de trabalho e nós fomos fazendo aquilo que...

Me dizia minha avó e muitas avós do Brasil, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Eu tinha convicção da minha agenda. A agenda que foi trazida ao meu mandato pelo movimento VAT, que é ouvida além do trabalho e que me parecia profundamente legítima.

Não é possível que nós mantenhamos uma estrutura de trabalho tão obsoleta como é a escala 6x1. E eu fui dialogando, eu fui trazendo os dados primeiros e eu fiz o primeiro feito. O primeiro feito foi conseguir ultrapassar o número de assinaturas necessárias para uma PEC em tempo recorde.

chamando a atenção da imprensa, chamando a atenção da sociedade. Depois, junto ao movimento VAT e outros movimentos, nós fomos colocando isso no coração das pessoas, que é quem pode decidir os rumos de uma política quando pressiona, quando demanda, quando dizem, eu estou cansada, eu quero ver a minha filha crescer, eu quero conviver com a minha família, eu quero poder ir à igreja, eu quero poder frequentar um culto. As mulheres evangélicos, os homens evangélicos dizem isso. A escala seis por uma e tira.

da minha própria fé. Então, nós fomos fazendo esse trabalho e fomos buscando o governo, que foi entendendo que esta era uma matéria importante. Mas que resistia originalmente. Olha, eu não soube de resistência tão abertamente assim como você traz. Houve, eu acho, um certo nível de atraso para entender essa importância.

buscando, houveram também algumas mudanças ali nos ministérios, o ministro Padilha, a intraministra Glaze, houve uma reconfiguração no governo, chega, tem a coisa do Sidônio, etc., e tudo mais, e isso eu acho que foi incorporando e criando um caldo muito importante para que o governo entendesse, essa matéria é importante, essa é uma matéria do Brasil, essa é uma matéria que os trabalhadores brasileiros, nós vimos uma pesquisa mostrando que 71% da população brasileira aprova a redução da janela de trabalho.

As pessoas estão cansadas, as pessoas querem um modelo de trabalho importante. O setor produtivo insiste em manipular números, em mudar dados, em trazer espantalhos para dizer que essa matéria não para de pé, mas todos eles vão sendo respondidos. Mas tem consequências econômicas também, vai ter consequências.

O mundo na vida tem consequências econômicas. Outros países do mundo que fizeram essas mudanças também tiveram as suas consequências. Mas foi mostrado que as consequências, se feita de maneira gradual e organizada, o resultado é muito mais positivo do que negativo. Essa ideia de que mais tempo trabalhado tem a ver com melhor produtividade já foi desmontada. O próprio México, por exemplo, que tem uma das jornadas mais exaustivas.

A gente vê que a produtividade dele é uma das piores e os trabalhadores trabalham jornadas exaustivas. Obviamente que há consequências ônus e bônus, há preciso fazer uma transição, mas nós temos experiências na América Latina, Chile, etc., que mudaram a sua jornada de trabalho e os bônus foram maiores do que os ônus e que não ficou comprovado que a redução do tempo de trabalho está atrelada à produtividade, porque isso tem a ver com tecnologia, tem a ver com uma série de outros elementos.

E eu acho que nós fomos conseguindo levar esses estudos. E aí o que eu fiz? Aí você me pergunta, como a senhora atribui o... Totalmente. Eu acho que eu fui a peça importantíssima. Porque de vez eu ir lá pressionar o governo e brigar com o governo, eu fui pedindo subsídios, insumos. Então eu pedi estudos, eu pedi...

É dados, eu pedi números, eu pedi informações para dizer, isso para de pé no Brasil? Porque eu não tinha todos os dados importantes. Micros e pequenas empresas e uma série de dados que foi, quando foram sendo produzidos e apresentados, mostraram que a matéria não só para de pé, mas poderia ser abraçada.

pelo presidente da República, e foi o que aconteceu. Em conversas com o ministro Sidoni, em conversas com a ministra Gleici, depois o ministro Guilherme Boulos, que foi para o Palácio do Planalto, nós fomos amadurecendo a matéria, nós fomos trazendo os subsídios necessários, e hoje esta é uma pauta importantíssima para o Brasil, para o presidente Lula, e o presidente da Câmara, Hugo Mota, já se comprometeu publicamente, já se comprometeu também nos bastidores a levar essa matéria para ser aprovada ainda no primeiro semestre.

Tem, há um momento para perguntar, há um momento para responder e há um momento também para fazer o intervalo que chegou. Mas, num rápido intervalo, voltamos já já com a deputada Erika Hilton. Até já.

Muito bem, estamos de volta com perguntas do público e eu confesso que sumiu a pergunta que eu tinha aqui.

mas a gente vai achá-la em um instante, peço aí. Mas vamos começar então pelos universitários. Sofia, da SPM, pode começar com a sua pergunta. Deputada, boa noite. Nós tivemos uma grande onda de ataques, a maioria disfarçado como liberdade de expressão, após a senhora ter sido eleita como presidente da Comissão da Defesa dos Direitos das Mulheres. De onde você acha que veio essa disseminação?

Eu acho que vem desse lugar de ainda as pessoas não compreenderem a diversidade como parte importante, inclusive da democracia. Eu acho que nós temos um processo que a gente repete muito e quanto mais a gente repete, parece que a gente vai banalizando. O Brasil segue sendo o primeiro país do mundo que mata mulheres como eu. Quando este país olha para esta mulher ocupando um lugar de espaço e de destaque, há uma necessidade gigantesca de se rebelarem para proibir, para limitar que outras continuem avançando.

É como se a minha chegada àquele espaço representasse uma ameaça brutal a um todo uma organização de aniquilação da dignidade, da vida, do pertencimento a esses grupos. Então é preciso atacar, é preciso tentar intimidar. E aí isso é proliferado por agendas, por políticos, por escritórios do ódio que fazem uma manutenção desse discurso para continuar...

a ferir, a violentar e a dizer, aqui não, aqui nós não aceitamos pessoas como você. Aqui não é o lugar para ter uma trans, para ter uma travesti, para ter grupos que historicamente não ocuparam esse espaço. Isso fica muito claro. E eu acho que por mais doloroso e difícil que possa ter sido esse processo, ele também é um processo pedagógico. Ele chama os movimentos sociais, ele chama a esquerda brasileira, ele chama os progressistas para olharem em qual lugar nós estamos. Não basta uma eleição.

Não basta as pessoas trans estarem representadas em determinados espaços. Nós ainda enfrentamos uma agenda de profundo ódio e intolerância à nossa existência. Nós vamos precisar fazer um debate mais profundo, na busca por dignidade, na busca por direito a viver, a existir em um país que ainda nos mata com requintes de crueldades tão bárbaro. Então, sem sombra de dúvida, eu acho que vem desse lugar.

Desculpa, eu queria dar chance para o Luan, metodista, fazer a pergunta dele, porque é bem exatamente nesse tema. Na verdade, a minha era um complemento da dela. A gente queria entender se você identifica de onde veio esse ódio todo, se ele é uma disseminação da oposição, se é transfobia, homofobia, uma junção de tudo isso.

E agora me permita, eu também vou juntar aqui a pergunta da Regina Almeida de São Paulo, como virar o jogo do ódio tão repetidamente incômodo no discurso da deputada Érica, num Brasil tão adoecido politicamente? Nesse contexto, qual seria o oposto do ódio? Podemos ter alguma esperança? Ótimo.

Nós nos deparamos, Luan, com perfis de extrema-direita patrocinando, pagando por discursos de ódio contra mim. Há um dossiê, um material vasto de parlamentares dos mais diversos campos do...

do Poder Legislativo Federal, Estadual, Municipal, de vários municípios do Brasil que financiaram, que pagaram, que impulsionaram discursos de ódio contra mim. Isso não é só orgânico, mas o que acontece? Há um planejamento, há uma organização que financia, que paga e que vai de encontro com o sentimento da sociedade.

Então você estimula o ódio, você que é um parlamentar em um Estado democrático de direito, que deveria prezar pela dignidade de todas as pessoas, não. Você vai lá, usa dinheiro nessas big techs poderosíssimas que circulam o ódio numa velocidade absurda e vocês financiam todo o discurso de ódio contra mim. Toda essa onda que nós vimos, ela não foi orgânica, ela foi paga.

Ela foi patrocinada, ela foi patrocinada por deputados federais, deputados estaduais, vereadores, colocaram dinheiro. E aí esse dinheiro vai de encontro com o que eu respondia para a sua colega. Ele vai de encontro com um sentimento presente na sociedade, que é o ódio à diversidade, o ódio à população trans, o ódio à comunidade LGBTQIA+, que é ensinado desde a infância, que é ensinado muitas vezes na escola, que é ensinado nas igrejas, que é ensinado pelas famílias a ridicularizar, a debochar, a achar engraçado você ironizar um coleguinha que é ensinado por um coleguinha.

que é diferente, porque todos nós somos diferentes. Então, quando você coloca o dinheiro e você tem uma cultura que não é reparada, não é tratada no seio da sociedade, isso vira uma coisa extremamente radioativa, uma bomba atômica. Então, você coloca...

o incentivo e, na sequência, você tem toda essa onda de radiação. E para nós fica o trabalho de, mesmo sendo agredidas, violentadas, apanhando, fazer esse exercício pedagógico, que aí eu entro na sua questão, na questão que, enfim, um telespectador trouxe, que é, nós precisamos falar de pedagogização, nós precisamos pedagogizar as pessoas, nós precisamos educar a sociedade.

Nós precisamos fazer com que a sociedade compreenda que nós estamos aqui, ficaremos aqui e que é importante não o amor contra o ódio, mas o respeito, a democracia, os direitos civis. Isso precisa estar assegurado, porque o ódio vai na mira exatamente de destruir esses valores, de nos roubar a dignidade, de nos roubar o direito ao banheiro, de nos roubar o direito à escola, de nos roubar o direito... E aí E aí

a uma série de camadas. Então nós precisamos ir no contraponto ao ódio fazendo esse exercício educacional, pedagogizando, desmistificando. Quais são os valores? Quais são as culturas que estão estruturadas? Como é que nós vamos revisando elas e colocando e implementando outros mecanismos e outras formas da sociedade olhar?

para a diversidade. A sociedade precisa mudar a fotografia que fez de nós. A sociedade precisa limpar o seu olhar sobre esses grupos para entender que nós estamos aqui o tempo todo batalhando apenas por dignidade. No Maza, por favor, sua pergunta.

Além da, a senhora falou da importância da educação e da cultura na formação, na constituição da nossa sociedade. Hoje, além do avanço da discussão da regulação das big techs, a regulação do streaming é uma pauta muito importante para a indústria audiovisual, que é uma indústria que move bilhões no nosso país e que tem encontrado uns anos de congelamento na produção.

por conta de streamings estrangeiros que vieram ao Brasil. E a partir da discussão da regulação, congelaram as suas produções. E tivemos, então, um avanço dentro da Câmara, indo para o Senado, com uma proposta de alíquota muito inferior ao desejado, seja de cota de tela, seja de condescine.

Como a senhora acredita, que ações a senhora acredita que são possíveis termos para proteger a nossa soberania enquanto produção cultural também, nesse momento com o avanço dessas empresas internacionais? A gente viu, acompanhou esse debate.

com certa preocupação de como é que o texto sairia no fim das contas e você já traduz como é que ele saiu muito abaixo daquilo que ela esperava por conta desses lobbies mesmo, que essas empresas estrangeiras fazem dentro da política brasileira para que nada saia diferente daquilo que eles querem, seja no streaming...

ou seja, nas próprias plataformas digitais. Nós tivemos uma explosão do debate da regulação das redes sociais. Se tirou o relator, se colocou debaixo da gaveta e nunca mais se falou dessa matéria, exatamente porque há, sem sombra de dúvida, uma influência gigante do lobby. A gente precisa garantir cada vez mais incentivo ao nosso setor, incentivo à nossa produção local.

garantir que haja espaços. É preciso enfrentar essa discussão com seriedade. É preciso enfrentar esse debate com responsabilidade. Como é que nós estamos perdendo espaços dos nossos produtores, do audiovisual, do nosso cinema, da nossa produção, para essas empresas estrangeiras que vêm para o nosso país e que muitas vezes a contribuição que deixam para o nosso país é zero.

Não investem na nossa educação, não investem na formação, por exemplo, dos nossos profissionais do audiovisual, porque poderia ser uma contrapartida. E aí já é a minha resposta. Eu acho que esses são os caminhos. Então vai lucrar com o filme, vai lucrar aqui no nosso país. Nós queremos saber qual é o resultado, o que vai ser deixado para a população brasileira. E não é que nós somos inimigos do streaming.

Não é que nós somos inimigos das plataformas, é que nós achamos que é preciso ter responsabilidade, de um lado, do discurso de ódio, e do outro, dos nossos profissionais que estão aqui trabalhando, sou Catiane, como você coloca, deixando de produzir porque já não conseguem mais, porque foram engolidos por essas.

por essas grandes empresas de streaming. Então eu acho que um dos caminhos é, primeiro, o maior incentivo para que nós possamos cada vez mais valorizar e colocar recurso na mão do nosso audiovisual, das pessoas que produzem e fazem o nosso audiovisual brasileiro, mas por que não? Por que não pedir uma contrapartida?

Por que não pedir para que se deixe parte desses lucros aqui, para que inclusive financie, fomente esse incentivo? Da onde sai o dinheiro? Pode sair da mão dessas grandes empresas. Eu acho que a gente precisa fazer essa mudança e esse movimento para garantir que a gente não vá...

sumindo, pra que a gente não vá desidratando, pra que a gente não vá desistindo, que já é um setor muito difícil, mesmo antes do streaming. A gente sabe que já é um setor que opera com muita dificuldade, porque há muita falta de incentivo, há uma desvalorização.

Até um certo olhar um pouco viralatista de quem olha para essa produção nacional como se ela fosse inferior à produção estrangeira, que está impregnado na cultura do nosso país. Mas quando chega essa produção com essa velocidade, da maneira como ela chega, sem muita regulação, essa desidratação que já existia, mas que ainda se mantinha, vai levando quase que para um lugar de asfixia esse setor. E a gente precisa entender como é que a gente... E aí

valoriza isso e aí você coloca na sua pergunta uma palavra muito bonita que muitas vezes não entra dentro dessa discussão. Soberania. A soberania é proteger o nosso setor. A soberania é proteger aquilo que é produzido na nossa casa. A soberania é defender os interesses da nossa gente em todos os aspectos. Inclusive no aspecto da produção audiovisual e a gente precisa fazer essa discussão. Isso foi pro Senado, eu imagino que deva voltar pra Câmara e a gente vai continuar insistindo pra que haja uma regulação, mas pra que haja também uma certa responsabilidade e...

dessas empresas com o nosso setor, com o nosso setor audiovisual. Professor Tiago Amparo, estamos falando de cultura, de educação. Deputada, continuando na pauta de educação, um dos espantalhos, para usar a expressão que a Ana utilizou antes,

dentro da pauta eleitoral, justamente sobre educação a respeito de saúde sexual reprodutiva nas escolas. Recentemente, na semana passada, saiu uma pesquisa no Ministério da Saúde e de Educação que disse especificamente que o número de estudantes brasileiros adolescentes de 13 a 17 anos aumentou o número daqueles que relataram de forma forçada a ter relações sexuais e, ao mesmo tempo, diminuiu o número de estudantes que receberam algum tipo de orientação sobre...

prescrição de gravidez, HIV, infecções sexualmente transmissíveis, a questão de preservativos, etc. Ou seja, mais pessoas relatam violência, mais adolescentes relatam violência e mais adolescentes relatam não terem recebido nenhum tipo de instrução nas escolas. Como que a gente pode falar dessa pauta sem que ela seja cooptada por uma dicotomia e por uma polarização e discutir isso de uma forma que as pessoas entendam que pode não ser um espantalho?

Eu acho que enquanto nós não fazermos esse debate com seriedade, mostrando que ao discutir esta pauta com as crianças, adolescentes, nas escolas, o que nós estamos tentando prever e minimizar são esses dados absurdos. Os dados da violência, o debate sobre sexualidade, sobre gênero, sobre direitos reprodutivos, sobre o próprio corpo, ele é um debate não para...

catequizar para a comunidade LGBTQIA+, como se tenta colocar quando nós vimos, por exemplo, aquelas ideias de kit gays, mamadeira de piroca, que era tão fantasiosa, mas que conseguia encontrar em alguns lugares pessoas que compravam esta agenda.

Essa discussão é uma discussão para fazer com que as pessoas compreendam a importância do seu próprio corpo, dos seus próprios direitos, de entender, inclusive, identificar o que é ou não é uma violência, o que é ou não é um toque abusivo, há quem recorrer diante dessa discussão. E o que a gente precisa levar para esse debate, quando nós queremos falar com a sociedade de maneira mais aberta, é dizer que esse debate não está atrelado à comunidade LGBTQIA+, exclusivamente.

Esse é um debate de nação, esse é um debate para a sociedade, para meninos e meninas que vão à escola e que precisam entender essa discussão e que não são pessoas LGBTs. Podem ser crianças cis, heterossexuais, quando desenvolverem a sua sexualidade, serão pessoas que não estão no espectro, mas que nós precisamos debater para minimizar os índices de abuso de violência. E automaticamente, não só da violência sexual, mas inclusive da violência doméstica.

Porque quando a gente vai discutindo o papel da mulher, o papel do homem, o corpo, os direitos, etc., nós vamos criando meninos mais conscientes. Nós vamos criando meninos que compreendem a natureza das mulheres, entendem a sua... com naturalidade.

Não é um espantalho, não é um mundo do qual os meninos são educados, que eles devem se manter distante, que eles devem odiar, que eles não podem replicar nada daquilo. É um mundo da humanidade. E eu acho que quando a gente faz isso neste viés, nós temos mais chances de emplacar. Mas é que nós estamos diante de tempos muito malucos.

E a gente não sabe como é, em qual oportunidade que essas pautas são cooptadas. Em quais momentos a coisa é distorcida completamente e vira uma outra coisa. Mas se eu pudesse te responder, eu diria que nós temos que ir por esse caminho. O caminho do enfrentamento à violência, o caminho do enfrentamento à onda de abuso, de ataque às mulheres e da própria compreensão do próprio corpo e da própria identidade como um debate natural, um debate de ciência, digamos assim.

Bom, o Roda Viva agora faz mais um intervalo rápido, último de hoje, e voltamos em instantes com a deputada Erika Hilton. Até já.

E aí

Bem, nós estamos de volta com a deputada federal, Erika Hilton, e eu queria justamente pedir para a senhora, a senhora que é muito ativa e utiliza muito a justiça para se contrapor a comentários e a adversários. E hoje, mais uma vez, a senhora pediu à AGU que adote medidas contra Flávio Bolsonaro por ataques ao processo eleitoral. O que é exatamente o alvo nesse caso?

Eu gosto muito que essa pergunta venha depois da minha resposta citando o viralatismo, porque ela exemplifica o que é o viralatismo. Quando a gente tem um candidato à presidência da República que vai a outro país, uma nação estrangeira, praticamente vender o Brasil e ainda faz acusações muito leviana, o bolsonarismo sempre atacou a lisura das urnas, eles não acreditam em eleições.

mesmo tendo-se elegido por eleições, pelas urnas eletrônicas, nós vimos na tentativa de golpe um ataque direto ao processo eleitoral. E agora nós vimos nesse discurso, que não me parece um discurso de alguém que quer presidir uma nação.

de alguém que quer fazer valer os direitos do povo brasileiro. Ninguém que quer defender o Brasil e os brasileiros vai aos Estados Unidos oferecer o seu país e pedir, inclusive, interferência dos Estados Unidos nas eleições. Mas mais do que isso, ele fez uma acusação de que o governo Biden havia interferido nas eleições para favorecer o governo Lula sem nenhum tipo de prova.

colocando em xeque, colocando em questão a credibilidade, a lisura do processo eleitoral. Isso é muito grave. É muito grave porque nós acabamos de viver um 8 de janeiro. É muito grave porque nós vimos uma série de gente desorganizada, entrando, invadindo os poderes da República, defecando sobre as mesas. E nós temos uma figura que quer se colocar como mais moderado, que quer se distanciar, inclusive, do que foi o pai.

Fazendo esse tipo de acusação completamente sem uma prova, leviana, irresponsável, criminosa. Pelo menos é a minha avaliação e aí eu acho que caberá a AGU dizer ou não, se foi ou não foi criminosa. Mas a gente não pode permitir que um candidato à presidência da República, além de vender os interesses do povo brasileiro aos Estados Unidos antes mesmo de ser eleito, ainda faça algum nível de ataque ao processo eleitoral brasileiro.

Fábio? Deputada, eu queria fazer uma pergunta para a senhora sobre um outro tipo de ódio ao qual o Congresso também está debruçado, que também atinge a senhora, que é a misoginia. Foi aprovado pelo Senado, votação unânime, 67 a 0. O projeto de lei que tipifica a misoginia como crime vai agora para a Câmara. Talvez seja uma das primeiras grandes matérias que a senhora vai ter que defender agora como presidente da Comissão da Mulher. Mas depois desse início à frente da Comissão...

tanto o enfrentamento com os adversários, o nome da senhora sendo levada ao Conselho de Ética, inclusive. Que força a senhora acredita que tem, nesse momento, para defender o projeto da misoginia na Câmara? Eu tenho a força das mulheres brasileiras. Eu tenho a força daquelas que já não suportam mais ver tanto discurso de ódio sendo reverberado, sem nenhum tipo de responsabilização. Não é eu por eu que faço as lutas e encampo as vitórias.

É uma coletividade de mulheres que lutam contra o PL do estupro, de mulheres que lutam contra o PL da pedofilia, de mulheres que acreditam, sim, que o Brasil pode ter uma legislação que as proteja no ambiente digital. Nós vimos o que foi a repercussão do meu vídeo dentro desse tema e nós vimos o que é curioso, Fábio, que aqueles mesmos que me atacam e me atacaram são aqueles que estão atacando o projeto da misoginia.

Estão criando uma dicotomia como se o projeto da misoginia fosse um projeto que colocaria homens contra mulheres. Que tipos de homens são esses quando nós lemos a redação? Quando nós olhamos para o texto do qual o projeto se refere? Nós estamos falando de discurso de ódio, de ameaça, de tratar as mulheres como lixo na sociedade. E esta mesma extrema direita.

que criou todo um espantalho diante da minha eleição para a comissão das mulheres, agora quer criar o mesmo espantalho para tirar o foco daquilo que é importante. É preciso proteger as mulheres, é preciso dar fim ao discurso misógino, às práticas misóginas, e nós vamos com essa força. Nós vamos atrelado aos movimentos feministas, nós vamos atrelado às mulheres, às meninas, aquelas que atuam no ambiente digital, no ambiente profissional.

todas as pessoas que já não mais suportam a violência que está cada vez mais escancarada e que acreditam sim que esta é uma proposição eficiente para dar fim a esse discurso que está sendo feito, como eu disse no início da nossa conversa, sem pudor. É como se houvesse uma legalização, é como se fosse legalizado tratar a mulher como coisa, incentivar. Nós vimos aquela trend de que se ela me dizer, não, eu vou dar tiro, eu vou dar facada, se isso não for controlado agora.

Com políticas e legislações específicas, nós não saberemos aonde nós vamos parar. Então é com a força dessa consciência que está acordada na sociedade que nós vamos fazer esse enfrentamento contra aquelas pessoas que querem continuar a proteger estuprador, quer continuar a proteger discursos redpill e misóginos na vida e na sociedade. Caí.

Pegando esse gancho sobre as Big Techs, a gente tem visto essa onda de conteúdos redpill, misóginos. Ao mesmo tempo, a gente teve aprovado o ECA Digital, importantes resoluções, inclusive, do TSE, falando que as plataformas devem remover imediatamente conteúdos de violência contra a mulher. Mas essas também são regulamentações que atuam no sintoma e não necessariamente na causa estrutural, no monopólio que se tem dessas Big Techs no sentido político-econômico.

Como que a senhora tem visto os desafios de enfrentar esse debate no Congresso? Especialmente pensando agora no período eleitoral também. Muito difícil. É o que a gente dizia sobre a regulação. Há um lobby muito forte, há muito dinheiro. Essa trend que eu citava agora, isso já precisava ter caído no primeiro vídeo que foi colocado. Essa trend não caiu porque o TikTok entendeu. Ela caiu pela mobilização. Porque a sociedade fez um movimento de denunciar, de se manifestar, de dizer, etc.

Não porque a plataforma já tinha um mecanismo de identificação, de rastreio e diz, olha, isso é discurso de ódio, isso é violência contra as mulheres e nós precisamos interromper. Então nós temos hoje um lobby gigantesco que rende muito a alguns setores da política.

que dificulta com que a gente faça uma discussão para dizer internet não é terra de ninguém. E não adianta só apagar o vídeo, banir o vídeo, depois que ele já circulou na mão de milhares, milhões de adolescentes, de pessoas. É preciso haver mecanismos de prevenção. É preciso que a plataforma identifique o discurso de ódio e automaticamente impeça. Eu tenho um projeto que fala da desmonetização dos discursos de misóginos e redpill. Não é possível que alguém ganhe dinheiro.

agredindo mulheres, meninas, crianças nas redes sociais. Não é possível que nós vivamos nisso, que as pessoas ganhem dinheiro, que elas vá lá, produzam um vídeo, façam um discurso de ódio e que ela receba dinheiro por isso. Nós precisamos desmonetizar esse tipo de conteúdo, nós precisamos banir esse tipo de conteúdo.

E nós precisamos garantir que as plataformas tenham responsabilidade sobre esses conteúdos e que hajam mecanismos rápidos de identificação desses conteúdos para que eles sejam banidos na primeira hora e não depois de semanas circulando e por conta da sociedade os conteúdos serem banidos.

Deputada, eu queria falar um pouco sobre política partidária. O pessoal enterrou a ideia de formar uma federação com o PT, o que foi considerado uma derrota para o grupo representado pelo ministro Guilherme Boulos e pela senhora. Cogitou-se uma debandada que poderia implodir o partido. Queria saber se a senhora estava na ala de que queria ficar no partido ou sair dele.

Eu estava na ala de que nós precisávamos debater qual era o nosso futuro, porque nós avaliamos como uma decisão profundamente errada. Não só errada para o partido, errada para o campo da esquerda, que poderia se fortalecer dentro da Câmara dos Deputados, no Senado, no Congresso como um todo, poderia fazer cadeiras em estados que não tem nenhum.

candidato do campo progressista, são seis estados que não há um partido entre PSOL, PT, PCdoB, etc., do campo progressista fazendo. Então, nós avaliamos isso como uma decisão que, muito mais a pequena do que engrandece as discussões e as disputas que nós queremos fazer. Eu estava nesta ala.

De diante dessa decisão, nós entendemos qual era o nosso caminho. Mas nós entendemos que o PSOL é um partido importante, um partido que encampou e trouxe agendas muito fundamentais ao Brasil, é um partido que tem um papel importantíssimo para o campo da esquerda brasileira e que talvez a minha saída, a saída do ministro Guilherme Boulos e outras figuras, pudesse acabar extinguindo o partido, não permitindo que o partido atingisse a cláusula de barreira.

Então nós entendemos que nós tínhamos um papel a cumprir, que nós queríamos ajudar a continuar a construir e a fazer esse partido caminhar, talvez repensar, reolhar as suas decisões, mas que nós tínhamos, temos, não só tínhamos como temos, um respeito à trajetória, à jornada, aquilo que o pessoal representa para o campo político da esquerda e que a nossa permanência, inclusive nesse momento eleitoral, era profundamente importante. Então eu estava nesse campo, no campo da discussão, do entender os rumos.

Tomamos a nossa decisão, soltamos uma nota essa semana e estamos aqui ajudando esse partido que nós acreditamos muito a fazer as disputas contra o bolsonarismo, contra a extrema direita e contra toda essa agenda de ódio que está colocada. Deputada, sobre essa disputa... Não, não, fica à vontade.

Vamos lá, rapidinho, um minuto. Sobre essa disputa com o bolsonarismo que a senhora está falando. A senhora disse no fim do ano passado que o bolsonarismo faz um cálculo eleitoral muito burro e lançar Flávio Bolsonaro ele não ia dar em nada, mas ele está numericamente à frente do presidente Lula nas pesquisas agora e a campanha nem começou direito.

Acho que isso já justifica bastante, né? A campanha não começou direito. Mas a senhora acha, mas não houve também um menosprezo aí do tamanho que Flávio Bolsonaro pode tomar? Olha, eu acho que Flávio Bolsonaro deve, não deve se manter nesse tamanho, né? A sua frase foi, não vai vingar.

Eu acho que o presidente... Na verdade, a minha frase é baseada nas próprias tentativas de vender a sua candidatura. Flávio Bolsonaro tentou negociar inúmeras vezes a sua candidatura. Flávio Bolsonaro não se colocou como uma figura que vinha para ficar. Nós vimos, inclusive, anotações que saiam com valores que eram cobrados. E eu acho muito difícil, Clarissa, até as eleições, o candidato continuar a jogar para debaixo do tapete a quantidade de polêmicas que envolve o nome dele. E aí não é simplesmente...

uma frase nas redes sociais, é milícia, é rachadinha, é um queirose, tantos outros casos que nós vamos trazer. Do outro lado, o presidente Lula tem muita entrega para ser apresentada, tem muita coisa ainda para ser contada para a sociedade. A minha avaliação era exclusivamente diante da postura de uma pessoa que chegava para o debate público, que chegava para o debate político, mas ficava negociando.

a sua candidatura o tempo todo, rifando, fazendo um nível de chantagem. Agora, os números mostram que nós teremos uma disputa bastante acirrada e precisaremos fazer um enfrentamento bastante contundente, mas talvez esses números vão sendo transformados a depender da corrida eleitoral. Vamos acompanhando pesquisa, pesquisa, episódio, episódio, para garantir, para saber se de fato isso se mantém.

Muito obrigado, nosso tempo chega ao final. Deputada Erika Hilton, muito obrigado pela sua presença. Eu que te agradeço. E esperamos vê-la outras vezes aqui também. Eu agradeço também aos colegas que dividiram essa entrevista comigo, os estudantes do jornalismo e o nosso Eduardo Batistão, que faz agora a última assinatura deste programa.

E muito obrigado a você que nos acompanhou até agora e a partir desse momento você vê o Metrópolis. Uma boa noite, até segunda que vem.

Legenda Adriana Zanotto

RODA VIVA | ERIKA HILTON | 30/03/2026 | Castnews Index — Castnews Index