João Bigos Campaniço, Nuno Calado e Vitor Rua
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Fernando Alvim
João Bigos Campaniço
- Filme Rua, Isto Não é um Filme, é um CometaOrigem da ideia para o filme · Processo de criação e edição · Revelações sobre António Variações e Mamma Mia · Estreia no Indie Música
- A vida e obra de Vítor RuaDiversidade de géneros musicais explorados · A sua personalidade e humor · A história da 'lesma' e a poesia concreta · A sua relação com o grupo Estalecto
- Cenário musical em SalvadorFalta de espaços para tocar · Câmaras municipais e contratação de nomes maiores · Bares e a necessidade de pagar para tocar · Comparação com outros países · O papel das garagens como pontos de encontro
- Tendências Musicais e Convergência de GênerosA linha ténue entre os dois estilos · Exemplos de bandas que transitaram · Transformação do mainstream em alternativo · O estilo de vida associado à música alternativa
- A relação de António Variações com Mamma MiaDescoberta da semelhança entre temas · Possível roubo de melodia
- Vida Extraterrestre e Equação de DrakeA vastidão do universo e a probabilidade de vida · A velocidade da luz como limite para viagens espaciais · A evolução da vida na Terra · A criação divina e a perspetiva científica
- Indústria MusicalComparação entre editores do passado e do presente · A influência das redes sociais na contratação de artistas · A frase 'o povo não gosta disto' como fascista
- O que é ser 'betinho' e a sua relação com a música alternativaA falta de autenticidade em ser 'betinho' · O humor como forma de abordar os 'betos' · A impossibilidade de um 'beto' ser genuinamente alternativo
- Cultura e política em PortugalA impossibilidade do punk em Portugal · A diferença entre o punk internacional e o português · A necessidade de um caráter pessoal para ser punk
Este programa tem o apoio do Alfa Romeo Jr. E é só conversar.
Se quiser ouvir, whatsapp ao pombar Para quem quiser entrar, só tem de marcar 960386272 960386272 é o número Tem este jingle, é da farsola Deve ser pequeno, vou agora sempre abrir Em 100% com o 3FM Imortal, em formato digital É igual, é giro
Estamos ao vivo numa emissão especial para o Dia do Trabalhador. Para dar o exemplo, convidamos aqueles que nós consideramos os três maiores trabalhadores da atualidade. Nuno Calado, Bigos Campanisso e ainda Vítor Rua. Os três aqui. Obrigado, antes de tudo, por não digo como este, estarem aqui no fundo, isto é o maior vosso trabalho, Rua. Claro, então eu não estaria aqui se não fosse para trabalhar. Sim, claro.
E também para agradecer mais uma vez Vire este maravilhoso programa E também Afirmar que Além de ser um programa Que tem como o Fernando Como o Alvim Como excelente apresentador Mas também tens a sorte De ter um público fantástico Seguidor
Já fazes parte da prova oral. Claro, já sou da casa. És das pessoas com mais vezes interesse aqui neste programa. Muito bem. Deve haver um quadro com fotografias de pessoas que passam... O Rua estava no topo. O Rua estava no centro. Ele, o Pedro Pachão, o Manoel João Vieira, enfim. Há uma série de pessoas, o Gregório do Gredi. Entretanto, Nuno Calado junta-se a isto e também o Bicos Campanice. Porquê? Os dois tiveram... Pois não tínhamos nada de...
fazer, é o dia do trabalhador e viemos abolir um bocadinho. Mas a verdade é que vocês quiseram fazer um filme sobre o Vitor Rua. O que é que... É uma pergunta que normalmente eu não faço. De onde é que saiu essa ideia? De onde é que saiu essa ideia? E porquê? E agora vais ter uma grande surpresa. Aconteceu aqui há uns anos valentes. Um dia eu estava aqui na Antena 3 e chegou a hora de jantar. Eu fui jantar. Estavas a fazer a prova oral com o Vitor Rua.
E de repente vocês acabaram o programa E foram jantar ao refeitório onde eu estava E eu vi-vos passar Olhei para o Rui e pensei Isto é que era uma grande história Só de olhar para eles Daí a prova oral também Contribuiu para isto E faz todo sentido estarmos aqui Uma espécie de pescadinha de rabo na boca
E tu, neste caso, não tiveste esta visão que o Calado teve? Como é que estiveses aqui incluído nisto, Bigos? Na verdade, foi simplesmente o Nuno falou comigo e eu disse Literalmente só isto Mas já conhecias o Rua? Pessoalmente não Mas... Já tinha ouvido falar de qualquer coisa Exatamente Desovaco, talvez
O Bezovac é o teu It's Single, não é? Exatamente. Até há pouco tempo era o Portugal na CE, agora o Bezovac. Pois é, vamos cá ver, o grande sucesso da tua vida é o Portugal na CE, ou não? Quer dizer, eu acho que quando morrer, vão dizer morreu o autor do Portugal na CE, mas... Achas que vão dizer isso? Isso é um grande exercício. Acho que não.
Mas, de facto, para alguém que tem 300 discos e 200 composições e 15 livros, mas, por exemplo, lamento-te apontar, mas eu acho que é mesmo isso que vai acontecer. Pois vai. No Correio da Manhã é certinho. O autor de Portugal nasceu. Faleceu, mas pronto.
Se calhar é isso que vai estar na pedra do cemitério. Mas voltando só ao filme, estavas a perguntar ao Nuno e assim, há uma coisa que depois de isto começar, a aventura começar, olha só. pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela pela
Eu pensei assim, algumas vezes contactava com eles, quando nós contactávamos por Zoom e por mensagem a Facebook e assim para irmos, estando a par das coisas, e uma das coisas que eu pensei é assim, como é que se faz um documentário, por exemplo, o Humberto Eco tem um livro que é Como Fazer Uma Tese.
Se mudarmos a palavra tese por filme, vai dar o mesmo aqui para o caso. E o que ele dizia era, na tese era, um dos erros normalmente de quem vai fazer uma tese é, por exemplo, dizer assim, o que é música? E dizia, isso está mal. Ou sobre o jazz.
E, segundo ele, estaria mal. Porquê? Porque é uma coisa tão alargada, tão vasta, que é impossível transmitir isso numa tese. E então ele dizia, por exemplo, alguém queira dizer assim, vou fazer uma tese sobre música clássica. Não, está mal. Então, sobre o Beethoven. Ok, já está melhor, já reduziu a coisa. Mas ainda está mal, porque o Beethoven... E ele, então, sobre a nona sinfonia. E ele, ok, já está melhor, mas também...
Então isso foi sobre a noite da apresentação da Nora Civenia. Está bem, é uma boa tese. E aqui neste caso também foi isso. A primeira coisa que acho que se teve que fazer é reduzir logo as minhas facetas de artista plástica ou cineasta ou videasta ou escritor à música, não é? Até para participarmos no Indie Música.
É verdade, este filme vai ser revelado pela primeira vez na edição deste ano do Windy. Será esta segunda-feira... Segunda-feira, nove da noite, na Sala Manoel de Oliveira, do São Jorge. Dia 4. A Sala Manoel de Oliveira é a sala maior. É a sala maior.
E quando me disseram que Ok, queremos o filme e queremos exibê-lo Na sala grande Eu fiquei assim Eu ficava muito a ser Se fosse no foie Estão a falar na sala grande Eu acho que mereces a sala grande Vitor Rua E não tenho a menor dúvida que essa sala vai estar Vai estar cheia Para as pessoas assistirem a esta estreia De resto, este filme Que se chama Vitor Rua Isto não é um filme, é um cometa Exatamente Vitor
A verdade é que tem aqui várias revelações. Uma delas, eu já não sei se tu me contaste ou não, mas que foi basicamente a relação que um tema dos António e Variações tem com o clássico dos Aba, neste caso o Mamma Mia. Eu acho que só contei isto na vida numa conferência recentemente que houve...
sobre o António Verações. E eu próprio também só soube isso há poucos anos. A história, muito rapidamente, é muito fácil de contar. Eu, quando fui convidado, na altura, para fazer música para ele,
Repara, eu nessa altura já estava com o GNR, mas também com o Stalex, já tinha conhecido Jorge Morreto. Já o que ouvia era Telorio Esmon, com mais o Davis, no Jazz, por exemplo.
na música contra a Prana Stockhausen, Ligette, Chennai, etc. No rock também só ouvia, tinha começado pelo rock progressivo, Kim Crimson, Gentle Giant, ou na New Wave, Talking Eds, Divo, etc. Quer dizer, eu de repente, o que é que eu vou fazer de rock português? Eu nunca tive discos de rock português, nunca fui a concertos de rock português, a não ser aqueles que tinha que tocar. E depois quando fizeram, ok, achei piada e tal, ok, branche seru. E aí
Faça produção e assim E aquilo era uma loucura Ele apresentava Por exemplo, as músicas eram assim Então agora como é esta música? Ele fazia Ou cantava ou assabiava E ia dizer, ok E então de repente, olha, esta é assim Vem ser
E eram três notas. É isto? Posso pôr uma distoção? É, ou mete? Ficou mais, pode ser isso. E lá gravei a música. Ok, fiz a música, tudo ótimo. Sai o disco, tudo.
40 anos depois, estou em minha casa, no escritório, e está a Hilda Tereza Castro no outro escritório ao lado, a ver televisão. Era domingo à tarde, eu estava no computador, e começo a ver que ela estava em um filme americano, porque topava-se, e depois cantava, e eu disse, é um musicólogo qualquer, porque de repente estava a falar e começava a cantar.
E de repente, continuo, e de repente todos. Meteram a música do Variações, um filme de Hollywood. E levantei-me e disse assim, o que é que tu estás a ver? E ela, é um filme. Eu sei que é um filme, mas é um filme o quê? É um filme americano, é um musical. Mas é um musical, como é que chama o filme? Mamma Mia. E eu, Mamma Mia. E é sobre o quê? É sobre o Zaba. E eu, a volta atrás.
E o filho da mãe O gajo pôs-me a tocar a água Fogo Um caneco Esse tema vem do Mamma Mia Se ouvirem a banda sonora do Mamma Mia O tema 16 Ou seja, eles roubaram Variações
Obviamente Não há qualquer dúvida Incrível O que nós descobrimos 40 anos depois Exatamente O Variações estava muito à frente do tempo Claro Existem regras para fazer um filme como este Que é uma espécie de documentário
Em princípio devem haver Em princípio devem haver Ideias usei, não é? Acho que a ideia foi um bocado essa desde o início Era fugir às regras normais De um documentário Aquela coisa de Seguir uma linha cronológica E fomos simplesmente É a regra de Markov Ou a teoria da regra de zero de Markov E fomos simplesmente pela onda de
A verdade é que nós filmámos, filmámos, filmámos e chegou uma altura que tínhamos que partir para a edição. E é um processo mais doloroso, diga-se. Sim. E só não foi mais longe em loucura o documentário. Eu, e eles estão aqui testemunhas, que por troca de mensagens, eu a determinada altura dizia...
Se lixem as entrevistas Fazemos só, ninguém fala Só música e loucura E eles dizem Bem, mas já entrevistamos E são coisas tão fantásticas E eu depois também pensei assim As entrevistas é sempre um momento ótimo Para os entrevistadores dizerem bem de mim Por isso eu disse assim Ok, nada concordo É verdade, sim Houve várias ideias para chegar onde chegámos
E eu estou contente com a versão final. Loucura. Na altura que estávamos a separar as coisas para editar os assuntos e tal, começámos a usar aquele método. O Biggs disse, vamos pôr aqui umas cores em cada assunto e tal. E quando estamos nesta coisa de separar os assuntos, e se pontássemos isto sem qualquer cronologia? Se isto fosse a cabeça do Vítor Rua?
Uma das minhas regras é não ter cronologia. E isso, ao mesmo tempo, se calhar é uma coisa muito contemporânea. Porque, repara, o António Vareções é um artista que hoje em dia, por causa das plataformas digitais...
é contemporâneo do disco que o Rua fez o ano passado. Ou este ano. Os Telecto, as primeiras obras do Telecto, são contemporâneas de variações, até do disco da Manuela Moraguedes e do GNR. Está tudo na mesma timeline. Estás na mesma plataforma e podes... Clicas à esquerda, clicas à direita e chegas lá precisamente no mesmo tempo.
E depois repara Por exemplo Da mesma forma que eu no início disse Que fazer num debate Se fosse a fazer sobre o escritor Poeta, cineasta, videasta Seja o que for
Se isso já era também difícil, também difícil. A nível de tipologias musicais, eu passei por tudo. Folk, country, jazz, improvisada, rock, contemporânea, óperas, quarteto de cor. E disse assim, como é que isto se vai meter tudo? E eles foram fantásticos nisso porque abordaram tudo. E depois a coisa principal também que é, como é que a minha pessoa, como é que a minha personalidade, como é que fica num filme?
Ok, ser entrevistado e eu falar, ok, isso é uma ajuda. Mas depois há coisas que não se explicam por palavras e eles foram fatais, mas foram buscar coisas, assim, chamemos de sketch, de coisas que até às vezes nem entrei, era eu que filmava e assim, e que mostra também esse lado do humor que sempre caracterizou a minha vida, como, por exemplo, a lesma, é mesmo a lesma.
Isso é o quê? Eu vi isso pela primeira vez. Esse momento é o quê? Olha, vou dizer, também é a primeira vez que vou revelar esta situação que já muitas pessoas amigas viram e dizem assim, mas nunca percebiam e eu também vou revelar.
E tem a ver comigo e com o estalecto e assim, e de que maneira, que é, um dos grandes amigos que nós tínhamos era Ernesto Malicastro, o poeta concreto e assim. Aliás, foi ele que fez as primeiras capas do estalecto e assim. E o que aconteceu foi, ele era, portanto, da poesia concreta e nós fizemos muita música para videopoesia dele e assim.
E se lermos muito da poesia concreta, tem aquele jogo de palavras tipo ovo, novo, covo, cova, cova, nova, vova, esse tipo de situação. E de repente o Jorge Mavareto um dia, aqui já estávamos completamente, como tu dizes, não posso dizer, mas como alguém diz no filme, é que já estávamos em Marte, e já estávamos em Marte absolutamente, talvez Vénus.
E de repente o Jorge resolveu fazer uma espécie de caricatura da poesia concreta, e neste caso do Belly Cash, e começou, sem nos dizer nada, nós não estávamos a perceber o que ele estava a dizer. E de repente eu estava a filmar e ele começa. Era mesmo uma lesma.
Era mesmo, era mesmo O momento de poesia concreta Fica eternizado neste filme Estreia absoluta No Míndio e na edição deste ano Esta segunda-feira, a partir das 21h Na sala Manoel de Oliveira Não percam Vitor Rua com este filme Rua, isto não é um filme É um cometa Disse bem? Se não tivesse sentido, nós alterávamos o título Claro Obrigado
Claro, obviamente. Vamos ouvir aqui justamente esta parte da lesma. Era a lesma. Mesma, lesma, lesma. Era a lesma. Era a lesma. Era a lesma. Era a lesma. Era. Era. Era a lesma.
Era a mesma lesma! Era! A mesma! A mesma lesma! Era! Era! A Lesma era! Era! Lesma! A mesma Lesma! Era! A mesma Lesma! à mesma lesma.
A mesma lesma era a mesma lesma. A mesma lesma. Era. Era a mesma lesma.
MISMAISMA
Lesma, mesma, a era. Mesma, lesma. Mesma, mesma, a era. Mesma, lesma. Lesma. Era a lesma. A mesma lesma.
Estamos de volta. Os nossos convidados são, por esta ordem, Vitor Rua, Nuno Calado e ainda Bigos Campanisso. Já agora, Calado, há pouco não te pernuntei. Então, como é que surge aqui o Bigos Campanisso? O Bigos surge porque o Bigos é o realizador do Grandes Malhas, que também passa na Antena 3, no YouTube da Antena 3, programa apresentado pelo FES Daddy Nelson, que eu faço a produção. E, na altura, eu pensei...
Ok, não tenho dinheiro para fazer isto A quem é que eu vou recorrer? Alguém que vive ainda em casa dos pais Na altura Vive em casa dos pais Não tinha propriamente que financiar a sua vida E não tem nada para fazer durante o dia Esteja desocupado Foram estas as grandes razões Para o convite da Bicos Campanice Bicos, ao menos é sincero, não é?
Não, é sincero, eu sinto-me orgulhoso Com estas informações todas Era um rapaz novo Estava no início de vida Hoje em dia, se calhar Poderia ser abusado De andar a desviar menores
Esta declaração do Nuno já estragou aquilo que eu ia dizer a seguir Que era dizer que este documentário foi mais caro que o filme de John Cameron O Avatar Há momentos incríveis neste filme Gosto da forma como ele acaba Também como ele se inicia Há várias partes Que são assinaláveis Que eu não posso estar aqui a relatar-se Depois não vão ver o filme E gostaste da tua parte?
Gosto muito da minha parte, claro Sendo que Tenho que fazer aqui duas ou três perguntas ainda Sobre o filme, mas antes quero fazer uma espécie De intervalo do filme E fazer duas perguntas, diria que Sérias, que são
Muito se fala agora da cena independente E o que se fala na cena independente É que as bandas Têm cada vez menos Sítios para tocarem E que há uma espécie quase de crise A esse nível As câmaras municipais
Contratam só nomes maiores. De certa forma, se calhar fazem menos concertos, mas fazem concertos com maior impacto, com nomes muito conhecidos, muito mediáticos. Não há muito espaço. Não estou a dizer que são todas as câmeras. Não há muito espaço para este tipo de autores. Os bares também já foram mais.
E sente-se uma espécie de Como dirai Clima de Indecisão, talvez, não sei Vocês notam isso, claro Eu noto muito isso Em conversa com muitos artistas Que da pandemia para cá Tem sido mais difícil arranjarem lugares Para tocar e até mesmo Regressarem ao número de concertos Que davam anteriormente Vem ser
Acho que o lado alternativo, o lado independente, está mais em risco do que outro. E também o lado do berço, digamos assim. Porque o que faltam são aqueles lugares, aqueles bares, em que tu podias agendar um concerto, recebias a porta e não tinhas que pagar propriamente para tocar. Hoje em dia há muitos lugares.
Há muitas salas em Lisboa, por exemplo Mas tens que alugar para tocar Ou tens que pagar para tocar E isso para quem está a começar E tem três pessoas que conhecem a banda É muito complicado É extraordinário Eu pedi aos ouvintes Para voltarem atrás na rádio Ou no podcast Para voltar atrás Que é pagar para tocar Não sei se estão a ver o paradoxo desta frase
Isto é uma coisa inacreditável Mas é uma realidade Por isso é que muita gente Eu vejo às vezes pessoas da minha geração Ou até mais velhas A dizer Ah, no nosso tempo é que era bom Ou é, agora Eu digo assim Vocês estão completamente ao lado Porque, quer dizer Se há uma geração que deve ser Condecorada Era assim, há aqueles dias Que o Presidente da República Dava comendador Não é? Aham.
Devia ser todas as pessoas entre os 18 e os 25. Em Portugal, quantos há? Há 900 mil. Então, 900 mil são comendadores porque são malucos ou loucos. É que vão para pintores, para músicos, para fotógrafos, para arte.
Porque é uma loucura, porque hoje não se paga, ou melhor, paga-se para fazer as coisas. Não há locais, continua, aquilo que eu digo na entrevista no Expresso, por exemplo, que no nosso tempo não havia sítios para tocar, não havia lojas de instrumentos. Mantém-se tudo igual. Em Londres, em qualquer esquina, há uma loja de instrumentos musicais que é melhor do que qualquer uma cá em Portugal.
e salas para tocar, rock, pop, hip hop, jazz, improvviso, tudo. E cá não continua tudo. Portanto, eu acho que todos os jovens deviam receber medalhas quando se dedicam à arte, porque é uma coisa inacreditável.
É uma ideia. A verdade é que se nota mesmo isso, não é? Que são cada vez menos os espaços. Os que existiam também hoje em dia foram convertidos em hotéis, não é? Mais de 50% desses... Eu não sei qual é o plano para o país. Se virar uma unidade hoteleira de norte a sul, se calhar é esse o plano.
Acho que vai correr mal, mas sou eu. Vai correr bem para muita gente. Para muita gente, ou para uma meia dúzia deles, que vão encher os bolsos, nós já sabemos isso tudo. Para quem está convencido que é remediado e que o vizinho do lado é que o está a atrapalhar, esse vai ter um problema grave. Rua, como é que era na tua altura, quando começaste?
Por exemplo, vamos supor, eu comecei no Porto Portanto, a primeira coisa Qual é Que importância que isso tem A importância é No Porto eram uma parolada e andavam todos de quispos Não é? Em 80 era uma parolada Por exemplo, eu vinha a Lisboa Aparecia um parolo O Banho Alto
loucura, e a Gulbenka, não sei o que. Lá não havia nada. Agora, o Porto, depois de 2001, foi tudo fantástico, Casa da Música, na baixa da cidade há salas, bares, as pessoas encontram. Nós, no nosso tempo, que a malta queria curtir 18 anos, íamos assim para cabarés ou para pubs em que estavam aqueles velhotes todos a ouvir, sei lá, Nelson Ed ou Demis Rússia.
ou qualquer coisa assim e depois queríamos ouvir música queríamos esperar pelas duas da manhã para entrar o maluquinho que lá punha uma música mais que outra mas espera lá, não havia música alternativa no Porto de Salta? nada, a música alternativa era na minha garagem aquilo que tu disseste que faz falta aos grupos e assim o que faz falta é a garagem de rua em todas as cidades do país porque a minha garagem era um ponto de encontro e aí
Foi lá que nasceram grupos O Roxane nasceram lá Iam lá pessoas, os músicos que já fomei Os Kingfisher nasceram lá O Geneal Eu acordava de manhã Com o Chico Fininho A cantar Eu acordava de manhã e eu via A rapariguinha do Chó Porque ele não tinha sido para ensaiar E saiu lá com o Zanab e coisa
Depois à tarde era o GNI. Depois à noite às vezes era o Skinfiches. Depois ainda mais à noite, assim, já 3 da manhã, os pastorinhos de Fátima. E eu, o Patrícia de Destaques, o Rodrigo Freitas e o Alexandre Soares. E era pastorinho de Fátima porque estávamos todos na paz do Senhor. Portanto, não digo com o quê. Não digo com que substância.
Mas só para ver o nível era Aquilo supostamente era punk Assim muito rápido Tudo, não sei o que Mas começava, por exemplo, assim com um órgão E com o Alexandre, com uma mola no nariz A dizer, e agora Estamos aqui reunidos Todos na paz do senhor Punk, não é? E de repente eu estava no baixo e encostava-me assim À porta da garagem E aí
E estava... E uma vez adormeci. E eu... Portanto, estávamos mesmo na parte do senhor. Mas isto pode ser que não havia locais. A minha garagem era o ponto de encontro do rock, da pop, de jazz, de tudo, de folk. Era da minha garagem.
E sítios como esses é cada vez mais raro, como tu disseste, ou seja, não só para tocarem, mas para ensaiarem. Por exemplo, quem são os vizinhos que suportam quase 18 horas de um PA a dar coisas como todos na paz, a toda hora, e para seguir quero ser, e para seguir folk, e depois jazz, e depois...
Até às duas da manhã, três da manhã Só Francos, zona de Francos Rua Irosa no Porto É que tinha também essa gente Qual é agora a catedral Da música índia Em Lisboa há vários sítios No Porto também, maus hábitos Aqui em Lisboa há Casa Capitão Era isso que eu ia dizer No bairro alto Casa Capitão, Casa Comum
A casa comum Tem feito algum acolhimento bastante simpático E ainda, talvez o mais lendário No Bairro Alto também O... Então como é que se chama? Estamos a esquecer No Bairro Alto Sim, no Bairro Alto Música independente Jesus Ah, ZDB Era tão óbvio que nos estávamos a esquecer Claro que sim
Mas lá está, a ZDB é um bom exemplo de um lugar onde não pagas para tocar. Mas depois tens N casos de sítios que pagas para tocar e que é muito difícil para uma banda que está a começar a ter esse investimento. Já estás investindo nos instrumentos a tentar chegar a fazer qualquer coisa e estás sempre a sair o dinheiro da bolsa. Acho que é complicado. Também é verdade que este país tem auditórios que não tinha há 30 anos atrás, muito espalhados.
Só que para quê? Para quê? Porque estas bandas são pequenas demais Para irem para esses auditórios Portanto, o berço É realmente aquilo que me preocupa Eu até diria que o problema não é bem esse O problema é, por exemplo, o Frank Zappa Nós viemos de carro para aqui
E eu e o Nuno, e estávamos a falar de Frank Zappa e o Nuno disse, o Zappa dizia coisas nos anos 80 que hoje estão mais atuais e assim. E uma delas é esta, que há uma frase que diz que lhe perguntam como é que eram os editoras no tempo dele, nos anos 60, e ele dizia assim, ok, no meu tempo eram os balhotes gordos, carecas, de charuto na boca.
que não percebiam nadinha de música, de pop, de nada, de nada. E o que é que eles faziam? Como não percebiam nada de música, chegava lá aqueles gajos cabeludos à frente dele, temos aqui um disco, ele nem ouvia porque não ia entender nada, e olhava e dizia assim, ok, e o que é que fazia? Editava, editava o disco.
E depois, se o disco vendesse e se o disco coiso, aquilo ia para a frente. Ele vendeu, então mais outro. Tem outro? Ok, outro. Não vendia. Mas editava. O que é que o Zapra diz que começava a acontecer também nos anos 90 e agora existe isso ao nível 10 milhões ao cubo.
Que é, agora estão especialistas, experts nas editoras, e que sabem qual é o gosto do público. Eles é que sabem qual é o gosto do público. E dizem, não, isso infelizmente não sei o quê. E não editam. Não, isso infelizmente não é o que nos interessa. Além disso, precisas ter já uma quantidade volumosa de seguidores no Instagram, nos redes sociais, para conseguir ter um contrato.
Portanto, hoje é 10 milhões de vezes pior do que o gajo careca do Charuto. Hoje, ao contrário, temos especialistas que nos dizem, e por isso é o que eu estava a dizer. Ele estava a dizer, os auditores são grandes demais ou não sei o que. Não são, porque tudo é possível. Os telectos, cá em Portugal, em 84, estávamos a tocar em galerias de arte e em clubes e bares para 100, 200 pessoas, como os pastorinhos, ou o jukebox, ou essas coisas assim.
e de repente fomos tocar para 10 mil pessoas e Moscou vier a 10 mil pessoas de pé, aplaudir. Portanto, a questão é pôr as pessoas, não terem aquela lógica de isto não dá para aqui, ou o povo não gosta disto. O povo não gosta disto é a frase mais fascista que existe no universo. Porque o povo não gosta disto, então nunca vai conhecer isto. Porque nunca lhes dão oportunidade. Por exemplo, o Telecto Feroz ou Lisídro.
Aliás, eu conheço uma pessoa que até fala É um filme E de repente passamos Antes ou depois da telenovela Às nove horas no programa E há pessoas que mudaram Dizem que mudou a vida deles É incrível pensar nisto Que depois da telenovela Havia um programa
Onde que o Julio Zidra apresentava Onde os selectos tiveram nada mais Está no Youtube esse pedaço Portanto quem quiser pode Eles não foram só uma vez Não, fomos várias vezes Vocês colocam uma dessas vezes Curiosamente a vezes mais caótica Não foi essa Mas só dessa vez São nove minutos entrevista Mais atuação da banda
Qual é que é a banda que hoje tem nove minutos de televisão? Eu convido as pessoas a verem no YouTube a entrevista Jorge Lima Barreto o que é música musical repetitiva? E de repente ouve-se assim a tipologia, paraquitilitante não se percebe uma palavra do que ele diz para pessoas que tinham acabado mas ele diz em 30 segundos fomos uma vez ao programa dele aquele do Ratmique Clube Amigos Disney Clube Amigos Disney
E agora imagina, nós a tocar ao vivo, não era para Lebeck, recusávamos para Lebeck. Nós, com os sintetizadores, e assim, tocámos telecto para aquelas criancinhas, para aquelas pais, a tocar assim, cinco minutos, e lá demos o concerto, tudo ótimo, música minimal positiva, e os júlios sempre a apresentarem. E nós já íamos embora, desmontar tudo, até que os júlios dizem. E agora terminou o programa, mas hoje é o aniversário do Rato Mica, o Rato Mica faz 50 anos,
que melhor maneira de terminarmos o programa e pedirmos aqui ao Jorge para tocar em parabéns a você o Jorge fica assim olhando para mim e fica assim não, não, não, não
Pousa a mão, eu disse assim Pousa as mãos no sintetador em arpeggios Mas que não, eu qualquer nota E então ele vê-se assim Ela pousar assim as mãos, os dedos E fica assim uma coisa tipo E o Géliz e eu E eu fiz assim, comece, comece E ele
Parabéns a você Tentando acompanhar a nota Foi um marco Era fantástico Curiosamente temos uma amiga que fazia Um dos bonecos desse programa Ele vestia-se A sério? Sim, dava vida a um dos bonecos Não sei se era o Pateta, mas era um dos bonecos Dos amigos níveis Eu depois digo-vos
Não sei se ela vai gostar Que se partilhe Já agora uma Uma pergunta também para ambos Também para ti Ele está aqui muito caladinho Não te admito Há o Nuno calado e há o Bingo caladinho A minha pergunta é esta O que é que separa A música dita É uma pergunta que já devem ter feito mil vezes O que é que separa a música dita Mainstream da música alternativa O que é que distingue?
Às vezes é uma linha muito tênue. Porquê é que aquela música se chama alternativa? Porquê é que aquela música é regulada como mente? Podíamos agarrar aqui dois ou três casos simples para dar o exemplo.
Os Cure Eram supostamente alternativos Mas viraram mainstream O que é que eles mudaram na música deles? Nada Os Nirvana Eram uma banda alternativa Que de repente tem sucesso E o que é que eles fizeram? Fizeram só o disco que tinham que fazer Os R&M Mais ou menos a mesma coisa Portanto às vezes a linha é muito tenue E eu comparo isso com uma pergunta Que eu fiz uma vez Ao Rua Vem
que era, como é que eu sei que um tipo que faz música, que é improvisador, é bom ou não? E ele disse, às vezes é uma linha muito ampla. Mas, por exemplo, eu acho que a pergunta é, o que é que se para? Eu acho que é mais, o que é que acontece?
a qualquer um deles, ao mainstream, porque também é ao contrário. Há pessoas que começam às vezes no mainstream e que de repente são a coisa mais experimental e mais alternativa que alguma vez alguém sonhou. E, por exemplo, já que estávamos a dar exemplos, o Scott Walker. O Scott Walker tinha os Walker Brothers.
Que qualquer avózinha, se hoje alguém lhe puser um disco de Walker, vai adorar, porque aquilo é de uma melodia, com orquestras e uma coisa extraordinária. E se depois puserem o último álbum antes de falecer, o Drift do Scott Walker, ou então com aquele...
O O-O, aqueles de trash, dead noise, drone, metal, não é? Pode falecer logo ali naquele momento. Não é só coisas que se transformam, também há o mainstream que se transforma em alternativo, que é mais raro, mas também acontece. De resto é o caso do rua.
Era o mainstream que se tornou alternativo Sim, eu comecei a tocar música de baila Tocava música de outros No sniff Só que o que aconteceu foi Realmente é verdade, comecei a tocar músicas de outros E o grupo chamava-se sniff Mas o último concerto Eles chegavam lá à minha garota E diziam É pá, o que é que estás a fazer? Há um tema meu É pá, isso é giro Como é que é? Eu, é assim, o baixo é assim A guitarra é assim E começamos a tocar Íamos a apresentar ao vivo
Ao mesmo tempo que tocávamos Beatles, Procolarum, Black Sabbath, e as pessoas, as outras músicas, tudo. Quando tocavam a minha, tudo. Bish, Bish. Repetiram. E para os gays gravar uma música. Tens outra, eu tenho. Tens outra, tenho. O último concerto já era só com músicas minhas. Espera aí.
Interessa-me muito ver Que é Ser alternativo também é um estilo de vida Por exemplo Será que é possível Será que é possível Um grupo de Betos Ser uma banda alternativa
Posso responder? Pode. É assim, uma vez foram me entrevistar para fazer um documentário de punk em Portugal. Sim. E eu estranhei, estranhei assim, o que é que eu tenho? Porquê que me estão a entrevistar para falar num documentário?
E até aquilo demorou, a entrevista demorou tipo 47 segundos. Porque o que é que tem a dizer com punk? O que tem a dizer é que nunca existiu punk em Portugal, porque era impossível. E uma das razões que eu mostrei era dizer assim. Por exemplo, eu se pegar no nome, talvez dos nomes mais importantes...
nos anos 80, quando surgiu em Portugal, porque em 77 já tinha acabado o punk lá fora, não é, em 78. Mas quando cá surgiu, e pegando numa banda, que é uma das bandas dos anos 80, talvez pioneira do chamado punk em Portugal, e assim, não vou dizer o nome.
Mas, por exemplo, se pegarmos nessa banda, não é? Estamos a falar da tua pergunta. Que eram uns vetinhos de cascais, não é? Que, por exemplo, à noite iam sair e a mãe dizia qualquer coisa. Mas tens de estar aqui à meia-noite. Estão chegando à meia-noite. Agora, vocês estão a imaginar o Sidvichas, não é? Assim.
A mãe a dirar-se para ele e dizer, oh Cid, tu vais dar um concerto no Albert Hall com os Sex Pistols, mas depois está daqui à meia-noite. Portanto, aquilo que tu dizia assim, a pessoa tem que ter um caráter pessoal da ti, para ser jazzman, para ser rockman, tem, para ser do punk, tem. Não pode ser betinho nas horas livres e depois vestir o casaco de couro e ser rock ou punk para o concerto em chelas.
Eu adoro Scheller O que é que vocês acham? Ele está aqui muito calado Eu concordo muito com isto, sinceramente Mas é daquelas coisas Um beto pode fazer música alternativa Não me parece Porque é muito isto Talvez numa casa de alterno Na verdade há uma coisa curiosa Os humoristas, por exemplo Mas repara, hoje em dia ser beto é tipo o mainstream
Exato Sendo que os Betos nunca se assumem como Betos Daí tu poderes, de certa forma Fazer humor com Betos Nós somos normais Os Betos acabam por ser o maior saco de pancada de humor Porque os Betos nunca se assumem como Betos Nunca são Betos É como o Gervéia que dizia Que é como aos mortos Uma pessoa quando morre Só é mal para as pessoas que conviver Para a outra não há problema nenhum E os estúpidos é a mesma coisa E os Betos também E os Betos também
Para eles se dá tudo ótimo Deixem-me só dizer que estamos à conversa Com Bicos Campanisso Também Nuno Calado e ainda Vitor Rua Os três estão juntos A propósito deste filme que agora chega E que vai ser exibido pela primeira vez Na edição de 2026 do Windy É esta segunda-feira na Sala Grande Às 21h Eu diria que é o grande acontecimento do mês Vitor Rua, na verdade chama-se Rua Isto não é um filme, é um cometa E esta é uma das partes que nós conseguimos retirar É que Vitor Rua
O António estava de tal maneira à frente do tempo dele que é só quando entre o Chico e o assessor do Chico, que é o Ricardo Camacho, fica a ideia, é preciso pô-los com o Vítor e com o Toli, e os dois na secção rítmica do GNR, enfim, o Vítor não era só a secção rítmica, é preciso pô-los com eles que de repente aquilo ganha completamente outra forma.
Agora, eu quando fui contratado aceitei, aceitei porque ia ganhar também dinheiro, tenho que confessar, mais do que, por exemplo, ter vontade, mesmo muito vontade de produzir e de trabalhar. Não, foi mesmo, era mesmo uma encomenda. Fui contratado pela editora, que é a ser produtora, eu aceito e vou.
E até que de repente chegamos ao estúdio. E quando chegamos ao estúdio, pela primeira vez, vou ouvir o que ele me tem para apresentar. Eu chego ao estúdio a zero, vir-lhe a zero.
e vou finalmente ver como é que ele me transmite as coisas. E como ele transmitiu as coisas foi ou mostrando em cassete coisas que quase não dava para perceber minimamente nada de tonalidades ou assim, quanto muito dava para se ouvir era a melodia vocal, ou então assobiava-nos frases ou cantava-nos pedaços de frases para dizer como é que...
Como é que ele queria fazer as coisas e assim. Há uma história que vem daquele tempo, que eu lembro-me de ouvir a história naquele tempo, que é a história do Nostradamus, do Visões Ficções. Estava eu a tocar os instrumentos. Chamam o Vítor ao telefone. Estava a arder todo o... Tinha ardido o armazém da família do Vítor no Porto. E a minha mãe a chorar ao telefone. E havia lá um órgão, isto é a história que se conta, que ninguém sabia mexer nele.
Ou seja, naquele tempo ele não me cantou, não me mostrou música nenhuma, não assobiou, não fez nada. Só disse isto. Rua, quero sentir a terra a tremer.
Vamos de volta para a última parte deste programa com Rua Calado e Bigos Cabaniço a propósito deste filme. Nunca convém aqui recordar a estreia segunda-feira às 21h na sala Manoel da Oliveira. Há pouco também estava a pensar em perguntas um bocado fora da caixa. Eu acho que já te fiz uma vez esta pergunta. Não tem muito a ver com aquilo que nós estamos a falar. Mas Rua, o que é que... Porque falaste em Marte. O que é que pensas do facto da possibilidade de haver ou não vida noutros planetas? Olha aí.
É uma coisa inacreditável porque quando se começa a fazer... Eu adoro ler e formar-me sobre cosmos e essas coisas. 70 ou 80% dos livros que estou a ler é sobre física, quântica, quântica, cosmos. E quando começamos a pensar assim, que nós somos um planeta...
Numa galáxia que tem 300, 400 mil estrelas, e que se cada estrela... Eu disse mil estrelas? Mil milhões de estrelas. E se cada estrela só tivesse um planeta, ao contrário do nosso Sol, estávamos a falar de 400 mil milhões de planetas na nossa galáxia. Agora, se pensarmos que existem...
400 mil milhões de galáxias em cada galáxia tem 400 mil milhões de estrelas o número já ninguém sabe dizer assim tipo 5 triliões elevado ao cubo e uma pessoa diz assim nós somos únicos não sei se somos únicos e pela lógica não devíamos ser mas há uma coisa que é ser usado
Aquela situação dos extraterrestres é uma impossibilidade. E é uma impossibilidade provada pela ciência mesmo. Porque há uma coisa que é um facto de cada ciência, que é a velocidade da luz tem um limite. São 200 mil por segundo.
E é um limite, que supostamente desde Einstein sabe que nada pode passar esse limite. Ora, mesmo que exista, em Alpha Centauri, que é a galáxia mais próxima, existisse um planeta com uns gajos com duas cabeças e três braços e não sei o quê, e eles para chegarem cá iam demorar...
E se estivessem mesmo com a coisa mais avançada do mundo Mas mesmo que a nabe fosse a mais avançada do mundo Não podia bater a velocidade da luz Portanto, iam demorar Quando chegassem cá Nós já tínhamos explodido A terra já tinha acabado Portanto, é... Essa é a razão pela qual não nos visitam supostamente É isso e pela causa da coisa Da Carolina Deslandes
Eu vou lhe mandar instrumento Vou mandar instrumento à Carolina dos Lentes É por isso que eu adoro rua
Eu ia dizer que os americanos agora vão libertar uma quantidade de fecheios sobre ovnis, mas que pronto, ele matou a charada já. Mas espera, tu agora bem documentado, não é? Estás a estudar isso e, de facto, não estudei e como diria, a minha tese ia mais naquele sentido de...
Eles olhavam para o nosso planeta Percebiam o que é que nós estávamos a fazer É um bocadinho Como aqueles barros Quero estes tipos longe de mim Eu acho que era mais isso que estava a acontecer Mas afinal tu estás-me a dar outra perspectiva Mais eu achava que se eles nos visitassem
a tecnologia deles estaria muito evoluída e seria muito mais rápido, não é? Eles chegariam cá com a tecnologia deles e até iam revolucionar as viagens espaciais, não é? Mas tu já viste, por exemplo, para eu estar aqui agora no teu programa, o que é que aconteceu? Aconteceu que, supostamente, supostamente não, é um facto, existiu o Big Bang há 13.8 mil milhões de anos, não é? Ok, existiu, não é? O Big Bang.
Depois expandiu-se galáxias, estreia, e de repente o nosso sistema solar. E depois o nosso planeta, que tem 4,5 mil milhões de anos. Depois não havia vida, depois começaram a existir uns germes.
Depois uma célula casou-se com a outra E tiveram filhinhos E depois mais para outro E ao fim lá apareceram os dinossauros Depois extinguiram Até que finalmente O homo, não é o sapiens O homo aparece para lá há um milhão de anos E há 200 mil anos aparece o homo sapiens Quando já havia outros Dretais e assim Bem, já ia dizer o nome
Mas pronto, há 200 mil... Ou seja, o deus a existir, para quem acreditar... Primeiro temos que ver qual dos 3 mil deuses é que as pessoas acreditam, mas pronto. Seja lá qual for o que elas acreditam, se Deus existir, foi um gajo paciente para Caneco. O gajo disse assim, eu vou criar o Rua.
Mas antes vamos esperar 13.5 mil milhões de anos Depois 4.5 mil milhões de anos E depois lagartixas Até que vai chegar o rua E quando chegar o rua Teve o ansado de ser ateu Mas pronto Extraordinário Agora há uma coisa que é assim
Eu disse logo no início que eu acho que seria uma loucura pensar que estamos sozinhos neste universo de loucura, de tamanho e de coisa. Agora, depende também das circunstâncias do que chamamos vida. Porque se chamarmos vida, um vírus, um germe, uma coisa, isso poderá até descobrir-se que na nossa galáxia vai...
ver um planeta que tem água e que cresce lá uma célula e dá uma minhoca ou qualquer coisa assim, uma lesma era mesmo uma lesma e quer dizer, isso se crua agora, para criar vida no sentido inteligente como nós e menos inteligente como outros, que não vou dizer o nome
Mas termina em Tura. Mas não digo o nome. Por exemplo, estás a ver? Essas coisas demoram para caneco e mesmo noutros planéticos vai demorar a mesma coisa. A não ser que seja aquela coisa de acreditarmos que realmente Deus fez tudo em sete dias. O que é extraordinário porque ele primeiro criou... No primeiro dia criou... O que é que ele criou no primeiro dia? A mulher.
Não, não, isso a mulher foi depois da costela do homem. Mas o que ele criou foi, é assim, faça-se, agora é assim, os planetas, coisa, não é? E o céu está envolvido, ele não falou, mas está envolvido, não é? E fez os planetas e as estrelas, não é? E no segundo dia diz, faça-se luz, ou seja, o gajo fez os planetas e as estrelas às escuras.
Não sei se estás a ver Quer dizer, é uma loucura O que é que faz agora? A luz Faço luz e depois faço os planetas Para ver o que é que estou a fazer E também se percebe facilmente que isso é uma história de homens Inventada por homens Porque a mulher ser a costela do homem É uma visão ultramachista Da história O bem do patriarcado está bem presente O bem do patriarcado a fazer sempre A sua história
Já agora, deixe-me só dizer que estamos a terminar este programa Não queria terminar sem, contudo, antes de fazer esta pergunta O que é que quem ainda não viu o filme Pode contar Na próxima segunda-feira O que é que pode contar? O que é que pode contar com ele? Com o que é que pode contar? Com uma hora bem passada, acho eu Acho que no fundo E com um approach àquilo que é A vida musical do Vitor Rua Que tem muitas... E...
Muitas avenidas. Afluentes. Afluentes, sim. E gostava também de agradecer ao Miguel Lima que nos fez o som e ao Carlos... Carlos Borges. Que fez a cor. E a toda a gente que participou por caixas elevadíssimos.
Eu só pedi ao Nuno, calado... Pois temos gente competente a participar. Edgar Pera, o David Ferreira... Exato. Eu pedi ao Nuno... O Fernando Alvim. É verdade. Pedi ao Nuno que tenha uma voz radialista, se fosse possível descrever o que vai acontecer agora, porque eu não vou poder falar no microfone que me vou levantar, podes descrever o que é que eu tenho na mão.
O que é isso? É um tubo de ensaio? Com os comprimidos? Umas bolinhas Azuis, frustes E agora o que é que vais fazer? Vais dar ao Alvi Para ele tomar? Estender a mão Vamos ter Poppers em direto?
Vou pôr uma bolinha. Basta uma. Pode ser essa. As outras põem aí no papel. Neste momento, o Alvin tem uma bolinha que tirada de um tubo de ensaio e eu vou-lhe pedir, enquanto o Nuno depois conta uma história, para meter na boca, mas não mastigar, pôs só na língua e não mastigas, pôs só na língua. Olha, seja o que Deus quiser, tem-se programas para fazer assim.
Enquanto neste momento O Fernando Alvim não pode falar Não pode falar, mas está com ar de quem está a gostar Está com uma bolinha Na boca E está fazendo muito Já estou a sentir o efeito Eu aproveitava Este filme foi feito sem dinheiro E nós precisamos de dinheiro Portanto, o que ele está a tomar E este programa vai ser Vai passar a ter A patrocinação do Paper Means Vem ser
24 folhas de mentol ou então num tubo de ensaio com 22 bolas de azuis e que se põe na boca e... Essa decisão é ótima. Não explodiu a tua boca de sensação e de sabor e de escura. Uma das coisas que estão no documentário mas que eu adorei saber é conversa com o Vítor porque temos 7 horas de conversa com o Vítor. 7 horas. 7 horas em que ele dizia... Foi num dia que falei pouco.
Ele se divertia bastante com o Jorge Lima Barreto a escrever cartas de resposta a artigos no jornal ao abrigo da lei de imprensa. Ao abrigo da lei de imprensa. Criticavam os concertos ou os discos do Estelecto e depois eles passavam a noite inteira a divertir-se para escrever cartas de resposta que normalmente era tipo o Papa Rotão, Papa Rotô, Papa Rotir.
O paparrotão que paparroteia paparrotisse Não temos mais tempo Quero-vos agradecer o facto de terem vindo Boa descoberta a esta rua Gostei muito Volto a repetir Para frescura na boca, peppermint O provoral vai passar a ser Patocinado por peppermint A pastilha que refresca É verdade, são totalmente legais
Deixa-me então agradecer E sobretudo lançar aqui um apelo Segunda-feira, às 21h Sala Grande do São Jorge Sala Manoel de Oliveira Não percam este filme com a assinatura de Nuno Calado Mas também aqui do Bicos Campanisso Chama-se Rua, isto não é um filme É um cometa
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