Episódios de Semana em África

África lusófona entre crises sanitárias, xenofobia e desafios de segurança

08 de maio de 20267min
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Da vigilância internacional ao cruzeiro Hondius afectado por um surto de hantavírus, ao agravamento da violência xenófoba na África do Sul que já provoca o regresso de moçambicanos ao país, a semana ficou marcada pela persistência da ameaça terrorista em Cabo Delgado e pelo reaproximar diplomático entre França e Argélia. 

A OMS afastou o cenário de uma nova pandemia e considerou o risco “baixo” e “limitado”. O navio Hondius seguiu da Praia para Tenerife, onde os passageiros devem ser evacuados sob vigilância médica. Cabo Verde garante que todos os procedimentos seguiram as normas internacionais.

Na África do Sul, a violência xenófoba voltou a provocar tensão regional. O Governo sul-africano reagiu às críticas internacionais depois de protestos contra migrantes, defendendo que a instabilidade política e a má governação em vários países africanos estão na origem dos fluxos migratórios.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, exigiu o fim da violência contra estrangeiros durante um encontro com Cyril Ramaphosa, em Pretória. Em resposta ao aumento de cidadãos em fuga, Moçambique anunciou medidas de acolhimento em Ressano Garcia, principal fronteira entre os dois países.

Ainda em Moçambique, o ministro da Defesa, Cristóvão Chume, reconheceu a continuação dos ataques armados em Cabo Delgado. O governante admitiu dificuldades no controlo das fronteiras e no combate às redes de apoio logístico dos grupos armados.

Entretanto, França e Argélia continuam a aproximar-se diplomaticamente após meses de tensão. Emmanuel Macron anunciou o regresso do embaixador francês a Argel e o envio de representantes franceses às cerimónias evocativas do massacre de Sétif, símbolo da memória colonial argelina. Apesar do degelo diplomático, continuam pendentes vários pontos de divergência entre os dois países.

Participantes neste episódio4
A

Angela Gomes

ConvidadoDiretora nacional de saúde de Cabo Verde
C

Carlos Lopes

ConvidadoEconomista guinense e professor na Universidade de Nelson Mandela
C

Cristóvão Schuma

ConvidadoMinistro da Defesa de Moçambique
M

Maria Manso

ConvidadoSecretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades no Exterior
Assuntos3
  • Xenofobia na África do SulViolência contra migrantes · Moçambique · África do Sul · Carlos Lopes · Cyril Ramaphosa
  • Crise sanitária em cruzeiroSurto de hantavírus em navio · Organização Mundial de Saúde · Cabo Verde · Tenerife
  • Terrorismo em Cabo DelgadoAtaques armados · Cabo Delgado · Cristóvão Chume
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Semana em África Bem-vindos à Semana em África. O cruzeiro onde o SIC partiu da Argentina está sob alerta internacional depois de um surto de antivírus ter provocado pelo menos três mortes e vários casos suspeitos entre passageiros de diferentes países. A Organização Mundial de Saúde acompanhou a passagem do navio por Cabo Verde e garante que...

A situação não representa uma nova pandemia, apesar de já existir transmissão entre humanos na variante andina do vírus. O risco continua a ser considerado baixo e limitado, desde que sejam cumpridas as medidas de saúde pública recomendadas, sem vacina nem tratamento específico. As autoridades mantêm operações de rastreio em vários países para tentar travar novos casos. O navio deixou na quinta-feira à tarde o porto da praia, em Cabo Verde, rumo às Canárias. Os passageiros do navio devem ser evacuados em Tenerife.

onde vão ficar sob vigilância médica até serem reencaminhados para o país de origem. A diretora nacional de saúde de Cabo Verde, Angela Gomes, garante que todos os procedimentos seguiram as orientações da Organização Mundial de Saúde.

O navio de cruzeiros NV Andes deixou o largo do porto da praia após o cumprimento de todos os procedimentos definidos pelas autoridades sanitárias do Cabo Verde. A bordo seguem 144 passageiros, todos assintomáticos.

e acompanhados por uma equipa de quatro profissionais de saúde, entre médicos e epidemiologistas, os nossos técnicos profissionais de saúde continuarão a cumprir um período de quarentena. Não houve nenhum tipo de contato da tripulação nem de passageiros.

dentro do navio em si, com a terra, com o território nacional. Portanto, o risco realmente é muito baixo, estando somente os nossos profissionais a cumprir um período de quarentena, conforme os protocolos internacionais.

99.3 FM Em Moçambique, a África do Sul reagiu esta quarta-feira às acusações de xenofobia depois dos protestos contra migrantes em várias zonas do país. Pretória defende que os países africanos devem combater a instabilidade política e a má governação que levaram milhares de pessoas a emigrar. O economista guinense e professor na Universidade de Nelson Mandela na cidade do Cabo, Carlos Lopes, lamenta que o poder político não explique melhor à população o contributo dos estrangeiros para a economia sul-africana.

Primeiro é preciso dizer que a amplitude que é dada a esse fenómeno nas redes sociais às vezes trai o facto de estarmos num país muito grande e desses fenómenos estarem a acontecer em sítios geograficamente muito localizados da África do Sul, nomeadamente a província do Cozulub Natal e à volta de Joanesburgo, que é uma cidade que também tem uma demografia muito parecida com a do Cozulub Natal.

Eu vivo numa outra província, vivo na província do Cabo Ocidental, e aqui praticamente não temos nenhum fenómeno dessa natureza, porque a composição demográfica também é muito diferente.

e porque, digamos, tem uma cidade de Cape Town que é muito cosmopolita e que sempre foi, mas cosmopolita não necessariamente no segmento que está a provocar essas tensões, que é o segmento das pessoas mais vulneráveis, dos townships, das zonas onde existe o comércio de varejo muito próximo do informal.

e onde as pessoas que estão desempregadas ou que têm ocupações precárias, etc., pensam que estão a ser exploradas por causa dos estrangeiros, quando na realidade não tem nada a ver.

É uma pena que o governo não faça o necessário para esclarecer melhor a contribuição dos estrangeiros e tente um pouco utilizar de uma forma populista estes fenómenos para demonstrar, digamos, a sua atitude de simpatia com esses movimentos, porque estamos muito próximos das eleições locais que vão ter lugar no mês de novembro.

O presidente de Moçambique exigiu esta semana o fim da violência contra cidadãos estrangeiros na África do Sul, onde vivem mais de 300 mil moçambicanos. O presidente de Moçambique reuniu-se durante poucas horas em Pretória com o homólogo sul-africano, Siriel Ramaphosa.

Era extremamente importante vir à África do Sul, sentar junto ao governo irmão da África do Sul, ao povo irmão da África do Sul, ao país irmão da África do Sul, para que estes atos de violência aos estrangeiros, principalmente africanos, incluindo moçambicanos, possam cessar o mais rápido possível e a violência não se responde com violência.

O ódio não se responde com ódio. Responde-se com paz, com segurança, com amor ao próximo e, sobretudo, com diálogo. O governo moçambicano anunciou que vai criar condições em Ressano Garcia, a principal fronteira terrestre com a África do Sul, para receber compatriotas que estejam a fugir da violência xenófoba do país vizinho. O anúncio foi feito em conferência de imprensa em Maputo, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

O regresso dos cidadãos moçambicanos através desta fronteira já é visível. A Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades no Exterior, Maria Manso, anunciou medidas para apoiar e acolher os cidadãos em que fuga. Maria Manso procurou ainda tranquilizar a sociedade moçambicana.

Apesar dos atos anti-imigrantes e de violência, a Embaixada de Moçambique na República da África do Sul, neste caso particular autocomissariado, por fazermos parte da Coma 9, não ter registrado óbitos, agressões físicas ou perda de bens de cidadãos moçambicanos como resultado destas manifestações.

Ainda em Moçambique, o ministro da Defesa reconheceu esta semana que continuam ataques terroristas em vários distritos da província de Cabo Delgado, no norte do país. Controlar as fronteiras e cortar as linhas de abastecimento de grupos armados continua a ser um dos maiores desafios, admite o ministro Cristóvão Schuma.

Constitui o desafio do nosso governo, o reforço de medidas de vigilância e proteção das nossas fronteiras, com vista a neutralizar o fluxo de cadeira de logística dos terroristas, bem como prevenir a imigração ilegal, incluindo o tráfico e contrabando associado ao crime organizado e transnacional. Maputo. 105 FM.

A França e a Argélia continuam a dar sinais de desaproximação diplomática depois de vários meses de tensão. Emmanuel Macron anunciou o regresso do embaixador francês a Argélia e o envio da ministra delegada das Forças Armadas às cerimónias que assinalam o massacre de Cetif em 1945.

um dos episódios mais dolorosos da história colonial francesa. Hoje este marca mais um passo no degelo entre os dois países, acelerado depois da saída do antigo ministro do interior, Bruno Roteiou, defensor de uma linha dura contra a argela. Apesar da melhoria da cooperação em áreas como a segurança, o combate ao terrorismo e a imigração, continuam a existir divergências entre os dois países, entre elas...

O caso do jornalista francês Christophe Gleise detido na Argélia há quase um ano. É o ponto final do Magazine Semana em África. Já sabe, estamos de regresso no próximo sábado. Aceda a todos os podcasts da RFI na aplicação RFI Pio Rádio.