Xadrez Verbal #463 Primeiro Turno na Colômbia
(00:05:35) Giro de Notícias #01
(00:20:05) Coluna Aberta: Oriente Médio
(00:31:50) Efemérides: A Semana na História
(00:37:55) Match: Europa
(01:12:50) Xeque: América Latina
(02:36:15) Giro de Notícias #02
(02:47:20) Peões da Semana
(02:48:50) Sétimo Selo
(02:57:45) Música de Encerramento
Abelardo de la Espriella, da oposição, foi o candidato mais votado nas eleições colombianas, mas a diferença para o governista Ivan Cepeda foi pequena. Projetamos os cenários do 2º Turno, assim como no Peru que volta às urnas no próximo domingo (07).
Observamos o movimento das peças no sempre complicado tabuleiro do Oriente Médio, com destaque para a situação no Líbano, e demos uma volta pelo Velho Continente, fazendo a prévia das eleições na Armênia.
Conheça a Carta Global de Fernanda Simas: https://www.cartaglobal.com.br/
Campanha e comunicado sobre nosso amigo Pirulla: https://www.pirulla.com.br/
- Eleicoes ColombiaPrimeiro turno · Abelardo de la Espriella · Ivan Cepeda · Pacto Histórico · Voto útil · Voto de protesto contra o governo Petro · Assembleia Constituinte · Porte de armas
- Eleições PeruSegundo turno · Keiko Fujimori · Roberto Sánchez · Voto antifujimorista · Estatização de empresas · Rituais xamânicos · Congresso dominado pelo partido fujimorista
- Tensão no Oriente MédioSituação no Líbano · Negociações Irã-EUA · Acordo nuclear · Ataques iranianos ao Kuwait · Guerra no Irã · Tropas israelenses no Líbano · Trégua entre Hezbollah e Israel · Bombardeios israelenses em hospitais libaneses
- Guerra na UcrâniaAtaques ucranianos a São Petersburgo · Ataques russos à Ucrânia · Drone russo na Romênia · Mortes de tropas russas · OTAN
- PIX na ArgentinaFeminicídio · Agustina Vega · Escândalo do Banco Nación · Peter Thiel se mudando para Argentina · Javier Milei
- Rearranjos diplomáticos EUA, Armênia, Rússia e AzerbaijãoEleições para a Assembleia Nacional · Nikol Pashinyan · Relações exteriores da Armênia · Limpeza étnica em Artsakh · Influência russa · Relações com a União Europeia · Relações com a Índia · Relações com os Estados Unidos
- Possível candidatura de Márcio FrançaRevogação do Código Negro · Paris Saint-Germain vence a Liga dos Campeões · Prisões durante celebrações · Empréstimo da tapeçaria de Bayeux
- Violência de gênero na ArgentinaFeminicídio · Agustina Vega · Envolvimento de homens nas campanhas
- Eleições na DinamarcaReviravolta eleitoral · Mette Frederiksen · Governo de minoria
- Adesão da Bolívia ao MercosulProtestos · Demissão de ministros · Desabastecimento de alimentos e medicamentos · Rodrigo Paz
- Defesa NacionalCompra de caças Gripen pela Ucrânia · Doação de caças suecos à Ucrânia · Construção de submarinos franceses no Brasil · Aumento de gastos militares na Argentina
- Feira Provine na AlemanhaDerrota na candidatura ao Conselho de Segurança da ONU · Apoio a Israel · Friedrich Merz
- México· InternacionalProjeto de lei contra interferência estrangeira · Dinâmica migratória · Retorno de mexicanos dos EUA
- Travessia por El Salvador e GuatemalaPlano de cooperação militar com os EUA · Combate ao narcotráfico · Alejandro Giammattei
Fernanda Simas:Central 3.
Felipe Nobre Figueiredo:Começa agora o Xadrez Verbal.
Matias Pinto:Bom crepúsculo, ouvintes da Central 3. Está começando mais uma edição do Xadrez Verbal, a sua revista semanal de política internacional em formato podcastal. Meu nome é Matias Pinto e como sempre estou ao lado dele, meu amigo e companheiro Felipe Nobre Figueiredo, o homem por trás do tabuleiro.
Felipe Nobre Figueiredo:Olá, meu caro Matias! Olá a todos os nossos ouvintes! Olá a todo mundo que nos ouve, nos prestigia, nos divulga, nos tolera, nos ama, nos deseja, diz que nos odeia, mas não nos tira do ouvido. Chegando aqui, edição de número 463 do Xadrez Herbal. E para celebrar esse número, 3 ouvintes mandaram ônibus na brincadeira do ônibus essa semana, né? Você pode mandar lá nos comentários do site do Xadrez Herbal, você pode escrever em contato@xadrezherbal.com. E o nosso querido Vitor Pugui, do Rio de Janeiro, ele mandou o ônibus 463 Circular São Cristóvão-Copa Cabana. Ele falou que inclusive é um ônibus com itinerário muito legal para quem gosta de túneis e suas histórias. Que ele passa por alguns dos túneis mais emblemáticos do Rio de Janeiro. E aí, num arroubo de bairrismo, ele diz que o túnel Rebouças é provavelmente o túnel mais importante do Brasil. Tá aí uma competição que eu acho que não existe, né? Qual é o túnel mais importante do Brasil?
Matias Pinto:Tem tunólogo.
Felipe Nobre Figueiredo:Então, aparentemente o Victor é. E o Emanuel Neuhaus também mandou o 463 São Cristóvão Copacabana, ele dizendo que pegou muito essa linha durante os tempos de mestrado em zoologia no Museu Nacional. E já o nosso Ivan Ricardo Pozanski, ele mandou a linha 463 Solitude, que fica em Curitiba e liga o centro da cidade com a Vila Solitude, o ônibus que ele voltava da faculdade na época. E é um nome de bairro, convenhamos, né?
Matias Pinto:Combina com Curitiba.
Felipe Nobre Figueiredo:Vila Solitude é um bairro mais animado, acho que deve existir.
Matias Pinto:Imagina um domingo à noite na Vila Solitude.
Felipe Nobre Figueiredo:Mandou um abraço para todos os nossos ouvintes Sidney, meu caro Matias, que semana passada se encontraram comigo, especialmente o nosso queridíssimo Fernando Vives, né? Almocei com ele, maior podcaster do Brasil, e maior literalmente, e ele que está desesperado porque a LEGO lançou uma nova linha de LEGO Pokémon que é meio que a intersecção dos gostos do filho dele. Então ele está desesperado, disse que vai tirar o acesso do menino à internet se na carteira dele vai ficar destruída, porque obviamente a gente conversou que eu sou um pouco de Lego, porque eu sou um nerd desses. E também um abraço para o Pedro, nosso ouvinte de Sydney, amigo do Fernando Vives, que organizou o grupo de WhatsApp de ouvintes do Xadrez Herbal de Sydney, tá? Então agora tem essa. Se você é nosso ouvinte, mora em Sydney, eu divulguei o encontro lá no Instagram e às vezes não deu para responder todo mundo, peço desculpas, mas entre em contato com Fernando Vives e aí você entra no grupo de WhatsApp e talvez tenha outros encontros, enfim. Falando em encontros, meu caro Matias, lembrar e convidar os nossos ouvintes que no próximo dia 9 de junho, terça-feira, às 19 horas, aqui em São Paulo, na Livraria Drummond do Conjunto Nacional, eu estarei lançando o meu primeiro livro, O Mundo em Xeque, que é uma coletânea das minhas colunas, publicado pela editora Labrador. E eu estarei lá para recebê-los, né? Eventualmente, se você quiser que eu rabisco o seu livro, eu rabiscarei. Então estarei lá na Livraria Drummond às 19 horas.
Matias Pinto:E ficam dois convites para os nossos ouvintes em Porto Alegre, já que na segunda-feira, dia 15 de junho, eu e o Felipe estaremos na capital dos gaúchos, lá no campus da Unisinos, na Avenida Doutor Nilo Peçanha 1600, no bairro da Boa Vista, para participar da Semana Acadêmica do curso de Relações Internacionais, no qual faremos a palestra América Latina na visão ideológica dos Estados Unidos: continuidades históricas Marcas e Agenda Trump, né? Então será a partir das 13:30. Então entra lá nas redes do CARI da Unisinos para saber como se inscrever. Enfim, então esse é o primeiro convite. E eu chego domingo, né, dia 14, pela manhã em Porto Alegre. E no final do dia estarei discotecando na garagem do Bar do Brechó do Futebol, no centro, que fica na Rua Fernando Machado, 1200, no Centro Histórico. Vai ser depois do jogo entre Japão e Países Baixos. Então fica aí o convite e um abraço para o Diogo e para toda a equipe do bar do Brechó lá no centro.
Felipe Nobre Figueiredo:E antes de você encerrar a nossa abertura, meu caro Matias, lembrar para os nossos ouvintes que trabalham com publicidade, que trabalham em empresas, que possuem empresas, que se quiserem anunciar aqui no Xadrez Herbal, serem parceiros do Xadrez Herbal, entre em contato comercial@xadrezherbal.com e a gente conversa.
Matias Pinto:Bem, passemos agora para o primeiro bloco do Giro de Notícias.
Felipe Nobre Figueiredo:Giro de Notícias.
Matias Pinto:Notícia da sexta-feira da semana passada, dia 29 de maio: chefe da Organização Mundial da Saúde chega à República Democrática do Congo em meio à epidemia de ebola.
Felipe Nobre Figueiredo:O Tedros, chefe da OMS, chegou na República Democrática do Congo para conversar, né, e melhorar os esforços, né, as negociações para como combater a epidemia de ebola na região. Ele disse que juntos vamos superar esse surto e que a agência da ONU vai fazer tudo, ele e a agência vão fazer tudo em seu poder para ajudar as autoridades locais. Lembrando que para muitos especialistas da área, o corte de verbas da OMS movido especialmente pelo governo Trump, pode ter contribuído para esse novo surto, tá? Até o momento, meu caro Matias, são pelo menos 322 casos confirmados em uma das províncias da República Democrática do Congo, 22 casos em outras províncias e 15 casos na vizinha Uganda, tá? Com pelo menos 63 mortes. Porém, essas mortes são as mortes assim confirmadas por A+B, incluindo os testes feitos pós-mortem. Algumas estimativas colocam que o número de mortes pode superar 300, tá? Então assim, as mortes suspeitas podem superar as 300 mortes. Certo, então infelizmente são esses casos. Infelizmente também nós já temos casos, né, ou suspeitas em outros países pelo globo. Inclusive aqui no Brasil nós tivemos aqui em São Paulo, né, o Hospital Emílio Ribas tratando uma pessoa que tinha suspeita de ebola. Essa suspeita não se confirmou depois, posteriormente, Porém, nós também temos esses possíveis casos pelo globo. O que me leva, meu caro Matias, a próxima notícia, que é o seguinte: duas pessoas morreram no Quênia devido à repressão militar aos protestos contra a possível instalação de um centro de quarentena de ebola pelos Estados Unidos. O que os Estados Unidos querem fazer? E vamos lembrar, o atual governo queniano É um governo que já fez várias concessões ao governo Trump, e essas concessões muitas vezes são especuladas que forem troca de favores e pagamentos a indivíduos, tá? Botando num português quase claro. Mas o plano dos Estados Unidos é estabelecer na base aérea de Laikipia, no Quênia, um centro de quarentena e triagem em que cidadãos dos Estados Unidos que tenham suspeitas de terem sido expostos ao ebola serão enviados para ficar em quarentena até essa possibilidade ser descartada, e aí sim eles poderem entrar nos Estados Unidos. Só que isso também significa você possivelmente levar pessoas com a doença para o Quênia, e parte da população queniana obviamente não quer isso. Então nós tivemos protestos, né, contra essa medida. Lembrando que o Quênia é um país que também tem enfrentado tem passado por um processo de crescente autoritarismo e uso de força militar contra manifestantes em diversas ocasiões, e pelo menos duas pessoas morreram. Ainda sobre o surto de ebola, meu caro Matias, a empresa Moderna afirmou que levantou $60 milhões em financiamento da CEPI para tentar desenvolver uma vacina contra o Ebola. E ainda em questões sanitárias na África, o conflito no Sudão que deteriorou completamente as questões sanitárias no país. E nós já tivemos vários surtos de cólera entre os refugiados e os deslocados no Sudão. Essa semana tivemos mais um surto de cólera em Kordofão Ocidental que deixou pelo menos 77 pessoas mortas.
Matias Pinto:Infelizmente, notícia do último sábado, dia 30 de maio. Índia assina acordo de fornecimento de mísseis para Vietnã.
Felipe Nobre Figueiredo:Índia e Vietnã, meu caro Matias, assinaram um contrato em que a Índia vai fornecer os mísseis BrahMos, tá, para as forças armadas vietnamitas. O BrahMos é um míssil supersônico especialmente para ser antinavio e foi desenvolvido em conjunto entre Índia e Rússia. Inclusive, o nome BrahMos é um portmanteau do nome do rio Brahmaputra, na Índia, e o rio Moscva, na Rússia, que é o rio que batiza a capital da Rússia. O BrahMos foi desenvolvido já tem mais de uma década, porém ele tem já sido utilizado, possivelmente foi utilizado inclusive pela Índia ano passado. Além da Índia, ele também é utilizado pelas Filipinas, pela Rússia. E o Brasil já negociou eventualmente a compra desse sistema. Ainda não está confirmado, mas é possível que esse míssil seja adquirido para as fragatas classe Tamandaré, né, que inclusive a primeira foi lançada ao mar recentemente. E essa notícia é importante porque, porque mais uma notícia, né, de aumento de gastos globais em defesa. Segundo, mais um mercado em que a Índia passa a penetrar como uma fornecedora de armas de alta tecnologia, armas de alto valor agregado, tá? Não apenas fornecimento de munição, fornecimento de coisas mais rudimentares. A Índia tem se tornado cada vez mais um player no mercado armamentista global. E terceiro, vamos lembrar que O Vietnã tem uma política de neutralidade total, a política dos 4 nãos inclusive, mas o Vietnã é vizinho da China. Vietnã e China tem uma questão na sua divisa marítima no Mar do Sul da China. Vietnã e China já tiveram um confronto durante a Guerra Fria e a Índia e a China também não são exatamente os melhores amigos que existem. Então também tem esse elemento, o que me leva, meu caro Matias, a próxima notícia. Porque Vietnã e Filipinas essa semana elevaram as suas relações a uma parceria estratégica, reafirmando o seu comprometimento não negociável à paz e à estabilidade no Mar do Sul da China. Já falei aqui, né, se um dia for ter uma Terceira Guerra Mundial, o estopim dela muito provavelmente vai ser o Mar do Sul da China e as disputas territoriais ali. Porque é uma região estratégica, são águas muito ricas e águas com diversos interesses que se sobrepõem. Voltando rapidamente para a Índia, meu caro Matias, duas notícias. Essa semana iniciaram as primeiras obras do projeto de desenvolvimento das Ilhas Nicobar pela Índia. É um projeto de $9 bilhões que pretende construir um porto, um aeroporto e uma cidade que vai ser povoada inicialmente pelos trabalhadores dessa obra nessas ilhas de Nicobar. E aí eu vou pedir para o nosso ouvinte, porque eu tenho certeza que pouquíssimos dos nossos ouvintes sabem pensar no mapa, né, e passar as ilhas Nicobar fica em tal lugar, uma coisa muito de nicho, tá. Não tô falando isso, tá, porque assim, uma coisa muito de nicho. Eu peço para os nossos ouvintes, especialmente os que são, né, interessados mais na parte geopolítica sobre a Índia, Procurem no mapa onde fica as Ilhas Nicobar. As Ilhas Nicobar não ficam perto do território continental indiano. As Ilhas Nicobar, elas ficam muito mais perto, né, do Estreito de Malaca, tá, perto da Indonésia e da costa da Tailândia. É o território mais distante da Índia, digamos assim, e é um território extremamente estratégico que a Índia quer transformar numa grande fortaleza, numa grande base perto do Estreito de Malaca, que é uma das principais vias marítimas do mundo. Ainda sobre a Índia, meu caro Matias, a BBC fez uma matéria interessante, foi publicada também em português, intitulada Por que os comunistas perderam espaço na Índia após governar mais de 100 milhões de pessoas por décadas? A gente repercutiu recentemente que pela primeira vez desde a década de 1950 não teremos nenhum governo de partido comunista na Índia depois das últimas eleições locais.
Matias Pinto:Abrindo o mês de junho, duas notícias da segunda-feira passada, dia 1º deste mês. Ghana aprova legislação anti-LGBT.
Felipe Nobre Figueiredo:Infelizmente, nós já havíamos comentado, né, da introdução dessa legislação, e agora ela foi aprovada, foi confirmada. Então, Ghana passa a criminalizar qualquer atividade LGBT. E o que isso significa, né? Exatamente, pode significar muitas coisas. Então significa desde encontros pessoais físicos entre pessoas do mesmo sexo até, por exemplo, a promoção de atividades ou ideologia LGBT. Novamente, fica uma coisa muito vaga que vai permitir que pessoas sejam perseguidas. Gana já tinha uma proibição de relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo que vinha desde o período colonial britânico. Porém, essa proibição, ela durante um tempo ela ficou ali meio afrouxada. Porém, agora essa nova legislação não apenas reforça, mas expande a repressão, inclusive, como eu disse, a, abro aspas, promoção propagação, advocacia, apoio ou financiamento de atividades relacionadas às ações aqui delimitadas e proibidas. Então, um retrocesso gigantesco em questão de direitos humanos em Gana, que nós já havíamos comentado aqui, e agora infelizmente foi confirmado.
Matias Pinto:Ainda no continente africano, Etiópia realiza eleições em meio a conflitos internos.
Felipe Nobre Figueiredo:Tivemos eleições no último dia 1º de junho para os 547 assentos, né, no parlamento etíope. Lembrando que a Etiópia é um regime parlamentarista. O Abiy Ahmed, né, do Partido da Prosperidade, ele é o primeiro-ministro. E recentemente, alguns anos atrás, né, uma das coisas que a gente se orgulha no nosso trabalho, a nossa cobertura sobre continente africano e sobre Etiópia, É uma coisa muito prazerosa inclusive de fazer, porque a gente tem que sentar a bunda na cadeira e estudar, né? A gente inclusive aprende muito para poder falar aqui. O Abiy Ahmed, alguns anos atrás, né, ele basicamente forçou uma unificação de todos os partidos, quase todos os partidos etíopes, dentro do Partido da Prosperidade, né? Os vários partidos, né, que faziam parte, né, da Federação Etíope foram unificados sob um partido só. Então hoje, né, você tem 547 assentos no parlamento e 457 estão sob o Partido da Prosperidade, e 74 estão vacantes, que são os assentos que eram do partido da região do Tigray, ou Tigré. E agora tivemos a realização das eleições, muito provavelmente como uma mera confirmação, uma mera formalidade, né, de manter o Abiy Ahmed e o Partido da Prosperidade no poder. Porém, nós não tivemos votos tanto na região de Tigray quanto em 30 distritos da região de Amhara, e em alguns distritos da região de Oromia nós tivemos troca de tiros e tivemos homens armados da milícia do Exército de Libertação de Oromo impedindo a realização da votação. Então nós ainda não temos nenhuma prévia de resultado. Mas podemos dizer com certeza que vários assentos do parlamento etíope não terão representantes por conta dos conflitos internos. E meu caro Matias, já no dia 31 de maio, né, nós tivemos eleições na Guiné, tá, que basicamente, né, confirmaram aí, né, serviram novamente como uma formalidade né, para apoiar o governo do presidente Mamadi Doumbouya, né, o militar que liderou o golpe militar, ele que serviu inclusive na Legião Estrangeira Francesa, porque em março nós tivemos a dissolução de todos os partidos políticos, tá. Então agora basicamente todas as pessoas eleitas foram pessoas que foram aprovadas pelo governo, e além disso o Senado, né, vai ser formado basicamente por pessoas indicadas pelo presidente. Então, novamente, mera formalidade.
Matias Pinto:Bem, vocês ficam agora com a coluna aberta, na qual Felipe observará o movimento das peças no sempre complicado tabuleiro do Oriente Médio. É tempo de Copa do Mundo e a Central 3 chega com um podcast narrativo com histórias da seleção brasileira. É o Amarela Ouro, personagens do do passado, debates do presente e uma viagem por causas do maior time de futebol da história. Amarela Ouro, semanalmente no seu tocador. Uma produção Central 3.
Felipe Nobre Figueiredo:Faz Bebeto! Faz Bebeto! Faz Bebeto! Cena aberta.
Voz D:Bem, pessoal, começando nosso giro pelo Oriente Médio. Esse giro vai ser um giro um pouco mais rápido, um pouco mais factual, mas vamos lá. No último dia 1º de junho, a agência Tasnim, que é ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, disse que as negociações entre Irã e Estados Unidos estavam suspensas pelo fato de que os Estados Unidos estariam violando o cessar-fogo devido aos ataques israelenses ao Líbano e também ao bloqueio dos portos iranianos pela Marinha dos Estados Unidos. Porém, tanto outros setores iranianos quanto também o governo dos Estados Unidos disseram que na verdade as negociações estavam ocorrendo, estavam seguindo normalmente, né. Ou seja, talvez até mesmo um mecanismo aí de pressão pública por um acordo para fortalecimento de posições, né, você dizer que a negociação está interrompida, está suspensa, algo do tipo. Também nessa seara de negociações, o Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, ele afirmou numa entrevista ao Financial Times que o governo do Cazaquistão teria se oferecido, teria se mostrado disposto a receber o urânio enriquecido do Irã em um eventual acordo nuclear, caso, né, o Irã aceite entregar o seu urânio enriquecido. Lembrando que aquele acordo mediado pelo Brasil lá em 2010 tinha uma premissa similar do urânio enriquecido pelo Irã ser transferido para um terceiro país. Naquela ocasião seria a Turquia. E também nesse último dia, 1º de junho, os preços do petróleo subiram como uma suposta reação ao Donald Trump ter dito que ele não se importava, né, se as conversas estavam suspensas ou não. Pois bem, 2 dias depois, no dia 3 de junho, nós tivemos ataques iranianos ao Kuwait, que deixaram inclusive uma pessoa morta. Parte dos ataques atingiram o principal aeroporto internacional do Kuwait e forças dos Estados Unidos interceptaram drones e mísseis que tiveram como alvo bases dos Estados Unidos no Kuwait. Tá, 63 pessoas ficaram feridas. E além dos danos e de uma pessoa morta no Kuwait, nós também tivemos o Bahrein afirmando que interceptou, destruiu vários drones e mísseis iranianos. O Kuwait expulsou 2 diplomatas iranianos depois desse episódio, e a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que realizou esses ataques contra bases dos Estados Unidos como retaliação pelos Estados Unidos terem atacado um petroleiro iraniano no Golfo e também terem atacado uma torre de comunicação da Guarda Revolucionária Islâmica no sul do Irã. E dentre os ataques realizados pelo Irã, segundo comunicado, estava inclusive o quartel da 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos. Esse ataque na verdade foi então uma retaliação, foi uma represália por esse episódio. E já falando do Estreito de Ormuz, essa semana nós tivemos novamente a passagem de dezenas de navios pelo Estreito de Ormuz, tanto travessias conduzidas pela própria Guarda Revolucionária Islâmica. Inclusive, o presidente do Irã disse que navios de bandeira japonesa terão sua passagem facilitada pelo estreito, quanto também passagens conduzidas pela Marinha dos Estados Unidos utilizando rotas perto da costa do Omã. E a Marinha dos Estados Unidos atacou 2 navios no Golfo Pérsico. E, né, acabei de mencionar que esses ataques podem ter sido motivação dos ataques da Guarda Revolucionária Islâmica. Um deles era um navio de bandeira de Botsuana que foi atacado e deixado à deriva depois do ataque. Falando rapidamente de outras notícias, né, ligadas ao Irã e a guerra no Irã, o Bahrein proibiu seus cidadãos de viajarem ao Irã e ao Iraque nesse momento. Já nos Estados Unidos, a Câmara aprovou um projeto que limitaria o poder de guerra do Donald Trump. Lembrando que recentemente o Senado aprovou um projeto similar, porém o projeto foi barrado na Câmara. Então agora temos aí uma inversão, resta ver como é que vai ser a postura durante a votação. O Irã anunciou que está preparando, né, um funeral de estado de 3 dias para o Ali Khamenei. Lembrando que ele foi assassinado no dia 28 de fevereiro, então já estamos falando aí de mais de 3 meses depois da sua morte. Ainda não está claro quais seriam os preparativos, porém espero ser cerimônias em Teerã, a capital, em Qom e também em Machhad. E finalmente, o jornal israelense Israel Hayom, que é um jornal inclusive muito ligado ao Netanyahu, publicou uma matéria sobre os esforços do Mossad, a agência de inteligência externa de Israel, para se infiltrar e fomentar os protestos dentro do Irã e contribuir para queda do regime iraniano. Então, um veículo israelense publicou essa matéria. Vale talvez dar uma olhada, mas assim, eu recomendaria sempre ter um pouquinho de ceticismo também com essa matéria, porque o Israel Hayom, ele é um tabloide. Teoricamente, né, a origem do termo tabloide é sobre o formato, né, o formato físico daquele jornal. Mas hoje ele, né, tem outra conotação, especialmente na mídia britânica. E é nesse sentido que eu estou utilizando a palavra. Já no Líbano, as tropas israelenses realizaram mais avanços, ocupando mais territórios libaneses essa semana, inclusive indo além do rio Litâni. E voltaram a ocupar o Castelo de Belfort, que é um castelo da época dos Cruzados, que foi ocupado por tropas israelenses num período de 18 anos, entre 1982 a 2000, E isso simboliza o mais avançado avanço, com perdão da redundância, de tropas israelenses em território libanês. E essa semana foi uma semana delicada em relação ao Líbano, porque teria-se chegado numa nova trégua entre Hezbollah e Israel. Isso foi anunciado pela embaixada libanesa nos Estados Unidos, inclusive. Porém, logo depois nós tivemos tanto um dos principais comandantes atuais da Guarda Revolucionária Islâmica dizendo que não poderia ter cessar-fogo, não poderia ter trégua enquanto tropas israelenses ocupassem território libanês. Então era necessário, né, que essas tropas recuassem para eventualmente ter uma trégua, um acordo. E eu cito a Guarda Revolucionária Islâmica porque São os principais aliados do Hezbollah, inclusive com fornecimento de inteligência, fornecimento de treinamento, de armas, etc. O Hezbollah teria inclusive disparado alguns foguetes contra o norte de Israel.
Felipe Nobre Figueiredo:E do outro lado, governo israelense também ignorou o cessar-fogo, voltou a bombardear o Líbano e disse ter aval do governo dos Estados Unidos para atacar e até mesmo avançar até Beirute.
Voz D:Então, porque eu digo que foi uma semana delicada, né, que é uma semana delicada, porque você teve esse anúncio, né, desse possível cessar-fogo, dessa possível trégua, porém ela rapidamente veio abaixo. E o veículo Axios, do Barak Havith, de Israel, que é um veículo também próximo a Netanyahu, disse que o Donald Trump, né, numa conversa telefônica com Netanyahu, teria chamado Netanyahu de louco Dizendo que ele estaria na cadeia se não fosse pelo Donald Trump, e que hoje, por conta das ações dele, todo mundo odeia Netanyahu e todo mundo odeia Israel. Esse teria sido o conteúdo da conversa.
Felipe Nobre Figueiredo:Ao ser perguntado sobre isso, o Donald Trump deu uma disfarçada, dizendo que foi uma conversa dura entre amigos, né, algo assim.
Voz D:E em uma semana, 3 hospitais libaneses foram atingidos por bombardeios israelenses, inclusive com mais mortes de profissionais de saúde, assim como a gente já havia repercutido por aqui. E um soldado sérvio da UNIFIL, tá, das tropas da ONU no sul do Líbano, foi morto num ataque essa semana. Ainda não está claro se foi um ataque do Hezbollah ou de tropas israelenses. Até o momento da gravação desse programa ainda não tinha uma investigação ainda, até porque foi uma notícia de hoje, dia 4. Falando de Israel, duas notícias. Uma delas é que a ONU incluiu a Rússia e Israel na sua lista de países que usam violência sexual em conflito e contra pessoas detidas. E isso foi devido ao fato de que um relatório produzido no âmbito da ONU verificou o abuso sexual de 31 pessoas palestinas, homens, mulheres e crianças, entre 2023 e 2025. Tá, então isso é um relatório produzido dentro do âmbito da investigação da ONU, com pelo menos 31 casos verificados, confirmados, e afirmando que tem uma systematic lack of accountability, ou seja, tem uma falta sistemática de responsabilização por esses atos. O Benjamin Netanyahu afirmou que o governo israelense iria então cortar os laços com o António Guterres, o secretário-geral da ONU, por essa decisão. E a União Europeia essa semana anunciou que vai expandir suas sanções contra líderes do Hamas e também inaugurou imposição de sanções contra colonos judeus na Cisjordânia. E finalmente, falando de Gaza, o Benjamin Netanyahu ordenou que as tropas israelenses assumam o controle de 70% de Gaza em outras palavras, rompam o acordo negociado meses atrás e avancem além do que o acordo presumia. E já no âmbito da Corte Internacional de Justiça, essa semana um comunicado sobre o caso, né, de genocídio na Faixa de Gaza movido pela África do Sul contra Israel, foram publicados os prazos para recursos e argumentações. Então, África do Sul vai ter até 22 de novembro de 2027 para sua resposta, e Israel vai ter até 22 de maio de 2029 para sua réplica. Vejam, né, que assim, todo mundo esperava que o processo durasse anos, porém esses prazos de 18 meses, né, para respostas e para réplica, eles são atípicos. Pelo comentário de alguns especialistas no assunto, ainda não está claro porque a extensão tão grande desse prazo, certo?
Matias Pinto:Bem, passemos agora para as efemérides da semana que vem.
Felipe Nobre Figueiredo:Screaming and hollering and stinking of gin, oh baby, baby, where have you been?
Matias Pinto:A Semana na História. 10 de junho de 2023. Junho de 1926.
Felipe Nobre Figueiredo:Há 100 anos morria o arquiteto Antoni Gaudí, ele que é um dos principais artistas catalães da história. Muitas vezes se colocam ele como espanhol, porém ele sempre destacava o seu catalanismo, né, por assim dizer. Ele era bastante católico, inclusive Tem um processo para sua eventual canonização aberto. E claro, a sua obra mais famosa, que ele misturava várias técnicas, vários elementos, muito vidro. Eu não sou nenhum especialista, acho que nem eu nem o Matisse, mas enfim, é o que dá para dizer à primeira vista, sendo um leigo. Mas a sua principal obra ainda está terminando, que é a Basílica da Sagrada Família, que foi consagrada em 2010. Porém ainda não foi completamente construída, mas essa é provavelmente sua maior obra. E, meu caro Matias, como curiosidade, por conta da efeméride, eu não sabia isso, 7 trabalhos do Gaudí são patrimônio cultural da humanidade da UNESCO, tá? Um número muito considerável se você pensar ele como um indivíduo, né? Ele como indivíduo tem mais patrimônios da UNESCO do que alguns países. Claro que isso também diz dos vieses estabelecimento, que é um patrimônio cultural da UNESCO. Mas enfim, 100 anos aí da morte do Gaudí. Que eu tenho certeza que algum ouvinte nosso que é arquiteto ou arquiteta é muito fã da obra dele.
Matias Pinto:2 dias depois, em 12 de junho de 1926, o Brasil se retirava da Liga das Nações em protestos contra planos de admissão da Alemanha.
Felipe Nobre Figueiredo:A Alemanha, né, que foi excluída da fundação da Liga das Nações por ser não apenas a nação perdedora da Primeira Guerra Mundial, Mas ela foi o país que foi responsabilizado pela guerra. O Tratado de Versalhes impôs à Alemanha a responsabilidade pelo conflito. É claro que isso não é uma verdade histórica, por assim dizer, né? A Primeira Guerra Mundial tem várias causas adjacentes, várias questões envolvidas. Não foi apenas o Império Alemão ou Kaiser Wilhelm II acordando num belo dia e falando: ah, quer saber, vou começar aqui a maior guerra da história humana. Não, mas a Alemanha, como ela foi responsabilizada pelo conflito, ela foi excluída da Liga das Nações. Só que ao mesmo tempo é um país muito importante, é uma economia grande, especialmente considerando ali a Europa. E principalmente era um momento ali de reabilitação da Alemanha para refinanciar a dívida de guerra dela, possibilitar o desenvolvimento econômico E também começar a distanciar a Alemanha da sua nova amiga União Soviética. E aí, esse é um dos assuntos que eu já mencionei aqui, que é um dos mais complicados de ser abordado na internet brasileira. Quando eu digo complicados, é porque ele normalmente é abordado de forma tosca, que são as relações entre União Soviética e Alemanha no período entre guerras, tanto na República de Weimar quanto durante o período nazista. Mas enfim, o ponto é: para equilibrar tudo isso, a Liga das Nações aprovou a entrada da Alemanha. Não apenas a entrada da Alemanha, mas que a Alemanha passaria a fazer parte do Conselho da Liga das Nações, que o Brasil queria fazer parte. E aí o Brasil, em protesto, falando: olha só, pera aí, o país começa a guerra, faz todo esse negócio, e em apenas alguns anos vai voltar para Liga das Nações, e a gente que tá tentando fazer parte do Conselho não consegue. Então a gente vai sair em protesto. E aí o governo brasileiro determina a retirada do Brasil da Liga das Nações, 100 anos atrás.
Matias Pinto:E na quinta-feira da semana que vem completam-se 25 anos de quando Timothy McVeigh foi executado pelo atentado em Oklahoma City no dia 11 de junho de 2001.
Felipe Nobre Figueiredo:O atentado de Oklahoma City, né, de 1995, é o maior atentado de terrorismo doméstico da história dos Estados Unidos. Foram 168 mortos, mais de 600 pessoas feridas, e em valores da época, mais de meio bilhão de dólares em danos. O Timothy McVeigh, ele era, né, um veterano de guerra dos Estados Unidos e ligado a causas extremistas de nacionalismo branco, mas principalmente causas extremistas de antigoverno, né, do antigoverno central. Governo quer me impedir, o governo quer me censurar, o governo está me controlando. E ele realiza o atentado a um edifício, né, onde funcionava instituições federais em Oklahoma. Causando todos esses danos. Ele acaba sendo executado em 2001. E repito, o maior caso de atentado doméstico da história dos Estados Unidos, e era o maior caso de terrorismo dos Estados Unidos no geral até o 11 de setembro. E para quem quiser, né, saber um pouquinho mais, conhecer um pouquinho mais sobre isso, tem um Nerdologia sobre ele que se chama Oklahoma 1995. Aí alguém pode falar assim, mas pô, Felipe, que título ruim! Por que vocês colocaram esse título ruim? É difícil de achar. Porque se você colocava atentado, terrorismo ou Timothy McVeigh, o YouTube já sinalizava, tá, logo no upload. Então o título teve que ser o Oklahoma 1995, que não é o título mais sensacionalista, não é o título mais clickbait possível, pelo contrário. Porém era as restrições do YouTube, pelo fato do Nerdologia ser um canal educativo de verdade, né, não ser um canal em que você pode assistir títulos clickbait a rodo.
Matias Pinto:Bem, passemos agora para o match no qual eu e o Felipe daremos uma volta pelo velho continente. Russia convoca embaixador na Armênia em protesto antes de eleição.
Felipe Nobre Figueiredo:A gente já havia mencionado no programa passado, né, mas agora neste final de semana, no dia 7 de junho, teremos eleições na Armênia. Para os 101 assentos da Assembleia Nacional e mais eventuais assentos necessários pelos coeficientes eleitorais, né. As pesquisas dão uma vitória do Contrato Cívico do Pachinian, embora por uma margem provavelmente menor do que ele tinha. Isso ainda está por ver, né. Hoje o partido do primeiro-ministro tem 69 dos 101 assentos. E meu caro Matias, né, como a gente já falou aqui, a gente vai sequestrar o nosso querido Heitor Loureiro semana que vem para falarmos do pós-eleição. Mas para falar um pouco do pré-eleição, que foi o tema da minha recente coluna no jornal, inclusive, essa eleição tá se mostrando uma espécie de referendo indireto sobre o futuro das relações exteriores da Armênia. E é muito curioso isso, né, porque no Brasil a política exterior ela tem algum peso eleitoral. É um fenômeno recente isso, inclusive, mas nunca vai ser o elemento decisivo das eleições. Em alguns outros países, né, como Coreia do Sul, a gente sempre destaca esse exemplo, e Armênia, vai ser o grande debate das eleições, está sendo o grande debate das eleições.
Matias Pinto:Até porque se trata de um país bastante isolado, né.
Felipe Nobre Figueiredo:É, geograficamente é um país que não tem saída para o mar, por exemplo, né? É um país que duas das suas fronteiras são fechadas, né? São quatro fronteiras, duas são fechadas. Uma é com uma certa desconfiança, que é com a Geórgia, e outra é com o Irã, que é a fronteira mais importante. Mas o Irã é o—
Matias Pinto:tá passando por um mau momento.
Felipe Nobre Figueiredo:Mas então as eleições na Armênia muito provavelmente serão as eleições mais importantes da história dessa República da Armênia. Porque primeiro, né, você vai ter essa escolha de rota geopolítica, e segundo, né, não podemos nos esquecer, é a primeira eleição depois da limpeza étnica cometida pelo Azerbaijão em Artsakh, né, também conhecido como Nagorno-Karabakh. Então, né, esse é o panorama geral do lado, né, da escolha de rota externa do Dukhanyan. Vamos fazer uma breve recapitulada também, né. O Pashinyan, ele chegou no poder em 2018, Ele foi o principal líder da Revolução de Veludo, né, que buscou romper com as oligarquias armênias, né, uma marcada ali pela corrupção, pelo clientelismo. E nesses 8 anos, os avanços do governo dele internamente são inegáveis, tá? Modernizou economia, administração, digitalização da economia, da burocracia, melhores estradas. Eu já contei aqui, né, Matias, uma coisa que, por exemplo, Armênia, ela digitalizou a administração pública para diminuir os gastos com papel, porque Armênia precisa importar papel, né, porque Armênia não produz papel internamente. Então, para diminuir as importações, para diminuir esse gasto, vamos digitalizar. E esse processo de digitalização contribuiu para quê? Para você diminuir a corrupção. Aí essa é uma outra coisa que a gente lembra aqui, né, quando a gente tá falando de corrupção aqui, a gente tá falando inclusive daquelas pequenas corrupções cotidianas, que é, por exemplo, o cara vai lá matricular o filho dele na escola pública, e aí a pessoa responsável, ele fala: olha, tá com pouca vaga, né, talvez ele tem que ir para escola de outro bairro, mas a gente pode fazer um arranjo aqui, a gente pode chegar numa solução. Ao digitalizar isso, você diminuiu essas margens de pequenas corrupções, melhorou burocracia, melhora das estradas, etc. Não apenas as grandes corrupções ligadas especialmente ao Kocharyan, que é hoje o principal opositor do Pashinyan nas eleições. E aí, o que acontece? O discurso do Pashinyan desde 2018 vinculava essas oligarquias e a corrupção geral na Armênia à influência russa, tá? O Kocharyan inclusive é um aliado do Putin. E o Pashinyan colocava então a União Europeia como o grande exemplo de governança E de meta de política externa, né, uma ambição ancorada inclusive parcialmente na influente diáspora armênia na França, né, os descendentes dos sobreviventes do genocídio de 1915. E o distanciamento da Rússia, ele vem acompanhado de um preço militar. Eu e Heitor já falamos aqui, especialmente o Heitor, que é o maior especialista brasileiro em Armênia, né. Eu posso ter algum conhecimento do assunto, já fui para Armênia, tenho conhecidos na Armênia, Mas o Heitor, por exemplo, ele fala e lê armênio. Isso é algo importantíssimo para você ser um especialista no país, especialmente um país que tem um alfabeto próprio, que tem uma produção linguística de conhecimento próprio, né? Depois da Revolução de Veludo de 2018, a Rússia meio que largou a mão da Armênia e falou: tá bom, você quer distanciar da gente, você acha a Rússia corrupta, etc., então se vira sozinha. E aí nós tivemos 3 derrotas sucessivas contra o Azerbaijão. Que agora contava com apoio não apenas da Turquia, um país da OTAN, mas também da Rússia, e tomar os territórios, né, que os armênios chamam de Artsakh, conhecido internacionalmente como Nagorno-Karabakh, que internacionalmente eram reconhecidos pela maior parte da comunidade como parte do Azerbaijão, mas que historicamente eram povoados por armênios e era uma fronteira que era uma divisa interna da União Soviética, nunca foi pensada para ser uma fronteira nacional. Então nós tivemos cerca de 100 mil armênios que viviam ali há 1000 anos sofrendo essa limpeza étnica em 2023. Então, para parte da população armênia, as derrotas militares, elas são responsabilidade do Pashinyan, porque ele seria então líder internacionalmente fraco. Eu já disse, né, já usei o termo aqui, por exemplo, internacionalmente um bundão. Errou ao provocar-se de se distanciar da Rússia, que na visão de muita gente na Armênia é a única potência que pode garantir a segurança, integridade territorial da Armênia a potência que, entre aspas, né, cuida ali do Cáucaso. Para outra parcela dos armênios, entretanto, é bom lembrar que a Rússia traiu a Armênia. Muitos armênios se consideram traídos pela Rússia, especialmente porque em 2020 o território da República da Armênia foi atacado, não apenas os territórios de Artsakh. E por esse ataque, a Armênia solicitou ajuda do Tratado de Defesa Coletiva pós-soviético, e a Rússia lavou as mãos. Tá, então para parte dos armênios a Rússia é traidora e o Pashinyan tá certo em buscar novos parceiros. E aí, quem são esses novos parceiros, né? Como eu mencionei, a França/UE, a Índia, que é uma relação que tem sido muito aprofundada nos últimos anos, incluindo em fornecimento de equipamentos militares, e os Estados Unidos têm ganhado muito peso nos últimos anos. Estados Unidos tradicionalmente são distantes do Cáucaso e o governo Trump quer negociar, né, a Rota Trump para a Paz e Prosperidade Internacional, Projeto TRIP. É bom a gente não desvincular, né, essa mediação, que tem que ser vista com ceticismo pelo fato do, né, que ela é baseada no ego do Trump, tanto que tem o nome dele, né, Rota Trump, e é o fato da família Trump ter negócios no Azerbaijão, na Turquia. Mas, né, então nós temos o plano intermediado pelos Estados Unidos O Marco Rubio, né, semana passada foi erva, a gente mencionou isso. E o Trump, meu caro Matias, endossou publicamente o Pashinyan, embora o Trump tem o toque de Midas ao contrário, né. Só que aí tem uma outra discussão, né, que a geografia ela é às vezes implacável. Os Estados Unidos, eles são muito distantes para conseguirem fornecer garantias firmes para segurança armênia. E hoje Estados Unidos e Irã estão em guerra, e o Irã, que é o principal aliado regional da Armênia, tanto na economia quanto também militar. E você tem a Rússia, claro, reagindo a essas mudanças de caminho da política externa armênia, porque vê a região ali como a sua zona de influência. E a Rússia não hesita em deixar isso claro, né? Bloqueou a entrada essa semana de produtos armênios, totalizando centenas de milhões de dólares. Água mineral, produtos agrícolas, né. Armênia, ela produz uma água mineral, água mineral de Djermuk, que é uma zona de termas, etc., e é uma água muito popular na Rússia, né, desde os tempos do Império Russo, tá. A Rússia articulou na União Econômica Eurasiana uma declaração que afirma que a Armênia deveria realizar um referendo para escolher entre o bloco eurasiano ou União Europeia. O Pashinyan disse que isso é um absurdo, que isso não seria necessário, mas essa eleição na prática acaba sendo um pouco esse referendo. E é importante lembrar também que Armênia também é importante para Rússia, porque está na Armênia a maior base militar permanente russa fora do território da Federação Russa, em Gyuri, né, desconsiderando os territórios ocupados na Ucrânia, claro. É uma posição que permite a Rússia então ter uma grande base além do Cáucaso, próximo do Oriente Médio, oásis ocidental, perto então da fronteira com a Turquia, perto da fronteira com o Irã, etc. E você também tem junto com isso, né, as várias acusações de tentativas de interferência eleitoral. Tivemos recentemente pessoas presas na Armênia que estariam sendo parte de uma quadrilha financiada pela Rússia para compra de votos. Claro, para Armênia, para o Pashinyan e para os armênios, o ideal é o quê? É integrar, ter diálogo tanto com a União Europeia quanto União Eurasiana, diversificar os parceiros sem precisar sacrificar essas relações históricas. O próprio Pashinyan gosta de usar o termo Encruzilhada da Paz, né, que é o nome de um dos principais projetos de integração econômica da Armênia. Mas infelizmente, aparentemente, tanto pelo cenário global quanto pelo cenário ideológico, né, pelo debate interno da Armênia, isso é quase impossível, né. Então tá sendo praticamente imposto que a Armênia precisaria escolher um desses dois rumos. E por isso que eu disse que essa eleição, que o Pashinyan lidera as pesquisas, é uma espécie ali de referendo extraoficial nos rumos externos da Armênia. Mas como eu disse, tá, questão geográfica, porque vamos supor que o Pashinyan vence as eleições de lavada e a Rússia decida usar justificativas fitossanitárias para embargar produtos armênios, Armênia vai ficar numa situação muito complicada. Porque a Rússia é um dos principais destinos de exportações armênias, e algumas dessas exportações, as que trazem mais valor agregado, trazem mais dinheiro. Então, por exemplo, produção de bebidas alcoólicas, né, com conhaque Ararat, que é muito popular na Rússia, né, um dos melhores conhaques do mundo. Não só o Ararat, não, o conhaque armênio como um todo, né. O conhaque Ararat é um específico, né, o conhaque armênio como um todo, que inclusive, né, reza a lenda que o Stalin mandava caixas e caixas de Cognac Armênio para o Churchill, porque era uma das bebidas preferidas do Churchill. O que quer dizer muito, considerando que o Churchill era, né, um Opala, né, era 15 litros de bebida alcoólica por dia. E hoje ele é o ídolo dos conservadores, inclusive, né. Eu acho muito louco isso, porque tem um comentarista de política brasileiro que é conservador que ele disse que o Churchill é um dos grandes exemplos da vida dele, e ao mesmo tempo ele costuma chamar o Lula de cachaceiro. Tipo, amigo, um pouquinho de coerência, né? O Churchill, enfim, o Churchill não tinha uma relação saudável com a bebida alcoólica, colocamos dessa maneira, tá? Além das piadas, tem que falar sério, né? Ele não tinha uma relação saudável com a bebida alcoólica.
Matias Pinto:O Churchill, que quando completou uma idade redonda, não lembro se era 70, 80 anos, né, ele que morreu com 90, enfim, perguntaram qual era o segredo da longevidade. E aí a frase atribuída a ele foi: esportes, nunca pratiquei.
Felipe Nobre Figueiredo:Pois é, e entornava bem. Mas enfim, aí a gente vai começar o nosso giro pela Europa, meu caro Matias. Vamos começar, né, infelizmente pela guerra na Ucrânia, já que nesse último dia 3 a Ucrânia atacou um dos principais terminais de petróleo de São Petersburgo. Além da Academia Militar de Kronstadt, que é uma academia militar histórica, né, porque a gente tem a Rebelião dos Marinheiros de Kronstadt, inclusive, que eram os marinheiros mais à esquerda do que os bolcheviques, né, para quem não conhece essa história. Enquanto tá rolando o Fórum Econômico de São Petersburgo, né, durante isso, e um ataque, né, russo contra a Ucrânia deixou pelo menos 23 pessoas mortas. Tivemos um drone russo atingindo um prédio na Romênia no último dia 29 de maio. Um drone que perdeu a rota ali, talvez ele tenha sofrido interferência eletrônica. E a Romênia é um país da OTAN, né? E aí sempre tem os apóstolos do apocalipse, né? Meu Deus, um drone russo num prédio na Romênia que deixou duas pessoas feridas! A Romênia é parte da OTAN, gente. A OTAN não vai começar a Terceira Guerra Mundial por causa de um prédio na Romênia. Rumênia, tá? Vamos botar um português muito claro aqui. Tem que ter um ataque, sei lá, contra Berlim, contra Champs-Élysées. E aí sim. Mas um prédio na Romênia com dois feridos dificilmente vai ser o estopim da Terceira Guerra Mundial. E aí, meu caro Matias, uma notícia que acho que vale a pena ser comentada é o fato de que a Anne Kist Butler, que foi chefe da inteligência britânica, ela dando uma entrevista essa semana disse que as forças russas, desde o início da guerra, teriam já sofrido meio milhão de mortes. Não é nem de baixas, tá, baixas totais, né, de feridos, etc. Meio milhão de mortos desde 2022. É um número absurdo, gigantesco, para uma guerra do século 21. Aí, novamente, claro, você Você tem que pensar que ela é ligada à inteligência britânica, o Reino Unido é um dos países que mais apoia a Ucrânia. Ela teria interesse para dar um número, né, que deixasse a Rússia, na imagem da Rússia negativa, algo do tipo. Mas vamos pensar que ela está dobrando o número, tá? 250 mil mortos em 4 anos de uma guerra no século 21 ainda é um número gigantesco. E isso tem que ser colocado em um contexto muito específico que eu já mencionei aqui brevemente lá no início da guerra, que o seguinte, gente: a Rússia é o maior país do mundo em território e tem uma população menor que a de Bangladesh. A Rússia perder centenas de milhares de pessoas numa guerra vai ter um efeito demográfico de médio-longo prazo enorme, gigantesco. A população russa já é pequena, especialmente considerando o território. Enfim, demograficamente falando, e aí eu tô falando tanto em presença no território quanto questões econômicas, quanto também questões que abrem margens para separatismo e a emancipação de outras minorias étnicas dentro da Rússia, é um prato cheio no médio e longo prazo. Demograficamente falando, esse conflito é um desastre. Muitas pessoas, infelizmente, elas ainda estão presas numa associação automática entre Rússia e União Soviética. E algumas pessoas fazem isso tanto para criticarem a Rússia e o Putin, né, como se fosse o a mesma coisa que a União Soviética. Mas tem outras pessoas também que ainda tem uma visão de que o poderio da Rússia seria o mesmo poderio da União Soviética. A população da Rússia hoje é menos da metade do que era a população soviética em 1989, tá? Então assim, não dá para se tratar como sinônimos, tá? União Soviética, por envolver outros países, outras regiões, incluindo, né, a própria Ucrânia, Tinha uma população muito maior, um potencial demográfico muito maior, um parque industrial maior, enfim. Então assim, demograficamente, essa guerra é um desastre para Rússia. Não apenas demograficamente, mas também demograficamente. E meu caro Matias, ainda nesse tema da guerra na Ucrânia, falando da OTAN, Donald Trump confirmou que vai à cúpula da OTAN em Âncara em julho, na Turquia. Resta saber se ele vai pela OTAN para poder dizer que a OTAN é traidora, etc., isso e aquilo, ou se ele vai para continuar os negócios dele com a Turquia. A gente sai ali pelo Mar Negro, cruzamos os estreitos de Bósforo e Dardanelos em Constantinopla e vamos até a Grécia, tá. Já com Alexis Tsipras, o ex-primeiro-ministro de esquerda, lançou um novo partido, tá, agora na Grécia, em que ele busca unificar as forças de esquerda. O nome do partido vai ser ELAS, que é grego, em grego, isso, né, Grécia em grego, né, mas sem o H, vai ser E-L-A-S, como se fosse o feminino em línguas latinas, né. Então ELAS. E é muito curioso, né, quero unificar as forças de esquerda que são divididas, então vou criar mais um grupo de esquerda, mas porque É que nem o meme da tomada, né? Precisamos padronizar a tomada pelo mundo, então vamos criar mais um desenho de tomada. A gente continua no Mediterrâneo, vamos passar rapidamente em Malta, já que o Robert Abela do Partido Trabalhista venceu as eleições nacionais em Malta e conquistará um inédito na história do país, quarto mandato consecutivo. Então, Partido Trabalhista continuará no poder em Malta e, repito, algo inédito na história do país, 4 mandatos consecutivos. Aí a gente pega o nosso barquinho, dá meia volta e vamos subir a Península Itálica, passar pela Santa Sé rapidamente, já que o Vaticano anunciou pela primeira vez uma mulher para liderar a comunicação da Santa Sé. A mexicana Maria Monserrat Alvarado, ela vai ser então a primeira mulher a ter o cargo que é parte da cúria, inclusive. Então ela vai assumir a comunicação do Vaticano. Ela que é a presidente do serviço de notícias católico Eternal World Television News, então assim, né, televisão de notícias mundo eterno, traduzindo. E agora será a chefe Rede de Comunicação da Santa Sé. A gente cruza o Adriático, vamos até a Albânia, já que tivemos no último final de semana grandes protestos no país contra um novo resort de luxo em uma ilha que é de reserva ambiental. Esse resort de luxo vai custar cerca de 1,6 bilhão de dólares e tem como um dos seus principais sócios um cara chamado Jared Kushner, também conhecido como genro de Donald Trump, tá? Então milhares de pessoas foram às ruas e o símbolo desses protestos são os flamingos, meu caro Matias, porque nessa ilha tem uma grande população de flamingos que seria ameaçada pelo projeto do resort. Aí da Albânia a gente deixa de andar de barco, pegamos uma moto e vamos subir pelos Balcãs. E nem eu nem você andamos de moto, mas não sei porque eu pensei em moto, porque eu sou idiota. Mas a gente começa então a subir pelos Bálcãs, vamos até a Hungria com duas notícias. A primeira delas é que a Comissão Europeia liberou 16 bilhões de euros que estavam congelados dos fundos europeus para a Hungria do Pedrinho Hungria, né, o Peter Magyar, o novo primeiro-ministro para a União Europeia. E ele disse que o país precisa tirar os aliados do Orbán das posições públicas. E ele disse que o atual presidente, o Tamás Sulyák, é indigno do cargo e é uma marionete do Orbán, que deveria renunciar. E o presidente, o Tamás, disse que não vai renunciar. Então é possível que o Pedrinho Hungria utilize a super maioria dele no parlamento para tentar um impeachment do presidente húngaro. De lá vamos para a Letônia, meu caro Matias, já que agora temos um novo governo na Letônia, já que a coalizão anterior caiu, como a gente repercutiu, né, nas últimas semanas. E o novo primeiro-ministro será Andris Kouberts, do Partido da Lista Unificada, que é um partido tido como de centro, tá? E o governo terá então 66 das 100 cadeiras do parlamento. Além do Lista Unificada, também farão parte a União dos Verdes e Fazendeiros, o partido Nova Unidade, e também Aliança Nacional. E o Aliança Nacional é um partido bastante problemático porque é o partido que defende publicamente a habilitação política e previdenciária de veteranos letões da Segunda Guerra Mundial que lutaram não pela União Soviética, mas por um outro país chamado Alemanha Nazista. Lembrando que os letães foram parte importantíssima das SS e muitos deles foram voluntários para serem guardas em campos de extermínio e nos guetos. Então assim, a participação da Letônia na Segunda Guerra Mundial, ela é bastante multifacetada. E nas últimas décadas, os nacionalistas da direita e da extrema-direita reabilitaram os veteranos das SS no país, incluindo esse partido que agora estará no governo. Aí, da Letônia, a gente volta para o barquinho, cruzamos o Báltico, vamos passar rapidamente pela Suécia, já que O primeiro-ministro do Canadá, o Mark Carney, ele fez uma encomenda de novos aviões de inteligência e vigilância eletrônica em parceria entre Bombardier e a Saab, tá, o Global Eye da Saab. E o que é interessante isso, meu caro Matias, que o avião que anteriormente havia sido escolhido para esse projeto era da Boeing. Então, primeiro-ministro do Canadá falou: olha só, Donald Trump, não confio, não podemos confiar mais. Opa, Suécia, vem aqui, vamos suprir aqui esse projeto. Então, mais uma mudança no mercado armamentista, com países diversificando seus fornecedores em relação aos Estados Unidos. Agora, meu caro Matias, vamos para Dinamarca, onde temos uma reviravolta, já que a Mette Frederiksen que havia vencido as eleições, mas com o pior resultado da história do partido social-democrata dinamarquês. Aí, por isso ela renunciou. Aí não conseguiram formar governo. Aí os conservadores tentaram formar governo. Aí o rei deu de volta a vez de formar governo para ela. Agora temos um novo governo na Dinamarca com a Mette Frederiksen de primeira-ministra, que vai ter agora o seu terceiro mandato consecutivo. Então assim, uma reviravolta. Mas, meu caro Matias, é um governo de minoria, tá? Importante mencionar isso. Então nós teremos 4 partidos no governo, são 179 cadeiras. O governo será formado por 82 cadeiras, divididas entre 38 social-democratas, 20 da Esquerda Verde, 14 do Partido Moderado, que é um partido liberal clássico, e 10 do Partido Social Liberal, que é uma cisão do Venstre, né, que foi o partido que recentemente eu dei uma barrigada atroz e peço desculpas de novo. E aí vai ter o apoio, tá, de 20 parlamentares divididos em 6 partidos: Aliança Verde e Vermelha, o Partido Alternativo, que é outro partido verde, O Partido Social Democrático, que é o partido das Ilhas Faroe, outro partido da direita das Ilhas Faroe, e os dois representantes groenlandeses inuites. Então teremos um governo de minoria com esse apoio baseado nas Ilhas Faroe, na Groenlândia, etc. Vamos ver quanto tempo ele vai durar, mas temos aí uma grande reviravolta na Dinamarca. Agora vamos para Alemanha, meu caro Matias, já Pela primeira vez na história, a Alemanha não foi escolhida, não foi eleita para um assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU sendo candidata, tá? Primeira vez na história que isso acontece. A Alemanha ficou com 104 votos, a Áustria com 131 e Portugal com 134. 4. Isso mostra como o governo atual da Alemanha, do Friedrich Merz, é um governo que internacionalmente está em situações complicadas, está isolado. É um governo de um chanceler que tem dado declarações muito problemáticas, para dizer o mínimo. E a Alemanha é o segundo maior financiador da ONU, né? Isso é uma das questões que sempre garantia a posição alemã, né, no Conselho de Segurança. Então foi um baque bastante grande. O governo alemão inclusive extraoficialmente falou, né, de que articulações pela Rússia, né, talvez tivesse ameaçado essa posição. Eu particularmente acredito que o que mais afetou pouco voto na Alemanha foi a posição alemã de apoio quase incondicional a Israel. Acredito que é isso que tem cobrado esse preço. E tem um outro detalhe importante que é bom lembrar, né? Eu tenho certeza que muitos dos ouvintes nossos devem estar achando essa notícia necessariamente positiva, algo assim, mas lembremos que o Brasil é aliado da Alemanha no G4, né? Brasil, Alemanha, Índia e Japão, 4 países que buscam assentos permanentes na ONU e principalmente que costumam apoiar as candidaturas entre si para os assentos rotativos. Então a derrota alemã, ela também tem um reflexo marginal, pequeno, tá, na política externa brasileira. E aí, meu caro Matias, quais serão então os 5 novos países do Conselho de Segurança da ONU em 2027? Zimbábue, que entra no lugar da Somália, o Querguistão, que entra no lugar do Paquistão, Trinidad e Tobago no lugar do Panamá como representante caribenho, a Áustria no lugar da Dinamarca e Portugal no lugar da Grécia, tá? Então vai continuar tendo comida boa, pelo menos, né? Sai a Grécia, entra Portugal, né? Uma comida mais mediterrânea, mais temperadinha, mais colorida, né? Uma azeitoninha, né? Então, né, porque assim, eu não sei direito o que que é comida dinamarquesa, mas A única coisa que eu sei que tem lá são biscoitos amanteigados, chocolate.
Matias Pinto:Deve ser muita coisa defumada.
Felipe Nobre Figueiredo:Deve ter algum lugar lá na Dinamarca que deve consumir carne de tubarão defumada, aquelas coisas que nem na Islândia. Enfim, brincadeiras à parte, um abraço para nossa queridíssima Nayara Costa, que sempre nos manda os bastidores da ONU. E o próximo presidente da Assembleia Geral da ONU será o diplomata de Bangladesh Khalilur Rahman, tá? E meu caro Matias, foi 99 a 91, tá? Votação apertadíssima, tá? Lembrando que nós já tivemos momentos em que o presidente da Assembleia Geral da ONU era escolhido quase por unanimidade. Enfim, a gente, né, aproveitou para fazer essas notícias da ONU no bloco da Alemanha, mas a gente cruza o Reno, vamos até a França com 3 notícias. Primeira delas é que o parlamento francês, de forma simbólica, cerimonial, 178 anos depois da abolição da escravidão, finalmente repeliu totalmente o Código Negro, né, o Code Noir, que permitia classificação de pessoas como propriedade. Então tivemos essa abolição agora por 254 a 0, tá, simbólica, claro, porém tinha que ser acompanhada de outras medidas, incluindo reparações ao Haiti, especialmente pela extorsão ao que o Haiti foi submetido na década de 1920. A outra notícia, meu caro Matias, é que o Paris Saint-Germain venceu a Liga dos Campeões da Europa, né? E por que a gente tá falando disso no Xadrez Herbal? Porque 780 pessoas foram presas, tá? Porque os franceses queimam carros, é uma demonstração cultural, não pode ser julgada. Tá, não julgue cultura alheia. Da cultura francesa, queimar carros pode ser em protesto contra o governo, pode ser em protesto contra uma derrota da seleção para Argentina na final da Copa do Mundo, ou pode ser para celebrar uma vitória também. O carro, ele é inflamável, então ele serve para várias ocasiões. É que nem acender uma vela, para extravasar. Isso, algumas pessoas acendem uma vela às vezes para ter um jantar romântico. A vela, ela pode ser romance, pode ser produto, pode ser massagem. É a mesma coisa o carro, o carro tem várias finalidades, a inflamabilidade do carro, né? Então tivemos 780 pessoas presas, tá, e 219 pessoas feridas, incluindo aí 178 integrantes de forças de segurança. E infelizmente, meu caro Matias, brincadeiras à parte, né, todas as piadas que a gente faz, etc. Tivemos uma pessoa que morreu durante as celebrações, tá, porque ficou ferida e quando chegou no hospital ela infelizmente veio a falecer. Eu não entendi se ela foi atropelada ou se foi um acidente de carro. E a terceira notícia francesa, meu caro Matias, é que a ministra francesa da Cultura, a Catherine Pégat, afirmou que o país está disposto a emprestar a tapeçaria de Bayeux, né, um dos principais registros da conquista normanda da Inglaterra em 1066. E a tapeçaria seria então emprestada, tá, para a Inglaterra como parte das celebrações do aniversário da conquista normanda. Então a tapeçaria vai ficar no British Museum de 10 de setembro até 11 de julho de 2027. Eu não emprestaria nada para o British Museum, mas aí sou eu, né, particularmente sou eu. E aí a gente aproveita e cruza o Canal da Mancha, meu caro Matias. Mas aí vamos deixar piadas de lado porque é uma notícia grave, séria, e que tá tendo muitas repercussões. Um homem britânico chamado Henry Novak de 18 anos de idade, ele foi esfaqueado e morto por um outro homem chamado Vikram Digwa, que é Sikh, tá? Lembrando, né, que os Sikhs são uma minoria religiosa que vive especialmente no território do que hoje é Índia. Mas embora muitos Sikhs inclusive busquem o próprio país, é um movimento separatista, o Khalistan. E o que aconteceu? Esse episódio foi em dezembro, porque Esse episódio então voltou à tona, etc. Como parte do julgamento do Vikram Digwa, ele admitiu que ele mentiu para a polícia dizendo que foi alvo de agressões e ataques raciais. O Ren Renova, que então ele foi algemado pela polícia, em vez de ser socorrido pelos ferimentos à faca, ele foi algemado, e o assassino dele afirmou falsamente que foi atacado, que agiu em legítima defesa. E isso foi, né, confirmado durante o julgamento com imagens de uma das câmeras policiais, né, de câmeras corporais dos policiais, mostrando a importância disso. E ele foi condenado, o assassino, à prisão perpétua. E logo depois disso nós tivemos vários protestos pelo Reino Unido, baseado inclusive questões raciais, protestos liderados pela extrema direita. E aí o nosso querido Jaime Facinho, biólogo de Watford, ele mandou um email bem atencioso sobre isso, falando que o Tommy Robinson está começando a invocar, o próprio Reform UK também tem se apropriado dessa notícia, o Nigel Farage, né, criticando a postura da polícia, né, por ter acreditado num homem, né, não branco, etc., etc., etc. E nessa semana tivemos vários ataques contra policiais e prédios públicos, além da família do agressor com as pessoas, dizendo que, como assim, eles estão buscando inclusive permanência no Reino Unido. E claro, num cenário já de crise política no Reino Unido, né, com o Kerry Stammer demissionário em breve, e o primeiro-ministro, ele veio a público nessa quarta-feira, dia 3, condenar esses protestos, dizendo que é imperdoável explorar esse caso, essa tragédia, para acirrar ainda mais as tensões. E para a gente fechar, meu caro Matias, é uma notícia sobre a União Europeia, a vinda do Euronews, já que a União Europeia estaria próxima de formalmente integrar a chamada Pax Silica, projeto dos Estados Unidos de coordenar cadeias de suprimentos e exportações, né, de minerais críticos e terras raras para contornar a influência chinesa nessa produção.
Matias Pinto:Bem, passemos agora para o check, no qual eu, o Felipe e a Fernanda daremos aquele tradicional peão pela nossa quebrada latino-americana.
Fernanda Simas:Check!
Matias Pinto:Abelardo de la Espriella vence o primeiro turno na Colômbia. E para comentar esta e outras notícias da nossa quebrada latino-americana, temos novamente a presença de Fernanda Simas aqui no estúdio.
Fernanda Simas:Olá, Matias! Olá, Felipe! A todo mundo que está acompanhando a gente, é um prazer novamente.
Felipe Nobre Figueiredo:Eu vou começar semeando a discórdia aqui. A gente já estabeleceu que a Fê é nossa integrante fixa. Do jeito que você apresenta, parece que ela é convidada, mas ela é integrante do Teatro Reserval. Está novamente, enfim, é Acho que tá, não sei, você já discorda. Nosso ouvinte, que opinião?
Fernanda Simas:Vamos fazer uma enquete.
Felipe Nobre Figueiredo:Vocês acham que a introdução da Fernanda deveria mudar ou não? Mas falando das eleições colombianas, para eu passar a bola para vocês, que sobre a Colômbia acho que eu só tenho um ou dois comentários, mas tivemos o primeiro turno das eleições. O Abelardo de la Espriella, né, o Bukele colombiano, sei lá como classificá-lo nesse momento, ficou em primeiro. Primeiro com 43,7% dos votos, mais de 10 milhões de votos. O Ivan Cepeda do Pacto Histórico de esquerda ficou em segundo lugar com 40,9% dos votos. A diferença entre eles em número absoluto de votos é de mais ou menos 700 mil votos. 57,9% dos colombianos compareceram às urnas, um número 3% maior do que o primeiro turno do último pleito. A Paloma Valencia do Centro Democrático, né, que é o partido da direita uribista colombiana, ficou em terceiro lugar com 6,9%.
Matias Pinto:O Sergio Fajardo, né, o eterno candidato, né, enfim, já foi o homem mais sexy da Colômbia. Sabia disso?
Felipe Nobre Figueiredo:Isso é sério? É sua opinião? Não, tá, foi eleito uma vez. Mas o sexo, o sexy farrardo ficou em 4º lugar com 4,2%, e depois tivemos uma série ali de outros candidatos com menos de 1% dos votos, tá? Então esses são os resultados. Eu passo a bola para vocês. Como disse, eu só tenho dois breves comentários. Um deles já vou antecipar agora então, que assim, ao que tudo indica, o Espriella vai ser o vencedor, porque os votos da candidata uribista que ficou em 3º lugar, a Paloma Valencia, muito provavelmente migrar para ele, né. Então, a não ser que o Ivan Cepeda consiga tirar o pessoal das de casa para ir votar e aumentar o número do eleitorado, se pensar apenas em quem votou no primeiro turno, a tendência é dar o Abelardo, que enfim ficou em primeiro e tem a candidatura em terceiro. Mas passo a bola para vocês.
Fernanda Simas:É, eu acho que isso se consolida se a gente não levar em consideração que A gente ainda tem algumas semaninhas até lá e algumas coisas estão acontecendo. Hoje mesmo o próprio Petro anunciou que deixa para trás, que cedeu aí a questão de convocar uma assembleia constituinte. E esse era um ponto que, por exemplo, o próprio Fajardo dizia que era fundamental para ele poder declarar apoio ao Cepeda. Com essa decisão de hoje, pode ser que o Fajardo declare apoio ao Cepeda. Então esses votos também em teoria migrariam para o Ivan Cepeda. E aí a gente tem justamente as pessoas que não foram votar e é preciso convencê-las, né, nessa situação. Um dia antes da eleição, o Dela Espriella deu uma entrevista e falou sobre porte de armas liberado no país, falou de algumas outras questões que também podem movimentar aí alguns eleitores. E a grande questão é que a gente tem o centro desapareceu na Colômbia e a direita tradicional do Álvaro Uribe foi enterrada nessa eleição, né? Essa que é a verdade. Acho que é a grande derrotada nesse momento. Quando a gente vê, a gente olha o que eram as pesquisas e o resultado da Paloma Valencia, é um abismo aí de votos. Então realmente eu não sei como fica a partir de agora o futuro político do Uribe.
Felipe Nobre Figueiredo:É, eu vou fazer uma pergunta para você, Fer, que você acompanha mais a Colômbia, você e o Matias. Esse pessoal, eles, digamos assim, abraçaram o Abelardo, né, um candidato mais extremista, por convicção? Ou esse pessoal já partiu para o voto útil, pensou assim, ó, já que a Paloma não vai para o segundo turno, eu já vou dar o meu voto útil aqui nesse cara?
Fernanda Simas:Eu acho que tem muito do voto útil. Do que os analistas estão falando, essa eleição é uma eleição sobre o governo Petro. É mais do que quem tá competindo, tem um voto de protesto muito forte contra o governo Petro, principalmente pela questão da saúde, o que foi movimentado na área de saúde no país, muita gente reclamando de como deteriorou. E aí não importa quem tá do outro lado, né, virou o voto anti-Petro. E então a gente não sabe ainda qual vai ser o impacto da decisão de hoje, porque esse era um dos assuntos mais polêmicos também do governo Petro, a questão da constituinte. E a ver, o risco que alguns analistas apontam é de um conflito social muito grande em caso de vitória do Abelardo, porque ele vai querer colocar as ideias extremistas dele no poder. Ele recebeu o apoio do Trump, né, essa semana, e muita gente, né, principalmente no interior da Colômbia, vai ser contra isso. Então é um pouco preocupante o cenário até o segundo turno e o que pode vir depois.
Matias Pinto:É, e fazendo comparativo, né, com as últimas eleições, a diferença não foi tão grande, né, do voto do Pacto Histórico, porque o Petro teve 40,3% dos votos no primeiro turno das últimas eleições, o que deu mais ou menos 8 milhões e meio de votos. Enquanto que o Ivan Cepeda teve 40,9%, aumentou um pouco, né, o percentual, e em número de votos aumentou mais de 13%, porque foram 9.688.000 votos, né. Então a eleição diz mais sobre a oposição, né, o crescimento do Abelardo de Lespri, do que o enfraquecimento do Pacto Histórico, porque os números são muito parecidos, né. Então agora a estratégia para o segundo turno é outra, né, porque justamente a direita já colocou quase todas as suas fichas no Abelardo de la Espriella. E agora resta ao Pacto Histórico convencer os demais eleitores a referendarem o atual governo. Então a própria Claudia López, né, que teve uma votação pouco expressiva, né, a ex-alcalde de Bogotá, já declarou que o Abelardo de la Espriella é um perigo para a Colômbia, assim como Sérgio Fajardo já havia declarado no primeiro turno, né. Então dá a entender, né, que esses votos migrarão. E daí tem que ver também quantos eleitores do Centro Democrático também vão apoiar, né, um governo mais à direita do que seria o governo da Paloma, né.
Fernanda Simas:O Centro Democrático, você tem muita gente que não vai simplesmente para o Abelardo de la Espriella porque considera ali um extremismo realmente perigoso, inclusive para o próprio conservadorismo dessa direita tradicional.
Matias Pinto:É, mas também acho que não votariam no Igor Cepeda, e daí seria o voto nulo, né, ou nem iriam votar, o que ajuda, né, o candidato que está em primeiro lugar.
Felipe Nobre Figueiredo:Então, pensando no que você falou, Matias, comparando números do pacto histórico, eu fui colar, o comparecimento eleitoral entre o primeiro e o segundo turno no último pleito, no segundo turno, foi maior. Então é isso, se não forem mais pessoas votarem, a tendência é que vai ganhar o Abelardo. Eu só chamo ele de primeiro nome não porque, não por intimidade, mas porque é um nome muito, muito comprido. Então eu só chamo ele de Abelardo, mas não é por intimidade.
Matias Pinto:Domingo eu estava na Feira do Livro, né, inclusive vi a fala da escritora colombiana Pilar Quintana, que foi uma das grandes atrações, né, do evento. E ela declarou, né, que no segundo turno provavelmente deve votar no candidato à esquerda. Ela não citou o Ivan Cepeda, mas ela falou que na direita ela nunca votaria, mas que ela fala que se decepcionou muito com o governo Petro. Então tem Também tem essa questão assim, né, de que muita gente depositou muita esperança, né, no primeiro governo de esquerda da história da Colômbia, e houve essa frustração, enfim, né, por diversas questões, né. Porque a gente também vem repercutindo recentemente que os dados econômicos da Colômbia estão bons, né. Não é essa questão que tá sendo posta, né. E o que o Petro vem se defendendo aí das críticas da oposição, é por conta do crescimento da violência, é que não dá nem para comparar com o que era no passado, né. Justamente ele teve aquela troca lá de farpas com o César Gaviria, né, que foi presidente de um dos períodos mais conturbados da história recente da Colômbia. E tem uma outra questão, né, também pegando no comparativo, né, de pleitos anteriores, do plebiscito de 2016, porque se assemelham demais também, né? Porque no caso a correlação, né, entre o voto do não para o Abelardo de la Espriella é de cerca de 0,68%, enquanto do sim para o Iván Cepeda é de 0,75, né? Então é um mapa eleitoral muito parecido com 10 anos de diferença.
Fernanda Simas:Exatamente. A gente tem essa questão do voto de protesto, né, qual vai ser o peso que isso vai ter. E curioso, porque eu tava conversando com algumas pessoas que participaram da elaboração do plano de paz de 2016, que foi fechado com as FARC, e elas falam, é, a grande crítica dessas pessoas é o porquê o governo Petro não seguiu a mesma linha para tentar implementar essa paz total de uma forma organizada. Porque isso acabou levando, né, você simplesmente negociar com um monte de pouco ao mesmo tempo, sem ter algum tipo de pressão militar, fortaleceu esses grupos. E isso é um dos pontos também que leva muita crítica ao governo Petro, né? Ele prometeu uma coisa assim, é, naquele momento de esperança do primeiro governo de esquerda vinham muitas promessas, e o principal do governo dele não foi feito, né? Ele não conseguiu fechar um acordo de paz sério com nenhum grupo. Então esse é um ponto importante também, é a questão da organização dessas políticas que ele apresentou. Muitos analistas comentam que o Ivan Cepeda talvez seja mais radical nas suas visões do que o Gustavo Petro, mas essa questão de impor o seu jeito de fazer do Petro que prejudicou boa parte dos programas ao longo desses 4 anos.
Matias Pinto:Mas caso o Abelardo de la Espriella vença o no segundo turno, ele terá um grande desafio, que é o Congresso contra, né, porque o seu partido tem apenas um deputado e 4 senadores, enquanto que o Pacto Histórico foi o grande vencedor nas eleições legislativas.
Fernanda Simas:É, exatamente. Isso a gente vai ver daqui a pouco, uma situação semelhante com o que tá acontecendo no Peru. Daqui a pouco a gente vai falar disso, mas eu acho que esse realmente é um grande desafio e talvez seja seria um alento para tentar barrar alguns dos impulsos extremistas do De La Sprea em caso de vitória aí no próximo dia 21.
Felipe Nobre Figueiredo:E sobre o que a gente tá falando de transferência de votos, né, só para complementar, é, a Atlas Intel fez uma pesquisa sobre isso. Atlas Intel, inclusive, não sei se vocês chegaram a comentar semana passada, né, mas ela apresentou o resultado do primeiro turno, mais, né, aproximadamente. E a Atlas Intel fez uma pesquisa sobre transferência de votos e a maior parte dos eleitores do Sexy Fajardo transfeririam para o Ivan Cepeda, mas uma fatia de 19, 20% declara voto no Abelardo e uma parte ainda maior declara que votaria em branco. Então assim, essa transferência não necessariamente seria automática.
Matias Pinto:E só dando a fonte, Felipe, foi a revista Jet Set que declarou que o Fajardo era o homem mais sexy da Colômbia em 2004, né?
Felipe Nobre Figueiredo:E você endossou? Não, não, eu só quero entender. Eu não tenho vergonha de dizer que o homem mais sexy da Colômbia se chama Yerry Mina. Ele é disparado. Ele, quando dançava depois dos seus gols, uma coisa cativante. Mas O outro comentário é que é o seguinte: a Federação Colombiana de Futebol soltou uma nota reiterando a importância que promoções empresariais e campanhas políticas se abstenham de fazer uso dos signos distintivos da seleção para atrair consumidores, eleitores. Porque está ocorrendo na Colômbia um fenômeno muito parecido com o que ocorre, ocorreu aqui no Brasil, que é o eleitorado à direita buscar, né, se identificar, se apropriar com um símbolo, entre aspas, nacional suprapartidário, que é a camisa da Seleção Nacional de Futebol, e que por coincidência também é amarela.
Matias Pinto:É, e isso foi uma resposta justamente à colocação do Ivan Cepeda, né, que veio às redes questionar por que está se usando a camiseta da seleção colombiana para fins eleitorais, né. E ele endereçou essa mensagem justamente para a Federação Colombiana de Futebol, declarando também que a Seleção Colômbia é de todos os colombianos. A sua camiseta é um símbolo nacional e não tem restrições comerciais e políticas. E daí falou que respeitosamente me dirijo a vocês para solicitar que se pronunciem. Qual será a posição da Federação com relação ao uso da camiseta por parte da mencionada campanha eleitoral, né.
Fernanda Simas:É isso, porque o De La Espriella e alguns seguidores estavam dando a camiseta da seleção colombiana como um brinde aí durante a jornada eleitoral.
Matias Pinto:E falando ainda no Cepeda, né, ele depois das declarações do Petro sobre uma possível fraude nas eleições, o que é assim bastante irônico, né, já que é o atual o presidente que tá reclamando de possível fraude, né. Enfim, também já vimos esse filme antes. Daí o Ivo Cepeda foi na direção contrária e falou que não existem irregularidades de dimensões suficientes para falar em uma fraude, né, justamente botando panos quentes nessa acusação que o Pedro fez, que é uma baita falta de autocrítica, né, do tipo: ah, se não votaram no meu candidato é porque foi fraude.
Felipe Nobre Figueiredo:É o comportamento chorão que infelizmente está tomando as eleições pelo mundo.
Matias Pinto:E ainda em relação às eleições colombianas, né, depois dos resultados, o presidente estadunidense Donald Trump veio endossar o seu apoio ao candidato Abelardo de la Espriella.
Fernanda Simas:Sim, levantando aí diversas críticas, né, da ala do Ivan Cepeda e de outras autoridades colombianas. E mostrando mais uma vez o que a gente vem tratando aqui todo o programa, dessa questão de como a América Latina é vista pelo Trump como realmente o quintal dos Estados Unidos, onde é preciso ter a influência política americana. E o Trump fez isso nas eleições argentinas, tá fazendo agora na colombiana, e está fazendo também na do Brasil.
Matias Pinto:É, e não foi só Donald Trump, né, dos quadros do Partido Republicano que intervieram nas eleições estadunidenses. Houve também uma crítica à deputada Maria Elvira Salazar, que representa o 27º distrito da Flórida, de ter apoiado publicamente o Abelardo de la Espriella, sendo que ele mora no mesmo distrito do qual ela é representante. E doou cerca de $100.000 para sua campanha. Acho que é só uma coincidência. E algo também que o governo colombiano já vinha alertado foi da presença do senador estadunidense Bernie Moreno, de origem colombiana, que estava como observador das eleições, mas interveio também no último final de semana para as candidaturas à direita, né, de oposição ao governo Petro.
Fernanda Simas:Sim, ele chegou a fazer comentários inclusive 2 dias antes do domingo, né, de eleição do primeiro turno.
Matias Pinto:É, e daí, em relação às declarações do Trump, né, o Petro disse que quando um país intervém nas decisões de outro país, morre a liberdade. Convido toda a Colômbia a votar em plena liberdade e que não seremos escravos nem colônia de ninguém. Lutou toda uma geração jovem Vem de novos granadinos e novas granadinas ao lado de Bolívar e Narino para nos dar liberdade e soberania.
Fernanda Simas:É curioso porque depois que teve aquela reunião entre o Petro e o Trump, o Petro chegou a falar que tinha sido acordado que o presidente americano não iria fazer nenhum tipo de interferência nas eleições colombianas e ele, Petro, também não iria interferir. Então alguns analistas colombianos estão trazendo muito isso, semana de quem estaria falando mentira ali nessa reunião, mas justamente as cobranças que vieram do Petro com relação a isso, lembrando essa conversa entre os dois presidentes e também falando que obviamente o Petro se posicionou durante a campanha, enfim, como era esperado.
Matias Pinto:E ainda nessa relação Estados Unidos e Colômbia, o Gustavo Petro solicitou aos Estados Unidos sancionar indústria do ouro ilegal que financia o clã do Golfo. Porém, um artigo do New York Times mostra que a Casa da Moeda dos Estados Unidos havia comprado durante anos ouro vinculado a esse mesmo grupo criminoso, né? Então, mais uma denúncia aí, né, em relação a financiamento, né, por parte dos Estados Unidos de organizações criminosas na América Latina.
Felipe Nobre Figueiredo:E antes da gente passar para as eleições peruanas, meu caro Matias, comentar, né, que nessa semana, infelizmente, segundo o escritório do Ombudsman, né, da Colômbia, nós tivemos cerca de 48 pessoas mortas em confrontos entre dois grupos rivais, né, dissidentes das FARC na região de San José del Guaviare, que é a capital de Guaviare, que fica perto da cabeça do cachorro, na fronteira brasileira. Então tivemos aí 48 pessoas mortas nesse confronto, infelizmente.
Matias Pinto:Bem, passemos agora para o Peru, já que no próximo domingo, dia 7 de junho, teremos o segundo turno das eleições presidenciais do país andino. E a Keiko Fujimori leva vantagem nas últimas pesquisas realizadas desde meados do mês passado.
Felipe Nobre Figueiredo:Agora, né, as pesquisas peruanas estão sob embargo. Keiko tem alguns pontos percentuais de vantagem, porém mais de 20% da população peruana respondeu às pesquisas dizendo que ou não sabia em quem votar ou que votaria em branco. Então, de certo modo, dá para considerar que a eleição ainda tá em aberto, mas a Keiko Fujimori tem uma pequena vantagem nas eleições.
Matias Pinto:É, a pesquisa que daria vitória para ela, né, sem empate técnico, é a da City, que foi colhida entre 27 a 29 de maio, no qual ela teria mais de 40% das intenções de voto, enquanto que o Roberto Sánchez por volta de 33%, né? As demais estão ali, a margem é muito próxima, né? Então mostra realmente que vai ser uma eleição decidida nos últimos minutos.
Fernanda Simas:Sim, e nesse cenário o Roberto Sánchez mudou o seu programa de governo na última semana, ele moderou muito as suas propostas e fez um aceno muito forte ao centro tentando consolidar esse voto antifujimorista que é muito grande, né, no Peru, por motivos óbvios. E ver se consegue aí virar essas pesquisas e ganhar no domingo a eleição. E é curioso porque até a questão de estatização de algumas empresas, que foi algo falado ao longo de toda a campanha do Sánchez, ele recuou. Então ele realmente fez uma mudança drástica. Acho que é uma coisa inédita assim de ver de um candidato que tinha uma postura tão firme em determinados assuntos mudar o plano mesmo Ele apresentou um novo plano de governo para tentar atrair esses eleitores.
Felipe Nobre Figueiredo:E também em relação às eleições peruanas, aí desculpa, né, você, Fernanda, você, Matias, que estudam o assunto, sabem falar castelhano. O que importa mesmo foi o fato de que em Lima nós tivemos rituais xamânicos para prever o resultado. E o detalhe foi que, segundo a matéria da Reuters, os grupos xamânicos se dividiram, porque tinham os pro-Keiko e os anti-Keiko. Então, falando mais sério agora, nós temos alguns rituais tradicionais que são típicos em períodos eleitorais no Peru, muitas vezes para desejar uma eleição tranquila, esse tipo de coisa. Porém, nem os xamãs conseguiram se alinhar direito, porque tinha os pro-Keiko e os anti-Keiko.
Fernanda Simas:Mas é curioso, a gente estava falando da questão do Congresso. No Peru, a situação é que o Congresso está dominado pelo partido fujimorista, e um dos medos que analistas estão trazendo à tona é justamente: se a Keiko ganha, ela vai ter poder para fazer aí o que ela quiser. Então eles falam, além da questão do medo de uma ditadura fujimorista, que obviamente ainda é presente na sociedade, existe o temor de qual vai ser o tamanho do poder desse partido que já domina o Congresso, se tiver o Executivo, e que também tem forte influência no Judiciário. Então essa é uma questão que tem levantado forte preocupação dos analistas políticos.
Felipe Nobre Figueiredo:E para quem achar que, ah, essa Fernanda Simas aí tá falando em ditadura da Keiko porque só porque ela é de direita, alguma coisa assim, é bom lembrar que o Alberto Fujimori chegou ao poder pela via eleitoral. E aí, estando no poder, que aí sim ele fechou o Congresso, usou tropas e concentrou o poder em si mesmo e impôs a atual Constituição peruana.
Matias Pinto:Do Peru vamos agora para Bolívia, já que o presidente Rodrigo Paz demitiu ministros em meio a protestos.
Felipe Nobre Figueiredo:É, os protestos na Bolívia, né, que vocês abordaram no programa passado, agora tivemos nessa última terça-feira, dia 2, Mais trocas, né, nos ministérios, já que o ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e a ministra da Educação, Beatriz Garcia, foram demitidos pelo presidente. Novo ministro da Defesa será o Ernesto Justiniano, que era o chefe de combate ao narcotráfico, e ele ocupava uma função diretamente subordinada à presidência da República. E o novo ministério da Educação ainda não foi anunciado. Então, mais um capítulo aí dos protestos. Agora, a questão, meu caro Matias, é que o ministro da Defesa, o ex-ministro da Defesa, disse que ele não foi demitido, que ele renunciou. Então ainda tem essa troca de farpas.
Matias Pinto:E ontem, né, tivemos uma reunião entre o Rodrigo Paz na Assembleia Legislativa Plurinacional junto ao seu vice-presidente, o Edman Lara, e os presidentes da Câmara dos Senadores e dos Deputados, além dos chefes de bancada, né. Ocorreu durante a tarde de ontem, ainda não temos a repercussão desse encontro, né, estamos gravando na quinta-feira de manhã, mas é mais um sinal de alerta, né, em relação ao momento atual político na Bolívia.
Fernanda Simas:Aí, esses já são os maiores protestos na Bolívia em 20 anos. E se a gente pegar, por exemplo, a situação de Capaz, em 3 semanas de protestos e bloqueios, é, o lugar já ficou com, já teve desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustível. Então é uma situação muito crítica, e os analistas mostram que isso tudo resulta até de um acúmulo de erros políticos desde a posse do Paz. Quando ele toma posse, ele opta por não ter nenhum tipo de simbologia indígena na cerimônia, ele já nomeia um gabinete Ela disse que não tem políticos ou líderes sociais com ampla capacidade de diálogo, e isso tudo se reflete agora.
Felipe Nobre Figueiredo:E a agência France Presse, pensando nisso que a Fer falou, publicou uma reportagem sobre o estado da saúde pública na Bolívia, até porque na última quinta-feira, dia 28, centenas de médicos protestaram em La Paz devido à escassez de medicamentos e alimentos, afetado inclusive pelos bloqueios das estradas, né, dos manifestantes protestos contra o governo e pedindo para que oxigênio e comida possa entrar na cidade por conta dos bloqueios, mencionando que a saúde no país corre o risco de colapsar por desabastecimento. Então é uma matéria da agência France Presse, foi publicado em português no jornal Folha de São Paulo.
Matias Pinto:Da Bolívia vamos agora para o Chile, já que o presidente José Antonio Kast declarou que segurança não é algo que se mude de um dia para o outro, né, numa tentativa de recuperar a sua popularidade que anda em baixa.
Fernanda Simas:Pois é, as pesquisas têm mostrado, né, a queda na popularidade do Khashoggi. Ele tem feito reuniões, a gente já falou isso até na semana passada, para tentar alinhar internacionalmente essa questão da segurança, e usa agora esse recurso na hora de prestar conta cartas aí à população para pedir um pouco de calma, paciência, e tentar alavancar os números.
Matias Pinto:É, e como a gente tinha antecipado na semana passada, houve na quinta-feira, dia 28, um encontro entre chanceleres e ministros de segurança de Argentina, Chile, Bolívia, Equador e Peru, que foi organizada pelo Ministério das Relações Exteriores do Chile, justamente para discutir a delinquência na região, né. E de acordo com o chanceler chileno Francisco Pérez Mackenna, vamos fazer frente à delinquência unidos, queremos levar a segurança e a tranquilidade a nossos compatriotas, né. E esse encontro levou ao compromisso regional de Santiago contra a delinquência organizada transnacional cuja principal organização criminosa que essa iniciativa tem como alvo é o Tren de Aragua, né, que acaba tendo conexões nesses 5 países citados.
Fernanda Simas:É, no ano passado foi muito comentado, né, da atuação do Tren de Aragua. Se a gente for ver, se espalhando no Peru, por exemplo, tivemos vários atentados com envolvimento do Tren de Aragua.
Matias Pinto:Do Chile a gente Cruza a cordilheira, vamos agora para Argentina. E fica aqui o alerta, né, de que é uma pauta sensível de violência sexual. Então, para quem tiver algum tipo de gatilho, adianta um pouco o programa. Mas ontem, em várias cidades do país, tivemos protestos massivos para exigir o fim da violência de gênero por conta do crime contra a adolescente Agustina Vega, de 14 anos, que foi estuprada e assassinada na semana passada.
Fernanda Simas:É, e lembrando que em 2015 foi justamente o feminicídio de uma outra jovem de 14 anos, uma menina, né, de 14 anos, que despertou uma série de protestos muito importantes na Argentina e que foram se espalhando pela América Latina numa onda muito significativa. Motiva das mulheres se unindo e pedindo aí o fim do feminicídio. E que eu acho que agora a principal bandeira é, que vem sendo até muito fortalecida aqui no Brasil, é justamente de envolver os homens nessas campanhas. Porque isso não é um problema das mulheres, as mulheres estão buscando a solução, mas isso é um problema que os homens precisam sim buscar a solução conjuntamente.
Matias Pinto:E na Argentina ocorre um feminicídio feminicídio a cada 30 horas, né. E aqui cabe também, né, um esclarecimento, né, de que estamos falando apenas de casos no qual a motivação do crime é a violência de gênero, né. Não estamos falando de mulheres que foram assassinadas, enfim, por latrocínio, enfim, outras motivações. Aqui no caso são violências sexuais, né. Ainda na Argentina, a gente segue repercutindo o escândalo do Banco Nación, né, por conta dos créditos imobiliários para quadros libertários. E o âmbito econômico fez um levantamento de que o banco estatal outorgou mais de 1.100 créditos hipotecários a aliados políticos do atual governo, né, o que é um escândalo, né. Ainda falando na economia argentina, a companhia aérea low cost Flybondi operou apenas um avião no começo dessa semana em toda a Argentina, cancelou 12 voos e não está mais operando no Aeroparque, né, que é o principal aeroporto doméstico da Argentina, localizado na cidade de Buenos Aires, o que reflete aí, né, a situação econômica no país vizinho. E Felipe, O tech bro Peter Thiel está de mudança para Argentina, né, o que tem gerado bastante preocupação dos hermanos.
Felipe Nobre Figueiredo:Então, o Peter Thiel anunciou, né, que vai se mudar para Argentina.
Matias Pinto:Antes ele tinha sido flagrado num torneio de xadrez, jogou com adolescentes.
Felipe Nobre Figueiredo:É, ele, cara, Nesse último mês eu peguei muitos voos, né? E vocês já assistiram o South Park que zoou o Peter Thiel? Acho que é da 27ª ou 28ª temporada. Enfim, é assim, quando o South Park zoa alguém, eles conseguem normalmente pegar o âmago da pessoa, né? E o âmago do Peter Thiel é esse: ele se acha uma espécie de, sei lá, de farol da humanidade que tá aqui para combater inclusive o anticristo, o que muito provavelmente faz dele o anticristo, né? Mas o Peter Thiel, ele, né, esse tech bro que não entendeu Tolkien, porque ele inclusive usa, né, os nomes do universo Tolkien nas empresas armamentistas de inteligência artificial dele. Tolkien acho que jamais toleraria inteligência artificial. Assim, a Palantír é algo negativo no universo Senhor dos Quando você batiza sua empresa de Palantír é tipo você bater na sua empresa de Estrela da Morte, é que o nome não é tão óbvio, entendeu? Isso é Star Wars, tá Matias? Para você tem que explicar isso para os clientes.
Matias Pinto:Eu conheço minimamente Felipe! Não... eu só não gosto.
Felipe Nobre Figueiredo:Você não pode dizer que você não gosta porque você nunca viu!
Matias Pinto:Já vi mas não gostei.
Felipe Nobre Figueiredo:Não vou tolerar isso inclusive um dia eu vou captar ralar o Martim e ele vai assistir a trilogia clássica toda comigo e ele vai gostar. Mas brincadeiras à parte, o Peter Thiel, ele tem várias ideias ali sobre um estado tecnocrata, pessoas como ele que seriam ali uma espécie de ditadores benevolentes, né, autocratas benevolentes, né, para conduzir a humanidade. Aí com a ideia ali de, entre aspas, inclusive governo mínimo, o mínimo. E o Peter Thiel, ele declarou então que está se mudando para Argentina. Ele que foi um dos apoiadores do Milei, foi um dos apoiadores do think tank que o Milei era líder antes de ser presidente. E o Peter Thiel, ele financiou o JD Vance especialmente para ser o cara dele na política. E agora, aparentemente, ele e o JD Vance tiveram ali alguns problemas O Peter Thiel estaria descontente com os rumos da política dos Estados Unidos, porque não seriam tão distópicas como ele gostaria que fosse, e então ele está indo para Argentina. E aí eu vou passar a bola para Fer, porque a Fer também tem coisa a dizer sobre esse assunto. A jornalista Whitney Webb, ela escreveu uma matéria em 2019 sobre um empresário, um bilionário britânico chamado Joe Lewis, que recentemente recebeu um perdão do Trump por insider trading. E o Joe Lewis, ele foi para Patagônia, Argentina, e ele estabeleceu uma espécie ali de microestado dele, com o ponto de ter um aeroporto privado que as autoridades argentinas sequer monitoram direito, tá? Lembrando que 2019, antes do Millet inclusive, tá? E aparentemente a mudança do Peter Thiel para Argentina é algo nesses moldes. Em que ele vai controlar ali um terreno enorme na região da Patagônia, possivelmente o acesso a esse terreno, e ter uma espécie de microestado particular. Mas enfim, Fer.
Fernanda Simas:É, exatamente. Isso é algo que de modo algum vai contra os pensamentos, ideologias do Milei, né? Essa é a questão. A gente, o que a própria Whitney levanta aqui quando ela relembra essa história, é se isso aconteceu ali em 2019, o que que pode acontecer agora com o governo Milei e essa situação? Eu acho que isso cria assim uma situação muito perigosa na Argentina, a ideologia falando acima de qualquer coisa. E quais são os perigos da gente ter realmente essa possibilidade ocorrendo novamente ali na Argentina sobre um governo que tá sendo cobrado, que está em queda de popularidade, envolvido em diversos escândalos de corrupção e tentando a todo custo desviar o olhar dessas questões.
Matias Pinto:Da Argentina a gente cruza o charco agora, vamos para Uruguai, já que o ex-diretor da Guarda Republicana, Robert Iroa, foi condenado a 10 meses de prisão por tráfico de armas, né? A causa se originou na compra de um rifle em 2007 e agora será revisada pela Suprema Corte, né? Na ocasião ele participava de uma comissão que recomendou adquirir 3 rifles de franco-atirador, enquanto que a procuradoria sustenta que o Poder Executivo habilitou apenas 2, né, o que ele teria ficado com um dos rifles, né. Então esse é o grande escândalo de compra de armas no Uruguai.
Felipe Nobre Figueiredo:Eu adoro os escândalos uruguaios. É um rifle, no caso, fala de arma, né, a gente pensa aí que vão ser centenas de armas, mas ele tá respondendo por um Teve uma mansão no Rio de Janeiro com 100 e algumas coisas fuzis, né, num condomínio lá, Vivendas da Barra, alguma coisa assim.
Matias Pinto:Então ele apresentou o recurso na Suprema Corte Uruguaia. Do Uruguai vamos agora para o Paraguai, fazendo o caminho de José Gervásio Artigas. E essa notícia aqui deu bastante polêmica, principalmente na região da tríplice fronteira, né. Agradeço Ao nosso ouvinte Jackson, que compartilhou a notícia comigo. Mas o que que aconteceu em Ciudad del Este, ali próximo, né, de Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú? Foram colocadas publicidades ali na zona comercial do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro socando um jogador vestido com a camisa da seleção paraguaia. No placar aponta 4 a 0 para o Brasil nesse suposto jogo de futebol, com os dizeres: "No futebol, goleada. Na economia, liderança. Na diplomacia, respeito. Aqui é Brasil." O que aconteceu? Populares paraguaios destruíram essas publicidades. Daí a empresa que administra esses espaços disse que foi hackeada. E o presidente do Congresso, o senador colorado Basílio Bati Nunes, pediu explicações, né, sobre esse conteúdo que foi veiculado ali na região, né. Mas isso gerou bastante polêmica no Paraguai e teve uma certa repercussão deste lado da fronteira.
Felipe Nobre Figueiredo:É uma coisa bizarra, não dá para entender esse negócio aí do Paralá.
Fernanda Simas:Mas a gente tem um contexto de muitos brasileiros indo para o Paraguai, não só brasileiros, né, mas também muitos brasileiros se mudando para o Paraguai por conta de mudanças econômicas e de oportunidades administrativas mesmo para se instalar lá, enfim, questões fiscais. E aí surge assim esses cartazes, são cartazes gigantes, né, propagandas gigantes. É uma vergonha.
Matias Pinto:E ainda no Paraguai tivemos também uma notícia bizarra, né, já que uma aeronave chegou ao país vindo desde Miami com escala no Panamá. E era um jato privado, né, cuja o proprietário ganhou no concurso do MrBeast, né, que é um streamer, e tinha mais de 250 kg de maconha a bordo. Os dois pilotos estadunidenses foram detidos, enquanto que o paraguaio conseguiu fugir, né. E inclusive a defesa, né, dos pilotos estadunidenses questiona por que que o piloto paraguaio teve facilitada a sua fuga, né? Mas enfim, as voltas que deu, né, essa notícia aqui.
Felipe Nobre Figueiredo:Eu vou ter que fazer uma pergunta um pouco incisiva. Você no ar, a gente é amigo há 20 anos, tá? Mas você tá gerando notícia via inteligência artificial? Você falou ChatGPT, gera uma loucura.
Matias Pinto:Não, pior que não, porque no caso, MrBeast, não, no caso essa notícia foi vinculada em diversos veículos, né? Acabei pegando a notícia aqui tanto da Rádio União do Ti quanto da Infobae. Mas enfim, é muito doida essa notícia aqui. Então provavelmente terá repercussões. Mas no caso, né, o vencedor do jato privado aí do MrBeast é o Jabari Stephen Brown.
Fernanda Simas:Tem até imagens dessa notícia do jatinho e da quantidade de logo é prendido.
Matias Pinto:E ainda no Paraguai, o ex-presidente Nicanor Duarte Frutos criticou a política pelo TikTok, né? Ele disse que hoje usam essa rede social para fazer política. Os candidatos mostram vídeos lavando seus cachorros. E eu acredito que a política é o debate pelo bem comum. E quando a política se banaliza e se converte em espetáculo, ganham aqueles que têm dinheiro, né? Como se ele não tivesse, como se ele tivesse chegado presidência sendo um cidadão com boas ideias, né?
Fernanda Simas:Acho que aquele poderia ter colocado que ganham aqueles com mais seguidores, de repente, para não se complicar tanto.
Matias Pinto:Bem, a gente cruza a fronteira da amizade, vamos agora para o Brasil para repercutir algumas notícias da nossa política externa.
Felipe Nobre Figueiredo:Pois é, né? A gente vai ter que começar com as relações Brasil-Estados Unidos. Começando pelo PIX, tá? Lembrando que não é a primeira vez que nós temos um programa em que o PIX é um dos assuntos principais. Nós falamos já bastante desse assunto, foi no programa 427, cujo título é justamente Trump contra o PIX. Mas por que? O que aconteceu essa semana? O governo Trump anunciou a conclusão das suas investigações comerciais baseado num relatório de 107 páginas, a partir ali daquela investigação sobre práticas comerciais injustas, basicamente. E o Brasil estaria, né, cometendo práticas injustas em 6 áreas: desmatamento, sendo que o desmatamento no Brasil tem diminuído, mas enfim, etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção, tarifas preferenciais e principalmente o PIX. Os Estados Unidos afirmam que o Banco Central age como regulador e operador ao mesmo tempo, e quem repercutiu inclusive o relatório foram os nossos amigos do Eixo Político. Favorece o sistema brasileiro de forma discriminatória, e o relatório conclui defendendo a aplicação de uma tarifa de 25% sobre o Brasil como medida para equilibrar essa relação. Então a primeira coisa que a gente tem que falar Matias e Fernanda, sobre esse relatório que propõe essa tarifa de 25% baseado na investigação, né, da tarifa da Seção 301, etc., é tentar dar um verniz jurídico para as tarifas que o Donald Trump já vinha imposto e quer impor de qualquer maneira, tá? Então assim, é, isso não é um relatório, gente, isento entre aspas. É mais ou menos o seguinte: você produzir um laudo policial para dizer que aquela pessoa cometeu crime. Tá viciado desde o início, tá? Então olha só, produz aí alguma coisa que vá dar alguma justificativa legal para tarifa que a gente quer impor ao Brasil. A questão do etanol, por exemplo, é uma disputa antiga entre Brasil e Estados Unidos que já foi parar na OMC, tá? Para dar um exemplo, a questão de propriedade intelectual e questão também sobre protecionismo em algumas áreas é em relação, por exemplo, a questão dos remédios genéricos. Fauci, tá muito ligado às grandes empresas farmacêuticas. E o fato de que as empresas dos Estados Unidos não consideram que tem boas condições para entrar no mercado de saúde privado brasileiro, porque no mercado de saúde privado brasileiro não se permite que aconteça o que ocorre nos Estados Unidos, que é pela lei inclusive a pessoa muitas vezes ser retirada do hospital por uma ordem judicial se ela não tem dinheiro suficiente para pagar o tratamento dela, né? Ou então ela sai com uma dívida gigantesca. Enfim, E aí o ponto do Pix que eu acho que é importante a gente destacar bastante, né, até porque o Eduardo Bolsonaro, né, que é filho do ex-presidente e irmão de um candidato a presidente, falou sobre esse assunto. É que assim, repetindo o que a gente já falou aqui um pouco sobre o Pix, o Pix primeiro ele é um sucesso de uso. Olha só, gente, apenas em 2025 foram 79,8 bilhões de transações. O Pix movimentou 19 bilhões de dólares por dia, tá? E como a gente inclusive brinca aqui, né, o Pix tá chegando na Argentina, no Chile, no Paraguai, em Portugal, na Espanha, na Espanha. Então o Pix é um sistema de pagamentos que é um sucesso Mas tem uma coisa que eu quero destacar, e aí eu vou até pedir visões de vocês antes da gente continuar nesse assunto, que é o seguinte: o Pix, ele é uma espécie de antítese ideológica do que existe nos Estados Unidos, porque o Pix é um mecanismo feito pelo Banco Central, ele foi desenvolvido por servidores do Banco Central ainda durante o governo Temer. A família Bolsonaro busca uma espécie de paternidade do Pix mas ele foi desenvolvido antes, durante o governo Temer, e por servidores do Banco Central.
Matias Pinto:Tanto é que quando do anúncio do Pix, Bolsonaro não sabia nem do que se tratava.
Felipe Nobre Figueiredo:E eram servidores com estabilidade, etc., não é? Eram funcionários, como disse, servidores do Banco Central, em que você faz as transferências sem o pagamento das bandeiras, né, o por fora, divisa, Mastercard, etc., independente dos bancos envolvidos, porque o banco tem que operar com autorização do sistema central. Então assim, não tem como o Itaú virar e falar assim: não, a gente quer criar o Pix Itaú, a gente não vai usar mais o Pix, a gente vai usar o nosso próprio Pix. Não, não adianta, porque é via Banco Central. Enquanto nos Estados Unidos isso simplesmente não existe. Os Estados Unidos historicamente, por vários motivos, e aí você, isso você tem coisas boas e ruins, prioriza os bancos privados, inclusive bancos médios, nos Estados Unidos. E aí isso tem relação lá com a crise de 2008, né, que foi um efeito dominó nos bancos quebrarem. Então assim, o Pix, ele é uma ameaça entre aspas para os Estados Unidos, não apenas pelo seu tamanho, mas também porque ele mostra que existe um outro modelo possível de sucesso que não depende do modelo que é o modelo vigente nos Estados Unidos. E também não é um modelo comunista, Porque são transações entre bancos, são transações entre indivíduos privados, digitalização da economia, etc. Hoje em dia inclusive tem o Pix de Schrödinger. Os críticos do Pix, e bizarramente existem alguns, a gente descobriu que existem nesses meses, dizem que o Pix ele ao mesmo tempo permite transações entre grupos criminosos e as transações de lavagem de dinheiro, etc. A gente vai falar disso, né? E ao mesmo tempo é o Pix, o estado supervisionando tudo. O estado sabe que você comprou milho na praia, né? Ele é as duas coisas ao mesmo tempo. E aí o Eduardo Bolsonaro, ele inclusive numa live falou, né, que poderia se negociar. Olha só, o Eduardo Bolsonaro colocou o Pix como uma ferramenta de negociação. Quem tá dizendo isso não é Felipe, não é Fernando, não é Matias, é o próprio Eduardo Bolsonaro, né, da atuação do modelo do Zelle, né, que existe nos Estados Unidos. E aí o Eric Bretas, que é o atual chefão do Estadão, eu não conheço, embora eu seja colunista do Estadão, não conheço. Ele postou no Twitter dizendo: morei quase 5 anos nos Estados Unidos, o Zelle não tem nada a ver com Pix. O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos acessível a qualquer instituição, empresa, indivíduo. O Zelle é um serviço privado que é usado prioritariamente para pagamentos P2P, PI. Aceitação está longe de ser universal. Associação de moradores do condomínio onde eu morava, por exemplo, não aceitava Zelle para o pagamento da mensalidade, apenas dinheiro ou cheque. Uma transação no Pix é compensada em 1 ou 2 segundos.
Matias Pinto:Só um detalhe, Felipe: qual foi a última vez que você viu um cheque no Brasil?
Felipe Nobre Figueiredo:Cara, tem sem hipérbole mais de 15 anos. É uma transação no Pix, e o cheque é muito utilizado nos Estados Unidos, né? Uma transação no Pix é compensada em 1 ou 2 segundos, no Zelle dentro de alguns minutos. Isso significa que você não consegue usar o Zelle para pagar o pipoqueiro, motorista de táxi ou qualquer serviço que exija compensação imediata. Não existe bandeira política pior do que sugerir ao pipoqueiro, motorista de táxi ou qualquer brasileiro comum trocar o Pix por um sistema de pagamentos custoso e ineficiente. Um caloroso parabéns aos envolvidos. Deixando claro que eu estou citando uma pessoa que passa longe de ser um, entre aspas, comunista. Então essa questão do Pix, né, que voltou a ser alvo dos Estados Unidos e aparentemente conseguiu defensores aqui no Brasil, tem muito a ver para mim ao fato de que o Pix é um modelo que é antítese do modelo, dos modelos que existem nos Estados Unidos, e mostra que é possível outro sistema, né, outro modelo. Aí é o ponto que a gente, a Febraban, vem em defesa do Pix. Tipo a Federação dos Bancos do Brasil, né, Federação Brasileira de Bancos, melhor dizendo, né, vem em defesa do Pix. Então essa é talvez uma primeira parte sobre o Pix, né, essa volta ameaça os Pix. Só que a diferença agora é que você tem o Eduardo Bolsonaro, indiretamente o Flávio Bolsonaro, que são pessoas influentes no debate político brasileiro. Você pode gostar deles, você pode odiar eles, mas eles têm uma influência política no debate público brasileiro e na política brasileira, especialmente por conta do sobrenome, né, vindo meio que, entre aspas, né, apoiando ou tentando ali colocar algum pano quente nessa questão do Pix, né. Por quê? Porque aí vocês têm algum comentário sobre isso?
Fernanda Simas:Porque vocês gostam, quer, a gente tá esperando sua empolgação neste momento. Concordo com tudo que você falou, Felipe, e eu acho que É justamente por isso que o Flávio Bolsonaro começou a passar panos quentes nessa questão, porque isso é impopular aqui no Brasil. O Pix, ele permite que qualquer um consiga fazer uma transação. A gente tá falando, é desde pagar o pipoqueiro até vender um apartamento, você faz isso por Pix. Os estrangeiros vêm para cá e preferem usar o Pix do que outras formas de pagamento. Então assim, eu vi isso acontecer recentemente, né, um amigo meu estava aqui falando Nossa, é maravilhoso esse sistema, é muito prático, é muito mais fácil. Você vê o PIX sendo citado em séries, de séries espanholas. Então assim, realmente você atentar contra o PIX é uma coisa muito impopular politicamente aqui. E aí você tem toda motivação econômica e ideológica dos Estados Unidos, e você vê isso obviamente sendo colado à imagem do Flávio Bolsonaro, porque estava lá nos Estados Unidos 2 dias antes conversando com Marco Rubio, com o Donald Trump. E aí, óbvio, na hora que isso explode, assim como as outras questões de tarifas que a gente vai comentar aqui, é, isso é associado à imagem dele. Ele precisa se defender porque agora ele é candidato à presidência, já está envolvido em diversos escândalos, inclusive no principal escândalo talvez de corrupção bancária do Brasil, que é o caso Master. E ele precisa de alguma forma não se associar a isso, porque seria mais um elemento de impopularidade para a campanha dele.
Felipe Nobre Figueiredo:Eu concordo com tudo que você falou. E aí a gente pula para o próximo assunto, né, porque vai ter um outro assunto, mas que foi o seguinte: no dia 29, pouco depois, né, da nossa gravação, e pouco depois do Flávio Bolsonaro ter sido recebido pelo Donald Trump na Casa Branca, quando Donald Trump sequer se levantou da mesa, o governo dos Estados Unidos disse que vai classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, PCC e CV, como grupos terroristas. E elementos políticos brasileiros vieram tanto comemorar quanto reivindicar a autoria disso, como você colocou, né? Então aí foi uma coisa atrás da outra, porque aí foi o PCC, foi depois o relatório da Seção 301, e depois o relatório do trabalho forçado, que a gente vai falar Por último então, né? E aí a gente teve essa declaração, que aí foi o que você falou, quem pariu Mateus que o embale. E aí vamos destacar que o CNJ, né, o Conselho Nacional de Justiça, ainda não foi notificado dessa classificação como grupos terroristas. A gente já falou um pouco aqui sobre esse assunto, e o que eu acho importante dizer a partir das discussões dos nossos programas anteriores sobre esse assunto, eu quero colocar uma coisa que é o seguinte: o nosso ouvinte, seja ele quem for, ou especialistas no tema, etc., podem concordar que PCC e CV seriam grupos terroristas. Agora, eu acho que tem muito pouca margem para discussão é que essa classificação não trará efeitos positivos para o Brasil. Veja, dizer que essa classificação é ruim não significa dizer que o PCC ou CV que são grupos legais, entendeu, que é o grupo da kermesse, entendeu, que eles não controlam partes do território, que eles não usam da violência, que milhares, talvez milhões de pessoas estão subordinadas à extorsão, violência, tráfico de drogas, todo tipo de coisa. Não significa dizer isso. Significa dizer que essa adoção dessa medida pelos Estados Unidos não será boa para o Brasil.
Matias Pinto:E só nesse sentido, Felipe, não sou eu, não é você, não é a Fernanda Falando isso, o promotor de justiça Lincoln Gacchia, do Ministério Público de São Paulo, que é um dos principais inimigos do PCC, em entrevista ao Metrópolis em março desse ano, se posicionou contra essa catalogação do PCC como uma organização terrorista, porque justamente as investigações elas vão para outro nível.
Fernanda Simas:Então assim, você para de ter o compartilhamento de informações em nível estadual, federal aqui no Brasil, isso passa para as mãos dos Estados Unidos em muitos momentos. E quem garante que os Estados Unidos vão compartilhar as informações que você precisa aqui dentro para combater esses grupos criminosos que estão aqui dentro massacrando população? Enfim, tudo que o Felipe trouxe aqui.
Matias Pinto:E amarrando os dois assuntos, implica no sistema financeiro também, porque justamente os próprios bancos que movimentarem dinheiro do crime organizado, sem saber, evidentemente, podem ser alvo de sanções.
Fernanda Simas:Sim, a gente teve recentemente um escândalo da Faria Lima que mostrou envolvimento de fundos com o PCC.
Felipe Nobre Figueiredo:E isso que você citou é muito interessante porque dialoga com a coluna Provocação do nosso querido Celso Rocha de Barros, do Foro de Terezina, que fez o programa ao vivo, inclusive na Festa do Livro, encher um lugar para parabéns para eles. Inclusive não vou falar o time de coração dele porque são anos complicados nessa relação. Mas ele escreveu assim, a coluna dele se chama Flávio Bolsonaro é terrorista, senador e aliado de Bacelar, apontado como chefe do núcleo político do CV e se declarou irmão de Vorcaro. E o Banco Master também movimentou dinheiro, né, ligado ao crime. Então que você tá falando, essa classificação Vai permitir você mirar uma bazuca na direção do Brasil sem direção direita. E para mim tem ligação inclusive com a questão do Pix também, porque fala: olha só, o Pix é utilizado para movimentar dinheiro do crime organizado, logo vamos, entre aspas, sei lá, sancionar o Pix. Chutando alto aqui. O professor Oliver Stunkel da GV, ele postou no Twitter dele, disse assim: chama atenção que os Estados Unidos designaram o PCC, o Comando Vermelho, como organizações terroristas mas não as máfias italianas, apesar de serem grupos enormes, transnacionais, extremamente violentos. Para Washington são crime organizado. A China disse que é uma interferência em assuntos domésticos, inclusive. E como o João Paulo Chalô mencionou, e aí tá ligado ao que vocês dois mencionaram agora também, isso permite que quase todo mundo no Brasil possa eventualmente ser alvo, sabe? É porque infelizmente O PCC e o CV e outras organizações estão muito presentes, inclusive na economia. Por exemplo, tem uma rede de lojas de conveniência aqui em São Paulo que se suspeita de ligações com o PCC e possível lavagem de dinheiro, tá? Então aí eu vou lá, vou nessa loja de conveniência e compro figurinhas da Copa do Mundo para dar para os filhos de vocês, porque os dois estão fazendo álbum da Copa. Eu estou resistindo ainda essa pressão social.
Fernanda Simas:Isso vai mudar até o próximo programa.
Felipe Nobre Figueiredo:Pois é, possível. Mas brincadeiras à parte, eu agora eu comprei figurinha, eu fiz uma transação na loja que é ligada ao PCC. Então agora eu também tô no mesmo balaio. Então vejam, novamente, não se trata de negar a natureza do PCC ou do CV. Isso mesmo, isso a gente pode discutir. Se trata de dizer que essa ação dos Estados Unidos no ano eleitoral não necessariamente vai ser boa para o Brasil.
Fernanda Simas:É, isso é importante, né, o ano eleitoral. Eu acho que a gente não pode perder de vista o que a gente sempre tem falado: quais são os objetivos em termos de relações internacionais que estão sendo construídos com essas determinações? Se a gente olhar a própria entrevista do Gakia ao podcast ponto da Natuzaneri, ele mesmo traz todas as implicações negativas dessa classificação. Ele traz uma discussão que aí sim seria uma discussão válida do quais foram as falhas do Brasil até hoje, do poder brasileiro até hoje, em combater essa expansão do CV e do PCC. Ok, isso a gente pode falar, isso a gente vai levar para discurso, para debate eleitoral. Acho que isso sim é o que tem que ser o alvo da discussão. Mas ao invés disso a gente tá discutindo a ingerência americana dentro do Brasil no ano eleitoral por uma questão ideológica, por uma questão de interesses próprios do Donald Trump, que a gente também não pode tirar isso de vista, e ideológica de todo o seu plano aí por conta dessa extrema-direita ao redor do mundo.
Felipe Nobre Figueiredo:E aí entra também um outro assunto para mim, foi por isso que eu coloquei o link do Oliver aqui no nosso roteiro, porque, por exemplo, quando você menciona o crime organizado italiano e ele não é classificado como organização terrorista, a gente não pode desvincular tudo isso do que nós estamos falando do fato do Brasil ser um país latino-americano. E aí, essa semana, o Marco Rubio, ele foi sabatinado pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado, uma sabatina regular, comum, né? E ele disse que nesse hemisfério temos uma coalizão de países amigos. Aí ele falou assim: "Com exceção de Nicarágua." de Cuba, obviamente da Venezuela, que continua com alguns desafios, e claro do Brasil, embora eles estejam no meio de um ciclo eleitoral, e o atual governo da Colômbia. Então ele colocou o atual governo da Colômbia, o Brasil, Nicarágua, Cuba e Venezuela no mesmo balaio. Primeiro, colocar esses 5 países no mesmo balaio é uma ignorância atroz do Marco Rubio, ou é um discurso meramente ideológico, porque Nicarágua, por exemplo, é uma ditadura ditária há décadas, completamente personalista, em torno da família Ortega. No Brasil, nos últimos anos, nós tivemos governos de diversos matizes, tá, processos eleitorais. Tivemos o governo Bolsonaro, governo Lula, etc. Tivemos, claro, desafios para nossa democracia, tivemos posturas não muito saudáveis, como o senhor Bolsonaro não transferir a faixa para o presidente eleito. Mas não dá para colocar Brasil e Nicarágua no mesmo balaio, não dá, nem com Venezuela, nem com Lula, tá? E segundo, vamos lembrar que eu quero resgatar algo que a gente tratou, e aí eu vou abrir espaço especialmente para Fê, porque na época Fê ainda não fazia parte do nosso programa, que é o seguinte: duas coisas, uma delas sobre o Marco Rubio. O Marco Rubio, que foi chamado de latino-americano frustrado pelo Lula, o Marco Rubio ele se vê como a personificação da benesse da doutrina Moro. Eu já falei isso aqui, né? O Marco Rubio é o cara que bate no peito e fala: minha família veio de Cuba e aqui eu cresci, aqui eu prosperei, prosperei nos negócios, na política. Hoje eu sou um presidenciável da maior potência do mundo, sendo que minha família veio de Cuba apenas algumas décadas atrás. Então ele se vê a personificação de como a doutrina Moro seria boa para os latino-americanos. Tá, então ele é um defensor da doutrina moral por razões até, digamos, de terapia, tá, da autoimagem dele. E segundo, aí entra uma outra coisa histórica dos Estados Unidos, mas construída especialmente a partir do século 19. E aqui eu peço que tenham em mente que eu não tô falando como uma pessoa que odeia ou ama os Estados Unidos, tô falando como uma pessoa que estuda e conhece a história dos Estados Unidos. Estados Unidos, a partir do século 19, com destino manifesto, com excepcionalismo, depois a Guerra Civil, depois início da expansão, a Gilded Age, constrói um excepcionalismo ideológico de que os Estados Unidos é uma nação abençoada por Deus, é uma nação única, é uma nação que tem como destino inexorável ser o grande farol da civilização, da liberdade pelo mundo, tá? Então esse país, com essa mentalidade, ele não tem aliados. É um país que não vê outros países como aliados. E aí alguns dos nossos ouvintes podem estar chocados nesse momento. E aí eu vou resgatar algo que eu já narrei aqui, que eu já contei aqui, que foi algo que eu ouvi, por exemplo, dentro do quartel da sede da OTAN em Bruxelas, de todos os lugares do mundo, dentro da sede da OTAN, né? Quando um jornalista, uma colega, perguntou se, né, os comandantes gerais da OTAN revezavam entre os países. E aí a pessoa, assessora de imprensa, A força falou com toda clareza do mundo: não, comandante geral sempre dos Estados Unidos, porque tropas dos Estados Unidos não servem sob outros comandantes de outros países. Isso falando dentro da OTAN, gente, que envolve países anglo-saxões como Reino Unido, países brancos como França, Alemanha, países envolvidos e ricos como Países Baixos, tá? Então quando os Estados Unidos para América Latina e o Rubio fala aliados, o que ele quer dizer é subordinados, tá? Novamente, eu não tô falando isso como uma pessoa que ama ou odeia os Estados Unidos. Eu vejo qualidades e pontos negativos na sociedade dos Estados Unidos, como em qualquer sociedade na sua trajetória histórica. Eu não tô falando isso pensando num discurso eleitoral brasileiro, até porque eu acho que o governo Lula tem inclusive talvez um pouco, entre aspas, banalizado essa questão da soberania. Né, mas isso são os quentes, isso é marketing político, tá? O ponto que eu quero dizer é: quando o Marco Rubio fala América Latina está cheia de aliados, tirando esses, é que ele está colocando que o Brasil não está subordinado aos Estados Unidos. Porque os Estados Unidos não vê outros países, seja o Reino Unido, Alemanha ou a França, como aliados iguais. Não vê. É só ver o que os Estados Unidos têm feito recentemente com o Canadá, que é o vizinho dos sonhos de qualquer potência. É só ver o Donald Trump falando que quer anexar um território da aliada Dinamarca, que é um país branco, que é um país rico, que é um país que faz o Ozempic, que hoje metade da população dos Estados Unidos está consumindo, ao ponto do PIB dinamarquês ter engordado. Então, enfim, tô falando demais, por favor me interrompam, falem alguma coisa, né? Mas é isso sobre o Marco Rubro.
Fernanda Simas:É, eu acho que não tem sentido a gente olhar essa situação avaliação sem fazer essa avaliação histórica e fazer avaliação política do de quais são as ambições do Marco Rubio. Essa semana o Donald Trump falou claramente que uma chapa Jade Vance e Marco Rubio para as próximas eleições presidenciais americanas seria algo dos sonhos. Então assim, o Marco Rubio quer ser o próximo presidente dos Estados Unidos. A gente sabe que em termos políticos talvez a chance nesse momento seja do Jade Vance, mas Donald Trump tá correndo para essa cadeira, é para lá que ele quer ir. E um assunto que hoje mobiliza é a base MAGA de eleitores americanos, é falar sobre a questão do, entre aspas, comunismo. Eles continuam com essa bandeira e eles colocam esses países como os países que são governados por comunistas, que não estão de acordo com a política americana de bem-estar, de promover a segurança segurança no continente. Então existe sim essa questão. E aí é óbvio que a gente pode discutir o quão é bom, o quão não é, mas o ponto é: os países— a gente começou falando da Colômbia, a gente falou da iniciativa do Chile em questão de segurança transnacional— os países hoje ideologicamente alinhados ao governo Trump, não falo nem aos Estados Unidos, mas ao governo Trump, eles tá tomando medidas que são medidas para bajular a administração Donald Trump no quesito de segurança, que é o principal tema que a Casa Branca bate quando fala de América Latina, e associando sempre a questão de entrada de drogas nos Estados Unidos, de mortes nos Estados Unidos. Então ele joga para base dele interna falando da situação, né, no, na América Latina. Então eles estão tomando essas medidas. Quando o Trump conversa com Lula, eles têm uma reunião, um elogia daqui, outro elogia de lá, mas não sai nenhum plano que o Donald Trump propôs e o Brasil aceitou, o Brasil é colocado dentro desse balaio. E eles já colocam Venezuela como a Venezuela está em progresso porque a gente fez a mudança necessária ali. Cuba ainda não porque eles estão tentando fazer alguma coisa, e a Nicarágua, que a gente sempre colocou que seria a tríade, né? Eles colocaram Nicarágua, Venezuela e Cuba. Então assim, obviamente toda essa questão, a política interna americana e a política de relações exteriores da Casa Branca hoje é o que tá moldando essa discussão toda que a gente tá tendo aqui hoje.
Felipe Nobre Figueiredo:Concordo plenamente. Eu só não sei se o Marco Rubio é tão distante hoje assim da Casa Branca. É que a minha visão de onde ele vem se tá enviesada Só por causa do South Park.
Fernanda Simas:Não, eu não acho que o Marco Rubio seja distante, pelo contrário, ele hoje é um dos que mais consegue logros com o Donald Trump. Se a gente for pegar aqui, a própria base mais próxima do Trump tá dividida em dois, né? A gente teve a parte do secretário do Comércio sendo contrário a essa taxação ao Brasil nesse momento, e o que prevaleceu ali foi o discurso do Rubio mesmo. Agora eu não sei como vai ser a briga com o J.D. Vance aí para cabeça de chapa.
Matias Pinto:E falando do Marco Rubio, né, ele fez uma declaração na quinta-feira da semana passada justamente, né, sobre essa pauta, no qual ele dizia, né, que o alcance do PCC e do Comando Vermelho se estende por toda a nossa região e ao nosso país, né, o que é uma narrativa falsa, é contrariada por quase todos especialistas, né, porque O PCC e o Comando Vermelho, eles atuam no envio de droga para África e para Europa. Atuação não é nos Estados Unidos, né? É, pode até ter alguma atividade ali, alguns dos estados tal, mas não é um grupo tão grande, não é como, sei lá, o Cartel de Sinaloa, Mara Salvatrucha, exatamente, o próprio Ken de Aragua, né, que o Donald Trump fala a todo momento, né, no primeiro mandato era Mara Salvatrucha, agora é o Tren de Aragua.
Fernanda Simas:Aí tudo isso tem a implicação, a gente acaba não discutindo tanto, né, qual a terminologia, em que momento um grupo passa a poder ser chamado de um grupo terrorista, enfim, mas eu acho que esse ponto até se torna, fica banalizado pela administração Trump porque ele simplesmente deixa claro que ele vai colocar tudo que está atrapalhando dentro dessa categoria, porque a forma dele justificar uma ação militar em qualquer lugar foi isso que ele fez, inclusive com Cartel de los Soles, que não é um cartel na Venezuela, e foi isso que ele usou como justificativa para fazer uma incursão militar e capturar um presidente. E aqui reforço, não estando de acordo ou contrário com Maduro, não importa o que você pensa, a gente, o próprio Brasil, não reconheceu as últimas eleições da Venezuela, mas é, a gente não pode tirar e perder de vista o que foi a ação militar americana dentro da Venezuela.
Felipe Nobre Figueiredo:E ainda sobre essa pressão, né, do governo dos Estados Unidos, o governo dos Estados Unidos também publicou um relatório acusando 60 países, tá, de usarem trabalho forçado e por isso poderiam impor tarifas, né. Ou seja, novamente, tudo isso é uma maneira de tentar justificar as tarifas. E dentre esses 60 países estão Brasil, Reino Unido, Austrália, vários países da União Europeia, Canadá, Japão. E aí eu vou copiar o comentário do nosso queridíssimo Doutor Divago, nosso amigo, né, embora a gente nunca tenha se conhecido ainda, né, nosso amigo ouvinte irlandês, que foi o seguinte: a diferença é que nos Estados Unidos eles prendem a pessoa antes de explorar o trabalho dela.
Matias Pinto:Né?
Felipe Nobre Figueiredo:Mas então é isso, é usar um trabalho forçado como desculpa, né, para impor essas tarifas. E mesmo países aliados, né, ou ideologicamente próximos dos Estados Unidos, estão nessa lista: Argentina, Índia, El Salvador e Israel. Ou seja, a ideia de temos que impor tarifas para corrigir essa injustiça, mas é tudo uma maneira apenas de justificar a tarifa que tarifa que previamente havia sido imposta. O Judiciário dos Estados Unidos não autorizou, e agora você tem que dar um jeito de justificar essa tarifa.
Fernanda Simas:É, isso era algo que os analistas já tinham dito, né, que eles estavam só esperando o momento que o Trump ia dar as novas justificativas para voltar com as tarifas que a Suprema Corte derrubou.
Felipe Nobre Figueiredo:E ainda nessa relação, o governo Trump anunciou que designou o Daniel Pérez, deputado local da Flórida de 38 anos, para ser embaixador dos Estados Unidos no Brasil, tá? Ele é cubano-estadunidense, foi eleito pela primeira vez para a legislatura estadual em 2017. E é isso, né? Ah, é um republicano trumpista da Flórida descendente de cubanos. É o que basta para América Latina, porque é tudo a mesma coisa. É basicamente isso. E antes do Matias puxar para Venezuela, passar aqui rapidamente por algumas outras notícias sobre o Brasil, né, começando pelo fato de que o Brasil registrou a 6ª maior alta de PIB, tá, no primeiro trimestre de 2026, pensando nos 51 países mais ricos, tá. O crescimento foi de 1,1%, ou seja, não é um crescimento tão grande assim se você pensar no número, Porém, apenas Hong Kong, Dinamarca, Coreia do Sul, China e Taiwan cresceram mais do que o Brasil. Mas é claro que, ao desconsiderar países de economias menores, muitas vezes as economias menores crescem mais rápido, né? Então, por isso que tem um foco nessa faixa de economias. O Lula confirmou a sua décima participação na conferência do G7, que vai ser agora em junho na França, em Évian. A cidade da água, acho que é a coisa mais famosa que tem lá. E é muito curioso, você tem assim, tem gente que vai ficar brava com a gente, né? Mas assim, é muito louco você pensar que é a décima participação do Lula numa conferência do G7 e ele é o único presidente brasileiro eleito depois da Constituição de 88 a participar no G7. O FHC não foi, a Dilma não foi, o Temer não foi, Bolsonaro não foi, e ele vai para sua 10ª participação. Isso mostra inclusive a visão sobre o Lula que existe no exterior, né. O governo chinês anunciou no último dia 2 que reconhece todo o território brasileiro como livre de febre aftosa. Isso é importante para as exportações brasileiras, lembrando que o Brasil está passando por um período ali, né, de um intervalo com a União Europeia. E isso também é mérito, né, do Ministério da Agricultura e Pecuária e dos laboratórios, né, de pesquisa e vigilância. E, meu caro Matias, duas notícias do mundo armamentista, da indústria de defesa, né, que infelizmente os gastos nesse assunto estão crescendo ano após ano, mas benefícios também pode surgir para economia brasileira. Duas delas, duas notícias. A primeira delas é que o governo Ucrânia, né, anunciou que vai comprar 20 caças Gripen da Suécia. E também, além desses 20, também teremos algumas unidades do caça de segunda mão suecos sendo doados para Ucrânia. E isso muito provavelmente significará que a linha de montagem do Gripen no Brasil— lembrando que o Gripen é da Saab, mas é produzido, montado no Brasil em parceria com Embraer— muito provavelmente terá que ser expandida. E a outra notícia é que o ministro da Defesa brasileiro, o Múcio, né, ele disse que os submarinos que a Argentina pretende adquirir da França talvez sejam construídos no Brasil. A Argentina pretende adquirir submarinos franceses Scorpène, o mesmo modelo que o Brasil está construindo para sua própria Marinha, e é possível que os futuros submarinos argentinos sejam montados então no Brasil. E aí eu jogo a bola para vocês dois, inclusive, porque o governo Milei tem expandido os gastos militares, né? As Forças Armadas Argentinas ficaram em situação paupérrima depois da derrota na Guerra das Malvinas. Isso teoricamente, assim, tem alguma demanda popular no debate público argentino por isso, ou é uma demanda, digamos assim, dos setores mais próximos dele, incluindo aí a vice- acidente. Porque, sei lá, Argentina, quando Milei foi eleito, acho que ninguém tinha no bingo que Argentina querer comprar submarinos novos da França. Tipo, uma coisa, os caças F-16 que a Argentina comprou ainda são caças de terceira mão, são os caças que não eram bons para Ucrânia, mas agora a Argentina quer comprar submarinos novos.
Matias Pinto:Então é muito louco isso e não faz sentido, porque a gente repercutiu no último programa que a Argentina liberou para os Estados Unidos a Patrulha da Costa.
Fernanda Simas:Exatamente, em teoria não seria mais uma preocupação tão urgente.
Felipe Nobre Figueiredo:Então isso eu achei muito curioso, né, Argentina querer submarinos novos, né. Se a Argentina quisesse, sei lá, comprar os submarinos brasileiros de segunda mão, é isso que o governo brasileiro devia estar fazendo, devia estar usando a Argentina de destino de segunda mão, né. Mas enfim, achei curioso.
Fernanda Simas:Não sei, nesses anos todos cobrindo, enfim, questões argentinas, conversando com as pessoas ali, nunca saltou como sendo uma preocupação popular ou algo que, por exemplo, fosse movimentar as urnas, né. Eu não sei até que ponto, não é um, enfim, uma questão mais pessoal do próprio Milei, enfim, de acordo com as suas ideologias de como mostrar que tá cuidando da segurança do país. É isso, obviamente a questão de segurança fica sempre entre as 3 principais em toda América Latina quando a gente fala em pesquisa eleitoral. Isso é fato. Agora, daí a realmente se tornar esse comprador de primeira linha, eu não sei se tem aí alguma outra coisa que pode surgir daqui para frente, né?
Felipe Nobre Figueiredo:Assim, é estranho, até estranho. Argentina não tem economia para isso, a verdade é essa. Argentina, inclusive, alguns anos atrás, ela tava mais próximo de se tornar o maior estado sem forças armadas do mundo do que gastar milhões que não tem em equipamento militar.
Matias Pinto:Mas enfim, do Brasil vamos agora para Venezuela, já que o General Dan Caine, que é o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, visitou o país sul-americano pela primeira vez.
Felipe Nobre Figueiredo:Pois é, o General Dan Caine visitou Caracas essa semana, a primeira visita oficial dele à Venezuela, mostrando, né, como, enfim, influência dos Estados Unidos em temas venezuelanos continua muito forte. Como você mencionou, numa uma visita inclusive inédita.
Fernanda Simas:E aqui um contexto interessante, é essa questão da presença americana e da influência americana sobre a Venezuela nesse momento começa a despertar as bases chavistas para algum tipo de manifestação, porque no dia 23 de maio aviões militares americanos sobrevoaram Caracas no exercício militar, e aí diversos coletivos, movimentos Movimentos populares, que foram aqueles movimentos e os grupos que deram toda a base para o fortalecimento inicial do chavismo, eles começaram a se queixar do comportamento do governo da Delcy Rodríguez frente às exigências americanas e começaram uma série de protestos e fizeram inclusive um abaixo-assinado que reuniu mais de 5 mil assinaturas contra esse exercício. Aí, 5 mil assinaturas não é muito? Não, não é muito, mas a gente tá falando de um primeiro movimento contrário de forma explícita ao governo de Xi desde que toda essa mudança aconteceu em 3 de janeiro.
Matias Pinto:A gente segue na bacia do Caribe, vamos agora para Cuba, já que Marco Rubio diz que a ilha tem bases de inteligência chinesas.
Felipe Nobre Figueiredo:Chinesas e russas. E assim, muito provavelmente tem captação de satélite, enfim, a gente já falou isso aqui, toda embaixada Todo consulado é um possível centro de coleta de inteligência também, né? Mas agora, né, ele falar isso no Senado, né, ou seja, deixar isso inclusive em registros oficiais, é também uma maneira de buscar legitimar cada vez mais essas intervenções contra Cuba. E a outra notícia cubana, antes dos comentários da Fer, é que o grupo hoteleiro canadense Blue Diamond anunciou que vai encerrar suas operações em Cuba, pelo menos durante esse momento. O Blue Diamond gerencia mais de 60 propriedades em Cuba.
Fernanda Simas:É, Cuba tá na linha de frente dos Estados Unidos. Essa semana a gente até teve um pouco menos de repercussão sobre a situação por lá, mas a gente teve a reunião do chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, que é responsável pelas forças americanas na América Latina, com militares cubanos, é, às margens de Guantanamo. Essa foi a primeira reunião em décadas entre um comandante do Comando Sul militares cubanos na ilha. E é mais um passo aí dessas negociações, dessas conversas entre a administração Trump e Havana pelo futuro aí da ilha, para ver o que que vai ser feito. A gente continua com o mesmo discurso interno em Cuba de que a soberania não está em xeque, mudança de governo também não, mas a gente ainda não consegue afirmar o que que pode ser feito, quais serão as atitudes dos Estados Unidos nas próximas semanas.
Matias Pinto:De Cuba, vamos agora para Guatemala, já que o país negocia um plano de cooperação militar com os Estados Unidos.
Fernanda Simas:É mais um país que vai entrar na lista de aliados ou subordinados aos Estados Unidos. O presidente Arévalo confirmou que foi uma solicitação da própria Guatemala ao governo americano, né, para ter esse plano de cooperação conjunta e se junta aí uma lista de países que tentam agradar a Casa Branca com relação ao tema de segurança e tentar um plano justamente com enfoque contra o narcotráfico.
Matias Pinto:É, e cabe lembrar, né, que a Guatemala faz fronteira direta com o México, né, então para os Estados Unidos é cercar, né, o país norte-americano dos dois lados da fronteira.
Fernanda Simas:É um ganha-ganha, né? Tem o seu plano ali sendo fortalecido e ao mesmo tempo uma forma de pressão ao governo da Xi Jinping.
Matias Pinto:E falando do México, temos um projeto de lei que está tramitando no Congresso que permitiria que as eleições fossem anuladas por interferência estrangeira.
Felipe Nobre Figueiredo:É, esse projeto foi aprovado no Senado, é um projeto que vem do Executivo inclusive, e define interferência estrangeira como financiamento ilícito, propaganda, disseminação sistemática de desinformação, manipulação digital e intervenção de governos ou agências estrangeiras, tá? E assim, acaba sendo um pouco daquelas coisas que a gente já falou aqui, né? Uma lei contra intervenção estrangeira é muito bem-vinda, mas você tem que fazer definições bem precisas do que vai constituir isso e de como provar isso, né, do que seria suficiente para provar isso. Então, e aí agora é o seguinte, essa emenda precisa ser ratificada pela maioria dos 32 estados mexicanos, porque ela é uma emenda constitucional, também tem que ser ratificada pelos estados. E aí vamos ver, embora o governo tenha maioria em boa parte dos estados mexicanos.
Fernanda Simas:A lei fala de agências, a gente está discutindo aqui há semanas a questão da presença democracia dentro do México. Eu acho que esse contexto é importante. Acho que é uma forma da presidente do México fazer frente às ameaças da administração Trump, mas isso desperta, e com razão, diversas críticas de opositores dentro do México e preocupações, porque qual é o tamanho dessa lei? Lembrando, neste momento essa é a situação no México, mas essa lei de forma ampla como está ela realmente abre margem para muita coisa e por muito tempo.
Matias Pinto:E ainda no México, de acordo com a Organização Internacional para a Migração, o país atravessa uma dinâmica migratória sem precedentes marcada por uma forte queda de imigrantes irregulares, sendo que em 2024 foram registradas mais de 1 milhão de imigrações irregulares para Estados Unidos, e baixaram para cerca de 150 mil no ano passado. Além disso, também em 2025, 160 mil cidadãos mexicanos retornaram ao país, vindo dos Estados Unidos.
Fernanda Simas:É, isso é apontado como um resultado claro da pressão migratória que tem sido feita, né? A nova política migratória do Donald Trump já é considerada aí um impacto direto.
Matias Pinto:Bem, Fernanda, e como sempre a gente encerra esse bloco com a sua dica cultural.
Fernanda Simas:Sim, eu vou deixar hoje uma newsletter que se chama Americanas, é uma newsletter do El País, e ela traz panorama sobre a situação feminina na América Latina. Então diversos temas, fala de feminicídio, fala da presença feminina na política dentro desses países. Eu acho que a gente teve um pouco dessa discussão no programa de hoje, e eu deixo essa recomendação aí muito interessante.
Matias Pinto:Bueno, excepcionalmente não teremos a coluna da professora Vivian Almeida, então passemos para o segundo bloco do Giro de Notícias.
Fernanda Simas:Giro de notícias.
Matias Pinto:Notícia da terça-feira passada, dia 2 de junho: Cambódia busca diálogo na ONU para resolução de limites com Tailândia.
Felipe Nobre Figueiredo:A Tailândia, né, devido aos confrontos recentes, ela decidiu sair do acordo bilateral de 2001 que determinava a fronteira marítima entre os dois países no Golfo da Tailândia. E por que isso importa? Porque tem reservas de gás e petróleo ali que ainda não foram exploradas, mas as reservas estão lá. E isso faz parte também da divergência fronteiriça entre os dois países, né, que é herdada do período colonial francês como a gente mencionou. Então o Camboja disse que vai procurar uma ação na ONU, tá, para, entre aspas, obrigar a Tailândia a negociar essa divisa. E ali próximo, meu caro Matias, na Ilha de Papua, mas na parte ocidental da ilha, que é parte da Indonésia, né, uma bomba da Segunda Guerra Mundial explodiu numa vila de pescadores, deixando infelizmente 5 pessoas mortas. Lembrando que a Ilha da Papua foi um dos principais campos de batalha do Teatro do Pacífico da Segunda Guerra Mundial.
Matias Pinto:Também na terça-feira passada, Trump suspende fundo anti-aparelhamento de 1 bilhão e 800 milhões de dólares.
Felipe Nobre Figueiredo:Esse termo fundo anti-aparelhamento, né, o termo utilizado pelo próprio governo Trump, era o fundo que permitiria o governo Trump a dar dinheiro e compensar aliados, inclusive pessoas condenadas pela invasão do Capitólio no 6 de janeiro. Falando nisso, o jornal Washington Post noticiou de forma exclusiva que um homem condenado, tá, pelo episódio, chamado Elias Irizarry, foi contratado pelo Pentágono, inclusive com clearances de segurança sensíveis, mesmo ele tendo sido condenado pela invasão do Capitólio do dia 6 de janeiro. Também em relação aos Estados Unidos, internamente, a Suprema Corte autorizou que o Alabama utilize o novo mapa eleitoral com os distritos redesenhados, que provavelmente vai beneficiar o Partido Republicano. Já a Flórida, meu caro Matias, está processando a OpenAI e o Sam Altman por terem colocado o lucro acima da segurança dos usuários. Lembrando que a Flórida é um estado, né, republicano, né, hoje é um estado republicano. E o processo é baseado no fato de que um atirador na Florida State University planejou o ataque via o ChatGPT e a empresa não agiu nesse sentido. Também sobre o Judiciário dos Estados Unidos, um juiz federal de Washington ordenou que o John Kennedy Center for Performing Arts remova o nome do presidente Donald Trump da fachada do prédio, da identidade visual, considerando que a decisão do conselho de adicioná-lo foi ilegal, afirmando que apenas o Congresso pode determinar o nome do Kennedy Center, que é o principal centro de cultura e convenções da capital dos Estados Unidos, tá, gente? É assim, fazendo uma analogia só para entenderem a importância, é como se fosse uma mistura ali de teatro internacional, com centro de artes, com um Sesc gigante, tá? O Donald Trump, né, na sua tradicional egolatria, né, e num cenário, né, de culto de personalidade dos Estados Unidos, publicou uma imagem dele nas redes sociais com a cara dele no Mount Rushmore, né, a montanha sagrada indígena que foi profanada para colocar a cara de 4 presidentes dos Estados Unidos. E ele disse que ele será a atração principal do evento de aniversário de 250 anos da independência dos Estados Unidos.
Matias Pinto:A gente nunca imaginou o contrário assim.
Felipe Nobre Figueiredo:Pois é, ele disse isso depois que vários artistas cancelaram seus shows afirmando que a celebração não é uma celebração apartidária. E o Donald Trump disse: o fato é que eu sou, segundo muitos, números, atração número 1 em qualquer lugar do mundo. Eu atraio públicos muito maiores do que Elvis em seu auge, e sem sequer um violão. Isso é a modéstia de um homem cristão, entendeu? Falando de relações externas dos Estados Unidos, China e Estados Unidos revogaram mutuamente permissões de trabalho de jornalistas, né, um do outro, já que a China inicialmente revogou a permissão de residência de um correspondente do New York Times E os Estados Unidos cancelou a permissão de um jornalista da agência Xinhua. E finalmente, como curiosidade, um meteoro entrou na atmosfera perto de Massachusetts e deixou muita gente chocada, muita gente assustada, porque teve um grande estrondo, tá, nesse processo. Isso aconteceu por volta das 2 horas da tarde, né, do dia 1º de junho.
Matias Pinto:Notícia de ontem, quarta-feira, dia 3 de junho: Kim Jong-un recebe equipe feminina campeã asiática na Coreia do Norte.
Felipe Nobre Figueiredo:A equipe Naegohyang, né, o time feminino da Coreia do Norte, foi campeão da Champions League feminina asiática, meu caro Matias. A gente já havia comentado, né, sobre a equipe norte-coreana, porque o formato da competição estabelece, né, que as duas semifinais e a final são disputadas numa cidade-sede, no caso Suwon, na Coreia do Sul. Então era a primeira vez que uma equipe norte-coreana de futebol feminino ia para Coreia do Sul para jogar futebol. E a equipe da Coreia do Norte não apenas foi a primeira, não apenas foi pioneira, mas foi a campeã, vencendo o Tóquio Verde Beleza na final. E sim, é o que vocês ouviram, e ele se chama Beleza porque é a palavra em português para beleza, já que nós temos uma influência do português e do idioma português no Japão, especialmente pela presença ali dos comerciantes portugueses no século 16, século 17, e também do Brasil no futebol japonês, tá. Então assim, claro que é um pouco problemático o time feminino ter o nome de beleza, né, associação ali de, sei lá, né, você querer fazer uma associação de, ah, o futebol feminino é o futebol, né, que tem que ser jogado por atletas bonitas, enfim. Ou reduzir as atletas apenas à beleza, mas é o nome do time, tá, Tokyo Verde Beleza, que é o time feminino do Tokyo Verde. E a equipe norte-coreana foi campeã e foi recebida pelo Kim Jong-un como parte, né, dos triunfos. Outra notícia mais complexa da Coreia do Norte de hoje, tá, foi que a Coreia do Norte revelou uma nova instalação para produção de de combustível para ogivas nucleares e também um local de testes, tá, de ogivas nucleares. Já uma outra notícia ligada à Coreia, mas essa é mais especulativa, meu caro Matias: o ministro de Relações Exteriores de Singapura visitou a Coreia do Norte semana passada e essa semana ele visitou a Coreia do Sul. E por que estamos falando disso? Porque a última vez que o ministro de Relações Exteriores de Singapura visitou as duas repúblicas coreanas em sequência foi na véspera do encontro entre Donald Trump e o Kim Jong-un em 2018. Então é possível que nós tenhamos alguma novidade nesse sentido. E uma notícia do Pacífico, meu caro Matias, que a gente não sabe direito onde pôr, mas também uma notícia também esportiva, né? A seleção canadense de críquete foi suspensa pelo Conselho Internacional de Críquete, que é o principal órgão internacional do esporte, por violações de condutas esportivas, porque os atletas do críquete canadense estariam inclusive envolvidos com manipulação de resultados, apostas e conexões com grupos criminosos indianos, incluindo com pessoas, né, que estão em prisões canadenses, tá? O críquete é um dos esportes que mais cresce no Canadá devido especialmente à diáspora indiana no país. E claro, se você quiser conhecer mais da história canadense e um pouco do esporte canadense, o mais recente episódio do Fronteiras Invisíveis do Futebol foi sobre o grande país do norte.
Matias Pinto:Lembrando que a partir da semana que vem o Fronteiras é semanal até o final da Copa do Mundo.
Felipe Nobre Figueiredo:Então vocês façam um favor de ouvir e compartilhar e divulgar para a gente recuperar esses anos de ato pós-pandemia, por favor.
Matias Pinto:Notícia desta quinta-feira, dia 4 de junho: civis fogem de Mogadiscio em meio a confrontos entre tropas e oposição.
Felipe Nobre Figueiredo:Infelizmente, né, o que a gente havia especulado aparentemente já vai começar, que é o fato, né, de como o mandato do presidente da Somália acabou, muitas pessoas na oposição vão começar a questionar, né, a posição dele no poder, etc., inclusive de forma armada. E já tivemos combates em Mogadiscio, a capital da Somália, com várias pessoas fugindo da cidade, né, as estradas ali ficando completamente engarrafadas. E mais ao sul, no continente africano, meu caro Matias, o governo do Moçambique anunciou que 5 cidadãos moçambicanos foram mortos na África do Sul em ataques xenófobos, tá? E centenas de pessoas de outros países africanos tiveram que inclusive fugir de suas casas e buscar refúgio na África do Sul.
Matias Pinto:Bem, passemos agora para a Informação que não altera a cotação do xelim somaliano, mas a gente gosta de tirar onda mesmo assim.
Voz D:Os peões.
Matias Pinto:Bem, Felipe, o peão isolado vai para o país que bem na semana do orgulho LGBT+ comete um retrocesso.
Felipe Nobre Figueiredo:Pois é, o peão isolado vai para Gana. Eu até comentei aqui com Matias, né, acho que a gente já tinha dado para Gana por essa notícia, mas como ela se confirmou, então toma outro peão isolado por conta da lei anti-LGBT.
Matias Pinto:E Felipe, nessa semana a Pian promovida foi uma reviravolta, né?
Felipe Nobre Figueiredo:Pois é, porque a gente tinha dado peão isolado para Frederiksen, Frederiksen, porque ela renunciou, mas agora ela se reconduziu ao poder. Então ela leva o peão promovido. Então a gente está anulando o peão isolado anterior porque ela acabou concretizando a sua vitória eleitoral. Então a Mette Frederiksen leva o peão promovido dessa semana numa reviravolta, já que na outra semana ela levou o isolado porque renunciou. A gente vai fazer um peão de Lego em homenagem à Dinamarca e mandar para ela.
Matias Pinto:Bem, passemos agora para as dicas culturais. Sétimo selo. Felipe, qual que é a sua recomendação para os nossos ouvintes neste feriadão?
Felipe Nobre Figueiredo:Então, meu caro Matias, infelizmente as minhas duas dicas culturais serão baseadas por falecimentos essa semana. Uma delas é da Marjane Satrapi, autora do quadrinho Persépolis, uma das maiores graphic novels das últimas décadas, que também foi adaptada para os cinemas. Ela faleceu essa semana aos 56 anos de idade. Ela que é de origem iraniana, depois radicada na França, inclusive fugindo de perseguição política. Então eu vou recomendar a graphic novel Persépolis, E hoje, no dia da gravação, infelizmente veio a notícia do falecimento do Leivinha. Ele faleceu aos 76 anos de idade como consequência do Alzheimer. Ele foi um dos principais atletas, né, da segunda academia do Palmeiras. No meu caso tem um peso especial porque ele era um dos ídolos do meu pai, né. Ele era muito conhecido pela sua capacidade de cabeceio. Inclusive, ele além de jogar no Palmeiras também jogou na Lusa, no Atlético de Madrid, no São Paulo, também representou a seleção brasileira por 7 vezes. E por conta do falecimento dele, eu vou dar uma recomendação de um livro que eu vou primeiro admitir que eu não li, tá, mas é a biografia dele, Leivinha, o Camisa 8 de Ouro, tá, de Luciano Ubirajara Nasser, publicado pela editora Ideias e Letras em 2019. Então, infelizmente, registrar o falecimento do Leivinha hoje.
Matias Pinto:Bem, aproveitando o clima de Copa do Mundo, eu vou sugerir 3 lançamentos ligados ao futebol no mercado editorial brasileiro, né? A começar pelo lançamento do meu ex-professor e do Felipe, o Flávio de Campos, que escreveu em parceria com o Luiz Henrique de Toledo o livro Futebol na Ponta da Língua: Antropologia e História, né? Que eu estive no lançamento no último sábado. Então manda um salve aí para todo mundo que eu encontrei no final de semana passado. Também a dica do livro Libertadores da América, que foi traduzido pela Pinar e que conta com o meu prefácio, e que teve um evento de lançamento ontem, né, quarta-feira, dia 3 de junho, lá na Livraria Barrilete, com a presença do autor, o Alejandro Dóznez, e também o jornalista Paulo César Martim. E enquanto estamos gravando, né, Felipe, está rolando agora na Feira do Livro também um bate-papo com o Alejandro, com a Anitta Efraim, e também com o professor Fábio Luiz Barbosa dos Santos, que também lançou um livro sobre futebol, Saudades do que Nunca Fomos, né, pela Editora Elefante, e que foi gentilmente enviado para mim. Então agradecimento para editora e esse lançamento. E também um pedido de desculpas, né, já que os alunos do professor Fábio Luiz me convidaram para uma atividade na UNIFESP na segunda-feira que vem, mas eu não pude aceitar porque já tinha compromisso. Então fica aqui o pedido de desculpas público e tamo aí para uma próxima oportunidade.
Felipe Nobre Figueiredo:Posso puxar os recadinhos? Bora! E então mandar um abraço para o João Paulo, para o Rafael Belém. O Rafael Belém que foi além do ônibus 463, Ele disse que hoje o sucessor do 463 é a linha 163, que é o Terminal Gentileza Copacabana, tá, que substituiu a antiga linha, né, e com um trajeto similar, mas em vez de encerrar a viagem em São Cristóvão, segue até o Terminal Gentileza. Um abraço para pessoa que escreveu como Lab Psicanálise, tá, não sabemos quem é direito, e para nossa querida Júlia Prado. Já no email, meu caro Matias, o Lucas Dacher, ele fez uma brincadeira interessante, né, com brincadeira do ônibus, que ele falou assim: com o programa 463 se aproximando, escrevo-lhes para chamar atenção a fatos importantíssimos. 4 6 3 13, e 7 4 1 1 também é 13. E o 7411 era a linha dele do coração quando ele morava em São Paulo e estudou na USP. E 3 é o número de letras de Brasil Campeão. Que tudo isso significa nada, apenas gostaria de participar da brincadeira dos ônibus, homenagear essa linha de ônibus onde passei tanto tempo, mas acho que não estarei vivo para o programa 7411. Olha, eu acho muito improvável que tenha programa 7411, tá? A não ser que, sei lá, que o Martim, filho do Matias, decida continuar com podcast, não sei, alguma coisa assim. Um abraço para o Roni Júnior Oliveira, ele que disse que na semana do Eurovision a música escolhida tinha que se é a campeã do festival. O Álvaro Timóteo, que nos mandou notícias de Vanuatu. Um abraço para o Gustavo Baida, que também comentou sobre a questão da Eurovision e trouxe também uma curiosidade, que Alessandra Mussolini gravou um disco de city pop que foi lançado apenas no Japão em 1980, chamado Tokyo Fantasy. O Vinícius Corrêa, ele mandou um e-mail muito carinhoso e ele pediu para a gente ler o e-mail. Então por isso que a gente vai fazer isso, tá, gente? Ele pediu. O título do e-mail dele inclusive é Meu Relato, por favor leiam. Então, olá, estou escrevendo esse e-mail para agradecer ao Xadrez Herbal. Sempre fui apaixonado por relações internacionais e ouvir vocês nunca foi só pelo aprendizado, mas também um hobby que adoro ter. Ouço vocês e quando estou lavando louça, muitas louças inclusive, fazendo qualquer outra atividade. Anos atrás estava na dúvida se eu deveria estudar relações internacionais, pois trabalhava com logística Sesc e Comex. Nisso mandei uma mensagem para o Matias, que me motivou a seguir com meu desejo. Hoje posso dizer que trabalho com relocation e global mobility e consegui realizar um sonho de atuar com algo que eu sou apaixonado. Então queria agradecer não só pelo aprendizado de sempre, mas por terem uma influência gigante em minha vida. Abraço a todos e keep up the good work. Vinícius. Então um abraço para o Vinícius Correia, a gente agradece o e-mail dele muito carinhoso. Um abraço para o Marcelo Silva, Um abraço para o Lucas Kenji Mori também, que comentou a prisão do senador filipino Bato, né, o Ronald de la Rosa. Mas ele disse que essa prisão também aconteceu no contexto da votação que removeu o presidente do Senado, Tito Soto, e o substituiu na mesma votação por Alan Peter Caetano, que é percebido como um aliado da família Duterte. Então, por isso que o Bato, que estava escondido, apareceu no Senado no dia 11 para depositar o seu voto. E foi então que tentaram prendê-lo. Então a gente agradece o Lucas pelo complemento.
Matias Pinto:Bem, Felipe, e fica aqui uma notícia que o nosso ouvinte, o Lucas de la Merlina, nos compartilhou. Ele que é mais conhecido como Graça, da Turma 10 da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto, lá da USP, já que a biblioteca da faculdade realizou a doação de quase 3.000 obras jurídicas que passarão a integrar o acervo do Centro de Formação Jurídica e Judiciária do Timor-Leste, né? Então, um abraço para o Graça e para o amigo dele, o Social, também da Turma 10. Já no último domingo, na Feira do Livro, fica aqui um abraço para o Fabrício, nosso ouvinte lá de Juazeiro do Norte, São Paulino, que tava torcendo assim como eu por um empate contra o Clube do Remo, mas acabou perdendo. Um abraço também para o Bruno Barbosa e a família, que foram gentis também. Conversamos um pouco ali também na Praça Charles Miller. Um abraço para os amigos de infância que eu acabei encontrando também, o Arthur Vonke, o Pedro Mouser e o Marcelo Lotufo. E também fica aqui o agradecimento para equipe da Feira do Livro, que me chamou para discotecar na festa de abertura. Então um abraço para o Paulo Werneck, para Sofia Mariucci e para Clea Magalhães, e para todo mundo que tava na festa ali no bubu embaixo da marquise do Pacaembu. Felipe, a música de encerramento dessa semana vai em homenagem ao músico gaúcho Pedro Hortaça, que faleceu no último dia 29 aos 83 anos, né? Ele que já tava enfrentando um quadro delicado de diabetes desde fevereiro desse ano, e o último dos Troncos Missioneiros que estava vivo, né? Então, para encerrar o programa, a gente vai tocar a música Timbre de Galo, já que um dos seus apelidos era Galo Missioneiro. Então é com esse grande sucesso da música gauchesca que a gente encerra mais esta edição.
Felipe Nobre Figueiredo:É verdade que alguns dizem que os tempos hoje são outros, que o campo é quase a cidade, que os xiripás estão rotos, que as esporas silenciaram na carne morta dos potros. Cerguerão nos alicerces dos portins da distância. Não esqueça de outra parte para honrar a descendência que tudo aquilo que muda, muda só nas aparências. Fiquei devendo promessa, mas se eu pudesse eu voltava, pronto o Rio Grande começa. E se me chamam de grosso, nem [MUSIC]
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